Archive for janeiro, 2012

Frases de São Camilo de Lellis – 14 de Julho

– OS enfermos são as pupilas do coração de Jesus, e o que fizermos por eles faremos  ao próprio Deus.

– Que cegueira a minha, a de não vos ter conhecido antes e mais cedo, Senhor! Porque não empreguei toda a minha vida em vos servir? Perdoai, Senhor, a este pecador!..

– Já que Deus não me quis naquele convento, naquele estado de penitência, onde tanto desejei viver e morrer, é sinal de que me quer aqui no serviço desses pobres enfermos.

– Assistam aos enfermos com carinho de uma mãe para com seu único filho doente.

– Ó Senhor quanto vos devo! Quanto vos agradeço! E  Camilo abrindo os braços em cruz levantava os olhos ao céu…

– O pobre é Jesus Cristo! Somos servos e escravos dos enfermos.

– Servir ao doente é servir a Jesus Cristo e não merecemos tanta honra.

– Meus irmãos, desapegai vosso coração da terra e pensai que ides receber dentro de vós aquele Senhor que criou o céu, a terra e todo o mundo. Aquele que vos deu a existência e se encarnou e morreu por nós, aquele que nos preparou o céu se formos bons e o inferno se formos maus, tomai cuidado para não o receberdes em pecado.

– Nas vossas mãos ó Mãe, dizia Ele, entrego todos os pedidos de graças a Deus Nosso Senhor e tudo espero de vós. Ai de nós pecadores se não tivéssemos esta grande advogada no céu.

– O mundo é uma morada de aluguel,  onde se passa a noite e uma parte da manhã. A vida está nas mãos do Senhor, Feliz de  quem pratica o bem neste mundo…

– A morte virá, virá talvez esta noite ou amanhã, quando o Nosso Senhor quiser! Bem-aventurado os que vigiam. Façamos o bem enquanto é tempo.

– Rezai por mim! Sou um pobre pecador! Se eu me salvar rezarei por vós no céu.

– Ainda, ó meu Deus, que por meus horrendos pecados seja merecer de mil infernos, espero me salvar pelas promessas de Cristo!

– Lembre aos meus ouvidos ( na hora da morte) do sangue de Jesus derramado  pela nossa salvação, porque nele pus toda minha esperança.

– Senhor eu confesso, nada fiz de bom e sou miserável pecador, só me resta a esperança na vossa Divina Misericórdia e no vosso preciosíssimo sangue!

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31 de janeiro de 2012 at 11:38 1 comentário

Oração pelos povos – República Dominicana

Mensagem do Papa Bento XVI para o povo da República Dominicana:

 Peço ao Senhor, por intercessão de Nossa Senhora de Altagraça e de São Domingos de Guzmán, que cumule de dons celestiais todos os filhos e filhas deste amado País, aos quais concedo de bom grado a Bênção Apostólica.

Nossa Senhora da Altagraça, rogai por nós!

30 de janeiro de 2012 at 15:11 Deixe um comentário

São João Bosco – 31 de Janeiro

HOMILIA DO CARDEAL TARCISIO BERTONE

De ano em ano, a liturgia na festa de Don Bosco, faz ressoar este convite de São Paulo aos Filipenses: “Irmãos, alegrai-vos no Senhor, sempre; repito-vos mais uma vez, alegrai-vos. A vossa afabilidade seja conhecida a todos os homens. O Senhor está próximo! Não vos angustieis por nada, mas nas necessidades apresentai a Deus as vossas solicitações, com orações, súplicas e agradecimentos”.

No domingo passado estive em Verona, onde celebrei a Missa para a Família Salesiana ali reunida. A eles, como a vós hoje, dirijo um auspício: poder ser reconhecidos sempre pelo que somos: cristãos felizes, alegres. Embora sendo idosos podemos ter “o rosto do jovem” e ele será verdadeiro se soubermos inspirar confiança, se a ternura estiver nas nossas palavras, na expressãodo rosto e dos olhos, nos gestos, se o diálogo for espontâneo, se a palavra dada confirmar uma aliança sincera.

O exemplo de Don Bosco impele-nos neste sentido e é bom lembrar algumas eficazes características do seu método educativo orientado para a formação de “bons cristãos e honestos cidadãos”: estudo, trabalho, liberdade regulada, alegria, civilização numa tendencial síntese de razão e religião.

Don Bosco queria uma formação integral para os seus jovens. Dizia que a educação é coisa do coração, é preciso que todos os protagonistas da educação convirjam numa comunhão de interesses e de objectivos, para o amadurecimento de uma autêntica personalidade, humana e cristã.

Contudo, Don Bosco não se detém a contemplar o “céu” dos seus jovens. Viveu no meio deles e soube, ou “sentiu”, que eles não suportavam somente pensamentos sérios; além disso, teve modo de experimentar quanto sofriam a “pobreza” e o “abandono” e quais eram as suas necessidades, mais ou menos expressas. A sua pedagogia, por conseguinte, não deixa de assumir o “rosto” dos rapazes dos quais se ocupa. Necessariamente, portanto, se “humaniza” nos conteúdos e nos métodos. Assim, a “salvação eterna” é procurada passando através das indispensáveis formas da salvação terrena (alimentação, vestuário, abrigo, trabalho, profissão, socialização) e de um estilo sob medida da sensibilidade juvenil (segurança afectiva, serenidade, convivência familiar, alegria).

Depois, ao aproximar-se o último quarto do século passado, com o desenvolvimento das várias obras, Don Bosco cumulou de significados cada vez mais amplos os termos “pobres”, “abandonados”, mesmo permanecendo fiel até aos últimos dias à escolha originária preferencial pela pobreza económica, social, religiosa. A sua solicitude alargou-se idealmente a todos os jovens atingidos por uma “precariedade” qualquer, também moral, profissional, cultural, para os quais se revelam necessárias medidas diversificadas de acolhimento, assistência, apoio, promoção.

Coerentemente, instituições e métodos abriram-se para uma mais ampla “disponibilidade”. E as palavras do “pai e mestre dos jovens” foram escutadas com crescente simpatia e consenso pelas mais variadas categorias de pessoas, sensíveis ao problema da educação da juventude num mundo novo.

Esta simpatia suscitada em toda a parte por Don Bosco nasce com certeza da assunção de critérios de acção educativa largamente partilhadas: as etapas do crescimento dos jovens não são um evento transitório mas uma experiência de vida válida em si e que incide no futuro; os jovens são e devem ser não só colaboradores activos da própria educação, mas autênticos protagonistas; a alegria e a fadiga de dizer e de projectar não é uma simples tarefa ou um dever, mas sobretudo motivação, inventiva, paixão pela vida e pelo sentido da vida; o relacionamento educativo quer dizer envolvimento de amizade, construção de comunidade, presença propositiva de valores e de ideais…

A propósito, Umberto Eco escreveu sobre Don Bosco: “Este genial reformador previu que a sociedade industrial requer novos modos de agregação e então inventa uma máquina perfeita… a genialidade do Oratório administrado com bases mínimas; prescreve aos seus frequentadores um código moral e religioso, mas depois acolhe também quem não o segue. Neste sentido o projecto de Don Bosco investe toda a sociedade da era industrial, à qual faltou o seu “projecto Don Bosco” com a mesma imaginação, a mesma inventiva organizadora, sociológica, o mesmo sentido dos tempos” (L’Espresso, 15 de Novembro de 1981).

Também, um dos co-fundadores do PCI escreveu em 1920: “Don Bosco! Era um grande, que deveríeis procurar conhecer. No âmbito da Igreja… soube criar um imponente movimento de educação, dando de novo à Igreja o contacto com as massas, que ela tinha perdido. Para nós que estamos fora da Igreja e de cada igreja, ele é um herói, o herói da educação preventiva e da escola-família. Os seus continuadores podem ficar orgulhosos!” (G. Lombardo Radice, Clericali e massoni di fronte al problema della scuola, Roma, La Voce 1920, p. 62-64, I appendice).

Estes autores-escritores colheram o coração da obra de Don Bosco, o seu verdadeiro sentido: um grande amor aos jovens, traduzido num serviço à sua formação humana e profissional.

Nós nos sentimos esses continuadores? Ou simples e unicamente estamos orgulhosos da herança deixada por Don Bosco? Cada um de nós no lugar que ocupa, participa com a própria vida e com o próprio trabalho no projecto integral de formação cristã das novas gerações. Os salesianos, na sua peculiar vocação, encontram na inspiração de Don Bosco, na sua maneira típica de conceber a evangelização como salvação total… o seu apostolado específico, mas também todos os pais e mães de família encontram a linha-guia do próprio papel de educador.

É uma herança que não se pode perder, ao contrário, se deve fazer frutificar cada vez mais na nossa sociedade tão carente de valores e testemunhos.

Fonte: Site do Vaticano

29 de janeiro de 2012 at 18:22 Deixe um comentário

Coração Mansinho

28 de janeiro de 2012 at 22:27 Deixe um comentário

São Tomás de Aquino – 28 de Janeiro

PAPA BENTO XVI:

Estimados irmãos e irmãs!

Depois de algumas catequeses a propósito do sacerdócio e das minhas últimas viagens, hoje voltemos ao nosso tema principal, ou seja, à meditação sobre alguns dos grandes pensadores da Idade Média. Ultimamente, tínhamos reflectido sobre a grande figura de São Boaventura, franciscano, e agora gostaria de falar daquele ao qual a Igreja chama o Doctor communis: isto é, São Tomás de Aquino. O meu venerado Predecessor, Papa João Paulo II, na sua Encíclica Fides et ratio recordava que São Tomás “foi sempre proposto pela Igreja como mestre de pensamento e modelo do modo recto de fazer teologia” (n. 43). Não surpreende que, depois de Santo Agostinho, entre os escritores eclesiásticos mencionados no Catecismo da Igreja Católica, São Tomás seja citado mais do que todos os outros, por sessenta e uma vezes! Ele foi denominado também o Doctor Angelicus, talvez pelas suas virtudes, de modo particular pela sublimidade do pensamento e pureza da vida.

Tomás nasceu entre os anos de 1224 e 1225, no castelo que a sua família, nobre e abastada, possuía em Roccasecca, nos arredores de Aquino, perto da célebre abadia de Montecassino, aonde tinha sido enviado pelos seus pais para receber os primeiros elementos da sua instrução. Alguns anos mais tarde transferiu-se para a capital do Reino da Sicília, Nápoles, onde Frederico II tinha fundado uma prestigiosa Universidade. Nela ensinava-se, sem os limites em vigor alhures, o pensamento do filósofo grego Aristóteles, no qual o jovem Tomás foi introduzido, e de quem intuiu imediatamente o grande valor. Mas sobretudo, nesses anos transcorridos em Nápoles, nasceu a sua vocação dominicana. Com efeito, Tomás sentiu-se atraído pelo ideal do Oriente, fundado não muitos anos antes de São Domingos. Todavia, quando vestiu o hábito dominicano, a sua família opôs-se a esta escolha, e ele foi obrigado a deixar o convento e a transcorrer um pouco de tempo com a família.

Em 1245, já de maior idade, pôde retomar o seu caminho de resposta ao chamamento de Deus. Foi enviado a Paris, para estudar teologia sob a guia de outro santo, Alberto Magno, sobre o qual falei recentemente. Alberto e Tomás estreitaram uma amizade verdadeira e profunda, e aprenderam a estimar-se e a respeitar-se um ao outro, a tal ponto que Alberto quis que o seu discípulo o seguisse também até Colónia, onde ele tinha sido convidado pelos Superiores da Ordem para fundar uma Casa de estudos teológicos. Então, Tomás entrou em contacto com todas as obras de Aristóteles e dos seus comentadores árabes, que Alberto ilustrava e explicava.

Naquele período, a cultura do mundo latino tinha sido profundamente estimulada pelo encontro com as obras de Aristóteles, que permaneceram desconhecidas por muito tempo. Tratava-se de escritos sobre a natureza do conhecimento, as ciências naturais, a metafísica, a alma e a ética, ricos de informações e de intuições que pareciam válidas e convincentes. Era toda uma visão completa do mundo, desenvolvida sem e antes de Cristo, com a mera razão, e parecia impor-se à razão como “a” própria visão; por conseguinte, ver e conhecer esta filosofia era para os jovens um fascínio incrível. Muitos acolheram com entusiasmo, aliás com entusiasmo acrítico, esta enorme bagagem do saber antigo, que parecia poder renovar vantajosamente a cultura, abrir horizontes totalmente novos. Porém, outros temiam que o pensamento pagão de Aristóteles estivesse em oposição à fé cristã e rejeitavam estudá-lo. Encontraram-se duas culturas: a cultura pré-cristã de Aristóteles, com a sua racionalidade radical, e a cultura clássica cristã. Determinados ambientes eram impelidos à rejeição de Aristóteles também pela apresentação que se fizera deste filósofo por parte dos comentadores árabes Avicena e Averroes. Com efeito, foram eles que transmitiram ao mundo latino a filosofia aristotélica. Por exemplo, estes comentadores tinham ensinado que os homens não dispõem de uma inteligência pessoal, mas que só existe um único intelecto universal, uma só substância espiritual, comum a todos, que age em todos como “única”: portanto, uma despersonalização do homem. Outro ponto questionável, veiculado pelos comentadores árabes era aquele segundo o qual o mundo é eterno, como Deus. Compreensivelmente, desencadearam-se disputas infinitas nos mundos universitário e eclesiástico. A filosofia aristotélica ia-se difundindo até entre as pessoas simples.

Na escola de Alberto Magno, Tomás de Aquino desempenhou um trabalho de importância fundamental para a história da filosofia e da teologia, diria para a história da cultura: estudou profundamente Aristóteles e os seus intérpretes, encontrando novas traduções latinas dos textos originais em grego. Assim, não se apoiava mais unicamente nos comentadores árabes, mas podia ler pessoalmente os textos originais, e comentou uma boa parte das obras aristotélicas, distinguindo nelas aquilo que era válido daquilo que era duvidoso, ou que devia ser totalmente rejeitado, demonstrando a consonância com os dados da Revelação cristã e utilizando ampla e perspicazmente o pensamento aristotélico na exposição dos escritos teológicos que ele mesmo compôs. Em última análise, Tomás de Aquino mostrou que entre fé cristã e razão subsiste uma harmonia natural. E foi esta a grande obra de Tomás, que naquele momento de desencontro entre duas culturas – naquele momento em que parecia que a fé devia render-se perante a razão – demonstrou que elas caminham a par e passo, que quanto parecia ser razão não compatível com a fé não era razão; e aquilo que parecia ser fé não era tal, enquanto se opunha à verdadeira racionalidade; deste modo, ele criou uma nova síntese, que veio a formar a cultura dos séculos seguintes.

Em virtude das suas excelentes qualidades intelectuais, Tomás foi chamado novamente a Paris como professor de teologia na cátedra dominicana. Ali começou também a sua produção literária, que continuou até à morte, e que contém algo de prodigioso: comentários à Sagrada Escritura, porque o professor de teologia era sobretudo intérprete da Sagrada Escritura, comentários aos escritos de Aristóteles, obras sistemáticas imponentes, entre as quais sobressai a Summa Theologiae, tratados e discursos sobre vários argumentos. Na composição dos seus escritos, era coadjuvado por alguns secretários, entre os quais o irmão dominicano Reginaldo de Piperno, que o acompanhou fielmente e com o qual o ligava uma amizade fraterna e sincera, caracterizada por uma grande confidência e confiança. Trata-se de uma característica dos santos: cultivam a amizade, porque ela é uma das manifestações mais nobres do coração humano, e contém em si algo de divino, como o próprio Tomás explicou em algumas quaestiones da Summa Theologiae, onde escreve: “A caridade é principalmente a amizade do homem com Deus, e com os seres que Lhe pertencem” (II, q. 23, a.1).

Não permaneceu prolongada e estavelmente em Paris. Em 1259 participou no Capítulo Geral dos Dominicanos em Valenciennes, onde foi membro de uma comissão que estabeleceu o programa de estudos na Ordem. Depois, de 1261 a 1265, Tomás esteve em Orvieto. O Pontífice Urbano IV, que nutria uma grande estima por ele, comissionou-lhe a composição dos textos litúrgicos para a festa do Corpus Christi, que celebramos amanhã, instituída a seguir ao milagre eucarístico de Bolsena. Tomás tinha uma alma requintadamente eucarística. Os lindos hinos que a liturgia da Igreja entoa, para celebrar o mistério da presença real do Corpo e do Sangue do Senhor na Eucaristia são atribuídos à sua fé e à sua sabedoria teológica. De 1265 a 1268 Tomás residiu em Roma onde, provavelmente, dirigia um Studium, ou seja uma Casa de estudos da Ordem, e onde começou a escrever a sua Summa Theologiae (cf. Jean-Pierre Torrell, Tommaso d’Aquino. L’uomo e il teologo, Casale Monf., 1994, págs. 118-184).

Em 1269 foi chamado novamente a Paris, para um segundo ciclo de ensino. Os estudantes – pode-se compreender – entusiasmavam-se com as suas lições. Um dos seus ex-alunos declarou que uma enorme multidão de estudantes seguia os cursos de Tomás, a tal ponto que as salas tinham dificuldades em contê-los e, com um apontamento pessoal, acrescentava que “ouvi-lo era para ele uma profunda felicidade”. A interpretação de Aristóteles formulada por Tomás não era aceite por todos, mas até os seus adversários no campo académico, como Gofredo de Fontaines, por exemplo, admitiam que a doutrina de frei Tomás era superior a outras pela sua utilidade e valor, e servia como correctivo para aquelas de todos os outros doutores. Talvez também para o subtrair dos intensos debates em curso, os Superiores enviaram-no novamente a Nápoles, para permanecer à disposição do rei Carlos I, que tencionava reorganizar os estudos universitários.

Além do estudo e do ensino, Tomás dedicou-se inclusive à pregação pública. E também o povo ia ouvi-lo de bom grado. Diria que é verdadeiramente uma grande graça, quando os teólogos sabem falar com simplicidade e fervor aos fiéis. Por outro lado, o ministério da pregação ajuda os próprios estudiosos de teologia a ter um sadio realismo pastoral, e enriquece a sua investigação com estímulos intensos.

Os últimos meses da vida terrena de Tomás permanecem circundados por uma atmosfera particular, diria misteriosa. Em Dezembro de 1273 ele chamou o seu amigo e secretário Reginaldo para lhe comunicar a decisão de interromper todos os trabalhos porque, durante a celebração da Missa, tinha compreendido, a seguir a uma revelação sobrenatural, que tudo aquilo que tinha escrito até então era apenas “um monte de palha”. É um episódio misterioso, que nos ajuda a compreender não só a humildade pessoal de Tomás, mas também o facto de que tudo o que conseguimos pensar e dizer sobre a fé, por mais elevado e puro que seja, é infinitamente ultrapassado pela grandeza e pela beleza de Deus, que nos será revelada plenamente no Paraíso. Alguns meses depois, cada vez mais absorvido numa meditação reflexiva, Tomás faleceu enquanto viajava para Lião, aonde ia para participar no Concílio Ecuménico proclamado pelo Papa Gregório X. Veio a falecer na Abadia cisterciense de Fossanova, depois de ter recebido o Viático com sentimentos de grande piedade.

A vida e o ensinamento de São Tomás de Aquino poder-se-iam resumir num episódio transmitido pelos antigos biógrafos. Enquanto o Santo, como fazia habitualmente, estava em oração diante do Crucifixo, de manhã cedo na Capela de São Nicolau em Nápoles, Domingos de Caserta, o sacristão da igreja, ouviu um diálogo. Tomás perguntava, preocupado, se aquilo que tinha escrito sobre os mistérios da fé cristã era correcto. E o Crucificado respondeu-lhe:”Tu falaste bem de mim, Tomás. Qual será a tua recompensa?”. E a resposta que Tomás deu é aquela que também nós, amigos e discípulos de Jesus, sempre gostaríamos de lhe dizer: “Nada mais do que Tu, Senhor!” (Ibid., pág. 320).

27 de janeiro de 2012 at 21:37 Deixe um comentário

O Amor tem um Nome – Fernando e Luciano

27 de janeiro de 2012 at 7:12 Deixe um comentário

Jesus ensinava como quem tem autoridade – Quarto Domingo do Tempo Comum – Marcos 1, 21-28


21. Dirigiram-se para Cafarnaum. E já no dia de sábado, Jesus entrou na sinagoga e pôs-se a ensinar.   
22. Maravilhavam-se da sua doutrina, porque os ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas.   
23. Ora, na sinagoga deles achava-se um homem possesso de um espírito imundo, que gritou:   
24. “Que tens tu conosco, Jesus de Nazaré? Vieste perder-nos? Sei quem és: o Santo de Deus!   
25. Mas Jesus intimou-o, dizendo: “Cala-te, sai deste homem!”   
26. O espírito imundo agitou-o violentamente e, dando um grande grito, saiu.   
27. Ficaram todos tão admirados, que perguntavam uns aos outros: “Que é isto? Eis um ensinamento novo, e feito com autoridade; além disso, ele manda até nos espíritos imundos e lhe obedecem!”   
28. A sua fama divulgou-se logo por todos os arredores da Galileia.  

 

Jesus é nosso Mestre e Senhor

Jesus Cristo ainda na Galileia dirigiu-se com seus primeiros discípulos à cidade de Cafarnaum. Era sábado e Jesus entrou na sinagoga para ensinar. Jesus é o Mestre que ensina como alcançar o Reino. Na só na sinagoga, mas em todos os lugares as pessoas admiravam-se de Seus ensinamentos, porque Jesus ensinava com sabedoria e autoridade. O Versículo 22 do Evangelho de São Marcos diz: “Maravilhavam-se da sua doutrina, porque os ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas”.

O Beato João Paulo II disse: “Jesus ensinou. É esse o testemunho que Ele dá de Si mesmo: “Entretanto, todos os dias estava eu sentado entre vós ensinando no templo” (Mt 26, 55b). É essa também a observação que fazem cheios de admiração os Evangelistas, surpreendidos por O verem ensinar sempre e em qualquer lugar, e fazê-lo duma maneira e com uma autoridade desconhecidas até então”. 

“O Espírito do Senhor está sobre Mim” (Is 61,1)

A pregação de Jesus é com a força, poder e autoridade do Espírito Santo. O Beato João Paulo II disse: Em Jesus, o ligame Espírito-Palavra atinge o vértice: de fato, Ele é a própria Palavra que Se fez carne «por obra do Espírito Santo». A presença poderosa do Espírito Santo verifica-se na atividade evangelizadora de Jesus. Ele mesmo o ressalta no sermão inaugural na sinagoga de Nazaré (Lc 4, 16-30), aplicando a Si a passagem de Isaías: «O Espírito do Senhor está sobre Mim» (Is 61, 1).

Também os discípulos de Jesus seguem o Mestre e pregam o Evangelho pela força do Espírito de Deus: “Ao dirigir-se aos cristãos de Tessalônica, São Paulo afirma: «O nosso Evangelho não vos foi pregado somente com palavras, mas também com poder e com o Espírito Santo» (1 Ts 1, 5).  A exemplo dos discípulos, é no Espírito Santo que os evangelizadores devem  buscar autoridade, força e poder.

O Catecismo (1506) diz que Jesus fez com que seus discípulos participassem também ”de seu ministério de compaixão e de cura: “Partindo, eles pregavam que todos se arrependessem.  E expulsavam muitos demônios e curavam muitos enfermos, ungindo-os com óleo”.  (Mc 6,12-13)

O Beato João Paulo II ensinou-nos: “São Pedro define os apóstolos «aqueles que anunciaram o Evangelho no Espírito Santo» (1 Pd 1, 12). Mas o que significa “evangelizar no Espírito Santo”? Sinteticamente, pode-se dizer: significa evangelizar na força, na novidade, na unidade do Espírito Santo. Evangelizar na força do Espírito quer dizer ser investido daquele poder que se manifestou de modo supremo na atividade evangélica de Jesus”.

Pelo sopro de Jesus ressuscitado a Igreja recebeu na tarde da Páscoa, o Espírito Santo (Jo 20,22), e sob esse sopro se desenvolve a vida da Igreja. Diz o documento da Igreja que “o Espírito Santo é o protagonista de toda a missão eclesial”. (Redempt. miss. 21)

Santo Ambrósio disse que “a Igreja é esse navio que navega bem neste mundo ao sopro do Espírito Santo com as velas da cruz do Senhor plenamente desfraldadas”.

É pela força do Espírito que o Senhor chama a sua Igreja a anunciar o Evangelho a todas às nações. Eis o mandato de Jesus: “Mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo”. (Atos 1, 8) Cinquenta dias depois da páscoa, Jesus derrama o Espírito Santo em forma de línguas de fogo sobre Maria e os Apóstolos. A Igreja anuncia o Evangelho graças à presença e à força do Espírito Santo.

Jesus liberta-nos do mal

Dos versículos 23 a 28, a Palavra fala de um homem possuído de um espírito imundo, que aos gritos dizia que Jesus é “o Santo de Deus” (V.24). Jesus com autoridade disse-lhe:  “Cala-te, sai deste homem!” (V. 25). “O espírito imundo agitou-o violentamente e, dando um grande grito, saiu”. (V.26) Ficaram todos admirados e disseram de Jesus: “…além disso, ele manda até nos espíritos imundos e lhe obedecem!”  E diz o versículo  28: “A sua fama divulgou-se logo por todos os arredores da Galileia”.  São Basílio de Cesareia disse que com Jesus “o diabo perdeu o seu poder na presença do Espírito Santo”.

O Beato João Paulo II disse que “iniciada no deserto, a luta com Satanás prossegue durante toda a vida de Jesus. Uma Sua atividade típica é a do exorcismo, razão por que o povo brada admirado: «Até manda nos espíritos impuros, e eles obedecem-Lhe» (Mc 1, 27). É precisamente «com o Espírito de Deus» que Jesus expulsa os demónios (Mt 12, 28). Segundo o evangelista Lucas, depois da tentação no deserto, «impelido pelo Espírito, Jesus voltou para a Galileia (…) e ensinava nas sinagogas» (4, 14-15). A palavra de Jesus expulsa os demônios, aplaca as tempestades, cura os doentes, perdoa os pecadores, ressuscita os mortos”.

A missão de Jesus incluía o exorcismo, porque Ele veio para “…por em liberdade os cativos…” (Lc 4, 19). Não é de se admirar que nos evangelhos são narradas muitas dessas situações durante o exercício da missão salvífica de Jesus. O Papa Bento XVI esclarece-nos:  “Jesus não só expulsa os demônios das pessoas, libertando-as da pior escravidão, mas impede que os demônios revelem a sua identidade. E insiste sobre este “segredo”, porque está em jogo o bom êxito da sua própria missão, da qual depende a nossa salvação. Com efeito, sabe que para libertar a humanidade do domínio do pecado, Ele deverá ser sacrificado na cruz como verdadeiro Cordeiro pascal”.

Concluímos essa reflexão com o ensinamento do Catecismo (550) da Igreja Católica: “O advento do Reino de Deus é a derrota do reino de Satanás: “Se é pelo Espírito de Deus que eu expulso os demônios, então o Reino de Deus já chegou a vós” (Mt 12,28). Os exorcismos de Jesus libertam homens do domínio dos demônios. Antecipam a grande vitória de Jesus sobre “o príncipe deste mundo”.

Oremos com a Palavra de Deus (Efésios 6, 10- 20):

“Finalmente, irmãos, fortalecei-vos no Senhor, pelo seu soberano poder. Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do demônio. Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares. Tomai, por tanto, a armadura de Deus, para que possais resistir nos dias maus e manter-vos inabaláveis no cumprimento do vosso dever. Ficai alerta, à cintura cingidos com a verdade, o corpo vestido com a couraça da justiça, e os pés calçados de prontidão para anunciar o Evangelho da paz. Sobretudo, embraçai o escudo da fé, com que possais apagar todos os dardos inflamados do Maligno. Tomai, enfim, o capacete da salvação e a espada do Espírito, isto é, a palavra de Deus. Intensificai as vossas invocações e súplicas. Orai em toda circunstância, pelo Espírito, no qual perseverai em intensa vigília de súplica por todos os cristãos. E orai também por mim, para que me seja dado anunciar corajosamente o mistério do Evangelho,  do qual eu sou embaixador, prisioneiro. E que eu saiba apregoá-lo publicamente, e com desassombro, como é meu dever!”

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

26 de janeiro de 2012 at 5:09 Deixe um comentário

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