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Rio de Janeiro começa vacinação contra a Covid-19 aos pés do Cristo Redentor

Começa a campanha de vacinação contra a Covid no Rio em pleno Corcovado

O início da campanha de imunização contra o coronavírus no Rio foi marcado por um encontro inter-religioso aos pés do monumento do Cristo Redentor, no Corcovado, o maior símbolo do Brasil, e durante a trezena do padroeiro da cidade: “que São Sebastião, o mensageiro da esperança, possa nos inspirar a ter confiança e esperança no Senhor, e que sejamos animados construtores da paz”, afirmou dom Orani João Tempesta, um dos tantos líderes religiosos presentes na ocasião. Uma das primeiras a receber a vacina foi uma idosa de 80 anos atendida pelo Abrigo do Cristo Redentor, em São Gonçalo.

Carlos Moioli – Arquidiocese do Rio de Janeiro

A técnica de enfermagem Dulcineia da Silva Lopes, de 59 anos, e Teresinha Conceição, de 80 anos, uma assistida do Abrigo do Cristo Redentor, em São Gonçalo, foram as duas primeiras cidadãs do Estado do Rio de Janeiro a serem vacinadas contra a Covid-19. O ato simbólico da campanha municipal e estadual de imunização aconteceu nesta segunda-feira (18), por volta das 18h, aos pés do monumento do Cristo Redentor, no Corcovado, e durante a Trezena de São Sebastião, padroeiro da cidade do Rio de Janeiro e do Estado Fluminense, o santo mártir protetor contra a peste.

A vacina usada, a CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan, de São Paulo, em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, foi aprovada pela Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, no dia anterior, em 17 de janeiro, ao receber a autorização para o início do programa nacional de imunização por parte do Ministério da Saúde.

Quem são as primeiras vacinadas?

“Estou na linha de frente há 8 meses e essa é uma sensação muito boa. Agradeço a Deus e a todos da equipe de trabalho que se lembraram de mim e me chamaram para representar a enfermagem. Todo mundo precisa se vacinar”, disse Dulcineia. Ela foi a primeira a receber a vacina pelas mãos do primeiro tenente do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio, o enfermeiro Ângelo Batista da Silva. Dulcineia já atuou como agente comunitária de saúde e atualmente trabalha na linha de frente do enfretamento da pandemia, no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, em Acari.

Já a idosa Teresinha Conceição, acolhida pela prefeitura após ter sua casa demolida pela Defesa Civil em 2015, foi vacinada pela servidora Adélia Maria dos Santos – que é uma das fundadoras do programa de imunização da cidade do Rio. Desde 1990, ela trabalha na área de epidemiologia e imunização da Secretaria Municipal de Saúde, do Rio de Janeiro:

“Foi um momento emocionante. Trabalho há mais de 30 anos em campanhas de vacinação, mas hoje foi um dia inesquecível. O que queríamos era que as pessoas tivessem a oportunidade de serem vacinadas para impedir a infecção pelo vírus. É imprescindível que a população se vacine, porque não temos outro tipo de prevenção contra a Covid-19. Esse foi o momento mais importante de minha carreira.”

Encontro inter-religioso no Cristo Redentor

O ato simbólico da vacinação foi precedido por um encontro inter-religioso pela paz e a esperança. Na ocasião, estavam presentes o reitor do Santuário Cristo Redentor, Pe. Omar Raposo; o arcebispo do Rio, cardeal Orani João Tempesta; vários líderes religiosos; o governador em exercício, Cláudio Castro; o prefeito Eduardo Paes e agentes da Secretaria Municipal de Saúde.

“Sem imaginar a data do inicio da vacinação, já havíamos marcado esse encontro com o desejo de rezar e refletir sobre a esperança e a paz. Muitas religiões estão aqui reunidas, aos pés do Redentor, demonstrando a importância e a necessidade do diálogo ecumênico e inter-religioso. A realização do encontro fez parte da programação da Trezena de São Sebastião, em preparação à festa do padroeiro da cidade, do Estado, e da Arquidiocese do Rio, que neste ano tem como tema ‘São Sebastião, mensageiro da esperança’, disse o cardeal Orani, que acrescentou:

“É uma oportunidade de presenciarmos a história dessa cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Tudo isso acontece durante a Trezena do santo mártir, cuja imagem está peregrinando por toda a arquidiocese, neste ano, de uma maneira diferente, com mais precauções por causa da pandemia. Que São Sebastião, o mensageiro da esperança, possa nos inspirar a ter confiança e esperança no Senhor, e que sejamos animados construtores da paz.”

Durante o encontro, cada representante proferiu uma mensagem de esperança e de paz, fruto das reflexões dos encontros semanais das lideranças religiosas que se reúnem, via plataforma digital, desde o início da pandemia. As mensagens foram proferidas por Marilucia Pinheiro, da Comunidade Fé Bahai; pastor José Roberto Cavalcanti, da Igreja Presbiteriana Unida; Sheikh Adam Muhamad, da Comunidade Islâmica; Pe. Marcelo Torres, da Igreja Ortodoxa Antioquena; Márcio de Jagum, do Candomblé; Marilena Matos, da Umbanda; Vanessa Oliveira, da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e pastor Silas Esteves, do Ministério Betesda.

O encontro foi concluído com uma mensagem da coordenadora do Instituto Expo Religião, Luzia Lacerda, seguida de uma Oração de São Francisco. Também estavam presentes a Comissão Arquidiocesana de Ecumenismo e Diálogo Inter-Religioso: o bispo animador, dom Roque Costa Souza; o secretário, o diácono Nelson Águia; e o coordenador, Pe. Fábio Luiz de Souza, também representando o Conselho de Igrejas Cristãs do Estado do Rio de Janeiro (Conic-Rio).

20 de janeiro de 2021 at 5:42 Deixe um comentário

Campanha contra a Covid-19 no Vaticano: o Papa e o emérito foram vacinados

Encontro entre o Papa Francisco e Bento XVI
Encontro entre o Papa Francisco e Bento XVI  (Vatican Media)

Francisco na entrevista televisiva de domingo anunciou que tomaria a vacina esta semana. O Papa emérito foi vacinado esta manhã.

VATICAN NEWS

Prossegue a campanha de vacinação contra a Covid-19, no Vaticano, iniciada na manhã desta quarta-feira, 13 de janeiro, após a chegada do soro. Tanto o Papa Francisco quanto o Papa emérito Bento XVI já receberam a primeira dose da vacina.Ouça e compartilhe

“Posso confirmar que como parte do programa de vacinação do Estado da Cidade do Vaticano”, disse o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, respondendo às perguntas dos jornalistas, “até hoje a primeira dose da vacina para a Covid-19 foi administrada ao Papa Francisco e ao Papa emérito”.

Francisco havia anunciado durante a entrevista ao Tg5 que seria vacinado esta semana, enquanto o secretário particular de Bento XVI, dom Georg Gaenswein, tinha confirmado que o Papa emérito também seria vacinado.

Recorda-se que na entrevista o Papa Francisco definiu a vacinação “uma ação ética, porque está em risco a sua saúde, a sua vida, mas também a vida dos outros”

14 de janeiro de 2021 at 12:06 Deixe um comentário

Vacinas são luzes de esperança para o princípio do fim da pandemia

Francesa recebe vacina em 4 de janeiro em Saint-Renan
Francesa recebe vacina em 4 de janeiro em Saint-Renan  (AFP or licensors)

Fomos procurar respostas sobre o processo de vacinação: Quais os riscos e as incertezas da vacinação? O que esperar da vacinação a nível mundial no ano 2021?

Rui Saraiva – PortoOuça e compartilhe!

“Luzes de esperança” – foi com esta expressão que o Papa Francisco se referiu às vacinas na sua Mensagem e Bênção Urbi et Orbi, na manhã de Natal. “Hoje, neste tempo de escuridão e incertezas pela pandemia, aparecem várias luzes de esperança, como a descoberta das vacinas” – assinalou o Papa.

O Santo Padre lançou o apelo de que as vacinas devem estar ao dispor de todos e não devem ser geridas em modo nacionalista.

“Mas para que estas luzes possam iluminar e levar esperança ao mundo inteiro, devem estar à disposição de todos. Não podemos deixar que os nacionalismos fechados nos impeçam de viver como uma verdadeira família humana que somos” – declarou.

Francisco pediu aos responsáveis dos Estados, das empresas e dos organismos internacionais que esta nova etapa seja vivida num clima de cooperação e não de concorrência.

Em 2021, o princípio do fim da pandemia

A vacinação já começou na Europa. O dia 27 de dezembro foi o primeiro. Fomos tentar compreender melhor todo este processo de vacinação: Quais os riscos e as incertezas da vacinação? O que esperar da vacinação a nível mundial no ano 2021?

O investigador José Manuel Cabeda, professor de Genética e Imunologia na Universidade Fernando Pessoa no Porto, em Portugal, considera que com este processo de vacinação já estamos no princípio do fim da pandemia.

“Se 2020 ficará na história como o ano da pandemia, 2021 será conhecido como o ano do princípio do fim da pandemia. Mas é meramente o princípio. Esta etapa que agora começamos vai ser muito longa e desigual. Vai ser muito diferente o que se passa nos países ricos e o que se passará nos países com mais dificuldades. Os países ricos no final de 2020 asseguraram que teriam acesso já à quase totalidade do stock mundial da vacina. Mesmo esforços como o da ONU (Organização das Nações Unidas) por uma distribuição equitativa dos stocks de vacinas pelo mundo, tiveram muito pouca eficácia. Ainda que os países ricos sejam financiadores dessa iniciativa, de facto, vai ficar a faltar muitas vacinas na maior parte dos países. E esse é um problema que se vai prolongar por todo o ano de 2021 e, eventualmente, para além de 2021. Contudo, há esperança porque novas vacinas vão entrar na equação algumas delas com a vantagem de serem bastante mais económicas do que aquelas que agora temos disponíveis. Por isso, 2021 será o início do fim, mas apenas o início. E o início de um fim de um trajeto que tem ainda muitos caminhos” – assinalou.

O dever ético de vacinar

Para o investigador português não devemos ter dúvidas em participar nesta campanha, pois vacinar é um dever ético.

“É um dever ético de todos nós participar nesta campanha de vacinação. Ao participar na vacinação não estamos apenas a protegermo-nos a nós próprios, estamos a proteger os outros também. E lembrem-se: não vacinar é que é um risco. E não querer participar na campanha de vacinação é um risco pessoal e um risco que assumimos para os outros” – declarou.

Todas as vacinas têm riscos, mas não vacinar é um risco gigantesco – considera o professor de Imunologia.

“Neste momento todas as vacinas comportam riscos que são considerados aceitáveis porque o risco de não as utilizar é maior do que o risco de utilizar. Reparem qual é a consequência de não vacinar: neste ano em que não pudemos vacinar conseguimos produzir a infeliz cifra de 75 milhões de pessoas infetadas no mundo e mais de 1 milhão e meio de mortos. Portanto, não vacinar é um risco gigantesco” – salientou.

O professor universitário assinala, contudo, que existe o risco real de não ser possível vacinar o número de pessoas suficiente.

“Será que a população que vamos conseguir vacinar vai ser insuficiente? Esse é um risco real, se nós não conseguirmos vacinar um número suficiente de pessoas. E o que vai acontecer é que as pessoas não vacinadas não ficarão protegidas. Enquanto que se esse número for suficiente gera-se o efeito de proteção de grupo que acaba por proteger mesmo as pessoas que ou não foram vacinadas ou que tendo sido vacinadas não reagiram à vacina e por isso não ficaram protegidas. Mas, ficarão protegidas pela quebra da transmissão” – frisou.

Não há perigosidade nas vacinas aprovadas

Para José Manuel Cabeda as campanhas contra a vacinação são baseadas em dados cientificamente falseados e, portanto, afirma que não há perigosidade nas vacinas que já estão aprovadas.

“Os dados objetivos de que dispomos não revelam qualquer tipo de perigosidade nas vacinas que estão aprovadas. Mesmo se as vacinas são de um tipo novo que nunca antes tinha sido utilizado e mesmo que vão ser utilizadas a uma escala absolutamente inédita, o que se passa é que conceptualmente do ponto de vista científico estas são vacinas extremamente seguras. É preciso ter a consciência de que a quase totalidade das campanhas contra a vacinação são baseadas em dados cientificamente falseados. Estamos a falar de artigos científicos que apesar de terem sido publicados foram retratados e retirados pelas próprias revistas porque se revelaram falsos. Este tipo de campanhas tem produzido apenas uma coisa: um imenso sofrimento nas pessoas que acabam por ser vítimas e que acabam por ter doenças gravíssimas que poderiam ser perfeitamente preveniveis e que acabam por levar a sequelas gravíssimas ou até mesmo à morte”.

As vacinas são luzes de esperança neste princípio do fim da pandemia de covid-19. O investigador José Manuel Cabeda sublinha que é um dever ético participar nesta campanha de vacinação.

Laudetur Iesus Christus

6 de janeiro de 2021 at 5:14 Deixe um comentário

A Congregação para a Doutrina da Fé define “moralmente aceitáveis as vacinas anti-Covid”

Vacinação anti-Covid-19

Uma nota da Congregação para a Doutrina da Fé, aprovada pelo Papa Francisco, dá sinal verde, nesta época de pandemia, às vacinas que estão sendo produzidas

Vatican News

É “moralmente aceitável o uso de vacinas anti-Covid-19 que tenham usado linhas celulares de fetos abortados no seu processo de pesquisa e produção”. No caso da atual pandemia, “podem ser usadas todas as vacinas reconhecidas como clinicamente seguras e eficazes com a consciência certa de que o uso de tais vacinas não significa cooperação formal com o aborto do qual derivam as células com as quais as vacinas foram produzidas”. São declarações da Congregação para a Doutrina da Fé em uma nota assinada pelo Prefeito, Cardeal Luis Ladaria, e pelo Secretário, Arcebispo Giacomo Morandi, explicitamente aprovada pelo Papa Francisco em 17 de dezembro passado.Ouça e compartilhe!

O documento da Congregação para a Doutrina da Fé, publicado no momento em que muitos países se preparam para implementar campanhas de vacinação, intervém de forma autorizada para esclarecer dúvidas e perguntas que surgiram a partir de declarações por vezes contraditórias sobre o assunto. A nota “sobre a moralidade do uso de certas vacinas anti-Covid 19” recorda três pronunciamentos anteriores sobre o mesmo tema: o da Pontifícia Academia para a Vida em 2005; a Instrução da Congregação para a Doutrina da Fé Dignitas Personae em 2008; e também uma outra nota da Pontifícia Academia para a Vida de 2017.

A Congregação para a Doutrina da Fé não “pretende julgar a segurança e eficácia” das vacinas atuais contra a Covid-19, que é de responsabilidade de pesquisadores e indústrias farmacêuticas, mas se concentra no aspecto moral do uso das que foram desenvolvidas com linhas celulares de tecidos obtidos a partir de dois fetos que não foram abortados espontaneamente na década de 1960. A Instrução Dignitas Personae, aprovada por Bento XVI, especificava que “existem responsabilidades diferenciadas”, pois “nas empresas que utilizam linhas celulares de origem ilícita, a responsabilidade dos que decidem a direção da produção não é idêntica à daqueles que não têm poder de decisão”. E, portanto, argumenta a nota publicada hoje, retomando a Instrução de 2008, quando por várias razões não há disponibilidade de vacinas contra a Covid-19 “eticamente não objetáveis” é “moralmente aceitável” vacinar com as que usaram linhas celulares de fetos abortados.

A razão do consentimento é que a cooperação ao mal do aborto, no caso daqueles que se vacinam, é “remota” e o dever moral de evitá-la “não é obrigatório” – argumenta a Congregação – se estamos na presença de “um perigo grave, como a propagação, de outra forma incontrolável, de um agente patógeno grave”, como o vírus que causa a Covid-19. Portanto, deve-se considerar, esclarece a Congregação da Doutrina da Fé, que “em tal caso pode-se usar todas as vacinas reconhecidas como clinicamente seguras e eficazes com a consciência certa de que o uso de tais vacinas não significa uma cooperação formal ao aborto do qual derivam as células a partir das quais as vacinas foram produzidas”.

A Congregação esclarece que “o uso moralmente lícito desses tipos de vacinas, devido às condições particulares que o possibilitam, não pode, por si só, constituir uma legitimação, mesmo indireta, da prática do aborto, e pressupõe a oposição a essa prática por parte daqueles que a ela recorrem”. Também não deve nem mesmo implicar na aprovação moral do uso de linhas celulares provenientes de fetos abortados. De fato, na nota pede-se ainda às indústrias farmacêuticas e agências de saúde governamentais para “produzir, aprovar, distribuir e oferecer vacinas eticamente aceitáveis que não criem problemas de consciência”.

Mas a Congregação da Fé, embora lembrando que “a vacinação não é, como regra, uma obrigação moral e que, portanto, deve ser voluntária”, também evidencia o dever de buscar o bem comum. Este bem comum, “na ausência de outros meios para deter ou mesmo prevenir a epidemia, pode recomendar a vacinação, especialmente para proteger os mais fracos e mais expostos”. Aqueles que por razões de consciência recusam vacinas produzidas com linhas celulares originárias de fetos abortados, devem no entanto “tomar medidas para evitar, por outros meios profiláticos e comportamentos apropriados, se tornarem veículos de transmissão do agente infeccioso”. De modo a evitar “qualquer risco à saúde” das pessoas mais vulneráveis.

Por fim, a Congregação para a Doutrina da Fé define como “um imperativo moral” garantir que “vacinas eficazes e eticamente aceitáveis” sejam acessíveis “também nos países mais pobres e de forma não onerosa para eles”, pois a falta de acesso às vacinas “se tornaria outro motivo de discriminação e injustiça”.

22 de dezembro de 2020 at 5:26 Deixe um comentário

Volta às aulas na pandemia: com responsabilidade, sejam artífices do futuro, encoraja o Papa

Pontífice exorta o protagonismo dos estudantes para que a paz triunfe

Pontífice exorta o protagonismo dos estudantes para que a paz triunfe  (Vatican Media )

O Papa Francisco tem se manifestado nessa última semana sobre a reabertura das escolas em diferentes países, depois de meses sem aulas devido ao lockdown imposto pela pandemia de Covid-19. Ao universo escolar italiano, exortou responsabilidade de todos no retorno às aulas. À comunidade de língua árabe, na última Audiência Geral, encorajou estudantes a serem “artífices do futuro” – uma conduta compartilhada pela psicoterapeuta Daniela Chieffo: superar a pandemia vai torná-los “mais heróis e até mais maduros de quem não viveu esse período.”

Andressa Collet, Eliana Astorri – Vatican News

A maioria das escolas na Itália reabriram regularmente a partir desta segunda-feira (14) e depois de 6 meses fechadas por causa do lockdown imposto pela pandemia da Covid-19. Apesar do número de contágios continuar aumentando no país, mais de 5,5 milhões de estudantes retornaram às aulas, segundo dados do Ministério da Educação. “Se as regras forem respeitadas”, entre evitar aglomerações, manter distanciamento, usar a máscara e lavar sempre as mãos, afirma o presidente da Sociedade Italiana de Pediatria (SIP), Alberto Villani, em entrevista a Sky Tg24, o ambiente escolar é seguro e “o risco concreto de contágio é quase zero”.

O tom otimista para a volta às aulas também veio do Papa Francisco que, no último sábado (12), por ocasião da Peregrinação Nacional das Famílias pela Família na Itália, fez votos para que o reinício do ano escolar seja vivido “com responsabilidade” por todos. Na última quarta-feira (9), ao saudar os fiéis de língua árabe na Audiência Geral, no Vaticano, o Pontífice também se dirigiu ao universo estudantil:

“Em uma sociedade cada vez mais abalada por grandes desafios que o homem contemporâneo precisa enfrentar, vocês, estudantes e professores, que nestes dias voltaram à escola, sejam os verdadeiros artífices do futuro. Que o Senhor os ajude a se tornarem protagonistas de um mundo mais justo e fraterno, mais acolhedor e solidário, onde a paz possa triunfar na rejeição de qualquer forma de violência.”

Todos à escola: os heróis de hoje

O Vatican News entrevistou a neuropsicóloga e psicoterapeuta da Fundação Policlínico Universitário Agostino Gemelli, de Roma, Daniela Chieffo, sobre a implicação psicológica desse retorno às aulas com a presença invisível da Covid-19 que, inevitavelmente, deve mudar o comportamento de crianças, adolescentes e jovens. As máscaras e o distanciamento físico irão impedir as relações sociais fundamentais normais entre eles.

Daniela – “Para as nossas crianças e jovens, retornar mesmo com medidas de distanciamento significa, antes de tudo, retornar na proteção de relações que é a escola, então, retomar, de alguma forma, o relacionamento com os coetâneos. Com, claramente, um distanciamento que, no entanto, pode ser compensado com outras estratégias de comunicação. Portanto, certamente há necessidade de outras estratégias de contato físico, mas a proximidade e distância devem ser compensadas neste período com uma forma diferente de afeto, é necessário favorecer, acima de tudo, a comunicação.”

A especialista, então, afirma que, para não desenvolver certos medos, é importante que os estudantes “não sejam considerados veículos de contágio”:

Daniela – “Isso é um perigo especialmente para os pequenos, pensando que eles podem adoecer os próprios avós. Essas são mensagens que devem ser tranquilizadas, pois é claro que pode ser desenvolvida uma ansiedade, um medo do outro ao se relacionar. Acredito que, no contexto do crescimento, crianças e adolescentes devem receber informações com uma espécie de serenidade, sem colocar a ênfase em certos conceitos de contágio, com alarmismos ou um sentido militarista dessas medidas de cautela.”

Sobre o futuro e a recordação desse período de pandemia, sem abraços e com muitas máscaras de proteção, a especialista afirma:

Daniela – “Acredito que eles se lembrarão disso como pertencendo a um momento muito difícil que toda a humanidade viveu e está vivendo, portanto serão crianças e jovens que já irão ter desenvolvido recursos em si mesmos em comparação aqueles que não viveram esse período e, provavelmente, acredito que devemos promover a resiliência nessas crianças. A recordação será uma recordação, certamente para alguns até traumática, mas também é verdade que acreditamos muito nas famílias, mas também nos professores, neste caso, na sociedade, para que este evento traumático possa se transformar em um evento de crescimento e até mesmo de partilha.”

“Estamos todos vivendo um período muito difícil, e as crianças e adolescentes estão vivendo com as suas famílias, portanto, superá-lo poderia fazê-los se sentir mais heróis e até mais maduros do que outras crianças e adolescentes que não viveram esse período.”

19 de setembro de 2020 at 5:44 Deixe um comentário

Papa: nossa compaixão é a melhor vacina contra a epidemia da indiferença

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“Vocês são motivados a cuidar dos últimos e da criação, e querem fazê-lo seguindo o exemplo de São Francisco de Assis, com mansidão e laboriosidade”, disse o Papa aos membros da comunidade Laudato Si, propondo-lhes duas palavras-chave da ecologia integral: contemplação e compaixão.

Mariangela Jaguraba – Vatican News

No final da manhã deste sábado (12/09), o Papa Francisco recebeu na Sala Paulo VI, no Vaticano, cerca de 250 participantes das Comunidades Laudato si’ que difundem, na Itália e no mundo, os temas da ecologia integral através de atividades concretas, conferências e publicações.

Vocês colocaram a ecologia integral proposta pela Encíclica Laudato si’ como a força propulsora de todas as suas iniciativas. Integral, porque somos todos criaturas e tudo na criação está em relação, tudo está relacionado. Na verdade, ouso dizer: tudo é harmônico. Até mesmo a pandemia demonstrou isso: a saúde do ser humano não pode ser separada da saúde do ambiente em que ele vive. Também é evidente que as mudanças climáticas não só perturbam o equilíbrio da natureza, mas também causam pobreza e fome, afetam os mais vulneráveis e às vezes os obriga a deixar suas terras. A falta de cuidado com a criação e as injustiças sociais se influenciam reciprocamente: pode-se dizer que não há ecologia sem equidade e que não há equidade sem ecologia.

Seguindo o exemplo de São Francisco de Assis, as Comunidades Laudato si’ são motivadas “a cuidar dos últimos e da criação” e se comprometem “a salvaguardar a nossa Casa comum”, disse o Papa, acrescentando:

Esta é uma tarefa que diz respeito a todos, especialmente aos responsáveis pelas nações e atividades produtivas. É necessária uma vontade real para enfrentar na raiz as causas das atuais mudanças climáticas. Não são suficientes compromissos genéricos, palavras e palavras, e não se pode olhar apenas para o consentimento imediato dos próprios eleitores ou financiadores. É preciso olhar distante, caso contrário, a história não perdoará. É preciso trabalhar hoje para o amanhã de todos. Os jovens e os pobres vão nos pedir conta.

A seguir, o Papa citou duas palavras-chave da ecologia integral: contemplação e compaixão.

Contemplação

“Hoje, a natureza que nos circunda não é mais admirada, contemplada, mas “devorada”. Tornamo-nos vorazes, dependentes do lucro e dos resultados imediatos a qualquer custo. O olhar sobre a realidade é cada vez mais rápido, distraído, superficial, enquanto em pouco tempo as notícias e as florestas se queimam”, disse ainda o Papa.

Doentes de consumo, esta é a nossa doença, doentes de consumo, nos preocupamos em ter o último “aplicativo”, mas não sabemos mais os nomes de nossos vizinhos, muito menos sabemos distinguir uma árvore da outra. E o que é mais grave, com este estilo de vida se perdem as raízes, se perde a gratidão por aquilo que se tem e por quem nos deu.

“Para não esquecer, é preciso voltar à contemplação; para não nos distrair com mil coisas inúteis, é preciso reencontrar o silêncio; para que o coração não fique doente, é preciso parar. Não é fácil. É necessário, por exemplo, libertar-se da prisão do telefone celular, para olhar nos olhos quem está ao nosso lado e a criação que nos foi doada.”

“Contemplar é dar-se tempo para ficar em silêncio, para rezar, para que na alma retorne a harmonia, o equilíbrio saudável entre cabeça, coração e mãos, entre pensamento, sentimento e ação. A contemplação é o antídoto para as escolhas precipitadas, superficiais e inconclusivas. Quem sabe contemplar não fica com as mãos paradas, mas faz algo concreto. A contemplação leva à ação”, sublinhou ainda Francisco.

Compaixão

Segundo o Papa, a compaixão “é o fruto da contemplação. Como se entende que alguém é contemplativo, que assimilou o olhar de Deus? Se tem compaixão pelos outros, se vai além das desculpas e teorias, para ver nos outros irmãos e irmãs para amar. Esta é a prova, e o mesmo acontece com o olhar de Deus que, apesar de todo o mal que pensamos e fazemos, sempre nos vê como filhos amados. Ele não vê indivíduos, mas filhos, nos vê irmãos e irmãs de uma única família, que mora na mesma casa. Nunca somos estranhos aos seus olhos. A sua compaixão é o oposto de nossa indiferença. A compaixão é o contrário da indiferença”.

Vale também para nós: a nossa compaixão é a melhor vacina contra a epidemia da indiferença. “Não me diz respeito”, “não me importa”, “não me interessa”: estes são os sintomas da indiferença. Quem tem compaixão passa do “não me importo com você” ao “você é importante para mim”. A compaixão não é um sentimento bonito, não é pietismo, é criar um novo vínculo com o outro. É assumir, como fez o bom Samaritano que, movido pela compaixão, cuida daquela vítima que nem mesmo conhece.

Francisco ressaltou que “o mundo precisa dessa caridade criativa e ativa, de pessoas que não estão diante de uma tela para comentar, mas que sujam as mãos para remover a degradação e restabelecer a dignidade. Ter compaixão é uma escolha: é escolher não ter nenhum inimigo para ver o meu próximo em cada um. Isso não significa amolecer e parar de lutar. Pelo contrário, quem tem compaixão entra numa dura luta cotidiana contra o descarte e o desperdício, o descarte dos outros e o desperdício das coisas”.

O Pontífice disse que dói pensar nas pessoas que são descartadas sem compaixão: idosos, crianças, trabalhadores, pessoas com deficiência, e que “o desperdício das coisas é escandaloso”.

A FAO documentou que, nos países industrializados, mais de um bilhão de toneladas de alimentos comestíveis são jogados fora em um ano! Vamos nos ajudar e lutar juntos contra o descarte e o desperdício. Esta é a realidade. Vamos exigir escolhas políticas que combinem progresso e equidade, desenvolvimento e sustentabilidade para todos, para que ninguém seja privado da terra em que vive, do bom ar que respira, da água que tem o direito de beber e do alimento que tem o direito de comer.

Francisco concluiu o seu discurso, convidando a “trabalhar como irmãos e construir a fraternidade universal. Este é o momento. Este o desafio de hoje”.

18 de setembro de 2020 at 5:58 Deixe um comentário

Missa “virtual” não substitui participação pessoal na Missa

Papa celebra na Capela da Casa Santa Marta durante pandemia na Itália

Papa celebra na Capela da Casa Santa Marta durante pandemia na Itália  (AFP or licensors)

Em Carta aos presidentes das Conferências Episcopais, o cardeal Roberth Sarah afirma a necessidade de voltar à normalidade da vida cristã, nos locais onde a emergência sanitária provocada pela pandemia o permite: participar de uma Missa pelos meios de comunicação não é equiparável à participação física na igreja.

Vatican News

É urgente voltar à normalidade da vida cristã com a presença física na Missa, nos locais onde as circunstâncias o permitirem: nenhuma transmissão é equiparável à participação pessoal ou pode substituí-la.

É o que afirma o cardeal Robert Sarah, prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, em uma Carta sobre a celebração da liturgia durante e depois da pandemia de Covid-19, intitulada “Voltemos com alegria à Eucaristia!”. O texto, dirigido aos presidentes das Conferências Episcopais da Igreja Católica, foi aprovado pelo Papa Francisco no último dia 3 de setembro.

Dimensão comunitária da vida cristã

“A pandemia devido ao coronavírus – escreve o cardeal Sarah – produziu transtornos” não somente na dinâmica social e familiar, “mas também na vida da comunidade cristã, incluída a dimensão litúrgica”.

O purpurado recorda que “a dimensão comunitária tem um sentido teológico: Deus é a relação de Pessoas na Santíssima Trindade” e “se coloca em relação com o homem e a mulher e os chama por sua vez a uma relação com Ele”.

Assim, “enquanto os pagãos construíam templos dedicados apenas à divindade, aos quais as pessoas não tinham acesso, os cristãos, assim que passaram a usufruir da liberdade de culto, imediatamente construíam lugares que fossem domus Dei et domus ecclesiae, onde os fiéis podiam reconhecer-se como comunidade de Deus”. Por isso “a casa do Senhor supõe a presença da família dos filhos de Deus”.

Colaboração da Igreja com as autoridades civis

“A comunidade cristã – lê-se no texto – nunca buscou o isolamento e nunca fez da igreja uma cidade de portas fechadas. Formados para o valor da vida comunitária e a busca do bem comum, os cristãos sempre buscaram a inserção na sociedade”. “Mesmo na emergência da pandemia, surgiu um grande sentido de responsabilidade: na escuta e colaboração com as autoridades civis e com os especialistas”, os Bispos “estiveram prontos a tomar decisões difíceis e dolorosas, até a prolongada suspensão da participação dos fiéis na celebração da Eucaristia”.

Urgência de voltar à normalidade da vida cristã

“Assim que as circunstâncias o permitirem – afirma o cardeal Sarah – é necessário e urgente regressar à normalidade da vida cristã, que tem o edifício da Igreja como casa e a celebração da liturgia, em particular a Eucaristia, como “meta para a qual se encaminha a ação da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força” (Sacrosanctum Concilium, 10).

Conscientes de que Deus nunca abandona a humanidade que criou, e que mesmo as mais duras provas podem dar frutos de graça, aceitamos a distância do altar do Senhor como um tempo de jejum eucarístico, útil para redescobrir o importância vital, a beleza e a preciosidade incomensurável. No entanto, assim que possível, é necessário voltar à Eucaristia” com “um crescente desejo de encontrar o Senhor, de estar com Ele, de recebê-lo para levá-lo aos irmãos com o testemunho de uma vida cheia de fé, de amor e de esperança”.

Necessidade da participação pessoal na Missa

O purpurado sublinha que, “embora os meios de comunicação desenvolvam um apreciado serviço aos doentes e àqueles impossibilitados de ir à igreja, e tenham prestado um grande serviço na transmissão da Santa Missa num momento em que não havia possibilidade de celebrar comunitariamente, nenhuma transmissão é equiparável à participação pessoal ou pode substituí-la.

Com efeito, estas transmissões, por si só, correm o risco de nos afastar de um encontro pessoal e íntimo com o Deus encarnado que se entregou a nós não de forma virtual, mas sim, dizendo: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele” (Jo 6,56). Esse contato físico com o Senhor é vital, indispensável, insubstituível. Uma vez identificadas e adotadas as medidas concretamente praticáveis ​​para reduzir ao mínimo o contágio do vírus, é necessário que todos retomem seu lugar na assembleia dos irmãos“, encorajando os “desanimados, amedrontados, há muito tempo ausentes ou distraídos”.

Sugestões para o retorno à celebração da Eucaristia

A carta sugere “algumas linhas de ação para promover um retorno rápido e seguro à celebração da Eucaristia. A devida atenção às normas de higiene e segurança – afirma o purpurado – não pode levar à esterilização de gestos e ritos”.

Ademais, “confia-se na ação prudente mas firme dos Bispos, para que a participação dos fiéis na celebração da Eucaristia não seja reduzida pelas autoridades públicas a uma ‘aglomeração’, e não seja considerada como equiparável ou até mesmo subordinada às formas de agregação recreativa. As normas litúrgicas não são matéria sobre os quais as autoridades civis podem legislar, mas apenas as autoridades eclesiásticas competentes (cf. Sacrosanctum Concilium, 22).

Respeito pelas normas litúrgicas

A carta exorta a facilitar “a participação dos fiéis nas celebrações, mas sem experiências rituais improvisadas e em total conformidade com as normas contidas nos livros litúrgicos que regulam seu desenvolvimento”, e reconhecendo “aos fiéis o direito de receber o Corpo de Cristo e adorar o Senhor presente na Eucaristia nas formas previstas, sem limitações que até mesmo possam ir além do previsto pelas normas higiênicas emanadas pelas autoridades públicas ou pelos Bispos”.

Um princípio seguro: a obediência aos bispos

Sobre este ponto, o cardeal dá uma indicação precisa: “Um princípio seguro para não errar é a obediência. Obediência às normas da Igreja, obediência aos Bispos. Em tempos de dificuldade (por exemplo, pensemos nas guerras, pandemias), os Bispos e as Conferências Episcopais podem dar normativas provisórias que devem ser obedecidas. A obediência salvaguarda o tesouro confiado à Igreja. Estas medidas ditadas pelos Bispos e pelas Conferências Episcopais expiram quando a situação volta à normalidade”.

Saúde pública e salvação eterna

A Igreja – conclui o Cardeal Sarah – protege a pessoa humana “na sua totalidade” e “à necessária preocupação pela saúde pública, a Igreja une o anúncio e o acompanhamento para a salvação eterna das almas”.

16 de setembro de 2020 at 5:38 Deixe um comentário

Ventiladores doados pelo Papa ajudam pacientes com Covid-19 em Bangladesh

Nesta terça-feira, 8 de setembro, Bangladesh registrava 327.456 casos de contágio por Covid-19 e 4.516 óbitos.

Nesta terça-feira, 8 de setembro, Bangladesh registrava 327.456 casos de contágio por Covid-19 e 4.516 óbitos.  (AFP or licensors)

A Santa Sé enviou três ventiladores a Bangladesh em apoio à luta contra o coronavírus: um foi destinado ao Hospital São João Vianney, enqusnto outros dois foram para dois hospitais católicos em Dinajpur e Jessore.

Vatican News

“O Papa Francisco enviou como doação um ventilador para a Unidade de Terapia Intensiva. É uma bênção para nós. Será muito útil no atendimento aos pacientes com coronavírus”, disse agradecido à Agência Fides padre Kamal Corraya, diretor executivo do Hospital São João Vianney de Tejgaon, em Daca.

A Santa Sé, de fato, enviou três ventiladores a Bangladesh em apoio à luta contra o coronavírus: um foi destinado ao Hospital São João Vianney. Outros dois foram enviados a dois hospitais católicos em Dinajpur e Jessore.

O “inimigo invisível” da Covid-19 também atingiu Bangladesh, como explicou o sacerdote. “Durante esta pandemia, o Hospital São João Vianney fez o possível para ajudar as pessoas infectadas que sofrem. Graças aos acordos firmados com o Departamento de Saúde do Governo de Bangladesh, nosso hospital coleta amostras de coronavírus e as envia para exames ao Instituto de Epidemiologia, Controle e Pesquisa de Doenças. Nossos médicos ficam em contato com pacientes positivos para Covid-19 e os aconselham, motivam e fornecem as instruções necessárias. É um grande apoio, principalmente para os mais pobres. Nos últimos meses, coletamos amostras de centenas de pessoas e fornecemos e continuamos a realizar testes regularmente. Estamos prestes a inaugurar uma nova sala de cirurgia que em breve estará totalmente operativa. Nosso hospital é e oferece atendimento médico a qualquer pessoa que o solicitar”.

O doutor Edwaed Pallab Rozario, médico católico do Hospital São João Vianney, declarou à Fides que “a doação da Santa Sé é uma bênção e é realmente precioso para a pequena comunidade cristã em Bangladesh. É uma grande ajuda para o nosso hospital. Somos agradecidos ao Papa por seu generoso”.

Também os pacientes expressam gratidão: “Quando soube que o Santo Padre nos havia enviado ventiladores, senti uma grande alegria e esperança”, contou à Fides Tapu Corraya, católico de Daca, contagiado com Covid-19 e agora recuperado.

O hospital está operativo desde novembro de 2019, quando o cardeal Patrick D’Rozario, arcebispo de Daca, o inaugurou na presença das autoridades civis e religiosas. Está localizado em uma das áreas mais movimentadas da cidade e nas proximidades da Igreja do Santo Rosário, que tem cerca de 15.000 fiéis, incluindo católicos locais e migrantes.

Em 29 de abril, o hospital teve de ser temporariamente fechado e todos os funcionários – mais de 60 – foram colocados em quarentena após 22 membros da equipe médica terem testado positivo para Covid-19. Posteriormente, após a fase de emergência, retomou totalmente a sua atividade, sem consequências graves.

Em Bangladesh, a Igreja Católica administra 12 hospitais, 78 dispensários, 6 hospitais para leprosos, 15 residências assistidas para idosos e deficientes.

Nesta terça-feira, 8 de setembro, Bangladesh registrava 327.456 casos de contágio por Covid-19 e 4.516 óbitos.

(FC/PA – Agência Fides)

13 de setembro de 2020 at 5:39 Deixe um comentário

Pandemia: jovens assumem missão evangelizadora e solidaria

Jovens saem às ruas levando o café da manhã e palavras de acolhida.

Jovens saem às ruas levando o café da manhã e palavras de acolhida.

Acolher e cuidar. Ação Missionária une jovens no Santuário Redentorista de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro em Campos dos Goytacazes ((RJ) nas manhãs de domingo o grupo sai pelas ruas oferecendo café da manhã. Além de alimentar levam a mensagem do Evangelho e escutam e compartilham de suas dores e anseios. Solidariedade e construção de sociedade inclusiva que revela a face de uma igreja solidaria com os pobres.

Ricardo Gomes – Diocese de Campos

O Projeto Café da Manhã Solidário é um momento de escuta e de levar palavras de conforto aos moradores de rua na cidade de Campos dos Goytacazes. Os jovens missionários do Santuário de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro, dos Padres Redentoristas acordam cedo e preparam tudo para passar pelos pontos de concentração dos moradores de rua. Além do alimento escutam um pouco das historias. O Coordenador da Juventude Missionária Redentorista, Igor de Oliveira Ferreira destaca a experiência de cuidar desse grupo de pessoas em vulnerabilidade social.

“O café solidário na minha vida é não só um chamado de Deus, mas uma forma que Deus tem de me ensinar, me corrigir, me santificar. Quando cuidamos do próximo, Deus cuida da gente. É assim é a experiência de levar café da manhã aos mais necessitados. Muitas das vezes quando vamos levar o café, alguns deles perguntam: “você pode me dar um abraço” ou “pode rezar por mim?” e isso é uma grande benção de Deus: levar não só o alimento material, mas também a palavra de Deus. Portanto, o café solidário é um momento meu de encontro com Deus, já que podemos enxergá-lo no irmão”, revela Igor.

Lucas Dias fala da importância da Igreja ser solidaria e buscar ir ao encontro dos pobres e sofredores e neste tempo de pandemia o aumento das famílias em vulnerabilidade social que se abrigam nas ruas. São expostas ao Covid-19 por não poderem vivenciar o distanciamento social. Lucas revela que é importante cuidar.

Jovens saem às ruas levando o café da manhã e palavras de acolhida.

“Então o café solidário para mim foi uma forma de ver a necessidade do outro de ver que a igreja não pode ser só o templo mas a igreja tem que ser cada um de nós e ali poder ver o quanto a misericórdia de Deus age nas pessoas. Também pude ver que não somos nada não temos nada, e que tudo que temos devemos partilhar. Muitas vezes nós temos tudo em nossas casas nunca nos falta o pão de cada dia e mesmo assim reclamamos enquanto outros não tem sequer o que vestir. Consegui enxergar o quanto eu devia sair do comodismo, porque existem várias pessoas esperando o nosso sim. O que nós temos para ofertar, que seja um alimento ou a nossa própria oração, pois os nossos irmãos de rua não necessitam somente do pão, da coberta, mas eles também necessitam das nossas orações para terem o maior de todos os alimentos que é o próprio Jesus Cristo. Sou muito grato a Deus por poder partilhar um pouco do que tenho”, destaca Lucas.

O Coordenador Igor de Oliveira Ferreira informa que o objetivo dessa ação missionária dos jovens é de levar café aos moradores de rua aos domingos na parte inicial da manhã, onde muitos se encontram com fome em razão de ser um horário de difícil acesso aos alimentos. Neste sentido, o projeto se consolidou com o tempo através da ajuda dos agentes de outras pastorais do Santuário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e de alguns colaboradores e se transformou não somente em um instrumento de levar o alimento material, mas também a palavra de Deus, visto que muitos dos irmãos de rua pedem orações, um versículo bíblico, e até mesmo um abraço.

Dom Roberto Francisco procura revelar uma igreja que se solidariza e ajuda a cuidar do pobre

Ajudar a transformação social à luz da Palavra de Deus

O bispo de Campos, dom Roberto Francisco destaca a ação dos jovens da Juventude Missionária Redentorista que não se restringe a levar o alimento, mas ser solidário com a população que vive em situação vulnerável neste tempo de pandemia e parabeniza pela atitude que revela uma igreja em saída, discípula e missionária.

“Parabenizo os jovens do Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro não só pelo gesto solidário com os moradores de rua, mas acrescento também que essa atitude é um serviço da caridade transformadora da igreja e quando jovens se dedicam a colaborar com o cuidado e com a construção de uma sociedade mais inclusiva esta mostrando que é cristão e tem valores, que não se contenta em ficar com os braços cruzados, mas se compromete com as pessoas que sofrem e prova que os jovens querem sempre algo mais e são inspirados pelo Cristo, e esse Cristo sempre os coloque no caminho do amor, do serviço e da luta por uma sociedade mais saudável onde não existam pessoas nas ruas”, destaca dom Roberto Francisco.

11 de setembro de 2020 at 5:40 Deixe um comentário

Papa: a solidariedade é o caminho para sair melhores da crise

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“Uma solidariedade guiada pela fé nos permite traduzir o amor de Deus em nossa cultura globalizada, não construindo torres ou muros que dividem e depois desabam, mas tecendo comunidades e apoiando processos de crescimento verdadeiramente humanos e sólidos.”

Jackson Erpen – Vatican News

Ou seguimos em frente pelo caminho da solidariedade ou as coisas irão piorar. Quero repetir: de uma crise não se sai como antes. A pandemia é uma crise. De uma crise, sai-se melhor ou pior. Temos que escolher. E a solidariedade é precisamente o caminho para sair melhores da crise”.

Não na Biblioteca do Palácio Apostólico como vinha sendo realizada desde março devido à pandemia, mas no Pátio São Dâmaso, que costuma testemunhar o juramento dos novos recrutas da Guarda Suíça e a chegada de presidentes acompanhados de suas delegações.

A alegria do reencontro

Na primeira Audiência pública desde o início da pandemia (a última com presença de público foi em 27 de fevereiro), Francisco demonstrava alegria pelo reencontro com os fiéis, que tiveram a oportunidade de acessar o local entrando pela Porta de Bronze. Algo inédito até então.  Logo ao descer do automóvel sob aplausos, o Santo Padre, mantendo o distanciamento social, conversou com vários fiéis que se aglomeravam junto às divisórias, usando máscaras. Um dos momentos tocantes deste reencontro, foi quando um sacerdote libanês lhe apresentou uma bandeira do País dos Cedros. Ele segurou-a, beijou-a, fazendo uma oração pelo país abalado pela explosão no porto de Beirute e por uma grave crise político-econômica.

 

“Depois de tantos meses retomamos nosso encontro face a face, e não ‘tela a tela’, mas face a face”, disse o Papa com alegria ao iniciar sua catequese, sendo aplaudido pelos presentes.

E foi a eles – e a quem o acompanhava pelos meios de comunicação – que o Pontífice dedicou a quinta catequese da série “Curar o mundo”, intitulada “A solidariedade e a virtude da fé”.

Sair da crise, juntos

“A atual pandemia – começou dizendo Francisco  – pôs em evidência a nossa interdependência: estamos todos ligados uns aos outros, tanto no mal como no bem. Por conseguinte, para sairmos melhores desta crise, devemos fazê-lo juntos, juntos, não sozinhos. Sozinhos porque não se consegue. Ou se faz juntos ou não se faz. Devemos fazê-lo juntos, todos nós, em solidariedade. Gostaria de sublinhar esta palavra, solidariedade”.

“[ Por conseguinte, para sairmos melhores desta crise, devemos fazê-lo juntos, juntos, não sozinhos. Sozinhos porque não se consegue. Ou se faz juntos ou não se faz. Devemos fazê-lo juntos, todos nós, em solidariedade. Gostaria de sublinhar esta palavra, solidariedade.]”

“Como família humana – explicou – temos uma origem comum em Deus; vivemos em uma casa comum, o planeta-jardim no qual Deus nos colocou; e temos um destino comum em Cristo. Mas quando esquecemos tudo isso – chamou a atenção – nossa interdependência torna-se a dependência de uns em relação aos outros”, aumentando a desigualdade e a marginalização; o tecido social se enfraquece e o meio ambiente se deteriora.

Neste sentido, como ensinado por São João Paulo II na Encíclica Sollicitudo rei socialiso princípio de solidariedade torna-se mais do que nunca necessário, pois mesmo vivendo numa mesma “aldeia global”, onde tudo está interligado, nem sempre transformamos em solidariedade esta interdependência. “Há um longo caminho entre a interdependência e a solidariedade: os egoísmos – sejam individuais, nacionais e dos grupos de poder – e as rigidezes ideológicas, alimentam «estruturas de pecado»”.

Solidariedade é bem mais que simples generosidade

A palavra “solidariedade” – sublinhou Francisco – “significa muito mais do que alguns atos esporádicos de generosidade, é muito mais, supõe a criação de uma nova mentalidade que pense em termos de comunidade, de prioridade da vida de todos sobre a apropriação dos bens por parte de alguns. Isso significa solidariedade. Não é só questão de ajudar os outros, isso é muito bom fazer, mas é mais. Trata-se de justiça”. E para ser solidária, dar frutos, a interdependência “tem necessidade de fortes raízes no humano e na natureza criada por Deus, tem necessidade de respeito pelos rostos e pela terra”.

O Pontífice recorda então as advertências da Bíblia desde o início, citando para tal a Torre de Babel, narrada no Livro do Gênesis, que descreve o que acontece quando buscamos alcançar o céu – nossa meta – ignorando a ligação com o humano, com a criação e com o Criador. Isso acontece cada vez que alguém quer subir, subir, subir, sem levar em consideração os outros:

“Construímos torres e arranha-céus, mas destruímos a comunidade. Unificamos edifícios e línguas, mas mortificamos a riqueza cultural. Queremos ser senhores da Terra, mas arruinamos a biodiversidade e o equilíbrio ecológico.”

Criar raízes no Pentecostes para confrontar a “Síndrome de Babel”

Para ilustrar esta “síndrome de Babel”, fala de um conto medieval em que, durante a construção de uma torre”, ninguém se lamentava se caía e morria um homem, mas sim se caía um tijolo, pois custava e demandava tempo e trabalho para fazê-lo:

“Um tijolo valia mais que uma vida humana. Cada um de nós pense noq eu acontece hoje. Infelizmente, algo semelhante pode acontecer também hoje. Alguma queda no mercado financeiro – vimos isso nos jornais nestes dias – é notícia em todas as agências. Milhares de pessoas caem por causa da fome, da miséria, e ninguém fala nisso.”

Neste sentido, para não repetirmos o drama da Torre de Babel, que só gerou ruptura e destruição em todos os níveis, o Senhor nos convida a criar raízes no evento de Pentecostes, que descendo do alto como vento e fogo sobre a comunidade reunida no cenáculo, “infunde sobre eles a força de Deus, os impele a sair e a anunciar a todos Jesus Senhor”:

O Espírito cria unidade na diversidade, cria harmonia. O outro não é um mero instrumento, mera “força de trabalho”, mas participa com tudo de si na construção da comunidade. São Francisco de Assis bem o sabia e animado pelo Espírito deu a todas as pessoas, ou melhor, a todas as criaturas, o nome de irmão ou irmã.

Solidariedade tem “anticorpos” para doença do individualismo

No Espírito Santo – enfatiza o Papa –  Deus se faz presente com a força do seu Espírito Santo, que inspira a fé da comunidade unida na diversidade e na solidariedade:

“Uma diversidade solidária possui os “anticorpos” para que a singularidade de cada um – que é um dom, único e irrepetível – não adoeça com o individualismo, com o egoísmo. A diversidade solidária também possui os anticorpos para curar estruturas e processos sociais que se degeneraram em sistemas de injustiça, em sistemas de opressão. Portanto, a solidariedade hoje é o caminho a percorrer em direção a um mundo pós-pandemia, para a cura de nossas doenças interpessoais e sociais. Não há outro. Ou seguimos em frente pelo caminho da solidariedade ou as coisas irão piorar. Quero repetir: de uma crise não sai como antes. A pandemia é uma crise. De uma crise, sai-se melhor ou pior. Temos que escolher. E a solidariedade é precisamente o caminho para sair melhores da crise, não com mudanças superficiais, com uma pintura por cima e tudo está bem. Não. Melhores!”

Eu penso nas necessidades des outros?

“Em meio a crises, uma solidariedade guiada pela fé nos permite traduzir o amor de Deus em nossa cultura globalizada, não construindo torres ou muros – e quantos muros estão sendo construídos hoje – que dividem, mas depois desabam, mas tecendo comunidades e apoiando processos de crescimento verdadeiramente humanos e sólidos. E para isso ajuda a solidariedade.”

“Eu faço uma pergunta: eu penso nas necessidades dos outros? Cada um responda em seu coração.”

Em meio a crises e tempestades – disse o Papa ao concluir –  o Senhor nos interpela e nos convida a despertar e ativar essa solidariedade capaz de dar solidez, sustentação e um sentido a essas horas em que tudo parece naufragar. Que a criatividade do Espírito Santo nos encoraje a gerar novas formas de familiar hospitalidade, de fecunda fraternidade e de universal solidariedade.

9 de setembro de 2020 at 5:37 Deixe um comentário

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