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A vida é sagrada pois é dom de Deus, reitera Francisco

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O Papa Francisco voltou a reiterar na Audiência Geral desta quarta-feira, que a vida é sagrada desde a sua concepção até a morte natural.

Jackson Erpen – Cidade do Vaticano

Ao saudar os peregrinos poloneses presentes na Audiência Geral desta quarta-feira, 12, o Papa Francisco recordou da Marcha pela Vida realizada no último domingo, “levando uma mensagem de que a vida é sagrada pois é dom de Deus”:

“Somos chamados a defendê-la e servi-la desde a concepção no ventre materno até a idade avançada, quando ela é marcada pela enfermidade e pelo sofrimento. Não é lícito destruir a vida, torná-la objeto de experimentações ou falsas concepções. Peço-lhes que rezem para que a vida humana seja sempre respeitada, testemunhando assim os valores do Evangelho, especialmente no âmbito da família.”

Marcha pela Vida na Polônia

De fato, no último domingo, milhares de pessoas participaram na Polônia da “Marcha pela vida”. Durante o evento – refere o Escritório de Imprensa da Conferência Episcopal polonesa – foi pedida em particular, a retirada da introdução ao documento sobre educação sexual nas escolas.

Kamil Zwierz, presidente do Centro para a Vida e a Família, ao falar sobre o lema deste ano – “Não permitir a educação sexual nas escolas” – afirmou que as Marchas pela Vida e a Família deste ano realizadas na Polônia, “são dedicadas ao problema da educação sexual nas escolas, o que representa uma séria  ameaça a uma visão correta das crianças e jovens e à prioridade educacional dos pais; devemos definitivamente nos opor a isso”.

A Marcha de Varsóvia partiu do monumento de Copérnico em direção a  Krakowskie Przedmieście, até chegar à Prefeitura de Varsóvia. Os participantes portavam uma bandeira branca e vermelha de 100 metros. Especialmente os mais jovens, seguravam balões coloridos.

A Marcha foi precedida pela Santa Missa na Igreja da Santa Cruz para os participantes do evento, enquanto a bênção foi concedida pelo cardeal Kazimierz Nycz, Metropolita de Varsóvia, e por Dom Romuald Kamiński, arcebispo da Diocese de Varsóvia-Praga.

 

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19 de junho de 2019 at 5:44 Deixe um comentário

Papa: “abandonar o egocentrismo e não temer a diversidade”

A volta da praça com o Papamóvel é uma tradição nas audiências

A volta da praça com o Papamóvel é uma tradição nas audiências

A comunhão é o primeiro testemunho dos Apóstolos da obra de salvação de Cristo e da ação de Deus na história, disse o Papa em sua catequese, na audiência geral.

Cristiane Murray – Cidade do Vaticano

Cerca de 20 mil pessoas foram à Praça São Pedro participar da audiência geral do Papa Francisco nesta quarta-feira, 12 de junho. Dando continuidade ao ciclo de catequeses sobre os Atos dos Apóstolos, o Papa iniciou afirmando que a Ressurreição de Cristo não foi um evento entre outros, mas a fonte da vida nova.

A ‘viagem’ do Evangelho

Seus discípulos sabiam e por isso, ficaram unidos a Maria, perseverantes na oração e fortalecidos na comunhão. Os apóstolos buscaram recompor o seu corpo que, após os eventos dolorosos da Paixão do Senhor, ficara reduzido a 11 membros.

Judas Iscariotes, muito embora recebera a grande graça de ser parte do círculo íntimo de Jesus e de participar do seu ministério, num determinado momento isolou-se, apegando-se ao dinheiro e caindo no orgulho ao ponto de preferir a morte à vida.

Recompor o corpo, fechar a ferida

Os Apóstolos, ao contrário, escolheram a vida e a bênção e, para tal, decidiram eleger alguém para o lugar de Judas. Pedro indica que deveria ser um discípulo de Jesus desde o Batismo no Jordão até a Ascensão de Jesus ao Céu.

Elegeu-se Matias através do discernimento comunitário, ou seja, procurando olhar a realidade com os olhos de Deus segundo a ótica da unidade e comunhão.

“ O novo corpo dos Doze é um sinal de que a comunhão vence sobre as divisões e o isolamento, que a comunhão é o primeiro testemunho oferecido pelos Apóstolos da obra de salvação de Cristo e da ação de Deus na história, na fidelidade às palavras do Senhor. ”

Eles não expressam ao mundo uma presumível perfeição, mas através da graça da unidade, fazem emergir um Outro, que vive de um modo novo em meio a seu povo: o Senhor Jesus.
Ao terminar sua reflexão, o Papa exortou:

“Nós também precisamos redescobrir a beleza de testemunhar o Ressuscitado, abandonando atitudes egocêntricas, renunciando a apropriar-nos dos dons de Deus e não cedendo à mediocridade. A recomposição do colégio apostólico demonstra que no DNA da comunidade cristã existem unidade e liberdade de si mesmos. Isto permite não temer a diversidade, não apegar-se às coisas e dons e tornarmo-nos mártires testemunhas luminosas do Deus vivo e atuante na história”.

18 de junho de 2019 at 5:42 Deixe um comentário

Francisco a Núncios: defendam a Igreja e não se juntem a blogs e grupos hostis ao Papa

O Papa, em discurso entregue aos Representantes Pontifícios, compartilhou um "decálogo" de recomendações

O Papa, em discurso entregue aos Representantes Pontifícios, compartilhou um “decálogo” de recomendações  (Vatican Media)

O Pontífice encontrou os Núncios no Vaticano e, em discurso escrito para a ocasião, compartilhou preceitos simples para a missão pontifícia. No decálogo, dirigido também a bispos e sacerdotes de todo o mundo, a importância do Representante Pontifício como homem de Deus, de Igreja, de zelo apostólico e de reconciliação, de homem do Papa, de iniciativa, de obediência, de oração, caridade e humildade.

Andressa Collet – Cidade do Vaticano

Na manhã desta quinta-feira (13) e pela terceira vez no Vaticano, o Papa Francisco recebeu em audiência mais de 100 Representantes Pontifícios, dois quais 98 Núncios Apostólicos. O encontro faz parte de uma reunião, convocada pelo próprio Pontífice, que termina no sábado (15) e contempla momentos de espiritualidade e sessões de trabalho sobre atualidade eclesial, de colaboração internacional e diálogo inter-religioso.

O Papa dirigiu algumas palavras em caráter privado e entregou o discurso escrito para a ocasião, que começava com um convite: analisar a vida da Igreja com “olhos de pastores” e refletir sobre a “missão delicada e importante” dos Representantes Pontifícios. Para isso, Francisco compartilhou alguns preceitos “simples e elementares” através de um “decálogo”, dirigido também aos colaboradores, para fazer o serviço com “o mesmo entusiasmo do primeiro mandato”. Nas orientações, escreveu o Papa, dirigidas também a bispos e sacerdotes de todo o mundo, a importância do Representante Pontifício como homem de Deus, de Igreja, de zelo apostólico e de reconciliação, de homem do Papa, de iniciativa, de obediência, de oração, caridade e humildade.

1 – O Núncio é homem de Deus

Francisco descreveu o “homem de Deus” como aquele que segue “Deus em tudo e para tudo”, vivendo “pelas coisas de Deus e não por aquelas do mundo. Para não “sair dos trilhos e prejudicar a Igreja”, o Núncio precisa saber caminhar com humildade, praticar a justiça e manter o coração aberto aos menos favorecidos da sociedade.

“ O homem de Deus não ludibria e nem engana o seu próximo; não cede a fofocas e boatos; conserva a mente e o coração puros, preservando olhos e ouvidos da sujeira do mundo. Não se deixa enganar pelos valores mundanos, mas olha para a Palavra de Deus para julgar o que for apropriado e bom. O homem de Deus procura seriamente ser ‘santo e irrepreensível diante dele’ (Ef 1,4). ”

2 – O Núncio é homem de Igreja

O Papa recordou que o Núncio representa o Sucessor de Pedro e “o rosto, os ensinamentos e as posições da Igreja”. Para tanto, Francisco fez menção à tentação do servo mau ao falar de Núncios que “tratam mal os seus colaboradores” e têm outras posturas:

“ É feio ver um Núncio em busca de luxo, roupas e objetos ‘de marca’ entre pessoas que não têm o necessário. É um contratestemunho. A maior honra para um homem de Igreja é aquela de ser ‘servo de todos’. […] Ser homem de Igreja quer dizer defender corajosamente a Igreja diante das forças do mal que sempre tentam desacreditá-la, difamá-la ou caluniá-la. ”

3 – O Núncio é homem de zelo apostólico

Francisco afirmou que o zelo apostólico é aquela força que “nos protege do câncer da desilusão” e da tentação de cair na “timidez e na indiferença dos cálculos políticos e diplomáticos, ou mesmo no ‘politicamente correto’”. O Pontífice, então, citou a “grande figura de São Maximiliano Maria Kolbe”, quando escreveu sobre a propagação do “indiferentismo”, segundo o Papa, “uma doença quase epidêmica que vai se espalhando de várias formas, não só na generalidade dos fiéis, mas também entre os membros dos institutos religiosos”.

4 – O Núncio é homem de reconciliação

É importante que o Núncio, sendo um homem comunicação, seja também da “mediação, da comunhão, do diálogo e da reconciliação”, acrescentou Francisco, procurando ainda ser “imparcial e objetivo”.

“Se um Núncio se fechasse na Nunciatura e evitasse de encontrar as pessoas, trairia a sua missão e, ao invés de ser fator de comunhão e de reconciliação, se tornaria obstáculo e impedimento. Vocês não devem jamais esquecer que representam o rosto da catolicidade e a universalidade da Igreja nas igrejas locais espalhadas em todo o mundo e nos governos.”

5 – O Núncio é homem do Papa

Francisco lembrou que o Núncio não representa si próprio, mas o Sucessor de Pedro e, assim, “concretiza, atua e simboliza a presença do Papa entre os fiéis e as populações. É bonito que, em diversos países”, disse o Pontífice, “a Nunciatura é chamada ‘a Casa do Papa’”.

Um bom Núncio precisa ter uma vida de nômade, isto é, “viver sempre com a mala pronta” para ser enviado do Papa e da Igreja, inclusive nas comunidades onde o Pontífice não consegue chegar. E Francisco enfatizou:

“ É, portanto, incompatível o ser Representante Pontifício com o criticar o Papa por trás, ter blogs ou até mesmo se unir a grupos hostis a Ele, à Cúria e à Igreja de Roma. ”

6 – O Núncio é homem de iniciativa

O homem de iniciativa é uma pessoa que segue as capacidades de Jesus e o modelo dos Apóstolos, “é um mestre que sabe ensinar aos outros como se aproximar da realidade” para não ser pego de surpresa pelas tempestades da vida.

Além disso, disse o Papa, o Núncio precisa “adotar uma conduta adequada às exigências do momento, sem jamais cair nem na rigidez mental, espiritual e humana, nem na flexibilidade hipócrita e camaleônica. Não se trata de ser oportunistas, mas de saber como passar do conceito à implementação, tendo em mente o bem comum e a lealdade ao mandato”.

7 – O Núncio é homem de obediência

“A virtude da obediência é inseparável da liberdade”, disse Francisco, e “a obediência a Deus não se separa da obediência à Igreja e aos Superiores”. O Núncio deve seguir o estilo de vida de Jesus de Nazaré e, parafraseando tanto São Maximiliano Maria Kolbe como Santo Agostinho, o Papa alertou:

“Um Núncio que não vive a virtude da obediência – mesmo quando é difícil e contrário à própria visão pessoal – é como um viajante que perde a bússola, arriscando, assim, de falhar com o objetivo. Recordemos sempre o ditado ‘Medice, cura te ipsum’. É contratestemunho chamar os outros à obediência e desobedecer.”

8 – O Núncio é homem de oração

A relação com o Senhor, a familiaridade com Jesus Cristo, deve ser alimento diário de um Representante Pontifício, lembrou o Pontífice:

“A primeira tarefa de cada bispo, então, é aquela de se dedicar à oração e ao ministério da palavra. […] Sem a oração nos tornamos simples funcionários, sempre descontentes e frustrados. A vida de oração é aquela luz que ilumina todo o resto e toda a obra do Núncio e da sua missão”.

9 – O Núncio é homem de caridade ativa

O Papa Francisco enalteceu a importância do encontro com Jesus através da necessidade de “tocar com as mãos a carne de Cristo”, os pobres, as pessoas mais frágeis, a inteira família humana. Não basta se limitar às atividades práticas e inerentes ao Representante Pontifício, mas fazer render a missão com obras de caridade para ser realmente um pai e um pastor.

O Pontífice, ao falar da caridade como gratuidade, tratou também do “perigo permanente das regalias”:

“ A caridade ativa deve nos levar a sermos prudentes ao aceitar os presentes que são oferecidos para obscurecer a nossa objetividade e, em alguns casos, infelizmente comprar a nossa liberdade. Nenhum presente de qualquer valor deve nos escravizar! Recusem os presentes muito caros e, muitas vezes, inúteis, ou enviem à caridade. E recordem que receber um presente caro não justifica nunca o seu uso. ”

10 – O Núncio é homem de humildade

O Papa conclui o discurso entregue aos Representantes Pontifícios, abordando o preceito do Núncio como homem de humildade, ao repropor a oração escrita por um Servo de Deus e ex-Secretário de Estado, o card. Rafael Merry del Val (1865-1930), que, em síntese, indica o caminho cristão da humildade e do amor.

17 de junho de 2019 at 5:40 Deixe um comentário

Papa: o Espírito Santo é o reconstrutor da esperança

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É de esperança a mensagem do Papa Francisco aos habitantes da região das Marcas atingidos pelos terremotos de 2016. “Para conseguirmos nos libertar do passado que retorna, das recordações negativas que nos fazem prisioneiros, dos arrependimentos que paralisam, temos necessidade” do Espírito Santo, que “unge as más recordações com o bálsamo da esperança, porque o Espírito Santo é o reconstrutor da esperança.”

Jackson Erpen – Cidade do Vaticano

«O que é o homem para dele te lembrares?». “Vieram-me à mente estas palavras, pensando em vocês (…). recordação é uma palavra-chave para a vida.”

O versículo 5 do Salmo 8 foi o ponto de partida da homilia do Papa Francisco na Missa celebrada na Praça Cavour em Camerino, região das Marcas atingida pelos terremotos de 2016:

Diante do que vocês viram e sofreram, diante de casas desabadas e de prédios reduzidos a escombros, vem esta pergunta: o que é o homem? O que é, se aquilo que constrói pode ruir em um instante? O que é,  se a sua esperança pode acabar em pó? O que é homem?” .

Recordar-se de Deus dá força para não nos rendermos diante das contrariedades da vida

A resposta – acrescenta  o Papa – parece vir da continuação da frase: “o que é o homem para dele te lembrares? De nós, assim como somos, com nossas fragilidades, Deus recorda-se. Na incerteza que sentimos por fora e por dentro, o Senhor nos dá uma certeza: Ele recorda-se de nós. “Re-corda”, isto é, retorna,  retorna com seu coração a nós, porque estamos em seu coração. E enquanto aqui embaixo muitas coisas são rapidamente esquecidas, Deus não nos deixa no esquecimento. Ninguém é desprezível aos seus olhos, cada um tem um valor infinito para ele: somos pequenos sob o céu e impotentes quando a terra treme, mas para Deus somos mais preciosos que qualquer coisa”.

“ Enquanto aqui embaixo muitas coisas são rapidamente esquecidas, Deus não nos deixa no esquecimento ”

Francisco enfatiza a importância de “recordar” de que “não somos esquecidos por Deus, que somos seus filhos amados, únicos e insubstituíveis.” E recordar d’Ele, “nos dá força para não nos rendermos diante das contrariedades da vida”:

Recordamos o quanto valemos, diante da tentação de nos entristecer e de continuar a desenterrar aquele pior que parece nunca acabar. As más recordações chegam, mesmo quando não pensamos nelas; mas pagam mal: deixam somente melancolia e nostalgia. Mas quão difícil é libertar-se das más recordações! Vale aquele ditado, segundo o qual foi mais fácil para Deus tirar Israel do Egito do que o Egito do coração de Israel”.

Espírito Santo, reconstrutor da esperança

E para conseguirmos nos libertar “do passado que retorna, das recordações negativas que nos fazem prisioneiros, dos arrependimentos que paralisam”, temos necessidade de alguém que nos ajude a carregar os pesos que temos dentro, diz o Papa.

“ Ele unge as más recordações com o bálsamo da esperança, porque o Espírito Santo é o reconstrutor da esperança ”

Jesus não nos tira os pesos como gostaríamos, pois “estamos sempre em busca de soluções rápidas e superficiais”, mas  Ele “nos dá o Espírito Santo (…), o Consolador, Aquele que não nos deixa sozinhos sob os pesos da vida”:

“É Ele que transforma nossa memória escrava em memória livre, as feridas do passado em recordações de salvação. Ele realiza em nós o que fez por Jesus: as suas chagas, aquelas feridas feias escavadas pelo mal, pelo poder do Espírito Santo, tornaram-se canais de misericórdia, chagas luminosas nas quais resplandece o amor de Deus, um amor que eleva, que faz ressurgir. É isso que o Espírito Santo faz quando o convidamos para as nossas feridas. Ele unge as más recordações com o bálsamo da esperança, porque o Espírito Santo é o reconstrutor da esperança.”

Mas, temos necessidade de uma esperança que não desiluda. As esperanças terrenas são efêmeras – afirma o Pontífice – têm sempre “data de vencimento”, pois “são feitas de ingredientes terrenos, que cedo ou tarde estragam”, ao contrário da esperança do Espírito:

A do Espírito é uma esperança duradoura. Não expira, porque se baseia na fidelidade de Deus. A esperança do Espírito tampouco é otimismo. Nasce no mais profundo, reacende no fundo do coração a certeza de sermos preciosos porque amados. Infunde a confiança de não estarmos sozinhos. É uma esperança que deixa a paz e a alegria por dentro, independentemente do que aconteça fora. É uma esperança que tem raízes fortes, que nenhuma tempestade da vida pode desenraizar.”

“ O Espírito nos alimenta de viva esperança. Convidamo-lo. Peçamos a ele que venha a nós e ele se aproximará ”

Se por um lado – observa Francisco – quando estamos perturbados ou feridos, somos levados a “fazer o ninho” em torno às nossas tristezas e nossos medos, por outro “o Espírito liberta-nos de nossos ninhos, nos faz levantar voo, nos desvela um destino maravilhoso destino para o qual nascemos.

Quem se aproxima de Deus não se abate

A terceira e última palavra que o Papa quis compartilhar com os fiéis foi “proximidade”. Para tal, recordou a Santíssima Trindade,  que “é um mistério da proximidade de Deus”.

“A Trindade nos diz que não temos um Deus solitário lá no alto, no céu, distante e indiferente. Não! É Pai que nos deu o seu Filho, feito homem como nós, e que para estar mais próximo ainda, para nos ajudar a carregar os pesos da vida, nos envia seu próprio Espírito. Ele, que é Espírito, vem em nosso espírito e assim nos consola por dentro, leva a ternura de Deus ao nosso interior”:

“ Quem se aproxima de Deus não se abate, mas segue em frente: recomeça, tenta de novo, reconstrói ”

Com Deus, os fardos da vida não permanecem em nossos ombros: o Espírito, a quem nomeamos toda vez que fazemos o sinal da Cruz, precisamente quando tocamos nossos ombros, vem nos dar força, encorajar-nos, sustentar nossos fardos. De fato, ele é especialista em ressuscitar, em elevar, em reconstruir. É preciso mais força para reparar do que para construir, para recomeçar do que para iniciar, para reconciliar-se do que para concordar. Essa é a força que Deus nos dá. Por isso, quem se aproxima de Deus não se abate, mas segue em frente: recomeça, tenta de novo, reconstrói.”

Que promessas não acabem no esquecimento

“Queridos irmãos e irmãs – disse o Santo Padre, encaminhando-se para o final de sua homilia –  eu vim hoje para estar próximo de vocês. Estou aqui para rezar com vocês a Deus que se recorda de nós, para que ninguém se esqueça de quem está em dificuldades. Rezo ao Deus da esperança, para que aquilo que é instável na terra não abale a certeza que temos dentro. Rezo ao Deus Próximo, para que suscite gestos concretos de proximidade. Quase três anos se passaram e o risco é que, após o primeiro envolvimento emocional e midiático, a atenção caia e as promessas acabem em segundo plano, aumentando a frustração daqueles que veem o território cada vez mais despovoado. O Senhor, ao contrário, impele a recordar, reparar, reconstruir e a fazer isso juntos, sem nunca esquecer aqueles que sofrem.”

“ Rezo ao Deus da esperança, para que aquilo que é instável na terra não abale a certeza que temos dentro ”

“O que é o homem para dele te lembrares? Deus que se lembra de nós, Deus que cura nossas memórias feridas ungindo-as de esperança, Deus que está perto de nós para nos reerguer por dentro, nos ajude a sermos construtores de bem, consoladores de corações”, disse Francisco ao concluir.

16 de junho de 2019 at 7:59 Deixe um comentário

Papa: a relação de gratuidade com Deus nos ajuda a servir os outros

Papa Francisco - Santa Marta

Papa Francisco – Santa Marta  (Vatican Media)
Não há relação com Deus fora da gratuidade. Foi o que recordou o Papa nesta manhã exortando a alargar o coração para receber a graça e, na vida espiritual, a não escorregar “no pagamento”.

Debora Donnini, Silvonei José – Cidade do Vaticano

Dê de graça o que você recebeu de Deus de graça. A homilia do Papa Francisco nesta manhã na Casa Santa Marta é toda sobre a gratuidade de Deus e, portanto, sobre a gratuidade a ter com os outros, seja com o testemunho seja com o serviço. O convite é, portanto, a alargar o coração para que a graça venha. A graça, de fato, não se compra. E a servir o povo de Deus, não usá-lo.

A vocação é servir, não para “usar”

A reflexão do Papa Francisco parte da passagem do Evangelho de hoje (Mt 10,7-13) sobre a missão dos apóstolos, a missão de cada um dos cristãos, ser enviado. Um cristão não pode ficar parado”, a vida cristã é “abrir caminho, sempre”, recorda o Papa comentando as palavras de Jesus no Evangelho: “No vosso caminho, pro­clamai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. Cu­rai doentes, ressuscitai mortos, puri­ficai leprosos, expulsai demônios”. Esta é, portanto, a missão e se trata de uma “vida de serviço”.

A vida cristã é para servir. É muito triste quando encontramos cristãos que, no início da sua conversão ou da sua consciência de serem cristãos, servem, estão abertos a servir, servem o povo de Deus, e depois acabam usando o povo de Deus. Isto faz tanto mal, tanto mal ao povo de Deus. A vocação é para “servir”, não para “usar”.

Alargar o coração

A vida cristã é então “uma vida de gratuidade”. Ainda na passagem evangélica proposta pela Liturgia de hoje, o Senhor vai ao coração da salvação: “De graça re­ce­bestes, de graça deveis dar”. A salvação, “não se compra”, “é-nos dada gratuitamente”, recorda-nos o Papa, sublinhando que Deus, de fato, “nos salva gratuitamente”, “não nos faz pagar”. E como Deus fez conosco, assim “devemos fazer com os outros”. E precisamente esta gratuidade de Deus “é uma das coisas mais belas”.

Saber que o Senhor é cheio de dons para nos dar. Somente, pede uma coisa: que o nosso coração se abra. Quando dizemos “Pai nosso” e rezamos, abrimos o coração para que esta gratuidade venha. Não há relação com Deus fora da gratuidade. Às vezes, quando precisamos de algo espiritual ou de uma graça, dizemos: “Bem, agora vou jejuar, vou fazer uma penitência, vou fazer uma novena…”. Certo, mas tenham cuidado: isto não é para “pagar pela graça, para “adquirir” graça; isto é para ampliar seu coração para que a graça possa vir. A graça é gratuita.

Todos os bens de Deus são gratuitos – continua o Papa Francisco – mas adverte que o problema é que “o coração se encolhe, se fecha” e não é capaz de receber “tanto amor gratuito”. Não devemos negociar com Deus, recorda o Papa, “com Deus não se negocia”.

Dar gratuitamente

Depois o convite para dar de graça. E isto, sublinha o Papa, é especialmente “para nós, pastores da Igreja”, “para não vender a graça”. “Dói muito, disse, quando há pastores” que fazem negócios com a graça de Deus: “Eu faço isto, mas isto custa tanto, tanto…”. A graça do Senhor é gratuita e “você – disse – deve dá-la gratuitamente”.

Na nossa vida espiritual temos sempre o perigo de escorregar no pagamento, sempre, mesmo falando com o Senhor, como se quiséssemos dar um suborno ao Senhor. Não! A coisa não vai por ali! Não vai por esse caminho. “Senhor, se me fizeres isto, eu dou-te isto,” não. Eu faço essa promessa, mas isso alarga meu coração para receber o que está lá, gratuito para nós. Esta relação de gratuidade com Deus é a que nos ajudará depois a tê-la com os outros, seja no nosso testemunho cristão seja no serviço cristão e na vida pastoral daqueles que são pastores do povo de Deus. No caminho. A vida cristã é caminhar. Pregar, servir, não “fazer uso de”. Sirvam e deem de graça o que receberam de graça. Que a nossa vida de santidade seja este ampliar o coração, para que a gratuidade de Deus, as graças de Deus que estão ali, gratuitas, que Ele quer nos dar, possam chegar ao nosso coração. Que assim seja.

16 de junho de 2019 at 5:31 Deixe um comentário

Papa Francisco no Twitter

Espírito Santo, nossa harmonia! Vós que fazeis de nós um só corpo, infundi a vossa paz na Igreja e no mundo!

13 de jun de 2019: Os salvam-nos, porque nos permitem encontrar o rosto de Jesus Cristo.

Espírito Santo: tornai-nos artesãos de concórdia, semeadores de bem, apóstolos de esperança!

Como adultos não podemos roubar às crianças a capacidade de sonhar. Procuremos favorecer um contexto de esperança, onde os seus sonhos cresçam e se compartilhem: um sonho compartilhado abre o caminho para um novo modo de viver.
De graça re­ce­bestes, de graça deveis dar, para que as graças de Deus possam chegar ao coração de todos.

10 de jun de 2019: Santa , ajude-nos a nos entregarmos plenamente a Jesus, a crer no seu amor, especialmente nos momentos de tribulação e de cruz, quando a nossa fé é chamada a amadurecer.

Aos missionários e às missionárias e a todos aqueles que de algum modo participam, em virtude do seu Batismo, na missão da Igreja, de coração envio a minha bênção.

Espírito Santo, sopra em nossos corações e nos faz respirar a ternura do Pai. Sopra sobre a Igreja para que ela leve com alegria o Evangelho. Sopra sobre o mundo o refrescante alívio da esperança.

Senhor, desarma a língua e as mãos, renova os corações e as mentes, para que a palavra que nos faz encontrar seja sempre “irmão”, e a paz se torne o estilo da nossa vida.

Como sei que o Senhor me ouve? Nós temos uma segurança: Jesus. Ele é o grande intercessor. Ele está no Céu, diante do Pai para interceder por nós. Ele faz continuamente a oração de intercessão.

Hoje, com gratidão a Deus, recordamos que nosso corpo contém os elementos do planeta, seu ar é o que nos permite respirar e sua água nos vivifica e nos restaura.

15 de junho de 2019 at 5:42 Deixe um comentário

Papa: sem o Espírito, a Igreja é uma organização, a missão é propaganda, a comunhão é um esforço

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“Há sempre a tentação de construir «ninhos»: reunir-se à volta do próprio grupo, das próprias preferências, o semelhante com o semelhante, alérgicos a toda a contaminação. Do ninho à seita, o passo é curto: quantas vezes se define a própria identidade contra alguém ou contra alguma coisa! Pelo contrário, o Espírito Santo junta os distantes, une os afastados, reconduz os dispersos”.

Cidade do Vaticano

Na Solenidade de Pentecostes, o Papa Francisco presidiu a Celebração Eucarística na Praça São Pedro, na presença de milhares de peregrinos. Confira sua homilia na íntegra:

“O Pentecostes chegou, para os discípulos, depois de cinquenta dias incertos. Por um lado, Jesus ressuscitara: cheios de alegria, tinham-No visto, escutado e até comido com Ele. Por outro, ainda não superaram dúvidas e temores: estavam com as portas fechadas (cf. Jo 20, 19.26), com perspetivas reduzidas, incapazes de anunciar o Vivente. Depois, chega o Espírito Santo e as preocupações desaparecem: agora os Apóstolos não têm medo nem sequer à vista de quem os prende; antes, preocupados por salvar a sua vida, agora já não têm medo de morrer; antes, fechados no Cenáculo, agora levam o anúncio a todas as nações.

Até à Ascensão de Jesus, aguardavam um Reino de Deus para eles (cf. At 1, 6), agora estão ansiosos por alcançar fronteiras desconhecidas. Antes, quase nunca falaram em público e muitas vezes, quando o fizeram, criaram problemas como Pedro que renegou Jesus; agora falam corajosamente a todos. Em resumo, a história dos discípulos, que parecia ter chegado ao fim, é renovada pela juventude do Espírito: aqueles jovens, que dominados pela incerteza se sentiam no fim, foram transformados por uma alegria que os fez renascer.

Foi o Espírito Santo que fez isto. O Espírito não é, como poderia parecer, uma coisa abstrata; é a Pessoa mais concreta, mais próxima, aquela que muda a nossa vida. E como faz? Vejamos os Apóstolos. O Espírito não lhes tornou as coisas mais fáceis, não fez milagres espetaculares, não eliminou problemas nem opositores. Mas o Espírito trouxe para a vida dos discípulos uma harmonia que faltava: a Sua, porque Ele é harmonia.

Harmonia dentro do homem. Era dentro, no coração, que os discípulos precisavam de ser mudados. A sua história diz-nos que a própria visão do Ressuscitado não basta; é preciso acolhê-Lo no coração. De nada aproveita saber que o Ressuscitado está vivo, se não se vive como ressuscitados. E é o Espírito que faz viver e ressurgir Jesus em nós, que nos ressuscita dentro. Por isso Jesus, ao encontrar os Seus, repete: «A paz esteja convosco» (Jo 20, 19.21) e dá o Espírito. A paz não consiste em resolver os problemas a partir de fora – Deus não tira aos Seus tribulações e perseguições –, mas em receber o Espírito Santo.

Nisto consiste a paz, aquela paz dada aos Apóstolos, aquela paz que não livra dos problemas, mas, nos problemas, é oferecida a cada um de nós. É uma paz que torna o coração semelhante ao mar profundo: permanece tranquilo, mesmo quando as ondas estão revoltas à superfície. É uma harmonia tão profunda que pode até transformar as perseguições em bem-aventurança. Mas, em vez disso, quantas vezes permanecemos à superfície!

Em vez de procurar o Espírito, tentamos flutuar, pensando que tudo ficará bem se certo problema passar, se não virmos mais tal pessoa, se melhorar aquela situação. Mas isto é permanecer à superfície: superado um problema, chegará outro; e a ansiedade voltará. Não é afastando-nos de quem pensa diferente de nós que ficaremos tranquilos, não é resolvendo o problema presente que estaremos em paz. O ponto de mudança é a paz de Jesus, é a harmonia do Espírito.

Com a pressa que o nosso tempo nos impõe, parece que a harmonia esteja posta de lado: reclamados por uma infinidade de coisas, arriscamo-nos a explodir, solicitados por um nervosismo contínuo que nos faz reagir mal a tudo. E procura-se a solução rápida: uma pastilha atrás doutra para continuar, uma emoção atrás doutra para se sentir vivo, quando na verdade aquilo de que precisamos é sobretudo o Espírito.

É Ele que coloca ordem neste frenesi. É paz na ansiedade, confiança no desânimo, alegria na tristeza, juventude na velhice, coragem na prova. É Ele que, no meio das correntes tempestuosas da vida, mantém firme a âncora da esperança. Como nos diz hoje São Paulo, é o Espírito que nos impede de recair no medo, fazendo-nos sentir filhos amados (cf. Rm 8, 15). É o Consolador, que nos transmite a ternura de Deus. Sem o Espírito, a vida cristã desfia-se, privada do amor que tudo une.

Sem o Espírito, Jesus permanece um personagem do passado; com o Espírito, é pessoa viva hoje. Sem o Espírito, a Escritura é letra morta; com o Espírito, é Palavra de vida. Um cristianismo sem o Espírito é um moralismo sem alegria; com o Espírito, é vida.

O Espírito Santo produz harmonia não só dentro, mas também fora, entre os homens. Faz-nos Igreja, compõe partes distintas num único edifício harmónico. Explica-o bem São Paulo que, ao falar da Igreja, repete muitas vezes a palavra «diferente»: «diferentes carismas, diferentesatividades, diferentes ministérios» (cf. 1 Cor 12, 4-6). Somos diferentes, na variedade das qualidades e dos dons. O Espírito distribui-os com criatividade, sem rebaixar nem nivelar. E, a partir desta diversidade, constrói a unidade. Assim procede desde a criação, porque é especialista em transformar o caos em cosmo, em criar harmonia. É especialista em criar as diversidades, as riquezas; cada um a sua, diferente. Ele é o criador desta diversidade e, ao mesmo tempo, é aquele que harmoniza, que dá a harmonia e dá a diversidade. Somente Ele pode fazer estas duas coisas.

Hoje, no mundo, as desarmonias tornaram-se verdadeiras divisões: há quem tenha demais e há quem não tem nada, há quem procure viver cem anos e quem não pode vir à luz. Na era dos computadores, permanece-se à distância: mais “social”, mas menos sociais. Precisamos do Espírito de unidade, que nos regenere como Igreja, como Povo de Deus e como humanidade inteira. Há sempre a tentação de construir «ninhos»: reunir-se à volta do próprio grupo, das próprias preferências, o semelhante com o semelhante, alérgicos a toda a contaminação.

E do ninho à seita, o passo é curto, também dentro da Igreja. Quantas vezes se define a própria identidade contra alguém ou contra alguma coisa! Pelo contrário, o Espírito Santo junta os distantes, une os afastados, reconduz os dispersos. Funde tonalidades diferentes numa única harmonia, porque em primeiro lugar vê o bem, vê o homem antes dos seus erros, as pessoas antes das suas ações. O Espírito molda a Igreja, molda o mundo como espaços de filhos e de irmãos. Filhos e irmãos: substantivos que vêm antes de qualquer adjetivo.

Está na moda adjetivar, se não mesmo, infelizmente, insultar.  Podemos dizer que vivemos uma cultura do adjetivo que esquece o substantitvo das coisas; e também em uma cultura do insulto, que é a primeira resposta a uma opinião com a qual eu não compartilho. Depois damo-nos conta de que faz mal a quem é insultado, mas também a quem insulta. Retribuindo o mal com mal, passando de vítimas a verdugos, não se vive bem. Pelo contrário, quem vive segundo o Espírito leva paz onde há discórdia, concórdia onde há conflito. Os homens espirituais retribuem o mal com bem, respondem à arrogância com a mansidão, à maldade com a bondade, à barafunda com o silêncio, às maledicências com a oração, ao derrotismo com o sorriso.

Para ser espirituais, para saborear a harmonia do Espírito, é preciso colocar a sua visão à frente da nossa. Então as coisas mudam: com o Espírito, a Igreja é o Povo santo de Deus, a missão é o contágio da alegria, não o proselitismo, os outros são irmãos e irmãs amados pelo mesmo Pai. Mas, sem o Espírito, a Igreja é uma organização, a missão é propaganda, a comunhão é um esforço.  E tantas Igrejas fazem ações programáticas neste sentido de planos pastorais, de discussões sobre todas as coisas. Parace ser aquele o caminho a nos unir, mas este não é o caminho do Espírito, é o caminho da divisão. A primeira e a derradeira necessidade da Igreja é o Espírito (cf. São Paulo VI, Catequese na Audiência Geral de 29/XI/1972). Ele «vem aonde é amado, aonde é convidado, aonde é esperado» (São Boaventura, Sermão para o IV Domingo depois da Páscoa).

Irmãos e irmãs, rezemos-Lhe diariamente. Espírito Santo, harmonia de Deus! Vós que transformais o medo em confiança e o fechamento em dom, vinde a nós. Dai-nos a alegria da ressurreição, a perene juventude do coração. Espírito Santo, nossa harmonia! Vós que fazeis de nós um só corpo, infundi a vossa paz na Igreja e no mundo. Espírito santo, tornai-nos artesãos de concórdia, semeadores de bem, apóstolos de esperança.

12 de junho de 2019 at 5:56 Deixe um comentário

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