Posts filed under ‘Santo Padre’

Papa pela unidade da família cristã: mais solidariedade, menos divisão

Papa Francisco durante a celebração das Vésperas nesta sexta-feira (18)

O Papa Francisco deu início à Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos nesta sexta-feira (18/01) ao presidir a celebração das Vésperas na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, em Roma. Na homilia, o Santo Padre afirmou que “quando a sociedade deixa de ter como fundamento o princípio da solidariedade e do bem comum”, não partilhando a riqueza, ela se divide.

Andressa Collet – Cidade do Vaticano

O Papa Francisco presidiu nesta sexta-feira (18), na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, em Roma, a celebração das Vésperas que deu início à Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Esse período ecumênico (que no Brasil acontece entre a Ascensão e Pentecostes) foi preparado pelos cristãos da Indonésia, país conhecido por ter a maior população muçulmana.

Na homilia, o Papa Francisco começou saudando os representantes das outras Igrejas presentes em Roma e na própria Basílica, convidando a “implorar a Deus” o dom da unidade para recebê-la “com coração pronto e generoso”.

Ao comentar a leitura de Deuteronômio, em que indica a celebração das festas da Páscoa, Pentecostes e Tabernáculos, o Pontífice enalteceu o quanto é importante a participação de todos, que “ninguém pode ficar excluído” e onde “o dom de cada um será segundo a medida da bênção que o Senhor lhe tiver concedido”.

O dom da unidade e da justiça

O Papa Francisco, então, lembrou como a dimensão da festa é ligada àquela da justiça de Deus:

“As próprias festas exortam o povo à justiça, lembrando a igualdade fundamental entre todos os membros, todos igualmente dependentes da misericórdia divina, e convidando cada um a partilhar com os outros os bens recebidos. O dar honra e glória ao Senhor nas festas do ano caminha de mãos dadas com o prestar honra e justiça ao seu vizinho, sobretudo se é vulnerável e necessitado.”

“Se a riqueza não for partilhada, a sociedade se divide”

Ao recordar o trabalho realizado pelos cristãos da Indonésia, ao preparar a Semana de Oração, a preocupação do crescimento econômico do país que acaba gerando muitos pobres e destinando a riqueza a poucos. Uma realidade que não é vivida só na Indonésia, enfatizou o Papa, mas pelo resto do mundo:

“ Quando a sociedade deixa de ter como fundamento o princípio da solidariedade e do bem comum, assistimos ao escândalo de pessoas que vivem em extrema pobreza ao lado de arranha-céus, hotéis imponentes e centros comerciais luxuosos, símbolos de incrível riqueza. Esquecemo-nos da sabedoria da lei mosaica, segundo a qual, se a riqueza não for partilhada, a sociedade se divide. ”

Leis da solidariedade para os cristãos

Francisco, então, comentou que inclusive a comunidade cristã pode cair na lógica de acumular riqueza e se esquecer dos vulneráveis, citando São Paulo ao afirmar que devemos nos ocupar dos menos favorecidos, vítimas dessa realidade, edificando os que são fracos: “a solidariedade e a responsabilidade comum devem ser as leis que regem a família cristã”.

“ É um grave pecado desdenhar ou desprezar os dons que o Senhor concedeu a outros irmãos, pensando que esses sejam de algum modo menos privilegiados aos olhos de Deus. Se alimentarmos tais pensamentos, consentimos que a própria graça recebida se torne fonte de orgulho, injustiça e divisão. E, então, como poderemos entrar no Reino prometido? ”

A festa em que se disponibiliza e se partilha os dons recebidos é também a da justiça que devemos perseguir, disse o Papa. Para seguir o caminho da unidade, em primeiro lugar, devemos “reconhecer humildemente que as bênçãos recebidas não são nossas por direito, mas por dádiva, tendo-nos sido concedidas para as partilharmos com os outros”. Em segundo lugar, continuou o Pontífice, reconhecer o valor concedido às outras comunidades cristãs.

“ Um povo cristão, renovado e enriquecido por essa troca de dons, será um povo capaz de caminhar, com passo firme e confiante, pelo caminho que leva à unidade. ”

Anúncios

19 de janeiro de 2019 at 5:41 Deixe um comentário

JMJ Panamá 2019

Estacionamento do posto de gasolina na Polônia onde jovens tocaram, cantaram e dançaram

“O clima da Jornada é uma coisa de outro mundo”, diz jovem brasileiro

“Tem coisas que só acontecem em uma Jornada, não tem como ter a experiência em outro lugar. Dentro dela tu sente que não está sozinho e tem milhões de jovens que não têm vergonha de mostrar que estão felizes e que estão ali para lutar por um mundo com mais paz, amor e fraternidade”, afirma um jovem brasileiro que participou da Jornada no Rio e Cracóvia e prepara-se agora para o Panamá.

Jackson Erpen – Cidade do Vaticano

Depois de participar de duas Jornadas, o que mais eu encontrei nelas foi a união entre os jovens de diversos países e culturas. O clima de uma Jornada é uma coisa de outro mundo. Todos os jovens unidos em um mesmo lugar, com um mesmo objetivo, que é dizer para o mundo: “Eu sou um jovem católico”. Tem coisas que só acontecem em uma Jornada, não tem como ter a experiência em outro lugar. Dentro dela tu sente que não está sozinho e tem milhões de jovens que não têm vergonha de mostrar que estão felizes e que estão ali para lutar por um mundo com mais paz, amor e fraternidade”.

Se para muitos jovens a Jornada Mundial da Juventude no Panamá será a primeira, para milhares de outros será a continuação de uma experiência que deixou marcas profundas e os colocou em uma dimensão bem mais ampla da vivência da fé, como acabou de nos contar o Diego Chemello Müller, de 26 anos, natural de Porto Alegre (RS), engenheiro químico, engenheiro de alimentos e atuante no Ministério de Música na Paróquia São Martinho. As noites quem sabe mal dormidas, por vezes a falta de orientação e tantas outras situações inerentes a um evento deste porte não o assustaram, antes pelo contrário, foram uma oportunidade de crescimento:

Muitas vezes eu e meus amigos encontramos algumas dificuldades nas Jornadas, como se localizar numa cidade nova e saber para onde ir, mas a partir destas dificuldades que nós crescemos juntos como amigos e comunidade. Agora é impossível não ter vontade de ir numa próxima edição de uma Jornada depois de todas as coisas que a gente passou.

O fato de a Jornada de 2013 ser realizada no Brasil, havia motivado o Diego para participar pela primeira vez, junto com um grupo de jovens da comunidade. A Cruz Peregrina e o Ícone de Nossa Senhora visitaram a Paróquia e em seguida chegaram os argentinos. Oportunidade para novas amizades e atividades sociais e caritativas em conjunto:

“... E com todo este aquecimento, não tinha como não estar motivado para ir ao Rio de Janeiro e conhecer o Papa Francisco pela primeira vez, já que ele tinha apenas quatro meses de Pontificado na época, e provavelmente estava tão ansioso quanto a gente para ir numa Jornada pela primeira vez como Papa”.

Mas, o que mais o marcou nesta Jornada no Rio de Janeiro e na de Cracóvia, em 2016?

São muitas recordações que eu tenho das Jornadas anteriores. No Rio de Janeiro, por exemplo, o que mais me marcou foi ver a Praia de Copacabana completamente lotada de jovens de uma ponta a outra. Foram aproximadamente 3 milhões de jovens em uma praia fazendo Adoração junto com o Papa, em silêncio, e participando da Missa de Envio. Nem no carnaval e no reveillon tu encontra tanta gente na Praia de Copacabana. Foi o maior público que o Rio de Janeiro já tinha recebido na história.

Bom, e na Jornada de Cracóvia, um dos momentos que mais me marcou foi quando a gente estava chegando na cidade de ônibus e teve um bloqueio na estrada. Daí a gente teve que ficar um tempo num posto de gasolina. Lá nosso grupo desceu e a gente encontrou dez italianos que estavam parados ali também esperando para continuar a viagem e nós fomos conversar com eles e eu fui pedi emprestado o violão que eles tinham. Aí a gente fez uma roda e eu fiquei no meio junto com outros amigos brasileiros, daí eu comecei a tocar várias músicas católicas bem conhecidas aqui no Brasil, mas que os italianos nunca tinham ouvido. E a gente começou com este grupo pequeno, mas não demorou muito e outros ônibus foram parando, e quando a gente viu, a gente estava no meio de uma roda com mais de 200 jovens ao redor pulando e dançando. Para mim foi um momento inesquecível como ministro de música e eu vou levar isto sempre comigo”.

Depois do Rio de Janeiro e Cracóvia, o Diego prepara-se agora para o Panamá:

“A minha expectativa para a próxima Jornada está muito grande. Eu vou poder rever vários amigos que eu fiz nas Jornadas anteriores e estar junto com o Papa de novo. Minha impressão do Panamá é de um lugar muito acolhedor, com um povo bem fervoroso, animado, com o espírito pegando fogo. Nós da América Latina…a gente tem esta característica bem forte, e já é assim  no Brasil, como foi em 2013 acho que um país de língua espanhola, a união de outros países latinos vai ser ainda maior, porque o Papa vai poder falar na língua nativa dele e vai estar muito mais à vontade para passar os ensinamentos e se comunicar conosco”.

18 de janeiro de 2019 at 5:37 Deixe um comentário

Papa: a Palavra de Deus é vida, não endurece o coração

Papa celebra a missa na Casa Santa Marta

O Papa Francisco indicou três palavras que podem ajudar a entender a atitude do cristão de coração fechado: “dureza”, “obstinação” e “sedução”.

Gabriella Ceraso – Cidade do Vaticano

“Cuidai, irmãos, que não se ache em algum de vós um coração transviado pela incredulidade, levando-o a afastar-se do Deus vivo”. Esta advertência contida na Carta aos Hebreus, extraída da Primeira Leitura, inspirou a homilia do Papa Francisco ao celebrar a missa esta manhã (17/01) na capela da Casa Santa Marta.

Todos os membros da comunidade cristã, afirmou o Pontífice, padres, freiras e bispos, correm o risco de ficar com o coração endurecido. Mas o que significa para nós esta advertência?

O Papa indicou três palavras, extraídas sempre da Primeira Leitura, que podem nos ajudar a entender: “dureza”, “obstinação” e “sedução”.

Ouça a reportagem com a voz do Papa Francisco

Cristãos pusilânimes, sem a coragem de viver

Um coração endurecido é um coração “fechado”, “que não quer crescer, se defende, se fecha”. Na vida, isso pode acontecer em decorrência de inúmeros fatores, por exemplo, uma “forte dor”, porque “os golpes endurecem a pele”, notou Francisco. Aconteceu com os discípulos de Emaús e também com Tomé. E quem permanece nesta atitude negativa é “pusilânime”, e um “coração pusilânime é perverso”:

Podemos nos questionar: eu tenho o coração duro, tenho o coração fechado? Eu deixo o meu coração crescer? Tenho medo que cresça? E se cresce sempre com as provações, com as dificuldades, se cresce como crescemos todos nós quando crianças: aprendemos a caminhar caindo, do engatinhar ao caminhar quantas vezes caímos! Mas se cresce com as dificuldades. Dureza e também fechamento. Mas quem permanece nisto… “Quem são, padre?” São os pusilânimos. A pusilanimidade é uma atitude ruim no cristão, lhe falta a coragem de viver. Ele se fecha…

Cristãos obstinados

A segunda palavra é “obstinação”: “animai-vos uns aos outros, dia após dia,
para que nenhum de vós se endureça” está escrito na Carta aos Hebreus e é a acusação que Estevão faz àqueles que o lapidarão. A obstinação é “a teimosia espiritual “: um coração obstinado – explicou Francisco – é “rebelde”, é “teimoso”, está fechado no próprio pensamento, não “aberto ao Espírito Santo”. É o perfil dos “ideólogos”, também orgulhosos e soberbos:

A ideologia é uma obstinação. A Palavra de Deus, a graça do Espírito Santo, não é ideologia: é vida que o faz crescer, ir avante e também abrir o coração aos sinais do Espírito, aos sinais dos tempos. Mas a obstinação é também orgulho, é soberba. A teimosia, aquela teimosia que faz muito mal: fechados de coração, duros – primeira palavra – são os pusilânimes; os teimosos, os obstinados, como diz o texto, são os ideólogos. Mas eu tenho um coração teimoso? Cada um pense. Eu sou capaz de ouvir as outras pessoas? E se penso diversamente, dizer: “Mas eu penso assim…” Sou capaz de dialogar? Os obstinados não dialogam, não sabem, porque se defendem sempre com as ideias, são ideólogos. E as ideologias quanto mal fazem para o povo de Deus, quanto mal! Porque fecham a atividade do Espírito Santo.

Cristãos escravos da sedução

A última palavra sobre a qual o Papa reflete é a “sedução”, a sedução do pecado, obra do diabo, o “grande sedutor”, “um grande teólogo, mas sem fé, com ódio”, o qual quer “entrar e dominar” o coração e sabe como fazê-lo. Então, conclui o Papa, um “coração perverso é aquele que se deixa conquistar pela sedução e a sedução o leva à obstinação, ao fechamento e a tantas outras coisas”:

E com a sedução ou você se converte e muda de vida, ou tenta fazer pactos: um pouco aqui e um pouco ali. “Sim, sim, eu sigo o Senhor, mas eu gosto desta sedução, mas um pouco…” E você começa a fazer uma vida cristã dupla. Para usar a palavra do grande Elias ao povo de Israel naquele momento: “Vocês mancam com as duas pernas”. Mancar com as suas pernas, sem ter uma firme. É a vida de pactos: “Sim, eu sou cristão, sigo o Senhor, sim, mas este eu o deixo entrar …”. E assim são os mornos, aqueles que sempre fazem pactos: cristãos de pactos. Também nós muitas vezes fazemos isso: o pacto. Quando o Senhor nos indica a estrada, também com os mandamentos, com a inspiração do Espírito Santo, mas eu gosto de outra coisa e busca o modo de caminhar nos dois trilhos, mancando com as duas pernas.

A invocação final do Papa é para que o Espírito Santo nos ilumine para que ninguém tenha um coração perverso: “um coração duro, que o leva à pusilanimidade; um coração obstinado que o leva à rebelião; um coração seduzido, escravo da sedução, que o leva a um cristianismo de pacto”.

18 de janeiro de 2019 at 5:32 Deixe um comentário

Papa: para um cristão, rezar é dizer “Abbà” com a confiança de uma criança

2019-01-16-udienza-generale-1547636643773.JPG

Na expressão “Abbà”, Pai, concentra-se toda a novidade do Evangelho disse o Papa Francisco em sua catequese. Nas primeiras palavras do “Pai Nosso”, encontramos imediatamente a novidade radical da oração cristã.

Jackson Erpen – Cidade do Vaticano

“Basta evocar esta expressão – Abbà – para que se desenvolva uma oração cristã. (…) Nesta invocação há uma força que atrai todo o resto da oração”. E para rezar bem, é preciso ter um coração de criança.

Dando continuidade a sua série de catequeses sobre a oração do Pai Nosso, o Papa inspirou-se nesta quarta-feira na Carta de São Paulo aos Romanos 8, 14-16 para falar sobre nossa filiação divina: “hoje partimos da observação de que, no Novo Testamento, a oração parece querer chegar ao essencial, até concentrar-se em uma única palavra: Abbà, Pai”. Nesta invocação afirmou, dirigindo-se aos 7 mil fiéis presentes na Sala Paulo VI –  concentra-se toda a novidade do Evangelho:

Ouça a reportagem!

“ Depois de ter conhecido Jesus e ouvido sua pregação, o cristão não considera Deus mais como um tirano a temer, não sente mais  medo dele, mas floresce em seu coração a confiança nele: pode falar com o Criador, chamando-o de “Pai”. A expressão é tão importante para os cristãos, que muitas vezes é conservada intacta em sua forma original. Paulo conservou intacta ‘Abbà’”.

“É raro que no Novo Testamento as expressões aramaicas não são traduzidas para o grego”, observa o Papa. “Temos que imaginar que, nestas palavras em aramaico permanece como que “gravada” a voz do próprio Jesus, “respeitaram o idioma de Jesus”. Nas primeiras palavras do “Pai Nosso”, encontramos imediatamente a novidade radical da oração cristã”.

Rezar com verdade o Pai Nosso

Se entendermos que não se trata apenas de usar a figura do pai como um símbolo para relacionar ao mistério de Deus, mas  o mundo inteiro de Jesus transvasado no próprio coração, podemos rezar com verdade o “Pai Nosso”:

Deus conhece somente amor

Mas são os Evangelhos no entanto – completa o Papa – a nos apresentarem melhor o sentido desta palavra. O “Pai Nosso”  ganha sentido e cor se aprendemos a rezá-lo depois de ter lido a parábola do Pai misericordioso (cf. Lc 15,11-32):

“Imaginemos esta oração pronunciada pelo filho pródigo, depois de ter experimentado o abraço de seu pai, que o havia esperado por um tempo, um pai que não recorda as palavras ofensivas que ele havia dito, um pai que agora o faz perceber simplesmente a falta que sentiu dele.  Então descobrimos como aquelas palavras ganham vida, ganham força. E nos perguntamos: como é possível que Tu, ó Deus, conheça somente o amor? Mas Tu não conheces o ódio? Não, responderia Deus. Eu conheço somente o amor. Onde está em Ti a vingança, a pretensão de justiça, a ira pela sua honra ferida? E Deus responderia: eu conheço somente amor.”

A força da palavra “Abbà”

A forma como o pai da parábola age – observa o Papa –  “recorda muito o espírito de uma mãe”, pois no geral  são as mães que desculpam seus filhos, que os cobrem, que não rompem a empatia que têm por eles, que continuam a querê-los bem. Mesmo quando não mereceriam mais nada:

“Basta evocar esta expressão – Abbà – para que se desenvolva uma oração cristã. (…) Nesta invocação há uma força que atrai todo o resto da oração”:

Deus busca você, mesmo que você não o procure. Deus ama você, mesmo que você tenha se esquecido dele. Deus vê em você uma beleza, ainda que você pense ter desperdiçado inutilmente todos os seus talentos. Deus é não somente um Pai, é como uma mãe que nunca deixa de amar sua criação. Por outro lado, há uma “gestação” que dura para sempre, bem além dos nove meses daquela física, e que gera um circuito infinito de amor.”

Ter a confiança de uma criança

Para um cristão, “rezar é simplesmente dizer “Abbà”, dizer papai (…), mas com a confiança de uma criança. E acrescentou ao concluir:

“Pode acontecer que também a nós aconteça de caminhar por caminhos  distantes de Deus, como aconteceu com o filho pródigo; ou de precipitar em uma solidão que nos faz sentir abandonados no mundo; ou ainda de errar e ser paralisados por um sentimento de culpa. Nesses tempos difíceis,  podemos ainda encontrar a força de rezar, recomeçando pela  palavra “Abbà”, mas dita com o sentido terno de uma criança, “Abbá”, papai. Ele não esconderá de nós o seu rosto. Recordem bem, talvez alguém tenha dentro de si coisas ruins, coisas que não…não sabe como resolver, tanta amargura por ter feito isto ou aquilo. Ele não esconderá o seu rosto. Ele não se fechará no silêncio. Você diz “Pai” e Ele responderá a você. Você tem um Pai! “Sim, mas eu sou um delinquente”. Mas você tem um Pai que ama você. Diga a Ele “Pai” e comece a rezar assim, e no silêncio nos dirá que nunca nos perdeu de vista. “Mas Senhor, eu fiz isto e aquilo”. Mas eu nunca perdi você de vista. Eu vi tudo. Mas sempre estive ali, próximo de você, fiel ao meu amor por você. Esta será a resposta. Não esqueçam nunca de dizer Pai. Obrigado!”. 

17 de janeiro de 2019 at 5:42 Deixe um comentário

JMJ: Jovens de todo o mundo a caminho do Panamá

Jovens de todas as partes do mundo estão a caminho do Panamá para viver juntos a Jornada Mundial da Juventude, de 22 a 27 de janeiro, com o tema "Eis a serva do Senhor; faça-se mim segundo a tua palavra"

As atenções da juventude católica voltam-se para o Panamá, onde de 22 a 27 de janeiro terá lugar a Jornada Mundial da Juventude. Alguns já partiram e outros preparam-se para partir. O período universitário-escolar na Europa, impedirá que muitos jovens participem. A Polônia é o país europeu que envia o maior número de jovens ao mega evento.

Jovens de todas as partes do mundo estão a caminho do Panamá para viver juntos a Jornada Mundial da Juventude, de 22 a 27 de janeiro, com o tema “Eis a serva do Senhor; faça-se mim segundo a tua palavra” (Lc 1:38). E é grande a expectativa para o encontro com o Papa Francisco, que chegará ao Panamá no dia 23 de janeiro. Mais de 600 jovens são esperados do Uruguai, enquanto 75 jovens partirão da Dinamarca, juntamente com o bispo de Copenhague Czeslaw Kozon e o diretor da Pastoral juvenil, P. Kasper Baadsgaard-Jensen.

75 jovens dinamarqueses

Os jovens dinamarqueses levam consigo uma iniciativa interessante que os colocou no trabalho nos últimos meses: guiados pela Irmã Teresa Piekos, prepararam para a JMJ um ícone feito de “milhares de pequenos pontos coloridos que simbolizam todas as pessoas na terra e são um sinal da comunidade universal da Igreja, a grande família de Deus”.

O título da imagem é “Amém: o sim de Maria ao projeto de Deus” e compreende uma série de símbolos que se referem aos ensinamentos do Papa Francisco sobre Maria. Um pequeno grupo de jovens havia entregue uma cópia do ícone ao Papa em setembro último e dele recebido “uma bênção para este projeto de evangelização para a JMJ no Panamá”.

Um ícone mariano

O ícone acabou sendo impresso em camisetas e cada jovem agora em viagem entregará uma de presente “às famílias com as quais conviverão durante a primeira parte do grande evento da juventude”. Assim, “de uma maneira muito específica, transmitirão a mensagem da alegria do Evangelho às famílias que os acolherão no Panamá”. O ícone também foi impresso em cartões postais que os jovens dinamarqueses distribuirão aos seus pares na JMJ.

Jovens holandeses

Por outro lado, já estão instalados na Diocese de Santiago de Veraguas, a 250 quilômetros da Cidade do Panamá, o primeiro grupo de jovens holandeses que partiu no sábado, 12 de janeiro, para participar da Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

Outro grupo está a caminho e no total serão 130 jovens holandeses na JMJ, acompanhados pelo bispo auxiliar de Roermond, Everard De Jong, e pelo bispo Auxiliar de Haarlem-Amesterdã, Jan Hendriks. O grupo é formado por “jovens adultos”, havia explicado Bob Wegkamp, ​​coordenador da JMJ para os Países Baixos, “porque é difícil para os estudantes se libertarem neste período para uma viagem tão longa”.

Na descoberta da identidade

E o programa dos dias pré-JMJ reflete a particularidade deste grupo que trabalhou nos meses de preparação em torno do tema “Descubra sua identidade”, interrogando-se com perguntas como: “Quem é você? Qual é o seu envolvimento social? Em que implica sua crença religiosa?”

O programa destes dias na diocese também reflete os interesses desses jovens que farão uma parada, em particular para olhar o mundo das profissões (por exemplo, no setor da saúde). Para aqueles que não puderam ir ao Panamá, mas gostariam de estar conectados com a Jornada Mundial da Juventude, o serviço nacional de Pastoral juvenil propõe para o fim de semana de 25-27 janeiro 2019 um “wjd @ home” (uma JMJ em casa), na Ilha de Ameland.

3.500 jovens poloneses

Nestes dias, as companhias aéreas polonesas colocaram à disposição dos participantes da JMJ no Panamá alguns voos especiais que decolarão do aeroporto de Varsóvia. De fato, o grupo polonês será o mais numeroso entre os participantes europeus na grande festa da juventude. Os 3.500 peregrinos da Polônia (entre os quais 700 de Cracóvia) serão acompanhados por 200 sacerdotes, 20 sacerdotes diocesanos e cerca de 300 voluntários, metade dos quais qualificados para atendimentos de primeiros socorros.

As Jornadas diocesanas

Na JMJ 2019 também participarão 12 bispos poloneses com o primaz da Polônia, o arcebispo de Gniezno Wojciech Polak. O diretor do Escritório JMJ, padre Emil Parafiniuk, sublinhou durante a apresentação da peregrinação, que aqueles que antecipadamente viajam ao país latino-americano, de 17 a 21 de janeiro, participarão das jornadas dos jovens organizadas nas várias dioceses.

Anunciando a celebração religiosa presidida pelo primaz polonês na cidade do Panamá em 23 de janeiro, padre Parafiniuk expressou a esperança de que os habitantes do país anfitrião participem da liturgia.

As relíquias de João Paulo II

No dia 26 de janeiro, no âmbito da JMJ, está prevista a colocação das relíquias de São João Paulo II no altar da Catedral do Panamá, que será depois consagrada pelo Papa Francisco. A presença polonesa no Panamá será enriquecida também com três exposições dedicadas ao Papa polonês, às tradicionais representações de Nossa Senhora e à família de Ulma de Markowa,  que foi assassinada pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, por ter ajudado os judeus que fugiam do Holocausto.

59 jovens da Úmbria

Da Itália, partirão 900 jovens. Em particular, da Úmbria irão 59 jovens. No total nacional, as regiões com maior número de participantes são Triveneto, Lombardia, Piemonte, Marcas e Úmbria.

Das igrejas diocesanas da terra de São Bento e São Francisco terá início, partirão então para o Panamá, a partir de 16 de janeiro, 59 pessoas, incluindo jovens e sacerdotes que os acompanham. O episcopado da Úmbria será representado pelo cardeal Gualtiero Bassetti, arcebispo de Perugia-Città della Pieve e presidente da Conferência Episcopal Italiana.

Uma ocasião de festa

“Jornada Mundial da Juventude – diz Dom Renato Boccardo, arcebispo de Espoleto-Núrsia e presidente da Conferência dos Bispo da Úmbria – é sempre uma ocasião de festa, de reflexão, de interculturalidade. Portanto, um momento que oferece preciosos estímulos formativos humanos e cristãos. Faço votos então aos jovens da Úmbria, de que saibam aproveitar com sabedoria este ‘tempo de graça’, para que,  ao retornarem para casa,  sejam diariamente cada vez mais mensageiro credíveis e testemunhas alegres da mensagem evangélica para a construção da civilização do amor também nesta nossa região.”

“Panamá chama Turim!”

Já a Arquidiocese de Turim propõe o evento “Panamá chama Turim!”, para permitir que os jovens possam participar, mesmo à distância, do encontro mundial com o Papa Francisco. A acolher a iniciativa, a partir das 18 horas do dia 27 de janeiro, será o Centro da Pastoral juvenil, com uma noite festiva, conectada ao vivo com os jovens no Panamá, na presença do arcebispo Cesare Nosiglia e com animação do Coral Hope.

(Ag. SIR)

16 de janeiro de 2019 at 5:34 Deixe um comentário

Panamá: um logotipo com o coração de Maria e a Cruz da JMJ

PANAMA Ambar-Nicole-Calvo.jpg

Três cores e seis símbolos capazes de sintetizar e relançar o sopro do Espírito que acompanhará a JMJ do Panamá.

Massimiliano Menichetti – Cidade do Vaticano

A ternura e a entrega de Maria guiou as mãos de Ambar Calvo, a estudante de arquitetura do Panamá, que elaborou o logotipo da Jornada Mundial da Juventude de 2019.

Ambar Calvo

Três cores: vermelho, azul e celeste, para indicar o amor e a Paixão de Cristo, recordar o manto da Virgem Maria, o Oceano Pacífico, o Mar do Caribe e as cores da bandeira do Panamá.

O amor imenso de Maria

Um logotipo simples que sobrepõe a letra “M” a um coração, para representar o amor ilimitado da Mãe de Deus por toda a humanidade. De fato, Maria é a protagonista do desenho, mostrada por meio da ternura da silhueta no momento em que concebeu o Menino Jesus.

A cruz do peregrino

Claramente visível em vermelho, por sua vez, a “Cruz peregrina”, símbolo e testemunho itinerante da Jornada Mundial da Juventude. Passou a ser usada por desejo de São João Paulo II em 1984, por ocasião do Ano Santo da Redenção.

O caminho para encontrar Jesus

O pictograma, naturalmente, não esquece do local onde se realiza o encontro dos jovens de todo o mundo, imprimindo o perfil do istmo do Panamá no coração e na “M”.

Para Ambar, o corpo de Maria é também “o caminho para encontrar-nos com Jesus e o Panamá é o caminho em 2019”.

Os pequenos pontos brancos, são um sinal da coroa da Mãe Celeste e representam os peregrinos de todos os continentes. “Sim” de uma festa para todos os jovens do mundo.

15 de janeiro de 2019 at 5:36 Deixe um comentário

Papa: é em casa que a fé é transmitida

2019-01-13-santa-messa-con-battesimi-neonati-1547371728655.JPG

Na Festa do Batismo do Senhor, o Papa presidiu à Celebração Eucarística na Capela Sistina com o Rito do Batismo de 27 crianças. Francisco destacou o papel dos pais na transmissão da fé, pedindo também a eles para nunca brigarem diante das crianças.

Jackson Erpen – Cidade do Vaticano

Um sinfonia diferente na Capela Sistina na manhã deste domingo, Festa do Batismo do Senhor,  uniu às vozes do Coral Pontifício o choro e o balbuciar das crianças que foram batizadas pelo Santo Padre. Eram 27, acompanhadas pelos pais, padrinhos e madrinhas.

Em sua breve homilia, pronunciada de forma espontânea, o Papa enfatizou a importância do testemunho dos pais na transmissão da fé: É em casa que a fé é transmitida!

Vocês pedem a fé à Igreja para os filhos de vocês. E hoje eles receberão o Espírito Santo, o dom da fé em seus corações, na sua alma. Mas esta fé, depois, deve se desenvolver, crescer”.

Papel dos pais na transmissão da fé

Mas antes de estudar a fé na Catequese que as crianças frequentarão mais adiante – chamou a atenção Francisco  – “a fé é transmitida. E este é um trabalho que diz respeito a vocês. É uma missão que vocês recebem hoje. Transmitir a fé. A transmissão da fé e isso se faz em casa. Porque a fé é sempre transmitida em dialeto, o dialeto da família, o dialeto da casa, no ambiente da casa.”

A missão dos pais, portanto, é “transmitir a fé com o exemplo, com as palavras, ensinando a fazer o sinal da cruz, acrescentou. E isso é importante. Há crianças que não sabem fazer o sinal da  cruz (…). Mas o importante, é transmitir a fé com a vida de fé de vocês. Que vejam  o amor dos cônjuges, que vejam a paz da casa, que vejam que Jesus está ali”.

Nunca brigar diante das crianças

Francisco então, dá um conselho aos pais:

“Nunca briguem diante das crianças. Nunca! É normal que os esposos briguem, é normal! Seria estranho se não. Mas façam de forma que eles não ouçam, não vejam. Vocês não sabem a angústia que tem uma criança quando vê os pais brigarem! Permitam-me este conselho, que ajudará vocês a transmitir a fé (…)”.

“É ruim brigar?”, pergunta o Papa. “Nem sempre. É normal, é normal”, responde. “Mas que as crianças não vejam, não escutem, pela angústia”, insiste.

“Mas tenham em mente isto”, reiterou o Pontífice: “A missão de vocês é transmitir a fé a eles, transmiti-la em casa, porque ali se aprende a fé. Depois se estuda na catequese”.

Deixando todos bem à vontade no recinto adornado com afrescos de Michelangelo, Rafael, Perugino e Sandro Botticelli, Francisco disse às mães para não se constrangerem em amamentar as crianças:

Vocês sabem que as crianças se sentem hoje em um ambiente que é estranho: muito calor, estão cobertas. E sentem o ar abafado – isto por primeiro – e depois choram porque tem fome, tem fome. E um terceiro motivo do choro é o “choro preventivo”. Como algo estranho, não? Não sabem o que acontecerá, “mas primeiro eu choro e depois vejamos…”. É uma defesa. Eu digo para vocês: que estejam acomodados. Cuidem para não cobri-los muito, e se choram de fome, os amamentem. Digo às mães: “Amamentem as crianças, tranquilas, o Senhor quer isto”. Porque elas – onde está o perigo?” – também têm uma vocação polifônica. Um começa a chorar, e o outro faz o contraponto, e o outro, e depois isto se torna um coral de choro. E assim sigamos em frente com esta cerimônia em paz, com a consciência que cabe a vocês a transmissão da fé”.

14 de janeiro de 2019 at 5:34 Deixe um comentário

Posts antigos


ADMINISTRADORA DO BLOG:

Jane Amábile

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts por email.

Junte-se a 285 outros seguidores

Categorias