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Francisco na Audiência Geral: o Espírito Santo é o protagonista da evangelização

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“Por fim, o etíope reconhece Cristo, pede o Batismo e professa a fé no Senhor Jesus. “Mas quem impeliu Filipe a ir ao deserto para encontrar esse homem? Quem impulsionou Filipe a se aproximar do seu carro? O Espírito Santo”, disse o Papa.

Mariangela Jaguraba – Cidade do Vaticano

O Papa Francisco prosseguiu o ciclo de catequeses sobre o Livro dos Atos dos Apóstolos, na Audiência Geral desta quarta-feira (02/10), que teve como tema “«Anunciou Jesus ao eunuco». Filipe e a “corrida” do Evangelho em novos caminhos”.

Depois do martírio de Estêvão, a “corrida” da Palavra de Deus parece cessar, pois «desencadeou-se uma grande perseguição contra a Igreja de Jerusalém». Os Apóstolos permanecem em Jerusalém e muitos cristãos vão para outros lugares da Judeia e da Samaria.

A perseguição alimenta o fogo da evangelização

No Livro dos Atos dos Apóstolos, a perseguição aparece como um estado permanente da vida dos discípulos, de acordo com o que disse Jesus: «Se perseguiram a mim, vão perseguir vocês também».

Mas a perseguição, ao invés de apagar o fogo da evangelização o alimenta ainda mais. O diácono Filipe começa a evangelizar as cidades da Samaria e vários são os sinais de libertação e cura que acompanham o anúncio da Palavra. Nesse ponto, o Espírito Santo marca uma nova etapa da viagem do Evangelho: impele Filipe a ir ao encontro de um estrangeiro do coração aberto a Deus.

Filipe se levanta e parte com ímpeto e numa estrada deserta e perigosa encontra um alto funcionário da rainha da Etiópia, administrador geral do tesouro dela”, sublinhou o Papa em sua catequese. Esse homem, um eunuco, depois de passar por Jerusalém para o culto, está retornando ao seu país. Era um judeu prosélito da Etiópia. Sentado em seu carro, lê o quarto canto do “servo do Senhor” do Livro do Profeta Isaías. Filipe se aproxima dele e lhe pergunta: «Você entende o que está lendo?». O etíope responde: «Como posso entender, se ninguém me explica?»

Aquele homem poderoso reconhece que precisa ser ajudado para entender a Palavra de Deus. Era o grande banqueiro, era o ministro da economia, tinha todo o poder do dinheiro, mas sabia que sem explicação ele não conseguia entender, era humilde.

Não é suficiente ler a Escritura

Segundo Francisco, o diálogo entre Filipe e o etíope leva a refletir sobre o fato de que não é suficiente ler a Escritura, mas é preciso entender o seu sentido, encontrar a “essência”, indo além da “superfície”.

A seguir, o Pontífice recordou as palavras do Papa Bento XVI no início do Sínodo sobre “a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja” : «A exegese, a verdadeira leitura da Sagrada Escritura, não é somente um fenômeno literário (…). É o movimento da minha existência». Entrar na Palavra de Deus é estar dispostos a sair dos próprios limites para encontrar Deus e conformar-se a Cristo que é a Palavra viva do Pai.

Quem é o protagonista da passagem da Escritura que o etíope estava lendo?

Filipe dá ao seu interlocutor a chave de leitura: é aquele servo sofredor manso, que não reage ao mal com o mal. Mesmo que seja considerado um fracassado e estéril, e depois eliminado, liberta o povo da iniquidade e dá fruto para Deus. “É o Cristo a quem Filipe e toda a Igreja anunciam, que com a Páscoa nos redimiu”, destacou Francisco.

Espírito Santo e evangelização

Por fim, o etíope reconhece Cristo, pede o Batismo e professa a fé no Senhor Jesus. “Mas quem impeliu Filipe a ir ao deserto para encontrar esse homem? Quem impulsionou Filipe a se aproximar do seu carro? O Espírito Santo. O Espírito Santo é o protagonista da evangelização”, respondeu o Papa.

A seguir, Francisco disse: “Padre, vou evangelizar. Anuncio o Evangelho e digo quem é Jesus. Procuro convencer as pessoas que Jesus é Deus”. “Isso não é evangelização. Se não há o Espírito Santo não há evangelização. Isso pode ser proselitismo, publicidade. Evangelizar significa confiar-se ao Espírito Santo que é quem leva você a anunciar, a anunciar com testemunho, com o martírio e a palavra”, disse o Pontífice.

Depois que o etíope encontra Jesus ressuscitado, Filipe desaparece e o Espírito Santo o envia a pregar o Evangelho em outro lugar.

“Eu disse que o protagonista da evangelização é o Espírito Santo. Qual é o sinal de que você cristã, você cristão é um evangelizador? A alegria, até mesmo no martírio”, ressaltou o Papa.

Francisco concluiu sua catequese, pedindo ao Espírito Santo para fazer dos “batizados homens e mulheres que anunciam o Evangelho a fim de  atrair os outros não para sim, mas para Cristo, que saibam dar espaço à ação de Deus, que saibam tornar os outros livres e responsáveis diante do Senhor”.

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17 de outubro de 2019 at 5:35 Deixe um comentário

Papa Francisco institui Domingo da Palavra de Deus

Papa Francisco dedica o III Domingo do Tempo Comum à Palabra de Deus

Papa Francisco dedica o III Domingo do Tempo Comum à Palavra de Deus

Com o Motu Proprio “Aperuit illis”, o Santo Padre estabelece que “o III Domingo do Tempo Comum seja dedicado à celebração, reflexão e divulgação da Palavra de Deus”.

Cidade do Vaticano

Foi divulgada, nesta segunda-feira (30/09), a Carta Apostólica sob forma de Motu Proprio “Aperuit illis” do Papa Francisco com a qual se institui o Domingo da Palavra de Deus.

Com esse documento, o Santo Padre estabelece que “o III Domingo do Tempo Comum seja dedicado à celebração, reflexão e divulgação da Palavra de Deus”. O Motu Proprio foi publicado no dia em que a Igreja celebra a memória litúrgica de São Jerônimo, início dos 1.600 anos da morte do conhecido tradutor da Bíblia em latim que afirmava: “A ignorância das Escrituras é a ignorância de Cristo”.

Jesus abre as mentes para a compreensão das Escrituras

Francisco explica que com essa decisão quis responder aos muitos pedidos dos fiéis para que na Igreja se celebrasse o Domingo da Palavra de Deus. A carta começa com a seguinte passagem do Evangelho de Lucas (Lc 24,45): “Encontrando-se os discípulos reunidos, Jesus aparece-lhes, parte o pão com eles e abre-lhes o entendimento à compreensão das Sagradas Escrituras. Revela àqueles homens, temerosos e desiludidos, o sentido do mistério pascal, ou seja, que Ele, segundo os desígnios eternos do Pai, devia sofrer a paixão e ressuscitar dos mortos para oferecer a conversão e o perdão dos pecados; e promete o Espírito Santo que lhes dará a força para serem testemunhas deste mistério de salvação.”

Redescoberta da Palavra de Deus na Igreja

O Papa recorda o Concílio Vaticano II que “deu um grande impulso à redescoberta da Palavra de Deus com a Constituição Dogmática Dei Verbum”, e Bento XVI que convocou o Sínodo, em 2008, sobre o tema “A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja” e escreveu a Exortação Apostólica Verbum Domini, que “constitui um ensinamento imprescindível para as nossas comunidades”. Nesse documento, observa, “aprofunda-se o caráter performativo da Palavra de Deus, sobretudo quando o seu caráter sacramental emerge na ação litúrgica”.

Uma Palavra que impulsiona rumo à unidade

Como celebrar o Domingo da Palavra de Deus

Francisco exorta a viver esse domingo “como um dia solene. Entretanto será importante que, na celebração eucarística, se possa entronizar o texto sagrado, de modo a tornar evidente aos olhos da assembleia o valor normativo que possui a Palavra de Deus (…). Neste Domingo, os Bispos poderão celebrar o rito do Leitorado ou confiar um ministério semelhante, a fim de chamar a atenção para a importância da proclamação da Palavra de Deus na liturgia. De fato, é fundamental que se faça todo o esforço possível no sentido de preparar alguns fiéis para serem verdadeiros anunciadores da Palavra com uma preparação adequada (…). Os párocos poderão encontrar formas de entregar a Bíblia, ou um dos seus livros, a toda a assembleia, de modo a fazer emergir a importância de continuar na vida diária a leitura, o aprofundamento e a oração com a Sagrada Escritura, com particular referência à lectio divina.

Bíblia, livro do Povo de Deus não de poucos privilegiados

“A Bíblia”, escreve o Papa, “não pode ser patrimônio só de alguns e, menos ainda, uma coletânea de livros para poucos privilegiados (…). Muitas vezes, surgem tendências que procuram monopolizar o texto sagrado, desterrando-o para alguns círculos ou grupos escolhidos. Não pode ser assim. A Bíblia é o livro do povo do Senhor que, escutando-a, passa da dispersão e divisão à unidade. A Palavra de Deus une os fiéis e faz deles um só povo”.

Importância da homilia para explicar as Escrituras

Também nessa ocasião, o Papa reitera a importância da preparação da homilia: “Os Pastores têm a grande responsabilidade de explicar e fazer compreender a todos a Sagrada Escritura (…) com uma linguagem simples e adaptada a quem escuta (…). Para muitos dos nossos fiéis, esta é a única ocasião que têm para captar a beleza da Palavra de Deus e a ver referida à sua vida diária (…). Não se pode improvisar o comentário às leituras sagradas. Sobretudo a nós, pregadores, pede-se o esforço de não nos alongarmos desmesuradamente com homilias enfatuadas ou sobre assuntos não atinentes. Se nos detivermos a meditar e rezar sobre o texto sagrado, então seremos capazes de falar com o coração para chegar ao coração das pessoas que escutam”.

Natureza da Bíblia entre história e salvação

Recordando o episódio dos discípulos de Emaús, o Papa recorda também “como seja indivisível a relação entre a Sagrada Escritura e a Eucaristia”. Cita a Constituição Apostólica Dei Verbum que ilustra “a finalidade salvífica, a dimensão espiritual e o princípio da encarnação para a Sagrada Escritura”. “A Bíblia não é uma coletânea de livros de história nem de crônicas, mas está orientada completamente para a salvação integral da pessoa. A inegável radicação histórica dos livros contidos no texto sagrado não deve fazer esquecer esta finalidade primordial: a nossa salvação. Tudo está orientado para esta finalidade inscrita na própria natureza da Bíblia, composta como história de salvação na qual Deus fala e age para ir ao encontro de todos os homens e salvá-los do mal e da morte”.

Papel do Espírito Santo na Sagrada Escritura

“Para alcançar esta finalidade salvífica, a Sagrada Escritura, sob a ação do Espírito Santo, transforma em Palavra de Deus a palavra dos homens escrita à maneira humana. O papel do Espírito Santo na Sagrada Escritura é fundamental. Sem a sua ação, estaria sempre iminente o risco de ficarmos fechados apenas no texto escrito, facilitando uma interpretação fundamentalista, da qual é necessário manter-se longe para não trair o caráter inspirado, dinâmico e espiritual que o texto possui. Como recorda o Apóstolo, «a letra mata, enquanto o Espírito dá a vida».”

Magistério inspirado pelo Espírito Santo

O Papa recorda a afirmação importante dos Padres conciliares “segundo a qual a Sagrada Escritura deve ser «lida e interpretada com o mesmo Espírito com que foi escrita». Com Jesus Cristo, a revelação de Deus alcança a sua realização e plenitude; e, todavia, o Espírito Santo continua a sua ação. De facto, seria redutivo limitar a ação do Espírito Santo apenas à natureza divinamente inspirada da Sagrada Escritura e aos seus diversos autores. Por isso, é necessário ter confiança na ação do Espírito Santo que continua a realizar uma sua peculiar forma de inspiração, quando a Igreja ensina a Sagrada Escritura, quando o Magistério a interpreta de forma autêntica e quando cada fiel faz dela a sua norma espiritual.”

A fé bíblica funda-se na Palavra viva

Falando sobre a encarnação do Verbo de Deus que “dá forma e sentido à relação entre a Palavra de Deus e a linguagem humana, com as suas condições históricas e culturais”, o Papa ressalta que “muitas vezes corre-se o risco de separar Sagrada Escritura e Tradição, sem compreender que elas, juntas, constituem a única fonte da Revelação (…). A fé bíblica funda-se sobre a Palavra viva, não sobre um livro. Quando a Sagrada Escritura é lida com o mesmo Espírito com que foi escrita, permanece sempre nova”. Assim, “quem se alimenta dia a dia da Palavra de Deus torna-se, como Jesus, contemporâneo das pessoas que encontra; não se sente tentado a cair em nostalgias estéreis do passado, nem em utopias desencarnadas relativas ao futuro”.

Sair do individualismo e viver na caridade

“Por isso, é necessário que nunca nos abeiremos da Palavra de Deus por mero hábito, mas nos alimentemos dela para descobrir e viver em profundidade a nossa relação com Deus e com os irmãos. A Palavra de Deus apela constantemente para o amor misericordioso do Pai, que pede a seus filhos para viverem na caridade. A Palavra de Deus é capaz de abrir os nossos olhos, permitindo-nos sair do individualismo que leva à asfixia e à esterilidade enquanto abre a estrada da partilha e da solidariedade.

A carta se conclui com uma referência a Maria que nos acompanha “no caminho do acolhimento da Palavra de Deus”. “A bem-aventurança de Maria antecede todas as bem-aventuranças pronunciadas por Jesus para os pobres, os aflitos, os mansos, os pacificadores e os que são perseguidos, porque é condição necessária para qualquer outra bem-aventurança.”

16 de outubro de 2019 at 5:54 Deixe um comentário

Sínodo: “Primeiro santos e depois missionários”

Santo Padre na Sala do Sínodo

Santo Padre na Sala do Sínodo  (Vatican Media)

Foram retomados na manhã desta segunda-feira, os trabalhos do Sínodo dos Bispos dedicados à região Pan-Amazônica. Na presença do Santo Padre a 9ª Congregação Geral, na Sala do Sínodo, no Vaticano, teve início com a Oração da Hora Média. A reflexão nesta segunda-feira foi proposta por dom Omar de Jesús Mejia Giraldo, arcebispo de Florencia, Colômbia que teve como tema “Nossa missão: ser Santos”.

Silvonei José – Cidade do Vaticano

No início das suas palavras dom Mejia recordou que no último dia 3 de outubro, ele teve o privilégio de estar perto do túmulo do Beato José Allamano, fundador do Instituto Missionário da Consolata. Ali ele leu a seguinte frase: “Primeiro Santos e depois missionários”. Quando cheguei à casa do Instituto Missionário da Consolata, em Roma – contiuou -, vi na minha caixa de correio, que me pediram para preparar esta simples reflexão. Ao procurar o texto que daria origem à minha intervenção, deparei-me com a Palavra de Deus que acabamos de ouvir: Sejam santos para mim, porque Eu sou santo, sou Javé, que lhes separou dos outros povos para que sejam meus” (Lv 20, 26).

Neste contexto de oração sinodal dom Mejia recordou as palavras do Santo Padre na Santa Missa no início do Sínodo: “O anúncio do Evangelho é o primeiro critério para a vida da Igreja. É a sua missão, a sua identidade”. Este critério brota da primeira convicção: somos propriedade de Deus, não Deus nossa propriedade. A nossa missão é ocupar-nos continuamente das coisas do Pai (cf. Lc 2, 49). A nossa grande missão é pertencer inteiramente a Deus.

“Queridos irmãos e irmãs, – disse – estamos aqui porque queremos, à luz do Espírito Santo, discernir a atividade evangelizadora e missionária da Igreja na Amazônia. Vamos pedir a força do alto para entender que sem a graça de Deus tudo o que fizermos será inútil e inofensivo. Lembremo-nos de algo fundamental: a graça é sempre edificante e curativa.

Não esqueçamos: “Somos propriedade de Deus”, “a terra é de Deus”, “somos nação santa”, “somos um povo sacerdotal”. Com tudo isto, compreendemos que Deus pode escolher o povo que quer (pode escolher quem quer, mas também conta com a resposta generosa do eleito), sublinha-se a liberdade, a primeira decisão e a eleição gratuita de Deus.

Deus, na sua infinita misericórdia, – sublinhou o arcebispo Mejia – escolheu-nos para estarmos aqui, neste “instante vital”. Ele nos escolheu para que hoje sejamos luz e esperança na Amazônia e de lá, luz e esperança para o mundo. E se pensarmos um pouco no mistério de ser uma Igreja missionária na Amazônia? Trata-se de ser fermento na massa, um grupo de irmãos que Deus conduz por caminhos diferentes… Como Igreja, estamos no mundo. Como Igreja missionária, estamos na Amazônia, mas sem fins lucrativos, nem para devastá-la e aproveitar sua riqueza material. Estamos na Amazônia para levar o estilo de vida de Jesus e “Vida em abundância” (cf. Jo 10,10). Estamos na Amazônia para “curar corações feridos” (cf. Lc 4, 16-19).

É normal ser criticado, porque muitas pessoas no mundo não entendem nossa missão. A nossa tarefa é sermos diferentes, mas não estranhos. Como pessoas consagradas devemos ser terra de Deus, isto nos ensina a rejeitar a vida sem Deus. Como pessoas consagradas, devemos realizar nossa missão com sentido de eternidade. Não trabalhamos, não nos cansamos, não entregamos a nossa inteligência e vontade a Deus para sermos aplaudidos e felicitados, fazemo-lo com a liberdade de saber que os nossos nomes estão inscritos no Reino dos Céus. Nós nos entregamos à missão por causa do Evangelho e pelo cuidado da casa comum como servos “inúteis” e sabendo que a nossa recompensa está no além.

À Santíssima Virgem Maria, Mãe da Esperança, – concluiu o arceispo – confiamos esta nova semana de discernimento do Sínodo da Amazônia. “Primeiro os santos e depois os missionários” (Beato José Allamano).

15 de outubro de 2019 at 5:55 Deixe um comentário

Vice-presidente Mourão concede entrevista exclusiva à Rádio Vaticano

Silvonei José com o vice-presidente Antônio Hamilton Mourão

Silvonei José com o vice-presidente Antônio Hamilton Mourão

O Vice-presidente do Brasil, Antônio Hamilton Mourão esteve presente na celebração Eucarística desta manhã de domingo, 13 de outubro, na Praça São Pedro, no início da qual foi canonizada a Irmã Dulce Lopes Pontes, no civil Maria Rita, primeira santa brasileira, da Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus.

Silvonei José – Cidade do Vaticano

Momentos antes do início da celebração na Praça São Pedro o vice-presidente, chefe da Delegação Oficial do governo do Brasil nesta ocasião, se encontrou com o Papa Francisco dentro da Basílica vaticana. “Um encontro muito cordial”, disse à Rádio Vaticano, VaticanNews, o vice-presidente Mourão.

Após a Santa Missa o chefe da Delegação brasileira concedeu uma entrevista exclusiva ao jornalista da Rádio Vaticano – VaticanNews, Silvonei José.

O vice-presidente Hamilton Mourão falando sobre a canonização da Irmã Dulce, Santa Irmã Dulce dos pobres, disse que “esse nome é mais do que conveniente por todo o trabalho extraordinário que essa mulher fez; 37º brasileiro a ser canonizado. É uma mostra da força do catolicismo, da Igreja Católica no Brasil. E o Brasil que eu vim representar, – continuou – eu que fui companheiro do presidente Bolsonaro nas eleições do ano passado, na qual 57 milhões de brasileiros nos elegeram, é o Brasil que busca a sua inserção soberana no concerto das nações, dentro daqueles princípios da paz, da busca do entendimento, do diálogo, da defesa dos interesses, da cooperação, do benefício mútuo com todos os países: o Brasil é um país pacífico. É esse Brasil que eu vim representar aqui. Na minha visão eu estou aqui, sendo mais um daqueles milhões de católicos que compõem a nossa população”.

Ouça a entrevista na íntegra

Foram mais de 10 mil brasileiros presentes na Praça São Pedro, um número muito expressivo – disse o vice-presidente – acrescentando que o prefeito de Salvador, ACM Neto, disse que muita gente veio de Salvador e que ele mesmo encontrou em alguns pontos de Roma muitos brasileiros, que conversou com eles; “muita gente vindo do Nordeste, berço da formação da nossa nacionalidade, e onde há uma religiosidade muito grande”.

Falando em seguida sobre a Obra de Irmã Dulce o vice-presidente Mourão disse que a mesma expressa algo que considera um dos pilares da civilização moderna, que é a sociedade civil. “A Irmã Dulce  – disse -, com o seu trabalho representa um segmento da sociedade civil brasileira, um segmento forte, dedicado ao auxílio das pessoas mais necessitadas. Um trabalho que ela começou de forma empírica, vencendo obstáculos o tempo todo. E hoje compete àqueles que receberam o legado prosseguirem com este trabalho”. É óbvio – afirmou o vice-presidente – que os governos não só do município de Salvador como também do Estado da Bahia e do Governo Federal devem propiciar os recursos necessários para que essa Obra continue.

Falando sobre o encontro com o Santo Padre momentos antes da celebração Eucarística e da canonização da Irmã Dulce o vice-presidente disse que Francisco “é uma figura muito simpática” e que lhe fez uma pergunta muito difícil de responder: “quem era melhor Pelé ou Maradona”. A resposta foi diplomática, “os dois”. Foi um encontro muito interessante, continuou, acrescentando que a ligação do Brasil com a Santa Sé tem mais ou menos 190 anos, porque a Santa Sé foi um dos primeiros a reconhecer a nossa independência. “Dom Pedro I já no século XIX, entre 1825 e 1826, mandou um representante para Roma, e esse ano estamos completando 100 anos que a nossa Representação aqui na Santa Sé foi elevada à categoria de embaixada. Então, é uma relação profícua, baseada nos princípios humanistas que regem a Igreja Católica e regem o nosso país”.

Outra questão é a realização do Sínodo dos Bispos para a região Pan-Amazônica, no Vaticano. Um evento eclesial muito importante para a Igreja no Brasil e no mundo. Falando sobre esse tema o vice-presidente Mourão destacou o caminho conjunto com a Igreja Católica. “Existe um histórico de trabalho conjunto”, afirmou, entre a Igreja Católica e as organizações do governo na área da Amazônia, na Amazônia Legal que compreende mais da metade do território brasileiro, em torno de 54%. “O bioma amazônico específico são 2,6 milhões de quilômetros quadrados, que seriam mais de 15 países da Europa. É uma região com características muito especiais, uma região de difícil acesso, um ambiente que não é fácil viver lá dentro, por causa da selva, da umidade. O transporte se dá maciçamente por meio hidroviário, e a Igreja Católica teve uma penetração que chegou até às pontas das nossas fronteiras, lado a lado com os primeiros desbravadores portugueses e posteriormente com demais entidades do Estado. Eu destacaria, – continuou -, onde eu passei boa parte da minha vida, que foi o exército, e o exército está presente na Amazônia, em todas as regiões. Eu tive a oportunidade de viver em São Gabriel da Cachoeira, que é considerado o município mais indígena do Brasil. Lá tínhamos o bispo da Igreja Católica, na época era um bispo de origem chines, Dom Song, e eu admirava muito o seu trabalho, porque ele pegava uma embarcação pequena, uma voadeira e ia por aqueles rios afora na busca da evangelização e do contato com as diferentes comunidades. Então, Igreja e governo, dentro da região amazônica têm interesses comuns e ligados especialmente ao desenvolvimento sustentável, ao apoio espiritual àquela população. Não podemos esquecer jamais que eles têm um método de vida e que nós temos que dar assistência técnica, capacitá-los para que vivam de forma coerente e de acordo com aquele meio ambiente.

O vice-presidente disse que atual governo tem muito claro que é responsabilidade do Brasil preservar e proteger a Amazônia e o Brasil não pode abrir mão disso. “Sabemos dos problemas que ocorrem – disse -, problemas muitas vezes ligados às ilegalidades que são cometidas, e então os três entes governamentais, governos federal, estadual e municipal, devem ter um trabalho conjunto com a participação de forma pró-ativa, no sentido de que eventuais ilegalidades sejam combatidas.

Ainda falando sobre o Dia de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, celebrado neste sábado, o vice-presidente Mourão afirmou que  “todos nós que professamos a fé Católica – mas outras religiões também, que acreditam na existência de um ser maior, de um grande arquiteto que controla esse universo  – todos nós sentimos nos dias que referenciamos alguns dos nossos santos, e no caso específico 12 de outubro, Dia de Nossa Senhora Aparecida, que é um momento de reflexão, um momento da gente buscar o nosso interior, e também de mostrar a nossa determinação para superar os obstáculos que ainda existem no nosso país, na busca de vencer as desigualdades”.

14 de outubro de 2019 at 5:47 Deixe um comentário

Festa da Padroeira: trago no coração o povo brasileiro, afirma o Papa

12 de outubro de 2019 at 13:39 Deixe um comentário

Vigília no Santuário de Irmã Dulce, sábado, à espera da Canonização

Irmã Dulce dos Pobres, o "Anjo bom da Bahia"

 

As portas do Santuário de Irmã Dulce – em Salvador, ao lado da sede das “Obras Sociais Irmã Dulce” (OSID) – estarão abertas no sábado, dia 12, durante toda a noite, de madrugada, em vigília à espera das Canonizações que o Papa Francisco presidirá no domingo, 13 de outubro, na Praça São Pedro: além de Irmã Dulce dos Pobres, serão declarados Santos o Cardeal Henry Newman, Josefina Vannini, Maria Teresa Chiramel Mankidiyan e Margarida Bays

Raimundo de Lima – Cidade do Vaticano

A Sala de Imprensa da Santa Sé recebeu esta sexta-feira (11/10) os postuladores das causas de canonização dos cinco Beatos que serão declarados Santos na missa que o Papa Francisco presidirá este domingo, dia 13, na Praça São Pedro: Irmã Dulce Lopes PontesCardeal Henry NewmanJosefina VanniniMaria Teresa Chiramel Mankidiyan, e Margarida Bays.

Ouça e compartilhe!

No encontro com os jornalistas, os postuladores se detiveram sobre o processo de canonização dos futuros Santos e traçaram um perfil dos mesmos. Paolo Vilotta, postulador da causa de Canonização da Beata Irmã Dulce – também conhecida como o “Anjo bom da Bahia” –, falou de “Irmã Dulce dos Pobres” ressaltando tratar-se de uma mulher de compleição física minuta, mas uma “gigante da caridade”, que se preocupava com os pobres, os enfermos.

“Desde muito jovem, aos quinze, dezesseis anos, se preocupava com essas pessoas, como se algo lhe fosse iluminado, uma luz: sentia o dever de dedicar-se a essas pessoas. E assim ela fez por toda a sua vida, formando e concretizando uma obra”, disse o postulador acrescentando que a religiosa via em cada doente o Rosto de Cristo.

Vilotta frisou ainda que a Obra social de Irmã Dulce prossegue, dando continuidade a esta Obra de caridade que teve início oficialmente nos anos 50, até mesmo antes disso, com outras fundações e ainda hoje vive e busca arduamente expandir-se. “Esse é um exemplo que o Brasil agora pode exportar em todas as partes do mundo e graças a esta Santa”, frisou ele.

 

Encontrava-se presente na Sala de Imprensa da Santa Sé também a sobrinha de Irmã Dulce, Maria Rita Lopes Pontes, responsável pela continuidade desta Obra.

“O exemplo dela precisa ser multiplicado em todos os lugares, não só na Bahia, no Brasil”, disse Maria Rita em entrevista concedida à Rádio Vaticano – Vatican News, acrescentando que Irmã Dulce dá uma lição muito grande para todos nós, que o poder está no amor, não no dinheiro, quando você ama, se doa a uma causa. Destacou-nos, ainda, que o Santuário de Irmã Dulce – em Salvador, ao lado da sede das “Obras Sociais Irmã Dulce” (OSID) – estará aberto toda a noite de sábado para domingo, em vigília, à espera da Canonização (ouça na íntegra clicando acima).

12 de outubro de 2019 at 5:47 Deixe um comentário

Papa: não podemos não chorar, não podemos não reagir diante destes pecados

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“Como cristãos não podemos permanecer indiferentes diante do drama das velhas e novas pobrezas, das solidões mais sombrias, do desprezo e da discriminação de quem não pertence ao “nosso” grupo. Não podemos permanecer insensíveis, com o coração anestesiado, diante da miséria de tantos inocentes. Não podemos não chorar. Não podemos não reagir. Não podemos não chorar, não podemos não reagir. Peçamos ao Senhor a graça de chorar, aquele choro que converte o coração diante destes pecados”, disse o Santo Padre em sua homilia.

Jackson Erpen – Cidade do Vaticano

Diante de 40 mil fiéis e peregrinos presentes na Praça São Pedro na manhã deste 26º Domingo do Tempo Comum, e dia Mundial do Migrante e do Refugiado, o Papa Francisco voltou a recordar que não se pode separar o mandamento do “amar a Deus” do “amar o próximo”.

Amar o próximo, entre outras coisas, “significa sentir compaixão pelo sofrimento dos irmãos e irmãs, aproximar-se, tocar as suas feridas, partilhar as suas histórias, para manifestar concretamente a ternura de Deus para com eles”, ressaltou o Pontífice.

Deus defende os estrangeiros, as viúvas e os órfãos

Francisco começou sua homilia referindo-se ao Salmo responsorial, que recorda que “o Senhor defende os estrangeiros, juntamente com as viúvas e os órfãos do povo”, com o salmista fazendo “explícita menção daquelas categorias que são particularmente vulneráveis, frequentemente esquecidas e expostas a abusos. Os estrangeiros, as viúvas e os órfãos são os que não têm direitos, os excluídos, os marginalizados, pelos quais o Senhor tem uma especial solicitude. Por isso, Deus pede aos Israelitas que tenham para com eles uma atenção especial”.

“ Os estrangeiros, as viúvas e os órfãos são os que não têm direitos, os excluídos, os marginalizados, pelos quais o Senhor tem uma especial solicitude ”

O Papa recorda que também nos Livro do Êxodo o Senhor “adverte o povo que não maltrate de nenhuma forma as viúvas e os órfãos, porque Ele escuta o seu clamor”, sendo esta advertência retomada também no Livro do Deuteronômio:

“Esta preocupação amorosa para com os menos privilegiados é apresentada como um traço distintivo do Deus de Israel, e é também exigida, como um dever moral, a todos quantos querem pertencer ao seu povo. Eis a razão pela qual devemos ter uma atenção especial para com os estrangeiros, como também pelas viúvas, os órfãos e todos os descartados dos nossos dias.”

O Senhor nos pede a caridades pelas vítimas da cultura do descarte

Na Mensagem do Santo Padre divulgada em maio para este 105º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado é repetido como um refrão o tema: “Não se trata apenas de migrantes”. E é verdade, sublinha o Papa, que explica:

Não se trata apenas de estrangeiros, trata-se de todos os habitantes das periferias existenciais que, juntamente com os migrantes e os refugiados, são vítimas da cultura do descarte. O Senhor pede-nos que ponhamos em prática a caridade para com eles; pede-nos que restauremos a sua humanidade, juntamente com a nossa, sem excluir ninguém, sem deixar ninguém de fora.”

Refletir sobre as  injustiças que geram a exclusão

Mas junto com a caridade diz o Papa,  “o Senhor pede-nos que reflitamos sobre as injustiças que geram exclusão, em particular sobre os privilégios de uns poucos que, para se manterem, resultam em detrimento de muitos”, recordando que  “os países em vias de desenvolvimento continuam a ser depauperados dos seus melhores recursos naturais e humanos em benefício de poucos mercados privilegiados”. E acrescenta:

As guerras abatem-se apenas sobre algumas regiões do mundo, enquanto as armas para as fazer são produzidas e vendidas noutras regiões, que depois não querem ocupar-se dos refugiados causados por tais conflitos. Quem sofre as consequências são sempre os pequenos, os pobres, os mais vulneráveis, a quem se impede de sentar-se à mesa deixando-lhe as “migalhas” do banquete”.

Papa Francisco – Santa Missa pelos Migrantes

É neste sentido que se compreendem as duras palavras do profeta Amós proclamadas na primeira Leitura (6,1.4-7). Ai dos despreocupados e dos que vivem comodamente em Sião, que não se preocupam com a ruína do povo de Deus, visível aos olhos de todos. Eles não se apercebem do colapso de Israel, pois estão demasiado ocupados a garantir uma boa vida, comidas deliciosas e bebidas refinadas.

“É impressionante – disse o Papa, após referir-se às palavras do Profeta Amós da primeira leitura – como à distância de 28 séculos, estas advertências conservam intacta a sua atualidade. Também hoje, na verdade, ‘a cultura do bem-estar […] nos leva a pensar em nós mesmos, torna-nos insensíveis aos gritos dos outros, […] leva à indiferença a respeito dos outros; antes, leva à globalização da indiferença’.”

Como cristãos, não podemos ficar indiferentes

Assim, “corremos o risco de nos tornarmos, também nós, como aquele homem rico de que nos fala o Evangelho”, pois “demasiado ocupados a preservar o nosso bem-estar, corremos o risco de não nos darmos conta do irmão e da irmã em dificuldade”:

Contudo, como cristãos não podemos permanecer indiferentes diante do drama das velhas e novas pobrezas, das solidões mais sombrias, do desprezo e da discriminação de quem não pertence ao “nosso” grupo. Não podemos permanecer insensíveis, com o coração anestesiado, diante da miséria de tantos inocentes. Não podemos não chorar. Não podemos não reagir.

Amar a Deus e amar o próximos são inseparáveis

E se quisermos ser homens e mulheres de Deus como pede São Paulo a Timóteo, devemos «guardar o mandamento […] sem mancha e acima de toda a censura» (1Tm 6,14)”:

E o mandamento é amar a Deus e amar o próximo. Não se podem separar! E amar o próximo como a nós mesmos quer dizer também comprometer-se seriamente pela construção de um mundo mais justo, onde todos tenham acesso aos bens da terra, onde todos tenham a possibilidade de se realizar como pessoas e como famílias, onde a todos sejam garantidos os direitos fundamentais e a dignidade.”

“ E o mandamento é amar a Deus e amar o próximo. Não se podem separar! ”

“Amar o próximo – explicou o Papa –  significa sentir compaixão pelo sofrimento dos irmãos e irmãs, aproximar-se, tocar as suas feridas, partilhar as suas histórias, para manifestar concretamente a ternura de Deus para com eles. Significa fazer-se próximo de todos os viajantes maltratados e abandonados pelas estradas do mundo, para aliviar os seus ferimentos e os conduzir ao local de hospedagem mais próximo, onde se possa dar resposta às suas necessidades”.

E este santo mandamento – disse Francisco quase ao concluir – “foi dado por Deus ao seu povo, e foi selado com o sangue do seu Filho Jesus, para que seja fonte de bênção para toda a humanidade. Para que juntos possamos empenhar-nos na construção da família humana segundo o projeto originário, revelado em Jesus Cristo: todos irmãos, filhos do único Pai.”

“Confiamos hoje ao amor materno de Maria, Nossa Senhora da Estrada, os migrantes e os refugiados, juntamente com os habitantes das periferias do mundo e quantos se fazem seus companheiros de viagem.”

11 de outubro de 2019 at 5:48 Deixe um comentário

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