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Reabertura da Escada Santa em Roma

Escada Santa

Escada Santa

Amanhã, 11/04, as 16:30, o Cardeal Vigário Angelo Di Donatis, reabrirá e abençoará a Escada Santa em Roma. A programação começará as 15:30 com uma conferência sobre a restauração, as 16:30 a benção e as 17:30 a celebração eucarística.

Padre Arnaldo Rodrigues – Cidade do Vaticano

Depois de 1 ano de restauração da Escada Santa, que correspondeu os afrescos de 1589, a restauração da escada e do revestimento de madeira, será possível subir novamente (de joelhos) os 28 degraus de mármore, que segundo a tradição Jesus teria subido quando foi julgado por Pilatos no pretório e condenado a morte.  Segundo esta antiga tradição cristã, Santa Helena, mãe do Imperador Constantino trouxe de Jerusalém a Roma no ano 326.

Escada Santa

Padre Francesco Guerra, reitor do Santuário da Escada Santa, conversou com o Vatican News sobre a reinauguração, sobre a importância do santuârio para os dias atuais e alguns conselhos aos peregrinos que desejam subir a Escada Santa.

O mundo de hoje precisa de um Santuário como a Escada Santa.

Padre Francesco – Papa Francisco recordou ao mundo que, a devoção popular tem uma importância muito forte, de modo concreto com o qual, sobretudo as pessoas mais simples, mas também todos os homens, possam experimentar no concreto e não somente a nível de inteligência e raciocínio, possam experimentar o contato com o sacro: a presença de Deus.
É por isso que tantas pessoas vão em peregrinação aos santuários, porque tem a possibilidade de percorrer o evento sacro que alí aconteceu.

“ Em concreto, subindo de joelhos estes 28 degraus da Escada Santa, o peregrino no cansaço de subir, se encontra com a dor que o próprio Jesus enfrentou na sua paixão.E enquanto sobe, rezando, nestes degraus, a pessoa se sente em contato consigo mesma, ou seja, retornam na memoria as próprias dores ou os sofrimentos das pessoas que lhe são queridas. E Subindo, rezando e recordando a paixão de Jesus, eis que se mistura todo o sentido de quanto fez cristo por nós: sofreu, morreu e ressuscitou pelo nosso amor. ”

O peregrino percorre a sua própria história  e das pessoas que ama, vê tudo isso em um modo novo, pois vê  à luz de Deus, pela paixão de Jesus. Por isso a importância de observar as imagens pintadas nas paredes, que também foram restauradas.

Olhar Jesus que lavou os pês dos seus discípulos, Jesus que reza no Horto das Oliveiras e Jesus que é beijado e traído por Judas. Isto não significa somente olhar para a historia de Jesus, mas observar a nossa própria historia. Isto valia tanto as pessoas que pintaram os afrescos mais de 500 anos atrás, como os peregrinos dos dias de hoje. Porque o homem é feito de sensação, de memoria, de sentimentos, de racionalidade, de espiritualidade e de corpo.

Um conselho aos peregrinos que sobem a Escada Santa

Padre Francesco – Antes de tudo, recordo que subir de joelhos a Escada Santa é um ato de fé, recordar que Jesus subiu por nós. É um ato de compaixão, ou seja, de sentir junto, viver junto, junto com Jesus e com os demais peregrinos que sobem. Na tradição da Igreja e na indulgencia a esta, o peregrino que sobe é aconselhado que se medite vivamente a paixão de Jesus.

Pode-se subir contemplando as cenas pintadas, mas também levando um Evangelho com a Paixão de Jesus. Oferecemos no santuário em 9 línguas um pequeno livro com a história do Santuário e com um pequeno pedaço do Evangelho para cada degrau. Este é um modo para que o fiel, que sobe em oração, possa ter em mão a oportunidade de meditar o quanto o Evangelho nos recorda do sacrifício amoroso do Senhor.

A Escada Santa

Fica perto da Basílica de São João de Latrão e abriga a preciosa capela dos Papas chamada Sancta Sanctorum, onde se venera a imagem do Santíssimo Salvador. De acordo com uma antiga tradição cristã, em 326, a Imperatriz Santa Helena transportou a Escadaria do Pretório de Pilatos, subida varias vezes por Jesus no dia da sua sentença de morte, de Jerusalém para Roma.

Por esta razão, chamava-se Scala Pilati ou Scala Sancta. Os primeiros testemunhos escritos desta ilustre memória da Paixão estão numa passagem no Liber Pontificalis do tempo de Sérgio II (844/847) e numa Bula de Pasquale II (1099/1119). A Escada Santa deve o seu nome aos 28 degraus que levam à capela e que sobem de joelhos para venerar a Paixão de Jesus.

É certo que estava localizado no Patriarchium, ou complexo dos Palácios Lateranenses, a antiga sede dos Papas, e que Sisto V a colocou em 1589, em frente à capela papal onde permaneceu então formando o único edifício atual. Pio IX (1846 1878) cuidou da sua restauração e promoveu o culto da grande relíquia com a construção do antigo convento, que em 24 de Fevereiro de 1853 foi confiado aos religiosos passionistas.

Indulgência Plenária

A Penitenciaria Apostólica concede INDULGÊNCIA PLENÁRIA todos os dias aos fiéis arrependidos que, movidos pelo amor, sobem de joelhos a Escada Santa meditando a Paixão de Jesus e recitando o Credo, um Pai Nosso, uma Ave Maria, e um Glória ao Pai e uma oração segundo a intenção do Papa, confessando e tendo recebido a Comunhão Eucarística.
As pessoas fisicamente impedidas de subir recebem a mesma INDULGÊNCIA PLENÁRIA meditando a Paixão de Jesus diante da Escada Santa, recitando o Credo e cinco Pai Nosso, cinco Ave-Maria, cinco Glória ao Pai e uma oração segundo a intenção do Papa, confessando e tendo recebido a Comunhão Eucarística. A indulgência é aplicável ao falecido. (Roma, Penitenciária Apostólica, 11 de novembro de 2015)

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24 de abril de 2019 at 5:43 Deixe um comentário

Papa Francisco no Twitter

A ressurreição de Cristo é a verdadeira esperança do mundo. Boa !

Hoje contemplamos o sepulcro vazio de Cristo e ouvimos as palavras do anjo: “Não temais! Ressuscitou!”
Olhe para os braços abertos de Cristo crucificado, deixe-se salvar por Ele. Contemple seu sangue derramado por amor e deixe-se purificar por ele. Assim você poderá nascer de novo.
Na Eucaristia você encontra Jesus realmente, compartilha sua vida, sente o seu amor; lá você pode experimentar que a sua morte e ressurreição são para você.

17 de abr de 2019: Cristo morreu por amor de cada um de nós: jovens e idosos, santos e pecadores, pessoas de seu tempo e pessoas do nosso tempo.

Hoje nos unimos em oração com o povo francês, enquanto aguardamos que a dor pelo grave dano se transforme em esperança com a reconstrução. Santa Maria, Nossa Senhora, rogai por nós.
Por amor, Cristo entregou-Se até ao fim para te salvar. Os seus braços abertos na cruz são o sinal mais precioso dum amigo capaz de levar até ao extremo o seu amor.
Hoje, Dia Mundial da Juventude, quero lembrar os inúmeros santos e santas jovens, especialmente os de «ao pé da porta», que só Deus conhece e que às vezes gosta de no-los revelar de surpresa.

Com a sua humilhação, Jesus quis abrir-nos o caminho da fé e preceder-nos nele.

Se com as nossas fragilidades retornamos ao Senhor, se tomamos o caminho do amor, abraçaremos a vida que não termina. E estaremos na alegria.
Jejuar também é mudar nossa atitude para com os outros e para com as criaturas: da tentação de “devorar” tudo para saciar a nossa ganância, à capacidade de sofrer por amor.

Jesus da cruz nos ensina a coragem forte da renúncia. Porque carregados de pesos volumosos nunca iremos para a frente.

Dar esmola nos ajuda a nos afastarmos da tolice de viver e acumular tudo para nós mesmos, na ilusão de assegurar-nos um futuro que não nos pertence.

O Senhor nos dê sempre a esperança do futuro e a força de ir avante.

23 de abril de 2019 at 5:53 Deixe um comentário

Papa Francisco: ceder à falência é a desolação cristã

Papa celebra a missa na Casa Santa Marta

Papa celebra a missa na Casa Santa Marta

Durante a missa celebrada na Casa Santa Marta, o Pontífice comentou a Primeira Leitura, extraída do Livro dos Números (Nm 21,4-9), e falou do “espírito de cansaço” que “abala a esperança”.

Barbara Castelli – Cidade do Vaticano

Às vezes, os cristãos “preferem a falência”, que deixa espaço para as lamentações, para a insatisfação, “campo perfeito para o diabo semear”.

Na homilia da missa celebrada na capela da Casa Santa Marta, o Papa Francisco refletiu sobre o “cansaço” narrado no Livro dos Números (Nm 21,4-9). “O povo de Deus não suportou a viagem”, está escrito na Primeira Leitura: “o entusiasmo” e a “esperança” da fuga da escravidão no Egito foram se perdendo aos poucos à margem do mar e depois no deserto, chegando a murmurar contra Moisés.

“O espírito de cansaço nos tira a esperança”, afirmou o Pontífice, “o cansaço é seletivo: sempre nos faz ver o lado ruim do momento que estamos vivendo e esquecer das coisas boas que recebemos”.

E nós, quando estamos desolados, não suportamos a viagem e buscamos refúgio nos ídolos ou na murmuração ou em tantas outras coisas … Isso é um modelo para nós. E este espírito de cansaço em nós cristãos nos leva também a um modo de viver insatisfeito: o espírito de insatisfação. Tudo é ruim, tudo nos incomoda… o próprio Jesus nos ensinou isso quando diz que este espírito de insatisfação nos faz parecer crianças quando brincam.

Campo para semear

Alguns cristãos cedem à “falência” sem perceber que este é o “campo perfeito para o diabo semear”. Às vezes, têm “medo das consolações”, prosseguiu o Papa, “medo da esperança”, “medo das carícias do Senhor”, conduzindo “uma vida de viúvas pagas para chorar”.

Esta é a vida de muitos cristãos. Vivem se lamentando, vivem criticando, vivem murmurando, vivem insatisfeitos. “O povo não suportou a viagem”. Nós cristãos muitas vezes não suportamos a viagem. E a nossa preferência é nos apegar à falência, isto é, à desolação. E a desolação pertence à serpente: a serpente antiga, aquela do paraíso terrestre. É um símbolo aqui: a mesma cobra que seduziu Eva e esta é uma maneira de mostrar a cobra que têm dentro, que morde sempre na desolação.

O medo da esperança

Passar a vida se lamentando: acontece com quem “prefere a falência”, “não suporta a esperança”, “não suporta a ressurreição de Jesus”.

Irmãos e irmãs, recordemos somente esta frase: “O povo não suportou a viagem”. Os cristãos não suportam a viagem. Os cristãos não suportam a esperança. Os cristãos não suportam a cura. Ficamos mais presos à insatisfação, ao cansaço, à falência. Que o Senhor nos liberte desta doença.

23 de abril de 2019 at 5:35 Deixe um comentário

Papa: o Senhor não nos encontre frios e indiferentes diante dos sofrimentos atuais

Regina Coeli

“Perante os inúmeros sofrimentos do nosso tempo, que o Senhor da vida não nos encontre frios e indiferentes”, foi o pedido do Papa Francisco na tradicional mensagem de Páscoa. “Queridos irmãos e irmãs, Cristo vive! Ele é esperança e juventude para cada um de nós e para o mundo inteiro. Deixemo-nos renovar por Ele! Feliz Páscoa!”

Jackson Erpen – Cidade do Vaticano

Cristo Ressuscitou! Aleluia! O alegre anúncio da ressurreição do Senhor dado na Vigília Pascal no Sábado Santo, voltou a ecoar neste Domingo de Páscoa na Praça São Pedro, na Missa presidida pelo Papa Francisco, na presença de milhares de fiéis, provenientes de todas partes do mundo.

Sem o azul do céu, visto o tempo encoberto na capital italiana, e com uma temperatura de 19º C, quem conferiu o colorido ao cenário da celebração foram as milhares de flores doadas pela Holanda, dispostas artisticamente, numa tradição que completou 33 anos este ano.

O Santo Padre não pronunciou homilia, reservando suas palavras para a Mensagem de Páscoa, transmitida à Cidade e ao Mundo da Sacada Central da Basílica de São Pedro, como comumente acontece após a celebração da Missa da Páscoa e do Natal.

“Queridos irmãos e irmãs, feliz Páscoa!

Hoje, a Igreja renova o anúncio dos primeiros discípulos: «Jesus ressuscitou!» E de boca em boca, de coração a coração, ecoa o convite ao louvor: «Aleluia!… Aleluia!»”, disse o Papa ao iniciar sua mensagem, recordando a recente Exortação Apostólica dedicada particularmente aos jovens, Chistus vivit”.

 

“A Ressurreição de Cristo – continuou Francisco – é princípio de vida nova para todo o homem e toda a mulher, porque a verdadeira renovação parte sempre do coração, da consciência.  Mas a Páscoa é também o início do mundo novo, libertado da escravidão do pecado e da morte: o mundo finalmente aberto ao Reino de Deus, Reino de amor, paz e fraternidade”.

22 de abril de 2019 at 5:41 Deixe um comentário

Audiência: a oração ao Senhor nos salva dos nossos “Getsêmanis” pessoais

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O Papa Francisco interrompeu o ciclo de catequeses sobre o Pai-Nosso para comentar as palavras de Jesus durante a Sua Paixão, na vigília do Tríduo Pascal.

Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

O tríduo pascal que estamos prestes a viver foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira (17/04).

Na Praça São Pedro, de modo especial o Pontífice refletiu sobre algumas palavras que Jesus dirigiu ao Pai durante a Sua Paixão. A primeira invocação foi feita depois da Última Ceia, quando disse: “Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho” e ainda “glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse”.

Glória é amar

Pode parecer paradoxal que Jesus peça a glória ao Pai quando a Paixão está para acontecer, observou o Papa. A glória na verdade indica o revelar-se de Deus, é o sinal distintivo da sua presença salvadora entre os homens e é o que acontece na Páscoa. “Ali Deus finalmente revela a sua glória, que descobrimos ser toda amor: amor puro, louco e impensável, para além de todo limite e medida.

“ Queridos irmãos e irmãs, façamos nossa a oração de Jesus: peçamos ao Pai para retirar os véus dos nossos olhos para que nesses dias, olhando para o Crucifixo, possamos acolher que Deus é amor. Quantas vezes O imaginamos patrão e não Pai, juiz severo ao invés de Salvador misericordioso! Mas Deus na Páscoa cancela as distâncias, mostrando-se na humildade de um amor que pede o nosso amor. ”

Portanto, nós damos glória ao Pai quando vivemos tudo o que fazemos com amor, com o nosso coração. A verdadeira glória é a do amor, porque é a única que dá vida ao mundo, e não a glória mundana, feita de aclamação e audiência. No centro não está o eu, mas o outro. Ninguém glorifica a si mesmo.

Cada um tem seu próprio Getsêmani

Depois da Última Ceia, Jesus entra no jardim do Getsêmani e também ali reza ao Senhor com a palavra mais tenra e doce: «Abbà», Pai (cfr Mc 14,33-36).

“ Nos nossos Getsêmanis, com frequência escolhemos permanecer sós ao invés de dizer ‘Pai’ e entregarmo-nos, como Jesus, à sua vontade, que é o nosso verdadeiro bem. O problema maior não é a dor, mas como é enfrentada. A solidão não oferece saída; a oração sim, porque é relação, entrega. Quando entrarmos nos nossos Getsêmani, recordemos de rezar assim: ‘Pai’. ”

Romper o círculo do mal com o perdão

Por fim, Jesus dirige ao Senhor uma terceira oração por nós: «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem» (Lc 23,34).

Jesus reza por quem foi malvado com ele, no momento da dor mais aguda, quando recebia os pregos nos pulsos e nos pés. “Aqui, ao vértice da dor chega o amor: chega o perdão, isto é, o dom à enésima potência, que quebra o círculo do mal.

Rezando nesses dias o “Pai-Nosso” – tema neste período das catequeses  –, o Papa fez votos que possamos pedir uma dessas graças: viver para a glória de Deus, isto é, com amor; que saibamos confiar no Pai nas provações; e encontrar no seu abraço o perdão e a coragem de perdoar.

18 de abril de 2019 at 5:42 Deixe um comentário

Papa Francisco: Jesus permanece fiel ao caminho da humildade

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“Uma forma sutil de triunfalismo é a mundanidade espiritual, que é o maior perigo, a mais pérfida tentação que ameaça a Igreja. Jesus destruiu o triunfalismo com a sua Paixão”, disse Francisco, convidando os jovens, nesta Jornada Mundial da Juventude diocesana, a não terem vergonha de manifestar o seu entusiasmo por Jesus.

Mariangela Jaguraba – Cidade do Vaticano

O Papa Francisco presidiu a missa, deste Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor (14/04), na Praça São Pedro, que contou com a participação de milhares de fiéis.

A liturgia solene da Paixão do Senhor começou com a bênção dos ramos de oliveira, perto do obelisco situado no centro da Praça São Pedro. A seguir, houve a procissão até o adro da Basílica de São Pedro.

Em sua homilia, Francisco destacou que Jesus nos mostra no Evangelho deste domingo “como enfrentar os momentos difíceis e as tentações mais insidiosas, guardando no coração uma paz que não é isolamento, não é ficar impassível nem fazer o super-homem, mas confiante abandono ao Pai e à sua vontade de salvação, de vida e misericórdia”.

Jesus nos mostra o caminho

Na sua entrada em Jerusalém, Jesus “também nos mostra o caminho. Nesse acontecimento, o maligno, o príncipe deste mundo, tinha uma carta para jogar: a carta do triunfalismo, e o Senhor respondeu permanecendo fiel ao seu caminho, o caminho da humildade”.

Segundo o Papa, “o triunfalismo procura tornar a meta mais próxima por meio de atalhos, falsos comprometimentos. Aposta na subida para o carro do vencedor. O triunfalismo vive de gestos e palavras, que não passaram pelo cadinho da cruz; alimenta-se da comparação com os outros, julgando-os sempre piores, defeituosos e falhos… Uma forma sutil de triunfalismo é a mundanidade espiritual, que é o maior perigo, a mais pérfida tentação que ameaça a Igreja. Jesus destruiu o triunfalismo com a sua Paixão”.

“O Senhor realmente aceitou e alegrou-se com a iniciativa do povo, com os jovens que gritavam o seu nome, aclamando-o Rei e Messias. O seu coração rejubilava ao ver o entusiasmo e a festa dos pobres de Israel, de tal maneira que, aos fariseus que lhe pediam para censurar os discípulos pelas suas escandalosas aclamações, Jesus respondeu: «Se eles se calarem, as pedras gritarão». Humildade não significa negar a realidade, e Jesus é realmente o Messias, o Rei.”

O Pontífice frisou que “ao mesmo tempo o coração de Cristo encontra-se noutro caminho, no caminho santo que só Ele e o Pai conhecem: aquele que vai da «condição divina» à «condição de servo», o caminho da humilhação na obediência «até à morte e morte de cruz».”

Dar espaço a Deus

Jesus “sabe que, para chegar ao verdadeiro triunfo, deve dar espaço a Deus; e, para dar espaço a Deus, há somente uma maneira: o despojamento, o esvaziamento de si mesmo. Calar, rezar, humilhar-se. Com a cruz, não se pode negociar: se deve abraçá-la ou recusá-la. E, com a sua humilhação, Jesus quis abrir-nos o caminho da fé e preceder-nos nele”.

O Papa recordou que, atrás de Jesus, a primeira a percorreu esse caminho “foi a sua Mãe, Maria, a primeira discípula. A Virgem e os santos tiveram que padecer para caminhar na fé e na vontade de Deus. No meio dos acontecimentos duros e dolorosos da vida, responder com a fé custa «um particular aperto do coração». É a noite da fé. Mas, só desta noite é que desponta a aurora da ressurreição. Aos pés da cruz, Maria repensou nas palavras com as quais o Anjo lhe anunciou o seu Filho: «Ele será grande (…). O Senhor Deus dará a ele o trono de seu pai Davi, reinará para sempre sobre a casa de Jacó e o seu reino não terá fim».”

Francisco sublinhou que “no Gólgota, Maria se depara com a negação total daquela promessa: o seu Filho agoniza numa cruz como um malfeitor. Deste modo o triunfalismo, destruído pela humilhação de Jesus, foi igualmente destruído no coração da Mãe; ambos souberam calar”. Depois de Maria, vários santos e santas “seguiram Jesus pelo caminho da humildade e da obediência”.

Jornada Mundial da Juventude diocesana

Celebra-se também neste domingo a 34ª Jornada Mundial da Juventude. As JMJ são realizadas anualmente no âmbito diocesano, no Domingo de Ramos. Este ano, o tema da Jornada Mundial da Juventude diocesana é “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc 1, 38)”. A esse propósito o Papa disse:

“Hoje, Jornada Mundial da Juventude, quero lembrar os inúmeros santos e santas jovens, especialmente os da «porta ao lado», que só Deus conhece e que às vezes Ele gosta de nos revelar de surpresa. Queridos jovens, não tenham vergonha de manifestar o seu entusiasmo por Jesus, gritar que Ele vive, que é a sua vida. Mas, ao mesmo tempo não tenham medo de segui-lo pelo caminho da cruz. E quando sentirem que Ele lhes pede para renunciar a si mesmos, para se despojar das próprias seguranças confiando completamente no Pai que está nos céus, então alegrem-se e exultem! Vocês estão no caminho do Reino de Deus.”

Silêncio de Jesus

Segundo o Papa, “é impressionante o silêncio de Jesus na sua Paixão. Vence inclusivamente a tentação de responder, de ser «mediático». Nos momentos de escuridão e grande tribulação, é preciso ficar calado, ter a coragem de calar, contanto que seja um calar manso e não rancoroso”.

“A mansidão do silêncio nos fará parecer ainda mais frágeis, mais humilhados, e então o demônio, ganhando coragem, sairá. Será necessário resistir-lhe em silêncio, «conservando a posição», mas com a mesma atitude de Jesus. Ele sabe que a guerra é entre Deus e o príncipe deste mundo, e não se trata de empunhar a espada, mas de permanecer calmos, firmes na fé. Enquanto esperamos que o Senhor venha e acalme a tempestade, com o nosso testemunho silencioso na oração, demos a nós mesmos e aos outros a «razão da esperança que está em [nós]»”, concluiu Francisco.

14 de abril de 2019 at 10:06 Deixe um comentário

É possível encontrar Deus em um buraco negro?

A prova concreta do buraco negro

A prova concreta do buraco negro  (ANSA)

O diretor do Observatório do Vaticano, Guy Consolmagno, comenta a primeira fotografia de um buraco negro no centro da galáxia M87 com a massa de seis bilhões e meio daquela do Sol, realizada pelo consórcio “Event Horizon Telescope”.

Andressa Collet – Cidade do Vaticano

Nesta sexta-feira (12), o Papa Francisco recebeu em audiência no Vaticano dois premiados com o Nobel da Física, o professor Gérard Mourou (2018) e a professora Donna Strickland (2018). O encontro acontece na semana em que o mundo viu, pela primeira vez, a prova concreta de que um buraco negro é mais do que apenas um conceito teórico.

Em artigo do jornal vaticano L’Osservatore Romano, o questionamento: é possível encontrar Deus em um buraco negro? Então, se Santo Inácio de Loyola tinha razão em nos convidar a “encontrar Deus em todas as coisas”, o buraco negro agora certamente tem os requisitos certos para fazer parte daquela lista.

Graças à imagem produzida e divulgada nestes dias pelo consórcio “Event Horizon Telescope”, de uma foto detalhada de um buraco negro, bem ao centro da galáxia M87, o jesuíta e diretor do Observatório do Vaticano, Guy Consolmagno, sublinha como uma analogia ainda mais fascinante pode ser reconhecida em definir o buraco negro o “exemplo perfeito” de alguma coisa em que acreditamos inclusive se não podemos ver nem tocar.

Consolmagno observa, no artigo, que outros estudos e observações deverão trazer novos progressos: no sentido que não somente seremos capazes de dizer que um buraco negro existe, mas teremos inclusive a capacidade de descrever as características e as qualidades peculiares. Neste momento se pode afirmar que o buraco negro não é um misterioso ponto da massa, mas uma coisa dotada de estrutura da qual agora podemos começar a tirar deduções importantes. E, além daquelas que serão as descobertas futuras, agora é já o suficiente poder se deslumbrar ao contemplar aquela sombra num anel de fogo.

12 abril 2019, 20:38

14 de abril de 2019 at 5:40 Deixe um comentário

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