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Tributo às vítimas da Covid-19: Cristo Redentor abraça o mundo que sofre com a pandemia

O momento da projeção de imagens no Cristo Redentor

O momento da projeção de imagens no Cristo Redentor

 

As condições climáticas impediram de realizar a cerimônia aos pés do Cristo Redentor nesta quarta-feira (01) à noite, mas não de homenagear às vítimas da pandemia direto da Paróquia São José da Lagoa, no Rio de Janeiro. O projeto “Para Cada Vida” teve celebração eucarística, vídeo especial com o Papa Francisco, projeção de imagens no Cristo Redentor e show com a cantora Alcione. “O Cristo Redentor hoje é o altar do mundo, onde nós colocamos as intenções de todos”, disse o arcebispo Orani João Tempesta, que presidiu a missa.

Andressa Collet – Vatican News

A celebração “Para Cada Vida” desta quarta-feira (01) precisou sofrer alterações devido às condições climáticas no Rio de Janeiro: por causa dos ventos fortes que sopraram no alto do Corcovado, em vez de acontecer aos pés do Cristo Redentor, a cerimônia foi transferida para Paróquia São José da Lagoa e transmitida ao vivo pelas plataformas dos organizadores do evento: a CNBB e a Caritas Brasileira. O momento também teve o apoio do Verificado, uma iniciativa global das Nações Unidas para o combate à desinformação em meio à pandemia.

Cristo Redentor é o altar do mundo

Uma mensagem do presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo, abriu a noite de homenagens. Em seguida, o arcebispo do Rio de Janeiro, cardeal Orani João Tempesta, presidiu a missa e também ajudou a conduzir a cerimônia, inclusive, anunciando um vídeo especial produzido pela CNBB que trouxe a mensagem do Papa Francisco falando em português aos brasileiros. Dom Orani disse que “o Cristo Redentor hoje é o altar do mundo, onde nós colocamos as intenções de todos”.

O Cristo Redentor, uma das sete maravilhas do mundo, considerado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, também recebeu uma projeção de imagens que foi um tributo às vítimas da Covid-19, uma mensagem de solidariedade às famílias afetadas, um momento de ação de graças a todos que atuam na linha de frente da pandemia – voluntários e trabalhadores anônimos, além dos profissionais de saúde – e um sinal de esperança e fé a todos os brasileiros e ao mundo. A missa foi seguida pelo show com a cantora Alcione para humanizar ainda mais este momento crítico pelo qual o mundo está passando.

 

6 de julho de 2020 at 5:39 Deixe um comentário

Papa: alívio oferecido por Jesus não é apenas psicológico ou esmola

Papa Francisco na janela do apartamento pontifício para o Angelus

Papa Francisco na janela do apartamento pontifício para o Angelus  (ANSA)

O mundo exalta o rico e o poderoso, não importa com que meios, e por vezes espezinha a pessoa humana e a sua dignidade. E nós vemos isso todos os dias, os pobres espezinhados. E é uma mensagem para a Igreja, chamada a viver obras de misericórdia e a evangelizar os pobres, ser mansos, humildes. Assim o Senhor quer que seja a sua Igreja, isto é, nós.

Vatican News

Antes de rezar o Angelus neste XIV Domingo do Tempo Comum, o Papa Francisco propôs a seguinte reflexão aos peregrinos presentes na Praça São Pedro:

Queridos  irmãos e irmãs, bom dia!

O trecho evangélico deste domingo articula-se em três partes: primeiro, Jesus eleva um hino de bênção e ação de graças ao Pai, pois revelou aos pobres e ao simples o mistério do Reino dos céus; depois manifesta a relação íntima e única entre ele e o Pai; e por fim convida-nos a estar com ele e segui-lo para encontrar alívio.

Em primeiro lugar, Jesus louva o Pai, porque escondeu os segredos do seu Reino, da sua Verdade, escondidos «aos sábios e aos entendidos». Chama-os assim com um véu de ironia, porque presumem ser sábios, entendidos e por isso têm o coração fechado, tantas vezes. A verdadeira sabedoria vem também do coração, não é somente entender ideias. A verdadeira sabedoria também entra no coração. E se tu sabes tantas coisas e tens o coração fechado, tu não és sábio. Jesus fala sobre os mistérios do seu Pai revelando-os aos «pequeninos», àqueles que confiantemente se abrem à sua Palavra de salvação, abrem o coração à Palavra da salvação, sentem necessidade d’Ele e esperam tudo d’Ele. O coração aberto e confiante em relação ao Senhor.

Tal como o Pai tem preferência pelos «pequeninos», também Jesus se dirige aos «cansados e aos oprimidos». Com efeito, Ele coloca-se entre eles, porque é «manso e humilde de coração»: diz para ser assim. Como na primeira e terceira bem-aventuranças, a dos humildes ou pobres de espírito; e a dos mansos: a mansidão de Jesus.

Assim, Jesus, «manso e humilde», não é um modelo para os resignados nem simplesmente uma vítima, mas é o Homem que vive «de coração» esta condição em plena transparência ao amor do Pai, ou seja, ao Espírito Santo. Ele é o modelo dos “pobres em espírito” e de todos os outros “bem-aventurados” do Evangelho, que fazem a vontade de Deus e dão testemunho do seu Reino.

E depois Jesus diz que se formos até ele encontraremos alívio: o “alívio” que Cristo oferece aos cansados e oprimidos não é apenas psicológico ou esmola, mas a alegria dos pobres de serem evangelizados e construtores da nova humanidade: este é o alívio. A alegria. A alegria que nos dá Jesus. É única. É a alegria que ele mesmo tem. É uma mensagem para todos nós, para todas as pessoas de boa vontade, que Jesus transmite ainda hoje no mundo que exalta aqueles que se tornam ricos e poderosos. Mas, quantas vezes dizemos: “Ah, eu gostaria de ser como aquele, como aquela, que é rico, tem tanto poder, não lhe falta nada..”. O mundo exalta o rico e o poderoso, não importa com que meios, e por vezes espezinha a pessoa humana e a sua dignidade. E nós vemos isso todos os dias, os pobres espezinhados. E é uma mensagem para a Igreja, chamada a viver obras de misericórdia e a evangelizar os pobres, ser mansos, humildes. Assim o Senhor quer que seja a sua Igreja, isto é, nós.

Maria, a mais humilde e nobre das criaturas, implore de Deus a sabedoria do coração – a sabedoria do coração –  para nós, para que possamos discernir os seus sinais na nossa vida e participar daqueles mistérios que, escondidos aos soberbos, são revelados aos humildes.

5 de julho de 2020 at 14:06 Deixe um comentário

O desenvolvimento da doutrina é a fidelidade na novidade

Jesus: "Se a vossa justiça não exceder a dos escribas e a dos fariseus, não entrareis no Reino dos Céus" (Mt 5,20)

Jesus: “Se a vossa justiça não exceder a dos escribas e a dos fariseus, não entrareis no Reino dos Céus” (Mt 5,20)

Algumas críticas ao atual pontificado contestam o Concílio Vaticano II e chegam a esquecer o magistério de São João Paulo II e de Bento XVI

Sergio Centofanti

Certas críticas de caráter doutrinal ao pontificado atual estão mostrando um distanciamento gradual, mas cada vez mais claro, do Concílio Vaticano II. Não a partir de uma certa interpretação de alguns textos, mas a partir dos próprios textos conciliares. Há leituras que insistem em colocar o Papa Francisco contra os seus predecessores imediatos acabando assim por criticar abertamente São João Paulo II e Bento XVI ou, de alguma forma, silenciam alguns aspectos fundamentais do seu ministério que representam evidentes desenvolvimentos do último Concílio.

A profecia do diálogo

Um exemplo disso foi o recente 25º aniversário da Encíclica Ut Unum sint, na qual o Papa Wojtyla afirma que o compromisso ecumênico e o diálogo com os não-católicos são uma prioridade da Igreja. O aniversário foi ignorado por aqueles que hoje propõem uma interpretação redutiva da Tradição, fechada a esse “diálogo de amor”, além do doutrinal, promovido pelo Papa polonês em obediência ao ardente desejo de unidade de Nosso Senhor.

A profecia do perdão

Do mesmo modo foi esquecido outro aniversário importante: o pedido de perdão jubilar fortemente desejado por São João Paulo II em 12 de março de vinte anos atrás. O poder profético de um Pontífice que pede perdão pelos pecados cometidos pelos filhos da Igreja é algo decisivo. E quando se trata de “filhos”, inclui os papas. Sabe-se: aqueles que pedem perdão por erros cometidos se colocam em uma situação de risco de revisão. Wojtyla escolheu profeticamente o caminho da verdade. A Igreja não pode e não deve ter medo da verdade. O então Cardeal Joseph Ratzinger, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, sublinhou a “novidade deste gesto”, como um “ato público de arrependimento da Igreja pelos pecados do passado e do presente”: um mea culpa do Papa em nome da Igreja”, um verdadeiro “gesto novo, mas ainda assim em profunda continuidade com a história da Igreja, com a sua autoconsciência”.

Inquisição e violência: uma consciência que cresce

Muitas lendas obscuras foram fomentadas sobre a Inquisição, as fogueiras e várias intolerâncias da Igreja ao longo da história, exagerando, falsificando, caluniando e descontextualizando para apagar da memória a grande e decisiva contribuição do cristianismo para a humanidade. E os historiadores muitas vezes trouxeram de volta à verdade muitas distorções e mitologias da realidade. Mas isso não nos impede de fazer um sério exame de consciência para “reconhecer” – afirma João Paulo II – “os desvios do passado” e “despertar as nossas consciências diante dos compromissos do presente”. A partir disso chegou o pedido de perdão no ano 2000 “pelas divisões que ocorreram entre os cristãos, pelo uso da violência que alguns deles aplicaram a serviço da verdade, e pelas atitudes de desconfiança e hostilidade por vezes assumidas em relação aos seguidores de outras religiões”. “Com o avanço dos tempos – disse em 2004 – a Igreja, guiada pelo Espírito Santo, percebe com uma consciência cada vez mais viva quais são as exigências de sua conformidade” ao Evangelho, que rejeita os métodos intolerantes e violentos que desfiguraram seu rosto na história.

O caso Galileu

Um caso particularmente significativo foi o de Galileu Galilei, o grande cientista italiano, católico, que – disse João Paulo II – “sofreu muito, não podemos escondê-lo, por causa dos homens e organizações da Igreja”. O Papa Wojtyla examina a história “à luz do contexto histórico da época” e “da mentalidade da época”. A Igreja, ainda que fundada por Cristo, “permanece constituída por homens e mulheres limitados, ligados à sua época cultural”. Ela também “aprende com a experiência” e a história de Galileu “permitiu uma maturação e compreensão mais justa de sua autoridade”. A compreensão da verdade cresce: ela não é dada de uma vez por todas.

Uma revolução copernicana

Wojtyla lembra que “a representação geocêntrica do mundo era comumente aceita na cultura da época de acordo com o ensinamento da Bíblia, na qual algumas expressões, tomadas literalmente, pareciam constituir declarações de geocentrismo”. O problema colocado pelos teólogos da época era, portanto, o da compatibilidade entre o heliocentrismo e Escritura. Assim, a nova ciência, com seus métodos e a liberdade de pesquisa que supõem, obrigou os teólogos a questionar seus critérios de interpretação da Escritura. A maioria não conseguiu fazer isso. Paradoxalmente, Galileu, um crente sincero, mostrou-se sobre este ponto “mais perspicaz que seus adversários teólogos” que haviam caído em erro ao tentar defender a fé. “A inversão causada pelo sistema Copérnico” gerou assim “repercussões na interpretação da Bíblia”: Galileu, não um teólogo, mas um cientista católico, “introduziu o princípio de uma interpretação dos livros sagrados, além do sentido literal, mas sempre de acordo com a intenção e o tipo de exposição própria de cada um dos textos”, segundo os gêneros literários. Uma posição confirmada por Pio XII em 1943 com a Encíclica Divino afflante Spiritu.

A teoria da evolução

Crescimento semelhante na consciência da Igreja ocorreu com a teoria da evolução que parecia estar em contradição com o princípio da criação. Uma primeira abertura foi a de Pio XII com a Encíclica Humani generis de 1950, que no próximo dia 12 de agosto, completará 70 anos. João Paulo II afirma que “a criação é colocada à luz da evolução como um evento que se estende no tempo – como uma ‘creatio continua’ – no qual Deus se torna visível aos olhos do crente como o Criador do céu e da terra”. Papa Francisco ressalta que “quando lemos no Gênesis a narração da Criação corremos o risco de imaginar que Deus foi um mago, com uma varinha mágica capaz de fazer tudo”. Mas não é assim! Ele criou os seres e deixou que se desenvolvessem de acordo com as leis internas que Ele mesmo inscreveu a cada um, para que se progredissem, e chegassem à própria plenitude (…) O Big Bang, que hoje se põe na origem do mundo, não contradiz a intervenção criadora divina, mas exige-a. A evolução na natureza não se opõe à noção de Criação, porque a evolução pressupõe a criação dos seres que evoluem.

O desenvolvimento do conceito de liberdade

No Novo Testamento, mas não apenas ali, há chamadas muito profundas à liberdade que mudaram a história: mas são descobertas pouco a pouco. O Papa Bonifácio VIII, com a Bula “Unam sanctam” de 1302, reafirmou a superioridade da autoridade espiritual sobre a autoridade temporal. Era uma outra época. Quase 700 anos depois, João Paulo II, falando em Estrasburgo ao Parlamento Europeu, observou que o cristianismo medieval ainda não fazia distinção “entre a esfera da fé e a da vida civil”. A consequência desta visão foi a “tentação integralista de excluir da comunidade temporal aqueles que não professavam a verdadeira fé”. Ainda em 1791, em carta aos bispos franceses, Pio VI criticou a Constituição aprovada pela Assembléia Nacional que “estabelece como princípio de direito natural que o homem que vive em Sociedade deve ser totalmente livre, ou seja, que em matéria de Religião não deve ser perturbado por ninguém, e pode livremente pensar como quiser, e escrever e até mesmo publicar na imprensa qualquer coisa em matéria de Religião”. E em 1832, a Encíclica Mirari vos de Gregório XVI fala da liberdade de consciência como “erro mais venenoso” e “delírio”, enquanto Pio IX, no Syllabus de 1864, condena entre “os principais erros da nossa época”, o fato de que não seja mais convencionado “que a religião católica deva ser considerada a única religião de Estado”, excluindo todos os outros cultos” e também o fato de que “em alguns países católicos foi estabelecido por lei que aqueles que aderem à outras religiões têm direito a ter culto público”. O Concílio Vaticano II, com as Declarações “Dignitatis humanae” sobre a liberdade religiosa e “Nostra aetate” sobre o diálogo com as religiões não-cristãs faz um grande passo adiante que recorda o Concílio de Jerusalém da primeira comunidade cristã que abre a Igreja a toda a humanidade. Diante desses desafios, João Paulo II afirma que “o pastor deve se mostrar pronto para ser verdadeiramente audacioso”.

Deter-se, mas em que ano?

Em 1988 ocorreu o cisma dos tradicionalistas lefebvrianos. Não aceitaram os desenvolvimentos trazidos pelo Concílio Vaticano II: segundo eles tinha sido criada uma nova Igreja. Bento XVI usa uma imagem forte quando os exorta a não “congelar a autoridade magisterial da Igreja do ano de 1962”. Já havia acontecido em 1870: os “velhos católicos” condenaram o Concílio Vaticano I pelo dogma da infalibilidade pontifícia. A Igreja Católica percorreu a história através de mais de 20 Concílios: todas as vezes têm alguém que não aceita os novos desenvolvimentos e detêm-se ali. Em 1854 Pio IX proclamou o dogma da Imaculada Conceição. Mas um grande santo, Bernardo de Claraval, embora um dos mais ardentes propagadores da devoção mariana, expressou por muitos séculos sua oposição a esta verdade: “Estou muito preocupado, pois muitos de vocês decidiram mudar as condições de acontecimentos importantes, como a introdução desta festa desconhecida para a Igreja, certamente não aprovada pela Razão, e nem mesmo justificada pela Tradição antiga. Somos realmente mais eruditos e piedosos que os nossos antigos pais?”. Era o século XII. A Igreja, desde então, introduziu outras festas desconhecidas que provavelmente teriam escandalizado muitos fiéis que viveram em séculos anteriores.

O caminho de Jesus: coisas novas e coisas antigas

Jesus disse que não veio para abolir a Lei, “mas para dar pleno cumprimento” (Mt 5,17). Ele ensinou a não transgredir nem mesmo “um destes preceitos, mesmo o menor” (Mt 5,19). Ainda assim, foi acusado de violar as regras de Moisés, como o descanso do sábado ou a proibição de frequentar os pecadores públicos. E os apóstolos deram um grande passo avante: aboliram a obrigação sagrada da circuncisão, que remontava a Abraão, em vigor há 2000 anos, e abriram-se aos pagãos, algo impensável na época. “Eis que”, diz o Senhor, “faço novas todas as coisas” (Ap 21,5). É o “vinho novo” do amor evangélico que sofre o risco de ser colocado nos “odres velhos” da nossa segurança religiosa, que tantas vezes silencia o Deus vivo que nunca deixa de nos falar. É a sabedoria do “discípulo do Reino dos Céus” que busca a plenitude da Lei, justiça que supera a dos escribas e fariseus, extraindo “coisas novas e coisas velhas do seu tesouro” (Mt 13,52). Não só coisas novas, não só coisas antigas.

5 de julho de 2020 at 5:40 Deixe um comentário

O Papa: a intercessão é própria dos Santos que são “pontes” entre Deus e o seu povo

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“Moisés é tão amigo de Deus que pode falar com Ele face a face; e permanecerá tão amigo dos homens que sentirá misericórdia pelos seus pecados, pelas suas tentações, pela inesperada nostalgia que os exilados têm em relação ao passado, lembrando-se de quando estavam no Egito”, disse Francisco na catequese desta quarta-feira.

Mariangela Jaguraba – Vatican News

“A oração de Moisés”. Este foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral, desta quarta-feira (17/06), realizada na Biblioteca do Palácio Apostólico por causa da pandemia de coronavírus.

Dando continuidade ao tema da oração, o Pontífice disse “que nos damos conta de que Deus nunca gostou de lidar com orantes “fáceis”. Nem sequer Moisés será um interlocutor “fraco”, desde o primeiro dia da sua vocação”.

Segundo Francisco, quando Deus chama Moisés ele é humanamente “um fracasso”. O livro do Êxodo o representa na terra de Madiã como um fugitivo. Quando era jovem sentira pena do seu povo, levantando-se também em defesa dos oprimidos. Mas depressa descobre que, apesar das boas intenções, das suas mãos não brota justiça mas, pelo contrário, violência.

Eis que se desintegram os sonhos de glória: Moisés já não é um funcionário promissor, destinado a uma carreira rápida, mas alguém que teve oportunidades, e que agora apascenta um rebanho que nem sequer é seu. É no silêncio do deserto de Madiã que Deus convoca Moisés para a revelação da sarça ardente: «”Eu sou o Deus de seus antepassados, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, o Deus de Jacó”. Então Moisés cobriu o rosto, pois tinha medo de olhar para Deus».

Moisés nunca perdeu a memória do seu povo

Deus fala e convida Moisés a cuidar novamente do povo de Israel, mas ele opõe os seus medos e objeções. “Não é digno daquela missão, não conhece o nome de Deus, os israelitas não acreditarão nele, tem uma língua que gagueja”, frisou o Papa, acrescentando que “a palavra que floresce frequentemente nos lábios de Moisés, em cada oração que dirige a Deus, é a pergunta: “Por quê?”. Por que me enviou? Por que quer libertar este povo? No Pentateuco há até um trecho dramático, onde Deus repreende Moisés pela sua falta de confiança, falta que o impedirá de entrar na terra prometida”.

Com estes temores, com este coração que muitas vezes vacila, como pode Moisés rezar? Na verdade, Moisés parece um homem como nós. E isso também acontece conosco: quando temos dúvidas, mas como podemos rezar? Nós não queremos rezar. E é com a sua fraqueza, e também coma sua força, que ficamos impressionados. Encarregado por Deus de transmitir a Lei ao seu povo, fundador do culto divino, mediador dos mistérios mais altos, não é por isso  motivo que ele deixará de manter estreitos vínculos de solidariedade com o seu povo, especialmente na hora da tentação e do pecado. Sempre apegado ao povo. Moisés nunca perdeu a memória do seu povo. E esta é uma grandeza dos pastores: não esquecer o povo, não esquecer as raízes. Como diz Paulo ao seu amado jovem bispo Timóteo: “Lembre-se de tua mãe e de tua avó, das tuas raízes, do teu povo”.

“Moisés é tão amigo de Deus que pode falar com Ele face a face; e permanecerá tão amigo dos homens que sentirá misericórdia pelos seus pecados, pelas suas tentações, pela inesperada nostalgia que os exilados têm em relação ao passado, lembrando-se de quando estavam no Egito. Moisés não renega a Deus, mas também não renega o seu povo. É coerente com seu sangue, é coerente com a voz de Deus.”

Moisés é a ponte, é o intercessor

Segundo o Papa, “Moisés não é um líder autoritário nem despótico; pelo contrário, o Livro dos Números define-o «mais humilde e paciente do que qualquer homem sobre a terra». Apesar da sua condição privilegiada, Moisés não deixa de pertencer àquele grupo de pobres em espírito que vivem fazendo da confiança em Deus o viático do próprio caminho. É um homem do povo”.

“Até nos momentos mais difíceis, até no dia em que o povo rejeita a Deus e a ele mesmo como guia, fazendo um bezerro de ouro, Moisés não quer pôr de lado o seu povo. É o meu povo. É o seu povo. É o meu povo”, disse o Pontífice. Moisés “não renega a Deus e nem o povo. E diz a Deus: «Este povo cometeu um pecado gravíssimo, fabricando um deus de ouro. Agora, porém, ou perdoas o pecado deles ou me riscas do teu livro».

“Moisés não negocia o povo. É a ponte, é o intercessor. Os dois, o povo e Deus, e ele no meio. Não vende o seu povo para fazer carreira. Ele não é um galgador, é um intercessor: pelo seu povo, pela sua carne, pela sua história, pelo seu povo e por Deus que o chamou. É a ponte. Que belo exemplo para todos os pastores que devem ser “ponte”. É por isso que são chamados de pontifex, pontes. Os pastores são pontes entre o povo a quem pertencem e Deus, a quem pertencem por vocação.”

“Esse é Moisés. Perdoa Senhor os seus pecados, caso contrário, me riscas do teu livro. Não quero fazer carreira com o meu povo”, sublinhou Francisco, acrescentando:

Esta é a oração que os verdadeiros fiéis cultivam na sua vida espiritual. Embora experimentem as falhas das pessoas e a sua distância de Deus, estes orantes não as condenam, nem as rejeitam. A atitude de intercessão é própria dos Santos que, à imitação de Jesus, são “pontes” entre Deus e o seu povo. Neste sentido, Moisés foi o maior profeta de Jesus, nosso defensor e intercessor. E ainda hoje, Jesus é o pontifex, ele é a ponte entre nós e o Pai.  Jesus intercede por nós, mostra ao Pai as chagas que são o preço da nossa salvação e intercede. Moisés é a figura de Jesus intercessor hoje, que Jesus reza por nós, intercede por nós.

O mundo vive e prospera graças à bênção do justo

Segundo o Papa, “Moisés nos exorta a rezar com o mesmo ardor de Jesus, a interceder pelo mundo, a recordar que ele, apesar de todas as suas fragilidades, pertence sempre a Deus. Todos pertencemos a Deus. Os pecadores piores, as pessoas mais perversas, os líderes mais corruptos, são filhos de Deus e Jesus sente isso e intercede por todos. O mundo vive e prospera graças à bênção do justo, à oração de piedade, a esta oração de piedade que o santo, o justo, o intercessor, o sacerdote, o bispo, o Papa, o leigo, qualquer batizado, eleva incessantemente pelos homens, em todos os lugares e épocas da história”.

“Pensemos em Moisés, o intercessor. Quando tivermos vontade de condenar alguém e ficamos com raiva por dentro… Ficar zangado é bom, eh! É um pouco de saúde, mas condenar não faz bem. Você fica bravo e o que deve fazer? Vai interceder por aquela pessoa”, concluiu Francisco.

4 de julho de 2020 at 5:39 Deixe um comentário

Papa: Coração de Jesus dê a todos esperança e confiança!

Mês de junho é dedicado ao Sagrado Coração de Jesus

Ao final da Audiência Geral (17/06), o Papa Francisco recordou que amanhã celebramos a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, encorajando os fiéis a apresentarem a Ele “todas as intenções da nossa humanidade sofredora, seus medos e suas misérias”.

Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

Em sua saudação em várias línguas na Audiência Geral de ontem, quarta-feira, o Papa Francisco mencionou uma festa muito querida pelos cristãos: a solenidade do Sagrado Coração de Jesus.

O Pontífice convidou os fiéis a descobrirem as riquezas que se “escondem” no Seu  Coração, para aprender a amar o próximo.

Aos de línguas francesa, Francisco os encorajou a apresentar a Jesus “todas as intenções da nossa humanidade sofredora, seus medos e suas misérias”.

[ Possa este Coração, repleto de amor pelos homens, dar a todos esperança e confiança! ]

Mês dedicado ao Sagrado Coração

No primeiro Angelus deste mês, o Pontífice recordou que o mês de junho é dedicado de modo particular ao Coração de Cristo, uma devoção que une os grandes mestres espirituais e as pessoas simples do povo de Deus.

O Coração humano e divino de Jesus, disse ele, é a fonte onde sempre podemos haurir a misericórdia, o perdão, a ternura de Deus.

Podemos ir à esta fonte detendo-nos sobre uma passagem do Evangelho, sentindo que no centro de todo gesto, de toda palavra de Jesus está o amor, o amor do Pai. E podemos fazê-lo também adorando a Eucaristia, onde este amor está presente no Sacramento.

Então – conclui Francisco –, também o nosso coração, pouco a pouco, se tornará mais paciente, mais generoso, mais misericordioso.”

“Jesus, faz com que meu coração se assemelhe ao Seu”, foi a oração do Santo Padre, afirmando ter aprendido com a sua avó a recitar essas palavras, convidando os fiéis a fazerem o mesmo.

3 de julho de 2020 at 5:49 Deixe um comentário

2 de julho de 2020 at 11:49 Deixe um comentário

O Papa na Audiência Geral: Davi é nobre porque reza. A oração nos dá nobreza

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“A oração nasce da convicção de que a vida não é algo que passa por nós, mas um mistério surpreendente, que em nós suscita a poesia, a música, a gratidão, o louvor, ou a lamentação e a súplica. Quando uma pessoa não tem essa dimensão poética, quando lhe falta a poesia, a sua alma manca”, disse Francisco em sua catequese.

Mariangela Jaguraba – Vatican News

O Papa Francisco prosseguiu com o tema da oração na Audiência Geral desta quarta-feira (24/06), realizada na Biblioteca do Palácio Apostólico.

Na catequese de hoje, o Pontífice abordou o tema da “A oração de Davi”, “predileto de Deus desde menino, escolhido para uma missão única, que assumirá um papel central na história do povo de Deus e da nossa fé”.

Nos Evangelhos, Jesus é chamado várias vezes “filho de Davi” e  como ele, nasce em Belém. Segundo as promessas, da descendência de Davi vem o Messias: “Um Rei totalmente segundo o coração de Deus, em perfeita obediência ao Pai, cuja ação cumpre fielmente o seu plano de salvação”.

Davi é um pastor

A história de Davi começa nas colinas ao redor de Belém, onde apascenta o rebanho de seu pai, Jessé. É ainda um rapaz, o último de muitos irmãos. Por ordem de Deus, o Profeta Samuel vai em busca do novo rei. Davi trabalhava ao ar livre e confortava a sua alma tocando harpa. “Nos longos dias de solidão gostava de tocar e cantar ao seu Deus. Brincava também com a funda”, disse o Papa, acrescentando:

Portanto, em primeiro lugar Davi é um pastor: um homem que cuida dos animais, que os defende quando surge o perigo, que lhes dá o sustento. Quando Davi, por vontade de Deus, tiver que se preocupar pelo povo, não realizará ações muito diferentes destas. É por isso que na Bíblia a imagem do pastor é muito recorrente. Também Jesus se define “o bom pastor”, o seu comportamento é diferente daquele do mercenário; oferece a sua vida pelas ovelhas, guia-as, sabe o nome de cada uma delas.

Dimensão poética

Davi aprendeu muito da sua primeira profissão. “Quando o profeta Natã o repreenderá pelo seu gravíssimo pecado, Davi compreenderá imediatamente que tinha sido um mau pastor, que roubara de outro homem a única ovelha que ele amava, que já não era um servo humilde, mas um homem doente de poder, um caçador furtivo que mata e saqueia”, sublinhou Francisco.

O mundo que se apresenta aos seus olhos não é uma cena silenciosa: o seu olhar capta, por detrás do desenrolar dos acontecimentos, um mistério maior. A oração nasce precisamente dali: da convicção de que a vida não é algo que passa por nós, mas um mistério surpreendente, que em nós suscita a poesia, a música, a gratidão, o louvor, ou a lamentação e a súplica. Quando uma pessoa não tem essa dimensão poética, quando lhe falta a poesia, a sua alma manca. Portanto, segundo a tradição Davi é o grande artífice da composição dos salmos. No início fazem frequentemente referência explícita ao rei de Israel e a alguns dos acontecimentos mais ou menos nobres da sua vida.

Oração, voz que nunca se apaga

“Davi tem um sonho: ser um bom pastor”, disse o Papa. “Às vezes conseguirá estar à altura desta tarefa, outras vezes, não; mas o que importa, no contexto da história da salvação, é que ele representa a profecia de outro Rei, do qual é apenas anúncio e prefiguração”, sublinhou Francisco.

“Olhemos para Davi, pensemos a Davi. Santo e pecador, perseguido e perseguidor, vítima e carnífice também. É uma contradição. Davi era tudo isso, junto”, disse o Pontífice, ressaltando que “também nós, na nossa vida, temos traços frequentemente opostos. Na trama da vida, todos os homens pecam muitas vezes de incoerência. Na vida de Davi existe apenas um fio condutor que confere unidade a tudo o que acontece: a sua oração. Esta é a voz que nunca se apaga”.

“Davi Santo, reza. Davi pecador, reza. Davi perseguido, reza. Davi perseguidor, reza. Davi vítima, reza. Até Davi, carnífice, reza. Este é o fio condutor de sua vida. Um homem de oração. Essa é a voz que nunca se apaga: quer assuma os tons do júbilo, quer os da lamentação, é sempre a mesma oração, só muda a melodia. Agindo assim, Davi nos ensina a deixar que tudo faça parte do diálogo com Deus: tanto a alegria como a culpa, o amor como o sofrimento, a amizade como a doença. Tudo pode tornar-se palavra dirigida ao “Tu” que nos ouve sempre”, frisou ainda o Papa.

Davi é nobre porque reza

Davi, que conheceu a solidão, na verdade, nunca esteve sozinho! E no fundo este é o poder da oração, em todos aqueles que lhe dão espaço na própria vida: A oração dá a você nobreza, e Davi é nobre porque reza. É um carnífice que reza, se arrepende e a nobreza retorna da oração. A oração nos dá nobreza: ela é capaz de assegurar a relação com Deus, que é o verdadeiro Companheiro de caminho do homem, no meio das numerosas provações da vida.

“Boas ou más, mas sempre a oração. Obrigado, Senhor. Tenho medo, Senhor. Ajuda-me, Senhor. Perdoa-me, Senhor. A confiança de Davi é tão grande que, quando ele foi perseguido e teve que fugir, ele não deixou ninguém defendê-lo: “Se meu Deus me humilha assim, Ele sabe”, porque a nobreza da oração nos deixa nas mãos de Deus. Aquelas mãos chagadas de amor e as únicas mãos seguras que temos”, concluiu Francisco.

2 de julho de 2020 at 5:54 Deixe um comentário

Papa Francisco no Twitter

1 de jul de 2020: O mal nunca traz paz, provoca frenesi antes e deixa amargura depois. A voz de Deus nunca promete alegria a baixo preço: nos convida a ir além do nosso eu para encontrar o verdadeiro bem, a paz.
30 de jun de 2020: Hoje recordamos os primeiros mártires da Igreja de Roma. Eles nos entregam uma herança a preservar e imitar: o Evangelho do amor e da misericórdia. Os mártires cristãos de todos os tempos são homens e mulheres de paz, não obstante as perseguições.
30 de jun de 2020: Hoje se realiza a quarta Conferência da União Europeia e das Nações Unidas para “apoiar o futuro da Síria e da região”. Rezemos por este encontro, para que em primeiro lugar esteja o bem dos povos, que necessitam de alimento, de cuidados médicos, de escola e de trabalho.
29 de jun de 2020: Hoje unimo-nos de maneira especial ao Patriarcado Ecumênico de Constantinopla. Pedro e André eram irmãos; e entre nós, quando é possível, trocamos uma visita fraterna nas respectivas festas para caminhar juntos rumo à meta que o Senhor nos indica: a unidade plena.
29 de jun de 2020: Um Saulo altivo tornou-se Paulo, que significa «pequeno». O Senhor o abalou: derrubou a sua presunção de homem religioso e bom para torná-lo instrumento.
29 de jun de 2020: Como o Senhor transformou Simão em Pedro, assim chama a cada um para fazer de nós pedras vivas, com as quais construir uma Igreja e uma humanidade renovadas.
29 de jun de 2020: Na festa dos dois Apóstolos Pedro e Paulo, gostaria de partilhar com vocês duas palavras-chave: unidade e profecia. O Senhor pergunta a cada um de nós: «Quer ser construtor de unidade? Quer ser profeta do meu céu na terra?» Ganhemos a coragem de Lhe dizer: «Sim, quero!».
28 de jun de 2020: A gratidão generosa de Deus Pai leva em consideração até mesmo o menor gesto de amor e serviço prestado aos irmãos. Jesus nos ensina isso no #EvangelhodeHoje (Mt 10,42).
28 de jun de 2020: Jesus diz a seus discípulos: «Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim». Não há amor verdadeiro sem a cruz, sem um preço a pagar em pessoa. Carregada com Jesus, a cruz não causa medo, porque Ele está sempre ao nosso lado para nos sustentar.
27 de jun de 2020: Se você está procurando um sentido para a vida e não o encontrando, se ilude com “substitutos do amor” como as riquezas, a carreira, o prazer, alguma dependência, deixe-se olhar por Jesus e descobrirá ter sido sempre amado.
26 de jun de 2020: Só vê bem quem olha com o coração, porque sabe «ver dentro»: a pessoa independentemente dos seus erros, o irmão independentemente das suas fragilidades, a esperança nas dificuldades; vê Deus em tudo.
25 de jun de 202: Comecemos pelos inúmeros testemunhos de amor generoso e livre que nestes meses nos ensinaram o quanto existe a necessidade de proximidade, de cuidado, de sacrifício para alimentar a fraternidade e a convivência civil. Desse modo, sairemos mais fortes dessa crise.
25 de jun de 2020: Nestes tempos difíceis, o trabalho dos marítimos e pescadores se tornou ainda mais importante. Desejo enviar a eles uma mensagem de esperança, de conforto e de consolação.
24 de jun de 2020: A #oração nasce da convicção de que a vida não é algo que passa desapercebido, mas um mistério extraordinário que provoca em nós a poesia, a música, a gratidão, o louvor, ou a lamentação, a súplica.
24 de jun de 2020: O nascimento de São #JoãoBatista de pais já idosos nos ensina que Deus não depende de nossas lógicas e de nossas limitadas capacidades humanas. É preciso aprender a confiar e a calar diante do mistério de Deus e a contemplar sua obra em humildade e silêncio.
23 de jun de 2020: Deus nos criou para a comunhão, para a fraternidade, e agora, mais do que nunca, mostrou-se ilusória a pretensão de focar tudo sobre si mesmo, de colocar o individualismo na base da sociedade. Mas estejamos atentos! Quando a emergência passar, é fácil cair novamente nessa ilusão.
22 de jun de 2020: A Palavra de Deus nos é dada como a Palavra da vida, que transforma, que renova, que não julga para condenar, mas que cura e tem como fim o perdão. Uma palavra que é luz para nossos passos!
21 de jun de 2020: No Evangelho deste domingo (Mt 10,26-33) Jesus nos convida a não ter medo, a sermos fortes e confiantes diante dos desafios da vida porque, mesmo passando por insídias, a nossa vida está firmemente nas mãos de Deus, que nos ama e nos protege.
21 de jun de 2020: Queridos jovens, pedimos a graça de um coração novo pela intercessão do santo padroeiro de vocês, #SãoLuízGonzaga, jovem corajoso que nunca recuou no serviço aos outros, tanto que deu a vida para curar os doentes da epidemia da peste. Que o Senhor mude os nossos corações!

2 de julho de 2020 at 5:44 Deixe um comentário

Papa: hoje precisamos de testemunhos de que o Evangelho é possível

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“A profecia nasce quando nos deixamos provocar por Deus: não quando gerimos a própria tranquilidade, mantendo tudo sob controle. Não nasce de meus pensamentos, não nasce de meu coração fechado. Nasce se nós nos deixamos provocar por Deus. Quando o Evangelho inverte as certezas, brota a profecia. Só quem se abre às surpresas de Deus é que se torna profeta (…). Hoje precisamos de profecia, de verdadeira profecia: não discursos que prometem o impossível, mas testemunhos de que o Evangelho é possível.”

Vatican News

“Como o Senhor transformou Simão em Pedro, assim chama a cada um para fazer de nós pedras vivas, com as quais construir uma Igreja e uma humanidade renovadas. Há sempre quem destrua a unidade e quem apague a profecia, mas o Senhor acredita em nós e pede-te: «Queres ser construtor de unidade? Queres ser profeta do meu céu na terra?» Deixemo-nos provocar por Jesus e ganhemos a coragem de Lhe dizer: «Sim, quero»!

Não no Altar da Confissão com a Basílica de São Pedro lotada, mas no Altar da Cátedra, na presença de cerca de 90 fiéis. Na Solenidade dos Santos Pedro e Paulo – em tempos em que são tomados todos os cuidados para evitar nova onda de contágios por coronavírus – o Papa Francisco presidiu a Santa Missa destacando duas palavras-chave: unidade e profecia.

No início da celebração, após a saudação litúrgica, o Decano do Colégio Cardinalício, cardeal Giovanni Battista Re, fez um breve pronunciamento, para então receber o pálio do Papa Francisco, que também abençoou os pálios que serão entregues aos Arcebispos Metropolitas nomeados no decorrer do último ano. Entre eles: cardeal Sérgio da Rocha, arcebispo de Salvador da Bahia; Dom Josafá Menezes da Silva, arcebispo de Vitória da Conquista; Dom Irineu Roman, arcebispo de Santarém; Dom Leonardo Ulrich Steiner, arcebispo de Manaur e Dom Virgílio do Carmo da Silva, arcebispo de Dili, Timor Leste.

Unidade

A reflexão do Papa Francisco parte da familiaridade que unia Pedro e Paulo, “duas pessoas muito diferentes, mas sentiam-se irmãos, como numa família unida onde muitas vezes se discute mas sem deixar de se amarem”, uma familiaridade que “não provinha de inclinações naturais, mas do Senhor. Ele não nos mandou agradar, mas amar. É Ele que nos une, sem nos uniformizar. Nos une nas diferenças.”

Em meio a perseguições, os primeiros cristãos não pensam em fugir ou salvar a própria pele, “mas todos rezam juntos” – recordou o Papa – enfatizando que “a unidade é um princípio que se ativa com a oração, porque a oração permite ao Espírito Santo intervir, abrir à esperança, encurtar as distâncias, manter-nos juntos nas dificuldades.”

Só a oração desata as algemas e deixa livre o caminho para a unidade

Francisco observa que “naqueles momentos dramáticos, ninguém se lamenta do mal, das perseguições”, pois “é inútil, e até chato, que os cristãos percam tempo se lamentando do mundo, da sociedade, daquilo que está errado. As lamentações não mudam nada. Recordemo-nos de que as lamentações são a segunda porta fechada para o Espírito Santo, como disse  a vocês no dia de Pentecostes: a primeira é o narcisismo, a segunda o desânimo, a terceira o pessimismo. O narcisismo te leva ao espelho, para se olhar continuamente; desânimo, às lamentações. O pessimismo, ao escuro, à escuridão. Essas três atitudes fecham a porta do Espírito Santo.” Aqueles cristãos, ao contrário, rezavam:

São Paulo – completou o Santo Padre – exortava os cristãos a rezar por todos, mas em primeiro lugar por quem governa:

“Mas este governante é …”, e os qualificadores são muitos: eu não os direi, porque este não é o momento nem o lugar para dizer os qualificadores que são ouvidos contra os governantes. Mas, que Deus os julgue: mas rezemos pelos governantes. Vamos rezar. Eles precisam de oração.  É uma tarefa que o Senhor nos confia. Temo-la cumprido? Ou limitamo-nos a falar, insultar e basta? Quando rezamos, Deus espera que nos lembremos também de quem não pensa como nós, de quem nos bateu a porta na cara, das pessoas a quem nos custa perdoar. Só a oração desata as algemas, só a oração deixa livre o caminho para a unidade.

Pedro e André

O Pontífice recorda que o pálio abençoado neste dia “recorda a unidade entre as ovelhas e o Pastor que, como Jesus, carrega a ovelha nos ombros e nunca mais a larga”.

Ao mesmo tempo, fala da bela tradição deste dia em que “unimo-nos de maneira especial ao Patriarcado Ecumênico de Constantinopla:

Pedro e André eram irmãos; e entre nós, quando é possível, trocamos uma visita fraterna nas respetivas festas; não tanto por gentileza, mas para caminhar juntos rumo à meta que o Senhor nos indica: a unidade plena. Hoje, eles não conseguiram vir por causa do coronavírus, mas quando desci para venerar os restos mortais de Pedro, sentia no coração ao meu lado meu amado irmão Bartolomeu. Eles estão aqui, conosco.

 

Hoje precisamos de verdadeira profecia

Depois da unidade, O Santo Padre fala de uma segunda palavra: profecia. Com perguntas provocatórias, Jesus faz Pedro entender que “não Lhe interessam as opiniões gerais, mas a opção pessoal de O seguir”, e a Saulo, o abala interiormente, fazendo-o cair por terra no caminho para Damasco, derrubando “sua presunção de homem religioso e bom”. Então, vem as profecias: «Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja» (Mt 16, 18); e a Paulo: «É instrumento da minha escolha, para levar o meu nome perante os pagãos» (At 9, 15):

Assim, a profecia nasce quando nos deixamos provocar por Deus: não quando gerimos a própria tranquilidade, mantendo tudo sob controle.  Não nasce de meus pensamentos, não nasce de meu coração fechado. Nasce se nós nos deixamos provocar por Deus. Quando o Evangelho inverte as certezas, brota a profecia. Só quem se abre às surpresas de Deus é que se torna profeta.

E isso, pode ser visto em Pedro e Paulo, “profetas que enxergam mais além: Pedro é o primeiro a proclamar que Jesus é «o Messias, o Filho de Deus vivo»; Paulo antecipa a conclusão da sua vida: «Já me aguarda a merecida coroa, que me entregará, naquele dia, o Senhor»:

Hoje precisamos de profecia, mas de verdadeira profecia: não discursos que prometem o impossível, mas testemunhos de que o Evangelho é possível. Não são necessárias manifestações miraculosas. Me dói quando ouço “mas, queremos uma Igreja profética”… Bem. O que fazes para que a Igreja seja profética? Queremos a profecia… é preciso vidas que manifestam o milagre do amor de Deus. Não potência, mas coerência; não palavras, mas oração; não proclamações, mas serviço. Queres uma Igreja profética? Comece a servir, fique calado. Não teoria, mas testemunho. Precisamos não de ser ricos, mas de amar os pobres; não de ganhar para nós, mas de nos gastarmos pelos outros; não do consenso do mundo (..) Mas precisamos da alegria pelo mundo que virá; não de projetos pastorais, estes projetos que parecem tem uma própria eficiência, como se fossem sacramentos, projetos pastorais eficientes, não, não, mas precisamos de pastores que ofereçam a vida: de enamorados de Deus.

E foi como “enamorados de Deus” – sublinhou Francisco – que Pedro e Paulo anunciaram Jesus:

Pedro, antes de ser colocado na cruz, não pensa em si mesmo, mas no seu Senhor e, considerando-se indigno de morrer como Ele, pede para ser crucificado de cabeça para baixo. Paulo está para ser decapitado e pensa só em dar a vida, escrevendo que quer ser «oferecido como sacrifício». Esta é a profecia. Não palavras. E esta é profecia, a profecia que muda a história.

Também para nós existe uma profecia, descrita no Livro do Apocalipse, “quando Jesus promete às suas testemunhas fiéis «uma pedra branca», na qual «estará gravado um novo nome»”. E assim, “como o Senhor transformou Simão em Pedro, assim chama a cada um para fazer de nós pedras vivas, com as quais construir uma Igreja e uma humanidade renovadas. Há sempre quem destrua a unidade e quem apague a profecia, mas o Senhor acredita em nós e pede-te: «Tu, tu, tu, tu: queres ser construtor de unidade? Queres ser profeta do meu céu na terra?»  Irmãos e irmãs, deixemo-nos provocar por Jesus e ganhemos a coragem de Lhe dizer: «Sim, quero»!”

30 de junho de 2020 at 5:38 Deixe um comentário

O Papa: a gratidão é um sinal de boa educação, mas é também um distintivo do cristão

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Francisco recordou que o Evangelho deste domingo nos convida “a viver plenamente e sem hesitação a nossa adesão ao Senhor. Jesus pede aos seus discípulos que levem a sério as exigências do Evangelho, mesmo quando isto requer sacrifício e esforço”.

Mariangela Jaguraba – Vatican News

O Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus deste domingo (28/06), da janela da residência pontifícia vaticana, junto com alguns fiéis que se encontravam na Praça São Pedro.

Na alocução que precedeu a oração, o Papa recordou que o Evangelho deste domingo nos convida “a viver plenamente e sem hesitação a nossa adesão ao Senhor. Jesus pede aos seus discípulos que levem a sério as exigências do Evangelho, mesmo quando isto requer sacrifício e esforço”.

Segundo Francisco, “o primeiro pedido exigente que Ele faz àqueles que O seguem é que coloquem o amor a Ele acima dos afetos familiares. Ele diz: «Quem ama o pai ou a mãe, […] o filho ou a filha mais do que a mim, não é digno de mim».” A seguir, o Papa acrescentou:

Jesus não pretende certamente subestimar o amor pelos pais e filhos, mas sabe que os laços de parentesco, se forem postos em primeiro lugar, podem desviar-se do verdadeiro bem. Vemos algumas corrupções nos governos. Elas ocorrem porque o amor pelo parentesco é maior que o amor pela pátria e eles colocam os parentes no comando. O mesmo com Jesus: quando o amor é maior que Ele, não é uma coisa boa. Todos nós poderíamos dar muitos exemplos a este respeito. Sem mencionar as situações em que os afetos familiares se misturam com escolhas opostas ao Evangelho. Quando, por outro lado, o amor pelos pais e filhos é animado e purificado pelo amor ao Senhor, então torna-se plenamente fecundo e produz frutos de bem na própria família e muito para além dela.

Carregada com Jesus, a cruz não é assustadora

Recordamos como Jesus repreende os doutores da lei que fazem com que os pais não tenham o necessário com a pretensão de entregá-lo ao altar, de entregá-lo à Igreja. Ele os repreende! O verdadeiro amor a Jesus exige um amor verdadeiro pelos pais, pelos filhos, mas primeiro buscamos o interesse familiar, isso sempre leva a um caminho errado”.

Carregada com Jesus, a cruz não é assustadora, porque Ele está sempre ao nosso lado para nos apoiar na hora da provação mais dura, para nos dar força e coragem. Também não é necessário preocupar-se por preservar a própria vida, com uma atitude temerosa e egoísta.

“Jesus adverte: «Quem procura conservar a própria vida, vai perdê-la. E quem perde a sua vida por causa de mim», ou seja, por amor a Jesus, por amor ao próimo, pelo serviço aos outros, «vai encontrá-la.» Este é o paradoxo do Evangelho. Mas temos, graças a Deus, também muitos exemplos como este”, disse ainda o Pontífice, ressaltando que “vemos isso hoje nesses dias. Quantas pessoas, quantas pessoas, estão carregando cruzes para ajudar os outros, se sacrificam para ajudar os que precisam nesta pandemia. Mas, sempre com Jesus, é possível fazer”.

Segundo Francisco, “a plenitude da vida e da alegria é encontrada através da doação de si mesmo pelo Evangelho e pelos irmãos, com abertura, aceitação e benevolência. Ao fazê-lo, podemos experimentar a generosidade e gratidão de Deus”.

A gratidão é um sinal de boa educação

No Evangelho deste domingo, Jesus diz também assim: «Quem recebe a vocês, recebe a mim […]. Quem der ainda que seja apenas um copo de água fria a um desses pequeninos […] não perderá a sua recompensa.» E o Papa acrescentou:

A gratidão generosa de Deus Pai leva em consideração até o mais pequeno gesto de amor e serviço prestado aos irmãos. Nesses dias, ouvi um sacerdote que ficou comovido porque uma criança se aproximou dele na paróquia e disse: “Padre, estas são as minhas economias; pouca coisa. É para os seus pobres, para aqueles que precisam hoje por causa da pandemia”. Coisa pequena, mas uma coisa grande. É uma gratidão contagiosa, que ajuda cada um de nós a sentir gratidão por aqueles que se preocupam com as nossas necessidades. Quando alguém nos oferece um serviço, não devemos pensar que tudo nos é devido. Não. Muitos serviços são feitos gratuitamente. Pensem no voluntariado, que é uma das maiores coisas que a sociedade italiana tem. Os voluntários! Quantos deles perderam a vida nessa pandemia. Isso é feito por amor, simplesmente para o serviço. A gratidão, o reconhecimento, é antes de tudo um sinal de boa educação, mas é também um distintivo do cristão. É um sinal simples mas genuíno do reino de Deus, que é o reino do amor gratuito e reconhecido.

O Papa concluiu, pedindo à Virgem Maria, que amou Jesus mais do que a sua própria vida e o seguiu até à cruz, para que nos ajude a colocar-nos sempre diante de Deus com um coração disponível, deixando que a sua Palavra julgue os nossos comportamentos e as nossas escolhas.

 

28 de junho de 2020 at 14:36 Deixe um comentário

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