Archive for outubro, 2019

Benigna Cardoso da Silva próxima Beata brasileira

Benigna Cardoso da Silva (FOTO: Assessoria de Comunicação / Diocese do Crato)

Benigna Cardoso da Silva (FOTO: Assessoria de Comunicação / Diocese do Crato)

O Papa Francisco autorizou a promulgação dos Decretos para 5 novos Beatos. Entre eles a brasileira Benigna Cardoso da Silva, nascida em Cariri no Ceará em 1928, que morreu mártir, considerada heroína da castidade

Cidade do Vaticano

O Santo Padre recebeu em audiência, no dia 2 de outubro no Vaticano, o Cardeal Angelo Becciu, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. Na Audiência, o Papa autorizou a Congregação a promulgar os Decretos concernentes a cinco novos Beatos para a Igreja e o reconhecimento das virtudes heróicas de 3 novos Servos de Deus.

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Beata brasileira

Entre os novos beatos a brasileira Benigna Cardoso da Silva, leiga, nascida em 15 de outubro de 1928 em Santana do Cariri (Ceará) que morreu mártir em 24 de outubro de 1941. Benigna é considerada “Heroína da Castidade”. O pároco Pe. Cristiano Coelho Rodrigues, que fora mentor espiritual da jovem, foi grande incentivador da devoção a ela. Ao tempo do assassinato, ele escreveu a seguinte nota ao lado do registro de batismo de Benigna: “Morreu martirizada, às 4 horas da tarde, no dia 24 de outubro de 1941, no sitio Oiti. Heroína da Castidade, que sua santa alma converta a freguesia e sirva de proteção às crianças e às famílias da Paróquia. São os votos que faço à nossa santinha”.

Entre os próximos novos Beatos, encontra-se também, com o reconhecimento do milagre atribuído à sua intercessão, o cardeal Stefan Wyszyński, Arcebispo Metropolitano de Gniezno e Varsóvia, Primaz da Polônia; nascido em Zuzela a 3 de agosto de 1901 e falecido em 28 de maio de 1981 em Varsóvia. O cardeal foi um defensor da fé durante o regime comunista polonês.

– Francesco Mottola, italiano, Sacerdote diocesano, Fundador do Instituto Secular das Oblatas do Sagrado Coração (1901-1969);

– Alessandra Sabattini, italiana, leiga; nascida em Riccione (Itália), da Comunidade Papa João XXIII (1961-1984).

– Juan Roig y Diggle, mártir, espanhol, leigo; nascido em 12 de maio de 1917 em Barcelona (Espanha) e morto na noite entre 11 e 12 de setembro de 1936 em Gramanet.

Servos de Deus

Enquanto que os três novos Servos de Deus com o reconhecimento das virtudes heróicas são:

Augusto Cesare Bertazzoni, italiano, Arcebispo titular de Temuniana, ex Bispo de Potenza e Marsico (1876-1972);

Jean Louis Querbes, francês de Lyon, Sacerdote, Fundador da Congregação dos Clérigos Paroquiais ou Catequistas de São Viatore (1793-1859);

Maria Francisco do Menino Jesus (nascida Maria Natividad Sánchez Villoria), espanhola, Monja professa da Ordem de Santa Clara; nascida em Fuenteguinaldo (1905-1991).

 

31 de outubro de 2019 at 5:44 Deixe um comentário

Francisco: o remédio contra a hipocrisia é a autoacusação

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“Há uma atitude que o Senhor não tolera: a hipocrisia. É o que acontece no Evangelho de hoje. Convidam Jesus para jantar, mas para julgá-lo, não para fazer amizade”, afirmou o Papa na homilia da missa na Casa Santa Marta.

Adriana Masotti – Cidade do Vaticano

A hipocrisia foi o tema da homilia do Papa Francisco na Missa desta manhã celebrada na Casa Santa Marta, sugerido pelo Evangelho do dia, que narra a história de Jesus que é convidado por um fariseu para jantar e é criticado pelo anfitrião, porque não havia lavado as mãos antes de estar à mesa.

E o Papa comenta: “Há uma atitude que o Senhor não tolera: a hipocrisia. É o que acontece hoje no Evangelho. Convidam Jesus para jantar, mas para julgá-lo, não para fazer amigos”.

A hipocrisia, continua ele, “é precisamente aparentar ser de um jeito e ser de outro”.  É pensar secretamente de maneira diferente do que aparenta ser. E Jesus não suporta isso. E frequentemente chama os fariseus de hipócritas, sepulcros caiados.

O de Jesus não é um insulto, é a verdade. “Por fora, tu és perfeito, antes ainda, engomado precisamente com a concretude – diz ainda Francisco – mas por dentro és outra coisa”.

E afirma que “a atitude hipócrita vem do grande mentiroso, o diabo”. Ele é o “grande hipócrita” e os hipócritas são seus “herdeiros”:

A hipocrisia é a linguagem do diabo, é a linguagem do mal que entra em nosso coração e é semeada pelo diabo. Não se pode viver com pessoas hipócritas, mas elas existem. Jesus gosta de desmascarar a hipocrisia. Ele sabe que será precisamente esse comportamento hipócrita que o levará à morte, porque o hipócrita não pensa se usa meios lícitos ou não, vai em frente: calúnia? “vamos caluniar”; falso testemunho? “busquemos um falso testemunho”.

O Papa continua dizendo que alguém poderia objetar “que conosco não existe hipocrisia assim”. Mas pensar isso, é um erro:

A linguagem hipócrita, não diria que é normal, mas é comum, é de todos os dias. O aparentar de uma maneira e ser de outra. Na luta pelo poder, por exemplo, as invejas, os ciúmes fazem você parecer uma maneira de ser e, por dentro, tem o veneno para matar, porque a hipocrisia sempre mata, sempre, mais cedo ou mais tarde mata.

É necessário ser curado deste comportamento. Mas qual remédio, pergunta Francisco? A resposta é dizer “a verdade diante de Deus. É acusar a si mesmo:

Precisamos aprender a nos acusar: “Eu fiz isso, eu penso  assim, maldosamente … sou invejoso, gostaria de destruir aquele …”, o que existe dentro, nosso, e dizer isso diante de Deus. Este é um exercício espiritual que não é comum, não é usual, mas procuremos fazê-lo:  acusar a nós mesmos,  vermo-nos no pecado, nas hipocrisias, na maldade que existe em nosso coração, porque o diabo semeia a maldade. E dizer ao Senhor: “Mas veja Senhor, como sou!”, e dizer isso com humildade.

Aprendamos a acusar a nós mesmos, repete o Papa, acrescentando “talvez algo muito forte, mas é assim: um cristão que não sabe acusar a si mesmo não é um bom cristão” e corre o risco de cair na hipocrisia. E recorda da oração de Pedro quando disse ao Senhor: afasta-te de mim, porque sou um homem pecador.

“Que nós aprendamos a nos acusar – conclui o Papa – a nós, a nós mesmos”.

31 de outubro de 2019 at 5:41 Deixe um comentário

Divulgado programa da viagem do Papa à Tailândia e Japão

Papa visitará os dois países de 19 a 26 de novembro

Papa visitará os dois países de 19 a 26 de novembro

Na Tailândia, destaque para os encontros com budistas e delegações inter-religiosas. No Japão, Francisco reservará um dia para visitar as cidades de Nagasaki e Hiroshima.

Cidade do Vaticano

A Sala de Imprensa da Santa Sé divulgou esta quarta-feira (02/10) o programa da viagem apostólica do Papa Francisco à Tailândia e ao Japão, de 19 a 26 de novembro.

O Pontífice partirá do aeroporto de Roma/Fiumicino às 19h locais da terça-feira, 19 de novembro, com destino a Bangcoc, onde sua chegada está prevista às 12h30 locais da quarta-feira (20/11).

Portanto, o primeiro dia oficial de encontros será a quinta-feira (21/11), começando com a cerimônia de boas-vindas no pátio da Casa Governamental. Segue a vista de cortesia ao primeiro-ministro e o encontro com as autoridades, a sociedade civil e o corpo diplomático, sempre na sede do governo.

Ainda na quinta estão previstos a visita ao patriarca supremo dos budistas e o encontro com os funcionários e doentes do Hospital São Luís. Na parte da tarde, o Papa visita em caráter privado o Rei Maha Vajiralongkorn “Rama X” no Palácio Real e preside à Santa Missa no Estádio Nacional.

A sexta-feira (22/11) tem início reunindo-se com os sacerdotes, religiosos e religiosas, seminaristas e catequistas na paróquia São Pedro. Segue o encontro com os bispos da Tailândia e com os bispos asiáticos no santuário do Beato Nicholas Boonkerd Kitbamrung.

Como faz normalmente, Francisco reserva um momento convivial com os jesuítas e, na parte da tarde, estão previstos o encontro com os líderes cristãos e de outras religiões e a Santa Missa com os jovens.

Japão

O sábado (23/11) marcará a despedida do Papa da Tailândia e a chegada a Tóquio, onde os primeiros compromissos são a cerimônia de boas-vindas e o encontro com os bispos.
O domingo (24/11) é dedicado a Nagasaki e Hiroshima, em que Francisco divulgará uma mensagem sobre as armas nucleares e realizará uma homenagem aos santos mártires em locais considerados símbolos da cidade. Também está prevista a celebração da Santa Missa em Nagasaki. Em Hiroshima, será realizado o encontro pela paz.

De volta a Tóquio, na segunda-feira (25/11) está programado o encontro com as vítimas do tríplice desastre, a visita privada ao imperador Naruhito no Palácio Imperial e o encontro com os jovens na Catedral de Santa Maria. A parte da tarde será dedicada às autoridades, primeiro com primeiro-ministro e depois com as autoridades e o corpo diplomático.

O último dia da viagem é terça-feira, com a celebração da Missa com os jesuítas na capela da Universidade Sophia e a visita ao campus. Da Universidade, o Papa segue para o aeroporto de Tóquio para a cerimônica de despedida.

A chegada de Francisco a Roma está prevista às 17h15 locais.

30 de outubro de 2019 at 5:39 Deixe um comentário

Papa: atacar um membro da Igreja é atacar o próprio Cristo

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“A condição de raiva – porque Saulo estava com raiva – e a situação conflituosa de Saulo convida todos a se perguntarem: como vivo minha vida de fé? Vou ao encontro dos outros ou sou contra os outros? Pertenço à Igreja universal (bons e maus, todos) ou tenho uma ideologia seletiva? Adoro a Deus ou adoro as formulações dogmáticas? Como é minha vida religiosa? A fé em Deus que professo me torna amigável ou hostil para com aqueles que são diferentes de mim?”

Manoel Tavares – Cidade do Vaticano

O Santo Padre encontrou-se na manhã desta quarta-feira (09/10) na Praça São Pedro, no Vaticano, com milhares de fiéis e peregrinos, provenientes da Itália e de diversos países, inclusive do Brasil, para a habitual Audiência Geral.

Em sua catequese semanal, o Papa refletiu sobre o Apóstolo São Paulo, que se converteu de perseguidor a evangelizador. Este foi o instrumento que o Senhor escolheu.

Partindo deste trecho dos Atos dos Apóstolos, o Papa citou o episódio de apedrejamento de Santo Estevão, comparando-o a um jovem chamado Saulo, uma figura que, ao lado de Pedro, é a mais presente e incisiva nos Atos dos Apóstolos.

Saulo, disse Francisco, é descrito, no início, como alguém que aprovou a morte de Santo Estevão e queria “destruir a Igreja”. Mas, depois, se tornou o instrumento escolhido por Deus para proclamar o Evangelho às nações.

Com a autorização do Sumo Sacerdote, Saulo começou a perseguir e a prender os cristãos, pensando que estava servindo a Lei do Senhor. E aqui o Papa recordou os perseguidos pelas ditaduras no mundo, e explicou:

O jovem Saulo é apresentado como uma pessoa intransigente, isto é, alguém intolerante com os que pensavam diferente dele, absolutiza a própria identidade política ou religiosa e reduz o outro a um inimigo potencial a ser combatido. Um ideólogo. Em Saulo, a religião é transformada em ideologia: ideologia religiosa, ideologia social, ideologia política”.

Somente depois de ter sido transformado por Cristo, então ensinará que a verdadeira batalhar não é contra homens de carne e sangue, mas contras os dominadores deste mundo tenebroso e contra os espíritos do mal que inspira as suas ações.

Vou de encontro ao outro ou sou contra os outros?  Pertenço à Igreja universal (bons e maus, todos) ou tenho uma ideologia seletiva? Adoro a Deus ou adoro as formulações dogmáticas? Como é a minha vida religiosa? A fé em Deus que professo me torna mais amigável ou hostil em relação a quem é diferente de mim?”

Mas enquanto Saulo tem a intenção de acabar com a comunidade cristã, o Senhor o segue para tocar seu coração e convertê-lo a ele. “É o método do Senhor: toca o coração”, recordou o Pontífice. O Ressuscitado, então, apareceu-lhe no caminho para Damasco, evento narrado três vezes no Livro dos Atos dos Apóstolos.

Pelo binômio “luz” e “voz”, típico das teofanias – explica Francisco – o Ressuscitado aparece a Saulo e lhe pede contas de sua fúria fratricida: “Saulo, Saulo, por que me persegues?”:

“Aqui, o Ressuscitado manifesta seu ser ‘um só’ com os que nele creem: atacar um membro da Igreja é atacar o próprio Cristo! Também esses que são ideólogos, porque querem a “pureza” – entre aspas – da Igreja, atacam Cristo.”

Levantando-se, Saulo não viu mais nada, pois tinha ficado cego; aquele homem forte, autoritário e independente tornou-se fraco, carente e dependente dos outros porque não enxergava. Aquele encontro com Cristo o ofuscou! E Francisco ponderou:

Daquele encontro ‘corpo a corpo’ entre Saulo e o Senhor Jesus Ressuscitado, tem início uma transformação que mostra a ‘Páscoa pessoal’ de Saulo, a sua passagem da morte para a vida: aquilo que antes era glória torna-se “lixo” a ser lançado fora, para adquirir o verdadeiro ganho que é Cristo e a vida nele”.

Paulo recebe o Batismo, marcando para ele, assim como pra cada um de nós, o início de uma vida nova, e é acompanhado por um novo olhar em relação a Deus, sobre si mesmo e sobre os outros, que de inimigos tornam-se agora irmãos em Cristo.

O Papa concluiu a sua catequese pedindo ao Pai para que “faça experimentar também a nós o impacto de seu amor, que somente pode fazer de um coração de pedra um coração de carne, capaz de acolher em si, os mesmos sentimentos de Cristo.”

Ao término da sua catequese semanal, o Santo Padre passou a saudar os grupos de peregrinos em diversas línguas, inclusive aos fiéis de língua portuguesa, concedendo a todos a sua Bênção Apostólica.

30 de outubro de 2019 at 5:39 Deixe um comentário

Frases sobre a Eucaristia

1-São Pedro Julião Eymard: “Jesus fez da Eucaristia o Pão dos fracos e dos fortes, o remédio contra os pecados, a arma poderosa contra o demônio, o prodígio contínuo de sua Ressurreição e Vida nos seus membros enfermos e padecentes”.

2-Papa Francisco: “A Eucaristia nos prepara para um lugar na eternidade, porque é o Pão do Céu”.

3-São Pedro Julião Eymard: “Jesus no Santíssimo Sacramento deve ser não somente o centro como o fim do cristão”.

4-São João Maria Vianney: “Cada Hóstia consagrada é feita para se consumir de amor em um coração humano”.

5-São Bernardo: “Quando Jesus está presente corporalmente em nós, ao redor de nós, montam guarda de amor os anjos”.

6-São Pedro Julião Eymard: “E onde está Jesus, meu Salvador? Primeiro no Céu, depois na Eucaristia”.

7-São João Crisóstomo: “Não comungar seria o maior desprezo a Jesus que se sente “doente de amor”.

8-São Gregório Magno: “É que Tu és Aquele que carregou os nossos pecados, Aquele que pagou por nós uma dívida que não contraíra. Se me conduzisses ao abrigo da tua Igreja, dar-me-ias como alimento a refeição do teu corpo e do teu sangue”.

9-Papa Francisco: “Na Eucaristia você encontra Jesus realmente, compartilha sua vida, sente o seu amor; lá você pode experimentar que a sua morte e ressurreição são para você”.

10-São Pedro Julião Eymard: “Jesus, no Santíssimo Sacramento, é sempre o Bom Mestre que, unicamente, aponta o caminho do céu, ensina a verdade de Deus, comunica a vida de amor”.

11-São Francisco de Sales: “Na Sagrada Eucaristia tornamo-nos um com Deus, como o alimento com o corpo”.

12-Santa Teresa de Calcutá: “A nossa vida deve ser tecida à volta da Eucaristia”.

29 de outubro de 2019 at 5:37 Deixe um comentário

#SínodoAmazônico: a Igreja está comprometida em ser aliada da Amazônia

Sala sinodal

Sala sinodal  (Vatican Media)

Cinco capítulos, mais uma introdução e uma breve conclusão: este é o Documento Final da Assembleia Especial para a Região Pan-amazônica, divulgado na noite deste sábado, 26 de outubro, por desejo do Papa. Dentre os temas, missão, inculturação, ecologia integral, defesa dos povos indígenas, rito amazônico, papel das mulheres e novos ministérios, sobretudo nas áreas de difícil acesso à Eucaristia.

Vatican News – Cidade do Vaticano

Conversão: esse é o tema do documento final do Sínodo Pan-amazônico. Uma conversão que tem diferentes significados: integral, pastoral, cultural, ecológica e sinodal. O texto é o resultado do “intercâmbio aberto, livre e respeitoso” desempenhado   durante as três semanas de trabalhos do Sínodo, para relatar os desafios e o potencial da Amazônia, o “coração biológico” do mundo, espalhado por nove países e habitado por mais de 33 milhões pessoas, incluindo cerca de 2,5 milhões de indígenas. No entanto, esta região, segunda área mais vulnerável do mundo devido às mudanças climáticas provocadas pelo homem, está “numa corrida frenética rumo à morte” e isso exige urgentemente, reitera o Documento, uma nova direção que permita que seja salva, sob pena de impacto catastrófico em todo o planeta.

Capítulo I – Conversão integral

O Documento exorta desde o início a uma “verdadeira conversão integral”, com uma vida simples e sóbria, no estilo de São Francisco de Assis, comprometida em relaciona-se harmoniosamente com a “Casa comum”, obra criativa de Deus. Essa conversão levará a Igreja a ser em saída, para entrar no coração de todos os povos amazônicos. De fato, a Amazônia tem uma voz que é uma mensagem da vida e se expressa através de uma realidade multiétnica e multicultural, representada pelos rostos variados que a habitam. “Bom viver” e “fazer bem” é o estilo de vida dos povos amazônicos, ou seja, viver em harmonia consigo mesmo, com os seres humanos e com o ser supremo, numa única intercomunicação entre todo o cosmo, a fim de forjar um projeto de vida plena para todos.

As dores da Amazônia: o grito da terra e o grito dos pobres

Todavia, o texto não reprime as muitas dores e violências que hoje ferem e deformam a Amazônia, ameaçando sua vida: a privatização de bens naturais; modelos de produções predatórias; desmatamento que atinge 17% de toda a região; a poluição das indústrias extrativistas; mudanças climáticas; narcotráfico; alcoolismo; tráfico de seres humanos; a criminalização de líderes e defensores do território; grupos armados ilegais. É extensa a página amarga sobre migração, que na Amazônia articula-se em três níveis: mobilidade de grupos indígenas em territórios de circulação tradicional; deslocamento forçado de populações indígenas; migração internacional e refugiados. Para todos esses grupos, é necessário um cuidado pastoral transfronteiriço capaz de incluir o direito à livre circulação. O problema da migração, lê-se, deve ser enfrentado de maneira coordenada pelas Igrejas de fronteira. Além disso, um trabalho pastoral permanente deve ser pensado para os migrantes vítimas do tráfico de pessoas. O Documento sinodal convida a prestar atenção ao deslocamento forçado de famílias indígenas nos centros urbanos, sublinhando como esse fenômeno requer uma “pastoral conjunta nas periferias”. Daí a exortação à criação de equipes missionárias que, em coordenação com as paróquias, cuidem desse aspecto, oferecendo liturgias inculturadas e favorecendo a integração dessas comunidades nas cidades.

Capítulo II – Conversão pastoral

A referência à natureza missionária da Igreja também é central: a missão não é algo opcional, lembra o texto, porque a Igreja é missão e a ação missionária é o paradigma de toda obra da Igreja. Na Amazônia, ela deve  ser “samaritana”, ou seja, ir ao encontro de todos; “Madalena”, ou seja, amada e reconciliada para anunciar com alegria o Cristo ressuscitado; “Mariana”, ou seja, geradora de filhos para a fé e “inculturada” entre os povos a que serve. É importante passar de uma pastoral “de visita” a uma pastoral “de presença permanente” e, para isso, o Documento sinodal sugere que as Congregações religiosas do mundo estabeleçam pelo menos um posto missionário em um dos países da Amazônia.

O sacrifício dos missionários mártires

O Sínodo não esquece os muitos missionários que deram a vida para transmitir o Evangelho na Amazônia, cujas páginas mais gloriosas foram escritas pelos mártires. Ao mesmo tempo, o Documento lembra que o anúncio de Cristo na região realizou-se muitas vezes em conivência com os poderes opressores das populações. Por esse motivo, hoje a Igreja tem “a oportunidade histórica” de se distanciar das novas potências colonizadoras, ouvindo os povos amazônicos e exercendo sua atividade profética “de forma transparente”.

Diálogo ecumênico e inter-religioso

Nesse contexto, foi dada grande importância ao diálogo ecumênico e inter-religioso: “Caminho indispensável da evangelização na Amazônia”, afirma o texto sinodal, ele deve partir, no primeiro caso, da centralidade da Palavra de Deus para iniciar verdadeiros caminhos de comunhão. No âmbito inter-religioso, o Documento incentiva um maior conhecimento das religiões indígenas e dos cultos afrodescendentes, a fim de que cristãos e não cristãos possam agir juntos em defesa da Casa comum. Por esse motivo, são propostos momentos de encontro, estudo e diálogo entre as Igrejas na Amazônia e os seguidores das religiões indígenas.

Urgência de uma pastoral indígena e de um ministério juvenil

O Documento também recorda a urgência de uma pastoral indígena que tenha um lugar específico na Igreja: é necessário criar ou manter, de fato, “uma opção preferencial pelas populações indígenas”, dando também maior impulso missionário às vocações autóctones, porque a Amazônia também deve ser evangelizada pelos amazônicos. Depois, dar espaço aos jovens amazônicos, com suas luzes e sombras. Divididos entre tradição e inovação, imersos numa intenda crise de valores, vítimas de realidades tristes como a pobreza, violência, desemprego, novas formas de escravidão e dificuldade de acesso à educação, muitas vezes acabam na prisão ou em mortos por suicídio. E, no entanto, os jovens amazônicos têm os mesmos sonhos e as mesmas esperanças que os outros jovens do mundo e da Igreja. Chamada a ser uma presença profética, deve acompanhá-los em seu caminho, para impedir que sua identidade e sua autoestima sejam prejudicadas ou destruídas. Em particular, o Documento sugere “um renovado e ousado ministério juvenil”, com uma pastoral sempre ativa e centrada em Jesus. De fato, os jovens, lugar teológico e profetas da esperança, querem ser protagonistas e a Igreja na Amazônica quer reconhecer o seu espaço. Por isso, o convite a promover novas formas de evangelização também através das mídias sociais e ajudar os jovens indígenas a alcançar uma interculturalidade saudável.

Pastoral urbana e as famílias

O texto conclusivo do Sínodo se detém no tema da pastoral urbana, com um foco particular nas famílias: nas periferias da cidade, elas sofrem pobreza, desemprego, falta de moradia, além de vários problemas de saúde. Torna-se, portanto, necessário defender o direito de todos à cidade como desfrute justo dos princípios de sustentabilidade, democracia e justiça social. É preciso lutar, lê-se no texto, a fim de que os direitos fundamentais básicos sejam garantidos nas “favelas” e nas “villas misérias”. Central deve ser também o estabelecimento de um “ministério de acolhimento” para uma solidariedade fraterna com migrantes, refugiados e sem-teto que vivem no contexto urbano. Nesse âmbito, uma ajuda válida vem das Comunidades Eclesiais de Base, “um presente de Deus para as Igrejas locais da Amazônia”. Ao mesmo tempo, as políticas públicas são convidadas a melhorar a qualidade de vida nas áreas rurais, a fim de evitar a transferência descontrolada de pessoas para a cidade.

Capítulo III: Conversão cultural

A inculturação e a interculturalidade são instrumentos importantes, prossegue o Documento, para alcançar uma conversão cultural que leva o cristão a ir ao encontro do outro para aprender com ele. Os povos amazônicos, de fato, com seus “perfumes antigos” que contrastam o desespero que reina no continente e com seus valores de reciprocidade, solidariedade e senso de comunidade, oferecem ensinamentos de vida e uma visão integrada da realidade, capaz de entender que toda a criação está interligada e, portanto, garantir uma gestão sustentável. A Igreja compromete-se a ser aliada das populações indígenas, reitera o texto sinodal, sobretudo para denunciar os ataques perpetrados contra suas vidas, os projetos de desenvolvimento predatórios etnocidas e ecocidas e a criminalização dos movimentos sociais.

Defender a terra é defender a vida

“A defesa da terra”, lê-se no documento, “não tem outro objetivo a não ser a defesa da vida” e se baseia no princípio evangélico da defesa da dignidade humana. Portanto, devemos respeitar os direitos à autodeterminação, à delimitação dos territórios e à consulta prévia, livre e informada dos povos indígenas. Um ponto específico é dedicado às populações indígenas em isolamento voluntário (Piav) ou em Isolamento e contato inicial (Piaci) que hoje, na Amazônia, somam cerca de 130 unidades e são muitas vezes vítimas de limpeza étnica: a Igreja deve empreender dois tipos de ação, pastoral e outra “de pressão”, para que os Estados protejam os direitos e a inviolabilidade dos territórios dessas populações.

Teologia indígena e piedade popular

Na perspectiva da inculturação, isto é, da encarnação do Evangelho nas culturas indígenas, é dado espaço à teologia indígena e à piedade popular, cujas expressões devem ser valorizadas, acompanhadas, promovidas e às vezes “purificadas”, pois são momentos privilegiados de evangelização que devem conduzir ao encontro com Cristo. O anúncio do Evangelho, de fato, não é um processo de destruição, mas de crescimento e consolidação daquela semeadura Verbos presente nas culturas. Daí a clara rejeição de uma “evangelização colonial” e do “proselitismo”, em favor de um anúncio inculturado que promova uma Igreja de rosto amazônico, em pleno respeito e igualdade com a história, a cultura e o estilo de vida das populações locais. A este respeito, o Documento sinodal propõe que os centros de pesquisa da Igreja estudem e recolham as tradições, as línguas, as crenças e as aspirações dos povos indígenas, encorajando o trabalho educativo a partir da sua própria identidade e cultura.

Criar uma Rede de Comunicação Eclesial Panamazônica

Também na área da saúde – continua o Documento – este projeto educativo deverá promover o conhecimento ancestral da medicina tradicional de cada cultura. Ao mesmo tempo, a Igreja se compromete a oferecer assistência de saúde lá onde o Estado não chega. Há também um forte apelo a uma educação à solidariedade, baseada na consciência de uma origem comum e de um futuro partilhado por todos, assim como a uma cultura da comunicação que promova o diálogo, o encontro e o cuidado da “casa comum”. Concretamente, o texto sinodal sugere a criação de uma Rede de comunicação eclesial pan-amazônica, de uma rede escolar de educação bilíngue e de novas formas de educação também à distância.

Capítulo IV – Conversão ecológica

Diante de “uma crise social e ambiental sem precedentes”, o Sínodo apela a uma Igreja amazônica capaz de promover uma ecologia integral e uma conversão ecológica segundo a qual “tudo está intimamente conectado”.

Ecologia integral, único caminho possível          

A esperança é que, reconhecendo “as feridas causadas pelo ser humano” ao território, sejam procurados “modelos de desenvolvimento justo e solidário”. Isto traduz-se numa atitude que colega o cuidado pastoral da natureza à justiça para com as pessoas mais pobres e desfavorecidas da terra. A ecologia integral não deve ser entendida como um caminho extra que a Igreja pode escolher para o futuro, mas como a única forma possível para salvar a região do extrativismo predatório, do derramamento de sangue inocente e da criminalização dos defensores da Amazônia. A Igreja, como “parte de uma solidariedade internacional”, deve promover o papel central do bioma amazônico para o equilíbrio do planeta e encorajar a comunidade internacional a fornecer novos recursos econômicos para sua proteção, fortalecendo os instrumentos da Convenção-Quadro sobre Mudança Climática.

Defesa dos direitos humanos é uma necessidade de fé     

Defender e promover os direitos humanos, além de ser um dever político e uma tarefa social, é uma exigência de fé. Diante deste dever cristão, o Documento denuncia a violação dos direitos humanos e a destruição extrativista; assume e apoia, também em aliança com outras Igrejas, as campanhas de desinvestimento das empresas extrativistas que causam danos sociais e ecológicos à Amazônia; propõe uma transição energética radical e a busca de alternativas; propõe também o desenvolvimento de programas de formação para o cuidado da “casa comum”. Pede-se aos Estados que deixem de considerar a região como uma dispensa inesgotável, ao mesmo tempo que apelam a um “novo paradigma de desenvolvimento sustentável” socialmente inclusivo que combine conhecimentos científicos e tradicionais.  Os critérios comerciais, é a recomendação, não devem estar acima dos critérios ambientais e dos direitos humanos.

Igreja aliada das comunidades amazônicas        

O apelo é à responsabilidade: todos somos chamados à custódia da obra de Deus. Os protagonistas do cuidado, proteção e defesa dos povos são as próprias comunidades amazônicas. A Igreja é sua aliada, caminha com eles, sem impor um modo particular de agir, reconhecendo a sabedoria dos povos sobre a biodiversidade contra todas as formas de biopirataria. Pede-se que os agentes pastorais e os ministros ordenados sejam formados a esta sensibilidade socioambiental, seguindo o exemplo dos mártires da Amazônia. A ideia é criar ministérios para o cuidado da casa comum.

Defesa da vida      

O Documento reafirma o empenho da Igreja em defender a vida “desde a concepção até o seu fim” e em promover o diálogo intercultural e ecumênico para conter as estruturas de morte, pecado, violência e injustiça. Conversão ecológica e defesa da vida na Amazônia se traduzem para a Igreja em um chamado a “desaprender, aprender e reaprender para superar qualquer tendência a assumir modelos coloniais que tenham causado danos no passado”.

Pecado ecológico e direito à água potável     

Proposta a definição de “pecado ecológico” como “ação ou omissão contra Deus, contra o próximo, a comunidade, o meio ambiente”, as futuras gerações e a virtude da justiça.  Para reparar a dívida ecológica que os países têm com a Amazônia, sugere-se a criação de um fundo mundial para as comunidades amazônicas, a fim de protegê-las do desejo predatório das empresas nacionais e multinacionais. O Sínodo recorda “a necessidade urgente de desenvolver políticas energéticas que reduzam drasticamente as emissões de dióxido de carbono (CO2) e de outros gases ligados à mudança climática”, promove as energias limpas e chama a atenção para o acesso à água potável, ao direito humano básico e condições para o exercício de outros direitos humanos. Proteger a terra significa incentivar a reutilização e a reciclagem, reduzir o uso de combustíveis fósseis e plásticos, mudar hábitos alimentares como o consumo excessivo de carne e peixe, adotar estilos de vida sóbrios, plantar árvores. Neste contexto, está incluída a proposta de um Observatório Social Pastoral Amazônico que trabalhe em sinergia com CELAM, CLAR, CARITAS, REPAM, episcopados, igrejas locais, universidades católicas e atores não eclesiais. Também foi proposta a criação de um escritório amazônico dentro do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral.

Capítulo V – Novos caminhos de conversão sinodal

Superar o clericalismo e as imposições arbitrárias, reforçar uma cultura do diálogo, da escuta e do discernimento espiritual, responder aos desafios pastorais. São essas as características sobre as quais se deve fundar uma conversão sinodal à qual a Igreja é chamada para avançar em harmonia, sob o impulso do Espírito vivificante e com audácia evangélica.

Sinodalidade, ministerialidade, papel ativo dos leigos e vida consagrada

O desafio é interpretar à luz do Espírito Santo os sinais dos tempos e identificar o caminho a seguir a serviço do desenho de Deus. As formas de exercício da sinodalidade são várias e deverão ser descentralizadas, atentas aos processos locais, sem enfraquecer o elo com as Igrejas irmãs e com a Igreja universal. Sinodalidade se traduz, em continuidade com o Concílio Vaticano II, em corresponsabilidade e ministerialidade de todos, participação dos leigos, homens e mulheres, considerados “atores privilegiados”. A participação do laicato, seja na consulta, seja na tomada de decisões na vida e missão da Igreja – explica o Documento Final – deve ser reforçada e ampliada a partir da promoção e concessão de “ministérios a homens e mulheres de modo équo”. Evitando personalismos, talvez com encargos em rodízios, “o bispo pode confiar, com um mandato com prazo determinado, na ausência de sacerdotes, o exercício do cuidado pastoral das comunidades a uma pessoa não imbuída do caráter sacerdotal, que seja membro da própria comunidade”. A responsabilidade desta última, especifica-se, permanecerá a cargo do sacerdote. O Sínodo aposta ainda numa vida consagrada com rosto amazônico, a partir de um reforço das vocações autóctones: entre as propostas, se destaca o caminhar junto aos pobres e excluídos. Pede-se ainda que a formação seja centralizada na interculturalidade, inculturação e diálogo entre as espiritualidades e as cosmovisões amazônicas.

A hora da mulher

O Documento dedica amplo espaço à presença e à hora das mulheres. Como sugere a sabedoria dos povos ancestrais, a mãe terra tem um rosto feminino e no mundo indígena as mulheres são “uma presença viva e responsável na promoção humana”. O Sínodo pede que a voz das mulheres seja ouvida, que sejam consultadas, participem de modo mais incisivo na tomada de decisões, contribuam para a sinodalidade eclesial, assumam com maior força sua liderança dentro da Igreja, nos conselhos pastorais ou “também nas instâncias de governo”. Protagonistas e custódias da criação e da casa comum, as mulheres são com frequência “vítimas de violência física, moral e religiosa, inclusive de feminicídio”. O texto reitera o empenho da Igreja em defesa dos seus direitos, de modo especial em relação às mulheres migrantes. Enquanto isso, se reconhece a “ministerialidade” confiada por Jesus à mulher e se auspicia uma “revisão do Motu Proprio Ministeria quædam de São Paulo VI, para que também as mulheres adequadamente formadas e preparadas possam receber os ministérios do leitorado e do acolitato, entre outros que podem ser desempenhados”. No específico, nesses contextos em que as comunidades católicas são guiadas por mulheres, se pede a criação do “ministério instituído de mulher dirigente de comunidade”. O Sínodo evidencia que de inúmeras consultas na Amazônia foi solicitado “o diaconato permanente para as mulheres”, tema muito presente durante os trabalhos no Vaticano. O desejo dos participantes da Assembleia é compartilhar experiências e reflexões emergidas até agora com a “Comissão de estudo sobre o diaconato das mulheres”, criada em 2016 pelo Papa Francisco e “aguardar seus resultados”.

Diaconato permanente        

Foram definidos como urgentes a promoção, a formação e o apoio aos diáconos permanentes. O diácono, sob a autoridade do bispo, está a serviço da comunidade e deve hoje promover a ecologia integral, o desenvolvimento humano, a pastoral social e o serviço a quem se encontra em situações de vulnerabilidade e pobreza, configurando-o a Cristo. Portanto, é importante insistir numa formação permanente, marcada pelo estudo acadêmico e prática pastoral, na qual sejam envolvidos também esposas e filhos do candidato. O currículo formativo, explica o Sínodo, deverá incluir temas que favoreçam o diálogo ecumênico, inter-religioso, intercultural, a história da Igreja na Amazônia, a afetividade e a sexualidade, a cosmovisão indígena e a ecologia integral. A equipe dos formadores será composta por ministros ordenados e leigos. Deve ser encorajada a formação de futuros diáconos permanentes nas comunidades que habitam às margens dos rios indígenas.

Formação dos sacerdotes

A formação dos sacerdotes deve ser inculturada: a exigência é preparar pastores que vivam o Evangelho, conheçam as leis canônicas, sejam compassivos como Jesus: próximos às pessoas, capazes de escuta, de curar e consolar, sem buscar se impor, manifestando a ternura do Pai. Também no âmbito da formação ao sacerdócio, se auspicia a inclusão de disciplinas como a ecologia integral, a ecoteologia, a teologia da criação, as teologias indígenas, a espiritualidade ecológica, a história da Igreja na Amazônia, a antropologia cultural amazônica. O Sínodo recomenda que os centros de formação sejam preferencialmente inseridos na realidade amazônica e que seja oferecida a jovens não amazônicos a oportunidade de participar de sua formação na Amazônia.

Participação à Eucaristia e ordenações sacerdotais

Para a comunidade cristã, é central a participação à Eucaristia. E mesmo assim – destaca o Sínodo – muitas comunidades eclesiais do território amazônico têm enormes dificuldades em ter acesso a ela. Podem passar meses e até mesmo anos para que um sacerdote volte a uma comunidade para celebrar a missa ou oferecer os sacramentos da reconciliação e da unção dos enfermos. Reforçando o apreço pelo celibato como dom de Deus na medida em que permite ao presbítero dedicar-se plenamente ao serviço da comunidade e renovando a oração “para que haja muitas vocações” que vivam o celibato, mesmo que “esta disciplina não seja requisitada pela própria natureza do sacerdócio” e considerando a vasta extensão do território amazônico e a escassez de ministros ordenados, o Documento final propõe “estabelecer critérios e regras por parte da autoridade competente, para ordenar sacerdotes homens idôneos e reconhecidos pela comunidade, que tenham um diaconato permanente fecundo e recebam uma formação adequada para o presbiterado, permitindo ter uma família legitimamente constituída e estável, para promover a vida da comunidade cristã através da pregação da Palavra e da celebração dos sacramentos nas áreas mais remotas da região amazônica”. Deve-se especificar que “a propósito, alguns se expressaram a favor de uma abordagem universal ao argumento”.

Organismo eclesial regional pós-sinodal e Universidade Amazônica      

O Sínodo propõe projetar novamente a organização das Igrejas locais de um ponto de vista pan-amazônico, redimensionando as vastas áreas geográficas da diocese, reagrupando Igrejas particulares presentes na mesma região e criando um Fundo amazônico para a promoção da evangelização a fim de enfrentar o “custo da Amazônia”. Nesta ótica, se insere a ideia de criar um Organismo eclesial regional pós-sinodal, articulado com a Repam e o Celam, a fim de assumir muitas das propostas que emergiram no Sínodo. Em âmbito formativo, se invoca a instituição de uma Universidade Católica Amazônica baseada na pesquisa interdisciplinar, na inculturação e no diálogo intercultural e fundada principalmente na Sagrada Escritura, no respeito dos costumes e das tradições das populações indígenas.

Rito amazônico       

Para responder de modo autenticamente católico ao pedido das comunidades amazônicas de adaptar a liturgia valorizando a visão do mundo, as tradições, os símbolos e os ritos originários, se pede a este Organismo da Igreja na Amazônia de constituir uma comissão competente para estudar a elaboração de um rito amazônico que “expresse o patrimônio litúrgico, teológico, disciplinar e espiritual da Amazônia”. Este se acrescentaria aos 23 ritos já presentes na Igreja Católica, enriquecendo a obra de evangelização, a capacidade de expressar a fé numa cultura própria, o sentido de descentralização e de colegialidade que a Igreja Católica pode expressar.  Também se faz a hipótese de acompanhar os ritos eclesiais com o modo com os quais os povos cuidam do território e se relacionam com as suas águas. Por fim, com a finalidade de favorecer o processo de inculturação da fé, o Sínodo expressa a urgência de formar comitês para a tradução e a elaboração de textos bíblicos e litúrgicos nas línguas dos diferentes locais, “preservando a matéria dos sacramentos e adaptando-os à forma, sem perder de vista o essencial”. Também deve ser encorajado em nível litúrgico a música e o canto. No final do Documento, se invoca a proteção da Virgem da Amazônia, Mãe da Amazônia, venerada com vários títulos em toda a região.

29 de outubro de 2019 at 5:37 Deixe um comentário

Solenidade de Todos os Santos e Santas – As Bem-Aventuranças – São Mateus 5, 1-12 – Dia 03 de Novembro de 2019

Te Deum

(© Biblioteca Apostolica Vaticana)

“1.Vendo aquelas multidões, Jesus subiu à montanha. Sentou-se e seus discípulos aproximaram-se dele. 2.Então, abriu a boca e lhes ensinava, dizendo: 3.“Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos Céus! 4.Bem-aventurados os que cho­ram, porque serão consolados! 5.Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra! 6.Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados! 7.Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão miseri­córdia! 8.Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus! 9.Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus! 10.Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus! 11.Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim. 12.Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós”.”
Fonte- Bíblia Católica Online

“Alegremo-nos no Senhor, celebrando a festa de Todos os Santos e Santas, reunidos dentre todos os povos e nações. Vocacionados à santidade, somos convidados a fortalecer e sustentar nosso testemunho de Jesus em meio às tribulações. Esta Eucaristia nos ajude a viver as bem-aventuranças, a fim de seguirmos o caminho daqueles que já foram glorificados em Cristo”. (Liturgia Diária)

” As  bem-aventuranças estão inseridas no Sermão da Montanha, resumo do ensinamento de Jesus a respeito do Reino e da transformação que esse Reino produz. Aos discípulos Jesus promete a felicidade, não apenas no céu, mas também a que se pode experimentar ao longo desta vida. Jesus une a felicidade a seu seguimento a uma série de valores sobre as quais se assenta o Reino de Deus: pobreza, humildade, justiça, misericórdia, pureza de coração, sofrimento por causa da justiça”. (Dia a Dia – Ed. Paulus)

O Papa Francisco disse assim: “O estilo cristão é o das Bem-aventuranças: mansidão, humildade, paciência no sofrimento, amor à justiça, capacidade de suportar perseguições, não julgar os outros … E esse é o espírito cristão, o estilo cristão. Se você quer saber como é o estilo cristão, para não cair neste estilo acusatório, no estilo mundano e no estilo egoísta, leia as Bem-aventuranças. E este é o nosso estilo, as Bem-aventuranças são os odres novos, são o caminho para chegar. Para ser um bom cristão devemos ter a capacidade de recitar o credo com o coração, mas também de recitar com o coração o Pai Nosso”. (21 janeiro 2019)

Os Santos e as Santas

O Papa Emérito Bento XVI explicou: “Os santos não são uma exígua casta de eleitos, mas uma multidão inumerável, para a qual a liturgia de hoje nos exorta a levantar o olhar. Em tal multidão não estão somente os santos oficialmente reconhecidos, mas os batizados de todas as épocas e nações, que procuraram cumprir com amor e fidelidade a vontade divina. De uma grande parte deles não conhecemos os rostos e nem sequer os nomes, mas com os olhos da fé vêmo-los resplandecer, como astros repletos de glória, no firmamento de Deus”.  (1 de Novembro de 2006)

“Na vida eterna, contemplaremos com os olhos da inteligência a glória de Deus, de todos os anjos e de todos os santos, assim como a recompensa e a glória de cada um em particular, das maneiras que quisermos. No último dia, no julgamento de Deus, quando pelo poder de Nosso Senhor ressuscitarmos com os nossos corpos gloriosos, esses corpos serão resplandecentes como a neve, mais brilhantes que o sol, transparentes como cristal. Cristo, nosso chantre e mestre de coro, cantará com a sua voz triunfante e doce um cântico eterno, elogio e homenagem a seu Pai celeste; e todos nós entoaremos esse cântico, com espírito alegre e voz clara, para todo o sempre”. (Beato Jan van Ruysbroeck)

Conclusão:

“As bem-aventuranças questionam os nossos critérios habituais e os critérios de uma sociedade que caminha exatamente na direção contrária e que se funda em pseudo-valores: ganância exploração e várias outras formas de injustiça. Em outro discurso, Jesus recomenda: “Busquem primeiro o Reino de Deus e sua justiça” (Mt 5, 33).” (Dia a Dia – Ed. Paulus)

Oração: (Oração a Todos os Santos)

Ó, Deus, Onipotente e Eterno, que pela força do teu Espírito Santo santificastes a vida de tantos fiéis que vos serviram ao longo de todos os tempos e em todos os lugares, testemunhando a vossa grandeza, amor e bondade, fazei que, pela poderosa intercessão de Todos os Santos, que vós bem conheceis, cheguemos nós também à graça da vida eterna junto de vós, na companhia de Vosso Santíssimo Filho Jesus Cristo, Nossa Senhora e Todos os Santos e Santas. Todos os Santos de Deus, rogai por nós. Amém. (Site da Rede Vida)

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

28 de outubro de 2019 at 5:44 Deixe um comentário

Papa Francisco no Twitter

27 de out de 2019: No #EvangelhoDeHoje, olhando para o publicano, redescobrimos por onde começar: do acreditar-nos necessitados de salvação, todos. 
27 de out de 2019: Neste #SinodoAmazonico, sentimos a necessidade de nos colocar diante do Senhor, de colocá-lo no centro, em nível pessoal e como Igreja. Porque se anuncia somente o que se vive.
26 de out de 2019: Como fazer para se tornar missionário? Testemunhando com a vida que se conhece Jesus. É a vida que fala. #MêsMissionárioExtraordinário #MissionaryOctober
25 de out de 2019: Peçamos ao Senhor a luz para conhecer bem o que acontece dentro de nós.
24 de out de 2019: A vida nova que recebemos com o batismo é uma riqueza a ser doada, comunicada, anunciada: eis o sentido da missão.
23 de out de 2019: Celebrando o #MêsMissionárioExtraordinário, peçamos ao Espírito Santo que nos torne capazes de abrir as portas do Evangelho a todos os povos e ser testemunhas autênticas do amor divino.
22 de out de 2019: Agradeçamos ao Senhor por todo o bem feito no mundo e nos corações por meio das palavras, das obras e da santidade de #JoãoPauloII. Recordemos sempre de seu apelo: “Abram as portas a Cristo!” #SantodoDia
21 de out de 2019: Neste mês missionário, o Senhor chama também você: pede que seja dom onde está, assim como é, com quem está próximo. Coragem, o Senhor espera muito de você!
20 de out de 2019Vai com amor ao encontro de todos, porque a tua vida é uma missão preciosa: não é um peso a suportar, mas um dom a oferecer.
20 de out de 2019: Esta é a missão: mostrar, com a vida e mesmo com palavras, que Deus ama a todos e não se cansa jamais de ninguém.
20 de out de 2019: No coração deste mês missionário, interroguemo-nos: Para mim, o que é que conta na vida? Quais são as altitudes para onde tendo?
19 de out de 2019Quero encorajar-vos a levar a luz do Evangelho aos nossos contemporâneos. Possais vós ser testemunhas de liberdade e misericórdia, fazendo prevalecer a fraternidade e o diálogo sobre as divisões.

18 de out de 2019: Queridos jovens, enquanto vocês rezam o Santo Rosário pela unidade e a paz, considerem que em um das contas estou também eu com vocês

18 de out de 2019: São Lucas, revele o coração de Jesus e a sua misericórdia, ajude-nos a redescobrir a alegria de ser cristãos, testemunhas da bondade do Senhor.
17 de out de 2019: “Tive fome e me deste de comer, tive sede e me deste de beber” (Mt 25:35). Peçamos hoje a graça da compaixão, a capacidade de cuidar da pobreza de nossos irmãos e irmãs.

28 de outubro de 2019 at 5:39 Deixe um comentário

Papa: ouvir o grito dos pobres, grito de esperança da Igreja

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“A «religião do eu» continua, hipócrita com os seus ritos e as suas «orações», porém, muitos são católicos, se confessam católicos, mas se esqueceram de ser cristãos e humanos”, disse Francisco em sua homilia, na missa de encerramento do Sínodo para a Região Pan-amazônica.

Cidade do Vaticano

O Papa Francisco presidiu a missa de encerramento da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-amazônica, neste domingo (27/10), na Basílica de São Pedro.

O Pontífice iniciou sua homilia, dizendo que neste domingo, “a Palavra de Deus nos ajuda a rezar por meio de três personagens: na parábola de Jesus, rezam o fariseu e o publicano; na primeira Leitura, fala-se da oração do pobre”.

A religião do eu é hipócrita

Em sua oração, “o fariseu vangloria-se porque cumpre do melhor modo possível preceitos particulares, mas esquece o maior: amar a Deus e ao próximo. Transbordando de confiança própria, da sua capacidade de observar os mandamentos, dos seus méritos e virtudes, o fariseu aparece centrado apenas em si mesmo. O drama desse homem é que vive sem amor. Mas, sem amor, até as melhores coisas de nada seriam, como diz São Paulo. E sem amor, qual é o resultado? No fim das contas, em vez de rezar, elogia-se a si mesmo. De fato, não pede nada ao Senhor, porque não se sente necessitado nem em dívida, mas com crédito. Está no templo de Deus, mas pratica outra religião, a religião do eu”. Muitos grupos ilustres, cristãos católicos, vão por esta estrada”.

E além de Deus, o fariseu esquece o próximo, o despreza, ou seja, não lhe dá valor. Considera-se melhor que os outros designados por ele como «o resto, os restantes». “Em outras palavras, são «restos», descartados dos quais manter-se à distância. Quantas vezes vemos acontecer esta dinâmica na vida e na história! Quantas vezes quem está à frente, como o fariseu relativamente ao publicano, levanta muros para aumentar as distâncias, tornando os outros ainda mais descartados. Ou então, considerando-os atrasados e de pouco valor, despreza as suas tradições, cancela suas histórias, ocupa os seus territórios e usurpa os seus bens. Quanta superioridade presumida, que se transforma em opressão e exploração, ainda hoje! Vimos isso no Sínodo quando falamos sobre a exploração da Criação, das pessoas, dos habitantes da Amazônia, do tráfico de pessoas e do comércio de pessoas!”

Segundo o Papa, “os erros do passado não foram suficientes para deixarmos de saquear os outros e causar ferimentos aos nossos irmãos e à nossa irmã terra: vimos isso no rosto desfigurado da Amazônia”.

“A «religião do eu» continua, hipócrita com os seus ritos e as suas «orações», porém, muitos são católicos, se confessam católicos, mas se esqueceram de ser cristãos e humanos, esquecida do verdadeiro culto a Deus, que passa sempre pelo amor ao próximo. Até mesmo os cristãos que rezam e vão à missa aos domingos são seguidores dessa «religião do eu». Podemos olhar para dentro de nós e ver se alguém, para nós, é inferior, descartável… mesmo só em palavras. Rezemos pedindo a graça de não nos considerarmos superiores, não nos julgarmos íntegros, nem nos tornarmos cínicos e escarnecedores. Peçamos a Jesus que nos cure de criticar e queixar dos outros, de desprezar seja quem for: são coisas que desagradam a Deus. Provavelmente, hoje nos acompanham nesta missa não apenas os indígenas da Amazônia: mas também os pobres das sociedades desenvolvidas, os irmãos e irmãs doentes da Comunità dell’Arche. Estão conosco.”

A oração transparente nasce do coração

A oração do publicano nos ajuda a compreender o que é agradável a Deus. Ele não começa pelas suas virtudes, “mas pelas suas faltas; não pela riqueza, mas pela sua pobreza: não uma pobreza econômica, os publicanos eram ricos e cobravam também injustamente às custas de seus compatriotas, mas uma pobreza de vida, porque no pecado nunca se vive bem”.

Segundo Francisco, “aquele homem reconhece-se pobre diante de Deus, e o Senhor ouve a sua oração, feita apenas de sete palavras, mas de atitudes verdadeiras. De fato, enquanto o fariseu estava à frente, de pé, o publicano mantém-se à distância e «nem sequer ousava levantar os olhos ao céu», porque crê que o Céu está ali e é grande, enquanto ele se sente pequeno. E «batia no peito», porque no peito está o coração”.

A religião de Deus é misericórdia

O Papa sublinhou que através do publicano, “descobrimos o ponto de onde recomeçar: do fato de nos considerarmos, todos, necessitados de salvação. É o primeiro passo da religião de Deus, que é misericórdia com quem se reconhece miserável. Considerar-se justo é deixar Deus, o único justo, fora de casa”.

Jesus faz um confronto entre as atitudes da pessoa mais piedosa e devota de então, o fariseu, e o pecador público por excelência, o publicano. “E a sentença final inverte as coisas: quem é bom, mas presunçoso, falha; quem é deplorável, mas humilde, acaba exaltado por Deus. Se olharmos para dentro de nós com sinceridade, vemos os dois em nós: o publicano e o fariseu. Somos um pouco publicanos, porque pecadores, e um pouco fariseus, porque presunçosos, capazes de nos sentirmos justos, campeões na arte de nos justificarmos! Isto, com os outros, muitas vezes dá certo; mas, com Deus, não”.

Peçamos a Deus “a graça de nos sentirmos necessitados de misericórdia, pobres intimamente. Por isso, faz-nos bem frequentar os pobres, para nos lembrarmos que somos pobres, para nos recordarmos de que a salvação de Deus só age num clima de pobreza interior”.

Os pobres são «os porteiros do Céu»

O Livro do Eclesiástico fala que a oração do pobre «chegará até as nuvens». “Enquanto a oração de quem se considera justo fica por terra, esmagada pela força de gravidade do egoísmo, a do pobre sobe, direta, até Deus. O sentido da fé do Povo de Deus viu nos pobres «os porteiros do Céu»: aquele sensus fidei que faltava no Documento final. São eles que nos abrirão, ou não, as portas da vida eterna; eles que não se consideraram senhores nesta vida, que não se antepuseram aos outros, que tiveram só em Deus a sua própria riqueza. São ícones vivos da profecia cristã”.

“Neste Sínodo, tivemos a graça de escutar as vozes dos pobres e refletir sobre a precariedade de suas vidas, ameaçadas por modelos de progresso predatórios. E, no entanto, precisamente nesta situação, muitos nos testemunharam que é possível olhar a realidade de modo diferente, acolhendo-a de mãos abertas como uma dádiva, habitando na criação, não como meio a ser explorado, mas como casa a ser protegida, confiando em Deus. Ele é Pai e «ouvirá a oração do oprimido». Quantas vezes, mesmo na Igreja, as vozes dos pobres não são ouvidas, acabando talvez desprezadas ou silenciadas porque incômodas.”

Francisco concluiu, dizendo que devemos rezar “pedindo a graça de saber ouvir o grito dos pobres: é o grito de esperança da Igreja. Assumindo nós o seu grito, temos a certeza de que a nossa oração atravessará as nuvens”.

27 de outubro de 2019 at 10:25 Deixe um comentário

O Papa a religiosas de Jesus-Maria: o olhar de Deus muda e educa nosso olhar

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“Somente com este olhar tornam-se novas todas as coisas; somente deixando-nos olhar pelo Senhor, como a Virgem Maria, poderemos olhar a realidade com os olhos de Deus e ser suas testemunhas, porque o olhar de Deus muda e educa o nosso olhar”, disse Francisco às participantes do 37º Capítulo Geral da Congregação de Jesus-Maria (cerca de 70 religiosas)

Raimundo de Lima – Cidade do Vaticano

“Devemos olhar o nosso mundo com simpatia, sem medo, sem preconceitos e com coragem, como Deus olha para ele, sentindo como nossas as dores, as alegrias e as esperanças dos nossos irmãos; e daí anunciar com a vida e a palavra, e fazer ‘conhecer e amar Jesus e Maria’, com a criatividade de diaconias e obras de apostolado.”

Foi o que disse o Papa às participantes do 37º Capítulo Geral da Congregação de Jesus-Maria (cerca de 70 religiosas), recebidas por Francisco no final da manhã deste sábado (05/10), na Sala do Consistório, no Vaticano.

O Santo Padre aludiu ao tema escolhido pelas religiosas para o Capítulo: “Em caminho, com esperança, como uma família apostólica” – tomando como ícone bíblico a visitação de Nossa Senhora a sua Prima Isabel, referindo-se em seguida à fundadora da Congregação, Santa Claudina Thévenet, que iniciou esta obra apostólica sobre os pequenos e sobre a pobreza. “Nestes 200 anos difundiu-se no mundo inteiro, a ponto de estar presente hoje em 28 países e em 4 continentes”, ressaltou.

Em seu discurso o Santo Padre indicou às religiosas três caminhos para continuar caminhando, haurindo-os da oração que serviu a elas para a preparação do Capítulo Geral.

Testemunhas da bondade misericordiosa de Deus

“O primeiro caminho é ser testemunhas da bondade misericordiosa de Deus. Esta foi a experiência fundante de Santa Claudina, conhecer a bondade de Deus, um Deus misericordioso que perdoa.”

“A fundadora de vocês soube olhar a realidade a partir de Deus que é bom e ama as pessoas com um amor incondicionado. Deus nos olha e nós experimentamos a sua misericórdia; com a sua bondade muda a realidade amando-a.”

“Somente com este olhar tornam-se novas todas as coisas; somente deixando-nos olhar pelo Senhor, como a Virgem Maria, poderemos olhar a realidade com os olhos de Deus e ser suas testemunhas, porque o olhar de Deus muda e educa o nosso olhar”, ressaltou.

Vida de fraternidade e solidariedade

“O segundo caminho para caminhar é vida de fraternidade e solidariedade. Vocês são um corpo apostólico que vive em comunidade fraterna. Desse modo se encorajam reciprocamente no seguimento de Jesus e suscitam novas vocações. É necessário aprofundar a comunidade com relações sempre mais evangélicas, de modo que se tornem fraternidade sempre mais apostólicas, irmãs em missão, capazes de ‘contagiar’ outros jovens a fim de que possam seguir esta forma de consagração.”

Para tal fim é preciso abrir-se ao encontro com os jovens: mediante o testemunho poderão ver em vocês algo diferente que o mundo não pode oferecer: a alegria de seguir Cristo. “A vida fraterna em comunidade é profecia para o mundo”, enfatizou.

Discernir e ter a coragem de ir além

“O último caminho que gostaria de indicar é discernir e ter a coragem de ir além. A Igreja é missionária, porque Deus é missionário. Deus se abre em saída, entra no mundo e assume o humano. Vocês participam desta missão com a vida e o apostolado de vocês, porque o testemunho é primordial na evangelização.”

Antes de despedir-se, o Santo Padre quis deixar uma premente exortação para as religiosas: “como o amor se demonstra nas obras, não se cansem de mostrar a bondade de Deus mediante as obras apostólicas que realizam”.

27 de outubro de 2019 at 5:35 Deixe um comentário

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