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Reflexão para o Domingo de Ramos

2015-03-28 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – A paixão segundo Marcos é a mais antiga das quatro e, certamente um dos textos evangélicos mais antigos. Ela tem como idéia central o silêncio de Jesus e sua absoluta confiança no Pai.

Quando Judas o beijou, Jesus não reagiu, como também não o fez em relação às demais agressões sofridas na Paixão e nem ao aparente silêncio do Pai.

Aqueles que desejam seguir Jesus deverão abandonar tudo, até a própria vida. Tudo em favor da vontade do Pai e de seu Reino. É necessário, como o Mestre estar só, vivenciar a solidão.

Do mesmo modo que os discípulos, também nós queremos seguir Jesus, por amor. Mas como esse seguimento está sendo feito? Através do seguimento de idéias cristãs, de sua ética ou através do seguimento da pessoa de Jesus?

O batismo nos proporcionou esse seguimento, mas no transcorrer de nossa vida, de nosso dia a dia, abandonamos nossa vida, nossas primeiras opções, e nos deixamos às mãos do Pai, como Jesus e como Santa Terezinha do Menino Jesus gostava de fazer? E se somos submetidos às provações, qual é ou qual será nossa reação?

O abandono de Jesus e o sentir-se abandonado pelo Pai foi ultra forte; ele clamou: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?” E isso na hora da morte em que lutava pela justiça, pelos interesses do Pai!

Qual a reação de Jesus?

Ele chorou, pediu conforto ao Pai e que o consolasse. Marcos apresenta um Jesus fraco e que experimentou quão é exigente e difícil obedecer ao Pai.

Por que Jesus não discutiu? Ele sabia que a sentença já estava decidida. Por isso seu silêncio não demonstra covardia e sim, superioridade, não se perturbando com a calúnia, não se colocando no mesmo nível de seus acusadores, mas confiando na vitória final da verdade.

Jesus não temeu a derrota, mas confiou plenamente no Pai.

A entrega de Jesus ao Pai já começou a dar frutos no próprio ato. Um pagão, o centurião romano fez sua profissão de fé imediatamente à morte de Jesus: “Verdadeiramente este homem era Filho de Deus”.  Ele respondeu às perguntas que eram feitas no início do evangelho. Somente após a morte e ressurreição é que se pode compreender quem é Jesus. O que fez o centurião crer, um pagão crer, foi a entrega de Jesus, por amor, até a morte e morte na cruz. O amor rasgou o véu do templo e, desse momento em diante, todos os homens poderão ser feitos filhos de Deus.  Tudo dependerá da fé em Jesus, da crença nele, da qual o centurião, segundo Marcos, foi o primeiro.

Jesus dividiu conosco as experiências dramáticas da vida!

Queridos irmãos, ouvintes da Rádio Vaticano, entramos na Semana Santa, onde aprofundaremos nosso conhecimento no amor de Cristo por nós e, consequentemente seremos agraciados com mais amor. Que possamos chegar à Páscoa da Ressurreição mais assemelhados ao Cristo obediente!

(CAS)

28 de março de 2015 at 10:54 Deixe um comentário

Sexta-Feira Santa – Paixão do Senhor – São João 18, 1-19; 19, 1- 42 – dia 03 de abril

PRIMEIRA PARTE

João 18, 1-19 –

1.Depois dessas palavras, Jesus saiu com os seus discípulos para além da torrente de Cedron, onde havia um jardim, no qual entrou com os seus discípulos.

2.Judas, o traidor, conhecia também aquele lugar, porque Jesus ia freqüentemente para lá com os seus discípulos.

3.Tomou então Judas a coorte e os guardas de serviço dos pontífices e dos fariseus, e chegaram ali com lanternas, tochas e armas.

4.Como Jesus soubesse tudo o que havia de lhe acontecer, adiantou-se e perguntou-lhes: A quem buscais?

5.Responderam: A Jesus de Nazaré. Sou eu, disse-lhes. (Também Judas, o traidor, estava com eles.)

6.Quando lhes disse Sou eu, recuaram e caíram por terra.

7.Perguntou-lhes ele, pela segunda vez: A quem buscais? Disseram: A Jesus de Nazaré.

8.Replicou Jesus: Já vos disse que sou eu. Se é, pois, a mim que buscais, deixai ir estes.

9.Assim se cumpriu a palavra que disse: Dos que me deste não perdi nenhum (Jo 17,12).

10.Simão Pedro, que tinha uma espada, puxou dela e feriu o servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha direita. (O servo chamava-se Malco.)

11.Mas Jesus disse a Pedro: Enfia a tua espada na bainha! Não hei de beber eu o cálice que o Pai me deu?

12.Então a coorte, o tribuno e os guardas dos judeus prenderam Jesus e o ataram.

13.Conduziram-no primeiro a Anás, por ser sogro de Caifás, que era o sumo sacerdote daquele ano.

14.Caifás fora quem dera aos judeus o conselho: Convém que um só homem morra em lugar do povo.

15.Simão Pedro seguia Jesus, e mais outro discípulo. Este discípulo era conhecido do sumo sacerdote e entrou com Jesus no pátio da casa do sumo sacerdote,

16.porém Pedro ficou de fora, à porta. Mas o outro discípulo (que era conhecido do sumo sacerdote) saiu e falou à porteira, e esta deixou Pedro entrar.

17.A porteira perguntou a Pedro: Não és acaso também tu dos discípulos desse homem? Não o sou, respondeu ele.

18.Os servos e os guardas acenderam um fogo, porque fazia frio, e se aqueciam. Com eles estava também Pedro, de pé, aquecendo-se.

19.O sumo sacerdote indagou de Jesus acerca dos seus discípulos e da sua doutrina.

Jesus saiu com os seus discípulos para além da torrente de Cedron, onde havia um jardim, no qual entrou com os seus discípulos. Judas, o traidor, conhecia também aquele lugar, porque Jesus ia frequentemente para lá com os seus discípulos. Tomou então Judas a coorte e os guardas de serviço dos pontífices e dos fariseus, e chegaram ali com lanternas, tochas e armas

“Entre as oliveiras do Getsêmani, imerso nas trevas, aproxima-se agora uma pequena multidão: A guiá-la, Judas «um dos Doze» um discípulo de Jesus. Ele não pronuncia sequer uma palavra, é apenas uma gélida presença. Parece até que não consegue aproximar-se completamente do rosto de Jesus para beijá-lo, interrompido pela única voz que ressoa, a de Cristo: «Judas, com um beijo entregas o Filho do Homem?”. (Via-Sacra do Vaticano)

O Papa Emérito Bento XVI disse que “a traição como tal, aconteceu em dois momentos: Antes de tudo no planejamento, quando Judas se põe de acordo com os inimigos de Jesus por trinta moedas de prata (Mt 26, 14-16), e depois na execução com o beijo dado ao mestre no Getsêmani (Mt 26, 46-50)”. (Outubro de 2006)

Perguntou-lhes Ele, pela segunda vez: A quem buscais? Disseram: A Jesus de Nazaré. Replicou Jesus: Já vos disse que sou eu. Se é, pois, a mim que buscais, deixai ir estes

Papa Francisco disse que “no Horto das Oliveiras, como no processo diante de Pilatos, (Jesus) não opõe resistência, entrega-se; é o servo sofredor prenunciado por Isaías que se despoja de si mesmo até à morte (Is 53, 12)”.(2013)

“Naquela trágica noite escura do Getsêmani, «a noite em que foi entregue» (1 Cor 11, 23)… Jesus, sábio e onisciente, obedecendo ao desígnio salvífico do Pai, vai para o sacrifício pela libertação do gênero humano. Ao traidor-discípulo, resta o desprezo universal dos séculos, a «Maldição de Judas”. (Liturgia do Vaticano – 2002)

Simão Pedro, que tinha uma espada, puxou dela e feriu o servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha direita. (O servo chamava-se Malco). Mas Jesus disse a Pedro: Enfia a tua espada na bainha! Não hei de beber eu o cálice que o Pai me deu?

O Beato Paulo VI disse que Jesus repreendeu Pedro quando “no Jardim das Oliveiras, O quis defender com a espada: « Mete a espada na bainha. Não hei-de beber o cálice que o Pai Me deu? » (Jo 18, 11). Recordemos ainda o que diz o Evangelista Marcos: «o próprio Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em resgate por muitos » (Mc 10, 45; cfr. Is 53, 10 ss.)”.

São João Paulo II explicou: “Cristo repreende severamente Pedro quando ele pretende faze-lo abandonar os pensamentos sobre o sofrimento e a morte na Cruz. E quando, no momento de Ele ser preso no Getsêmani, o mesmo Pedro procura defendê-lo com a espada, Cristo diz-lhe: « Mete a tua espada na bainha … Como se cumpririam então as Escrituras, segundo as quais é necessário que assim suceda? ». E diz ainda: « Não hei-de eu beber o cálice que meu Pai me deu?”.

Então a coorte, o tribuno e os guardas dos judeus prenderam Jesus e o ataram. Conduziram-no primeiro a Anás, por ser sogro de Caifás, que era o sumo sacerdote daquele ano. Caifás fora quem dera aos judeus o conselho: Convém que um só homem morra em lugar do povo

O Catecismo (596) ensina: “O sumo sacerdote Caifás propôs, profetizando: «E do vosso interesse que morra um só homem pelo povo e não pereça a nação inteira» (Jo 11, 50). O Sinédrio, tendo declarado Jesus «réu de morte» como blasfemo, mas tendo perdido o direito de condenar à morte fosse quem fosse, entregou Jesus aos romanos, acusando-O de revolta política— o que O colocava em pé de igualdade com que Barrabás, acusado de «sedição» (Lc 23, 19). São também de carácter político as ameaças que os sumos-sacerdotes fazem a Pilatos, pressionando-o a condenar Jesus à morte”.

Simão Pedro seguia Jesus, e mais outro discípulo. Este discípulo era conhecido do sumo sacerdote e entrou com Jesus no pátio da casa do sumo sacerdote,porém Pedro ficou de fora, à porta. Mas o outro discípulo (que era conhecido do sumo sacerdote) saiu e falou à porteira, e esta deixou Pedro entrar. A porteira perguntou a Pedro: Não és acaso também tu dos discípulos desse homem? Não o sou, respondeu ele.

“Que aconteceu a Cefas, a Rocha? Renegou o seu Redentor, não uma nem duas, mas três vezes… Mas logo que o olhar de Jesus se cruza com o de Pedro, o apóstolo reconhece o seu triste erro. Humilhado, chora e pede perdão a Deus”. (Vaticano- Via-Sacra)

O Catecismo (§1429) ensina: “Comprova-o a conversão de São Pedro após a tríplice negação de seu mestre. O olhar de infinita misericórdia de Jesus provoca lágrimas de arrependimento e, depois da Ressurreição do Senhor, a afirmação, três vezes reiterada, de seu amor por ele”.

SEGUNDA PARTE

São João 19, 1-42

  1. Pilatos mandou então flagelar Jesus.
  2. Os soldados teceram de espinhos uma coroa e puseram-lha sobre a cabeça e cobriram-no com um manto de púrpura.
  3. Aproximavam-se dele e diziam: Salve, rei dos judeus! E davam-lhe bofetadas.
  4. Pilatos saiu outra vez e disse-lhes: Eis que vo-lo trago fora, para que saibais que não acho nele nenhum motivo de acusação.
  5. Apareceu então Jesus, trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura. Pilatos disse: Eis o homem!
  6. Quando os pontífices e os guardas o viram, gritaram: Crucifica-o! Crucifica-o! Falou-lhes Pilatos: Tomai-o vós e crucificai-o, pois eu não acho nele culpa alguma.
  7. Responderam-lhe os judeus: Nós temos uma lei, e segundo essa lei ele deve morrer, porque se declarou Filho de Deus.
  8. Estas palavras impressionaram Pilatos.
  9. Entrou novamente no pretório e perguntou a Jesus: De onde és tu? Mas Jesus não lhe respondeu.
  10. Pilatos então lhe disse: Tu não me respondes? Não sabes que tenho poder para te soltar e para te crucificar?
  11. Respondeu Jesus: Não terias poder algum sobre mim, se de cima não te fora dado. Por isso, quem me entregou a ti tem pecado maior.
  12. Desde então Pilatos procurava soltá-lo. Mas os judeus gritavam: Se o soltares, não és amigo do imperador, porque todo o que se faz rei se declara contra o imperador.
  13. Ouvindo estas palavras, Pilatos trouxe Jesus para fora e sentou-se no tribunal, no lugar chamado Lajeado, em hebraico Gábata.
  14. (Era a Preparação para a Páscoa, cerca da hora sexta.) Pilatos disse aos judeus: Eis o vosso rei!
  15. Mas eles clamavam: Fora com ele! Fora com ele! Crucifica-o! Pilatos perguntou-lhes: Hei de crucificar o vosso rei? Os sumos sacerdotes responderam: Não temos outro rei senão César!
  16. Entregou-o então a eles para que fosse crucificado.
  17. Levaram então consigo Jesus. Ele próprio carregava a sua cruz para fora da cidade, em direção ao lugar chamado Calvário, em hebraico Gólgota.
  18. Ali o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio.
  19. Pilatos redigiu também uma inscrição e a fixou por cima da cruz. Nela estava escrito: Jesus de Nazaré, rei dos judeus.
  20. Muitos dos judeus leram essa inscrição, porque Jesus foi crucificado perto da cidade e a inscrição era redigida em hebraico, em latim e em grego.
  21. Os sumos sacerdotes dos judeus disseram a Pilatos: Não escrevas: Rei dos judeus, mas sim: Este homem disse ser o rei dos judeus.
  22. Respondeu Pilatos: O que escrevi, escrevi.
  23. Depois de os soldados crucificarem Jesus, tomaram as suas vestes e fizeram delas quatro partes, uma para cada soldado. A túnica, porém, toda tecida de alto a baixo, não tinha costura.
  24. Disseram, pois, uns aos outros: Não a rasguemos, mas deitemos sorte sobre ela, para ver de quem será. Assim se cumpria a Escritura: Repartiram entre si as minhas vestes e deitaram sorte sobre a minha túnica (Sl 21,19). Isso fizeram os soldados.
  25. Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena.
  26. Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho.
  27. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa.
  28. Em seguida, sabendo Jesus que tudo estava consumado, para se cumprir plenamente a Escritura, disse: Tenho sede.
  29. Havia ali um vaso cheio de vinagre. Os soldados encheram de vinagre uma esponja e, fixando-a numa vara de hissopo, chegaram-lhe à boca.
  30. Havendo Jesus tomado do vinagre, disse: Tudo está consumado. Inclinou a cabeça e rendeu o espírito.
  31. Os judeus temeram que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque já era a Preparação e esse sábado era particularmente solene. Rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados.
  32. Vieram os soldados e quebraram as pernas do primeiro e do outro, que com ele foram crucificados.
  33. Chegando, porém, a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas,
  34. mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água.
  35. O que foi testemunha desse fato o atesta (e o seu testemunho é digno de fé, e ele sabe que diz a verdade), a fim de que vós creiais.
  36. Assim se cumpriu a Escritura: Nenhum dos seus ossos será quebrado (Ex 12,46).
  37. E diz em outra parte a Escritura: Olharão para aquele que transpassaram (Zc 12,10).
  38. Depois disso, José de Arimatéia, que era discípulo de Jesus, mas ocultamente, por medo dos judeus, rogou a Pilatos a autorização para tirar o corpo de Jesus. Pilatos permitiu. Foi, pois, e tirou o corpo de Jesus.
  39. Acompanhou-o Nicodemos (aquele que anteriormente fora de noite ter com Jesus), levando umas cem libras de uma mistura de mirra e aloés.
  40. Tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no em panos com os aromas, como os judeus costumam sepultar.
  41. No lugar em que ele foi crucificado havia um jardim, e no jardim um sepulcro novo, em que ninguém ainda fora depositado.
  42. Foi ali que depositaram Jesus por causa da Preparação dos judeus e da proximidade do túmulo.

Aproximavam-se dele e diziam: Salve, rei dos judeus! E davam-lhe bofetadas. Pilatos saiu outra vez e disse-lhes: Eis que vo-lo trago fora, para que saibais que não acho nele nenhum motivo de acusação. Apareceu então Jesus, trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura. Pilatos disse: Eis o homem!

“Ouve os gritos: À morte! Ele, o autor da vida, é arrastado como um farrapo de um para outro tribunal. O povo, o seu povo tão amado, tão cumulado de bênçãos, vocifera contra Ele, insulta-o, reclama aos gritos a sua morte, e que morte, a morte sobre a cruz. Ouve as suas falsas acusações. Vê-se flagelado, coroado de espinhos, escarnecido, apupado como falso rei. Vê-se condenado à cruz, subindo ao Calvário, sucumbindo ao peso do madeiro, trêmulo, exausto…” (São Padre Pio)

São Pio X: “O quarto artigo do Credo ensina-nos que Jesus Cristo, para remir o mundo com o seu precioso Sangue, padeceu sob Pôncio Pilatos, governador da Judéia, e morreu no madeiro da Cruz, da qual foi descido, e no fim sepultado. A palavra padeceu exprime todos os sofrimentos suportados por Jesus Cristo na sua Paixão”.

Era a Preparação para a Páscoa, cerca da hora sexta.) Pilatos disse aos judeus: Eis o vosso rei! Mas eles clamavam: Fora com ele! Fora com ele! Crucifica-o! Pilatos perguntou-lhes: Hei de crucificar o vosso rei? Os sumos sacerdotes responderam: Não temos outro rei senão César! Entregou-o então a eles para que fosse crucificado. Levaram então consigo Jesus. Ele próprio carregava a sua cruz para fora da cidade, em direção ao lugar chamado Calvário, em hebraico Gólgota.

O Papa Francisco disse: “Olhem! Jesus, com a sua cruz, atravessa os nossos caminhos e carrega os nossos medos, os nossos problemas, os nossos sofrimentos, mesmo os mais profundos. Com a cruz, Jesus se une ao silêncio das vítimas da violência, que já não podem clamar, sobretudo os inocentes e indefesos; na cruz Jesus se une às famílias que passam por dificuldades, e as que choram a trágica perda de seus filhos…”. (Via-Sacra com os jovens em Copacabana)

“Meu Deus e Senhor, prostrado aos vossos pés, contrito e arrependido, peço-vos humildemente acompanhar o vosso divino Filho no caminho doloroso de sua Paixão, chorando os meus pecados, causa de tantos sofrimentos”. (São Pedro Julião Eymard)

Ali o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio. Pilatos redigiu também uma inscrição e a fixou por cima da cruz. Nela estava escrito: Jesus de Nazaré, rei dos judeus. Muitos dos judeus leram essa inscrição, porque Jesus foi crucificado perto da cidade e a inscrição era redigida em hebraico, em latim e em grego. Os sumos sacerdotes dos judeus disseram a Pilatos: Não escrevas: Rei dos judeus, mas sim: Este homem disse ser o rei dos judeus. Respondeu Pilatos: O que escrevi, escrevi

O Cardeal Camillo Ruini resumiu assim: “Eram nove horas da manhã quando O crucificaram. O letreiro com o motivo da condenação dizia: “O Rei dos Judeus”! Com Ele crucificaram dois ladrões, um à direita e outro à esquerda. Jesus é pregado na cruz. Uma tortura tremenda. E enquanto está suspenso na cruz, muitos são aqueles que o escarnecem e provocam”.

“Crucificaram-no! Esta é a condenação reservada a Jesus, Senhor nosso: Cravos ásperos, dores pungentes, a angústia da Mãe, a vergonha de ser agregado a dois bandidos, as vestes divididas como despojo entre os soldados, as zombarias cruéis dos transeuntes: «Salvou os outros e não pode salvar-se a si mesmo (…), desça da cruz e acreditaremos n’Ele» (Mt 27, 42)”. (Via-Sacra do Coliseu- 2014)

Depois de os soldados crucificarem Jesus, tomaram as suas vestes e fizeram delas quatro partes, uma para cada soldado. A túnica, porém, toda tecida de alto a baixo, não tinha costura. Disseram, pois, uns aos outros: Não a rasguemos, mas deitemos sorte sobre ela, para ver de quem será. Assim se cumpria a Escritura: Repartiram entre si as minhas vestes e deitaram sorte sobre a minha túnica (Sl 21,19). Isso fizeram os soldados

“A túnica de Cristo não foi e não poderá ser dividida. “Pode-se, acaso, dividir Cristo?”, dizia Paulo (cf. 1 Cor 1, 13). É a fé que professamos no Credo: “Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica”. (Frei Raniero Cantalamessa)

Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa

São João Paulo II disse que “a Virgem Maria “era não só aquela que “avançou na peregrinação da fé” e conservou fielmente a sua união com o Filho “até à cruz”, mas também a “Serva do Senhor” deixada por seu Filho como mãe no seio da Igreja nascente: “Eis a tua mãe”. assim começou a estabelecer-se um vínculo especial entre esta mãe e a Igreja. Com efeito, a Igreja nascente era fruto da cruz e da ressurreição do seu Filho”. (1987)

“De pé a Mãe dolorosa, junto da cruz, lacrimosa, via Jesus que pendia. No coração transpassado sentia o gládio enterrado de uma cruel profecia. Mãe entre todas bendita, do Filho único, aflita, à imensa dor assistia. E, suspirando, chorava, e da cruz não se afastava, ao ver que o Filho morria. Pobre mãe, tão desolada, ao vê-la assim transpassada, quem de dor não choraria?” (Liturgia das Horas)

Em seguida, sabendo Jesus que tudo estava consumado, para se cumprir plenamente a Escritura, disse: Tenho sede. Havia ali um vaso cheio de vinagre. Os soldados encheram de vinagre uma esponja e, fixando-a numa vara de hissopo, chegaram-lhe à boca.

São João Paulo II disse: “Logo em seguida, Jesus exclama: “Tenho sede” (Jo 19, 28). Frase que traduz a secura terrível que abrasa todo o seu corpo. É a única palavra que fala diretamente do seu sofrimento físico”. (Ano de 2000)

O Cardeal Camillo Ruini explicou: “Para que a escritura se cumprisse até o fim, (Jesus) disse: “Tenho sede”. Havia ali uma jarra cheia de vinagre. Amarraram numa vara uma esponja embebida de vinagre e levaram-na à boca de Jesus. Ele tomou o vinagre e disse: “Tudo está consumado”. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito. Quando a morte chega, depois de uma dolorosa enfermidade, costuma-se dizer com alívio: “Parou de sofrer”. Em certo sentido, estas palavras valem também para Jesus”.

Havendo Jesus tomado do vinagre, disse: Tudo está consumado. Inclinou a cabeça e rendeu o espírito. Os judeus temeram que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque já era a Preparação e esse sábado era particularmente solene. Rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados

O Catecismo (§ 607) ensina: “Este desejo de desposar o desígnio de amor redentor de Seu Pai anima toda a vida de Jesus pois sua Paixão Redentora é a razão de ser de sua Encarnação: “Pai, salva-me desta hora. Mas foi precisamente para esta hora que eu vim” (Jo 12,27).

O Papa Francisco disse que “a morte e a ressurreição de Jesus são exatamente o coração da nossa esperança. Sem esta fé na morte e na ressurreição de Jesus, a nossa esperança será frágil, mas não será sequer esperança, e precisamente a morte e a ressurreição de Jesus são o coração da nossa esperança”.

“Não é possível pensar no Calvário, sem amar a Jesus Cristo, que lá quis morrer por nosso amor”. (Santo Afonso de Ligório)

“O louvor de Deus cantemos com fervor no coração, pois agora a hora sexta nos convida à oração. Nesta hora foi-nos dada gloriosa salvação pela morte do Cordeiro, que na cruz trouxe o perdão”. (Liturgia das Horas)

Vieram os soldados e quebraram as pernas do primeiro e do outro, que com ele foram crucificados. Chegando, porém, a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água. O que foi testemunha desse fato o atesta (e o seu testemunho é digno de fé, e ele sabe que diz a verdade), a fim de que vós creiais. Assim se cumpriu a Escritura: Nenhum dos seus ossos será quebrado (Ex 12,46). E diz em outra parte a Escritura: Olharão para aquele que transpassaram (Zc 12,10).

Frei Raniero Cantalamessa disse: “O soldado perfurou o lado de Cristo na Cruz “para que se cumprisse a Escritura, que diz: Hão-de olhar para aquele que transpassaram” (Jo 19, 37). No Apocalipse, ele acrescenta: “Eis que vem sobre as nuvens e todo olho o verá; até os mesmos que o transpassaram, e todas as tribos da terra se lamentarão por Ele” (Ap 1,7)”. (2013)

O Papa Emérito Bento XVI explicou: “Lançando “o olhar àquele que foi transpassado” (Jo 19,37), podemos chegar a seu coração que emana sangue e água como de uma fonte; daquele coração do qual brota o amor de Deus por todo o homem, recebemos o seu Espírito”. (Abril de 2011)

Depois disso, José de Arimatéia, que era discípulo de Jesus, mas ocultamente, por medo dos judeus, rogou a Pilatos a autorização para tirar o corpo de Jesus. Pilatos permitiu. Foi, pois, e tirou o corpo de Jesus. Acompanhou-o Nicodemos (aquele que anteriormente fora de noite ter com Jesus), levando umas cem libras de uma mistura de mirra e aloés. Tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no em panos com os aromas, como os judeus costumam sepultar. No lugar em que ele foi crucificado havia um jardim, e no jardim um sepulcro novo, em que ninguém ainda fora depositado. Foi ali que depositaram Jesus por causa da Preparação dos judeus e da proximidade do túmulo.

O Papa Emérito Bento XVI disse assim: “José de Arimateia, um rico e competente membro do Sinédrio, pediu corajosamente a Pôncio Pilatos para poder sepultar Jesus no seu sepulcro novo, que tinha sido escavado na rocha a pouca distância do Gólgota. Ao obter a autorização, comprou um lençol e, deposto o corpo de Jesus da cruz, envolveu-o com o lençol e colocou-o naquele túmulo” (Mc 15, 42-46). (2010)

O Catecismo (§625) ensina: “A permanência do corpo de Cristo no túmulo constitui o laço real entre o estado passível de Cristo antes da páscoa e o seu estado glorioso atual de ressuscitado. É a mesma pessoa do «vivente» que pode dizer: «Estive morto e eis-me vivo pelos séculos dos séculos (Ap 1, 18)”.

Nossa Senhora das Dores

“Considera como, havendo expirado o Senhor, lhe baixaram da Cruz dois de seus discípulos. José e Nicodemos, e lhe depositaram nos braços de sua dolorosíssima Mãe, Maria, que lhe recebeu com ternura e lhe apertou contra seu peito traspassado de dor. Oh! Mãe dolorosíssima: Pelo amor deste Filho, admiti-me por vosso servo e rogai-lhe por mim. E Vós, Redentor meu, já que haveis querido morrer por mim, recebei-me no número dos que vos amam mais, pois eu não quero amar nada fora de Vós”. (Santo Afonso de Ligório)

Conclusão

De São Pio X: “Para nos salvarmos, não basta que Jesus Cristo tenha morrido por nós, mas é necessário que sejam aplicados, a cada um de nós, o fruto e os merecimentos da sua Paixão e morte, aplicação que se faz, sobretudo, por meio dos Sacramentos, instituídos para este fim pelo mesmo Jesus Cristo; e, como muitos ou não recebem os Sacramentos, ou não os recebem com as condições devidas, eles tornam inútil para si próprios a morte de Jesus Cristo”.

Oração

De São João Paulo II: “Jesus, vítima inocente do pecado, acolhei-nos como companheiros do vosso caminho pascal, que conduz da morte à vida e ensinai-nos a viver o tempo que passamos na terra radicados na fé em Vós, que nos amastes e Vos entregastes a Vós mesmo por nós (Gal 2, 20). Vós sois Cristo, o único Senhor, que vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém”.

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

27 de março de 2015 at 10:06 Deixe um comentário

Papa participa da última pregação da Quaresma

2015-03-27 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco participou na manhã desta sexta-feira (27/03) da última pregação da Quaresma, feita pelo Pregador da Casa Pontifícia, Fr. Raniero Cantalamessa.

A fé comum do Oriente e do Ocidente guiaram as meditações precedentes, e esta última foi dedicada ao problema da salvação, ou seja, de como ortodoxos e mundo latino compreenderam o conteúdo da salvação cristã.

Para o Fr. Cantalamessa, este é o campo em que é mais necessário para os latinos dirigirem seu olhar para o Oriente, “a fim de enriquecer e, em parte, corrigir o nosso modo difuso de conceber a redenção operada por Cristo”.

Em sua pregação, o capuchinho apresenta o modo diferente de entender a salvação entre Oriente e Ocidente, que tem origem na compreensão do pecado original e, portanto, no efeito primário do batismo. Os orientais nunca entenderam o pecado original no sentido de uma verdadeira “culpa” hereditária, mas como a transmissão de uma natureza ferida e propensa ao pecado, como uma perda progressiva da imagem de Deus no homem, não só devida ao pecado de Adão, mas ao de todas as gerações sucessivas.

“Não podemos deixar de lhes agradecer por terem cultivado e tenazmente defendido ao longo dos séculos um ideal de vida cristã bonito e edificante, do qual toda a cristandade se beneficiou, inclusive por meio do silencioso instrumento do ícone”, disse o Fr. Cantalamessa, que concluiu:

“Desenvolvemos as nossas reflexões sobre a fé comum do Oriente e do Ocidente tendo à nossa frente, nesta capela, a imagem da Jerusalém celeste com os santos ortodoxos e católicos reunidos em grupos mistos, de três em três. Peçamos a eles a ajuda para realizar, na Igreja aqui da terra, a mesma comunhão fraterna de amor que eles vivem na Jerusalém celeste. Agradeço ao Santo Padre e aos veneráveis padres, irmãos e irmãs, pela benévola atenção e desejo a todos uma Feliz Páscoa!”.

27 de março de 2015 at 9:43 Deixe um comentário

Quinta-Feira Santa – Ceia do Senhor – Também vós deveis lavar os pés uns dos outros – São João 13, 1-15 – dia 02 de abril

  1. Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo ao Pai, como amasse os seus que estavam no mundo, até o extremo os amou.
  2. Durante a ceia, – quando o demônio já tinha lançado no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de traí-lo -,
  3. sabendo Jesus que o Pai tudo lhe dera nas mãos, e que saíra de Deus e para Deus voltava,
  4. levantou-se da mesa, depôs as suas vestes e, pegando duma toalha, cingiu-se com ela.
  5. Em seguida, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido.
  6. Chegou a Simão Pedro. Mas Pedro lhe disse: Senhor, queres lavar-me os pés!…
  7. Respondeu-lhe Jesus: O que faço não compreendes agora, mas compreendê-lo-ás em breve.
  8. Disse-lhe Pedro: Jamais me lavarás os pés!… Respondeu-lhe Jesus: Se eu não tos lavar, não terás parte comigo.
  9. Exclamou então Simão Pedro: Senhor, não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça.
  10. Disse-lhe Jesus: Aquele que tomou banho não tem necessidade de lavar-se; está inteiramente puro. Ora, vós estais puros, mas nem todos!…
  11. Pois sabia quem o havia de trair; por isso, disse: Nem todos estais puros.
  12. Depois de lhes lavar os pés e tomar as suas vestes, sentou-se novamente à mesa e perguntou-lhes: Sabeis o que vos fiz?
  13. Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou.
  14. Logo, se eu, vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns aos outros.
  15. Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, assim façais também vós.

O Papa Francisco disse que na “Quinta-feira Santa, em que Cristo levou o seu amor por nós até ao extremo (Jo 13, 1), comemoramos o dia feliz da instituição do sacerdócio e o da nossa ordenação sacerdotal. O Senhor ungiu-nos em Cristo com óleo da alegria, e esta unção convida-nos a acolher e cuidar deste grande dom: a alegria, o júbilo sacerdotal. A alegria do sacerdote é um bem precioso tanto para si mesmo como para todo o povo fiel de Deus: do meio deste povo fiel é chamado o sacerdote para ser ungido e ao mesmo povo é enviado para ungir”.

“A Celebração da Ceia do Senhor nos insere no Tríduo Pascal da sua Paixão, Morte e Ressurreição, ápice do ano litúrgico. Entremos em comunhão com Jesus, que nos amou até o fim e nos deixou os dons do sacerdócio e da Eucaristia, para podermos imitá-lo na tarefa de libertar o mundo de suas escravidões”. (Liturgia Diária)

O Lava-Pés

Chegou a Simão Pedro. Mas Pedro lhe disse: Senhor, queres lavar-me os pés!…Respondeu-lhe Jesus: O que faço não compreendes agora, mas compreendê-lo-ás em breve. Disse-lhe Pedro: Jamais me lavarás os pés!… Respondeu-lhe Jesus: Se eu não tos lavar, não terás parte comigo. Exclamou então Simão Pedro: Senhor, não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça

O Papa Francisco explicou: “O cristão é aquele que permite a Deus revesti-lo da sua bondade e misericórdia, revesti-lo de Cristo para se tornar, como Ele, servo de Deus e dos homens. Bem no-lo recorda a liturgia de Quinta-feira Santa com o rito do lava-pés. Pedro não queria que Jesus lhe lavasse os pés, mas depois compreendeu que Jesus não pretendia apenas exemplificar como devemos lavar os pés uns aos outros; este serviço, só o pode fazer quem, primeiro, se deixou lavar os pés por Cristo”.

São João Paulo II disse: “Contemplando o rosto do nosso Mestre e Senhor na hora em que «levou até ao extremo o amor pelos seus», todos nós, como o apóstolo Pedro, deixamo-Lo lavar-nos os pés para termos parte com Ele (Jo 13, 1-9)”.

Logo, se eu, vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, assim façais também vós

«Se eu vos lavei os pés, sendo Senhor e Mestre, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também» (Jo 13, 14-15). O comportamento de Jesus e a Sua palavra, as Suas ações e os Seus preceitos constituem a regra moral da vida cristã. De facto, estas suas ações e, particularmente, a sua paixão e morte na cruz são a revelação viva do Seu amor pelo Pai e pelos homens. É precisamente este amor que Jesus pede seja imitado por quantos O seguem”. (São João Paulo II)

O Papa Emérito Bento XVI disse assim: “Além da instituição do Sacerdócio, neste dia santo comemora-se a oferta total que Cristo fez de Si à humanidade no sacramento da Eucaristia. Naquela mesma noite na qual foi traído, Ele deu-nos, como recorda a Sagrada Escritura, um mandamento novo “mandatum novum” do amor fraterno realizando o gesto comovedor do lava-pés, que chama ao humilde serviço dos servos”.

A Instituição do Sacramento da Eucaristia

São João Paulo II disse assim: “Na vigília da sua morte na cruz, Cristo instituiu no Cenáculo a Eucaristia. Também Ele ofereceu pão e vinho, que “nas suas mãos santas e veneráveis” (Cânone Romano) se tornaram o seu Corpo e o seu Sangue, oferecidos em sacrifício…”(Junho de 2000)

“Era noite. Despedida. Numa ceia: refeição. Deu-se aos Doze em alimento, pelas suas próprias mãos. A Palavra do Deus vivo transformou o vinho e o pão no seu sangue e no seu corpo para a nossa salvação. O milagre nós não vemos, basta a fé no coração”. (Liturgia das Horas)

O Papa Emérito Bento XVI disse: “Na Última Ceia, Jesus instituiu o sacramento do seu Corpo e do seu Sangue, o memorial do seu sacrifício pascal. Agindo deste modo, ele pôs-se no lugar dos sacrifícios antigos, mas fê-lo no âmbito de um rito, que ordenou aos apóstolos que perpetuassem como sinal supremo do verdadeiro sagrado, que é ele mesmo”. (Junho de 2012)

Conclusão

“Se creem que o Pai Eterno lhes deu seu Filho, creiam também que lhes dará o resto, porque todo o resto vale muito menos que o Filho de Deus. Não pensem que Jesus Cristo se esqueceu de vocês, Ele lhes deixou a maior garantia que tinha, em memória de seu amor: Ele mesmo no sacramento da Eucaristia”. (Santo Afonso Maria de Ligório)

Oração    

Senhor Jesus, louvamos-Te pela Eucaristia, memória do Teu mistério pascal. Que possamos buscar sempre na Eucaristia o nosso alimento e a nossa força. Nutre-nos, ó Pão do Céu, para que possamos ser corajosos na tribulação e fiéis a Ti para sempre. Dá-nos, Senhor Jesus, alcançar a vida eterna. Obrigada, Jesus amado, pela Sagrada Eucaristia!

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

26 de março de 2015 at 10:54 Deixe um comentário

Tríduo Pascal: quinta-Feira Santa, Sexta-Feira Santa e Sábado Santo mais a Vigília Pascal – Homilia de São João Paulo II

PAPA JOÃO PAULO II

AUDIÊNCIA

Quarta-Feira 7 de abril de 2004

Convertamos o coração Àquele que, por amor, morreu por nós

  1. “Jesus Cristo… rebaixou-se a si mesmo, tornou-se obediente até… à morte de cruz… Por isso mesmo é que Deus o elevou acima de tudo” (Fl 2, 8-9). Ouvimos há pouco estas palavras do hino contido na Carta aos Filipenses. Elas apresentam-nos, de modo essencial e eficaz, o mistério da paixão e morte de Jesus; ao mesmo tempo, faz-nos entrever a glória da Páscoa de ressurreição. Por conseguinte, constituem uma meditação que introduz nas celebrações do Tríduo Pascal, que começa amanhã.
  1. Caríssimos Irmãos e Irmãs, preparamo-nos para reviver nos próximos dias o grande mistério da nossa salvação. Amanhã de manhã, Quinta-Feira Santa, em todas as comunidades diocesanas, o Bispo celebra juntamente com o seu presbitério a Missa Crismal, na qual são abençoados os óleos o dos catecúmenos, o dos doentes e o santo Crisma. À noite faz-se memória da Última Ceia com a instituição da Eucaristia e do Sacerdócio. O rito do “lava-pés” recorda que, com este gesto realizado por Jesus no Cenáculo, Ele antecipou o Sacrifício do Calvário, e deixou-nos como nova lei, “mandatum novum”, o seu amor. Segundo uma tradição piedosa, depois dos ritos da Missa em Cena Domini, os fiéis detêm-se em adoração diante da Eucaristia durante a noite. É uma vigília de oração singular, que se relaciona com a agonia de Cristo no Getsémani.
  1. Na Sexta-Feira Santa a Igreja celebra a paixão e morte do Senhor. A assembleia cristã é convidada a meditar sobre o mal e sobre o pecado que oprimem a humanidade e sobre a salvação realizada com o sacrifício redentor de Cristo. A Palavra de Deus e alguns ritos litúrgicos sugestivos, como a adoração da Cruz, ajudam a percorrer as várias etapas da Paixão. Além disso, a tradição cristã deu vida, neste dia, a várias manifestações de piedade popular. Entre elas sobressaem as procissões penitenciais da Sexta-feira Santa e a prática piedosa da “Via Crucis”, que fazem interiorizar melhor o mistério da Cruz.

Um grande silêncio caracteriza o Sábado Santo. De facto, não são previstas liturgias particulares neste dia de expectativa e de oração. Nas Igrejas há um grande silêncio, enquanto que os fiéis, à imitação de Maria, se preparam para o grande acontecimento da Ressurreição.

  1. Ao cair da noite de Sábado Santo tem início a solene Vigília Pascal, a “mãe de todas as vigílias”. Depois de ter abençoado o novo fogo, acende-se o círio pascal, símbolo de Cristo que ilumina cada homem, e ressoa jubiloso o grande anúncio do Exsultet. A Comunidade eclesial, pondo-se à escuta da Palavra de Deus, medita a grande promessa da libertação definitiva da escravidão do pecado e da morte. Seguem-se os ritos do Baptismo e da Confirmação para os catecúmenos, que percorreram um longo itinerário de preparação.

O anúncio da ressurreição irrompe na escuridão da noite e toda a criação desperta do sono da morte, para reconhecer a realeza de Cristo, como realça o hino paulino no qual se inspiram estas nossas reflexões “Para que, ao nome de Jesus, se dobre todo o joelho, os dos seres que estão no céu, e na terra e debaixo da terra e toda a língua proclame Jesus Cristo é o Senhor” (Fl 2, 10-11).

  1. Caríssimos Irmãos e Irmãs, estes dias são oportunos como nunca para tornar mais viva a conversão do nosso coração Àquele que por amor morreu por nós.

Deixemos que seja Maria, a Virgem fiel, quem nos acompanha; com ela detenhamo-nos no Cenáculo e permaneçamos ao lado de Jesus no Calvário, para o encontrar por fim, ressuscitado, no dia de Páscoa.

Com estes sentimentos e desejos, formulo os mais cordiais bons votos de feliz Páscoa para vós aqui presentes, para as vossas Comunidades e para os vossos familiares.

25 de março de 2015 at 10:37 Deixe um comentário

Ramos e Paixão do Senhor – Entrada em Jerusalém e Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo – dia 29 de Março

Entrada de Jesus em Jerusalém – São Marcos 11, 1-10

  1. Jesus e seus discípulos aproximavam-se de Jerusalém e chegaram aos arredores de Betfagé e de Betânia, perto do monte das Oliveiras. Desse lugar Jesus enviou dois dos seus discípulos,
  2. dizendo-lhes: “Ide à aldeia que está defronte de vós e, logo ao entrardes nela, achareis preso um jumentinho, em que não montou ainda homem algum; desprendei-o e trazei-mo.
  3. E se alguém vos perguntar: Que fazeis?, dizei: O Senhor precisa dele, mas daqui a pouco o devolverá.”
  4. Indo eles, acharam o jumentinho atado fora, diante duma porta, na curva do caminho. Iam-no desprendendo,
  5. quando alguns dos que ali estavam perguntaram: “Ei, que estais fazendo? Por que soltais o jumentinho?”
  6. Responderam como Jesus lhes havia ordenado; e deixaram-no levar.
  7. Conduziram a Jesus o jumentinho, cobriram-no com seus mantos, e Jesus montou nele.
  8. Muitos estendiam seus mantos no caminho; outros cortavam ramos das árvores e espalhavam-nos, pelo chão.
  9. Tanto os que precediam como os que iam atrás clamavam: “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor!
  10. O Bendito o Rei? que vai começar, o reino de Davi, nosso pai! Hosana no mais alto dos céus!”

Jesus e seus discípulos aproximavam-se de Jerusalém

O Papa Emérito Bento XVI explicou que Jesus “sobe a Jerusalém para dar pleno cumprimento às escrituras e ser pregado no lenho da cruz, o trono donde reinará para sempre, atraindo a si a humanidade de todos os tempos e oferecendo a todos o dom da redenção”. (Abril de 2012)

O Papa Francisco disse: “Jerusalém é a meta final onde Jesus, na sua páscoa derradeira, deve morrer e ressuscitar, e assim levar a cumprimento a sua missão de salvação. A partir daquele momento, depois da sua «decisão firme», Jesus aponta o dedo para a meta…” (Junho de 2013)

Ide à aldeia que está defronte de vós e, logo ao entrardes nela, achareis preso um jumentinho, em que não montou ainda homem algum; desprendei-o e trazei-mo.

São João Paulo II ensinou: “Os discípulos, por ordem do mestre, trouxeram-lhe um jumentinho, depois de pedirem lhes fosse permitido levarem-no algum tempo de empréstimo. E Jesus montou nele, para se cumprir a seu respeito também esta particularidade dos escritos proféticos”.

A Palavra diz: “Exulta de alegria, filha de Sião, solta gritos de júbilo, filha de Jerusalém; eis que vem a ti o teu Rei, justo e vitorioso; ele é simples e vem montado num jumento, no potro de uma jumenta”. (Zc 9, 9).

Conduziram a Jesus o jumentinho, cobriram-no com seus mantos, e Jesus montou nele. Muitos estendiam seus mantos no caminho; outros cortavam ramos das árvores e espalhavam-nos, pelo chão.

São João Paulo II disse: “Eis a imagem verdadeira do Messias, do ungido, do Filho de Deus, do servo de Iahvé. Jesus sob esta imagem entrava em Jerusalém, quando os peregrinos, que o acompanhavam na caminhada, cantavam hosana. E estendiam as capas e os ramos das árvores no chão que ele percorria”.

O Papa Francisco disse assim: “Jesus entra em Jerusalém. A multidão dos discípulos acompanha-o em festa, os mantos são estendidos diante d’Ele, fala-se dos prodígios que realizou, ergue-se um grito de louvor…respira-se um clima de alegria”.

Tanto os que precediam como os que iam atrás clamavam: “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! O Bendito o Rei? que vai começar, o reino de Davi, nosso pai! Hosana no mais alto dos céus!”

O Catecismo (§570) ensina: “A entrada de Jesus em Jerusalém manifesta a vinda do reino que o Rei-messias, acolhido em sua cidade pelas crianças e pelos humildes de coração, vai realizar por meio da páscoa de sua morte e ressurreição”.

“Uma vez, quando depois da miraculosa multiplicação dos pães, as testemunhas do acontecimento quiseram arrebatá-1’O para O fazerem rei ( Jo 6, 15), Jesus escondeu-se delas. Mas agora permite-lhes gritar: “Hosana ao Filho de David” e David foi de fato rei. Não há todavia, neste grito, associações de ideias com um poder temporal, com um reino terreno. Antes, vê-se que essa multidão está já madura para o acolhimento do Ungido, isto é, do Messias, d’Aquele “que vem em nome do Senhor”. (São João Paulo II)

Conclusão

“Caminha o Senhor livremente para Jerusalém. Acompanhemos o Senhor, que corre apressadamente para a sua Paixão e imitemos os que foram ao seu encontro. Não para estendermos à sua frente, no caminho, ramos de oliveira ou de palma, tapetes ou mantos, mas para nos prostrarmos a seus pés, com humildade e retidão de espírito, a fim de recebermos o Verbo de Deus que se aproxima, e acolhermos aquele Deus que lugar algum pode conter”. (Santo André de Creta)

Oração

Senhor Jesus, Redentor do mundo, queremos prostrar-nos diante da Tua realeza, pois o Teu reinado está acima de todos os governos da terra. Senhor, na Tua cruz está a nossa força e a nossa vitória!   Viva Cristo Rei! Todos proclamam a Tua glória, Senhor! Hosana! Hosana! Hosana!

Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo – São Marcos 15, 1-39

  1. Logo pela manhã se reuniram os sumos sacerdotes com os anciãos, os escribas e com todo o conselho. E tendo amarrado Jesus, levaram-no e entregaram-no a Pilatos.
  2. Este lhe perguntou: És tu o rei dos judeus? Ele lhe respondeu: Sim.
  3. Os sumos sacerdotes acusavam-no de muitas coisas.
  4. Pilatos perguntou-lhe outra vez: Nada respondes? Vê de quantos delitos te acusam!
  5. Mas Jesus nada mais respondeu, de modo que Pilatos ficou admirado.
  6. Ora, costumava ele soltar-lhes em cada festa qualquer dos presos que pedissem.
  7. Havia na prisão um, chamado Barrabás, que fora preso com seus cúmplices, o qual na sedição perpetrara um homicídio.
  8. O povo que tinha subido começou a pedir-lhe aquilo que sempre lhes costumava conceder.
  9. Pilatos respondeu-lhes: Quereis que vos solte o rei dos judeus?
  10. (Porque sabia que os sumos sacerdotes o haviam entregue por inveja.)
  11. Mas os pontífices instigaram o povo para que pedissem de preferência que lhes soltasse Barrabás.
  12. Pilatos falou-lhes outra vez: E que quereis que eu faça daquele a quem chamais o rei dos judeus?
  13. Eles tornaram a gritar: Crucifica-o!
  14. Pilatos replicou: Mas que mal fez ele? Eles clamavam mais ainda: Crucifica-o!
  15. Querendo Pilatos satisfazer o povo, soltou-lhes Barrabás e entregou Jesus, depois de açoitado, para que fosse crucificado.
  16. Os soldados conduziram-no ao interior do pátio, isto é, ao pretório, onde convocaram toda a coorte.
  17. Vestiram Jesus de púrpura, teceram uma coroa de espinhos e a colocaram na sua cabeça.
  18. E começaram a saudá-lo: Salve, rei dos judeus!
  19. Davam-lhe na cabeça com uma vara, cuspiam nele e punham-se de joelhos como para homenageá-lo.
  20. Depois de terem escarnecido dele, tiraram-lhe a púrpura, deram-lhe de novo as vestes e conduziram-no fora para o crucificar.
  21. Passava por ali certo homem de Cirene, chamado Simão, que vinha do campo, pai de Alexandre e de Rufo, e obrigaram-no a que lhe levasse a cruz.
  22. Conduziram Jesus ao lugar chamado Gólgota, que quer dizer lugar do crânio.
  23. Deram-lhe de beber vinho misturado com mirra, mas ele não o aceitou.
  24. Depois de o terem crucificado, repartiram as suas vestes, tirando a sorte sobre elas, para ver o que tocaria a cada um.
  25. Era a hora terceira quando o crucificaram.
  26. A inscrição que motivava a sua condenação dizia: O rei dos judeus.
  27. Crucificaram com ele dois bandidos: um à sua direita e outro à esquerda.
  28. [Cumpriu-se assim a passagem da Escritura que diz: Ele foi contado entre os malfeitores (Is 53,12).]
  29. Os que iam passando injuriavam-no e abanavam a cabeça, dizendo: Olá! Tu que destróis o templo e o reedificas em três dias,
  30. salva-te a ti mesmo! Desce da cruz!
  31. Desta maneira, escarneciam dele também os sumos sacerdotes e os escribas, dizendo uns para os outros: Salvou a outros e a si mesmo não pode salvar!
  32. Que o Cristo, rei de Israel, desça agora da cruz, para que vejamos e creiamos! Também os que haviam sido crucificados com ele o insultavam.
  33. Desde a hora sexta até a hora nona, houve trevas por toda a terra.
  34. E à hora nona Jesus bradou em alta voz: Elói, Elói, lammá sabactáni?, que quer dizer: Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?
  35. Ouvindo isto, alguns dos circunstantes diziam: Ele chama por Elias!
  36. Um deles correu e ensopou uma esponja em vinagre e, pondo-a na ponta de uma vara, deu-lho para beber, dizendo: Deixai, vejamos se Elias vem tirá-lo.
  37. Jesus deu um grande brado e expirou.
  38. O véu do templo rasgou-se então de alto a baixo em duas partes.
  39. O centurião que estava diante de Jesus, ao ver que ele tinha expirado assim, disse: Este homem era realmente o Filho de Deus.

És tu o rei dos judeus? Ele lhe respondeu: Sim

O Papa Emérito Bento XVI disse que “no cimo da cruz de Jesus – nas duas línguas do mundo de então, o grego e o latim, e na língua do povo eleito, o hebraico – está escrito quem é: O Rei dos judeus, o Filho prometido a David. Pilatos, o juiz injusto, tornou-se profeta sem querer. Perante a opinião pública mundial é proclamada a realeza de Jesus…”. (Abril de 2005)

“Jesus, Rei tão admirável, nobre Rei triunfador, sois doçura inefável, desejável ao amor. Rei dos anjos, Rei do mundo, Rei da máxima vitória, doador de toda graça, dos eleitos honra e glória. Celebrando o vosso nome, canta em coro todo o céu”. (Liturgia das Horas)

A condenação de Jesus no Pretório de Pilatos

O Monsenhor Ângelo Comastri disse: “Como é fácil condenar! Como é fácil atirar pedras: As pedras do juízo temerário e da calúnia, as pedras da indiferença e do abandono! Senhor,Tu escolheste estar da parte dos vencidos, da parte dos humilhados e dos condenados”.

O Catecismo (§598) ensina: “A Igreja, no magistério da sua fé e no testemunho dos seus santos, nunca esqueceu que «os pecadores é que foram os autores, e como que os instrumentos, de todos os sofrimentos que o divino redentor suportou». Partindo do princípio de que os nossos pecados atingem Cristo em pessoa , a Igreja não hesita em imputar aos cristãos a mais grave responsabilidade no suplício de Jesus…”

Davam-lhe na cabeça com uma vara, cuspiam nele e punham-se de joelhos como para homenageá-lo. Depois de terem escarnecido dele, tiraram-lhe a púrpura, deram-lhe de novo as vestes e conduziram-no fora para o crucificar.

“O rosto transfigurado no Tabor é desfigurado no Pretório: Rosto de quem, insultado, não responde de quem, flagelado, perdoa de quem, tornado escravo sem nome, liberta a quantos jazem na escravidão. Jesus avança decididamente pelo caminho da dor”. (Via-Sacra- Vaticano)

A Palavra diz: “Todos os que me vêem zombam de mim; dizem, meneando a cabeça: esperou no Senhor, pois que ele o livre, que o salve, se o ama”. (Sl 21, 8-96)

Depois de terem escarnecido dele, tiraram-lhe a púrpura, deram-lhe de novo as vestes e conduziram-no fora para o crucificar

“Ao sacrifício da Paixão na hora terça conduzido, Jesus levando a cruz às costas, arranca às trevas o perdido”. (Liturgia das Horas)

O Papa Francisco disse: “Olhem! Jesus, com a sua cruz, atravessa os nossos caminhos e carrega os nossos medos, os nossos problemas, os nossos sofrimentos, mesmo os mais profundos. Com a cruz, Jesus se une ao silêncio das vítimas da violência, que já não podem clamar, sobretudo os inocentes e indefesos; na cruz Jesus se une às famílias que passam por dificuldades, e as que choram a trágica perda de seus filhos…”. (Via-Sacra com os jovens em Copacabana)

Simão de Cirene

O Papa Emérito Bento XVI disse assim: “Acompanhando Jesus e compartilhando o peso da cruz, o Cireneu compreendeu que era uma graça poder caminhar juntamente com este crucificado e assisti-lo. O mistério de Jesus que sofre calado tocou-lhe o coração”. (2005)

Santa Teresa Benedita da Cruz disse assim: “Ajudar Cristo a carregar a cruz proporciona uma alegria forte e pura e aqueles que podem e a levam, os construtores do Reino, são os autênticos filhos de Deus”.

Depois de o terem crucificado, repartiram as suas vestes, tirando a sorte sobre elas, para ver o que tocaria a cada um. Era a hora terceira quando o crucificaram

“Do Rei avança o estandarte, fulge o mistério da Cruz, onde por nós foi suspenso o autor da vida, Jesus. Do lado morto de Cristo, ao golpe que lhe vibraram, para lavar meu pecado o sangue e água jorraram. Árvore esplêndida e bela, de rubra púrpura ornada, de os santos membros tocar digna, só tu foste achada”. (Liturgia das Horas)

Via-Sacra do Vaticano – 2002: “Jesus é crucificado. As Suas mãos e os Seus pés são trespassados por impiedosos cravos. Despojado das Suas vestes, cobre-se agora dos pecados do mundo. Deixa-se crucificar por amor, no amor o sofrimento humano ganha valor salvífico. Com esta certeza, gerações de homens e mulheres, novos e velhos, seguem o Crucificado nesta radical experiência de amor”.

Crucificaram com ele dois bandidos: um à sua direita e outro à esquerda. [Cumpriu-se assim a passagem da Escritura que diz: Ele foi contado entre os malfeitores (Is 53,12).

“E crucificaram-No! A punição dos infames, dos traidores, dos escravos rebeldes. Esta é a condenação reservada a Jesus, Senhor nosso: cravos ásperos, dores pungentes, a angústia da mãe, a vergonha de ser agregado a dois bandidos, as vestes divididas como despojo entre os soldados, as zombarias cruéis dos transeuntes: «Salvou os outros e não pode salvar-Se a Si mesmo (…), desça da cruz e acreditaremos n’Ele» (Mt 27, 42)”. (Via-Sacra do Coliseu – 2014)

Salva-te a ti mesmo! Desce da cruz! Desta maneira, escarneciam dele também os sumos sacerdotes e os escribas, dizendo uns para os outros: Salvou a outros e a si mesmo não pode salvar

“Depois da condenação, vem a humilhação. Aquilo que os soldados fazem com Jesus nos parece desumano. Aliás, é, sem dúvida, desumano: São atos de escárnio e desprezo nos quais se exprime uma crueldade obscura, insensível ao sofrimento, mesmo físico, que é infligido sem motivo a uma pessoa já condenada ao tremendo suplício da cruz”. (Serviço de Liturgia do Vaticano – 2007)

“Como poderá uma pessoa que ama a Jesus Cristo deixar de aceitar os desprezos, vendo seu Deus suportar escarros e tapas como sofreu na sua Paixão?” (Santo Afonso de Ligório)

Jesus deu um grande brado e expirou. O véu do templo rasgou-se então de alto abaixo em duas partes. O centurião que estava diante de Jesus, ao ver que ele tinha expirado assim, disse: Este homem era realmente o Filho de Deus.

“Jesus, irmão nosso, com a vossa morte reabristes-nos a estrada que a culpa de Adão fechara. Precedestes-nos no caminho que conduz da morte à vida (Hb 6, 20). Tomastes sobre vós o medo e os tormentos da morte, mudando radicalmente o seu sentido: invertestes o desespero que eles provocam, fazendo da morte um encontro de amor. Confortai aqueles que hoje estão para empreender o mesmo caminho que vós”. (Serviço de Liturgia do Vaticano – 2004)

“Não é possível pensar no Calvário, sem amar a Jesus Cristo, que lá quis morrer por nosso amor”. (Santo Afonso de Ligório)

O Papa Francisco disse que “a morte e a ressurreição de Jesus são exatamente o coração da nossa esperança. Sem esta fé na morte e na ressurreição de Jesus, a nossa esperança será frágil, mas não será sequer esperança, e precisamente a morte e a ressurreição de Jesus são o coração da nossa esperança”.

“Ó Cristo, concedei, autor da salvação, que os homens todos colham os frutos da paixão. Na cruz vencendo a morte, da vida sois Senhor; calcais o vil demônio, da morte causador”. (Liturgia das Horas)

Conclusão

“Deus quis ser conhecido pela imagem e sombra da sabedoria existente nas coisas criadas, mas quis que a verdadeira sabedoria, ela mesma, assumisse a carne, se fizesse homem e padecesse a morte da cruz, a fim de que nela firmados pela fé, todos os que creem pudessem ser salvos de então em diante”. (Santo Atanásio)

Oração  

Senhor Jesus, Redentor do mundo, nós Te pedimos que perdoe os nossos pecados e no dê sempre forças para vencer as tentações. Queremos ser purificados pelo Teu sangue derramado na Cruz. Queremos ser novas criaturas e fazer propósitos de não mais pecar. O nosso pecado levou-o à morte de Cruz, a mais dolorosa, a mais humilhante. Senhor, perdão!

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

23 de março de 2015 at 12:08 Deixe um comentário

«Também Eu não te condeno. Vai e de agora em diante não tornes a pecar.» – reflexão de Santo Agostinho


«Foram saindo um a um.» Ficaram apenas dois, a miserável e a Misericórdia. Mas o Senhor, depois de os ter atingido com o traço da justiça, não quis assistir à sua queda; desviou deles o olhar e, «inclinando-Se para o chão, pôs-Se a escrever com o dedo na terra».

Tendo a mulher ficado sozinha, depois de todos terem partido Ele ergueu os olhos para ela. Ouvimos a voz da justiça, ouçamos também a da bondade. […] A mulher esperava ser punida por Aquele em quem não se podia encontrar pecado. Mas Ele, que havia afastado os seus inimigos com a voz da justiça, erguendo para ela os olhos da misericórdia, interrogou-a: «Ninguém te condenou?» Ela respondeu: «Ninguém, Senhor.» Ele disse-lhe: «Também Eu não te condenarei. Temeste ser condenada por Mim porque não encontraste pecado em Mim; mas Eu também não te condenarei.»

Como, Senhor? Então Tu favoreces os pecados? Não, é justamente o contrário. Repara no que se segue: «Vai e de agora em diante não tornes a pecar.» O Senhor condenou, portanto, mas foi o pecado que Ele condenou, não o pecador. […] Tenham pois atenção os que amam a bondade do Senhor, e temam a sua verdade. […] O Senhor é bom, o Senhor é lento na ira, o Senhor é misericordioso, mas o Senhor também é justo e o Senhor é cheio de verdade (Sl 85,15). Ele concede-te tempo para que te corrijas, mas tu preferes gozar esse adiamento a reformar-te. Pois bem, se ontem foste mau, sê bom hoje; se passaste este dia no mal, ao menos amanhã muda a tua conduta.

É portanto este o sentido destas palavras que Ele dirige a esta mulher: «Também Eu não te condenarei, mas, estando assegurada para o passado, tem cautela no futuro. Também Eu não te condenarei, apaguei o mal que cometeste; tu, observa o que prescrevi para obteres o que prometi.»

23 de março de 2015 at 8:44 Deixe um comentário

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