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Terceiro Domingo do Tempo Comum – Eles imediatamente deixaram as redes e O seguiram – São Mateus 4, 12 – 23 – Dia 22 de janeiro de 2017

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12.Quando, pois, Jesus ouviu que João fora preso, retirou-se para a Galiléia.

13.Deixando a cidade de Nazaré, foi habitar em Cafarnaum, à margem do lago, nos confins de Zabulon e Neftali,

14.para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías:

15.A terra de Zabulon e de Neftali, região vizinha ao mar, a terra além do Jordão, a Galiléia dos gentios,

16.este povo, que jazia nas trevas, viu resplandecer uma grande luz; e surgiu uma aurora para os que jaziam na região sombria da morte (Is 9,1).

17.Desde então, Jesus começou a pregar: Fazei penitência, pois o Reino dos céus está próximo.

18.Caminhando ao longo do mar da Galiléia, viu dois irmãos: Simão (chamado Pedro) e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores.

19.E disse-lhes: Vinde após mim e vos farei pescadores de homens.

20.Na mesma hora abandonaram suas redes e o seguiram.

21.Passando adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam com seu pai Zebedeu consertando as redes. Chamou-os,

22.e eles abandonaram a barca e seu pai e o seguiram.

23.Jesus percorria toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino, curando todas as doenças e enfermidades entre o povo.

Quando, pois, Jesus ouviu que João fora preso, retirou-se para a Galileia

“Reunimo-nos em nome de Jesus, luz que ilumina os caminhos da nossa comunidade, a convivência, a missão e o trabalho nossos de cada dia. Esta celebração renove em nós o chamado do Senhor para segui-lo, a fim de nos tornarmos discípulos mais fiéis no anúncio e propagação do Reino de Deus”. (Liturgia Diária)

“Segundo S. Mateus, Jesus começa a pregação do Reino de Deus na Galileia dos gentios porque tem em mente a missão universal da salvação. A palavra que dirige aos judeus e aos pagãos é a mesma: «Convertei-vos, porque está próximo o Reino do Céu» (v. 17). Depois, Jesus percorre as sinagogas, prega «o Evangelho do Reino» e realiza milagres «curando entre o povo todas as doenças e enfermidades» (v. 23). (Site dos Dehonianos)

Este povo, que jazia nas trevas, viu resplandecer uma grande luz

D. Orani João Tempesta disse assim: “Precisamos mostrar ao mundo que “este povo, que jazia nas trevas, viu resplandecer uma grande luz; e surgiu uma aurora para os que jaziam na região sombria da morte” (Mt 4, 16). Urge mostrar a alegria que é conhecer e se relacionar com o Filho de Deus, que nos tira das trevas e da região sombria da morte para que todos tenham luz e vida plena”.

O Padre. Heitor de Menezes explicou: “Esta Luz, nascida em Belém, reconhecida pelos magos, brilha nas trevas da morte, da doença, dos tormentos, da opressão. É a manifestação de Deus presente na história da humanidade que liberta, cura e ilumina a vida de todos. Sejamos comprometidos com a vida dos nossos irmãos, sendo luz para o nosso próximo”.

Desde então, Jesus começou a pregar: Fazei penitência, pois o Reino dos céus está próximo

“Quando Cristo inicia a sua pregação na Terra, não oferece um programa político, mas diz: fazei penitência, porque está perto o reino dos Céus. Encarrega os seus discípulos de anunciar esta boa nova e ensina a pedir, na oração, a chegada do reino, isto é o reino dos Céus e a sua justiça, uma vida santa, aquilo que temos de procurar em primeiro lugar, a única coisa verdadeiramente necessária”. (São Josemaria Escrivá)

“O próprio Jesus não inicia o seu ministério com a imediata revelação das sublimes verdades da fé, e sim com o convite a purificar a mente e o coração de tudo o que pudesse impedir o frutuoso acolhimento da boa-nova: “A partir desse momento começou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus” (Mt 4, 17). (Beato João XXIII)

 

Vinde após mim e vos farei pescadores de homens.

O Papa Francisco disse que “quando o Senhor «vê Pedro e André a trabalhar, eram pescadores, diz-lhe: “Vinde após mim”». Portanto, devemos «seguir Jesus, o que Ele nos ensinou, o que nós encontramos todos os dias quando lemos este trecho do Evangelho». E perguntar: «Senhor, o que queres que eu faça? Mostra-me o caminho». (09/01/17)

“Que pescaria admirável a do Salvador! Admirai a fé e a obediência dos discípulos. Como sabeis, a pesca exige uma atenção ininterrupta. Ora, no meio da sua labuta, eles ouvem o chamamento de Jesus e não hesitam um instante, dizendo por exemplo: «Deixa-nos ir a casa falar com a nossa família.» Não, deixam tudo e seguem-No, como Eliseu fez com Elias (1Rs 19,20). Esta é a obediência que Cristo nos pede: sem a menor hesitação, mesmo que necessidades aparentemente mais urgentes nos pressionem”. (São João Crisóstomo)

 

Conclusão:

Com as palavras do Padre Heitor de Menezes: “Desde o início de seu ministério, Jesus quis ter consigo companheiros de missão. Para isso, contou com a colaboração dos discípulos, para que, preparando-os, pudessem continuar sua missão. A convocatória de Jesus revela a prontidão do seguimento e a disposição de lutar contra as forças do mal. O Mestre convoca os primeiros para segui-lo a partir da realidade de cada um: homens, simples, trabalhadores da pesca, sem nada que lhes pudesse dar algum destaque. Os grupos foi confortado com o chamado: “Segue-me”. É, pois, hora de ouvira voz de Jesus que nos chama hoje para segui-lo, sem medo das tribulações que virão. Estamos preparados para isso?” (Rede Século 21)

Oração:

“Senhor Jesus Cristo nos chamais à missão. Concedei-nos a graça de poder deixar de lado as redes que nos amarram, nos prendem, e nos lançarmos ao Vosso serviço, sem esperarmos qualquer retribuição, pois Vós já sois o nosso prêmio. Amém”. (Site do Padre Reginaldo Manzotti)

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

 

 

16 de janeiro de 2017 at 5:12 Deixe um comentário

Sobre o Espírito Santo – do Livro de São Basílio, bispo

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O Senhor, que nos dá a vida, estabeleceu connosco a aliança do Baptismo, símbolo da morte e da vida, onde a água é a imagem da morte e o Espírito nos dá o penhor da vida. Assim se torna para nós evidente o que antes se perguntava: Porque está a água unida ao Espírito? É dupla, com efeito, a finalidade do Baptismo: abolir o corpo do pecado, para que nunca mais produza frutos de morte, e vivificá-lo pelo Espírito, para que dê frutos de santidade.

A água é a imagem da morte, ao receber o corpo como num sepulcro; e o Espírito Santo, por sua vez, comunica a força vivificante que renova as nossas almas, libertando-as da morte do pecado e restituindo-lhes a vida. Nisto consiste o renascer da água e do Espírito: na água realiza-se a nossa morte, mas o Espírito opera em nós a vida.

O grande mistério do Baptismo realiza-se em três imersões e três invocações, para que não só fique bem expressa a imagem da morte, mas também seja iluminada a alma dos baptizados com o dom da ciência divina. Por isso, se a água tem o dom da graça, não é por sua própria natureza mas pela presença do Espírito. O Baptismo, com efeito, não é uma purificação da imundície corporal, mas o compromisso de uma consciência pura perante Deus.

Assim o Senhor, a fim de nos preparar para a vida da ressurreição, propõe-nos todo o programa da vida evangélica… Pelo Espírito Santo se nos concede de novo a entrada no Paraíso, a ascensão ao reino dos Céus, o retorno à adopção de filhos.

12 de janeiro de 2017 at 5:23 Deixe um comentário

«Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo» – comentário de São Cirilo de Alexandria

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«Cantai, ó céus, a obra do Senhor! Exultai de alegria, ó profundezas da terra! Saltai de júbilo, vós, montanhas, e tu, bosque, com todas as tuas árvores, porque o Senhor resgatou Jacob, manifestou a Sua glória em Israel» (Is 44, 23). Pode-se facilmente concluir desta passagem de Isaías que a remissão dos pecados, a conversão e redenção dos homens, anunciada pelos profetas, se cumpre em Cristo nos últimos dias. Com efeito, quando Deus, o Senhor, nos apareceu, quando Se fez homem, vivendo com os habitantes da terra, Ele, o verdadeiro Cordeiro que tira o pecado do mundo, Ele, a vítima totalmente pura, que grande motivo de júbilo para as forças do alto e os espíritos celestiais, para todas as ordens dos santos anjos! Eles cantavam, eles cantavam o Seu nascimento segundo a carne: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens do Seu agrado» (Lc 2, 14).

Se é verdade, conforme a palavra do Senhor – e é absolutamente verdade –, que «haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se converte» (Lc 15, 7), como duvidar de que haja alegria e júbilo nos espíritos do alto, quando Cristo traz à terra inteira o conhecimento da verdade, chama à conversão, justifica pela fé, torna brilhante de luz pela santificação? «Os céus rejubilam porque Deus teve misericórdia», não apenas para com Israel segundo a carne, mas para com Israel compreendido segundo o espírito. «Os fundamentos da terra», ou seja, os ministros sagrados da pregação do Evangelho, «tocaram a trombeta». A sua voz retumbante chegou a toda a parte; como as trombetas sagradas, ela ressoou em todas as partes. Eles anunciaram a glória do Salvador por todos os lugares, chamaram ao conhecimento de Cristo tanto os judeus como os pagãos.

Fonte: Evangelho Quotidiano

11 de janeiro de 2017 at 5:23 Deixe um comentário

«Tu és o Meu Filho muito amado; em Ti pus todo o Meu agrado» – homilia do Papa Emérito Bento XVI (10/01/2010)

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Junto do Jordão, Jesus manifesta-Se com uma extraordinária humildade, que recorda a pobreza e a simplicidade do Menino colocado na manjedoura e antecipa os sentimentos pelos quais, no final dos Seus dias terrenos, chegará a lavar os pés dos discípulos e sofrerá a humilhação terrível da cruz. O Filho de Deus, Aquele que é sem pecado, coloca-Se entre os pecadores, mostra a proximidade de Deus em relação ao caminho de conversão do homem. Jesus carrega sobre os Seus ombros o peso da culpa da humanidade inteira, inicia a Sua missão pondo-Se no nosso lugar, no lugar dos pecadores, na perspectiva da cruz.

Quando, recolhido em oração depois do baptismo, sai da água, abrem-se os céus. É o momento esperado pela multidão dos profetas: «Se rasgásseis os céus e descêsseis!», tinha invocado Isaías (64, 1). Neste momento, parecia sugerir São Lucas, esse pedido é satisfeito. De facto, «o céu abriu-se e o Espírito Santo desceu»; ouviram-se palavras nunca anteriormente pronunciadas: «Tu és o Meu Filho muito amado; em Ti pus todo o Meu agrado». […] O Pai, o Filho e o Espírito Santo descem entre os homens e revelam-nos o Seu amor que salva. Se foram os anjos que levaram aos pastores o anúncio do nascimento do Salvador e a estrela que o levou aos Magos vindos do Oriente, presentemente é a própria voz do Pai que indica aos homens a presença do Seu Filho no mundo, e que nos convida a voltarmo-nos para a ressurreição, para a vitória de Cristo sobre o pecado e sobre a morte.

9 de janeiro de 2017 at 5:17 Deixe um comentário

Segundo Domingo do Tempo Comum -Este é quem batiza com o Espírito Santo -São João 1, 29-34 – Dia 15 de janeiro de 2017

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29.No dia seguinte, João viu Jesus que vinha a ele e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

30.É este de quem eu disse: Depois de mim virá um homem, que me é superior, porque existe antes de mim.

31.Eu não o conhecia, mas, se vim batizar em água, é para que ele se torne conhecido em Israel.

32.(João havia declarado: Vi o Espírito descer do céu em forma de uma pomba e repousar sobre ele.)

33.Eu não o conhecia, mas aquele que me mandou batizar em água disse-me: Sobre quem vires descer e repousar o Espírito, este é quem batiza no Espírito Santo.

34.Eu o vi e dou testemunho de que ele é o Filho de Deus.

O Padre Eduardo Dougherty disse assim: “Nesse texto do Evangelho de hoje, encontramos dois pontos fundamentais de nossa fé: o testemunho de João Batista a respeito de Jesus e de sua missão e o Dom do Espírito Santo. Além disso, Jesus é apresentado como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, sendo que o Espírito permanece nele e ele é o eleito de Deus”.

Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

“É João Batista que aponta Jesus, dizendo: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Dele é que eu disse: Depois de mim, vem um homem que passou adiante de mim, porque existia antes de mim” (João 1,29ss.). De si mesmo deu este testemunho: “Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai os caminhos do Senhor …” (João 1,22ss.)”. (Evangelho Quotidiano)

Dom Eurico dos Santos Veloso explicou: “Quando Jesus se apresentou a João, no rio Jordão para ser batizado, ele, indicando Jesus às multidões, dizia: “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo!” Para os cristãos, João Batista representa aquele que conclui o Antigo Testamento e que abre o Novo, apresentando a todos a figura de Cristo Redentor”.

(João havia declarado): Vi o Espírito descer do céu em forma de uma pomba e repousar sobre ele.

O Catecismo (§720) ensina: “Finalmente, com João Batista, o Espírito Santo inaugura, em prefiguração, aquilo que vai realizar com e em Cristo: restituir ao homem «a semelhança» divina. O batismo de João era para o arrependimento: o Batismo na água e no Espírito será um novo nascimento”.

“Viu-se então uma pomba descer do céu, indicando tanto a João como ao povo hebreu que Jesus era o Filho de Deus; de resto, também a nós nos indica que no momento do nosso batismo o Espírito Santo desce à nossa alma. E se não desce numa forma visível, é porque já não precisamos que isso aconteça, uma vez que é suficiente a nossa fé”. (São João Crisóstomo)

Sobre quem vires descer e repousar o Espírito, este é quem batiza no Espírito Santo. Eu o vi e dou testemunho de que ele é o Filho de Deus.

“Como testemunha João Batista, (O Espírito Santo) desce para ficar sobre Ele (Jesus) sem cessar: «Vi o Espírito que descia do céu como uma pomba e permanecia sobre Ele. E eu não o conhecia, mas Quem me enviou a baptizar com água é que me disse: ‘Aquele sobre quem vires descer o Espírito e poisar sobre Ele, é o que baptiza com o Espírito Santo’». Este Espírito chama-se «Espírito de sabedoria e entendimento, Espírito de conselho e de fortaleza, Espírito de ciência e de temor do Senhor» (Is 11,2). Ele é a única e mesma fonte de todos os dons”. (São Jerônimo)

O Papa Francisco disse que “o Espírito Santo é quem move a Igreja; é quem trabalha na Igreja, nos nossos corações; que faz de cada cristão uma pessoa diversa das outras, mas de todos faz unidade». Por conseguinte, o Espírito Santo é quem leva em frente, abre as portas de par em par e envia a dar testemunho de Jesus”.

Conclusão: 

Com as palavras do Frei Raniero Cantalamessa: “Enfim, “deixar-se guiar pelo Espírito Santo” deve ser uma decisão renovada de confiarmos na orientação interior do Espírito Santo, como por uma espécie de “direção espiritual”. O próprio Jesus nunca fez nada sem o Espírito Santo: ao retornar do deserto, mediante o poder do Espírito Santo, começou a sua pregação, escolheu os seus apóstolos e se ofereceu ao Pai”.

Oração:

Prefácio: “Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos graças, sempre e em todo lugar, Senhor, Pai santo, Deus eterno e todo-poderoso, por Cristo, Senhor nosso. Hoje, nas águas do rio Jordão, revelais o novo batismo com sinais admiráveis. Pela voz descida do céu, ensinais que vosso Verbo habita entre os seres humanos. e, pelo Espírito Santo, aparecendo em forma de pomba, fazeis saber que o vosso servo, Jesus Cristo, foi ungido com o óleo da alegria e enviado para evangelizar os pobres. Por essa razão, hoje e sempre, nós nos unimos aos anjos e a todos os santos, cantando (dizendo) a uma só voz…”

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

9 de janeiro de 2017 at 5:01 Deixe um comentário

Íntegra: reflexão do Papa na Solenidade da Epifania do Senhor

2017-01-06 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa presidiu na manhã da sexta-feira (06/01) a Solenidade da Epifania do Senhor, na Basílica de São Pedro.

Em sua reflexão, Francisco falou de uma “nostalgia” que impeliu os reis magos a colocarem-se a caminho e seguir a estrela de Belém.

“Lá, em Belém, havia uma promessa de novidade, uma promessa de gratuidade. Lá estava a acontecer algo de novo”, refletiu o Pontífice.

Abaixo, a íntegra da reflexão do Papa.

***

“Onde está o Rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-Lo”. (Mt 2, 2).

Com estas palavras, os Magos, que vieram de terras distantes, explicam o motivo da sua longa caminhada: adorar o Rei recém-nascido. Ver e adorar são duas ações que sobressaem na narração evangélica: vimos uma estrela e queremos adorar.

Estes homens viram uma estrela, que os pôs em movimento. A descoberta de algo fora do comum, que aconteceu no céu, desencadeou uma série inumerável de acontecimentos. Não era uma estrela que brilhou exclusivamente para eles, nem possuíam um DNA especial para a descobrir.

Como justamente reconheceu um Pai da Igreja, os Magos não se puseram a caminho porque tinham visto a estrela, mas viram a estrela porque se tinham posto a caminho (cf. João Crisóstomo). Mantinham o coração fixo no horizonte, podendo assim ver aquilo que lhes mostrava o céu, porque havia neles um desejo que a tal os impelia: estavam abertos a uma novidade.

Os Magos nos dão, assim, o retrato da pessoa que acredita, da pessoa que tem nostalgia de Deus; o retrato de quem sente a falta da sua casa: a pátria celeste. Refletem a imagem de todos os seres humanos que não deixaram, na sua vida, anestesiar o próprio coração.

Esta nostalgia santa de Deus brota no coração que acredita, porque sabe que o Evangelho não é um acontecimento do passado, mas do presente. A nostalgia santa de Deus permite-nos manter os olhos abertos contra todas as tentativas de restringir e empobrecer a vida. A nostalgia santa de Deus é a memória fiel que se rebela contra tantos profetas de desgraça. É esta nostalgia que mantém viva a esperança da comunidade fiel que implora, semana após semana, com estas palavras: «Vinde, Senhor Jesus!»

Era precisamente esta nostalgia que impelia o velho Simeão a ir ao Templo todos os dias, tendo a certeza de que a sua vida não acabaria sem ter nos braços o Salvador. Foi esta nostalgia que impeliu o filho pródigo a sair de uma conduta autodestrutiva e procurar os braços de seu pai. Era esta nostalgia que sentia no seu coração o pastor, quando deixou as noventa e nove ovelhas para ir à procura da que se extraviara.

E foi também o que sentiu Maria Madalena na madrugada do Domingo de Páscoa, fazendo-a correr até ao sepulcro e encontrar o seu Mestre ressuscitado. A nostalgia de Deus tira-nos para fora dos nossos recintos deterministas, que nos induzem a pensar que nada pode mudar. A nostalgia de Deus é a disposição que rompe com inertes conformismos, impelindo a empenhar-nos na mudança que anelamos e precisamos.

A nostalgia de Deus tem as suas raízes no passado, mas não se detém lá: vai à procura do futuro. Impelido pela sua fé, o fiel «nostálgico» vai à procura de Deus, como os Magos, nos lugares mais recônditos da história, pois está seguro, em seu coração, de que lá o espera o seu Senhor. Vai à periferia, à fronteira, aos lugares não evangelizados, para poder encontrar-se com o seu Senhor; e não o faz, seguramente, com uma atitude de superioridade, mas como um mendigo que se dirige a alguém aos olhos de quem a Boa Nova é um terreno ainda a explorar.

Entretanto no palácio de Herodes que distava poucos quilômetros de Belém, animados de procedimento oposto, não se tinham apercebido do que estava a acontecer. Enquanto os Magos caminhavam, Jerusalém dormia; dormia em conluio com Herodes que, em vez de andar à procura, dormia também. Dormia sob a anestesia de uma consciência cauterizada.

E ficou perturbado; teve medo. É aquela perturbação que leva a pessoa, à vista da novidade que revoluciona a história, a fechar-se em si mesma, nos seus resultados, nos seus conhecimentos, nos seus sucessos. A perturbação de quem repousa na sua riqueza, incapaz de ver mais além. É a perturbação que nasce no coração de quem quer controlar tudo e todos; uma perturbação própria de quem vive imerso na cultura que impõe vencer a todo o custo, na cultura onde só há espaço para os “vencedores” e a qualquer preço.

Uma perturbação que nasce do medo e do temor face àquilo que nos interpela, pondo em risco as nossas seguranças e verdades, o nosso modo de nos apegarmos ao mundo e à vida. E Herodes teve medo, e aquele medo levou-o a procurar segurança no crime: «Necas parvulos corpore, quia te necat timor in corde – matas o corpo das crianças, porque o temor te matou o coração» (São Quodvultdeus, Sermo 2 de Symbolo: PL 40, 655).

Queremos adorar. Aqueles homens vieram do Oriente para adorar, decididos a fazê-lo no lugar próprio de um rei: no Palácio. Aqui chegaram eles com a sua busca; era o lugar idôneo, porque é próprio de um rei nascer em um palácio, ter a sua corte e os seus súditos. É sinal de poder, de êxito, de vida bem-sucedida.

E pode-se esperar que o rei seja reverenciado, temido e lisonjeado; mas não necessariamente amado. Estes são os esquemas mundanos, os pequenos ídolos a quem prestamos culto: o culto do poder, da aparência e da superioridade. Ídolos que prometem apenas tristeza e escravidão.

E foi lá precisamente onde começou o caminho mais longo que tiveram de fazer aqueles homens vindos de longe. Lá teve início a ousadia mais difícil e complicada: descobrir que não se encontrava no Palácio aquilo que procuravam, mas estava em outro lugar: e não só geográfico, mas também existencial.

Lá não veem a estrela que os levava a descobrir um Deus que quer ser amado, e isto só é possível sob o signo da liberdade e não da tirania; descobrir que o olhar deste Rei desconhecido – mas desejado – não humilha, não escraviza, não aprisiona.

Descobrir que o olhar de Deus levanta, perdoa, cura. Descobrir que Deus quis nascer onde não o esperávamos, onde talvez não o quiséssemos; ou onde muitas vezes o negamos. Descobrir que, no olhar de Deus, há lugar para os feridos, os cansados, os maltratados e os abandonados: que a sua força e o seu poder se chamam misericórdia.

Como é distante, para alguns, Jerusalém de Belém!

Herodes não pode adorar, porque não quis nem pôde mudar o seu olhar. Não quis deixar de prestar culto a si mesmo, pensando que tudo começava e terminava nele. Não pôde adorar, porque o seu objetivo era que o adorassem a ele. Nem sequer os sacerdotes puderam adorar, porque sabiam muito, conheciam as profecias, mas não estavam dispostos a caminhar nem a mudar.

Os Magos sentiram nostalgia, não queriam mais as coisas usuais. Estavam habituados, dominados e cansados dos Herodes do seu tempo. Mas lá, em Belém, havia uma promessa de novidade, uma promessa de gratuidade. Lá estava a acontecer algo de novo.

Os Magos puderam adorar, porque tiveram a coragem de caminhar e, prostrando-se diante do pequenino, prostrando-se diante do pobre, prostrando-se diante do inerme, prostrando-se diante do insólito e desconhecido Menino de Belém, descobriram a Glória de Deus.

8 de janeiro de 2017 at 5:47 Deixe um comentário

Como vencer o desanimo? – Pe. Chrystian Shankar

7 de janeiro de 2017 at 5:47 Deixe um comentário

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