Posts filed under ‘Reflexão da Palavra’

Reflexão dominical: “O olhar da fé”

2015-08-01 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – Quando, no deserto, o povo judeu começou a sentir fome e sede, pôs-se a lamentar-se, lembrando o passado recente, no Egito, quando, apesar da escravidão, estava sempre bem alimentado com muito pão e muita panela cheia de carne.

Deus os ouviu e como Pai providente, saciou-os com maná e codornas. Afinal fora Ele quem providenciara a libertação do senhorio egípcio, do mesmo modo que havia, séculos atrás, providenciado a ida e a ascensão de José, filho de Jacó, ao posto de vice-rei daquela terra dos faraós.

Agora, ao ouvir este novo clamor de seu querido povo, o Senhor fez coincidir as migrações daqueles pássaros com a fome dos judeus, como também fez coincidir o gotejamento de um arbusto típico do deserto sinaítico com a passagem do mesmo povo. Portanto, as aves e os pingos açucarados, ou seja, o maná, atividade normal da natureza naquele período, foram vistos e acolhidos pelos judeus como milagre.

Deus não respondeu ao povo com recriminações e castigos, mas ao contrário, dando alimento em abundância.

Por outro lado, Deus, como pedagogo, trabalhou o ponto frágil do povo que era a confiança em Sua Providência. Os israelitas deviam, a cada dia, esperar o alimento das mãos de Deus. As aves deveriam ser abatidas; não era possível criá-las e o maná, por sua vez, não podia ser armazenado, pois se estragava. A cada dia dispunham de alimento físico e também espiritual, isto é alimentar-se de fé na Providência.

No Evangelho, Jesus proporcionou ao povo alimento em abundância. Apenas viu frustrado seu objetivo, quando alimentou o povo com peixes e pão. O Senhor desejava, com esse sinal, mostrar o valor da partilha de todos os bens, isto é, alimentá-los com o dom de serem generosos, de partilharem seus bens, mas o povo queria apenas o alimento perecível.

Jesus, então, alertou o povo dizendo: “Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará.” O Senhor sabe que os alimentos comuns – comida, viagens, estudos – nada nos satisfaz, mas apenas Sua Palavra, que é Palavra de Vida. “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim, não terá mais fome; e quem crê em mim nunca mais terá sede.”

A segunda leitura se refere à nossa inconstância, apesar do compromisso radical feito no Batismo. Deveremos diariamente, possibilitar o crescimento do homem novo, renovando nossa fé em Jesus, buscando o alimento que não perece, confiando sempre em sua Providência.

Se algo nos falta ou aos nossos irmãos, saibamos que de há muito Deus providenciou, mas alguém o subtraiu, não partilhando. A carência material de alguns denuncia a pobreza espiritual de outros. (Padre César Augusto dos Santos)

1 de agosto de 2015 at 10:59 Deixe um comentário

«Eu sou o pão da vida» – Reflexão de Balduíno de Ford, abade e bispo

Cristo diz  «Quem vem a Mim não mais terá fome e quem crê em Mim jamais terá sede» […]. E o salmista diz: «O pão, que lhe robustece as forças», e «o vinho, que alegra o coração do homem» (103, 15). Para os que crêem n’Ele, Cristo é alimento e bebida, pão e vinho. Pão que fortifica e robustece […], bebida e vinho que alegra […]. Tudo o que em nós é forte e sólido, jubiloso e alegre para cumprirmos os mandamentos de Deus, suportarmos o sofrimento, executarmos a obediência e defendermos a justiça, tudo isso é força deste pão e alegria deste vinho. Felizes os que agem com força e com alegria! E, dado que ninguém o pode fazer sozinho, felizes aqueles que avidamente desejam praticar o que é justo e honesto, e pôr em todas as coisas a força e a alegria dadas por Aquele que disse: «Felizes os que têm fome e sede de justiça» (Mt 5, 6). Se Cristo é o pão e a bebida que asseguram agora a força e a alegria dos justos, não o será Ele muito mais no céu, quando aos justos Se der por completo?

Notemo-lo, nas palavras de Cristo […], este alimento que fica para a vida eterna é chamado «pão do céu», verdadeiro pão, pão de Deus, pão da vida. […] Pão de Deus para o distinguir do pão que é feito e preparado pelo padeiro […]; pão da vida, para o distinguir desse pão perecível que não é a vida nem a dá, apenas a conserva, com dificuldade e por algum tempo apenas. Este, pelo contrário, é a vida, dá a vida, conserva uma vida que nada deve à morte.

Fonte: Evangelho Quotidiano

1 de agosto de 2015 at 7:41 Deixe um comentário

Eucaristia – Reflexão de Santo Tomás de Aquino

Ó precioso e admirável banquete!

O unigênito Filho de Deus, querendo fazer-nos participantes da sua divindade, assumiu nossa natureza, para que, feito homem, dos homens fizesse deuses.

Assim, tudo quanto assumiu da nossa natureza humana, empregou-o para nossa salvação. Seu corpo, por exemplo, ele o ofereceu a Deus Pai como sacrifício no altar da cruz, para nossa reconciliação; seu sangue, ele o derramou ao mesmo tempo como preço do nosso resgate e purificação de todos os nossos pecados.

Mas, a fim de que permanecesse para sempre entre nós o memorial de tão imenso benefício, ele deixou aos fiéis, sob as aparências do pão e do vinho, o seu corpo como alimento e o seu sangue como bebida. Ó precioso e admirável banquete, fonte de salvação e repleto de toda suavidade! Que há de mais precioso que este banquete? Nele, já não é mais a carne de novilhos e cabritos que nos é dada a comer, como na antiga Lei, mas é o próprio Cristo, verdadeiro Deus, que se nos dá em alimento. Poderia haver algo de mais admirável que este sacramento?

De fato, nenhum outro sacramento é mais salutar do que este; nele os pecados são destruídos, crescem as virtudes e a alma é plenamente saciada de todos os dons espirituais.

É oferecido na Igreja pelos vivos e pelos mortos, para que aproveite a todos o que foi instituído para a salvação de todos.

Ninguém seria capaz de expressar a suavidade deste sacramento; nele se pode saborear a doçura espiritual em sua própria fonte; e torna-se presente a memória daquele imenso e inefável amor que Cristo demonstrou para conosco em sua Paixão.

Enfim, para que a imensidade deste amor ficasse mais profundamente gravada nos corações dos fiéis, Cristo instituiu este sacramento durante a última Ceia, quando, ao celebrar a Páscoa com seus discípulos, estava prestes a passar deste mundo para o Pai. A Eucaristia é o memorial perene da sua Paixão, o cumprimento perfeito das figuras da Antiga Aliança e o maior de todos os milagres que Cristo realizou. É ainda singular conforto que ele deixou para os que se entristecem com sua ausência.

31 de julho de 2015 at 7:48 Deixe um comentário

Santa Marta, rogai por nós!

Disse-Lhe Marta: «Acredito, Senhor.»

Cristo veio ressuscitar Lázaro, mas o impacto desse milagre tornou-se a causa imediata da sua prisão e crucifixão (cf Jo 11,46ss). […] Ele bem sentia que Lázaro voltava à vida pelo preço do seu próprio sacrifício; sentia-Se descer ao túmulo de onde tinha de tirar o amigo; sentia que Lázaro tinha de viver e que Ele próprio tinha de morrer. As aparências inverter-se-iam: haveria um festim em casa de Marta (cf Jo 12,1ss), mas a última Páscoa de tristeza caber-Lhe-ia a Ele. E Jesus conhecia e aceitava totalmente essa inversão: Ele tinha vindo do seio de seu Pai para resgatar com o seu sangue todos os pecados dos homens e assim fazer sair do túmulo todos os crentes, como fez com seu amigo Lázaro ─ fazê-los voltar à vida, não durante algum tempo, mas para sempre. […]

Face à amplitude do que pretendia fazer nesse acto de misericórdia único, Jesus disse a Marta: «Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; 
e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá.» Façamos nossas estas palavras de consolo, quer perante à nossa própria morte, quer perante a morte dos nossos amigos: onde houver fé em Cristo, aí estará Ele em pessoa. «Acreditas nisto?», perguntou Ele a Marta. Quando um coração pode responder como Marta: «Acredito, Senhor», Cristo torna-Se misericordiosamente presente nele. Ainda que invisível, Ele está lá, junto de um leito de morte ou de um túmulo, sejamos nós que agonizamos ou sejam os nossos entes queridos. Que o seu nome seja bendito! Nada nos pode tirar essa consolação. Pela sua graça, temos tanta certeza de que Ele está lá com todo o seu amor como se O víssemos. Depois da nossa experiência do que aconteceu a Lázaro, não duvidaremos um instante sequer de que Ele está cheio de atenções para connosco e de que está ao nosso lado.

Reflexão do Beato John Henry Newman – Fonte: Evangelho Quotidiano

29 de julho de 2015 at 9:07 Deixe um comentário

Reflexão de Santa Catarina de Sena

Nos vínculos da caridade

 Meu dulcíssimo Senhor, volta complacente teus misericordiosos olhos para este povo e para o

Corpo místico de tua Igreja; porque maior glória advirá a teu santo nome por perdoar a tamanha

multidão de tuas criaturas do que só a mim, miserável, que tanto ofendo a tua majestade. Como

poderei eu consolar-me, vendo-me possuir a vida, se teu povo está na morte? E vendo em tua

diletíssima Esposa as trevas dos pecados brotadas de minhas faltas e das outras criaturas tuas?

Quero, pois, e para cada um peço aquela inestimável caridade que te levou a criar o ser humano

à tua imagem e semelhança. Que coisa ou pessoa foi o motivo de colocares o ser humano em

tão grande dignidade? Sem dúvida, só inapreciável amor que te fez olhar em ti mesmo tua

criatura de quem te enamoraste. Mas reconheço abertamente que pela culpa do pecado com

justiça perdeu a dignidade que lhe deras.

Tu, porém, movido pelo mesmo amor, desejando por graça reconciliar contigo o gênero

humano, nos deste a palavra de teu Filho unigênito. Verdadeiro reconciliador e mediador entre

ti e nós e também nossa justiça, que castigou e carregou em si todas as nossas injustiças e

iniqüidades, em obediência ao que tu,Pai eterno, lhe ordenaste, ao determinar-lhe assumir

nossa humanidade. Ó abismo de indizível caridade! Que coração há tão duro que continue

impassível sem se partir por ver a máxima sublimidade descer à máxima baixeza e abjeção, que

é a nossa humanidade?

Nós somos tua imagem e tu, nossa imagem, pela união que realizaste com o ser humano,

velando a eterna Divindade com a mísera nuvem e infecta matéria da carne de Adão. Donde

vem tudo isto? Unicamente teu inefável amor está em causa. É, pois, por este inestimável amor

que humildemente imploro tua majestade, com todas as forças de minha alma, que concedas

gratuitamente às tuas miseráveis criaturas tua misericórdia.

Fonte: Liturgia das Horas

28 de julho de 2015 at 8:15 Deixe um comentário

Décimo Oitavo Domingo do Tempo Comum – É meu Pai que vos dará o verdadeiro Pão do Céu – São João 6, 24-35 – Dia 02 de Agosto de 2015

  1. E, reparando a multidão que nem Jesus nem os seus discípulos estavam ali, entrou nas barcas e foi até Cafarnaum à sua procura.
  2. Encontrando-o na outra margem do lago, perguntaram-lhe: Mestre, quando chegaste aqui?
  3. Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: buscais-me, não porque vistes os milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes fartos.
  4. Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que dura até a vida eterna, que o Filho do Homem vos dará. Pois nele Deus Pai imprimiu o seu sinal.
  5. Perguntaram-lhe: Que faremos para praticar as obras de Deus?
  6. Respondeu-lhes Jesus: A obra de Deus é esta: que creiais naquele que ele enviou.
  7. Perguntaram eles: Que milagre fazes tu, para que o vejamos e creiamos em ti? Qual é a tua obra?
  8. Nossos pais comeram o maná no deserto, segundo o que está escrito: Deu-lhes de comer o pão vindo do céu (Sl 77,24).
  9. Jesus respondeu-lhes: Em verdade, em verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu, mas o meu Pai é quem vos dá o verdadeiro pão do céu;
  10. porque o pão de Deus é o pão que desce do céu e dá vida ao mundo.
  11. Disseram-lhe: Senhor, dá-nos sempre deste pão!
  12. Jesus replicou: Eu sou o pão da vida: aquele que vem a mim não terá fome, e aquele que crê em mim jamais terá sede.

Agosto: Mês Vocacional – Lembremos nesse domingo da Vocação para o Ministério Ordenado: Diáconos, Padres e Bispos.

“Verdadeiro Pão da VIda descido do céu, Jesus sacia a fome da comunidade reunida, transforma-nos em homens e mulheres novos e abre-nos o caminho da santidade. Ele nos convida a buscar sempre esse alimento que nos fortalece na caminhada do dia a dia. Celebremos em comunhão com os ministros ordenados, especialmente com nosso pároco e com todos os padres”. (Liturgia Diária)

E, reparando a multidão que nem Jesus nem os seus discípulos estavam ali, entrou nas barcas e foi até Cafarnaum à sua procura. Encontrando-o na outra margem do lago, perguntaram-lhe: Mestre, quando chegaste aqui? Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: buscais-me, não porque vistes os milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes fartos. Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que dura até a vida eterna, que o Filho do Homem vos dará. Pois nele Deus Pai imprimiu o seu sinal. Perguntaram-lhe: Que faremos para praticar as obras de Deus? Respondeu-lhes Jesus: A obra de Deus é esta: que creiais naquele que ele enviou. Perguntaram eles: Que milagre fazes tu, para que o vejamos e creiamos em ti? Qual é a tua obra?

“Os interlocutores de Cristo, continuando o diálogo, perguntam com razão: «Que devemos fazer para executar as obras de Deus» (Jo 6, 28). E Cristo responde: «A obra de Deus [a obra querida por Deus] é esta: que acrediteis n’Aquele que Ele enviou» (ibid., 6, 29). É uma exortação a ter fé no Filho do Homem, no Dador do alimento que não perece. Sem a fé n’Aquele que o Pai enviou, não é possível reconhecer e aceitar este Dom que não passa”. (São João Paulo II)

O Papa Francisco disse assim: “As pessoas entendem a advertência de Jesus e perguntam: ‘Que faremos para trabalhar nas obras de Deus?’. Jesus responde: ‘A obra de Deus é que creiais naquele que ele enviou’, isto é, a fé Nele, somente Nele, a confiança Nele e não nas outras coisas que nos levarão para longe Dele. Esta é a obra de Deus: que creiais naquele que ele enviou, Nele”.

Nossos pais comeram o maná no deserto, segundo o que está escrito: Deu-lhes de comer o pão vindo do céu (Sl 77,24). Jesus respondeu-lhes: Em verdade, em verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu, mas o meu Pai é quem vos dá o verdadeiro pão do céu; porque o pão de Deus é o pão que desce do céu e dá vida ao mundo. Disseram-lhe: Senhor, dá-nos sempre deste pão! Jesus replicou: Eu sou o pão da vida: aquele que vem a mim não terá fome, e aquele que crê em mim jamais terá sede

Na Antiga Aliança, Deus enviou ao povo do deserto, o pão (maná) para alimentá-los (Ex 16, 12-35). Na Nova e Eterna Aliança é Jesus o verdadeiro Pão que desceu do Céu: o Pão da vida eterna.

A Palavra diz: “O maná assemelhava-se ao grão de coentro e parecia-se com o bdélio. O povo dispersava-se para colhê-lo; moía-o com a mó ou esmagava-o num pilão, cozia-o numa panela e fazia bolos com ele, os quais tinham o sabor de um bolo amassado com óleo. Enquanto de noite caía o orvalho no campo, caía também com ele o maná”. (Nm 11, 7-9)

Santo Ambrósio de Milão disse: “Esse maná era do céu, Este é do cimo dos céus; aquele era um dom do céu, Este é o Senhor dos céus; aquele estava sujeito à corrupção quando era guardado nem que fosse até o dia seguinte, a Este é estranha toda a corrupção: quem Dele prova com respeito não pode ser tocado pela corrupção. A água brotou dos rochedos para os hebreus, para ti brota o Sangue de Cristo. A água saciou-os por momentos, o Sangue lava-te para sempre. Os hebreus beberam e têm sede. Tu, depois de teres bebido, nunca mais poderás ter sede (Jo4,14). Aquilo era a prefiguração, Isto é a verdade plena”.

São João Paulo II disse assim”Jesus fala simbolicamente referindo-se ao grande milagre do maná dado por Deus ao povo hebraico, atravessando o deserto. É claro que Jesus não elimina a preocupação normal, a procura do alimento quotidiano e de tudo o que pode tornar a vida humana mais desenvolvida, mais evoluída, mais safisfatória. Mas a vida passa fatalmente. Jesus explica que o verdadeiro significado da nossa existência está na eternidade, e que toda a história humana com os seus dramas e as suas alegrias deve ser vista em perspectiva eterna”.

Eu Sou o Pão da Vida

“E em que modo Jesus é o significado da existência do homem? Ele próprio explica-o com uma clareza consoladora: “O Meu Pai é que vos dá o verdadeiro pão que vem do Céu, pois o Pão de Deus é o que desce do Céu e dá vida ao mundo… Eu sou a pão da vida; o que vem a Mim jamais terá fome e o que acredita em Mim jamais terá sede” (Jo 6; 32-35)”. (São João Paulo II)

Jesus é o Pão do céu que nos fortifica, cura, liberta e salva. Jesus é o Pão da Vida que nos dá vida, e vida em abundância. Tomar a sagrada Eucaristia é receber o amor vivificante de Deus feito Pão.

Santo Agostinho comenta assim: “Quem, a não ser Cristo, é o pão do céu? Mas para que o homem pudesse comer o pão dos anjos, o Senhor dos anjos fez-se homem. Se isto não se tivesse realizado, não teríamos o seu corpo; sem termos o corpo que lhe é próprio, não comeríamos o pão do altar”.

Conclusão:

De São João Paulo II: “O sinal do maná era o anúncio do advento de Cristo, que haveria de satisfazer a fome de eternidade por parte do homem, tornando-Se Ele mesmo o «pão vivo» que «dá a vida ao mundo». E então, aqueles que O escutam, pedem a Jesus que realize o que fora anunciado pelo sinal do maná, talvez sem se darem conta de como estava distante aquele seu pedido: «Senhor, dá-nos sempre desse pão» (Jo 6, 34). Como é eloquente este pedido! Quão generosa e surpreendente é a sua realização. «Eu sou o pão da vida; o que vem a Mim jamais terá fome e o que acredita em Mim jamais terá sede… Porque a Minha carne é, em verdade, uma comida e o Meu sangue é, em verdade, uma bebida. Quem come a Minha carne, e bebe o Meu sangue fica em Mim e Eu nele» (Jo 6, 35.55-56). «Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue tem a vida eterna e Eu ressuscitá-lo-ei no último dia» (Jo 6, 54).”

Oração:

Ó Jesus, Pão do Céu: Tu me alimentas, Tu me curas, Tu me salvas, Tu me sustentas, Tu me libertas, Tu me orientas, Tu me renovas, Tu me consolas. Jesus, Jesus, Jesus.

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

27 de julho de 2015 at 8:16 Deixe um comentário

Multiplicação dos Pães

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)

Iniciamos neste final de semana a leitura do capítulo sexto do Evangelho de João, que começa com a multiplicação dos pães, e depois virá o grande anúncio de Cristo como pão da vida, ou seja, a Eucaristia. Como o Evangelho de Marcos é mais curto neste ano, temos, portanto, esse trecho de João nesta época. É uma oportunidade de aprofundarmos o sentido da partilha, do alimento e da Eucaristia. Serão domingos em que esse tema retornará e nos ajudará a vivenciar ainda mais a nossa vida como cristãos hoje.

Este é o 17º Domingo do Tempo Comum: a primeira leitura e o Evangelho (2Rs 4,42-44 e Jo 6,1-15) têm como tema central a providência de Deus. Em 2Rs 4,42-44, lê-se a multiplicação dos pães levada a cabo na época do profeta Eliseu, multiplicação esta que é figura e prenúncio daquela outra que foi realizada uns oito séculos mais tarde por Jesus e que se lê no Evangelho (Jo 6,1-15). Um homem apresenta-se ao profeta levando consigo “vinte pães de cevada” e recebe a ordem de distribuí-los à sua gente: cem homens. O servo responde, dizendo que tal provisão é insuficiente, mas Eliseu repete a ordem em nome de Deus: “dá ao povo para que coma; pois assim diz o Senhor: ‘comerão e ainda sobrará’”. (2Rs 4, 43).

O tema do pão na liturgia de hoje: ele aparece claramente na primeira leitura e no Evangelho e, de modo implícito, está presente também no salmo. Na tradição bíblica, o pão recorda duas coisas importantíssimas. Lembra-nos, primeiramente, que não somos autossuficientes, não possuímos a vida de modo absoluto: devemos sempre renová-la, lutar por ela. O homem não se basta a si próprio; precisa do pão de cada dia. E aqui, um segundo importante aspecto: o homem não pode, sozinho, prover-se de pão: é Deus quem faz a chuva cair, quem torna o solo fecundo, quem dá vigor à semente. Assim, a vida humana está continuamente na dependência do Senhor. Todos nós necessitamos do pão nosso de cada dia – e este é dom de Deus. “O que tens tu, ó homem, que não tenhas recebido? E, se recebeste, do que, então, te glorias”?

O milagre repete-se, mas de uma maneira mais imponente, nos verdes montes da Galileia, quando Jesus se vê rodeado de uma grande multidão que O procurava (Jo 6,5). Jesus provê as necessidades das multidões que O acompanhavam para ouvir a Sua palavra: cinco pães e dois peixes saciam uns cinco mil. Há sobras – doze cestos – para mostrar que Deus não é avaro em prover as necessidades de Suas criaturas. Reza o Salmo: “Vós abris a vossa mão prodigamente e saciais todo ser vivo com fartura”. (Sl 144 (145), 16).

Significativa a sobra dos doze cestos. O novo Povo de Deus, nascido do mistério pascal de Cristo, será alimentado por Jesus multiplicado nos Doze Apóstolos que participam da multiplicação dos pães. Mais importante ainda do que a multiplicação dos pães é o seu simbolismo. Para saciar a fome da multidão faminta, Jesus quer multiplicar-se nos seus Apóstolos, nos seus discípulos, em sua Igreja.

Se o milagre de Eliseu é figura da multiplicação dos pães levada a cabo por Cristo, esta é preparação e figura de um milagre mais estrondoso: a Eucaristia. Não está por acaso a descrição dos gestos do Senhor: “tomou os pães, deus graças e distribuiu-os aos que estavam sentados…” (Jo 6,11). Ela antecipa, quase à letra, os gestos e as palavras da instituição da Eucaristia. Depois de ter saciado tão copiosamente a fome dos corpos, Jesus também proverá, de maneira divina e inefável, a da alma. Alimentados por um único pão, o Corpo do Senhor, os fiéis formam um só corpo, o Corpo Místico de Cristo. Esta realidade é o alicerce do dever da caridade e da solidariedade cristã de que fala São Paulo em Ef 4,1-6, ao exortar os fiéis a “caminhardes de acordo com a vocação que recebestes; com toda humildade e mansidão, suportai-vos uns aos outros com paciência, no amor”. (Ef 4,1).

Jesus, ao multiplicar os pães, apresenta-se como aquele que dá vida, que nos sacia com o sentido da existência – sim, porque não há vida de verdade para quem vive sem saber o sentido do viver! Dá-nos Jesus a vida física, a vida saudável, mas dá-nos, mais que tudo, a razão verdadeira de viver uma vida que valha a pena. Mas, continuando a leitura, iremos ver que João, em vez de falar da Eucaristia na última ceia como os Evangelhos sinóticos, diz que ela irá aprofundar justamente o significado de sua vida (corpo e sangue) entregue para alimento de todos nós.

O mandato de recolher os pedaços que sobram, ensina que os bens materiais, por serem dons de Deus, não se devem desperdiçar, mas hão de ser usados com espírito de pobreza. Neste sentido, explica o Beato Paulo VI que “depois de ter alimentado com liberalidade a multidão, o Senhor recomenda aos seus discípulos que recolham o que sobrou para que nada se perca. Que formosa lição de economia, no sentido mais nobre e mais pleno da palavra, para a nossa época, dominada pelo esbanjamento! Além disso, leva consigo a condenação de toda uma concepção da sociedade em que até o próprio consumo tende a converter-se no próprio bem, desprezando os que se veem necessitados e em detrimento, em última análise, dos que julgam ser seus próprios beneficiários, incapazes já de perceber que o homem é chamado a um destino mais alto”. (Discurso aos participantes na Conferência Mundial da Alimentação, 09 de novembro de 1974). Como não ver aqui também a exortação do Papa Francisco sobre a questão da fome no mundo e também as questões levantadas no documento “Laudato si’”?

Vivendo intensamente esse Mistério, nos tornamos realmente membros do corpo de Cristo, que é a Igreja. Cumprem-se em nós, de modo real, as palavras do Apóstolo na segunda leitura deste domingo (Ef 4, 1-6): “Há um só Corpo e um só Espírito, como também é uma só a esperança a que fostes chamados. Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por meio de todos e permanece em todos”. Eis, caríssimos! Que o bendito Pão do céu, neste sinal tão pobre e humilde do pão e do vinho eucarísticos, nos faça compreender e acolher a constante presença do Senhor entre nós e nos dê a graça de vivermos de verdade a vida de Igreja, sendo um sinal seu no meio do mundo. Amém!

A imagem acima é da Igreja da Multiplicação dos Pães e Peixes, em Israel.

24 de julho de 2015 at 11:52 Deixe um comentário

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