Posts tagged ‘Santo Agostinho’

«Sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito» – sermão de Santo Agostinho

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«Com este sinal reconhecemos que estamos em Deus: se com Ele formos perfeitos.» João quer dizer aqui: perfeitos no amor (1Jo 4,17). Qual é a perfeição do amor? Amar os nossos inimigos e amá-los a tal ponto, que se tornem nossos irmãos. Com efeito, o nosso amor não deve ser segundo a carne. Por conseguinte, ama os teus inimigos desejando que se tornem teus irmãos; ama os teus inimigos de modo que sejam chamados a entrar em comunhão contigo.
De fato assim amou Aquele que, suspenso da cruz, dizia: «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem que fazem» (Lc 23,34). Queria arrancá-los à morte eterna através de uma oração cheia de misericórdia e com grande força. Aliás muitos acreditaram e foram perdoados de terem vertido o sangue de Cristo. Verteram-no encarniçando-se contra Ele; seguidamente, beberam-no quando acreditaram. Com este sinal sabemos que estamos nele; e, estando nele, somos perfeitos. É a esta perfeição do amor aos inimigos que o Senhor nos convida quando diz: «Sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito».

17 de fevereiro de 2017 at 5:25 Deixe um comentário

Deus cumpre as suas promessas por meio de seu Filho – sermão de Santo Agostinho

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Deus estabeleceu não só um tempo para suas promessas, como também um tempo para a realização do que prometera. O tempo das promessas vai dos profetas a João Batista. A partir dele começa o tempo de cumprir-se o prometido.

Deus, que se fez nosso devedor, é fiel, nada recebendo de nós mas nos prometendo tão grandes bens. Pareceu-lhe pouco a simples promessa e, por isso, quis ainda comprometer-se por escrito, como que firmando conosco um contrato. Desse modo, quando começasse a cumprir as coisas prometidas, veríamos em tal escritura a ordem com que seriam realizadas. O tempo das profecias era o do anúncio das promessas, como já dissemos várias vezes.

Prometeu-nos a salvação eterna, a vida bem-aventurada e sem fim em companhia dos anjos, a herança imperecível, a glória eterna, a doçura da visão de seu rosto, a sua morada santa nos céus e, pela ressurreição dos mortos, a exclusão total da morte. É esta, de certo modo, a sua promessa final, o objeto de toda nossa aspiração. Quando a tivermos alcançado, nada mais buscaremos, nada poderemos exigir. Não deixou também de revelar o caminho que nos havia de conduzir a esses últimos fins, mas o prometeu e anunciou.

Deus prometeu aos homens a divindade, aos mortais a imortalidade, aos pecadores a justificação, aos humilhados a glória.

Contudo, meus irmãos, pareceria inacreditável aos homens que Deus prometesse tirá-los da sua condição mortal de corrupção, vergonha, fraqueza, pó e cinza, para torná-los semelhantes aos anjos. Por isso, não só firmou com eles um contrato que os levasse a crer, mas constituiu ainda como mediador e garantia, não um príncipe qualquer ou algum anjo ou arcanjo, mas seu Filho único. Desse modo, mostrou-nos e ofereceu-nos, por meio de seu próprio Filho, o caminho que nos levaria ao fim prometido.

Não bastou, porém, a Deus fazer seu filho indicar o caminho; quis que ele mesmo fosse o caminho, a fim de te deixares conduzir por ele, caminhando sobre ele próprio.

Para isso, o Filho único de Deus deveria vir ao encontro dos homens e assumir a natureza humana. Tornando-se homem, deveria morrer, ressuscitar, subir aos céus, sentar-se à direita do Pai e realizar entre os povos o que prometera. E, depois da realização de suas promessas entre os povos, cumprirá também a de voltar para pedir contas de seus dons, separando os que merecerão a sua ira ou sua misericórdia, tratando os ímpios como ameaçara e os justos como prometera.

Tudo isso devia ser profetizado, anunciado e recomendado, para que, ao suceder, não provocasse medo com uma vinda inesperada, mas ao contrário, sendo objeto da nossa fé, o fosse também por uma ardente esperança.

 

30 de novembro de 2016 at 5:08 Deixe um comentário

«Os pobres sempre os tendes convosco, mas a Mim não me tendes sempre.»- Sermão de Santo Agostinho

«Maria ungiu os pés de Jesus com uma libra de perfume de nardo puro, de alto preço, e enxugou-Lhos com os seus cabelos. A casa encheu-se com a fragrância do perfume.» Eis o facto histórico; procuremos o simbólico. Sejas tu quem fores, se quiseres ser uma alma fiel, unge com Maria os pés do Senhor com perfume. Esse perfume é a retidão. […] Deita perfume sobre os pés do Senhor. Segue as pegadas do Senhor com uma vida santa. Enxuga os seus pés com os teus cabelos: se tens coisas supérfluas, dá-as aos pobres e assim terás enxugado os pés do Senhor. […] Talvez os pés do Senhor na terra sejam os necessitados. Pois não é dos seus membros (Ef 5,30) que Ele dirá no fim do mundo: «Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25,40)?

«A casa encheu-se com a fragrância do perfume.» Quer dizer, o mundo encheu-se da boa reputação desta mulher, porque o bom odor é como a boa reputação. Aqueles que associam o nome de cristãos a uma vida desonesta injuriam a Cristo […]; se o nome de Deus é blasfemado por esses maus cristãos, ele é, pelo contrário, louvado e glorificado pelos bons: «somos em toda a parte o bom odor de Cristo» (2Cor 2,14-15). E diz também o Cântico dos Cânticos: «A tua fama é odor que se difunde» (1,3).

Fonte: Evangelho Quotidiano

9 de junho de 2016 at 5:17 Deixe um comentário

«Minha oração suba a vós como incenso, e minhas mãos, como oferta da tarde» (Sl 140,2).

Dos Comentários sobre os Salmos, de Santo Agostinho, bispo

«Senhor, eu clamo por vós, socorrei-me sem demora» (Sl 140,1). Isto todos nós podemos dizer. Não sou eu que digo, é o Cristo total que diz. Contudo, estas palavras foram ditas especialmente em nome do Corpo, porque, quando Cristo estava neste mundo, orou como homem; orou ao Pai em nome do Corpo; e enquanto orava, gotas de sangue caíram de todo o seu corpo… Que significa este derramamento de sangue de todo o seu corpo, senão a paixão dos mártires de toda a Igreja? […]

«Minha oração suba a vós como incenso, e minhas mãos, como oferta da tarde» (Sl 140,2). Todo cristão sabe que esta expressão continua a ser atribuída à própria Cabeça. Porque, na verdade, foi ao cair da tarde daquele dia, que o Senhor, voluntariamente, entregou na cruz sua vida, para retomá-la em seguida. Também aqui estávamos representados. […] Contudo, cravando nossa frágil natureza na cruz, onde o nosso homem velho…clamou com a voz da nossa humanidade: «Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? » (Sl 21,2).

Eis, portanto, o verdadeiro sacrifício vespertino: a paixão do Senhor, a cruz do Senhor, a oblação da vítima salvadora, o holocausto agradável a Deus. Esse sacrifício vespertino, ele o converteu, por sua ressurreição, em oferenda da manhã. Assim, a oração que se eleva, com toda pureza, de um coração fiel, é como o incenso que sobe do altar sagrado. Não há aroma mais agradável a Deus: possam todos os fiéis oferecê-lo ao Senhor.

Fonte: Vaticano

9 de março de 2016 at 5:20 Deixe um comentário

«O coração do justo exultará no Senhor» – Dos Sermões de Santo Agostinho

Alegre‑se o justo no Senhor e n’Ele espere, congratulem‑se os homens de coração reto. Isto é o que cantamos com a boca e o coração. São palavras que a consciência e a língua cristãs dirigem a Deus: Alegre‑se o justo, não no mundo, mas no Senhor. A luz resplandece para os justos – diz outro salmo – e a alegria para os corações rectos. Talvez perguntes donde vem esta alegria. Num salmo ouves: Alegre‑se o justo no Senhor. E noutro: Põe no Senhor as tuas delícias e Ele satisfará os anseios do teu coração.

Que é que se nos declara? Que se recomenda? Que se manda? Que se dá? Que nos alegremos no Senhor. E quem se alegra naquilo que não vê? Ou será que vemos o Senhor? Isso é ainda uma promessa. Agora caminhamos à luz da fé; enquanto habitamos neste corpo, vivemos como exilados, longe do Senhor. Caminhamos à luz da fé e não da visão clara. Quando chegaremos à visão clara? Quando se cumprir o que diz São João: Caríssimos, agora somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Mas sabemos que, na altura em que se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porque O veremos como Ele é.

Então será a alegria plena e perfeita, a felicidade completa, quando já não tivermos por alimento o leite da esperança, mas o alimento sólido da realidade. Todavia, também agora, antes de chegarmos a essa ventura, antes de essa ventura chegar até nós, alegremo‑nos no Senhor. Porque não é pequena a alegria da esperança que nos garante a futura realidade.

28 de novembro de 2015 at 5:58 Deixe um comentário

«Não ofereçamos resistência à sua primeira vinda, para não termos de recear a segunda» – Do Comentário de Santo Agostinho, bispo, sobre os salmos

Alegrem se as árvores dos bosques diante do Senhor que vem, porque vem para julgar a terra. Veio a primeira vez e virá de novo. Na sua primeira vinda pronunciou esta palavra que lemos no Evangelho: Um dia vereis o Filho do homem vir sobre as nuvens do céu. Que quer dizer: Um dia? Não quer dizer, porventura, que o Senhor virá naquele dia em que hão de chorar todos os povos da terra? De facto, Ele veio primeiramente através dos seus pregadores e encheu toda a terra. Não ofereçamos resistência à sua primeira vinda, para não termos de recear a segunda.

Que deve fazer o cristão? Servir se do mundo, não servir o mundo. Que significa isto? Ter como se não tivéssemos. Assim fala o Apóstolo. O que tenho a dizer vos, irmãos, é que o tempo é breve. Doravante, os que têm esposas procedam como se as não tivessem; os que choram, como se não chorassem; os que andam alegres, como se não andassem; os que compram, como se não possuíssem; os que utilizam este mundo, como se não o utilizassem; porque o cenário deste mundo é passageiro. Quero que não andeis preocupados. Quem não está preocupado espera tranquilamente a vinda do seu Senhor.

Fonte do texto: Site do Vaticano

20 de novembro de 2015 at 5:33 Deixe um comentário

«Jesus disse aos seus discípulos uma parábola sobre a obrigação de orar sempre» – sermão de Santo Agostinho

«Senhor, diante de Vós está todo o meu desejo» (Sl 37,10). […] O teu desejo é a tua oração; se o teu desejo for contínuo, a tua oração também será contínua. Não foi por acaso que o apóstolo Paulo disse: «Orai sem cessar» (1Tes 5,17). Di-lo-á porque sem cessar nos ajoelhamos, nos prostramos ou levantamos as mãos para Deus? Se dissermos que só nestas condições é que oramos, não creio que o possamos fazer sem cessar.

Mas há uma outra oração, interior, que não cessa: é o desejo. Qualquer que seja a ocupação a que te entregues, se desejares aquele repouso do sabbath de que falamos, rezarás sem cessar. Se não quiseres deixar de orar, não deixes de desejar.
O teu desejo é contínuo? Então o teu grito será contínuo. Só te calarás se deixares de amar. Quem são os que se calaram? São aqueles de quem se diz: «E por se multiplicar a iniquidade, resfriará a caridade da maioria» (Mt 24,12). A caridade que arrefece é o coração que se cala; a caridade que arde é o coração que grita. Se a caridade subsistir sem cessar, gritarás sem cessar; se gritares sem cessar, é porque continuas a desejar; se estiveres cheio deste desejo, é porque pensas no repouso eterno.

11 de novembro de 2015 at 5:01 Deixe um comentário

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