Archive for junho, 2014

Décimo Quarto Domingo do Tempo Comum – Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração – São Mateus 11, 25-30 – 06 de Julho

25. Por aquele tempo, Jesus pronunciou estas palavras: Eu te bendigo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequenos.

26. Sim, Pai, eu te bendigo, porque assim foi do teu agrado.

27. Todas as coisas me foram dadas por meu Pai; ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelá-lo.

28. Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei.

29. Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas.

30. Porque meu jugo é suave e meu peso é leve.

 

“Como povo que pertence a Cristo, estamos reunidos para elevar a Deus a nossa prece de louvor e agradecimento por conceder aos pobres e humildes a sabedoria do Reino. Manso e humilde de coração, Jesus quer que façamos parte do seu grupo e aprendamos dele como tornar nosso jugo suave e nosso fardo leve”. (Liturgia Diária)

 

“Eu te bendigo, Pai, Senhor do céu e da terra…”

São João Paulo II disse: “Com estas palavras, amados irmãos e irmãs, Jesus louva os desígnios do Pai celeste; sabe que ninguém pode vir ter com Ele, se não for atraído pelo Pai (Jo 6, 44), por isso louva por este desígnio e abraça-o filialmente: «Sim, Pai, Eu Te bendigo, porque assim foi do teu agrado» (Mt 11, 26). Quiseste abrir o Reino aos pequeninos”.

Papa Francisco disse que “o amor com que o Pai ama o Filho chega até nós e, por obra do Espírito Santo, envolve-nos e faz-nos entrar na vida trinitária. O Pai é a fonte da alegria. O Filho é a sua manifestação, e o Espírito Santo o animador”.

“Senhor Deus, hoje queremos unir nossa oração à oração de Jesus: sejais glorificado, nosso Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondestes estas coisas aos sábios e entendidos e as revelastes aos pequeninos. Iluminai com a luz do alto os simples que vos buscam de coração sincero. Queremos também agradecer o convite do vosso Filho, que nos chama a segui-lo para nos livrar dos fardos desnecessários que pesam sobre nós e encontrar nele o descanso. Por Cristo, nosso Senhor. Amém”. (Liturgia Diária)

A Palavra diz: “Oferecei vossos sacrifícios com sinceridade e esperai no Senhor. Dizem muitos: Quem nos fará ver a felicidade? Fazei brilhar sobre nós, Senhor, a luz de vossa face. Pusestes em meu coração mais alegria do que quando abundam o trigo e o vinho. Apenas me deito, logo adormeço em paz, porque a segurança de meu repouso vem de vós só, Senhor”. (Sl 4, 6-9)

“Jesus exultou, porque o Pai decidiu amar os homens com o mesmo amor que tem pelo Filho”. (Papa Francisco)

O Catecismo (§2780) ensina: “Nós podemos invocar Deus como «Pai», porque Ele nos foi revelado pelo seu Filho feito homem e porque o seu Espírito no-Lo faz conhecer. A relação pessoal do Filho com o Pai, que o homem não pode conceber nem os poderes angélicos podem entrever, eis que o Espírito do Filho nos faz participar dela, a nós que cremos que Jesus é o Cristo e que nascemos de Deus”.

 

“Escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequenos”

“Senhor Deus, hoje queremos unir nossa oração à oração de Jesus: sejais glorificado, nosso Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondestes estas coisas aos sábios e entendidos e as revelastes aos pequeninos. Iluminai com a luz do alto os simples que vos buscam de coração sincero. Queremos também agradecer o convite do vosso Filho, que nos chama a segui-lo para nos livrar dos fardos desnecessários que pesam sobre nós e encontrar nele o descanso. Por Cristo, nosso Senhor. Amém”. (Liturgia Diária)

“Crer, entretanto, é graça somente acolhida por aqueles que buscam de todo coração o mistério de Deus. Esses são os pequeninos a que se refere Jesus: “eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultastes estas coisas aos sábios e as revelastes aos pequeninos” (Mt 11, 25). Se desejamos crer, devemos cultivar um coração suplicante”. (Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues – CNBB)

 

“Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei”

O Papa Emérito Bento XVI disse que “Deus vem ao nosso encontro, “procura conquistar- nos até à Última Ceia, até ao Coração trespassado na cruz, até as aparições e as grandes obras pelas quais Ele, através da ação dos Apóstolos, guiou o caminho da Igreja nascente” (Deus caritas est). Ele se revela através da sua Palavra, nos Sacramentos, especialmente da Eucaristia. Por isso, a vida da Igreja é essencialmente eucarística. O Senhor, na sua amorosa providência deixou-nos um sinal visível da sua presença”.

O Papa Francisco disse: “Senhor olha sempre para nós com misericórdia; não o esqueçamos, olha sempre para nós com misericórdia, espera-nos com misericórdia. Não tenhamos medo de nos aproximarmos d’Ele! Tem um coração misericordioso! Se lhe mostrarmos as nossas feridas interiores, os nossos pecados, Ele perdoar-nos-á sempre. É misericórdia pura! Vamos ao encontro de Jesus”!

Padre Bantu disse que “Jesus nos convida porque conhece o nosso coração e sabe que só n’Ele teremos descanso, pois Ele mesmo justifica isso quando diz Tomai sobre vós o meu jugo e aprendeis de mim, porque sou manso e humilde de coração. Pois o meu jugo é suave e meu fardo é leve. Jesus não nos convida até Ele para nos condenar, mas nos convida para tirar de nós tudo que não nos faz bem, inclusive nosso sentimento de culpa em relação aos nossos pecados e fraquezas. Ele anseia e deseja muito que O busquemos para nos dar o descanso necessário para uma boa caminhada”.

 

“Porque meu jugo é suave e meu peso é leve”

O Papa Emérito Bento XVI explicou: “Carregar o jugo do Senhor significa antes de tudo: aprender d’Ele. Estar sempre dispostos a ir à sua escola. D’Ele devemos aprender a mansidão e a humildade a humildade de Deus que se mostra no seu ser homem”.

“CONCEDEI-NOS, SENHOR, A SABEDORIA DA CRUZ, PARA QUE, INSTRUÍDOS PELA PAIXÃO DE VOSSO FILHO, SEJAMOS CAPAZES DE SEMPRE LEVAR SEU JUGO SUAVE. POR NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, VOSSO FILHO, NA UNIDADE DO ESPÍRITO SANTO”. (LITURGIA DAS HORAS)

O Papa Emérito Bento XVI disse: “Às vezes gostaríamos de dizer a Jesus: Senhor, o teu jugo não é minimamente leve. Aliás, é tremendamente pesado neste mundo. Mas olhando depois para Ele que carregou tudo que em si sentiu a obediência, a debilidade, o sofrimento, toda a escuridão, então estas nossas lamentações dissipam-se. O seu jugo é o de amar com Ele. Quanto mais amarmos, e com Ele nos tornarmos pessoas que amam, tanto mais leve se tornará para nós o seu jugo aparentemente pesado”.

 

“Eu sou manso e humilde de coração”

São João Paulo II disse que imitar “Cristo manso e humilde de coração (Mt 11, 29), que pela salvação das almas, de todas as almas, sem diferença de língua, raça e nação (Apoc 5, 9), se fez criança com as crianças, pobre com os pobres, sofredor com os que sofrem, caminho para os transviados, verdade para os que erram e vida para todos os homens; fez-se, numa palavra tudo para todos (1 Cor 15, 28), como afirma São Paulo, para todos poderem senti-lo próximo, benfazejo e salvador, e poderem dizer com o mesmo Apóstolo das Gentes: Ele amou-me e sacrificou-se por mim (Gál 2, 10)”.

O Papa Francisco disse que o evangelista S. João “testemunha o que viu no Calvário, ou seja, que um soldado, quando Jesus já estava morto, lhe trespassou o lado com uma lança e daquela ferida saíram sangue e água ( Jo 19, 33-34). João reconheceu naquele sinal, aparentemente casual, o cumprimento das profecias: do Coração de Jesus, Cordeiro imolado na cruz, brota para todos os homens o perdão e a vida”.

O Papa Emérito Bento XVI disse que cada uma dessas palavras “«manso», «humilde», é uma palavra cristológica e exige de novo este imitar Cristo. Porque no Batismo somos conformados com Cristo, portanto devemos conformar-nos com Cristo, encontrar este espírito do ser mansos, sem violência, de convencer com o amor e com a bondade”.

São João Paulo II explicou que “no coração do Redentor “habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Col 2, 9), de onde podemos tirar a energia espiritual indispensável para irradiar no mundo o seu amor e a sua alegria”.

 

Conclusão

“Senhor Jesus Cristo, manso e humilde de coração, que tornais leve o fardo e suave o jugo dos que vos seguem, acolhei os propósitos e trabalhos deste dia e concedei-nos um repouso tranquilo, para amanhã vos servirmos com maior generosidade. Vós, que viveis e reinais para sempre. Amém”. (liturgia das Horas)

 

Oração

Do Papa Francisco: “Dirijamo-nos à Virgem Maria: o seu coração imaculado, coração de mãe, partilhou ao máximo a «compaixão» de Deus, especialmente da paixão e da morte de Jesus. Ajude-nos Maria a sermos mansos, humildes e misericordiosos com os nossos irmãos”.

Do Papa Emérito Bento XVI: “Peçamos-lhe que nos ajude a tornarmo-nos com Ele pessoas que amam, para assim conhecermos cada vez mais como é bom carregar o seu jugo. Amém”.

De São João Paulo II: “Maria nos ajude a seguir docilmente Jesus que constantemente nos repete: “Vinde a Mim… e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis alívio para as vossas almas” (Mt 11, 29).

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

30 de junho de 2014 at 18:20 Deixe um comentário

Oração pela Igreja e pela Família

 

Senhor Deus, do alto do céu olhai a Vossa igreja e olhai para a nossa família, que é uma pequena igreja, e concedei-lhe o dom de Vossa paz, de Vosso amor, de Vosso socorro; enviai-nos Vosso Espírito Santo, para que nos amemos uns aos outros, mantendo-nos num mesmo espírito pelos vínculos da paz e da caridade, para que formemos um só corpo, que tenhamos uma mesma fé, como nós fomos chamados a uma mesma esperança por nossa vocação para chegarmos, juntos, ao perfeito amor em Jesus Cristo.
Amém. 

 

30 de junho de 2014 at 10:38 Deixe um comentário

Há mais cristãos perseguidos hoje do que nos primeiros séculos – o Papa na Missa em Santa Marta

 

2014-06-30 Rádio Vaticana

Há mais cristãos perseguidos hoje do que nos primeiros séculos – esta a principal mensagem do Papa Francisco na Missa em Santa Marta na manhã desta segunda-feira, 30 de junho, dia em que se faz memória dos Mártires da Igreja Romana, cruelmente assassinados no ano 64 na colina do Vaticano por ordem do Imperador Nero após do incêndio de Roma.
O Papa Francisco chamou a atenção para o testemunho dos cristãos especialmente dos mártires, afirmando que é assim que se faz a Igreja deixando germinar o Espírito:
“Sabemos que não há crescimento sem o Espírito: é Ele que faz a Igreja, é Ele que faz crescer a Igreja, é Ele que convoca a comunidade da Igreja. Mas também é necessário o testemunho dos cristãos. E quando o testemunho chega ao fim, quando as circunstâncias históricas pedem-nos um testemunho forte, ali estão os mártires, as maiores testemunhas. E aquela Igreja é regada pelo sangue dos mártires. E esta é a beleza do martírio. Começa com o testemunho, dia após dia e pode acabar como Jesus, o primeiro mártir, a primeira testemunha, a testemunha fiel: com o sangue.”
O Papa Francisco ao recordar na sua homilia os mártires dos primeiros séculos, não deixou de salientar os mártires de hoje que, segundo o Santo Padre, são mais do que aqueles das primeiras comunidades:
“Hoje há tantos mártires na Igreja, tantos cristãos perseguidos. Pensemos no Médio Oriente, cristãos que têm que fugir das perseguições, cristãos assassinados pelos seus perseguidores. Também os cristãos mandados embora em modo elegante, com luvas brancas: também isto é uma perseguição. Hoje há mais testemunhas, mais mártires na Igreja do que nos primeiros séculos. E nesta Missa, fazendo memória dos nossos gloriosos antepassados, aqui em Roma, pensemos também nos nossos irmãos que vivem perseguidos, que sofrem e que com o seu sangue fazem crescer a semente de tantas Igrejas pequeninas que nascem. Rezemos por eles e também por nós.” (RS)

30 de junho de 2014 at 9:57 Deixe um comentário

São Pedro e São Paulo – 29 de Junho


São Pedro e São Paulo
Apóstolos
+ século I

 

 

A solenidade de são Pedro e de são Paulo é uma das mais antigas da Igreja, sendo anterior até mesmo à comemoração do Natal. Já no século IV havia a tradição de, neste dia, celebrar três missas: a primeira na basílica de São Pedro, no Vaticano; a segunda na basílica de São Paulo Fora dos Muros e a terceira nas catacumbas de São Sebastião, onde as relíquias dos apóstolos ficaram escondidas para fugir da profanação nos tempos difíceis.

E mais: depois da Virgem Santíssima e de são João Batista, Pedro e Paulo são os santos que têm mais datas comemorativas no ano litúrgico. Além do tradicional 29 de junho, há: 25 de janeiro, quando celebramos a conversão de São Paulo; 22 de fevereiro, quando temos a festa da cátedra de São Pedro; e 18 de novembro, reservado à dedicação das basílicas de São Pedro e São Paulo.

Antigamente, julgava-se que o martírio dos dois apóstolos tinha ocorrido no mesmo dia e ano e que seria a data que hoje comemoramos. Porém o martírio de ambos deve ter ocorrido em ocasiões diferentes, com são Pedro, crucificado de cabeça para baixo, na colina Vaticana e são Paulo, decapitado, nas chamadas Três Fontes. Mas não há certeza quanto ao dia, nem quanto ao ano desses martírios.

A morte de Pedro poderia ter ocorrido em 64, ano em que milhares de cristãos foram sacrificados após o incêndio de Roma, enquanto a de Paulo, no ano 67. Mas com certeza o martírio deles aconteceu em Roma, durante a perseguição de Nero.

Há outras raízes ainda envolvendo a data. A festa seria a cristianização de um culto pagão a Remo e Rômulo, os mitológicos fundadores pagãos de Roma. São Pedro e são Paulo não fundaram a cidade, mas são considerados os “Pais de Roma”. Embora não tenham sido os primeiros a pregar na capital do império, com seu sangue “fundaram” a Roma cristã. Os dois são considerados os pilares que sustentam a Igreja tanto por sua fé e pregação como pelo ardor e zelo missionários, sendo glorificados com a coroa do martírio, no final, como testemunhas do Mestre.

São Pedro é o apóstolo que Jesus Cristo escolheu e investiu da dignidade de ser o primeiro papa da Igreja. A ele Jesus disse: “Tu és Pedro e sobre esta pedra fundarei a minha Igreja”. São Pedro é o pastor do rebanho santo, é na sua pessoa e nos seus sucessores que temos o sinal visível da unidade e da comunhão na fé e na caridade.

São Paulo, que foi arrebatado para o colégio apostólico de Jesus Cristo na estrada de Damasco, como o instrumento eleito para levar o seu nome diante dos povos, é o maior missionário de todos os tempos, o advogado dos pagãos, o “Apóstolo dos Gentios”.

São Pedro e são Paulo, juntos, fizeram ressoar a mensagem do Evangelho no mundo inteiro e o farão para todo o sempre, porque assim quer o Mestre.

Site das Paulinas

29 de junho de 2014 at 10:18 Deixe um comentário

Papa FRancisco no Twitter

29/06/2014
Os Apóstolos São Pedro e São Paulo abençoem a cidade de Roma e a Igreja que peregrina aqui e no mundo inteiro!
28/06/2014
Ser amigo de Deus significa rezar com simplicidade, como um filho fala com seus pais.
27/06/2014
Frente às dificuldades da vida, peçamos ao Senhor para permanecer firmes no jubiloso testemunho da nossa fé.
26/06/2014
A família é um elemento essencial para todo e qualquer progresso humano e social sustentável

29 de junho de 2014 at 10:16 Deixe um comentário

Homilia do Papa na Solenidade de São Pedro e São Paulo

 

DOMINGO, 29 DE JUNHO DE 2014, 6H57

 

 Boletim da Santa Sé

Na solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo, patronos principais de Roma, é com alegria e gratidão que acolhemos a Delegação enviada pelo Patriarca Ecuménico, o venerado e amado irmão Bartolomeu, guiada pelo Metropolita Ioannis. Pedimos ao Senhor que possa, também esta visita, reforçar os nossos laços fraternos no caminho rumo à plena comunhão entre as duas Igrejas irmãs, por nós tão desejada.

«O Senhor enviou o seu anjo e me arrancou das mãos de Herodes» (Act 12, 11). Nos primeiros tempos do serviço de Pedro, na comunidade cristã de Jerusalém havia grande apreensão por causa das perseguições de Herodes contra alguns membros da Igreja. Ordenou a morte de Tiago e agora, para agradar ao povo, a prisão do próprio Pedro. Estava este guardado e acorrentado na prisão, quando ouve a voz do Anjo que lhe diz: «Ergue-te depressa! (…) Põe o cinto e calça as sandálias. (…) Cobre-te com a capa e segue-me» (Act 12, 7-8). Caiem-lhe as cadeias, e a porta da prisão abre-se sozinha. Pedro dá-se conta de que o Senhor o «arrancou das mãos de Herodes»; dá-se conta de que Deus o libertou do medo e das cadeias. Sim, o Senhor liberta-nos de todo o medo e de todas as cadeias, para podermos ser verdadeiramente livres. Este facto aparece bem expresso nas palavras do refrão do Salmo Responsorial da celebração litúrgica de hoje: «O Senhor libertou-me de toda a ansiedade».

Aqui está um problema que nos toca: o problema do medo e dos refúgios pastorais.

Pergunto-me: Nós, amados Irmãos Bispos, temos medo? De que é que temos medo? E, se o temos, que refúgios procuramos, na nossa vida pastoral, para nos pormos a seguro? Procuramos porventura o apoio daqueles que têm poder neste mundo? Ou deixamo-nos enganar pelo orgulho que procura compensações e agradecimentos, parecendo-nos estar seguros com isso? Amados Irmãos Bispos, onde pomos a nossa segurança?

O testemunho do apóstolo Pedro lembra-nos que o nosso verdadeiro refúgio é a confiança em Deus: esta afasta todo o medo e torna-nos livres de toda a escravidão e de qualquer tentação mundana. Hoje nós – o Bispo de Roma e os outros Bispos, especialmente os Metropolitas que receberam o Pálio – sentimos que o exemplo de São Pedro nos desafia a verificar a nossa confiança no Senhor.

Pedro reencontrou a confiança, quando Jesus lhe disse por três vezes: «Apascenta as minhas ovelhas» (Jo 21, 15.16.17). Ao mesmo tempo ele, Simão, confessou por três vezes o seu amor a Jesus, reparando assim a tríplice negação ocorrida durante a Paixão. Pedro ainda sente queimar dentro de si a ferida da desilusão que deu ao seu Senhor na noite da traição. Agora que Ele lhe pergunta «tu amas-Me?», Pedro não se fia de si mesmo nem das próprias forças, mas entrega-se a Jesus e à sua misericórdia: «Senhor, Tu sabes tudo; Tu bem sabes que eu sou deveras teu amigo!» (Jo 21, 17). E aqui desaparece o medo, a insegurança, a covardia.

Pedro experimentou que a fidelidade de Deus é maior do que as nossas infidelidades, e mais forte do que as nossas negações. Dá-se conta de que a fidelidade do Senhor afasta os nossos medos e ultrapassa toda a imaginação humana. Hoje, Jesus faz a mesma pergunta também a nós: «Tu amas-Me?». Fá-lo precisamente porque conhece os nossos medos e as nossas fadigas. E Pedro indica-nos o caminho: fiarmo-nos d’Ele, que «sabe tudo» de nós, confiando, não na nossa capacidade de Lhe ser fiel, mas na sua inabalável fidelidade. Jesus nunca nos abandona, porque não pode negar-Se a Si mesmo (cf. 2 Tm 2, 13). È fiel. A fidelidade que Deus, sem cessar, nos confirma também a nós, Pastores, independentemente dos nossos méritos, é a fonte de nossa confiança e da nossa paz. A fidelidade do Senhor para connosco mantém sempre aceso em nós o desejo de O servir e de servir os irmãos na caridade.

E Pedro deve contentar-se com o amor de Jesus. Não deve ceder à tentação da curiosidade, da inveja, como quando perguntou a Jesus, ao ver ali perto João: «Senhor, e que vai ser deste?» (Jo 21, 21). Mas Jesus, perante estas tentações, responde-lhe: «Que tens tu com isso? Tu segue-Me!» (Jo 21, 22). Esta experiência de Pedro encerra uma mensagem importante também para nós, amados irmãos Arcebispos. Hoje, o Senhor repete a mim, a vós e a todos os Pastores: Segue-Me! Não percas tempo em questões ou conversas inúteis; não te detenhas nas coisas secundárias, mas fixa-te no essencial e segue-Me. Segue-Me, não obstante as dificuldades. Segue-me na pregação do Evangelho. Segue-Me no testemunho duma vida que corresponda ao dom de graça do Baptismo e da Ordenação. Segue-Me quando falas de Mim às pessoas com quem vives dia-a-dia, na fadiga do trabalho, do diálogo e da amizade. Segue-Me no anúncio do Evangelho a todos, especialmente aos últimos, para que a ninguém falte a Palavra de vida, que liberta de todo o medo e dá a confiança na fidelidade de Deus. Tu segue-Me”!

29 de junho de 2014 at 10:14 Deixe um comentário

Reflexão para a Solenidade de São Pedro e São Paulo

 

2014-06-28 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano – (RV) –   Quando queremos ouvir bem uma estação de rádio ou um telefonema, nos envolvemos em silêncio para que possamos detectar o sinal que desejamos e receber a mensagem a nós dirigida. Do mesmo modo, quando queremos ouvir o Senhor, perceber sua presença, é necessário nos afastarmos do burburinho diário para, no silêncio, reconhecer a presença do divino interlocutor.
Pedro reconhece em Jesus o Messias porque, afastado das circunstâncias comuns do dia, estava tão livre de apegos e tão aberto a Deus que pode reconhecer a verdadeira identidade de Jesus Cristo.Nesse encontro com Deus, Simão recebe sua grande missão, encontra sua vocação: ser pedra, Pedro, aquele que deverá confirmar a fé de seus irmãos.
Também nós, se quisermos identificar nossa missão, nossa vocação, será necessário penetrarmos no silêncio da oração para ouvirmos o Senhor nos indicando o caminho a ser seguido. E essa escuta é feita não uma única vez, mas sempre. O Senhor não irá mudar nossa vocação, mas irá atualizá-la, torná-la própria para o mundo e o momento em que vivemos.Paulo, em sua carta a Timóteo, revê sua resposta à sua vocação. Ele reconhece que foi fiel à missão, que anunciou o Evangelho de Cristo ao mundo. Revê todas as vicissitudes por que passou, o quanto sofreu por causa de sua missão. Ao mesmo tempo em que vê que foi fiel, Paulo é humilde. Agradece a Deus sua fidelidade à vocação e o cumprimento da missão.
Do mesmo modo, quando examinamos nossa atuação cristã, deveremos perceber que foi a graça de Deus que nos fez sermos fiéis. Pedro e Paulo foram as duas colunas da Igreja, mas o foram não por seus próprios méritos, mas por fidelidade à graça recebida. Que também nós, vivendo uma grande humildade e obediência, permitamos que o Espírito aja em nosso querer e agir. Assim, poderemos louvar e agradecer ao Senhor por nos ter convidado a tomarmos parte em sua missão redentora e nos ter tornados fiéis, mesmo envolvidos por diversas dificuldades.
(CAS)

28 de junho de 2014 at 14:54 Deixe um comentário

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