São João Bosco – 31 de Janeiro

29 de janeiro de 2012 at 18:22 Deixe um comentário

HOMILIA DO CARDEAL TARCISIO BERTONE

De ano em ano, a liturgia na festa de Don Bosco, faz ressoar este convite de São Paulo aos Filipenses: “Irmãos, alegrai-vos no Senhor, sempre; repito-vos mais uma vez, alegrai-vos. A vossa afabilidade seja conhecida a todos os homens. O Senhor está próximo! Não vos angustieis por nada, mas nas necessidades apresentai a Deus as vossas solicitações, com orações, súplicas e agradecimentos”.

No domingo passado estive em Verona, onde celebrei a Missa para a Família Salesiana ali reunida. A eles, como a vós hoje, dirijo um auspício: poder ser reconhecidos sempre pelo que somos: cristãos felizes, alegres. Embora sendo idosos podemos ter “o rosto do jovem” e ele será verdadeiro se soubermos inspirar confiança, se a ternura estiver nas nossas palavras, na expressãodo rosto e dos olhos, nos gestos, se o diálogo for espontâneo, se a palavra dada confirmar uma aliança sincera.

O exemplo de Don Bosco impele-nos neste sentido e é bom lembrar algumas eficazes características do seu método educativo orientado para a formação de “bons cristãos e honestos cidadãos”: estudo, trabalho, liberdade regulada, alegria, civilização numa tendencial síntese de razão e religião.

Don Bosco queria uma formação integral para os seus jovens. Dizia que a educação é coisa do coração, é preciso que todos os protagonistas da educação convirjam numa comunhão de interesses e de objectivos, para o amadurecimento de uma autêntica personalidade, humana e cristã.

Contudo, Don Bosco não se detém a contemplar o “céu” dos seus jovens. Viveu no meio deles e soube, ou “sentiu”, que eles não suportavam somente pensamentos sérios; além disso, teve modo de experimentar quanto sofriam a “pobreza” e o “abandono” e quais eram as suas necessidades, mais ou menos expressas. A sua pedagogia, por conseguinte, não deixa de assumir o “rosto” dos rapazes dos quais se ocupa. Necessariamente, portanto, se “humaniza” nos conteúdos e nos métodos. Assim, a “salvação eterna” é procurada passando através das indispensáveis formas da salvação terrena (alimentação, vestuário, abrigo, trabalho, profissão, socialização) e de um estilo sob medida da sensibilidade juvenil (segurança afectiva, serenidade, convivência familiar, alegria).

Depois, ao aproximar-se o último quarto do século passado, com o desenvolvimento das várias obras, Don Bosco cumulou de significados cada vez mais amplos os termos “pobres”, “abandonados”, mesmo permanecendo fiel até aos últimos dias à escolha originária preferencial pela pobreza económica, social, religiosa. A sua solicitude alargou-se idealmente a todos os jovens atingidos por uma “precariedade” qualquer, também moral, profissional, cultural, para os quais se revelam necessárias medidas diversificadas de acolhimento, assistência, apoio, promoção.

Coerentemente, instituições e métodos abriram-se para uma mais ampla “disponibilidade”. E as palavras do “pai e mestre dos jovens” foram escutadas com crescente simpatia e consenso pelas mais variadas categorias de pessoas, sensíveis ao problema da educação da juventude num mundo novo.

Esta simpatia suscitada em toda a parte por Don Bosco nasce com certeza da assunção de critérios de acção educativa largamente partilhadas: as etapas do crescimento dos jovens não são um evento transitório mas uma experiência de vida válida em si e que incide no futuro; os jovens são e devem ser não só colaboradores activos da própria educação, mas autênticos protagonistas; a alegria e a fadiga de dizer e de projectar não é uma simples tarefa ou um dever, mas sobretudo motivação, inventiva, paixão pela vida e pelo sentido da vida; o relacionamento educativo quer dizer envolvimento de amizade, construção de comunidade, presença propositiva de valores e de ideais…

A propósito, Umberto Eco escreveu sobre Don Bosco: “Este genial reformador previu que a sociedade industrial requer novos modos de agregação e então inventa uma máquina perfeita… a genialidade do Oratório administrado com bases mínimas; prescreve aos seus frequentadores um código moral e religioso, mas depois acolhe também quem não o segue. Neste sentido o projecto de Don Bosco investe toda a sociedade da era industrial, à qual faltou o seu “projecto Don Bosco” com a mesma imaginação, a mesma inventiva organizadora, sociológica, o mesmo sentido dos tempos” (L’Espresso, 15 de Novembro de 1981).

Também, um dos co-fundadores do PCI escreveu em 1920: “Don Bosco! Era um grande, que deveríeis procurar conhecer. No âmbito da Igreja… soube criar um imponente movimento de educação, dando de novo à Igreja o contacto com as massas, que ela tinha perdido. Para nós que estamos fora da Igreja e de cada igreja, ele é um herói, o herói da educação preventiva e da escola-família. Os seus continuadores podem ficar orgulhosos!” (G. Lombardo Radice, Clericali e massoni di fronte al problema della scuola, Roma, La Voce 1920, p. 62-64, I appendice).

Estes autores-escritores colheram o coração da obra de Don Bosco, o seu verdadeiro sentido: um grande amor aos jovens, traduzido num serviço à sua formação humana e profissional.

Nós nos sentimos esses continuadores? Ou simples e unicamente estamos orgulhosos da herança deixada por Don Bosco? Cada um de nós no lugar que ocupa, participa com a própria vida e com o próprio trabalho no projecto integral de formação cristã das novas gerações. Os salesianos, na sua peculiar vocação, encontram na inspiração de Don Bosco, na sua maneira típica de conceber a evangelização como salvação total… o seu apostolado específico, mas também todos os pais e mães de família encontram a linha-guia do próprio papel de educador.

É uma herança que não se pode perder, ao contrário, se deve fazer frutificar cada vez mais na nossa sociedade tão carente de valores e testemunhos.

Fonte: Site do Vaticano

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