Archive for agosto, 2010

“Dou a minha vida pelas minhas ovelhas”. (Jo 10,15)

 

Jesus é o bom Pastor que cuida de cada uma de suas ovelhas. Ele quer trazer todas as ovelhas para seu redil, mesmo as desgarradas.  Jesus é como um pastor de ovelhas que procura a ovelha que se dispersou até encontrá-la e quando encontra, ”a põe nos ombros, cheio de júbilo, e, voltando para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Regozijai-vos comigo, achei a minha ovelha que se havia perdido.” ( Lc 15, 5-6 ) O Senhor não se cansa de ir atrás de suas ovelhas e de juntá-las novamente à sua volta: “ Quantas vezes eu quis reunir teus filhos, como a galinha reúne seus pintinhos debaixo de suas asas…” ( Mt 23, 37 ).

Mas existem muitos maus pastores, que não tem amor pelas ovelhas, porque essas ovelhas não são realmente suas, mas do Senhor Jesus. Esses pastores, na verdade são mercenários, pois ”quando vê que o lobo vem vindo; abandona as ovelhas e foge; o lobo rouba e dispersa as ovelhas.”( Jo 10, 12 ) .Jesus é a porta por onde as ovelhas devem passar para se sentirem seguras e salvas: “em verdade, em verdade vos digo eu sou a porta das ovelhas.”( Jo 10, 7) 

 Hoje há muitas vozes de falsos profetas ( mercenários) por ai, não gostam de suas ovelhas e oferecem a elas uma vida de fantasia e de prazer que não é a proposta do bom pastor que é a salvação de todos.  Muitas das vezes, precisamos passar pelo sofrimento em nossas vidas para retornarmos ao caminho da salvação, ao redil. Então é preciso fazer renúncias, se  arrepender das faltas cometidas e buscar viver uma vida nova, no Espírito Santo. E isso, na maioria das vezes,  requer disciplina, perseverança e sacrifício. Todos nós ( homens e mulheres ) já passamos por algum tipo de sofrimento em nossas vidas, mas se esse sofrimento estiver inserido na cruz de Cristo, se tornará bênção de salvação pra nós. Pregar uma vida sem sofrimento num mundo tão violento, injusto e cheio de transgressões aos mandamentos de Deus é realmente ser falso profeta. Que não sejamos ovelhas facilmente enganadas por falsos pastores. São Pedro diz em sua carta: “assim também haverá entre vós falsos doutores, que introduzirão disfarçadamente seitas perniciosas.” ( II Pr 2, 1 )

Todos nós temos sede de Deus, só que muitas vezes procuramos Deus onde Ele não se encontra. O Senhor quer ser achado por nós, pois necessitamos d’Ele.  A Palavra de Deus diz: “ Buscai o Senhor, já que ele se deixa encontrar; invocai-o, já que está perto.” ( Is 55, 6 )Ele nos fez e somos seus e só por Jesus somos salvos. Mas, infelizmente, nessa ânsia de encontrar Deus, desesperadamente, buscamos mestres, que não tem os ensinamentos de Jesus e que não nos ama como Ele, que doou sua própria vida pela nossa salvação.

E quem é o bom pastor?

É Jesus Cristo e, que passou essa missão aos Apóstolos, e estes à sua Igreja: nas pessoas do Papa, Bispo, Presbíteros (padres ), Diáconos. Também são pastores: os diretores espirituais e superiores das Congregações Religiosas e Comunidades de Vida; os leigos engajados e à frente das pastorais (lideranças ); e os pais de família na igreja doméstica.

 Mas na Igreja é o sacerdote, o pastor mais próximo das ovelhas de Cristo, e que tem contato todos os dias com elas em suas paróquias. Ao refletir sobre esse tema, o Papa Bento XVI, citou Santo Agostinho:” O sacerdócio, como dizia Santo Agostinho, é um serviço de amor, é o serviço do bom pastor, que oferece a vida pelas ovelhas”. (Jo 10, 14-15)

E como podemos ser bons pastores?

 Seguindo os ensinamentos de Jesus, seus exemplos e principalmente a postura amorosa do Bom Pastor. Mas e, principalmente, podemos aprender através da Palavra de Deus, como se tornar um bom pastor como Jesus Cristo,nosso Mestre e Senhor:

1- O bom pastor deve abrir seu coração às ovelhas, tornar-se conhecido por elas, não ser indiferente, despertar a confiança das ovelhas. Ao som da voz do pastor todas se alegram e sabe que pode contar com sua proteção: “…as ovelhas seguem-no, pois lhe conhecem a voz. Mas não seguem o estranho; antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos” ( Jo 10, 4-5)

2- Dedicar tempo e atenção às ovelhas, saber seus nomes e tratá-las como se fossem únicas, porque é assim que somos para Deus: ”Ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz à pastagem.”( Jo 10, 3 )

3- O bom pastor deve procurar conhecer suas ovelhas: observar seu jeito de ser, interessar-se por sua história de vida, suas aflições e suas alegrias: importar-se com elas. No Evangelho de São João capítulo 10, versículos 13-14, Jesus diz que o mercenário não se importa com suas ovelhas, mas que o bom pastor conhece suas ovelhas e elas também o conhecem.

4- Trazer as ovelhas dispersas, as que se extraviaram. Procurá-las e dar-lhes atenção para que não se afastem mais do redil: “Quem de vós que, tendo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la?” ( Lc  15, 4 )

5- Proporcionar às ovelhas feridas, através dos sacramentos da Igreja e da orientação da Palavra de Deus, momentos de cura, de libertação e de mudança de vida: “A ovelha perdida eu a procurarei; a desgarrada, eu a conduzirei; a ferida eu a curarei; a doente eu a restabelecerei, e velarei sobre a que estiver gorda e vigorosa. Irei apascentá-las todas com justiça.” ( Ez 34, 16 )

6-O bom pastor deve esforçar-se para dar a melhor comida para as ovelhas, de forma que elas fiquem gordas e viçosas. Gastar tempo nisso. Doar-se, envolver-se, orar por elas, instruí-las: “Reunirei o que restar das minhas ovelhas, espalhadas pelos países em que as exilei e as trarei para as pastagens em que se hão de multiplicar. “ ( Jr 23, 3 )

7- O bom pastor, com seu cajado, deve sempre se preocupar em conduzir as ovelhas pelo verdadeiro caminho e verdade, que é Jesus Cristo. E deve cuidar para que elas não se machuquem pelas estradas da vida e nem se percam: ”… inda que eu atravesse o vale escuro, nada temerei, pois estais comigo. Vosso bordão e vosso báculo são o meu amparo.” ( Sl 22, 4 )

 Jesus confiou à sua Igreja (o Papa ), o pastoreio do seu rebanho, através da ordem dada a Pedro:” Apascenta as minhas ovelhas”. ( Jo 21, 17 ) O Senhor derramou o Espírito Santo sobre sua Igreja,para que os seus pastores possam  continuar cuidando do rebanho deixado por Ele, através dos sacramentos ( especialmente a Confissão e a Eucaristia); da sua Palavra e da doutrina dos Apóstolos, que conviveram com Jesus ou viveram no seu tempo. E nos deu também Nossa Senhora, sua mãe, para interceder por nós.

Só há um pastor nessa terra, que pode dizer que deu a vida pelas suas ovelhas: Jesus Cristo nosso Redentor. Jesus morreu na cruz por nossos pecados; fomos curados graças às suas chagas e libertados de nossos inimigos (mal). Jesus é a porta por onde as ovelhas, que somos nós, entrarão no Reino que o Pai nos preparou, desde toda a eternidade.

Ó Jesus, meu bom pastor, cuida de mim! Carrega-me no colo, pois me sinto tão cansada, Senhor, pelas lutas da vida… Cura minhas feridas, restaura meu ser. E se eu me desagarrar de ti, não se canse de me procurar, e ao me encontrar, coloca-me no seu redil novamente. Se eu não te escutar, não ligue, continue insistindo. Não permita, Jesus, que eu me perca nas coisas do mundo.  Ó meu Senhor, preciso tanto de ti! 

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

31 de agosto de 2010 at 21:13 Deixe um comentário

A SANTA MISSA

 O Papa Bento XVI diz: “Na liturgia brilha o mistério pascal, pelo qual o próprio Cristo nos atrai a Si e chama à comunhão.”

 A liturgia da Santa Missa é a expressão de amor do povo a Deus, que espera receber dele o sustento e  poder louvá-lo pelas graças alcançadas. Domingo é o dia da Ressurreição de Cristo e os fiéis se reúnem na Igreja para ouvir a Palavra de Deus e participar da Eucaristia, lembrando da Paixão, Morte e Ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo.  A Igreja celebra e atualiza o sacrifício de Jesus na cruz pela nossa salvação. Faz bem ao fiel também participar da santa missa em outros dias da semana,se puder.

A Celebração Eucarística (Missa) vem do início da Igreja com os Apóstolos. Desde o ano 155, São Justino Mártir tem escritos já falando da missa, em linhas gerais, tal como ela é hoje. A missa tem dois momentos, que juntos formam a unidade do culto liturgico: A Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística. Jesus deixou essa disposição (ordem) da Santa Missa quando encontrou os discípulos de Emaús ( Lc 24, 13-35), após a ressurreição. Jesus explicou a Palavra para eles ( Liturgia da Palavra) e partiu o pão ( Liturgia Eucarística). São Paulo exorta: ” Quanto ao fundamento, ninguém pode pôr outro diverso daquele que já foi posto: Jesus Cristo.” ( I Cor 3,11) O Papa Bento XVI também ensina: ” A liturgia Eucarística não está a mercê do nosso arbítrio, e não pode suportar a chantagem das modas passageiras.”E também: ” A Eucaristia não nos comunica uma doutrina pessoal, mas aquilo que recebemos da Sagrada Tradição.” ( I Cor 11, 23 )

É Jesus mesmo quem preside invisivelmente toda Celebração Eucarística: Ele é o sumo sacerdote da nova aliança. Mas visivelmente é o sacerdote, validamente ordenado, quem pode presidir a Eucaristia e consagrar o pão e o vinho para que se tornem Corpo e Sangue do Senhor ( Cic 1411 ). O Concílio de Trento diz: “Devemos reconhecer que nenhum outro ato pode ser praticado pelos fiéis que seja tão santo como a celebração desse imenso mistério.”

A Igreja é o lugar mais correto pra se rezar a Santa Missa e o altar é a mesa eucarística, onde se dará a entrega de Jesus como alimento para nós. O altar f ica em lugar de maior destaque na Igreja, para que todos vejam de seus lugares o mistério pascal de Cristo se cumprindo, em memória , no meio de nós. Sobre ele só se deve colocar o missal, o crucifixo, os objetos sacros usados na consagração, os castiçais ou círio pascal. Não se coloca flores sobre o altar, nem ofertas dos fiéis, exceto o pão e o vinho.  São João Crisóstomo fala que durante a missa “O altar está circundado de anjos que aí se reúnem para adorar a Jesus Cristo. “ 

O canto na missa deve sempre acompanhar a liturgia do dia, suas leituras bíblicas e a doutrina católica. Em Efésios, capítulo 5, versículo 19, o Senhor nos fala: “Recitai entre vós salmos, hinos e cânticos espirituais. Cantai e celebrai de todo o coração os louvores do Senhor. “  Santo Agostinho diz assim sobre os cantos litúrgicos: “ Quanto chorei ouvindo vossos hinos, vossos cânticos, os acentos suaves que ecoavam em vossa Igreja! Que emoção me causavam!”

Ritos Iniciais

Antífona de Entrada: O Celebrante entra com os ministros; os fiéis ficam de pé e cantam o canto de entrada junto com a equipe de música, se houver.

Saudação: Estes saúdam o altar e o celebrante invoca a Santíssima Trindade e convida a todos a fazer o sinal da cruz: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.” ( MT 28, 19 ) A Igreja celebra a Eucaristia em nome da Santíssima Trindade.

Ato Penitencial: a Igreja implora a misericórdia de Deus, que ”não quer que alguém pereça: ao contrário, quer que todos se arrependam.” ( 2 Pd 3,9 ) É o momento de se arrepender e pedir perdão dos pecados a Deus. O sacerdote fala algumas palavras ou reza: “Eu pecador me confesso…”; e convoca a assembléia para pedir o perdão a Deus, por três vezes: “ Senhor, tende piedade de nós…”, e em seguida o sacerdote dá a absolvição dos pecados.

Hino de Louvor ( Glória): O hino de louvor é cantado ou recitado aos domingos, ou durante a semana em festas e celebrações mais solenes. O glória não é cantado no Advento e na Quaresma, a não ser que haja alguma solenidade de Nossa Senhora, por exemplo. É um hino de louvor à Santíssima Trindade: “…ao Deus único, salvador nosso, por Jesus Cristo, Senhor nosso, sejam dadas glória, magnificência, império e poder desde antes de todos os tempos, agora e para sempre.”( Jd 1, 25 )

Oração do Dia ou Oração da Coleta: é uma coleta dos pedidos dos fiéis, que o sacerdote entrega a Deus, confiando na sua infinita misericórdia e poder.  A Palavra de Deus fala: “E tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, vo-lo farei, para que o Pai seja glorificado no Filho.” ( Jo 14, 13 ) A oração da coleta encerra o rito inicial da santa missa.

LITURGIA DA PALAVRA: As leituras são feitas por pessoas previamente escolhidas pela equipe de liturgia. Os leitores se colocam em frente ao  ambão ou mesa da Palavra. É um espaço reservado junto ao altar para a proclamação da Palavra de Deus. Jesus “entrou na sinagoga em dia de sábado, segundo o seu costume, e levantou-se para ler. Foi lhe dado o livro do profeta Isaías…”( Lc 4, 16-17 )  As leituras  do dia, são lidas em todas as missas da Igreja Católica no mundo inteiro. Todos nós católicos, somos unidos pela Palavra e pela Eucaristia, sob a ação do Espírito Santo, em todas as partes do mundo onde houver Celebração Eucarística: verdadeiramente somos irmãos em Cristo Jesus. Durante as leituras todos  ficam sentados.

Primeira Leitura: Passagem tirada do Antigo Testamento. Ao final da leitura, o fiel que leu a Palavra diz: Palavra do Senhor ( refere-se a Deus criador). Todos respondem: ” Graças a Deus!” 

Salmo Responsorial: Deve ficar dentro do tema da primeira leitura, geralmente uma resposta a ela. Normalmente é um Salmo bíblico recitado ou cantado.

Segunda Leitura: São trechos das Cartas (Epístolas) dos Apóstolos. A segunda leitura só é proclamada aos domingos e nas solenidades e festas da Igreja. 

Canto de aclamação ao Evangelho: É um canto de alegria e expectativa naquilo que Jesus tem para nos falar.

Evangelho: Na Leitura do Evangelho, toda a assembléia fica de pé (prontidão) para ouvir o que Jesus vai nos dizer, através da sua Palavra. Nos Evangelhos são narrados os fatos acontecidos na vida de Jesus e sua missão redentora. A sua Palavra é luz para a inteligência, paz para o espírito, alegria para todos os corações. Após a leitura do Evangelho, o leitor diz: – Palavra da salvação ( porque o evangelho fala de Jesus Cristo e a Boa-Nova da salvação), e todos os fiéis respondem: – Graças a Deus!

-Homilia: O sacerdote dá o verdadeiro sentido às Palavras proclamadas nas leituras, explicando-as. O Eunuco estava lendo Isaías 53 quando Filipe perguntou se ele estava entendendo a Palavra. Então o Eunuco pediu a Filipe que lhe explicasse, “Começou então Filipe a falar, e, principiando por essa passagem da Escritura, anunciou-lhe Jesus”.( At 8, 35 ) Nesse momento da santa missa, os fiéis sentam para ouvir a explicação do sacerdote sobre as leituras lidas.

– Profissão de Fé: É a profissão de nossa fé em Deus Pai, Filho e Espírito Santo, e na sua ação criadora, salvadora e santificadora.  O Credo fala da intervenção salvífica de Deus na história da humanidade: “Aquele que crê no Filho de Deus tem em si o testemunho de Deus”( I Jo 5, 10 ) . O Credo resume as verdades da nossa fé. Na missa reza-se com mais freqüência o Credo mais simples (Símbolo Apostólico), que vem da tradição dos apóstolos. Algumas vezes reza-se o Credo mais extenso e explicado, mas dizendo a mesma coisa ( Símbolo Niceno-constantinopolitano). Fica-se de pé para a oração do credo e a oração dos fiéis.

Oração dos Fiéis: Reza-se normalmente pela comunidade e necessidades da Igreja, pelos poderes públicos, pela salvação de todos, pelos que sofrem,… Geralmente a assembléia responde: Senhor, atendei, a nossa prece! A Palavra de Deus diz: “Acima de tudo recomendo que façam preces, orações, súplicas, ações de graças por todos os homens, pelos reis e por todos os que estão constituídos em autoridade, para que possamos viver uma vida calma e tranqüila, com toda a piedade e honestidade.” ( I Tm 2, 1-2 )

LITURGIA EUCARÍSTICA:

Preparação das Oferendas ou Ofertório: O celebrante prepara o altar com o corporal, o purificatório, o cálice e o missal. Em seguida recebe as ofertas do pão e do vinho, trazidas em procissão e outras ofertas, frutos do trabalho dos fiéis e oferenda de suas próprias vidas.

 Jesus quis alimentar a multidão que o acompanhava e um menino, a pedido de André ( irmão de Pedro), deu-lhe cinco pães de cevada e dois peixes. Jesus “ então, tomou os cinco pães e os dois peixes e, erguendo os olhos ao céu, abençoou-os, partiu-os e os deu a seus discípulos, para que lhos distribuíssem, e repartiu entre todos os dois peixes. Todos comeram e ficaram fartos.” ( Mc 6, 41-42). Todas as nossas ofertas nas mãos de Jesus são multiplicadas em graças.

 O pão e o vinho do ofertório serão transformados em Corpo e Sangue de Jesus Cristo, no momento da consagração. Nesse instante o sacerdote coloca umas gotas de água dentro do cálice com vinho, representando a união da natureza divina, de Jesus Cristo, com a natureza humana: unimo-nos a Cristo para ser um só Corpo com Ele. O Papa João Paulo II disse: “Assim, nós e toda a natureza humana passa a fazer parte do sacrifício do Senhor, sendo convidada a diluir-se na divindade de Jesus Cristo.”

O sacerdote eleva a hóstia e depois o cálice e apresenta a Deus junto com as outras oferendas. O sacerdote purifica os dedos com água, pedindo pelos seus próprios pecados, pois vai tocar no Corpo e Sangue de Cristo, na consagração. Ao fazer essa purificação, diz: “Lavai-me, senhor, das minhas faltas e purificai-me do meu pecado.“

Oração sobre as oferendas– Todos ficam de pé. O sacerdote convoca: “Orai, irmãos e irmãs, para que o nosso sacrifício seja aceito por Deus Pai todo-poderoso.” Os fiéis respondem: ”Receba, ó Senhor,…”

Durante o ofertório se faz a coleta do dinheiro que os fiéis quiserem doar para a manutenção da paróquia e assistência aos irmãos necessitados da comunidade. É um gesto de desapego dos bens materiais em detrimento dos bens espirituais.

 Oração Eucarística

-Prefácio– É um convite à ação de graças a Deus. O sacerdote reza e proclama a alegria em nome dos fiéis e de si próprio,  pela salvação recebida em Jesus Cristo,  através da doação de sua vida na cruz. O prefácio acompanha a liturgia do dia. Há prefácios para o advento, natal,… Terminando o prefácio vem o ”Santo” rezado ou cantado.

Santo: Toda a assembléia proclama a glória de Deus três vezes santo, uma referência clara à Santíssima Trindade ( Pai, Filho e Espírito Santo). Em Isaías, capítulo 6, versículo 3 fala assim: “ Suas vozes se revezavam e diziam: “Santo, santo, santo é o Senhor Deus do universo! A terra inteira proclama a sua gloria!”

Consagração do pão e do vinho: É a parte central da Missa, pois as ofertas do pão e do vinho que colocamos diante de Deus serão transformadas em Corpo e Sangue do Senhor Jesus, pela ação do Espírito Santo: “Santificai pelo espírito santo as oferendas que vos apresentamos para serem consagradas, a fim de que se tornem o Corpo e Sangue de Jesus Cristo, vosso Filho e Senhor nosso, que nos mandou celebrar este mistério.” O sacerdote impõe as mãos sobre o pão e o vinho e pede ao Pai que os santifique enviando o Espírito Santo sobre eles. Só o sacerdote pode consagrar.

Através da consagração opera-se a transubstanciação do pão e do vinho. Cristo se faz presente de maneira verdadeira, real e substancial, seu Corpo e seu Sangue, com sua alma e sua Divindade na Sagrada Eucaristia. O sacerdote ajoelha-se diante de Jesus no altar, pega a Hóstia consagrada e eleva-a diante da assembléia e diz estas palavras como se fosse o próprio Jesus: ”Tomai, todos, e comei: Isto é o meu Corpo, que será entregue por vós. Depois elevando o Cálice, diz: “Tomai, todos, e bebei: este é o Cálice do meu Sangue, o Sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos para remissão dos pecados. Fazei isto em memória de mim. “( Mt 26, 26-28 )

No momento da consagração todos deveriam ajoelhar-se diante da presença do Senhor Jesus: “..todo joelho deve dobrar-se diante de mim.”( Is 45,23).

-Intercessões: São várias orações que o sacerdote reza após a consagração, pedindo pela Igreja, pelos fiéis defuntos, pelos fiéis vivos. A Eucaristia é celebrada em comunhão com toda a Igreja do céu e da terra, dos vivos e dos falecidos; e na comunhão com todos os pastores da Igreja, o papa, o Bispo da diocese, seu presbitério (padres )e seus diáconos; e todos os bispos do mundo inteiro com suas igrejas. O Catecismo diz: “Enquanto sacrifício, a Eucaristia é também oferecida em reparação dos pecados dos vivos e dos defuntos, e para obter de Deus benefícios espirituais ou temporais” ( 1354). Santa Mônica faz um precioso pedido ao seu filho Santo Agostinho na hora de sua morte: ”Enterrai este corpo onde quer que seja! Não tenhais nenhuma preocupação por ele, pois tudo o que vos peço é: que vos lembreis de mim no altar do Senhor, onde quer que estejais.”

A oração ”Por Cristo, com Cristo, em Cristo, a vós, Deus Pai todo-poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda a honra e toda a glória, agora e para sempre”. É uma solene glorificação à Trindade Santa, onde tudo passa por Jesus: “. ..tudo foi criado por Ele e para Ele. Ele existe antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem n’Ele. Ele é a Cabeça do corpo, da Igreja.( Cl 1, 16-17) . Essa oração conclui o momento da Consagração.

Rito da Comunhão

Pai Nosso– Ao rezar o Pai Nosso na missa estamos em comunhão com milhões de outros membros do Corpo de Cristo, pelo mundo afora, que rezam com iguais palavras todos os dias. Na oração do Pai Nosso começa a parte da comunhão, principalmente porque precisamos estar em comunhão com nossos irmãos, perdoando-os de todas as ofensas cometidas contra nós ( Mt 6, 9-15).

oração da Paz: estar com paz no coração é um bem muito precioso, porque é sinal de liberdade interior. A paz de Jesus é a perfeita paz: “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como o mundo a dá. ( Jo 14, 27 ) Nesse momento o celebrante reza a oração da paz e convida os fiéis a desejarem a paz uns aos outros.

Fração do Pão: O sacerdote parte a Hóstia significando que todos vão tomá-la. Uma parte é colocada no Cálice para que o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo se unam.

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós! Repete-se por três vezes essa invocação. É a última confissão dos pecados dos fiéis antes da comunhão, pois precisamos estar limpos de toda a falta antes de receber o Corpo e Sangue do Senhor na Sagrada Eucaristia. A oração a seguir fala exatamente disso: “Senhor Jesus Cristo, o vosso Corpo e o vosso sangue, que vou receber, não se tornem causa de juízo e condenação;…

E antes de receber e distribuir a comunhão, o sacerdote fala: ” Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mais dizei uma só palavra e serei salvo.” Quando o centurião foi pedir a Jesus que curasse o seu servo que se encontrava paralítico, Jesus disse que iria a sua casa e o curaria. Foi então que o centurião respondeu: ” Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha casa. Dizei uma só palavra e meu servo será curado.”( Mt 8, 8 ) Realmente não somos dignos de receber o Corpo do Senhor na Eucaristia, mas isso se tornou possível, pelo muito amor e misericórdia que Jesus tem por cada um de nós, quando na Última Ceia com seus doze apóstolos instituiu a Eucaristia. E hoje ela é o sustento e remédio para nossa vida.

Comunhão: A missa inteira é uma preparação para a nossa participação na Ceia do Senhor (a Comunhão). Ao receber a comunhão o fiel confirma a sua fé em Cristo presente na Eucaristia, dizendo: “Amém”, quando o sacerdote ou ministro lhe apresenta a Hóstia consagrada para receber a comunhão. Devemos ter atitude de adoração ao Senhor que quis ser alimento para nós: ficar em silêncio e aproveitar essa presença curadora de Deus em nós. A comunhão aqui na terra é uma antecipação do banquete celeste, onde sentaremos à mesa com o Cordeiro imolado, Jesus Cristo. São João fala no Livro do Apocalipse sobre esse banquete no céu:” Escreve: Felizes os convidados para a ceia das nupcias do Cordeiro. Sua esposa está preparada.” ( Ap 19, 7). A esposa de Jesus é a Igreja, isto é, somos nós.

-Depois da Comunhão– oração própria do dia. É uma oração de agradecimento  pelas graças que  Deus derramou sobre cada um de nós na santa missa.

Ritos Finais

Pode-se cantar nesse momento ou ao final da missa. Também os avisos da comunidade podem ser dados antes da bênção final.

Bênção Final: O sacerdote dá a bênção final sobre os fiéis, falando: “O Senhor esteja convosco”. Todos respondem: “Ele está no meio de nós.” Dá a bênção com o sinal da cruz: “ Abençoe-vos Deus todo poderoso, Pai e Filho e Espírito Santo”. Todos respondem:”Amém”. E o sacerdote diz: “Ide em paz e o Senhor vos acompanhe.”Todos respondem:” Graças a Deus”.

 A liturgia na qual se realizou o mistério da salvação termina com o envio dos fiéis, para que cumpram sua missão de levar a luz de Jesus para o mundo.

A Palavra de Deus diz: ” Adorai o senhor com ornamentos sagrados.”( Sl 95, 9 ) . A liturgia da missa é enriquecida com os objetos sacros e todos tem sua finalidade dentro do culto. E são esses:

Âmbula– contem as Hóstias consagradas, que vão ser distribuídas aos fiéis. É de metal, tem uma tampa e é benta. É colocada no Sacrário com as hóstias consagradas, após a missa.

 – Manustérgio– toalha que o sacerdote, ministro ou acólito usa para purificar as mãos antes, durante e depois do ato litúrgico.   

Pala– é uma peça quadrada e dura. É um cartão revestido de linho branco, que se coloca sobre o cálice e a patena pra protegê-los.

Corporal- normalmente é de linho e tem o aspecto de uma toalhinha. Coloca-se o cálice e a patena sobre ele para proteger o Corpo e o Sangue do Senhor.

Cálice– é de metal dourado e tem a copa, e  o nó central para que se  possa segurá-lo e tem o pé para sustentá-lo. Antes da consagração, o vinho fica dentro do cálice, depois o Sangue de Jesus.

 

 Turíbulopara incensar a cruz; o santo padroeiro do dia, se houver; o altar, antes do leitura do Evangelho; nas oferendas; na consagração do pão e do vinho…

 Naveta-recipiente para guardar o incenso.

 

Patena– prato de metal onde o sacerdote coloca a hóstia grande.

Hóstia grande para o sacerdote e pequena para os fiéis. Por ser grande a Hóstia dá mais visibilidade para todos. O sacerdote antes da Eucaristia parte-a, e além de tomar, distribui-a para os ministros também.

Sanguíneo– é uma toalhinha, geralmente de linho, que é utilizada para purificar o Cálice e a Patena após a comunhão.

Livros sagrados– Missal( contem o rito da missa), Evangeliário(contem os evangelhos dominicais), lecionário(contem as leituras para todos os tempos litúrgicos).

 

 -Círio Pascal- vela grande, benzida na Vigília Pascal, que fica sobre o altar e é acesa no início da santa missa.

-Crucifixo- fica sobre o altar na missas campais, tem a face de Cristo voltada para o celebrante.

Sacrário-onde ficam armazenadas as hóstias consagradas, dentro das âmbulas, e tem uma luz vermelha acesa, significando que Jesus  está presente em corpo, sangue, alma e divindade. É um lugar de respeito e adoração.

-Caldeira e asperges– é quando o celebrante, dentro do rito da missa , asperge água benta sobre os fíéis. Essa água é colocada dentro da caldeira.

Galhetas– são duas jarrinhas de vidro ou metal. Contem a água e o vinho e ficam juntas num pratinho.

 

JARRA E BACIA: ( Lavabo) Usada

 para as purificações

 litúrgicas. A água usada

 é natural.

Menorá– são os castiçais que se coloca sobre o altar durante a missa.

Cruz Processional– tem a figura de Cristo morto ou ressuscitado, é usado nas procissões e fica junto ao altar com o ambão e a sédia. É para lembrar o sacrifício de Jesus na cruz por nós.

Sédia– cadeira onde o celebrante senta pra ouvir a palavra de Deus, proclamada pelos leitores na santa missa.

Ambão– lugar alto e de destaque, perto do altar, onde as leituras da santa missa são feitas.

Ostensório – usado para expor o Santíssimo Sacramento nas bênçãos e procissões.

 

 

-Sineta– é usada para chamar a atenção dos fiéis para o momento da consagração.

-Credência– pequena mesa onde se coloca os objetos litúrgicos que serão utilizados na santa missa. Deve ficar próxima ao altar.

O Sacerdote ao presidir a missa e os demais sacramentos atua na pessoa de Cristo ( in persona Christi), pois se reveste da santidade de Cristo e deve ser visto assim.  A Palavra de Deus diz: ” Terás, pois, o sacerdote por santo, porque ele oferece o Pão de teu Deus. Ele será santo para ti, porque eu, o Senhor que vos santifico, sou santo. ” (Lv 21, 8 )  E o Papa Bento XVI  também diz: ” O sacerdote representa Cristo, o enviado do Pai e continua a sua missão, mediante a ” Palavra” e o “Sacramento”, nesta totalidade de corpo e alma, de sinal e palavra.” E Santo Agostinho exorta: “” Portanto, os servos de Cristo, os ministros da Palavra e do seu Sacramento façam aquilo que Ele ordenou ou permitiu”. 

O sacerdote ao ministrar os sacramentos  tem as vestes próprias. No livro do Levítico fala assim das vestes do sacerdote: ” sobre cuja cabeça se derramou o óleo da unção, e que foi estabelecido para revestir as vestes sagradas…” O Bispo, pela autoridade que lhe é conferida, como pastor da sua Diocese, pode usar tambem, além das vestes sacerdotais, o Anel, o Solidéu( gorrinho redondo de cor violeta), a Mitra ( chapéu alto, revestido de tecido com duas faixas caindo sobre as costas), o Báculo ( cajado de pastor) e a Cruz Peitoral.  Já os Diáconos usam a estola em diagonal, passando pelo ombro esquerdo e as pontas unidas do lado direito. Muitos sacerdotes usam, principalmente durante as missas da semana, somente a Alva e a Estola. As vestes ou paramentos do Celebrante estão descritas abaixo:

Alva ou Túnica- é uma túnica branca, porque simboliza a pureza de Jesus e a sua Ressurreição.

Amitode formato quadrado, cobre os ombros do sacerdote, usado sobre a alva e a casula. 

Casula- é colocada sobre as vestes do sacerdote e cobre todo o corpo. A cor varia conforme o tempo litúrgico( branca, verde, roxa, vermelha…)

Cíngulo- é um cordão que prende a  alva na altura da cintura.   

Estola– é uma faixa vertical, separada da túnica, desce do pescoço em duas partes sobre o peito. Também as cores são de acordo com o tempo litúrgico.

Manípulo– feito do mesmo tecido e cor da casula; colocado sobre o braço do celebrante, serve para enxugar o suor do seu rosto.

As cores dos Tempos Litúrgicos são:

verde- usada no Tempo Comum- significa esperança em Deus e nas suas promessas relativas à nossa salvação, pelo sofrimento e morte de Jesus na cruz e pela sua ressurreição . Por isso, é o Tempo que meditamos a vida pública de Jesus: seus ensinamentos e os milagres realizados.

Vermelho simboliza o fogo, o sangue, o amor divino, o martírio. O vermelho significa: o Sangue  de Jesus derramado na cruz por nós: ” Mas um dos soldados abriu-lhe o lado, com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água”( Jo 19, 34 );  a morte dos mártires, como Santo Estêvão:” E quando se derramou o sangue de Estêvão, tua testemunha, eu estava presente…”( At 22, 20 ); e  o fogo do Espírito Santo que desceu em Pentecostes:”Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo, que se repartiram e pousaram sobre cada um deles.”( At 2, 3 ) O vermelho é usado no Domingo de Ramos e da Paixão, na Sexta-feira  Santa, no Domingo de Pentecostes, nas festas dos Apóstolos, dos Santos Mártires e dos Evangelistas.

Roxo– simboliza a penitência. Usa-se no Tempo do Advento e da Quaresma. Pode-se usar nos ofícios e missas para os mortos.

Violeta pode-se usar no Advento, que é tempo de expectativa, pois relembra a vinda de Jesus no Natal e também a espera da  sua Segunda Vinda no final dos tempos; pois assim, dá pra diferenciar do roxo que é usado mais no tempo da Quaresma, que é tempo de penitência.

Rosa– simboliza a alegria. Pode ser usado no terceiro domingo do Advento e quarto domingo da Quaresma, chamados Domingo da Alegria.

Branco- significa vitória, paz, pureza, alegria. Usa-se na Quinta-feira Santa, na Vigília Pascal do Sábado Santo, em todo o Tempo Pascal, no Tempo do Natal, nas festas dos Santos, nas festas do Senhor, nas festas de Nossa Senhora,dos Santos Anjos, S. João Batista, São João Evangelista, Cátedra de São Pedro e conversão de São Paulo.

Preto- é símbolo de luto. Pode ser usado na missa pelos mortos.

Jane Amábile- Com. Divino Espírito Santo

23 de agosto de 2010 at 23:30 Deixe um comentário

O DOM DE LÍNGUAS

 

O Dom de Línguas é um Dom Carismático

 SãoPaulo enumera na Primeira Carta aos Coríntios, capítulo 12, versículos de 4 a 10, os dons carismáticos que o Espírito Santo nos concede para colaborar com a nossa salvação e a  dos nossos irmãos. Os Dons apresentados por São Paulo são: palavra de sabedoria, palavra de ciência, a fé, o dom de curar as doenças, o dom de milagres, o dom de profecia, o discernimento dos espíritos, a variedade de línguas e a interpretação das línguas.

E os Dons Hierárquicos?

Além dos Dons Carismáticos há também os Dons Hierárquicos (Infusos) que são: temor de Deus, piedade, fortaleza ( ou coragem ), prudência ( ou conselho ), ciência, entendimento ( ou inteligência ) e sabedoria. Podemos encontrá-los em  Isaías 11, 1-4 .

O Catecismo da Igreja lembra que os Carismas são graças especiais dadas por Deus e “seja qual for o seu caráter, às vezes extraordinário, como o dom dos milagres ou das línguas, se ordenam à graça santificante e tem como meta o bem comum da Igreja”. ( Cic  2003 )

A reflexão de hoje é sobre o Dom de Línguas.

O que é o  Dom de Línguas?

Há muitas coisas nesse mundo que não achamos explicação racional, e se buscamos explicá-las, possivelmente não encontramos a resposta que nos satisfaça plenamente.

O mundo foi criado por Deus, tanto as coisas que vemos, como as que não vemos. E as que não vemos são difíceis de entendê-las, e nesse contexto se encontram as coisas relacionadas ao espírito (alma, coração…).

  Deus se relaciona mais estreitamente conosco, através do nosso coração, onde faz morada pelo Espírito Santo, no Batismo. E o Espírito Santo traz pra nossa vida espiritual os Dons (Carismas) e Frutos. Os Dons e Frutos do Espírito Santo revelam  mais um pouco de Deus para nós, já que muitos mistérios divinos  são insondáveis e só vamos conhecê-los  realmente quando estivermos com Ele na  glória dos Céus. E um desses mistérios é o Dom de Línguas.

Testemunho

No ano de 1978, em minha casa, num momento de oração, tive o desejo de orar em línguas, pois já tinha lido um livro sobre o dom de Línguas. Então pedi a uma irmã que orasse comigo, impondo as mãos, e o Senhor,  respondendo prontamente deu-me uma  maravilhosa unção do Espírito Santo, que veio acompanhada do dom de Línguas. Deus assim fala em sua Palavra: “E eu vos digo: pedi, e dar-se-vos-à; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-à.”É o que diz o Evangelho de São Lucas no capítulo 11, versículo 9; e adiante no versículo 13, o Senhor completa: “ Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai celestial dará o Espírito Santo aos que lho pedirem.”

 E o interessante e misterioso é que o meu marido, que estava em outro local da casa, recebeu também o dom de Línguas, no mesmo instante, sem que alguém orasse por ele. Possivelmente ele desejou em seu coração ter uma experiência com o Espírito Santo também. Penso que foi confirmada  a Palavra de Deus, que fala da união entre os esposos, pelo sacramento do Matrimônio: “… e os dois formarão uma só carne? Assim já não são dois, mas uma só carne.“ (Mt  19, 5-6 ) Foi assim que recebemos juntos, meu marido e eu,  o dom de orar em Línguas.

Daí em diante a minha vida se transformou: passei a buscar mais a vida no espírito e cada vez menos a vida na carne, com seus apegos, vícios e aprisionamentos.  A efusão do Espírito Santo, também chamada” experiência de Pentecostes”, é realmente uma experiência transformadora na vida de todos os que desejam vivenciá-la. Posso testemunhar que nesses anos todos, vi muitas conversões frutuosas por causa desse mergulho no amor de Deus, através da própria personificação do amor, que é o Espírito Santo.Pude também ser ajudada por pessoas fiéis aos carismas, e também pude auxiliar muitos dos meus irmãos em suas necessidades espirituais, mentais e físicas, através dos dons carismáticos.

O Batismo- Sacramento da Igreja

Quando se fala “Unção do Espírito Santo”, ou”Renovação do  Batismo” ou” Experiência de Pentecostes”,ou ” Cultura de Pentecostes” são termos usados para designar o renovar constante da graça de Deus em nós, recebida no Batismo ( Sacramento). Não se repete o sacramento, mas o torna vivo em nós, para não sairmos do caminho da graça, pois é o Espírito Santo que tem a missão de nos santificar, se o permitirmos.

 A Experiência de Pentecostes

Quando Jesus ascendeu aos Céus, prometeu enviar o Espírito Santo da parte do Pai. Maria Santíssima e os discípulos de Jesus, ficaram em oração esperando que a promessa se cumprisse. No dia de Pentecostes o Espírito Santo desceu em forma” de Línguas de fogo, que se repartiram e repousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito santo lhes concedia que falassem. “ ( At  2, 3-4 ) Nesse dia celebra-se o Dia de Pentecostes, pois esse fato aconteceu cinquenta dias após a Páscoa, e daí nasceu a nossa Igreja. E nesses anos todos de experiência com a Evangelização, vejo como são importantes os carismas para a Igreja, especialmente o dom de línguas. E não foi por acaso que esse dom apareceu com tão grande ênfase na narração da descida do Espírito Santo em Pentecostes. O dom de línguas normalmente está presente no exercício de todos os outros dons. 

Ao receber o Espírito Santo no Batismo temos a experiência do amor de Deus. Mas infelizmente nos afastamos de  Deus no caminhar de nossas vidas, por causa de nossos pecados, por isso é preciso estar sempre buscando a renovação do Espírito Santo ou uma nova experiência de Pentecostes. Deus não nos obriga a amá-lo e nem a estar com Ele, mas isso é essencial para nossa vida como um todo, por isso o Senhor colocou à nossa disposição o Espírito Santo com seus dons e frutos, quando fomos batizados. A água viva do Espírito Santo é que vai matar a nossa sede de Deus, mas precisamos pedir e orar, porque Deus não viola nossa vontade. Jesus disse à Samaritana no poço de Jacó: “Se conhecesses o dom de Deus, e quem é que te diz: Dá-me de beber, certamente lhe pedirias tu mesma e Ele te daria uma água viva. “( Jo 4, 10 ) Fomos batizados e o Espírito Santo mora em nosso coração para todo o sempre. Está lá. É uma verdade imutável. Mas como a Samaritana, precisamos pedir a Jesus para renovar essa graça em nós, pois nossas fraquezas nos impedem de vivê-la plenamente em nossas vidas.

Sobre o Dom de Línguas

O Dom de Línguas é o primeiro dos dons carismáticos, o que abre a porta para os outros dons. Podemos além de falar, também cantar em Línguas. O Dom de Interpretação das Línguas falaremos em outro momento.

 Ao recebermos o dom de línguas,  permanecemos no mesmo estado mental de antes. É uma língua diferente, mas a proferimos do mesmo modo como fazemos com a nossa língua materna. O dom de línguas vem naturalmente e pela nossa  livre vontade. São Paulo explica a importância de louvar, exaltar, suplicar e agradecer a Deus com o dom de línguas, mesmo que não compreendamos o que estamos dizendo, mas Deus sempre sabe: “ …o Espírito vem em auxílio à nossa fraqueza; porque não sabemos o que devemos pedir, nem orar como convém, mas o espírito mesmo intercede por nós com gemidos inefáveis.E aquele que perscruta os corações sabe o que deseja o Espírito…” ( Rm 8, 26-27 )

E o que podemos fazer para receber o Dom de Línguas e os demais dons do Espírito Santo?

Existe alguns passos que podem nos ajudar na busca dos carismas do Espírito Santo, principalmente o dom de línguas:

1- Termos desejo no coração de receber o Dom. E foi o que aconteceu com o eunuco quando ouviu falar do batismo no Espírito Santo, pediu que Filipe o batizasse imediatamente. Logo encontraram um rio, desceram do carro e Filipe batizou o eunuco. ( At 8,35-39 ). 

2- Orar a Deus, pedindo que derrame sobre nós o Espírito Santo, para que tenhamos a experiência dos discípulos  de Jesus,  e de Maria Santíssima, em Pentecostes: “ Todos eles perseveravam unanimemente na oração, juntamente com as mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus…”( At  1, 14 )

3- Pedir a um irmão da Igreja, que imponha as mãos sobre nós e ore: “E quando Paulo lhes impôs as mãos, o Espírito Santo desceu sobre eles, e falavam em línguas estranhas e profetizavam.” ( At  19, 6 )

4- Não deveriámos ficar preocupados com o  raciocínio e lógica das palavras no recebimento do dom (no dom de línguas as palavras são incompreensíveis à mente humana). Paulo explica para nós: “Se eu oro em virtude do dom das línguas, o meu espírito ora, mas o meu entendimento fica sem fruto. Então que fazer? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas cantarei também com o entendimento. “ ( I Cor 14, 14-15 )

5- Entregar-nos a Deus, não colocar resistência ao Senhor, que só quer nos dar o melhor, porque nos ama. Jesus deu ordem aos seus discípulos que pregassem o Evangelho, batizassem a todos, pois estes receberiam os dons, inclusive o dom de línguas: “Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu nome, falarão novas línguas…” ( Mc 16, 17 )

 6- Fazer uma boa confissão– essa é uma experiência do amor de Deus, portanto é importante uma boa confissão para receber o perdão de Deus. A Palavra diz, através de Pedro: “ Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. “ ( At 2, 38 )  

7- Perdoar a quem nos ofendeu  e estar aberto ao perdão que o irmão quer receber de nós. Buscar amar nossos irmãos. A caridade ( o amor )  é o vínculo da perfeição. São Paulo diz: “A caridade jamais acabará. As profecias desaparecerão, o dom de línguas cessará…” ( I Cor 13, 8 )

8- Crer em Deus e confiar que Ele vai nos dar o que pedimos: os dons do Espírito Santo. No Evangelho de São Marcos, Deus nos fala: “Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado.” ( Mc 16, 16 )

9- Buscar os dons carismáticos é nos comprometer com o seviço da  Igreja. O Catecismo ensina: “os carismas acham-se a serviço da caridade, que edifica a Igreja. “( Cic 2003 )  Os carismas são dados aos fiéis para a edificação do Corpo de Cristo, que é a Igreja. Não  devemos nos envaidecer com os carismas, porque não são nossos: pertencem a Deus e a  Igreja. Somos só instrumentos de Deus. 

10- É colocar Jesus como Senhor de nossas vidas, aquele que sofreu, morreu e ressuscitou para termos vida e vida eterna: ” Quem possui o Filho possui a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida. ” ( I Jo 5, 12 )

 Oração      

Ò Pai, vós nos prometeste enviar o Espírito Santo e cumpriu sua promessa no dia de Pentecostes. Obrigada por  nos permitir viver um pouco do Céu aqui na terra. através do exercício  dos carismas do seu Santo Espírito.

Ó Jesus Cristo, pelas águas poderosas do Batismo, pudemos mergulhar na sua morte e ressurreição, saindo da vida de pecado e recebendo uma vida de graça. Ajuda-nos, Senhor, a buscar cada vez mais, pela oração, a renovação do Espírito Santo em nós, para que nos santifiquemos e ajudemos na santificação de nossos irmãos também.

Ó Espírito santo de amor, encha-nos da sua graça, dos seus dons e faz-nos a cada dia mais ser novas criaturas.

Maria santíssima , vós que estivestes em oração , na descida do Espírito Santo em Pentecostes, interceda  sempre a Jesus para que derrame sobre nós o Dom do seu  Espírito, especialmente o dom de línguas para que possamos exaltá-lo, bendizê-lo e louvá-lo em outras línguas, pois o nosso Senhor merece todos os louvores e glórias, seja em forma de línguas estranhas, misteriosas ou conhecidas.

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

15 de agosto de 2010 at 16:25 Deixe um comentário

O FRUTO DA PACIÊNCIA

A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz. Ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz à passagem”. ( Jo 10, 3 )

 A Paciência é umas das virtudes mais difíceis de  cultivarmos.  E muitas vezes só aprendemos sobre a paciência no tempo de sofrimento e de dor. A paciência é um dos frutos do Espírito Santo. Portanto devemos pedir ao Espírito Santo, na oração, e exercitá-lo no dia -a- dia.

Ser paciente é fugir da cólera, da raiva e da ira. Ser paciente é copiar Jesus, que é totalmente paciência e amor. Podemos citar vários textos bíblicos que retratam a paciência com que Jesus atendia a todos que o procuravam:

As crianças – Jesus  acolhia as crianças com paciência, carinho e amor: “Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se parecem com elas”. ( Lc 18, 16 )

Os doentes – ao dirigir-se à casa de Jairo, para curar e ressuscitar sua filha, mesmo com a multidão “comprimindo-o”, ( Mc 5, 24 ) Jesus  curou a hemorroísa.  Ao perceber a força que havia saído dele, procurou-a na multidão para falar com ela. Jesus sempre cheio de compaixão e coração aberto a todos. Independente da multidão ao seu redor, Jesus foi atencioso com a hemorroísa e não  se impacientou com a situação.

Os fariseus e doutores da lei – Jesus respondia com calma e sabedoria a todas as provocações dos fariseus e doutores da lei, e ainda dava conselhos e lições para eles. Por causa da paciência de Jesus e mansidão, eles desistiam de interrogá-lo: “Assim não puderam surpreendê-lo em nenhuma de suas palavras diante do povo. Pelo contrário, admirados da sua resposta, tiveram de calar-se.“ ( Lc 20,26 )

A pecadora – quando a multidão enfurecida trouxe uma pecadora diante dele, Jesus desconcertou seus acusadores, com paciência e tranquilidade. A Palavra fala: “Jesus, porém, se inclinou para a frente e escrevia com o dedo na terra”( Jo 8, 6 ). Depois de responder à multidão com sabedoria, tomou a mesma atitude de antes, para acalmar os ânimos que estavam exaltados: “ Inclinando-se novamente, escrevia na terra.“ ( Jo 8, 8 )

A multidão – quando a multidão queria reter Jesus junto dela, para ouvi-lo e serem curados, Jesus argumentava com delicadeza e paciência: “ É necessário que eu anuncie a boa-nova do Reino de Deus também às outras cidades, pois essa é a minha missão. “ ( Lc 4, 43 )

Em Nazaré – mesmo não sendo recebido em sua própria terra e admirado da “desconfiança deles”, curou os doentes que o procuraram. Não se exaltou, nem ficou se lamentando, mas saiu dali e foi pregar o Evangelho nas “aldeias circunvizinhas”( Mc 6, 6 )

Com Lázaro – Jesus foi paciente e esperou quatro dias para ressuscitar seu amigo Lázaro. Para que Deus fosse glorificado, e para que sua missão fosse confirmada pelo Pai diante de todos: “ Pai, rendo-te graças, porque me ouvistes.Eu bem sei que sempre me ouves, mas falo assim por causa do povo que está em roda, para que creiam que tu me enviastes. “ ( Jo  11, 41-42 )

As ovelhas – Jesus, com paciência, cuida de cada um de nós, cuida de nossas feridas e nos ensina a buscar a salvação, sem se cansar, nem impacientar-se: “ Depois de conduzir todas as suas ovelhas para fora, vai adiante delas; e as ovelhas seguem-no, pois lhe conhecem a voz. “ ( Jo 10, 4 ) Jesus tem paciência conosco e perdoa todas às vezes que pedirmos perdão a Ele.

Com os seus torturadores, na sua Paixâo e agonia – Jesus, embora estivesse num momento de muita dor e sofrimento diante daqueles que o maltratavam, foi paciente e respondeu ao interrogatório sem aspereza ou raiva. Pilatos perguntou a Jesus: “És tu o rei dos judeus? Jesus respondeu: Sim.” ( Lc 23, 3 ) E assim foi ao carregar a cruz e também na crucificação: “ Foi maltratado e resignou-se; não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro, e uma ovelha muda nas mãos do tosquiador. “ ( Is 53, 7 ) São Pedro explicou bem a postura paciente de Jesus diante de seus Algozes: “ Ele, ultrajado, não retribuía com idêntico ultraje; ele maltratado, não proferia ameaças, mas entregava-se àquele que  julga com justiça.” ( I Pe 2, 23 )

E São Bento nos dá esse ensinamento: “E assim, pela paciência, participamos dos sofrimentos de Cristo e merecemos assim estar com Ele em seu Reino.”

Ser paciente é:

esperar pela justiça de Deus, que é santa;

é amar o próximo e acolher suas fraquezas;

ter certeza de que Deus tem um tempo pra tudo;

confiar em Deus, pois Ele sempre tem um plano pra nossa vida e esse plano é perfeito;

reconhecer nossas limitações;

-abrir-se ao dom da Providência Divina;

não ser arrogante, nem orgulhoso;

colocar-se nas mãos de Deus;

crer que Deus tem poder  e é misericordioso;

aceitar a própria história de vida;

saber que depois do sofrimento vem a ressurreição.

Deus nos lembra na sua Palavra em Tiago, capítulo 5, versículo 11: “ Vós sabeis que felicitamos os que suportam os sofrimentos de Jó. Vós conheceis o fim em que o Senhor o colocou, porque o senhor é misericordioso e compassivo.”

Santo Antônio de Pádua fala sobre o fruto da paciência: “A paciência é o baluarte da alma, ela a fortifica e defende de toda pertubação.”

Ó Jesus, querido, que eu possa seguir a Ti, sendo paciente e generosa para com todos os meus irmãos.

Ó Espírito Santo, doador dos frutos, dá-me o fruto da paciência, para que eu possa ser uma pessoa mais amável e compreensiva.

Ó Pai, dá-me a sabedoria de viver a cada dia, aguardando as bênçãos que o Senhor tem pra mim no dia de hoje.

Maria Santíssima, ensina-me a ser dócil como seu filho Jesus.

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

12 de agosto de 2010 at 8:30 Deixe um comentário

IDE E ANUNCIAI

 

 

Respondeu-lhes Jesus: Ide e contai a João o que ouvistes e o que vistes:

os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, o Evangelho é anunciado aos pobres…(Mt 11,4-5)

Quem deve evangelizar? E a quem evangelizar?

O Convite da Igreja para todos nós batizados é que anunciemos o Evangelho a todos. E esse anúncio deve ser acompanhado de milagres e prodígios e de testemunho de vida cristã de quem anuncia. Quando João Batista quis saber de Jesus, se Ele era o Messias. Jesus mandou dizer a João Batista: “Ide e contai a João o que ouvistes e o que vistes: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, o Evangelho é anunciado aos pobres.” ( Mt 11, 4-5 )

Quem tem autoridade para enviar o evangelizador?

Deus envia o evangelizador, através da sua Igreja, dando-lhe autoridade e poder: “E como pregarão, se não forem enviados…?” ( Rm 10,15 ). Jesus deu exemplo da autoridade, que Ele conferiu à Igreja, através de Pedro, na Palavra: “Ele os enviara a pregar, com o poder de expulsar os demônios.” ( Mc 3, 15 ).  Em Lucas 9, 1-2, Jesus  também enviou “ os doze apóstolos, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios, e para curar enfermidades. Enviou-os a pregar o Reino de Deus e a curar os enfermos. “

O que o evangelizador deve levar às pessoas?

Pregar o Evangelho é levar a boa nova da salvação às pessoas, pela conversão do coração e o arrependimento dos pecados. Jesus faz esse apelo a todos: “Cumpriu-se o tempo e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no evangelho.” ( Mc 1, 15 )

E qual é a Boa Notícia que o evangelizador leva aos que não crêem?

Que Jesus veio nos libertar do mundo das trevas eternas, a que estávamos destinados por causa da herança do pecado de Adão e Eva. Foi pelo sangue de Jesus derramado na cruz que fomos resgatados: Jesus sofreu, morreu e ressuscitou para nos dar o perdão  de nossos pecados e assim termos acesso ao Reino que o Pai preparou para todos. ” É ele que nos perdoou todos os pecados, cancelando o documento escrito contra nós. Aboliu-o definitivamente, ao encravá-lo na cruz.” ( Cl 2, 13-14 )

O Catecismo fala que “o verdadeiro Apóstolo procura as ocasiões para anunciar Cristo pela Palavra, seja aos descrentes, seja aos fiéis.”

Ao anunciar o Evangelho precisamos estar cientes de que:

devemos desapegar-nos das coisas do mundo e não olhar para trás. Ao homem que queria segui-lo, Jesus lhe disse: “Deixa que os mortos enterrem seus mortos; tu, porém, vai e anuncia o reino de Deus.” ( Lc 9, 60 )

o nosso testemunho pode convencer mais que as palavras: O Catecismo ensina: “O próprio testemunho da vida cristã e as boas obras feitas em espírito sobrenatural possuem a força de atraírem os homens para a fé e para Deus.” (Cic 2044) O nosso testemunho passa pela prática das virtudes, pela obediência aos Mandamentos de Deus  e pela vivência do amor, na dimensão mais pura e divina.

os primeiros a ouvir o anúncio do evangelho é a nossa própria família: Jesus deu a seguinte ordem ao homem que ficou livre da possessão: “Vai para casa, para junto dos teus e anuncia-lhes tudo o que o Senhor fez por ti, e como se compadeceu de ti.” ( Mc 5, 19 )

há um chamado de Deus para estender a evangelização para o mundo todo. A Igreja precisa também de evangelizadores missionários que saiam de suas terras e vão para outras terras levar a Palavra. Jesus envia seus discípulos a pregar o Evangelho a todos: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura.” ( Mc 16, 15 )

devemos pedir a unção do Espírito Santo para a missão ( os seus dons e frutos ); e preparar-nos com uma boa catequese da doutrina da Igreja e da vida dos santos; e conhecer a Palavra de Deus. ” Como bons dispensadores das diversas graças de Deus, cada um de vós ponha à disposição dos outros o dom que recebeu…” ( I Pe 4, 10 )

é a Igreja quem envia o anunciador da Boa Nova de Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador. É preciso estar em comunhão com a Igreja: ser fiel a ela. Jesus dá autoridade a Igreja, através de Pedro: ” Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.” ( Mt 16, 19 )

necessitamos do combate pela oração, a escuta de Deus e a vivência dos sacramentos, pois nos fazem crescer na fé e  nos dá coragem para evangelizar. Infelizmente o inimigo quer impedir que os filhos de Deus se convertam, e que  Deus os cure e salve: “”…embraçai o escudo da fé, com que possais apagar todos os dados inflamados do Maligno.” ( Ef 6, 16 )

é preciso renunciar à vaidade e ao orgulho, pois quem dá os dons para pregarmos o Evangelho é o Espírito Santo. Imitemos São Paulo, o grande evangelizador da Igreja, falando em Tessalônica: ”  Na qualidade de apóstolos de Cristo, poderíamos apresentar-nos como pessoas de autoridade. Todavia, nos fizemos discretos no meio de vós.”( 1 Ts 2, 7 )

-poderemos  muitas vezes sofrer pela causa do Evangelho:”…pregamos o Evangelho de Deus em meio a muitas lutas.”( 1 Ts 2, 2 )

devemos ser honestos e fiéis à Palavra, mesmo não agradando a quem ouve, mas sempre usando de caridade para com todos: ” Mas, como Deus nos julgou dignos de nos confiar o Evangelho, falamos, não para agradar aos homens, e sim a Deus, que sonda os nossos corações.” ( 1 Ts 2, 4) E São Paulo completa: ” Assim, em nossa ternura por vós, desejávamos não só comunicar-vos o Evangelho de Deus, mas até a nossa própria vida, porquanto nos sois muito queridos.” ( 1 Ts 2, 8 )

é  preciso ser solidário com os necessitados, amar todas as  criaturas  e os bens criados por Deus. Jesus pediu pra dar de comer a quem tem fome, dar de beber a quem tem sede, vestir o que está sem roupas,… E  completa: ” todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes.” ( Mt 25, 40 )

– é a Palavra de Deus, a fonte do agir, do falar e do pensar de todo o  cristão que deseja evangelizar. Se ela estiver cravada em nosso coração convencerá aos outros, pois Jesus é o próprio Verbo, a Palavra: ” Ainda muitos outros creram nele  por causa das suas Palavras. ” ( Jo 4, 41 )

que Jesus deve ser o único e verdadeiro Senhor de nossas vidas, nosso Deus e Pai: “Mas, para nós, há um só Deus, o Pai, do qual procedem todas as coisas e para o qual existimos, e um só Senhor, Jesus Cristo, por quem todas as coisas existem e nós também. ” ( I Cor 8, 6 )

A Igreja anuncia o Evangelho de diversas maneiras:

No Templo, como Jesus o fez, já aos doze anos: “Três dias depois o acharam no templo, sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. Todos os que o ouviam estavam maravilhados da sabedoria de suas  respostas.” ( Lc  2, 46-47 )

Nas ruas e praças: Com missa campal, shows de músicas católicas, procissões, festas, romarias: “ Jesus subiu à montanha. Sentou-se e seus discípulos aproximaram-se dele. Então, abriu a boca e lhes ensinava, dizendo…” ( Mt 5, 1-2 )

Pelos meios de comunicação: televisão, rádio, imprensa escrita ( jornais, revistas, livros); e material de marketing:  panfletos, outdoor, cartazes. Essa forma de evangelizar pode chegar ao mundo todo.  Jesus dando instruções aos seus discípulos e profetizando sobre as formas de evangelização dos nossos tempos disse: “O que vos é dito ao ouvido, publicai-o de cima dos telhados.“ ( Mt 10, 27 )

Através de novas mídias: internet e celular. É o jeito mais direto de alcançar as pessoas de todas as partes do planeta. O Papa Bento XVI nos orienta: “Ora, aos presbíteros é pedida a capacidade de estarem presentes no mundo digital em constante fidelidade à mensagem evangélica, para desempenharem o próprio papel de animadores de comunidades, que hoje se exprimem cada vez mais frequentemente através das muitas «vozes» que surgem do mundo digital, e anunciar o Evangelho recorrendo não só às mídias tradicionais, mas também a contribuição da nova geração de audiovisuais (fotografia, vídeo, animações, blogues, páginas internet) que representam ocasiões inéditas de diálogo e meios úteis inclusive para a evangelização e a catequese.”

 O Papa João Paulo II, na Conferência de Puebla, fala de uma Nova Evangelização na Igreja: “A Nova Evangelização tem como ponto de partida, a certeza de que em cristo há uma riqueza insondável, que não extingue nenhuma cultura de qualquer época, e à qual nós homens sempre poderemos recorrer para enriquecer-nos. Essa riqueza é, antes de tudo, o próprio Cristo, sua pessoa, porque Ele mesmo é a nossa salvação”.

 

Maria Santíssima, que é a Estrela da Nova Evangelização, sempre nos aponta para o seu Filho, que é: o Caminho que devemos seguir,  a Verdade que devemos buscar e a Vida que precisamos ter. O caminho é Jesus, a verdade é Jesus e a vida é Jesus.

Que tenhamos fé e coragem para levar a boa nova da salvação, porque Deus quer que todos se salvem. E São Paulo diz: “E orai também por mim, para que me seja dado anunciar corajosamente o mistério do Evangelho, do qual eu sou embaixador, prisioneiro. E que eu saiba apregoá-lo publicamente, e com desassombro, como é meu dever!” ( Ef 6, 19-20 )

Ó Jesus, ensina-nos a falar de ti com sabedoria e conhecimento, com testemunho de fé e coragem!

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

 

7 de agosto de 2010 at 10:00 Deixe um comentário

A FIDELIDADE A DEUS

 

[Cristo_ressuscitado.jpg]

A FIDELIDADE A DEUS

A fidelidade é uns dos frutos do Espírito Santo. Os frutos são graças vindas de Deus para nós, para que possamos nos conduzir pelo espírito e não pela carne.

A fidelidade a Deus passa pela obediência, seguimento da sua Palavra, ser perseverante na oração, no amor a Deus e no seu chamado ao serviço do Reino. A palavra de Deus fala da perseverança e fidelidade dos primeiros discípulos: “ Todos eles perseveravam unanimemente na oração, juntamente com as mulheres, entre elas Maria , mãe de Jesus…”( At 1,14 )

 Jesus nos convida a sermos fiéis e permanecer no seu amor:” Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Perseverai no meu amor.” ( Jo 15, 9 ) Precisamos permanecer em Deus, mesmo passando por momentos de tribulação e ou por abundância de bens.

 São Paulo na carta aos Romanos, capítulo 8, versículo 35, pergunta: “Quem nos separará do amor de Cristo?”- Quando nos separamos de Cristo, somos nós os prejudicados, pois sofremos com essa separação.Mas Deus não se separa de nós. Está conosco em todos os momentos: ” O Senhor está próximo não vos inquieteis com nada!” ( Fl 4, 5-6 ) Ele está proximo, por isso precisamos buscá-lo para receber as graças que Ele tem para nos dar. Deus nos aguarda ansiosamente. Se somos fiéis recebemos essas graças continuamente.

 E quem somos nós sem Deus? – Somos criaturas e necessitamos de estar em harmonia e sintonia com o nosso Criador. Sem Deus a nossa natureza sofre e se definha espiritualmente e também por conseqüência, mental e fisicamente.

Deus sempre é fiel conosco. Renova sua aliança mesmo que não mereçamos e que tenhamos sido infiéis ao seu amor. E o Senhor cumpre sempre todas as promessas que faz para nós. E o  que Ele nos pede? Crer, confiar e esperar o momento certo para que Ele possa realizar o que prometeu em nossas vidas: “Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo do céu.” ( Ecl 3,1 )

Deus fez aliança com seu povo em diversos momentos: com Abraão, Moisés e renovou a aliança em seu amado Filho Jesus Cristo. E em todas às vezes, Deus fez a promessa e  sempre realizou o que prometeu. Hoje assim é conosco ainda. Deus cumpre o que promete, porque tem poder e nos ama infinitamente.

Para se concretizar uma aliança é preciso que haja dois lados para se formar um só. Deus nunca rompe o lado dele, mas nós, sim. Deus sempre é fiel e nunca se esquece da aliança que faz conosco. Nós, porém, deixamo-nos corromper por falsos deuses e falsas promessas. Como temos facilidades de arrumar falsos deuses e falsos mestres!

Se buscarmos ser fiéis, Deus nos dará sua recompensa. É isso que São Paulo nos diz em Hebreus 10, versículos 35 e 36:”Não percais esta convicção a que está vinculada uma grande recompensa, pois vos é necessária a perseverança para fazerdes a vontade de Deus e alcançardes os bens prometidos.”

 Ser fiel a Deus é amá-lo incondicionalmente. Mas o nosso amor e fidelidade a Deus para ser verdadeiro, precisa passar pelo amor e fidelidade ao próximo- que podem ser os nossos amigos, pessoas da família, marido ou esposa e demais pessoas que convivemos: “Porque aquele que não ama seu irmão, a quem vê, é incapaz de amar a Deus, a quem não vê.”( I Jo 4, 20 ) 

Jesus foi fiel à vontade do Pai até a morte de cruz, por isso o Pai  exaltou Jesus, ressuscitando-o dos mortos. A fidelidade de Jesus ao Pai nos salvou da condenação eterna e nos permitiu entrar no Reino. Portanto a nossa fidelidade a Deus também nos trará tantos bens e tão grandes, que nem podemos imaginar.

Maria Santíssima foi fiel a Deus sempre. Passou por muitos momentos bons, mas principalmente, por muitos momentos difíceis, vendo o sofrimento do seu Filho Jesus cristo. Mas Maria sempre creu nas promessas de Deus e pode testemunhar o cumprimento delas; e por isso foi exaltada e proclamada bem-aventurada para sempre.

Precisamos seguir algumas orientações, se quisermos cultivar o fruto da fidelidade em nosso coração e não deixar a nossa fé esfriar:

-buscar ter uma experiência transformadora com Jesus salvador;

– pedir ao Espírito Santo que renove em nós, diariamente, o dom da fidelidade;

– meditar a Palavra de Deus, para colocá-la em prática;

– obedecer aos Mandamentos;

-esperar e confiar em Deus, em todas as circunstâncias;

-perseverar  e ser constante na oração individual e comunitária;

– ter vigilância na conduta pessoal;

– participar dos sacramentos, principalmente a Eucaristia e Confissão;

-ter devoção a Nossa senhora e aos santos;

-esforçar-se para ser testemunho de um bom cristão, para os outros;

-respeitar, obedecer e seguir as orientações da Igreja através de seus pastores (Papa, Bispo, Padres );

-participar do serviço na Igreja;

-partilhar o pão com os necessitados;

– imitar os cristãos que caminham na santidade;

-e ser agradecido pelas promessas que Deus já cumpriu em nossas vidas.

Peçamos sempre a Deus que não fiquemos pelo meio do caminho. Diz Santo Agostinho: “ Os que perseveram em vossas companhias sejam vossos modelos. E os que vão ficando pelas calçadas, aumentem vossa vigilância.”

Que Deus nos dê força e coragem para perseverar até o fim e receber a recompensa das mãos de Deus. E o Senhor nos confirma em Marcos 13, versículo 13, que Ele tem o melhor prêmio aguardando por nós no final da corrrida: a salvação de nossas almas: “ Mas o que perseverar até o fim será salvo.”

Tenho muito que agradecer a Deus por tudo o que Ele tem feito na minha vida e com certeza ,você, meu irmão, também tem recebido muitas graças de Deus na sua vida também, porque Deus é fiel e bom.

Ó amado Jesus, nosso Mestre e Senhor, que a sua lembrança nunca saia de nossa mente, que suas Palavras nunca saiam do nosso coração e que nossas vidas pertençam somente a ti, Senhor. Para todo o sempre. Amém.

Jane Amábile- Com. Divino Espírito Santo

3 de agosto de 2010 at 23:03 Deixe um comentário


ADMINISTRADORA DO BLOG:

Jane Amábile

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts por email.

Junte-se a 202 outros seguidores

Categorias