Archive for julho, 2013

JMJ Rio2013 superou todas as expectativas

 

 

 

 

2013-07-31 Rádio Vaticana

Rio de Janeiro (RV) – Os resultados alcançados pela Jornada Mundial da Juventude Rio 2013 superaram todas as expectativas, segundo o Arcebispo do Rio de Janeiro e Presidente do Comitê Organizador Local (COL), Dom Orani Tempesta. O público presente à Missa de Envio chegou a 3,7 milhões de pessoas, seis vezes maior que o número presente no primeiro Ato Central – a Missa de Abertura -, estimado em 600 mil participantes. O impacto econômico também foi significativo. Os visitantes desembolsaram R$ 1,8 bilhões, segundo dados do Ministério do Turismo.
Mas a renovação da fé e da esperança é o principal legado que a JMJ Rio2013 deixará no coração dos jovens, de acordo com Dom Orani. “Os jovens levaram consigo uma experiência de fé, de esperança muito grande. Tenho certeza de que jamais esqueceremos. Os jovens já são protagonistas hoje. O meu coração está muito agradecido”, destacou. O Arcebispo disse ainda que está sendo viabilizada a criação de um instituto para a juventude que terá a responsabilidade de guardar as experiências da JMJ Rio2013 e trabalhar pelos jovens.
No total, mais de 3,5 milhões de pessoas participaram dos eventos da JMJ em Copacabana, Quinta da Boa Vista, Rio Centro e em diversas paróquias da cidade. A cerimônia de acolhida do Papa Francisco, na quinta-feira, 25, reuniu 1,2 milhões de pessoas em Copacabana, enquanto a Via-Sacra chegou a 2 milhões na sexta-feira, 26. Na vigília, cerca de 3,5 milhões de jovens estiveram na praia de Copacabana.
As inscrições foram 427 mil, com peregrinos de 175 países. Os inscritos com hospedagens foram cerca de 180 mil, enquanto as vagas disponibilizadas para hospedagem em casas de família e instituições chegaram a 356,4 mil.
O maior número de participantes era de latino-americanos. Os países com o maior número de inscritos foram, respectivamente, Brasil, Argentina, Estados Unidos, Chile, Itália, Venezuela, França, Paraguai, Peru e México. Do total dos inscritos internacionais, 72,7% estiveram no Brasil pela primeira vez e 86,9% nunca haviam participado de uma Jornada. Foram credenciados 6,4 mil jornalistas para cobrir a JMJ Rio2013 em 57 países.
Foram mais de 70 mil downloads no site oficial da JMJ Rio2013 e mais de 200 mil acessos. O facebook recebeu mais de 1,1 milhão de curtidas e o flickr superou 10 mil downloads.
Entre os peregrinos inscritos, 55% são do sexo feminino; 60% do público tem entre 19 e 34 anos. Foram 644 Bispos inscritos, dos quais 28 são Cardeais. Além disso, foram 7814 sacerdotes inscritos e 632 diáconos. Para cobrir a JMJ Rio2013 em 57 países, foram credenciados 6,4 mil jornalistas.
O evento também contou com 264 locais de catequese, em 25 idiomas. Foram 60 mil voluntários, mais de 800 artistas participantes dos Atos Centrais. Um total de 100 confessionários foram expostos na Feira Vocacional e no Largo da Carioca e 4 milhões de hóstias produzidas, 800 mil para Missa de Envio.
A geração de lixo foi inferior a outros eventos que acontecem em Copacabana, como o Réveillon. A Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) removeu 345 toneladas de resíduos orgânicos e 45 toneladas de materiais recicláveis, durante a JMJ Rio2013. O número representa cerca de 10% a menos do registrado na noite do último Ano Novo.

Entre os vários momentos significativos vividos junto ao Santo Padre, o Arcebispo do Rio destacou dois: a relação de carinho com as crianças e a oração ao Cristo Redentor. “Todas as vezes que nos deslocávamos de helicóptero, o Santo Padre olhava para o Cristo e rezava. Eu que estava atrás dele, pude presenciar várias vezes esses momentos de oração.
A proximidade do Papa com as pessoas traz um testemunho para o mundo de que a Igreja está perto das pessoas, como uma mãe de seus filhos, explicou Dom Orani. “A Igreja antes de mais nada anuncia uma boa notícia a todos”, disse. Outro legado deixado pela JMJ Rio2013 foi a atenção do poder público e da mídia para a Região Oeste, onde está Guaratiba.
A cruz da JMJ e o Ícone de Nossa Senhora serão entregues à Cracóvia, próxima cidade-sede, apenas em Roma. A tradição é que sejam enviados para o Pontifício Conselho para os Leigos e no domingo de Ramos do próximo ano, serão entregues aos jovens da Polônia em cerimônia que deverá acontecer em Roma.(.rio2013 – JE)

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31 de julho de 2013 at 15:51 Deixe um comentário

Papa celebra Missa na Igreja de Jesus, na festa de Santo Inácio de Loyola

 

 

 Rádio Vaticana
Cidade do Vaticano (RV) – Papa Francisco celebrou uma Santa Missa, nesta manhã de quarta-feira, na igreja de Jesus, em pleno centro de Roma, pela festa litúrgica de Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus.
Tratou-se de uma Missa, em forma privada, como aquelas que o Papa celebra, todas as manhãs, na Capela da Casa Santa Marta, onde reside no Vaticano.
Em sua homilia, Papa Francisco exortou seus coirmãos Jesuítas, “a colocar Jesus ao centro das suas vidas e não a própria pessoa” e dirigiu seu pensamento ao Jesuíta seqüestrado na Síria, recordando: “Os Jesuítas são chamados, em diversos modos, a dar a sua vida pelos outros, como fez São Francisco Xavier e Padre Pedro Arrupe, que teve um enfarte ao voltar de uma visita a um campo de refugiados”.
Participaram da celebração Eucarística o Prepósito Geral da Companhia de Jesus, Pe. Adolfo Nicolás, que fez uma saudação inicial ao Santo Padre, e cerca de 800 pessoas, entre Jesuítas, colaboradores, funcionários, representantes de duas Congregações de Irmãs de inspiração inaciana.
Papa Francisco permaneceu na igreja de Jesus por cerca de duas horas. Depois da Santa Missa, visitou o quarto do Fundador da Companhia de Jesus, Santo Inácio de Loyola, na qual se deteve em oração; depois, permaneceu diante do relicário, que contém o braço de São Francisco Xavier, e diante do túmulo do Padre Pedro Arrupe, ex-Prepósito Geral e histórico “papa negro”, falecido há 20 anos.
Por fim, ao acender diante do altar uma lâmpada votiva, Papa Bergoglio se entreteve com seus coirmãos Jesuítas participando de um momento de convívio fraterno e festivo.
Ao término da celebração Eucarística, uma pequena multidão de pessoas, que se encontrava diante da igreja, na Praça de Jesus, aplaudiu o Pontífice com gritos de “viva o Papa”, enquanto um grupo entoava o canto “Papa, nós te amamos”.

31 de julho de 2013 at 9:25 Deixe um comentário

Santo Inácio de Loyola – 31 de Julho

SANTO DO DIA

 
 
 
 
 
 

Santo Inácio de Loyola
1491-1566

Fundou a ordem
da Companhia de Jesus
“Padres Jesuítas”

 

31 de Julho – Santo Inácio de Loyola

Iñigo Lopez de Loyola, este era o seu nome de batismo, nasceu numa família cristã, nobre e muito rica, na cidade de Azpeitia, da província basca de Guipuzcoa, na Espanha, no ano de 1491. O mais novo de treze filhos, foi educado, com todo cuidado, para tornar-se um perfeito fidalgo. Cresceu apreciando os luxos da corte, praticando esportes, principalmente os eqüestres, seus preferidos.

Em 1506, a família Lopez de Loyola estava a serviço de João Velásquez de Cuellar, tesoureiro do reino de Castela, do qual era aparentada. No ano seguinte, Iñigo tornou-se pagem e cortesão no castelo desse senhor. Lá, aprimorou sua cultura, fez-se um exímio cavaleiro e tomou gosto pelas aventuras militares. Era um homem que valorizava mais o orgulho do que a luxúria.

Dez anos depois, em 1517, optou pela carreira militar. Por isso foi prestar serviços a um outro parente, não menos importante, o duque de Najera e vice-rei de Navarra, o qual defendeu em várias batalhas, militares e diplomáticas.

Mas, em 20 de maio de 1521, uma bala de canhão mudou sua vida. Ferido por ela na tíbia da perna esquerda, durante a defesa da cidade de Pamplona, ficou um longo tempo em convalescença. Nesse meio tempo, meio por acaso, trocou a leitura dos romances de infantaria e guerra, por livros sobre a vida dos santos e a Paixão de Cristo. E assim foi tocado pela graça. Incentivado por uma de suas irmãs, que cuidava dele, não voltou mais aos livros que antes adorava, passando a ler somente livros religiosos. Já curado, trocou a vida de militar por uma vida de dedicação a Deus. Foi, então, à capela do santuário de Nossa Senhora de Montserrat, pendurou sua espada no altar e deu as costas ao mundo da corte e das pompas.

Durante um ano, de 1522 a 1523, viveu retirado numa caverna em Manresa, como eremita e mendigo, o tempo todo em penitência, na solidão e passando as mais duras necessidades. Lá, durante esse período, preparou a base do seu livro mais importante: “Exercícios espirituais”. E sua vida mudou tanto que do campo de batalhas passou a transitar no campo das idéias, indo estudar filosofia e teologia em Paris e Veneza.

Em Paris, em 15 de agosto de 1534, juntaram-se a ele mais seis companheiros, e fundaram a Companhia de Jesus. Entre eles estava Francisco Xavier, que se tornou um dos maiores missionários da Ordem e também santo da Igreja. Mas todos só se ordenaram sacerdotes em 1537, quando concluíram os estudos, ocasião em que Iñigo tomou o nome de Inácio. Três anos depois, o papa Paulo III aprovou a nova Ordem e Inácio de Loyola foi escolhido para o cargo de superior-geral.

Ele preparou e enviou os missionários jesuítas ao mundo todo, para fixarem o cristianismo, especialmente aos nativos pagãos das terras do novo continente. Entretanto, desde que esteve no cargo de geral da Ordem, Inácio nunca gozou de boa saúde. Muito debilitado, morreu no dia 31 de julho de 1556, em Roma, na Itália.

A sua contribuição para a Igreja e para a humanidade foi a sua visão do catolicismo, que veio de sua incessante busca interior e que resultou em definições e obras cada vez mais atuais e presentes nos nossos dias. Foi canonizado pelo papa Gregório XV em 1622. A sua festa é celebrada, na data de sua morte, nos quatro cantos do planeta onde os jesuítas atuam. Santo Inácio de Loyola foi declarado Padroeiro de Todos os Retiros Espirituais pelo papa Pio XI em 1922.

31 de julho de 2013 at 9:23 Deixe um comentário

Tomai cuidado contra todo tipo de ganância – Décimo Oitavo Domingo do Tempo Comum – São Lucas 12, 13-21 – 04 \ 08 \ 13

 

 

13. Disse-lhe então alguém do meio do povo: Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança.

14. Jesus respondeu-lhe: Meu amigo, quem me constituiu juiz ou árbitro entre vós?

15. E disse então ao povo: Guardai-vos escrupulosamente de toda a avareza, porque a vida de um homem, ainda que ele esteja na abundância, não depende de suas riquezas.

16. E propôs-lhe esta parábola: Havia um homem rico cujos campos produziam muito.

17. E ele refletia consigo: Que farei? Porque não tenho onde recolher a minha colheita.

18. Disse então ele: Farei o seguinte: derrubarei os meus celeiros e construirei maiores; neles recolherei toda a minha colheita e os meus bens.

19. E direi à minha alma: ó minha alma, tens muitos bens em depósito para muitíssimos anos; descansa, come, bebe e regala-te.

20. Deus, porém, lhe disse: Insensato! Nesta noite ainda exigirão de ti a tua alma. E as coisas, que ajuntaste, de quem serão?

21. Assim acontece ao homem que entesoura para si mesmo e não é rico para Deus.

Iniciemos essa reflexão com o comentário litúrgico: “Dispostos a sermos mulheres e homens novos em Cristo, reunimo-nos para partilhar o seu Corpo e o seu Sangue, que nos garantem o acesso aos bens da vida em Deus. Neste primeiro domingo do mês vocacional, celebremos em comunhão com os vocacionados ao ministério ordenado de nossa Igreja: diáconos, padres e bispos”.


Versículos 13 a 15: “Disse-lhe então alguém do meio do povo: Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança. Jesus respondeu-lhe: Meu amigo, quem me constituiu juiz ou árbitro entre vós? E disse então ao povo: Guardai-vos escrupulosamente de toda a avareza, porque a vida de um homem, ainda que ele esteja na abundância, não depende de suas riquezas”.

“Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança” –  Padre Bantu disse que “na resposta de Jesus transparece a consciência que ele tinha da sua missão. Jesus não se sente enviado por Deus para atender ao pedido de arbitrar entre os parentes que brigam entre si por causa da repartição da herança. Mas o pedido do homem despertou nele a missão de orientar as pessoas, pois “ele falou a todos: Atenção! Tenham cuidado com qualquer tipo de ganância. Porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a sua vida não depende de seus bens.”

O Beato João Paulo II disse que “Deus criou o mundo para o homem, para todos os homens e mulheres. Mas como o destino definitivo do homem é o reino de Deus, não pode ele viver exclusivamente para o mundo. Não pode viver como se o mundo e as realidades temporais fossem sua meta definitiva. Não pode arrimar totalmente o coração nos bens e nas riquezas desta terra”.

A Palavra diz: “A vinha do Senhor dos exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a planta de sua predileção. Esperei deles a prática da justiça, e eis o sangue derramado; esperei a retidão, e eis os gritos de socorro. Ai de vós, que ajuntais casa a casa, e que acrescentais campo a campo, até que não haja mais lugar, e que sejais os únicos proprietários da terra”.  (Isaías 5, 7-8)

São João Maria Vianney disse: ”O meu segredo é bem simples,  é dar tudo e nada guardar”.

“Livrai-nos da idolatria consumista, para que compreendamos que a nossa vida não depende dos bens acumulados, mas da riqueza e dos dons do vosso reino. Ajudai-nos a repartir bens e tempo com os pobres, para assim nos tornarmos ricos diante de vós. Por Cristo, nosso Senhor”. (oração- círculo bíblico)

Versículos 16 a 21:  E propôs-lhe esta parábola: Havia um homem rico cujos campos produziam muito. E ele refletia consigo: Que farei? Porque não tenho onde recolher a minha colheita. Disse então ele: Farei o seguinte: derrubarei os meus celeiros e construirei maiores; neles recolherei toda a minha colheita e os meus bens. E direi à minha alma: ó minha alma, tens muitos bens em depósito para muitíssimos anos; descansa, come, bebe e regala-te. Deus, porém, lhe disse: Insensato! Nesta noite ainda exigirão de ti a tua alma. E as coisas, que ajuntaste, de quem serão? Assim acontece ao homem que entesoura para si mesmo e não é rico para Deus”.

Padre Bantu disse: “A posição de Jesus está clara na sua exortação e na parábola que contou. Jesus é contra qualquer cobiça, pois a cobiça não garante a vida de ninguém. A parábola é um monólogo de um homem rico, ganancioso e egoísta, cujo ideal de vida é apenas comer, beber e desfrutar. Este homem não pensa nos seus empregados, não pensa nos pobres; é profundamente ganancioso e egoísta. Jesus chama-o de insensato, e afirma sua morte naquela mesma noite. Isso significa que acumular bens não garante a vida. O importante é ser rico para Deus…”

A Palavra diz: “Feliz o homem que não pecou pelas suas palavras, e que não é atormentado pelo remorso do pecado. Feliz aquele cuja alma não está triste e que não está privado de esperança!  Para o homem avarento e cúpido a riqueza é inútil; para que serve o ouro ao homem invejoso? Quem acumula injustamente, com prejuízo da vida, acumula para outros, e outro há de vir que esbanjará esses bens na devassidão. (Eclo 14, 1-4)

O Beato João Paulo II disse que quando o homem tem muitos bens materiais “não pensa mais a não ser no próprio descanso, no conforto, esquecendo-se de que nada disto aproveita, pois – como diz Jesus – “não é rico para Deus” (Lc 12, 21). Torna-se, assim, injusto desrespeitando aqueles que têm iguais direitos, tanto da propriedade como dos frutos da terra”.

A Palavra diz: “Não há nada melhor para o homem que comer, beber e gozar o bem-estar no seu trabalho. Mas eu notei que também isso vem da mão de Deus; pois, quem come e bebe, senão graças a ele? Àquele que lhe é agradável Deus dá sabedoria, ciência e alegria; mas ao pecador ele dá a tarefa de recolher e acumular bens, que depois passará a quem lhe agradar. Isto é ainda vaidade e vento que passa”. (Ecles 2, 24-25)

Concluímos essa reflexão com as palavras:

De São Basílio: “Pertence aquele que tem fome o pão que tu guardas; àquele que está nu a capa que tu conservas nos teus guarda-roupas àquele que está descalço, os sapatos que apodrecem em tua casa; ao pobre o dinheiro que tu tens guardado. Assim tu cometes tantas injustiças quantas as pessoas às quais poderias dar”.

Do Papa Emérito Bento XVI: “A autêntica realização do homem e a sua verdadeira alegria não se encontram no poder, no sucesso, no dinheiro, mas apenas em Deus, que Jesus Cristo nos faz conhecer e nos torna próximo”.

Do Papa Francisco: “Queria lançar um apelo a todos os que possuem mais recursos, às autoridades públicas e a todas as pessoas de boa vontade comprometidas com a justiça social: Não se cansem de trabalhar por um mundo mais justo e mais solidário! Ninguém pode permanecer insensível às desigualdades que ainda existem no mundo! Cada um, na medida das próprias possibilidades e responsabilidades, saiba dar a sua contribuição para acabar com tantas injustiças sociais!” 

Oração

Preces da Assembleia

PR: Apresentemos a Deus Pai nossos pedidos de filhos e filhas, dizendo:

AS: Senhor,  vinde em nosso auxílio.

1-      Pai celeste, enviastes vosso Filho ao mundo para que vosso nome fosse glorificado; confirmai o testemunho de vossa Igreja entre os povos, vos pedimos.

2-      Por meio dos apóstolos nos mostrastes as coisas do alto, onde está Cristo; livrai-nos da ganância e tornai-nos solidários com os pobres, vos pedimos.

3-      Vós criastes todas as coisas para o bem da humanidade; fazei que a vossa obra seja respeitada e usufruída por todos, vos pedimos.

4-      Ajudai-nos a vencer a idolatria do dinheiro e a usá-lo para o progresso da nação e o bem-estar de todos os cidadãos, vos pedimos.

5-      Abençoai os diáconos, padres e bispos, para que deem testemunho de desprendimento e de alegria, e enriquecei vossa Igreja de santas vocações, vos pedimos.

6-      PR: Tudo isso, ó Pai, vos pedimos por Cristo, nosso Senhor. AS: Amém.

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

 

 

30 de julho de 2013 at 21:20 1 comentário

Papa Francisco encontrou Presidência da CNBB, Cardeais e Bispos brasileiros: “a humildade está no DNA de Deus”

 

 

 

Rádio Vaticana

Rio de Janeiro (RV) – O último compromisso do Papa Francisco neste sábado, antes do encontro com os jovens Na Vigília na Praia de Copacabana, foi o encontro e almoço com 300 Bispos brasileiros e a Presidência da CNBB, na sede Arcebispado do Rio de Janeiro.
O Papa leu seu longo e denso discurso percorrendo diversos aspectos da Igreja no Brasil, iniciando por Aparecida, “onde Deus ofereceu ao Brasil sua própria mãe e onde Deus deu também uma lição sobre si mesmo, sobre seu modo de agir. Uma lição sobre a humildade que pertence a Deus como traço essencial: ela está no DNA de Deus”O documento aborda diversos tópicos, como o ‘Apreço pelo percurso da Igreja no Brasil’, o ‘Ícone de Emaús como chave de leitura do presente e do futuro’, ‘Os desafios da Igreja no Brasil’, além de abordar temas como a Colegialidade, missão, função da Igreja no Brasil e Amazônia. O encontro, a pedido do Papa, não foi gravado em áudio ou vídeo para não perder a familiaridade a que se destinava. O Papa foi saudado pelo Cardeal Damasceno Assis.
“A força da Igreja “não está em si mesma”, mas “esconde-se nas águas profundas de Deus nas quais é chamada a lançar as redes”, afirmou o Papa Francisco retomando assim no seu discurso a história de Nossa Senhora de Aparecida.
Na origem da história de Aparecida estão três pobres pescadores que lançam as redes mas não conseguem pegar nada, até pescar uma imagem de cerâmica, primeiro o corpo e após a cabeça. É a imagem da Imaculada Conceição. Somente então conseguem pegar uma grande quantidade de peixe. O Papa Francisco faz referência a esta história para sublinhar que Deus chegou de surpresa. Os pescadores, de sua parte, não desprezam o mistério encontrado no rio, embora seja ainda um mistério incompleto:
“Existe algo de sábio que devemos aprender. Existem pedaços de um mistério, como peças de um mosaico, que encontramos e vemos. Nós queremos ver muito rápido o todo e deus, ao contrário, se revela pouco a pouco. Também a Igreja deve aprender esta espera”.
Os pescadores, após, levam a casa o mistério, confiam a Virgem a sua causa e “permitem assim que as intenções de Deus possam atuar: uma graça, depois outra”. O Senhor desperta no homem o desejo de cuidá-Lo no próprio coração e não o desejo de chamar os vizinhos para fazer conhecer a sua beleza. Mas sem a simplicidade da sua atitude, “a nossa missão está destinada ao fracasso”.
“O barco da Igreja, então, o resultado do trabalho pastoral não deve se basear na riqueza dos recursos, mas na criatividade do amor. Servem certamente a tenacidade e organização, mas antes de tudo é necessário “saber que a força da Igreja não reside nela própria, mas se esconde nas águas profundas de Deus, nas quais ela é chamada a lançar as redes”. A Igreja, assim, não pode afastar-se da simplicidade:

“Às vezes perdemos aqueles que não nos entendem, porque desaprendemos a simplicidade, inclusive importando de fora uma racionalidade alheia ao nosso povo. Sem a gramática da simplicidade, a Igreja se priva das condições que tornam possível ‘pescar Deus’ nas águas profundas do seu Mistério”.
Francisco recordou que a Igreja no Brasil aplicou “com originalidade o Concílio Vaticano II e o percurso realizado, mesmo tendo que superar certas enfermidades infantis, levando a uma Igreja gradualmente mais madura, aberta, generosa, missionária”.

A partir daí, o Papa concentrou-se na passagem dos Discípulos de Emaús, escandalizados pela aparente derrota do messias. O pensamento dirigiu-se a todos que abandonam a Igreja por talvez ela parecer muito fria, talvez muito auto-referencial, talvez muito prisioneira das próprias linguagens rígidas. Diante desta situação, “é necessário uma Igreja que não tenha medo de sair na sua noite”, disse Francisco.
“Serve uma Igreja capaz de interceptar o caminho deles. Serve uma Igreja capaz de inserir-se na sua conversa. Serve uma Igreja que saiba dialogar com estes discípulos, que, fugindo de Jerusalém, vagam sem uma meta, sozinhos, com o próprio desencanto, com a desilusão de um cristianismo considerado hoje um ‘terreno estéril’, infecundo, incapaz de gerar um sentido”. (JE)

30 de julho de 2013 at 9:04 Deixe um comentário

Papa Francisco no Twitter

30/07/2013
Agora, jovens amigos, devemos continuar a viver, dia após dia, aquilo que juntos professamos na JMJ.
29/07/2013
Semana inesquecível no Rio! Obrigado a todos! Rezem por mim. #Rio2013 #JMJ
29/07/2013
Estou de retorno a casa, e lhes asseguro que a minha alegria é muito maior que o meu cansaço!
29/07/2013
Agradeço profundamente a todos aqueles que trabalharam para o sucesso da JMJ e abraço vocês todos, os participantes. #Rio2013 #JMJ
28/07/2013
Deixemos que a nossa vida se identifique com a vida de Jesus, para termos os seus sentimentos e os seus pensamentos. #Rio2013 #JMJ

30 de julho de 2013 at 8:56 Deixe um comentário

Ao retornar para Roma, Papa aborda temas como mudanças no Vaticano, sua missão de Papa e a mulher na Igreja – A Verdade

 

Leia entrevista na íntegra – Canção Nova

SEGUNDA-FEIRA, 29 DE JULHO DE 2013, 17H22

Na viagem de retorno a Roma, após a JMJ Rio2013, o Papa Francisco concedeu uma entrevista aos jornalistas presentes no voo papal e abordou temas variados em quase 1h30 de conversa. Leia a íntegra.

Informações da CNBB/ Estadão

Papa Francisco durante a JMJ Rio 2013. Foto: Robson Siqueira / CN

Papa Francisco durante a JMJ Rio 2013. Foto: Robson Siqueira / CN

Depois da suas atividades da Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, o Papa Francisco concedeu uma entrevista aos jornalistas que o acompanharam no avião entre o Rio e Roma, entre ela a reportagem do Estado que o Pontífice respondeu perguntas sobre diversos temas.

Confira a entrevista na íntegra:

Nestes quatro meses de pontificado, o senhor criou várias comissões. Que tipo de reforma do Vaticano o sr. tem em mente? O sr. quer suprimir o Banco do Vaticano?

Papa Francisco – Os passos que eu fui dando, nesses quatro meses e meio, vão em duas vertentes. O conteúdo do que quero fazer vem da congregação dos cardeais. Lembro-me que os cardeais pediam muitas coisas para o novo Papa antes do Conclave. Lembro-me que tinha muita coisa. Por exemplo, a comissão de oito cardeais, a importância de ter uma consulta de alguém de fora, e não uma consulta apenas interna. Isso vai na linha do amadurecimento da sinonalidade e do primado. Os vários episcopados do mundo vão se expressando e muitas propostas foram feitas, como a reforma da secretaria dos sínodos, para que a comissão sinodal tenha característica consultativa, como o consistório cardinalício com temáticas específicas, como a canonização. A vertente dos conteúdos vem daí.

A segunda é a oportunidade. A formação da primeira comissão não me custou mais de um mês. Já a parte econômica, eu pensava em tratar no ano que vem, porque não é a mais importante. Mas a agenda mudou devido às circunstâncias que vocês conhecem, que é domínio público. O primeiro é o problema do IOR (Banco do Vaticano), como encaminhá-lo, como reformá-lo, como sanar o que há de ser sanado. E essa foi, então, a primeira comissão. Depois, tivemos a comissão dos 15 cardeais que se ocupam dos assuntos econômicos da Santa Sé. E por isso decidimos fazer uma comissão para toda a economia da Santa Sé, uma única comissão de referência. Notou-se que o problema econômico estava fora da agenda. Mas estas coisas acontecem. Quando estamos no governo, vamos por um lado, mas se chutam e fazem um golaço por outro lado, temos que atacar. A vida é assim. Eu não sei como o IOR vai ficar. Alguns acham melhor que seja um banco, outros acham que deveria ser um fundo, uma instituição de ajuda. Eu não sei. Eu confio no trabalho das pessoas que estão trabalhando sobre isso. O presidente do Ior permanece, o tesoureiro também, enquanto o diretor e o vice-diretor pediram demissão. Não sei como vai terminar essa história. E isso é bom. Não somos máquinas. Temos que achar o melhor. Mas o fato é que, seja o que for, tem que ser feita com transparência e honestidade.

Uma fotografia do sr. deu a volta ao mundo, quando o sr. desceu as escadas do helicóptero em Roma para embarcar para o Brasil carregando sua mala preta. Reportagens levantaram hipóteses também sobre o conteúdo da mala. Porque o sr. saiu carregando a maleta preta e não um de seus colaboradores? E o sr. poderia dizer o que tinha dentro?

Papa Francisco – Não tinha a chave da bomba atômica. Eu sempre fiz isso, quando viajo, levo minhas coisas. E dentro o que tem? Um barbeador, um breviário (livro de liturgia), uma agenda, tinha um livro para ler, sobre Santa Terezinha. Sou devoto de Santa Terezinha. Eu sempre levei eu mesmo minha maleta. É normal. Nós temos que ser normais. É um pouco estranho isso que você me diz que a foto deu a volta ao mundo. Mas temos de nos habituar à normalidade da vida.

Por que o senhor pede tanto para que rezem pelo senhor? Não é habitual ouvir de um Papa que peça que rezem por ele.

Papa Francisco – Sempre pedi isso. Quanto era padre pedia, mas nem tanto e nem tão frequentemente. Comecei a pedir mais frequentemente quando passei a ser bispo, porque eu sinto que, se o Senhor não ajuda nesse trabalho de ajudar aos outros, não se pode realizá-lo. Preciso da ajuda do Senhor. Eu, de verdade, sinto-me com tantos limites, tantos problemas e também pecador. Peço a Nossa Senhora que reze por mim. É um hábito, mas que vem da necessidade. Eu sinto que devo pedir. Não sei…

Na busca de fazer as mudanças no Vaticano, o sr. disse que existem muitos santos que trabalham e outros um pouco menos santos. O sr. enfrenta resistências a essa sua vontade de mudar as coisas no Vaticano? O sr. vive num ambiente muito austero em Santa Marta? Os seus colaboradores também vivem essa austeridade? Isso é algo apenas do sr. ou da comunidade?

Papa Francisco – As mudanças vêm de duas vertentes: do que pediram os cardeais e também o que vem da minha personalidade. Você falou que eu fico na Santa Marta. Eu não poderia viver sozinho do Palácio, que não é luxuoso. O apartamento pontifício é grande, mas não é luxuoso. Mas eu não posso viver sozinho. Preciso de gente, falar com gente, trabalhar com as pessoas Quando os meninos da escola jesuíta me perguntaram se eu estava aqui pela austeridade e pobreza, eu respondi: não, não. Psicologicamente, não posso. Cada um deve levar adiante sua vida, seguir seu modo de vida. Os cardeais que trabalham na Cúria não vivem como ricos. Tem apartamentos pequenos. São austeros. Os que eu conheço tem apartamentos pequenos. Cada um tem que viver como o Senhor disse que tem que viver. A austeridade é necessária para todos. Trabalhamos à serviço da Igreja. É verdade que há sacerdotes e padres santos, gente que prega, que trabalha tanto, que trabalha e vai aos pobres, preocupam-se em garantir que os pobres comam. Tem santos na Cúria. Também tem alguns que não são muito santos. E são estes que fazem mais barulho. Faz mais barulho uma árvore que cai do que uma floresta que nasce. Isso me dói, porque são alguns que causam escândalos. Temos o monsenhor que foi para a cadeia (por lavagem de dinheiro). São escândalos que fazem mal. Uma coisa que nunca disse : a Cúria deveria ter o nível que tinham os velhos padres, pessoas que trabalham. Os velhos membros da Cúria. Precisamos deles. Precisamos do perfil do velho da Cúria. Sobre a resistência, se há, eu ainda não vi. É verdade que aconteceram muitas coisas, mas eu preciso dizer: eu encontrei ajuda, encontrei pessoas leais. Por exemplo, eu gosto quando alguém me diz: “eu não estou de acordo”. Esse é um verdadeiro colaborador. Mas quando vejo alguém que diz: “ah, que belo, que belo”, e depois dizem o contrário por trás, isso não ajuda.

O mundo mudou, os jovens mudaram. Temos, no Brasil, muitos jovens, mas o senhor não falou sobre o aborto, a posição do Vaticano sobre casamento entre pessoas do mesmo sexo. No Brasil, foram aprovadas leis que ampliam os direitos para esses casamentos e também em relação ao aborto. Por que o senhor não falou sobre isso?

Papa Francisco – A Igreja já se expressou perfeitamente sobre isso. Eu não queria voltar sobre isso. Não era necessário, como também não falei sobre outros assuntos. Eu também não falei sobre o roubo, sobre a mentira. Para isso, a Igreja tem um Doutrina clara. Queria falar de coisas positivas, que abrem caminho aos jovens. Além disso, os jovens sabem perfeitamente qual a posição da Igreja.

E qual é a do Papa?

Papa Francisco – É a da Igreja, eu sou filho da Igreja.

Qual o sentido mais profundo de se apresentar como o Bispo de Roma?

Papa Francisco – Não se deve andar mais adiante do que o que se fala. O Papa é Bispo de Roma e, por isso, é Papa, o Sucessor de Pedro. Pensar que isso quer dizer que ele é o primeiro, não é o caso, não é esse o sentido. O primeiro sentido do Papa é ser o Bispo de Roma.

O sr. teve sua primeira experiência de massas no Rio. Como o sr. se sente como Papa? É muito trabalho?

Papa Francisco – Ser bispo é lindo. O problema é quando um pessoa busca ter esse trabalho; assim não é tão belo. Mas quando o Senhor nos chama a sermos bispo, isso é belo. Tem sempre o perigo e o pecado de pensar com superioridade, como ser um príncipe. Mas o trabalho é belo. Ajudar o irmão a ir adiante; tem o filtro da estrada. O bispo tem que indicar o caminho. Eu gosto de ser bispo. Em Buenos Aires, eu era tão feliz! Como padre eu era feliz. Como bispo, eu era feliz e isso me faz bem.

E como Papa?

Papa Francisco – Se você faz o que o Senhor quer, é feliz. Isso é meu sentimento.

Vimos o sr. cheio de energia e, agora, enquanto o avião se mexe muito, o vemos, com muita tranquilidade, de pé. Fala-se muito das próximas viagens. O sr. já tem um calendário?

Papa Francisco – Definido, definido não há nada. Mas posso dizer algumas coisas que estamos pensando. No dia 22 de setembro, Cagliari. Depois, no 4 de outubro, para Assis. Tenho em mente, dentro da Itália, ir ver minha família. Pegar um avião pela manhã e voltar com outro pela noite. Meus familiares, pobres, me ligam. Temos uma boa relação com eles. Fora da Itália, o patriarca Bartolomeu I quer fazer um encontro para comemorar os 50 anos do encontro Atenágoras e Paulo VI em Jerusalém. O governo israelense nos fez um convite especial. O governo da Autoridade Palestina acredito que fez o mesmo. Isso está sendo pensado. Na América Latina, acredito que há possibilidades de voltar, porque o Papa é latino-americano e acaba de fazer sua primeira viagem à América Latina…. Adeus! Devemos esperar um pouco. Acredito que se possa ir à Ásia, mas está tudo no ar. Tive convites para ir ao Sri Lanka e Filipinas. Para a Ásia precisamos ir. Bento XVI não teve tempo.

E para a Argentina?

Papa Francisco – Isso pode esperar um pouco. As outras viagens tem prioridade.

No encontro com os argentinos, o sr. disse que se sentia enjaulado. Por quê?

Papa Francisco – Vocês sabem que eu tenho vontade de passear pelas ruas de Roma? Adoro andar pelas ruas. E por isso me sinto um pouco enjaulado. Mas tenho que dizer que a Gendarmeria vaticana é boa. Agora me deixam fazer algumas coisas mais. Mas seu dever é garantir minha segurança. Enjaulado nesse sentido, de que gostaria de estar nas ruas, mas entendo que não é possível. Em Buenos Aires, eu era um sacerdote das ruas.

A Igreja no Brasil está perdendo fiéis. A Renovação Carismática é uma possibilidade para evitar que eles sigam para as igrejas pentecostais?

Papa Francisco – É verdade, as estatísticas mostram. Falamos sobre isso ontem com os bispos brasileiros. E isso é um problema que os incomoda. Eu vou dizer uma coisa: nos anos 1970, início dos 1980, eu não podia nem vê-los. Uma vez, falando sobre eles, disse a seguinte frase: eles confundem uma celebração musical com uma escola de samba. Eu me arrependi. Vi que os movimentos bem assessorados trilharam um bom caminho. Agora, vejo que esse movimento faz muito bem à igreja em geral. Em Buenos Aires, eu fazia uma Missa com eles, uma vez por ano, na catedral. Vi o bem que eles faziam. Neste momento da Igreja, creio que os movimentos são necessários. Esses movimentos são um graça para a Igreja. A Renovação Carismática não serve apenas para evitar que alguns sigam os pentecostais; eles são importantes para a própria Igreja que se renova.

O senhor disse que está cansado. Há algum tratamento especial neste voo?

Papa Francisco – Sim, estou cansado. Não há nenhum tratamento especial neste voo. Na frente, tem uma bela poltrona. Escrevi para dizer que não queria tratamento especial.

A Igreja sem a mulher perde a fecundidade? Quais as medidas concretas?

Papa Francisco – Uma Igreja sem as mulheres é como o colégio apostólico sem Maria. O papel da mulher, na Igreja, não é só maternidade, a mãe da família. É muito mais forte. A mulher ajuda a Igreja a crescer. E pensar que Nossa Senhora é mais importante do que os apóstolos! A Igreja é feminina, esposa, mãe. O papel da mulher não deve ser só o de mãe e com um trabalho limitado. Não, tem outra coisa. O Papa Paulo XI escreveu uma coisa belíssima sobre as mulheres. Creio que se deva ir adiante com esse papel. Não se pode entender uma Igreja sem uma mulher ativa. Um exemplo histórico: para mim, as mulheres paraguaias são as mais gloriosas da América Latina. Sobraram, depois da guerra (1864-1870), oito mulheres para cada homem. E essas fizeram uma escolha um pouco difícil. A escolha de ter filhos para salvar a pátria, a cultura, a fé, a língua. Na Igreja, deve-se pensar nas mulheres sob essa perspectiva. Escolhas de risco, mas como mulher. Acredito que, até agora, não fizemos uma profunda teologia sobre elas. Somente um pouco aqui, um pouco lá. Tem a que faz a leitura, a presidente da Cáritas, mas há mais o que fazer. É necessário fazer uma profunda teologia da mulher. Isso é o que eu penso.

O que sr. pensa sobre a ordenação das mulheres?

Papa Francisco – Sobre a ordenação a Igreja já falou e disse que não. João Paulo II disse com uma formulação definitiva. Essa porta está fechada. Nossa Senhora, Maria, é mais importante que os apóstolos. A mulher na Igreja é mais importante que os bispos e os padres. Acredito que falte uma especificação teológica.

Queremos saber qual a sua relação de trabalho com Bento XVI, não a amistosa, mas a de colaboração. Não houve antes uma circunstância assim. Os contatos são frequentes?

Papa Francisco – A última vez que houve dois ou três Papas, eles não se falavam. Estavam brigando entre si para ver quem era o verdadeiro. Eu fiquei muito feliz quando [Bento XVI] tornou-se Papa. Também, quando renunciou, foi para mim um exemplo muito grande. É um homem de Deus, de reza. Hoje, ele mora no Vaticano. Alguns me perguntam: “Como dois Papas podem viver no Vaticano?”. Eu achei uma frase para explicar isso. É como ter um avô em casa, um avô sábio. Na família, um avô é amado, admirado. Ele é um homem com prudência. Eu o convidei para vir comigo em algumas ocasiões. Ele prefere ficar reservado. Se eu tenho alguma dificuldade, não entendo alguma coisa, posso ir até ele. Sobre o problema grave do Vatileaks [vazamento de documentos secretos], ele me disse tudo com simplicidade. Tem uma coisa que não sei se vocês sabem: em 8 de fevereiro, no discurso, ele falou: “Entre vocês está o próximo Papa. Eu prometo obediência”. Isso é grande.

Nesta viagem, o sr. falou de misericórdia, falou sobre o acesso aos sacramentos dos divorciados. Existe a possibilidade de mudar alguma coisa na disciplina da Igreja?

Papa Francisco – Essa é uma pergunta que sempre se faz. A misericórdia é maior do que o exemplo que você deu. Essa mudança de época e também tantos problemas na Igreja, como alguns testemunhos de padres, problemas de corrupção, do clericalismo… A Igreja é mãe, ela cura os feridos e não se cansa de perdoar. Os divorciados podem fazer a comunhão. Não podem quando estão na segunda união. Esse problema deve ser estudado pela pastoral matrimonial. Há 15 dias, esteve comigo o secretário do sínodo dos bispos, para discutir o tema do próximo sínodo. E posso dizer que estamos a caminho de uma pastoral matrimonial mais profunda. O cardeal Guarantino disse ao meu antecessor que a metade dos matrimônios é nula, porque as pessoas se casam sem maturidade ou porque socialmente devem se casar. Isso também entra na Pastoral do Matrimônio. A questão da anulação do casamento deve ser revisada. Também é preciso analisar os problemas judiciais de anular um matrimônio, porque os eclesiásticos não bastam para isso. É complexo o problema da anulação do matrimônio.

Como Papa, o senhor ainda pensa como um jesuíta?

Papa Francisco – É uma pergunta teológica. Os jesuítas fazem votos de obedecer ao Papa. Mas se o Papa se torna um jesuíta, talvez devem fazer votos gerais dos jesuítas. Eu me sinto jesuíta na minha espiritualidade, a que tenho no coração. Não mudei de espiritualidade. Sou Francisco franciscano. Sinto-me jesuíta e penso como jesuíta.

Em quatro meses de Pontificado, pode nos fazer um pequeno balanço e dizer o que foi o pior e o melhor de ser Papa? O que mais o surpreendeu neste período?

Papa Francisco – Não sei como responder isso, de verdade. Coisas ruins, ruins, não aconteceram. Coisas belas, sim. Por exemplo, o encontro com os bispos italianos, que foi tão bonito. Como bispo da capital da Itália, me senti em casa com eles. Uma coisa dolorosa foi a visita a Lampedusa; me fez chorar, mas me fez bem. Quando chegam estes barcos (com imigrantes) e os deixam a algumas milhas de distância da costa, eles têm que chegar (à costa) sozinhos. Isso me dói, porque penso que estas pessoas são vítimas do sistema sócio-econômico mundial. Mas a coisa pior é um dor ciática, é verdade, tive isso no primeiro mês. É verdade! Para uma entrevista, tive que me acomodar numa poltrona e isso me fez mal, doía muito, não desejo isso a ninguém. O encontro com os seminaristas religiosos foi belíssimo. Também o encontro com os alunos do colégio jesuíta foi belíssimo. As pessoas… conheci tantas pessoas boas no Vaticano. Isso é verdade, eu faço justiça. Tantas pessoas boas, mas boas, boas, boas.

O senhor se assustou quando viu o informe sobre o Vatileaks?

Papa Francisco – Não. Vou contar uma anedota sobre o informe do Vatileaks. Quando fui ver o Papa Bento, ele disse: aqui está uma caixa com tudo o que disseram as testemunhas. Havia ainda um envelope com o resumo. E ele sabia tudo de memória. Mas não, não me assustei. São problemas grandes, mas não me assustei.

O sr. tem a esperança de que esta viagem ao Brasil contribua para trazer de volta os fiéis?

Papa Francisco – Uma viagem Papa sempre faz bem. E creio que a viagem ao Brasil fará bem, não apenas a presença do Papa. Esta Jornada da Juventude, eles (os brasileiros) se mobilizaram e vão ajudar muito a Igreja. Tantos fiéis que foram se sentem felizes (por terem ido). Acho que vai ser positivo não só pela viagem, mas pela Jornada, que foi um evento maravilhoso.

Os argentinos se perguntam: o sr. não sente falta de estar em Buenos Aires, pegar um ônibus?

Papa Francisco – Buenos Aires, sim, sinto falta. Mas é uma saudade serena.

Hoje, os ortodoxos festejam mil anos do Cristianismo. Seu comentário.

Papa Francisco – As igrejas ortodoxas conservaram a liturgia tão bem, no sentido da adoração. Eles louvam a Deus, adoram Deus, cantam Deus. O tempo não conta. O centro é Deus e isso é uma riqueza. Luz é oriente; e o ocidente, luxo. O consumismo nos faz tão mal! Quando se lê Dostoievski, que acho que todos nós devemos ler, precisamos deste ar fresco do oriente, desta luz do oriente.

O que o senhor pretende fazer em relação ao monsenhor Ricca (acusado de ter amantes)? E como o sr. pretende enfrentar toda esta questão do lobby gay?

Papa Francisco – Sobre monsenhor Ricca, fiz o que o direito canônico manda fazer, que é a investigação prévia. E nesta investigação, não tem nada do que o acusam. Não achamos nada. É a minha resposta. Mas eu gostaria de dizer outra coisa sobre isso. Vejo que, muitas vezes, na Igreja, se busca os pecados de juventude, por exemplo. Abuso de menores é diferente. Mas se uma pessoa, seja laica, padre ou freira, pecou e esconde, o Senhor perdoa. Quando o Senhor perdoa, o Senhor esquece. E isso é importante para a nossa vida. Quando vamos confessar e nós dizemos que pecamos, o Senhor esquece e nós não temos o direito de não esquecer. Isso é um perigo. O que é importante é uma teologia do pecado. Tantas vezes penso em São Pedro, que cometeu tantos pecados e venerava Cristo. E este pecador foi transformado em Papa. Neste caso, nós tivemos uma rápida investigação e não encontramos nada.

Vocês veem muita coisa escrita sobre o lobby gay. Eu ainda não vi ninguém no Vaticano com uma carteira de identidade do Vaticano dizendo que é gay. Dizem que há alguns. Acho que quando alguém se vê com uma pessoa assim, deve distinguir entre o fato de que uma pessoa é gay e fazer um lobby gay, porque todos os lobbys não são bons. Isso é o que é ruim. Se uma pessoa é gay, procura Deus e tem boa vontade, quem sou eu, por caridade, pra julgá-la? O Catecismo da Igreja Católica explica isso muito bem. Diz que eles não devem ser discriminados por causa disso, mas devem ser integrados na sociedade. O problema não é ter essa tendência. Não! Devemos ser como irmãos. O problema é fazer lobby, o lobby dos avaros, o lobby dos políticos, tantos lobbys. Esse é o pior problema.

 

30 de julho de 2013 at 8:54 Deixe um comentário

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