Décimo Quinto Domingo do Tempo Comum – São Mateus 13, 1-23 – Dia 12 de julho de 2020

Un sembrador salió a sembrar…” | Arte cristiano, Imágenes ...

“1.Naquele dia, saiu Jesus e sentou-se à beira do lago. 2.Acercou-se dele, porém, uma tal multidão, que precisou entrar numa barca. Nela se assentou, enquanto a multidão ficava à margem. 3.E seus discursos foram uma série de parábolas. 4.Disse ele: “Um semeador saiu a semear. E, semean­do, parte da semente caiu ao longo do caminho; os pássaros vieram e a comeram. 5.Outra parte caiu em solo pedregoso, onde não havia muita terra, e nasceu logo, porque a terra era pouco profunda. 6.Logo, porém, que o sol nasceu, queimou-se, por falta de raízes. 7.Outras sementes caíram entre os espinhos: os espinhos cresceram e as sufocaram. 8.Outras, enfim, caíram em terra boa: deram frutos, cem por um, sessenta por um, trinta por um. 9.Aquele que tem ouvidos, ouça”. 10.Os discípulos aproximaram-se dele, então, para dizer-lhe: “Por que lhes falas em parábolas?” 11.Respondeu Jesus: “Porque a vós é dado compreender os mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não.* 12.Ao que tem se lhe dará e terá em abundância, mas ao que não tem, será tirado até mesmo o que tem. 13.Eis por que lhes falo em parábolas: para que, vendo, não vejam e, ouvindo, não ouçam nem compreendam. 14.Assim se cumpre para eles o que foi dito pelo profeta Isaías: Ouvireis com vossos ouvidos e não entendereis, olhareis com vossos olhos e não vereis, 15.porque o coração deste povo se endureceu: taparam os seus ouvidos e fecharam os seus olhos, para que seus olhos não vejam e seus ouvidos não ouçam, nem seu coração compreenda; para que não se convertam e eu os sare (Is 6,9s). 16.Mas, quanto a vós, bem-aventurados os vossos olhos, porque veem! Ditosos os vossos ouvidos, porque ouvem! 17.Eu vos declaro, em verdade: muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não o viram, ouvir o que ouvis e não ouviram”. 18.“Ouvi, pois, o sentido da pará­bola do semeador: 19.quando um homem ouve a palavra do Reino e não a entende, o Maligno vem e arranca o que foi semea­do no seu coração. Este é aquele que recebeu a semente à beira do caminho. 20.O solo pedregoso em que ela caiu é aquele que acolhe com alegria a palavra ouvida, 21.mas não tem raízes, é inconstante: sobrevindo uma tribulação ou uma perseguição por causa da palavra, logo encontra uma ocasião de queda. 22.O terreno que recebeu a semente entre os espinhos representa aquele que ouviu bem a palavra, mas nele os cuidados do mundo e a sedução das riquezas a sufocam e a tornam infrutuosa. 23.A terra boa semeada é aquele que ouve a palavra e a compreende, e produz fruto: cem por um, sessenta por um, trinta por um.””
Fonte – Bíblia Católica Online

“Semeador da semente do Reino, Jesus deseja fazer do nosso coração terreno fértil para a mensagem de vida e liberdade por ele anunciada. Dispostos a gerar, em nós e na comunidade, os frutos do Espírito, acolhamos nesta Eucaristia, com alegria e generosidade, a boa semente da Palavra de Deus”. (Liturgia Diária)

O Padre Paulo Ricardo explicou: “Jesus, que ontem falava às multidões incrédulas sob o véu das parábolas, dirige-se hoje aberta e claramente aos discípulos fiéis e explica-lhes o sentido da parábola do semeador (cf. Mc 4, 1-20; Lc 8, 4-15). Os vários tipos de terreno em que pode cair a semente da palavra do Reino correspondem às diversas etapas por que temos de passar em nossa caminhada espiritual”.

“No capítulo 13 de Mateus, temos o ensinamento de Jesus por meio de parábolas. O texto de hoje apresenta a parábola da semente, o porquê de Jesus falar em parábolas e a explicação da parábola narrada”. (Liturgia Diária)

O Papa Francisco disse que “Jesus, quando falava, usava uma linguagem simples e servia-se também de imagens, que eram exemplos tirados da vida diária, a fim de poder ser compreendido facilmente por todos. Por isso gostavam de o ouvir e apreciavam a sua mensagem que ia diretamente ao coração; e não era aquela linguagem difícil de compreender, a que usavam os doutores da Lei da época, que não se entendia bem, era rígida e afastava o povo. E com esta linguagem Jesus fazia compreender o mistério do Reino de Deus; não era uma teologia complicada. E o Evangelho de hoje dá-nos um exemplo: a parábola do semeador (cf. Mt 13, 1-23)”. (16 de julho de 2017)

Dom Rodolfo Luís Weber ensinou: “Entre tantos aspectos da Parábola do Semeador, destacam-se a figura do semeador, a qualidade da semente, o ambiente da semeadura e os frutos colhidos. O semeador é um sujeito esperançoso. Semeia em todos os ambientes”.

O Padre Guido Mottinelli disse assim: “Uma das maneiras de Jesus ensinar foi através de parábolas, com exemplos simples da vida cotidiana. Hoje é a vez do semeador, que coloca toda a sua atenção no trabalho para não perder nem uma semente.  Assim, poderá colher “trinta, sessenta ou até cem por um”. Mas, isso não acontece quando algumas semente caem num terreno onde falta adubo, umidade, água e sol. São as palavras de Deus que continuam sendo semeadas no coração de cada um, mas, com qual efeito? Não se esqueça: cada um colhe de acordo com o que semeou”.

Conclusão:

“Sabemos, pelos evangelhos, que Jesus estava sempre disposto e não perdia nenhuma ocasião para anunciar o Reino de Deus. Entretanto, entre os ouvintes, uns eram impenetráveis (terreno pedregoso); outros, entusiastas superficiais; havia quem, após ouvir a Palavra, se deixava seduzir pelos bens materiais, por fim, muitos ouviam a Palavra e lhe davam pleno consentimento, abrindo-se para a fé e o fiel seguimento de Jesus”. (Dia a Dia – Ed. Paulus)

Oração: (Dom Henrique Soares)

“Que nos resta dizer? Venha, Senhor Deus, o Teu Reino! Dá-nos um coração pobre, humilde, disponível para acolher a boa semente da Palavra do Teu Cristo, de modo que, escutando a Sua santa Palavra, Tu possas reinar em nós e demos frutos de Vida eterna, pois Teu é o Reino, o Poder e a Glória para sempre. Amém!”

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

 

 

 

 

 

 

 

 

6 de julho de 2020 at 5:46 Deixe um comentário

Tributo às vítimas da Covid-19: Cristo Redentor abraça o mundo que sofre com a pandemia

O momento da projeção de imagens no Cristo Redentor

O momento da projeção de imagens no Cristo Redentor

 

As condições climáticas impediram de realizar a cerimônia aos pés do Cristo Redentor nesta quarta-feira (01) à noite, mas não de homenagear às vítimas da pandemia direto da Paróquia São José da Lagoa, no Rio de Janeiro. O projeto “Para Cada Vida” teve celebração eucarística, vídeo especial com o Papa Francisco, projeção de imagens no Cristo Redentor e show com a cantora Alcione. “O Cristo Redentor hoje é o altar do mundo, onde nós colocamos as intenções de todos”, disse o arcebispo Orani João Tempesta, que presidiu a missa.

Andressa Collet – Vatican News

A celebração “Para Cada Vida” desta quarta-feira (01) precisou sofrer alterações devido às condições climáticas no Rio de Janeiro: por causa dos ventos fortes que sopraram no alto do Corcovado, em vez de acontecer aos pés do Cristo Redentor, a cerimônia foi transferida para Paróquia São José da Lagoa e transmitida ao vivo pelas plataformas dos organizadores do evento: a CNBB e a Caritas Brasileira. O momento também teve o apoio do Verificado, uma iniciativa global das Nações Unidas para o combate à desinformação em meio à pandemia.

Cristo Redentor é o altar do mundo

Uma mensagem do presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo, abriu a noite de homenagens. Em seguida, o arcebispo do Rio de Janeiro, cardeal Orani João Tempesta, presidiu a missa e também ajudou a conduzir a cerimônia, inclusive, anunciando um vídeo especial produzido pela CNBB que trouxe a mensagem do Papa Francisco falando em português aos brasileiros. Dom Orani disse que “o Cristo Redentor hoje é o altar do mundo, onde nós colocamos as intenções de todos”.

O Cristo Redentor, uma das sete maravilhas do mundo, considerado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, também recebeu uma projeção de imagens que foi um tributo às vítimas da Covid-19, uma mensagem de solidariedade às famílias afetadas, um momento de ação de graças a todos que atuam na linha de frente da pandemia – voluntários e trabalhadores anônimos, além dos profissionais de saúde – e um sinal de esperança e fé a todos os brasileiros e ao mundo. A missa foi seguida pelo show com a cantora Alcione para humanizar ainda mais este momento crítico pelo qual o mundo está passando.

 

6 de julho de 2020 at 5:39 Deixe um comentário

Papa: alívio oferecido por Jesus não é apenas psicológico ou esmola

Papa Francisco na janela do apartamento pontifício para o Angelus

Papa Francisco na janela do apartamento pontifício para o Angelus  (ANSA)

O mundo exalta o rico e o poderoso, não importa com que meios, e por vezes espezinha a pessoa humana e a sua dignidade. E nós vemos isso todos os dias, os pobres espezinhados. E é uma mensagem para a Igreja, chamada a viver obras de misericórdia e a evangelizar os pobres, ser mansos, humildes. Assim o Senhor quer que seja a sua Igreja, isto é, nós.

Vatican News

Antes de rezar o Angelus neste XIV Domingo do Tempo Comum, o Papa Francisco propôs a seguinte reflexão aos peregrinos presentes na Praça São Pedro:

Queridos  irmãos e irmãs, bom dia!

O trecho evangélico deste domingo articula-se em três partes: primeiro, Jesus eleva um hino de bênção e ação de graças ao Pai, pois revelou aos pobres e ao simples o mistério do Reino dos céus; depois manifesta a relação íntima e única entre ele e o Pai; e por fim convida-nos a estar com ele e segui-lo para encontrar alívio.

Em primeiro lugar, Jesus louva o Pai, porque escondeu os segredos do seu Reino, da sua Verdade, escondidos «aos sábios e aos entendidos». Chama-os assim com um véu de ironia, porque presumem ser sábios, entendidos e por isso têm o coração fechado, tantas vezes. A verdadeira sabedoria vem também do coração, não é somente entender ideias. A verdadeira sabedoria também entra no coração. E se tu sabes tantas coisas e tens o coração fechado, tu não és sábio. Jesus fala sobre os mistérios do seu Pai revelando-os aos «pequeninos», àqueles que confiantemente se abrem à sua Palavra de salvação, abrem o coração à Palavra da salvação, sentem necessidade d’Ele e esperam tudo d’Ele. O coração aberto e confiante em relação ao Senhor.

Tal como o Pai tem preferência pelos «pequeninos», também Jesus se dirige aos «cansados e aos oprimidos». Com efeito, Ele coloca-se entre eles, porque é «manso e humilde de coração»: diz para ser assim. Como na primeira e terceira bem-aventuranças, a dos humildes ou pobres de espírito; e a dos mansos: a mansidão de Jesus.

Assim, Jesus, «manso e humilde», não é um modelo para os resignados nem simplesmente uma vítima, mas é o Homem que vive «de coração» esta condição em plena transparência ao amor do Pai, ou seja, ao Espírito Santo. Ele é o modelo dos “pobres em espírito” e de todos os outros “bem-aventurados” do Evangelho, que fazem a vontade de Deus e dão testemunho do seu Reino.

E depois Jesus diz que se formos até ele encontraremos alívio: o “alívio” que Cristo oferece aos cansados e oprimidos não é apenas psicológico ou esmola, mas a alegria dos pobres de serem evangelizados e construtores da nova humanidade: este é o alívio. A alegria. A alegria que nos dá Jesus. É única. É a alegria que ele mesmo tem. É uma mensagem para todos nós, para todas as pessoas de boa vontade, que Jesus transmite ainda hoje no mundo que exalta aqueles que se tornam ricos e poderosos. Mas, quantas vezes dizemos: “Ah, eu gostaria de ser como aquele, como aquela, que é rico, tem tanto poder, não lhe falta nada..”. O mundo exalta o rico e o poderoso, não importa com que meios, e por vezes espezinha a pessoa humana e a sua dignidade. E nós vemos isso todos os dias, os pobres espezinhados. E é uma mensagem para a Igreja, chamada a viver obras de misericórdia e a evangelizar os pobres, ser mansos, humildes. Assim o Senhor quer que seja a sua Igreja, isto é, nós.

Maria, a mais humilde e nobre das criaturas, implore de Deus a sabedoria do coração – a sabedoria do coração –  para nós, para que possamos discernir os seus sinais na nossa vida e participar daqueles mistérios que, escondidos aos soberbos, são revelados aos humildes.

5 de julho de 2020 at 14:06 Deixe um comentário

O desenvolvimento da doutrina é a fidelidade na novidade

Jesus: "Se a vossa justiça não exceder a dos escribas e a dos fariseus, não entrareis no Reino dos Céus" (Mt 5,20)

Jesus: “Se a vossa justiça não exceder a dos escribas e a dos fariseus, não entrareis no Reino dos Céus” (Mt 5,20)

Algumas críticas ao atual pontificado contestam o Concílio Vaticano II e chegam a esquecer o magistério de São João Paulo II e de Bento XVI

Sergio Centofanti

Certas críticas de caráter doutrinal ao pontificado atual estão mostrando um distanciamento gradual, mas cada vez mais claro, do Concílio Vaticano II. Não a partir de uma certa interpretação de alguns textos, mas a partir dos próprios textos conciliares. Há leituras que insistem em colocar o Papa Francisco contra os seus predecessores imediatos acabando assim por criticar abertamente São João Paulo II e Bento XVI ou, de alguma forma, silenciam alguns aspectos fundamentais do seu ministério que representam evidentes desenvolvimentos do último Concílio.

A profecia do diálogo

Um exemplo disso foi o recente 25º aniversário da Encíclica Ut Unum sint, na qual o Papa Wojtyla afirma que o compromisso ecumênico e o diálogo com os não-católicos são uma prioridade da Igreja. O aniversário foi ignorado por aqueles que hoje propõem uma interpretação redutiva da Tradição, fechada a esse “diálogo de amor”, além do doutrinal, promovido pelo Papa polonês em obediência ao ardente desejo de unidade de Nosso Senhor.

A profecia do perdão

Do mesmo modo foi esquecido outro aniversário importante: o pedido de perdão jubilar fortemente desejado por São João Paulo II em 12 de março de vinte anos atrás. O poder profético de um Pontífice que pede perdão pelos pecados cometidos pelos filhos da Igreja é algo decisivo. E quando se trata de “filhos”, inclui os papas. Sabe-se: aqueles que pedem perdão por erros cometidos se colocam em uma situação de risco de revisão. Wojtyla escolheu profeticamente o caminho da verdade. A Igreja não pode e não deve ter medo da verdade. O então Cardeal Joseph Ratzinger, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, sublinhou a “novidade deste gesto”, como um “ato público de arrependimento da Igreja pelos pecados do passado e do presente”: um mea culpa do Papa em nome da Igreja”, um verdadeiro “gesto novo, mas ainda assim em profunda continuidade com a história da Igreja, com a sua autoconsciência”.

Inquisição e violência: uma consciência que cresce

Muitas lendas obscuras foram fomentadas sobre a Inquisição, as fogueiras e várias intolerâncias da Igreja ao longo da história, exagerando, falsificando, caluniando e descontextualizando para apagar da memória a grande e decisiva contribuição do cristianismo para a humanidade. E os historiadores muitas vezes trouxeram de volta à verdade muitas distorções e mitologias da realidade. Mas isso não nos impede de fazer um sério exame de consciência para “reconhecer” – afirma João Paulo II – “os desvios do passado” e “despertar as nossas consciências diante dos compromissos do presente”. A partir disso chegou o pedido de perdão no ano 2000 “pelas divisões que ocorreram entre os cristãos, pelo uso da violência que alguns deles aplicaram a serviço da verdade, e pelas atitudes de desconfiança e hostilidade por vezes assumidas em relação aos seguidores de outras religiões”. “Com o avanço dos tempos – disse em 2004 – a Igreja, guiada pelo Espírito Santo, percebe com uma consciência cada vez mais viva quais são as exigências de sua conformidade” ao Evangelho, que rejeita os métodos intolerantes e violentos que desfiguraram seu rosto na história.

O caso Galileu

Um caso particularmente significativo foi o de Galileu Galilei, o grande cientista italiano, católico, que – disse João Paulo II – “sofreu muito, não podemos escondê-lo, por causa dos homens e organizações da Igreja”. O Papa Wojtyla examina a história “à luz do contexto histórico da época” e “da mentalidade da época”. A Igreja, ainda que fundada por Cristo, “permanece constituída por homens e mulheres limitados, ligados à sua época cultural”. Ela também “aprende com a experiência” e a história de Galileu “permitiu uma maturação e compreensão mais justa de sua autoridade”. A compreensão da verdade cresce: ela não é dada de uma vez por todas.

Uma revolução copernicana

Wojtyla lembra que “a representação geocêntrica do mundo era comumente aceita na cultura da época de acordo com o ensinamento da Bíblia, na qual algumas expressões, tomadas literalmente, pareciam constituir declarações de geocentrismo”. O problema colocado pelos teólogos da época era, portanto, o da compatibilidade entre o heliocentrismo e Escritura. Assim, a nova ciência, com seus métodos e a liberdade de pesquisa que supõem, obrigou os teólogos a questionar seus critérios de interpretação da Escritura. A maioria não conseguiu fazer isso. Paradoxalmente, Galileu, um crente sincero, mostrou-se sobre este ponto “mais perspicaz que seus adversários teólogos” que haviam caído em erro ao tentar defender a fé. “A inversão causada pelo sistema Copérnico” gerou assim “repercussões na interpretação da Bíblia”: Galileu, não um teólogo, mas um cientista católico, “introduziu o princípio de uma interpretação dos livros sagrados, além do sentido literal, mas sempre de acordo com a intenção e o tipo de exposição própria de cada um dos textos”, segundo os gêneros literários. Uma posição confirmada por Pio XII em 1943 com a Encíclica Divino afflante Spiritu.

A teoria da evolução

Crescimento semelhante na consciência da Igreja ocorreu com a teoria da evolução que parecia estar em contradição com o princípio da criação. Uma primeira abertura foi a de Pio XII com a Encíclica Humani generis de 1950, que no próximo dia 12 de agosto, completará 70 anos. João Paulo II afirma que “a criação é colocada à luz da evolução como um evento que se estende no tempo – como uma ‘creatio continua’ – no qual Deus se torna visível aos olhos do crente como o Criador do céu e da terra”. Papa Francisco ressalta que “quando lemos no Gênesis a narração da Criação corremos o risco de imaginar que Deus foi um mago, com uma varinha mágica capaz de fazer tudo”. Mas não é assim! Ele criou os seres e deixou que se desenvolvessem de acordo com as leis internas que Ele mesmo inscreveu a cada um, para que se progredissem, e chegassem à própria plenitude (…) O Big Bang, que hoje se põe na origem do mundo, não contradiz a intervenção criadora divina, mas exige-a. A evolução na natureza não se opõe à noção de Criação, porque a evolução pressupõe a criação dos seres que evoluem.

O desenvolvimento do conceito de liberdade

No Novo Testamento, mas não apenas ali, há chamadas muito profundas à liberdade que mudaram a história: mas são descobertas pouco a pouco. O Papa Bonifácio VIII, com a Bula “Unam sanctam” de 1302, reafirmou a superioridade da autoridade espiritual sobre a autoridade temporal. Era uma outra época. Quase 700 anos depois, João Paulo II, falando em Estrasburgo ao Parlamento Europeu, observou que o cristianismo medieval ainda não fazia distinção “entre a esfera da fé e a da vida civil”. A consequência desta visão foi a “tentação integralista de excluir da comunidade temporal aqueles que não professavam a verdadeira fé”. Ainda em 1791, em carta aos bispos franceses, Pio VI criticou a Constituição aprovada pela Assembléia Nacional que “estabelece como princípio de direito natural que o homem que vive em Sociedade deve ser totalmente livre, ou seja, que em matéria de Religião não deve ser perturbado por ninguém, e pode livremente pensar como quiser, e escrever e até mesmo publicar na imprensa qualquer coisa em matéria de Religião”. E em 1832, a Encíclica Mirari vos de Gregório XVI fala da liberdade de consciência como “erro mais venenoso” e “delírio”, enquanto Pio IX, no Syllabus de 1864, condena entre “os principais erros da nossa época”, o fato de que não seja mais convencionado “que a religião católica deva ser considerada a única religião de Estado”, excluindo todos os outros cultos” e também o fato de que “em alguns países católicos foi estabelecido por lei que aqueles que aderem à outras religiões têm direito a ter culto público”. O Concílio Vaticano II, com as Declarações “Dignitatis humanae” sobre a liberdade religiosa e “Nostra aetate” sobre o diálogo com as religiões não-cristãs faz um grande passo adiante que recorda o Concílio de Jerusalém da primeira comunidade cristã que abre a Igreja a toda a humanidade. Diante desses desafios, João Paulo II afirma que “o pastor deve se mostrar pronto para ser verdadeiramente audacioso”.

Deter-se, mas em que ano?

Em 1988 ocorreu o cisma dos tradicionalistas lefebvrianos. Não aceitaram os desenvolvimentos trazidos pelo Concílio Vaticano II: segundo eles tinha sido criada uma nova Igreja. Bento XVI usa uma imagem forte quando os exorta a não “congelar a autoridade magisterial da Igreja do ano de 1962”. Já havia acontecido em 1870: os “velhos católicos” condenaram o Concílio Vaticano I pelo dogma da infalibilidade pontifícia. A Igreja Católica percorreu a história através de mais de 20 Concílios: todas as vezes têm alguém que não aceita os novos desenvolvimentos e detêm-se ali. Em 1854 Pio IX proclamou o dogma da Imaculada Conceição. Mas um grande santo, Bernardo de Claraval, embora um dos mais ardentes propagadores da devoção mariana, expressou por muitos séculos sua oposição a esta verdade: “Estou muito preocupado, pois muitos de vocês decidiram mudar as condições de acontecimentos importantes, como a introdução desta festa desconhecida para a Igreja, certamente não aprovada pela Razão, e nem mesmo justificada pela Tradição antiga. Somos realmente mais eruditos e piedosos que os nossos antigos pais?”. Era o século XII. A Igreja, desde então, introduziu outras festas desconhecidas que provavelmente teriam escandalizado muitos fiéis que viveram em séculos anteriores.

O caminho de Jesus: coisas novas e coisas antigas

Jesus disse que não veio para abolir a Lei, “mas para dar pleno cumprimento” (Mt 5,17). Ele ensinou a não transgredir nem mesmo “um destes preceitos, mesmo o menor” (Mt 5,19). Ainda assim, foi acusado de violar as regras de Moisés, como o descanso do sábado ou a proibição de frequentar os pecadores públicos. E os apóstolos deram um grande passo avante: aboliram a obrigação sagrada da circuncisão, que remontava a Abraão, em vigor há 2000 anos, e abriram-se aos pagãos, algo impensável na época. “Eis que”, diz o Senhor, “faço novas todas as coisas” (Ap 21,5). É o “vinho novo” do amor evangélico que sofre o risco de ser colocado nos “odres velhos” da nossa segurança religiosa, que tantas vezes silencia o Deus vivo que nunca deixa de nos falar. É a sabedoria do “discípulo do Reino dos Céus” que busca a plenitude da Lei, justiça que supera a dos escribas e fariseus, extraindo “coisas novas e coisas velhas do seu tesouro” (Mt 13,52). Não só coisas novas, não só coisas antigas.

5 de julho de 2020 at 5:40 Deixe um comentário

Reflexão para o XIV Domingo do Tempo Comum

O Senhor fala que fazer parte da Civilização do Amor, de seus seguidores, traz um peso, uma responsabilidade, mas que eles são suaves porque são provocados pelo amor, pela descentralização de si, pelo sair de seu comodismo, de desinstalar-se par ir ao outro, para servir.

O Senhor fala que fazer parte da Civilização do Amor, de seus seguidores, traz um peso, uma responsabilidade, mas que eles são suaves porque são provocados pelo amor, pela descentralização de si, pelo sair de seu comodismo, de desinstalar-se par ir ao outro, para servir.  (© Biblioteca Apostolica Vaticana Vat.lat.39, f.67v)

A mensagem evangélica da liturgia deste domingo nos fala do benefício fundamental que é para nós a presença do Espírito ao nos provocar a opção pela vida e nos impedir a acomodação.

Pe. Cesar Augusto dos Santos, SJ

A primeira leitura nos fala de um legítimo rei da dinastia de Davi. Montado em um  jumento e com atitudes pacifistas, o rei de Sião  terá um reino imenso que de tão grande se estenderá até os confins da terra. Esse rei é humilde e pacificador e manifesta seu poder comunicando justiça e paz a todas as nações.

Ele não só tem essa atitude positiva, mas também destrói tudo aquilo que é sinal de morte para os povos. Assim, ele possibilita a existência da paz.

Ora, a leitura desse texto nos recorda a liturgia do Domingo de Ramos e já podemos deduzir que esse rei da paz é Jesus, o Príncipe da Paz, legítimo descendente de Davi como nos relata a liturgia do Advento.

No Evangelho vemos Jesus sentindo que sua missão pacifista desagrada os doutores da Lei, os letrados e as pessoas importantes, mas causa interesse aos pobres e marginalizados, diz “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e doutores e as revelaste aos pequeninos.” (Mt 11, 25b)

Fazemos a constatação do que vemos sempre: os instalados não precisam, não querem mudanças e até a proíbem, enquanto os marginalizados, que sentem desconforto e suas necessidades insaciadas, almejam a mudança da situação, querem justiça, querem o necessário para viver dignamente.

Nisso tudo é denunciado o perigo extremo de não sentir-se necessitado de Deus e de aos poucos tornar-se materialista.

O trecho do Evangelho termina com o convite de Jesus aos que se sentem marcados, injustiçados pela sociedade materialista, repleta de pessoas egocêntricas e muito bem instaladas na cultura da morte. Ao mesmo tempo, o Senhor fala que fazer parte da Civilização do Amor, de seus seguidores, traz um peso, uma responsabilidade, mas que eles são suaves porque são provocados pelo amor, pela descentralização de si, pelo sair de seu comodismo, de desinstalar-se par ir ao outro, para servir.

Finalmente, São Paulo em sua Carta aos Romanos, nos diz que vivemos segundo o espírito e não segundo a carne, pois pertencemos a Cristo e o Espírito de Deus mora em nós. Esse Espírito foi o que ressuscitou Jesus, eliminando tudo o que conduz a criação à injustiça e à morte.

Portanto, a mensagem evangélica da liturgia deste domingo nos fala do benefício fundamental que é para nós a presença do Espírito ao nos provocar a opção pela vida e nos impedir a acomodação.

Será um momento muito importante para nossa vida de cristão, fazermos uma reflexão em que nos perguntemos: de que lado me encontro? Dos acomodados e que não sentem necessidade de mudanças profundas? Ou do lado dos marginalizados, dos inconformados, dos que anseiam pelo Senhor como “terra sedenta e sem água”, como nos fala o Sl 62, 2?

4 de julho de 2020 at 10:54 Deixe um comentário

O Papa: a intercessão é própria dos Santos que são “pontes” entre Deus e o seu povo

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“Moisés é tão amigo de Deus que pode falar com Ele face a face; e permanecerá tão amigo dos homens que sentirá misericórdia pelos seus pecados, pelas suas tentações, pela inesperada nostalgia que os exilados têm em relação ao passado, lembrando-se de quando estavam no Egito”, disse Francisco na catequese desta quarta-feira.

Mariangela Jaguraba – Vatican News

“A oração de Moisés”. Este foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral, desta quarta-feira (17/06), realizada na Biblioteca do Palácio Apostólico por causa da pandemia de coronavírus.

Dando continuidade ao tema da oração, o Pontífice disse “que nos damos conta de que Deus nunca gostou de lidar com orantes “fáceis”. Nem sequer Moisés será um interlocutor “fraco”, desde o primeiro dia da sua vocação”.

Segundo Francisco, quando Deus chama Moisés ele é humanamente “um fracasso”. O livro do Êxodo o representa na terra de Madiã como um fugitivo. Quando era jovem sentira pena do seu povo, levantando-se também em defesa dos oprimidos. Mas depressa descobre que, apesar das boas intenções, das suas mãos não brota justiça mas, pelo contrário, violência.

Eis que se desintegram os sonhos de glória: Moisés já não é um funcionário promissor, destinado a uma carreira rápida, mas alguém que teve oportunidades, e que agora apascenta um rebanho que nem sequer é seu. É no silêncio do deserto de Madiã que Deus convoca Moisés para a revelação da sarça ardente: «”Eu sou o Deus de seus antepassados, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, o Deus de Jacó”. Então Moisés cobriu o rosto, pois tinha medo de olhar para Deus».

Moisés nunca perdeu a memória do seu povo

Deus fala e convida Moisés a cuidar novamente do povo de Israel, mas ele opõe os seus medos e objeções. “Não é digno daquela missão, não conhece o nome de Deus, os israelitas não acreditarão nele, tem uma língua que gagueja”, frisou o Papa, acrescentando que “a palavra que floresce frequentemente nos lábios de Moisés, em cada oração que dirige a Deus, é a pergunta: “Por quê?”. Por que me enviou? Por que quer libertar este povo? No Pentateuco há até um trecho dramático, onde Deus repreende Moisés pela sua falta de confiança, falta que o impedirá de entrar na terra prometida”.

Com estes temores, com este coração que muitas vezes vacila, como pode Moisés rezar? Na verdade, Moisés parece um homem como nós. E isso também acontece conosco: quando temos dúvidas, mas como podemos rezar? Nós não queremos rezar. E é com a sua fraqueza, e também coma sua força, que ficamos impressionados. Encarregado por Deus de transmitir a Lei ao seu povo, fundador do culto divino, mediador dos mistérios mais altos, não é por isso  motivo que ele deixará de manter estreitos vínculos de solidariedade com o seu povo, especialmente na hora da tentação e do pecado. Sempre apegado ao povo. Moisés nunca perdeu a memória do seu povo. E esta é uma grandeza dos pastores: não esquecer o povo, não esquecer as raízes. Como diz Paulo ao seu amado jovem bispo Timóteo: “Lembre-se de tua mãe e de tua avó, das tuas raízes, do teu povo”.

“Moisés é tão amigo de Deus que pode falar com Ele face a face; e permanecerá tão amigo dos homens que sentirá misericórdia pelos seus pecados, pelas suas tentações, pela inesperada nostalgia que os exilados têm em relação ao passado, lembrando-se de quando estavam no Egito. Moisés não renega a Deus, mas também não renega o seu povo. É coerente com seu sangue, é coerente com a voz de Deus.”

Moisés é a ponte, é o intercessor

Segundo o Papa, “Moisés não é um líder autoritário nem despótico; pelo contrário, o Livro dos Números define-o «mais humilde e paciente do que qualquer homem sobre a terra». Apesar da sua condição privilegiada, Moisés não deixa de pertencer àquele grupo de pobres em espírito que vivem fazendo da confiança em Deus o viático do próprio caminho. É um homem do povo”.

“Até nos momentos mais difíceis, até no dia em que o povo rejeita a Deus e a ele mesmo como guia, fazendo um bezerro de ouro, Moisés não quer pôr de lado o seu povo. É o meu povo. É o seu povo. É o meu povo”, disse o Pontífice. Moisés “não renega a Deus e nem o povo. E diz a Deus: «Este povo cometeu um pecado gravíssimo, fabricando um deus de ouro. Agora, porém, ou perdoas o pecado deles ou me riscas do teu livro».

“Moisés não negocia o povo. É a ponte, é o intercessor. Os dois, o povo e Deus, e ele no meio. Não vende o seu povo para fazer carreira. Ele não é um galgador, é um intercessor: pelo seu povo, pela sua carne, pela sua história, pelo seu povo e por Deus que o chamou. É a ponte. Que belo exemplo para todos os pastores que devem ser “ponte”. É por isso que são chamados de pontifex, pontes. Os pastores são pontes entre o povo a quem pertencem e Deus, a quem pertencem por vocação.”

“Esse é Moisés. Perdoa Senhor os seus pecados, caso contrário, me riscas do teu livro. Não quero fazer carreira com o meu povo”, sublinhou Francisco, acrescentando:

Esta é a oração que os verdadeiros fiéis cultivam na sua vida espiritual. Embora experimentem as falhas das pessoas e a sua distância de Deus, estes orantes não as condenam, nem as rejeitam. A atitude de intercessão é própria dos Santos que, à imitação de Jesus, são “pontes” entre Deus e o seu povo. Neste sentido, Moisés foi o maior profeta de Jesus, nosso defensor e intercessor. E ainda hoje, Jesus é o pontifex, ele é a ponte entre nós e o Pai.  Jesus intercede por nós, mostra ao Pai as chagas que são o preço da nossa salvação e intercede. Moisés é a figura de Jesus intercessor hoje, que Jesus reza por nós, intercede por nós.

O mundo vive e prospera graças à bênção do justo

Segundo o Papa, “Moisés nos exorta a rezar com o mesmo ardor de Jesus, a interceder pelo mundo, a recordar que ele, apesar de todas as suas fragilidades, pertence sempre a Deus. Todos pertencemos a Deus. Os pecadores piores, as pessoas mais perversas, os líderes mais corruptos, são filhos de Deus e Jesus sente isso e intercede por todos. O mundo vive e prospera graças à bênção do justo, à oração de piedade, a esta oração de piedade que o santo, o justo, o intercessor, o sacerdote, o bispo, o Papa, o leigo, qualquer batizado, eleva incessantemente pelos homens, em todos os lugares e épocas da história”.

“Pensemos em Moisés, o intercessor. Quando tivermos vontade de condenar alguém e ficamos com raiva por dentro… Ficar zangado é bom, eh! É um pouco de saúde, mas condenar não faz bem. Você fica bravo e o que deve fazer? Vai interceder por aquela pessoa”, concluiu Francisco.

4 de julho de 2020 at 5:39 Deixe um comentário

Oração do Papa Francisco pelo Brasil

3 de julho de 2020 at 9:44 Deixe um comentário

Papa: Coração de Jesus dê a todos esperança e confiança!

Mês de junho é dedicado ao Sagrado Coração de Jesus

Ao final da Audiência Geral (17/06), o Papa Francisco recordou que amanhã celebramos a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, encorajando os fiéis a apresentarem a Ele “todas as intenções da nossa humanidade sofredora, seus medos e suas misérias”.

Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

Em sua saudação em várias línguas na Audiência Geral de ontem, quarta-feira, o Papa Francisco mencionou uma festa muito querida pelos cristãos: a solenidade do Sagrado Coração de Jesus.

O Pontífice convidou os fiéis a descobrirem as riquezas que se “escondem” no Seu  Coração, para aprender a amar o próximo.

Aos de línguas francesa, Francisco os encorajou a apresentar a Jesus “todas as intenções da nossa humanidade sofredora, seus medos e suas misérias”.

[ Possa este Coração, repleto de amor pelos homens, dar a todos esperança e confiança! ]

Mês dedicado ao Sagrado Coração

No primeiro Angelus deste mês, o Pontífice recordou que o mês de junho é dedicado de modo particular ao Coração de Cristo, uma devoção que une os grandes mestres espirituais e as pessoas simples do povo de Deus.

O Coração humano e divino de Jesus, disse ele, é a fonte onde sempre podemos haurir a misericórdia, o perdão, a ternura de Deus.

Podemos ir à esta fonte detendo-nos sobre uma passagem do Evangelho, sentindo que no centro de todo gesto, de toda palavra de Jesus está o amor, o amor do Pai. E podemos fazê-lo também adorando a Eucaristia, onde este amor está presente no Sacramento.

Então – conclui Francisco –, também o nosso coração, pouco a pouco, se tornará mais paciente, mais generoso, mais misericordioso.”

“Jesus, faz com que meu coração se assemelhe ao Seu”, foi a oração do Santo Padre, afirmando ter aprendido com a sua avó a recitar essas palavras, convidando os fiéis a fazerem o mesmo.

3 de julho de 2020 at 5:49 Deixe um comentário

Abrir as portas a Cristo: os 40 anos da primeira visita de João Paulo II ao Brasil

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“E agora posso confiar-vos um desejo? Que as vossas portas que se abriram para mim com amor e confiança, permaneçam largamente abertas para Cristo. Será minha alegria plena”, assim se despediu o Papa polonês ao visitar pela primeira vez o Brasil em 1980. João Paulo II percorreu quase 15 mil quilômetros e conheceu 13 cidades em 13 dias.

Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

No dia 30 de junho de 40 anos atrás, em 1980, o solo de Brasília foi beijado por São João Paulo II, para a primeira das quatro visitas que o Papa polonês realizou ao Brasil no decorrer do seu pontificado.

“Abraço neste momento – ao menos em espírito – cada pessoa que vive nesta pátria brasileira. O Papa pensa em cada um. Ele ama a todos e a todos envia um cumprimento bem brasileiro: “um abraço!”.Com este gesto de amizade, recebei os meus votos de felicidades: Deus abençoe o vosso Brasil. Deus abençoe a todos vós, brasileiros, com a paz e a prosperidade, a serena concórdia na compreensão e na fraternidade. Sob o olhar materno e a proteção de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil!”

Foram 13 cidades em 13 dias
Foram 13 cidades em 13 dias
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Brasil de ponta a ponta

Estas foram as suas palavras no discurso de boas-vindas – o primeiro de 48 pronunciamentos.

Aliás, os números e o fôlego de Karol Wojtyla impressionam. Em 13 dias (a viagem se concluiu em 12 de julho), ele cruzou o Brasil de norte a sul, percorrendo quase 15 mil quilômetros. Além de Brasília, esteve em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Aparecida, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Teresina, Belém, Fortaleza e Manaus, de onde se despediu do país.

Ninguém ficou de fora: o Papa se reuniu com autoridades – o presidente na época era João Figueiredo -, corpo diplomático, seminaristas, religiosas, religiosos, sacerdotes, bispos. Visitou pontos turísticos, como o Corcovado, penitenciárias, leprosários, favelas. Manteve encontros com a comunidade judaica, polonesa, com ortodoxos, homens da cultura, operários, estudantes, líderes das Comunidades Eclesiais de Base e indígenas.

Em Manaus, o encontro com indígenas
Em Manaus, o encontro com indígenas

Abrir as portas a Cristo

Mas mais do que os números, ficaram indeléveis as palavras e, sobretudo, os gestos de afeto para com o brasileiro.

“Aprendi, por exemplo, que “quem parte leva saudades”. Devo confessar que já estou sentindo o que significa este ditado. Mas, com a saudade do Brasil, levo também no coração uma imensa alegria e a mais grata satisfação, por tudo aquilo que me foi dado ver, comungar e viver convosco, nestes dias da minha permanência entre vós.”

“E agora posso confiar-vos um desejo? Que as vossas portas que se abriram para mim com amor e confiança, permaneçam largamente abertas para Cristo. Será minha alegria plena.”

Dom Walmor de Azevedo, arcebispo de Belho Horizonte e Presidente da CNBB:

“Celebrar os 40 anos da primeira visita de São João Paulo II ao Brasil, é celebrar memórias muito profundas, tocantes e sustentadoras do caminho missionário da nossa Igreja. Lembro-me com alegria emoção e gratidão a visita”.

Cardeal Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro

“Neste dia 30 de junho comemoramos os 40 anos da chegada do primeiro Papa em terras brasileiras. São João Paulo II ficou aqui 12 dias. Ele passou por diversas cidades e capitais do Brasil. Eu tive a oportunidade de celebrar no local que el celebrou em Belém do Pará, quando estive em Belém. Ficou marcante na minha memória, eu ainda não era bispo, a música a bênção João de Deus, e a sua visita ao Rio de Janeiro à favela do Vidigal”.

 

3 de julho de 2020 at 5:43 Deixe um comentário

2 de julho de 2020 at 11:49 Deixe um comentário

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