O Papa reza pelos que não conseguem reagir, amedrontados com a pandemia

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Na Missa na Casa Santa Marta, na manhã desta segunda-feira (30/03), Francisco pediu a Deus que ajude aqueles que estão assustados com o coronavírus. Na homilia, convidou a agradecer a Deus se reconhecemos os nossos pecados, porque deste modo podemos pedir e acolher a sua misericórdia

VATICAN NEWS

A Antífona de entrada da segunda-feira da V Semana da Quaresma é uma veemente invocação a Deus: “Tende piedade de mim, Senhor, pois me atormentam; todos os dias me oprimem os agressores” (Sl 55,2). Ao introduzir a Missa na manhã desta segunda-feira (30/03), o Papa Francisco dirigiu seu pensamento às pessoas amedrontadas com a atual pandemia:

Rezemos hoje pelas muitas pessoas que não conseguem reagir: permanecem amedrontadas com esta epidemia. Que o Senhor as ajude a reerguer-se, a reagir para o bem de toda a sociedade, de toda a comunidade.

Na homilia, comentou as leituras do dia, extraídas do Livro do profeta Daniel (13,1-9.15-17.19-30.33-62) e do Evangelho de João (Jo 8,1-11), que falam de duas mulheres que alguns homens querem condenar à morte: a inocente Susana e uma adúltera pega em flagrante. Francisco ressaltou que os acusadores são, no primeiro caso, juízes corruptos, e, no segundo, hipócritas. Em relação às mulheres, Deus faz justiça a Susana, libertando-a dos corruptos, que são condenados, e perdoa a adúltera, libertando-a de escribas e fariseus hipócritas. Justiça e misericórdia de Deus, que são bem representadas no Salmo Responsorial do dia: “O Senhor é o meu pastor, não me falta coisa alguma… Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei, porque estais comigo”. Em seguida, o Papa convidou a agradecer a Deus se sabemos ser pecadores, porque podemos pedir confiantes, ao Senhor, que nos perdoe.

A seguir, o texto da homilia transcrita pelo Vatican News:

No Salmo Responsorial rezamos: “O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar. Para as águas repousantes me encaminha, e restaura as minhas forças. Ele me guia no caminho mais seguro, pela honra do seu nome. Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei. Estais comigo com bastão e com cajado, eles me dão a segurança!”

Esta é a experiência que estas duas mulheres tiveram, cuja história lemos nas duas Leituras. Uma mulher inocente, acusada falsamente, caluniada, e uma mulher pecadora. Ambas condenadas à morte. A inocente e a pecadora. Alguns Padres da Igreja viam nestas duas mulheres uma figura da Igreja: santa, mas com filhos pecadores. Diziam numa bela expressão latina: “A Igreja é a casta meretrix”, a santa com filhos pecadores.

Ambas as mulheres estavam desesperadas, humanamente desesperadas. Mas Susana confia em Deus. Há também dois grupos de pessoas, de homens; ambos encarregados a serviço da Igreja: os juízes e os mestres da Lei. Não eram eclesiásticos, mas estavam a serviço da Igreja, no tribunal e no ensino da Lei. Diferentes. Os primeiros que acusavam Susana, eram corruptos: o juiz corrupto, a figura emblemática na história. Também no Evangelho, Jesus repreende – na parábola da viúva insistente – o juiz corrupto que não acreditava em Deus e não lhe importava nada dos outros. Os corruptos. Os doutores da Lei não eram corruptos, mas hipócritas.

E essas mulheres, uma caiu nas mãos dos hipócritas e a outra nas mãos dos corruptos: não havia saída. “Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei. Estais comigo com bastão e com cajado, eles me dão a segurança!” Ambas as mulheres se encontravam num vale tenebroso, caminhavam ali: um vale tenebroso, rumo à morte. A primeira explicitamente confia em Deus e o Senhor intervém. A segunda, pobrezinha, sabe que é culpada, envergonhada diante de todo o povo – porque o povo estava presente em ambas as situações, o Evangelho não diz, mas certamente rezava interiormente, pedia alguma ajuda.

O que o Senhor faz com essas pessoas? À mulher inocente, a salva, lhe faz justiça. À mulher pecadora, a perdoa. Aos juízes corruptos, os condena; aos hipócritas, os ajuda a converter-se e diante do povo diz: ”Sim, verdadeiramente? Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra”, e foram saindo um a um. Há uma certa ironia do apóstolo João, aqui: “E eles, ouvindo o que Jesus falou, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos”. Deixa a eles um pouco de tempo para arrepender-se; não perdoa os corruptos, simplesmente porque o corrupto é incapaz de pedir perdão, foi além. Cansou-se… não, não se cansou: não é capaz. A corrupção tirou-lhe também aquela capacidade que todos temos de envergonhar-nos, de pedir perdão. Não, o corrupto é seguro, segue adiante, destrói, explora o povo, como esta mulher, tudo, tudo… segue adiante. Colocou-se no lugar de Deus.

E o Senhor responde às mulheres. A Susana, liberta-a destes corruptos, a faz seguir adiante, e à outra: “Eu, também, não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais”. Deixa-a ir embora. Faz isso diante do povo. No primeiro caso, o povo louva o Senhor; no segundo caso, o povo aprende. Aprende como é a misericórdia de Deus.

1 de abril de 2020 at 5:44 Deixe um comentário

Novo momento de oração no Brasil: nesta quarta-feira Terço da Esperança e da Solidariedade

Oração do Terço

Oração do Terço

CNBB promove novamente momento de oração frente à pandemia do novo coronavírus, no dia 1º de abril, às 15h30, com dom Walmor Oliveira de Azevedo, direto do Santuário Basílica de Nossa Senhora da Piedade, em Caeté (MG)

Brasília

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) continua sua iniciativa de oração em comunhão com toda a Igreja no Brasil. Nesta quarta-feira, 1º de abril, às 15h30, mais uma vez será formada uma corrente nacional com a oração do Terço da Esperança e da Solidariedade, que será transmitido pelas TVs de inspiração católica do país, emissoras de rádio e pelas páginas da Conferência no Facebook e no Youtube.

Conduzirá o momento de oração em torno da emergência de saúde pública da covid-19 o arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo, direto do Santuário Basílica de Nossa Senhora da Piedade, em Caeté (MG).

O Terço da Esperança e da Solidariedade é uma iniciativa da CNBB que, frente à pandemia do novo coronavírus e em comunhão com o Papa Francisco no compromisso de intensificar as orações neste período, une todo o Brasil em um momento comum de oração.

Motiva com mais intensidade o momento de oração do Papa Francisco na última sexta-feira, quando o pontífice ofereceu uma reflexão a respeito da passagem do Evangelho de São Marcos, capítulo 4, e quando concedeu a bênção Urbi et Orbi:

“Perante o sofrimento, onde se mede o verdadeiro desenvolvimento dos nossos povos, descobrimos e experimentamos a oração sacerdotal de Jesus: «Que todos sejam um só» (Jo 17, 21). Quantas pessoas dia a dia exercitam a paciência e infundem esperança, tendo a peito não semear pânico, mas corresponsabilidade! Quantos pais, mães, avôs e avós, professores mostram às nossas crianças, com pequenos gestos do dia a dia, como enfrentar e atravessar uma crise, readaptando hábitos, levantando o olhar e estimulando a oração! Quantas pessoas rezam, se imolam e intercedem pelo bem de todos! A oração e o serviço silencioso: são as nossas armas vencedoras”.

A iniciativa, principalmente em momentos delicados e difíceis como o que o mundo está passando, busca elevar os corações ao Deus da Vida, no acolhimento de sua Palavra, fortalecendo a fé, a esperança e a união. “Conscientes de que as restrições ao convívio não durarão para sempre, aprendamos a valorizar a fraternidade, tornando-nos ainda mais desejosos de, passada a pandemia, podermos estar juntos, celebrando a vida, a saúde, a concórdia e a paz” (trecho da nota “Tempos de Esperança e Solidariedade” da CNBB).

Conscientes ainda, à luz da Palavra de Deus, para o sentido da vida como Dom e Compromisso, tema da Campanha da Fraternidade deste ano, a intenção da oração do terço é dedicada também, além das vítimas, aos profissionais que incansavelmente trabalham por uma solução. “Sejamos disciplinados, obedeçamos às orientações e decisões para nosso bem e não nos falte o discernimento sábio para cancelamentos e orientações que preservem a vida como compromisso com nosso dom mais precioso” (trecho da nota “Tempos de Esperança e Solidariedade” da CNBB).

Para compartilhar os momentos de oração nas redes sociais use a hashtag adotada pelo Papa Francisco: #rezemosjuntos

Acompanhe:

http://www.facebook.com/cnbbnacional

http://www.youtube.com/cnbbnacional

Fonte: CNBB

1 de abril de 2020 at 4:55 Deixe um comentário

A voz do Papa é única no mundo para quebrar as solidões criadas pela pandemia

Papa Francisco no momento de oração na Praça São Pedro, na sexta-feira, 27 de março

Papa Francisco no momento de oração na Praça São Pedro, na sexta-feira, 27 de março

O momento extraordinário de oração conduzido por Francisco na última sexta-feira (27) tinha a clara indicação de se percorrer uma estrada obrigatória, aquela da globalização da solidariedade, afirma Agostino Giovagnoli, professor de História Contemporânea na Univ. Católica do Sagrado Coração, de Milão. “A história do cristianismo é uma história de solidariedade”, como confirma os períodos de peste: “ninguém queria estar com os doentes, com exceção dos frades capuchinhos”.

Amedeo Lomonaco, Andressa Collet – Cidade do Vaticano

As palavras do Papa Francisco pronunciadas na última sexta-feira (27) foram repercutidas em todas as partes do mundo e, sobretudo, ficaram impressas nos corações de milhões de pessoas. A imagem da tempestade a ser enfrentada, com todos remando juntos, indicada pelo Pontífice na homilia acompanhada pela chuva, exorta à humanidade a abrir, autenticamente, as estradas da corresponsabilidade e da solidariedade.

Ouça a reportagem

O Papa se dirigiu não só a católicos e crentes, mas a todo homem. E, sobretudo, implorou ao Pai para que não nos deixe à mercê da tempestade. A sua voz quebrou o silêncio ensurdecedor das cidades desertas. Nas suas palavras, sublinha Agostino Giovagnoli em entrevista ao Vatican News, toda a humanidade pode se reconhecer. O filósofo se ocupa de relações internacionais e é professor de História Contemporânea na Universidade Católica do Sagrado Coração, com sede em Milão.

Professor – “Eu acredito que, para o mundo, a oração de Papa Francisco tenha representado, antes de tudo, a escuta de palavras que descrevem uma situação, neste momento, realmente universal, em que encontra toda a humanidade. Então, a voz do Papa quebra, num certo sentido, o silêncio das nossas cidades, da Praça São Pedro na sexta-feira, para expressar uma coisa que é compartilhada realmente por tantos. Isso é muito raro, talvez único na situação atual; não há nenhuma outra voz no mundo que consiga expressar isso neste momento. E o Papa Francisco o fez partindo da descrição profunda das trevas, da escuridão espessa, do silêncio ensurdecedor, do vazio desolador. São palavras em que toda a humanidade pode se reconhecer e isso, certamente, é importante porque aproxima uns dos outros, quebra as solidões criadas por essa epidemia terrível.”

Junto à voz do Papa, na Praça São Pedro vazia, milhões de pessoas se uniram espiritualmente, através dos meios de comunicação, aos vários momentos desse dia histórico. É um pouco o contrário daquilo que Francisco denunciou várias vezes quando falou de globalização da indiferença. Talvez este é um mundo mais atento ao grito de dor também da Terra…

Professor – “É um mundo que, após essa terrível experiência, certamente está mudando e, talvez, para melhor. Ao menos parece isso. Papa Francisco encontrou palavras muito simples, mas muito diretas para expressar a novidade dessa situação. Estamos todos no mesmo barco. Usou essa imagem evangélica para expressar um conceito que é evidente a todos. E é um barco em que todos constatamos os nossos limites. Então, a estrada de uma globalização da solidariedade é uma estrada obrigatória. Papa Francisco expressou de modo muito plausível essa exigência.”

A última sexta-feira foi cadenciada também por imagens muito poderosas e eloquentes. Um dos ícones do momento de oração conduzido pelo Papa foi o crucifixo de madeira banhado pela chuva, quase “lágrimas” provenientes do céu…

Professor – “Sim. Esse crucifixo afetou todos, e não a caso. A fé cristã apresenta o sinal de um homem crucificado e, então, não é uma promessa de prosperidade. Além disso, em momentos como esse se compreende a verdade desse sinal. É o sinal de um Deus que assume todos os sofrimentos do homem. E é o Deus da misericórdia. E essas lágrimas da chuva tornaram visível, de qualquer modo, alguma coisa que todos compreenderam.”

O tempo da pandemia está mudando profundamente o mundo. Neste momento, pode também regenerar o patrimônio da fé…

Professor – “Eu acredito que sim, justamente porque nega as várias ideias de salvação ou de segurança que, geralmente, parecem tornar a nossa vida tão sólida. O Papa também disse explicitamente isso na sexta-feira. Esvaziando a vida dos ídolos, torna-se mais evidente àquilo a que a nossa fé se dirige. Eu acredito que haverá uma regeneração na direção da responsabilidade. Papa Francisco citou tantos que, neste momento, se ocupam dos outros.”

A situação dramática que o mundo está vivendo já foi vivida em outros momentos da história, como em ocasiões de períodos difíceis da peste. O que nos ensina, nesse sentido, a história, em especial, a história do cristianismo?

Professor – “Nos ensina que a fé é poderosa, sobretudo, nas obras. Diante da peste, tradicionalmente, os únicos que cuidavam dos outros – colocando em risco a própria vida – eram os cristãos, os religiosos. A mesma palavra “Lazzaretto” foi cunhada para definir o lugar onde as vítimas da peste eram acolhidas. Ninguém queria estar com elas, com exceção dos frades capuchinhos. A história do cristianismo é uma história de solidariedade, de serviço aos outros e, sobretudo, aos mais pobres e aos doentes. E isso não acontece de menos hoje. A ciência não é tudo. É preciso de solidariedade, e os cristãos, neste momento, demonstram ela ao se dirigir àqueles que estão morando na rua, aos idosos nos institutos… E, assim, sobretudo, o cristianismo nos ensina que não só de pão vive o homem. Isto é, inclusive e principalmente nestes momentos dramáticos, as palavras não são inúteis, mas são importantes. Não são supérfluas, tanto é verdade que as palavras do Papa Francisco são muitos escutadas.”

31 de março de 2020 at 5:47 Deixe um comentário

Frases sobre a Paixão do Senhor

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1-São João Fisher: “De tudo o que caracteriza a doutrina cristã, é particularmente extraordinário e maravilhoso que o Filho de Deus tenha consentido, por amor ao homem, em ser crucificado e morrer”.

2-Padre Paulo Ricardo: “Para crermos no mistério da Cruz, devemos apoiar-nos na da Virgem Maria. Ela, a mãe do Salvador, foi a única que não vacilou diante da Paixão”.

3-São João da Cruz: “Se queres chegar à posse de Cristo, jamais O procures sem a cruz”.

4-Santo Agostinho: “É melhor não vermos com o espírito Aquele que é mas abraçarmos a cruz de Cristo, do que vermo-l’O com o espírito e desprezarmos a cruz”.

5-São João Fisher: “Aqueles que se esforçam, de coração aberto e fé sincera, por meditar e admirar este livro extraordinário que é a cruz atingirão um saber mais fecundo que muitos outros que estudam e meditam quotidianamente nos livros vulgares”.

6-Padre Paulo Ricardo: “Na Cruz, Jesus não sofreu apenas uma execução cruel e injusta; Ele deu a sua vida livremente — “ninguém a tira de mim, mas eu a dou de mim mesmo e tenho o poder de a dar, como tenho o poder de a reassumir” (Jo 10, 18)

7-Santo Agostinho: “A paixão de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo é um objeto de glória e um ensinamento de paciência”.

8-São João Fisher: “Não é impressionante que Aquele que dá a vida a todas as criaturas tenha sofrido morte tão ignóbil, cruel e dolorosa?”

9-São Pedro Julião Eymard: “O amor que Jesus Cristo nos tem está na cruz”.

10-Santo Agostinho: “A Paixão de Cristo é suficiente para ser modelo de toda a nossa vida”.

11-São João da Cruz: “Quem não procura a cruz de Cristo não procura a glória de Cristo”.

12-São Padre Pio de Pietrelcina: “Que a paixão de Cristo esteja sempre esculpida na tua mente e no teu coração!”

13-Basílio de Selêucia (Bispo do ano 468): “Ele destruiu o sofrimento pelo sofrimento da sua Paixão, a morte pela sua morte”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

31 de março de 2020 at 5:45 Deixe um comentário

A oração do Papa Francisco pelos que choram

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Na Missa na casa Santa Marta na manhã deste domingo (29/03), o Papa rezou por aqueles que se encontram na dor neste tempo de aflição. Na homilia, recordou que também Jesus chorou: muitas pessoas choram, peçamos a graça de saber chorar com elas

VATICAN NEWS

Francisco presidiu a Santa Missa na manhã deste 29 de março, no V Domingo da Quaresma. São três semanas que a celebração eucarística na Capela da Casa Santa Marta é transmitida em streaming por desejo do Papa, que quer chegar aos fiéis que não podem participar da Missa por causa da pandemia do coronavírus. Hoje, Francisco rezou pelos aflitos.

Penso em muitas pessoas que choram: pessoas isoladas, pessoas em quarentena, os anciãos sós, pessoas internadas e as pessoas em terapia, os pais que veem que, como falta o salário, não conseguirão dar de comer aos filhos. Muitas pessoas choram. Também nós, em nosso coração, as acompanhamos. E não nos fará mal chorar um pouco com o pranto do Senhor por todo o seu povo.

Na homilia, comentando o Evangelho de João (Jo 11,3-7.17.20-27.33b-45) sobre a ressurreição de Lázaro, falou do choro de Jesus pelo amigo. Jesus chora com amor, chora com os seus que choram, chora sempre por amor, tem um coração repleto de compaixão. Hoje, diante de um mundo que sofre por causa da pandemia – perguntou-se –, somos capazes de chorar como Jesus? Muitos choram hoje. Peçamos a graça de chorar.

A seguir, o texto da homilia transcrita pelo Vatican News:

Jesus tinha amigos. Amava todos, mas tinha amigos com os quais mantinha uma relação especial, como se faz com os amigos, mais amor, mais confidência… E muitas, muitas vezes se detinha na casa destes irmãos: Lázaro, Marta, Maria… E Jesus condoeu-se com a doença e a morte de seu amigo. Chega ao sepulcro e se comove profundamente e estremecido interiormente perguntou: “Onde o colocastes?” E Jesus chorou. Jesus, Deus, mas homem, chorou. Em outra passagem no Evangelho se diz que Jesus chorou:  quando chorou sobre Jerusalém. E com quanta ternura Jesus chora! Chora de coração, chora com amor, chora com os seus que choram. O pranto de Jesus. Talvez, tenha chorado outras vezes na vida – não sabemos -; certamente no Horto das Oliveiras. Mas Jesus chora por amor, sempre.

Comoveu-se profundamente e estremecido chorou. Quantas vezes ouvimos no Evangelho esta comoção de Jesus, com aquela frase que se repete: “Vendo, teve compaixão”. Jesus não pode ver as pessoas e não sentir compaixão. Seus olhos são com o coração; Jesus vê com os olhos, mas vê com o coração e é capaz de chorar.

Hoje, diante de um mundo que sofre tanto, de tantas pessoas que sofrem as consequências desta pandemia, eu me pergunto: sou capaz de chorar, como certamente o faria Jesus e o faz agora Jesus? O meu coração, se assemelha ao de Jesus? E se é demasiadamente empedernido (mesmo se) sou capaz de falar, de fazer o bem, de ajudar, mas o coração não entra, não sou capaz de chorar, pedir esta graça ao Senhor: Senhor, que eu chore contigo, chore com o teu povo que sofre neste momento. Muitos choram hoje. E nós, deste altar, deste sacrifício de Jesus, de Jesus que não teve vergonha de chorar, peçamos a graça de chorar. Que hoje seja para todos nós o domingo do choro.

Por fim, o Santo Padre terminou a celebração com a adoração e a bênção eucarística, convidando a fazer a Comunhão espiritual. A seguir, a oração recitada pelo Papa:

Meu Jesus, eu creio que estais presente no Santíssimo Sacramento. Amo-vos sobre todas as coisas, e minha alma suspira por Vós. Mas, como não posso receber-Vos agora no Santíssimo Sacramento, vinde, ao menos espiritualmente, a meu coração. Abraço-me convosco como se já estivésseis comigo: uno-me Convosco inteiramente. Ah! não permitais que torne a separar-me de Vós!

Antes de deixar a Capela dedicada ao Espírito Santo foi entoada uma antiga antífona mariana Ave Regina Caelorum (“Ave Rainha dos Céus”).

30 de março de 2020 at 5:44 Deixe um comentário

Ramos e Paixão do Senhor – São Mateus 21, 1-11 e São Mateus 27, 11-54 – Dia 05 de abril de 2020

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Ramos – São Mateus 21, 1-11

“1.Aproximavam-se de Jerusalém. Quando chegaram a Betfagé, perto do monte das Oliveiras, Jesus enviou dois de seus discípulos,* 2.dizendo-lhes: “Ide à aldeia que está defronte. Encon­tra­reis logo uma jumenta amarrada e com ela seu jumentinho. Desamarrai-os e trazei-mos. 3.Se alguém vos disser qualquer coisa, respondei-lhe que o Senhor necessita deles e que ele sem demora os devolverá”. 4.Assim, neste acontecimento, cumpria-se o oráculo do profeta: 5.Dizei à filha de Sião: Eis que teu rei vem a ti, cheio de doçura, montado numa jumenta, num jumentinho, filho da que leva o jugo (Zc 9,9). 6.Os discípulos foram e exe­cutaram a ordem de Jesus. 7.Trouxe­ram a jumenta e o jumentinho, cobriram-nos com seus mantos e fizeram-no montar. 8.Então, a multidão estendia os mantos pelo caminho, cortava ramos de árvores e espalhava-os pela estrada. 9.E toda aquela multidão, que o precedia e que o seguia, clamava: “Hosana ao filho de Davi! Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus!”.* 10.Quando ele entrou em Jerusalém, alvoroçou-se toda a cidade, perguntando: “Quem é este?”. 11.A multidão respondia: “É Jesus, o profeta de Nazaré da Galileia”.”

Paixão do Senhor – São Mateus 27, 11-54 

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“11.Jesus compareceu diante do governador, que o interrogou: “És o rei dos judeus?”. “Sim” –, respondeu-lhe Jesus. 12.Ele, porém, nada respondia às acusações dos príncipes dos sacerdotes e dos anciãos. 13.Perguntou-lhe Pilatos: “Não ouves todos os testemunhos que levantam contra ti?”. 14.Mas, para grande admiração do governador, não quis responder a nenhuma acusação. 15.Era costume que o governador soltasse um preso a pedido do povo em cada festa de Páscoa. 16.Ora, havia naquela ocasião um prisio­neiro famoso, chamado Barra­bás. 17.Pilatos dirigiu-se ao povo reunido: “Qual quereis que eu vos solte: Barrabás ou Jesus, que se chama Cristo?”. 18.(Ele sabia que tinham entregue Jesus por inveja.) 19.Enquanto estava sentado no tribunal, sua mulher lhe mandou dizer: “Nada faças a esse justo. Fui hoje atormentada por um sonho que lhe diz respeito”. 20.Mas os príncipes dos sacerdotes e os anciãos persuadiram o povo que pedisse a libertação de Barrabás e fizesse morrer Jesus. 21.O governador tomou então a palavra: “Qual dos dois quereis que eu vos solte?”. Res­ponderam: “Barrabás!”. 22.Pilatos perguntou: “Que farei então de Jesus, que é chamado o Cristo?”. Todos responderam: “Seja crucificado!”. 23.O governador tornou a perguntar: “Mas que mal fez ele?”. E gritavam ainda mais forte: “Seja crucificado!”. 24.Pilatos viu que nada adiantava, mas que, ao contrário, o tumulto crescia. Fez com que lhe trouxessem água, lavou as mãos diante do povo e disse: “Sou inocente do sangue deste homem. Isto é lá convosco!”. 25.E todo o povo respondeu: “Caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos filhos!”. 26.Libertou então Barrabás, mandou açoitar Jesus e lho entregou para ser crucificado. 27.Os soldados do governador conduziram Jesus para o pretório e rodearam-no com todo o pelotão. 28.Arrancaram-lhe as vestes e colocaram-lhe um manto escarlate. 29.Depois, trançaram uma coroa de espinhos, meteram-lha na cabeça e puseram-lhe na mão uma vara. Dobrando os joelhos diante dele, diziam com escárnio: “Salve, rei dos judeus!”. 30.Cuspiam-lhe no rosto e, tomando da vara, davam-lhe golpes na cabeça. 31.Depois de escarnecerem dele, tiraram-lhe o manto e entregaram-lhe as vestes. Em seguida, levaram-no para o crucificar. 32.Saindo, encontraram um ho­mem de Cirene, chamado Simão, a quem obrigaram a levar a cruz de Jesus. 33.Chegaram ao lugar chamado Gólgota, isto é, lugar do crânio. 34.Deram-lhe de beber vinho misturado com fel. Ele provou, mas se recusou a beber.* 35.Depois de o haverem crucificado, dividiram suas vestes entre si, tirando à sorte. Cumpriu-se assim a profecia do profeta: Repartiram entre si minhas vestes e sobre meu manto lançaram à sorte (Sl 21,19). 36.Sentaram-se e montaram guarda. 37.Por cima de sua cabeça penduraram um escrito trazendo o motivo de sua crucificação: “Este é Jesus, o rei dos judeus”. 38.Ao mesmo tempo foram crucificados com ele dois ladrões, um à sua direita e outro à sua esquerda. 39.Os que passavam o injuriavam, sacudiam a cabeça e diziam: 40.“Tu, que destróis o templo e o reconstróis em três dias, salva-te a ti mesmo! Se és o Filho de Deus, desce da cruz!”. 41.Os príncipes dos sacerdotes, os escribas e os anciãos também zombavam dele: 42.“Ele salvou a outros e não pode salvar-se a si mesmo! Se é rei de Israel, desça agora da cruz e nós creremos nele! 43.Confiou em Deus, Deus o livre agora, se o ama, porque ele disse: Eu sou o Filho de Deus!”. 44.E os ladrões, crucificados com ele, também o ultrajavam. 45.Desde a hora sexta até a nona, cobriu-se toda a terra de trevas. 46.Próximo da hora nona, Jesus exclamou em voz forte: “Eli, Eli, lammá sabactáni?” – o que quer dizer: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”.* 47.A essas palavras, alguns dos que lá estavam diziam: “Ele chama por Elias”. 48.Imedia­tamente, um deles tomou uma esponja, embebeu-a em vinagre e apresentou-lha na ponta de uma vara para que bebesse. 49.Os outros diziam: “Deixa! Vejamos se Elias virá socorrê-lo”. 50.Jesus de novo lançou um grande brado, e entregou a alma. 51.E eis que o véu do templo se rasgou em duas partes de alto a baixo, a terra tremeu, fenderam-se as rochas.* 52.Os sepulcros se abriram e os corpos de muitos justos ressuscitaram. 53.Saindo de suas sepulturas, entraram na cidade santa depois da ressurreição de Jesus e apareceram a muitas pessoas. 54.O centurião e seus homens que montavam guarda a Jesus, dian­te do estremecimento da terra e de tudo o que se passava, disseram entre si, possuídos de grande temor: “Verdadeiramente, este homem era Filho de Deus!”.”

Fonte – Bíblia Católica Online

“Com os ramos nas mãos, seguimos os passos de Jesus em sua entrada em Jerusalém e em seu percurso rumo à cruz. A solene liturgia nos introduz na Semana Santa, centro do grande acontecimento de nossa fé: o mistério da paixão, morte e ressurreição do Senhor. Acolhamos e bendigamos aquele que vem a nós como humilde servidor”. (Liturgia Diária)

O Papa Emérito Bento XVI disse que “o Domingo de Ramos é o grande portal de entrada na Semana Santa, a semana em que o Senhor Jesus caminha até ao ponto culminante da sua existência terrena. Ele sobe a Jerusalém para dar pleno cumprimento às Escrituras e ser pregado no lenho da cruz, o trono donde reinará para sempre, atraindo a Si a humanidade de todos os tempos e oferecendo a todos o dom da redenção”.

O Papa Francisco disse assim: “Jesus entra em Jerusalém. A liturgia convidou-nos a intervir e participar na alegria e na festa do povo que é capaz de aclamar e louvar o seu Senhor; alegria que esmorece, dando lugar a um sabor amargo e doloroso depois que acabamos de ouvir a narração da Paixão. Nesta celebração, parecem cruzar-se histórias de alegria e sofrimento, de erros e sucessos que fazem parte da nossa vida diária como discípulos, porque consegue revelar sentimentos e contradições que hoje em dia, com frequência, aparecem também em nós, homens e mulheres deste tempo…”

“Frustando a expectativa messiânica da multidão, Jesus não entra entra em Jerusalém de forma triunfal, mas montado num jumentinho, o transporte dos pobres, afirmando assim seu messianismo pacífico, e cumprindo a profecia de Zacarias”. (Dia a Dia Ed. Paulus)

Dom Henrique Soares da Costa ensinou: “Os ramos que trazemos nas mãos significam que reconhecemos Jesus como o Messias de Israel, prometido por Deus. Significam também que nos dispomos a segui-lo como o Servo que dá a vida na cruz. Levaremos estes ramos para casa. Devemos guardá-los num lugar visível durante todo o ano, para recordar nosso compromisso de seguir o Cristo num caminho de humildade e despojamento…”

O Papa Francisco explicou: “As aclamações da entrada em Jerusalém e a humilhação de Jesus. Os gritos de festa e o encarniçamento feroz. Anualmente, este duplo mistério acompanha a entrada na Semana Santa com os dois momentos caraterísticos desta celebração: ao início, a procissão com os ramos de palmeira e de oliveira e, depois, a leitura solene da narração da Paixão”.

“O evangelho da Paixão segundo Mateus descreve o processo de julgamento e condenação do justo por excelência: Jesus. Os adversários, nesta hora, unem-se para acusar injustamente e condenar como subversivo o homem de Nazaré. Ele é vítima do império, que não admite contestação. A vida fiel ao Pai leva Jesus a não ter medo nem desistir da missão que Deus lhe confiara. Discípulo seu é aquele que o segue e permanece com Ele, mesmo diante dos perigos, e carrega a própria cruz”. (Liturgia Diária)

Mons. José Maria disse assim: “Terminada a procissão (de Ramos) mergulha-se no mistério da Paixão de Jesus Cristo: Em Is 50 4-7 descreve o Servo sofredor, na esperança da vitória final. Vemos nele a própria pessoa de Jesus Cristo. Em Fl 2,6-11 temos a chave principal de todo o mistério deste Domingo de Ramos: Jesus humilhou-se e por isso Deus o exaltou! No texto de  Mc 15,1-39, somos chamados a contemplar a PAIXÃO e a MORTE de Jesus. Que durante a Semana Santa possamos tirar muitos frutos da meditação da Paixão de Cristo”.

Dom Henrique Soares da Costa disse que : “aquilo que ele (Jesus) realizou na sua existência toda, acolhendo, perdoando, curando, restaurando a esperança… isto é, entregando-se a nós e por nós, agora ele vai consumar até a morte e morte de cruz! Acolher esse serviço é reconhecer que Cristo morreu por nós, por nós entregou sua vida… e, assim, ser-lhe grato de todo o coração, como Paulo, que exclamava: “Ele me amou e se entregou por mim” (Gl 2,20). Sejamos-lhe gratos: vivamos também nós por ele!”

O Padre César Augusto disse que “entramos na Semana Santa, onde aprofundaremos nosso conhecimento no amor de Cristo por nós e, consequentemente seremos agraciados com mais amor. Que possamos chegar à Páscoa da Ressurreição mais assemelhados ao Cristo obediente!”

Conclusão: (São Bernardo)

“Como eram diferentes umas vozes e outras! Fora, fora, crucifica-o e bendito o que vem em nome do Senhor, Hosana nas alturas! Como são diferentes as vozes que agora o aclamam  Rei de Israel e dentro de poucos dias dirão: Não temos outro rei além de César! Como são diferentes os ramos verdes e a Cruz, as flores e os espinhos! Àquele a quem antes estendiam as próprias vestes, dali a pouco o despojam das suas e lançam a sorte sobres elas.”

Oração: (Prefácio)

Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos graças, sempre e em todo o lugar, Senhor, Pai santo, Deus eterno e todo-poderoso, por Cristo, Senhor nosso. Inocente, Jesus quis sofrer pelos pecadores. Santíssimo, quis ser condenado a morrer pelos criminosos. Sua morte apagou nossos pecados e sua ressurreição
nos trouxe vida nova. Por ele, os anjos cantam vossa grandeza e os santos proclamam vossa glória. Concedei-nos também a nós associar-nos a seus louvores, cantando (dizendo) a
uma só voz:

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

30 de março de 2020 at 5:43 Deixe um comentário

Terço da Batalha – Eliana Ribeiro

29 de março de 2020 at 8:27 Deixe um comentário

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