Archive for novembro, 2015

Santo André – 30 de Novembro

Santo André, apóstolo


Os gregos chamam a este ousado apóstolo “Protókletos”, que significa: o primeiro chamado. Ele foi um dos afortunados que viram Jesus na verde planície de Jericó. Ele passava. O Baptista indicou-o com o dedo de Precursor e disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo”. André e João foram atrás d’Ele. Não se atreveram a falar-Lhe até que Jesus se virou para trás e perguntou: “Que procurais?” – Mestre, onde habitas? – “Vinde e vede”. A Igreja deve muito a Santo André. Terá sido martirizado numa cruz em forma de aspa ou X, que é conhecida pelo nome de cruz de Santo André.

Fonte: Evangelho Quotidiano

30 de novembro de 2015 at 9:37 Deixe um comentário

Liturgia das Horas

Laudes 


V. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.
R. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Em meio à treva escura,
ressoa clara voz.
Os sonhos maus se afastem,
refulja o Cristo em nós.

 

Despertem os que dormem
feridos de pecado.
Um novo sol já brilha,
o mal vai ser tirado.

 

Do céu desce o Cordeiro
Que traz a salvação.
Choremos e imploremos
Das culpas o perdão.

 

E ao vir julgar o mundo
No dia do terror,
Não puna tantas culpas,
Mas venha com amor.

 

Ao Pai e ao seu Filho
poder e majestade,
e glória ao Santo Espírito
por toda a eternidade.

30 de novembro de 2015 at 9:24 Deixe um comentário

Segundo Domingo do Advento – Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas – São Lucas 3, 1-6 – Dia 06 de dezembro de 2015

1. No ano décimo quinto do reinado do imperador Tibério, sendo Pôncio Pilatos governador da Judéia, Herodes tetrarca da Galiléia, seu irmão Filipe tetrarca da Ituréia e da província de Traconites, e Lisânias tetrarca da Abilina,

2. sendo sumos sacerdotes Anás e Caifás, veio a palavra do Senhor no deserto a João, filho de Zacarias.

3. Ele percorria toda a região do Jordão, pregando o batismo de arrependimento para remissão dos pecados,

4. como está escrito no livro das palavras do profeta Isaías (40,3ss.): Uma voz clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.

5. Todo vale será aterrado, e todo monte e outeiro serão arrasados; tornar-se-á direito o que estiver torto, e os caminhos escabrosos serão aplainados.

6. Todo homem verá a salvação de Deus.

 

“Em nossa trajetória rumo ao Natal de Jesus, nos encontramos hoje com a figura forte de João Batista, voz que clama no deserto. Consideremos a grande bondade de Deus que vem em nosso auxílio a cada ano, ofertando seu Filho para que sejamos salvos”. (O Domingo)

Acende-se a segunda vela da coroa do Advento, a vela branca, vela da paz, dizendo: “Bendito sejais, Deus da paz, pela luz de Cristo, Sol de nossa vida, a quem esperamos com toda a ternura do coração”.

O Papa Emérito Bento XVI disse assim: “Há uma semana estamos a viver o tempo litúrgico do Advento: período de abertura ao futuro de Deus, de preparação para o Santo Natal, quando Ele, o Senhor, que é a novidade absoluta, veio habitar no meio desta humanidade decaída para a renovar a partir de dentro. Na liturgia do Advento ressoa uma mensagem cheia de esperança, que exorta a dirigir o olhar para o horizonte último, mas ao mesmo tempo, a reconhecer no presente os sinais do Deus-conosco”.

São João Batista, o Precursor

D. Henrique Soares explicou: “A figura de João Batista, com toda a sua austeridade e com suas palavras de advertência são um sério convite a que revisemos nosso modo de viver”.

“São João Batista, o último dos profetas e o Precursor do Evangelho. Ele preparou o povo, lá nas margens do Jordão, para receber a Cristo no início de sua vida pública. E vem agora ajudar-nos na chegada do Natal”. (Com. Canção Nova)

“São João Batista, aquele Profeta ainda da Antiga Aliança, a quem foi dado preparar diretamente o caminho do Messias e entrar, por assim dizer, com toda a sua missão no âmbito do Evangelho. É uma daquelas personagens que na liturgia do Advento aparecem mais frequentemente. Prepara-nos todos os anos para a vinda do Senhor”. (São João Paulo II)

D. Orani João Tempesta disse que no Advento “trata-se também de um momento em que somos chamados à missão profética de anunciar o Messias no mundo de hoje, pois Aquele que veio e virá, é também O que vem a cada coração que o acolhe. Por isso este tempo é de preparação de sua renovada acolhida nos corações, tanto dos que já O conhecem, como também dos que ainda não o conhecem verdadeiramente”.

Conclusão:

Com as palavras de Dom Jaime Pedro Kohl:

Neste Advento “não adiemos mais uma vez a ocasião de iniciarmos nosso processo de conversão. Não deixemos escapar a grata oportunidade que o Senhor nos dá de abrir o nosso coração ao amor misericordioso do Pai que nos quer presentear com uma vida nova, fruto da Justiça do Reino”.

Oração:

Prefácio do Advento 1: “Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos graças, sempre e em todo lugar, Senhor, Pai Santo, Deus eterno e todo-poderoso, por Cristo, Senhor nosso. Revestido da nossa fragilidade, ele veio a primeira vez para realizar seu eterno plano de amor e abrir-nos o caminho da salvação. Revestido de sua glória, ele virá uma segunda vez para conceder-nos em plenitude os bens prometidos que hoje, vigilantes, esperamos. Por essa razão, agora e sempre, nós nos unimos aos anjos e a todos os santos, cantando (dizendo) a uma só voz…”

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

 

 

 

30 de novembro de 2015 at 5:36 Deixe um comentário

Papa Francisco recorda aos participantes no V festival da doutrina social da Igreja que o respeito da natureza e da criação é o grande desafio para o futuro do homem- O grito da mãe terra

 

2015-11-28 L’Osservatore Romano

Com um convite a «ouvir o grito da mãe terra», porque «o respeito das criaturas e da criação representa um grande desafio para o futuro do homem», foi dirigido pelo Papa Francisco aos participantes no V festival da doutrina social da Igreja que decorre em Verona de 26 a 29 de Novembro.

Numa mensagem vídeo o Papa frisou quanto é necessária hoje «a capacidade de dialogar, de construir pontes e não muros». Este é o tempo do diálogo, não da defesa de inflexibilidades contrapostas». «Por todos – acrescentou o Pontífice – é sentida a necessidade de mudança porque se intui que alguma coisa não funciona. O consumismo, a idolatria do dinheiro, as demasiadas desigualdades e injustiças, a homologação com o pensamento dominante são um peso do qual nos queremos libertar recuperando a nossa dignidade e comprometendo-nos na partilha, sabendo que a solução dos problemas concretos não provém do dinheiro mas da fraternidade que se ocupa do outro… Fazer um pouco de limpeza, aumentar a transparência, recuperar vigor, genuinidade e agilidade faz bem às estruturas e às pessoas: encontraremos de novo o estímulo e o entusiasmo de fazer algo bom ao serviço dos irmãos. Para as novas necessidades e pobrezas são necessárias respostas novas. Vivendo a proximidade encontraremos também a inspiração e a força para dar uma forma concreta à mudança que todos desejam».

Mensagem vídeo do Papa

29 de novembro de 2015 at 9:58 Deixe um comentário

O tempo do Advento – das Cartas Pastorais de São Carlos Borromeu, bispo

 

Caros filhos, eis chegado o tempo tão importante e solene que, conforme diz o Espírito Santo, é o momento favorável, o dia da salvação (cf. 2Cor 6,2), da paz e da reconciliação. É o tempo que outrora os patriarcas e profetas tão ardentemente desejaram com seus anseios e suspiros; o tempo que o justo Simeão finalmente pôde ver cheio de alegria, tempo celebrado sempre com solenidade pela Igreja, e que também deve ser constantemente vivido com fervor, louvando e agradecendo ao Pai eterno pela misericórdia que nos revelou nesse mistério. Em seu imenso amor por nós, pecadores, o Pai enviou seu Filho único a fim de libertar-nos da tirania e do poder do demônio, convidar-nos para o céu, revelar-nos os mistérios do seu reino celeste, mostrar-nos a luz da verdade, ensinar-nos a honestidade dos costumes, comunicar-nos os germes das virtudes, enriquecer-nos com os tesouros da sua graça e, enfim, adotar-nos como seus filhos e herdeiros da vida eterna.

Celebrando cada ano este mistério, a Igreja nos exorta a renovar continuamente a lembrança de tão grande amor de Deus para conosco. Ensina-nos também que a vinda de Cristo não foi proveitosa apenas para os seus contemporâneos, mas que a sua eficácia é comunicada a todos nós se, mediante a fé e os sacramentos, quisermos receber a graça que ele nos prometeu, e orientar nossa vida de acordo com os seus ensinamentos.

A Igreja deseja ainda ardentemente fazer-nos compreender que o Cristo, assim como veio uma só vez a este mundo, revestido da nossa carne, também está disposto a vir de novo, a qualquer momento, para habitar espiritualmente em nossos corações com a profusão de suas graças, se não opusermos resistência.

Por isso, a Igreja, como mãe amantíssima e cheia de zelo pela nossa salvação, nos ensina durante este tempo, com diversas celebrações, com hinos, cânticos e outras palavras do Espírito Santo, como receber convenientemente e de coração agradecido este imenso benefício e a enriquecer-nos com seus frutos, de modo que nos preparemos para a chegada de Cristo nosso Senhor com tanta solicitude como se ele estivesse para vir novamente ao mundo.

Fonte: Liturgia das Horas

29 de novembro de 2015 at 5:55 Deixe um comentário

Papa Francisco no Twitter

27/11/2015
O mundo está perante um movimento migratório sem precedentes. Agradeço ao Uganda pela generosidade com que acolhe os refugiados.
26/11/2015
A minha visita à África seja sinal da estima da Igreja por todas as religiões e reforce os nossos laços de amizade.
25/11/2015
Mungu abariki Quénia! Deus abençoe o Quénia!
19/11/2015
Todas as pessoas – verdadeiramente todas – são importantes aos olhos de Deus.

29 de novembro de 2015 at 5:15 Deixe um comentário

Papa agradece catequistas ugandeses por ensinarem a rezar

2015-11-27 Rádio Vaticana

Eis na íntegra as palavras do Papa no encontro com catequistas e professores

“Queridos catequistas e professores,

Queridos amigos!

Com afecto, vos saúdo a todos em nome de Jesus Cristo, nosso Senhor e Mestre.

«Mestre»: como é belo este título! O nosso primeiro e maior mestre é Jesus. Diz-nos São Paulo que Jesus deu à sua Igreja não só apóstolos e pastores, mas também mestres, para edificar o Corpo inteiro na fé e no amor. Juntamente com os bispos, os presbíteros e os diáconos, que foram ordenados para pregar o Evangelho e cuidar do rebanho do Senhor, vós, como catequistas, tendes parte relevante na missão de levar a Boa Nova a todas as aldeias e lugares do vosso país.

Quero, antes de mais nada, agradecer-vos pelos sacrifícios que fazeis, vós e as vossas famílias, e pelo zelo e devoção com que realizais a vossa importante tarefa. Ensinais o que Jesus ensinou, instruís os adultos e ajudais os pais a fazer crescer os seus filhos na fé e, a todos, levais a alegria e a esperança da vida eterna. Obrigado pela vossa dedicação, pelo exemplo que dais, pela proximidade ao povo de Deus na sua vida quotidiana e pelos mais variados modos como plantais e cultivais as sementes da fé em todo este vasto território. Obrigado especialmente por ensinardes as crianças e os jovens a rezar.

Sei que o vosso trabalho, embora gratificante, não é fácil. Por isso vos encorajo a perseverar, pedindo aos vossos bispos e sacerdotes que vos ajudem com uma formação doutrinal, espiritual e pastoral capaz de vos tornar mais eficazes na vossa acção. Mesmo quando a tarefa se apresenta gravosa, os recursos pouquíssimos e os obstáculos enormes, far-vos-á bem lembrar que o vosso é um trabalho santo. O Espírito Santo está presente onde o nome de Cristo é proclamado. Está entre nós sempre que elevamos os corações e as mentes para Deus na oração. Ele dar-vos-á a luz e a força de que precisais. A mensagem, que transmitis, enraizar-se-á tanto mais profundamente no coração das pessoas quanto mais fordes não só mestres, mas também testemunhas. Que o vosso exemplo faça ver a todos a beleza da oração, o poder da misericórdia e do perdão, a alegria de partilhar a Eucaristia com todos os irmãos e irmãs.

A comunidade cristã no Uganda cresceu enormemente graças ao testemunho dos mártires. Eles deram testemunho da verdade que nos liberta; estavam prontos a derramar o seu sangue, para permanecer fiéis àquilo que sabiam ser bom, belo e verdadeiro. Estamos hoje aqui em Munyonyo, no lugar onde o rei Mwanga decidiu eliminar os seguidores de Cristo. Mas o seu objectivo faliu, tal como o rei Herodes não conseguiu matar Jesus. A luz brilhou nas trevas, e as trevas não prevaleceram (cf. Jo 1, 5). Depois de ter visto o corajoso testemunho de Santo André Kaggwa e seus companheiros, os cristãos do Uganda tornaram-se ainda mais convictos das promessas de Cristo.

Que Santo André, vosso padroeiro, e todos os catequistas mártires ugandeses vos obtenham a graça de serdes mestres sábios, homens e mulheres cujas palavras sejam cheias de graça, dando testemunho convincente do esplendor da verdade de Deus e da alegria de Evangelho. Ide sem medo por cada cidade e aldeia deste país espalhar a boa semente da Palavra de Deus e tende confiança na sua promessa de que voltareis, em festa, carregando os feixes duma seara abundante.

Peço-vos para rezardes por mim e que peçais às crianças para rezarem por mim

Omukama Abawe Omukisa! [Deus vos abençoe!]

28 de novembro de 2015 at 7:10 Deixe um comentário

«O coração do justo exultará no Senhor» – Dos Sermões de Santo Agostinho

Alegre‑se o justo no Senhor e n’Ele espere, congratulem‑se os homens de coração reto. Isto é o que cantamos com a boca e o coração. São palavras que a consciência e a língua cristãs dirigem a Deus: Alegre‑se o justo, não no mundo, mas no Senhor. A luz resplandece para os justos – diz outro salmo – e a alegria para os corações rectos. Talvez perguntes donde vem esta alegria. Num salmo ouves: Alegre‑se o justo no Senhor. E noutro: Põe no Senhor as tuas delícias e Ele satisfará os anseios do teu coração.

Que é que se nos declara? Que se recomenda? Que se manda? Que se dá? Que nos alegremos no Senhor. E quem se alegra naquilo que não vê? Ou será que vemos o Senhor? Isso é ainda uma promessa. Agora caminhamos à luz da fé; enquanto habitamos neste corpo, vivemos como exilados, longe do Senhor. Caminhamos à luz da fé e não da visão clara. Quando chegaremos à visão clara? Quando se cumprir o que diz São João: Caríssimos, agora somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Mas sabemos que, na altura em que se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porque O veremos como Ele é.

Então será a alegria plena e perfeita, a felicidade completa, quando já não tivermos por alimento o leite da esperança, mas o alimento sólido da realidade. Todavia, também agora, antes de chegarmos a essa ventura, antes de essa ventura chegar até nós, alegremo‑nos no Senhor. Porque não é pequena a alegria da esperança que nos garante a futura realidade.

28 de novembro de 2015 at 5:58 Deixe um comentário

Ato Penitencial – Advento ( 02 Cantos )

28 de novembro de 2015 at 5:13 Deixe um comentário

Papa visita favelados de Nairobi e pede terra, teto e trabalho para todos

2015-11-27 Rádio Vaticana

Nairobi (RV) – O Santo Padre iniciou o terceiro dia de atividades em Nairobi, capital do Quênia, com uma visita a Kangemi, uma das favelas da capital.

Kangemi é um bairro onde se encontra uma das favelas de Nairobi, situada em um pequeno vale, que confina com a favela de Kalangware. Kangemi conta com uma população multiétnica de mais de 100 mil pessoas, cuja maioria pertence à tribo Lubya. A paróquia local, de cerca de 20 mil fiéis, dedicada a São José Operário, é confiada aos Padres Jesuítas, que dirigem também um ambulatório, um Instituto Técnico Superior, um Centro de Assistência às mães mais necessitadas e diversas iniciativas profissionais.

Ao chegar à favela Kangemi, o Santo Padre percorreu a pé as ruas de terra até chegar à igreja de São José Operário, onde foi acolhido pelas autoridades religiosas e locais.Depois do canto de boas vindas, da projeção de um filme-documentário e da leitura de um trecho evangélico, o Papa tomou a palavra para agradecer a calorosa acolhida, dizendo:

“Na verdade, me sinto em casa ao partilhar este momento com irmãos e irmãs que – não tenho vergonha de o dizer – ocupam um lugar especial na minha vida e nas minhas opções. Estou aqui, porque quero que saibam que suas alegrias e esperanças, angústias e sofrimentos não me são indiferentes. Sei das dificuldades que enfrentam, todos os dias! Como não denunciar as suas injustiças”?

Desta forma, o Papa de deteve em um aspecto que os discursos de exclusão não conseguem reconhecer ou parecem ignorar: a sabedoria dos bairros populares.

Citando a sua Encíclica “Laudato Si”, o Pontífice explicou que “se trata de uma sabedoria que “brota da resistência obstinada do que é autêntico, dos valores evangélicos que a sociedade opulenta, entorpecida pelo consumo desenfreado, parece ter esquecido”.

Vocês, acrescentou Francisco, são capazes de “tecer laços de pertença e de convivência que transformam a sua existência em uma experiência comunitária, onde são abatidos os muros e as barreiras do egoísmo”. E ponderou:

“A cultura dos bairros populares, permeada por esta sabedoria particular, tem características muito positivas, que são uma contribuição para o tempo em que vivemos; ela se exprime mediante valores concretos de solidariedade, dar a vida pelo outro, preferir o nascimento à morte, dar sepultura cristã aos seus mortos, oferecer hospitalidade aos doentes, partilhar o pão com quem tem fome, ter paciência e fortaleza nas grandes adversidades. Esses valores são baseados nisto: todo ser humano é mais importante do que o deus dinheiro. Obrigado por nos lembrar que existe este outro tipo de cultura!”

Neste sentido, o Papa quis começar a reivindicar estes valores, que que não são cotados na Bolsa: valores que não são objeto de especulação e nem têm preço de mercado. O caminho de Jesus teve início na periferia, entre os pobres e pelos pobres. Reconhecer isso não significa ignorar a terrível injustiça da marginalização urbana. As feridas provocadas pelas minorias concentram o poder, a riqueza e esbanjam egoisticamente enquanto a crescente maioria deve refugiar-se em periferias abandonadas, contaminadas, descartadas.

Isto se agrava ainda mais, frisou Francisco, diante da injusta distribuição do terreno que, em muitos casos, leva inteiras famílias a pagarem aluguéis abusivos por habitações em condições imobiliárias completamente inadequadas. O Papa recordou ainda o grave problema da sonegação de terras por parte de “empresários privados” sem rosto.

Aqui, o Santo Padre referiu-se a outro grave problema: a falta de acesso às infraestruturas e serviços básicos, de modo particular, à água potável: “O acesso à água potável e segura é um direito humano essencial, fundamental e universal, porque determina a sobrevivência das pessoas. Negar a água a uma família, sob qualquer pretexto burocrático, é uma grande injustiça”.

Este contexto de indiferença e hostilidade, de que sofrem os bairros populares, se agrava, disse o Papa, quando a violência se espalha e as organizações criminosas, ao serviço de interesses econômicos ou políticos, utilizam crianças e jovens como “bala de canhão” para os seus negócios sangrentos. E exortou:

“Peço a Deus que as autoridades assumam em conjunto o caminho da inclusão social, da educação, do esporte, da ação comunitária e da tutela das famílias, porque esta é a única garantia de uma paz justa, verdadeira e duradoura. Estas realidades são uma consequência de novas formas de colonialismo, que pretendem que os países africanos sejam peças de um mecanismo e de uma engrenagem gigantesca. Na verdade, não faltam pressões para que sejam adotadas políticas de descarte, como a redução da natalidade”.

Por fim, o Bispo de Roma propôs retomar a ideia de uma respeitosa integração urbana, sem erradicação e paternalismo, sem indiferença e mero confinamento. A dívida social e ambiental para com os pobres das cidades pode ser paga com o direito sagrado dos três “T”: terra, teto e trabalho.

O santo Padre concluiu seu discurso aos favelados de Kangemi, com o seguinte apelo:

“Quero chamar a atenção de todos os cristãos, especialmente dos Pastores, para que renovem o impulso missionário; tomem iniciativas contra as tantas injustiças; envolvam-se nos problemas dos vizinhos e os acompanhem nas suas lutas; salvaguardem os frutos do seu trabalho comunitário e celebrem juntos todas as vitórias, pequenas ou grandes. Esta é uma tarefa talvez a mais importante, porque os pobres são os destinatários privilegiados do Evangelho”.

Rezemos, trabalhemos e nos comprometamos, disse por fim o Papa, para que cada família tenha um teto digno, acesso à água potável, energia para iluminar, cozinhar e melhorar suas casas; que todo o bairro tenha ruas, praças, escolas, hospitais, espaços desportivos, recreativos e artísticos; que todos possam gozar da paz e da segurança que merecem. (MT)

27 de novembro de 2015 at 9:45 Deixe um comentário

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