Archive for outubro, 2010

“Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” ( Mt 16,18)

 

Mensagem de sua Santidade o Papa Bento XVI para a quaresma de 2010

 

 

A Igreja Católica Apostólica Romana é governada pelo sucessor de Pedro (o Papa), e pelos bispos em comunhão com ele. No colégio dos doze apóstolos, Simão Pedro ocupa o primeiro lugar ( Mc 3,16). Assim também o Papa é o chefe maior da Igreja Católica e sua autoridade deve ser respeitada, acatada e seguida por todos os fiéis católicos; e, da mesma forma em relação à autoridade dos bispos, sucessores dos apóstolos,”de sorte que quem os ouve, ouve a Cristo, e quem os despreza, despreza a Cristo e aquele que Cristo enviou.” (Cic 862)

O Papa recebe dons e carismas de Deus para exercer o ministério de Pastor da Igreja Católica. Eis alguns:

1-O dom da fortaleza– Como Pedro é a rocha onde Cristo fundamentou a Igreja ( Mt 16,18), o Papa também por sentar na cadeira de Pedro, é transformado por Jesus Cristo em rocha: firme e inabalável. A força da palavra do Papa e de suas ações vêm do Espírito Santo, o doador dos dons e condutor soberano da Igreja. O Papa é forte, porque Deus o faz forte.

2- O dom de pastorear o rebanho do Senhor– Jesus deu a Pedro essa ordem ao encontrar com seus discípulos, após a ressurreição:- “apascenta as minhas ovelhas” ( At 21,17). Jesus deu a Pedro autoridade para conduzir a sua Igreja, o Papa, por sua vez é revestido dessa mesma autoridade para que o Evangelho de Jesus Cristo seja anunciado “a toda a criatura”( Mc 16,15), e que nenhuma ovelha fique de fora do aprisco do Senhor ( Jo 10, 16). A Palavra de Deus diz em Hebreus 13, 17: “Sede submissos e obedeceis aos vossos pastores, pois eles velam por vossas almas e delas devem dar conta.” Obedecer ao Papa é essencial pra manter a unidade da Igreja, pois ele é a autoridade de Cristo na terra.

3- O dom da infalibilidade ( que é um dogma)– O Papa, pela inspiração e força do Espírito Santo, direciona a Igreja para a busca da verdade e da justiça, e procura agir com cautela, sem erros.  O Catecismo da Igreja explica assim esse dom: §891 “Goza desta infalibilidade o Pontífice Romano, chefe do colégio dos Bispos, por força de seu cargo quando, na qualidade de pastor e doutor supremo de todos os fiéis e encarregado de confirmar seus irmãos na fé, proclama, por um ato definitivo, um ponto de doutrina que concerne à fé ou aos costumes… A infalibilidade prometida à Igreja reside também no corpo episcopal (bispos) quando este exerce seu magistério supremo em união com o sucessor de Pedro”, sobretudo em um Concílio Ecumênico. ”

4- O dom de sabedoria, discernimento e revelação– Jesus perguntou a Pedro se ele sabia quem era Ele (Jesus). Pedro respondeu cheio do espírito de sabedoria e revelação: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!”( Mt 16,16) “Jesus, então, lhe disse:”Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que estás nos céus.”( Mt 16, 17) Da mesma forma o Papa, por estar ocupando o lugar de Pedro, como chefe da Igreja, tem também esses e outros dons para compreender as coisas do Reino dos céus e dirigir a Igreja segundo a vontade de Deus.

5- O dom da unidade – O Papa tem a missão junto ao magistério, ao clero e aos fiéis manter a unidade do Corpo de Cristo, para que haja ”um só Senhor, uma só fé, um só batismo”. ( Ef 4,5) Desde o início com Pedro, o primeiro Papa (ler a Primeira e Segunda Epístola de São Pedro na Bíblia), os Papas tem combatido as heresias e falsas doutrinas dentro da Igreja, com mão firme e decisões coerentes com a Palavra de Deus e a Doutrina da Igreja Católica. Para isso também, o Magistério da Igreja com o Papa à frente, reúne-se em Concílios e em outros momentos… e, toma decisões que podem levar os “falsos doutores da Lei” ou “falsos profetas” ( 1 Tm 1,3-8) à excomunhão.

6- O dom de ser pai espiritual, de acolher a todos como filhos de Deus – O Papa, (do grego, pai), segundo a santa doutrina católica, é o sucessor de São Pedro no governo da Igreja Católica Apostólica Romana e o Vigário de Cristo na terra. Tem autoridade sobre todos os fieis e sobre toda hierarquia eclesiástica, incluindo a Concilio Ecumênico, e é infalível quando fala “ex cathedra” sobre assuntos de fé e moral. O Papa é considerado o pai dos fiéis católicos, aqui na terra, no sentido espiritual. Como um pai que busca relacionar-se bem com os filhos, embora diferentes uns dos outros, assim o Papa se relaciona com todos os povos, independente de sua crença, de sua fé. Busca o diálogo com outras denominações cristãs (Ecumenismo), e com outras religiões ( diálogo inter-religioso). É modelo de acolhimento, perdão e amor para com todos. Após Pentecostes (descida do Espírito Santo), Pedro toma a palavra e instrui o povo sobre o plano de salvação do Pai, realizado na cruz por Cristo. Como um pai, Pedro está sempre atento para ensinar e orientar seus filhos na fé ( At 2, 14-36).

O poder do papa é passado para outro papa quando ele morre ou sua doença o incapacita para a função. A  eleição do Papa é hoje reservada aos Cardeais que se reúnem no Conclave; o novo Papa é eleito com 2/3 dos votos e só participam os Cardeais com menos de 80 anos. Foram mártires todos os 30 primeiros Papas. O Anuário Pontifício indica 266 papas até Bento XVI. ( Felipe Aquino) . O papa vive na cidade do Vaticano, em Roma. O papa é o líder da Igreja Católica e chefe de Estado do Vaticano. O governo da Igreja Católica, exercido pelo Papa, é chamado de papado. O papa também pode ser chamado por outros nomes, como Vigário de Cristo, Santo Padre e Bispo de Roma.

 O Papa é o supremo legislador e Juiz, promulgando leis para toda a Igreja, ou concedendo dispensas nas leis comuns. Somente ele pode criar e dividir dioceses; transferir e nomear bispos; convocar e dissolver concílios universais ( Pe Inácio). O Papa , junto com os bispos em suas dioceses, é o guardião das Verdades da nossa fé: a interpretação correta da Palavra de Deus e da Doutrina dos Apóstolos. Os Papas, em todos os tempos, buscaram sempre a proteção de Maria Santíssima e proclamaram a Sagrada Eucaristia, onde se rememora o Mistério Pascal da Cristo, o testemunho do amor incondicional de Cristo por nós. O Papa Bento XVI diz: ” No sacramento da Eucaristia, Jesus mostra-nos de modo particular a verdade do amor, que é a própria essência de Deus. Esta é a verdade evangélica que interessa a todo o homem e ao homem todo. Por isso a Igreja, que encontra na Eucaristia o seu centro vital, esforça-se constantemente por anunciar a todos, em tempo propício e fora dele (opportune, importune: cf. 2 Tm 4, 2), que Deus é amor.(4)”

O Papa tem as chaves do Reino dos Céus, que Jesus deu a Pedro( Mt 16,19), portanto ouçamos o que ele tem a nos falar, pois as suas palavras de fé, esperança e caridade vêm dos ensinamentos da Palavra de Deus, que têm o poder de abrir as portas do Céu para nós. Jesus diz a  Pedro: ” tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”.( Mt 16,19) O papa recebe por sucessão, o mesmo poder que Pedro recebeu de Jesus de ligar e desligar as coisas no céu e na terra.

   É uma missão árdua a do Papa, por isso em todas as missas rezadas no mundo inteiro há um momento  para pedir por ele. Consciente disso São gregório Magno, que também foi Papa, dizia:”“Estou disposto a morrer antes de ser causa de ruína para a Igreja de Pedro. Acostumei-me a sofrer com paciência, mas, uma vez decidido, lanço-me com ânimo resoluto em direção a todos os perigos”.

Testemunho

Nesses meus anos de vida, pude acompanhar a trajetória de alguns Papas e todos deram ao meu coração católico, muita alegria e paz,  por serem  tementes a Deus, cheios de fé e muito santos. São eles: Pio XII ( 1958), Beato João XXIII ( 1963), Paulo VI ( 1978), João Paulo I ( 1978), João Paulo II ( 2005); e nosso atual e culto Papa Bento XVI, que com o seu testemunho de fé tem edificado cada vez mais a nossa Igreja. Minha mãe  (já falecida) era serva fiel e atuante na Igreja, por isso recebeu uma bênção especial( escrita) do Santo Padre Pio XII, em 26 de abril de 1958, do qual eu guardo com muita honra e o  coração agradecido a Deus.

Jesus amado, fortaleça o Papa Bento XVI, nosso querido Pastor, para que conduza corajosamente a Igreja de Jesus Cristo, num tempo tão difícil como o de hoje.

 Nossa Senhora Auxiliadora, mãe e rainha do céu e da terra, interceda ao seu Filho Jesus, pelo Papa, pelos bispos, pelo clero e por todos os fiéis da nossa amada Igreja Católica.

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

 

28 de outubro de 2010 at 23:04 Deixe um comentário

MARIA CANTA O MAGNIFICAT

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O Canto do Magnificat (Lc 1, 46-55), fala da misericórdia, poder e grandeza de Deus em favor de toda a humanidade e em todas as gerações. É um canto de adoração, louvor e exaltação que brota do coração de Maria Santíssima ao nosso Deus, único e Senhor de todo o universo ( Sl 8,2).

E é com o mesmo olhar humilde de Maria, que podemos enxergar Deus tal como ela viu. São Tomás Vilanova falou assim da humildade de Maria Santíssima: ” Os olhos tão humildes de Maria, viu sempre a divina grandeza, sem jamais perder de vista o seu próprio nada”. E por causa dessa humildade, de fazer-se nada, Deus fez tudo nela e através dela. Santo Afonso de Ligório disse: “Maria não pôde humilhar-se mais do que se humilhou. Vejamos agora como Deus; tendo-a feito sua mãe, não pôde exaltá-la mais do que a exaltou”.

Pra compreendermos melhor, vamos refletir cada versículo desse lindo canto de Maria Santíssima, inspirado pelo Espírito Santo, quando de sua visita à casa de Isabel, sua prima:

E Maria disse:

 Minha alma engrandece ao Senhor  (v.46) – o Papa Bento XVI diz  sobre esse versículo: “Maria “proclama grande” o Senhor. Maria deseja que Deus seja grande no mundo, seja grande na sua vida, esteja presente entre todos nós. Não teme que Deus possa ser um “concorrente” na nossa vida, que nos possa tirar algo da nossa liberdade, do nosso espaço vital com a sua grandeza. Ela sabe que, se Deus é grande, também nós somos grandes. A nossa vida não é oprimida, mas elevada e alargada”. Deus mesmo quer que ampliemos nossos espaços, pois somos seus filhos herdeiros e co-herdeiros de Cristo. No livro de Isaías, capítulo 54, versículo 2 o senhor nos fala: “ Amplia o espaço da tua tenda, desdobra sem constrangimento as telas que te abrigam, alonga tuas cordas, consolida tuas estacas.”

 Meu espírito exulta de alegria em Deus, meu salvador (v.47) – Um coração que exulta de alegria como o de Maria, é um coração cheio de fé e esperança no Deus que salva, que redime. O anjo do senhor disse aos pastores em Belém: ”Não temais, eis que vos anuncio uma boa- nova que será alegria para todo o povo: hoje vos nasceu na Cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor.” A alegria de Maria é maior ainda, pois ela é bendita entre todas as mulheres, pois gerou no seu próprio ventre Jesus Cristo, o salvador e redentor da humanidade. Alegremo-nos com Maria Santíssima, pois através dela a salvação chegou até nós.

Porque olhou para sua pobre serva. Por isso, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações (v.48) – Santo Afonso de Ligório fez essa oração para Maria Santíssima: “Ó Virgem Imaculada e santa, ó criatura a mais humilde e a mais excelsa diante de Deus. Foste tão pequena aos vossos olhos, porém tão grande aos olhos do Senhor, que ele vos exaltou a ponto de escolher para sua Mãe e fazer-vos depois Rainha do céu e da terra.”  Deus olhou para Maria e a escolheu. O olhar de Deus sobre Maria tornou-a  bem-aventurada em todas as gerações.E no Livro do Eclesiástico,  capítulo 34 Deus nos fala:”Os olhos  do Senhor estão voltados para aqueles que o temem.”( v.19) Também Deus nos olha e nos escolhe, por isso precisamos ter sempre um coração pobre para dizer “sim” a Deus, como fez Maria Santíssima: ” Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua Palavra.” (Lc 1, 38) 

Porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo (v. 49) – Maria é totalmente de Deus, por isso o Senhor pôde realizar nela e por ela uma obra maravilhosa ao nosso favor. Ela ofertou todo o seu ser a Deus por nós, pobres pecadores, que continuamente gemem e choram nesse vale de lágrimas. Só Deus pode realizar maravilhas,como fez com Maria,  pois é poderoso e santo em tudo que faz: “A quem poderíeis comparar-me, que possa ser a mim igualado? – diz o Santo. Levantai os olhos para o céu e olhai. Quem criou todos esses astros?” ( Is 40, 25-26) Maria Santíssima tem o coração agradecido a Deus e reconhece  todas as maravilhas que o senhor fez a seu favor e de toda a humanidade. Como Maria, possamos agradecer a Deus por tudo o que Ele tem feito, diariamente, em nossas vidas,nas dos nossos familiares, amigos, …

Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem (v.50) – Deus é infinito em seu amor e misericórdia e, quer que todos os seus filhos sejam livres do mal e se salvem: os que já viveram antes de nós, os que vivem conosco e os que virão depois de nós. Deus está presente em nosso meio e não nos abandonará jamais: está conosco “todos os dias, até o fim do mundo.” ( Mt 28,20) O que precisamos fazer é crer em Deus e aceitá-lo como único salvador de nossas vidas. Maria Santíssima viveu plenamente a misericórdia e o amor de Deus em sua vida. Maria é a Mãe da Divina Misericórdia.

Manifestou o poder do seu braço; desconsertou os corações dos soberbos (v.51) –  No Salmo 88, versículo11 encontramos assim: “… com poderoso braço dispersastes vossos inimigos”. O braço de Deus opera maravilhas e dá a vitória a quem a Ele recorre. A Palavra diz: “ Cantai ao Senhor um cântico novo, porque Ele operou maravilhas. Sua mão e seu santo braço lhe deram a vitória.”( Sl 97,1). Os poderosos desse mundo são confundidos ao ver que Deus concede poder e autoridade aos que tem coração simples, puro e humilde. Com o sim de Maria, Deus desconcertou os corações dos soberbos e orgulhosos. Através de Maria o mundo tomou outra direção: o Verbo se fez carne e habitou entre nós.

Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes (v.52). Pela humildade e pureza de Maria, Deus exaltou-a grandemente. São Bernardo orou desta forma: “Senhora, como pudestes unir no vosso coração conceito de vós mesma tão humilde, com tanta pureza, com tanta inocência e tanta plenitude de graça, como possuís?” Da mesma forma, se queremos ser exaltados pelo Senhor, precisamos renunciar às atitudes de orgulho, arrogância, prepotência, auto-suficiência e, nos colocar como Maria, modelo de humildade, serviço e obediência a Deus. São Bernardo assim disse de Maria: “ Oh! Quantos soberbos, com a devoção de Maria, acharam a humildade; quantos coléricos, a mansidão; quantos cegos, a luz, quantos desesperados, a confiança; quantos transviados, a salvação!

Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos ( v. 53) – Deus olha o clamor dos pobres e oprimidos. O Salmo 106, versículo 9 diz que: Deus” dessedentou a garganta sequiosa, e cumulou de bens a que tinha fome.” O apego aos bens materiais nos impedem de receber o verdadeiro bem: o espiritual. Os humildes e os indigentes, assim como todos aqueles que temem a Deus, experimentam a sua misericórdia e o seu amor redentor, que é a maior riqueza que se poderia almejar. A Palavra de Deus diz assim: “Ele derrubou os que habitavam nas alturas e destruiu a cidade soberba; derrubou-a por terra e ao nível do chão a reduziu. Ela é calcada aos pés pela plebe, sob os passos dos indigentes.” ( Is 26, 5-6) Essa é a verdadeira justiça. É a justiça de Deus!

Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia (v.54) – Deus é infinitamente misericordioso, pois deu o seu filho único Jesus Cristo, para livrar da condenação eterna todos aqueles que crerem n’Ele. A Palavra de Deus nos ensina: O Senhor nos salvou, não pelos nossos próprios méritos,” mas unicamente em virtude de sua misericórdia” ( Tt 3, 5).Maria Santíssima traz pra nós a misericórdia de Deus em suas santas mãos. Assim disse  São Boaventura :”Maria, por ser Mãe da misericórdia, nem recusa, nem jamais recusou compadecer-se de nossas misérias, e socorrer os infelizes que imploram o seu auxílio.”   

Conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre (v.55) – Deus sempre mantém a promessa feita a seu povo, como fez a Abraão de abençoar sua descendência. Abraão confiou nas promessas de Deus, que lhe disse: “ Levanta os olhos para o céu e conta as estrelas, se és capaz…Pois bem – ajuntou Ele – assim será a tua descendência”. Maria também, como Abraão, disse “Sim” a Deus, fez a sua vontade e confiou n’Ele;  por isso, foi apresentada como nossa Mãe pelo próprio Jesus, em sua Cruz ( Jo 19,27) O número dos filhos de Maria são incontáveis como a areia do mar ou as estrelas do céu. Confiar em Deus e nas suas promessas é certeza de receber graças e milagres em nossa vida.

Testemunho

No ano de 2000, tive a graça de visitar os santuários marianos de Fátima e Lourdes, e fiquei impressionada com o grande número  de pessoas que buscam diariamente a intercessão de Nossa Senhora, para a cura dos males da alma, da mente e do corpo. E o Senhor fala em sua Palavra: ” Muitos louvarão sua sabedoria; jamais cairá ela no esquecimento. A sua memória não desaparecerá; seu nome será repetido de geração em geração.”( Eclo39,12-13) Há uma presença forte de Deus nesses lugares. No Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, entrei num tanque da mesma água da gruta de Lourdes e  pude sentir Deus realizando uma grande cura em mim (chorei muito); tal como fala  no Evangelho de S. João 5,1-4, em que os doentes eram curados ao entrar num tanque com água mexida pelo Anjo do Senhor. Na  Procissão das Velas, no Santuário de Fátima, aconteceu também um momento forte de cura e libertação, que chorei durante toda a procissão sem saber o porquê.  No Santuário de Aparecida, no Brasil, e em muitos outros santuários marianos no mundo inteiro, podemos constatar que o Senhor realmente fez maravilhas em Maria Santíssima e através dela, por ser a Mãe de Jesus Cristo: o Filho de Deus e nosso Salvador.

O Papa Bento XVI fala: ”  Portanto, não admira que Maria, Mãe e modelo da Igreja, seja evocada e venerada como “Salus infirmorum”, “Saúde dos enfermos”. Como primeira e perfeita discípula do seu Filho, Ela demonstrou sempre, acompanhando o caminho da Igreja, uma solicitude especial para com os sofredores. Dão testemunho disto as milhares de pessoas que acorrem aos santuários marianos para invocar a Mãe de Cristo e encontram nela força e alívio.”

Oremos com Santo Afonso de Ligório:

Ó Mãe de Misericórdia, nós vos apresentamos nossas almas, outrora aformoseadas e lavadas pelo sangue de Jesus Cristo, mas depois enegrecidas pelo pecado. Nós vo-las oferecemos: purificai-as. Alcançai-nos uma sincera conversão, o amor de Deus, a perseverança, o paraíso. Grandes favores vos pedimos; mas não podeis obter tudo? Seria muito para o amor que Deus vos tem? Bastante vos é abrir a boca e implorar vosso Filho: ele nada vos recusa. Rogai, pois, ó Maria, rogai por nós; intercedei por nós e sereis atendida e nós seremos salvos com certeza.

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

22 de outubro de 2010 at 11:34 Deixe um comentário

A PARÁBOLA DO GRÃO DE MOSTARDA

 

E disse Jesus: “A quem compararemos o Reino de Deus? Ou com que parábola o representaremos?  É como o grão de mostarda que, quando é semeado, é a menor de todas as sementes, cresce, torna-se maior que todas as hortaliças e estende de tal modo os seus ramos, que as aves do céu podem abrigar-se à sua sombra” ( Mc 4,30-32).

 

 Jesus veio habitar em nosso meio ( Jo 1, 14) e congregar todos os homens e mulheres em torno de si, pois Ele é o Redentor da humanidade e sem Jesus não há salvação. Jesus é a própria presença do Reino de Deus entre nós, que se manifesta pelo poder da Palavra, dos sinais, prodígios, milagres ( Mt 11,5) e, principalmente pelo mistério da sua Páscoa: sua morte na cruz e sua Ressurreição ( 1 Cor 15,3). O Senhor nos ensinou através da Parábola do Grão de Mostarda, o caminho que temos que trilhar para ter acesso ao Reino dos Céus:

1- Ter um coração dócil para Deus: A palavra de Deus, como a semente do grão de mostarda, precisa ser semeada em terra boa, pois se tiver pedra em nosso coração, ela não brotará, nem criará raízes ( Mt 13,50). O que endurece e fecha o nosso coração é o ressentimento, a mágoa, enfim, o pecado. Por isso é necessário fazer uma boa confissão, arrepender-se dos pecados, e pedir ao Espírito Santo uma vida nova, uma vida de santidade. No livro de Ezequiel, capítulo 36, versículo 26, o Senhor faz essa promessa para nós: “Eu vos darei um coração novo e em vós porei um espírito novo; tirarei do vosso peito o coração de pedra e vos darei um coração de carne.”

2- Ter um coração simples: A semente da Palavra brotará com força, mesmo sendo pequena como a do grão de mostarda, se tivermos um coração de pobre ( Lc 4, 18) e humilde como o de Jesus ( Mt 11, 28). O coração que não tem soberba, orgulho e prepotência é um coração humilde, simples, sem malícia e, portanto, pronto para receber a Palavra de Deus e para compreendê-la.  Jesus se dirigiu assim ao Pai: “Eu te bendigo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondestes estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequenos ( Mt 11, 25).

3- Escutar Deus, crer n’Ele e obedecer a sua vontade: ”Escuta, ó povo, a minha advertência: Possas tu me ouvir, ó Israel ( Sl 80, 9)!  A escuta freqüente e a obediência à Palavra de  Deus  faz a semente do amor que está em nosso coração crescer,tornar-se uma árvore “ maior que todas as hortaliças”(Mc 4,32). Precisamos crescer na fé para que possamos  compreender “qual seja a largura, o comprimento, a altura e a profundidade” do amor de Cristo ( Ef 3, 18). Crescer é não ficar parado, é não guardar os talentos( Mt 25,14-30), é praticar a Palavra de Deus; pois a fé sem obras é morta ( Tg 2,17) e não produz frutos.

4- Ser fiel a Deus, permanecer n’Ele: “ Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira ” ( Jo 15, 4).  Como na parábola do grão de mostarda, que o ramo cresceu e se espalhou para todos os lados, precisamos ficar em Deus, confiar e esperar no seu amor; e, assim, espalhar aos nossos irmãos, o amor de Deus derramado em nossos corações pelo Espírito Santo.

5- Procurar na Igreja  o direcionamento espiritual: Os pássaros se abrigam à sombra da árvore, na parábola do grão de mostarda e nós buscamos a Igreja, onde vamos encontrar o que necessitamos para ter acesso ao Reino de Deus, que é a recompensa final depois das batalhas da vida, nesse mundo. O Catecismo nos ensina:Os filhos da santa Igreja, nossa Mãe, esperam justamente a graça da perseverança final e a recompensa de Deus seu Pai pelas boas obras realizadas com a sua graça, em comunhão com Jesus” (2016). E o Papa João Paulo II disse assim sobre a capacidade da Igreja de abrigar a todos nós seus filhos: “Que mulher tem mais filhos que a santa Igreja? É virgem pela santidade que recebe nos sacramentos e mãe dos povos. Sua fecundidade está testificada também pela Eucaristia, que diz: “mais são os filhos da abandonada, que os filhos da casada” (Isaías 54, 1; Galatas 4, 27).

Ó Pai, misericordioso, queremos fazer parte do teu Reino de amor, de paz e de justiça, por isso livra-nos do mal!

Ó Jesus amado, cura-nos e faz-nos ser perseverantes na fé, na esperança e na caridade!

Ó Espírito Santo, dá-nos o dom do amor, da partilha e da alegria! Ajuda-nos a crescer em graça e santidade!

Ó Mãe da Igreja, Nossa Senhora Aparecida, guarda-nos sempre sob seu manto protetor !

Jane Amábile- Com. Divino Espírito Santo

10 de outubro de 2010 at 7:45 Deixe um comentário

A PARÁBOLA DO FILHO PRÓDIGO

“ Estava ainda longe, quando seu pai o viu e, movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, o abraçou e o beijou.” ( Lc 15, 20)

 O Papa Bento XVI disse: “Como não abrir o nosso coração para a certeza de que, mesmo sendo pecadores, somos amados por Deus? Ele nunca se cansa de vir ao nosso encontro, percorre sempre em primeiro lugar a estrada que nos separa d’Ele.”

 A Parábola do Filho Pródigo nos remete ao amor misericordioso de Deus que não se cansa de esperar pelos seus filhos, que gastam os bens com as coisas desse mundo e voltam para Ele dispostos a recomeçar uma nova vida. Jesus contou a parábola do filho pródigo em que um homem tinha dois filhos: o mais moço pediu sua herança ao pai e saiu de casa, gastou seus bens e voltou arrependido; e o filho mais velho que fica ressentido com a festa que o pai faz pela volta do filho mais moço, que tinha gastado seus bens. ( Lc 15,11-32)

 O Catecismo da Igreja nos convida a refletir os seguintes pontos da Parábola do Filho Pródigo:

1- O fascínio da liberdade ilusória: (v.12) “O mais moço disse a seu pai: Meu pai, dá-me a parte da herança que me toca”.  Deus nos dá a liberdade de filhos amados, mas muitas vezes não fazemos o uso dessa liberdade para o bem. São Paulo nos diz (I Cor 6,12): “Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma.”

2- O abandono da casa paterna: (v. 13) “Poucos dias depois, ajuntando tudo o que lhe pertencia, partiu o filho mais moço para um país muito distante, e lá dissipou a sua fortuna, vivendo dissolutamente.” O Papa João Paulo II disse sobre esse versículo: “A herança que o jovem tinha recebido do pai era constituída por certa quantidade de bens materiais. Mas, mais importante do que esses bens era a sua dignidade de filho na casa paterna.” E foi da casa do pai que o filho mais se lembrou quando estava ausente.

3- A extrema miséria em que se encontra o filho depois de esbanjar sua fortuna: (v.14) “Depois de ter esbanjado tudo, sobreveio àquela região uma grande fome e ele começou a passar penúria.” Os bens materiais não duram para sempre, os bens espirituais, são eternos.Temos necessidade de Deus, pois Ele nos criou. A nossa alma tem sede e fome de Deus. Ficar longe de Deus é ser pobre; é ser miserável; é passar fome e sede. Deus fala em sua Palavra: “…se tememos a Deus, se evitarmos todo o pecado e vivermos honestamente, grande será a nossa riqueza.”( Tb 4, 23)

4- A profunda humilhação de ver-se obrigado a cuidar dos porcos e, pior ainda, de querer matar a fome com a sua ração: (v. 15-16) “Foi pôr-se a serviço de um dos habitantes daquela região, que o mandou para os seus campos guardar os porcos. Desejava ele fartar-se das vagens que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava.” O pecado nos exclui da Sagrada Eucaristia, onde a comida e a bebida são o Corpo e o Sangue de Jesus crucificado por nossos pecados. Quantas comidas estragadas que as pessoas nos têm oferecido e que temos comido. Se ouvirmos a Deus e seguirmos seus Mandamentos, participaremos da ceia do Senhor e teremos vida e ressurreição: “Se me ouvis, comereis excelentes manjares, uma suculenta comida fará vossas delícias.” (Is 55, 2). Possivelmente o pai do filho pródigo, alertou-o sobre todo o mal que poderia acontecer fora de casa, mas este não quis ouvi-lo.

5– A reflexão sobre os bens perdidos: (v. 17) “Entrou então em si e refletiu: Quantos empregados há na casa de meu pai que têm pão em abundância… e eu, aqui, estou a morrer de fome!” Por causa da situação de penúria em que se encontrava, o filho pródigo reconheceu que perdeu seus direitos de filho e deseja agora somente saciar sua fome com a comida que os empregados de seu pai comem. Quando estamos em pecado perdemos nossa dignidade de filhos de Deus e a verdadeira herança que Ele nos dá em Jesus Cristo, a vida eterna: “O Espírito mesmo dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus. E, se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo…” ( Rm 8, 16-17)

6– O arrependimento e a decisão de declarar-se culpado diante do pai: (v.18-19) ”Vou me levantar e irei a meu pai, e lhe direi: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho: Trata-me como a um dos teus empregados”. O filho quer conviver com o pai novamente, pois sabe que com ele tem tudo o que precisa. Ele quer usufruir dos seus bens, mesmo que numa condição humilhante de assalariado do seu próprio pai. Deus nos espera no Sacramento da Confissão, para receber dele a misericórdia e o perdão: “Se vossos pecados forem escarlates, se tornarão brancos como a neve!”( Is 1, 19) É a promessa do Senhor para nós. O Papa Bento XVI diz que “o arrependimento é a medida da fé e, graças a ele voltamos à verdade.”

7- O caminho de volta e o generoso acolhimento da parte do pai: (v. 20) “Levantou-se, pois, e foi ter com seu pai. Estava ainda longe, quando seu pai o viu e, movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, o abraçou e o beijou.” O pai viu que seu filho estava de volta à vida e alegrou-se. O Pai já não se lembrará do que nós fizemos de mal, quando, arrependidos, confessarmos os nossos pecados. Assim como fez o pai da parábola, que recebeu o  filho com alegria sem se lembrar do sofrimento que havia passado com a atitude dele. Deus é fiel e compassivo: “…porque as desgraças de outrora serão esquecidas, já não lhes volverão ao espírito.”(Is 65, 16) O abraço de perdão do Pai nos cura e nos liberta e, principalmente nos insere novamente no seu Reino de amor, de onde o nosso pecado nos excluiu.

  8-A alegria do pai por ter achado o filho que havia se perdido: (v.22-24 ) “Mas o pai falou aos servos: Trazei-me depressa a melhor veste e vesti-lha, e pode-lhe um anel no dedo e calçado nos pés. Trazei também um novilho gordo e matai-o; comamos e façamos uma festa. Este meu filho estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado. E começaram a festa.” O céu faz festa quando um pecador se converte. Jesus proclamou essa verdade na parábola da moeda perdida: “Digo-vos que haverá júbilo entre os anjos de Deus por um só pecador que se arrepende.” ( Lc 15, 10) Quando estamos em pecado, os nossos pés ficam enlameados: é preciso que tiremos o calçado sujo e coloquemos calçados limpos para pisar a terra santa, onde Deus se encontra. O anel que o pai coloca no dedo do filho pródigo é a renovação da aliança do Senhor com o pecador arrependido, selada no sangue do Cordeiro-Jesus Cristo. Quem vence o pecado e busca a vida na graça, já não terá  vestes cinzas, mas brancas; novas vestes,como as que o filho pródigo recebeu de seu pai: “ O vencedor será assim revestido de vestes brancas. Jamais apagarei o seu nome do livro da vida, e o proclamarei diante de meu Pai e dos seus anjos.”( Ap 3, 5)

 O pai também vai ao encontro do filho mais velho, acolhe suas queixas e confirma  a participação do filho nos seus bens, porque esse filho sempre foi fiel a ele. O filho mais velho não lhe trazia preocupação, mas nem por isso tinha menos amor por ele. ( Lc 15, 25-32)

 Nessa parábola podemos ver quão misericordioso e amoroso é Deus e, só Jesus Cristo poderia nos revelar isso de uma forma tão simples e tão bela.

 Obrigada, Senhor, por esperar pacientemente  pelo meu arrependimento e por me dar o seu perdão.

 Peço-te, Senhor, insista sempre comigo, não quero me afastar de Ti! Ensina-me a ser fiel a Ti! Fortaleça-me no Teu amor!

 Jane Amábile- Com. Divino Espírito Santo

3 de outubro de 2010 at 21:37 Deixe um comentário


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