Solenidade de Pentecostes – Atos dos Apóstolos 2, 1-11

8 de junho de 2011 at 22:41 Deixe um comentário

1.Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. 2. De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. 3. Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. 4. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. 5. Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos de todas as nações que há debaixo do céu. 6. Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e maravilhava-se de que cada um os ouvia falar na sua própria língua. 7. Profundamente impressionados, manifestavam a sua admiração: Não são, porventura, galileus todos estes que falam? 8. Como então todos nós os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? 9. Partos, medos, elamitas; os que habitam a Macedônia, a Judéia, a Capadócia, o Ponto, a Ásia, 10. a Frígia, a Panfília, o Egito e as províncias da Líbia próximas a Cirene; peregrinos romanos, 11. judeus ou prosélitos, cretenses e árabes; ouvimo-los publicar em nossas línguas as maravilhas de Deus!

Vamos refletir os versículos de 1 a 11, do capítulo 1, do Livro dos Atos dos Apóstolos, que é a primeira Leitura da liturgia desse domingo de Pentecostes. O Evangelho do dia: S. João 20, 19-23, já foi meditado no Segundo Domingo da Páscoa, nesse blog.

Eis resumidamente, o significado de Pentecostes no Antigo e no Novo testamento. O Papa Bento XVI faz uma comparação entre os dois:

O evento de Pentecostes, no Cenáculo, aconteceu no mesmo dia em que a comunidade judaica celebrava a Aliança de Deus com seu povo, no Monte Sinai, com Moisés. O Papa Bento XVI disse que ”a comunidade (Maria, os discípulos e as outras mulheres) encontrava-se reunida no mesmo lugar, o Cenáculo, na manhã da festa judaica do Pentecostes, festa da Aliança, em que se fazia memória do evento do Sinai quando Deus, mediante Moisés, tinha proposto que Israel se tornasse a sua propriedade no meio de todos os povos, para ser sinal da sua santidade”. (Êxodo 19)  O Papa Bento XVI  disse também que “a Igreja espalhada pelo mundo inteiro revive na solenidade de Pentecostes, o mistério do seu nascimento, do próprio batismo no Espírito Santo (At 1, 5), que teve lugar em Jerusalém cinquenta dias depois da Páscoa, precisamente na festividade judaica de Pentecostes”.

Os sinais do fogo e do vento também estavam presentes no Sinai e no Cenáculo. O Santo Padre explica que  “segundo o Livro do Êxodo, aquela antiga aliança foi acompanhada por uma terrificante manifestação de poder da parte do Senhor: “Todo o monte Sinai fumegava, porque o Senhor havia descido sobre ele no meio de chamas.  O fumo que se elevava era como o de um forno,  e todo o monte estremecia violentamente” ( Ex 19, 18). Voltamos a encontrar os elementos do vento e do fogo no Pentecostes do Novo Testamento, mas sem ressonâncias de medo. Em particular, o fogo adquire a forma de línguas que se pousam sobre cada um dos discípulos, que ”ficaram todos cheios de Espírito Santo” e, em virtude de tal efusão, “começaram a falar outras línguas”. (At 2,4)

Vamos ao resumo do evento de Pentecostes. Para compreender melhor o que diz a Leitura acima, vamos voltar ao capítulo 1, 13-14, dos Atos dos Apóstolos que fala assim: “Tendo entrado no cenáculo, subiram ao quarto de cima, onde costumavam permanecer. Eram eles: Pedro e João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelador, e Judas, irmão de Tiago. Todos eles perseveravam unanimemente na oração, juntamente com as mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dele”.

 Continuando a falar sobre Pentecostes, agora em Atos 2, 2-4: “De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem” . E no versículo 6, diz que as pessoas de outras nações, que estavam presentes “maravilhavam-se de que cada um os ouvia falar na sua própria língua”. (V.6)

A partir daquele dia a Igreja nasce com a força dos dons e carismas do Espírito Santo, e também com seus frutos: bondade, paciência, amor, paz… ( Gl 5, 22-23) e com a missão de levar o evangelho a todas as nações, raças e línguas. O Beato João Paulo II disse que o Espírito Santo ao descer sobre os Apóstolos “com força extraordinária, tornou-os capazes de anunciar ao mundo inteiro o ensinamento de Jesus Cristo. Era tão grande a sua coragem, tão segura a sua decisão, que estavam dispostos a tudo, até a dar a vida”.

 Em Jerusalém, no dia de Pentecostes, havia um número grande de pessoas, que representavam ali diversas nações: “Partos, medos, elamitas; os que habitam a Macedônia, a Judéia, a Capadócia, o Ponto, a Ásia, a Frígia, a Panfília, o Egito e as províncias da Líbia próximas a Cirene; peregrinos romanos, judeus ou prosélitos, cretenses e árabes”. ( V.9-11). O Catecismo (767) ensina para nós:  “Por ser convocação de todos os homens para a salvação, a Igreja é, por sua própria natureza, missionária enviada por Cristo a todos os povos para fazer deles discípulos”.

Jesus Cristo, antes de subir aos Céus, disse aos seus discípulos: “Mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo”.  A missão da Igreja é fazer chegar o Evangelho de Jesus Cristo a todos, e é o Espírito Santo derramado em Pentecostes que tem feito tudo isso acontecer e continuará fazendo até os finais dos tempos. O Beato João Paulo II ensinou: “E como tinha sucedido no princípio, assim continuou a suceder sempre. Passaram-se os séculos e os milênios, mas a santa Igreja continua a ser a Igreja de Cristo Ressuscitado e do Pentecostes”. E Santo Irineu disse assim: “Onde está a Igreja, ali está o Espírito de Deus, e onde está o Espírito de Deus, ali estão a Igreja e todas as graças, e o Espírito é a verdade; afastar-se da Igreja significa rejeitar o Espírito e, por conseguinte, excluir-se da vida”.

Na descida do Espírito Santo no Cenáculo, podemos identificar quatro forças importantes da nossa Igreja.   

1-O Espírito Santo- É Deus que está conosco e em nós. Dentre inúmeras ações, o Espírito de Deus: conduz, ensina e inspira a Igreja; transforma e santifica os que buscam a salvação em Jesus Cristo; leva o anúncio da Palavra de Deus a todos os povos; faz a unidade dos fiéis com o Pai e o Filho e por fim, reúne e congrega através dos sacramentos os fiéis da Igreja. O Beato João Paulo II disse assim sobre a importância da missão do Espírito Santo de fazer a unidade na Igreja: “O Espírito Santo, que é a caridade eterna, o vínculo da unidade na Trindade, une com a sua força na caridade divina os homens dispersos, criando assim a multiforme e grande comunidade da Igreja no mundo inteiro”.

2- Maria, mãe de Jesus- É a mãe da Igreja e acompanha permanentemente a Igreja peregrina na sua caminhada rumo ao céu. Nossa Senhora estava também no Cenáculo e será sempre modelo de santidade para todos os fiéis. O Beato João Paulo II disse da importância da presença de Maria no Cenáculo, na descida do Espírito Santo: “Enquanto na hora da Encarnação o Espírito Santo tinha descido sobre ela, como pessoa chamada a participar dignamente no grande mistério, agora tudo se realiza em função da Igreja, da qual Maria é chamada a ser tipo, modelo e mãe. Na Igreja e para a Igreja Ela, lembrando- se da promessa de Jesus, espera o Pentecostes e implora para todos: uma multiplicidade de dons, segundo a personalidade e a missão de cada um”. O Papa Bento XVI disse: “Não há Igreja sem Pentecostes. E gostaria de acrescentar: não há Pentecostes sem a Virgem Maria”.

3- Os Apóstolos-  Eles levaram com coragem e entusiasmo a boa nova da salvação a muitos lugares, depois de Pentecostes. A continuidade da missão dos Apóstolos foi conferida ao Santo Padre, o Papa; aos Bispos e seus cooperadores, os Sacerdotes; e também aos consagrados, e todos os fiéis com a autoridade que o sacramento do Batismo lhes confere. O Beato João Paulo II ensinou-nos que os Apóstolos, pelos acontecimentos de Pentecostes, “sabiam, que tinham sido constituídos no meio do mundo, como o sinal e o instrumento visível da presença viva e operante do Senhor Ressuscitado e, além disto, sabiam que formavam, por um dom inefável do Espírito Santo, um corpo novo de homens dotados de um carácter original e inconfundível: o carácter de Sacerdotes, de Mestres e de Pastores do Novo Testamento”. Desde Pentecostes a Igreja já vem sustentada pelos três grandes pilares que a ajudam a manter-se sobre a Rocha: A Palavra de Deus, que o Espírito Santo inspira e faz recordar, o Magistério da Igreja (o Papa e os Bispos), representados pelos Apóstolos no Cenáculo e, a Sagrada Tradição, ensinamento e testemunho dos Apóstolos de Cristo.

4 – A Comunidade reunida  – Nossa Senhora, os Apóstolos e as outras mulheres, estavam todos reunidos em oração no Cenáculo, esperando a vinda do Espírito Santo, que Deus Pai prometera ( Ez 36, 25-26); e promessa confirmada pelo Filho Jesus aos seus discípulos. ( At 1, 4-8) O Espírito Santo conduz a Igreja de Cristo, renovando os corações de seus fiéis continuamente. A Água Viva, que é o Espírito Santo derramdo sobre nós no sacramento do Batismo, nos insere na vida da Igreja e nos faz membros do Corpo de Cristo, Cabeça da Igreja. (1Cor 12,27) A Palavra diz assim sobre as reuniões das primeiras comunidades cristãs: “Unidos de coração frequentavam todos os dias o templo. Partiam o pão nas casas e tomavam a comida com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e cativando a simpatia de todo o povo. E o Senhor cada dia lhes ajuntava outros que estavam a caminho da salvação”.  (At 2, 46-47) A Igreja é por excelência uma comunidade reunida em torno da Eucaristia, memorial de doação, partilha e amor de Jesus por nós na cruz.

Os versículos de 4 a 6 do capítulo 2, dos Atos dos Apóstolos dizem assim “Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos de todas as nações que há debaixo do céu. Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e maravilhava-se de que cada um os ouvia falar, sua própria língua”. Os dons carismáticos foram revelados em Pentecostes com a descida do Espírito Santo. Pode-se experimentá-los hoje, da mesma forma como naquele dia, basta crer e abrir o coração à graça santificante. Deus sempre quer encher a sua igreja de carismas: dom de cura,sabedoria, profecia, línguas… ( 1 Cor 12, 4-11), pois é um auxílio importante na evangelização e porque os carismas estão sempre a serviço da caridade.

Vamos refletir sobre o dom de línguas, narrado nos versículos acima:

1-São Paulo quando enumera os carismas (dons) do Espírito Santo inclui o dom de línguas também. Em 1 Coríntios 12, 10 cita: “…a outro, a variedade de línguas”. Explica também com detalhes no capítulo 14, comparando-o com o dom da profecia: “Ora, desejo que todos faleis em línguas, porém muito mais desejo que profetizeis”. (V.5) Os dons e carismas são sempre para a edificação do Corpo de Cristo, a Igreja. O Catecismo (2003)  ensina:  “A graça compreende igualmente os dons que o Espírito nos concede para nos associar à sua obra, para nos tornar capazes de colaborar com a salvação dos outros e com o crescimento do Corpo de Cristo, a Igreja”. E o Catecismo continua ensinando sobre os dons, especialmente o dom de línguas: “Seja qual for o seu caráter, às vezes extraordinário, como o dom de milagres ou de línguas, os carismas se ordenam à graça santificante, e têm como meta o bem comum da Igreja”. O Espírito Santo derramado em Pentecostes enche a Igreja de carismas, e o dom de línguas é um deles, para que ela possa levar com intrepidez a boa nova da salvação a todos os povos.

2- Há uma língua universal que faz parte da comunicação da Igreja com os povos, que é a linguagem do Amor, que vem do Espírito. Esse amor, dom do Espírito, é capaz de derrubar os muros dos conflitos, das diferenças, das inimizades entre as nações. O Papa Bento XVI explicou assim: “O Espírito Santo torna os corações capazes de compreender as línguas de todos, porque restabelece a ponte da comunicação autêntica entre a Terra e o Céu. O Espírito Santo é Amor. A Igreja deve tornar-se sempre de novo aquilo que ela já é: deve abrir as fronteiras entre os povos e romper as barreiras entre as classes e as raças. Nela não pode haver esquecidos, nem desprezados. Na Igreja existem unicamente irmãos e irmãs livres em Jesus Cristo. Vento e fogo do Espírito Santo devem infatigavelmente abater aquelas barreiras que nós homens continuamos a erguer entre nós”.

  E concluímos essa reflexão citando a fala de três Papas sobre a Igreja Católica, que teve seu nascimento em Pentecostes :

O Beato João Paulo II: “Tudo passa, mas a verdade permanece; passa, a figura deste mundo, mas a Igreja continua!”

O Papa Paulo VI:  “A apresentação da mensagem evangélica não é para a Igreja uma contribuição facultativa: é um dever que lhe incumbe, por mandato do Senhor Jesus, a fim de que os homens possam acreditar e ser salvos. Sim, esta mensagem é necessária; ela é única e não poderia ser substituída. Assim, ela não admite indiferença nem sincretismo, nem acomodação, é a salvação dos homens que está em causa”.

O Papa Bento XVI:  “A  Igreja é, por sua natureza, missionária, e a partir do dia de Pentecostes o Espírito Santo não cessa de a estimular pelos caminhos do mundo, até aos extremos confins da terra e até ao fim dos tempos”.

Peçamos a intercessão de Maria Santíssima, para que o Senhor derrame sobre todos nós um novo Pentecostes para sermos verdadeiras testemunhas de Cristo ressuscitado “até os confins da terra”. ( At 1,8)

Oremos com o Papa Bento XVI, pedindo a intercessão da Virgem Maria pela Igreja:

 “Invoquemos a intercessão de Maria Santíssima, para que a Igreja do nosso tempo seja poderosamente fortalecida pelo Espírito Santo. De modo particular, que sintam a presença confortadora do Paráclito as comunidades eclesiais que sofrem perseguição pelo nome de Cristo a fim de que, participando nos seus sofrimentos, recebam abundantemente o Espírito da glória”. (1 Pd 4, 13-14)

“Nesta festa de Pentecostes, também nós queremos estar espiritualmente unidos à Mãe de Cristo e da Igreja, invocando com fé uma renovada efusão do Paráclito divino. Invoquemo-la para toda a Igreja, em particular para todos os ministros do Evangelho, para que a mensagem da salvação seja anunciada a todas as nações”.

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

About these ads

Entry filed under: Reflexão da Palavra. Tags: .

Manda Fogo Senhor-Banda São Rafael. A Bíblia Sagrada

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


ADMINISTRADORA DO BLOG:

Jane Amábile

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts por email.

Junte-se a 86 outros seguidores

Categorias


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 86 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: