Archive for fevereiro, 2020

Reflexão para o I Domingo da Quaresma

Jesus no deserto tentado pelo diabo

Jesus no deserto tentado pelo diabo

“No Evangelho, Jesus, o Homem Perfeito, a verdadeira imagem do Pai, vence o Mal ao manter-se submisso ao Pai e mostrar-se um homem livre.”

Padre César Augusto dos Santos SJ – Cidade do Vaticano

Começamos a Quaresma com um texto que nos possibilita refletir sobre o projeto de Deus  a respeito do ser humano. O livro do Gênesis nos apresenta o homem sendo criado como o ponto alto de toda a criação, como imagem e semelhança de Deus. Exatamente por isso ele deverá proceder como superior a tudo e não deixar-se influenciar por nenhuma qualidade de qualquer coisa criada, deverá permanecer sempre livre!

É nesse exato momento que entra o a perversão do Mal ao provocar no homem o forte e imperioso desejo de experimentar a fruta proibida, ao ponto de apequenar-se  cedendo às  qualidades olfativas e visuais da fruta em detrimento da orientação do Criador.

Foi o primeiro ato em que o ser humano demonstrou que abria mão de sua liberdade para satisfazer seus instintos, sua curiosidade e, tragicamente, querer ser igual a Deus. Deixou de se reconhecer criatura, homem, vindo da terra, do húmus e querendo, com seu próprio poder chegar a ser onipotente. O ser humano trocou a humildade pela soberba, eis o primeiro pecado.

No Evangelho, Jesus, o Homem Perfeito, a verdadeira imagem do Pai, vence o Mal ao manter-se submisso ao Pai e mostrar-se um homem livre. Não será a comida, a satisfação de suas necessidades biológicas que irá submetê-lo às propostas do Mal; nem a tentação do orgulho, da vaidade, do ser renomado, do ser famoso, do prestígio irá fazê-lo aceitar a imposição de Satanás e nem a sedução do poder o derrotará em sua fidelidade ao Pai.

Para nós, a ação de Jesus, sua postura, nos interpela quando em nossa vida somos tentados a satisfazer nossas necessidades naturais, nossos desejos de prestígio e nossa sede de poder. Olhemos para o Homem Perfeito, a Imagem Visível do Deus Invisível, e suas respostas serenas às perturbadoras tentações.

No trecho da Carta aos Romanos, São Paulo nos fala sobre os modos de vida de Adão e de Cristo. O primeiro, como vimos no início de nossa reflexão, mostrou-se fraco. Contudo, essa debilidade foi herdada por todos nós, seus descendentes. Somos conscientes de que titubeamos e fracassamos diante das tentações.

Em Cristo temos exatamente a realização da vocação da natureza humana, ser superior a tudo sendo imagem de Deus, sendo livre!

Mais ainda, não podemos comparar a graça de Deus ao pecado de Adão, nos fala o Apóstolo. Se “pela desobediência de um só homem a humanidade toda foi estabelecida em uma situação de pecado, assim também, pela desobediência de um só, toda a humanidade passará para uma situação de justiça”, que é ser plenamente livre e plenamente unida a  Deus.

29 de fevereiro de 2020 at 14:40 Deixe um comentário

Papa Francisco

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Obrigada, Papa Francisco, por ser esse pastor tão especial, não só para os católicos, mas para o mundo.

O Blog Ideeanunciai esteve, está e sempre estará amando, respeitando e ouvindo Vossa Santidade, Vigário de Cristo na terra.

Que Deus o proteja e o guarde.

Maria Santíssima, rogai por nós!

29 de fevereiro de 2020 at 5:49 Deixe um comentário

A renúncia a si próprio

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O amor que temos a nós próprios […] é afetivo e efetivo. O amor efetivo é o que governa os grandes, ambiciosos de honras e riquezas, que procuram muitos bens e nunca se saciam de os adquirir; esses amam-se grandemente, com este amor efetivo. Mas há outros que se amam ainda mais, e com um amor afetivo, que são muito ternos consigo mesmos e estão constantemente a mimar-se, a cuidar de si próprios e a confortar-se; temem de tal maneira tudo o que possa incomodá-los que dá pena. […] Esta ternura é ainda mais insuportável quando se aplica às coisas do espírito que quando diz respeito às coisas corpóreas; sobretudo quando – por infelicidade – é praticada ou mantida por pessoas espirituais, que gostariam de ser santas à primeira, sem que isso lhes custasse grande coisa, e não sofrem sequer os embates da parte inferior da sua alma, dada a repugnância que sentem pelas coisas contrárias à natureza. […] Repugnar às nossas repugnâncias, fazer calar as nossas preferências, mortificar os nossos afetos, mortificar o juízo e renunciar à vontade própria é uma coisa que o amor efetivo e terno que temos por nós não pode permitir-se sem exclamar: Isto custa muito! E, deste modo, não fazemos nada. […] É preferível carregar uma pequena cruz de palha que me puseram aos ombros sem que eu a tivesse escolhido que ir cortar uma cruz bem maior em madeira com muito trabalho, para depois a transportar com grande aparato. E serei mais agradável a Deus com a cruz de palha que com aquela que eu próprio fabriquei com mais trabalho e suor, e que carregaria com maior satisfação, por causa do amor próprio, que se compraz tanto com as suas invenções e a quem agrada tão pouco deixar-se, muito simplesmente, conduzir e governar.

Reflexão de São Francisco de Sales

29 de fevereiro de 2020 at 5:39 Deixe um comentário

Francisco: estamos no mundo para caminhar da cinza à vida

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“A Quaresma não é o tempo para fazer cair sobre o povo inúteis moralismos, mas para reconhecer que as nossas míseras cinzas são amadas por Deus”. Palavras do Papa na homilia da Quarta-feira de Cinzas

Jane Nogara – Cidade do Vaticano

O Papa Francisco presidiu a missa de imposição das Cinzas nesta quarta-feira (26/02) na Basílica de Santa Sabina, no bairro Aventino, em Roma.

Antes da missa, o Pontífice guiou a procissão penitencial que iniciou na Igreja de Santo Anselmo, no Aventino, até a Basílica de Santa Sabina.

“Lembra-te que és pó da terra e à terra hás de voltar”. Com este versículo do Gênesis, Francisco iniciou a sua homilia, sublinhando que “o pó sobre a cabeça faz-nos ter os pés assentes na terra: recorda-nos que viemos da terra e, à terra, voltaremos; isto é, somos débeis, frágeis, mortais”. Mas, recorda o Pontífice, “somos o pó amado por Deus. Amorosamente o Senhor recolheu nas suas mãos o nosso pó e, nele, insuflou o seu sopro de vida”.

Do pó à vida

“Deste modo”, continua o Papa, “a cinza recorda-nos o percurso da nossa existência: do pó à vida. Somos pó, terra, barro; mas, se nos deixarmos plasmar pelas mãos de Deus, tornamo-nos uma maravilha”, porque “nascemos para ser amados, nascemos para ser filhos de Deus”.

Por isso, pondera o Pontífice:

“A Quaresma não é o tempo para fazer cair sobre o povo inúteis moralismos, mas para reconhecer que as nossas míseras cinzas são amadas por Deus. É tempo de graça, para acolher o olhar amoroso de Deus sobre nós e, assim contemplados, mudar de vida. Estamos no mundo para caminhar da cinza à vida”

Depois de recordar que a cinza que recebemos na testa abala os pensamentos que temos na cabeça e lembra-nos que somos filhos de Deus, Francisco recorda que:

“A cinza pousa nas nossas testas, para que, nos corações, se acenda o fogo do amor. Com efeito, somos cidadãos do céu. E o amor a Deus e ao próximo é o passaporte para o céu; é o nosso passaporte”

Da vida ao pó

Porém, adverte, devemos estar atentos para não cairmos no segundo percurso: o percurso contrário, da vida ao pó!

“Olhamos em redor e vemos pó de morte, vidas reduzidas a cinzas: escombros, destruição, guerra […] Continuamos a destruir-nos, a fazer-nos voltar ao pó. E quanto pó existe nas nossas relações! Vejamos em nossa casa, nas famílias […] Há tanto pó que suja o amor e embrutece a vida. Mesmo na Igreja, a casa de Deus, deixamos depositar tanto pó, o pó do mundanismo”.

Fazer o bem sem fingimento

Neste aspecto, o Papa recorda de olhar também para dentro do coração:

“Quantas vezes sufocamos o fogo de Deus com a cinza da hipocrisia! A hipocrisia: é a imundície que hoje, no Evangelho, Jesus pede para remover. De fato, o Senhor não diz apenas para fazer obras de caridade, rezar e jejuar, mas que tudo isso seja feito sem fingimento, sem falsidade nem hipocrisia”

Limpar o pó do coração

E como fazer para limpar o pó que se deposita no coração?

“Ajuda-nos o veemente apelo de São Paulo na segunda Leitura: ‘Deixai-vos reconciliar com Deus!’ São Paulo usa o passivo: deixai-vos reconciliar. Porque a santidade não é obra nossa; é graça. Sozinhos, não somos capazes de tirar o pó que suja o coração […] E a Quaresma é tempo de cura”

Caminhos rumo à Páscoa

O Santo Padre sugere caminhos rumo à Páscoa, “podemos efetuar duas passagens: a primeira, do pó à vida, da nossa humanidade frágil à humanidade de Jesus, que nos cura”, ou a segunda passagem, para não voltar a cair da vida ao pó: “vai-se receber o perdão de Deus, na Confissão, porque lá o fogo do amor de Deus consome a cinza do nosso pecado” .

Concluindo, Francisco pede: “Para amar, deixemo-nos amar; deixemo-nos erguer, para caminhar rumo à meta – à Páscoa”.

28 de fevereiro de 2020 at 5:49 Deixe um comentário

Uruguai: a Igreja se alegra pela canonização de sua primeira santa

Madre Francisca Rubatto, primeira santa do Uruguai

Madre Francisca Rubatto, primeira santa do Uruguai

O arcebispo de Montevidéu, destacou os ensinamentos de Madre Francisca Rubatto, fundadora da Congregação das Irmãs Terciárias Capuchinhas de Loano, que dedicou sua vida ao trabalho de evangelização e da promoção humana. O seu zelo pelas pessoas descartadas da sociedade levou-a a enviar parte de sua comunidade à Amazônia.

Sebastián Sansón Ferrari – Montevidéu, Uruguai

“A primeira santa uruguaia!”. Esta foi uma das exclamações mais comuns nas redes sociais de sábado, 22 de fevereiro, quando foi recebida a notícia de que o Papa Francisco tinha aprovado o decreto de canonização de Madre Francisca Rubatto. A religiosa, nascida na Itália em 1844, viveu e desenvolveu a sua missão neste país sul-americano, onde faleceu em 1904.

Nas palavras do cardeal Daniel Sturla, arcebispo de Montevidéu, estes acontecimentos são uma imensa alegria para a Igreja local e recordou do trabalho da Madre Rubatto, que “evangelizou toda a zona oeste da capital, que trabalhou pela dignidade da mulher, fundando escolas e ateliês profissionalizantes para as jovens sobretudo nos bairros pobres”. O prelado manifestou que espera que este dom seja estendido também aos outros compatriotas que estão a caminho dos altares, entre eles, o Venerável Jacinto Vera e o Servo de Deus Padre Cacho. Além disso, destacou a importância deste acontecimento no ano que o Uruguai realiza o seu 5º Congresso Eucarístico Nacional.

A recordação de uma de suas discípulas

Irmã Nora Azanza é uma religiosa da Congregação das Irmãs Terciárias Capuchinhas de Loano fundada pela Madre Rubatto. Por isso conhece bem o espírito de entrega generosa da futura santa. “Madre Francisca destaca-se principalmente por ter servido a Deus, ter vivido o Evangelho de uma forma simples, no dia a dia, no trabalho e em seus deveres diários”.

Trabalho e evangelização

Quando Madre Francisca chegou ao Uruguai viu que “tinha muito para ser feito. Não se deteve em teorias nem planos estratégicos, logo começou a trabalhar. Escolheu um lugar especial para se dedicar, que na época era uma região abandonada: La Teja, Belvedere, Paso de la Arena, Barra de Santa Lucía”, recorda Irmã Nora detalhando que a religiosa se misturava com o povo, ajudando os trabalhadores, que iam aos mataduros nas manhãs de domingo. Junto com eles, ela foi capaz de ver as necessidades de roupa, comida, de ensinar o catecismo e com uma profunda visão, decidiu instalar no local, o bairro de Belvedere, um grupo de suas irmãs. Atualmente ali se encontra o santuário onde descansam os seus restos mortais. Neste local fez um trabalho de promoção e evangelização: fez com que as jovens tivessem uma profissão para se sustentar na vida, para que fossem independentes financeiramente. Ensinava-lhes costura, tecelagem, bordados, e aos mesmo tempo recebiam um sólido ensinamento religioso” conta a irmã Azanza. Esses ateliês fundados pela Madre Rubatto hoje são importantes instituições como o Colégio San José de la Providencia de Montevidéu ou o Colégio São Francisco de Assis de Rosário e Buenos Aires, na Argentina.

Olhar, viver e transformar

“É uma santa simples que todos podemos imitar. Além de a santidade ser um chamado universal, todos podemos ser santos, porque se tornou santa assim, com o trabalho diário, alimentando-se dos sacramentos, com a oração, sem fazer coisas extraordinárias”, repete.

Irmã Nora Azanza propõe três verbos para entender a significativa importância de Madre Rubatto: olhar, viver e transformar. Convida a pensar o que vemos quando analisamos a realidade, como a vivemos e o que podemos fazer para transformá-la, a partir de nossas casas.

 

 

28 de fevereiro de 2020 at 5:45 Deixe um comentário

Papa Francisco no Twitter

26 de fev de 2020: A #Quaresma é tempo de graça, para reconhecer que as nossas míseras #cinzas são amadas por Deus, para acolher o olhar amoroso de Deus sobre nós e, assim contemplados, mudar de vida. Estamos no mundo para caminhar da cinza à vida.
26 de fev de 2020: A cinza recorda-nos o percurso da nossa existência: do pó à vida. Somos pó, terra, barro; mas, se nos deixarmos plasmar pelas mãos de Deus, tornamo-nos uma maravilha.
26 de fev de 2020: A cinza, que recebemos na testa, lembra-nos que nós, filhos de Deus, não podemos viver correndo atrás do pó que desaparece.
26 de fev de 2020: “Começamos a #Quaresma ao receber as #cinzas. Somos pó no universo. Mas somos o pó amado por Deus.
26 de fev de 2020: “Jejuar é saber renunciar às coisas vãs, que passam, ao supérfluo, para ir ao essencial. É buscar a beleza de uma vida mais simples”.
26 de fev de 2020: O Senhor concede-nos, também neste ano, um tempo propício para nos prepararmos para celebrar, de coração renovado, o grande Mistério da morte e ressurreição de Jesus, perne da vida cristã.
25 de fev de 2020: A mundanidade é inimiga de Deus. O caminho contra o espírito do mundo é um só: a humildade. Servir os outros, escolhendo o último lugar, sem carreirismo.
24 de fev de 2020: Desejo a todos vocês que olhem para a vida de cima, da perspectiva do céu, ver as coisas com os olhos de Deus através do prisma do Evangelho.
24 de fev de 2020: «Em nome de Cristo, suplicamo-vos: reconciliai-vos com Deus» (2 Cor 5, 20)
22 de fev de 2020: Na festa da #CátedradeSãoPedro, vamos dar graças a Deus pela missão confiada ao apóstolo Pedro e aos seus sucessores, para reunir o povo de todas as nações e guiá-lo no caminho da salvação.
21 de fev de 2020: Recebemos a vida não para enterrá-la, mas para colocá-la em jogo; não para retê-la, mas para doá-la. Quem está com Jesus sabe que o segredo para possuir a vida é doá-la.
20 de fev de 2020: Para seguir Jesus devemos fazer três passos: aproximarmo-nos Dele para conhecê-Lo; professar – com a força do Espírito Santo – que Ele é o Filho de Deus; e aceitar o caminho da humildade e da humilhação que Ele escolheu para a redenção da humanidade.
20 de fev de 2020: A escolha pelos mais pobres e esquecidos nos leva a nos libertar da miséria material e a defender os seus direitos, mas também a propor a eles a amizade com o Senhor, que os ama e doou-lhes uma imensa dignidade.

27 de fevereiro de 2020 at 5:43 Deixe um comentário

O sentido das Cinzas que recebemos no início da Quaresma

Rito da Imposição das Cinza na Basílica de Santa Sabina

Rito da Imposição das Cinza na Basílica de Santa Sabina

Ao impor essa cinza sobre nós, o sacerdote, ou ministro, dirá: “convertei-vos e crede no Evangelho”. Esta é a frase de Jesus, que sintetiza o desejo do Pai Celeste de que voltemos a Ele, nos recorda Padre Paulo de Souza, monge beneditino do Mosteiro de São Geraldo de São Paulo.

Padre Paulo de Souza OSB – Cidade do Vaticano

Quarta-feira de Cinzas

Bem vindos, irmãos e irmãs. Bem vindos à Quaresma. Bem vindos a este tempo de graça, de bênção e da Salvação de Deus. Nosso Pai Celeste está com muita saudade de nós. Ele sente falta de seus filhos amados, assim como todo pai e toda mãe anseiam pela volta dos filhos que estavam distantes. Ouçamos o convite que o próprio Deus nos faz, através do Profeta Joel: “voltai para mim com todo o vosso coração”.

A volta é uma ocasião de alegria, de júbilo e de festa.  Mas o profeta acrescenta que devemos voltar a Deus com jejuns, lágrimas e gemidos. Por quê? Ora, porque estamos distantes dEle pelo nosso pecado, pela maldade que cometemos, pelo nosso mundo de erros e de iniquidades. Praticamos o mal, cometemos tantas injustiças, ofendemos a Ele e aos irmãos e irmãs que nos rodeiam.

Nossa volta é o abandono sincero e penitente do desamor ao nosso Pai Celeste, fonte de todo amor e bondade. É a reconciliação para a qual somos chamados, a fim de reatar o pacto de amor e fidelidade com Aquele que nos fez por amor, e de quem nos afastamos pela ímpia desobediência. “Ele é benigno e compassivo”, diz o profeta. “É paciente e cheio de misericórdia. É generoso no perdão e na bondade, apesar de nossa indignidade”.

Com certeza seremos bem recebidos, com aquele abraço amoroso e paterno, como nos anunciou seu próprio Filho Jesus, na monumental Parábola do Pai Misericordioso e do Filho Pródigo de Lc 15. Nosso jejum, nossas lágrimas e gemidos são aquela dor, aquele arrependimento e a humildade do filho que voltou. E como esse filho, vamos ao Pai com o coração totalmente despojado das glórias e conquistas deste mundo. Com a cabeça inclinada, diremos a Ele que não somos dignos de ser seus filhos, e merecemos realmente a condição de empregados.

Convertei-vos e crede no Evangelho

Queridos amigos, irmãos e irmãs, este é o sentido das Cinzas que vamos receber. Ao impor essa cinza sobre nós, o sacerdote, ou ministro, dirá: “convertei-vos e crede no Evangelho”. Esta é a frase de Jesus, que sintetiza o desejo do Pai Celeste de que voltemos a Ele.

É uma mensagem de alegria e libertação, o abandono radical de tudo o que é mundano, da hipocrisia e do farisaísmo, da falta de autenticidade que nos faz viver de aparências enganosas, do egoísmo, da luxúria, da soberba e especialmente da falta do amor e da fé. Nossa volta a Deus é o desejo de uma vida totalmente renovada, porque estávamos no lodaçal do pecado e da imundície, como mais uma vez está bem expresso na parábola do Filho Pródigo: estávamos cuidando de porcos e passando fome.

Os animais comiam melhor do que nós. Por isso, ao voltarmos à casa do Pai, nosso impulso fundamental é a penitência, a humildade, o pedido de perdão e o reconhecimento da nossa indignidade. Aliás, ao recebermos as cinzas, a frase alternativa do ministro é: “lembra-te de que és pó, e ao pó voltarás”. É uma mensagem triste e dolorosa, como se não tivéssemos direito a mais nada, a não ser ao castigo, à dor, ao sofrimento e à morte!

Mas é aqui que precisamos voltar ao sentido da festa e da alegria do Pai que nos recebe. Por um lado, voltaremos a ser o pó da terra. Com certeza! Por isso deixamos que se derramem cinzas sobre nós. Por outro lado, a cinza desta Quarta-feira é a cinza da ressurreição.

É necessário que morra e volte ao pó o corpo contaminado pela lepra do pecado, para que, como nos ensina o apóstolo Paulo em 1 Cor 15, o Pai Celeste nos dê um novo corpo, que não mais será sujeito à corrupção deste mundo; será um corpo imortal, totalmente renovado, lavado e purificado no sangue glorioso de Nosso Senhor Jesus. É o sentido profundo deste tempo de Quaresma, que irá desembocar na gloriosa Páscoa.

Redimidos pelos sangue de Jesus

O castigo, a dor, o sofrimento e a morte serão assumidos totalmente por Jesus, que carregará a Cruz que seria destinada a cada um de nós, pecadores. E por este sangue precioso, que mais do que sangue humano é sangue de Deus, o nosso Pai bondoso e Misericordioso nos vestirá com a melhor roupa de sua casa, fará a festa e nos devolverá a dignidade de filhos.

Aqui está o feliz desfecho da parábola do Filho Pródigo: na cinza que éramos, quando estávamos longe da casa do Pai pelo pecado, será derramado o sangue do nosso Redentor. E este Cristo que sofre a morte por nós, vencerá a morte pela ressurreição; e pelo desmedido amor que Deus tem para conosco, desta Ressurreição todos participaremos felizes no Reino dos Céus.

Assim, a Páscoa de Cristo não será somente sua, mas de todos os que Ele faz voltar para Deus. Com Jesus, todos seremos filhos pródigos.

Iniciemos, portanto, nossa preparação para a Páscoa de Jesus, deixando-nos reconciliar com Deus, como pede São Paulo. Este é o tempo favorável. Este é o dia da Salvação. Como o Filho Pródigo, voltemos ao Pai na humildade, na contrição do coração, na força do amor e da fé.

É o que Jesus nos pede no Evangelho. Joguemos fora e libertemo-nos das falsas aparências, da vaidade, da arrogância, da soberba e de todos os males. Esqueçamos as recompensas e os louvores do mundo, que se transformam na podridão e na condição daquele pobre filho, que estava cuidando de porcos; e de tanta fome que tinha, desejava comer a comida dos porcos.

E quantas vezes nós alimentamos nossa mente e o coração com o lixo, com o vitupério da iniquidade e – desculpem a vulgaridade da expressão -, com as porcarias deste mundo! Ao voltarmos à casa do Pai pelo jejum, pela esmola, pela humildade, pela caridade, pela oração, teremos a verdadeira recompensa, que nos proporcionará a verdadeira alegria do Reino dos Céus, que durará para sempre.

Tenhamos todos uma santa preparação para a Páscoa de Jesus, que é também a nossa Páscoa. Louvado seja Ele, Nosso Senhor Jesus Cristo.

27 de fevereiro de 2020 at 5:42 Deixe um comentário

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