Archive for novembro, 2018

Papa: anunciar Cristo não é marketing, mas coerência de vida

Papa celebra a missa na Casa Santa Marta

Na missa na Casa Santa Marta, Francisco rezou pela unidade dos cristãos, no dia em que a Igreja festeja Santo André, padroeiro da Igreja de Constatinopla.

Giada Aquilino – Cidade do Vaticano

Na festa de Santo André (30/11), o Papa Francisco celebrou a missa na capela da Casa Santa Marta, convidando os fiéis a estarem “próximos da Igreja de Constantinopla”, a Igreja de André, rezando “pela unidade das Igrejas”.

Ouça a reportagem com a voz do Papa Francisco

Coerência em anunciar Cristo

Na homilia, o Pontífice exortou a deixar de lado “aquela atitude, o pecado, o vício” que cada um de nós tem “dentro” de si, para ser “mais coerente” e anunciar Jesus de modo que as pessoas creiam com o nosso testemunho.

Refletindo sobre a Primeira Leitura, em que São Paulo explica como a fé provenha da escuta e a escuta diz respeito à Palavra de Cristo, o Papa recordou como é “importante o anúncio do Evangelho”, o anúncio de que “Cristo nos salvou, de que Cristo morreu e ressuscitou por nós”. De fato, o anúncio de Jesus Cristo não é levar “uma simples notícia”, mas “a única grande Boa Notícia”. Francisco explicou então o que significa o anúncio:

Não é um trabalho de publicidade, fazer propaganda para uma pessoa muito boa, que fez o bem, curou tantas pessoas e nos ensinou coisas belas. Não, não é publicidade. Tampouco é fazer proselitismo. Se alguém vai falar de Jesus Cristo, pregar Jesus Cristo para fazer proselitismo, não, isso não é anúncio de Cristo: isso é um trabalho, de pregador, feito com a lógica do marketing. Que é o anúncio de Cristo? Não é nem proselitismo nem propaganda nem marketing: vai além. Como é possível compreender isso? É antes de tudo ser enviado.

Portanto, ser enviado “à missão”, fazendo entrar “em jogo a própria vida”. O apóstolo, o enviado que “leva o anúncio de Jesus Cristo”, explicou Francisco, “o faz com a condição de que coloque em jogo a própria vida, o próprio tempo, os próprios interesses, a própria carne”. O Papa citou um ditado argentino, que implica “colocar a própria carne sobre o fogo”, isto é, colocar-se em jogo.

Esta viagem, de ir ao anúncio, arriscando a vida, porque jogo a minha vida, a minha carne – esta viagem – tem somente passagem de ida, não de volta. Voltar é apostasia. Anunciar Jesus Cristo com o testemunho. Testemunhar significa colocar em jogo a própria vida. Faço aquilo que digo.

Os mártires experimentam o verdadeiro anúncio

A palavra, “para ser anúncio”, deve ser testemunho, reiterou Francisco, que fala de “escândalo” a propósito dos cristãos que dizem sê-lo e depois vivem “como pagãos, como descrentes”, como se não tivessem “fé”.

O Papa então convida à “coerência entre a palavra e a própria vida: isso – evidenciou – se chama testemunho”. O apóstolo, o anunciador, “aquele que leva a Palavra de Deus, é uma testemunha”, que coloca em jogo a própria vida “até o fim”, e é “também um mártir”. De outro lado, foi Deus Pai que para “fazer-se conhecer” enviou “seu Filho em carne, arriscando a própria vida”. Um fato que “escandalizava assim tanto e continua a escandalizar”, porque Deus se fez “um de nós”, numa viagem “com passagem somente de ida”.

O diabo tentou convencê-lo a tomar outra estrada, e Ele não quis, fez a vontade do Pai até o fim. E anúncio Dele deve ir para a mesma estrada: o testemunho, porque Ele foi a testemunha do Pai feito carne. E nós devemos fazer-nos carne, isto é, fazer-nos testemunhas: fazer, fazer aquilo que dizemos. E isso é o anúncio de Cristo. Os mártires são aqueles que [demonstram] que o anúncio foi verdadeiro. Homens e mulheres que deram a vida – os apóstolos deram a vida – com o sangue; mas também tantos homens e mulheres escondidos na nossa sociedade e nas nossas famílias, que dão testemunho todos os dias, em silêncio, de Jesus Cristo, mas com a própria vida, com aquela coerência de fazer aquilo que dizem.

Um anúncio frutuoso

O Papa recordou que todos nós, com o Batismo, assumimos “a missão” de anunciar Cristo”: vivendo como Jesus “nos ensinou a viver”, “em harmonia com aquilo que pregamos”, o anúncio será “frutuoso”. Se, ao invés, vivemos “sem coerência”, “dizendo uma coisa e fazendo outra contrária”, o resultado será o escândalo. E o escândalo dos cristãos, concluiu, faz muito mal “ao povo de Deus”.

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30 de novembro de 2018 at 17:06 Deixe um comentário

Santo André, rogai por nós!

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30 de novembro de 2018 at 11:53 Deixe um comentário

Papa Francisco: a Igreja cresce no silêncio, sem dar espetáculo

Papa celebra a missa na Casa Santa Marta

Em sua homilia na missa matutina, o Papa comentou o Evangelho do dia, extraído de Lucas, sobre a Igreja e a chegada do Reino de Deus. “A Igreja cresce no silêncio, é o estilo eclesial”, disse o Papa.

Barbara Castelli – Cidade do Vaticano

A Igreja cresce “na simplicidade, no silêncio, no louvor, no sacrifício eucarístico, na comunidade fraterna, onde todos amam e não se prejudicam”. Foi o que disse o Papa Francisco ao celebrar a Missa na capela da Casa Santa Marta. Comentando o episódio do Evangelho do dia, de Lucas (Lc 17,20-25), o Pontífice reiterou que “o Reino de Deus” não é um espetáculo e cresce no silêncio.

Ouça a reportagem

As boas obras não fazem notícia

A Igreja, portanto, se manifesta “na Eucaristia e nas boas obras”, mesmo que aparentemente não “são notícia”. A Esposa de Cristo tem um temperamento silencioso, gera frutos “sem fazer barulho”, sem “tocar a trombeta como os fariseus”.

O Senhor nos explicou como cresce a Igreja com a parábola do semeador. O semeador semeia e a semente cresce de dia, de noite… – Deus provoca o crescimento – e depois se veem os frutos. Mas isto é importante: primeiro, a Igreja cresce em silêncio, escondida; é o estilo eclesial. E como se manifesta na Igreja? Através dos frutos das boas obras, para que as pessoas vejam e glorifiquem o Pai que está no céu – afirma Jesus – e na celebração – o louvor e o sacrifício do Senhor – isto é, na Eucaristia. Ali se manifesta a Igreja; na Eucaristia e nas boas obras.

A tentação da sedução

“A Igreja cresce por testemunho, por oração, por atração do Espírito que está dentro – insistiu o Papa na homilia – não pelos eventos”. Certamente que eles ajudam, mas “o crescimento da Igreja, que dá fruto, é em silêncio, escondido com as boas obras e a celebração da Páscoa do Senhor, o louvor de Deus”.

O Senhor nos ajuda a não cair na tentação da sedução. “Gostaríamos que a Igreja fosse mais visível; o que podemos fazer para que seja vista?” Eh! E normalmente se cai numa Igreja dos eventos que não é capaz de crescer em silêncio com as boas obras, escondido.

O espírito do mundo não tolera o martírio

Num mundo onde com frequência se cede à tentação de fazer espetáculo, da mundanidade, do aparecer, Francisco recordou que também Jesus ficou lisonjeado por essas fragilidades, mas Ele escolheu “o caminho da pregação, da oração, das boas obras”, “da cruz” e “do sofrimento”.

A Cruz e o sofrimento. A Igreja cresce também com o sangue dos mártires, homens e mulheres que dão a vida. Hoje existem muitos. Curioso: não são notícia. O mundo esconde isso. O espírito do mundo não tolera o martírio, o esconde.

30 de novembro de 2018 at 5:37 Deixe um comentário

Assista a “Menino argentino rouba a cena na Audiência Geral” no YouTube

29 de novembro de 2018 at 7:48 Deixe um comentário

Audiência: A vida não é tempo para possuir, mas para amar

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Na catequese de quarta-feira (07/11), o Papa Francisco prosseguiu o ciclo sobre os Dez Mandamentos, comentando o sétimo da lista, “não roubar”, à luz da sabedoria cristã.

Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

O sétimo mandamento – não roubar – foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira (07/11) na Praça São Pedro.

Aos milhares de fiéis e peregrinos, o Pontífice ampliou o conceito não se detendo ao furto ou ao respeito da propriedade privada, mas explicou este mandamento sobre a posse à luz da sabedoria cristã.

Indigência escandalosa

A Doutrina Social da Igreja fala de destinação universal dos bens. Deus confiou a terra e os seus recursos à gestão comum da humanidade.

“ O mundo é rico de recursos para garantir a todos os bens primários. E mesmo assim muitos vivem numa escandalosa indigência e os recursos, usados sem critério, vão se deteriorando. Mas o mundo é um só. A humanidade é uma só! A riqueza do mundo hoje está nas mãos da minoria, de poucos, e a pobreza, aliás, a miséria, é o sofrimento de muitos, da maioria. ”

A fome existe não porque falta comida, mas pelas exigências de mercado, que às vezes chega a destruir alimentos. O que falta, afirmou o Papa, é uma visão empreendedora livre e de longo alcance, que garanta uma adequada produção, e uma estratégia solidária, que garanta uma distribuição équa.

Dimensão social da riqueza

Usando os bens da criação, diz o Catecismo da Igreja, o homem deve considerar as coisas que possui não como próprias, mas também como comuns no sentido que possam beneficiar não somente a ele, mas também aos outros. “Toda riqueza, para ser boa, deve ter uma dimensão social.”

Nesta perspectiva, o mandamento “não roubar” assume um significado positivo e amplo. A propriedade de um bem – lê-se no Catecismo – faz do seu detentor um administrador da providência de Deus» (n. 2404).

“ Ninguém é dono absoluto dos bens, é um administrador. A posse é uma responsabilidade. Aquilo que possuo realmente é o que que sei doar. Esta é a medida para avaliar como eu consigo ter as riquezas. Bem ou Mal. Esta palavra é importante. Se posso doar, sou aberto, então sou rico, mas também na generosidade. Generosidade é um dever. Se não posso doar algo é porque esta coisa me possui, sou escravo, ela tem poder sobre mim. ”

O diabo entra pelo bolso

Enquanto a humanidade está aflita para ter mais, Deus a redime fazendo-se pobre. O que nos faz ricos não são os bens, mas o amor.

“Muitas vezes ouvimos o que povo de Deus disse, o diabo entra pelo bolso. Primeiro vem o dinheiro, o amor ao dinheiro, o afã de possuir, depois a vaidade e, por fim, o orgulho e a soberba. Este é o modo de agir do diabo em nós, mas a porta de entrada é o bolso.”

Francisco então concluiu:

“Queridos irmãos e irmãs, mais uma vez Jesus Cristo nos revela o sentido pleno das Escrituras. ‘Não roubar’ quer dizer: ame com os seus bens, aproveite dos seus meios para amar como pode. Porque a vida não é tempo para possuir, mas para amar.”

29 de novembro de 2018 at 5:32 Deixe um comentário

Papa Francisco no Twitter

A Igreja nos convida esta semana a nos perguntarmos: como gostaria que o Senhor me encontrasse quando me chamar?

Peçamos ao Senhor a graça da generosidade, que alarga o nosso coração e nos leva à magnanimidade.

Enquanto os grandes da Terra constroem “tronos” para o próprio poder, Deus escolhe um trono incômodo, a cruz, a partir do qual reinar dando a vida.

Nenhum de nós pode sobreviver sem misericórdia, todos nós precisamos de perdão.
O homem e a mulher carregam dentro de si a imagem de Deus e são objeto de seu amor infinito, seja qual for a condição em que foram chamados à existência.
Aos olhos de Deus a vida humana é preciosa, sagrada e inviolável. Ninguém pode desprezar a vida dos outros ou a própria.
Que a Virgem Maria nos ajude a seguir Jesus com alegria no caminho do serviço, estrada principal que conduz ao Céu.
Por ocasião do Dia Mundial da Pesca, que se celebra hoje, rezemos por todos os marítimos e peçamos um empenho global contra o tráfico de seres humanos e o trabalho forçado no setor da pesca.

A fidelidade é a característica de um relacionamento humano livre, maduro e responsável.

Não se pode amar somente até quando “seja conveniente”; o amor se manifesta precisamente para além do limiar da própria vantagem, quando se doa tudo sem reservas.

28 de novembro de 2018 at 5:57 Deixe um comentário

Papa: mais espaço às mulheres nas funções de responsabilidade da Igreja

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Em seu discurso, Francisco dirigiu seu pensamento “afetuoso e agradecido” a Bento XVI, sublinhando sua herança cultural e espiritual.

Cidade do Vaticano

O Papa Francisco entregou o Prêmio Ratzinger 2018, neste sábado (17/11), na Sala Clementina, no Vaticano, a duas personalidades: Marianne Schlosser, 59 anos, teóloga alemã, docente de Teologia na Universidade de Viena, nomeada pelo Papa Francisco, em 2014, membro da Comissão Teológica Internacional, e  a Mario Botta, 75 anos, arquiteto suíço de fama internacional que trabalhou na construção de importantes edifícios de culto, na Itália e na França. É autor de uma das Capelas expostas no Pavilhão da Santa Sé na atual Bienal de Arquitetura em Veneza.

Ouça o Papa Francisco na reportagem

Em seu discurso, Francisco dirigiu seu pensamento “afetuoso e agradecido” a Bento XVI, sublinhando sua herança cultural e espiritual:

Como admiradores de sua herança cultural e espiritual, vocês receberam a missão de cultivá-la e fazer com que continue frutificando, com aquele espírito fortemente eclesial que caracteriza Joseph Ratzinger desde os tempos de sua profícua atividade teológica juvenil, quando deu frutos preciosos no Concílio Vaticano II, e depois nas sucessivas etapas de sua longa vida de serviço, como professor, arcebispo, responsável de dicastério e Pastor da Igreja Universal. Encorajo-os a continuar estudando os seus escritos, mas também a enfrentar os novos temas com os quais a fé é chamada a dialogar, como os que foram evocados por vocês e que eu considero muito atuais, desde o cuidado da Criação como Casa comum e a defesa da dignidade da pessoa humana.

Marianne Schlosser

Professora na Universidade de Viena e profundamente convicta, como Bento XVI, da importância da Teologia para comunicar a fé e tornar possível o diálogo entre o mundo acadêmico e o mundo dos fiéis, Marianne Schlosser é a segunda mulher, depois da biblista Anne-Marie Pelletier, a receber o Prêmio Ratzinger. A esse propósito Francisco disse:

É muito importante que seja reconhecida cada vez mais a contribuição feminina no campo da pesquisa teológica científica e do ensino da Teologia, por muito tempo considerados campos quase exclusivos do clero. É necessário que essa contribuição seja incentivada e encontre mais espaço, coerentemente com o aumento da presença feminina nos vários âmbitos de responsabilidade da Igreja, em particular, e não somente no campo cultural.

Mario Botta

Desde o ano passado que, além da Teologia, o Prêmio Ratzinger é atribuído ao campo das artes de inspiração cristã. Nessa edição, foi premiado o arquiteto Mario Botta que em sua longa carreira mostrou uma grande sensibilidade pela sacralidade do espaço, como mostram as igrejas projetadas por ele:

Congratulo-me com o arquiteto Mario Botta. Ao longo da história da Igreja, os edifícios sagrados foram um chamado concreto a Deus e às dimensões do espírito onde quer que o anúncio cristão tenha se espalhado pelo mundo. Eles expressaram a fé da comunidade de fiéis (…). O compromisso do arquiteto criador de locais sagrados na cidade dos homens é de grande valor, e deve ser reconhecido e incentivado pela Igreja, em particular quando se corre o risco do esquecimento da dimensão espiritual e da desumanização dos espaços urbanos.

Teologia, arte e Espírito

Permanecendo ancorado “ao nosso tempo” e voltando o olhar para a esperança sustentada pelo Espírito e pelo compromisso dos homens, o Papa Francisco concluiu, citando um discurso de Bento XVI em 2009:

Por ocasião de sua visita a Bagnoregio, cidade de São Boaventura, Bento XVI se expressou assim: «Uma bela imagem da esperança a encontramos num de seus sermões do Advento, onde ele compara o movimento da esperança ao voo do pássaro, que abre as asas da maneira mais ampla possível, e para movê-las emprega todas as suas forças. Faz de si mesmo um movimento para subir e voar. Esperar é voar, diz São  Boaventura. Mas a esperança exige que todos os nossos membros se movam e projetem-se em direção ao verdadeiro auge do nosso ser, em direção às promessas de Deus. Quem espera, diz ele, “deve levantar a cabeça, voltando para o alto os seus pensamentos, em direção à altura e de nossa existência, ou seja, em direção a Deus”».

28 de novembro de 2018 at 5:41 Deixe um comentário

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