Posts tagged ‘papaFrancisco’

Papa: “ser sal e luz do mundo” e confiar na ação do Espírito

2017-06-13 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – O Santo Padre celebrou a Santa Missa, na manhã desta terça-feira (13/6), na Capela da Casa Santa Marta, onde reside, da qual participaram os membros do Conselho dos Cardeais “C9”.

 

Na homilia que pronunciou, o Papa refletiu sobre a mensagem evangélica “ser sal e luz” do mundo, exortando os fiéis a não buscarem “seguranças artificiais, mas a confiar na ação do Espírito Santo.

Francisco se deteve, sobretudo, nestas palavras, que indicam a força do Evangelho, que levam à glorificação de Deus. Com efeito, em Jesus se cumpre tudo o que nos foi prometido: eis porque Ele é a plenitude:

“Em Jesus não há um “não, mas sempre “sim” para a glória do Pai. Mas, também nós participamos deste “sim” de Jesus, porque Ele nos conferiu a unção, nos marcou com o selo, nos deu o “penhor” do Espírito(…). É o Espírito que nos levará ao “sim” definitivo, até à nossa plenitude. É o Espírito que nos ajuda a tornar-nos “sal e luz”, ou seja, a sermos testemunhas cristãs”.

“Tudo é positivo”, retomou o Papa. “E o testemunho cristão” é “sal e luz”. “Luz – explicou – para iluminar e quem esconde a luz dá um contratestemunho” refugiando-se um pouco no “sim” e um pouco no “não”. Estes, portanto “possuem a luz, mas não a doam, e não a faz ver e se não a faz ver não glorifica o Pai que está nos céus”. Ainda, advertiu, “há o sal, mas o conserva para si mesmo e não o doa para que se evite a corrupção”.

Os cristãos são chamados a ser sal e luz

“Sim – sim”, “não – não”: palavras decisivas, como o Senhor nos ensinou, pois, recordou Francisco, “o supérfluo provém do maligno”. “É precisamente esta atitude de segurança e de testemunho – acrescentou – que o Senhor confiou à Igreja e a todos nós batizados”:

“Segurança na plenitude das promessas em Cristo: em Cristo tudo se cumpriu. Testemunho aos outros; dom recebido de Deus em Cristo, que nos deu a unção do Espírito para o testemunho. E isso é ser cristão: iluminar, ajudar para que a mensagem e as pessoas não se corrompam, como faz o sal; mas, se se esconde a luz o sal torna-se insípido, sem força, enfraquece – o testemunho será fraco. Mas isso ocorre quando eu não aceito a unção, não aceito o sigilo, não aceito a ‘antecipação’ do Espírito que está em mim. E isso ocorre quando eu não aceito o ‘sim’ em Jesus Cristo”.

A proposta cristã, disse Francisco, é tão simples, mas “tão decisiva e tão bonita, e nos dá tanta esperança”. “Eu sou a luz – podemos nos perguntar – para os outros? Eu – disse ainda o Papa – sou sal para os outros? Que dá sabor à vida e a defende da corrupção? Estou agarrado em Jesus Cristo, que é o ‘sim’? Sinto-me ungido, selado? Eu sei que eu tenho essa segurança que será plena no céu, mas ao menos disto tenho agora o “penhor” do Espírito?”.

O cristão é “solar” quando glorifica a Deus com a sua vida

Na linguagem corrente, observou em seguida, “quando uma pessoa está cheia de luz, dizemos ‘esta é uma pessoa solar’”:

“Usa-se dizer isso: ‘É uma pessoa solar’. Isso pode nos ajudar a entender. Isso é mais do que solar, ainda. Este é reflexo do Pai em Jesus em quem as promessas se cumpriram. Este é o reflexo da unção do Espírito que todos nós temos. E isso, por quê? Por que recebemos isso? Dizem-nos ambas as leituras. Paulo diz: ‘E por isso, através de Cristo, sobe a Deus o nosso’ Amém’ para a sua glória’, para glorificar a Deus. E Jesus diz aos discípulos: ‘Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem ao Pai’. Tudo isso, para glorificar a Deus. A vida do cristão é assim”.

Peçamos esta graça, concluiu o Papa, “de sermos agarrados, enraizados na plenitude das promessas em Cristo Jesus que é ‘sim’, totalmente ‘sim’, e levar essa plenitude com o sal e a luz do nosso testemunho aos outros para dar glória ao Pai que está nos céus”. (MT-SP)

20 de junho de 2017 at 5:26 Deixe um comentário

Homilia na Casa Santa Marta: um cristão jamais deve ser hipócrita

2017-06-06 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – O Santo Padre celebrou uma Santa Missa, na manhã desta terça-feira (6/6), na Casa Santa Marta, onde reside no Vaticano, durante a qual fez sua habitual homilia.

 

Em sua reflexão, o Papa falou sobre a “hipocrisia” entre os doutores da Lei, que são hipócritas porque pensam uma coisa e dizem outra:

“A hipocrisia não era a linguagem de Jesus e tampouco deve ser a dos cristãos. Logo a sua linguagem deve ser verdadeira. Por isso, advertiu os fiéis para as tentações da hipocrisia e da adulação. Um cristão não pode ser hipócrita e um hipócrita não é cristão. O hipócrita é sempre um adulador, quem mais, quem menos”.

Com efeito, os Doutores da Lei procuravam adular Jesus. Por este motivo Jesus os chamava hipócritas. Os hipócritas sempre começam com a adulação e a adulação é não dizer a verdade, é exagerar e aumenta a vaidade.

Assim Francisco comentou o caso de uma padre, que conheceu há muito tempo, que “aceitava todas as adulações que lhe faziam”; tais adulações eram a sua fraqueza.

Jesus nos faz ver a realidade que é o contrário da hipocrisia e da ideologia. A adulação, frisou Francisco, começa com a má intenção.

Era o caso dos Doutores da Lei, que colocavam Jesus à prova, começando com a adulação e, depois, fazendo-lhe a pergunta: “É justo pagar a Cesar”? E o Papa respondeu:

“O hipócrita tem duas caras. Mas, Jesus conhecendo a sua hipocrisia, disse claramente: ‘Por que vocês me colocam à prova? Tragam-me uma moeda, quero vê-la’. Assim Jesus responde sempre aos hipócritas e responde concretamente à realidade das ideologias”.

A realidade é assim, bem diferente da hipocrisia ou da ideologia. Eles entregam a moeda a Jesus e Ele lhes responde com sabedoria, partindo da imagem de Cesar na moeda: “Dai a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus”.

A seguir, Francisco refletiu sobre um terceiro aspecto: a linguagem da hipocrisia é a linguagem do engano; é a mesma linguagem da serpente com Eva. Começa-se com a adulação para depois destruir as pessoas, a ponto de “extirpar a personalidade e a alma de uma pessoa”. Logo, a hipocrisia mata as comunidades. Quando há hipócritas em uma comunidade ela corre um grande perigo, um perigo terrível.

Em sua homilia, Francisco exorta os fiéis a seguir os conselhos de Jesus: “Que seu modo de falar seja “sim, sim, não, não”. O supérfluo pertence ao maligno. Assim, afirmou com amargura, a hipocrisia mata a comunidade cristã e faz tanto mal à Igreja e adverte aqueles cristãos que têm este comportamento pecaminoso, que mata:

“O hipócrita é capaz de matar uma comunidade. Fala com docilidade, mas julga brutalmente as pessoas. O hipócrita é um homicida, pois começa com a adulação. No final, utiliza a mesma linguagem do diabo para destruir as comunidades”.

O Papa concluiu sua homilia convidando os presentes a pedir ao Senhor a graça “de jamais sermos hipócritas, mas que saibamos dizer a verdade. Se não pudermos dizê-la, calemos. O importante é nunca ser hipócritas”. (MT)

18 de junho de 2017 at 5:31 Deixe um comentário

Papa: Deus não pode ser Deus sem o homem, um grande mistério!

2017-06-07 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – Chamar Deus com o nome de “Pai “é a grande revolução que o cristianismo imprime na psicologia religiosa do homem”, e “que mistério insondável é um Deus que nutre este tipo de amor pelos seus filhos”, um Deus que fica “indefeso diante do livre arbítrio do homem”.

 

Na Audiência Geral desta quarta-feira, onde deu prosseguimento à sua série de catequeses sobre o tema da esperança, o Papa Francisco falou sobre “A paternidade de Deus, fonte da nossa esperança”. “Um Deus que não pode viver sem o homem, é um grande mistério”, exclamou!

O Evangelho de Lucas é o que melhor documenta o “Cristo orante” e a oração do Pai Nosso, revela justamente esta intimidade de Jesus com seu Pai.

Especialmente pela manhã e durante a noite, Jesus se retirava sozinho em oração, e havia algo de fascinante nesta oração. E os discípulos – tocados por isto – pedem que Jesus ensine a eles a rezar. É então que Jesus transmite aquela que tornou-se “a oração cristã por excelência”, o “Pai Nosso”.

“Todo o mistério da vida cristã – diz Francisco – está resumido aqui, nesta palavra: ter a coragem de chamar Deus com o nome de Pai”. Mesmo a Liturgia, quando nos convida à rezar o Pai Nosso na comunidade, utiliza a expressão “ousemos dizer”.

De fato, chamar Deus com o nome de “Pai” – observa o Papa –  de forma alguma é um fato óbvio. O normal, é que usemos “títulos mais elevados, que nos pareçam mais respeitosos à sua transcendência”:

“Ao invés disto, invocá-lo como “Pai”, nos coloca em relação de confiança com Ele, como uma criança que se dirige ao seu pai, sabendo ser amada e cuidada por ele. Esta é a grande revolução que o cristianismo imprime na psicologia religiosa do homem. O mistério de Deus, que sempre nos fascina e nos faz sentir pequenos, porém, não causa medo, não nos sufoca, não nos angustia. Esta é uma revolução difícil de acolher em nossa alma humana”.

Tanto é verdade isto – observa o Papa – que até mesmo as narrativas da Ressurreição falam do medo e do estupor das mulheres diante do sepulcro vazio e do anjo. “Mas Jesus nos revela que Deus é um Pai bom e nos diz: “Não tenhais medo!”.

E este Deus que é um Pai, “que sabe ser somente amor por seus filhos”, encontra grande expressão na Parábola do Filho Pródigo, narrada em Lucas:

“Um Pai que não pune o filho pela sua arrogância e que é capaz até mesmo de confiar a ele a sua parte de herança e deixá-lo ir embora de casa. Deus é Pai, diz Jesus, mas não da maneira humana, porque não existe nenhum pai neste mundo que se comportaria como o protagonista desta parábola. Deus é Pai a sua maneira: bom, indefeso diante do livre arbítrio do homem, capaz somente de declinar o verbo amar”.

E quando o filho rebelde, depois de ter superado tudo, finalmente retorna para casa, “aquele pai não aplica critérios de justiça humana, mas sente, antes de tudo, necessidade de perdoar, e com o seu abraço faz entender ao filho que durante o longo tempo de ausência, ele lhe fez falta, dolorosamente fez falta ao seu amor de Pai”.

“Que mistério insondável é um Deus que nutre este tipo de amor em relação aos seus filhos!”, exclama Francisco.

Talvez por esta razão – explica – o apóstolo Paulo não consegue encontrar uma tradução em grego para a palavra “abbá”, que Jesus pronunciava em aramaico. Por duas vezes São Paulo fala sobre isto e por duas vezes deixa esta palavra sem tradução, na mesma forma de como saía dos lábios de Jesus, “abbà”, uma expressão ainda mais íntima em relação a “pai”, e que alguns traduzem como “papai, papaizinho”.

“O Evangelho de Jesus Cristo nos revela que Deus não pode estar sem nós: Ele nunca será um Deus “sem o homem”; é Ele que não pode estar sem nós, e isto é um grande mistério… Deus não pode ser Deus sem o homem: um grande mistério isto”,  exclama o Pontífice! “Mesmo que nos afastemos, sejamos hostis, nos professemos “sem Deus”. E esta certeza é “a fonte de nossa esperança”, que está em todas as invocações do Pai Nosso”.

Quando temos necessidade de ajuda, Jesus não nos diz para nos resignar-nos e nos fechar em nós mesmos, mas de nos dirigir ao Pai e pedir a Ele com confiança:

“Todas as nossas necessidade, desde as mais evidentes e cotidianas, como a comida, a saúde, o trabalho, até aquelas como ser perdoados e sustentados nas tentações, não são o espelho de nossa solidão, pois existe um Pai que sempre nos olha com amor e que, seguramente, não nos abandona”.

Ao final de sua catequese, após convidar  os presentes a pensarem  em seus problemas e dificuldades e no “Pai que não pode ser sem nós e que nos olha neste momento”, o Papa rezou com todos a oração do Pai Nosso. (JE)

14 de junho de 2017 at 5:35 Deixe um comentário

Papa: “Cristãos olhem para o Céu e anunciem Jesus ao mundo”

2017-05-26 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – Nesta sexta-feira (26/05), o Papa Francisco presidiu a missa matutina na capela da Casa Santa Marta e na homilia, afirmou que “as Escrituras nos indicam três pontos de referência no caminho cristão”. O primeiro é a memória. Jesus ressuscitado diz aos discípulos que o precedam na Galileia: este foi o primeiro encontro com o Senhor. E “cada um de nós tem a sua própria Galileia”, aquele lugar aonde Jesus se manifestou pela primeira vez, o conhecemos e “tivemos a alegria e o entusiasmo de segui-lo”. Para ser um bom cristão, precisamos sempre nos lembrar do primeiro encontro com Jesus ou dos seguintes”. Esta é “a graça da memória”, que “no momento da provação, me dá a certeza”.

O segundo ponto de referência é a oração. Quando Jesus sobe ao Céu, ele não se separa de nós: “fisicamente sim, mas fica sempre ligado, para interceder por nós. Mostra ao Pai as chagas, o preço que pagou por nós e pela nossa salvação”. Assim, “devemos pedir a graça de contemplar o Céu, a graça da oração, a relação com Jesus na oração que neste momento nos ouve, está conosco”:

“Enfim, o terceiro: o mundo. Antes de ir, Jesus diz aos discípulos: ‘Ide mundo afora e façam discípulos’. Ide. O lugar dos cristãos é o mundo no qual anunciar a Palavra de Jesus, para dizer que fomos salvos, que Ele veio para nos dar a graça, para nos levar com Ele diante do Pai”.

Esta é – observou Francisco – a “topografia do espírito cristão”, os três lugares de referência de nossa vida: a memória, a oração e a missão; e as três palavras de nosso caminho: Galileia, Céu e Mundo:

“Um cristão deve agir nestas três dimensões e pedir a graça da memória: “Que não me esqueça do momento que me elegeu, que não esqueça do momento em que nos encontramos”, dizendo ao Senhor. Depois, rezar e olhar ao Céu, porque Ele está ali para interceder. Ele intercede por nós. E depois, sair em missão… não quer dizer que todos devem ir ao exterior; ir em missão é viver e dar testemunho do Evangelho; é fazer saber aos outros como é Jesus. Mas fazer isso com o testemunho e com a Palavra, porque se eu falar como Jesus e como a vida cristã, mas viver como um pagão, não adianta. A missão não funciona”.

Se, ao contrário, vivermos na memória, na oração e em missão – concluiu Francisco – a vida cristã será bela e também alegre:

“E esta é a última frase que Jesus nos diz no Evangelho de hoje: “Naquele dia, no dia em que viverem a vida cristã assim,  vocês saberão tudo e ninguém poderá lhes tirar a alegria”. Ninguém, porque terei a memória do encontro com Jesus e a certeza que Jesus está no Céu e intercede por mim, está comigo, eu rezo e tenho a coragem de dizer, de sair de mim, dizer aos outros e dar testemunho com a minha vida que o Senhor ressuscitou, está vivo. Memória, oração e missão. Que o Senhor nos dê a graça de entender esta topografia da vida cristã e seguir adiante com alegria, aquela alegria que ninguém pode nos tirar”.

(CM)

1 de junho de 2017 at 5:30 Deixe um comentário

Missa em Santa Marta -Para dar alegria às pessoas

2017-05-18 L’Osservatore Romano

«Obedece e dá alegria às pessoas»: eis a síntese eficaz da «missão cristã» proposta pelo Papa durante a missa celebrada em Santa Marta na manhã de 18 de maio. O Pontífice fez sua a dupla recomendação de um pai ao filho sacerdote nomeado bispo. Ele, explicou Francisco, «foi ter com o seu idoso pai para lhe dar a notícia». E «aquele homem, já aposentado, homem humilde» que fora «operário a vida inteira» e «não tinha frequentado a universidade mas possuía a sabedoria da vida», «aconselhou-lhe só duas coisas: “Obedece e dá alegria às pessoas». Porque «aquele homem tinha entendido» bem o ensinamento das leituras da liturgia do dia: «Obedece ao amor do Pai, sem outros amores, obedece a este dom e depois dá alegria às pessoas». Portanto também «nós cristãos, leigos, sacerdotes, consagrados e bispos, devemos dar alegria às pessoas».

Para a sua reflexão o Papa inspirou-se em especial no trecho do Evangelho de João (15, 9-11). Descrevendo a cena, observou que «Jesus sugere mais uma vez o mandamento do amor». Em particular «neste trecho diz algo muito forte: “Assim como o Pai me amou, também Eu vos amei”». Por isso, «o amor com que Jesus nos ama é o mesmo com o qual o Pai o ama. Somos amados com este grande amor. É o grande dom do amor!». É por isso que, acrescentou, Jesus «nos admoesta: “Por favor, permanecei no meu amor porque é o amor do Pai”. É o grande amor». E dado que está consciente da objeção: “Mas Senhor, como podemos permanecer no teu amor?”, oferece também uma resposta concreta: “Se observardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, como eu observei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor”. Em síntese, esclareceu, «Jesus permanece no amor do Pai e pede-nos que permaneçamos no amor que Ele tem por nós».

Mas «como se permanece» neste amor? «Observai os mandamentos» é a resposta: «os dez», o decálogo que «é a base, o fundamento». São os preceitos, esclarece Jesus «que vos ensinei», ou seja os mandamentos da vida diária, os pequenos mandamentos» que, «mais que mandamentos são um modo de viver cristão». Então, o Pontífice exortou a permanecer «neste modo de viver cristão, que são tais mandamentos». Como? «Por exemplo nas obras de misericórdia ou nas bem-aventuranças». Com efeito, embora seja «grande, muitíssimo longo o elenco dos mandamentos de Jesus», na realidade «o núcleo é um só: o amor do Pai por Ele e o amor dele por nós».

Por isso, continuou o Papa, o Senhor «pede-nos que permaneçamos no amor». Inclusive porque na vida «há outros amores. Também o mundo nos propõe outros amores: por exemplo, o amor pelo dinheiro, pela vaidade, pavonear-se, o amor pelo orgulho, pelo poder, até fazendo muitas coisas certas para ter mais poder». Mas em tal caso «há outros amores»; e «eles não são de Jesus, não são do Pai. Ele pede-nos que permaneçamos no seu amor, que é o amor do Pai».

A propósito, o Papa convidou a pensar «também nestes amores que nos afastam do amor de Jesus», assim como na existência de «outras medidas de amar»: como o «amar pela metade», que contudo «não é amar. Uma coisa é gostar, e outra é amar. Amar é mais que gostar». A ponto de nos perguntarmos qual é a medida do amor. E paradoxalmente a resposta é que «a medida do amor é amar sem medida». Só assim, com «estes mandamentos que Jesus nos deu, permaneceremos no amor de Jesus que é o amor do Pai. Sem medida». Não como qualquer outro tipo de amor que pode ser «tíbio ou interesseiro».

Prosseguindo a releitura da página evangélica, o Papa perguntou por que o Senhor recorda isto aos homens. «Para que a minha alegria esteja em vós e seja plena», é a resposta que vem diretamente do texto sagrado. Com efeito, «se o amor do Pai vem a Jesus, Jesus ensina-nos a via do amor: o coração aberto, amar sem medida, deixando de lado outros amores. O grande amor por Ele é permanecer neste amor; e há a grande alegria, que é um dom». Aliás, ambos, «o amor e a alegria são um dom». Há uma referência neste sentido também «na primeira oração da missa» quando pedimos: “Senhor, preservai este dom que nos destes”, o dom do amor, da alegria». E a tal propósito, o Papa citou o episódio do pai do sacerdote nomeado bispo. Eis, pois, por que os cristãos devem “dar alegria às pessoas”: «por isso, por causa do amor, sem qualquer interesse, só por causa do amor. A nossa missão cristã é dar alegria às pessoas». O Papa concluiu com a invocação para que «o Senhor preserve este dom de permanecer no amor de Jesus para poder dar alegria às pessoas».

25 de maio de 2017 at 5:19 Deixe um comentário

Papa ao clero: a inveja é um câncer que arruína o corpo

2017-04-29 Rádio Vaticana

Cairo (RV) – O Papa Francisco encontrou-se, na tarde deste sábado (29/04), no Seminário Patriarcal, no Cairo, com o clero, religiosos e seminaristas para um encontro de oração.

Francisco manifestou a alegria de estar ali naquele lugar “onde se formam os sacerdotes e que representa o coração da Igreja Católica no Egito”. O Pontífice saudou os sacerdotes, consagrados e consagradas do pequeno rebanho católico no Egito – “o «fermento» que Deus prepara para esta terra abençoada, a fim de que, juntamente com os nossos irmãos ortodoxos, cresça nela o seu Reino” .

O Papa os encorajou e agradeceu pelo “testemunho e pelo bem que fazem a cada dia, trabalhando no meio de muitos desafios e, frequentemente, poucas consolações”.

“Não tenham medo do peso do dia-a-dia, do peso das circunstâncias difíceis que alguns de vocês têm de atravessar. Veneramos a Santa Cruz, instrumento e sinal da nossa salvação. Quem escapa da cruz, escapa da Ressurreição”, disse Francisco.
“Trata-se de crer, testemunhar a verdade, semear e cultivar sem esperar pela colheita. Na realidade, nós recolhemos os frutos de muitos outros, consagrados e não consagrados, que generosamente trabalharam na vinha do Senhor: a sua história está cheia deles!”

“No meio de muitos motivos de desânimo e por entre tantos profetas de destruição e condenação, no meio de numerosas vozes negativas e desesperadas, sejam uma força positiva, sejam luz e sal desta sociedade; sejam a locomotiva que faz o trem avançar para a meta; sejam semeadores de esperança, construtores de pontes, obreiros de diálogo e de concórdia”, sublinhou o Papa.

“Isto é possível se a pessoa consagrada não ceder às tentações que todos os dias encontra no seu caminho”, como “a tentação do deixar-se arrastar e não guiar, a tentação de lamentar-se continuamente, a tentação da crítica e da inveja, a tentação de se comparar com os outros, a tentação do «faraonismo, a tentação do individualismo e a tentação de caminhar sem bússola nem objetivo”.

A propósito da inveja, o Papa disse que “o perigo é sério, quando a pessoa consagrada, em vez de ajudar os pequenos a crescer e a alegrar-se com os sucessos dos irmãos e irmãs, se deixa dominar pela inveja tornando-se uma pessoa que fere os outros com a crítica. A inveja é um câncer que arruína qualquer corpo em pouco tempo”.

Em relaçao ao «faraonismo», Francisco sublinhou que isso significa “endurecer o coração e fechá-lo ao Senhor e aos irmãos. É a tentação de se sentir acima dos outros e, consequentemente, de os submeter a si por vanglória; de ter a presunção de ser servido em vez de servir”.

“Queridos consagrados, não é fácil resistir a estas tentações, mas é possível se estivermos enxertados em Jesus: quanto mais enraizados estivermos em Cristo, tanto mais vivos e fecundos seremos. Só assim a pessoa consagrada pode conservar a capacidade de maravilhar-se, a paixão do primeiro encontro, o fascínio e a gratidão na sua vida com Deus e na sua missão. Da qualidade da nossa vida espiritual depende a da nossa consagração.”

O Papa concluiu, afirmando que “o Egito contribuiu para enriquecer a Igreja com o tesouro inestimável da vida monástica. Exorto-os a beber do exemplo de São Paulo o Eremita, de Santo Antão, dos Santos Padres do deserto, dos numerosos monges que abriram, com a sua vida e o seu exemplo, as portas do céu a muitos irmãos e irmãs; e assim também vocês poderão ser luz e sal, isto é, motivo de salvação para si mesmos e para todos os outros, fiéis e não fiéis, de modo especial para os últimos, os necessitados, os abandonados e os descartados”.

(MJ)

4 de maio de 2017 at 5:57 Deixe um comentário

Papa: nossa alma é migrante e a certeza da presença de Deus nos dá esperança

2017-04-26 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – A nossa é uma alma migrante e nossa existência é uma peregrinação, um caminho, no qual nunca estamos sozinhos.  E a promessa de Jesus de que estará conosco até o fim, nos faz estar em pé com esperança, na certeza de que Deus pode realizar aquilo que humanamente parece impossível. O Papa Francisco inspirou sua catequese da Audiência Geral desta quarta-feira na passagem de Mateus, em que Jesus promete que estará conosco todos os dias, até o fim do mundo.

Uma verdade reforçada também pelo anúncio profético do nome que lhe será dado, “Emanuel”, que quer dizer, “Deus conosco”. Este mistério de um Deus, portanto, cuja identidade é “estar com”, em particular “conosco”.

“O nosso – frisou o Pontífice – não é um Deus ausente, levado por um céu muito distante; é, pelo contrário, um Deus “apaixonado” pelo homem, tão ternamente amante, a ponto de ser incapaz de separar-se dele”:

“Nós humanos somos hábeis em cortar ligações e pontes. Ele, pelo contrário, não. Se o nosso coração se esfria, o seu permanece incandescente. O nosso Deus nos acompanha sempre, mesmo se por desventura nós nos esqueçamos d’Ele. Na linha que divide a incredulidade da fé, decisiva é a descoberta de ser amados e acompanhados pelo nosso Pai, de não sermos nunca deixados sozinhos por Ele”.

“A nossa existência – disse o Papa – é uma peregrinação, um caminho”, e nossa alma, “é uma alma peregrina”. A Bíblia, neste sentido, é repleta de histórias de peregrinos e viajantes, como Abraão, por exemplo que recebeu de Deus a ordem “Saia da tua terra!”.

“E o Patriarca deixa aquele pedaço de mundo que conhecia bem e que era o berço da civilização de seu tempo”. Mesmo que tudo conspirasse contra a sensatez daquela viagem, “Abraão parte”:

“Não se torna homens e mulheres maduros se não se percebe a atração do horizonte: aquele limite entre o céu e a terra que pede para ser alcançado por um povo de caminhantes”.

E em seu caminho no mundo, “o homem nunca está sozinho”, recorda Francisco. “Sobretudo o cristão não se sente nunca abandonado, pois Jesus nos assegura não somente de nos esperar aos final de nossa longa viagem, mas de nos acompanhar em cada um de nossos dias”, até o fim do mundo:

Não existirá um dia de nossa vida em que deixaremos de ser uma preocupação para o coração de Deus. E Deus, certamente proverá a todas as nossas necessidades, não nos abandonará no tempo da provação e da escuridão. Esta certeza pede para aninhar-se em nossa alma, para não apagar nunca. Alguém a chama com o nome de “Providência””.

Não por acaso – observa o Papa – entre os símbolos cristãos da esperança está a âncora, “que exprime que a nossa esperança não é vaga, não é um sentimento momentâneo de quem quer melhorar as coisas deste mundo de maneira irrealista, partindo somente da própria força de vontade”. “A esperança cristã encontra sua raiz na segurança daquilo que Deus prometeu e realizou em Jesus Cristo”.

“Por que temer?” –  pergunta o Santo Padre – se Ele garantiu nunca nos abandonar e se no início de cada vocação existe um “segue-me”, “em que Ele no assegura de estar sempre a nossa frente?”:

“Com esta promessa, os cristãos podem caminhar em toda parte. Mesmo atravessando porções do mundo ferido, onde as coisas não estão bem, nós estamos entre aqueles que também lá continuam a esperar”.

Se nós confiarmos unicamente em nossas forças – considera Francisco – “teríamos razões em nos sentirmos desiludidos e derrotados, porque o mundo muitas vezes se mostra refratário às ligações de amor. Mas se em nós sobrevive a certeza de que Deus não nos abandona, que Deus ama a nós e este mundo com ternura, então muda imediatamente a perspectiva”.

“A promessa de Jesus “Eu estou convosco” nos faz estar em pé com esperança, confiando de que o bom Deus já está trabalhando para realizar aquilo que humanamente parece impossível”.

“O santo povo fiel de Deus – disse o Santo Padre na conclusão de sua catequese – é gente que sabe estar em pé e caminha na esperança. E onde quer que vá, sabe que o amor de Deus o precedeu: não existe lugar do mundo que fuja da vitória de Cristo ressuscitado, a vitória do amor”. (JE)

3 de maio de 2017 at 5:57 Deixe um comentário

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