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Papa: hoje a Igreja faz o elogio da pequenez

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Somente num coração humilde o Espírito Santo pode germinar, disse o Papa Francisco ao celebrar a missa na Casa Santa Marta. Francisco recordou que a revelação começa sempre na pequenez, não na soberba.

Adriana Masotti – Cidade do Vaticano

“A liturgia de hoje fala das coisas pequenas, podemos dizer que hoje é o dia do pequenino”: assim o Papa Francisco começou a homilia ao celebrar a missa na capela da Casa Santa Marta na manhã desta terça-feira (03/12).

A primeira leitura é extraída do livro do profeta Isaías, onde se anuncia: “Nascerá uma haste do tronco de Jessé e, a partir da raiz, surgirá o rebento de uma flor; sobre ele repousará o espírito do Senhor …”.

“A Palavra de Deus faz elogio do pequeno”, disse o Papa e faz uma promessa, a promessa de um broto que surgirá e o que é menor do que um broto?, questionou Francisco. E mesmo assim, “sobre ele repousará o espírito do Senhor”

A redenção, a revelação, a presença de Deus no mundo começa assim e sempre é assim. A revelação de Deus se faz na pequenez. Pequenez, seja humildade, seja… tantas coisas, mas na pequenez. Os grandes se apresentam poderosos, pensemos na tentação de Jesus no deserto, como Satanás se apresenta poderoso, dono de todo o mundo: “Eu dou tudo se você…”. Ao invés, as coisas de Deus começam brotando, de uma semente, pequenas. E Jesus fala desta pequenez no Evangelho”.

Fazer-se pequeno para que o Reino de Deus possa germinar

Jesus se alegra e agradece ao Pai porque se revelou não aos poderosos, mas aos pequeninos, e recordou que no Natal “iremos todos ao presépio onde está a pequeneza de Deus”. E fez então uma advertência:

Numa comunidade cristã onde os fiéis, os sacerdotes, os bispos, não tomam esta estrada da pequenez, falta futuro, ruirá. Foi o que vimos nos grandes projetos da história: cristãos que buscavam se impor, com a força, a grandeza, as conquistas… Mas o Reino de Deus brota no pequeno, sempre no pequeno, a pequena semente, a semente de vida. Mas a semente sozinha não pode nada. E há outra realidade que ajuda e que dá a força: “Nascerá uma haste do tronco de Jessé e, a partir da raiz, surgirá o rebento de uma flor; sobre ele repousará o espírito do Senhor.”

O Espírito não pode entrar num coração soberbo

“O Espírito escolhe o pequeno, sempre”, destacou ainda Francisco, porque não pode entrar no grande, no soberbo, no autossuficiente”. É no coração pequeno que acontece a revelação do Senhor.

O Papa falou dos estudiosos de teologia para destacar que os teólogos “não são aquelas pessoas que sabem tantas coisas de teologia”, se assim fosse, poderiam ser chamados de ‘enciclopedistas’ da teologia: “Sabem tudo; mas são incapazes de fazer teologia porque a teologia se faz de joelhos, fazendo-se pequenos”.

E, portanto, enfatizou novamente que “o verdadeiro pastor seja ele sacerdote, bispo, papa, cardeal, qualquer que seja, se ele não se tornar pequeno, ele não é um pastor”, ao contrário, ele é um gerente de escritório. E isso aplica-se a todos. “Do que tem uma função que parece mais importante na Igreja, à pobre velhinha que faz as obras de caridade em segredo”. O Papa Francisco esclareceu então uma dúvida que poderia surgir, isto é, que o caminho da pequenez conduz à pusilanimidade que é fechar-se em si mesmo, ao medo. E diz que, pelo contrário, “a pequenez é grande” é a capacidade de arriscar “porque não tem nada a perder”. E explicou que é precisamente a pequenez que leva à magnanimidade, porque nos torna capazes de ir além de nós mesmos, sabendo que a grandeza a dá Deus. E citou uma frase de São Tomás de Aquino, contida em sua Suma teológica, que explica como deve se comportar um cristão que se sente pequeno, diante dos desafios do mundo, para não viver como um covarde:

São Tomás diz assim, o resumo é o seguinte: “Não ter medo das coisas grandes – São Francisco Xavier hoje, nós o vimos – não ter medo, seguir em frente; mas levar em consideração as pequenas coisas, juntas, isto é divino”. Um cristão parte sempre da pequenez. Se eu na minha oração me sinto pequeno, com as minhas limitações, meus pecados, como aquele publicano que rezou no fundo da igreja, envergonhado: “Tenha piedade de mim que sou pecador”, você irá para frente. Mas se você acredita ser um bom cristão, rezará como aquele fariseu que não saiu justificado: “Dou-te graças, Deus, porque sou grande”. Não, agradeçamos a Deus porque somos pequenos.

A concretude das confissões das crianças

O Papa Francisco concluiu a sua homilia dizendo que gosta tanto de administrar o sacramento da confissão e, acima de tudo, gosta de confessar as crianças. Suas confissões, disse ele, são belas, porque contam os fatos concretos: “Eu disse esta palavra”, por exemplo, e a repetem para você. Finalmente, o Papa comenta: “A concretude daquele que é pequeno. “Senhor, sou um pecador porque faço isto, isto, isto, isto… Esta é a minha miséria, a minha pequenez. Mas envia o teu Espírito para que eu não tenha medo das grandes coisas, não tenha medo de que faças grandes coisas na minha vida”.

4 de dezembro de 2019 at 5:41 Deixe um comentário

Francisco: aprender a ir além, olhar a pessoa e as intenções de seu coração

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Papa Francisco durante a Audiência Geral desta quarta-feira

O Papa convidou os fiéis a aprenderem de Pedro “que um evangelizador não pode ser um empecilho para a obra criativa de Deus, mas alguém que favoreça o encontro dos corações com o Senhor”.

Mariangela Jaguraba – Cidade do Vaticano

O Papa Francisco prosseguiu o ciclo de catequeses sobre os Atos dos Apóstolos, na Audiência Geral, desta quarta-feira (16/10), que teve como tema “Deus não faz diferença entre as pessoas. Pedro e a efusão do Espírito Santo sobre os pagãos”.

“A viagem do Evangelho no mundo, que São Lucas narra nos Atos dos Apóstolos, é acompanhada pela suprema criatividade de Deus que se manifesta de forma surpreendente”, frisou o Papa, destacando que o Senhor “deseja que os seus filhos superem toda particularidade para se abrirem à universalidade da salvação. Este é o objetivo, pois Deus quer que todos sejam salvos”.

Sair de si e se abrir aos outros

Aqueles que renasceram da água e do Espírito são chamados a “saírem de si mesmos e se abrirem aos outros, a viverem a proximidade, o estilo do viver juntos que transforma toda relação interpessoal em experiência de fraternidade”, disse ainda Francisco.

Pedro é testemunha desse processo de “fraternização” que o Espírito quer desencadear na história. Pedro, protagonista nos Atos dos Apóstolos junto com Paulo, “vive um evento que dá uma virada decisiva na sua existência. Enquanto reza, tem uma visão que é como uma provocação” divina que desperta nele uma mudança de mentalidade.

“Ele vê uma toalha grande que desce do alto com vários animais: quadrúpedes, répteis e pássaros, e ouve uma voz que o convida a comer aquelas carnes. Como um bom judeu, Pedro reage, dizendo que nunca comeu nada de impuro, conforme pedido pela Lei do Senhor. Então a voz rebate com força: «Não chame de impuro o que Deus purificou».

“ Com esse fato, o Senhor quer que Pedro não avalie mais os eventos e as pessoas de acordo com as categorias de puro e impuro, mas que aprenda a ir além, a olhar a pessoa e as intenções de seu coração. ”

“O que torna o homem impuro, de fato, não vem de fora, mas de dentro, do coração. Jesus disse isso claramente.”

Segundo o Papa, depois dessa visão, Deus envia Pedro à casa de um estrangeiro incircunciso, Cornélio, “centurião da coorte chamada itálica, religioso e temente a Deus”, que dá muitas esmolas ao povo e orava sempre a Deus, mas não era judeu. Naquela casa de pagãos, Pedro prega Cristo crucificado e ressuscitado e o perdão dos pecados a quem Nele crê. Enquanto Pedro fala, o Espírito Santo desce sobre Cornélio e seus familiares. Pedro os batiza em nome de Jesus Cristo.

Um evangelizador não pode ser um empecilho

“Esse fato extraordinário fica conhecido em Jerusalém, onde os irmãos, escandalizados pelo comportamento de Pedro, o repreendem severamente. Pedro fez algo que estava além do costume, além da lei! Por isso, eles o censuram”, sublinhou Francisco.

“Depois do encontro com Cornélio, Pedro está mais livre de si mesmo e mais em comunhão com Deus e com os outros, porque viu a vontade de Deus na ação do Espírito Santo. Ele entendeu que a eleição de Israel não é a recompensa pelo mérito, mas sinal do chamado gratuito para ser mediação da bênção divina entre os povos pagãos.”

O Papa convidou os fiéis a aprenderem do “príncipe dos Apóstolos que um evangelizador não pode ser um empecilho para a obra criativa de Deus que quer que todos se salvem, mas alguém que favoreça o encontro dos corações com o Senhor”.

A seguir, Francisco perguntou: “Como nos comportamos com os nossos irmãos, sobretudo com aqueles que não são cristãos. Somos um empecilho para o encontro com Deus? Somos um obstáculo para o seu encontro com o Pai ou o facilitamos?”

“Peçamos a graça de nos deixar surpreender pelas surpresas de Deus, de não impedir a sua criatividade, mas de reconhecer e favorecer os caminhos sempre novos pelos quais Cristo Ressuscitado derrama o seu Espírito no mundo e atrai os corações”, concluiu o Pontífice.

8 de novembro de 2019 at 5:35 Deixe um comentário

Papa: Reis Magos representam as pessoas de todas as partes do mundo

Papa Francisco na missa da Solenidade da Epifania em 2018

Papa Francisco na missa da Solenidade da Epifania em 2018  (Vatican Media)

A estrela que apareceu no céu acendeu” no coração dos Reis Magos “uma luz que os moveu em busca da grande Luz de Cristo”, disse o Papa Francisco na homilia da primeira missa celebrada na Solenidade da Epifania, em 2014.

Cidade do Vaticano

A luz da estrela, o caminho dos Reis magos e a oferta dos dons a Jesus que nos presenteia a sua vida. Estes são os temas sobre os quais o Papa Francisco se deteve nas homilias das missas celebradas na Solenidade da Epifania do Senhor, desde o início de seu pontificado.

Reis Magos, guardiões da fé

“A estrela que apareceu no céu acendeu” no coração dos Reis Magos “uma luz que os moveu em busca da grande Luz de Cristo”, disse o Papa Francisco na homilia da primeira missa celebrada na Solenidade da Epifania, em 2014.

O Pontífice recordou que é “a esperteza santa”, a dos Reis Magos, que nos guia no caminho da fé, que “não nos faz cair nas armadilhas das trevas” e nos ensina “como nos defender das trevas que buscam envolver a nossa vida”.

“Nesse tempo é muito importante guardar a fé. É preciso ir além da escuridão, além do encanto das sereias, além da mundanidade, além de muitas modernidades que existem hoje, e caminhar rumo a Belém, onde na simplicidade de uma casa de periferia, entre uma mãe e um pai cheios de amor e fé, resplandece o Sol que nasceu do alto, o Rei do universo”, disse o Papa.

Abaixar-se a Deus

“A luz da estrela ilumina ainda hoje as pessoas que buscam a Deus”, sublinhou Francisco na homilia da missa celebrada em 6 de janeiro de 2015, lembrando que é a graça do Espírito Santo que faz com que os Reis Magos encontrem o verdadeiro Deus, que recusem o engano de Herodes, aceitando a pequenez da Criança que eles adoraram, oferecendo presentes preciosos. “O amor de Deus é grande, é poderoso e humilde, muito humilde”, disse o Pontífice.

Acolhidos na casa do Senhor

“Os Reis Magos representam as pessoas de todas as partes do mundo que são acolhidas na casa de Deus”, destacou o Papa na homilia da missa celebrada em 2016. “Diante de Jesus não há mais divisão de raça, língua e cultura: naquele Menino a humanidade encontra a sua unidade”. Portanto, eis a tarefa da Igreja: despertar o desejo de Deus, encorajar a se colocar a caminho, esquecendo os interesses cotidianos, seguindo a voz do Espírito Santo.

“A Igreja tem a tarefa de reconhecer e fazer emergir de maneira mais clara o desejo de Deus que cada um carrega dentro de si. Este é o serviço da Igreja, com a luz que ela reflete. Como os Reis Magos, muitas pessoas, mesmo em nossos dias, vivem com o “coração inquieto” que continua a fazer perguntas sem encontrar respostas certas. É a inquietação do Espírito Santo que se move nos corações. Elas também estão procurando a estrela que indica o caminho para Belém”, frisou o Papa.

Um coração não anestesiado

Na missa da Epifania de 2017, Francisco explicou a saudade de Deus, “atitude que rompe o conformismo entediante” e “nos tira dos recintos deterministas”. Os Reis Magos são o retrato do fiel, “refletem a imagem de todos os homens que em suas vidas não deixaram anestesiar seus corações”. Eles descobrem que “o olhar desse Rei desconhecido, mas desejado, não humilha, não escraviza e não aprisiona”.

“Descobrir que o olhar de Deus levanta, perdoa e cura. Descobrir que Deus quis nascer lá onde não esperávamos, onde talvez não o queremos ou onde nós o negamos muitas vezes. Descobrir que no olhar de Deus tem lugar para os feridos, os cansados, os maltratados e os abandonados: que sua força e seu poder se chamam misericórdia”, sublinhou o Pontífice naquela ocasião.

A estrela do Senhor é sempre presente

Manter os olhos no alto, entender que “o sucesso, dinheiro, carreira, honrarias e prazeres” despertam fortes emoções, mas são “meteoros: brilham por um tempo, mas acabam logo”. Foi o que Papa enfatizou na homilia da missa celebrada no ano passado, destacando que “a estrela do Senhor nem sempre é deslumbrante, mas é sempre presente”, “nos pega pela mão na vida”, “garante a paz e doa, como os Reis Magos, uma grande alegria”.

6 de janeiro de 2019 at 7:01 Deixe um comentário

Representante do Papa participa da posse do presidente Jair Bolsonaro

BRAZIL-INAUGURATION-BOLSONAROPresidente Bolsonaro  (AFP or licensors)

Dom Andrés Carrascosa foi o enviado do Santo Padre para transmitir as congratulações ao novo presidente do Brasil.

Cidade do Vaticano

O Núncio Apostólico do Equador, dom Andrés Carrascosa, foi o enviado especial do Papa Francisco à posse do presidente da República Jair Messias Bolsonaro, realizada neste dia 1º de janeiro. Dom Andres transmitiu as congratulações do Papa ao novo presidente do Brasil.

Em carta assinada pelo secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, o Papa Francisco nomeou Dom Andres como legado pontifício. O legado é um representante do Papa perante as Igrejas Particulares ou perante o governo de um Estado, sempre enviado para uma missão extraordinária em nome do Pontífice.

De acordo com a carta escrita em latim, datada 20 de dezembro, o Sumo Pontífice parabeniza e envia sua benção ao recém empossado presidente da República Federativa do Brasil. A mesma benção se estende a todo o povo brasileiro.

Jair Bolsonaro tomou posse como 38º presidente do Brasil, em cerimônia solene realizada no Congresso Nacional. Hamilton Mourão foi empossado como vice-presidente.

 

2 de janeiro de 2019 at 13:25 Deixe um comentário

Papa convida a renovar profissão de fé em Jesus Cristo

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A solicitação foi feita pelo Pontífice, nesta quinta-feira (25/10), na Basílica de São Pedro, aos participantes da peregrinação ao túmulo de São Pedro, através da Via Francigena.

Cidade do Vaticano

O Papa Francisco fez um convite a renovar a profissão de fé “no lugar em que o Apóstolo Pedro, com o testemunho de vida, confessou sua fé no Senhor Jesus, morto e ressuscitado”.

A solicitação foi feita pelo Pontífice, nesta quinta-feira (25/10), na Basílica de São Pedro, aos participantes da peregrinação ao túmulo de São Pedro, através da Via Francigena, organizada pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização para os participantes do Sínodo dedicado aos jovens, em andamento no Vaticano, sobre o tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”.

No final da peregrinação, que se concluiu no túmulo de São Pedro, os Padres sinodais e os jovens participaram da missa presidida pelo secretário-geral do Sínodo dos Bispos, cardeal Lorenzo Baldisseri, no Altar da Cátedra da Basílica Vaticana.

A homilia foi feita pelo presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, dom Rino Fisichella, dicastério vaticano promotor da peregrinação. O prelado fez uma oração a fim de que a “profissão de fé” de Pedro se torne “também nossa”, ou seja, “doar a nossa vida ao Senhor Jesus”.

Significado da vida e vocação de Pedro

Dom Fisichella explicou como acolher em “nossa vida o significado de Pedro, de sua vida e sua vocação”. Jesus diz a Pedro para lançar as redes e o pescador obedece: “Na sua palavra eu jogarei a rede”.

Pedro lentamente entende que deve confiar, que precisa da graça de Deus. Sem Ele não podemos fazer nada. Repetimos essa frase várias vezes quando invocamos o Espírito. “Sine tuo numine nihil est in homine”, sem a sua presença, sem a sua luz não há nada em nós.

“Jesus nos ensina que quando se está Nele, pensa-se diferente. Quando pergunta: “Pedro, você me ama?”, Pedro responde: “Eu te amo”. O amor é entendido como capacidade de doar a vida ao Senhor. Jesus entende que “Pedro ainda não é capaz. Precisa ter paciência”. Então lhe diz: “Segue-me!”. “Este segundo chamado”, frisou dom Fisichella, “é o chamado ao amor, ao doar tudo, não só a sair, mas doar-se inteiramente”. “Trinta anos se passarão” e Pedro “dobrará os joelhos diante de Deus”, porque está finalmente “pronto e capaz de doar-se totalmente”.

Este é o dom do martírio: ninguém tira a sua vida. Eu a ofereço por mim mesmo. Aqui, Pedro cumpre sua vocação. Passarão 30 anos: não importa. Deus tem paciência conosco. Seus tempos não são nossos tempos. Ele vem ao nosso encontro quando decide vir nos encontrar. Deve encontrar um coração aberto. Então, Pedro dirá como Paulo aos primeiros cristãos de Tessalônica: “Queríamos dar a vocês não apenas o Evangelho, mas nossa própria vida”, concluiu dom Fisichella.

7 de novembro de 2018 at 5:44 Deixe um comentário

Papa: a novidade do Evangelho não admite vida dupla

Papa celebra a missa na Casa Santa MartaPapa celebra a missa na Casa Santa Marta  (Vatican Media)

“A novidade do Evangelho é absoluta, é total. Nos abrange totalmente, porque nos transforma de dentro para fora: o espírito, o corpo e a vida cotidiana.”

Cidade do Vaticano

“Irmãos, ouve-se falar em geral de imoralidade entre vocês, e de imoralidade tal que nem entre os pagãos costuma acontecer. Vocês são cristãos e vivem assim?”

São as palavras de reprovação, extraídas da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, em que Paulo fala aos cristãos, constatando que muitos deles levam uma “vida dupla”.

Paulo, sublinhou o Papa na homilia proferida na Casa Santa Marta, nesta segunda-feira (10/09), está muito zangado com aqueles que se vangloriavam de ser “cristãos abertos”, cuja “a confissão de Jesus Cristo andava de mãos dadas com uma imoralidade tolerada”. O apóstolo lembra-lhes que o fermento faz levedar toda a massa e que é preciso um novo fermento para uma nova massa. Jesus tinha dito: “Vinhos novos em odres novos”.

O Evangelho transforma totalmente a pessoa

“A novidade do Evangelho, a novidade de Cristo não é somente transformar a nossa alma. É transformar tudo em nós: alma, espírito e corpo, tudo, ou seja, transformar o vinho, o fermento, em odres novos. A novidade do Evangelho é absoluta, é total. Nos abrange totalmente, porque nos transforma de dentro para fora: o espírito, o corpo e a vida cotidiana.”

A novidade do Evangelho e as novidades do mundo

Francisco observou que os cristãos de Corinto não tinham entendido a novidade totalizadora do Evangelho que transforma todas as coisas, que não é uma ideologia ou um modo de viver social junto com os costumes pagãos. A novidade do Evangelho é a Ressurreição de Cristo, é o Espírito que ele nos enviou “para nos acompanhar na vida”. Nós cristãos somos homens e mulheres de novidade, afirmou o Papa, não das novidades.

“Muita gente procura viver o seu cristianismo “das novidades”: mas hoje, se pode fazer assim; não, hoje se pode viver assim…”. Essa gente que vive das novidades propostas pelo mundo é mundana, não aceita toda a novidade. Há um confronto entre “a novidade” de Jesus Cristo e “as novidades” que o mundo nos propõe para viver.”

Ser fraco sim, mas não hipócrita

As pessoas que Paulo condena, continuou o Papa, “são mornas, imorais, são pessoas que simulam, pessoas formais, hipócritas”. E reiterou: “O chamado de Jesus é um chamado para a novidade”.

“Mas, alguém pode dizer: Padre, nós somos fracos, somos pecadores. Isso é outra coisa. Se você reconhece ser pecador e fraco, Ele lhe perdoa, porque uma parte da novidade do Evangelho é confessar que Jesus Cristo veio para o perdão dos pecados. Mas se você que se diz cristão convive com as novidades mundanas, não, é hipocrisia. Esta é a diferença. Jesus disse no Evangelho: “Fiquem atentos quando lhes disserem: o Cristo está ali, está lá, … As novidades são isso: não, a salvação está com este, com aquele. Cristo é um só. E Cristo é claro na sua mensagem.

O caminho de quem segue Cristo é o martírio

Jesus não ilude quem deseja segui-lo e o Papa diante da pergunta: “Como é o caminho daqueles que vivem a novidade e não querem viver as novidades?, recorda como termina a passagem do Evangelho de hoje, ou seja, com a decisão dos escribas e doutores da lei de matar Jesus, de abatê-lo.

“O caminho daqueles que aceitam a novidade de Jesus Cristo é o mesmo de Jesus: o caminho rumo ao martírio”, nem sempre sangrento, mas o de todos os dias. “Nós estamos nas ruas, advertiu o Papa, e somos olhados pelo grande acusador que desperta os acusadores de hoje para nos pegar em contradição”. E concluiu, não devemos negociar com as novidades. Não devemos “enfraquecer o anúncio do Evangelho”.

10 de setembro de 2018 at 10:08 Deixe um comentário

Papa: Domingo é dia de fazer as pazes com a vida

Papa Francisco na Audiência GeralPapa Francisco na Audiência Geral  (AFP or licensors)

Em sua catequese na Audiência Geral desta quarta-feira, o Papa Francisco falou sobre “o dia do repouso” para os cristãos: “Tanta gente, tanta, que tem a possibilidade de divertir-se, e não vivem em paz com a vida. Domingo é dia de fazer as pazes com a vida, dizendo, a vida é preciosa! Não é fácil, às vezes é doloroso, mas é preciosa”.

Jackson erpen – Cidade do Vaticano

O verdadeiro sentido do repouso. Dando continuidade a sua série de catequeses sobre o Decálogo, o Papa falou nesta quarta-feira aos mais de 13 mil fiéis presentes na Praça São Pedro sobre o repouso como “momento de contemplação e louvor”, “é a bênção da realidade”. Francisco recordou ainda a necessidade de nos reconciliarmos com nossa própria história, pois a verdadeira paz, não é mudá-la, mas dar as boas-vindas e valorizá-la.”

“O dia do repouso” de que fala o Livro do Êxodo “parece um mandamento fácil de ser cumprido – observa – mas é uma impressão errada”, pois “existe o repouso falso e o repouso verdadeiro. Como reconhecê-los?”, pergunta o Papa.

“A sociedade de hoje está sedenta por entretenimento e férias. A indústria da distração – escutem bem, a indústria da distração – é muito florescente e a publicidade desenha o mundo ideal como um grande parque de diversões onde todos se divertem. O conceito de vida dominante hoje não tem o centro de gravidade em atividade e compromisso, mas na evasão. Ganhar dinheiro para divertir-se, satisfazer-se. A imagem-modelo é a de uma pessoa de sucesso que pode permitir-se amplos e diversos espaços de prazer”.

Divertimento que não é repouso

“Mas essa mentalidade – chama a atenção o Santo Padre –  desliza para a insatisfação de uma existência anestesiada pelo divertimento que não é repouso, mas alienação e fuga da realidade. O homem nunca repousou tanto quanto hoje, e ao mesmo tempo o homem nunca experimentou tanto vazio como hoje! As possibilidades de divertir-se, sair, cruzeiros, viagens. Tanta coisa…não te dão a plenitude do coração, mais ainda, não te dão repouso.”

Dia da contemplação e da bênção

Ou seja, no sétimo dia, “inicia o dia do repouso, que é a alegria de Deus por aquilo que criou. É o dia da contemplação e da bênção”. Assim, o repouso segundo este mandamento é “o momento da contemplação, do louvor, não da evasão. É o tempo para olhar a realidade e dizer: como é bela a vida!”. Assim, “ao repouso como fuga da realidade, o Decálogo opõe o repouso como bênção da realidade”:

“Para nós, cristãos, o centro do Dia do Senhor, o domingo, é a Eucaristia, que significa “ação de graças”. É o dia para dizer a Deus: obrigado, obrigado Senhor, obrigado pela vida, pela sua misericórdia, por todos os seus dons. O domingo não é o dia para esquecer os outros dias, mas para recordá-los, abençoá-los e fazer as pazes com a vida, fazer as pazes com a vida. Tantas pessoas, tantas, que têm a possibilidade de divertir-se, e não vivem em paz com a vida. Domingo é dia de fazer as pazes com a vida dizendo: a vida é preciosa! Não é fácil, às vezes é doloroso, mas é preciosa”.

Reconciliar-se com a própria história

Ser introduzido no repouso autêntico é uma obra de Deus em nós, afirma o Papa,  mas exige que nos afastemos da maldição e do seu encanto. Inclinando o coração para a infelicidade, de fato, enfatizar as razões do descontentamento é muito fácil. Bênção e alegria implicam uma abertura para o bem que é um movimento adulto do coração. O bem é afável e nunca se impõe. Deve ser escolhido:

“A paz se escolhe, não pode ser imposta e não pode ser encontrada por acaso. Afastando-se das dobras amargas de seu coração, o homem tem necessidade de fazer as pazes com aquilo de que ele foge. É necessário reconciliar-se com a própria história, com fatos que não se aceitam, com as partes difíceis da existência. A verdadeira paz, de fato, não é mudar a própria história, mas dar as boas-vindas e valorizá-la, assim como aconteceu.”

O Pontífice recorda que muitas vezes encontramos cristãos doentes e que nos consolam “com uma serenidade que não é encontrada nos alegres e hedonistas”.

Da mesma forma, “vimos pessoas humildes e pobres alegrarem-se por pequenas graças, com uma felicidade que sabia de eternidade”.

A vida torna-se bela quando começamos a pensar bem dela

Maria fez a escolha pela vida, que tornou-se o seu “fiat”, “uma abertura ao Espírito Santo que nos coloca nas pegadas de Cristo, Aquele que se entrega ao Pai no momento mais dramático e assim segue o caminho que leva à ressurreição.

A vida se torna bela – disse o Papa ao concluir – “quando se começa a pensar bem dela, seja qual for a nossa história (…) quando o coração está aberto à Providência e o que o Salmo diz é verdade: “Somente em Deus repousa a minha alma”.

5 de setembro de 2018 at 10:32 Deixe um comentário

Papa: fazer exame de consciência para deixar espaço ao Espírito

2018.09.04 Messa Santa MartaPapa celebra a missa na Casa Santa Marta  (� Vatican Media)

Na capela da Casa Santa Marta, o Papa Francisco celebrou a missa e recordou que no coração do homem, todos os dias, combatem o “espírito do mundo” e o “espírito de Deus”.

Barbara Castelli – Cidade do Vaticano

O coração do homem é como um “campo de batalha”, onde se enfrentam dois “espíritos” diferentes: um, o de Deus, nos leva “às boas obras, à caridade e à fraternidade”, o outro, o do mundo, nos impulsiona “em direção à vaidade, ao orgulho, à suficiência e às fofocas”. Foi o que destacou o Papa Francisco, celebrando a Missa na Casa Santa Marta. O ponto de partida das reflexões do Pontífice foi a Primeira Leitura, em que o “apóstolo Paulo ensina aos Coríntios o caminho para ter o pensamento de Cristo”, um caminho marcado pelo abandono ao Espírito Santo. De fato, é o Espírito Santo que nos leva a “conhecer Jesus”, a ter os seus mesmos “sentimentos”, a compreender o “coração”.

A eterna luta entre bem e mal

Francisco recordou que “o homem deixado às suas forças não compreende as coisas do Espírito”:

“Existem dois espíritos, duas modalidades de pensar, de sentir, de agir: o que me leva ao Espírito de Deus e o que me leva ao espírito do mundo. E isso acontece na nossa vida: nós todos temos esses dois ‘espíritos’, digamos assim. O Espírito de Deus nos leva às boas obras, à caridade, à fraternidade, a adorar Deus, a conhecer Jesus, a fazer tantas obras boas de caridade, a rezar: isso. E o outro espírito do mundo, que nos leva em direção à vaidade, ao orgulho, à suficiência e à fofoca: um caminho completamente diferente. O nosso coração – dizia um santo – é como um ‘campo de batalha, um campo de guerra onde esses dois espíritos combatem”.

Vencer as tentações como Jesus

“Na vida cristã”, portanto, “se deve combater para deixar espaço ao Espírito de Deus” e “expulsar o espírito do mundo”. E um “exame de consciência” diário, sugeriu o Pontífice, ajuda a “identificar as tentações”, a esclarecer como atuam essas forças contrapostas.

“É muito simples: temos este grande dom, que é o Espírito de Deus, mas somos frágeis, somos pecadores e temos também a tentação do espírito do mundo. Neste combate espiritual, nesta guerra do espírito, é preciso ser vencedores como Jesus”.

Não animais, mas Filhos de Deus

Todas as noites, concluiu o Papa, o cristão deveria repensar o dia transcorrido para verificar se prevaleceu a “vaidade” e a “soberba” ou se conseguiu imitar o Filho de Deus.

“Conhecer o que acontece no coração. Se nós não fizermos isso, se nós não soubermos o que acontece no nosso coração – e isso não o digo eu, o diz a Bíblia – somos como os ‘animais que não entendem nada’, vão avante com o instinto. Mas nós não somos animais, somos Filhos de Deus, batizados com o dom do Espírito Santo. Por isso, é importante entender o que aconteceu hoje no meu coração. Que o Senhor nos ensine a fazer sempre, todos os dias, o exame de consciência”.

4 de setembro de 2018 at 18:48 Deixe um comentário

Papa exorta jovens a serem protagonistas no bem, “não basta não fazer o mal”

Papa abençoa Cruz de São Damião e imagem de Nossa Senhora de Loreto, que serão levadas ao PanamáPapa abençoa Cruz de São Damião e imagem de Nossa Senhora de Loreto, que serão levadas ao Panamá  (Vatican Media)

O Papa Francisco rezou o Angelus na Praça São Pedro após a celebração presidida pelo cardeal Gualtiero Bassetti na presença de milhares de jovens, participantes da iniciativa “Por mil estradas rumo a Roma”, em preparação ao Sínodo e à JMJ Panamá 2019

Jackson Erpen – Cidade do Vaticano

90 mil segundo a Gendarmaria Vaticana, era o número de fiéis presentes na Praça São Pedro e Via da Conciliação na manhã deste domingo, na Missa conclusiva da iniciativa “Por mil estradas rumo a Roma”, em preparação ao Sínodo de outubro sobre os jovens.

A celebração foi presidida pelo cardeal Gualtiero Bassetti, presidente da Conferência Episcopal Italiana e concelebrada por 120 bispos das diversas dioceses de proveniência dos 70 mil jovens, que já no início de agosto botaram o pé na estrada partindo de diversas localidades italianas – dos Alpes às Pirâmides, como disse o cardeal Bassetti ao agradecer ao Santo Padre – para viver estes dois dias de espiritualidade e partilha em Roma.

O Papa Francisco já os havia encontrado no Circo Máximo no final da tarde de sábado. E neste domingo, rezou o Angelus com eles após a Missa, abençoando a Cruz de São Damião e uma imagem de Nossa Senhora de Loreto, símbolos da JMJ que serão doados à diocese que organiza a JMJ 2019, uma prática que teve início já em 1987, em Buenos Aires.

Fazia 31°C na Praça São Pedro, mas a sensação térmica era bem maior. Os bombeiros do Vaticano refrescavam a multidão com jatos de água, a exemplo do que já havia ocorrido no encontro internacional dos coroinhas.  Embalados pelo calor e por canções religiosas italianas, o clima na Praça era contemporaneamente de festa e comoção.

O Angelus

“É bom não fazer o mal, mas é mal não fazer o bem”. Uma frase que os jovens foram convidados a repetir diversas vezes durante a alocução do Santo Padre, que inspirou-se no convite de São Paulo a não entristecermos o Espírito Santo com que fomos marcados por Deus no dia de nosso Batismo.

“Mas eu me pergunto: como se entristece o Espírito Santo? Todos nós o recebemos no Batismo e na Crisma, portanto, para não entristecer o Espírito Santo, é necessário viver de uma maneira coerente com as promessas do Batismo, renovadas na Crisma. De maneira coerente, não com hipocrisia: não esqueçam disso! O cristão não pode ser hipócrita: ele deve viver de maneira coerente. As promessas do Batismo têm dois aspectos: renúncia ao mal e adesão ao bem”.

Renunciar ao mal – explicou o Papa – significa dizer “não” às tentações, ao pecado, a satanás, mas mais concretamente,  “significa dizer “não” a uma cultura da morte, que se manifesta na fuga do real para uma falsa felicidade que se expressa nas mentiras, na fraude, na injustiça, no desprezo do outro. Para tudo isso, “não””:

“A vida nova que nos é dada no Batismo, e que tem como fonte o Espírito, rejeita um comportamento dominado por sentimentos de divisão e discórdia. Por isso que o apóstolo Paulo exorta a remover do seu coração “toda aspereza, desdém, ira, gritaria e insultos com todo tipo de maldade”. Isto é o que Paulo diz. Esses seis elementos ou vícios – desdém, ira, gritaria, maledicência e todo tipo de maldade – que perturbam a alegria do Espírito, envenenam o coração e levam a praguejar contra Deus e o próximo”.

Não basta não fazer o mal, é preciso fazer o bem

O Papa insiste que para ser bom cristão, não basta não fazer o mal, mas “é preciso aderir ao bem e fazer o bem”:

“Muitas vezes acontece de ouvir alguns que dizem: “Eu não faço mal a ninguém”. E acredita-se ser um santo. Não. Ok, mas você faz o bem? Quantas pessoas não fazem o mal, mas nem mesmo o bem, e sua vida acaba na indiferença, na apatia, na tibiez. Essa atitude é contrária ao Evangelho, e também é contrária ao caráter de vocês jovens, que por natureza são dinâmicos, apaixonados e corajosos”.

Francisco então, convida os jovens a repetirem juntos que “é bom não fazer o mal, mas é mal não fazer o bem”, uma frase que São Alberto Hurtado SJ costumava dizer.

Protagonistas no bem

Os jovens por fim, são exortados pelo Papa a serem “protagonistas no bem”:

“Não se sintam bem quando vocês não fazem o mal, não: não é suficiente; cada um é culpado pelo bem que poderia ter feito e não fez. Não basta não odiar, é preciso perdoar; não basta não ter rancor, devemos orar pelos inimigos; não basta não ser causa de divisão, é preciso levar a paz onde ela não existe; não basta não falar mal dos outros, é preciso interromper quando ouvimos falando mal de alguém. Parar as fofocas: isso é fazer o bem. Se não nos opomos ao mal, nós o alimentamos calando. É necessário intervir onde o mal se espalha; porque o mal se espalha onde não há cristãos ousados ​​que se opõem com o bem, “caminhando na caridade”, segundo a advertência de São Paulo”.

Recordando que o muito que caminharam nestes dias os deixou em boa forma, Francisco exortou os jovens a caminharem na caridade, caminharem no amor:

“E caminhemos juntos rumo ao próximo Sínodo dos Bispos. Que a Virgem Maria nos sustente com sua intercessão materna, para que cada um de nós, a cada dia, com os fatos, possa dizer “não” ao mal e “sim” ao bem”.

15 de agosto de 2018 at 5:51 Deixe um comentário

Cristãos precisam de novo ímpeto evangelizador, afirma o Papa em Genebra

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“Estou convencido de que, se aumentar o impulso missionário, crescerá também a unidade entre nós”, disse o Papa no encontro ecumênico na sede do Conselho Mundial de Igrejas em Genebra.

Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

O segundo compromisso do Papa Francisco em Genebra foi o encontro ecumênico na sede do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), com a presença do Comitê Central do CMI, delegados ecumênicos, autoridades civis e o séquito papal.

Após os discursos do Secretário-geral do CMI, Rev. Olav Fykse Tveit, e da Moderadora Dra. Agnes Abuom, o Pontífice tomou a palavra num discurso centralizado na vocação missionária de todo cristão.

Simbologia bíblica do número 70

Inicialmente, Francisco agradeceu o convite para participar das celebrações dos 70 anos do CMI e falou da simbologia bíblica em torno deste número: setenta anos evoca a duração completa de uma vida, sinal de bênção divina. Mas setenta é também um número que traz à mente duas passagens famosas do Evangelho. Na primeira, o Senhor mandou perdoar não até sete vezes, mas «até setenta vezes sete» (Mt 18, 22).

 

O número não pretende indicar um limite quantitativo, explicou o Papa, mas abrir um horizonte qualitativo: não mede a justiça, mas alonga a medida para uma caridade desmesurada, capaz de perdoar sem limites. “É esta caridade que nos permite, depois de séculos de contrastes, estar juntos como irmãos e irmãs reconciliados e agradecidos a Deus nosso Pai.”

 

Novo ímpeto evangelizador

Setenta lembra também os discípulos que Jesus, durante o ministério público, enviou em missão. O número destes discípulos alude ao número das nações conhecidas, elencadas nos primeiros capítulos da Sagrada Escritura.

“Que sugestão nos deixa isto? Que a missão tem em vista todos os povos, e cada discípulo, para ser tal, deve tornar-se apóstolo, missionário.”

O Papa declarou-se preocupado com a dissociação entre ecumenismo e missão. “O mandato missionário, que é mais do que a diakonia e a promoção do desenvolvimento humano, não pode ser esquecido nem anulado. Em causa está a nossa identidade. O anúncio do Evangelho até aos últimos confins da terra é conatural ao nosso ser de cristãos.”

Para Francisco, necessita-se de um novo ímpeto evangelizador. “Estou convencido que, se aumentar o impulso missionário, crescerá também a unidade entre nós.”

Caminhar – Rezar – Trabalhar juntos

O Pontífice comentou o lema dos 70 anos do CMI: Caminhar – Rezar – Trabalhar juntos.

Caminhar num movimento duplo: de entrada e de saída. De entrada, a fim de nos dirigir constantemente para o centro, que é Jesus. De saída, rumo às múltiplas periferias existenciais de hoje.

Rezar, pois a oração é o oxigênio do ecumenismo. Sem oração, a comunhão asfixia e não avança, porque impedimos que o vento do Espírito a empurre para diante.

Trabalhar juntos, pois a credibilidade do Evangelho é testada pela maneira como os cristãos respondem ao clamor de quantos são vítimas do trágico aumento de uma exclusão que, gerando pobreza, fomenta os conflitos. “Se um serviço é possível, por que não projetá-lo e realizá-lo conjuntamente, começando a experimentar uma fraternidade mais intensa no exercício da caridade concreta?”, questionou o Papa.

Ecumenismo de sangue

Francisco mencionou também os cristãos perseguidos. “Estejamos ao seu lado. E lembremo-nos de que o nosso caminho ecumênico é precedido e acompanhado por um ecumenismo já realizado, o ecumenismo do sangue, que nos exorta a avançar.”

O Pontífice concluiu seu discurso com as seguintes palavras: “Ajudemo-nos a caminhar, rezar e trabalhar juntos, para que, com a ajuda de Deus, progrida a unidade e o mundo acredite”.

14 de julho de 2018 at 5:59 Deixe um comentário

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