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Nossa Senhora de Kevelaer

N S kevelaer

A origem do título Nossa Senhora de Kevelaer e da respectiva imagem (milagrosa) diante da qual, há mais de 300 anos, os fiéis se prostram, invocando a Mãe de Deus, é a seguinte:

Hendrick Busman, de 40 anos de idade, nascido em Niedermörnter, província de Kleve, e casado com Mechel Schrouse, tinha um pequeno negócio, de cuja renda viviam e por isso precisava de vez em quando viajar pela redondezas.

Pelo Natal de 1641 aconteceu que, vindo de Weeze e passando por uma cruz de pedra que havia ali, nas imediações de Kevelaer, ouviu uma voz que lhe disse: “Quero que me construa uma capelinha neste lugar”.

Admirado Hendrick olha para todos os lados, mas não vê ninguém; continua então seu caminho, procurando esquecer as palavras que ouvira.

Sete ou oito dias depois, passando pelo mesmo caminho, ouviu naquele lugar, pela segunda vez, a mesma voz e as mesmas palavras. Ficou então muito triste e aflito, ao pensar em seus minguados recursos e poucas relações.

Como um pobre mortal como ele haveria de construir a capela?

Além disso, era provável que sua mulher não lhe desse o consentimento para a construção da capelinha.

Mas… a incumbência recebida não lhe saía da cabeça e, depois de muito pensar, resolveu fazer, por dia, uma pequena economia até que completasse, pouco a pouco, a quantia de 100 florins, para então iniciar a construção.

Uns dias mais tarde passava ele pelo mesmo lugar, quando ouviu novamente as mesmas palavras. Espantado, e seriamente abalado desta vez, permaneceu em silêncio durante algum tempo, para ver se aparecia alguém e certificar-se de que não era algum embuste ou ilusão; porém, nada descobrindo, resolveu por em prática a resolução de poupar o que pudesse, para poder cumprir a vontade do céu.

Entrementes, aconteceu, um mês antes de Pentecostes, que sua mulher teve uma noite uma visão ou aparição, na qual enxergou no meio de uma luz vivíssima uma capelinha, e nesta uma pequena estampa de Nossa Senhora igual à que ela tinha visto, algum tempo antes, nas mãos de dois soldados.

Eram duas estampas de Nossa Senhora de Luxemburgo, que eles tinham trazido para remetê-las ao tenente da Companhia de Mackewitz.

Os soldados quiseram vender os santinhos, ou um deles pelo menos, a Mechel, por um blaumeuser, porém ela não pode adquirir nem um, devido ao elevado preço, e por isso as estampas foram entregues ao tenente.

Mechel teve de falar na visão mais de uma vez, porque o marido não lhe dera inteiro crédito; porém, encontrando-se ele durante o dia com dois soldados da vizinhança, que faziam a ronda noturna e tinham visto a casa dele iluminada por uma luz muito forte naquela noite, estes lhe perguntaram que luz era aquela tão intensa, de modo que, estupefato, ele teve de acreditar na visão, uma vez que todos os da casa se tinham recolhido cedo, sem deixar nenhuma luz acesa, como sempre faziam.

Hendrick mandou então a mulher procurar os soldados que lhe tinham oferecido as efígies de Nossa Senhora, para ver se conseguia obter uma delas. Estes lhe disseram que as tinham entregado ao tenente, e que este tinha sido feito prisioneiro na batalha travada contra o general Llamboy, achando-se preso em Kempen; que tivesse paciência, portanto, até que fosse posto em liberdade, o que aconteceu pouco depois.

Entretanto tinha Hendrick começado a construir a capelinha, com o pronto e eficaz auxílio do vigário de Kevelaer, que lhe fornecera o material .

Posto o tenente em liberdade, Mechel foi procurá-lo e pedir-lhe um dos santinhos, porém ele não lho deu sem primeiro saber por que motivo ela desejava com tanto empenho obtê-lo. Mechel satisfez sua curiosidade, manifestando-lhe a razão do seu ardente desejo, e ele então lhe disse que escolhesse um deles. Muito satisfeita ela o levou ao marido, que mandou pintar uma tabuinha e colocar nela a estampa de Nossa Senhora, para que pudesse ser colocada na capelinha com mais facilidade.

Quando as carmelitas da cidade de Geldern souberam do ocorrido, pediram ao pintor que levasse o quadrinho de Nossa Senhora para sue convento a fim de o venerarem devotamente naquela noite. Queriam, no entanto, conservá-lo também no dia seguinte, com o que o pintor não concordou, fazendo o possível para que elas lho entregassem novamente. Vendo baldados seus esforços, o pintor teve de comunicar a Hendrick o que acontecera. Depois de muito pedir, elas lho entregaram, e ele, acompanhado de muita gente que queria ver a imagenzinha, levou-a para sua casa, para onde começou logo a afluir o povo, desejoso de venerar Nossa Senhora.

Logo começaram também a oferecer-lhe dinheiro e velas, contra a vontade de Hendrick, que se viu obrigado a esconder o quadrinho, levando-o depois para a igreja dos capuchinhos, onde ficou três dias. Muitos dos que passavam por ali deixavam espontaneamente suas ofertas, de modo que os padres mandaram dizer a Hendrick que fosse buscá-las. Este, porém, achava que não podia nem devia aceitar nenhuma esmola ou oferta, até que finalmente foi intimado, por intermédio do irmão Luitgens, a ir buscar e guardar todas as ofertas, enquanto não se determinasse o lugar onde deviam ser conservadas.

Depois disso os capuchinhos e a paróquia resolveram levar o quadrinho para Kevelaer, em solene procissão. Porém, por justos motivos, foi levado às ocultas pelo vigário de Kevelaer, no último dia do mês de maio de 1642, sendo colocado no dia seguinte na capelinha que Hendrick construíra conforme sua mulher a tinha visto na referida visão. No mesmo dia uma multidão vinda de Geldern e de outros lugares afluiu ao novo trono da Mãe de Deus, que não deixou de recompensar com alguns notáveis milagres a fé e o amor filial daquele povo.

A imagem que representa Nossa Senhora de Luxemburgo ficou representando também Nossa Senhora de Kevelaer. Como a efígie de Nossa Senhora exposta por Hendrick em Kevelaer se tornou logo célebre pela devoção do povo, por seus milagres, pelas peregrinações, deram-lhe o título de Nossa Senhora de Kevelaer, e assim Nossa Senhora obteve mais um título, apesar de a imagem que a representa ser a mesma que já era conhecida como Nossa Senhora de Luxemburgo.

Kevelaer, que em 1642 era um matagal deserto, é hoje uma cidade importante, por causa da basílica de Nossa Senhora de Kevelaer e do contínuo movimento das peregrinações.

Fonte: Site do Santuário Nacional de Aparecida

21 de fevereiro de 2020 at 9:16 Deixe um comentário

Nossa Senhora da Serra

N S serra

A Espanha é um país de arraigada tradição mariana. Centenas de templos erigidos em honra da Virgem se espalham por pequenas e grandes cidades. Muitas devoções marianas espanholas ultrapassaram os limites da Península Ibérica, levadas pelos colonizadores, como é o caso de Nossa Senhora do Pilar, considerado o mais antigo título de Nossa Senhora. Outras devoções, mais regionais, não aportaram com tanta força no Novo Mundo. Mesmo restritas a certas regiões e províncias, seria lastimável desconhecê-las.

Assim, enriquece nosso amor à Nossa Senhora saber que, na cidade com o pitoresco nome de Cabra, Maria Santíssima é venerada como Nossa Senhora da Serra.

A cidade de Cabra, na Espanha, localiza-se a 78 Km de Córdoba, a capital da província e a 430 km de Madri. Cabra possui atualmente possui mais de 20.000 habitantes. É o centro geográfico da Andaluzia.

Segundo a tradição, existia em Cabra um antigo templo grego dedicado à deusa Fortuna, sobre o qual se construiu a igreja de São João Batista. Aí venerava-se uma imagem de Nossa Senhora que, conforme a lenda, foi esculpida por São Lucas. No I século da Era Cristã, a cidade se convertera ao cristianismo, sendo seu primeiro bispo Hissio, discípulo de São Tiago, que doara a imagem à cidade.

Arsesindo, décimo bispo, escondeu a imagem em uma gruta da serra para impedir que fosse profanada. Depois do domínio muçulmano, a cidade foi reconquistada pelas tropas cristãs em 1244. Pouco depois, como costumava acontecer em todas as aparições àquela época, um pastor encontra a imagem numa gruta situada no monte, hoje conhecido como “El Picacho”. Aí será cultuada Nossa Senhora da Serra.

O pastor leva a imagem para o povoado e sucessivamente ela reaparece no monte. Os fiéis resolvem construir uma ermida num ponto da esplanada da montanha chamado “Viñuela”, perto a uma fonte. O material para a construção, várias vezes, é encontrado sobre o monte, próximo à citada gruta, local onde, finalmente, se decide construir a capela. Os habitantes daquela região costumam dizer: “É mais fácil mover o monte que a Virgem”.

É provável que a construção da primitiva ermida tenha ocorrido na segunda metade do século XIV.

Durante os séculos XVI, XVII e XVIII, o santuário e a devoção à Virgem da Serra passam por diversas vicissitudes. No século XVII, mais precisamente em 1621, a cura do paralítico Pedro Martín Pacho aumenta a devoção popular à Nossa Senhora da Serra. No século XVIII, a imagem só será conduzida à cidade por ocasião de alguma calamidade.

Em 1908, por decreto do papa Pio X, a Virgem da Serra foi nomeada e proclamada “Patrona de Cabra”. O santuário encontra-se a 1.223 m de altitude.

Nossa Senhora da Serra, rogai por nós!

Fonte: Site do Santuário Nacional de Aparecida

13 de fevereiro de 2020 at 5:43 Deixe um comentário

Nossa Senhora de Lavang

N S lavangEm 1792, com o falecimento do rei Tay, ocupou o trono seu filho Canh Thinh. O rebelde Nguyen Anh insurgiu-se contra o novo rei visando tomar-lhe a coroa. Fugindo à perseguição do monarca refugiou-se na Ilha Phu Quoc, onde Monsenhor Pierre Pigneau de Behaine da Sociedade de Missões Estrangeiras dirigia um seminário para jovens católicos dos países vizinhos. O bispo convenceu-o a procurar a ajuda do rei Luís XVI da França.

O rei Canh Thinh ficou sabendo que Nguyen Anh havia recebido apoio do missionário francês e, preocupado com a possibilidade da adesão dos católicos vietnamitas ao rebelde, começou a restringir a prática do Catolicismo no país. Em 17 de agosto de 1798, Canh Thinh emitiu um decreto anti-católico pedindo que fossem destruídos todos os seminários e igrejas católicas do Vietnã. A campanha contra os católicos perdurou longo tempo, com o martírio de centenas de padres, religiosos e leigos.

Nossa Senhora de Lavang apareceu para consolar seus filhos vietnamitas em meio a tanto sofrimento. O título “Lavang” está ligado ao nome de uma espessa floresta localizada na região central de Vietnã, onde hoje se localiza a cidade de Quang Tri. Nesta floresta onde havia muitas árvores conhecidas como “Vang”.

A primeira aparição da Senhora de Lavang ocorreu em 1798, no início das perseguições aos católicos. Muitos católicos que moravam nas proximidades de Quang Tri procuraram refúgio na floresta de Lavang. Ai passaram fome e frio. Muitas adoeceram e foram atacadas pelas feras. À noite se reuniam para rezar o rosário. Inesperadamente, apareceu-lhes Nossa Senhora muito bela com uma capa comprida trazendo nos braços um Menino e acompanhada de dois anjos. Logo reconheceram a Mãe do Céu. Ela confortou-os e disse-lhes para ferver as folhas das árvores próximas e desta forma prepararem um remédio. Também disse-lhes que a partir daquele dia todos que fossem rezar naquele lugar teriam suas preces ouvidas. No local construíram uma humilde capela.

Nossa Senhora continuou a aparecer neste mesmo lugar durante os quase cem anos de perseguição.

Apesar de situada num local de difícil acesso no topo de altas montanhas, grupos e mais grupos de pessoas se embrenhavam na floresta para visitar o local onde a Virgem aparecera. Nem a perseguição religiosa impediu a organização de peregrinações.

Em 1886, com o término oficial da perseguição, o bispo Gaspar iniciou a construção de uma igreja maior. Devido à precária localização e falta de dinheiro a igreja levou 15 anos para ser construída. Dom Gaspar sagrou o novo templo em agosto de 1901 numa cerimônia da qual participaram mais de doze mil pessoas. Em 1928 foi construída outra igreja maior para acolher o número sempre crescente de peregrinos. Esta igreja foi destruída no verão de 1972 durante a guerra do Vietnã.

Em Abril de 1961, a Conferência dos Bispos Vietnamitas nomeou a igreja de Nossa Senhora de Lavang como Santuário Mariano Nacional. Em Agosto de 1962, o papa João XXIII elevou a igreja de Lavang à categoria de Basílica. No dia 19 de junho de 1988 o Papa João Paulo II aí canonizou os 117 mártires vietnamitas e reconheceu a importância e significado de Lavang para os católicos do Vietnã.

Em agosto de 1998 foi brilhantemente comemorado o bicentenário das aparições de Lavang.

Nossa Senhora de Lavang, Rogai por nós que recorremos a vós!

Fonte: Site do Santuário Nacional de Aparecida

10 de fevereiro de 2020 at 5:39 Deixe um comentário

Nossa Senhora das Angústias na Espanha

Nos primeiros tempos, após a reconquista de Granada (Espanha) pelos reis católicos, vários devotos cristãos membros de uma irmandade, mandaram construir, nas imediações da cidade uma ermida que, não se sabe por que do motivo, puseram sob a proteção das angústias de Nossa Senhora. Mas é de crer que a ideia partisse de algum confrade devoto das dores da Santíssima Virgem.

O caso é que, como este nome ficou conhecido tão rapidamente, os que haviam mandado edificar a ermida resolveram colocar nela uma imagem de Nossa Senhora que justificasse, com sua figura e aspecto, o nome.

Com esse intento, começaram a tomar as necessárias providências para encontrar um artífice que fizesse a imagem conforme a idealizavam os confrades e eis que, certa tarde, entram na ermida dois belos rapazes, conduzindo uma senhora coberta com um manto preto. Chegados os três ao pé do altar, ali permaneceram em oração durante muito tempo. Ao escurecer ,retiraram-se os dois moços, ficando a senhora a orar, segundo Ihes parecia. Os confrades, apesar de estar quase na hora de fechar a ermida, não quiseram perturbar a devoção da enlutada senhora e decidiram esperar que acabasse suas orações.

Mas o tempo passava, já era noite cerrada e a necessidade de fechar a ermida impôs-se aos confrades, acima de toda a consideração. Um deles, portanto, aproximou-se discretamente da senhora, anunciando-lhe que iam fechar a ermida, mas não obteve resposta, continuando a senhora na mesma imobilidade. O confrade foi então dar conta aos companheiros da singularidade do caso e, passado mais algum tempo, decidiram ir todos manifestar à misteriosa senhora a necessidade de sair da capela.

Assim o fizeram. Porém, não tendo sido atendidas as suas corteses observações, um dos confrades se adiantou para chamar-lhe a atenção e, ao olhar para seu rosto, ficou estupefato, e sem poder proferir uma palavra: a misteriosa senhora tinha no rosto a mesma imobilidade que se notava em seu corpo. Em uma palavra: o que os confrades tinham tomado por um ser humano, era uma perfeitíssima escultura.

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Seu assombro não teve limites diante de tão extraordinária descoberta. Tinham em sua presença, a mais exata representação das angústias da Santíssima Virgem, ao ver e sentir os martírios da paixão e morte de seu Divino Filho.

Era a imagem que tinham em sua mente, concebida para ser colocada no altar de sua ermida. O prodígio os deixou extáticos. Prodígio, sim, porque se via claramente, em tudo aquilo, a intervenção milagrosa da providência de Deus.

Uns vulgares escultores estavam em trato com a irmandade, que esperava sua resposta estipulando as condições de seu trabalho e, uma vez realizado o contrato, apressar-se-iam a executar a encomenda. Em vez disso, porém, dois moços desconhecidos trazem a imagem, colocam-na de modo que possa confundir-se com uma piedosa senhora em oração, enquanto desaparecem despercebidamente, evitando chamar a atenção dos devotos que estão na ermida.

Não é isso mais que suficiente para os confrades entenderem que a santa imagem que tinham diante dos olhos era um presente do céu? Prostrados ante à sagrada imagem, permaneceram longo tempo a orar. Uma vez satisfeito esse primeiro impulso de sua devoção, partiram para a cidade, para dar a notícia da prodigiosa aparição. Desde aquela hora, não cessaram os fiéis de acorrer então, para ver e admirar a formosa imagem da Virgem angustiada, com o corpo perfeitíssimo de seu Filho no regaço. Foi tal a concorrência, que não foi possível entrarem todos de uma vez naquele reduzido espaço, tendo sido preciso dividir os fiéis em turnos, para que pudessem todos contemplar as sagradas imagens.

Estabeleceu-se rapidamente, em Granada e em novos povos dos arredores, o culto de Nossa Senhora das Angústias na ermida construída para esse fim. E logo os milagres que nela se operaram, deram testemunho da procedência divina da sagrada imagem. Por esse motivo, tornou-se logo insuficiente a modesta capela; a primitiva irmandade, composta então de um número reduzido de humildes devotos, aumentou logo em número e qualidade de confrades, a ponto de tornar-se uma das mais importantes de Granada.

Com os novos elementos, era fácil dotar a santa imagem com um templo suntuoso, e era este o objetivo da irmandade. No entanto, uma piedosa concorrência se estabeleceu entre os confrades e várias ordens religiosas, que desejavam tomar a seu cargo o culto da milagrosa imagem. Interveio então o arcebispo de Granada, o qual, inspirado por luzes do céu, determinou erigir a capela em igreja paroquial, comprando para isso o terreno necessário. Seu desejo foi realizado em 16O9, ano em que começou a funcionar a nova paróquia.

O número dos paroquianos foi, em princípio, reduzido; mas o desejo de se porem, tanto quanto possível, sob a proteção da santa imagem, fez com que em pouco tempo se povoassem os arredores. Em breve, a paróquia de Nossa Senhora das Angústias ficou sendo uma das mais numerosas de Granada, e sua demarcação uma das mais formosas, pela largura de suas ruas e beleza de seus edifícios.

Construída a igreja paroquial, foi a santa imagem conduzida em solene procissão, de sua capela para a nova igreja e colocada no altar-mor. Desde então, o Santuário de Nossa Senhora das Angústias é o predileto dos piedosos granadinos, a tal ponto que teve de ser estabelecido o costume de fechá-lo, à noite, muito mais tarde que os demais, para dar-se maior desafogo a devoção dos fiéis.

A Igreja, associando-se às manifestações do fiéis em honra de Nossa Senhora das Angústias, enriqueceu com muitas indulgências a visita à sua igreja, e ultimamente outorgou à santa imagem as honras da coroação, a qual foi realizada em 20 de setembro de 1913.

Nossa Senhora das Angústias continua a ser objeto de veneração dos fiéis, atendendo a suas súplicas e velando pelo bem espiritual e material dos granadinos, que sentem por sua excelsa patrona a mesma ardente devoção que os demais habitantes da Espanha têm à Santíssima Virgem sob outros títulos.

Nossa Senhora das Angústias, rogai por nós!

Site do Santuário de Aparecida

29 de janeiro de 2020 at 5:44 Deixe um comentário

Nossa Senhora da Guarda

http://www.myguidemarseille.fr

Nossa Senhora sempre foi invocada pelos cristãos para garantir-lhes proteção diante dos perigos. Esperam dela a segurança, vivendo sob a sua “guarda”. Não tardou em aparecer este título: Nossa Senhora da Guarda.

A Virgem é invocada assim especialmente em Marselha, França. Aí existe um grande santuário de frente para o porto da cidade, construído em 1214. No alto de sua grande torre está a imagem que guarda a cidade e o porto, pode ser vista de muito longe. Muitos navegantes deixam aí miniaturas de barcos, com pedidos de proteção em suas viagens. Até o século 18, todos os navios que regressavam a Marselha ou chegavam ao porto, costumavam saudar Nossa Senhora com um tiro de canhão, enquanto os marinheiros se ajoelhavam no convés e oravam.

Oração

Guardai-nos, Senhora nossa, contra todos os perigos. Colocai sob vossa proteção os nossos sentimentos, os nossos anseios, os nossos desejos, a nossa fé e todos as nossas ações. Sob a vossa guarda nos sentiremos fortes e revigorados. Amém.

Fonte: Zanon, Darlei Fr- Nossa Senhora de Todos os Nomes

13 de novembro de 2019 at 5:46 Deixe um comentário

Nossa Senhora do Monte Claro (Jasna Gora – Czestochowa)

O quadro milagroso da Madona Polonesa, pintado em madeira, é considerado uma das mais antigas imagens da Mãe de Deus. Segundo a lenda, ele foi pintado em Jerusalém por São Lucas, quando Maria ainda viva, no tampo de uma mesa feita por São José. Contam os historiadores que a sagrada efígie foi encontrada por Santa Helena, que a deu de presente a seu filho, o imperador Constantino e que esta relíquia permaneceu no palácio imperial de Constantinopla até o ano de 431.

Alguns especialistas acreditam que a imagem polonesa seja apenas uma cópia feita no século V do famoso quadro de São Lucas, <<Hodegetria>>, que existia na capital do Império Bizantino e foi destruído pelos turcos.

O certo, contudo, é que a sagrada imagem, após passar por vários donos, foi parar nas mãos do príncipe Ladislau Opocayk, o qual, estregando-se à proteção da Virgem Maria, venceu os tártaros e os lituanos. Após estas grandes vitórias, Ladislau desejou levar a santa milagrosa para suas propriedades, porém os cavalos em cuja carroça estava a imagem, pararam perto da aldeia de Czentochowa e não houve força humana que os fizesse caminhar. No entanto, assim que retiraram o quadro da viatura, os animais, no mesmo instante, puseram-se em movimento. Vendo nisso a vontade da Mãe de Deus, o príncipe polonês resolveu que a imagem permaneceria naquele local, junto ao Jasna Góra (Monte Claro) e mandou construir um mosteiro e uma igreja, que se tornou a morada da sagrada pintura em 1382 e continuou sendo através dos séculos o trono da Virgem Maria.

O quadro primitivo foi quebrado em 1430 por alguns nobres, sectários da heresia de João Huss e o templo espoliado, mas os religiosos do convento recolheram os pedaços da lendária efígie e o rei Jagiello mandou vir pintores estrangeiros para restaurá-la.

Apesar desta destruição, nunca cessou o número de peregrinos ao santuário de Czentochowa e a população, em todas as suas dificuldades, recorria à Virgem de Monte Claro, recebendo dela as maiores provas de amor e proteção.

A cristianização da Polônia iniciou-se no ano de 966, quando o príncipe Miesko I, sob a Influência de sua esposa tcheca Dobrowna, converteu-se ao cristianismo e recebeu o batismo com toda sua corte. Desde então, a Plônia tornou-se o baluarte da Santa Sé na Europa Oriental, permanecendo aí lado do Papa todas as vezes que a Igreja precisou de seu auxílio. Foi também o rei polonês João Sobieski quem, em 1683, infligindo em Viena uma notável derrota ao exército otomano, conseguiu pôr termo à expansão turca muçulmana no coração da Europa.

Em todos os festejos dos centenários da cristianização do país os fiéis fizeram peregrinações ao santuário de Jasna Góra, mesmo quando a Polônia se achava dividida e suas províncias anexadas às nações vizinhas. Em 1966, quando se comemorou o milenário deste acontecimento, o cardeal Wyszynski organizou uma série de programações religiosas, que culminaram com grandes festividades na cidade de Czentochowa e milhares de poloneses, apesar do boicote do governo comunista, compareceram às solenidades celebradas na enorme praça fronteira à basílica de Jasna Góra, em comovente homenagem à Santa Protetora. Atualmente a Igreja Católica polonesa conta com o apoio de grande parte da população, principalmente depois que um de seus ilustres filhos, o cardeal Karol Wojtyla foi eleito Papa com o nome de João Paulo II.

A imagem da Padroeira foi trazida ao Brasil por membros da colônia polonesa radicada em Curitiba e colocada na Igreja de Santo Estanislau, onde se mantém viva a devoção à Senhora de Monte Claro, coroada Rainha da Polônia em 1925, pelo Papa Pio XI. Em 1966, comemorando o milenário da Polônia, a efígie de Nossa Senhora de Czentochowa foi levada em concorrida procissão, no Rio de Janeiro, da rua 7 de Setembro até a Catedral Metropolitana, onde foi celebrada, a 25 de maio, solene missa, pelo cardeal Dom Jaime de Barros Câmara.

Durante a estadia do Papa João Paulo II no Brasil, em 1980, S. S. rezou a cerimônia religiosa em Curitiba diante do quadro que é venerado na igreja de santo Estanislau. Grande número de participantes se apresentaram em trajes típicos regionais, demonstrando assim o entranhado amor do povo polonês, que mesmo do outro lado do oceano venera com carinho a sua Padroeira, uma das diversas Virgens Negras que povoam o folclore das devoções marianas na Europa Oriental.

N S Monte Claro e João PauloNo seu brasão papal, colocou uma grande cruz, a letra M e as palavras: TOTUS TUUS, que significa: Todo Teu – Todo de Maria.
Cumpre ressaltar ainda a data de 1982, quando se comemorou os 600 anos do reinado maternal da Virgem de Czestochowa, e o papa João Paulo II alimentava o grande desejo de ir agradecer pessoalmente a Maria a proteção Materna à sua Pátria, mas o governo comunista não o permitiu, transferindo a peregrinação para 1983. E graças a bondosa proteção da Virgem, a polônia ficou livre do jugo comunista.

Inúmeros são os milagres de curas e conversões de pecadores, ao entrarem no Santuário da Virgem de Czestochowa. Maria espera a todos e ajuda aqueles que reconhecem Ela como Mãe de Deus e seguem os passos do Seu Filho Jesus Cristo.

Iconografia:

A imagem de Nossa Senhora de Monte Claro é uma pintura sobre Madeira, em estilo bizantino, lembrando um pouco a Virgem do Perpétuo Socorro.

Maria se apresenta a meio corpo, vestida de uma túnica bordada a ouro e com a cabeça coberta por um véu decorado com os mesmos desenhos da túnica. Sua mão direita está sobre o peito e traz, sentado em seu braço esquerdo, o Menino Jesus, vestido de uma camisola, que lhe cobre as pernas. O menino Deus segura com o braço esquerdo um livro e com a mão direita acaricia sua Mãe.

O quadro original está marchetado de pedras raras e joias finíssimas doadas pelos devotos. As cabeças de Maria e de Jesus estão circundadas por auréolas e sobre a de Maria aparece a coroa de pérolas que lhe foi oferecida pelo povo polonês na época de sua coroação como Rainha da Polônia.

Oração: 

“Ó Maria, querida Nossa Senhora de Częstochowa, olhai graciosamente para seus filhos neste mundo conturbado e pecador. Abrace todos nós com seu amor e proteção maternal. Proteja nossos jovens dos caminhos ímpios; ajude aos nossos queridos idosos, os enfermos, e aqueles que se preparam para sua páscoa eterna. Seja o escudo das crianças indefesas e a nossa força contra todo o pecado. Poupe seus filhos de todo o ódio, da discriminação e da Guerra. Encha nossos corações, nossos lares e nosso mundo com a paz e o amor que vem de Seu filho, a quem tão ternamente segura nos braços. Ó Rainha e Mãe, padroeira da Polônia e de São João Paulo II, seja nosso conforto e força! Em nome de Jesus, nós rezamos. Amém.”

Fonte: Site da Academia Marial

25 de julho de 2019 at 8:25 Deixe um comentário

História de Nossa Senhora das Divinas Vocações

Nossa Senhora das Divinas Vocações é o título com o qual Maria, a Mãe de Jesus, é venerada pela família da Sociedade das Divinas Vocações, que, atualmente, compreende duas Congregações Religiosas (Religiosos Vocacionistas e Irmãs Vocacionistas) e um Instituto Secular (Apóstolos da Santificação Universal).

As Congregações Vocacionistas têm o carisma de suscitar e cultivar vocações para a Igreja, de modo particular para a Vida Consagrada e para os ministérios ordenados. As Apóstolas da Santificação Universal possuem o carisma da promoção da vocação universal à santidade de todos.

Este título de Nossa Senhora das Divinas Vocações foi conferido por D. Giuseppe Petrone, bispo de Pozzuoli, diocese na qual se encontra Pianura, cidade da periferia de Nápoles (Itália), onde nasceram as Congregações Vocacionistas. O Pe. Justino Russolillo, fundador dos referidos institutos, deixou escrito em seu diário como se deu esse episódio. O fundador tinha recebido da família Marrucco, amiga e benfeitora do Pe. Justino e de suas Obras Vocacionais, uma estátua de Nossa Senhora. Essa estátua de Maria tinha aos seus pés as figuras de dois jovens vocacionados.

No dia 14 de julho de 1931, o bispo D. Giuseppe Petrone, que tinha dado a aprovação diocesana ao título de Nossa Senhora das Divinas Vocações, às Congregações Vocacionistas, quando veio em visita ao vocacionário (casa que recebe os jovens para o discernimento vocacional mais específico).  Ele apenas viu a estátua doada pela família Marrucco e a denominou, invocando-a em alta voz: “Nossa Senhora das Divinas Vocações, rogai por nós”. Conforme o costume da época aplicou 50 dias de indulgência, com autorização de publicá-la com a data de 16 de julho de 1931, festa de Nossa Senhora do Carmo.

O período anterior a este acontecimento tinha sido muito conturbado para as duas Congregações. O Pe. Justino Russolillo viu-se, de repente, atingido por tantas dificuldades e desafios, como costuma acontecer na aurora de todo instituto e de toda obra realmente divina. O fundador, vendo esgotados todos os recursos humanos, recorreu à Maria, pedindo que ela intercedesse junto ao Filho em favor das Obras por ele iniciadas.

Aos 11 de maio de 1926, enquanto no quintal de sua casa paterna pedia luzes do alto, teve uma certeza interior, que assim anotou em sua agenda: Foi-me infundida a certeza de que a Santíssima Trindade destinou Nossa Senhora para exercer o cargo de Superiora da Sociedade das Divinas Vocações. Ela é a autoridade das nossas Congregações”.

Visão!? Iluminação interior!? Perguntado, depois, sobre o fato, Pe. Justino respondeu: “Mas qual visão? Foi somente uma certeza íntima, uma locução interior… Estava debaixo da ameixeira de nossa casa, implorando luzes do alto…”

Obtida a certeza de que a Santíssima Trindade confiava a Obra nascente à Nossa Senhora, Pe. Justino, com uma carta circular, ordenou que em toda casa vocacionista existisse sempre um quarto para Maria, a Superiora das Congregações Vocacionistas. Desde então, os religiosos e religiosas vocacionistas passaram a acrescentar o nome de Maria ao próprioe todas as casas reservam um quarto para Nossa Senhora, a Superiora dada pela Santíssima Trindade. Para fazer memória deste acontecimento a Família da Sociedade das Divinas Vocações celebra a Festa de Nossa Senhora das Divinas Vocações no dia 11 de maio.

Fonte: Site da Academia Marial

6 de julho de 2019 at 5:45 Deixe um comentário

Nossa Senhora dos Campos

A história do título mariano ‘Nossa Senhora dos Campos’ ou ‘Nossa Senhora da Oração’, está ligada a uma série de aparições da Virgem Maria ocorridas no povoado de Stezzano, perto de Bérgamo, na Itália.

A primeira aparição ocorreu no século XIII. Enquanto rezava num pequeno oratório dedicado à Virgem Maria, perto de Stezzano, uma piedosa senhora viu a Virgem Maria com o menino Jesus no colo. A notícia se espalhou rapidamente e o povo começou a frequentar o local para rezar e pedir graças. Logo foi construída a primeira igreja dedicada à ‘Nossa Senhora dos Campos’.

Em 1586, aos pés da imagem pintada na parede da igreja, que representava Nossa Senhora com o filho no colo, jorrou uma vertente de água cristalina. Muitos doentes que beberam da água ficaram curados.

No dia 12 de julho do mesmo ano de 1586, Nossa Senhora apareceu a duas meninas camponesas, Bartolomea Bucanelli e Dorotéia Battistoni, de 10 e 11 anos, respectivamente. Enquanto apascentavam o rebanho, aproximaram-se da igreja e, olhando para dentro, viram uma venerada senhora, vestida com uma túnica escura e com um véu branco na cabeça. Trazia na mão esquerda um livro, e tinha a mão direita e os olhos voltados para o céu, em atitude de intensa oração. A notícia da aparição se espalhou rapidamente, atraindo o povo do lugar.

Diante desses fatos, o Bispo de Bérgamo, Dom Jerônimo Ragazzoni, viu-se obrigado a reconhecer oficialmente as aparições e as curas realizadas no local. Nos anos seguintes, a igreja foi sucessivamente reformada e ampliada, e a devoção a Nossa Senhora dos Campos foi crescendo cada vez mais.

Fonte: Site da Academia Marial

7 de junho de 2019 at 5:48 Deixe um comentário

Padroeira do Equador entronizada nos Jardins Vaticanos

Nuestra Señora de la Presentación del Quinche, Padroeira do Equador

Nuestra Señora de la Presentación del Quinche, Padroeira do Equador

A imagem de Nuestra Señora de la Presentación del Quinche vem se somar a outras expressões marianas já presentes nos Jardins Vaticanos, como Nossa Senhora de Guadalupe, Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora de Luján (Padroeira da Argentina) e Nossa Senhora de Antígua (Padroeira do Panamá).

Cidade do Vaticano

Desde quarta-feira, 15 de maio, a imagem de Nossa Senhora da Apresentação de Quinche (Nuestra Señora de la Presentación del Quinche), padroeira do Equador, está presente nos Jardins Vaticanos.

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A cerimônia de entronização foi presidida pelo cardeal Giuseppe Bertello, presidente do Governorato do Estado da Cidade do Vaticano, na presença do embaixador do país sul-americano junto à Santa Sé, José Luis Álvarez Palacio.

O cardeal enfatizou que a presença da imagem é um sinal da devoção que os povos latino-americanos sentem por Nossa Senhora. Esta nova expressão mariana, acrescentou, enriquece e embeleza esse recanto latino-americano.

A imagem é obra da artista equatoriana Doménica Barahona, que utilizou a técnica de mosaico incrustado, que reúne pequenos pedaços quadrados de material, como mármore, pedra, cerâmica vidrada e vidro pintado.

O fundo do mosaico Virgen del Quinche é pontilhado com diferentes plantas e flores de todas as regiões do Equador. Além disso, nove esculturas de bronze na forma de beija-flores estão representadas. As vestes de Nossa Senhora são decoradas com símbolos pré-colombianos que lembram o passado de Equador.

Nos Jardins Vaticanos, em diferentes recantos, também estão esculturas ou mosaicos representando Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora de Luján, Nossa Senhora de Antígua, uma grande estátua recém restaurada do índio Juan Diego mostrando ao bispo o manto com Nossa Senhora de Guadalupe, entre outras.

20 de maio de 2019 at 5:35 Deixe um comentário

Santa Maria do Monte Carmelo

16 de julho é o dia dedicado à Nossa Senhora do Carmo. Mas, por que esse título e essa data? De acordo com o carmelita Valentino Macca²  o título faz referência ao monte da Galileia que está ligado à origem da Ordem do Carmo ou Carmelita. A referência é, pois, uma indicação geográfica. Além disso, a tradição aponta uma ligação espiritual entre a cadeia montanhosa do Carmelo com o profeta Elias e isto está assinalado no nome com que os árabes a designam: Gebel Mar Elyas. Foi neste lugar, próximo onde havia uma igrejinha dedicada a Nossa Senhora, que alguns peregrinos ocidentais iniciam, na segunda metade do século XII, uma experiência eremítica, muitos eram, provavelmente, cruzados e andarilhos. Logo passam a ser chamados de “irmãos do Carmelo” e recebem do patriarca de Jerusalém, Alberto Avogadro, a vitæ formula (a Regra de vida).

Quando os muçulmanos dominam a região, por volta do século XIII, esse grupo de “irmãos” eremitas volta para o Ocidente e passa à denominação de Ordem de Santa Maria do Monte Carmelo. Este título, assinala Macca, aparece pela primeira vez em um documento pontifício de Inocêncio IV, datado de 13 de janeiro de 1252. A Ordem é mariana e os irmãos se colocavam, totalmente, a serviço de Nossa Senhora, a Padroeira da Ordem, aquela que assumia o primeiro lugar no Carmelo, dentre os irmãos e a quem deveriam imitar.

[…] a Virgem venerada, contemplada pelos seus “irmãos” e por todos os que depois participarão da vida deles (religiosas, “confrades”, terciários), ocupa o centro da experiência espiritual do grupo estabelecido e constituído na Terra Santa com o fim da perfeição evangélica em solidão contemplativa centralizada, como a vida de Maria de Nazaré, na oração contínua e na escuta da palavra, em clima de simplicidade, pobreza e trabalho . (MACCA, Valentino)³

Muitas lendas surgiram sobre a Virgem do Carmo, mas os “irmãos” acentuam a figura da Mãe de Jesus, Maria de Nazaré, como é vista nos Evangelhos e aí se apresentam os aspectos da maternidade divina, da virgindade, da imaculada conceição e da anunciação. Eles a tem como inspiradora, guia, senhora da sua vida, na guarda da palavra e na orientação para o serviço de Cristo . Também o profeta Elias é considerado o inspirador da formação da ordem do Carmo.

Com o objetivo de lembrar e agradecer os benefícios que o Carmelo recebia de Maria e exaltar a Padroeira, os carmelitas celebravam, semanalmente, “a comemoração litúrgica de Maria” o que, mais tarde, por volta da segunda metade do século XIV, passa a ser comemorado na Inglaterra como memória solene da Bem-aventurada Virgem Maria.

A princípio, a festa acontecia em 17 de julho, que de acordo com Macca poderia estar relacionada com o fim do II Concílio de Lyon (1274). Isto porque Bonifácio VII, em 1298 (24 anos depois) entendeu que tal concílio havia aprovado a Ordem. O que foi um engano de interpretação. Depois a data festiva foi antecipada para dia 16 de julho, em fins do século XV, data da “visão” de São Simão Stock. Mais tarde, Bento XIII estendeu a festa a toda a Igreja, conservada como “memória facultativa”, conforme calendário litúrgico renovado, requerido pelo Vaticano II 5.

São Simão Stock e o dom do Escapulário

A visão de São Simão Stock, acontecida em 16 de julho de 1251, está relatada no Catálogo dos santos carmelitas. Os manuscritos mais antigos são posteriores a 1411.

Na forma considerada como a mais antiga, o Catálogo diz simplesmente que certo
“Simão, de nacionalidade inglesa, nas suas orações pedia sempre a Virgem um privilégio para a sua ordem.
E a Virgem gloriosa apareceu a ele, trazendo nas mãos o escapulário e dizendo-lhe: ‘
Este será o privilégio para ti e para os teus. Quem morrer vestido com ele se salvará’” .6

Mais tarde uma redação mais longa atribuirá o sobrenome “Stock” a Simão. Não se tem certeza de que seja a mesma pessoa, contudo, a “festa do hábito” já estará difundida, no século XVI. O escapulário é sinal de devoção à Virgem e de sua proteção na hora da morte. Muitos fiéis se uniam à ordem como confrades, também na Itália e Espanha.

Outro fato que acabou atraindo mais pessoas para a ordem foi a “Bula Sabatina” de João XXII, no ano de 1322. Ele teria tido uma visão da Virgem que prometera a libertação do purgatório no primeiro sábado depois da morte, aos carmelitas e confrades da ordem que tivessem feito a observância da castidade, orações e o uso do hábito do Carmelo 7. Além disso, a difusão das duas visões e as respectivas promessas da Virgem aumentaram a devoção a Nossa Senhora do Carmo.

Quem usa o escapulário, “deve sentir-se comprometido com uma especial dedicação à Virgem, com seu culto, com a sua imitação” que estão presentes na vocação carmelita, e associa-se, de certa maneira aos irmãos do Carmelo. Assim, Pio XII, em 1950, afirma que aquele que usa o escapulário deve fazer com que ele se torne “memorial de Nossa Senhora, espelho de humildade e de castidade, breviário de modéstia e de simplicidade, eloquente expressão simbólica da oração de invocação do auxílio divino”.

É preciso assinalar que a comemoração da memória de Santa Maria do monte Carmelo deve levar cada devoto a trilhar, com ela, o caminho do monte sagrado que é o próprio Cristo. Lembrando que Maria de Nazaré, mulher pobre e humilde, de uma cidadezinha pouco conhecida, percorreu o caminho de Jesus, tornando-se sua primeira e mais perfeita discípula. É esta Santa Maria que os Carmelitas nos ensinam a imitar.

A Mãe do Filho de Deus é Mãe de todos os homens e mulheres, na ordem da graça e, com seu auxílio cada cristão pode, como ela mesma fez, receber, acolher e guardar a palavra e consentir que Jesus possa nascer em cada coração, em cada irmão e na comunidade eclesial.

Nossa Senhora do Carmo: Rogai por nós, seus filhos e filhas, amém!

Fonte: Site da Academia Marial

11 de maio de 2019 at 5:33 Deixe um comentário

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