Posts tagged ‘Devoção a Nossa Senhora’

Nossa Senhora Consolata: Mãe dos Aflitos

Origem da devoção

Segundo uma antiga tradição, o quadro de Nossa Senhora Consolata foi trazido da Palestina na metade do século V por Santo Eusébio, que o doou a São Máximo, Bispo de Turim. Este, no ano 440, o expôs à veneração num altarzinho da igreja do Apóstolo Santo André na cidade de Turim.

Maria começou a distribuir muitas graças e o povo começou a invocá-la com os títulos de “Mãe das Consolações”, “Consoladora dos Aflitos”, e “Consolata” (forma popular de “Consoladora”).

Desaparecido por um século

O quadro de Nossa Senhora permaneceu exposto à veneração dos fiéis durante quatro séculos. Porém, por volta do ano 820 penetrou na cidade de Turim a heresia dos iconoclastas (pessoas que destruíam toda e qualquer imagem exposta ao culto). Temendo que o quadro da Consolata fosse destruído, os religiosos resolveram escondê-lo nos subterrâneos da igreja. A perseguição se prolongou por longos anos e as pessoas que o haviam escondido morreram sem revelar o lugar do esconderijo. O quadro ficou desaparecido pelo espaço de um século. Isto fez com que os fiéis deixassem de frequentar o oratório e perdessem a lembrança da Virgem.

Entre ruínas

No ano 1014, Nossa Senhora apareceu a Arduíno, Marquês de Ivréia, gravemente enfermo, e pediu-lhe que construísse três capelas em sua honra, sendo uma em Turim, junto às ruínas da antiga igreja de Santo André. Curado, o Marquês logo mandou construir as três capelas.

Ao fazerem as escavações para os alicerces da capela de Turim, os operários encontraram no meio dos escombros o quadro da Consolata, ainda intacto, apesar de ser uma pintura em tela.

fato encheu de alegria a população da cidade e a devoção renasceu mais forte que antes. Porém, numerosas guerras, epidemias e invasões fizeram com que muitos habitantes abandonassem a cidade. A igreja de Santo André e a capela de Nossa Senhora foram desmoronando e tudo acabou novamente num monte de escombros. E o quadro da Consolata, mais uma vez, ficou mergulhado nas ruínas pelo espaço de 80 anos.

A festa de 20 de junho

Em 1104, um cego de Briançon (pequena cidade da França), chamado João Ravache, teve uma visão de Nossa Senhora: a Virgem prometeu devolver-lhe a luz dos olhos se fosse a Turim visitar sua capela que jazia em ruínas. Lutando contra muitas dificuldades o cego partiu e, ao chegar, o Bispo Mainardo o acolheu. Ciente de que se tratava de um fato real, mandou fazer as escavações no local mencionado durante a visão. No dia 20 de junho de 1104, o quadro da Consolata foi reencontrado sob as ruínas, ainda intacto. João, conduzido à presença do quadro, recuperou instantaneamente a vista. O Bispo, comovido, ergueu repetidas vezes esta invocação a Nossa Senhora: “Rogai por nós, Virgem Consoladora!” E o povo respondeu: “Intercedei pelo vosso povo!” Assim, o dia 20 de junho tornou-se o dia da Consolata.

Missionários e missionárias da Consolata

Depois de 15 séculos, no local do primeiro oratório, surgiu o devoto Santuário da Consolata, que se tornou o coração mariano de todo o norte da Itália. Foi junto àquele santuário que o Bem-aventurado José Allamano fundou o Instituto dos Missionários e das Missionárias. Atualmente, a devoção à Consolata é conhecida em muitos países de vários continentes. No Brasil surgiu em 1937, com a chegada dos primeiros missionários.

ORAÇÃO A NOSSA SENHORA CONSOLATA

Oprimido pelas tribulações, e reconhecendo minhas
falhas e negligências, a vós recorro, Virgem Maria.
Vós sois no céu li Rainha dos Anjos e dos Santos,
mas aqui na terra quereis se a Mãe das Consolações.
Vós sois a Consolata e eu vosso filho.
Quero ser semelhante a vós, quero ser consolado.
Não peço honras, prazeres ou riquezas, só vos peço consolação.
Mãe dulcíssima, vós sabeis o modo;
conheceis o caminho para ouvir-me,
por isso confio plenamente em vós!
Dizei uma palavra a Jesus que, com tanto amor e carinho,
trazeis em vossos braços, e provarei a alegria do conforto.
Consolado por vós e pelo vosso filho,
saberei sofrer em paz as minhas penas;
ser-me-á mais suave a dor e mais serena a morte.
E quando chegar junto aos vosso trono,
cantarei, eternamente, as vossas misericórdias. Assim seja.

Fonte: Site do Santuário Nacional de Aparecida

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26 de setembro de 2018 at 5:37 Deixe um comentário

Nossa Senhora de Banneux

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“Sou a Virgem dos Pobres”, “Venho para adoçar o sofrimento de todos”, “Esta fonte, eu reservo à todas as nações, para o alivio dos males “. Também pediu: “Reze Muito” e manifestou o desejo de que se construísse uma pequena capela. Na última aparição confirmou sua identidade: “Sou a Mãe do Salvador, a Mãe de Deus!”.

Banneux Notre Dame é uma pequena vila belga, situada na província de Louveigné, distante cerca de vinte quilômetros a sudeste da sua capital Liège. Banneux quer dizer “banal ou comum”. O nome foi usado para indicar o lugar onde os habitantes eram tão pobres que tinham permissão de usar gratuitamente a madeira do bosque, para o consumo doméstico e utilizar os prados para alimentar seus animais. Só em 1914, foi adicionado Notre Dame, ou melhor, Nossa Senhora, ao nome da vila. Isto porque se salvou da destruição durante a Primeira Guerra Mundial. Segundo os habitantes, foi graças à especial proteção recebida da Virgem Maria neste período. Juliano Beco vivia na região conhecida como “la fange”, isto é “a lama”, um lugar úmido e pantanoso junto à pequena fonte de mesmo apelido. Juliano era um jovem metalúrgico, recém-casado com Luisa Wegimont. Homem honrado, trabalhador, dedicado ao lar mas que não dava importância à fé. Em 1933, Juliano estava desempregado, pai de sete filhos, mas não se preocupavam em lhes dar uma formação religiosa. A filha mais velha, Mariete, com doze anos e ainda não fizera a Primeira Eucaristia. Chegou a freqüentar as aulas de catecismo mas não se aplicou e foi reprovada. No dia 15 de janeiro deste ano, Nossa Senhora apareceu para Mariete, que aguardava o retorno de seu irmão, junto à janela da cozinha, observando a neve que cobria toda a paisagem. Por volta das sete horas da noite, ela viu uma formosa Senhora, resplandecente de luz, flutuando sobre uma pequena nuvem, no jardim. A Senhora fez um sinal com a mão, convidando a menina a se aproximar. Mas impedida por sua mãe de sair, logo Nossa Senhora desapareceu. Mariete passou a rezar muito, pedindo à Santíssima Virgem que voltasse a aparecer. Todas as noites às sete horas, ela sai para o jardim. Na terceira noite, Nossa Senhora lhe apareceu pela segunda vez. Até 02 de março retornou outras seis vezes, durante as quais revelou: “Sou a Virgem dos Pobres”, “Venho para adoçar o sofrimento de todos”, “Esta fonte, eu reservo à todas as nações, para o alivio dos males “. Também pediu: “Reze Muito” e manifestou o desejo de que se construísse uma pequena capela. Na última aparição confirmou sua identidade: “Sou a Mãe do Salvador, a Mãe de Deus!”. Os pais de Mariete, se converteram, assim como muitas outras famílias da vila. O vigário da vila Banneux Notre Dame, convocou a população para a reza diária do rosário. O fluxo das romarias aumentou muito pois todos queriam tocar a água da fonte “a lama” para obter cura dos males do corpo e da alma. Muitos milagres foram alcançados e documentados, enquanto as autoridades religiosas estudavam as aparições. Em 1942a Igreja, através do Bispo de Liège autorizou o culto à Nossa Senhora de Banneux, a Virgem dos Pobres. E, em 1949, o mesmo Bispo reconheceu como verdadeiras as oito aparições da Virgem Maria à Mariete Beco. No dia 08 de agosto deste mesmo ano começou a construção do seu Santuário, no local da aparição, Numerosas igrejas surgiram em diferentes partes do mundo dedicadas à invocação de Nossa Senhora dos Pobres. No Brasil, a primeira foi erguida no bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, em 1950. Em São Paulo, as Irmãs Vicentinas do bairro Butantã trouxeram a imagem desta devoção, em 1958, colocada para veneração na pequena capela que deu origem à atual paróquia da região.

Fonte: Site do Santuário Nacional de Aparecida

20 de setembro de 2018 at 5:39 Deixe um comentário

Nossa Senhora do Sion, rogai por nós!

Nossa Senhora do Sion

Afonso Ratisbonne pertencia a uma rica família israelita de grande projeção social e muito estimada na cidade francesa de Estrasburgo. Jovem e boêmio, não tinha crença nenhuma e só pensava em festas e prazeres.

Após longa viagem ao Oriente, movido pela curiosidade de conhecer a ‘Cidade Eterna’, resolveu passar alguns dias em Roma. Quando desceu o Capitólio, seu ódio contra os cristãos foi avivado ao presenciar a miséria e a degradação dos judeus do ‘ghetto’ romano.

Tendo já percorrido todos os pontos históricos e artísticos da bela capital italiana, resolveu certo dia visitar um amigo protestante, que há muito tempo não via. Ao entrar, porém, em sua residência, o empregado equivocou-se e levou-o à presença do irmão desse amigo, o barão de Bussières, fervoroso católico, há pouco convertido do protestantismo.

Após alguns minutos de conversa amigável, travou se entre ambos forte discussão sobre religião e subitamente o barão teve uma ideia: lançou lhe ao pescoço uma medalha milagrosa, e, apesar dos protestos de Ratisbonne, disse-lhe que era apenas para testar suas teorias antirreligiosas. Afonso por educação, aceitou o presente e concordou ainda em copiar a famosa oração à Virgem, o ‘Lembrai-vos’.

No dia seguinte, Ratisbonne encontrou-se por acaso com o Barão em frente a igreja de Santo André e, para fazer-lhe companhia, penetrou no templo. Ao cabo de alguns minutos, cansado de esperar pelo amigo que se dirigia à sacristia, o judeu correu a igreja como os olhos para ver se encontrava alguma obra de arte, mas, de repente, uma visão deslumbrante prendeu-lhe a atenção.

Uma senhora de porte majestoso, adornada de roupas alvíssimas e com um manto azul sobre os ombros, mais luminosa do que o sol e olhando-o com inefável doçura, parecia ter os braços abertos inclinados para ele. Sem saber como, o ateu ajoelhou-se junto à balaustrada da capela. Procurou erguer os olhos, mas a Virgem da Medalha levantou por duas vezes a sua mão e colocou-a sobre a cabeça de Afonso, obrigando-o a baixa-la. Nesse interim, o Barão de Bussiéres, apreensivo por ter feito seu companheiro esperar por muito tempo, procurou-o pela igreja e viu Ratisbonne de joelhos e imóvel. Impressionado, olhou-o de perto e percebeu que seu rosto estava pálido e banhado em lágrimas. O barão chamou-o e Afonso abraçou-o soluçando e pediu para falar com um sacerdote.

Após alguns dias de instrução religiosa, Afonso Ratisbonne foi batizado solenemente e, quando o padre lhe perguntou o nome, respondeu humildemente: – Maria.

Uma senhora de porte majestoso, adornada de roupas alvíssimas e com um manto azul sobre os ombros, mais luminosa do que o sol e olhando-o com inefável doçura, parecia ter os braços abertos inclinados para ele.

Este fato ocorrido em 1842 não permaneceu isolado, pois devido a conversão de seu irmão Afonso o padre Teodoro Ratisbonne, que há muito pertencia ao redil de cristo, teve a ideia de fundar uma congregação religiosa destinada especialmente a trabalhar pela conversão do povo de Israel.

Unindo seus esforços nesta instituição missionária e movidos pelo mútuo e supremo ideal de salvar as almas, os dois irmãos ficaram imaginando qual o nome que dariam à sua ordem religiosa, fundada sob a inspiração de Maria Santíssima. Debalde procurava o padre Teodoro imaginar um novo título para a Rainha do Céu, quando certo dia, após celebrar a santa missa, ao abrir um livrinho para rezar a sua ‘ação de graças’, a primeira palavra que viu foi: SION (Sião). Esse nome essencialmente bíblico harmonizava-se tão bem com a obra iniciada pelos irmãos Ratisbonne, que logo foi adotado, criando-se assim para a nova congregação o título de Nossa Senhora do Sion.

Esta obra missionária espalhou-se por todo o mundo, tendo as irmãs chegado ao Brasil em 1889, onde instalaram uma casa no Rio e outra em Petrópolis. Estabeleceram-se também em São Paulo e noutra cidades do Brasil, consagrando-se, em famosos colégios, à educação feminina. Sua primeira casa em Petrópolis funcionou no antigo Palácio Imperial, vago após a Proclamação da república. Em 1908 o colégio transferiu-se para o prédio onde esteve por muitos anos encaminhando a juventude brasileira na trilha da fraternidade cristã. Atualmente, voltando à sua obra missionária, as irmãs cederam o tradicional estabelecimento de ensino para a instalação da Universidade Católica de Petrópolis.

Seguindo as diretrizes de seus fundadores, elas se empenham ainda em aproximar cristãos e judeus, proporcionando um maior conhecimento entre eles por meio de associações, bibliotecas, estudos e publicações, pois Maria era também ‘Filha de Sion’.

Nossa Senhora, além de inspiradora da congregação, foi escolhida pelo padre Ratisbonne como a Mãe, o Modelo e a Protetora das beneméritas religiosas do Sion.

Iconografia:

Maria está de pé vestindo a indumentária das mulheres de Israel e tem sobre a cabeça, em cima do véu curto, uma coroa de quatro pontas. Segura com as mãos, em sua frente, o Menino Jesus aparentando mais de um ano, sentado sobre ela e de costas para sua Mãe.

Fonte: Site do Santuário Nacional de Aparecida

22 de julho de 2018 at 5:58 Deixe um comentário

Nossa Senhora da Escada

Junto à velha ermida de Santa Maria da Escada os pescadores amarravam seus braços ao argolões de ferro chumbados em pelares de cantaria lavrada e, quando desciam o rio Tejo, de mãos erguidas pediam à Virgem que lhes protegesse as redes. Este culto de gente do mar por Nossa Senhora da Escada foi-se ampliando com o passar do tempo e nas procissões ou romarias ao popular santuário inúmeros devotos vinham de longe em batéis ornamentados para cumprirem votos e promessas.

As procissões ao templo da Escada eram as mais concorridas e todas as Vezes que a população se dirigia à Mãe de Deus com a finalidade de agradecer alguma graça ou pedir proteção contra alguma calamidade pública, a pequena ermida de Santa Maria era a mais procurada. A prova disso é que quando D. João I, após a vitória de Aljubarrota, garantiu a soberania do reino lusitano, o povo em massa, homens, mulheres, frades e clérigos, todos descalços, caminhavam cantando para o seu altar em sinal de agradecimento.

A ermida de Nossa Senhora da Escada foi atingida por duas grandes catástrofes: Um maremoto no século XVI e um terremoto em 1755; embora das duas vezes o templo e o convento anexo ficassem inteiramente destruídos, contudo permaneceram ilesos no meio das ruínas a imagem milagrosa e o altar da Virgem Maria. Finalmente, almas piedosas levaram a sagrada efigie para a igrejaa paroquial de Nossa Senhora das Merces, onde até hoje recebe as homenagens sinceras do povo português.

No Brasil conhecemos apenas duas igrejas dedicadas a Santa Maria da Escada e ambas muito antigas, o que demonstra ter sido este culto mais intenso nos primeiros períodos da colonização, desaparecendo posteriormente para dar lugar a outras invocações de maior aceitação no espirito religioso do povo brasileiro. Ambos refletem a predileção dos pescadores, pois uma está localizada na Bahia de Todos os Santos e a outra no Vale do Paraíba.

A igreja da Bahia é do tipo singelo e sóbrio dos primeiros templos coloniais, ornamentada por um amplo alpendre, como era costume nas primitivas capelas brasileiras. O edificio religioso alpendrado é uma tradição arquítetônica ocidental, que data do início do cristianismo, quando os catecúmenos e os penitentes permaneciam no adro. O Brasil continuou esta tradição porque o adro era o lugar onde ficavam os escravos não batizados. Os participantes de certas danças populares, como os congos, não entravam nos templos e a coroação dos reis negros era feita pelos padres no lado de fora das capelas. Outra razão do alpendre talvez tenha sido a necessidade de abrigar maior número de fiéis, que ali se reuniram por ocasião das romarias.

A igreja de Nossa Senhora da Escada no Município de Guararema, próximo a Mogi das Cruzes, beneficiada com obras de restauração pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, remonta aos principios do século XVIII e é uma das mais interessantes do Estado de São Paulo, pelos indícios de mão-de-obra indígena. Aliás a vila de Escada era uma antiga aldeia de índios e devido à sua excepcional situação às margens do rio Paraíba foi, no tempo em que não havia estradas, o porto obrigatório para os viajantes paulistas, que se dirigiam às Minas Gerais ou à província do Rio de Janeiro. Quando o Conde de Assumar, Governador de São Paulo e de Minas Gerais, por ali passou em 1717, esta vila já possuia um administrador público e uma câmara própria. Entretanto, com o passar do tempo a aldeia não se desenvolveu e foi absorvida pelas cidades vizinhas.

Atualmente o culto de Nossa Senhora da Escada permanece vivo no Brasil somente através das igrejas citadas, que são verdadeiras relíquias históricas e artísticas de uma época que se perdeu na voragem dos séculos.

Iconografia:

Semelhante à Senhora da Conceição. Às vezes aparece junto à Virgem uma escada, um dos símbolos da Paixão de Cristo e também de Maria, pois Ela é comparada à escada de Jacó, que punha em comunicação o céu com a terra.

Fonte: Invocações da Virgem Maria no Brasil

30 de junho de 2018 at 6:24 Deixe um comentário

Nossa Senhora da Revelação

Nossa Senhora da Revelação

No sábado depois da Páscoa, 12 de abril de 1947, o condutor de bonde Bruno Cornacchiola, de 34 anos, achava-se livre de serviço depois do meio-dia e queria aproveitar aquela linda tarde de primavera para fazer uma excursão a Ostia com seus três filhos; mas, como perderam o trem, resolveram ir até Tre Fontane.

Bruno conhecia muito bem o lugar com seu bosque de eucaliptos, silencioso e tranqüilo, longe do ruído da grande cidade de Roma.

Bruno havia lutado na Espanha, como legionário, a favor dos comunistas e fazia cinco anos que abandonara a religião católica, seguindo primeiro a doutrina dos batistas e depois a dos adventistas.

Era fervoroso propagandista de sua crença. Lia com assiduidade a Bíblia protestante, à procura de textos que pudesse utilizar em ataques contra a Igreja Católica.

Também naquele fim de semana Bruno se entretinha, em Tre Fontane, em formular idéias para uma conferência contra a virgindade da Santíssima Virgem.

Lia, apontando no papel os pensamentos para a conferência que devia ser lida no dia seguinte, enquanto seus filhos continuavam a brincar de futebol com uma bolinha de borracha, à sombra do bosque de eucaliptos.

Súbito o seu trabalho é interrompido: Isola, de 10 anos, e Carlos, de 7. gritam:

“Papai, papai, perdemos a nossa bola! Perdemos a nossa bolinha!”

Bruno sai então à procura da bola em companhia das crianças, depois de ter dito a Gianfranco, de 4 anos, que ficasse ali numa gruta situada na parte mais alta do bosque, olhando as revistas infantis ilustradas.

Os três percorrem então o mato à procura da bola; mas, como o filhinho mais moço não respondesse mais, como antes, à voz do pai, dirigiu-se este, muito preocupado, para a gruta, à entrada da qual encontrou, com grande espanto, o pequeno Gianfranco ajoelhado, as mãos postas, repetindo sempre, a sorrir.

“Bella Signora! Bella Signora”

A atitude “católica” de oração da criança era inteiramente contrária aos costumes da família Cornacchiola. Além disso, o menino nem era batizado.

O pai chamou Isola, que se encontrava acima da gruta, e perguntou a ela e a Carlos, que se achava ao lado: “Vocês estão vendo alguma coisa na gruta?”

“Não, papai!”, responderam.

Mas, no mesmo instante, Isola cai de Joelhos e, de mãos postas como o irmãozinho, repete: “Bella Signora!…” e também Carlos se ajoelha e balbucia como que extasiado: “Bella Signora! Bella Signora!…”

Podemos imaginar o espanto e a aflição do condutor de bondes. Sacode as crianças, porém elas continuam na mesma posição, com os rostos pálidos, mas inteiramente espiritualizados, e os olhos muito abertos, fixos em um mesmo ponto da gruta.

Bruno é, no fundo, de natureza religiosa: crê em Deus, crê em Cristo e também no demônio. Temendo que os filhos estivessem sob o influxo demoníaco, rezou do fundo do coração: “Senhor, salvai-nos!”

Foi como se mãos invisíveis o tivessem sacudido, e que alguém lhe tivesse arrancado a venda que lhe cobria os olhos. (Tudo isso ele mesmo narrou ao sr. Lacatelli, colaborador do Giornale d`Itália).

Súbito, Bruno sente-se leve como uma pena. Da gruta sombria não vê mais nada, a não ser que lhe parece inundada de luz deslumbrante, e naquela claridade excelsa Bruno vê uma encantadora figura de mulher, verdadeira formosura oriental, como se expressou ele, de 1,65 m de altura conforme lhe pareceu.

Os pés nus pousavam sobre um bloco de pedra, atualmente conservado no vizinho convento dos trapistas. O corpo da celestial aparição está envolto numa túnica branca, presa por uma faixa rósea. Da cabeça, desce-lhe um manto verde até os pés. Na mão direita segura um livrinho cinzento. A esquerda aponta para baixo, indicando uma veste negra (batina?) no sola; perto havia uma cruz quebrada.

Bruno Cornacchiola disse ouvir uma voz a nenhuma outra semelhante, pelo tom e pelo modo como lhe falava: “Sou aquela que sou na Trindade Divina. Sou a Virgem da Revelação. Tu me persegues. Agora é bastante. Entra no apriso santo, corte celeste na terra. Às noves sextas-feiras que praticastes antes de te desviares do caminho da verdade, deves a tua salvação… Deve-se rezar o rosário diariamente pela conversão dos pecadores e dos incrédulos e pela união entre os cristãos. Com esta terra de pecados operarei muitos milagres pela conversão dos pecadores. Para mostrar-te que esta visão é divina, e não arte diabólica, como muitos hão de pensar, dou-te este sinal: deves andar pelas ruas e igrejas de Roma, e, ao primeiro sacerdote que encontrares, dirás: Padre, quero falar-lhe. E se ele te replicar: Ave, Maria, filho; que desejas?; dirás o que te vier à boca. Este indicará outro sacerdote, que receberá a tua abjuração e se ocupará de ti. Se prudente … A ciência renegará a Deus. Quando fores levar a mensagem secreta ao Santo Padre, serás acompanhado por outro sacerdote”.

De fato, alguns dias depois, em 28 de abril, verificou-se a predição.

Ao entrar na igreja de Todos os Santos, administrada por um dos filhos espirituais de dom Orione, dirigi-se ao Pe. Albino Frosi:

– Permita, padre, que lhe diga uma palavra…

– Ave, Maria, filho, que desejas? respondeu o Pe. Frosi

– Sou protestante, mas quero tornar-me católico.

– Apresentá-lo-ei a quem melhor o atenda, retorquiu o padre.

Cumpriu-se à risca o sinal dado pela Senhora. O Pe. Frosi apresentou-o ao seu colega Pe. Gilberto Carniel, acostumado a tratar com convertidos.

Desde o dia 12 de abril Bruno tornou-se outro homem, e essa conversão completa de um apóstata foi o primeiro milagre da graça operado em Tre Fontane.

Bruno procurou reparar, segundo suas forças, o escândalo que havia dado e suportou pacientemente toda sorte de agravos. Todas as vezes que podia dirigia-se à gruta para rezar, e nos dias 6, 23 e 30 de maio foi agraciado com novas visões.

Depois de receberem a necessária instrução, Bruno e sua mulher foram novamente admitidos no seio da Igreja Católica, no dia 7 de maio. Em 18 de maio Gianfranco recebia o batismo, e Isola, a crisma e a primeira comunhão.

Na aparição de 30 de maio, Nossa Senhora enviou por meio de Bruno uma mensagem às irmãs filipinas, que naquela região se dedicam à educação da juventude. Que rezassem pela conversão dos incrédulos, principalmente pelos incrédulos do bairro.

A expressão “Virgem da Revelação” que Nossa Senhora usou é, conforme a suposição de Locatelli, uma alusão à “Misteriosa Revelação”, o Apocalipse, e uma indicação de que atualmente vivemos nos tempos apocalípticos, e visto que, como protestante, Bruno lia outra Bíblia, é bem provável que o livro que Nossa Senhora segura na mão direita signifique a Bíblia católica.

Inúmeros são os milagres que se operam por meio da terra da gruta, por intercessão da Santíssima Virgem Maria.

Nossa Senhora da Revelação, rogai por nós que recorremos a Vós!

Fonte: Site do Santuário Nacional de Aparecida

logo Academia marial

23 de junho de 2018 at 5:35 Deixe um comentário

Nossa Senhora do Santo Rosário, nas Filipinas

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2 de julho – Nas Filipinas ocorre um grande festival, um dos maiores do mundo, em honra à padroeira Nossa Senhora de Piat. Originária de Macao, a imagem da padroeira do Vale de Cagayan está instalada na Basílica Menor de Nossa senhora de Piat, e se tornou um grande centre de apoio das pessoas que pedem graças de todos os tipos. Visitantes podem ver sua história e um extensa coleção de artigos religiosos, bem como as vestimentas e acessórios de Nossa Senhora.

Em 1604, os frades dominicanos levaram para as Filipinas uma estátua da Virgem Negra, denominada “Nossa Senhora do Santo Rosário”, quando iniciaram a Cristianização da região. Não demorou muito para que as pessoas atribuíssem graças divinas através de Nossa Senhora, espalhando assim o amor e a devoção à Virgem. Foi então construído um santuário entre Piat e Tuao.

Em 1624 ocorreu uma grande seca na região, fazendo com que o povo perdesse toda lavoura. Os párocos de Piat e Tuao resolveram então implorar a ajuda de Nossa Senhora em favor do povo oprimido, convocando o povo a se confessar e comungar. Aqueles homens humildes resolveram fazer uma grande missa no santuário e na mesma noite caiu um copiosa chuva na região.Desde então, o santuário de Nossa Senhora tornou-se um centro de devoção, e um refúgio em todas as provações e tribulações.

Outro milagre atribuído à intercessão de Nossa Senhora de Piat foi a cura do sobrinho da Dra. Ines Maguillabbun, primeira zeladora do santuário. A criança de cinco anos estava sofrendo de um braço inchado por quatro dias, e porque não havia medicamentos, tampouco alguém sabia como curá-la, a criança foi simplesmente deixado à sua sorte, com grande risco de perder a vida. Foi então que Dra. Ines levou o menino com ela para o santuário, não precisamente para pedir sua cura, como confessou mais tarde. A criança foi deixada dormindo nos degraus do altar da imagem de Nossa Senhora, e quando acordou seu braço estava completamente curado. A notícia da cura maravilhosa foi como um incêndio na cidade, e o pároco quis saber que era a obra de Nossa Senhora. Dra. Ines negou ter ido ao santuário com a finalidade de pedir a Nossa Senhora para curar seu sobrinho, mas quando a criança foi interrogado, ele admitiu ter pedido a Nossa Senhora que o curasse apenas com essas palavras simples: “Santa Maria, tem misericórdia de mim”

A Basílica de Nossa Senhora de Piat está localizada na periferia da cidade de Piat, na província de Cagayan, nas Filipinas. A estátua foi entronizada em Piat, neste pequeno santuário, no dia da festa de Santo Estevão, 26 de dezembro 1623, diante de uma grande multidão. É incrível que tão grande multidão lá estivesse se reunido, dada a pequena população da área e o fato de que a obra de evangelização tivesse sido iniciada há apenas 25 anos.

Nossa Senhora de Piat foi levada em procissão a outras cidades. Ela é também chamada de Nossa Senhora da Visitação. No século XVII, a visitação era comemorada no dia 2 de julho, razão pela qual a festa do santuário, até hoje, é comemorada no dia 2 de julho.

Em 22 de junho de 1999, o santuário foi elevado à categoria de Basílica Menor.

Já em 1883, o Papa Leão XIII, o Papa do Santo Rosário, concedeu várias indulgências aos fiéis sob as condições de fazer uma peregrinação ao santuário de Nossa Senhora de Piat.

Eliane Dias Cassiano

7 de junho de 2018 at 5:43 Deixe um comentário

Nossa Senhora dos Desamparados

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A origem deste título está ligada a um fato ocorrido na cidade de Valência, Espanha, em 1409.

Padre Jofre caminhava pela rua, quando presenciou um ato de violência de alguns jovens para um demente, que em sua crise de loucura agredia as pessoas que passavam pelo local. Penalizado com a situação dos marginalizados pela sociedade, decidiu criar uma confraria para auxiliar os doentes e meninos desamparados. Contando com o apoio inicial de dez católicos, que se tornaram confrades, ele construiu um albergue com uma capela em anexo. Era seu desejo dedicar esta capela a Nossa Senhora, sob o título de Nossa Senhora dos Desamparados.

Necessitado de uma imagem que representasse a Virgem, ele aceitou a oferta de dois peregrinos que passavam pela cidade e diziam ser escultores.

Padre Jofre destinou-lhes um lugar do albergue para que pudessem trabalhar. Eles dividiram o local com uma senhora cega e paralítica, que serviu como única testemunha do trabalho realizado. Três dias depois, a imagem estava terminada e os escultores tinham desaparecido. A primeira a ver a obra acabada foi a senhora, que recuperou a visão e ficou curada de sua paralisia. A notícia se espalhou rapidamente pela cidade e muitos foram até o albergue para admirar a imagem e presenciar o milagre.

A partir deste dia, vários milagres e graças foram alcançadas pela intercessão de Nossa Senhora dos Desamparados.

No ano de 1667, a imagem foi transferida em grande solenidade para a nova igreja construída em sua honra, e passou a ser padroeira da cidade de Valência.

A confraria de Nossa Senhora dos Desamparados ainda existe e continua sua obra social de atendimento aos pobres e doentes necessitados.

 

Oração

Ó Mãe Amabilíssima, vós que sois a Saúde dos Enfermos, Medianeira de Todas as Graças, Consoladora dos Aflitos, olhais por todos nós, vossos filhos que a vós recorremos.

Ò querida Rainha Nossa Senhora dos Desamparados, atendei ás súplicas dos que clamam por vossa intercessão. Fazei com que sejamos acolhidos no Coração misericordioso do vosso Filho Jesus.

Protegei aqueles que padecem nesta vida, sem trabalho, sem alimento, sem moradia.  Mãe dos Desamparados, olhai por aqueles que estão afastados do convívio social, que sofrem de doenças mentais, que vivem em abrigos ou asilos. Enfim, piedosa Virgem, cobri com vosso manto de proteção a todos nós, vossos filhos desamparados, guiando-nos durante as nossas vidas até ver-nos a salvo no céu bendizendo o vosso nome.

  Assim seja!

Fonte: Site do Santuário Nacional de Aparecida

 

 

25 de maio de 2018 at 5:32 Deixe um comentário

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