Posts tagged ‘Devoção a Nossa Senhora’

Nossa Senhora do Monte Claro (Jasna Gora – Czestochowa)

O quadro milagroso da Madona Polonesa, pintado em madeira, é considerado uma das mais antigas imagens da Mãe de Deus. Segundo a lenda, ele foi pintado em Jerusalém por São Lucas, quando Maria ainda viva, no tampo de uma mesa feita por São José. Contam os historiadores que a sagrada efígie foi encontrada por Santa Helena, que a deu de presente a seu filho, o imperador Constantino e que esta relíquia permaneceu no palácio imperial de Constantinopla até o ano de 431.

Alguns especialistas acreditam que a imagem polonesa seja apenas uma cópia feita no século V do famoso quadro de São Lucas, <<Hodegetria>>, que existia na capital do Império Bizantino e foi destruído pelos turcos.

O certo, contudo, é que a sagrada imagem, após passar por vários donos, foi parar nas mãos do príncipe Ladislau Opocayk, o qual, estregando-se à proteção da Virgem Maria, venceu os tártaros e os lituanos. Após estas grandes vitórias, Ladislau desejou levar a santa milagrosa para suas propriedades, porém os cavalos em cuja carroça estava a imagem, pararam perto da aldeia de Czentochowa e não houve força humana que os fizesse caminhar. No entanto, assim que retiraram o quadro da viatura, os animais, no mesmo instante, puseram-se em movimento. Vendo nisso a vontade da Mãe de Deus, o príncipe polonês resolveu que a imagem permaneceria naquele local, junto ao Jasna Góra (Monte Claro) e mandou construir um mosteiro e uma igreja, que se tornou a morada da sagrada pintura em 1382 e continuou sendo através dos séculos o trono da Virgem Maria.

O quadro primitivo foi quebrado em 1430 por alguns nobres, sectários da heresia de João Huss e o templo espoliado, mas os religiosos do convento recolheram os pedaços da lendária efígie e o rei Jagiello mandou vir pintores estrangeiros para restaurá-la.

Apesar desta destruição, nunca cessou o número de peregrinos ao santuário de Czentochowa e a população, em todas as suas dificuldades, recorria à Virgem de Monte Claro, recebendo dela as maiores provas de amor e proteção.

A cristianização da Polônia iniciou-se no ano de 966, quando o príncipe Miesko I, sob a Influência de sua esposa tcheca Dobrowna, converteu-se ao cristianismo e recebeu o batismo com toda sua corte. Desde então, a Plônia tornou-se o baluarte da Santa Sé na Europa Oriental, permanecendo aí lado do Papa todas as vezes que a Igreja precisou de seu auxílio. Foi também o rei polonês João Sobieski quem, em 1683, infligindo em Viena uma notável derrota ao exército otomano, conseguiu pôr termo à expansão turca muçulmana no coração da Europa.

Em todos os festejos dos centenários da cristianização do país os fiéis fizeram peregrinações ao santuário de Jasna Góra, mesmo quando a Polônia se achava dividida e suas províncias anexadas às nações vizinhas. Em 1966, quando se comemorou o milenário deste acontecimento, o cardeal Wyszynski organizou uma série de programações religiosas, que culminaram com grandes festividades na cidade de Czentochowa e milhares de poloneses, apesar do boicote do governo comunista, compareceram às solenidades celebradas na enorme praça fronteira à basílica de Jasna Góra, em comovente homenagem à Santa Protetora. Atualmente a Igreja Católica polonesa conta com o apoio de grande parte da população, principalmente depois que um de seus ilustres filhos, o cardeal Karol Wojtyla foi eleito Papa com o nome de João Paulo II.

A imagem da Padroeira foi trazida ao Brasil por membros da colônia polonesa radicada em Curitiba e colocada na Igreja de Santo Estanislau, onde se mantém viva a devoção à Senhora de Monte Claro, coroada Rainha da Polônia em 1925, pelo Papa Pio XI. Em 1966, comemorando o milenário da Polônia, a efígie de Nossa Senhora de Czentochowa foi levada em concorrida procissão, no Rio de Janeiro, da rua 7 de Setembro até a Catedral Metropolitana, onde foi celebrada, a 25 de maio, solene missa, pelo cardeal Dom Jaime de Barros Câmara.

Durante a estadia do Papa João Paulo II no Brasil, em 1980, S. S. rezou a cerimônia religiosa em Curitiba diante do quadro que é venerado na igreja de santo Estanislau. Grande número de participantes se apresentaram em trajes típicos regionais, demonstrando assim o entranhado amor do povo polonês, que mesmo do outro lado do oceano venera com carinho a sua Padroeira, uma das diversas Virgens Negras que povoam o folclore das devoções marianas na Europa Oriental.

N S Monte Claro e João PauloNo seu brasão papal, colocou uma grande cruz, a letra M e as palavras: TOTUS TUUS, que significa: Todo Teu – Todo de Maria.
Cumpre ressaltar ainda a data de 1982, quando se comemorou os 600 anos do reinado maternal da Virgem de Czestochowa, e o papa João Paulo II alimentava o grande desejo de ir agradecer pessoalmente a Maria a proteção Materna à sua Pátria, mas o governo comunista não o permitiu, transferindo a peregrinação para 1983. E graças a bondosa proteção da Virgem, a polônia ficou livre do jugo comunista.

Inúmeros são os milagres de curas e conversões de pecadores, ao entrarem no Santuário da Virgem de Czestochowa. Maria espera a todos e ajuda aqueles que reconhecem Ela como Mãe de Deus e seguem os passos do Seu Filho Jesus Cristo.

Iconografia:

A imagem de Nossa Senhora de Monte Claro é uma pintura sobre Madeira, em estilo bizantino, lembrando um pouco a Virgem do Perpétuo Socorro.

Maria se apresenta a meio corpo, vestida de uma túnica bordada a ouro e com a cabeça coberta por um véu decorado com os mesmos desenhos da túnica. Sua mão direita está sobre o peito e traz, sentado em seu braço esquerdo, o Menino Jesus, vestido de uma camisola, que lhe cobre as pernas. O menino Deus segura com o braço esquerdo um livro e com a mão direita acaricia sua Mãe.

O quadro original está marchetado de pedras raras e joias finíssimas doadas pelos devotos. As cabeças de Maria e de Jesus estão circundadas por auréolas e sobre a de Maria aparece a coroa de pérolas que lhe foi oferecida pelo povo polonês na época de sua coroação como Rainha da Polônia.

Oração: 

“Ó Maria, querida Nossa Senhora de Częstochowa, olhai graciosamente para seus filhos neste mundo conturbado e pecador. Abrace todos nós com seu amor e proteção maternal. Proteja nossos jovens dos caminhos ímpios; ajude aos nossos queridos idosos, os enfermos, e aqueles que se preparam para sua páscoa eterna. Seja o escudo das crianças indefesas e a nossa força contra todo o pecado. Poupe seus filhos de todo o ódio, da discriminação e da Guerra. Encha nossos corações, nossos lares e nosso mundo com a paz e o amor que vem de Seu filho, a quem tão ternamente segura nos braços. Ó Rainha e Mãe, padroeira da Polônia e de São João Paulo II, seja nosso conforto e força! Em nome de Jesus, nós rezamos. Amém.”

Fonte: Site da Academia Marial

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25 de julho de 2019 at 8:25 Deixe um comentário

História de Nossa Senhora das Divinas Vocações

Nossa Senhora das Divinas Vocações é o título com o qual Maria, a Mãe de Jesus, é venerada pela família da Sociedade das Divinas Vocações, que, atualmente, compreende duas Congregações Religiosas (Religiosos Vocacionistas e Irmãs Vocacionistas) e um Instituto Secular (Apóstolos da Santificação Universal).

As Congregações Vocacionistas têm o carisma de suscitar e cultivar vocações para a Igreja, de modo particular para a Vida Consagrada e para os ministérios ordenados. As Apóstolas da Santificação Universal possuem o carisma da promoção da vocação universal à santidade de todos.

Este título de Nossa Senhora das Divinas Vocações foi conferido por D. Giuseppe Petrone, bispo de Pozzuoli, diocese na qual se encontra Pianura, cidade da periferia de Nápoles (Itália), onde nasceram as Congregações Vocacionistas. O Pe. Justino Russolillo, fundador dos referidos institutos, deixou escrito em seu diário como se deu esse episódio. O fundador tinha recebido da família Marrucco, amiga e benfeitora do Pe. Justino e de suas Obras Vocacionais, uma estátua de Nossa Senhora. Essa estátua de Maria tinha aos seus pés as figuras de dois jovens vocacionados.

No dia 14 de julho de 1931, o bispo D. Giuseppe Petrone, que tinha dado a aprovação diocesana ao título de Nossa Senhora das Divinas Vocações, às Congregações Vocacionistas, quando veio em visita ao vocacionário (casa que recebe os jovens para o discernimento vocacional mais específico).  Ele apenas viu a estátua doada pela família Marrucco e a denominou, invocando-a em alta voz: “Nossa Senhora das Divinas Vocações, rogai por nós”. Conforme o costume da época aplicou 50 dias de indulgência, com autorização de publicá-la com a data de 16 de julho de 1931, festa de Nossa Senhora do Carmo.

O período anterior a este acontecimento tinha sido muito conturbado para as duas Congregações. O Pe. Justino Russolillo viu-se, de repente, atingido por tantas dificuldades e desafios, como costuma acontecer na aurora de todo instituto e de toda obra realmente divina. O fundador, vendo esgotados todos os recursos humanos, recorreu à Maria, pedindo que ela intercedesse junto ao Filho em favor das Obras por ele iniciadas.

Aos 11 de maio de 1926, enquanto no quintal de sua casa paterna pedia luzes do alto, teve uma certeza interior, que assim anotou em sua agenda: Foi-me infundida a certeza de que a Santíssima Trindade destinou Nossa Senhora para exercer o cargo de Superiora da Sociedade das Divinas Vocações. Ela é a autoridade das nossas Congregações”.

Visão!? Iluminação interior!? Perguntado, depois, sobre o fato, Pe. Justino respondeu: “Mas qual visão? Foi somente uma certeza íntima, uma locução interior… Estava debaixo da ameixeira de nossa casa, implorando luzes do alto…”

Obtida a certeza de que a Santíssima Trindade confiava a Obra nascente à Nossa Senhora, Pe. Justino, com uma carta circular, ordenou que em toda casa vocacionista existisse sempre um quarto para Maria, a Superiora das Congregações Vocacionistas. Desde então, os religiosos e religiosas vocacionistas passaram a acrescentar o nome de Maria ao próprioe todas as casas reservam um quarto para Nossa Senhora, a Superiora dada pela Santíssima Trindade. Para fazer memória deste acontecimento a Família da Sociedade das Divinas Vocações celebra a Festa de Nossa Senhora das Divinas Vocações no dia 11 de maio.

Fonte: Site da Academia Marial

6 de julho de 2019 at 5:45 Deixe um comentário

Nossa Senhora dos Campos

A história do título mariano ‘Nossa Senhora dos Campos’ ou ‘Nossa Senhora da Oração’, está ligada a uma série de aparições da Virgem Maria ocorridas no povoado de Stezzano, perto de Bérgamo, na Itália.

A primeira aparição ocorreu no século XIII. Enquanto rezava num pequeno oratório dedicado à Virgem Maria, perto de Stezzano, uma piedosa senhora viu a Virgem Maria com o menino Jesus no colo. A notícia se espalhou rapidamente e o povo começou a frequentar o local para rezar e pedir graças. Logo foi construída a primeira igreja dedicada à ‘Nossa Senhora dos Campos’.

Em 1586, aos pés da imagem pintada na parede da igreja, que representava Nossa Senhora com o filho no colo, jorrou uma vertente de água cristalina. Muitos doentes que beberam da água ficaram curados.

No dia 12 de julho do mesmo ano de 1586, Nossa Senhora apareceu a duas meninas camponesas, Bartolomea Bucanelli e Dorotéia Battistoni, de 10 e 11 anos, respectivamente. Enquanto apascentavam o rebanho, aproximaram-se da igreja e, olhando para dentro, viram uma venerada senhora, vestida com uma túnica escura e com um véu branco na cabeça. Trazia na mão esquerda um livro, e tinha a mão direita e os olhos voltados para o céu, em atitude de intensa oração. A notícia da aparição se espalhou rapidamente, atraindo o povo do lugar.

Diante desses fatos, o Bispo de Bérgamo, Dom Jerônimo Ragazzoni, viu-se obrigado a reconhecer oficialmente as aparições e as curas realizadas no local. Nos anos seguintes, a igreja foi sucessivamente reformada e ampliada, e a devoção a Nossa Senhora dos Campos foi crescendo cada vez mais.

Fonte: Site da Academia Marial

7 de junho de 2019 at 5:48 Deixe um comentário

Padroeira do Equador entronizada nos Jardins Vaticanos

Nuestra Señora de la Presentación del Quinche, Padroeira do Equador

Nuestra Señora de la Presentación del Quinche, Padroeira do Equador

A imagem de Nuestra Señora de la Presentación del Quinche vem se somar a outras expressões marianas já presentes nos Jardins Vaticanos, como Nossa Senhora de Guadalupe, Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora de Luján (Padroeira da Argentina) e Nossa Senhora de Antígua (Padroeira do Panamá).

Cidade do Vaticano

Desde quarta-feira, 15 de maio, a imagem de Nossa Senhora da Apresentação de Quinche (Nuestra Señora de la Presentación del Quinche), padroeira do Equador, está presente nos Jardins Vaticanos.

Ouça e compartilhe!

A cerimônia de entronização foi presidida pelo cardeal Giuseppe Bertello, presidente do Governorato do Estado da Cidade do Vaticano, na presença do embaixador do país sul-americano junto à Santa Sé, José Luis Álvarez Palacio.

O cardeal enfatizou que a presença da imagem é um sinal da devoção que os povos latino-americanos sentem por Nossa Senhora. Esta nova expressão mariana, acrescentou, enriquece e embeleza esse recanto latino-americano.

A imagem é obra da artista equatoriana Doménica Barahona, que utilizou a técnica de mosaico incrustado, que reúne pequenos pedaços quadrados de material, como mármore, pedra, cerâmica vidrada e vidro pintado.

O fundo do mosaico Virgen del Quinche é pontilhado com diferentes plantas e flores de todas as regiões do Equador. Além disso, nove esculturas de bronze na forma de beija-flores estão representadas. As vestes de Nossa Senhora são decoradas com símbolos pré-colombianos que lembram o passado de Equador.

Nos Jardins Vaticanos, em diferentes recantos, também estão esculturas ou mosaicos representando Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora de Luján, Nossa Senhora de Antígua, uma grande estátua recém restaurada do índio Juan Diego mostrando ao bispo o manto com Nossa Senhora de Guadalupe, entre outras.

20 de maio de 2019 at 5:35 Deixe um comentário

Santa Maria do Monte Carmelo

16 de julho é o dia dedicado à Nossa Senhora do Carmo. Mas, por que esse título e essa data? De acordo com o carmelita Valentino Macca²  o título faz referência ao monte da Galileia que está ligado à origem da Ordem do Carmo ou Carmelita. A referência é, pois, uma indicação geográfica. Além disso, a tradição aponta uma ligação espiritual entre a cadeia montanhosa do Carmelo com o profeta Elias e isto está assinalado no nome com que os árabes a designam: Gebel Mar Elyas. Foi neste lugar, próximo onde havia uma igrejinha dedicada a Nossa Senhora, que alguns peregrinos ocidentais iniciam, na segunda metade do século XII, uma experiência eremítica, muitos eram, provavelmente, cruzados e andarilhos. Logo passam a ser chamados de “irmãos do Carmelo” e recebem do patriarca de Jerusalém, Alberto Avogadro, a vitæ formula (a Regra de vida).

Quando os muçulmanos dominam a região, por volta do século XIII, esse grupo de “irmãos” eremitas volta para o Ocidente e passa à denominação de Ordem de Santa Maria do Monte Carmelo. Este título, assinala Macca, aparece pela primeira vez em um documento pontifício de Inocêncio IV, datado de 13 de janeiro de 1252. A Ordem é mariana e os irmãos se colocavam, totalmente, a serviço de Nossa Senhora, a Padroeira da Ordem, aquela que assumia o primeiro lugar no Carmelo, dentre os irmãos e a quem deveriam imitar.

[…] a Virgem venerada, contemplada pelos seus “irmãos” e por todos os que depois participarão da vida deles (religiosas, “confrades”, terciários), ocupa o centro da experiência espiritual do grupo estabelecido e constituído na Terra Santa com o fim da perfeição evangélica em solidão contemplativa centralizada, como a vida de Maria de Nazaré, na oração contínua e na escuta da palavra, em clima de simplicidade, pobreza e trabalho . (MACCA, Valentino)³

Muitas lendas surgiram sobre a Virgem do Carmo, mas os “irmãos” acentuam a figura da Mãe de Jesus, Maria de Nazaré, como é vista nos Evangelhos e aí se apresentam os aspectos da maternidade divina, da virgindade, da imaculada conceição e da anunciação. Eles a tem como inspiradora, guia, senhora da sua vida, na guarda da palavra e na orientação para o serviço de Cristo . Também o profeta Elias é considerado o inspirador da formação da ordem do Carmo.

Com o objetivo de lembrar e agradecer os benefícios que o Carmelo recebia de Maria e exaltar a Padroeira, os carmelitas celebravam, semanalmente, “a comemoração litúrgica de Maria” o que, mais tarde, por volta da segunda metade do século XIV, passa a ser comemorado na Inglaterra como memória solene da Bem-aventurada Virgem Maria.

A princípio, a festa acontecia em 17 de julho, que de acordo com Macca poderia estar relacionada com o fim do II Concílio de Lyon (1274). Isto porque Bonifácio VII, em 1298 (24 anos depois) entendeu que tal concílio havia aprovado a Ordem. O que foi um engano de interpretação. Depois a data festiva foi antecipada para dia 16 de julho, em fins do século XV, data da “visão” de São Simão Stock. Mais tarde, Bento XIII estendeu a festa a toda a Igreja, conservada como “memória facultativa”, conforme calendário litúrgico renovado, requerido pelo Vaticano II 5.

São Simão Stock e o dom do Escapulário

A visão de São Simão Stock, acontecida em 16 de julho de 1251, está relatada no Catálogo dos santos carmelitas. Os manuscritos mais antigos são posteriores a 1411.

Na forma considerada como a mais antiga, o Catálogo diz simplesmente que certo
“Simão, de nacionalidade inglesa, nas suas orações pedia sempre a Virgem um privilégio para a sua ordem.
E a Virgem gloriosa apareceu a ele, trazendo nas mãos o escapulário e dizendo-lhe: ‘
Este será o privilégio para ti e para os teus. Quem morrer vestido com ele se salvará’” .6

Mais tarde uma redação mais longa atribuirá o sobrenome “Stock” a Simão. Não se tem certeza de que seja a mesma pessoa, contudo, a “festa do hábito” já estará difundida, no século XVI. O escapulário é sinal de devoção à Virgem e de sua proteção na hora da morte. Muitos fiéis se uniam à ordem como confrades, também na Itália e Espanha.

Outro fato que acabou atraindo mais pessoas para a ordem foi a “Bula Sabatina” de João XXII, no ano de 1322. Ele teria tido uma visão da Virgem que prometera a libertação do purgatório no primeiro sábado depois da morte, aos carmelitas e confrades da ordem que tivessem feito a observância da castidade, orações e o uso do hábito do Carmelo 7. Além disso, a difusão das duas visões e as respectivas promessas da Virgem aumentaram a devoção a Nossa Senhora do Carmo.

Quem usa o escapulário, “deve sentir-se comprometido com uma especial dedicação à Virgem, com seu culto, com a sua imitação” que estão presentes na vocação carmelita, e associa-se, de certa maneira aos irmãos do Carmelo. Assim, Pio XII, em 1950, afirma que aquele que usa o escapulário deve fazer com que ele se torne “memorial de Nossa Senhora, espelho de humildade e de castidade, breviário de modéstia e de simplicidade, eloquente expressão simbólica da oração de invocação do auxílio divino”.

É preciso assinalar que a comemoração da memória de Santa Maria do monte Carmelo deve levar cada devoto a trilhar, com ela, o caminho do monte sagrado que é o próprio Cristo. Lembrando que Maria de Nazaré, mulher pobre e humilde, de uma cidadezinha pouco conhecida, percorreu o caminho de Jesus, tornando-se sua primeira e mais perfeita discípula. É esta Santa Maria que os Carmelitas nos ensinam a imitar.

A Mãe do Filho de Deus é Mãe de todos os homens e mulheres, na ordem da graça e, com seu auxílio cada cristão pode, como ela mesma fez, receber, acolher e guardar a palavra e consentir que Jesus possa nascer em cada coração, em cada irmão e na comunidade eclesial.

Nossa Senhora do Carmo: Rogai por nós, seus filhos e filhas, amém!

Fonte: Site da Academia Marial

11 de maio de 2019 at 5:33 Deixe um comentário

Nossa Senhora do Presépio

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“Maria é aquela que sabe transformar um curral de animais na casa de Jesus, com uns pobres paninhos e uma montanha de ternura.”PAPA FRANCISCO

Há vinte séculos o milagre de Belém se repete na época natalina; foi o Papa Libério, fundador da Basílica romana de Santa Maria do Presépio, quem instituiu os festejos comemorativos do nascimento de Jesus Cristo. Todavia, a glória de ter difundido o presépio cabe a São Francisco de Assis.

Contam que certa vez o Santo, ao voltar de Roma para passar o Natal com seus frades, devido ao cansaço da longa viagem e a neve que branqueava as estradas no rigoroso inverno, abrigou-se na casa de um amigo e benfeitor, o senhor de Vellita. Alguns dias antes da Noite Santa, Francisco lembrou ao amigo que seria interessante reproduzir a cena da noite em que o Deus menino nasceu e foi reclinado na palha úmida, tendo como companheiros, além de seus pais, apenas um boi e um jumento.

Ouvindo isso o fidalgo se apressou em realizar o desejo do Santo. Na noite de Natal foram convidados os religiosos, o povo da redondeza e principalmente os pobres da cidade. Todos levavam velas para iluminar o presépio e quando Francisco chegou alegrou-se muito com a tocante cena. A novidade se espalhou e logo os artistas começaram a modelar figuras de barro ou madeira, lembrando a adoração dos pastores e dos Reis Magos. Nos séculos XVII e XVIII os escultores esmeraram suas criações e idealizaram tipos regionais com paisagens de rua e da vida das aldeias, misturadas aos símbolos natalinos.

O Brasil seiscentista, por intermédio dos jesuítas e franciscanos, começou a idealizar motivos brasileiros como ambiente para as representações do nascimento de Cristo. Era costume rezar sempre a Missa do Galo diante de um presépio de Belém. Temos noticias de belos retábulos natalinos confeccionados por escultores anônimos. Um dos mais famosos presépios foi o do velho Francisco José de Barro, no Rio de Janeiro. Conta-nos o saudoso cronista Vieira Fazenda que ele representava a cidade de Belém com casas térreas, sobrados, igrejas, carroças, lampiões, vendedores ambulantes, escravos trabalhando, enfim, várias cenas que davam à cidade de Davi um aspecto pantagruélico e anacrônico. Aquele célebre retábulo era visitado por todos, desde o mais humilde escravo até o próprio imperador D. Pedro II e sua família.

São muitos conhecidos os ceramistas do Vale do Paraíba que se especializaram em figuras de presépio, destacando-se entre eles o Chico Santeiro de Aparecida, que apresentou um bonito conjunto de doze figuras durante as comemorações do IV Centenário de São Paulo. Infelizmente esta arte tradicional está desaparecendo e cabe ao Museu do Presépio da capital paulista a missão de incentivá-la e restaurá-la.

invocação de Santa Maria do Presépio é semelhante à da Senhora Mãe de Deus, apenas com a diferença de que nela aparecem, além de São José, Nossa Senhora e o Menino Jesus , os pastores e os Reis Magos, que não figuram nas imagens da Madre de Deus. Na antiga Sé do Rio de Janeiro, dedicada a São Sebastião e posteriormente demolida, havia um grande painel de Nossa Senhora do Presépio e sua festa era celebrada todos os anos pelo povo carioca na oitava de Natal.

O Forte do Presépio, berço da cidade de Belém do Pará e quartel-general da conquista da Amazônia, assim como o Forte dos Reis Magos, semente da capital do Rio Grande do Norte, foram as principais homenagens militares ao grande mistério natalino.

Ao completarmos as imagens da sagrada Família e dos santos Reis diante do Presépio de Belém devemos lembrar que ali, naquele modesto recanto de Judeia, numa humilde estrebaria iniciou-se uma nova era para toda a humanidade.

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Icononografia

Denomina-se Nossa senhora do Presépio a todas as imagens da Virgem Maria que aparecem nas representações da natividade de Cristo ao lado de São José e com a presença dos pastores e dos Reis Magos. Geralmente ela se apresenta de joelhos e com as mãos postas, adorando o seu Divino Filho, deitado sobre as palhas da manjedoura.

Fonte: 112 Invocações da Virgem Maria no Brasil

10 de maio de 2019 at 5:47 Deixe um comentário

Nossa Senhora do Sacrário

Reprodução Flickr / Olmos fotografia

Catedral de Toledo, na Espanha, dedicada à Assunção da Santa Virgem Maria e catedral primada daquele país, sempre se destacou por sua belíssima arquitetura gótica e pelo esplendor de sua riqueza interna. Ela foi projetada de modo a preservar o antigo templo do século IV, e construída entre 1227 e 1493. Por tudo isso, este Santuário mariano é considerado o “museu dos museus.

A piedade cristã no reino visigodo deixou a tradição de que a imagem de Nossa Senhora já era venerada, apesar do domínio mouro, até que as tropas do Rei Afonso VI tomaram a cidade. Durante a invasão dos muçulmanos no começo do século VIII, o povo cristão de Toledo escondeu a imagem de Nossa Senhora, que era venerada no altar principal, em um poço seco, dentro do próprio templo. Depois de alguns séculos da expulsão dos muçulmanos da região, a imagem esquecida manifestou um sinal prodigioso para poder ser encontrada.

Quase todas as noites, os fiéis e os clérigos viam uma luminosidade intensa, sempre sobre o mesmo ponto. O estranho fenômeno se tornou constante e todos ficaram ainda mais intrigados. Decidiram, então, cavar no lugar para acabar com aquele mistério. Foi feita uma procissão levando a imagem de Nossa Senhora com velas acesas e com pessoas cantando melodias fervorosas, que se dirigiam para um poço já tapado e abandonado. Não muito distante, acharam o esconderijo subterrâneo e descobriram a imagem da Virgem Maria no fundo do poço. A imagem esteve escondida por 350 anos.

A aparição da antiga imagem da Padroeira de Toledo causou profunda emoção no povo, que naquela época, a conhecia só por tradição. Levaram o fato ao cônego da diocese e construiu-se ali uma capela que, posteriormente, cedeu lugar à linda catedral gótica. São Fernando dirigiu os trabalhos que, orientados por ele, tiveram como centro verdadeiro o sacrário. Daí o nome de Nossa Senhora do Sacrário. Mas logo a imagem foi colocada no exterior, em um oratório sobre a porta do sacrário.

Na mesma igreja, o célebre Santo Ildefonso, hoje Doutor da Igreja, foi consagrado bispo de Toledo. E, segundo a tradição, esse fato relacionou-se com uma visão de Santo Ildefonso, que, por ter defendido a virgindade de Nossa Senhora, estando diante da mesma imagem de Maria, foi revestido com uma túnica branca, símbolo da virgindade. A Virgem Maria desceu do céu e agradeceu o Santo bispo por defender sua integridade no Mistério da Encarnação. A pedra onde a Virgem pôs seus pés pode ser vista em uma das capelas. Desde aquela época, Nossa Senhora, Maria Santíssima, é considerada Patrona de Toledo, na Espanha.

A devoção espalhou-se por todo o mundo

Santa Teresinha do Menino Jesus era devotíssima de Cristo no sacrário, tendo por Maria o primeiro sacrário vivo, que não só formou Jesus nas suas castíssimas entranhas, mas o conservou nos sacrários vivos do povo cristão. Conta sua biografia que, nos dias de tempos de tempestades e trovoadas, Teresinha corria à capela e abraçava o sacrário dizendo “se eu morrer, morrerei com Cristo vivo no sacrário”.

Oração

Ó Deus, que por vossa glória e nossa salvação,
constituístes Jesus Cristo sumo e eterno sacerdote,
concedei ao vosso povo, resgatado por seu sangue,
e permanecendo no sacrário,
que ao celebrar o memorial de sua paixão,
receba a força redentora de sua cruz e ressurreição.
Por Cristo Nosso Senhor.
Amém.

Pe. Roque Vicente Beraldi, cmf

8 de maio de 2019 at 5:44 Deixe um comentário

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