Archive for março, 2018

Editorial: Ele é a nossa paz!

Cristo ressuscitadoCristo ressuscitado

Quantos cristãos não puderam viver esta semana máxima para a fé cristã por causa de guerras, violências e perseguições?

Silvonei José – Cidade do Vaticano

Estamos vivendo a Semana Santa, tempo em que Jesus Cristo revelou o Seu amor por nós através do sofrimento pelo qual voluntariamente passou. Hoje sábado, aguardamos a sua ressurreição.

Frequentemente nas suas homilias e discursos o Papa Francisco recorda os mártires do nosso tempo e as Igrejas perseguidas. Recorda que são os mártires que levam avante a Igreja, “são os que a amparam, que a ampararam no passado e a amparam hoje. E hoje existem mais mártires do que nos primeiros séculos”.

Ouça o Editorial

Quantos cristãos não puderam viver esta semana máxima para a fé cristã por causa de guerras, violências e perseguições?

Nem sempre os meios de comunicação não chamam a atenção para esse drama de hoje, porque não faz notícia. Mas mesmo sem os holofotes da mídia os cristãos continuam sendo perseguidos, insultados, presos, mortos. Francisco recorda que “há muitas pessoas nas prisões, somente pelo fato de carregar uma cruz ou  professar Jesus Cristo!”

 Irmãos que não poderão festejar a Páscoa do Senhor

Esta é a gloria da Igreja e também a nossa humilhação: nós que temos tudo, tudo parece fácil para nós e se nos falta alguma coisa reclamamos… “Mas pensemos nesses irmãos e irmãs que hoje, num número maior do que nos primeiros séculos, sofrem o martírio!”, disse o Papa. Pensemos nesses irmãos que não poderão festejar a Páscoa do Senhor.

Os cristãos são chamados a testemunhar o amor de Cristo. Tempos atrás, em um encontro com a Comissão de diálogo entre católicos ortodoxos orientais Francisco aproveitou a ocasião para mostrar mais uma vez a sua proximidade aos muitos cristãos que hoje sofrem por causa dos fundamentalismos.

Estamos conscientes de que situações de tanto sofrimento se enraízam mais facilmente em contextos de pobreza, injustiça e exclusão social, devido também à instabilidade gerada por interesses de parte, frequentemente externos, e de conflitos precedentes, que produziram condições de vida miseráveis, desertos culturais e espirituais nos quais é fácil manipular e instigar ao ódio.

Mundo ferido e dilacerado

Um dado de fato é que todos os dias as Igrejas cristãs estão próximas ao sofrimento e são chamadas a semear concórdia e a reconstruir pacientemente a esperança, confortando com a paz, uma paz que juntos, todas as Igrejas devem oferecer a um mundo ferido e dilacerado.

Recordando São Paulo: “se um membro sofre, todos os membros sofrem juntos”.

Outra afirmação é que nos dias de hoje temos tantos mártires, que de modo corajoso testemunham Cristo, revelando o coração da nossa fé. Uma fé que não consiste em uma genérica mensagem de paz e reconciliação, mas em Jesus mesmo, crucificado e ressuscitado. “Ele é a nossa paz e a nossa reconciliação”.

Nosso Papa Francisco sublinha frequentemente que como discípulos de Cristo “somos chamados a testemunhar em todos os lugares e situações, com a força cristã, o Seu amor humilde que reconcilia o homem em todas as épocas”. Onde violência chama violência e violência semeia morte, a nossa resposta é o puro fermento do Evangelho, que sem entrar na lógica da força, faz brotar frutos de vida também em terras áridas e alvoradas de esperança depois de noites de terror.

A coragem humilde do perdão e da paz

Na sua mensagem para a Páscoa de 2015 o Papa Francisco pediu ao Senhor ressuscitado a graça de não cedermos ao orgulho que alimenta a violência e as guerras, mas termos a coragem humilde do perdão e da paz. “A Jesus vitorioso pedimos que alivie os sofrimentos de tantos irmãos nossos perseguidos por causa do seu nome, bem como de todos aqueles que sofrem injustamente as consequências dos conflitos e das violências em curso, e que são tantas”.

Palavras de Francisco: “uma Igreja sem mártires é uma Igreja sem Jesus”. Nos primeiros séculos da Igreja um antigo escritor dizia, e vale ainda para os dias de hoje: “O sangue dos cristãos, o sangue dos mártires, é semente dos cristãos.” Feliz Páscoa!

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31 de março de 2018 at 11:06 Deixe um comentário

Reflexão para o Sábado Santo

Santo Sepulcro, em JerusalémSanto Sepulcro, em Jerusalém

“Como Maria, com o coração em luto, a Igreja aguarda esperançosa, que a promessa do Cristo se cumpra, que ele surja, que ele ressuscite. A ausência não é experiência do vazio, mas aprofunda a presença desejada!”

Padre César Augusto dos Santos SJ – Cidade do Vaticano

Hoje fazemos experiência do vazio. O Senhor cumpriu sua missão nos redimindo, através de sua paixão e cruz, através de sua entrega até a morte. Na noite passada contemplamos o sepultamento de seu corpo.

Agora, nesta manhã de sábado, a saudade está presente, mas uma saudade cheia de paz e de esperança.

Como Maria, com o coração em luto, a Igreja aguarda esperançosa, que a promessa do Cristo se cumpra, que ele surja, que ele ressuscite. A ausência não é experiência do vazio, mas aprofunda a presença desejada!

Podemos recordar e refletir sobre os sábados santos de nossa vida, nossas experiências de vazio após sofrimentos e perdas.

Como vivenciamos esses mistérios dolorosos quando irromperam em nossa existência? Permitimos que luz da fé na certeza da vitória da Vida, iluminasse nossa mente e aquecesse nosso coração? Preenchemos esse vazio abrindo as portas de nosso coração a Jesus, Palavra de Vida, de Eternidade? Ou nos fragilizamos mais ainda, permitindo que a escuridão da morte nos envolvesse?

Jesus é Vida! Nossa Senhora, a verdadeira discípula, na manhã de sábado permaneceu, apesar da dor, do luto, esperançosa. Ela acreditou nas palavras de seu Filho e não permitiu que o sofrimento pela perda dissesse a última palavra, mas que a palavra definitiva seria a promessa de seu Filho, a própria Palavra, que disse que iria ressuscitar que ele era o Caminho, a Verdade, a Vida!

Hoje à noite iremos celebrar a Vitória da Vida, a ressurreição de Jesus, o encontro do Filho ressuscitado com a Mãe que deixará de ser a Senhora das Dores, para ser a Senhora da Glória.

Contudo, para nós que perdemos entes queridos, esse encontro ainda não aconteceu e sabemos que nesta vida, não acontecerá. Como viver, então, a Páscoa da Ressurreição?

Nossa vida deverá ser um permanente Sábado Santo, não com vazio, mas pleno de fé, de esperança na certeza da vitória da Vida e que também teremos o reencontro que Maria teve, e será para sempre! Quanto mais nos deixarmos envolver pela Palavra de Vida, que é Jesus, mais nos aproximaremos da tarde da ressurreição; de modo mais intenso essa palavra irá nos iluminar e aquecer.

31 de março de 2018 at 11:04 Deixe um comentário

Sábado Santo

Sábado Santo

O Senhor Jesus “repousa” no Sepulcro.

A Sua Alma não deixou de vigiar e de continuar operante. Ela desce até onde a esperam todos aqueles que acreditaram em Deus e viveram na esperança da vinda do Redentor. Para todas as gerações da história humana, a Sua Morte é causa de salvação.

Mas repousam os Seus membros mortais e sofredores, como repousa a semente no seio da terra, na expectativa da vinda definitiva e gloriosa que, esta noite, irá surgir.

Pondo de parte toda a atividade (este é o único dia em que não há a assembleia eucarística), a Igreja está de vigia junto do sepulcro do Senhor.

Participando embora do mistério do Seu sofrimento e da Sua morte, ela vive na esperança. Sabe, com efeito, que Jesus, tão fiel ao Pai até à morte, não pode ficar “abandonado à corrupção”. A Sua Morte será o penhor da nova Criação, que se aproxima.

Sabe também que o “repouso” de Jesus é a imagem do “repouso” de todos aqueles que foram batizados na Sua Morte e Ressurreição. Depois que Ele morreu e foi sepultado, santificando a morte, ela já não será uma realidade terrível, mas sim “um intervalo, espiritualmente vivo, para o início de uma vida superior”.

Missal Dominical Popular

31 de março de 2018 at 5:35 Deixe um comentário

Reflexão para a Sexta-feira da Paixão

Após a Ceia, o Senhor se retira para rezar com seus discípulos, mas eles dormem. Jesus sente a solidão. É difícil ficar só.

Cidade do Vaticano

Rezar a Paixão do Senhor é segui-lo no seu esvaziamento por amor do mundo, dos homens.

O Senhor está sozinho em sua luta pela salvação do mundo. Ele dará o sim ao Pai, um sim total e definitivo em nome de toda a Humanidade.

Após a Ceia, o Senhor se retira para rezar com seus discípulos, mas eles dormem. Jesus sente a solidão. É difícil ficar só. Ele volta três vezes ao grupo, mas eles dormem. Diante do Senhor o universo do pecado, do desconhecimento do amor divino, do menosprezo do carinho de Deus.

Jesus sente o peso dos pecados de todos os homens. Sente o peso da natureza humana em ruptura com o Pai, submetida ao “Príncipe das Trevas”.

É a hora da opção, da escolha definitiva. Ele sendo o “SIM DO PAI” deve ratificar sua missão.

Até em sua carne repercute o drama de sua escolha a ponto de suar sangue.

“Minha alma está triste até a morte”. Jesus é tentado a largar tudo, a renunciar. Ele diz: “Pai, afasta de mim este cálice”!

Contudo esse grito de dor, já é demonstração de confiança e também já é uma aceitação: “Pai, não o que eu quero, mas o que Tu queres!”

E nós, como vivemos os momentos duros de paixão, de solidão?

Sejamos humildes como Jesus… Ele, o filho de Deus pede e aceita o reconforto do Anjo… Sinal do amor do Pai. Não nos espantemos de oscilar daqui, dali e de repetir sempre as mesmas palavras…

Jesus vai-e-vem, busca apoio e a ele renuncia.

Diz sempre as mesmas palavras… O amor sem palavras!…..

Apesar de sua agonia, Jesus pensa nos outros, em seus Apóstolos: Rezai para não entrardes em tentação”.

Alma de Cristo, santificai-me

Corpo de Cristo, salvai-me

Sangue de Cristo, inebriai-me

Água do lado de Cristo, purificai-me

Paixão de Cristo, confortai-me

Ó Bom Jesus, ouvi-me

Dentro de vossas Santas Chagas, escondei-me

Não permitais que me separe de vós.

Na hora da morte chamai-me e

mandai-me ir para vós. Amém

30 de março de 2018 at 9:57 Deixe um comentário

Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo. Vinde adoremos!

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30 de março de 2018 at 9:46 Deixe um comentário

Papa: olhar o crucifixo para superar os desertos da nossa vida

2018-03-20 Messa Santa Marta

Na homilia da missa celebrada na Casa Santa Marta, o Papa Francisco convidou os fiéis a olharem para o crucifixo todas as vezes que sentirem cansados diante das dificuldades da vida.

Cidade do Vaticano –

Olhar o Crucifixo nos momentos difíceis, quando o coração está deprimido: este é o convite que o Papa Francisco fez na homilia da missa celebrada na Casa Santa Marta (20/03).

O Pontífice iniciou a sua reflexão a partir da Primeira Leitura (Nm 21,4-9), na qual se narra a desolação vivida pelo povo de Israel no deserto e o episódio das serpentes que mordem o povo. Tiveram fome e Deus respondeu com o maná e depois com as codornas, tiveram sede e Deus lhes deu água. Depois, com o aproximar-se da terra prometida, alguns deles manifestaram ceticismo porque os espiões enviados por Moisés tinham dito que era uma terra rica de frutas e de animais, mas habitada por um povo alto e forte, bem armado. E, portanto, expressavam as razões do perigo de ir ali.

“Olhavam para a própria força e tinham se esquecido da força do Senhor, que os havia libertado da escravidão de 400 anos”, notou o Papa.

Memória doentia

Em síntese, “o povo não suportou a viagem”, assim como as pessoas que “iniciam uma vida para seguir o Senhor”, mas a um certo ponto as provações as superam. É aquele momento da vida em que alguém diz: “Chega! Eu paro e volto para trás” e se pensa com remorso sobre o passado: “quanta carne, quantas cebolas, quantas coisas boas comiam ali”.

O Papa convidou, porém, a ver a parcialidade desta “memória doentia”, desta saudade distorcida porque aquela era a refeição da escravidão, quando eram escravos no Egito.

Essas são as ilusões que o diabo traz: mostra o lado bom de algo que você deixou, do qual você se converteu no momento da desolação do caminho, quando você ainda não chegou à promessa do Senhor. É um pouco como o caminho da Quaresma. Sim, podemos pensar assim; conceber a vida como uma Quaresma: sempre existem as provações e as consolações do Senhor, tem o maná, a água, existem os pássaros que nos dão de comer… mas aquela comida era melhor. Mas não se esqueça que comia à mesa da escravidão!

Criticar Deus é envenenar a alma

Esta experiência – destacou o Papa – acontece com todos nós quando queremos seguir o Senhor, mas nos cansamos. Mas o pior é que o povo criticou Deus e “criticar Deus é envenenar a alma”. Talvez alguém pensa que Deus não o ajude ou que tem que superar muitas provações. Sente o “coração deprimido, envenenado”. E as serpentes, que mordiam o povo como narra a Primeira Leitura, são exatamente “o símbolo do envenenamento”, da falta de constância em seguir o caminho do Senhor.

Moisés, então, intercede junto ao Senhor, que responde pedindo que faça uma serpente de bronze e a coloque no alto de uma haste. Esta serpente curava todos os que haviam sido atacados pelas serpentes por ter criticado Deus: “Esta serpente era profética: era a figura de Cristo sobre a cruz”.

Está aqui a chave da nossa salvação, a chave da nossa paciência no caminho da vida, a chave para superar os nossos desertos: olhar o crucifixo. Olhar Cristo crucificado. “E o que devo fazer, Padre?” – “Olhar. Olhar as Chagas. Entre nas Chagas”. Por aquelas Chagas fomos curados. Você se sente envenenado, triste, sente que a sua vida não tem sentido, está cheia de dificuldades e de doenças? Olhe para lá.

Olhar para o crucifixo

Nesses momentos, portanto Francisco convida a olhar “o crucifixo feio, isso é o real” porque “os artistas fizeram crucifixos bonitos, artísticos”, alguns de ouro e pedras preciosas. E isso – destaca – “nem sempre é mundanidade” porque quer significar “a glória da cruz, a glória da ressurreição”. “Mas quando você se sente desse jeito, veja isso: antes da glória”, ressalta o Papa.

Então Francisco recorda de quando era criança e ia com a sua avó na Sexta-feira Santa: fazia-se a procissão de velas na paróquia e vinha o Cristo deitado em mármore, em dimensões naturais. E quando chega o Cristo deitado, a avó nos fazia ajoelhar: “Olhe bem para ele” – dizia – “mas amanhã ele ressuscitará!”. De fato, naquela época, antes da reforma litúrgica de Pio XII, a ressurreição se celebrava na manhã de sábado, não no domingo. E então, a avó, na manhã de sábado, quando se ouviam os sinos da ressurreição, nos fazia lavar os olhos com água, para ver a glória de Cristo.

Ensinem seus filhos a olhar para o crucifixo e para a glória de Cristo. Mas nós, nos maus momentos, em momentos difíceis, envenenados um pouco por ter dito em nossos corações qualquer desilusão contra Deus, olhemos para as feridas. Cristo elevado como a serpente: porque ele se fez serpente, ele se aniquilou para vencer “a serpente do mal”. Que a Palavra de Deus hoje nos ensine este caminho: olhar para o crucifixo. Acima de tudo, no momento em que, como povo de Deus, nos cansamos da viagem da vida.

30 de março de 2018 at 5:55 Deixe um comentário

Junto à cruz de Jesus estava sua Mãe – Comentário de São João Crisóstomo

Viste essa vitória admirável? Viste os magníficos prodígios da cruz? Posso dizer-te alguma coisa ainda mais admirável? Ouve o modo como se deu a vitória, e te maravilharás mais ainda. Cristo venceu o diabo valendo-Se dos meios com que o diabo tinha vencido, e derrotou-o tomando as próprias armas que ele tinha usado. Ouve como o fez.

A virgem, o madeiro e a morte foram os sinais da nossa derrota. A virgem era Eva, pois ainda não conhecera varão. O madeiro era a árvore; a morte, o castigo de Adão. Mas agora, a virgem, o madeiro e a morte, que foram os sinais da nossa derrota, tornaram-se os sinais da nossa vitória. Com efeito, em vez de Eva está Maria; em vez da árvore do bem e do mal está o madeiro da cruz; em vez da morte de Adão está a morte de Cristo.

Vês como o demônio foi vencido pelos mesmos meios por que vencera? Na árvore, o diabo fez cair Adão; na árvore, Cristo derrotou o diabo. A primeira levava à região dos mortos; mas a segunda faz voltar até os que já para ali haviam descido. Do mesmo modo, a primeira árvore ocultou o homem já vencido e nu; esta porém mostrou a todos o vencedor, também nu, levantado ao alto.

Todos estes magníficos efeitos nos conseguiu a cruz: a cruz é troféu levantado contra os demônios e uma espada contra o pecado, espada com a qual Cristo trespassou a serpente; a cruz é a vontade do Pai, a glória do seu Filho unigênito, a alegria do Espírito Santo, a honra dos anjos, a segurança da Igreja, o regozijo de São Paulo, a fortaleza dos santos, a luz de toda a terra.

30 de março de 2018 at 5:55 Deixe um comentário

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