Archive for janeiro, 2015

Reflexão litúrgica para o IV Domingo do Tempo Comum

2015-01-31 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – Casar ou não casar, eis a questão levantada por São Paulo na segunda leitura de hoje.

O judaísmo dava muita importância ao casar-se, pois daí viriam os filhos que iriam ajudar ao Povo de Israel ser uma realidade. As pessoas solteiras e viúvas eram olhadas como anormais, pois não seguiam a vocação natural: casar e procriar.

O Cristianismo viu no celibato um laço estreito e forte com aquilo que se relaciona imediatamente com o Reino dos Céus. Ele permite à pessoa celibatária dedicar-se totalmente às coisas do Reino dos céus.

Uma constrói o Reino deste mundo, a outra, o celeste.

Muitos sentem que não lhes cabe alternativa senão consagrar-se à vida religiosa ou sacerdotal, pois querem o mais, querem apenas cuidar da realidade futura.

Outros, reconhecendo a beleza da vida matrimonial e de ter filhos, sentem-se chamados a construir uma família.

Mas para aquele e para aquela que vê a beleza das duas vocações, que deseja fazer a vontade do Senhor, que não quer seguir os apelos carnais, o que fazer?

Tudo é bom porque tudo leva para Deus, contudo para alguns, uma dessas duas opções é melhor do que a outra. Não se trata de uma visão teórica do que seja melhor, mas sim de uma adesão à vocação, ao chamado de Deus, àquilo que nos fará mais felizes, mais pessoas realizadas.

São Paulo, ao enaltecer a vida celibatária quer mostrar aos que colocam o casamento como a vocação única do ser humano, as vantagens e os porquês da vida celibatária. Longe de engrandecer o celibato como a única vocação digna do ser humano, o Apóstolo dos gentios busca o equilíbrio tirando do casamento sua superioridade em relação ao outro modo de ser. Todas as duas vocações são importantes e nenhuma é melhor que a outra. A melhor é aquela à qual a pessoa se sente chamada. De fato, a santidade reside em saber responder ao chamado do Senhor, seja ele qual for.

São Paulo é muito prático e para enaltecer a vida celibatária por amor ao Reino dos céus, diz que ela propicia ao ser humano viver sempre unido ao Senhor, com o coração livre para se dedicar por completo a Deus e aos irmãos, indistintamente, sem qualquer limite. Portanto, a grandeza do celibato ganha sentido enquanto doação plena e total ao Reino.

Contudo, nossa realidade nos apresenta homens e mulheres casados, que, individualmente ou como casal, além de manter com sacrifícios uma família, dedicam muito tempo à comunidade, quando não se tornam o baluarte da mesma comunidade. Não podemos fechar os olhos diante dessa realidade!

Trata-se de fazer a vontade de Deus, não importando o estado civil. Este deverá ser vivido, assumido, dentro da vocação dada pelo Senhor. Não importa se somos leigos ou religiosos. Jamais poderemos nos fechar em nossa vida. A dimensão do serviço ao Reino deve encontrar espaço em nossa vida. Seja de modo explícito na vida eclesial, seja de modo implícito na vida comunitária, o cristão deverá dedicar-se à construção do Povo de Deus.

Pe. Cesar Augusto dos Santos, S.J.

31 de janeiro de 2015 at 20:47 Deixe um comentário

SÃO JOÃO BOSCO, PRESBÍTERO

Nasceu perto de Castelnuovo, na diocese de Turim, em 1815. Teve uma infância sofrida. Ordenado

sacerdote, consagrou todas as suas energias à educação da juventude, para formá-la na prática da vida

cristã e no exercício de uma profissão. Com essa finalidade, fundou Congregações, sobretudo, a

Sociedade São Francisco de Sales (Salesianos). Escreveu também diversos opúsculos para proteger e

defender a religião católica. Morreu em 1888.

31 de janeiro de 2015 at 20:44 Deixe um comentário

Reflexão de São João Bosco – 31 de Janeiro

Das Cartas de São João Bosco: “Envergonhando-nos de tudo o que nos possa dar a aparência de dominadores”

(Epistolario, Torino 1959. 4, 201-203) (Sec. XIX)

Olhemos como filhos nossos para aqueles sobre os quais exercemos alguma autoridade. Ponhamo-nos ao seu serviço como Jesus, que veio para obedecer e não para dar ordens, envergonhando-nos de tudo o que nos possa dar a aparência de dominadores; e se algum domínio exercemos sobre eles, há-de ser apenas para os servir melhor.

Assim fazia Jesus com os seus Apóstolos, tolerando-os na sua ignorância e rudeza, e inclusivamente na sua pouca fidelidade; era tal a familiaridade e afeição com que tratava os pecadores que a alguns causava espanto, a outros escândalo, e em muitos infundia a esperança de receber o perdão de Deus; por isso nos ordenou que aprendêssemos d’Ele a ser mansos e humildes de coração.

Uma vez que são nossos filhos, afastemos toda a cólera quando devemos censurar as suas falhas, ou ao menos moderemo-la de tal modo que pareça totalmente dominada. Nada de agitação de ânimo, nada de desprezo no olhar, nada de injúrias nos lábios; mas tenhamos compaixão no presente e esperança no futuro: então seremos verdadeiros pais e conseguiremos uma verdadeira correcção.

Em certos momentos muito graves ajuda mais uma recomendação a Deus, um acto de humildade perante Ele, do que uma tempestade de palavras, que só fazem mal a quem as ouve e de nenhum proveito servem para quem as merece.

Fonte: Vaticano

31 de janeiro de 2015 at 20:41 Deixe um comentário

Frases de São Pedro Crisólogo, Bispo e Doutor da Igreja – 02

1-“Os Magos veem claramente envolvido em panos Aquele que há tanto tempo procuravam de modo obscuro nos astros”.

2-“Cristo semeou, pois, o grão de mostarda no seu jardim. A semente criou raízes quando Ele prometeu o seu Reino aos patriarcas, germinou com os profetas, cresceu com os Apóstolos e tornou-se a árvore imensa que estende os seus longos ramos sobre a Igreja, e lhe prodiga os seus dons”.

3-“Deus assumiu um corpo humano, para que a nossa natureza mortal, sempre envolvida por tantas obscuridades, não perca por ignorância o que por graça mereceu receber e possuir”.

4-“Ó homem, porque te consideras tão vil, tu que és tão precioso para Deus? Porque é que, sendo tu tão honrado por Deus, te desonras a ti mesmo?”

5-Os Magos “veem, creem e não discutem, como o demonstram os seus dons simbólicos: com o incenso reconhecem-n’O como Deus, com o ouro aceitam-n’O como Rei, com a mirra exprimem a fé n’Aquele que havia de morrer”.

6-“Cristo não entrou, pois, naquela casa (de Pedro) para tomar alimento, mas para restaurar a vida. Deus não anda a procura dos bens humanos, anda à procura dos homens”.

7-“Ó homem, porque perguntas de que é que foste feito e não queres saber para que foste feito? Porventura todo este mundo que vês não foi feito para ser tua morada?

8-Com efeito, Aquele que por nós quis nascer não quis ser por nós ignorado; e por isso Se manifestou deste modo, para que o grande mistério da sua bondade não fosse ocasião de grande erro”.

9-“Quando a Virgem concebe, virgem dá à luz e permanece virgem, isso não entra na ordem da natureza, mas dos sinais divinos; não é segundo a razão humana, mas conforme ao poder de Deus; é o Criador que atua, não a natureza humana; não é caso comum, mas único; é obra divina e não humana”.

10-“Os Magos, que O (a Jesus) buscavam resplandecente nas estrelas, encontram-n’O chorando no berço”.

11-“Eis o motivo que conduziu Jesus a casa de Pedro: não foi o desejo de Se pôr à mesa, mas a debilidade daquela doente; não foi a necessidade de tomar uma refeição, mas a ocasião de realizar uma cura”.

12-“Aquele que, sem nascer, fez o homem do barro intacto fez-Se homem nascendo de um corpo também intacto. A mão que Se dignou tomar o barro para formar o nosso corpo também Se dignou tomar a nossa carne para nos salvar”.

13-“Os Magos veem claramente envolvido em panos Aquele que há tanto tempo procuravam de modo obscuro nos astros”.

14-Jesus “não deseja encontrar coisas terrenas, mas quer dar os bens celestes. Assim, Cristo não veio até nós à procura das coisas que nós possuímos, mas para nos levar consigo”.

15-“Cristo cura a paralisia dos nossos membros e do nosso coração”.

16-“Os Magos consideram com profunda admiração o que veem no presépio: o Céu na terra, a terra no Céu, o homem em Deus, Deus no homem, e Aquele a quem todo o universo não pode conter incluído num pequenino corpo de criança”.

30 de janeiro de 2015 at 11:30 Deixe um comentário

Papa: memória e esperança são os “parâmetros” do cristão

2015-01-30 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – Um cristão deve sempre custodiar em si a  “memória” do seu primeiro encontro com Cristo e a “esperança” Nele, que o leva a prosseguir na vida com a “coragem” da fé. Foi  oque afirmou o Papa Francisco na homilia da Missa matutina desta sexta-feira, 30 de janeiro, presidida na capela da Casa Santa Marta.

Na sua homilia, o Papa  se inspirou na frase inicial da carta aos Hebreus, na qual o autor convida todos a reevocaram “na memória aqueles primeiros dias”, quando receberam “a luz de Cristo”. Em especial, “o dia do encontro com Jesus” jamais deve ser esquecido, observou Francisco, porque é o dia “de uma alegria imensa”. E com a memória, jamais deve se perder “a coragem dos primeiros tempos” e o “entusiasmo”, a “franqueza” que nascem da lembrança do primeiro amor:

“A memoria é tão importante para recordar a graça recebida, porque se nós expulsarmos este entusiasmo que vem da memória do primeiro amor, há um perigo muito grande para os cristãos: o tepor. Os cristãos “mornos”. Eh, mas estão ali, parados, e sim, são cristãos, mas perderam a memória do primeiro amor. E, sim, perderam o entusiasmo. Também perderam a paciência, aquele “tolerar” as coisas da vida com o espírito do amor de Jesus; aquele “tolerar”, o “carregar nas costas” as dificuldades… Os cristãos mornos, coitados, estão em grave perigo”.

Quando pensa nos cristãos mornos, vêm à mente de Francisco duas imagens incisivas e desagradáveis: aquela evocada por Pedro, do “cão que volta ao seu próprio vômito”; e a outra de Jesus, para o qual existem pessoas que, ao decidirem seguir o Evangelho,  expulsaram sim o demônio, mas quando este volta, lhe abrem a porta sem estarem atentos. Assim, o demônio “toma posse daquela casa” inicialmente limpa e bela. Que seria como voltar ao “vômito” daquele mal num primeiro momento rejeitado. E vice-versa, afirmou Francisco:

“O cristão tem esses dois parâmetros: a memória e a esperança. Evocar a memória para não perder aquela experiência tão bela do primeiro amor, e que alimenta a esperança. Tantas vezes a esperança é obscura, mas vai avante. Acredita, vai, porque sabe que a esperança não desilude para encontrar Jesus. Esses dois parâmetros são justamente a moldura na qual podemos custodiar esta salvação dos justos, que vem do Senhor”.

Uma salvação, conclui o Papa citando o trecho do Evangelho, que deve ser protegida “para que a pequena semente de mostarda cresça e dê o seu fruto”:

“Dão pena, fazem mal ao coração tantos cristãos – tantos cristãos! – na metade do caminho, tantos cristãos falidos neste caminho rumo ao encontro com Jesus, partindo do encontro com Jesus. Este caminho no qual perderam a memória do primeiro amor e não têm a esperança. Estão ali… Peçamos ao Senhor a graça de custodiar o presente, o dom da salvação”.

(BF)

30 de janeiro de 2015 at 9:57 Deixe um comentário

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30 de janeiro de 2015 at 7:56 Deixe um comentário

Jesus Eucarístico- Liturgia das Horas

Hino

Vamos todos louvar juntos 
o mistério do amor, 
pois o preço deste mundo 
foi o sangue redentor, 
recebido de Maria, 
que nos deu o Salvador. 

Veio ao mundo por Maria, 
foi por nós que ele nasceu. 
Ensinou sua doutrina, 
com os homens conviveu. 
No final de sua vida, 
um presente ele nos deu. 

Observando a Lei mosaica, 
se reuniu com os irmãos. 
Era noite. Despedida. 
Numa ceia:refeição. 
Deu-se aos doze em alimento, 
pelas suas próprias mãos. 

A Palavra do Deus vivo 
transformou o vinho e o pão 
no seu sangue e no seu corpo 
para a nossa salvação. 
O milagre nós não vemos, 
basta a fé no coração. 

Tão sublime sacramento 
adoremos neste altar, 
pois o Antigo Testamento 
deu ao Novo seu lugar. 
Venha a fé por suplemento 
os sentidos completar. 

Ao Eterno Pai cantemos 
e a Jesus, o Salvador. 
Ao Espírito exaltemos, 
na Trindade, eterno amor. 
Ao Deus Uno e Trino demos 
a alegria do louvor.

29 de janeiro de 2015 at 18:13 Deixe um comentário

Santa Martinha – 30 de Janeiro

Site das Paulinas

O pai de Martinha era um homem público, eleito três vezes cônsul de Roma. Ele pertencia a nobreza, era muito rico e cristão. Quando a menina nasceu, no começo do século III, o acontecimento foi amplamente divulgado na corte, entre o povo e pelos cristãos, pois a pequena logo foi batizada. 

Martinha cresceu em meio à essa popularidade, muito caridosa, alegre e uma devota fiel ao amor de Jesus Cristo. Com a morte de seu pai a jovem recebeu de herança duas fortunas: uma material, composta de bens valiosos e a outra espiritual, pois foi educada dentro dos preceitos do cristianismo. A primeira, ela dividiu com os necessitados assim que tomou posse da herança. A segunda, foi empregada com humildade e disciplina, na sua rotina diária de diácona da Igreja, na sua cidade natal. 

Desde o ano 222, o imperador romano era Alexandre Severo, que expediu um decreto mandando prender os cristãos para serem julgados e no caso de condenação seriam executados. Chamado para julgar o primeiro grupo de presos acusados de praticar o cristianismo, o imperador se surpreendeu ao ver que Martinha estava entre eles e tentou afastá-la dos seus irmãos em Cristo. Mas ela reafirmou sua posição de católica e exigiu ter o mesmo fim dos companheiros. A partir deste momento começaram os sucessivos fatos prodigiosos que culminaram com um grande tremor de terra. 

Primeiro, Alexandre mandou que fosse açoitada. Mas a pureza e a força com que rezou, ao se entregar à execução, comoveram seus carrascos e muitos foram tocados pela fé. Tanto que, ninguém teve coragem de flagelar a jovem. O imperador mandou então que ela fosse jogada às feras, mas os leões não a atacaram. Condenada à fogueira, as chamas não a queimaram. Martinha foi então decapitada. No exato instante de sua a execução a tradição narra que um forte terremoto sacudiu toda cidade de Roma. 

O relato do seu testemunho correu rápido por todas as regiões do Império, que logo atribuiu à santidade de Martinha, todos os prodígios ocorridos durante a sua tortura assim como o terremoto, ocasionando um cem número de converções.

No século IV, o papa Honório mandou erguer a conhecida igreja do Foro, em Roma, para ser dedicada à ela, dando novo impulso ao seu culto por mais quatrocentos anos. Depois, as relíquias de Santa Martinha ficaram soterradas e sua celebração um pouco abandonada, durante um certo período obscuro vivido pelo Cristianismo. 

Passados mais quinhentos anos, ou melhor catorze séculos após seu martírio, quando era papa, o dinâmico Urbano VIII, muito empenhado na grande contra-reforma católica e disposto a conduzir o projeto de reconstrução das igrejas. Começou pela igreja do Foro, onde as relíquias de Santa Martinha foram reencontradas. Nesta ocasião, proclamou Santa Martinha padroeira dos romanos e ainda compôs hinos em louvor à ela, inspirado na vida imaculada, da caridade exemplar e do seu corajoso testemunho a Cristo.

Outros santos e beatos:

Santo Adadelmo (†1100) — abade beneditino. Viveu na abadia por ele fundada em Burgos, na Espanha. Soldado francês, tornou-se monge após se encontrar com são Roberto, durante uma peregrinação a Roma.
Santo Agripino (†180) — nono bispo de Alexandria.
Santo Alexandre — martirizado no século III.
Santo Armentário (†451) — bispo de Pavia.
São Barsamya — bispo de Edessa, no século II, martirizado sob o império de Trajano.
São Barses (†379) — bispo de Edessa, morto no exílio.
Santa Batilde (†680) — rainha. Passou de escrava a esposa do rei Clóvis II. Após a morte do marido, foi regente da França; mais tarde, ingressou no convento beneditino por ela fundado em Chelles.
Santos Feliciano, Filapiano e companheiros — 126 mártires africanos.
São Matias (†120) — bispo de Jerusalém.
santa Orgone ou Aldegundes (630-684) — abadessa beneditina, irmã de santa Valdetrudes; fundou o convento de Maubeuge.
Santa Savina (†311) — matrona de Milão. Prestou assistência aos mártires cristãos durante a perseguição de Diocleciano.
Beato Sebastião Valfré (1629-1710) — nascido em Verduno, diocese de Alba, ingressou no convento dos oratorianos de Turim. Aí viveu até a morte, praticando exemplarmente a regra religiosa no espírito de são Filipe Néri, dedicando-se à direção espiritual da comunidade.
Santa Tybie ou Tudy — virgem; viveu no século V.

29 de janeiro de 2015 at 9:38 Deixe um comentário

Papa: Elites eclesiais não seguem a via de Jesus

2015-01-29 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – Não seguem a nova via aberta por Jesus aqueles que privatizam a fé fechando-se em “elites” que desprezam os outros: é o que afirmou o Papa durante a homilia da manhã desta quinta-feira, (29/01), na Casa Santa Marta. Comentando a Carta aos Hebreus, o Papa disse que Jesus é “a via nova e vivente” que devemos seguir “conforme a Sua vontade”. Porque existem formas errôneas de vida cristã. Jesus “dá os critérios para não seguir os modelos equivocados. E um destes modelos errados é privatizar a salvação”:

“É verdade, Jesus salvou a todos nós, mas não de forma genérica, não? Todos, mas cada um individualmente, nome e sobrenome. E esta é a salvação pessoal. Realmente estou salvo, o Senhor me olhou, deu a vida por mim, abriu esta porta, esta nova via para mim, e cada um de nós pode dizer: ‘para mim’. Mas existe o perigo de esquecer que Ele nos salvou individualmente sim, mas como parte de um povo. Em um povo. O Senhor sempre salva no povo. Do momento que chama Abraão, promete a ele de criar um povo. E o Senhor nos salva em um povo. Por isso o autor desta Carta nos diz: ‘Prestemos atenção uns aos outros’. Não existe uma salvação somente para mim. Se eu entendo a salvação assim, erro; pego a estrada errada. A privatização da salvação é uma estrada errada”.

São três os critérios para não privatizar a salvação: “a fé em Jesus que nos purifica”, a esperança que “nos faz enxergar as promessas e seguir adiante” e “a caridade: prestemos atenção uns aos outros, para estimular-nos reciprocamente na caridade e nas boas obras”:

“E quando eu estou numa paróquia, numa comunidade – qualquer que seja – eu estou ali e posso privatizar a salvação e estar ali somente socialmente. Mas para não privatizá-la, devo perguntar a mim mesmo se eu falo, comunico a fé; falo, comunico a esperança; falo, faço e comunico a caridade. Se numa comunidade não se fala, não se encoraja um ao outro, nessas três virtudes, os membros daquela comunidade privatizaram a fé. Cada um busca a sua própria salvação, não a salvação de todos, a salvação do povo. E Jesus salvou cada um, mas num povo, numa Igreja”.

O autor da Carta aos Hebreus – prosseguiu o Papa – dá um conselho “prático” muito importante: “não desertemos as nossas reuniões, como alguns têm o hábito de fazer”. Isso acontece “quando nós estamos numa reunião – na paróquia, no grupo – e julgamos os outros”, “há uma espécie de desprezo pelos outros. E esta não é a porta, o caminho novo e vivente que o Senhor abriu, inaugurou”:

“Desprezam os outros; abandonam a comunidade inteira; desertam o povo de Deus; privatizaram a salvação: a salvação é para mim e para meu grupinho, mas não para todo o povo de Deus. E este é um erro muito grande. É o que chamamos – e que vemos – ‘as elites eclesiais’. Quando no povo de Deus se criam esses grupinhos, pensam ser bons cristãos, talvez tenham até boa vontade, mas são grupinhos que privatizaram a salvação”.

“Deus – destacou o Papa – nos salva num povo, não nas elites que nós produzimos com as nossas filosofias e o nosso modo de entender a fé. E essas não são as graças de Deus. Pensemos: eu tenho a tendência de privatizar a salvação para mim, para o meu grupinho, para a minha elite ou não deserto todo o povo de Deus, não me afasto do Seu povo e sempre estou em comunidade, em família, com a linguagem da fé, da esperança e a linguagem das obras de caridade?”. E concluiu: “Que o Senhor nos dê a graça de sentir-nos sempre povo de Deus, salvos pessoalmente. Isso é verdade: Ele nos salva com nome e sobrenome, mas salvos num povo, não no grupinho que eu crio para mim”. (RB/BF)

29 de janeiro de 2015 at 9:13 Deixe um comentário

Livro: A Cruz de Cristo é a Nossa Vitória – de Jane Amábile

Capa do livro

Papa Bento XVI: “A Cruz fala a todos que sofrem – os oprimidos, os doentes, os pobres, os marginalizados e as vítimas da violência – e oferece-lhes a esperança que Deus pode transformar o seu sofrimento em alegria, o seu isolamento em comunhão, a sua morte em vida”. (Junho de 2010) – do livro: “A Cruz de Cristo é a Nossa Vitória”.

28 de janeiro de 2015 at 12:17 Deixe um comentário

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