Archive for novembro, 2014

Canto de Entrada – Advento

30 de novembro de 2014 at 9:27 Deixe um comentário

Papa Francisco: O Espírito Santo cria unidade e supera toda divisão

2014-11-30 Rádio Vaticana

Istambul (RV) – Na parte da tarde, deste segundo dia da sua Viagem Apostólica à Turquia, o Santo Padre visitou a Catedral de Istambul, dedicada ao Espírito Santo, à qual doou um cálice de prata e uma casula.

A celebração, que teve diversos rituais latinos e orações em diversas línguas, contou com a participação especial do Patriarca Ecumênico, Bartolomeu I, do Patriarca siro-católico, Ignazio III Younan e, entre outros, de um numeroso grupo de sacerdotes, religiosos e religiosas, representantes das comunidades eclesiais paroquiais e de algumas confissões evangélicas.

Durante a celebração Eucarística, o Papa  Francisco pronunciou a sua homilia, partindo do Evangelho de hoje, que apresenta Jesus, ao homem sedento de salvação, como a fonte onde saciar a sede, a rocha da qual o Pai faz brotar rios de água viva para todos os que creem n’Ele. Com esta profecia, proclamada publicamente em Jerusalém, Jesus preanuncia o dom do Espírito Santo, que os seus discípulos receberiam após a sua glorificação. E o Papa afirmou:

O Espírito Santo é a alma da Igreja, que dá a vida, suscita os diversos carismas, que enriquecem o Povo de Deus e, sobretudo, cria a unidade entre os fiéis, tornando todos um único corpo, o Corpo de Cristo. Toda a vida e missão da Igreja dependem do Espírito Santo”.

A nossa própria profissão de fé, afirmou o Pontífice, só é possível se for sugerida pelo Espírito Santo. É graças a Ele que rezamos, que rompemos o círculo do nosso egoísmo, que descobrimos a capacidade incomum de perdoar e amar o irmão.

Com efeito, considerou o Papa, os diversos carismas, que o Espírito Santo suscita na Igreja, constituem uma imensa riqueza, porque Ele é Espírito de Unidade, que não significa uniformidade, na diversidade e na multiplicidade. Nós  causamos particularismos, exclusivismos e divisão, mas se nos deixarmos guiar por ele, a riqueza, a variedade, a diversidade jamais se tornarão conflito, porque Ele nos impele a viver a variedade na comunhão da Igreja. E o Pontífice explicou:

O Espírito Santo cria a unidade da Igreja: unidade na fé, unidade na caridade, unidade na coesão interior. A Igreja e as Igrejas são chamadas a deixar-se guiar pelo Espírito Santo, colocando-se numa atitude de abertura, docilidade e obediência. Trata-se de uma visão de esperança, mas, ao mesmo tempo, fadigosa. Nós, cristãos nos tornamos autênticos discípulos missionários, se nos deixarmos conduzir pelo Espírito, que é frescor, criatividade, novidade”.

No nosso caminho de fé e de vida fraterna, quanto mais nos deixarmos guiar humildemente pelo Espírito do Senhor, tanto mais superaremos as incompreensões, as divisões e as controvérsias, e nos tornaremos sinais críveis de unidade e de paz.

Com esta jubilosa certeza, o Papa Francisco concluiu sua homilia saudando e agradecendo a presença de todos, de modo particular,  o Patriarca Siro-Católico, o Patriarca de Constantinopla, Sua Santidade Bartolomeu I, o Metropolita Siro-Ortodoxo, o Vigário Patriarcal Arménio Apostólico, o Patriarca Arménio Apostólico Mesrob II e os responsáveis das Comunidades Protestantes, que quiseram participar desta celebração.

Ao término da celebração Eucarística o Santo Padre deixou a Catedral de Istambul e se dirigiu para o “Phanar”, sede do Patriarcado Ecumênico, onde, na igreja de São Jorge, participa de um encontro de Oração Ecumênica com o Patriarca Bartolomeu I. (MT)

30 de novembro de 2014 at 9:13 Deixe um comentário

Papa: “Diálogo autêntico é encontro entre pessoas com um nome, um rosto, uma história”

2014-11-30 Rádio Vaticana

Istambul (RV) – O Papa Francisco iniciou o terceiro e último dia da sua Viagem Apostólica à Turquia com uma Missa privada na Representação Pontifícia de Istambul. Após, encontrou o Grão-Rabino da Turquia, Isak Haleva, responsável pela segunda maior comunidade judaica em um país de maioria muçulmana, após o Irã.

Já às 8h20min locais, o Santo Padre dirigiu-se à Igreja de São Jorge, localizada ao lado da sede do Patriarcado de Constantinopla para participar da “Divina Liturgia  de São João Crisóstomo”, na Festa de Santo André. A Liturgia desenvolve um papel central na vida das Igrejas Ortodoxas enquanto expressão da teologia. Ao final da celebração, o Patriarca Ecumênico proferiu seu discurso, seguido pelo do Papa Francisco, que propomos na íntegra:

“Muitas vezes, como arcebispo de Buenos Aires, participei na Divina Liturgia das comunidades ortodoxas presentes naquela cidade, mas poder encontrar-me hoje nesta Igreja Patriarcal de São Jorge para a celebração do Santo Apóstolo André, o primeiro chamado e irmão de São Pedro, patrono do Patriarcado Ecumênico, é verdadeiramente uma graça singular que o Senhor me dá.

Encontrar-nos, olhar o rosto um do outro, trocar o abraço de paz, rezar um pelo outro são dimensões essenciais do caminho para o restabelecimento da plena comunhão para a qual tendemos. Tudo isto precede e acompanha constantemente a outra dimensão essencial do referido caminho que é o diálogo teológico. Um autêntico diálogo é sempre um encontro entre pessoas com um nome, um rosto, uma história, e não apenas um confronto de ideias.

Isto vale sobretudo para nós, cristãos, porque, para nós, a verdade é a pessoa de Jesus Cristo. O exemplo de Santo André – que, juntamente com outro discípulo, acolheu o convite do Divino Mestre: «Vinde e vereis» e «ficaram com Ele nesse dia» (Jo 1, 39) – mostra-nos claramente que a vida cristã é uma experiência pessoal, um encontro transformador com Aquele que nos ama e nos quer salvar. Também o anúncio cristão se difunde graças a pessoas que, apaixonadas por Cristo, não podem deixar de transmitir a alegria de serem amadas e salvas. Aqui, mais uma vez, é esclarecedor o exemplo do Apóstolo André. Depois de ter seguido Jesus até onde habitava e ter-se demorado com Ele, «encontrou primeiro o seu irmão Simão e disse-lhe: “Encontramos o Messias!” – que quer dizer Cristo. E levou-o até Jesus» (Jo 1, 40-42). Fica, assim, claro que nem sequer o diálogo entre cristãos pode subtrair-se a esta lógica do encontro pessoal.

Por isso, não foi por acaso que o caminho de reconciliação e de paz entre católicos e ortodoxos tenha sido, de alguma forma, inaugurado por um encontro, por um abraço entre os nossos venerados Predecessores, o Patriarca Ecumênico Atenágoras e o Papa Paulo VI, há cinquenta anos, em Jerusalém, um acontecimento que Vossa Santidade e eu quisemos recentemente comemorar encontrando-nos de novo na cidade onde o Senhor Jesus Cristo morreu e ressuscitou.

Por feliz coincidência, esta minha visita acontece poucos dias depois da celebração dos cinquenta anos da promulgação do Decreto do Concílio Vaticano II sobre a busca da unidade entre todos os cristãos, Unitatis redintegratio. Trata-se de um documento fundamental com que foi aberta uma nova estrada para o encontro entre os católicos e os irmãos de outras Igrejas e Comunidades eclesiais.

Em particular, com tal Decreto, a Igreja católica reconhece que as Igrejas ortodoxas «têm verdadeiros sacramentos e principalmente, em virtude da sucessão apostólica, o sacerdócio e a Eucaristia, por meio dos quais permanecem ainda unidas connosco por vínculos muito íntimos» (n. 15). Consequentemente, afirma-se que, para guardar fielmente a plenitude da tradição cristã e levar a termo a reconciliação dos cristãos do Oriente e do Ocidente, é de extrema importância conservar e sustentar o riquíssimo património das Igrejas do Oriente, não só no que diz respeito às tradições litúrgicas e espirituais, mas também as disciplinas canónicas, sancionadas pelos santos padres e pelos concílios, que regulam a vida dessas Igrejas (cf. nn. 15-16).

Considero importante reiterar o respeito deste princípio como condição essencial e recíproca para o restabelecimento da plena comunhão, que não significa submissão de um ao outro nem absorção, mas sim acolhimento de todos os dons que Deus deu a cada um para manifestar ao mundo inteiro o grande mistério da salvação realizado por Cristo Senhor por meio do Espírito Santo. Quero assegurar a cada um de vós que, para se chegar à suspirada meta da plena unidade, a Igreja católica não tem intenção de impor qualquer exigência, excepto a da profissão da fé comum, e que estamos prontos a buscar juntos, à luz do ensinamento da Escritura e da experiência do primeiro milénio, as modalidades pelas quais garantir a necessária unidade da Igreja nas circunstâncias actuais: a única coisa que a Igreja Católica deseja e que eu procuro como Bispo de Roma, «a Igreja que preside na caridade», é a comunhão com as Igrejas ortodoxas. Esta comunhão será sempre fruto do amor «que foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Rm 5, 5), amor fraterno que dá expressão ao vínculo espiritual e transcendente que nos une como discípulos do Senhor.

No mundo atual, erguem-se com intensidade vozes que não podemos deixar de ouvir, pedindo às nossas Igrejas que vivam plenamente como discípulos do Senhor Jesus Cristo.

A primeira destas vozes é a dos pobres. No mundo, há demasiadas mulheres e demasiados homens que sofrem por desnutrição grave, pelo desemprego crescente, pela alta percentagem de jovens sem trabalho e pelo aumento da exclusão social, que pode induzir a actividades criminosas e até mesmo ao recrutamento de terroristas. Não podemos ficar indiferentes perante as vozes destes irmãos e irmãs. Estão-nos pedindo não só que lhes demos uma ajuda material, necessária em muitas circunstâncias, mas sobretudo que os ajudemos a defender a sua dignidade de pessoas humanas, de modo que possam reencontrar as energias espirituais para levantarem e voltarem a ser protagonistas das suas histórias. Além disso pedem-nos para lutar, à luz do Evangelho, contra as causas estruturais da pobreza, a desigualdade, a falta de um trabalho digno, da terra e da casa, a negação dos direitos sociais e laborais. Como cristãos, somos chamados a vencer, juntos, a globalização da indiferença – que, hoje, parece deter a supremacia – e a construir uma nova civilização do amor e da solidariedade.

Uma segunda voz que brada forte é a das vítimas dos conflitos em muitas partes do mundo. Esta voz, ouvimo-la ressoar muito bem a partir daqui, porque algumas nações vizinhas estão marcadas por uma guerra atroz e desumana. Turvar a paz de um povo, cometer ou consentir qualquer género de violência, especialmente contra pessoas frágeis e indefesas, é um pecado gravíssimo contra Deus, porque significa não respeitar a imagem de Deus que está no homem. A voz das vítimas dos conflitos impele-nos a avançar apressadamente no caminho de reconciliação e comunhão entre católicos e ortodoxos. Aliás, como podemos anunciar com credibilidade a mensagem de paz que vem de Cristo, se entre nós continuam a existir rivalidades e contendas? (cf. Paulo VI, Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 77).

Uma terceira voz que nos interpela é a dos jovens. Hoje, infelizmente, há tantos jovens que vivem sem esperança, dominados pelo desânimo e a resignação. Além disso, influenciados pela cultura dominante, muitos jovens buscam a alegria apenas na posse de bens materiais e na satisfação das emoções do momento. As novas gerações não poderão jamais adquirir a verdadeira sabedoria e manter viva a esperança, se nós não formos capazes de valorizar e transmitir o autêntico humanismo, que brota do Evangelho e da experiência milenar da Igreja. São precisamente os jovens – penso, por exemplo, nas multidões de jovens ortodoxos, católicos e protestantes que se reúnem nos encontros internacionais organizados pela comunidade de Taizé – que hoje nos pedem para avançar rumo à plena comunhão. E isto, não porque eles ignorem o significado das diferenças que ainda nos separam, mas porque sabem ver mais além, são capazes de captar o essencial que já nos une.

Santidade, estamos já a caminho para a plena comunhão e já podemos viver sinais eloquentes de uma unidade real, embora ainda parcial. Isso nos conforta e sustenta na prossecução deste caminho. Temos a certeza de que, ao longo desta estrada, somos apoiados pela intercessão do Apóstolo André e do seu irmão Pedro, considerados pela tradição os fundadores das Igrejas de Constantinopla e de Roma. Imploramos de Deus o grande dom da unidade plena e a capacidade de o acolher nas nossas vidas. E não nos esqueçamos jamais de rezar uns pelos outros”.

 

30 de novembro de 2014 at 9:12 Deixe um comentário

Visita do Papa à Turquia será seguida por mais de 900 jornalistas

2014-11-29 Rádio Vaticana

Ankara (RV) – Serão mais de 900 os jornalistas do mundo inteiro credenciados para seguir a visita do Papa Francisco à Turquia, a partir desta sexta-feira, 28, até domingo, 30/11. A informação é do site turco Hurriyet que informa ainda que serão 69 jornalistas no voo papal. O Papa Francisco será o quarto Pontífice a visitar a Turquia, depois de Paulo VI em 1967, João Paulo II em 1979 e Bento XVI em 2006.

A Rádio Vaticano vai transmitir as principais atividades do Papa durante a viagem à Turquia.

Nesta sexta-feira, dia 28/11, a partir das 10h30 de Brasília, acontece a transmissão da Cerimônia de Boas Vindas, Visita ao presidente da Turquia.

A partir das 11h de Brasília tem início a transmissão do Encontro com as autoridades e a visita ao presidente dos Relações Religiosas.

No sábado, 29/11, a partir das 11h45 de Brasília, terá início a transmissão da Santa Missa e, na sequência, a Oração Ecumênica e encontro privativo com Bartolomeu I.

No domingo, a partir das 5h15 de Brasília, terá início a transmissão da Divina Liturgia, da Bênção Ecumênica e a Assinatura da Declaração Conjunta do Papa Francisco e do Patriarca Bartolomeu I.

(RB)

(from Vatican Radio)

29 de novembro de 2014 at 9:14 Deixe um comentário

Carta do Papa Francisco aos consagrados e consagradas

2014-11-29 Rádio Vaticana

Na carta o Papa Francisco, partindo das indicações contidas na Exortação Apostólica sobre a Vida Consagrada de S. João Paulo II, elenca três objectivos prioritários para a celebração deste novo Ano da Vida Consgrada: antes de mais a necessidade de “olhar para o passado com espírito de gratidão” por forma a fazer permencer viva a própria identidade sem nunca fechar os olhos perante as incoerências, frutos da fraqueza humana, mas também fruto do oblio de alguns aspectos essenciais do carisma da vida consagrada.

O Segundo objectivo indicado pelo Papa Francisco é a “necessidade de viver o presente com paixão” vivendo plenamente o Evangelho no espírito de comunhão. Finalmente, o terceiro obectivo consiste em “abraçar o futuro com esperança” sem nunca deixar-se desencorajar pelas inúmeras dificuldades que afetam a vida consagrada, a começar pela crise das vocações. Neste sentido, advertiu o Santo Padre, dirigindo-se de modo particular aos mais jóvens, “não cedais à tentação dos números  e da eficiência, nem tão pouco à tentação de confiar esclusivamente nas vossas experiências pessoais”.

A fantasia da caridade, escreve ainda o Papa Farncisco, não conhece limites e precisa de entusiasmo para levar o Evangelho às culturas e aos diversos âmbitos sociais. Saber transmitir a alegria  e a felicidade da fé vivida na comunidade, faz crescer a capacidade de atração da Igreja. Neste sentido, recordou o Santo Padre, é o testemunho do amor fraterno, da solidariedade e da partilha a conferir um valor à Igreja. Essa mesma Igreja que deve ser a “mó” ou “laboratório” dos profetas que como tais devem ser capazes de discernir a história na qual vivem e de interpretar os eventos, denunciando o mal, o pecado e as injustiças.

A expetativa, não é portanto, segundo o Papa Francisco,  manter vivas as utopias, mas sim saber criar “outros lugares” nos quais poder viver segundo a lógica do Evangélica do dom, da fraternidade, da diversidade e do amor recíproco. Neste sentido, recorda o Papa Francisco, o lugar ideal para que tudo isso possa ser realizado permanecem os Institutos de vida consagrada a que cada um pertence e que não devem ser transformados numa realidade isolada, numa espécide de ilha.

Neste sentido o Papa Francisco faz votos para que este ano da Vida Consagrada possa ser uma ocasião propícia para se estabelecer uma maior e renovada colaboração entre as diferentes comunidades de vida consagrada e mesmo entre Igrejas diferentes, no acolhimento dos emigrantes, dos refugiados, na cura dos pobres, no anúncio do Evangelho e na iniciação à vida da oração.

Nesta carta aos consagrados e consagradas, o Papa Francisco evoca também o papel importante dos leigos, que juntamente aos consagrados partilham os ideais, o espírito e a missão da Igreja. Neste sentido o Santo Padre exorta os seus irmãos no episcopado a serem solícitos na promoção dos diversos carismas, sustentando, animando e ajudando no discernimento por forma a fazer resplandecer a beleza e a santidade da vida consagrada na Igreja nas respetivas comunidades.

29 de novembro de 2014 at 9:03 Deixe um comentário

Vem, Senhor Jesus!

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29 de novembro de 2014 at 8:48 Deixe um comentário

Santa Catarina Labouré – 28 de Novembro

Santa Catarina Labouré religiosa (1806-1876)

Site Paulinas

A breve jaculatória que os cristãos recitam há mais de um século: “Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”, foi ditada pela Bem-Aventurada Virgem, no dia 28 de julho de 1830, a uma filha da caridade.

“Vês os raios que saem das minhas mãos?”, perguntou-lhe a Virgem; “são as graças que não me são pedidas”. E a convidou a fazer com que aquela invocação fosse reproduzida em uma medalhinha e depois difundida entre os fiéis. Esta é, em poucas palavras, a história da “medalha milagrosa”, a qual teve e tem ainda ampla repercussão entre os devotos de Maria.

Por trás deste pequeno veículo das extraordinárias graças derramadas por Maria sobre a humanidade está a humilde figura de Catarina Labouré — santa que viveu à sombra uma existência silenciosa, mas produtiva, a serviço dos pobres.

Quando tinha 12 anos, sonhou com um homem de face luminosa e serena que ela não conhecia, o qual a chamou para este serviço. Viu-o depois numa pintura, quando pela primeira vez entrou no convento das filhas da caridade: era são Vicente de Paulo.

Catarina tinha uma numerosa família para cuidar, depois da prematura morte da mãe. E quando o pai, um modesto proprietário rural, soube do propósito da filha de tornar-se freira, opôs-se com todos os meios. Para dissuadi-la de uma escolha que privaria a família da ajuda financeira, mandou-a trabalhar em Paris, em um pequeno restaurante popular, freqüentado por operários e por muitos rapazes que trabalhavam nas fábricas.

Em Paris, em contato com a pobreza, Catarina fez amadurecer a própria vocação e, aos 23 anos, pôde finalmente ser acolhida entre as filhas da caridade e dedicar-se aos pobres, aos velhos abandonados, aos meninos de rua. Um serviço que ela não interrompeu nunca, pois o privilégio de ser escolhida pela Virgem para difundir a “medalha milagrosa” não modificou sua vida, feita de humilde e silencioso serviço aos pobres.

28 de novembro de 2014 at 9:28 Deixe um comentário

Advento – reflexão de São Bernardo

São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense, doutor da Igreja

Sermões 4 e 5 para o Advento

«O Filho do homem virá na hora em que não pensais»

É justo, irmãos, celebrar a vinda do Senhor com a máxima devoção possível, tanto o seu conforto nos deleita […] e tanto o seu amor nos abrasa. Mas não penseis apenas na sua primeira vinda, quando Ele veio para «buscar e salvar o que estava perdido» (Lc 19,10); pensai também neste outro advento, quando Ele vier para nos levar consigo. Quereria ver-vos constantemente ocupados a meditar nesses dois adventos […] repousando entre estes dois abrigos, porque estes são os dois braços do Esposo nos quais repousava a Esposa do Cântico dos Cânticos: «a sua mão esquerda descansa sobre a minha cabeça, e a sua direita abraça-me» (2,6). […]

Mas há uma terceira vinda entre as duas que mencionei, e os que a conhecem podem descansar para seu deleite. As outras duas são visíveis; esta não o é. Na primeira, o Senhor «apareceu sobre a terra, onde permanece entre os homens» (Bar 3,38) […]; na última, «toda a criatura verá a salvação de Deus» (Lc 3,6; Is 40,5). […] A do meio é secreta; é aquela em que só os eleitos vêem o Salvador dentro de si próprios, e em que a sua alma é salva.

Na sua primeira vinda, Cristo veio na nossa carne e na nossa fraqueza; na sua vinda intermédia, vem em Espírito e poder; na sua última vinda, virá na sua glória e majestade. Mas é pela força das virtudes que chegamos à glória, como está escrito: «O Senhor dos Exércitos, Ele é o Rei da glória» (Sl 23,10); e no mesmo livro: «Para ver o Vosso poder e a Vossa glória» (62,3). Portanto, a segunda vinda é como o caminho que leva da primeira à última. Na primeira, Cristo foi nossa redenção; na última, aparecerá como nossa vida; na sua vinda intermédia, é nosso repouso e nossa consolação.

28 de novembro de 2014 at 9:09 Deixe um comentário

Papa: A Igreja mude de mentalidade pastoral e passe do esperar ao procurar

2014-11-28 Rádio Vaticana

Uma Igreja em saída, samaritana, para encontrar Deus que habita na cidade e nos pobres. Este o fulcro das palavras dirigidas pelo Papa Francisco aos 25 cardeais e bispos que participaram na segunda fase do Congresso internacional da pastoral nas grandes cidades, realizado nos dias passados em Barcelona e que teve a sua conclusão na Basílica da Sagrada Família, obra do grande arquitecto António Gaudí.

O Congresso foi dividido em duas partes, uma realizada de 22 a 24 de Maio e em que tomaram parte peritos em sociologia, pastoral e teologia e outra nos dias 24 e 25 do corrente mês em que participou um importante número de cardeais e arcebispos provenientes de grandes cidades dos cinco continentes e que foram recebidos esta quinta-feira em audiência pelo Papa.

O Papa Francisco já tinha enviado uma mensagem aos congressistas através do arcebispo de Barcelona, Cardeal Lluis Martinez Sistach, pondo em evidência a sua experiência como “pastor na populosa e multicultural cidade de Buenes Aires” e os encontros tidos nos anos passados com os bispos da Argentina. A mensagem reflecte também a sua Exortação “Evangeli Gaudium”.

E ao receber hoje os acima referidos cardeais e arcebispos, o Papa Francisco solicitou uma mudança da mentalidade pastoral a fim de “aumentar a nossa capacidade de dialogar com as diversas culturas”, “valorizar” a religiosidade dos povos, partilhando pão e Evangelho com os mais pobres. Traçando um quadro dos aglomerados urbanos de hoje, o Papa mostrou como é necessário “reposicionar os nossos pensamentos e as nossas atitudes por forma a não “permanecer desorientados”, confundindo também “o povo de Deus”. A proposta do Papa é, portanto, a de “uma verdadeira transformação eclesial em chave missionária:

“Uma mudança de mentalidade: do receber ao sair, do esperar que venham ter connosco ao ir procurá-los. Para mim esta é a chave! Sair para encontrar Deus que habita na cidade e nos pobres. Sair para se encontrar com eles, para ouvir, abençoar, para caminhar com as gentes. E facilitar o encontro com o Senhor. Tornar acessível o sacramento do Baptismo. Igrejas abertas. Secretarias com horários para pessoas que trabalham. Catequeses que se adaptam, no conteúdo e nos horários, às cidades”.

A Igreja – recordou o Papa – Tem “uma prática pastoral secular” em que “era a única referente da cultura” e “sentiu, portanto, a responsabilidade de delinear, e de impôr, não só as formas culturais, mas também valores”. Mas o Papa fez notar que já não estamos nessa época:

Já passou. Já não estamos na cristandade. Hoje já não somos os únicos que produzem cultura, nem os primeiros, nem os mais ouvidos. Temos, portanto, necessidade de uma mudança de mentalidade  pastoral, mas não de uma “pastoral relativista” que querendo estar na “cozinha cultural” perde o horizonte evangélico, deixando o homem confiado a si mesmo e emancipado da mão de Deus

Com este comportamento, não se teria “verdadeiro interesse pelo homem”; esconder-se-lhe-ia “Jesus e a verdade sobre o próprio homem”:

É necessário ter a coragem de fazer uma pastoral evangelizadora audaz e sem temor, porque o homem, a mulher, a família e os vários grupos que habitam a cidade esperam de nós (e têm necessidade dela para a sua vida), a Boa Nova que é Jesus e o seu Evangelho. Muitas vezes oiço dizer que se tem vergonha de expor-se. Devemos trabalhar no sentido de não ter vergonha ou recuo no anunciar Jesus.”

Um diálogo pastoral sem relativismo, explicou o Papa, é aquele que não negocia a própria identidade cristã, mas que deseja chegar ao coração do outro, dos outros diferentes de nós e ali semear o Evangelho”. Sem recusar, portanto, “o contributo das diversas ciências para conhecer o fenómeno urbano”, é preciso descobrir “o fundamento das culturas, sedentas de Deus, na sua profundidade”, conhecendo “os imigrados e as cidades invisíveis, isto é os grupos e os territórios humanos que se identificam nos seus símbolos, linguagens, ritos e formas para contar a vida”. Por outro lado, recordou o Papa, “Deus habita na cidade”: é preciso ir procurá-lo e parar “lá onde Ele está a agir”. O convite é, portanto, no sentido de  “descobrir, na religiosidade dos nossos povos, o autentico substrato religioso, que em muitos casos é cristão e católico”

“Ir para ali, para o núcleo. Não podemos ignorar, nem desprezar tais experiências de Deus que, embora sendo, por vezes, dispersas ou misturadas, pedem para ser descobertas e não construídas. Ali estão as sementes do Verbo semeadas pelo Espírito Santo” .

Mesmo nas expressões de “religiosidade natural” é, portanto, possível começar “o diálogo evangelizador” tal como já aconteceu na Igreja que está na América Latina e nas Caraíbas, que, desde há alguns decénios “deu-se conta da força religiosa, que vem sobretudo das maiorias pobres”:

“Deus continua a falar-nos hoje, como sempre fez, através dos pobres, do “resto”. De forma geral, as grandes cidades são hoje habitadas por numerosos migrantes e pobres, que provêm das zonas rurais, ou doutros continentes, com outras culturas”.

O Papa, que os vê também em Roma, define-os “peregrinos da vida” à procura da salvação, que têm muitas vezes a capacidade de andar para a frente obtendo força apenas da “experiencia simples e profunda da fé em Deus”. O desafio, na óptica do Papa Francisco é duplo:

“Ser acolhedores em relação a pobres e migrantes – de forma geral a cidade não o é, afasta – e valorizar a sua fé. É muito provável que esta fé esteja misturada com elementos do pensamento mágico e imanente, mas devemos procurá-la, valorizá-la, interpretá-la e, seguramente, evangelizá-la também. Mas não tenho dúvidas de que na fé destes homens e mulheres há um potêncial enorme para a evangelização das áreas urbanas”.

A realidade da cidade de que não se pode, portanto, prescindir, é a dos pobres, dos excluídos, dos descartados:

A Igreja não pode ignorar o seu grito, nem entrar no jogo dos sistemas injustos, mesquinhos e interessados que procuram torná-los invisíveis. Tantos pobres, vítimas de antigas e novas pobrezas. Há novas pobrezas! Pobrezas estruturais e endémicas que estão a excluir gerações de famílias. Pobrezas económicas, sociais, morais e espirituais. Pobrezas que marginalizam e descartam pessoas, filhos de Deus. Na cidade, o futuro dos pobres é mais pobre”.

O convite do Papa Francisco – inspirando-se nos ensinos de Bento XVI – é a de “aprender a suscitar a fé”, através da catequese e não só, voltando a suscitar “a curiosidade e o interesse por Jesus Cristo”, mediante uma Igreja samaritana: na pastoral urbana, a qualidade será dada pela capacidade de testemunho que saberá dar, juntamente com cada cristão:

Com o testemunho podemos incidir nos núcleos mais profundos, lá onde nasce a cultura. Através do testemunho, a Igreja semeia o grão de mostarda, mas fá-lo no próprio coração das culturas que se estão a gerar nas cidades

Um testemunho concreto de misericórdia e ternura “que procura estar presente nas periferias existenciais e pobres”, poderá ajudar os cristãos no “construir uma cidade na justiça, na tolerância, e na paz”: para além de ser através duma colaboração com “irmãos de outras Igrejas e comunidades eclesiais” e da pastoral ecuménica caritativa, isto será também mediante o empenho das Caritas e de outras organizações sociais da Igreja, dos mesmos pobres e dos leigos.

“Também a liberdade do leigo. Porque o que nos torna prisioneiros, que não faz abrir as portas de par em par, é uma “a doença do clericalismo”.

(DA con GA)

28 de novembro de 2014 at 9:03 Deixe um comentário

Não ceder à depressão perante o mal e viver em esperança – o Papa em Santa Marta

2014-11-27 Rádio Vaticana

O Papa Francisco na Missa em Santa Marta exortou os cristãos a não cederem à depressão perante o mal e a viverem em esperança. Nas leituras do dia duas cidades: Babilónia e Jerusalém – por motivos diferentes ambas caíram por não acolherem o Senhor

Mesmo no meio das dificuldades o cristão não cede à depressão. Este foi a mensagem principal da homilia do Papa Francisco na missa celebrada na manhã desta quinta-feira, 27/141, na Casa Santa Marta. Francisco advertiu que a corrupção e a distração afastam-nos do encontro com o Senhor.

Babilónia e Jerusalém: Estas duas cidades, citadas no Apocalipse e no Evangelho de São Lucas, atraem a nossa atenção para o fim deste mundo. O Papa meditou sobre “a ruína destas duas cidades que não acolheram o Senhor”.

“A corrupção dá alguma felicidade, dá poder e faz-te sentir satisfeito de si mesmo: não deixa espaço para o Senhor, para a conversão… a cidade corrupta… esta palavra, ‘corrupção’, hoje nos diz muito: não só corrupção económica, mas corrupção com muitos pecados: com o espírito pagão, com o espírito mundano. A pior corrupção é o espírito da mundanidade.”

“Babilónia cai por corrupção; Jerusalém, por distração, por não receber o Senhor que vem salvá-la. Não sentia a necessidade de salvação. Tinha as escrituras dos profetas, de Moisés e isso era-lhe era suficiente. Mas eram escrituras fechadas! Não deixavam lugar para a salvação: tinha a porta fechada para o Senhor! O Senhor batia à porta, mas não havia disponibilidade para recebê-lo, ouvi-lo, deixar-se salvar por Ele. E cai…”

Estes dois exemplos – observou o Santo Padre – “podem-nos ajudar a pensar na nossa vida”: somos parecidos com “a Babilónia corrupta e autossuficiente” ou com “distraída” Jerusalém?

Jesus exorta-nos a levantar a cabeça, a não deixarmo-nos assustar pelos pagãos. Eles têm o seu tempo e devemos ampará-los com paciência, como fez o Senhor com a sua Paixão”:

“Quando pensamos no fim, com todos os nossos pecados, com toda a nossa história, pensamos no banquete que gratuitamente nos será dado e levantamos a cabeça. Nada de depressão: esperança! Mas a realidade é má: há muitos, muitos povos, cidades e pessoas que sofrem; tantas guerras, tanto ódio, inveja, mundanidade espiritual e corrupção. Sim, é verdade! Tudo isso ruirá! Mas peçamos ao Senhor a graça de estarmos preparados para o banquete que nos espera, com a cabeça sempre erguida”. (RS/BF/CM)

27 de novembro de 2014 at 15:45 Deixe um comentário

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