Archive for dezembro, 2012

Mensagem de Ano Novo

Feliz 2013 a todos vocês e suas famílias!

Que haja paz em todo o mundo!

E abundantes  bênçãos de Deus em nossas vidas!

Nossa Senhora, Mãe de Deus, rogai por nós!

 

                           Jane Amábile

31 de dezembro de 2012 at 12:17 Deixe um comentário

Luke 2, 16-21 – texto bíblico para os irmãos de língua inglesa

16. So they went in haste and found Mary and Joseph, and the infant lying in the manger. 17. When they saw this, they made known the message that  had been told them  De  about  this   child. 18. All who heard it were amazed by what had been told them by the   shepherds. 19. And Mary kept all these things, reflecting on them in her   heart. 20. Then the shepherds returned, glorifying and praising God for all   they had heard and seen, just as it had been told to them. 21. When eight   days were completed for his circumcision, he was named  Jesus, the name given him by the Angel   before He was conceived in the womb.     

30 de dezembro de 2012 at 19:54 Deixe um comentário

Palavras do Papa antes da oração mariana do Angelus – 30/12/2012

Boletim da Santa Sé (Tradução: Jéssica Marçal, equipe CN Notícias)

 

ANGELUS Praça São Pedro – Vaticano Domingo, 30 de dezembro de 2012

Queridos irmãos e irmãs,
Hoje é a festa da Sagrada Família de Nazaré. Na liturgia, a passagem do Evangelho de Lucas nos apresenta a Virgem Maria e São José que, fiéis à tradição, vão para Jerusalém para a Páscoa junto com Jesus aos 12 anos. A primeira vez em que Jesus entrou no Templo do Senhor foi 40 dias depois do seu nascimento, quando os seus pais ofereceram para ele “um par de rolas ou dois pombinhos” (Lc 2,24), isso é, o sacrifício dos pobres. “Lucas, cujo todo Evangelho é perpassado de uma teologia dos pobres e da pobreza, faz entender… que a família de Jesus foi contada entre os pobres de Israel; nos faz entender que propriamente entre eles podia amadurecer o cumprimento da promessa” (A infância de Jesus, 96). Jesus hoje está de novo no Templo, mas desta vez tem um papel diferente, que o envolve em primeira pessoa. Ele cumpre, com Maria e José, a peregrinação a Jerusalém segundo o que prescreve a Lei (cfr Es 23,17; 34,23ss), mesmo que ainda não tinha cumprido o 13º ano de idade: um sinal da profunda religiosidade da Sagrada Família. Quando, porém, os seus pais retornam para Nazaré, acontece algo inesperado: Ele, sem dizer nada, permanece na Cidade. Por três dias Maria e José o procuram e o encontram no Templo, em diálogo com os mestres da Lei (cfr Lc 2,46-47); e quando lhe pedem explicações, Jesus responde que não deviam se surpreender, porque aquele é o seu lugar, aquela é a sua casa, com o Pai, que é Deus (cfr A infância de Jesus, 143). “Ele – escreve Orígenes – professa estar no templo de seu Pai, aquele Pai que revelou a nós e do qual disse ser Filho” (Homilia sobre o Evangelho de Lucas, 18, 5).
A preocupação de Maria e José por Jesus é a mesma de cada pai que educa um filho, o introduz na vida e para a compreensão da realidade. Hoje, portanto, é necessária uma oração especial ao Senhor por todas as famílias do mundo. Imitando a Sagrada Família de Nazaré, os pais se preocupam seriamente com o crescimento e a educação dos próprios filhos, para que amadureçam como homens responsáveis e honestos cidadãos, sem esquecer nunca que a fé é um dom precioso para alimentar nos próprios filhos também com o exemplo pessoal. Ao mesmo tempo, rezamos para que cada criança seja acolhida como dom de Deus, seja sustentada pelo amor do pai e da mãe, para poder crescer como o Senhor Jesus “em sabedoria, idade e graça diante de Deus e dos homens” (Lc 2, 52). O amor, a fidelidade e a dedicação de Maria e José sejam exemplo para todos os casais cristãos, que não são os amigos ou os mestres da vida de seus filhos, mas os guardiões deste dom incomparável de Deus.
O silêncio de José, homem justo (cfr Mt 1,19), e o exemplo de Maria, que guardava cada coisa no seu coração (cfr Lc 2, 51) nos faça entrar no mistério pleno da fé e da humanidade da Sagrada Família. Desejo a todos as famílias cristãs viver na presença de Deus com o mesmo amor e a mesma alegria da família de Jesus, Maria e José.

30 de dezembro de 2012 at 11:51 Deixe um comentário

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE BENTO XVI PARA A CELEBRAÇÃO DO XLVI DIA MUNDIAL DA PAZ

1 DE JANEIRO DE 2013

BEM-AVENTURADOS OS OBREIROS DA PAZ

1. Cada ano novo traz consigo a expectativa de um mundo melhor. Nesta perspectiva, peço a Deus,  Pai da humanidade, que nos conceda a concórdia e a paz a fim de que possam  tornar-se realidade, para todos, as aspirações duma vida feliz e próspera.

À distância de 50 anos do início do Concílio Vaticano II, que permitiu dar mais  força à missão da Igreja no mundo, anima constatar como os cristãos, Povo de  Deus em comunhão com Ele e caminhando entre os homens, se comprometem na  história compartilhando alegrias e esperanças, tristezas e angústias, anunciando a salvação de Cristo e promovendo a paz para todos.

Na realidade o nosso tempo, caracterizado pela globalização, com seus aspectos  positivos e negativos, e também por sangrentos conflitos ainda em curso e por  ameaças de guerra, requer um renovado e concorde empenho na busca do bem comum,  do desenvolvimento de todo o homem e do homem todo.

Causam apreensão os focos de tensão e conflito causados por crescentes  desigualdades entre ricos e pobres, pelo predomínio duma mentalidade egoísta e  individualista que se exprime inclusivamente por um capitalismo financeiro  desregrado. Além de variadas formas de terrorismo e criminalidade internacional, põem em perigo a paz aqueles fundamentalismos e fanatismos que  distorcem a verdadeira natureza da religião, chamada a favorecer a comunhão e a  reconciliação entre os homens.

E no entanto as inúmeras obras de paz, de que é rico o mundo, testemunham a  vocação natural da humanidade à paz. Em cada pessoa, o desejo de paz é uma  aspiração essencial e coincide, de certo modo, com o anelo por uma vida humana  plena, feliz e bem sucedida. Por outras palavras, o desejo de paz corresponde a  um princípio moral fundamental, ou seja, ao dever-direito de um desenvolvimento  integral, social, comunitário, e isto faz parte dos desígnios que Deus tem para  o homem. Na verdade, o homem é feito para a paz, que é dom de Deus.

Tudo isso me sugeriu buscar inspiração, para esta Mensagem, às palavras de Jesus  Cristo: «Bem-aventurados os obreiros da paz, porque serão chamados filhos de Deus» (Mt 5, 9).

A bem-aventurança evangélica

2. As bem-aventuranças proclamadas por Jesus (cf. Mt 5, 3-12; Lc 6, 20-23) são promessas. Com efeito, na tradição bíblica, a bem-aventurança é um  género literário que traz sempre consigo uma boa nova, ou seja um evangelho, que  culmina numa promessa. Assim, as bem-aventuranças não são meras recomendações  morais, cuja observância prevê no tempo devido – um tempo localizado geralmente  na outra vida – uma recompensa, ou seja, uma situação de felicidade futura; mas  consistem sobretudo no cumprimento duma promessa feita a quantos se deixam guiar pelas exigências da verdade, da justiça e do amor. Frequentemente,  aos olhos do mundo, aqueles que confiam em Deus e nas suas promessas aparecem  como ingénuos ou fora da realidade; ao passo que Jesus lhes declara que já nesta  vida – e não só na outra – se darão conta de serem filhos de Deus e que, desde o  início e para sempre, Deus está totalmente solidário com eles. Compreenderão que  não se encontram sozinhos, porque Deus está do lado daqueles que se comprometem  com a verdade, a justiça e o amor. Jesus, revelação do amor do Pai, não hesita  em oferecer-Se a Si mesmo em sacrifício. Quando se acolhe Jesus Cristo,  Homem-Deus, vive-se a jubilosa experiência de um dom imenso: a participação na  própria vida de Deus, isto é, a vida da graça, penhor duma vida plenamente  feliz. De modo particular, Jesus Cristo dá-nos a paz verdadeira, que nasce do  encontro confiante do homem com Deus.

A bem-aventurança de Jesus diz que a paz é, simultaneamente, dom messiânico e  obra humana. Na verdade, a paz pressupõe um humanismo aberto à transcendência;  é fruto do dom recíproco, de um mútuo enriquecimento, graças ao dom que provém  de Deus e nos permite viver com os outros e para os outros. A ética da paz é uma  ética de comunhão e partilha. Por isso, é indispensável que as várias culturas  de hoje superem antropologias e éticas fundadas sobre motivos teorico-práticos  meramente subjectivistas e pragmáticos, em virtude dos quais as relações da  convivência se inspiram em critérios de poder ou de lucro, os meios tornam-se fins, e vice-versa, a cultura e a educação  concentram-se apenas nos instrumentos, na técnica e na eficiência. Condição  preliminar para a paz é o desmantelamento da ditadura do relativismo e da  apologia duma moral totalmente autónoma, que impede o reconhecimento de quão  imprescindível seja a lei moral natural inscrita por Deus na consciência de cada  homem. A paz é construção em termos racionais e morais da convivência,  fundando-a sobre um alicerce cuja medida não é criada pelo homem, mas por Deus.  Como lembra o Salmo 29, « o Senhor dá força ao seu povo; o Senhor abençoará o  seu povo com a paz » (v. 11).

A paz: dom de Deus e obra do homem

3. A paz envolve o ser humano na sua integridade e supõe o empenhamento da pessoa  inteira: é paz com Deus, vivendo conforme à sua vontade; é paz interior consigo  mesmo, e paz exterior com o próximo e com toda a criação. Como escreveu o Beato  João XXIII na Encíclica Pacem in terris – cujo cinquentenário terá lugar  dentro de poucos meses –, a paz implica principalmente a construção duma  convivência humana baseada na verdade, na liberdade, no amor e na justiça. A negação daquilo que constitui a verdadeira natureza do ser humano, nas suas  dimensões essenciais, na sua capacidade intrínseca de conhecer a verdade e o  bem e, em última análise, o próprio Deus, põe em perigo a construção da paz. Sem a  verdade sobre o homem, inscrita pelo Criador no seu coração, a liberdade e o  amor depreciam-se, a justiça perde a base para o seu exercício.

Para nos tornarmos autênticos obreiros da paz, são fundamentais a atenção à  dimensão transcendente e o diálogo constante com Deus, Pai misericordioso,  pelo qual se implora a redenção que nos foi conquistada pelo seu Filho  Unigénito. Assim o homem pode vencer aquele germe de obscurecimento e negação  da paz que é o pecado em todas as suas formas: egoísmo e violência, avidez e  desejo de poder e domínio, intolerância, ódio e estruturas injustas.

A realização da paz depende sobretudo do reconhecimento de que somos, em Deus,  uma úni­ca família humana. Esta, como ensina a Encíclica Pacem in terris, está estruturada mediante relações interpessoais e instituições sustentadas e  anima­das por um «nós» comunitário, que implica uma ordem moral, interna e  externa, na qual se reconheçam sinceramente, com verdade e justiça, os próprios  direitos e os próprios deveres para com os demais. A paz é uma ordem de tal modo  vivificada e integrada pelo amor, que se sentem como próprias as necessidades e  exigências alheias, que se fazem os outros comparticipantes dos próprios bens e  que se estende sempre mais no mundo a comunhão dos valores espirituais. É uma  ordem realizada na liberdade, isto é, segundo o modo que corresponde à dignidade  de pessoas que, por sua própria natureza racional, assumem a responsabilidade do próprio agir.

A paz não é um sonho, nem uma utopia; a paz é possível. Os nossos olhos devem  ver em profundidade, sob a superfície das aparências e dos fenómenos, para  vislumbrar uma realidade positiva que existe nos corações, pois cada homem é  criado à imagem de Deus e chamado a crescer contribuindo para a edificação dum  mundo novo. Na realidade, através da encarnação do Filho e da redenção por Ele  operada, o próprio Deus entrou na história e fez surgir uma nova criação e uma  nova aliança entre Deus e o homem (cf. Jr 31, 31-34), oferecendo-nos a  possibilidade de ter « um coração novo e um espírito novo » (cf. Ez 36,  26).

Por isso mesmo, a Igreja está convencida de que urge um novo anúncio de Jesus  Cristo, primeiro e principal factor do desenvolvimento integral dos povos e  também da paz. Na realidade, Jesus é a nossa paz, a nossa justiça, a nossa  reconciliação (cf. Ef 2, 14; 2 Cor 5, 18). O obreiro da paz,  segundo a bem-aventurança de Jesus, é aquele que procura o bem do outro, o bem  pleno da alma e do corpo, no tempo presente e na eternidade.

A partir deste ensinamento, pode-se deduzir que cada pessoa e cada comunidade –  religiosa, civil, educativa e cultural – é chamada a trabalhar pela paz. Esta  consiste, principalmente, na realização do bem comum das várias sociedades,  primárias e intermédias, nacionais, internacionais e a mundial. Por isso mesmo,  pode-se supor que os caminhos para a implementação do bem comum sejam também os caminhos que temos de  seguir para se obter a paz.

Obreiros da paz são aqueles que amam, defendem e promovem a vida na sua  integridade

4. Caminho para a consecução do bem comum e da paz é, antes de mais nada, o  respeito pela vida humana, considerada na multiplicidade dos seus aspectos, a  começar da concepção, passando pelo seu desenvolvimento até ao fim natural.  Assim, os verdadeiros obreiros da paz são aqueles que amam, defendem e promovem  a vida humana em todas as suas dimensões: pessoal, comunitária e transcendente.  A vida em plenitude é o ápice da paz. Quem deseja a paz não pode tolerar  atentados e crimes contra a vida.

Aqueles que não apreciam suficientemente o valor da vida humana, chegando a  defender, por exemplo, a liberalização do aborto, talvez não se dêem conta de  que assim estão a propor a prossecução duma paz ilusória. A fuga das  responsabilidades, que deprecia a pessoa humana, e mais ainda o assassinato de  um ser humano indefeso e inocente nunca poderão gerar felicidade nem a paz. Na  verdade, como se pode pensar em realizar a paz, o desenvolvimento integral dos  povos ou a própria salvaguarda do ambiente, sem estar tutelado o direito à vida  dos mais frágeis, a começar pelos nascituros? Qualquer lesão à vida, de modo  especial na sua origem, provoca inevitavelmente danos irreparáveis ao  desenvolvimento, à paz, ao ambiente. Tão-pouco é justo codificar ardilosamente falsos direitos ou  opções que, baseados numa visão redutiva e relativista do ser humano e com o  hábil recurso a expressões ambíguas tendentes a favorecer um suposto direito ao  aborto e à eutanásia, ameaçam o direito fundamental à vida.

Também a estrutura natural do matrimónio, como união entre um homem e uma  mulher, deve ser reconhecida e promovida contra as tentativas de a tornar,  juridicamente, equivalente a formas radicalmente diversas de união que, na  realidade, a prejudicam e contribuem para a sua desestabilização, obscurecendo  o seu carácter peculiar e a sua insubstituível função social.

Estes princípios não são verdades de fé, nem uma mera derivação do direito à  liberdade religiosa; mas estão inscritos na própria natureza humana – sendo  reconhecíveis pela razão – e consequentemente comuns a toda a humanidade. Por  conseguinte, a acção da Igreja para os promover não tem carácter confessional,  mas dirige-se a todas as pessoas, independentemente da sua filiação religiosa.  Tal acção é ainda mais necessária quando estes princípios são negados ou mal  entendidos, porque isso constitui uma ofensa contra a verdade da pessoa humana,  uma ferida grave infligida à justiça e à paz.

Por isso, uma importante colaboração para a paz é dada também pelos ordenamentos  jurídicos e a administração da justiça quando reconhecem o direito ao uso do  princípio da objecção de consciência face a leis e medidas governamentais que atentem contra a dignidade  humana, como o aborto e a eutanásia.

Entre os direitos humanos basilares mesmo para a vida pacífica dos povos,  conta-se o direito dos indivíduos e comunidades à liberdade religiosa. Neste  momento histórico, torna-se cada vez mais importante que este direito seja  promovido não só negativamente, como liberdade de – por exemplo, de  obrigações e coacções quanto à liberdade de escolher a própria religião –, mas  também positivamente, nas suas várias articulações, como liberdade para:  por exemplo, para testemunhar a própria religião, anunciar e comunicar a sua  doutrina; para realizar actividades educativas, de beneficência e de assistência  que permitem aplicar os preceitos religiosos; para existir e actuar como  organismos sociais, estruturados de acordo com os princípios doutrinais e as  finalidades institucionais que lhe são próprias. Infelizmente vão-se  multiplicando, mesmo em países de antiga tradição cristã, os episódios de  intolerância religiosa, especialmente contra o cristianismo e aqueles que se  limitam a usar os sinais identificadores da própria religião.

O obreiro da paz deve ter presente também que as ideologias do liberalismo  radical e da tecnocracia insinuam, numa percentagem cada vez maior da opinião  pública, a convicção de que o crescimento económico se deve conseguir mesmo à  custa da erosão da função social do Estado e das redes de solidariedade da  sociedade civil, bem como dos direitos e deveres sociais. Ora, há que considerar que estes direitos e deveres  são fundamentais para a plena realização de outros, a começar pelos direitos  civis e políticos.

E, entre os direitos e deveres sociais actualmente mais ameaçados, conta-se o  direito ao trabalho. Isto é devido ao facto, que se verifica cada vez mais, de o  trabalho e o justo reconhecimento do estatuto jurídico dos trabalhadores não  serem adequadamente valorizados, porque o crescimento económico dependeria  sobretudo da liberdade total dos mercados. Assim o trabalho é considerado uma  variável dependente dos mecanismos económicos e financeiros. A propósito disto,  volto a afirmar que não só a dignidade do homem mas também razões económicas,  sociais e políticas exigem que se continue « a perseguir como prioritário o objectivo do acesso ao trabalho para todos, ou da sua manutenção ».Para se realizar este ambicioso objectivo, é condição preliminar uma renovada  apreciação do trabalho, fundada em princípios éticos e valores espirituais, que  revigore a sua concepção como bem fundamental para a pessoa, a família, a  sociedade. A um tal bem corresponde um dever e um direito, que exigem novas e  ousadas políticas de trabalho para todos.

Construir o bem da paz através de um novo modelo de desenvolvimento e de economia

5. De vários lados se reconhece que, hoje, é necessário um novo modelo de  desenvolvimento e também uma nova visão da economia. Quer um desenvolvimento  integral, solidário e sustentável, quer o bem comum exigem uma justa escala de  bens-valores, que é possível estruturar tendo Deus como referência suprema.  Não basta ter à nossa disposição muitos meios e muitas oportunidades de escolha,  mesmo apreciáveis; é que tanto os inúmeros bens em função do desenvolvimento  como as oportunidades de escolha devem ser empregues de acordo com a perspectiva duma vida boa, duma conduta recta, que reconheça o primado da  dimensão espiritual e o apelo à realização do bem comum. Caso contrário, perdem  a sua justa valência, acabando por erguer novos ídolos.

Para sair da crise financeira e económica actual, que provoca um aumento das  desigualdades, são necessárias pessoas, grupos, instituições que promovam a  vida, favorecendo a criatividade humana para fazer da própria crise uma ocasião  de discernimento e de um novo modelo económico. O modelo que prevaleceu nas  últimas décadas apostava na busca da maximização do lucro e do consumo, numa óptica individualista e egoísta que pretendia avaliar as pessoas apenas pela  sua capacidade de dar resposta às exigências da competitividade. Olhando de  outra perspectiva, porém, o sucesso verdadeiro e duradouro pode ser obtido com a dádiva de si mesmo, dos seus dotes intelectuais, da  própria capacidade de iniciativa, já que o desenvolvimento económico  suportável, isto é, autenticamente humano tem necessidade do princípio da  gratuidade como expressão de fraternidade e da lógica do dom. Concretamente na actividade económica, o obreiro da paz aparece como aquele que  cria relações de lealdade e reciprocidade com os colaboradores e os colegas,  com os clientes e os usuários. Ele exerce a actividade económica para o bem  comum, vive o seu compromisso como algo que ultrapassa o interesse próprio,  beneficiando as gerações presentes e futuras. Deste modo sente-se a trabalhar  não só para si mesmo, mas também para dar aos outros um futuro e um trabalho  dignos.

No âmbito económico, são necessárias – especialmente por parte dos Estados –  políticas de desenvolvimento industrial e agrícola que tenham a peito o  progresso social e a universalização de um Estado de direito e democrático.  Fundamental e imprescindível é também a estruturação ética dos mercados  monetário, financeiro e comercial; devem ser estabilizados e melhor coordenados  e controlados, de modo que não causem dano aos mais pobres. A solicitude dos  diversos obreiros da paz deve ainda concentrar-se – com mais determinação do  que tem sido feito até agora – na consideração da crise alimentar, muito mais  grave do que a financeira. O tema da segurança das provisões alimentares voltou  a ser central na agenda política internacional, por causa de crises relacionadas, para além do mais, com as bruscas oscilações do  preço das matérias-primas agrícolas, com comportamentos irresponsáveis por  parte de certos agentes económicos e com um controle insuficiente por parte dos Governos e da comunidade internacional.  Para enfrentar semelhante crise, os obreiros da paz são chamados a trabalhar  juntos em espírito de solidariedade, desde o nível local até ao internacional,  com o objectivo de colocar os agricultores, especialmente nas pequenas  realidades rurais, em condições de poderem realizar a sua actividade de modo  digno e sustentável dos pontos de vista social, ambiental e económico.

Educação para uma cultura da paz: o papel da família e das instituições

6. Desejo veementemente reafirmar que os diversos obreiros da paz são chamados a  cultivar a paixão pelo bem comum da família e pela justiça social, bem como o  empenho por uma válida educação social.

Ninguém pode ignorar ou subestimar o papel decisivo da família, célula básica da  sociedade, dos pontos de vista demográfico, ético, pedagógico, económico e  político. Ela possui uma vocação natural para promover a vida: acompanha as  pessoas no seu crescimento e estimula-as a enriquecerem-se entre si através do  cuidado recíproco. De modo especial, a família cristã guarda em si o primordial projecto  da educação das pessoas segundo a medida do amor divino. A família é um dos  sujeitos sociais indispensáveis para a realização duma cultura da paz. É preciso tutelar o direito dos  pais e o seu papel primário na educação dos filhos, nomeadamente nos âmbitos  moral e religioso. Na família, nascem e crescem os obreiros da paz, os futuros  promotores duma cultura da vida e do amor.

Nesta tarefa imensa de educar para a paz, estão envolvidas de modo particular as  comunidades dos crentes. A Igreja toma parte nesta grande responsabilidade  através da nova evangelização, que tem como pontos de apoio a conversão à  verdade e ao amor de Cristo e, consequentemente, o renascimento espiritual e  moral das pessoas e das sociedades. O encontro com Jesus Cristo plasma os  obreiros da paz, comprometendo-os na comunhão e na superação da injustiça.

Uma missão especial em prol da paz é desempenhada pelas instituições culturais,  escolásticas e universitárias. Delas se requer uma notável contribuição não só  para a formação de novas gerações de líderes, mas também para a renovação das  instituições públicas, nacionais e internacionais. Podem também contribuir para  uma reflexão científica que radique as actividades económicas e financeiras  numa sólida base antropológica e ética. O mundo actual, particularmente o mundo  da política, necessita do apoio dum novo pensamento, duma nova síntese  cultural, para superar tecnicismos e harmonizar as várias tendências políticas  em ordem ao bem comum. Este, visto como conjunto de relações interpessoais e instituições positivas ao serviço do crescimento  integral dos indivíduos e dos grupos, está na base de toda a verdadeira  educação para a paz.

Uma pedagogia do obreiro da paz

7. Concluindo, há necessidade de propor e promover uma pedagogia da paz. Esta  requer uma vida interior rica, referências morais claras e válidas, atitudes e  estilos de vida adequados. Com efeito, as obras de paz concorrem para realizar o  bem co­mum e criam o interesse pela paz, educando para ela. Pensamentos,  palavras e gestos de paz criam uma mentalidade e uma cultura da paz, uma  atmos­fera de respeito, honestidade e cordialidade. Por isso, é necessário  ensinar os homens a amarem-se e educarem-se para a paz, a viverem mais de  benevolência que de mera tolerância. Incentivo fundamental será « dizer não à  vingança, reconhecer os próprios erros, aceitar as desculpas sem as buscar e,  finalmente, perdoar », de modo que os erros e as ofensas possam ser verdadeiramente reconhecidos a fim  de caminhar juntos para a reconciliação. Isto requer a difusão duma pedagogia do  perdão. Na realidade, o mal vence-se com o bem, e a justiça deve ser procurada  imitando a Deus Pai que ama todos os seus filhos (cf. Mt 5, 21-48). É um  trabalho lento, porque supõe uma evolução espiritual, uma educação para os valores mais altos, uma visão nova da história humana. É preciso  renunciar à paz falsa, que prometem os ídolos deste mundo, e aos perigos que a acompanham; refiro-me à paz que torna as consciências cada vez mais  insensíveis, que leva a fechar-se em si mesmo, a uma existência atrofiada vivida  na indiferença. Ao contrário, a pedagogia da paz implica serviço, compaixão,  solidariedade, coragem e perseverança.

Jesus encarna o conjunto destas atitudes na sua vida até ao dom total de Si  mesmo, até «perder a vida» (cf. Mt 10, 39; Lc 17, 33; Jo 12, 25). E promete aos seus discípulos que chegarão, mais cedo ou mais tarde, a  fazer a descoberta extraordinária de que falamos no início: no mundo, está  presente Deus, o Deus de Jesus Cristo, plenamente solidário com os homens. Neste  contexto, apraz-me lembrar a oração com que se pede a Deus para fazer de nós  instrumentos da sua paz, a fim de levar o seu amor onde há ódio, o seu perdão  onde há ofensa, a verdadeira fé onde há dúvida. Por nossa vez pedimos a Deus,  juntamente com o  Beato João XXIII, que ilumine os responsáveis dos povos para  que, junto com a solicitude pelo justo bem-estar dos próprios concidadãos,  garantam e defendam o dom precioso da paz; inflame a vontade de todos para  superarem as barreiras que dividem, reforçarem os vínculos da caridade mútua,  compreenderem os outros e perdoarem aos que lhes tiverem feito injúrias, de tal  modo que, em virtude da sua acção, todos os povos da terra se tornem irmãos e  floresça neles e reine para sempre a tão suspirada paz.

Com esta invocação, faço votos de que todos possam ser autênticos obreiros e  construtores da paz, para que a cidade do homem cresça em concórdia fraterna, na  prosperidade e na paz.

Vaticano, 8 de Dezembro de 2012.

BENEDICTUS PP XVI


Fonte: Site do Vaticano

29 de dezembro de 2012 at 16:17 Deixe um comentário

Consagrados e consagradas trabalham em prol da JMJ 2013 – CNBB

Membros da equipe de organização da JMJ Rio 2013

Para que a Jornada Mundial da Juventude Rio2013 seja realizada, muitas vocações e corações trabalham voltados ao anúncio da Boa Nova. O Comitê Organizador Local (COL) conta com a participação de movimentos, novas comunidades, congregações, além de padres diocesanos, diáconos permanentes e Bispos que ajudam na construção da JMJ Rio2013.
Eles servem na JMJ como colaboradores, voluntários ou missionários alocados, em sua maioria, nas áreas relacionadas ao carisma de seu grupo. Assim, eles são encontrados desde o setor administrativo até preparação pastoral, cultura e comunicação.

É o caso da missionária Paula Dizaró, que é membro da Comunidade Canção Nova há 10 anos. “Está sendo novo trabalhar com membros e leigos de outras ordens religiosas. É uma experiência rica e construtiva”, diz Paula, que veio da missão em Roma para servir na JMJ Rio 2013 no setor de comunicação, como gerente e operacional de audiovisual.
Membro do Instituto Secular das Irmãs de Maria de Schoenstatt, Irmã Maria Shaiane conta que foi convocada por sua superiora, devido à disponibilidade do Instituto para servir da JMJ. Consagrada há nove anos à vida religiosa e vinda de São Paulo, a irmã revela com alegria o que esta missão vem causando em sua vida.

“É uma experiência fascinante! Poder participar da preparação da Jornada é algo extraordinário! Ao mesmo tempo é um trabalho apostólico, onde o jovem terá contato com o religioso, com Cristo. É uma vivência muito bonita de Igreja”, afirmou.
Outra nova comunidade que integra o grupo de organização da JMJ é a Pequeno Rebanho, oriunda da Zona Norte do Rio. É de lá que vem o jovem Allan Farias, que atua no setor administrativo. Ele chegou ao COL como voluntário há um ano, mas devido à necessidade de pessoal fixo e com formação, logo Allan foi inserido no quadro de colaboradores contratados. Ele afirma que é muito positivo: “Temos uma rotina de oração e missa na hora do almoço. Em outra empresa eu não tinha isso, precisava procurar uma igreja perto. O convívio com as pessoas que professam a mesma fé acrescenta muito.”
Há também as congregações religiosas como a Paulinas, inspirada no anúncio do evangelho pelo apóstolo Paulo. Convidada pelo COL, a Irmã Catia Cappellari, atua no setor específico do carisma de sua congregação, a área de Comunicações. Ela descreve de forma objetiva e clara o significado deste trabalho em união que constrói a JMJ Rio2013: “ É um trabalho de diversos carismas, isto que a gente chama de universalidade da Igreja. Ou seja, todos nós nos unimos com o mesmo objetivo!”

Fonte: Canção Nova

29 de dezembro de 2012 at 12:09 Deixe um comentário

O Cântico de Maria

28 de dezembro de 2012 at 21:35 Deixe um comentário

Frases sobre Maria, Mãe de Deus

1-   “Jesus é o caminho que podemos seguir, aberto para todos. É o caminho da paz. A Virgem Mãe nos indica, nos mostra o caminho: sigamo-la! E Vós, Santa Mãe de Deus, acompanha-nos com a vossa proteção”. (Papa Bento XVI)

2-   “Nossa Senhora, a Mãe de Deus e nossa Mãe espiritual… a criatura na qual a imagem de Deus se reflete com nitidez absoluta, sem perturbação alguma, como acontece ao contrário com cada criatura humana”. (Papa Paulo VI)

3-   “Ninguém, ó Virgem, tem pleno conhecimento de Deus senão por ti; ninguém se salva senão por ti, ó Mãe de Deus; ninguém, senão por ti, recebe dons da misericórdia divina”. (S. Germano)

4-   “Salve, ó vós que não cessareis jamais de ser nossa alegria, Santa Mãe de Deus!” (São Metódio)

5-   “É lícito a um pecador desesperar de sua salvação quando a própria Mãe do Juiz se lhe ofereceu por Mãe e advogada?” (Santo Afonso)

6-  “O Filho atenderá Sua Mãe e o eterno Pai ouvirá Seu próprio Filho: eis o fundamento de toda nossa esperança”.  (São Pedro Canísio)

7-    “No silêncio, na escuta assídua da Palavra e com a sua união íntima com o Senhor, Maria tornou-se instrumento de salvação, ao lado de seu divino Filho Jesus Cristo” (Beato João Paulo II)

8- “Tendo sido a Santíssima Virgem elevada à dignidade de Mãe de Deus, com justa razão a Santa Igreja a honra, e quer que de todos seja honrada com o título glorioso de Rainha”. (Santo Afonso Maria de Ligório)

9 –  “…vos peço pela paixão, morte e Chagas do Vosso Filho, pela Vossa pureza e Conceição Imaculada”. (São Frei Galvão)

10- “Meu Deus, eu vos agradeço o terdes me inspirado essa obra em honra de vossa Mãe Santíssima. Como é bom, as portas da eternidade, poder pensar que fiz algumas coisa para semear nos corações a devoção a Maria”. (Santo Afonso Maria de Ligório)

11-   “Oferece, Virgem santa, o teu Filho e apresenta ao Senhor o fruto bendito do teu ventre. Sim! Oferece a hóstia santa e agradável a Deus, para reconciliação de todos nós!” (São Bernardo)

12-    “A Maria, Mãe do Filho de Deus que se fez nosso irmão, dirigimos confiantes a nossa oração, para que nos ajude a seguir as suas pegadas, a combater e a vencer a pobreza, a construir a verdadeira paz”. (Papa Bento XVI)

13-   “Deus Filho comunicou a sua Mãe tudo que adquiriu por sua vida e morte: seus méritos infinitos e suas virtudes admiráveis”. (S. Luís de Montfort)

14-   “Maria é verdadeiramente Mãe de Deus“. (S. Jerônimo)

15-   “Maria é Mãe de Deus, feita pela mão de Deus”. (S. Agostinho)

16-   “Se quiserdes compreender a Mãe –  diz um santo – compreendei o Filho, Ela é uma digna Mãe de Deus”. (S. Luís de Montfort)

17-   “A suavidade e o encanto das excelsas virtudes da Imaculada Mãe de Deus atraem de maneira irresistível os ânimos para a imitação do divino modelo, Jesus Cristo, de que Ela foi a mais fiel imagem”. (Papa Paulo VI)

18-   Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós…». Com Isabel, também nós ficamos maravilhados: «E de onde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?» (Lc 1, 43). Porque nos dá Jesus, seu Filho, Maria é Mãe de Deus e nossa Mãe; podemos confiar-lhe todas as nossas preocupações e pedidos”. (Catecismo 2677)

19-   “Maria é feita Mãe de Deus, para a salvação dos infelizes. (São Dionísio)

20-   “Na Anunciação, Maria dá no seu seio a natureza humana ao Filho de Deus; aos pés da Cruz, em João, recebe no seu coração toda a humanidade. Mãe de Deus desde o primeiro instante da Encarnação, Ela torna-se Mãe dos homens nos últimos momentos da vida do Filho Jesus”. (Beato João Paulo II)

21-   “Maria é Mãe de Deus, resplandecente de tanta pureza, e radiante de tanta beleza, que, abaixo de Deus, é impossível imaginar maior, na terra ou no céu“. (Santo André)

22-   “Donde me vem esta honra de vir a mim a Mãe de meu Senhor“? (Lc 1,43)

23-   “Na liturgia de hoje sobressai a figura de Maria, verdadeira Mãe de Jesus, Homem-Deus. Portanto, a solenidade não celebra uma ideia abstrata, mas um mistério e um acontecimento histórico:  Jesus Cristo, pessoa divina, nasceu da Virgem Maria, a qual é, no sentido mais verdadeiro, sua mãe”. (Papa Bento XVI)

24-   “Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei. (Gl. 4,4).

25-   “Se alguém não confessar que o Emanuel (Cristo) é verdadeiramente Deus, e que portanto, a Santíssima Virgem é Mãe de Deus, porque pariu segundo a carne ao Verbo de Deus feito carne, seja anátema.” (Concílio de Éfeso)

26-   “Desde os tempos mais remotos, a Bem-Aventurada Virgem é honrada com o título de Mãe de Deus, a cujo amparo os fiéis acodem com suas súplicas em todos os seus perigos e necessidades”. (Constituição Dogmática Lumen Gentium, 66).

27-  “Aquele que como Filho de Deus é coeterno ao que o gera, existindo no Pai, desde sempre, o mesmo começou a ser Filho do homem, ao nascer da Virgem”. (Santo Agostinho)

28-  “O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande  e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi ; e reinará eternamente na casa de Jacó”.  (Lc  1, 30-32)

Fonte:

Bíblia Sagrada

Site do Vaticano

Site: Biografia dos Santos

Livro “A Mulher do Apocalipse” de Felipe Aquino

28 de dezembro de 2012 at 11:59 2 comentários

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