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Reflexão para o I Domingo da Quaresma

Jesus no deserto tentado pelo diabo

Jesus no deserto tentado pelo diabo

“No Evangelho, Jesus, o Homem Perfeito, a verdadeira imagem do Pai, vence o Mal ao manter-se submisso ao Pai e mostrar-se um homem livre.”

Padre César Augusto dos Santos SJ – Cidade do Vaticano

Começamos a Quaresma com um texto que nos possibilita refletir sobre o projeto de Deus  a respeito do ser humano. O livro do Gênesis nos apresenta o homem sendo criado como o ponto alto de toda a criação, como imagem e semelhança de Deus. Exatamente por isso ele deverá proceder como superior a tudo e não deixar-se influenciar por nenhuma qualidade de qualquer coisa criada, deverá permanecer sempre livre!

É nesse exato momento que entra o a perversão do Mal ao provocar no homem o forte e imperioso desejo de experimentar a fruta proibida, ao ponto de apequenar-se  cedendo às  qualidades olfativas e visuais da fruta em detrimento da orientação do Criador.

Foi o primeiro ato em que o ser humano demonstrou que abria mão de sua liberdade para satisfazer seus instintos, sua curiosidade e, tragicamente, querer ser igual a Deus. Deixou de se reconhecer criatura, homem, vindo da terra, do húmus e querendo, com seu próprio poder chegar a ser onipotente. O ser humano trocou a humildade pela soberba, eis o primeiro pecado.

No Evangelho, Jesus, o Homem Perfeito, a verdadeira imagem do Pai, vence o Mal ao manter-se submisso ao Pai e mostrar-se um homem livre. Não será a comida, a satisfação de suas necessidades biológicas que irá submetê-lo às propostas do Mal; nem a tentação do orgulho, da vaidade, do ser renomado, do ser famoso, do prestígio irá fazê-lo aceitar a imposição de Satanás e nem a sedução do poder o derrotará em sua fidelidade ao Pai.

Para nós, a ação de Jesus, sua postura, nos interpela quando em nossa vida somos tentados a satisfazer nossas necessidades naturais, nossos desejos de prestígio e nossa sede de poder. Olhemos para o Homem Perfeito, a Imagem Visível do Deus Invisível, e suas respostas serenas às perturbadoras tentações.

No trecho da Carta aos Romanos, São Paulo nos fala sobre os modos de vida de Adão e de Cristo. O primeiro, como vimos no início de nossa reflexão, mostrou-se fraco. Contudo, essa debilidade foi herdada por todos nós, seus descendentes. Somos conscientes de que titubeamos e fracassamos diante das tentações.

Em Cristo temos exatamente a realização da vocação da natureza humana, ser superior a tudo sendo imagem de Deus, sendo livre!

Mais ainda, não podemos comparar a graça de Deus ao pecado de Adão, nos fala o Apóstolo. Se “pela desobediência de um só homem a humanidade toda foi estabelecida em uma situação de pecado, assim também, pela desobediência de um só, toda a humanidade passará para uma situação de justiça”, que é ser plenamente livre e plenamente unida a  Deus.

29 de fevereiro de 2020 at 14:40 Deixe um comentário

Primeiro Domingo da Quaresma – São Mateus 4, 1-11 – Dia 1º de março de 2020

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“1.Em seguida, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo demônio. 2.Jejuou quarenta dias e quarenta noites. Depois, teve fome. 3.O tentador aproximou-se dele e lhe disse: “Se és Filho de Deus, ordena que estas pedras se tornem pães”. 4.Jesus respondeu: “Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Dt 8,3). 5.O demônio transportou-o à Cidade Santa, colocou-o no ponto mais alto do templo e disse-lhe:* 6.“Se és Filho de Deus, lança-te abaixo, pois está escrito: Ele deu a seus anjos ordens a teu respeito; eles te protegerão com as mãos, com cuidado, para não machucares o teu pé em alguma pedra” (Sl 90,11s). 7.Disse-lhe Jesus: “Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus (Dt 6,16)”. 8.O demônio transportou-o uma vez mais, a um monte muito alto, e lhe mostrou todos os reinos do mundo e a sua glória, e disse-lhe: 9.“Eu te darei tudo isto se, prostrando-te diante de mim, me adorares”. 10.Respondeu-lhe Jesus: “Para trás, Satanás, pois está escrito: Adorarás o Senhor, teu Deus, e só a ele servirás (Dt 6,13)”. 11.Em seguida, o demônio o deixou, e os anjos aproximaram-se dele para servi-lo.”
Fonte – Bíblia Católica Online

“Em comunhão com o projeto de Jesus, vamos nos alimentar com o pão da Palavra e da Eucaristia, para podermos superar toda tentação e evitar o pecado, que nos afasta de Deus e nos leva por caminhos de morte. Conduzidos pelo Espírito, celebramos em louvor daquele que venceu as tentações e nos garantiu o dom da graça e da vida sem fim”. (Liturgia Diária)

“Após o batismo, Jesus é conduzido pelo Espírito ao deserto, onde enfrenta provações. Os quarenta dias de jejum recordam os quarenta anos do povo de Israel no deserto, antes de entrar na Terra prometida, onde haveria justiça e vida para todos. O povo falhou várias vezes, ao passo que Jesus supera todos os povos”. (Dia a Dia – Ed. Paulus)

O Padre Nilo Luza disse assim: “Mateus salienta três tentações a que Jesus teria sido submetido: o poder, a riqueza e o prestígio. Ele é confrontado com a decisão de ser fiel ao projeto de Deus ou aderir ao projeto do diabo. Sua opção mostra-se em sintonia com a vontade do Pai, recusando soluções simplistas e enganadoras”.

Mons. José Maria Pereira explicou: “No momento de começar o seu ministério público, Jesus teve que desmascarar e rejeitar as falsas imagens de Messias que o tentador lhe propunha. Mas estas tentações são também falsas imagens do homem, que em todos os tempos ameaçam a consciência, disfarçando-se de propostas convenientes e eficazes, verdadeiramente boas”.

“O demônio foi vencido por Cristo, que O tentou de um modo semelhante àquele pelo qual tinha vencido o primeiro homem. Como da primeira vez, tentou-O pela gula: «Ordena a estas pedras que se transformem em pães»; pela vaidade: «Se és o Filho de Deus, lança-Te daqui abaixo»; e pelo desejo intenso de uma situação confortável, mostrando-Lhe todos os reinos do mundo e dizendo-Lhe: «Dar-Te-ei tudo isto se, prostrado a meus pés, me adorares». (São Gregório Magno)

O Padre Helder Salvador disse assim: “Enquanto aqui caminhamos estamos sujeitos a grandes combates, no entanto, nunca podemos esquecer de que o Senhor firma os nossos passos na estrada e nos protege com as suas asas. E que, um dia nos saciaremos da Sua presença. É isso que a nossa alma espera!  (Sl 16)”

Conclusão:

“Nesta cena simbólica, Mateus resume a luta da vida inteira de Jesus. Trata-se do grande confronto entre o projeto salvador do Pai (Reino de Deus) e o antiprojeto do adversário (diabo).  A cada proposta sedutora do inimigo, Jesus rebate com a Palavra de Deus: “O ser humano não vive só de pão…” (Dt 8, 3). “Não tente ao Senhor seu Deus” (Dt 6, 16). “Adore o Senhor seu Deus, e somente a ele preste culto” (Dt 6, 13). Superadas as provações, Jesus passa a implantar o Reino de Deus”. (Dia a Dia – Ed. Paulus)

Oração: (Salmo 90, 1-16)

“1.Tu que habitas sob a proteção do Altíssimo,* que moras à sombra do Onipotente, 2.dize ao Senhor: “Sois meu refúgio e minha cidadela, meu Deus, em quem eu confio”. 3.É ele quem te livrará do laço do caçador, e da peste perniciosa. 4.Ele te cobrirá com suas plumas, sob suas asas encontrarás refúgio. Sua fidelidade te será um escudo de proteção. 5.Tu não temerás os terrores noturnos, nem a flecha que voa à luz do dia, 6.nem a peste que se propaga nas trevas, nem o mal que grassa ao meio-dia. 7.Caiam mil homens à tua esquerda e dez mil à tua direita: tu não serás atingido. 8.Porém, verás com teus próprios olhos, contemplarás o castigo dos pecadores, 9.porque o Senhor é teu refúgio. Escolheste, por asilo, o Altíssimo. 10.Nenhum mal te atingirá, nenhum flagelo chegará à tua tenda, 11.porque aos seus anjos ele mandou que te guardem em todos os teus caminhos.* 12.Eles te sustentarão em suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra.* 13.Sobre serpente e víbora andarás, calcarás aos pés o leão e o dragão. 14.“Pois que se uniu a mim, eu o livrarei; e o protegerei, pois conhece o meu nome. 15.Quando me invocar, eu o atenderei; na tribulação estarei com ele. Hei de livrá-lo e o cobrirei de glória. 16.Será favorecido de longos dias, e eu lhe mostrarei a minha salvação.”

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

 

 

 

 

 

 

 

 

26 de fevereiro de 2020 at 5:38 Deixe um comentário

Jesus, no deserto, era guiado pelo Espírito e foi tentado pelo diabo

Deserto Deserto

Reflexão sobre o 1º Domingo da Quaresma do ano C. Quaresma é um tempo especial de intimidade consigo mesmo diante de Deus Pai, com Jesus, no Espírito Santo.

Padre Halison Parro – Cidade do Vaticano

Em todas as Santas Missas, nós rezamos com sinceridade ao Pai: “Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do Mal”. Em nossas orações pessoais, tantas vezes suplicamos a Deus que Ele nos livre da infidelidade e da desobediência ao seu amor misericordioso. À luz do evangelho deste 1º Domingo da Quarema, sabemos que o objetivo das tentações é gerar em nossa vida uma inimizade com Deus e uma recusa consciente de sua presença em nossa história.

Primeiro Domingo da Quaresma

Como seres humanos, estamos expostos a muitas ocasiões e propostas que não se coadunam com a vontade do Senhor. Diante da realidade concreta da vida, o que devemos fazer? Qual escolha realizar? Jesus não retira o protagonismo de nossas decisões, mas, com o seu exemplo e com a sua graça, nos ensina que devemos percorrer um caminho de serviço e de obediência, por meio de uma luta perseverante contra o egoísmo na relação com os outros e com o próprio Deus.

Para entendermos as tentações, é muito importante relembrarmo-nos dos episódios narrados por Lucas no capítulo 3 de seu evangelho. Por exemplo, o evangelista nos apresenta a pessoa e atividade de João Batista no deserto (3,1-18), bem como a notícia da prisão desse personagem pelo tetrarca Herodes (3,19-20). Lucas narra ainda o batismo do Senhor (3,21-22) e nos oferece uma visão geral sobre a genealogia de Jesus (3,23-38). Por fim, os treze versículos do evangelho de hoje (4,1-13) completam esse quadro narrativo, com o relato da tentação de Jesus pelo diabo, antes do início de sua atividade pública nas sinagogas da Galileia (4,14-15).

Qual é a intenção de Lucas nessa parte de seu evangelho? Demonstrar que Jesus não é somente um profeta como João Batista, mas o Messias, capaz de batizar o seu povo no Espírito e no fogo (3,16). Nessa condição, Jesus é o Filho, que assume o seu messianismo a partir da tradição profética de Israel. Ele será acolhido e, ao mesmo tempo, rejeitado pelos seus contemporâneos, da mesma forma como os profetas o foram no Antigo Testamento. Nessa perspectiva teológica, o Evangelho deverá ser proclamado, segundo o desígnio divino, tanto aos judeus, quanto aos gentios (2,14).

Por essa razão, o evangelista insere, entre as cenas do batismo (3,21-22) e das tentações (4,1-13), uma genealogia, que une a história de Jesus à história de Adão (3,38). Dessa forma, os leitores da comunidade de Lucas constatam que não somente os descendentes de Abraão, mas todas as pessoas, em Cristo, verão a salvação do Senhor (3,6). Nesse processo, o Espírito Santo terá um papel fundamental tanto na vida de Jesus (1,35.67; 2,27; 3,16.22; 4,1) quanto na vida da futura comunidade cristã (At 1,4.8), pois se observa, claramente, a passagem do batismo com água à novidade do batismo no Espírito, experimentado pelos discípulos no dia de Pentecostes (At 2).

O texto evangélico

Se compararmos a versão de Lucas com a de Mateus (4,1-11), verificaremos que o nosso evangelista organiza de maneira diferente a ordem das três tentações. Lucas, ao contrário de Mateus, preferiu apresentar, como o local da terceira tentação de Jesus (Lc 4,9), a parte mais alta do Templo de Jerusalém. Por que o evangelista fez isso? A nossa análise haverá de responder a esse questionamento inicial.

a) Introdução (vv.1-2): esses versículos nos informam que Jesus voltou do Jordão pleno do Espírito Santo. O leitor é chamado a se lembrar da cena do batismo (3,22), episódio no qual o Messias recebe o Espírito em vista de sua futura missão (4,18-19). Esse mesmo Espírito conduz Jesus ao deserto, para que ele possa fazer, como Israel, a experiência do êxodo (Dt 8,2). Durante quarenta dias, Jesus vive, de fato, uma experiência de plenitude divina. Ele não come nenhum tipo de alimento, uma vez que o próprio Espírito é o seu maná. O narrador nos diz, porém, que o diabo o tentava durante esse período.

Por acaso existe alguma contradição entre ser pleno do Espírito e, ao mesmo tempo, tentado pelo diabo? Evidentemente não, pois o deserto, na Bíblia, é tanto o local da tentação quanto da intimidade com Deus.Por exemplo, durante 40 dias, Moisés ficou sem comida e bebida no Monte Sinai (Ex 24,18; 34,28; Dt 9,9.11.18). Também, Elias andou por 40 dias até chegar ao Horeb, o monte de Deus (1Rs 19,8). Durante 40 anos, o povo de Israel caminhou pelo deserto em direção à terra prometida. Portanto, esse período de 40 dias ou 40 anos indica um tempo decisivo, um momento fundamental para que uma pessoa ou um povo assuma, na presença de Deus, uma nova etapa em sua história. No caso de Jesus, essa etapa será sua atividade pública e a sua pregação sobre o Reino de Deus.

b) Primeira tentação (vv.3-4): O diabo faz o seguinte desafio a Jesus: “Se és Filho de Deus, manda que esta pedra se mude em pão” (v.3). A proposta do tentador não consiste no simples ato de saciar a fome, mas no uso do próprio poder a favor de si mesmo. Jesus sabe que deve utilizar o poder do Espírito Santo para libertar os homens de todas as formas de opressão. Contra o diabo, Jesus cita a Escritura: “Não só de pão vive o homem” (Lc 4,4; Dt 8,3).

Sua resposta é muito profunda, pois significa que Jesus deseja viver a sua condição de Filho como um homem unido e obediente a Deus. No deserto, Israel foi chamado a se alimentar do maná, como um sinal do cuidado e do amor do Senhor. Também, Jesus, ao se sentir amado pelo Pai, coloca-se a serviço da humanidade e aceita, livremente, as futuras dificuldades de seu ministério messiânico. Em seu coração de Filho, não existe espaço para a desobediência nem para o abuso da bondade do Pai.

c) Segunda tentação (vv.5-8): nesse momento, o diabo conduz Jesus para o alto e lhe mostra todos os reinos da terra. Para saciar a necessidade humana de poder, o tentador promete a glória do mundo a Jesus, com a única condição de que ele o adorasse. Em muitas ocasiões, o Novo Testamento caracteriza o diabo como o governante de um mundo que se opõe a Deus e ao seu Reino (2Cor 4,4; Jo 12,31; 14,30; 16,1). Na realidade, Satanás conhecia a promessa da Escritura, segundo a qual o Messias haveria de governar e de submeter todos os reinos da terra (Sl 2,8; Dn 7,14; Mt 28,18).

Sua proposta tem como objetivo distorcer essa promessa e desviar Jesus do caminho da cruz e do sofrimento, substituindo-o pelo caminho da riqueza e da idolatria do poder. Diante disso, Jesus lhe responde: “Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás” (Lc 4,8; Dt 6,13;10,20), já que o coração do homem não pertence ao mundo ou ao diabo, mas unicamente a Deus. Com essa resposta, Jesus olha para o passado da história de Israel e reconhece que, durante a caminhada do deserto, o povo foi chamado a servir o Senhor. Nesse sentido, Jesus fará a mesma experiência em sua vida, rejeitando abraçar toda forma de idolatria e de messianismo político. Seu ministério consistirá em assumir o projeto do Pai, com todas as suas consequências, inclusive, a rejeição e a cruz.

d) Terceira tentação (vv.9-12): depois de ter negado qualquer forma de adoração e de fidelidade ao diabo, o tentador conduz Jesus até o Templo de Jerusalém, onde Deus era adorado pelo povo de Israel. Lucas situa a terceira tentação nesse local, pois, em seu evangelho, Jesus caminha em direção a Jerusalém, onde será crucificado (Lc 22-23). Essa tentação é a pior de todas, pois o diabo, ao observar que Jesus utiliza a Escritura como sua arma de defesa, resolve também usar o texto bíblico para confundir seu opositor (Sl 91,11-12). Tanto o Templo quanto a Escritura eram as bases da fé israelita.

De forma astuta, Satanás sugere a Jesus a ideia de um Deus onipotente e de uma fé reduzida a instrumento de manipulação religiosa. O diabo, portanto, tem como objetivo convencer Jesus a ser um Messias que ensine às pessoas uma concepção mágica do divino, segundo a qual Deus se submeteria à vontade humana. Diante disso, Jesus lhe responde: “Não tentarás o Senhor teu Deus” (Lc 4,12; Dt 6,16; Is 7,12). O Senhor, portanto, deixa claro que Deus não pode ser experimentado por meio de provocações e de chantagens emocionais. Como Filho, Jesus sabe que a verdadeira religião consiste em um relacionamento gratuito, amoroso e incondicional com o Pai.

e) Conclusão (v.13): Lucas narra que o diabo afastou-se de Jesus para retornar em um tempo oportuno. Com isso, o evangelista ensina ao seu leitor que a ação diabólica não se restringe somente ao momento que antecede a atividade pública de Jesus (Lc 3,1-4,13). Esse versículo nos conduz até a Paixão do Senhor (22,3.31.35), quando o diabo reaparece para tentar Judas, Pedro e os demais discípulos, bem como Jesus na cruz (23,35-39).

Para refletir

a) Viver a Quaresma como um tempo de intimidade com o Senhor
Nesse período litúrgico, o Espírito Santo também deseja conduzir-nos para o deserto. Como Jesus, devemos ser dóceis à sua ação, para podermos experimentar o amor de Deus em nossas vidas. É tempo de discernimento espiritual em relação às nossas atitudes, aos nossos limites existenciais e à nossa fidelidade ao Senhor. Muitas vezes, temos medo do silêncio do deserto, pois fugimos de nós mesmos e da verdade de Deus sobre a nossa história.

Nessa perspectiva, Quaresma é um tempo especial de intimidade consigo mesmo diante de Deus Pai, com Jesus, no Espírito Santo. Se, de fato, reconhecemo-nos que somos filhos amados, nós aceitaremos viver esse processo de crescimento interior. Para isso, precisamos questionar-nos: Sou capaz de escutar a voz de Deus em meu coração? Reservo um tempo para o diálogo com o Senhor? Confio em Deus e suplico sua ajuda nos meus momentos de crise, de sofrimento e de solidão? Leio e escuto a Palavra com o sincero desejo de assumir, como Jesus, o projeto de Deus em minha vida? Conheço os meus limites e as minhas fraquezas? Eu ofereço minha vida ao Pai, unindo-me à cruz de Cristo?

b) Fazer a memória da fé e da experiência de Deus na vida pessoal e na história da comunidade
A primeira leitura (Dt 26,4-10) apresenta o reconhecimento de Israel a Deus, como aquele que escutou a voz de seus filhos e os libertou da opressão, da miséria e da angústia (Dt 26,7). Assim, a adoração ao Senhor e a celebração litúrgica da fé é uma resposta ao amor prévio de Deus pelo seu povo.

À luz da Escritura, devemos também olhar para a caminhada de nossa vida e identificar os diversos sinais do amor divino. Como discípulos de Jesus, sabemos que a nossa fé se fundamenta no testemunho da Igreja e das inúmeras pessoas que nos precederam. O próprio Jesus, na luta contra o diabo, retoma a história de Israel como critério pessoal para discernir a vontade do Pai.
Nós também recordamo-nos da caminhada do povo de Deus? Como comunidade, as nossas celebrações se configuram como a fonte de nossa espiritualidade e da nossa relação com o Senhor? Faço memória da vida e das palavras de Jesus, para que elas me ajudem a discernir os valores e as atitudes a assumir no dia a dia de minha vida?

c) Acolher o evangelho como palavra de Salvação
Paulo nos convida a crer em Jesus, reconhecendo-o como nosso Salvador (Rm 10,8-13). Tanto a primeira leitura quanto o salmo nos convidam a invocar a Deus com sinceridade e em espírito de adoração. O apóstolo também nos exorta a invocar o nome do Senhor Jesus. Nessa perspectiva, a fé é o grande instrumento por meio do qual poderemos vencer o Maligno. Como cristãos, sabemos que a última palavra em nossa história pertence a Cristo? Na Quaresma, somos chamados a reconhecer que a sua palavra habita dentro de nós!

d) Lutar contra o mal por meio de uma união espiritual com Jesus
No evangelho, Jesus nos ensina que a Palavra é a nossa armadura diante das tentações. Entretanto, não basta apenas conhecê-la teoricamente, já que é preciso experimentá-la na vida e no coração. Ajudados pelo Senhor, podemos dar passos significativos na superação de nossas dependências físicas, afetivas e espirituais.

Ele não apenas nos ensina o caminho, mas também derrama em nossos corações a sua graça. Portanto, Jesus nos revela como podemos submeter a nossa vontade à vontade do Senhor, como podemos vencer o egoísmo e experimentar o amor do Pai em nossas vidas. Estamos dispostos a aceitar esse belo desafio?
Um santo domingo a todos!

9 de março de 2019 at 10:02 Deixe um comentário

Reflexão: I Domingo da Quaresma

Primeiro domingo da Quaresma

Que esta quaresma , tempo de conversão, seja uma caminhada feliz, alegre que purifique e intensifique nosso relacionamento com Deus!

Padre Cesar Augusto dos Santos – Cidade do Vaticano

Iniciamos nosso tempo quaresmal com a reflexão sobre a gratidão a Deus pelos frutos recebidos, expressada pela restituição ao Senhor, através de seus pobres, das primícias dos frutos do trabalho. Essa atitude reconhecedora de que tudo o que temos vem de Deus, reafirma nossa absoluta dependência Dele.

No passado, as primícias eram entregues aos representantes de Deus: os levitas, os estrangeiros, os órfãos, as viúvas, enfim a todos aqueles que não possuíam terras, que eram socialmente pobres.

Não basta a profissão de fé, mas é imperiosa a solidariedade e a generosidade em favor dos necessitados. Reconheço a bondade de Deus, sua generosidade para comigo, partilhando com os pobres o que Dele recebi.

O Evangelho nos fala das tentações a que o ser humano é exposto. Lucas nos mostra Jesus, o Homem por excelência, vivenciando essas tentações e saindo imune dessas ações demoníacas.

A primeira tentação é em relação à comida, à subsistência. Todos precisamos nos alimentar para viver. Todavia Jesus passa um longo tempo sem se alimentar e, apesar da fome, não dá vazão aos apelos do próprio corpo para que se alimente e se mantém fiel a Deus.

Se tivesse usado seus poderes para saciar suas necessidades, teria sido um vencedor aos olhos do mundo, mas um derrotado aos olhos do Pai. Jesus rebate o Mal com um pequeno texto da Sagrada Escritura: “Não só de pão vive o homem!”

Somente aquele que considera sua vida à luz da Palavra de Deus está em condições de atribuir às realidades terrenas seu exato valor!

A segunda tentação está voltada ao modo de nos relacionarmos com as pessoas. Somos levados a uma escolha entre dominar ou servir, competir ou solidarizar, explorar ou disponibilizar-se. O intelectual, o rico, o mais forte, todos esses podem se transformar em opressores daqueles que não tiveram oportunidades.

Onde quer que se espezinhe a dignidade humana, aí entra a lógica do diabo. Para Jesus, grande não é o bem sucedido, aquele perante a quem o mundo se ajoelha, mas aquele que se ajoelha para lavar os pés do irmão mais pobre.

A terceira tentação é a que deturpa o relacionamento entre o homem e Deus. Satanás usa a palavra de Deus, o famoso “Está escrito …” para desviar Jesus do caminho. Com isso o Mal corrói os fundamentos da relação com Deus. Colocar Deus à prova, incutir no ser humano a dúvida quanto à fidelidade do Senhor, fazer o homem desejar ter provas da existência e da bondade do Pai. Jesus se mantêm firme em toda e qualquer situação, inclusive no momento final da grande provação: a da agonia no horto e a crucificação.

Somos tentados cotidianamente e o seremos também no final de nossa vida, como foi o Mestre.

A segunda leitura nos alenta diante desses espinhos diários. Diz-nos o Apóstolo: “Se, pois, com tua boca confessares Jesus como Senhor e, no teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo!” As obras só têm valor em virtude da união com Cristo. É ele quem dá a dimensão transformadora dos bens materiais em espirituais.

Que esta quaresma , tempo de conversão, seja uma caminhada feliz, alegre que purifique e intensifique nosso relacionamento com Deus.

9 de março de 2019 at 9:19 Deixe um comentário

Primeiro Domingo da Quaresma – A Tentação no Deserto – São Lucas 4,1-13 – Dia 10 de março de 2019

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Naquele tempo, 1Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão, e, no deserto, ele era guiado pelo Espírito. 2Ali foi tentado pelo diabo durante quarenta dias. Não comeu nada naqueles dias e, depois disso, sentiu fome. 3O diabo disse, então, a Jesus: “Se és Filho de Deus, manda que esta pedra se mude em pão”. 4Jesus respondeu: “A Escritura diz: ‘Não só de pão vive o homem’”.

5O diabo levou Jesus para o alto, mostrou-lhe por um instante todos os reinos do mundo 6e lhe disse: “Eu te darei todo este poder e toda a sua glória, porque tudo isso foi entregue a mim e posso dá-lo a quem eu quiser. 7Portanto, se te prostrares diante de mim em adoração, tudo isso será teu”.

8Jesus respondeu: “A Escritura diz: ‘Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás’”.

9Depois o diabo levou Jesus a Jerusalém, colocou-o sobre a parte mais alta do Templo, e lhe disse: “Se és Filho de Deus, atira-te daqui abaixo! 10Porque a Escritura diz: ‘Deus ordenará aos seus anjos a teu respeito, que te guardem com cuidado!’ 11E mais ainda: ‘Eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’”.

12Jesus, porém, respondeu: “A Escritura diz: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’”. 13Terminada toda a tentação, o diabo afastou-se de Jesus, para retornar no tempo oportuno.

O Papa Francisco explicou: “Assim como Jesus se preparou 40 dias no deserto, posto à prova por Satanás, para vencer as tentações nós devemos fazer o nosso ‘treinamento’ espiritual. Somos chamados a enfrentar o mal mediante a oração para sermos capazes, com a ajuda de Deus, de derrotá-lo em nosso dia a dia. Infelizmente, o mal está à obra em nossa existência e ao nosso redor, aonde existem violências, negação do próximo, fechamentos, guerras e injustiças”. (18 fevereiro 2018)

O Catecismo (§540) ensina: ” A tentação de Jesus manifesta a maneira que o Filho de Deus tem de ser Messias o oposto da que lhe propõe Satanás e que os homens desejam atribuir-lhe. E por isso que Cristo venceu o Tentador por nós: “Pois não temos um sumo sacerdote incapaz de compadecer-se de nossas fraquezas, pois Ele mesmo foi provado em tudo como nós, com exceção do pecado” (Hb 4,15). A Igreja se une a cada ano, mediante os quarenta dias da Grande Quaresma, ao mistério de Jesus no deserto”.

O Papa Emérito Bento XVI disse assim: “Como Moisés antes de receber as Tábuas da Lei (cf. Êx 34, 28), como Elias antes de encontrar o Senhor no monte Oreb (cf. 1 Rs 19, 8), assim Jesus rezando e jejuando se preparou para a sua missão, cujo início foi um duro confronto com o tentador”.

“O Senhor quis padecer o ataque do tentador para nos defender com a sua ajuda e para nos instruir com o seu exemplo”. (São Leão Magno)

Conclusão: 

“Depois de batizado, Jesus é conduzido pelo Espírito Santo para o deserto, onde se prepara para a missão, mas também lugar de desafios e de provas, e aí é tentado por Satanás”. (Dia a Dia – Ed. Paulus)

Oração: 

“Que Maria Santíssima nos ajude a viver esta Quaresma com fidelidade à Palavra de Deus e com oração incessante, como fez Jesus no deserto. Não é impossível! Trata-se de viver os dias desejando intensamente acolher o amor que vem de Deus e que quer transformar nossa vida e o mundo inteiro!”. (Papa Francisco)

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

4 de março de 2019 at 5:56 Deixe um comentário

Reflexão do Padre Cesar Augusto para o 1º Domingo da Quaresma

Imagem de Cristo

Pratiquemos o bem, deixemos que o sangue do Senhor vá inundando todo o nosso ser e destruindo aquilo que manifesta nossa caducidade.

Padre Cesar Augusto dos Santos – Cidade do Vaticano

É possível em um ambiente corrompido, caótico, em ruína moral e física, haver restauração, desde que em seu meio exista alguém que opte pela vida e, permanentemente, rechace a morte. Isso é o que nos diz a primeira leitura deste domingo, ao nos contar a história de Noé e do dilúvio.

Deus, após o aparente triunfo do mal, com o surgimento do dilúvio, faz uma aliança com toda a criação, através da promessa dita a Noé, um homem de bem e temente a Deus. O Senhor se compromete a jamais permitir a destruição de suas criaturas e, como memória, coloca no firmamento, um sinal eloqüente, o arco-íris.

No Evangelho, Jesus vive sua quaresma isto é, seu tempo de preparação mais próxima para vencer definitivamente o adversário. São quarenta dias que nos lembram os quarenta dias do dilúvio, os 40 dias que Moisés permaneceu no monte Nebo para receber os Dez Mandamentos, os 40 dias em que Elias permaneceu escondido na montanha. São quarenta, mas não exatamente 39 mais 01 e sim um tempo bíblico de reflexão e preparação.

Jesus foi conduzido pelo Espírito para esse tempo de luta. Ele havia recebido a força de Deus e estava preparado para o confronto com o adversário. Ele anuncia que o tempo já se cumpriu e que o Reino de Deus está próximo. E diz: “Convertam-se e creiam na Boa Nova”. Na verdade essa quaresma de Jesus, esse seu tempo de luta, vai durar toda sua vida.

Na segunda leitura, Paulo faz uma comparação entre a arca construída por Noé e o batismo adquirido pelo sangue do Senhor. Arca salvou as pessoas da destruição, o batismo, mais que nos salvar, nos torna pessoas novas, nos confere nova identidade, a de filhos de Deus.

Queridos irmãos ouvintes, quando vivenciamos nosso dilúvio, através da imersão nas águas batismais, morremos para o pecado e recebemos a vida nova de filhos de Deus.

O sinal eloqüente que Deus nos deu foi a morte de seu filho na cruz e nossa adoção como filhos.

A redenção da criação se deu quando, através desse fato, tudo deixou de ser profano e passou a ser sagrado, porque o Senhor da Vida, o Kyrios, assumiu nossa carne mortal e a eternizou. A matéria foi divinizada.

Pratiquemos o bem, deixemos que o sangue do Senhor vá inundando todo o nosso ser e destruindo aquilo que manifesta nossa caducidade. Que nossa vida, todo o nosso ser, seja plenificado pelo Espírito que preparou Jesus para a luta.

18 de fevereiro de 2018 at 11:14 Deixe um comentário

Primeiro Domingo da Quaresma – E Ele (Jesus) ficou no deserto durante quarenta dias – São Marcos 1, 12 – 15 – Dia 18 de fevereiro de 2018

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“12.E logo o Espírito o impeliu para o deserto. 13.Aí esteve quarenta dias. Foi tentado pelo demônio e esteve em companhia dos animais selvagens. E os anjos o serviam. 14.Depois que João foi preso, Jesus dirigiu-se para a Galiléia. Pregava o Evangelho de Deus, e dizia: 15.”Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho.”

Fonte: Bíblia Ave  Maria

E logo o Espírito o impeliu para o deserto. Aí esteve quarenta dias.

O Padre Paulo Bazaglia disse assim:  “O Filho de Deus deixou-se conduzir pelo Espírito Santo, mostrando-nos que ser filho de Deus é deixar-se conduzir pelo Espírito de Deus”.

“Foi tentado quarenta dias e quarenta noites, para nos mostrar que em todo o tempo que servirmos ao Senhor nesta vida… seremos atacados pelo adversário, que com a tentação não cessa de por obstáculos no nosso caminho”. (São Beda)

Foi tentado pelo demônio e esteve em companhia dos animais selvagens. E os anjos o serviam.

O Papa Francisco disse que “o diabo «é um mentiroso, sabe como enganar, sabe como burlar as pessoas». E assim «com a sua astúcia a serpente envolve Eva: faz com que se sinta bem, faz-lhe — por assim dizer — beber um pouco de água adoçada». A ponto que Eva «sente-se bem, confia, começa o diálogo e, passo após passo, leva-a onde quer». O diabo tenta fazer «o mesmo com Jesus no deserto. Faz-lhe três propostas, mas este diálogo com Jesus acaba mal para o diabo: “Afasta-te de mim, Satanás!”». (10\02\17)

“Reconheces que Cristo foi tentado, e não reconheces que alcançou a vitória? Reconhece-te como tentado n’Ele, reconhece-te como vencedor n’Ele. Ele poderia ter impedido o diabo de se aproximar d’Ele; mas, se não tivesse sido tentado, como nos teria ensinado a maneira de vencer a tentação?” (Santo Agostinho)

“E, como prêmio da Sua fidelidade, chegado o tempo, apresentam-se os mensageiros de Deus Pai para O servirem. Devemos encher-nos de ânimo, visto que a graça do Senhor não nos faltará, pois Deus estará a nosso lado e enviar-nos-á os Seus Anjos, para que sejam nossos companheiros de viagem, nossos prudentes conselheiros ao longo do caminho, nossos colaboradores em todos os empreendimentos”. (São Josemaría Escrivá)

Depois que João foi preso, Jesus dirigiu-se para a Galileia. Pregava o Evangelho de Deus, e dizia: “Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho.”

O Padre Paulo Bazaglia explicou: “A Boa Notícia  que Jesus proclama é que o tempo se cumpriu. Não é mais tempo de esperar. É tempo de agir.  O Messias esperado já veio: é o próprio Jesus, inaugurando o reinado de Deus no mundo”.

“Quando Cristo inicia a sua pregação na Terra, não oferece um programa político, mas diz: fazei penitência, porque está perto o Reino dos Céus. Encarrega os seus discípulos de anunciar esta boa nova e ensina a pedir, na oração, a chegada do Reino, isto é o Reino dos Céus e a sua justiça, uma vida santa, aquilo que temos de procurar em primeiro lugar, a única coisa verdadeiramente necessária”. (São Josemaria Escrivá)

Conclusão:

“Depois de batizado, Jesus é conduzido pelo Espírito Santo para o deserto, onde se prepara para a missão, e aí é tentado por Satanás. O deserto é lugar de retiro em vista da missão, mas também lugar de desafios e provas. Após a experiência do deserto, Jesus sai do anonimato, dirige-se à Galileia e começa a pregar: “O tempo se cumpriu e o Reino de Deus está perto”. Com Jesus chegou a boa notícia do Reino de Deus, é tempo de aderir ao seu projeto. O forte apelo de conversão acompanha a Quaresma toda. Pela Palavra de Deus, o cristão é convidado a uma contínua mudança de vida. A conversão envolve a pessoa em sua totalidade e determina novo rumo em sua vida. O reino inaugurado por Jesus á algo que não se concretiza de forma mágica nem se impõe de forma violenta. Ele vai solidificando-se à medida que nos convertemos a ele e aderimos ao Evangelho”.  (Dia a Dia – Ed. Paulus)

Oração:

Oração do Pai Nosso: Pai Nosso que estais no céu, santificado seja o vosso nome, vem a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai-nos as nossa ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, não nos deixeis cair em tentação, mais livrai-nos do mal.Amém

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

12 de fevereiro de 2018 at 5:35 Deixe um comentário

Na tentação se revela a fidelidade

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O primeiro domingo da Quaresma nos reserva o evangelho das tentações de Jesus (Lucas 4,1-13). Visto que nos é proposto um caminho de conversão para esse tempo que prepara a celebração da paixão, morte e ressurreição de Jesus, a conversão significa nova vida. A quarta feira de cinzas nos proclamou: “convertei-vos e crede no evangelho”.

Jesus tentado no deserto nos proporciona ensinamentos úteis, porque também nós estamos expostos ao risco da tentação. Ela faz parte de nossa vida: encontra obstáculo continuamente nas ocasiões de fazer o mal. Com a força de Deus poderemos superar o mal.

O que faz o mal não é a tentação em si, mas o ceder à tentação. Na tentação de Jesus, o que conta realmente não é a materialidade dos lugares e de coisas, onde e como foi tentado, mas como reagiu a consciência de Jesus. Certamente a Igreja das origens recorreu a este relato para exprimir com linguagem humana, plena de símbolos, a atitude que Jesus assumiu diante da existência, ao mundo criado, e ao Criador. A atitude de Jesus nas várias situações da vida era certamente justa. E cada cristão de fronte às tentações deveria aprender a comportar-se como fez Jesus.

No relato do evangelho, o tentador, Satanás, apresenta a Jesus três ofertas. Na primeira, Satanás propõe o domínio sobre os bens materiais:  converter a pedra em pão. Na segunda, o domínio sobre os homens: O poder sobre reinos, se Jesus se prostrasse diante do demônio. Na terceira oferta, é oferecido ao Senhor o domínio sobre as forças misteriosas do criado, os puros espíritos: atirar-se do mais alto do templo, sustentado pelos anjos. Em substância são oferecidas por Satanás três ordens de bens: as coisas materiais compreendidos os reinos dos homens, e o domínio sobre os anjos e os seres espirituais. Que coisa se poderia oferecer a mais a um homem, e que coisa ele poderia desejar a mais?

As tentações podem ser reunidas e formar uma só: organizar a própria existência no sentido egoísta, materialista, horizontes baixos, sem qualquer referência ao mundo do espírito; o eu como centro do universo.

Jesus não se deixa enganar pelas ofertas. Replica com três respostas que formam uma só, global, definitiva. Cada vez, diz: “Está escrito!”: “Não só de pão vive o homem”. O homem tem necessidade não somente de coisas materiais, mas muito mais de valores espirituais, de referências ao depois, às últimas coisas, ao eterno, a Deus.

Quanto ao domínio sobre os homens, Jesus responde que esse está reservado exclusivamente a Deus criador. Nenhum homem deve adorar outro homem, nem fazer-se adorar por outro homem. No vértice da escala dos valores, o homem colocará unicamente Deus.

Quanto ao domínio sobre os anjos, Jesus responde: “Está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus”. Isto significa: confiar-se a Deus, confiar a ele na normalidade da vida, e não pretender dele intervenções prodigiosas e extraordinárias.

Em todos os três casos, Jesus faz referência à organização da existência que não se fecha no âmbito estreito das coisas materiais, do humano, mas se abre ao que se eleva sobre a matéria, no mundo do espírito.

Também nós aprendemos que no universo existe alguém mais importante que a matéria, existe o invisível, existe Deus que criou por amor, e dá sentido verdadeiro e pleno à existência. O Pai de Jesus, a quem  rezamos “Pai nosso”.

Todos somos tentados como Cristo: tentados de voltar as costas a Deus Criador; de pararmos diante das coisas para possuí-las; de querer dominar sobre os outros, de colocar-nos no centro do mundo: pessoas e povos, caídos na tentação. Situações de violência e prepotência onde um exaltado demonstra uma irreprimível vontade de poder.

Nossa geração está vendo tantas maravilhosas conquistas em todos os campos do saber e do domínio da matéria; parece sujeita às tentações do poder muito mais que as gerações precedentes. Ao nível de cada um, estamos imersos na sociedade opulenta do consumismo. Um dos maiores problemas de cada dia é que nos encontramos diante de tantas tentações, que não temos nem tempo de ceder a todas.

Dom Geraldo Majella Agnelo (CNBB)

 

3 de março de 2017 at 5:11 Deixe um comentário

Primeiro Domingo da Quaresma -Jesus jejuou durante quarenta dias e quarenta noites… – São Mateus 4, 1 – 11- Dia 05 de março de 2017

imagem atual do deserto da Judeia onde Jesus foi tentado

1.Em seguida, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo demônio.

2.Jejuou quarenta dias e quarenta noites. Depois, teve fome.

3.O tentador aproximou-se dele e lhe disse: Se és Filho de Deus, ordena que estas pedras se tornem pães.

4.Jesus respondeu: Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus (Dt 8,3).

5.O demônio transportou-o à Cidade Santa, colocou-o no ponto mais alto do templo e disse-lhe:

6.Se és Filho de Deus, lança-te abaixo, pois está escrito: Ele deu a seus anjos ordens a teu respeito; proteger-te-ão com as mãos, com cuidado, para não machucares o teu pé em alguma pedra (Sl 90,11s).

7.Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus (Dt 6,16).

8.O demônio transportou-o uma vez mais, a um monte muito alto, e lhe mostrou todos os reinos do mundo e a sua glória, e disse-lhe:

9.Dar-te-ei tudo isto se, prostrando-te diante de mim, me adorares.

10.Respondeu-lhe Jesus: Para trás, Satanás, pois está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás (Dt 6,13).

11.Em seguida, o demônio o deixou, e os anjos aproximaram-se dele para servi-lo.

O Papa Francisco explicou que “a vida de Jesus foi uma luta: ele veio para vencer o mal, para vencer o príncipe deste mundo, para vencer o demônio. Jesus lutou contra o demônio que o tentou várias vezes e sentiu na sua vida as tentações e também as perseguições. Também nós cristãos, que queremos seguir Jesus, e que por meio do batismo estamos precisamente no caminho de Jesus, devemos conhecer bem esta verdade: também nós somos tentados, inclusive nós somos objeto do ataque do demônio. Porque o espírito do mal não quer a nossa santidade, não quer o testemunho cristão, não deseja que sejamos discípulos de Jesus”.

“Jesus, cheio do Espírito Santo, retirou-se do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto, onde esteve durante quarenta dias, e era tentado pelo diabo.Tudo o que Jesus fez e padeceu foi para nos instruir. Por isso, quis ser conduzido a esse lugar a fim de lutar com o demônio, para que ninguém, de entre os batizados, se sinta perturbado se, depois do seu batismo, sofre as maiores tentações, como se fosse uma coisa extraordinária; deve, antes, suportar tudo isso como se fizesse parte da ordem natural das coisas”. (São João Crisóstomo)

“Sabeis que Jesus, antes de iniciar a vida pública, se retirou em oração quarenta dias no deserto… Procurai estabelecer também vós um pouco de silêncio na vossa vida, a fim de poderdes pensar, refletir e orar com maior fervor e fazer propósitos com maior decisão. É difícil hoje criar “zonas de deserto e de silêncio”, porque se é continuamente arrastado pela engrenagem das ocupações, pelo ruído dos acontecimentos e pela atração dos meios de comunicação, de modo que fica comprometida a paz interior e encontram obstáculos os pensamentos mais altos que devem qualificar a existência do homem. É difícil, mas é possível e importante, saber fazê-lo”. (São João Paulo II)

O Papa Francisco disse ainda: “Se um pensamento, se um desejo te levar pela estrada da humildade, do abaixamento, do serviço ao próximo, é de Jesus; mas se te levar pelo caminho da suficiência, da vaidade, do orgulho ou de um pensamento abstrato, não é de Jesus. Confirma isto a tentação que o próprio Jesus teve que sofrer no deserto:As três propostas que faz o demônio a Jesus eram propostas que queriam afastar Jesus deste caminho, do caminho do serviço, da humildade, da humilhação, da caridade feita com a sua vida».
(2014)

O Papa Emérito Bento XVI ensinou: “Jesus vai ao deserto, e ali padece a tentação de deixar o caminho indicado pelo Pai para seguir outras veredas, mais fáceis e mundanas (Lc 4, 1-13). Assim, Ele assume as nossas tentações, traz consigo a nossa miséria, para vencer o maligno e para nos abrir o caminho rumo a Deus, a senda da conversão”.

Conclusão:

Com as palavras do Papa Francisco: “Todos somos tentados porque a lei da nossa vida espiritual, da nossa vida cristã, é uma luta. E isto é uma consequência do fato que «o príncipe deste mundo não quer a nossa santidade, não quer que sigamos Cristo». Certamente alguém de vós – talvez, não sei – pode dizer: mas padre, como é antigo, falar do demônio no século XXI!. Olhai que o demônio existe! O demônio existe também no nosso século. E não devemos ser ingênuos. Devemos aprender do Evangelho como lutar contra ele». (2014-04-11)

Oração:

“Deus, nosso Pai, nós vos bendizemos por Jesus, que jejuando no deserto, nos mostra ser possível fortalecer a fé e tornar fértil a aridez da caminhada. Ele nos ensina a vencer as tentações, que nos afastam do vosso reino. Nós vos pedimos: dai-nos força e resistência para seguir o exemplo do vosso Filho e libertar-nos de todos os ídolos, que podem nos alienar e dominar. Que o alimento de vossa Palavra nos afaste de toda tentação”. (Liturgia Diária)

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

27 de fevereiro de 2017 at 5:18 Deixe um comentário

1º Domingo da Quaresma

No início da Quaresma, a Palavra de Deus apela-nos a repensar as nossas opções de vida e a tomar consciência dessas “tentações” que nos impedem de renascer para a vida nova, para a vida de Deus.

A primeira leitura convida-nos a eliminar os falsos deuses em quem às vezes apostamos tudo e a fazer de Deus a nossa referência fundamental. Alerta-nos, na mesma lógica, contra a tentação do orgulho e da auto-suficiência, que nos levam a caminhos de egoísmo e de desumanidade, de desgraça e de morte.

O Evangelho apresenta-nos uma catequese sobre as opções de Jesus. Lucas sugere que Jesus recusou radicalmente um caminho de materialismo, de poder, de êxito fácil, pois o plano de Deus não passava pelo egoísmo, mas pela partilha; não passava pelo autoritarismo, mas pelo serviço; não passava por manifestações espectaculares que impressionam as massas, mas por uma proposta de vida plena, apresentada com simplicidade e amor. É claro que é esse caminho que é sugerido aos que seguem Jesus.

A segunda leitura convida-nos a prescindir de uma atitude arrogante e auto-suficiente em relação à salvação que Deus nos oferece: a salvação não é uma conquista nossa, mas um dom gratuito de Deus. É preciso, pois, “converter-se” a Jesus, isto é, reconhecê-lo como o “Senhor” e acolher no coração a salvação que, em Jesus, Deus nos propõe.

Fonte: Evangelho Quotidiano

12 de fevereiro de 2016 at 5:03 Deixe um comentário

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