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Papa Francisco: Abraçar o Senhor para abraçar a esperança

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Com o cenário inédito da Praça São Pedro vazia com o Papa Francisco diante da Basílica Vaticana, o Pontífice afirmou que é “diante do sofrimento que se mede o verdadeiro desenvolvimento dos povos”. Francisco falou ainda da ilusão de pensar :que continuaríamos sempre saudáveis num mundo doente”.

Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

Abraçar o Senhor para abraçar a esperança: esta é a mensagem do Papa Francisco aos fiéis de todo o mundo que, neste momento, se encontram em meio à tempestade causada pela pandemia do coronavírus.

Diante de uma Praça São Pedro completamente vazia, mas em sintonia com milhões de pessoas através dos meios de comunicação, o trecho escolhido para a oração dos féis foi a tempestade acalmada por Jesus, extraído do Evangelho de Marcos.

E foi esta passagem bíblica que inspirou a homilia do Santo Padre, que começa com o “entardecer…”.

“Há semanas, parece que a tarde caiu. Densas trevas cobriram as nossas praças, ruas e cidades; apoderaram-se das nossas vidas, enchendo tudo de um silêncio ensurdecedor e de um vazio desolador… Nos vimos amedrontados e perdidos.”

Estamos todos no mesmo barco

Estes mesmos sentimentos, porém, acrescentou o Papa, nos fizeram entender que estamos todos no mesmo barco, “chamados a remar juntos”.

Neste mesmo barco, seja com os discípulos, seja conosco agora, está Jesus. Em meio à tempestade, Ele dorme – o único relato no Evangelho de Jesus que dorme – notou Francisco. Ao ser despertado, questiona: «Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» (4, 40).

“A tempestade desmascara a nossa vulnerabilidade e deixa a descoberto as falsas e supérfluas seguranças com que construímos os nossos programas, os nossos projetos, os nossos hábitos e prioridades. Mostra-nos como deixamos adormecido e abandonado aquilo que nutre, sustenta e dá força à nossa vida e à nossa comunidade.”

A ilusão de pensar que continuaríamos saudáveis num mundo doente

Com a tempestade, afirmou o Papa, cai o nosso “ego” sempre preocupado com a própria imagem e vem à tona a abençoada pertença comum que não podemos ignorar: a pertença como irmãos.

“Na nossa avidez de lucro, deixamo-nos absorver pelas coisas e transtornar pela pressa. Não nos detivemos perante os teus apelos, não despertamos face a guerras e injustiças planetárias, não ouvimos o grito dos pobres e do nosso planeta gravemente enfermo. Avançamos, destemidos, pensando que continuaríamos sempre saudáveis num mundo doente. Agora, sentindo-nos em mar agitado, imploramos-Te: «Acorda, Senhor!»”

O Senhor então nos dirige um apelo, um apelo à fé. Nos chama a viver este tempo de provação como um tempo de decisão: o tempo de escolher o que conta e o que passa, de separar aquilo que é necessário daquilo que não é. “O tempo de reajustar a rota da vida rumo ao Senhor e aos outros.”

A heroicidade dos anônimos

Francisco cita o exemplo de pessoas que doaram a sua vida e estão escrevendo hoje os momentos decisivos da nossa história. Não são pessoas famosas, mas são “médicos, enfermeiros, funcionários de supermercados, pessoal da limpeza, transportadores, forças policiais, voluntários, sacerdotes, religiosas e muitos – mas muitos – outros que compreenderam que ninguém se salva sozinho”.

“É diante do sofrimento que se mede o verdadeiro desenvolvimento dos nossos povos”, afirmou o Papa, que recordou que a oração e o serviço silencioso são as nossas “armas vencedoras”.

A tempestade nos mostra que não somos autossuficientes, que sozinhos afundamos. Por isso, devemos convidar Jesus a embarcar em nossas vidas. Com Ele a bordo, não naufragamos, porque esta é a força de Deus: transformar em bem tudo o que nos acontece, inclusive as coisas negativas. Com Deus, a vida jamais morre.

Temos uma esperança

Em meio à tempestade, o Senhor nos interpela e pede que nos despertemos. “Temos uma âncora: na sua cruz fomos salvos. Temos um leme: na sua cruz, fomos resgatados. Temos uma esperança: na sua cruz, fomos curados e abraçados, para que nada e ninguém nos separe do seu amor redentor.”

Abraçar a sua cruz, explicou o Papa, significa encontrar a coragem de abraçar todas as contrariedades da hora atual, abandonando por um momento a nossa ânsia de onipotência e posse, para dar espaço à criatividade que só o Espírito é capaz de suscitar. “Abraçar o Senhor, para abraçar a esperança.” Aqui está a força da fé e que liberta do medo. Francisco então concluiu:

“Deste lugar que atesta a fé rochosa de Pedro, gostaria nesta tarde de confiar a todos ao Senhor, pela intercessão de Nossa Senhora, saúde do seu povo, estrela do mar em tempestade. Desta colunata que abraça Roma e o mundo, desça sobre vocês, como um abraço consolador, a bênção de Deus.”

Ao final da homilia, o Pontífice adorou o Santíssimo e concedeu a bênção Urbi et Orbi, com anexa a Indulgência Plenária.

28 de março de 2020 at 5:37 Deixe um comentário

Benção do Papa Francisco!

27 de março de 2020 at 13:44 Deixe um comentário

Papa reza pelas pessoas que garantem o funcionamento da sociedade

Na Missa na Santa Marta, Francisco continua a rezar pelos doentes e dirige e um agradecimento àqueles que, com seu trabalho, permitem que a sociedade continue funcionando neste momento de emergência. Em sua homilia, comenta o Evangelho de domingo: o diálogo de Jesus com a samaritana, que confessa seus pecados. O Senhor quer um diálogo sincero e transparente conosco.

Cidade do Vaticano

O Papa continua a celebrar a Missa na Casa Santa Marta, com transmissão ao vivo. Também o fará nesta semana, em face da emergência de coronavírus que levou à suspensão, na Itália, das Celebrações Eucarísticas com a participação dos fiéis, para evitar qualquer risco de contágio. Na manhã deste domingo, Francisco presidiu a Missa no terceiro domingo da Quaresma. Introduzindo a celebração, rezou pelos doentes e por aqueles que, neste momento difícil, garantem os serviços essenciais com seu trabalho:

Neste domingo da Quaresma, rezemos todos juntos pelos doentes, pelas pessoas que sofrem. E hoje eu gostaria de fazer com todos vocês uma oração especial pelas pessoas que, com seu trabalho, garantem o funcionamento da sociedade: os trabalhadores das farmácias, dos supermercados, do transporte, os policiais. Rezemos por todos aqueles que estão trabalhando para que a vida social, a vida na cidade, possam seguir em frente neste momento.

Confira as palavras do Papa

O Papa, então, lê a antífona:

Tenho os olhos sempre fitos no Senhor, porque livra os meus pés da armadilha. Olhai para mim, tende piedade, pois vivo sozinho e infeliz (Sl 24,15s).

Na homilia, Francisco comentou o Evangelho deste domingo, que narra a conversa entre Jesus e a mulher samaritana (Jo 4, 5-15.19b-26.39a.40-42).

A seguir, o texto da homilia de acordo com nossa transcrição:

O Evangelho nos faz conhecer um diálogo, um diálogo histórico – não é uma parábola, isso aconteceu – de um encontro de Jesus com uma mulher, com uma pecadora. É a primeira vez no Evangelho que Jesus declara sua identidade. E a declara a uma pecadora que teve a coragem de lhe dizer a verdade … E depois, com o mesmo argumento, foi anunciar Jesus: “Venha, talvez seja o Messias, porque ele me contou tudo o que eu fiz”. Não vai com argumentos teológicos – como talvez quisesse no diálogo com Jesus: “Neste monte, o outro monte” – mas vai com a sua verdade. E a sua verdade é aquilo que a santifica, a justifica, é o que o Senhor usa, a sua verdade, para anunciar o Evangelho: não se pode ser um discípulo de Jesus sem a própria verdade, o que somos.

Não se pode ser discípulo de Jesus somente com argumentações: “Sobre este monte, sobre aquele outro”. Essa mulher teve a coragem de dialogar com Jesus, porque esses dois povos não dialogavam entre eles. Teve a coragem de se interessar pela proposta de Jesus, aquela água, porque sabia que tinha sede. Teve a coragem de confessar suas fraquezas, seus pecados; antes, a coragem de usar a própria história como garantia que aquele era um profeta. “Ele me disse tudo o que eu fiz.”

O Senhor sempre quer dialogar com transparência, sem esconder coisas, sem duplas intenções: “Sou assim”. E assim falo com o Senhor, como sou, com a minha verdade. E assim, da minha verdade, pela força do Espírito Santo, encontro a verdade: que o Senhor é o Salvador, aquele que veio para me salvar e nos salvar. Esse diálogo assim transparente entre Jesus e a mulher termina com aquela confissão da realidade messiânica de Jesus e com a conversão daquele povo (aquele campo) que o Senhor viu branquear, que vinha a ele, porque era a época da colheita.

Que o Senhor nos dê a graça de sempre rezar com a verdade, de dirigir-se ao Senhor com a minha verdade, não com a verdade dos outros, nem com verdades destiladas em argumentações …

27 de março de 2020 at 5:46 Deixe um comentário

O Papa: rezo pelos anciãos que se encontram sozinhos e no medo

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Que o Senhor esteja próximo e dê força aos nossos avôs e avós. Francisco ofereceu por esta intenção a Missa da manhã desta terça-feira /17/03) celebrada via streaming da Casa Santa Marta. E convidou a saber perdoar sempre, de coração

VATICAN NEWS

O coração do Papa é um coração que olha para todos, a cada dia para alguém de modo particular. Francisco dedicou a Missa na Casa Santa Marta, na manhã desta terça-feira (17/03), aos anciãos que em tempo de restrições devido ao coronavírus estão entre aqueles que mais do que outros sofrem a distância dos entes queridos.

Gostaria que hoje rezássemos pelos anciãos que sofrem este momento de modo particular, com uma solidão interna (interior) muito grande e por vezes com tanto medo. Peçamos ao Senhor que esteja próximo dos nossos avôs, nossas avós, de todos os anciãos e lhes dê a força. Eles nos deram a sabedoria, a vida, a história. Também nós nos fazemos próximos deles com a oração.

Papa reza pelos idosos

A homilia é inspirada no Evangelho e no tema do perdão que leva Pedro a perguntar a Jesus quantas vezes é lícito perdoar os outros. Não é fácil, reconheceu Francisco, que recordou que tem “pessoas que vivem condenando pessoas”. Mas aquilo que Deus almeja, afirmou, é a “ser magnânimos” a “perdoar, perdoar de coração”. A seguir, o texto da homilia transcrita pelo Vatican News:

Jesus vem fazer uma catequese sobre a unidade dos irmãos e acaba por fazer uma bonita palavra: Asseguro-lhes que se dois, dois ou três de vocês, chegarem a um acordo e pedirem uma graça, lhes será concedida”. A unidade, a amizade, a paz entre os irmãos atrai a benevolência de Deus. E Pedro fez a pergunta: “Sim, mas o que devemos fazer com as pessoas que nos ofendem? Se meu irmão comete culpas contra mim, me ofende, quantas vezes deverei perdoá-lo? Sete vezes?” E Jesus responde com aquela palavra que significa, no idioma deles, “sempre”: “Setenta vezes sete”. Sempre se deve perdoar. E não é fácil perdoar. Porque o nosso coração egoísta é sempre apegado ao ódio, às vinganças, aos rancores. Todos vimos famílias destruídas pelos ódios familiares que passam de geração em geração. Irmãos que, diante do caixão de um dos pais, não se saúdam porque levam adiante rancores antigos. Parece que o apegar-se ao ódio seja mais forte do que o apegar-se ao amor e este é propriamente o tesouro – digamos assim – do diabo. Ele se agacha sempre entre nossos rancores, entre nossos ódios e os faz crescer, os mantém ali para destruir. Destrói tudo. E muitas vezes, por coisas pequenas, destrói. E também se destrói este Deus que não veio para condenar, mas para perdoar. Este Deus que é capaz de fazer festa por um pecador que se aproxima e esquece tudo. Quando Deus perdoa, esquece todo o mal que fizemos. Alguém dirá: “É a doença de Deus”. Não tem memória, é capaz de perder a memória, nestes casos. Deus perde a memória das histórias feias de tantos pecadores, dos nossos pecados. Perdoa-nos e segue adiante. Pede-nos apenas: “Faça o mesmo: aprenda a perdoar”, não levar adiante esta cruz não fecunda do ódio, do rancor, do “você vai me pagar”. Essa palavra não é nem cristã nem humana. A generosidade de Jesus que nos ensina que para entrar no céu devemos perdoar. Aliás, nos diz: “Você vai à Missa?” – “Sim” – “Mas se quando vai à Missa você se recorda que seu irmão tem algo contra você, primeiro, não venha a mim com o amor por mim numa mão e o ódio ao o irmão na outra”. Coerência de amor. Perdoar. Perdoar de coração. Tem pessoas que vivem condenado pessoas, falando mal das pessoas, continuamente difamando seus companheiros de trabalho, difamando os vizinhos, os parentes, porque não perdoam uma coisa que lhe fizeram, ou não perdoam uma coisa que não lhe agradou. Parece que a riqueza própria do diabo seja esta: semear o amor ao não-perdoar, viver apegados ao não-perdoar. E o perdão é condição para entrar no céu.

A parábola que Jesus nos conta é muito clara: perdoar. Que o Senhor nos ensine esta sabedoria do perdão que não é fácil. E façamos uma coisa: quando formos confessar, formos receber o sacramento da reconciliação, antes perguntemo-nos: “Eu perdoo?” Se eu sinto que não perdoo, não faça finta de pedir perdão, porque não será perdoado. Pedir perdão significa perdoar. Ambos estão juntos. Não podem separar-se. E aqueles que pedem perdão para si como este senhor, a quem o patrão perdoa tudo, mas não perdoam os outros, acabarão como este senhor. “Assim vos tratará meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão, de todo seu coração”.

Que o Senhor nos ajude a entender isto e a abaixar a cabeça, a não ser soberbos, a ser magnânimos no perdão. Ao menos a perdoar “por interesse”. Como é possível? Sim: perdoar, porque se eu não perdoo, não serei perdoado. Ao menos isso. Mas sempre o perdão.

22 de março de 2020 at 5:47 1 comentário

O Papa: Deus ajude as famílias a reencontrar verdadeiros afetos neste tempo difícil

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Na Missa na Casa Santa Marta, esta segunda-feira (16/03), Francisco continua rezando pelos doentes e dirige um novo pensamento às famílias nesta situação caracterizada pela doença do coronavírus. Na homilia ressalta a necessidade de acolher a simplicidade de Deus para não cair na soberba

VATICAN NEWS

O Papa Francisco celebra a missa via streaming da Casa Santa Marta também esta semana para manifestar a sua proximidade aos fiéis que não podem participar da Eucaristia devido à emergência coronavírus. Na manhã desta segunda-feira (16/03), introduzindo a celebração, continuou rezando pelos doentes e as famílias.

“Continuemos rezando pelos doentes. Penso nas famílias, fechadas em casa, as crianças que não vão à escola, os pais que talvez não possam sair; alguns estarão em quarentena. Que o Senhor os ajude a descobrir novos modos, novas expressões de amor, de convivência nesta nova situação. É uma ocasião bela para reencontrar os verdadeiros afetos com uma criatividade na família. Rezemos pela família, para que as relações na família neste momento floresçam sempre para o bem.”

Confira as palavras do Papa

Na homilia, Francisco comentou as leituras do dia, extraídas do segundo Livro dos Reis (2 Re 5, 1-15) e do Evangelho de Lucas (Lc 4, 24-30). A seguir, o texto da homilia transcrita pelo Vatican News:

Em ambos os textos que hoje a Liturgia nos leva a meditar, há uma atitude que chama a atenção, uma atitude humana, mas não de bom espírito: a indignação. Este povo de Nazaré começou a ouvir Jesus, gostava de como Ele falava, mas depois alguém disse: “Mas este aí estudou em qual universidade? Este é o filho de Maria e José, este é o carpinteiro! O que vem nos dizer?” E o povo se indignou. Entram nesta indignação. E essa indignação os leva à violência. E aquele Jesus que admiravam no início da pregação é lançado fora da cidade, para jogá-lo do alto do monte. Também Naamã, que era um homem bom, inclusive aberto à fé, mas quando o profeta lhe manda banhar-se no Jordão, se indigna. Mas como é possível? “Eu pensava que ele viria em pessoa, e, diante de mim, invocaria o Senhor, seu Deus, poria a mão no lugar infectado e me curaria da lepra. Porventura os rios de Damasco, o Abana e o Farfar, não são melhores que todas as águas de Israel? Não me poderia eu lavar neles e ficar limpo? E, voltando-se, retirou-se encolerizado”. Com indignação.

Também em Nazaré há pessoas boas; mas o que há por trás destas boas pessoas que as leva a essa atitude de indignação? E em Nazaré pior: a violência. Quer as pessoas da Sinagoga de Nazaré, quer Naamã pensavam que Deus se manifestasse somente no extraordinário, nas coisas fora do comum; que Deus não podia agir nas coisas comuns da vida, na simplicidade. Indignavam-se do simples. Eles se indignavam, desprezavam as coisas simples. E o nosso Deus nos faz entender que ele age sempre na simplicidade: na simplicidade, na casa de Nazaré, na simplicidade do trabalho de todos os dias, na simplicidade da oração… As coisas simples. Ao invés, o espírito mundano nos leva à vaidade, às aparências e ambas acabam na violência: Naamã era muito educado, mas bate a porta diante do profeta e vai embora. A violência, um gesto de violência. O povo da sinagoga começa a esquentar-se, a esquentar-se, e toma a decisão de assassinar Jesus, mas inconscientemente, e o expulsam para jogá-lo do monte abaixo. A indignação é uma tentação feia que leva à violência.

Dias atrás, me mostraram num celular, um vídeo da porta de um prédio em quarentena. Havia uma pessoa, um senhor jovem, que queria sair. E o guarda lhe disse que não podia. E ele reagiu com socos, com uma indignação, com um desprezo. “Mas quem é você, ‘negro’, para impedir que eu saia?” A indignação é a atitude dos soberbos, mas dos soberbos pobres, dos soberbos com uma pobreza de espírito feia, dos soberbos que vivem somente com a ilusão de ser mais do que aquilo que são. É uma estratificação espiritual, o povo que se indigna: aliás, muitas vezes essa gente precisa indignar-se, indignar-se para se sentir pessoa.

Isso pode acontecer também conosco: “o escândalo farisaico”, chamam-no os teólogos, escandalizar-me de coisas que são a simplicidade de Deus, a simplicidade dos pobres, a simplicidade dos cristãos como, para dizer: “Mas isso não é Deus. Não, não. O nosso deus é mais culto, é mais sábio, é mais importante. Deus não pode agir nesta simplicidade”. E sempre a indignação leva-o à violência; quer à violência física, quer à violência das fofocas, que mata como a violência física.

Pensemos nessas duas passagens: a indignação do povo na sinagoga de Nazaré e a indignação de Naamã, porque não entendiam a simplicidade do nosso Deus.

19 de março de 2020 at 5:42 Deixe um comentário

Assista a “Papa enaltece “criatividade” dos sacerdotes italianos” no YouTube

15 de março de 2020 at 13:18 Deixe um comentário

O Papa na Casa Santa Marta reza pela paz nas famílias neste momento difícil

Santa Missa - Casa Santa Marta

Santa Missa – Casa Santa Marta

Na missa de Santa Marta, Francisco rezou de modo especial pelas famílias para que, neste momento difícil conservem a paz, a alegria e a coragem. Uma oração especial também pelas pessoas com deficiência. Na homilia comenta a parábola do filho pródigo.

Cidade do Vaticano – Vatican News

Na sexta Missa ao vivo via streaming da Capela da Casa Santa Marta, Francisco continuou na manhã deste sábado a rezar pelos doentes do Covid-19, dirigindo um pensamento especial às famílias, especialmente às pessoas com deficiência. Estas foram as suas palavras no início da celebração:

Nós continuamos a rezar pelos doentes desta pandemia. Hoje gostaria de pedir uma oração especial pelas famílias, famílias que de um dia para o outro se encontram com os seus filhos em casa, porque as escolas estão fechadas por razões de segurança e devem gerir uma situação difícil e geri-la bem, com paz e também com alegria. De modo especial, penso naquelas famílias que tem algum membro com deficiência. Os centros de acolhida diurnos para pessoas com deficiência estão fechados e a pessoa permanece em família. Rezemos pelas famílias para que não percam a paz neste momento e sejam capazes de levar avante toda a família com coragem e alegria.

Em sua homilia, Francisco comentou o Evangelho do filho pródigo e do pai misericordioso, proposto pela liturgia do dia (Lc 15,1-3. 11-32). Em seguida o texto da homilia de acordo com a nossa transcrição:

Muitas vezes ouvimos esta passagem do Evangelho. Esta parábola, Jesus a diz em um contexto especial: “Todos os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar”. Os fariseus e escribas murmuravam dizendo: “Este homem acolhe os pecadores e come com eles”. E Jesus respondeu-lhes com esta parábola. O que eles dizem? As pessoas, os pecadores se aproximam em silêncio, não sabem como dizer, mas sua presença diz muitas coisas, eles queriam escutar. O que dizem os doutores da lei? Eles criticam. “Murmuravam”, diz o Evangelho, tentando cancelar a autoridade que Jesus tinha com o povo. Esta é a grande acusação: “Ele come com pecadores, ele é um impuro”.

Então a parábola é um pouco a explicação deste drama, deste problema. O que é que estas pessoas sentem? As pessoas sentem a necessidade de salvação. As pessoas não sabem distinguir bem, intelectualmente: “Preciso encontrar meu Senhor, para que Ele me encha”, precisam de um guia, de um pastor. E as pessoas se aproximam de Jesus porque vêem n’Ele um pastor, precisam ser ajudadas a caminhar na vida. Elas sentem esta necessidade. Os outros, os doutores sentem suficiência: “Fomos à universidade, eu fiz um doutorado, não…, dois doutorados. Eu sei bem, muito bem, o que diz a lei; melhor, conheço todas, todas as explicações, todos os casos, todas as atitudes casuísticas”. E eles se sentem suficientes e desprezam as pessoas, desprezam os pecadores: o desprezo pelos pecadores. Na parábola, o que é que diz? O filho diz ao Pai: “Dá-me o dinheiro e eu vou-me embora.” O pai dá, mas não diz nada porque é pai, talvez tenha tido alguma recordação de alguma bobagem feita quando era jovem, mas não diz nada.

Um pai sabe sofrer em silêncio. Um pai olha para o tempo. Deixa passar os maus momentos. Muitas vezes a atitude de um pai é “fazer o bobo” diante das falhas de seus filhos. O outro filho repreende o pai: “O senhor foi injusto”, disse ele. O que sentem as pessoas da parábola? O jovem sente o desejo de comer o mundo, de ir além, de sair de casa, e talvez viva a casa como uma prisão, e também tem a suficiência de dizer ao pai: “Dá-me o que é meu”. Ele sente coragem, força. O que é que o pai sente? O pai sente dor, ternura e muito amor. Então, quando o filho diz aquela outra palavra: “Vou me levantar – quando ele cai em si – vou me levantar e irei ter com o meu pai”, ele encontra o pai à sua espera, ele o vê de longe. Um pai que sabe esperar o tempo dos seus filhos.

O que é que o filho mais velho sente? Diz o Evangelho: “Ele ficou indignado”, ele sente esse desprezo. E tantas vezes ficar indignado, tantas vezes, é a única maneira de se sentir digno para essas pessoas. Estas são as coisas que são ditas nesta passagem do Evangelho, as coisas que se sentem. Mas qual é o problema? O problema – vamos começar pelo filho mais velho – o problema é que ele estava em casa, mas nunca percebeu o que significava viver em casa: ele fazia as suas tarefas, fazia o seu trabalho, mas não entendia o que era uma relação de amor com o seu pai. “O filho mais velho ficou indignado e não quis entrar.” “Mas esta já não é a minha casa?” … ele pensou. O mesmo que os doutores da lei. “Não há ordem. Veio esse pecador aqui e lhe fizeram uma festa. E eu?” O pai diz a palavra clara: “Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu”. E disso, o filho não se deu conta, viveu em casa como num hotel, sem sentir aquela paternidade… Tantos “hoteleiros” na casa da Igreja que acreditam ser os patrões.

É interessante, o pai não diz uma palavra ao filho que volta do pecado, apenas o beija, o abraça e lhe faz um banquete; a ele deve explicar, para entrar em seu coração: ele tinha o coração blindado pelas suas concepções de paternidade, de filiação, do modo de viver. Lembro-me uma vez que um idoso sacerdote sábio, um grande confessor, era um missionário, um homem que amava tanto a Igreja, e falando de um sacerdote jovem que era muito seguro de si mesmo, muito crente… que ele era um valor, que tinha direitos na Igreja, ele disse: “Eu rezo para isso, para que o Senhor lhe coloque uma casca de banana no seu caminho e o faça deslizar, isso lhe fará bem”. Como se ele dissesse, parece blasfêmia: “Fará bem a ele pecar porque precisará pedir perdão e encontrará o Pai”.

Tantas coisas esta parábola do Senhor nos diz, que é a resposta para aqueles que o criticavam porque ele andava com os pecadores. Mas também muitos hoje criticam, pessoas da Igreja, aqueles que se aproximam de pessoas necessitadas, de pessoas humildes, de pessoas que trabalham, mesmo aqueles que trabalham para nós. Que o Senhor nos dê a graça de entender qual é o problema. O problema é viver em casa, mas não se sentir em casa, porque não há relação de paternidade, de fraternidade, apenas a relação de companheiros de trabalho.

15 de março de 2020 at 5:40 Deixe um comentário

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