Posts tagged ‘papa Francisco’

Papa: quem crê, tem um pedaço de céu a mais sobre a cabeça

2017-10-04 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – O cristão é um missionário de esperança, não um profeta de desgraças, como se tudo tivesse terminado no calvário ou na sepultura. O essencial do seu anúncio – com os fatos e o testemunho de vida – é Jesus, que depois de morto, ressuscitou na manhã de Páscoa. E “quem teve a graça de abraçar a ressurreição de Jesus, pode ainda esperar no inesperado”.

 

O Papa Francisco dedicou a sua Catequese da Audiência Geral desta quarta-feira  ao tema “missionários de esperança hoje”, ressaltando que o fazia com alegria no início deste mês, que a Igreja dedica “em particular à missão” e também no dia da Festa de São Francisco de Assis,  “um grande missionário de esperança”.

Dirigindo-se aos mais de 15 mil fiéis presentes na Praça São Pedro, o Papa recordou que os discípulos estavam abatidos depois da crucifixão e sepultamento de Jesus. Aquela pedra, rolada contra a entrada do sepulcro, pôs fim a três anos de vida esperançosa e entusiasmante na companhia do Mestre vindo de Nazaré. Parecia o fim de tudo, e alguns já começavam a deixar Jerusalém para regressar para suas casas.

“Mas Jesus ressuscita!”. Este fato inesperado transformou a mente e o coração dos discípulos, uma transformação que ficou completa quando receberam a força do Espírito Santo no dia de Pentecostes. “Não terão somente uma bela notícia para levar a todos – sublinhou o Santo Padre –  mas estarão eles mesmos diferentes de antes, como renascidos para uma vida nova”:

Como é bonito pensar que se é anunciadores da ressurreição de Jesus, não somente com palavras, mas com os fatos e com o testemunho de vida! Jesus não quer discípulos capazes somente de repetir fórmulas aprendidas de memória. Quer testemunhos: pessoas que propagam esperança com o seu modo de acolher, de sorrir, de amar. Sobretudo de amar: porque a força da ressurreição torna os cristãos capazes de amar mesmo quando o amor parece ter perdido as suas razões”.

Existe um “a mais” que habita a existência cristã, inexplicável pela simples força de vontade ou por um cego otimismo. “A fé, a nossa esperança, não é somente um otimismo, diz o Papa. É outra coisa, é algo a mais! É como se os fiéis fossem pessoas com um “pedaço de céu a mais” sobre suas cabeças. É bonito isto, hein! Nós somos pessoas com um pedaço de céu sobre a cabeça, acompanhados de uma presença”, que o mundo sequer consegue intuir:

Assim a tarefa dos cristãos neste mundo é a de abrir espaços de salvação, como células de regeneração capazes de restituir a seiva vital àquilo que parecia perdido para sempre. Quando o céu se apresenta todo nublado, é uma bênção a pessoa que sabe falar do sol. Por isso, o verdadeiro cristão não é assim, lamuriento nem mal-humorado, mas convencido, pela força da ressurreição, de que nenhum mal é infinito, nenhuma noite é sem fim, nenhum homem é definitivamente errado, nenhum ódio é invencível diante do amor”.

Francisco falou então do alto preço que os discípulos terão que pagar “por esta esperança dada a eles por Jesus”:

Pensemos aos tantos cristãos que não abandonaram o seu povo, quando veio o tempo da perseguição. Ficaram ali, onde havia incerteza sobre o amanhã, onde não se podia fazer projetos de nenhum tipo, ficaram esperando em Deus. E pensemos em nossos irmãos, em nossas irmãs do Oriente Médio que dão testemunho de esperança e também oferecem a vida por este testemunho. Estes são verdadeiros cristãos! Eles trazem o céu no coração, olham além. Quem teve a graça de abraçar a ressurreição de Jesus, pode ainda esperar no inesperado”.

Os mártires de todos os tempos, com a sua fidelidade a Cristo – observa o Papa – confirmam que “a injustiça não é a última palavra na vidaEm Cristo ressuscitado, podemos continuar a esperar”:

Os homens e as mulheres que têm um “porque” viver, resistem mais do que os outros nos tempos de infortúnio. Mas quem tem Cristo ao seu lado, realmente não teme nada. E por isto os cristãos, os verdadeiros cristãos, nunca são homens fáceis e acomodados. A brandura deles não deve ser confundida com um sentimento de insegurança e de submissão (…). Caídos, se reerguem sempre.

Este é o motivo – conclui o Papa – porque o cristão é um missionário de esperança. “Não por mérito seu, mas graças a Jesus, o grão de trigo que, caído em terra, morreu e deu muito fruto”. (JE)

 

Anúncios

21 de outubro de 2017 at 5:22 Deixe um comentário

Papa em Santa Marta: a graça da vergonha nos cura do pecado

2017-10-06 Rádio Vaticana

“Justiça a Deus e a nós, corar de vergonha”. Com estas palavras o Profeta Baruc nos fala na primeira leitura de hoje sobre a desobediência à lei de Deus, isto é, o pecado, e ao mesmo tempo também nos indica qual é “o verdadeiro caminho” para pedir o perdão.

Este é o fio condutor da homilia do Papa na Missa celebrada na manhã desta sexta-feira na Capela da Casa Santa Marta. Francisco repassa o texto litúrgico, concentrando-se antes de tudo na realidade do pecado que caracteriza todos os homens, como na profecia de Baruc: “sacerdotes, reis, príncipes e pais”.

“Ninguém pode dizer: “Eu sou justo” ou “eu não sou como aquele ou como aquela”. Eu sou pecador. Eu diria que é quase o primeiro nome que todos temos: pecadores. E depois, por que somos pecadores? Desobedecemos – sempre em relação com o Senhor: Ele disse uma coisa e nós fizemos outra. Não ouvimos a voz do Senhor. Ele nos falou tantas vezes. Na nossa vida, cada um pode pensar: “Quantas vezes o Senhor falou para mim… Quantas vezes não o escutei!”. Falou pelos pais, pela família, pelo catequista, na igreja, nas pregações, também falou no nosso coração”.

Mas nós nos rebelamos: este é o pecado portanto, é “rebelião”, é “obstinação” em seguir as “perversas inclinações do nosso coração”, caindo nas “pequenas idolatrias de cada dia”, “cobiça’, “inveja”, “ódio” e em particular, “maledicência”, aquele falar pelas costas que o Pontífice define como “a guerra do coração para destruir o outro”.

E é por causa do pecado – como está escrito na página de Baruc – que perseguem-nos tantas calamidades, porque “o pecado arruína o coração, arruína a vida, arruína a alma, enfraquece, adoece”, mas é sempre – precisa o Pontífice – um pecado em relação a Deus:

“Não é uma mancha para tirar. Se fosse uma mancha, bastaria ir à lavandaria para ser limpa… Não! O pecado é uma relação de rebelião contra o Senhor. É feio em si mesmo, mas feio contra o Senhor que é bom. E se eu penso assim os meus pecados, ao invés de entrar em depressão, tenho aquele grande sentimento: a vergonha, a desonra que diz o profeta Baruc. A vergonha é uma graça”.

A vergonha “abre a porta à cura”. Este é então o convite que o Papa dirige a todos, ao concluir sua reflexão: sentir vergonha diante do Senhor pelos nossos pecados e pedir para sermos curados:

“Quando o Senhor nos vê assim, envergonhados por aquilo que fizemos, e com humildade pedimos perdão, Ele é omnipotente, apaga, nos abraça, nos acaricia e nos perdoa. Mas este é o caminho para chegar ao perdão, aquele que hoje o Profeta Baruc nos ensina. Louvemos hoje ao Senhor porque quis manifestar a omnipotência justamente na misericórdia e no perdão; depois, também na criação do mundo, mas isto por segundo. Sobretudo na misericórdia e no perdão, e diante de um Deus assim tão bom, que perdoa tudo, que tem tanta misericórdia, peçamos a graça da vergonha”. (BS/JE)

18 de outubro de 2017 at 5:44 Deixe um comentário

Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza: “Miséria não é uma fatalidade”, diz Papa

2017-10-17 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) –  No Angelus do último domingo, 15 de outubro, após a Missa com as canonizações, o Papa Francisco recordou que esta terça-feira recorre o Dia internacional para a erradicação da pobreza.

 

A miséria não é uma fatalidade, tem causas que devem ser reconhecidas e removidas para honrar a dignidade de tantos irmãos e irmãs, à exemplo dos Santos”.

O tema internacional deste ano, escolhido com o Comitê Internacional do 17 de Outubro e as Nações Unidas é: “Responder ao apelo do 17 de outubro para erradicar a pobreza: um caminho que nos leva a criar sociedades pacíficas e inclusivas.”

No Dia Mundial da Alimentação celebrado esta segunda-feira (16/10), o Papa Francisco visitou a sede da FAO em Roma.  Ao fazer uma análise das causas da pobreza, o Pontífice  sugeriu a inserção da “categoria do amor” na linguagem da cooperação internacional, como forma de vencer a fome:

Seria exagerado introduzir na linguagem da cooperação internacional a categoria do amor, conjugada como gratuidade, igualdade de tratamento, solidariedade, cultura do dom, fraternidade e misericórdia? Essas palavras efetivamente expressam o conteúdo prático do termo “humanitário”, tão usado na atividade internacional. Amar os irmãos, tomando a iniciativa, sem esperar a ser correspondidos, é o princípio evangélico que encontra também  expressão em muitas culturas e religiões, convertendo-se em princípio de humanidade na linguagem das relações internacionais”.

A ONU oficializou esta recorrência em 1992, mas sua origem remonta a 17 de outubro 1987, quando cem mil pessoas guiadas pelo Padre Joseph Wresinski , reuniram-se na Esplanada  onde foi assinada a Declaração dos Direitos do Homem, no Trocadéro, em Paris, para defender os direitos humanos de cada país, condição e origem.

O Padre Wresinski sintetizou o sentido desta data com estas palavras: “Onde os homens são condenados a viver na miséria, os direitos do homem são violados. Unir-se para que sejam respeitados é um dever sagrado”.

A erradicação da pobreza e da fome é um dos oito objetivos de desenvolvimento do milênio, definidos no ano de 2000 por 193 países membros das Nações Unidas e por várias organizações internacionais.

Os 10 países mais pobres do mundo são República Democrática do Congo, Zimbabwe, Burundi, Libéria, Eritreia, República Centro Africana Central, Níger, Malawi, Madagáscar, Afeganistão. (JE)

 

18 de outubro de 2017 at 5:28 Deixe um comentário

Papa canonizará Protomártires brasileiros e mexicanos no domingo

2017-10-09 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – Esta é uma semana especial para os brasileiros, pois no dia 12 são celebrados os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida nas águas do Rio Paraíba do Sul (RS) e no domingo, dia 15,o Papa Francisco canonizará os mártires de Cunhaú e Uruaçu.

No Vaticano, também serão canonizados na mesma data Cristóbal, Antonio e Juan, mortos por ódio à fé em 1527 e 1529, e considerados os Protomártires do México e de todo o continente americano.

Serão canonizados ainda o sacerdote espanhol Faustino Míguez, fundador do Instituto Calasanzio, Filhas da Divina da Divina Pastora,  e o Frade Menor Capuchinho italiano Angelo d’Acri.

Os Protomártires brasileiros e o martírio

A evangelização no Rio Grande do Norte foi iniciada em 1597 por missionários jesuítas e sacerdotes diocesanos, originários do reino católico de Portugal. Nas décadas seguintes, a chegada dos holandeses, de religião calvinista, provocou a restrição da liberdade de culto para os católicos que, a partir daquele momento, foram perseguidos. É neste contexto que se verifica o martírio dos Beatos, em dois episódios distintos.

O primeiro acontece em 16 de julho de 1645, na Capela de Nossa Senhora das Candeias, em Cunhaú. Decorria a Missa dominical celebrada pelo pároco, Padre André de Soveral, quando um grupo de soldados holandeses, com índios ao seu séquito, fez irrupção no lugar sagrado e massacrou os féis inermes.

O segundo episódio remonta a 3 de outubro do mesmo ano. Terrorizados pelo sucedido, os católicos de Natal procuraram pôr-se a salvo em abrigos improvisados, mas em vão. Feitos prisioneiros, juntamente com o seu pároco, o Padre Ambrósio Francisco Ferro, foram levados para perto de Uruaçu, onde os esperavam soldados holandeses e cerca de duzentos índios, cheios de aversão contra os católicos. Os féis e o seu pároco foram horrivelmente torturados e deixados morrer entre bárbaras mutilações.

Do numeroso grupo de féis assassinados, conseguiu-se identificar com certeza apenas trinta. São eles: P. André de Soveral e Domingos Carvalho, mortos em Cunhaú; P. Ambrósio Francisco Ferro, Mateus Moreira, Antônio Vilela, o jovem, e sua filha, José do Porto, Francisco de Bastos, Diogo Pereira, João Lostão Navarro, Antônio Vilela Cid, Estêvão Machado de Miranda e duas filhas, Vicente de Souza Pereira, Francisco Mendes Pereira, João da Silveira, Simão Correia, Antônio Ba – racho, João Martins e sete companheiros, Manuel Rodrigues Moura e sua esposa, uma filha de Francisco Dias, o jovem, mortos em Uruaçu.

Os Padres André de Soveral e Ambrósio Francisco Ferro, Mateus Moreira e 27 companheiros leigos foram beatificados pelo Papa João Paulo II, no dia 5 de março de 2000, na Praça de São Pedro. Agora, serão os primeiros Santos mártires do Brasil.

Brasileiros e as celebrações em Roma

Mais de 400 potiguares embarcarão para Roma esta semana para participar da celebração na Praça São Pedro, que terá início às 10 horas, horário italiano (6 horas da manhã, horário brasileiro).

O Arcebispo Metropolitano de Natal, Dom Jaime Vieira Rocha; o Arcebispo emérito, Dom Heitor de Araújo Sales, outros bispos do Brasil e vários sacerdotes da Arquidiocese de Natal também participarão da celebração.

Além da canonização no dia 15, serão realizadas outras duas celebrações em Roma.  No dia 14, às 17 horas, serão celebradas as Vésperas Solenes na capela do Pontifício Colégio Pio Brasileiro.

No dia 16, às 11 horas, no altar da Cátedra de São Pedro, na Basílica Vaticana, será celebrada missa em ação de graças, presidida pelo Cardeal Dom Sérgio da Rocha, Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

(RV/Arquidiocese de Natal)

14 de outubro de 2017 at 5:37 Deixe um comentário

Papa: olhar de cima para baixo somente para ajudar o próximo a se levantar

2017-10-09 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco celebrou a missa matutina, nesta segunda-feira (09/10), na capela da Casa Santa Marta, na qual exortou a cuidar das pessoas feridas, conforme o Bom Samaritano, ajudar quem precisa a se levantar, como fez o próprio Jesus.

 

A reflexão nasce do Evangelho do dia em que Jesus conta a Parábola do Bom Samaritano que agiu de modo diferente do sacerdote e do levita. Ele para e socorre o homem ferido, espancado pelos assaltantes que o deixaram quase morto.
A Parábola do Bom Samaritano é a resposta que Jesus dá ao doutor da Lei que queria colocá-lo à prova, perguntando-lhe o que devia fazer para receber em herança a vida eterna. Jesus faz ele dizer o mandamento do amor a Deus e ao próximo, mas o doutor da Lei, que não sabia como sair da “pequena armadilha que Jesus lhe tinha feito”, perguntou-lhe: ‘Quem é o meu próximo?’ Então, Jesus respondeu com esta parábola.

Os personagens dessa narrativa são: os assaltantes, o homem ferido deixado quase morto, o sacerdote, o levita, o dono da pensão e o samaritano, um pagão que não fazia parte do povo judeu. Cristo sempre responde de “uma forma mais elevada”, evidenciou o Papa. Nesse caso, com uma parábola que pretende  explicar o seu próprio mistério, “o mistério de Jesus”.

Os assaltantes foram-se embora felizes, pois tinham roubado dele “muitas coisas boas” e não se importaram com sua vida. O sacerdote, “que deveria ser o homem de Deus”, e o levita, que estava próximo à Lei, quando viram o homem ferido, quase morto, seguiram adiante pelo outro lado. O Papa descreveu essa atitude:

“Um comportamento habitual entre nós: olhar uma calamidade, olhar uma coisa feia e seguir adiante. Depois, ler sobre ela nos jornais, um pouco pintada de escândalo ou de sensacionalismo. Ao invés, esse pagão, pecador, que estava viajando, ‘viu e não seguiu adiante: sentiu compaixão’. O evangelista Lucas descreve bem: ‘Viu, sentiu compaixão, aproximou-se dele, não se distanciou, e fez curativos, derramando óleo e vinho nas feridas’. Não o deixou ali: fiz a minha parte e vou-me embora. Não!”

Depois colocou o homem em seu próprio animal, levou-o a uma pensão, onde cuidou dele. No dia seguinte, tendo os seus afazeres, pagou o dono da pensão para que cuidasse dele, dizendo-lhe que quando voltasse, pagaria o que tivesse gasto a mais.

Este é o “mistério de Cristo” que “se fez servo, abaixou-se, aniquilou-se e morreu por nós”. Com este mistério, Jesus responde ao doutor da Lei que queria colocá-lo à prova. Jesus é o Bom Samaritano e convida aquele homem a fazer o mesmo. “Não é uma fábula para crianças”, disse Francisco aos fiéis presentes na Casa Santa Marta, mas “o mistério de Jesus Cristo”:

“Olhando esta parábola, entenderemos profundamente, a amplitude do mistério de Jesus Cristo. O doutor da lei foi embora calado, cheio de vergonha, não entendeu. Não entendeu o mistério de Cristo. Talvez tenha compreendido aquele princípio humano que nos aproxima a entender o mistério de Cristo: que todo ser humano olhe outro ser humano de cima para baixo, somente quando deve ajudá-lo a se levantar. Se alguém faz isso está no bom caminho, está na estrada certa, rumo a Jesus.”

O Papa se referiu também ao dono da pensão que “não entendeu nada e ficou surpreso”, ficou admirado “pelo encontro com alguém que fazia coisas que nunca tinha ouvido falar”, disse o Pontífice, ou seja, a admiração do dono da pensão “é o encontro com Jesus”.

Francisco exortou a ler essa passagem do capítulo décimo do Evangelho de Lucas e a se perguntar:

“O que eu faço? Sou um assaltante, enganador, corrupto? Sou um assaltante, ali? Sou um sacerdote que olha, vê e olha para o outro lado e segue adiante? Ou um líder católico que faz a mesma coisa? Ou sou um pecador? Uma pessoa que deve ser condenada pelos próprios pecados? Aproximo-me, cuido daquele que precisa? Como me comporto diante de tantas feridas, de tantas pessoas feridas com as quais me encontro todos os dias? Faço como Jesus? Assumo a forma de um servo? Nos fará bem esta reflexão, lendo e relendo essa passagem. Aqui se manifesta o mistério de Jesus Cristo, que sendo nós pecadores veio por nós, para nos curar e dar a vida por nós.”  

14 de outubro de 2017 at 5:34 Deixe um comentário

Papa na Santa Marta: reencontrar as raízes e não o autoexílio psicológico

2017-10-05 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – “Quem reencontra as próprias raízes é uma pessoa da alegria. O autoexílio psicológico da comunidade e da sociedade faz muito mal”, disse o Papa Francisco na homilia da missa matutina celebrada nesta quinta-feira (05/10), na capela da Casa Santa Marta.

 

O Papa exortou a encontrar novamente a própria pertença, partindo da Primeira Leitura do dia, extraída do Livro de Neemias, que descreve “uma grande assembleia litúrgica”: é o povo que se reuniu na praça que fica defronte da porta das Águas, em Jerusalém. Era o final de uma história que durou mais de 70 anos, a história da deportação para a Babilônia, uma história de pranto para o povo de Deus. Depois da queda do império da Babilônia causada pelos persas, o rei persa Artaxerxes, vendo triste Neemias, seu copeiro, enquanto lhe servia o vinho, começou a dialogar com ele. Neemias manifestou o desejo de voltar a Jerusalém e “chorava”: tinha “saudade de sua cidade”.

Francisco lembrou então o Salmo que diz: “Ao longo dos rios da Babilônia se sentavam e choravam”. Não podiam cantar, suas liras estavam penduradas nos salgueiros, mas não queriam esquecer. Nesse momento, o Papa pensou também na “saudade dos migrantes”, aqueles que “estão distantes da Pátria e querem voltar”. Francisco recordou também o gesto do coral, em Gênova, no final da missa que cantou uma música recordando todos os migrantes que gostariam de estar ali, na missa com o Papa, mas estavam distantes.

Neemias se prepara para voltar e levar novamente o povo a Jerusalém. Uma viagem “para reencontrar a cidade, uma viagem difícil”, ressaltou o Papa, pois “deveria convencer muita gente” e levar as coisas para reconstruir a cidade, os muros e o Templo, “mas sobretudo era uma viagem para reencontrar as raízes do povo”. Depois de muitos anos, as raízes “tinham se enfraquecido”, mas não foram perdidas. Retomar as raízes “significa retomar a pertença a um povo”, explicou o Papa. “Sem as raízes não é possível viver: um povo sem raízes ou que deixa perder as raízes, é um povo doente”, disse o Papa que acrescentou:

“Uma pessoa sem raízes, que esqueceu as próprias raízes, está doente. Reencontrar, redescobrir as próprias raízes e tomar a força para ir adiante, a força para frutificar, e como disse o profeta, ‘a força para florescer, pois o que floresce na árvore vem do subterrâneo. Aquela relação entre a raiz e o bem que nós podemos fazer.”

Neste caminho existem “muitas resistências: não é possível, existem dificuldades”:

“As resistências são daqueles que preferem o exílio, e quando não há o exílio físico, há o exílio psicológico: o autoexílio da comunidade, da sociedade, aqueles que preferem ser povo desarraigado, sem raízes. Devemos pensar na doença do autoexílio psicológico que faz muito mal, nos tira as raízes, nos tira a pertença.”

O povo, porém, vai adiante e chega o dia da reconstrução. O povo se reúne para “restabelecer as raízes”, ou seja, para ouvir a Palavra de Deus que o escriba Esdras lia e o povo chorava. Mas desta vez não era o pranto da Babilônia: “era o choro da alegria, do encontro com as próprias raízes, o encontro com, a própria pertença”. Terminada a leitura, Neemias convida o povo a festejar. Trata-se da alegria de quem encontrou as próprias raízes:

“O homem e a mulher que reencontram as próprias raízes, que são fiéis à própria pertença, são um homem e uma mulher na alegria, de alegria e esta alegria é a sua força. Do choro de tristeza ao choro de alegria, do choro de fraqueza por estar distante das raízes, distante de seu povo, ao choro da pertença: estou em casa, estou em casa”.

O Papa convidou os fiéis presentes na missa a lerem o capítulo oitavo de Neemias, primeira leitura da liturgia de hoje, e a se perguntarem se deixaram se perder a lembrança do Senhor, se devem começar um caminho para reencontrar as próprias raízes ou se preferem o autoexílio psicológico, fechados em si mesmos.

O Papa disse ainda que quem tem medo de chorar, terá medo de sorrir, pois quando se chora de tristeza, depois se chora de alegria. É preciso pedir a graça do “choro arrependido”, triste pelos nossos pecados, mas também a graça do choro de alegria, pois o Senhor “nos perdoou e fez em nossa vida o que fez com o seu povo. Enfim, pedir a graça de se colocar a caminho para se encontrar com as próprias raízes.

(MJ)

12 de outubro de 2017 at 5:50 Deixe um comentário

Papa: pedir a Jesus a coragem de segui-Lo perto

2017-10-03 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco celebrou na manhã de terça-feira (03/10) a missa na capela da Casa Santa Marta.

A homilia do Pontífice foi inspirada no Evangelho de Lucas proposto pela liturgia do dia, em que Jesus toma duas decisões ao se aproximar o momento da sua Paixão: colocar-se em caminho e, portanto, aceitar a vontade do Pai e ir avante e, depois, anunciar esta decisão aos seus discípulos.

 

“Somente uma vez”, afirmou o Papa, Jesus “se permitiu pedir ao Pai que afastasse um pouco esta cruz: ‘Pai – no Jardim das Oliveiras –, se possível, afasta de mim este cálice. Mas não seja feita a minha, mas a tua vontade’. Obediente; aquilo que o Pai quer. Decidido e obediente e nada mais. E assim até o fim. O Senhor pacienta…Pacienta. É um exemplo de caminho, não somente morrer sofrendo sobre a cruz, mas caminhar em paciência”.

Mas diante desta decisão, diante do caminho rumo a Jerusalém e rumo à cruz, os discípulos não seguem o seu Mestre. É o que narram várias páginas dos Evangelhos que o Papa cita. Às vezes, os discípulos “não entendem o que quer dizer ou não querem entender, porque estavam com medo”; outras vezes, “escondiam a verdade” ou se distraiam fazendo “coisas alienantes”; ou até mesmo, como se lê no Evangelho de hoje, “procuravam um álibi para não pensar” naquilo que aguardava o Senhor.

“Não era acompanhado nesta decisão, porque ninguém entendia o mistério de Jesus, a solidão de Jesus no caminho para Jerusalém: sozinho. E isto, até o final. Pensemos depois no abandono dos discípulos, na traição de Pedro… Sozinho. O Evangelho nos diz que aparece a ele somente um anjo do céu para confortá-lo no Jardim das Oliveiras. Somente aquela companhia. Somente”.

Vale a pena – e esta é a sugestão final do Papa hoje – para “tomarmos um pouco de tempo para pensar” em Jesus que “tanto nos amou”, “que caminhou sozinho para a Cruz”, “na incompreensão também dos seus”. “Pensar”, “ver”, “agradecer” a Jesus obediente e corajoso e conversar com ele.

E é o próprio Papa a sugerir as palavras:

“Quantas vezes eu procuro fazer tantas coisas e não olho para Ti, que fizeste isto por mim? Que foi paciente – o homem paciente, Deus paciente  – que com tanta paciência tolera os meus pecados, os meus fracassos? E falar com Jesus assim. Ele decidiu sempre ir em frente, oferecer a face, e agradecê-lo. Tomemos hoje um pouco de tempo, poucos minutos – cinco, dez, quinze – diante do Crucifixo, talvez ou com imaginação, ver Jesus caminhar decididamente para Jerusalém e pedir a graça de ter a coragem de segui-Lo de perto”.

11 de outubro de 2017 at 5:24 Deixe um comentário

Posts antigos


ADMINISTRADORA DO BLOG:

Jane Amábile

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts por email.

Junte-se a 214 outros seguidores

Categorias