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São Zacarias e Santa Isabel, rogai por nós!

5 de novembro de 2019 at 8:40 Deixe um comentário

Solenidade de Todos os Santos

Santos, ícones, sensus fidei

Santos, ícones, sensus fidei

A Igreja celebra, nesta sexta-feira, 1° de novembro, a Solenidade de Todos os Santos, que, no Brasil, será celebrada no próximo domingo.

Cidade do Vaticano

Nesta solenidade, a Igreja exulta pela glória e honra de todos os Santos, que contemplam eternamente o rosto de Deus e vivem plenamente a sua visão beatífica.

Para alguns, na Europa, este dia é chamado também “Páscoa do outono”, uma solenidade importante para os membros ativos da Igreja, que olham e aspiram ao Céu.

A santidade é um caminho que todos somos chamados a trilhar, seguindo o exemplo dos nossos irmãos, que nos foram propostos como modelos de vida cristã, por terem encontrado Jesus e a ele confiado sua vida, fraquezas e sofrimentos.

Significado da Solenidade

A memória litúrgica dedica um dia especial a todos aqueles que estão unidos a Cristo na glória eterna e intercedem por nós como nossos protetores.

Os Santos são os filhos de Deus que chegaram à meta da salvação e vivem na eternidade a condição da bem-aventurança; os santos são também aqueles que nos acompanham no caminho da imitação de Jesus, que nos leva a ser pedras angulares na construção do Reino de Deus.

Comunhão dos Santos

Em nossa profissão de fé, afirmamos que cremos na Comunhão dos Santos, uma expressão que nos faz entender a vida e a eterna contemplação de Deus, motivo e finalidade da verdadeira Comunhão, mas também com as “coisas” sagradas.

O dom da Eucaristia permite a antecipação da liturgia que o Senhor celebra no santuário celestial, com todos os Santos. A grandeza da redenção é medida pelos seus frutos, isto é, pelos que foram redimidos pela santidade. Por meio deles, a Igreja contempla a sua vocação e a condição da humanidade transfigurada a caminho do Reino.

Origem e história

A origem desta festa da esperança, objetivo da nossa vida, tem raízes antigas. No século IV, teve início a comemoração dos fiéis mártires. Os primeiros sinais desta celebração encontramos em Antioquia, no domingo após o dia de Pentecostes, sobre os quais fala São João Crisóstomo.

Entre os séculos VIII e IX, esta festa começou a se espalhar pela Europa e em Roma, onde o Papa Gregório III (731-741) escolheu o dia 1º de novembro como a data que coincidia com a consagração de uma capela, na Basílica de São Pedro, dedicada às relíquias “dos santos Apóstolos e de todos os Santos mártires e confessores, e a todos os justos, que descansam em paz no mundo”.

2 de novembro de 2019 at 5:37 Deixe um comentário

Benigna Cardoso da Silva próxima Beata brasileira

Benigna Cardoso da Silva (FOTO: Assessoria de Comunicação / Diocese do Crato)

Benigna Cardoso da Silva (FOTO: Assessoria de Comunicação / Diocese do Crato)

O Papa Francisco autorizou a promulgação dos Decretos para 5 novos Beatos. Entre eles a brasileira Benigna Cardoso da Silva, nascida em Cariri no Ceará em 1928, que morreu mártir, considerada heroína da castidade

Cidade do Vaticano

O Santo Padre recebeu em audiência, no dia 2 de outubro no Vaticano, o Cardeal Angelo Becciu, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. Na Audiência, o Papa autorizou a Congregação a promulgar os Decretos concernentes a cinco novos Beatos para a Igreja e o reconhecimento das virtudes heróicas de 3 novos Servos de Deus.

Ouça e compartilhe!

Beata brasileira

Entre os novos beatos a brasileira Benigna Cardoso da Silva, leiga, nascida em 15 de outubro de 1928 em Santana do Cariri (Ceará) que morreu mártir em 24 de outubro de 1941. Benigna é considerada “Heroína da Castidade”. O pároco Pe. Cristiano Coelho Rodrigues, que fora mentor espiritual da jovem, foi grande incentivador da devoção a ela. Ao tempo do assassinato, ele escreveu a seguinte nota ao lado do registro de batismo de Benigna: “Morreu martirizada, às 4 horas da tarde, no dia 24 de outubro de 1941, no sitio Oiti. Heroína da Castidade, que sua santa alma converta a freguesia e sirva de proteção às crianças e às famílias da Paróquia. São os votos que faço à nossa santinha”.

Entre os próximos novos Beatos, encontra-se também, com o reconhecimento do milagre atribuído à sua intercessão, o cardeal Stefan Wyszyński, Arcebispo Metropolitano de Gniezno e Varsóvia, Primaz da Polônia; nascido em Zuzela a 3 de agosto de 1901 e falecido em 28 de maio de 1981 em Varsóvia. O cardeal foi um defensor da fé durante o regime comunista polonês.

– Francesco Mottola, italiano, Sacerdote diocesano, Fundador do Instituto Secular das Oblatas do Sagrado Coração (1901-1969);

– Alessandra Sabattini, italiana, leiga; nascida em Riccione (Itália), da Comunidade Papa João XXIII (1961-1984).

– Juan Roig y Diggle, mártir, espanhol, leigo; nascido em 12 de maio de 1917 em Barcelona (Espanha) e morto na noite entre 11 e 12 de setembro de 1936 em Gramanet.

Servos de Deus

Enquanto que os três novos Servos de Deus com o reconhecimento das virtudes heróicas são:

Augusto Cesare Bertazzoni, italiano, Arcebispo titular de Temuniana, ex Bispo de Potenza e Marsico (1876-1972);

Jean Louis Querbes, francês de Lyon, Sacerdote, Fundador da Congregação dos Clérigos Paroquiais ou Catequistas de São Viatore (1793-1859);

Maria Francisco do Menino Jesus (nascida Maria Natividad Sánchez Villoria), espanhola, Monja professa da Ordem de Santa Clara; nascida em Fuenteguinaldo (1905-1991).

 

31 de outubro de 2019 at 5:44 Deixe um comentário

São João Paulo II, rogai por nós!

22 de outubro de 2019 at 9:13 Deixe um comentário

Santo Inácio de Antioquia, rogai por nós!

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Santo Inácio de Antioquia

Queridos irmãos e irmãs!

Como já fizemos na quarta-feira passada, falamos das personalidades da Igreja nascente. Na semana passada falámos do Papa Clemente I, terceiro Sucessor de São Pedro. Hoje falamos de Santo Inácio, que foi o terceiro Bispo de Antioquia, entre os anos 70 e 107, data do seu martírio.

Naquele tempo Roma, Alexandria e Antioquia eram as três grandes metrópoles do império romano. O Concílio de Niceia fala de três “primados”: o de Roma, mas também Alexandria e Antioquia participam, num certo sentido, a um “primado”. Santo Inácio era Bispo de Antioquia, que hoje se encontra na Turquia. Aqui, em Antioquia, como sabemos dos Actos dos Apóstolos, surgiu uma comunidade cristã florescente: primeiro Bispo foi o apóstolo Pedro assim nos diz a tradição e ali “pela primeira vez, os discípulos começaram a ser tratados pelo nome de “cristãos”” (Act 11, 26). Eusébio de Cesareia, um historiador do IV século, dedica um capítulo inteiro da sua História Eclesiástica à vida e à obra literária de Inácio (3, 36). “Da Síria”, ele escreve, “Inácio foi enviado a Roma para ser lançado às feras, por causa do testemunho por ele dado a Cristo. Realizando a sua viagem através da Ásia, sob a vigilância severa dos guardas” (que ele chamava “dez leopardos” na sua Carta aos Romanos 5, 1), “nas várias cidades por onde passava, com pregações e admoestações, ia consolidando as Igrejas; sobretudo exortava, muito fervorosamente, a evitar as heresias, que na época começavam a pulular, e recomendava que não se separassem da tradição apostólica”. A primeira etapa da viagem de Inácio rumo ao martírio foi a cidade de Esmirna, onde era Bispo São Policarpo, discípulo de São João. Ali Inácio escreveu quatro cartas, respectivamente às Igrejas de Éfeso, de Magnésia, de Tralli e de Roma. “Tendo partido de Esmirna”, prossegue Eusébio, “Inácio chega a Tróade, e de lá enviou novas cartas”: duas às Igrejas de Filadélfia e de Esmirna, e uma ao Bispo Policarpo. Eusébio completa assim o elenco das cartas, que chegaram até nós da Igreja do primeiro século como um precioso tesouro. Lendo estes textos sente-se o vigor da fé da geração que ainda tinha conhecido os Apóstolos. Sente-se também nestas cartas o amor fervoroso de um santo. Finalmente de Tróade o mártir chegou a Roma, onde, no Anfiteatro Flávio, foi lançado às feras.

Nenhum padre da Igreja expressou com a intensidade de Inácio o anseio pela união com Cristo e pela vida n’Ele. Por isso lemos o trecho do Evangelho sobre a vinha, que segundo o evangelho de João é Jesus. Na realidade, afluem em Inácio duas “correntes” espirituais: a de Paulo, que tende totalmente para a união com Cristo, e a de João, concentrada na vida n’Ele. Por sua vez, estas duas correntes desembocam na imitação de Cristo, várias vezes proclamado por Inácio como “o meu” e “o nosso Deus”. Assim Inácio suplica os cristãos de Roma para que não impeçam o seu martírio, porque está impaciente por “unir-se a Jesus Cristo”. E explica: “É bom para mim morrer indo para (eis) Jesus Cristo, em vez de reinar até aos confins da terra. Procuro a Ele, que morreu por mim, quero a Ele, que ressuscitou por nós… Deixai que eu seja imitador da Paixão do meu Deus!” (Aos Romanos 5-6). Pode-se captar nestas expressões fervorosas de amor o elevado “realismo” cristológico típico da Igreja de Antioquia, como nunca atento à encarnação do Filho de Deus e à sua humanidade verdadeira e concreta: Jesus Cristo, escreve Inácio aos Esmirnenses, “pertence realmente à estirpe de David”, realmente nasceu de uma virgem”, “realmente foi crucificado por nós” (1, 1).

A propensão irresistível de Inácio para a união com Cristo funda uma verdadeira “mística da unidade”. Ele próprio define-se “um homem ao qual foi confiada a tarefa da unidade” (Aos Filadelfenses 8, 1). Para Inácio a unidade é antes de tudo uma prerrogativa de Deus, que existindo em três Pessoas é Uno em absoluta unidade. Ele repete muitas vezes que Deus é unidade, e que só em Deus ela se encontra no estado puro e originário. A unidade a ser realizada nesta terra pelos cristãos é unicamente uma imitação, o mais possível conforme com o arquétipo divino. Desta forma Inácio chega a elaborar uma visão da Igreja, que recorda de perto algumas expressões da Carta aos Coríntios de Clemente Romano. “É bom para vós”, escreve por exemplo aos cristãos de Éfeso, “proceder juntos de acordo com o pensamento do bispo, o que já fazeis. De facto, o vosso colégio dos presbíteros, justamente famoso, digno de Deus, está assim harmoniosamente unido ao bispo como as cordas à cítara. Por isso, na vossa concórdia, e no vosso amor sinfónico Jesus Cristo é cantado. E assim vós, um por um, tornais-vos coro, para que na sinfonia da concórdia, depois de ter tomado o trono de Deus na unidade, canteis a uma só voz” (4, 1-2). E depois de ter recomendado aos Esmirnenses que “nada empreendessem do que diz respeito à Igreja sem o bispo” (8, 1), diz a Policarpo: “Eu ofereço a minha vida por aqueles que são submetidos ao bispo, aos presbíteros e aos diáconos. Que eu possa com eles ter parte em Deus. Trabalhai juntos uns para os outros, lutai juntos, correi juntos, sofrei juntos, dormi e vigiai juntos como administradores de Deus, seus assessores e servos. Procurai agradar Àquele pelo qual militais e do qual recebeis os favores. Que nenhum de vós seja desertor. O vosso baptismo permaneça como um escudo, a fé como um elmo, a caridade como uma lança, a paciência como uma armadura” (6, 1-2).

Complexivamente podemos ver nas Cartas de Inácio uma espécie de dialéctica constante e fecunda entre dois aspectos característicos da vida cristã: por um lado a estrutura hierárquica da comunidade eclesial, e por outro a unidade fundamental que liga entre si todos os fiéis em Cristo. Portanto, os papeis não se podem contrapor. Ao contrário, a insistência sobre a comunhão dos crentes entre si e com os próprios pastores é continuamente reformulada através de eloquentes imagens e analogias: a cítara, as cordas, a afinação, o concerto, a sinfonia. É evidente a responsabilidade peculiar dos bispos, dos presbíteros e dos diáconos na edificação da comunidade. Para eles é válido antes de tudo o convite ao amor e à unidade. “Sede um só”, escreve Inácio aos Magnésios, retomando a oração de Jesus na Última Ceia: “Uma só súplica, uma única mente, uma só esperança no amor… Acorrei todos a Jesus Cristo como ao único templo de Deus, como ao único altar: ele é um, e procedendo do único Pai, permaneceu unido a Ele, e a Ele voltou na unidade” (7, 1-2). Inácio, o primeiro na literatura cristã, atribui à Igreja o adjectivo “católica”, isto é “universal”: “Onde estiver Jesus Cristo”, afirma ele, “ali está a Igreja” (Aos Esmirnenses 8, 2). E precisamente no serviço de unidade à Igreja católica, a comunidade cristã de Roma exerce uma espécie de primado no amor: “Em Roma ela preside digna de Deus, venerável, digna de ser chamada beata… Preside à caridade, que tem a lei de Cristo e o nome de Pai” (Aos Romanos, Prólogo).

Como se vê, Inácio é verdadeiramente o “doutor da unidade”: unidade de Deus e unidade de Cristo (não obstante as várias heresias que começavam a circular e dividiam o homem e Deus em Cristo), unidade da Igreja, unidade dos fiéis “na fé e na caridade, das quais nada há de mais excelente” (Aos Esmirnenses 6, 1). Para concluir, o “realismo” de Inácio convida os fiéis de ontem e de hoje, convida todos nós a uma síntese progressiva entre configuração com Cristo (união com Ele, vida n’Ele) e dedicação à sua Igreja (unidade com o Bispo, serviço generoso à comunidade e ao mundo). Em resumo, é necessário alcançar uma síntese entre comunhão da Igreja no seu interior e missão proclamação do Evangelho para os outros, até quando, através de uma dimensão se manifeste a outra, e os crentes “possuam” cada vez mais “aquele espírito indiviso, que é o próprio Jesus Cristo” (Aos Magnésios 15). Implorando do Senhor esta “graça de unidade”, e na convicção de presidir à caridade de toda a Igreja (cf. Aos Romanos, Prólogo), dirijo a vós os mesmos votos que concluem a carta de Inácio aos cristãos de Trali: “Amai-vos uns aos outros com um coração indiviso. O meu espírito oferece-se em sacrifício por vós, não só agora, mas também quando tiver alcançado Deus… Que possais ser encontrados em Cristo sem mancha” (13). E rezemos para que o Senhor nos ajude a alcançar esta unidade e a sermos encontrados finalmente sem mancha, porque é o amor que purifica as almas.

Audiência Geral do Papa Emérito Bento XVI em 14 de Março 2007.

17 de outubro de 2019 at 5:39 Deixe um comentário

Santa Edviges – 16 de outubro

S. Edviges, duquesa da Silésia, religiosa

S. Edviges, manuscrito do século XIV  (Digital image courtesy of the Getty’s Open Content Program)

Não era um problema aparecer como caridoso, embora o corpo fosse envolvido por uma veste de seda e, quem sabe, até com um diadema embutido de rubis na cabeça. Socorrer os pobres era uma prática comum pelas mulheres nobres da Idade Média. Para muitas, era um gesto inspirado por um sincero impulso de piedade. Para outras, era uma doação generosa ditada por uma magnanimidade displicente. Mas, vivido por escolho ou obrigação, este costume era uma regra, mas as regras, mesmo as do censo, são feitas para ser violadas.

A riqueza da pobreza

A exceção tem um nome, Edwiges, que, por volta de 1190, era uma nobre bávara, de doze anos, prestes a casar-se com Henrique I, o Barbudo, herdeiro da Ducado da Baixa Silésia. Desde o início, a jovem duquesa, que logo se tornou mãe (de seis filhos), encarna, entre os seus súditos, o ideal mais lindo de rainha: não eram as vestes, mas a sua generosidade, sempre pronta, era o veludo com o qual Edwiges envolvia quem se encontrava na miséria; mandou construir, para quem tinha pouco ou pouco, asilos e abrigos. Estava ao lado da povo, de maioria polonesa, com o qual, ela que era alemã, aprendeu a língua; ela era, sobretudo, moderada nos modos e nos costumes, a ponto de rejeitar, de modo inaudível, os cânones da moda, impostos pela sua classe. Edwiges não tinha vergonha de usar roupas e calçados velhos, cintos de carroceiro. A duquesa não quis se distinguir dos pobres, porque os pobres – dizia – são “nossos patrões”.

A duquesa monja

Edwiges expressou esta sua convicção a Gertrudes, a última dos seus seis filhos e a única que sobreviveu. Os anos que viveu como esposa e mãe foram, até então, atormentados. A duquesa que sempre apoiou o marido nas suas funções governamentais, assistiu à morte de seus três filhos, ainda jovens, e de duas das três filhas. Seus valores cristãos, unidos ao rigor da época, que impedia manifestar as emoções dos próprios sofrimentos, refletiam em uma Edwiges inabalável, pelo seu modo de suportar, quase sem lágrimas, a dor que a oprimia. Mas, a sua moderação não era uma couraça vazia, imposta por um status. Ela contava com o conforto da fé interior, da oração intensa e diária, que, com o passar dos anos, aperfeiçoam nela a atração pela vida consagrada. Depois da morte do marido, para Edwiges torna-se quase natural entrar para o Mosteiro cisterciense de Trzebnica, por ela mesma fundado em 1202. A duquesa foi monja e quando falece, em 15 de outubro de 1243, ninguém teve dúvidas: morreu uma santa! Como tal, Papa Clemente IV a canonizou, em 1267.

Fonte: Vaticano

16 de outubro de 2019 at 5:46 Deixe um comentário

Irmã Dulce é santa: a fé faz milagres quando saímos de nós mesmos

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“O motivo para agradecer hoje são os novos Santos, que caminharam na fé e agora invocamos como intercessores”, afirmou o Papa na cerimônica de canonização de Ir. Dulce.

Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

Irmã Dulce é santa. A celebração litúrgica com o rito da canonização reuniu cerca de 50 mil pessoas na Praça São Pedro. Com o “Anjo bom da Bahia”, foram canonizados também João Henrique Newman, Josefina Vannini, Maria Teresa Chiramel Mankidiyan, e Margarida Bays.

A cerimônica teve início com o rito da canonização: o prefeito da Congregação das Causas dos Santos, Cardeal Angelo Becciu, acompanhado dos postuladores, foi o Santo Padre e pediu que se procedesse à canonização dos beatos.

O Cardeal apresentou brevemente a biografia de cada um deles, que foram então declarados santos. Seguiu a ladainha dos santos e o Pontífice leu a fórmula de canonização.

O prefeito da Congregação, sempre acompanhado dos postulares, agradeceu ao Santo Padre e o coral entoou o canto do Glória.

Invocar

Na homilia, o Papa Francisco comentou o Evangelho deste 28º Domingo do Tempo Comum, que narra a cura de 12 leprosos.

“A tua fé te salvou” (Lc 17, 19): este é o ponto de chegada do Evangelho de hoje, que nos mostra o caminho da fé. Neste percurso, afirmou o Papa, vemos três etapas cumpridas pelos leprosos curados, que invocam, caminham e agradecem.

Primeiro, invocar. Assim como hoje, os leprosos sofrem, além pela doença em si, pela exclusão social. No tempo de Jesus, eram considerados impuros e, como tais, deviam estar isolados, separados. Eles invocam Jesus “gritando” e o Senhor ouve o grito de quem está abandonado.

“ Também nós – todos nós – necessitamos de cura, como aqueles leprosos. Precisamos de ser curados da pouca confiança em nós mesmos, na vida, no futuro; curados de muitos medos; dos vícios de que somos escravos; de tantos fechamentos, dependências e apegos: ao jogo, ao dinheiro, à televisão, ao celular, à opinião dos outros. O Senhor liberta e cura o coração, se O invocarmos. ”

A fé cresce assim, prosseguiu o Papa, com a invocação confiante. “Invoquemos diariamente, com confiança, o nome de Jesus: Deus salva. Repitamo-lo: é oração. A oração é a porta da fé, a oração é o remédio do coração.”

Caminhar

Caminhar é a segunda etapa. Os leprosos são curados não quando estão diante de Jesus, mas depois enquanto caminham.

“ É no caminho da vida que a pessoa é purificada, um caminho frequentemente a subir, porque leva para o alto. A fé requer um caminho, uma saída; faz milagres, se sairmos das nossas cômodas certezas, se deixarmos os nossos portos serenos, os nossos ninhos confortáveis. ”

Outro aspecto ressaltado pelo Papa foi o plural dos verbos: “a fé é caminhar juntos, jamais sozinhos”. Mas, uma vez curados, nove continuam pela sua estrada e apenas um regressa para agradecer. E Jesus então pergunta: “Onde estão os outros nove?”.

“Constitui nossa tarefa ocuparmo-nos de quem deixou de caminhar, de quem se extraviou: somos guardiões dos irmãos distantes. Quer crescer na fé? Ocupa-se dum irmão distante.”

Agradecer

Agradecer é a última etapa. Ao leproso curado, Jesus diz: “A tua fé te salvou”.

“ Isto diz-nos que o ponto de chegada não é a saúde, não é o estar bem, mas o encontro com Jesus. ”

O ponto culminante do caminho de fé é viver dando graças. O Papa então questionou:

Nós, que temos fé, vivemos os dias como um peso a suportar ou como um louvor a oferecer? Ficamos centrados em nós mesmos à espera de pedir a próxima graça, ou encontramos a nossa alegria em dar graças? Agradecer não é questão de cortesia, de etiqueta, mas questão de fé.

Dizer “obrigado, Senhor”, ao acordar, durante o dia, antes de deitar, é antídoto ao envelhecimento do coração.

O motivo pelo qual agradecer hoje são os novos Santos, que caminharam na fé e agora invocamos como intercessores. Três deles, disse o Papa, são freiras, como Irmã Dulce, e mostraram que a vida religiosa é um caminho de amor nas periferias existenciais do mundo.

13 de outubro de 2019 at 8:51 Deixe um comentário

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