Archive for agosto, 2019

Reflexão para o XXII Domingo do Tempo Comum

O Deus de Jesus Cristo é o Emanuel, Deus Conosco, que vem armar sua tenda em nosso meio, que vem participar de nossas alegrias e tristezas, que vem viver a nossa vida e nos quer ver alegres, felizes, em paz.

O Deus de Jesus Cristo é o Emanuel, Deus Conosco, que vem armar sua tenda em nosso meio, que vem participar de nossas alegrias e tristezas, que vem viver a nossa vida e nos quer ver alegres, felizes, em paz.  (© Biblioteca Apostolica Vaticana)

Acolher os cegos, coxos e aleijados, para a sociedade judaica, era acolher os pecadores; o defeito físico, a doença e a miséria eram vistos como consequências do pecado.

Padre César Augusto dos Santos – Cidade do Vaticano

No Evangelho, Jesus está jantando na casa de pessoas importantes da sociedade judaica. Ele observou, não apenas neste jantar, mas em diversas refeições de que participou, especialmente em banquetes, que as pessoas faziam verdadeiras ginásticas para estarem em lugar de destaque, próximos do anfitrião ou do homenageado. Ele aproveitou o momento para fazer algumas observações que não são de etiqueta, mas de postura em relação ao Reino do Céu.

Ele inicia quebrando certa visão conservadora de Deus e de relacionamentos “queridos” por ele.

Para Jesus não existe um Deus distante das pessoas e nem a necessidade de render-lhe homenagem com mortificações, penitências e jejuns. O Deus de Jesus Cristo é o Emanuel, Deus Conosco, que vem armar sua tenda em nosso meio, que vem participar de nossas alegrias e tristezas, que vem viver a nossa vida e nos quer ver alegres, felizes, em paz.

Em seguida, o Senhor faz uma advertência sobre quem convidar para o festim.

Os convidados deverão ser os coxos, os aleijados, os excluídos, aqueles que jamais poderão retribuir o convite. Dentro da tradição, os convidados seriam irmãos, parentes, amigos e vizinhos. Jesus, rejeitou esse costume e deu novas orientações, como vimos.

Jesus dá o alerta em relação aos marginalizados, aos esquecidos. É com eles, com os que estão presentes apenas para servir, que o Senhor se identificou. Do mesmo modo Maria, nas Bodas de Caná, se identificou com os servidores, por isso ela percebeu a falta de vinho. Se estivesse sentada à mesa, não perceberia, mas como certamente estava ajudando a servir, apesar de convidada, percebeu.

Neste momento poderemos nos perguntar de que lado nos posicionamos? Qual é nosso lugar social no mundo em que habitamos? Lugar social não tanto de nascimento, mas de opção. Colocamo-nos ao lado dos ricos, dos incluídos ou nos identificamos com os despossuídos?

Depois o Senhor entra na questão do acolhimento. Banquete, almoço, jantar ou uma simples refeição, supõe acolhida. Acolhemos apenas os sadios, os perfeitos, os íntegros, os santos, ou temos espaço para os doentes, para os que levam vida irregular e estão fora do politicamente e eticamente aceito?

Acolher os cegos, coxos e aleijados, significava na sociedade judaica acolher os pecadores, já que o defeito físico, a doença e a miséria eram vistos como consequências de pecados.

Jesus não está se referindo a uma refeição concreta, mas a uma postura de vida que aceita os puros, perfeitos, santos aos olhos dos valores éticos de nossa sociedade e rejeita aqueles que deveriam estar cobertos de vergonha pela vida que levam ou que levaram, pelas suas opções erradas, pela demonstração pública de que rejeitaram as inspirações para o bom caminho. Podemos pensar nos alcoólatras, drogados, viciados em jogos de azar, prostitutas e outros praticantes de atitudes que desabonam mocinhas e mocinhos virtuosos.

Concluindo nossa reflexão, peçamos ao Senhor a graça de mudarmos nosso lugar social e de nos identificarmos com aqueles que ele, sua e nossa bendita Mãe, se identificaram, ou seja, com os pobres, com os marginalizados.

Que a celebração eucarística, que nossa presença na igreja durante a missa, seja sinal do que acontece em nosso interior, e sintamo-nos irmanados com aquele que estiver ao nosso lado, seja conhecido ou não, bem apresentável ou não.

Não importa tanto se em nossa vida é frequente esse tipo de refeição, mas é fundamental que isso faça parte de nosso coração, de nosso querer, de nossa identificação, de nosso lugar de fé.

31 de agosto de 2019 at 15:40 Deixe um comentário

Tweet de Papa Francisco (@Pontifex_pt)

Papa Francisco (@Pontifex_pt) tweetou: https://t.co/sqWtYT0S5d https://twitter.com/Pontifex_pt/status/1167727475801169920?s=17

31 de agosto de 2019 at 8:59 Deixe um comentário

Papa Francisco no Twitter

30 de ago de 2019: Na relação diária com Jesus e na força do seu perdão, reencontramos as nossas raízes.
29 de ago de 2019: São João Batista, que deu testemunho do Messias morrendo pela verdade, rogai por nós!
28 de ago de 2019: Pedimos a graça de não sermos cristãos mornos, que vivem de meias medidas, que deixam o amor esfriar.
27 de ago de 2019: A luz de Deus ilumina quem a acolhe.
26 de ago de 2019: Quem se aproxima de Deus não desanima, vai em frente: recomeça, tenta de novo, reconstrói.
25 de ago de 2019: No Evangelho de hoje, Jesus nos faz entender que no Paraíso não existe um “número fechado”, mas para ir até lá é preciso passar por “uma porta estreita” já nesta vida: amar a Deus e ao próximo, e isso não é confortável!
24 de ago de 2019Deus que se recorda de nós, Deus que cura as nossas memórias feridas ungindo-as com esperança, Deus que está perto de nós para nos reerguer de dentro, para nos ajudar a sermos construtores do bem, consoladores de coração.
23 de ago de 2019: Todos nós fomos criados à imagem e semelhança de Deus e temos a mesma dignidade. Vamos acabar com a escravidão!
22 de ago de 2019: Que o Senhor abra os nossos corações às necessidades de quem precisa, dos indefesos e de quem bate à nossa porta para ser reconhecido como pessoa.

21 de ago de 2019: É preciso de mais força para reparar do que para construir, para recomeçar do que para iniciar, para reconciliar-se do que para estar de acordo. Esta é a força que Deus nos dá.

31 de agosto de 2019 at 5:40 Deixe um comentário

O Evangelho do dia com Dom Mário Spaki 30-08-2019

30 de agosto de 2019 at 12:06 Deixe um comentário

«Quem for o mais pequeno entre vós esse é que será o maior»

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«Vinde», diz Cristo aos seus discípulos, «e aprendei de Mim», não certamente a expulsar os demónios pelo poder do Céu, nem a curar os leprosos, nem a dar luz aos cegos, nem a reanimar os mortos […]; mas, diz Ele, «aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração» (Mt 11,28-29). Aí está, efetivamente, o que todos podem aprender e praticar. Não é necessário fazer revelações e milagres, nem é vantajoso para todos, e também não é concedido a todos. Pois a humildade é a mestra de todas as virtudes, o fundamento inabalável do edifício celestial, o dom próprio e magnífico do Salvador. Aquele que o possui poderá fazer, sem perigo de causar estranheza, todos os milagres que Cristo operou, porque procura imitar o Senhor manso, não na sublimidade dos seus prodígios, mas na virtude da paciência e da humildade. Em contrapartida, quem se sente impaciente por se impor aos espíritos impuros, por dar saúde aos doentes, por mostrar às multidões sinais maravilhosos, bem pode invocar o nome de Cristo no meio de toda a sua ostentação, que será sempre estranho a Cristo, porque a sua alma orgulhosa não segue o mestre da humildade. Eis o legado que o Senhor deixou aos seus discípulos aquando do seu regresso para junto do Pai: «Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei»; e acrescenta de imediato: «Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros» (Jo 13,34-35). É bem certo que, quanto menos mansos e humildes formos, menos cumpriremos este amor.

Texto de São João Cassiano (Evangelho Quotidiano)

30 de agosto de 2019 at 5:43 Deixe um comentário

Assista a “Eliana Ribeiro | Perfeito Amor (ft. Lucimare, Vilma Alvarenga, Ziza Fernandes)” no YouTube

29 de agosto de 2019 at 9:17 Deixe um comentário

Precursor de Cristo tanto na morte como na vida

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Profeta nascido dum profeta, batizaste o Senhor, foste «a voz que clama no deserto: convertei-vos» (Mt 3,2), e repreendeste Herodes pelos seus ímpios deboches. Por isso, correste a anunciar o Reino de Deus aos que estavam cativos na morada dos mortos. […] Percursor e profeta, batizaste e foste mártir sendo voz do Verbo, seu mensageiro, sua chama; tu que foste o maior dos profetas, segundo o testemunho de Deus (Mt 11,9), implora ao Senhor que salve de todas as provações e desgraças os que festejam com amor a tua memória resplandecente. […] Vinde todos os povos, celebremos o profeta e mártir que batizou o Salvador, ele que, qual anjo encarnado, repreendeu Herodes pela sua ligação injusta, condenando a sua ação errónea. Mas, por causa de uma dança e de um juramento, cortaram a venerável cabeça daquele que anunciou nos infernos a boa nova da ressurreição de entre os mortos e que sem cessar intercede por nós junto do Senhor, pela salvação da nossa alma. Vinde todos os fiéis, celebremos o profeta e mártir que batizou o Salvador: fugindo para o deserto, aí encontrou repouso, alimentando-se de gafanhotos e de mel silvestre. Ele repreendeu o rei que violava a lei; e a nós, os timoratos, exortou dizendo: «convertei-vos, porque o Reino está próximo».

Liturgia bizantina (Evangelho Quotidiano)

29 de agosto de 2019 at 5:46 Deixe um comentário

Por uma nova economia: palavras do Papa na Missa em Santa Marta

Papa Francisco celebra Missa na Capela da Casa Santa Marta

Papa Francisco celebra Missa na Capela da Casa Santa Marta  (Vatican Media)

Continuamos a recordar palavras do Papa que ajudam a enquadrar os objetivos da reflexão proposta pelo evento “A Economia de Francisco” de março 2020. Desta vez, fazemos memória de duas homilias na Capela da Casa de Santa Marta no ano 2016.

Rui Saraiva – Porto

“A Economia de Francisco” será um grande evento em agenda para os dias 26, 27 e 28 de março de 2020. Trata-se de um encontro que se inspira no Santo de Assis e que, segundo o Papa, deverá procurar novas propostas de organização econômica.

Para ajudar à reflexão sobre esta importante temática recordamos aqui as palavras do Papa Francisco pronunciadas em 2016 em duas homilias na Capela da Casa de Santa Marta.

Dinheiro e poder sujam a Igreja

Na terça-feira dia 17 de maio de 2016, na Missa em Santa Marta, o Papa Francisco afirmou que o dinheiro e o poder sujam a Igreja. O Santo Padre disse que o caminho que Jesus indica é o serviço, mas com frequência na Igreja buscam-se poder, dinheiro e vaidade.

Partindo da passagem do Evangelho de S. Marcos, proposta pela liturgia do dia na qual os discípulos se perguntavam entre si quem era o maior entre eles, o Papa afirmou que estas tentações mundanas comprometem também hoje o testemunho da Igreja:

“No caminho que Jesus nos indica, o serviço é a regra. O maior é aquele que serve mais, quem está mais ao serviço dos outros, e não aquele que se vangloria, que busca o poder, o dinheiro…a vaidade, o orgulho… Não, esses não são os maiores. E o que aconteceu aqui com os apóstolos, inclusive com a mãe de João e Tiago, é uma história que acontece todos os dias na Igreja, em cada comunidade. ‘Mas entre nós, quem é o maior? Quem comanda?’ As ambições… Em cada comunidade – nas paróquias ou nas instituições – sempre existe esta vontade de galgar, de ter poder.”

Na sua homilia o Papa Francisco sublinhou que a vontade mundana de estar com o poder acontece nas paróquias, nos colégios e também nos episcopados, uma atitude que não é a atitude de Jesus que veio para servir e ensina o serviço e a humildade. Mas todos somos tentados pelas atitudes de poder e de vaidade – afirmou o Papa que pediu ao Senhor para que nos ilumine para entendermos que o espírito mundano é inimigo de Deus:

“Todos nós somos tentados por estas coisas, somos tentados a destruir o outro para subir mais. É uma tentação mundana, mas que divide e destrói a Igreja, não é o Espírito de Jesus. É belo, imaginemos a cena: Jesus que diz estas palavras e os discípulos que dizem ‘não, é melhor não perguntar muito, vamos em frente’, e os discípulos que preferem discutir entre si qual deles será o maior. Vai-nos fazer bem pensar nas muitas vezes que nós vimos isto na Igreja e nas muitas vezes que nós fizemos isto, e pedir ao Senhor que nos ilumine, para entender que o amor pelo mundo, ou seja, por este espírito mundano, é inimigo de Deus”.

Explorar trabalhadores para enriquecer é pecado mortal

Na quinta-feira, dia 19 de maio de 2016, na sua homilia na Missa em Santa Marta, o Papa Francisco afirmou que explorar os trabalhadores para enriquecer é ser como sanguessugas e isso é um pecado mortal.

O Santo Padre comentou a primeira leitura da liturgia do dia, extraída da carta de S. Tiago, e afirmou que “não se pode servir Deus e as riquezas”. Estas, as riquezas – continuou Francisco – são boas em si mesmas, mas erram aqueles que seguem a “teologia da prosperidade”.

O Papa recordou o que diz S. Tiago: “Olhai que o salário que não pagastes aos trabalhadores que ceifaram os vossos campos está a clamar; e os clamores dos ceifeiros chegaram aos ouvidos do Senhor do universo!”

Francisco recordou a precaridade dos vínculos laborais e, em particular, citou o que lhe disse uma jovem que encontrou um emprego de 11 horas diárias por 650 euros na informalidade. E disseram-lhe que se queria podia ficar com o trabalho senão há mais quem queira: “há uma fila atrás de si”.

A exploração das pessoas hoje é uma verdadeira escravidão – denunciou o Papa: “Viver do sangue das pessoas. Isto é pecado mortal. É pecado mortal.”

O Papa Francisco propôs uma reflexão sobre a exploração das pessoas no mundo do trabalho que chega mesmo à escravidão:

“Pensemos neste drama de hoje: a exploração das pessoas, o sangue das pessoas que se tornam escravas, os traficantes de seres humanos e não somente aqueles que traficam prostitutas e crianças para o trabalho infantil, mas aquele tráfico mais ‘civilizado’: Eu pago-te mas sem direito a férias e assistência médica, tudo clandestino. Porém, eu torno-me rico!

O Santo Padre no final da sua homilia pediu ao Senhor que “nos faça entender aquela simplicidade que Jesus nos diz no Evangelho de hoje: É mais importante um copo de água em nome de Cristo que todas as riquezas acumuladas com a exploração das pessoas”.

Para refletir sobre a economia mundial

Recordamos aqui as palavras do Papa Francisco em maio de 2016 proferidas em homilias da Eucaristia diária na Capela na Casa de Santa Marta no Vaticano. Estas palavras ajudam-nos a enquadrar o rumo definido para o encontro de Assis que em março de 2020 terá como tema “A Economia de Francisco” e juntará empresários, universitários, estudantes e especialistas.

“A Economia de Francisco” será um grande evento especialmente dirigido para refletir sobre o futuro próximo da economia mundial numa perspetiva humana e inclusiva. Já no próximo dia 24 de setembro terá lugar em Florença uma primeira reunião preparatória do encontro de Assis.

Laudetur Iesus Christus

29 de agosto de 2019 at 5:37 Deixe um comentário

Todo o povo ficava maravilhado quando O (a Jesus) ouvia

Imagem de Santo Agostinho

Rezamos no templo de Deus quando rezamos na paz da Igreja, na unidade do Corpo de Cristo, porque o Corpo de Cristo é constituído pela multidão dos crentes espalhados por toda a terra. […] Para sermos atendidos, é neste templo que temos de rezar, «em espírito e verdade» (Jo 4,23), e não no Templo material de Jerusalém. Este era «uma sombra das coisas que virão» (Cl 2,17), e por isso caiu em ruínas. […] Este Templo que caiu não podia ser a casa de oração da qual foi dito: «A minha casa será chamada casa de oração para todas as nações» (Mc 11,17; Is 56,7).

Terão os que a transformaram num «covil de ladrões» sido realmente os causadores da sua queda? Pois os que levam na Igreja uma vida de desordem, os que procuram fazer da casa de Deus um covil de ladrões, estando ela em seu poder, também não poderão destruir este templo. Virá o tempo em que serão expulsos sob o chicote dos seus pecados. Esta assembleia de fiéis, templo de Deus e Corpo de Cristo, tem apenas uma voz e canta como um só homem. […] Se quisermos, essa voz será a nossa; se quisermos escutar o cântico, cantá-lo-emos também no nosso coração.

Comentário de Santo Agostinho

28 de agosto de 2019 at 5:45 Deixe um comentário

Audiência: não fazer turismo espiritual na Igreja, mas viver como irmãos

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Em sua catequese, o Papa Francisco comentou a “comunhão integral na comunidade dos fiéis” e afirmou: uma vida marcada somente em tirar proveito e vantagem das situações em detrimento dos outros provoca inevitavelmente a morte interior.

Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

Na Sala Paulo VI, o Papa Francisco acolheu fiéis e peregrinos para a Audiência Geral desta quarta-feira (21/08).

O Pontífice deu prosseguimento ao seu ciclo de catequeses sobre os Atos dos Apóstolos e nesta ocasião falou sobre a “comunhão integral na comunidade dos fiéis”.

A conversão começa no bolso

A comunidade cristã nasce da efusão do Espírito Santo e cresce graças ao fermento da partilha entre os irmãos em Cristo. “Trata-se de um dinamismo de solidariedade que edifica a Igreja como família de Deus, onde a experiência da koinonia é um elemento central”, explicou o Papa. Esta palavra grega, que significa colocar em comum, partilhar, comungar, refere-se, antes de tudo, à participação no Corpo e Sangue de Cristo, que se traduz na união fraterna e também na comunhão dos bens materiais.

“ O sinal de que o seu coração se converteu é quando a conversão chegou ao bolso. Ou seja, ali se vê se uma pessoa é generosa com os outros, se ajuda os mais pobres: quando toca o próprio interesse. Quando a conversão chega ali, está certo de que é verdadeira. ”

Os fiéis têm um só coração e uma só alma e não consideram propriedade própria aquilo que possuem, mas colocam tudo em comum. Por este motivo, nenhum deles passava por dificuldade. Francisco então enalteceu os muitos cristãos que fazem voluntariado, que compartilham o seu tempo com os outros.

Esta koinonia ou comunhão se configura como a nova modalidade de relação entre os discípulos do Senhor. O vínculo com Cristo instaura um vínculo entre irmãos. Ser membro do Corpo de Cristo torna os fiéis corresponsáveis uns pelos outros. Ser indiferente, não preocupar-se com os outros, não é cristão, recordou o Papa.

Imbróglio de consequências trágicas

Como exemplo concreto de compartilha e comunhão dos bens, Francisco citou o testemunho de Barnabé: ele possui um campo e o vende para oferecer o dinheiro aos Apóstolos. Mas ao lado do seu exemplo positivo há outro tristemente negativo: Ananias e a sua mulher Safira, ao venderem o terreno, decidem entregar somente uma parte aos Apóstolos e ficar com a outra para eles. Este imbróglio interrompe a cadeia da compartilha gratuita, serena e desinteressada e as consequências são trágicas e fatais.

Turismo espiritual

“A hipocrisia é o pior inimigo desta comunidade cristã, deste amor cristão: fazer de conta de querer bem, mas buscar somente o próprio interesse.” Faltar com a sinceridade da compartilha, acrescentou o Papa, significa cultivar a hipocrisia, afastar-se da verdade, se tornar egoístas, apagar o fogo da comunhão e destinar-se ao gelo da morte interior.

“ Quem se comporta assim transita na Igreja como um turista, há tantos turistas na Igreja que estão sempre de passagem, jamais entram na Igreja: é o turismo espiritual que faz com que pensem ser cristãos, mas são somente turistas de catacumbas. Não devemos ser turistas na Igreja, mas irmãos uns dos outros. ”

Uma vida marcada somente em tirar proveito e vantagem das situações em detrimento dos outros provoca inevitavelmente a morte interior. O Pontífice então concluiu:

“Que o Senhor derrame sobre nós o seu Espírito de ternura, que vence toda hipocrisia e coloca em circulação aquela verdade que nutre a solidariedade cristã, a qual, longe de ser atividade de assistência social, é uma expressão irrenunciável da natureza da Igreja que, como mãe cheia ternura, cuida de todos os filhos, especialmente dos mais pobres.”

28 de agosto de 2019 at 5:43 Deixe um comentário

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