Posts tagged ‘matrimônio’

Papa: é revolucionário amar o cônjuge assim como Cristo amou a Igreja

2018-10-31-udienza-generale-1540976776771.JPG

Na Audiência desta quarta-feira, Francisco completou sua reflexão sobre o sexto mandamento , “não cometer adultério”. “Amar é sair de si, é descentralizar”, afirmou.

Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

Quarta-feira é dia de Audiência Geral no Vaticano. Cerca de 20 mil fiéis participaram na Praça São Pedro do encontro semanal com o Pontífice.

Nesta quarta-feira (31/10), o Papa Francisco completou a catequese sobre o sexto mandamento, “não cometer adultério”, evidenciando que o amor fiel de Cristo é a luz para viver a beleza da afetividade humana. O amor se manifesta na fidelidade, no acolhimento e na misericórdia.

Revolução

Este mandamento, recordou o Papa, refere-se explicitamente à fidelidade matrimonial. Francisco definiu como “revolucionário” o trecho da Carta de São Paulo aos Efésios lido no início da Audiência, em que o Apóstolo afirma que o marido deve amar a esposa assim como Cristo amou a Igreja. Levando em consideração a antropologia da época, disse o Papa, “é uma revolução. Talvez, naquele tempo, é a coisa mais revolucionária dita sobre o matrimônio”.

Por isso, é importante refletir profundamente sobre o significado de esponsal, estando ciente, porém, de que o mandamento da fidelidade é destinado a todos os batizados, não só aos casados.

Amar é descentralizar

De fato, o caminho do amadurecimento humano é o próprio percurso do amor, que vai desde o receber cuidados até a capacidade de oferecer cuidados; de receber a vida à capacidade de dar a vida. Tornar-se adultos significa viver a atitude esponsal, ou seja, capaz de doar-se sem medida aos outros.

O infiel, portanto, é uma pessoa imatura, que interpreta as situações com base no próprio bem-estar. “Para se casar, não basta celebrar o matrimônio!”, recordou o Papa. É preciso fazer um caminho do eu ao nós. De pensar sozinho, a pensar a dois. A viver sozinho, a viver a dois. Descentralizar é uma atitude esponsal.

A Igreja não necessita de aspirantes ao papel de sacerdotes, “é melhor que fiquem em casa”, mas homens cujo coração é tocado pelo Espírito Santo com um amor sem reservas para a Esposa de Cristo. No sacerdócio, se ama o povo de Deus com toda a paternidade, ternura e a força de um esposo e de um pai. O mesmo vale para quem é chamado a viver a virgindade consagrada.

O corpo não é um instrumento de prazer

“O corpo humano não é um instrumento de prazer, mas o local da nossa chamada ao amor, e no amor autêntico não há espaço para a luxúria e para a sua superficialidade. Os homens e as mulheres merecem mais!”

O Papa concluiu recordando que o sexto mandamento, mesmo em sua forma negativa – não cometer adultério – nos oriente à nossa chamada originária, isto é, ao amor esponsal pleno e fiel, que Jesus Cristo nos revelou e doou.

Dia de Finados

Ao final da Audiência, o Papa recordou a celebração do Dia de Finados. “Que o testemunho de fé dos que nos precederam reforce em nós a certeza de que Deus acompanha cada um no caminho da vida, jamais abandona alguém a si mesmo, e quer que todos sejamos santos, assim como Ele é santo.”

Anúncios

11 de novembro de 2018 at 5:33 Deixe um comentário

Aos jovens Papa fala sobre o ideal do amor e matrimônio

Papa no encontro de oração com os jovens no Circo MáximoPapa no encontro de oração com os jovens no Circo Máximo  (ANSA)

Homem e mulher que se completam reciprocamente no matrimônio. “Um ideal assim, quando se sente verdadeiro e está maduro, não deve ser adiado para mais adiante por outros interesses”, disse o Papa aos jovens italianos. “É preciso arriscar no amor, no amor verdadeiro, não no entusiasmo amoroso maquiado de amor”.

Jackson Erpen – Cidade do Vaticano

“Pensem bem no amor, mas no amor que arrisca, o amor fiel, o amor que faz crescer o outro e reciprocamente crescem. Pensem no amor fecundo”.

O amor, especialmente na juventude, um tema muitas vezes delicado de ser tratado e compreendido. Mas não para Francisco, que gosta de falar e que lhe falem com sinceridade.

“É corajosa Martina, hein! Abala nossa estabilidade, e também fala com fogo! Eu teria vontade de perguntar a você, se talvez é a sobrinha de São João Crisóstomo pela forma como fala, assim forte, com tanta força”.

 

Martina, 24 anos, foi a terceira jovem a dirigir uma pergunta ao Santo Padre, falando da necessidade de pontos de referência, apaixonados e solidários, sobre o desafio da fidelidade por toda a vida nos tempos atuais, sobre o amor: “Por que o desejo de tecer relações autênticas, o sonho de formar uma família, são considerados menos importantes do que outros e devem ser subordinados a seguir uma realização profissional?”, questiona.

O Papa começou explicando que “a ideia de escolha que hoje respiramos, é uma ideia de liberdade sem vínculos, sem compromisso e sem qualquer via de fuga”:

Um “escolho, porém”. Você colocou o dedo na chaga: escolher por toda a vida, a escolha do amor. Também ali podemos dizer: “Escolho, porém não agora, mas quando acabar os estudos”, por exemplo. “Escolho, porém”…aquele “porém” nos para, não nos deixa ir, não nos deixa sonhar, nos tira a liberdade. Há sempre um porém que às vezes se torna maior que a escolha e a sufoca”.

A coragem de falar de amor

A liberdade é um dom que nos é dado – disse Francisco – e não admite meias medidas: deve-se fazê-la crescer, desenvolver. “E você falava sobre a liberdade maior, que é a liberdade do amor: «Mas por que eu devo acabar a carreira universitária antes de pensar no amor?»”:

“O amor vem quando quer, o verdadeiro amor. É um pouco perigoso falar aos jovens de amor? Não, não é perigoso. Porque os jovens sabem bem quando existe o verdadeiro amor e quando existe o simples entusiasmo maquiado de amor: distingam bem isto, não sejam bobos! E por isto temos a coragem de falar de amor.”

“O amor é a vida e se o amor vem hoje, porque devo esperar três, quatro, cinco anos para fazê-lo crescer e para torná-lo estável?”, questiona o Papa.

Neste ponto  “peço aos pais para ajudarem os jovens a amadurecer quando existe o amor, que o amor amadureça, não deslocá-lo mais para frente dizendo: “Não, porque se você casa agora, depois vem os filhos e não poderás concluir a carreira, e tanto esforço que nós fizemos por você…todos ouvimos esta história.”

Assim – é o seu conselho – devemos sempre colocar o amor em primeiro lugar, “mas o amor verdadeiro”, aprendendo a discernir “quando existe o amor verdadeiro e quando existe somente entusiasmo.

 

Vida dupla, maior inimigo do amor verdadeiro

A dificuldade que Martina revela em dizer que está namorando, ou seja, “em mostrar a carteira de identidade nova” em sua vida, é devida a um “mundo de condicionamentos”, que desencoraja a pessoa a casar, mas sim levar a vida em frente, estudando, fazendo de conta que não ama, e assim começa a viver a “vida dupla”:

O maior inimigo do amor é a vida dupla, entenderam? Ou devo ser mais claro? O maior inimigo do amor não é somente não deixá-lo crescer agora, esperar acabar a carreira, mas é ter a vida dupla, pois se começas a amar a vida dupla, o amor se perde, o amor vai embora”.

 

Amor não tolera meias medidas

E digo isto – continua o Papa – porque no verdadeiro amor, o homem tem uma missão e a mulher tem outra missão, “a totalidade”:

O amor não tolera meias medidas: ou tudo ou nada. E para fazer crescer o amor, é preciso evitar os artifícios. O amor deve ser sincero, aberto, corajoso. No amor você deve colocar toda a carne no fogo: assim dizemos na Argentina”.

 

Uma só carne, o ideal do amor e do matrimônio

Francisco recorda a passagem da Criação do mundo onde diz que Deus criou o homem a sua imagem e semelhança: “Os criou homem e mulher, os dois à sua imagem e semelhança. Este é o amor”:

 

Quando você vê um matrimônio, um casal de um homem e uma mulher que vão em frente na vida de amor, ali há a imagem e a semelhança de Deus (…). Não diz que o  homem é imagem e semelhança de Deus. Não, os dois, juntos, são imagem e semelhança de Deus. E depois continua no Novo Testamento: “Por isto o homem deixará seu pai e sua mãe, para formar uma só carne com sua mulher”. Este é o amor”.

E qual é a missão do homem no amor? “Tornar mais mulher a esposa, ou a namorada”.

E qual é a missão da mulher no amor?:

Tornar mais homem o marido ou o namorado. É um trabalho a dois, que crescem juntos; mas o homem não pode crescer sozinho no matrimônio, se não o faz crescer sua esposa e a mulher não pode crescer no matrimônio e não a faz crescer seu marido. E esta é a unidade, e isto quer dizer “uma só carne”, tornam-se “um”, porque um faz o outro crescer. Este é o ideal do amor e do matrimônio”.

Um ideal assim, quando se sente verdadeiro e está maduro, não deve ser adiado para mais adiante por outros interesses, diz o Papa. “É preciso arriscar no amor, no amor verdadeiro, não no entusiasmo amoroso maquiado de amor”.

O amor é vender tudo “para comprar esta pérola preciosa de altíssimo valor”, reitera Francisco, advertindo que “se não há fidelidade não há amor, ou é um amor doente, ou pequeno, que não cresce”.

“Pensem bem no amor, mas no amor que arrisca, o amor fiel, o amor que faz crescer o outro e reciprocamente crescem. Pensem no amor fecundo”, foi seu conselho final.

 

16 de agosto de 2018 at 5:33 Deixe um comentário

Papa Francisco: o matrimônio é a beleza cristã

2018-05-25 Messa Santa MartaPapa celebra a missa na Casa Santa Marta  (Vatican Media)

“Que todos nós possamos entender e contemplar que no matrimônio há a imagem e a semelhança de Deus”, disse o Papa Francisco na homilia da missa celebrada na Casa Santa Marta.

Adriana Masotti – Cidade do Vaticano

A beleza do matrimônio foi o tema homilia do Papa Francisco na missa celebrada na manhã de sexta-feira na capela da Casa Santa Marta. Entre os fiéis, havia sete casais que celebravam 50 e 25 anos de casamento.

O trecho do Evangelho segundo São Marcos fala da intenção dos fariseus de colocar Jesus à prova fazendo-lhe uma pergunta que o Papa define “casística”, isto é, quando se reduz a fé a “um sim ou um não”. E explica:

Não o grande “sim” ou o grande “não” dos quais ouvimos falar, que é Deus. Não: se pode ou não se pode. E a vida cristã, a vida segundo Deus, segundo essas pessoas, está sempre no ‘se pode’ e ‘não se pode’.

A pergunta diz respeito ao matrimônio, querem saber se é lícito ou não que um marido repudie a própria mulher. Mas, afirma Francisco, Jesus vai além, eleva o nível e “chega até a Criação e fala do matrimônio que é talvez a coisa mais bela” que o Senhor criou naqueles sete dias.

A desgraça da separação

‘Desde o início da criação [Deus] os fez homem e mulher; o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher e os dois se tornarão uma só carne’. “É forte o que diz o Senhor”, comenta o Papa, fala de “uma carne” que não se pode dividir. Jesus “deixa o problema da divisão e vai à beleza do casal que deve caminhar como um só”. Francisco destaca que o homem e a mulher devem abandonar aquilo que eram antes “para começar uma nova estrada, um novo caminho”. E depois toda a vida realizam este caminho de “ir avante juntos: não dois, um”. O Papa então recomenda: “Não devemos nos deter, como esses doutores, num ‘se pode’ ou ‘não se pode’ dividir um matrimônio. Às vezes, acontece a desgraça de não funcionar e é melhor se separar para evitar uma guerra mundial, mas isso é uma desgraça. Devemos ver o positivo”.

Francisco citou um casal que festejava 60 anos de casamento e, diante da pergunta se eram felizes, os dois se olharam nos olhos, que ficaram repletos de lágrimas pela comoção, e responderam: “Somos apaixonados!”.

É verdade que existem dificuldades, que existem problemas dos filhos ou do próprio matrimônio, do próprio casal, discussões, brigas… mas o importante é que a carne permaneça uma e superam, superam, superam isso. E este não é somente um sacramento para eles, mas também para a Igreja, como se fosse um sacramento que chama a atenção, que atrai a atenção: “Mas olhem que o amor é possível!”. E o amor é capaz de fazer viver apaixonados toda uma vida: na alegria e na dor, com o problema dos filhos e os próprios problemas… mas ir sempre avante. Na saúde e na doença, mas ir sempre avante. Esta é a beleza.

O matrimônio feliz não é notícia

O homem e a mulher foram criados à imagem e semelhança de Deus e o próprio matrimônio se torna assim Sua imagem. E é por isso, afirma o Papa, que é tão bonito: “O matrimônio é uma pregação silenciosa a todos os outros, uma pregação de todos os dias”.

É doloroso quando isso não faz notícia: os jornais, os telejornais não veem isso como notícia. Aquele casal tantos anos juntos.. não é notícia. Sim, a notícia é o escândalo, o divórcio ou que se separam – às vezes se devem separar, como disse, para evitar um mal maior… Mas a imagem de Deus não é notícia. E esta é a beleza do matrimônio. São a imagem e a semelhança de Deus. E esta é a nossa notícia, a notícia cristã.

Francisco repete que a vida matrimonial e familiar não é fácil, e cita a Primeira Leitura extraída da carta de São Tiago Apóstolo, que fala da paciência. Diz que talvez seja a virtude mais importante no casal – seja do homem, seja da mulher – e conclui com uma oração ao Senhor “para que dê à Igreja e à sociedade uma consciência mais profunda, mais bela do matrimônio, que todos nós possamos entender e contemplar que no matrimônio há a imagem e a semelhança de Deus”.

27 de maio de 2018 at 5:44 Deixe um comentário

Oração pelo casamento que está passando por problemas

Oração pelo casamento que está passando por problemas - 1600x1200

Ajuda-me, Senhor, a  me lembrar de quando nos conhecemos, das maravilhosas qualidades que vimos um no outro, dos dons, carinhos e sonhos de um futuro de amor e amizade, da relação fundamentada no respeito, do passo a passo da construção de uma família maravilhosa, de todos os sonhos que sonhamos juntos, de sermos amparo um para o outro, da época em que não brigávamos nem discutíamos, de quando não nos ofendíamos mutuamente. Sei que é importante lembrar sempre dos momentos alegres e felizes que vivemos a cada dia, por isso vem, Senhor, reacender em meu coração essas memórias, a chama de amor que nos mantém vivos e unidos, dá-nos essa graça.

Ajuda-me, Senhor, a superar as dificuldades da convivência diária e a lembrar que fizemos a opção de partilhar a vida juntos, até que a morte nos separe. Ajuda-me a fazer a minha parte para honrar e manter meus votos.

Sei que muitos problemas poderiam ser resolvidos sem mágoa, sejam financeiros – problemas de gastar demais ou economizar demais, deixar as contas atrasarem, comprar sem necessidade – ou afetivos – a cobrança exagerada de atenção e demonstração de afetos, a implicância com defeitos comuns, a indiferença, a desvalorização do outro, a priorização do trabalho ou de bens materiais. Tudo se torna motivo de raiva quando nos esquecemos de que estamos unidos no amor de Deus. Liberta-me, Senhor, desses males!

Que eu me disponha a deixar passar os pequenos desentendimentos, que nada significam se comparados com as grandes bênçãos partilhadas em nosso relacionamento.

Ensina-me a confiar no meu cônjuge e em Deus nos momentos mais difíceis e amar nos momentos de desacordo; a silenciar diante das ofensas verbais e críticas; a acreditar; a resignar-me diante de um olhar de acusação; a compreender o outro diante das ameaças de abandono, de separação; a lutar pelo casamento quando o outro diz que não há mais amor, porque em Deus o amor jamais acaba.

Dá-me a coragem e serenidade para enfrentar as situações e sabedoria para buscar soluções. Dá-me a graça de saber perdoar, e que todo o ressentimento seja lavado de minha alma pelo Teu sangue redentor.

Hoje, descobri que o casamento perfeito não existe e quero aprender a lidar com as imperfeições a partir de agora. Quero viver cada momento do meu matrimônio de forma plena, sabendo que o relacionamento precisa sempre de um estímulo e de um esforço para vermos mais as qualidades do outro do que seus defeitos. Nós nos casamos para nos apoiarmos um ao outro e para juntos superarmos as dificuldades que sozinhos não éramos capazes de enfrentar.

Obrigado, Senhor, por me lembar de tudo isso, pois quero buscar minha reconciliação, colocar docilidade e respeito no relacionamento, pois o amor só sabe amar. O que estávamos vivendo era apenas uma afetividade, uma relação, um coleguismo, e não o relacionamento matrimonial que nos comprometemos a ter diante de todos, no altar.

Peço, Jesus, que arranque de minha alma as lembranças dolorosas, que coloque Teus anjos em minha casa e expulse daqui todo mal, toda desconfiança, toda agressividade e mal-entendimento, toda e qualquer força maligna. Se alguém desejou algum mal para nós, para destruir nosso casamento, seja por inveja, seja por magia negra, feitiço ou de qualquer outra forma, entrego-o em Tuas mãos, e que essas pessoas sejam por Ti abençoadas, assim como eu quero que seja o meu lar.

Que tenham a graça do Senhor em todos os lares. Amém!

Padre Vagner Baia – Sacerdote missionário da Comunidade Canção Nova

13 de fevereiro de 2017 at 5:41 1 comentário

Papa à Rota Romana: necessária formação antes e depois do matrimônio

2017-01-21 Rádio Vaticana

O Papa Francisco recebeu em audiência, neste sábado (21/01), os Juízes, Funcionários, Advogados e Colaboradores do Tribunal da Rota Romana, para a inauguração do Ano Judicial. No seu discurso o Papa falou da relação entre fé e matrimónio e, em particular, das perspectivas de fé presentes no contexto humano e cultural em que se forma a intenção matrimonial. E, citando São JPII Francisco enfatizou que existe uma unidade profunda e indissolúvel entre o conhecimento da razão e da fé”, de tal maneira que, quanto mais o ser humano se afasta da perspectiva da fé tanto mais ele se expõe ao risco de falhar, acabando por se encontrar na condição do “insensato”.

Também o Papa Bento XVI – prosseguiu o Papa – recordou que só quando nos abrimos à verdade de Deus podemos compreender e dar-nos conta, também na vida conjugal e familiar, da verdade do homem enquanto seu filho, regenerado pelo Baptismo, sublinhando a importância de aprofundar a relação entre amor e verdade:

“Se o amor não tem relação com a verdade, ele está sujeito à mudança dos sentimentos e não supera à prova do tempo. O amor verdadeiro, ao invés, unifica todos os elementos da nossa pessoa e se torna uma nova luz para uma vida grande e plena. Sem a verdade o amor não pode oferecer um vínculo sólido, não consegue levar o “eu” para além do seu isolamento, nem libertá-lo do instante fugaz para edificar a vida e dar frutos”.

Perante a mentalidade difusa em que a fé é enfraquecida e já não é critério interpretativo e operativo para a existência pessoal, familiar e social, Francisco propôs dois remédios: o primeiro, a formação dos jovens mediante um adequado caminho de preparação para redescobrir o matrimónio e a família segundo o plano de Deus. Trata-se de ajudar os futuros esposos a compreender e apreciar a graça, a beleza e a alegria do verdadeiro amor, salvado e redimido por Jesus, disse o Papa, reiterando que a comunidade cristã é chamada a anunciar cordialmente o Evangelho a estas pessoas, para que a sua experiência de amor se possa tornar um sacramento, sinal eficaz de salvação. E Francisco explica:

“É necessário, portanto, que os operadores e os organismos responsáveis pela pastoral familiar sejam animados por uma forte preocupação de tornar cada vez mais eficazes os itinerários de preparação ao sacramento do matrimónio, para o crescimento não apenas humano, mas sobretudo da fé dos noivos. E a finalidade fundamental dos encontros é de ajudar os noivos a realizar uma inserção progressiva no mistério de Cristo, na Igreja e com a Igreja”.

Daí, a necessidade de pessoas com competência específica e devidamente preparadas para tal serviço, numa oportuna sinergia entre sacerdotes e casais, disse ainda Francisco reiterando a necessidade de um “novo catecumenato”, em preparação para o matrimónio para que tal preparação se torne parte integrante de todo o processo sacramental do matrimónio, o que servirá de antídoto para impedir a multiplicação de celebrações matrimoniais nulas ou inconsistentes.

O segundo remédio indicado por Francisco é ajudar os recém-casados a continuar o caminho na fé e na Igreja, mesmo depois da celebração do matrimónio. Será necessário – sublinha Francisco – identificar com coragem e criatividade, um projecto de formação para os jovens casais, com  iniciativas destinadas a aumentar a consciência do sacramento recebido. E a comunidade cristã é chamada a acolher, acompanhar e ajudar os jovens casais, oferecendo-lhes ocasiões e instrumentos adequados para cuidarem da sua vida espiritual, tanto na vida familiar, como na programação pastoral da paróquia ou nas agregações.

E Francisco exorta os párocos a serem cada vez mais conscientes da delicada tarefa que lhes é confiada na gestão do percurso sacramental do matrimónio dos futuros esposos, passando de uma visão puramente jurídica e formal da preparação dos futuros esposos, a uma fundação sacramental já a partir do início. “Isso vai exigir a contribuição generosa de cristãos adultos, homens e mulheres, que se coloquem ao lado do sacerdote na pastoral familiar para construir a “obra-prima da sociedade, a família, o homem e a mulher que se amam, o plano luminosos de Deus” – ressaltou o Papa.

Que o Espírito Santo assista e sustente a todos os que, sacerdotes leigos, se empenham e se empenharão neste campo para que nunca percam o impulso e a coragem de trabalhar para a beleza das famílias cristãs, apesar das insídias ruinosas da cultura dominante do efémero e do provisório.

Como tenho dito várias vezes, precisa muita coragem para se casar no tempo em que vivemos. E aqueles que têm a força e a alegria de fazer este passo importante devem sentir ao seu lado o afecto e a proximidade concreta da Igreja – concluiu Francisco

22 de janeiro de 2017 at 10:15 Deixe um comentário

Oração de consagração do matrimônio

Meu Deus, animado pelo poder e pela força do Sacramento do Matrimônio, encontro-me hoje aqui, para consagrar totalmente e mais uma vez nosso relacionamento.

Consagro e relembro agora, com alegria, o dia em que pronunciamos no altar, perante o sacerdote, nossos parentes e amigos, o compromisso de nos tornarmos uma só carne através de um Sim, selado, confirmado e abençoado pelo Senhor.

Consagro nosso passado… Cada dia do nosso casamento em que pensei que não fosse capaz de sustentar e levar adiante o meu Sim. Entrego tudo ao Seu Amor, pedindo que cure em nosso coração as feridas que causaram dor e ressentimento.

Consagro nosso presente… Todas as situações que estamos vivendo agora coloco em Suas mãos. As dificuldades e as alegrias de nossa vida em comum. Peço a graça para dizer meu Sim no dia de hoje, pedindo perdão e perdoando profundamente (meu esposo/minha esposa).

Consagro nosso futuro… Consagro o Sim de cada dia que há de vir, vivendo cada um destes dias com o mesmo amor e entusiasmo do dia de nosso casamento.

Comprometo-me, deste momento em diante, a ser um instrumento de santificação e salvação eterna para (meu marido/minha esposa).

Amém.

(Autor: Pe. Eduardo Dougherty, scj)

9 de julho de 2016 at 5:51 Deixe um comentário

Rescrit du Pape françois sur la mise en application et l’observance de la nouvelle normative du procès matrimonial – para os irmãos de língua francesa

L’entrée en vigueur — en heureuse coïncidence avec l’ouverture du jubilé de la miséricorde — des Lettres apostoliques sous forme de Motu proprio Mitis Iudex Dominus Iesus et Mitis et Misericors Iesus du 15 août 2015, données pour appliquer la justice et la miséricorde sur la vérité du lien de ceux qui ont fait l’expérience de l’échec matrimonial, soulève, entre autres, l’exigence d’harmoniser la procédure renouvelée dans les procès matrimoniaux avec les normes propres de la Rote romaine, dans l’attente de leur réforme.

Le synode des évêques récemment conclu a lancé une puissante exhortation à l’Église afin qu’elle se penche sur « ses enfants les plus fragiles, marqués par un amour blessé et perdu » (Relatio finalis, n. 55), auxquels il faut redonner confiance et espérance.

Les lois qui entrent à présent en vigueur veulent précisément manifester la proximité de l’Église aux familles blessées, en désirant que la multitude de ceux qui vivent le drame de l’échec conjugal soit touchée par l’œuvre de guérison du Christ, à travers les structures ecclésiastiques, avec le souhait qu’ils puissent se découvrir nouveaux missionnaires de la miséricorde de Dieu envers les autres frères, au profit de l’institution familiale.

En reconnaissant à la Rote romaine, outre le munus qui lui est propre d’Appel ordinaire du Siège apostolique, également celui de sauvegarde de l’unité de la jurisprudence (Pastor Bonus, art 126 § 1) et d’aide à la formation permanente des agents pastoraux dans les tribunaux des Églises locales, j’établis ce qui suit :

i

Les lois relatives à la réforme du procès matrimonial susmentionnées abrogent ou dérogent toute loi ou norme contraire en vigueur jusqu’à présent, générale, particulière ou spéciale, notamment approuvée éventuellement sous forme spécifique (comme par exemple le motu proprio) Qua cura de mon prédécesseur Pie XI à une époque bien différente de la nôtre).

ii

  1. Dans les causes de nullité de mariage présentées à la Rote romaine, le doute doit être établi selon l’antique formule : An constet de matrimonii nullitate, in casu.
  2. On ne doit pas faire appel contre les décisions de la Rote en matière de nullité de sentences ou de décrets.
  3. Devant la Rote romaine n’est pas admis le recours pour la nova causae propositio, après qu’une des parties a contracté un nouveau mariage canonique, à moins qu’apparaisse manifestement l’injustice de la décision.
  4. Le doyen de la Rote romaine a le pouvoir de dispenser pour graves causes des Normes de la Rote en matière de procès.
  5. Comme l’ont sollicité les patriarches des Églises orientales, est confiée aux tribunaux territoriaux la compétence sur les causesiurium liées aux causes matrimoniales soumises au jugement d’appel de la Rote romaine.
  6. La Rote romaine doit juger les causes selon la gratuité évangélique, c’est-à-dire à travers une assistance ex officio, à l’exception de l’obligation morale pour les fidèles aisés de verser une obole de justice en faveur de la cause des pauvres.

Puissent les fidèles, en particulier ceux qui sont blessés et malheureux, se tourner vers la nouvelle Jérusalem qu’est l’Église comme « Paix de la justice et gloire de la piété » (Ba 5, 4) et que leur soit accordé, en retrouvant les bras ouverts du Corps du Christ, d’entonner le psaume des exilés : « Quand Yahvé ramena les captifs de Sion, nous étions comme en rêve; alors notre bouche s’emplit de rire et nos lèvres de chansons ».

29 de janeiro de 2016 at 5:44 Deixe um comentário

Posts antigos


ADMINISTRADORA DO BLOG:

Jane Amábile

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts por email.

Junte-se a 285 outros seguidores

Categorias