Posts tagged ‘papa Francisco’

Ataque terrorista na França – vítima brasileira

Basílica Notre-Dame de Nice

O Governo brasileiro, através de um comunicado, deplora e condena veementemente o atroz atentado ocorrido nesta quinta-feira dentro da Basílica Notre-Dame de Nice, na França, onde um terrorista assassinou três pessoas.

Vatican News

O Governo brasileiro informa, com grande pesar, que uma das vítimas fatais era uma brasileira de 44 anos, mãe de três filhos, residente na França. O Presidente Jair Bolsonaro, – destaca o comunicado do Itamaraty – em nome de toda a nação brasileira, apresenta suas profundas condolências aos familiares e amigos da cidadã assassinada em Nice, bem como aos das demais vítimas, e estende sua solidariedade ao povo e Governo franceses.

No texto do Itamaraty se reforça que o Brasil expressa seu firme repúdio a toda e qualquer forma de terrorismo, independentemente de sua motivação, e reafirma seu compromisso de trabalhar no combate e erradicação desse flagelo, assim como em favor da liberdade de expressão e da liberdade religiosa em todo o mundo.

Neste momento, o Governo brasileiro manifesta em especial sua solidariedade aos cristãos e pessoas de outras confissões que sofrem perseguição e violência em razão de sua crença. O comunicado afirma ainda que o Itamaraty, por meio do Consulado-Geral em Paris, presta assistência consular à família da cidadã brasileira vítima do ataque terrorista.

Vítima brasileira

A confirmação que uma das vítimas do atentado na basílica Notre-Dame de Nice é de nacionalidade brasileira foi dada pelo Consulado Geral do Brasil, em Paris: trata-se de Simone Barreto Silva, original de Salvador (BA). Simone tinha 44 anos, morava na França há 30 e deixou três filhos. 

31 de outubro de 2020 at 11:13 Deixe um comentário

O Papa na Audiência Geral: Jesus não é um Deus distante, reza sempre conosco

Audiência Geral de 28 de outubro de 2020

“Jesus, homem de oração” foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira, realizada na Sala Paulo VI. Antes de iniciar a leitura do texto, o Santo Padre pediu desculpas aos fiéis por não se aproximar deles para saudá-los como faz habitualmente, por causa das precauções que temos de ter “diante dessa senhora que se chama Covid e nos faz tanto mal”, disse o Pontífice.

Mariangela Jaguraba – Vatican News

O Papa Francisco deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a oração na Audiência Geral desta quarta-feira (28/10). “Jesus, homem de oração” foi o tema deste encontro semanal, realizado na Sala Paulo VI.Ouça e compartilhe

Antes de iniciar a leitura do texto, o Santo Padre pediu desculpas aos fiéis por não se aproximar deles para saudá-los como faz habitualmente, por causa das precauções que temos de ter “diante dessa senhora que se chama Covid e nos faz tanto mal”, disse o Pontífice.

Jesus reza com os pecadores

Francisco recordou que o início da missão pública de Jesus começou com o batismo no Rio Jordão e que os Evangelistas narram o “modo como todo o povo se reuniu em oração, e especificam que este encontro teve um claro caráter penitencial”. “As pessoas iam a João Batista para serem batizadas, para o perdão dos pecados. Há um caráter penitencial, de conversão”, disse ainda o Papa.

“O primeiro ato público de Jesus é a sua participação numa oração comum do povo, uma oração ao povo que procura o batismo, uma prece penitencial, na qual todos se reconhecem pecadores. João Batista se opôs, dizendo: «Sou que devo ser batizado por ti e Tu vens a mim!» Mas Jesus insiste: o seu é um ato que obedece à vontade do Pai, um ato de solidariedade para com a nossa condição humana”. E o Papa acrescentou:

Ele reza com os pecadores do povo de Deus. Coloquemos isso na cabeça: Jesus é justo, não é pecador. Ele quis vir até nós, pecadores. Ele reza conosco. Quando nós rezamos Ele está rezando conosco. Ele está conosco porque está no céu rezando por nós. Jesus sempre reza com o seu povo, sempre reza conosco. Sempre. Nós nunca rezamos sozinhos, sempre rezamos com Jesus. Ele não permanece na margem oposta do rio, para marcar a sua diversidade e distância do povo desobediente, mas mergulha os seus pés nas mesmas águas de purificação. Ele age como um pecador. E esta é a grandeza de Deus que enviou seu Filho e se aniquilou e apareceu como um pecador.

Jesus não é um Deus distante

Segundo Francisco, “Jesus não é um Deus distante, e não o pode ser. A encarnação revelou-o de forma completa e humanamente impensável. Assim, ao inaugurar a sua missão, Jesus coloca-se à frente de um povo de penitentes, como se estivesse encarregado de abrir uma brecha pela qual todos nós, depois d’Ele, devemos ter a coragem de passar. Mas a estrada, o caminho é difícil, mas ele vai abrindo o caminho”.

“Naquele dia, nas margens do rio Jordão, encontra-se toda a humanidade, com os seus anseios de oração não expressos. Há sobretudo o povo dos pecadores: aqueles que pensavam que não podiam ser amados por Deus, aqueles que não se atreviam a ir além do limiar do templo, aqueles que não rezavam porque não se sentiam dignos. Jesus veio para todos, até para eles e começa precisamente por se unir a eles. É o primeiro da fila”, frisou o Papa.LEIA TAMBÉM28/10/2020

Audiência Geral de 28 de outubro de 2020

“O Evangelho de Lucas destaca sobretudo a atmosfera de oração em que o batismo de Jesus teve lugar: «Quando todo o povo ia sendo batizado, também Jesus o foi. E estando Ele a orar, o céu abriu-se». Rezando, Jesus abre a porta do céu, e daquela brecha desce o Espírito Santo. No turbilhão da vida e do mundo que chegará a condená-lo, até nas experiências mais duras e tristes que deverá suportar, inclusive quando experimenta que não tem onde reclinar a cabeça, até quando o ódio e a perseguição se desencadeiam à sua volta, Jesus nunca está sem o amparo de uma morada: habita eternamente no Pai.”

A grandeza da oração de Jesus

“Eis a grandeza única da oração de Jesus: o Espírito Santo apodera-se da sua pessoa e a voz do Pai atesta que Ele é o amado, o Filho em quem se reflete plenamente. Esta prece de Jesus, que nas margens do Rio Jordão é totalmente pessoal, e assim será ao longo da sua vida terrena, no Pentecostes se tornará, pela graça, a oração de todos os batizados em Cristo. Ele obteve este dom para nós e convida-nos a rezar como Ele rezou”, disse ainda o Papa, acrescentando:

Por esta razão, se numa noite de oração nos sentirmos fracos e vazios, se nos parecer que a vida tem sido completamente inútil, nesse momento devemos implorar que a prece de Jesus se torne também nossa. Eu não posso rezar hoje, não sei o que fazer, não sou digno, ou digna. Naquele momento Jesus, que a tua oração seja a minha. Confiar que ele reze por nós. Naquele momento ele está diante do pai rezando por nós. É o intercessor. Mostra ao Pai as suas chagas por nós. Confiamos nisso e se confiamos, então ouviremos uma voz do céu, mais alta do que a voz que se eleva da nossa ignomínia, sussurrando palavras de ternura: “Tu és o amado de Deus, tu és filho, tu és a alegria do Pai que está nos céus”. 

“Para nós, para cada um de nós, ressoa a palavra do Pai: ainda se fôssemos rejeitados por todos, pecadores da pior espécie. Jesus não desceu às águas do Jordão para si mesmo, mas por todos nós.”

“Todo o povo de Deus que se aproximava ao Jordão para rezar, pedir perdão, fazer o batismo de penitência. Abriu os céus, como Moisés abriu as águas do mar Vermelho, para que todos nós pudéssemos passar atrás dele. Jesus ofereceu-nos a sua própria oração, que é o seu diálogo de amor com o Pai. Ele nos concedeu como uma semente da Trindade, que quer criar raízes no nosso coração. Acolhemo-la! Acolhamos este dom, o dom da oração. Sempre com Ele e não erraremos”, concluiu o Papa. 

31 de outubro de 2020 at 5:57 Deixe um comentário

Atentado em Nice: o Papa reza pelas vítimas e para que cesse a violência

No fundo, a Basílica de Notre-Dame de Nice

Francisco condena “de maneira enérgica tais atos violentos de terror” perpetrados na Basílica de Notre-Dame de Nice que ceifou a vida de três pessoas. Na mensagem, assinada pelo cardeal Parolin, o Papa se une às famílias da vítimas e convida o país à unidade. Pouco antes, a Sala de Imprensa da Santa Sé referiu que o Papa convidou o povo francês a reagir “ao mal com o bem”. Às 15h, os sinos tocaram em toda a França.

Vatican News

O Papa Francisco manifestou seu pesar pela tragédia de Nice, situada no sul da França, através de uma mensagem assinada pelo secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, enviada ao bispo de Nice, dom André Marceau. Três pessoas morreram no ataque perpetrado na manhã desta quinta-feira (29/10), na Basílica de Notre-Dame dessa cidade. Uma das vítimas foi decapitada.Ouça e compartilhe

O Santo Padre condena “de maneira enérgica tais atos violentos de terror”, assegurando “sua proximidade à comunidade católica da França e a todo o povo francês que chama à unidade”.

Pouco antes, respondendo aos jornalistas, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, afirmou que este “é um momento de dor, num tempo de confusão. Terrorismo e violência nunca podem ser aceitos. O ataque de hoje semeou morte num lugar de amor e consolação, como a casa do Senhor”.

Bruni referiu que o Papa “reza pelas vítimas e seus entes queridos, para que cesse a violência, para que as pessoas voltem a se olhar como irmãos e não como inimigos, e para que o amado povo francês possa reagir unido ao mal com o bem.”

A crônica

O prefeito de Nice, Cristian Estrosi, declarou tratar-se de um ataque terrorista. O ministro do interior francês, Gerald Darmanin, afirmou que a Polícia está conduzindo uma operação de segurança. Fontes da imprensa falam que um homem foi preso. O ataque perpetrado com uma faca ocorreu esta manhã, por volta das 9h, na Basílica situada no centro de Nice, na avenida Jean-Medecin.

O primeiro-ministro francês, Jean Castex, deixou apressadamente a Assembleia Nacional, onde deveria apresentar as novas medidas introduzidas para combater a pandemia de coronavírus. Ele deverá participar da reunião de crise organizada no Ministério do Interior pelo ministro Gerald Darmarin em decorrência do ataque.

Oração e a proximidade dos bispos da França

O presidente da Conferência Episcopal Francesa, dom Éric de Moulins-Beaufort, imediatamente expressou seus sentimentos à Diocese de Nice e a seu pastor, através do tuíte: “A minha oração muito especial pelo povo diocesano de Nice e pelo bispo dom Marceau. Que eles saibam como se sustentar nesta prova e apoiar aqueles que são provados em sua carne.” Rezando pelas vítimas e lembrando a proximidade da Solenidade de Todos os Santos, acrescentou: “No domingo, de Todos os Santos, ouviremos o Senhor: Bem-aventurados os que promovem a paz, eles serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados vocês que são perseguidos pelo meu bem. Pois grande é a sua recompensa no céu”.

O pároco: fomos avisados ​​do risco

“Tínhamos sido avisados ​​há dois ou três dias que havia risco de outros ataques com o aproximar-se da Solenidade de Todos os Santos, porque alguns faziam a ligação entre a comemoração cristã dos mortos e o fato de aumentar o número de mortos.” Foi o que disse o pároco de Nice-Centre, Gli Florini, entrevistado pela BFM-TV após o atentado contra a Basílica de Notre-Dame. “Estávamos atentos, mas não pensávamos que fosse acontecer desta maneira”, acrescentou.

Duas semanas atrás, a morte de Samuel Paty

O ataque foi perpetrado num momento em que a França ainda está em choque com a decapitação de Samuel Paty, o professor morto em 16 de outubro por ter falado aos alunos sobre as caricaturas de Charlie Hebdo retratando o profeta Maomé. Além disso, a tensão aumentou nas últimas horas depois que Charlie Hebdo publicou novas caricaturas contra o presidente turco Erdogan e depois das declarações do presidente francês, Emmanuel Macron.

O massacre de 2016

Retorna à mente o massacre perpetrado em Nice às 22h30 do dia 14 de julho de 2016, que ceifou a vida de 84 pessoas. Um homem, dirigindo um caminhão, acelerou voluntariamente contra a multidão que participada das festividades por ocasião do Dia da Bastilha, feriado nacional francês, na avenida Promenade des Anglais. O veículo percorreu 1.847 metros, durante os quais o motorista atirava de forma selvagem, forçando a zona de pedestres e ziguezagueando, causando um número elevado de vítimas. A estimativa dos feridos foi posteriormente atualizada para duzentos, cinquenta dos quais se encontravam em estado muito grave. O agressor foi ligeiramente desacelerado pela intervenção de um homem, que tentou se colocar do lado do veículo com sua lambreta. Depois de tentar imobilizar o motorista, procurando pular dentro da cabine do caminhão, ele caiu no chão. O agressor foi morto por tiros da Polícia disparados contra a cabine do motorista e o caminhão parou por volta das 22h50.

30 de outubro de 2020 at 5:45 Deixe um comentário

Papa Francisco criará 13 novos cardeais

Papa no Angelus

Papa no Angelus  (Vatican Media)

“No próximo dia 28 de novembro, na véspera do primeiro domingo do Advento, terei um Consistório para a criação de 13 novos cardeais”. Foi o que o Papa Francisco anunciou no final do Angelus deste domingo na Praça São Pedro, no Vaticano.

Silvonei José – Vatican News

O Papa Francisco anunciou neste domingo um novo Consistório para o dia 28 de novembro para a criação de 13 novos cardeais, quatro dos quais têm mais de 80 anos e, portanto, não participarão num eventual conclave. 

Dois dos novos cardeais pertencem à Cúria Romana: são o secretário do Sínodo dos Bispos, o maltês Mario Grech, e o italiano Marcello Semeraro, ex-bispo de Albano e novo Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. A eles o Papa uniu seis pastores de Igrejas no mundo: o arcebispo de Kigali, Ruanda, Antoine Kambanda; o arcebispo de Washington, EUA, Wilton Gregory; o arcebispo de Capiz, Filipinas, José Fuerte Advincula; o arcebispo de Santiago, Chile, Celestino Aós Braco; o vigário apostólico de Brunei, Cornelius Sim; o arcebispo de Siena, Itália, Augusto Paolo Lojudice. Com eles o Papa nomeou também o atual Guardião do Sagrado Convento de Assis, o padre Mauro Gambetti.

Aos nove cardeais com menos de oitenta anos de idade, o Papa Francisco uniu também quatro novos cardeais com mais de oitenta anos. São eles: Felipe Arizmendi Esquivel, arcebispo emérito de San Cristóbal de Las Casas (México); o Núncio Apostólico Silvano Tomasi, ex-observador permanente nas Nações Unidas em Genebra, que depois trabalhou no Dicastério para o Desenvolvimento humano integral; o padre Raniero Cantalamessa, pregador da Casa Pontifícia e pároco do Divino Amor, padre Enrico Feroci.

Os cardeais usam a cor púrpura, o que indica a sua disponibilidade ao sacrifício “usque ad sanguinis effusionem”, até o derramamento de sangue, ao serviço do Sucessor de Pedro, e mesmo que residam nas regiões mais remotas do mundo tornam-se titulares de uma paróquia na Cidade Eterna porque estão incardinados na Igreja da qual o Papa é Bispo.

Eis a lista dos nomes dos novos cardeais:

Dom Mario Grech, secretário-geral do Sínodo dos Bispos;

Dom Marcello Semeraro, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos;

Dom Antoine Kambanda, arcebispo de Kigali, Ruanda;

Dom Wilton Gregory, arcebispo de Washington;

Dom José Advincula, arcebispo de Capiz, Filipinas;

Dom Celestino Aós Braco, arcebispo de Santiago de Santiago do Chile;

Dom Cornelius Sim, bispo titular de Puzia di Numidia e Vigário Apostólico de Brunei, Kuala Lumpur;

Dom Augusto Paolo Lojudice, arcebispo de Siena-Colle Val d’Elsa-Montalcino;

Frei Mauro Gambetti, franciscano conventual, Guardião da Comunidade franciscana de Assis.

Juntamente a eles o Papa uniu aos membros do Colégio dos Cardeais:

Dom Felipe Arizmendi Esquivel, bispo emérito de San Cristóbal de las Casas, México;

Dom Silvano M. Tomasi, arcebispo titular de Asolo, Núncio Apostólico;

Frei Raniero Cantalamessa, capuchinho, Pregador da Casa Pontifícia;

Mons. Enrico Feroci, pároco em Santa Maria do Divino Amore em Castel di Leva.

29 de outubro de 2020 at 5:44 Deixe um comentário

O Papa: sonho uma “Europa-comunidade”, solidária, amiga das pessoas

Bandeira da Europa

Em uma carta ao Cardeal Parolin pelos 50 anos de colaboração entre a Santa Sé e as instituições europeias, Francisco revive a história e os valores do continente, esperando uma mudança de fraternidade em um período de grandes incertezas e risco de desvios individualistas. Não há necessidade de olhar “para o álbum de recordações”, mas para o futuro que pode ser “oferecido ao mundo”.

Alessandro De Carolis – Vatican News

Quatro sonhos – porque séculos de civilização não esgotaram seu ímpeto propulsor – apoiados por uma única convicção substancial: não pode haver uma Europa autêntica sem os pilares sobre os quais foi projetada desde a primeira intuição, ou seja, um espaço de povos unidos pela solidariedade, depois de ter sido um trágico cenário de guerra e muros. A carta de Francisco ao Cardeal Pietro Parolin é uma espécie de carta aberta ao Velho Continente, na qual sua visão – ideal e ao mesmo tempo ancorada no realismo da era do vírus – é enriquecida pelos sonhos de dois ilustres predecessores, Robert Schuman, um dos pais fundadores da Europa, e São João Paulo II, que defendia vigorosamente suas raízes cristãs.

A encruzilhada: divisões ou fraternidade

A ocasião que inspira a longa carta de Francisco é a comemoração de vários aniversários e eventos relacionados aos quais o Secretário de Estado participaria, desde os 50 anos de colaboração entre a Santa Sé e as instituições europeias, até os 40 anos do nascimento da Comece, a Comissão dos Episcopados das Comunidades Europeias. Dois aniversários dentro do quadro mais amplo dos 70 anos da Declaração Schuman, com os qual a Europa renunciava às divisões da guerra. E são precisamente as divisões que hoje são possíveis, em um momento histórico que exige, em vez disso, compacidade, que levam o Papa a repetir um conceito muito sentido. “A pandemia – escreve – é como uma encruzilhada que obriga a tomar uma opção: ou prosseguimos pelo caminho embocado no último decênio que aparece animado pela tentação da autonomia, esperando-nos mal-entendidos, contraposições e conflitos cada vez maiores; ou redescobrimos o ‘caminho da fraternidade’”.

“Europa, sê tu mesma”

A crise da Covid, observa Francisco, colocou em evidência tudo isso: “não só a tentação de proceder sozinhos, procurando soluções unilaterais para um problema que ultrapassa as fronteiras dos Estados”, enquanto que desde suas origens a Europa pós-bélica “nasce da consciência de que, juntos e unidos, somos mais fortes, que – como afirmou na Evangelium gaudium – ‘a unidade é superior ao conflito’ e que a solidariedade pode ser ‘um estilo de construção da história’”. No coração de Francisco ressoa o eco do que João Paulo II falou em 9 de novembro de 1982 de Santiago de Compostela, no final de sua peregrinação à Espanha.

Raízes profundas

A famosa frase “Europa volta a encontrar-te. Sê tu mesma ” é reinterpretada por Francisco com energia semelhante e então, escreve, para a Europa “eu gostaria de dizer: tu, que foste uma forja de ideais ao longo dos séculos e agora pareces perder o teu ímpeto, não te detenhas a olhar o teu passado como um álbum de recordações. Com o tempo, até as mais belas recordações se atenuam, e acabamos por deixar de as lembrar”. “Europa, volta a encontrar-te! Volta a encontrar os teus ideais, que têm raízes profundas. Sê tu mesma! Não tenhas medo da tua história milenária, que é uma janela para o futuro mais do que para o passado”. E portanto “não tenhas medo da tua necessidade de verdade” que provém desde a Grécia antiga, da “tua necessidade de justiça que se desenvolveu a partir do direito romano” e, “da tua necessidade de eternidade, enriquecida pelo encontro com a tradição judaico-cristã”.

Europa, uma família

A partir destes valores, Francisco fala de quatro visões. “Eu sonho então – sublinha por primeiro – com uma Europa que seja amiga da pessoa e das pessoas. Uma terra onde a dignidade de cada pessoa seja respeitada, onde a pessoa seja um valor em si mesma e não o objeto de um cálculo econômico ou uma mercadoria”. Uma Europa com esta sensibilidade é portanto, para o Papa, uma terra que “tutela a vida”, o trabalho, a educação, a cultura, que sabe proteger “os que são mais frágeis e mais fracos, especialmente os idosos, os doentes que precisam de tratamentos caros e os deficientes”. E como consequência natural de certa forma esta primeira visão leva à segunda, que faz Francisco dizer: “Sonho com uma Europa que seja uma família e uma comunidade”, em outras palavras, uma “família de povos” capaz de “viver em unidade, valorizando as diferenças, a partir da fundamental entre homem e mulher”. E aqui Francisco resume o sonho falando de “comunidade europeia”, solidária e fraterna, o oposto de uma terra dividida em “realidades solitárias e independentes”, que facilmente será “incapaz de enfrentar os desafios do futuro”.

A Europa que abre os olhos e as portas

O terceiro sonho do Papa é o de “uma Europa solidária e generosa”, um “lugar acolhedor e hospitaleiro, onde a caridade – que é a virtude cristã suprema – vença todas as formas de indiferença e egoísmo”. E como, observa ele, “estar solidário significa estar próximo”, isto “para a Europa significa concretamente estar disponível, próximo e desejosa de apoiar, através da cooperação internacional, os outros continentes, penso – diz o Papa – especialmente na África”, para se resolverem os conflitos em curso. E também para com os migrantes, não apenas assistidos em suas necessidades imediatas, mas acompanhados ao longo do caminho para a integração. Em resumo, Francesco insiste em “uma Europa que seja uma ‘comunidade solidária'”, a única capaz de “enfrentar este desafio de maneira frutífera, enquanto – evidencia – toda solução parcial já mostrou sua inadequação”.

Além de confessionalismos e laicismos

E depois o quarto sonho, que o Papa expressa desta forma: “Uma Europa saudosamente laica, na qual Deus e César apareçam distintos, mas não contrapostos”. O que para Francisco significa uma terra “aberta à transcendência, onde a pessoa crente se sinta livre para professar publicamente a fé e propor o seu ponto de vista à sociedade”. Uma Europa pela qual , o Papa reconhece que “acabaram-se os tempos do confessionalismo, mas também – assim o esperamos – dum certo laicismo que fecha as portas aos outros e sobretudo a Deus,  pois é evidente que uma cultura ou um sistema político que não respeite a abertura à transcendência, não respeita adequadamente a pessoa humana”.

Um futuro a ser escrito

As últimas considerações são para a “grande responsabilidade” dos cristãos em animar a mudança em todas as áreas “em que vivem e trabalham” e para confiar a “querida Europa” a seus santos padroeiros, Bento, Cirilo e Metódio, Brígida, Catarina e Teresa Benedita da Cruz. Na “certeza – que Francisco cultiva – de que a Europa ainda tem muito a dar ao mundo”.

29 de outubro de 2020 at 5:24 Deixe um comentário

O Papa na Audiência Geral: a oração é a salvação do ser humano

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“Para aprender este modo de rezar, o Saltério é uma grande escola. Vimos que os Salmos nem sempre usam palavras requintadas e amáveis, e muitas vezes têm as cicatrizes da existência”, disse Francisco na catequese da Audiência Geral.

Mariangela Jaguraba – Vatican News

Na catequese da Audiência Geral desta quarta-feira (21/10), o Papa Francisco prosseguiu com a segunda parte do tema “A oração dos Salmos”.

Francisco iniciou, dizendo aos fiéis presentes na Sala Paulo VI, que devemos mudar a maneira de realizar a Audiência Geral por causa do coronavírus. “Vocês estão separados, com proteção, usando máscaras, e eu estou aqui um pouco distante. Não posso fazer como antes me aproximar de vocês, pois toda vez que eu me aproximo, vocês de juntam e se perde a distância de segurança e tem perigo para vocês de contágio. Portanto, nos saudaremos de longe, mas saibam que estou próximo a vocês com o coração”, frisou.Ouça e compartilhe

A seguir, o Papa agradeceu o testemunho de uma mãe que acudia e amamentava seu filho que chorava durante a Audiência Geral: “Deus faz assim conosco, como essa mãe que com ternura procurava acalmar a criança. São imagens muito bonitas! Quando uma criança chora na Igreja, devemos sentir que ali tem a ternura de uma mãe que é o símbolo da ternura de Deus conosco. Nunca calar uma criança que chora na Igreja, porque é a voz que atrai a ternura de Deus. Obrigado pelo seu testemunho”, disse ainda Francisco.

O Saltério apresenta a oração como a realidade fundamental da vida

“Hoje completamos a catequese sobre a oração dos Salmos. Primeiramente,notamos que nos Salmos aparece frequentemente uma figura negativa, a do “ímpio”, ou seja, aquele ou aquela que vive como se Deus não existisse. É a pessoa sem nenhuma  referência ao transcendente, sem nenhum impedimento à sua arrogância, que não teme o julgamento sobre o que pensa e o que faz”, frisou o Papa.

Por esta razão, o Saltério apresenta a oração como a realidade fundamental da vida. A referência ao absoluto e ao transcendente – a que os mestres da ascese denominam o “temor sagrado de Deus” – é o que nos torna plenamente humanos, é o limite que nos salva de nós mesmos, impedindo que nos aventuremos nesta vida de modo predatório e voraz. A oração é a salvação do ser humano!

Segundo o Pontífice, “existe também uma oração falsa, uma prece feita apenas para ser admirado pelos outros. As pessoas que vão à missa só para mostrar que vão à missa, que são católicos, ou para mostrar a última roupa que compraram, para se mostrar socialmente, vão a uma oração falsa. Jesus advertiu fortemente a este respeito. Mas quando o verdadeiro espírito de oração é acolhido com sinceridade e entra no coração, então nos faz contemplar a realidade com o olhar do próprio Deus”.LEIA TAMBÉM21/10/2020

Audiência Geral de 21 de outubro de 2020

Quando rezamos, tudo adquire “profundidade”. Isso é algo curioso. Na oração, talvez começamos com uma coisa sutil que na oração adquire espessura, adquire peso. Deus pega a oração pela mão e a transforma. O pior serviço que pode ser prestado, a Deus e também ao homem, é rezar com tédio, de maneira habitual. Rezar como um Papagaio. Não! Reza-se com o coração. A oração é o centro da vida. Se houver oração, o irmão, a irmã, também se torna importante. Alias, até mesmo os inimigos. Um antigo ditado dos primeiros monges cristãos reza: «Abençoado é o monge que, depois de Deus, considera todos os homens como Deus». Quem adora a Deus, ama os seus filhos. Quem respeita a Deus, respeita os seres humanos.

A oração responsabiliza cada um de nós

Para Francisco, “a oração não é um calmante para aliviar as ansiedades da vida; ou, contudo, uma prece desse tipo não é certamente cristã. Ao contrário, a oração responsabiliza cada um de nós. Vemos isto claramente no “Pai-Nosso”, que Jesus ensinou aos seus discípulos”.

“Para aprender este modo de rezar, o Saltério é uma grande escola”, ressaltou o Papa. “Vimos que os Salmos nem sempre usam palavras requintadas e amáveis, e muitas vezes têm as cicatrizes da existência. No entanto, todas estas orações foram utilizadas primeiro no Templo de Jerusalém e depois nas sinagogas; até as mais íntimas e pessoais.”

Inclusive os salmos na primeira pessoa do singular, que confidenciam os pensamentos e os problemas mais íntimos de um indivíduo, são patrimônio coletivo, o ponto de serem recitados por todos e para todos. A oração dos cristãos tem este “respiro”, esta “tensão” espiritual que mantém unidos o templo e o mundo. A prece pode começar na penumbra de uma nave, mas depois acaba a sua corrida pelas ruas da cidade. E vice-versa, pode germinar durante os afazeres diários e encontrar o seu cumprimento na liturgia. As portas das igrejas não são barreiras, mas “membranas” permeáveis, disponíveis para acolher o clamor de todos.

De acordo com o Papa, “o mundo está sempre presente na oração do Saltério. Os Salmos, por exemplo, dão voz à promessa divina de salvação dos mais frágeis. Por exemplo: «Por causa da aflição dos humildes e dos gemidos dos pobres, levantar-me-ei – diz o Senhor – para lhes dar a salvação que desejam». Ou alertam para o perigo das riquezas mundanas, porque diz «o homem que vive na opulência e não reflete é semelhante ao gado que se abate». Ou, ainda, abrem o horizonte ao olhar de Deus sobre a história: «O Senhor desfaz os planos das nações pagãs, reduz a nada os projetos dos povos. Só os desígnios do Senhor permanecem eternamente, os pensamentos do seu coração por todas as gerações»”.

Não cair na tentação da “impiedade”

Onde está Deus, deve estar também o homem. A Sagrada Escritura é categórica: «Mas amamos, porque Deus nos amou primeiro. Ele vai sempre antes de nós. Ele sempre espera por nós porque nos ama primeiro, nos olha primeiro, nos entende primeiro. Ele espera sempre por nós. Se alguém disser: “Amo a Deus”, mas odeia o seu irmão, é mentiroso. Porque aquele que não ama o seu irmão, a quem vê, é incapaz de amar a Deus, a quem não vê.

Se você reza muitos Terços por dia, mas depois fala dos outros, tem rancor dentro de si, odeia os outros, isto é puro artifício, não é verdade, não é consistente. De Deus recebemos este mandamento: aquele que amar a Deus, ame também ao seu irmão». A Escritura admite o caso de uma pessoa que, mesmo procurando sinceramente a Deus, nunca consegue encontrá-lo; mas afirma também que nunca se pode negar as lágrimas dos pobres, sob a pena de não encontrar a Deus. Deus não suporta o “ateísmo” daqueles que negam a imagem divina impressa em cada ser humano. Aquele ateísmo de todos os dias: acredito em Deus, mas com os outros à distância e me permito odiar os outros. Isto é ateísmo prático.

“Deixar de reconhecer a pessoa humana como imagem de Deus é um sacrilégio, uma abominação, é a pior ofensa que se pode levar ao templo e ao altar”, concluiu o Papa. Que a oração dos Salmos nos ajude a não cair na tentação da “impiedade”, ou seja, de viver, e talvez até de rezar como se Deus não existisse, como se os pobres não existissem”, concluiu o Papa.

25 de outubro de 2020 at 5:39 Deixe um comentário

O Papa ao Marianum: o mundo sem mães não tem futuro

Papa encontra membros da Pontifícia Faculdade Teológica "Marianum"

Papa encontra membros da Pontifícia Faculdade Teológica “Marianum”  (Vatican Media)

Ao receber os professores e alunos da Pontifícia Faculdade Teológica “Marianum”, de Roma, Francisco recordou que “os tempos em que vivemos são os tempos de Maria”: mãe que regenera a vida e mulher que cuida do povo de Deus. “Quantas mulheres – afirma o Papa – não recebem a dignidade que lhes é devida”.

Benedetta Capelli, Silvonei José – Vatican News

“Ir à escola de Maria é ir a uma escola de fé e de vida”: Francisco nesta frase encerra o sentido e a perspectiva da pesquisa da Pontifícia Faculdade Teológica “Marianum”, de Roma, confiada aos Servos de Maria e nos 70 anos de sua fundação. A mariologia a ser vivida precisamente no estilo mariano, colaborando com outros institutos, permanecendo atentos aos “sinais dos tempos marianos”, por vezes purificando a piedade popular, levando “à cultura, também através da arte e da poesia, a beleza que humaniza e infunde esperança”.

O coração da mãe

No pensamento de Francisco emergem dois conceitos fortes sobre Maria, como mãe e como mulher. Recordando que “vivemos no tempo do Concílio Vaticano II”, a mariologia – sublinha o Papa – buscou força na Lumen Gentium e partindo dali, nos “tempos de Maria”, é necessário redescobrir “as maravilhas” de Nossa Senhora “indo até ao coração do seu mistério”.

Mãe, “a melhor das mães”, capaz de tornar “a Igreja e o mundo mais fraternos”. “A Igreja – afirma Francisco – precisa redescobrir o seu coração materno, que bate pela unidade; mas também precisa da nossa Terra, para voltar a ser a casa de todos os seus filhos”, “onde todos somos irmãos, onde há lugar para cada descartado das nossas sociedades”.

Precisamos da maternidade, de quem gera e regenera a vida com ternura, porque só o dom, o cuidado e a partilha mantêm a família humana unida. Pensemos no mundo sem as mães: não tem futuro: as vantagens, os lucros, por si só, não dão um futuro, na verdade, por vezes aumentam as desigualdades e as injustiças. As mães, em vez disso, fazem com que cada filho se sinta em casa e dão esperança.

A mulher da dignidade

Do Novo Testamento ao Evangelho, Maria “é a mulher, a nova Eva, que de Caná ao Calvário intervém para a nossa salvação. “Ela é a mulher vestida de sol que cuida dos descendentes de Jesus”. Uma mãe que torna família a Igreja, uma mulher “que faz de nós um povo”. Francisco insiste na piedade popular que diz respeito a Nossa Senhora e exorta a mariologia a segui-la com atenção, promovendo-a e por vezes purificando-a. Convida a estarmos atentos aos “sinais dos tempos marianos”:

Entre estes, há precisamente o papel da mulher: essencial para a história da salvação, e não pode deixar de ser essencial para a Igreja e para o mundo. Mas quantas mulheres não recebem a dignidade que lhes é devida! A mulher, que trouxe Deus ao mundo, deve poder levar os seus dons para a história. Precisamos de sua criatividade e estilo. A teologia tem necessidade, para que não seja abstrata e conceitual, mas delicada, narrativa, vital.

A Mariologia é chamada “a procurar espaços mais dignos para a mulher na Igreja, começando pela comum dignidade batismal”

Instituição fraterna

O Marianum, recorda o Papa, é uma “instituição fraterna” chamada a alargar horizontes, superando o medo de “abrir-se” e de pensar em perder a sua própria especificidade. Colocar-se em jogo, afirma Francisco, significa dar vida como fazem as mães.

E Maria é mãe que ensina a arte do encontro e do caminhar juntos. É bonito então que, como numa grande família, no Marianum convirjam diferentes tradições teológicas e espirituais, que façam o  diálogo ecumênico e inter-religioso também.

A imagem de Maria criada pelo Padre Rupnik

A imagem de Maria criada pelo Padre Rupnik

Nossa Senhora de Rupnik

Concluindo o seu discurso, Francisco recordou um quadro do padre Marko Ivan Rupnik em que Nossa Senhora aparece em primeiro plano mas não o é. “Ela recebe Jesus e com as suas mãos, como degraus, o faz descer”.

Esta obra do padre Rupnik é de fato uma mensagem. E o que é Maria para nós? Aquela que, para cada um de nós, faz descer Cristo, Cristo o pleno de Deus, o Cristo homem que se fez fraco por nós. Cristo, o homem que se fez fraco por nós. Vejamos Nossa Senhora assim: aquela que faz entrar Cristo, que faz Cristo passar, que deu à luz Cristo, e que permanece sempre mulher. É tão simples… E pedimos que Nossa Senhora nos abençoe. Darei agora a bênção a todos vocês, pedindo que possamos ter sempre em nós esse espírito de filhos e de irmãos. Filhos de Maria, filhos da Igreja, irmãos entre nós.

24 de outubro de 2020 at 10:51 Deixe um comentário

Francisco: ecologia integral, necessária uma profunda conversão interior

Encontro dos Focolarinos «Novos caminhos para a ecologia integral: cinco anos depois da Laudato si’»

Mensagem do Papa aos participantes do Encontro Internacional EcoOne, iniciativa ecológica do Movimento dos Focolares. O Papa chama a atenção para “a necessidade urgente de um novo paradigma socioeconômico mais inclusivo”.

Mariangela Jaguraba – Vatican News

O Papa Francisco enviou uma mensagem, nesta sexta-feira (23/10) aos participantes do Encontro Internacional EcoOne, iniciativa ecológica do Movimento dos Focolares, que se realiza em Castel Gandolfo, nas proximidades de Roma, até 25 de outubro, no âmbito do Ano Especial dedicado ao quinto aniversário da Carta Encíclica Laudato si’. Ouça e compartilhe

O encontro envolve uma rede de professores, acadêmicos, pesquisadores e profissionais das ciências ambientais e tem como tema «Novos caminhos para a ecologia integral: cinco anos depois da Laudato si’». O objetivo do evento é examinar o impacto desse documento no mundo contemporâneo, analisando o papel que indivíduos e organismos sociais podem desempenhar no cuidado da Casa comum.

Tudo está interligado

No início de seu discurso, Francisco agradeceu a EcoOne e aos representantes do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral e do Movimento Católico Global pelo Clima, que colaboraram para tornar possível este evento que “analisa uma visão relacional da humanidade e do cuidado do nosso mundo a partir de uma variedade de perspectivas: ética, científica, social e teológica”.

“Recordando a convicção de Chiara Lubich de que o mundo criado traz em si mesmo um carisma de unidade, confio que a sua perspectiva possa guiar o seu trabalho no reconhecimento de que «tudo está interligado» e que «se exige uma preocupação pelo meio ambiente, unida ao amor sincero pelos seres humanos e a um compromisso constante com os problemas da sociedade»”, ressalta o Papa no texto.

Francisco chama a atenção para a “necessidade urgente de um novo paradigma socioeconômico mais inclusivo que reflita a verdade de que somos «uma única humanidade, como caminhantes da mesma carne humana, como filhos desta mesma terra que nos alberga a todos». Esta solidariedade recíproca e com o mundo que nos rodeia, requer uma vontade firme de desenvolver e implementar medidas concretas que favoreçam a dignidade de toda a pessoa em suas relações humanas, familiares e trabalhistas, combatendo ao mesmo tempo as causas estruturais da pobreza e empenhando-se por proteger o ambiente natural”.

Profunda conversão interior 

Segundo o Pontífice, “para alcançar uma ecologia integral, é necessária uma profunda conversão interior quer a nível pessoal quer comunitário”.

Lembrando os grandes desafios que temos de enfrentar neste momento, como as mudanças climáticas, a necessidade de um desenvolvimento sustentável e a contribuição que a religião pode dar para a superação da crise ambiental, Francisco afirma que “é essencial romper com a lógica da exploração e do egoísmo e promover a prática de um estilo de vida sóbrio, simples e humilde”.

O Papa espera que esta iniciativa ecológica dos Focolarinos possa “cultivar uma corresponsabilidade de uns pelos outros como filhos de Deus e um renovado compromisso de bons administradores do seu dom da criação”, e conduzir a “novos caminhos que levem a uma ecologia integral em prol do bem comum da família humana e do mundo”.

23 de outubro de 2020 at 11:10 Deixe um comentário

Atrás da janela, o olhar do Papa que reza secretamente por nós

Papa Francisco

Papa Francisco  (Vatican Media)

Francisco confessa que olha todas as manhãs para a Praça São Pedro e para a cidade de Roma da janela de seu escritório, onde todos os domingos ele reza o Angelus: é um olhar que se torna oração e bênção para a humanidade

Sergio Centofanti

Na manhã de sábado, 17 de outubro, por ocasião de um encontro com a Arma dos Carabineiros da Companhia Roma-São Pedro no Palácio Apostólico, o Papa Francisco revelou de modo informal aos presentes algo que o deixa mais próximo de todos nós:

“Todas as manhãs, quando chego ao meu escritório aqui na Biblioteca, rezo para Nossa Senhora e depois vou até à janela para olhar a Praça São Pedro, a cidade e, lá de cima, vejo vocês. Todas as manhãs saúdo todos vocês com o coração e lhes agradeço”

É bonito e comovedor pensar que todas as manhãs o Papa espia entre as cortinas de seu escritório para olhar a praça e a cidade e nos abençoa, reza a Deus por todos nós, por toda a humanidade. Ele olha sem ser visto, secretamente, para a janela onde todos os domingos aparece na TV em todo o mundo, e pensa em nossos trabalhos e sofrimentos, e dá graças por aqueles que fazem o bem, por aqueles que cuidam das pessoas mais frágeis.Ouça e compartilhe!

Invoca sobre nós os dons do Espírito Santo, reza à nossa “mais terna Mãe” para que ela possa levar ao seu Filho todas as nossas necessidades e expectativas: “Ela é mãe e, como todas as mães ela sabe como cuidar, como proteger, como ajudar”.

Caminhando na Praça São Pedro, muitas vezes levantamos os olhos para aquela janela onde tantos Papas olharam para fora e nos vêm tantas lembranças. Hoje podemos imaginar que por trás das cortinas Francisco também está olhando para nós, cuidando de nós, rezando por nós.

Mas também o Papa, no final de cada encontro, pede orações: “E por favor, não se esqueçam de rezar por mim”. O Papa precisa disso, especialmente neste período difícil que a Igreja e a humanidade estão vivendo. Sim, rezemos pelo Papa.

22 de outubro de 2020 at 5:50 Deixe um comentário

Cidadãos não se deixarão intimidar por ameaças de violência, dizem bispos chilenos

Igreja La Assunción no centro de Santiago do Chile

Encapuzados atacaram inicialmente a Igreja de São Francisco de Borja, usada pelos Carabineiros e já atacada em outro protesto. O templo foi saqueado e algumas imagens foram levadas para a rua onde foram queimadas. Mais tarde, os manifestantes dirigiram-se para a Igreja La Assunción, uma das mais antigas do centro de Santiago, depredando e ateando fogo no templo. A cúpula pegou fogo e desabou, o que foi festejado pelos manifestantes.

Vatican News

“Contemplamos com tristeza as agressões, saques e os ataques a lugares de oração, espaços sagrados dedicados a Deus e ao serviço solidário das pessoas. Dói-nos ver um templo patrimonial de Santiago destruído e que a destruição seja festejada. Às comunidades da paróquia de La Asunción e à igreja institucional de Carabineros de Chile expressamos nossa especial proximidade.”

Em nota assinada pelo presidente da Conferência Episcopal do Chile, Dom Santiago Silva Retamales, e pelo secretário geral, o arcebispo de Puerto Montt, Dom Fernando Ramos Pérez, os bispos chilenos deploram e condenam os ataques contra igrejas no centro de Santiago, nas manifestações que reuniram milhares de pessoas na Plaza Italia, no âmbito do primeiro aniversário da onda de protestos, que começou contra o aumento das passagens do transporte público e se estendeu para reivindicações mais amplas. Foram os mais graves protestos desde o fim da ditadura militar (1973-1990).

Encapuzados atacaram inicialmente a Igreja de São Francisco de Borja, usada pelos Carabineros e já atacada em outro protesto. O templo foi saqueado e algumas imagens foram levadas para a rua onde foram queimadas.  O incêndio no prédio foi debelado pelos bombeiros antes de provocar maiores danos. Os manifestantes, então, dirigiram-se para a Igreja La Assunción, uma das mais antigas do centro de Santiago, depredando o que encontraram e ateando fogo no templo com mais de um século de história. A cúpula pegou fogo e desabou, o que foi festejado pelos manifestantes.
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Missa em desagravo por igreja incendiada no Chile

“Esses grupos violentos – afirmam os bispos no comunicado – contrastam com muitos outros que se manifestaram pacificamente. A grande maioria do Chile anseia por justiça e medidas eficazes que contribuam para superar as lacunas de desigualdade; eles não querem mais corrupção nem abusos, esperam um tratamento digno, respeitoso e justo.”

A  nota enfatiza que “esta maioria não apóia nem justifica as ações violentas que causam dor a pessoas e famílias, prejudicando comunidades que não podem viver sossegadas em suas casas ou no trabalho, amedrontadas por aqueles que não buscam construir nada, mas sim destruir tudo”.

Em vista do plesbiscito convocado para o próximo domingo, 25 de outubro, para decidir pela abertura ou não de um processo constituinte para substituir a atual Constitução, herdada da ditadura e considerada como origem das desigualdades existentes no país, os bispos afirmam que “os cidadãos que desejam justiça, probidade, superação das desigualdades e oportunidades para podermos nos levantar como país, não se deixarão intimidar pelas ameaças de violência e estarão presentes para cumprir sua responsabilidade cívica. Nas democracias, nos expressamos com o voto livre em consciência, não sob a pressão do terror e da força.”

A nota conclui com um apelo para que todos contribuam, “a partir dos próprios espaços familiares, no trabalho e nos espaços sociais, com uma reflexão que nos permita tomar suficiente distância da violência irracional e nos aproximar da amizade cívica”, citando o Papa Francisco que recorda na Encíclica Fratelli Tutti que “somente cultivando o amor como forma de nos relacionarmos tornaremos possíveis a amizade social que não exclui ninguém e a fraternidade aberta a todos”. A partir desta atitude de fraternidade, poderemos expressar-nos com respeito, participar sem medo da democracia e concorrer na busca do bem comum.”

21 de outubro de 2020 at 5:47 Deixe um comentário

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