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Papa: a prisão é o reflexo da sociedade. É mais fácil reprimir do que educar

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Os desafios da pastoral penitenciária estiveram no centro do discurso do Papa Francisco aos participantes de um encontro internacional promovido pelo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, que se conclui na sexta-feira (08/11), em Roma.

Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

É mais fácil reprimir do que educar: palavras do Papa Francisco esta manhã, ao receber em audiência, no Vaticano, os participantes do Encontro sobre o Desenvolvimento Humano Integral e a Pastoral Penitenciária Católica.

Em seu discurso, o Pontífice reiterou o conceito de que a situação dos cárceres segue sendo o reflexo da nossa realidade social e consequência de nosso egoísmo e indiferença sintetizados na cultura do descarte.

Muitas vezes, afirmou, a sociedade procura no isolamento e no encarceramento a solução última aos problemas da vida em comunidade. Para isso, com frequência toma medidas desumanas, justificando-as em uma suposta busca do bem e da segurança, destinando grandes quantidades de recursos públicos para reprimir os infratores. Ao invés, deveria investir energias em procurar a promoção do desenvolvimento integral das pessoas para reduzir as circunstâncias que favorecem a realização do crime.

“ É mais fácil reprimir que educar – diria que é mais cômodo também -, negar a injustiça presente na sociedade e criar estes espaços para fechar no esquecimento os infratores, do que oferecer igualdade de oportunidades de desenvolvimento a todos os cidadãos. ”

Superar a estigmatização

Francisco dedicou ampla parte do seu discurso para falar dos processos de reinserção. Muitos desses processos fracassam porque na experiência prisional o detento vive a sua despersonalização. Já uma verdadeira reinserção social começa garantindo oportunidades de desenvolvimento, educação e acesso à saúde.

O Pontífice convida a superar a estigmatização de quem cometeu um erro.

“ Se esses irmãos e irmãs já descontaram a pena pelo mal cometido, por que se coloca sobre seus ombros um novo castigo social com a rejeição e a indiferença? Em muitas ocasiões, esta aversão social é um motivo a mais para expô-los a reincidir nas próprias faltas. ”

Horizonte e maternidade

Antes de concluir, Francisco propôs à reflexão dos presentes duas imagens: a do horizonte e a da maternidade.

Para ele, não se pode falar de punição humana sem horizonte. “Até mesmo a punição perpétua – para mim discutível -, tem que ter um horizonte. Ninguém pode mudar de vida se não vê um horizonte.”

A segunda imagem remeteu o Papa a Buenos Aires, quando em visita pastoral observava a fila de mães fora do cárcere para visitar os detentos. Elas não sentiam vergonha, porque iam visitar sem filhos. “Que a Igreja aprenda a maternidade dessas mulheres e aprenda os gestos de maternidade para com os presos.”

Silêncio generoso

Por fim, o Papa dirigiu palavras de encorajamento aos agentes de pastoral.

“Peço a Deus por cada pessoa que, a partir do silêncio generoso, serve a estes irmãos, reconhecendo neles o Senhor. Congratulo-me por todas as iniciativas com as quais assistem também pastoralmente às famílias dos detentos e as acompanham neste período de grande provação, para que o Senhor abençoe a todos.”

As Marias do nosso tempo

A Pastoral Carcerária Nacional participou do encontro com o Papa Francisco. O Padre Gianfranco Graziola comentou sobre a mensagem do Pontífice aos presentes, em especial, sobre “as Marias de nosso tempo, que ficam perto da cruz, e dos Cristos crucificados de nossa humanidade”:

8 de janeiro de 2020 at 5:55 Deixe um comentário

Papa: adorar é um gesto de amor que muda a vida

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“Quando adoramos permitimos a Jesus que nos cure e transforme; adorando, damos ao Senhor a possibilidade de nos transformar com o seu amor, iluminar as nossas trevas, dar-nos força na fraqueza e coragem nas provações”. O Papa Francisco fala sobre a “adoração” na sua homilia do Dia de Reis na Missa celebrada na Basílica de São Pedro nesta segunda-feira (06)

Jane Nogara – Cidade do Vaticano

Na manhã desta segunda-feira (06), na Solenidade da Epifania do Senhor, o Papa Francisco celebrou a missa na Basílica de São Pedro. Durante a sua homilia, destacou a “adoração” recordando-a como a intenção dos Reis Magos ao seguirem a estrela no Oriente. Adorar era o objetivo do percurso dos Reis, a meta do seu caminho. Para sublinhar a importância da adoração o Papa recordou: “Se perdermos o sentido da adoração, falta-nos o sentido de marcha da vida cristã, que é um caminho rumo ao Senhor, e não a nós”, e em seguida esclarece o risco falando de personagens “incapazes de adorar”. E cita Herodes, que usa o verbo ‘adorar’, mas de maneira falaciosa, porque pede aos Magos que o informem do local onde encontrarem o Menino, enquanto que na realidade ele queria livrar-se dele. E o Papa afirma:

Adorar a Deus para não adorar-se a si mesmo

“Que nos ensina isto? Que o homem, quando não adora a Deus, é levado a adorar-se a si mesmo; e a própria vida cristã, sem adorar o Senhor, pode tornar-se uma forma educada de se louvar a si mesmo e a sua habilidade. É um risco sério: servir-se de Deus, em vez de servir a Deus”

Francisco explica a importância da adoração a Deus e como se pode chegar a isso:

“Quando se adora, apercebemo-nos de que a fé não se reduz a um belo conjunto de doutrinas, mas é a relação com uma Pessoa viva, que devemos amar. É permanecendo face a face com Jesus que conhecemos o seu rosto”

Não basta ter boas ideias e conhecimentos teóricos aprofundados, esclarece, “é preciso colocá-Lo em primeiro lugar, como faz um namorado com a pessoa amada. Assim deve ser a Igreja: uma adoradora enamorada de Jesus, seu esposo”.

Descobrir a adoração

E faz um apelo a todos: “Ao principiar este ano, descubramos de novo a adoração como exigência da fé. Se soubermos ajoelhar diante de Jesus, venceremos a tentação de olhar apenas aos nossos interesses. De fato, adorar é fazer o êxodo da maior escravidão: a escravidão de si mesmo”.

“Quando adoramos – recorda o Papa – permitimos a Jesus que nos cure e transforme; adorando, damos ao Senhor a possibilidade de nos transformar com o seu amor, iluminar as nossas trevas, dar-nos força na fraqueza e coragem nas provações”

E por fim recorda “Adorar é ir ao essencial: é o caminho para se desintoxicar de tantas coisas inúteis, de dependências que anestesiam o coração e estonteiam a mente”.

E seguida o Papa Francisco pondera:

“Adorar é um gesto de amor que muda a vida. É fazer como os Magos: levar ao Senhor o ouro, para Lhe dizer que nada é mais precioso do que Ele; oferecer-Lhe o incenso, para Lhe dizer que só com Ele se eleva para o alto a nossa vida; apresentar-Lhe a mirra como promessa a Jesus de que socorreremos o próximo marginalizado e sofredor, porque nele está o Senhor”

Conclui sua homilia propondo uma reflexão: “Sou um cristão adorador? A pergunta impõe-se-nos, pois muitos cristãos que rezam, não sabem adorar. Encontremos momentos para a adoração ao longo do nosso dia e criemos espaço para a adoração nas nossas comunidades”.

7 de janeiro de 2020 at 5:52 Deixe um comentário

O Papa no Angelus: o Evangelho não é uma fábula, é a revelação do plano de Deus para nós

Praça São Pedro no Angelus

Praça São Pedro no Angelus  (ANSA)

A novidade “chocante” do Natal é que o Verbo eterno se fez carne. Na recitação da oração mariana, Francisco explica como Jesus continua a vir entre nós para que cada um possa responder ao chamado a ser santo na caridade, preservando a gratuidade do dom que Deus nos deu.

Silvonei José – Cidade do Vaticano

Acolher “com alegria e gratidão” o plano divino de amor “para o homem e o mundo”, realizado em Jesus Cristo. Esta é a exortação do Papa durante o Angelus deste domingo, na Praça São Pedro, no segundo domingo do Tempo de Natal.

Novidade chocante

Enquanto continuamos a contemplar o “sinal admirável do Presépio”, Francisco convida a “ampliar o olhar” e a tomar “plena consciência do significado do nascimento de Jesus” através das leituras bíblicas deste domingo, em particular a carta de São Paulo Apóstolo aos Efésios e o Evangelho.

O Evangelho, com o Prólogo de São João, mostra-nos a novidade chocante: o Verbo eterno, o Filho de Deus, “fez-se carne”. Ele não só veio para morar entre o povo, mas se tornou um do povo, um de nós! Depois deste evento, para orientar nossas vidas, não temos mais apenas uma lei, uma instituição, mas uma pessoa, uma Pessoa divina, Jesus, que guia nossas vidas, a fazer o caminho porque Ele o fez por primeiro.

Predestinados a ser filhos de Deus

São Paulo, continua o Pontífice, abençoa a Deus “pelo seu plano de amor realizado em Jesus Cristo”. Neste plano cada um de nós – observa -, encontra a sua “vocação fundamental”: somos “predestinados” a ser filhos de Deus “através da obra de Jesus Cristo”. O Filho eterno, se fez carne, portanto, para “introduzir-nos em sua relação filial com o Pai”.

A Liturgia deste domingo nos diz que o Evangelho de Cristo não é uma fábula, não é um mito, nem uma história edificante. O Evangelho de Cristo é a plena revelação do plano de Deus para o homem e para o mundo. É uma mensagem ao mesmo tempo simples e grandiosa, que nos leva a nos perguntarmos: que projeto concreto o Senhor colocou em mim, atualizando ainda o seu nascimento entre nós? É o apóstolo Paulo que sugere a resposta: “Deus nos escolheu para sermos santos e imaculados perante Ele na caridade”.

Tornar-se santos no amor

Este, afirma Francisco, é o significado do Natal. “Se o Senhor continua a vir entre nós, se continua a dar-nos o dom da sua Palavra”, é para que cada um de nós possa responder ao chamado a “tornar-se santos no amor”.

Santidade é preservar o dom que Deus nos deu. Só isto: preservar a gratuidade. Isto é ser santo. Portanto, quem acolhe a santidade em si mesmo como um dom de graça, não pode deixar de traduzi-la em ações concretas na vida quotidiana. Este dom, esta graça que Deus me deu, eu a traduzo em ação concreta na vida quotidiana, no encontro com os outros. Esta caridade, esta misericórdia para com o próximo, reflexo do amor de Deus, ao mesmo tempo que nos purifica o coração e nos dispõe ao perdão, torna-nos dia após dia “imaculados”, mas imaculados não no sentido de que eu removo uma mancha: imaculados no sentido de que Deus entra em nós. O dom, a gratuidade de Deus entra em nós e nós a preservamos e a damos aos outros.

Pôr em prática o compromisso de paz

Após a recitação da oração mariana, o Papa saudou os peregrinos presentes e recordou a solenidade da Epifania nesta segunda-feira e, no primeiro domingo de 2020, renovou a todos os seus desejos “de serenidade e paz no Senhor”.

Nos momentos felizes e difíceis, confiemo-nos a Ele, que é a nossa esperança! Recordo também o compromisso que assumimos no Dia de Ano Novo, Dia da Paz: “A paz como caminho de esperança: diálogo, reconciliação e conversão ecológica”. Com a graça de Deus, seremos capazes de colocá-lo em prática.

5 de janeiro de 2020 at 16:37 Deixe um comentário

Angelus: como os mártires, viver e morrer com o nome de Jesus no coração e nos lábios

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“A festa do protomártir Estevão nos convida a recordar todos os mártires de ontem e de hoje, a nos sentirmos em comunhão com eles e a pedir-lhes a graça de viver e morrer com o nome de Jesus no coração e nos lábios”, disse o Papa no Angelus de 26 de dezembro.

Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

No dia em que a Igreja celebra Santo Estevão, protomártir, o Papa Francisco rezou a oração do Angelus com milhares de fiéis na Praça São Pedro.

No clima de alegria do Natal, afirmou o Pontífice, pode parecer fora de lugar a memória do primeiro cristão assassinado por sua fé em Jesus Cristo. Mas na verdade, explicou, esta festa está em sintonia com o verdadeiro significado do Natal.

“No martírio de Estevão, de fato, a violência é derrotada pelo amor, a morte pela vida: ele, no momento do testemunho supremo, contempla o céu e oferece o seu perdão aos seus perseguidores.”

Ouça a reportagem completa com a voz do Papa Francisco

A glória é feita de amor e doação

Este jovem servidor do Evangelho, prosseguiu Francisco, soube narrar Jesus com as palavras e, sobretudo, com a sua vida. Com Estevão, podemos aprender que a glória do Céu, que dura para toda a vida e a vida eterna, não é feita de riquezas e poder, mas de amor e de doação de si.

“Para nós cristãos, o céu não está mais distante, separado da terra: em Jesus, o Céu desceu sobre a terra. E graças a Ele, com a força do Espírito Santo, nós podemos assumir tudo o que é humano e orientá-lo em direção ao Céu.”

Nosso primeiro testemunho, disse o Pontífice, deve ser propriamente o nosso modo de ser humanos, com um estilo de vida plasmado segundo Jesus: manso e corajoso, humilde e nobre e não-violento.

Renovar as comunidades cristãs

Na sequência, o Papa recordou ainda que Estevão foi um dos primeiros sete diáconos da Igreja e o seu testemunho, que culminou no martírio, é fonte de inspiração para a renovação das comunidades cristãs:

“Estas são chamadas a se tornarem sempre mais missionárias, todas propensas à evangelização, decididas a alcançar os homens e as mulheres nas periferias existenciais e geográficas, onde há mais sede de esperança e de salvação.”

Com o nome de Jesus nos lábios e no coração

As comunidades cristãs, afirmou ainda, não devem seguir a lógica mundana, colocando a si mesmas no centro, mas unicamente a glória de Deus e o bem das pessoas, especialmente dos pequeninos e dos pobres.

“A festa do protomártir Estevão nos convida a recordar todos os mártires de ontem e de hoje – e hoje há muitos -, a nos sentirmos em comunhão com eles e a pedir-lhes a graça de viver e morrer com o nome de Jesus no coração e nos lábios.”

Que Maria, finalizou Francisco, nos ajude a viver este tempo de Natal fixando o olhar em Jesus, para se tornar a cada dia mais semelhante a Ele.

4 de janeiro de 2020 at 5:43 Deixe um comentário

Te Deum com o Papa: com Deus, fazer novas todas as coisas

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“Deus habita em meio ao seu Povo, caminha com ele e vive a sua vida. A sua fidelidade é concreta, é proximidade à existência cotidiana dos seus filhos. Ou melhor, quando Deus quer fazer novas todas as coisas por meio do seu Filho, não começa do templo, mas do ventre de uma mulher pequena e pobre do seu Povo.”

Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

Agradeçamos a Deus pela sua graça que nos amparou neste ano e, com alegria, elevemos a Ele o canto de louvor: com espírito de gratidão o Papa Francisco presidiu às vésperas da Solenidade de Maria Mãe de Deus na Basílica Vaticana, na tradicional cerimônia com o Te Deum.

Novos olhos

Em sua homilia, o Pontífice fez um paralelo entre as cidades de Jerusalém e de Roma, inspirado no capítulo quarto de Gálatas: “Quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho”. Em Jerusalém, afirmou, nenhum dos habitantes percebe que o Filho de Deus feito homem está caminhando pelas ruas, provavelmente nem mesmo os seus discípulos.

As palavras e os sinais de salvação que Ele realiza na cidade suscitam estupor e um entusiasmo momentâneo, mas não são acolhidos em seu pleno significado.

“Na cidade, Deus fincou a sua tenda… e dali jamais se afastou! A sua presença na cidade, também nesta nossa cidade de Roma, não deve ser fabricada, mas descoberta e desvelada. Somos nós que devemos pedir a graça de olhos novos.”

Olhos novos capazes de um “olhar contemplativo”, isto é, um olhar de fé que descubra Deus que habita em nas casas, ruas e praças da cidade.

A partir do ventre de uma mulher

Nas escrituras, explicou o Papa, os profetas alertam para a tentação de relacionar a presença de Deus somente ao templo.

“Ele habita em meio ao seu Povo, caminha com ele e vive a sua vida. A sua fidelidade é concreta, é proximidade à existência cotidiana dos seus filhos. Ou melhor, quando Deus quer fazer novas todas as coisas por meio do seu Filho, não começa do templo, mas do ventre de uma mulher pequena e pobre do seu Povo.”

“É extraordinária esta escolha de Deus!”, exclamou Francisco. Ele não transforma a história através dos homens poderosos das instituições civis e religiosas, mas a partir das mulheres da periferia do império, como Maria, e dos ventres estéreis, como o de Isabel.

“Gostaria esta noite que o nosso olhar sobre a cidade de Roma colhesse as coisas do ponto de vista do olhar de Deus”, disse ainda o Papa, afirmando que Deus exulta ao ver as inúmeras obras de bem que são realizadas todos os dias.

“Roma não é somente uma cidade complicada, com muitos problemas, desigualdades, corrupção e tensões sociais. Roma é uma cidade em que Deus envia a sua Palavra”, que encontra morada no coração dos seus habitantes e os leva a acreditar não obstante tudo.

A escuta é um ato de amor

O Pontífice citou as inúmeras pessoas “corajosas” – fiéis ou não – que encontrou nesses anos e que representam o coração “palpitante” de Roma. Através dos pequeninos e dos pobres, Deus jamais deixou de mudar a história e o rosto da cidade, inspirando-os a construir pontes e não muros.

O Senhor chama a todos a lançarem-se em meio à multidão, a colocarem-se à escuta. A escuta, aliás, é um ato de amor:

“Ter tempo para os outros, dialogar, reconhecer com um olhar contemplativo a presença e a ação de Deus nos demais, testemunhar com os fatos, mais do que as palavras, a vida nova do Evangelho, é realmente um serviço de amor que transforma a realidade.”

Deste modo, acrescentou Francisco, na cidade e também na Igreja circula ar novo, vontade de colocar-se em caminho, de superar as antigas lógicas de contraposição, para colaborar juntos, edificando uma cidade mais justa e fraterna.

O Papa concluiu recordando que não devemos ter medo ou nos sentir inadequados para uma missão assim tão importante. “Lembremo-nos: Deus não nos escolhe por causa das nossas qualidades, mas justamente porque somos e nos sentimos pequenos. Agradeçamos a Deus pela sua graça que nos amparou neste ano e, com alegria, elevemos a Ele o canto de louvor.”

1 de janeiro de 2020 at 5:41 Deixe um comentário

Papa convida a retomar a comunicação em família, um tesouro precioso

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No Angelus deste domingo, Festa da Sagrada Família, o Papa fez os votos que todos terminem o ano em paz, paz do coração, e comunicando-se em família, um com o outro.

Jackson Erpen – Cidade do Vaticano

A família é um tesouro precioso que precisa ser apoiado e tutelado, disse o Papa neste domingo, 29, Festa da Sagrada Família, quando deu uma tarefa: retomar a comunicação em família: os pais, os pais com os filhos, com os avós, os irmãos entre eles.

No último Angelus do ano de 2019, Francisco propôs a Sagrada Família de Nazaré como modelo para nossas famílias. “O termo “sagrada” – começou explicando – insere essa família no âmbito de santidade que é dom de Deus mas, ao mesmo tempo, é uma adesão livre e responsável ao projeto de Deus. Assim foi para a família de Nazaré: foi totalmente disponível à vontade de Deus.”

Maria ouve a Palavra de Deus e a coloca em prática

Falando aos milhares de peregrinos e turistas presentes na Praça São Pedro em um domingo ensolarado, com a temperatura por volta dos 9º C, Francisco chamou a atenção para o fato de que “os três componentes da Família de Nazaré, ajudam-se um ao outro a descobrir e realizar o plano de Deus”, e explicou brevemente o papel desempenhado por cada um nesta missão divina, a começar por Maria:

“Como não ficar maravilhados, por exemplo, com a docilidade de Maria à ação do Espírito Santo, que pede a ela para se tornar mãe do Messias?”

Maria, como toda jovem do seu tempo, estava para concretizar seu projeto de vida, isto é, casar-se com José. Mas quando percebe que Deus a chama para uma missão particular, não hesita em proclamar-se sua “serva”.

“E quando não compreende bem os eventos que a envolvem, Maria medita no silêncio, reflete e adora a iniciativa divina. A sua presença aos pés da Cruz consagra essa total disponibilidade”.

José, homem do silêncio e da obediência

Quanto a José, ele “não fala, mas age obedecendo”, “é o homem do silêncio, o homem da obediência” – ressalta Francisco – sob a condução de Deus, representada pelo anjo:

A página do Evangelho de hoje recorda três vezes essa obediência de José, relacionada à fuga para o Egito e ao retorno à terra de Israel. Sob a guia de Deus, representada pelo anjo, José distancia sua família das ameaças de Herodes, e a salva. A Sagrada Família solidariza assim com todas as famílias do mundo forçadas ao exílio, solidariza com todos aqueles que são forçados a abandonar a própria terra por causa da repressão, da violência, da guerra.

Jesus, a vontade do Pai

Por fim Jesus, a terceira pessoa da Sagrada Família. Jesus, em quem – explica o Papa – houve somente “sim”, o que é manifestado em tantos momentos de sua vida terrena, citando o episódio em que seus pais aflitos o acharam no templo pregando aos doutores da lei, sua oração de entrega ao Pai no Jardim das Oliveiras, todos eventos que são a perfeita realização das próprias palavras de Cristo que diz: “Não quiseste sacrifício nem oblação […]. Então disse: “Eis que eu venho […] fazer vossa vontade, Meu Deus”.

Uma tarefa: retomar a comunicação em família

Assim, disse Francisco, “Maria, José e Jesus, a Família de Nazaré, representam uma resposta uníssona à vontade do Pai. Os três componentes dessa família singular se ajudam reciprocamente a descobrir e realizar o plano de Deus. Eles rezavam, trabalhavam, se comunicavam”E então o Papa se pergunta:

Tu, em tua família, sabes te comunicar, ou és como aqueles jovens na mesa, cada um com o telefone celular, [que] estão [trocando mensagens] em chats? Naquela mesa parece um silêncio, como se estivessem na Missa … Mas não se comunicam. Devemos retomar a comunicação em família: os pais, os pais com os filhos, com os avós, mas comunicar-se, com os irmãos, entre eles… Esta é uma tarefa a ser feita hoje, precisamente no dia da Sagrada Família.

“Devemos retomar a comunicação em família: os pais, os pais com os filhos, com os avós, mas comunicar-se, com os irmãos, entre eles… Esta é uma tarefa a ser feita hoje, precisamente no dia da Sagrada Família”

Sagrada Família, modelo para as famílias

“Que a Sagrada Família possa ser modelo para nossas famílias, para que pais e filhos se apoiem mutuamente na adesão ao Evangelho, fundamento da santidade da família.”

Confiemos a Maria “Rainha da família” – disse o Papa ao concluir – todas as famílias do mundo, especialmente aquelas provadas pelo sofrimento, e invoquemos sobre elas a sua materna proteção.

Família, um tesouro a ser protegido

Ao saudar os peregrinos e turistas presentes na Praça São Pedro, o Papa dirigiu uma saudação às famílias:

“Hoje dirijo uma saudação especial às famílias aqui presentes e àquelas que participam de casa através da televisão e do rádio. A família é um tesouro precioso: é preciso sempre apoiá-la, protegê-la: em frente!”

Acabar o ano com paz no coração

Antes de despedir-se com o tradicional bom domingo, bom almoço e não se esqueçam de rezar por mim, o Papa fez votos de que todos terminem o ano em paz:

Saúdo a todos, e a todos desejo um bom domingo e um final de ano sereno. Terminemos o ano em paz, paz de coração: esses são meus votos a vocês. E em família, se comunicando. Agradeço novamente a vocês pelas felicitações [de Natal] e pelas orações. E por favor continue rezando por mim. Bom almoço e até logo!

31 de dezembro de 2019 at 5:39 Deixe um comentário

Papa às crianças: como Jesus, construir pontes entre os homens

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O Papa Francisco deu um “dever de casa” às crianças da Ação Católica Italiana: no dia de Natal, recolher-se em oração e, com o mesmo estupor dos pastores, olhar para o Menino Jesus.

Cidade do Vaticano

Em sua série de audiências no Vaticano nesta segunda-feira, o Papa recebeu também as crianças da Ação Católica Italiana por ocasião do Natal.

Em seu discurso, o Pontífice agradeceu pela visita e comentou algumas iniciativas realizadas neste ano que a Ação Católica completou 50 anos. Entre elas, os “jovens em sínodo”.

Francisco deu um “dever de casa” no dia de Natal: recolher-se em oração e, com o mesmo estupor dos pastores, olhar para o Menino Jesus. Olhar para Aquele que veio ao mundo para trazer o amor de Deus, que se fez ponte entre Deus e os homens.

“E hoje Ele pede também a vocês que sejam pequenas ‘pontes’ lá onde vivem: vocês percebem a necessidade de construir pontes, justo? Às vezes não é fácil, mas se estivermos unidos a Jesus, podemos fazê-lo.”

A última recomendação do Papa foi que as crianças aprendam com Maria o que significa “Natal”. “Ela e São José podem realmente nos ensinar como se acolhe Jesus, como adorá-Lo e segui-Lo dia após dia.”

30 de dezembro de 2019 at 5:50 Deixe um comentário

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