Posts tagged ‘papa Francisco’

Por uma nova economia: palavras do Papa na Missa em Santa Marta

Papa Francisco celebra Missa na Capela da Casa Santa Marta

Papa Francisco celebra Missa na Capela da Casa Santa Marta  (Vatican Media)

Continuamos a recordar palavras do Papa que ajudam a enquadrar os objetivos da reflexão proposta pelo evento “A Economia de Francisco” de março 2020. Desta vez, fazemos memória de duas homilias na Capela da Casa de Santa Marta no ano 2016.

Rui Saraiva – Porto

“A Economia de Francisco” será um grande evento em agenda para os dias 26, 27 e 28 de março de 2020. Trata-se de um encontro que se inspira no Santo de Assis e que, segundo o Papa, deverá procurar novas propostas de organização econômica.

Para ajudar à reflexão sobre esta importante temática recordamos aqui as palavras do Papa Francisco pronunciadas em 2016 em duas homilias na Capela da Casa de Santa Marta.

Dinheiro e poder sujam a Igreja

Na terça-feira dia 17 de maio de 2016, na Missa em Santa Marta, o Papa Francisco afirmou que o dinheiro e o poder sujam a Igreja. O Santo Padre disse que o caminho que Jesus indica é o serviço, mas com frequência na Igreja buscam-se poder, dinheiro e vaidade.

Partindo da passagem do Evangelho de S. Marcos, proposta pela liturgia do dia na qual os discípulos se perguntavam entre si quem era o maior entre eles, o Papa afirmou que estas tentações mundanas comprometem também hoje o testemunho da Igreja:

“No caminho que Jesus nos indica, o serviço é a regra. O maior é aquele que serve mais, quem está mais ao serviço dos outros, e não aquele que se vangloria, que busca o poder, o dinheiro…a vaidade, o orgulho… Não, esses não são os maiores. E o que aconteceu aqui com os apóstolos, inclusive com a mãe de João e Tiago, é uma história que acontece todos os dias na Igreja, em cada comunidade. ‘Mas entre nós, quem é o maior? Quem comanda?’ As ambições… Em cada comunidade – nas paróquias ou nas instituições – sempre existe esta vontade de galgar, de ter poder.”

Na sua homilia o Papa Francisco sublinhou que a vontade mundana de estar com o poder acontece nas paróquias, nos colégios e também nos episcopados, uma atitude que não é a atitude de Jesus que veio para servir e ensina o serviço e a humildade. Mas todos somos tentados pelas atitudes de poder e de vaidade – afirmou o Papa que pediu ao Senhor para que nos ilumine para entendermos que o espírito mundano é inimigo de Deus:

“Todos nós somos tentados por estas coisas, somos tentados a destruir o outro para subir mais. É uma tentação mundana, mas que divide e destrói a Igreja, não é o Espírito de Jesus. É belo, imaginemos a cena: Jesus que diz estas palavras e os discípulos que dizem ‘não, é melhor não perguntar muito, vamos em frente’, e os discípulos que preferem discutir entre si qual deles será o maior. Vai-nos fazer bem pensar nas muitas vezes que nós vimos isto na Igreja e nas muitas vezes que nós fizemos isto, e pedir ao Senhor que nos ilumine, para entender que o amor pelo mundo, ou seja, por este espírito mundano, é inimigo de Deus”.

Explorar trabalhadores para enriquecer é pecado mortal

Na quinta-feira, dia 19 de maio de 2016, na sua homilia na Missa em Santa Marta, o Papa Francisco afirmou que explorar os trabalhadores para enriquecer é ser como sanguessugas e isso é um pecado mortal.

O Santo Padre comentou a primeira leitura da liturgia do dia, extraída da carta de S. Tiago, e afirmou que “não se pode servir Deus e as riquezas”. Estas, as riquezas – continuou Francisco – são boas em si mesmas, mas erram aqueles que seguem a “teologia da prosperidade”.

O Papa recordou o que diz S. Tiago: “Olhai que o salário que não pagastes aos trabalhadores que ceifaram os vossos campos está a clamar; e os clamores dos ceifeiros chegaram aos ouvidos do Senhor do universo!”

Francisco recordou a precaridade dos vínculos laborais e, em particular, citou o que lhe disse uma jovem que encontrou um emprego de 11 horas diárias por 650 euros na informalidade. E disseram-lhe que se queria podia ficar com o trabalho senão há mais quem queira: “há uma fila atrás de si”.

A exploração das pessoas hoje é uma verdadeira escravidão – denunciou o Papa: “Viver do sangue das pessoas. Isto é pecado mortal. É pecado mortal.”

O Papa Francisco propôs uma reflexão sobre a exploração das pessoas no mundo do trabalho que chega mesmo à escravidão:

“Pensemos neste drama de hoje: a exploração das pessoas, o sangue das pessoas que se tornam escravas, os traficantes de seres humanos e não somente aqueles que traficam prostitutas e crianças para o trabalho infantil, mas aquele tráfico mais ‘civilizado’: Eu pago-te mas sem direito a férias e assistência médica, tudo clandestino. Porém, eu torno-me rico!

O Santo Padre no final da sua homilia pediu ao Senhor que “nos faça entender aquela simplicidade que Jesus nos diz no Evangelho de hoje: É mais importante um copo de água em nome de Cristo que todas as riquezas acumuladas com a exploração das pessoas”.

Para refletir sobre a economia mundial

Recordamos aqui as palavras do Papa Francisco em maio de 2016 proferidas em homilias da Eucaristia diária na Capela na Casa de Santa Marta no Vaticano. Estas palavras ajudam-nos a enquadrar o rumo definido para o encontro de Assis que em março de 2020 terá como tema “A Economia de Francisco” e juntará empresários, universitários, estudantes e especialistas.

“A Economia de Francisco” será um grande evento especialmente dirigido para refletir sobre o futuro próximo da economia mundial numa perspetiva humana e inclusiva. Já no próximo dia 24 de setembro terá lugar em Florença uma primeira reunião preparatória do encontro de Assis.

Laudetur Iesus Christus

Anúncios

29 de agosto de 2019 at 5:37 Deixe um comentário

Audiência: não fazer turismo espiritual na Igreja, mas viver como irmãos

1566372718236.JPG

Em sua catequese, o Papa Francisco comentou a “comunhão integral na comunidade dos fiéis” e afirmou: uma vida marcada somente em tirar proveito e vantagem das situações em detrimento dos outros provoca inevitavelmente a morte interior.

Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

Na Sala Paulo VI, o Papa Francisco acolheu fiéis e peregrinos para a Audiência Geral desta quarta-feira (21/08).

O Pontífice deu prosseguimento ao seu ciclo de catequeses sobre os Atos dos Apóstolos e nesta ocasião falou sobre a “comunhão integral na comunidade dos fiéis”.

A conversão começa no bolso

A comunidade cristã nasce da efusão do Espírito Santo e cresce graças ao fermento da partilha entre os irmãos em Cristo. “Trata-se de um dinamismo de solidariedade que edifica a Igreja como família de Deus, onde a experiência da koinonia é um elemento central”, explicou o Papa. Esta palavra grega, que significa colocar em comum, partilhar, comungar, refere-se, antes de tudo, à participação no Corpo e Sangue de Cristo, que se traduz na união fraterna e também na comunhão dos bens materiais.

“ O sinal de que o seu coração se converteu é quando a conversão chegou ao bolso. Ou seja, ali se vê se uma pessoa é generosa com os outros, se ajuda os mais pobres: quando toca o próprio interesse. Quando a conversão chega ali, está certo de que é verdadeira. ”

Os fiéis têm um só coração e uma só alma e não consideram propriedade própria aquilo que possuem, mas colocam tudo em comum. Por este motivo, nenhum deles passava por dificuldade. Francisco então enalteceu os muitos cristãos que fazem voluntariado, que compartilham o seu tempo com os outros.

Esta koinonia ou comunhão se configura como a nova modalidade de relação entre os discípulos do Senhor. O vínculo com Cristo instaura um vínculo entre irmãos. Ser membro do Corpo de Cristo torna os fiéis corresponsáveis uns pelos outros. Ser indiferente, não preocupar-se com os outros, não é cristão, recordou o Papa.

Imbróglio de consequências trágicas

Como exemplo concreto de compartilha e comunhão dos bens, Francisco citou o testemunho de Barnabé: ele possui um campo e o vende para oferecer o dinheiro aos Apóstolos. Mas ao lado do seu exemplo positivo há outro tristemente negativo: Ananias e a sua mulher Safira, ao venderem o terreno, decidem entregar somente uma parte aos Apóstolos e ficar com a outra para eles. Este imbróglio interrompe a cadeia da compartilha gratuita, serena e desinteressada e as consequências são trágicas e fatais.

Turismo espiritual

“A hipocrisia é o pior inimigo desta comunidade cristã, deste amor cristão: fazer de conta de querer bem, mas buscar somente o próprio interesse.” Faltar com a sinceridade da compartilha, acrescentou o Papa, significa cultivar a hipocrisia, afastar-se da verdade, se tornar egoístas, apagar o fogo da comunhão e destinar-se ao gelo da morte interior.

“ Quem se comporta assim transita na Igreja como um turista, há tantos turistas na Igreja que estão sempre de passagem, jamais entram na Igreja: é o turismo espiritual que faz com que pensem ser cristãos, mas são somente turistas de catacumbas. Não devemos ser turistas na Igreja, mas irmãos uns dos outros. ”

Uma vida marcada somente em tirar proveito e vantagem das situações em detrimento dos outros provoca inevitavelmente a morte interior. O Pontífice então concluiu:

“Que o Senhor derrame sobre nós o seu Espírito de ternura, que vence toda hipocrisia e coloca em circulação aquela verdade que nutre a solidariedade cristã, a qual, longe de ser atividade de assistência social, é uma expressão irrenunciável da natureza da Igreja que, como mãe cheia ternura, cuida de todos os filhos, especialmente dos mais pobres.”

28 de agosto de 2019 at 5:43 Deixe um comentário

Papa Francisco – Oracão do Angelus 2019-08-25

25 de agosto de 2019 at 10:15 Deixe um comentário

As catequeses do Papa Francisco

Papa Francisco na Audiência Geral de 26 de junho de 2019

Papa Francisco na Audiência Geral de 26 de junho de 2019  (Vatican Media)

No próximo dia 7 de agosto o Papa retoma as Audiências Gerais das Quartas-feiras depois da pausa de férias em julho. Será a 280ª catequese do Papa Francisco. Trata-se de reflexões ricas de espiritualidade que vale a pena ler ou ouvir novamente de modo integral, recorrendo às fontes vaticanas

Cidade do Vaticano

Quarta-feira 7 de agosto, depois da pausa do mês de julho, recomeçam as audiências gerais do Papa: será a 280ª catequese de Francisco, considerando também as audiências jubilares realizadas nos sábados por ocasião do Ano Santo da Misericórdia. A audiência geral é um importante encontro semanal juntamente com o Angelus e as homilias das missas na capela da Casa Santa Marta, além das celebrações do ano litúrgico, e representam o coração espiritual do seu magistério petrino. São encontros com pessoas provenientes de todo o mundo, mesmo não católicos, que dão ocasião ao Papa para fazer uma simples, mas profunda catequese sobre a fé cristã. Trata-se de reflexões ricas de espiritualidade que vale a pena ler ou ouvir novamente de modo integral, recorrendo às fontes vaticanas. Nesses encontros do Papa nunca falta o abraço prolongado aos doentes.

Temas das catequeses

Portanto até agora, o Papa Francisco realizou 279 catequeses. Os temas escolhidos dão uma indicação do caminho da Igreja nestes anos. Desde 2013 foram feitos 12 ciclos de catequeses, além das audiências dedicadas a assuntos específicos como o Advento, o Natal, a Quaresma e a Páscoa: em junho deste ano iniciou o 13º ciclo. Francisco retomou as catequeses do Ano da Fé propostas por Bento XVI, detendo-se no Credo, ao qual dedicou 25 audiências. Os outros 12 ciclos foram: os Sacramentos (9), os Dons do Espírito Santo (7), a Igreja (15), A família (36), a Misericórdia, por ocasião do Jubileu (49), a Esperança cristã (38), a Santa Missa (15), o Batismo (6), a Confirmação (3), os Mandamentos (17), a oração do Pai Nosso (16), os Atos dos Apóstolos (até agora 4).

A Semana Santa

Em 27 de março de 2013, Francisco dedicou a primeira catequese do Pontificado à Semana Santa explicando que viver como ressuscitados significa seguir Jesus no seu caminho da Cruz à Ressurreição para entrar cada vez mais na lógica de Deus: isso exige “sairmos de nós mesmos, de um modo de viver a fé cansado e rotineiro, da tentação de nos fecharmos nos nossos esquemas, que acabam por fechar o horizonte da obra criativa de Deus. Deus saiu de si mesmo para vir ao meio de nós… para nos trazer a sua misericórdia que salva e dá esperança. Também nós, se quisermos segui-lo… não devemos contentar-nos em permanecer no recinto das noventa e nove ovelhas, mas temos que ‘sair’, procurar com Ele a ovelha tresmalhada, a mais distante…. Recordem bem. Deus pensa sempre com misericórdia: é o Pai misericordioso!”.

O Ano da fé

No primeiro ciclo de catequese dedicado ao Ano da Fé, o Papa afirma que a Morte e a Ressurreição de Jesus são “o coração da nossa esperança”. Infelizmente – sublinha – “muitas vezes procura-se obscurar a fé na Ressurreição de Jesus, e mesmo entre os próprios crentes foram insinuadas dúvidas” por “uma visão apenas horizontal da vida. Mas é justamente a Ressurreição que nos abre à esperança maior, porque abre a nossa vida e a vida do mundo ao futuro eterno de Deus, à felicidade plena, à certeza de que o mal, o pecado, a morte podem ser vencidos. E isso leva a viver com mais confiança as realidades cotidianas… A Ressurreição de Cristo é a nossa força… é o tesouro mais precioso! Como não compartilhar este tesouro com os outros?”.

Os Sacramentos

Os Sacramentos não são ritos formais – recorda o Papa nestas catequeses – mas atos que mudam a nossa vida. A partir do Batismo, que liberta do pecado original e “toca a nossa existência em profundidade” porque nos mergulha “naquela fonte inexaurível de vida que é a morte de Jesus, o maior ato de amor de toda a história; e graças a este amor podemos viver uma nova vida, não mais à mercê do mal, do pecado e da morte, mas na comunhão com Deus e com os irmãos”.

Os Dons do Espírito Santo são o centro do terceiro ciclo de catequeses: “O Espírito Santo – sublinha Francisco – constitui a alma, a linfa vital da Igreja e de cada cristão: é o Amor de Deus que faz do nosso coração a sua morada e entra em comunhão com cada um de nós. O Espírito Santo – sublinha Francisco – é o dom de Deus por excelência… e por sua vez, transmite vários dons espirituais a quantos o acolhem. A Igreja identifica sete, número que simbolicamente significa plenitude, totalidade” e nos fazem viver e ver o mundo com o coração de Deus.

A Igreja

Depois o Papa passou às reflexões sobre a Igreja: “Ser Igreja é se sentir nas mãos de Deus, que é Pai e nos ama” e quis “formar um povo abençoado pelo seu amor… que leve a sua bênção a todos os povos da terra”. Recorda as palavras de Bento XVI quando falava do “nós” eclesial: fazer parte da Igreja significa pertencer a este povo, “não vivemos isolados e não somos cristãos a título individual, cada qual por sua própria conta, não… Na Igreja não existe ‘personalizações’, não existem ‘jogadores livres’. De fato, alguns pensam que podem manter uma relação pessoal… com Jesus Cristo fora da comunhão e da mediação da Igreja. São tentações perigosas e prejudiciais”.

A família

As catequeses sobre a família, que se deram entre os dois Sínodos sobre este tema, detêm-se sobre vários aspectos da vida familiar. Francisco reitera as verdades fundamentais do Matrimônio: a indissolubilidade, a unidade, a fidelidade e a abertura à vida. Ao mesmo tempo olha com misericórdia às famílias feridas.

Ano Santo da Misericórdia

O ciclo mais longo de catequeses é dedicado ao Ano Santo da Misericórdia. O conteúdo essencial do Evangelho – afirma o Papa – é Jesus, “a Misericórdia feita carne, que torna visível aos nossos olhos o grande mistério do Amor trinitário de Deus”. Eis o convite de Francisco: “A Igreja aprenda a escolher unicamente o que mais agrada a Deus” que é “perdoar os seus filhos, ter misericórdia deles a fim de que, por sua vez, também eles possam perdoar os irmãos, resplandecendo como tochas da misericórdia de Deus no mundo. É isto que mais agrada a Deus!”.

Esperança cristã

O segundo ciclo mais longo é o da esperança cristã. “O otimismo desilude – explica o Papa – a esperança não! Precisamos muito dela nesta época que parece obscura, na qual às vezes nos sentimos perdidos diante do mal e da violência que nos circundam, perante a dor de tantos irmãos. É necessária a esperança!” que é crer que Deus com o seu amor caminha conosco e não nos deixa sozinhos: “O Senhor Jesus venceu o mal, abrindo-nos a senda da vida… Esperemos confiantes na vinda do Senhor, e qualquer que seja o deserto das nossas vidas…tornar-se á um jardim de flores. A esperança não desilude!”.

A Santa Missa

Em outro ciclo de catequeses o Papa Francisco explica o significado da Santa Missa. Recorda que muitos cristãos, “em dois mil anos de história, resistiram até á morte para defender a Eucaristia”. E ainda hoje, são muitos os que “arriscam a vida para participar da Missa dominical… se não pudéssemos celebrar a Eucaristia… a nossa vida cristã morreria”. De fato, é o mistério central da salvação: “Todas as vezes que celebramos este sacramento participamos do mistério da paixão, morte e ressurreição de Cristo” que derrama “sobre nós toda a sua misericórdia e o seu amor, para assim renovar o nosso coração, a nossa existência e o nosso próprio modo de nos relacionarmos com Ele e com os irmãos” fazendo-nos prelibar “desde já a plena comunhão com o Pai, que caracterizará o banquete celestial, onde juntamente com todos os Santos teremos a felicidade de contemplar Deus face a face”.

O Pai-Nosso

No ciclo sobre o Pai-Nosso, o Papa convida a jamais deixar de pedir a Jesus “Senhor, ensina-me a rezar”. O primeiro passo para rezar é sermos humildes, reconhecer que somos pecadores. Deus escuta a oração do humilde. O Papa faz um esclarecimento: “Nenhum de nós é obrigado a aceitar a teoria que no passado alguém propôs, isto é, que a oração de pedido seja uma forma tíbia da fé, enquanto que a oração mais autêntica seria o louvor puro, aquele que procura Deus sem o peso de pedido algum. Não, isto não é verdade. A prece de pedido é autêntica… é um ato de fé em Deus que é Pai, que é bom… Ele nos entende e nos ama muito” O terço é a oração que Francisco pede a todos para rezar todos os dias, também para rejeitar os ataques do diabo à Igreja.

Atos dos Apóstolos

O último ciclo de catequeses que o Papa iniciou refere-se aos Atos dos Apóstolos: um livro que fala “da viagem do Evangelho no mundo e mostra-nos a maravilhosa ligação entre a Palavra de Deus e o Espírito Santo que inaugura o tempo da evangelização.

 

23 de agosto de 2019 at 5:50 Deixe um comentário

Angelus: o céu é nossa meta e não as pequenezas da vida

1565863318138.JPG

“Quantas mesquinhezes na vida! Maria hoje convida a elevar o olhar para as ‘grandes coisas’ que o Senhor realizou Nela”, disse o Papa no Angelus. No Brasil, a Solenidade da Assunção de Maria é celebrada no próximo domingo.

Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

O Papa Francisco rezou o Angelus com os fiéis presentes da Praça São Pedro neste dia 15 de agosto, solenidade da Assunção de Maria na Itália.

Antes da oração mariana, o Pontífice comentou as palavras da Virgem narradas no Evangelho de Lucas: “Minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador» (Lc 1,46-47).

Deixar de lado as mesquinhezes da vida

Francisco ressaltou os dois verbos desta frase: engrandecer e alegrar-se. Maria exulta por causa de Deus. “Quiçá se também a nós aconteceu de exultar pelo Senhor: exultamos pelo resultado obtido, por uma bela notícia recebida, mas hoje Maria nos ensina a exultar em Deus, porque Ele faz ‘grandes coisas’”, disse o Papa.

As grandes coisas são evocadas por outro verbo: engrandecer. De fato, engrandecer significa exaltar uma realidade pela sua grandeza. Maria exalta a grandeza do Senhor.

Na vida, é importante buscar coisas grandes, recordou Francisco; do contrário, nos perdemos em muitas pequenezas. Maria nos demonstra que, se quisermos que a nossa vida seja feliz, deve ser colocado Deus em primeiro lugar, porque somente Ele é grande.

“ Quantas vezes, ao invés, vivemos buscando coisas de pouco valor: preconceitos, rancores, rivalidades, invejas, ilusões, bens materiais supérfluos… Quantas mesquinhezes na vida! Maria hoje convida a elevar o olhar para as ‘grandes coisas’ que o Senhor realizou Nela. Também em nós, em cada um de nós, o Senhor faz tantas grandes coisas. É preciso reconhecê-las e exultar.”

Maria, porta do céu

São as “grandes coisas” festejadas na solenidade da Assunção.

Maria foi assumida no céu: pequena e humilde, recebe por primeiro a glória maior. Ela, que é uma criatura humana, uma de nós, alcança a eternidade em alma e corpo. E ali nos espera, como uma mãe espera que os filhos voltem para casa.

“Nós estamos em caminho, peregrinos rumo à casa lá em cima. Hoje, olhamos para Maria e vemos a linha de chegada. Vemos que no paraíso, com Cristo, o Novo Adão, está também ela, Maria, a nova Eva, e isso nos dá conforto e esperança na nossa peregrinação aqui embaixo.”

Um passo rumo à grande meta

Portanto, explicou Francisco, a festa da Assunção de Maria é um chamado para todos, especialmente para aqueles que são afligidos por dúvidas e tristezas, e vivem com o olhar cabisbaixo.

“Olhemos para o alto, o céu está aberto”, exortou o Papa. O céu não provoca temor, porque no limiar há uma mãe que nos espera.

“ Como toda mãe, quer o melhor para os seus filhos e nos diz: ‘Vocês são preciosos aos olhos de Deus; não são feitos para os pequenos prazeres do mundo, mas para as grandes alegrias do céu’. Sim, porque Deus é alegria, não tédio. Deixemo-nos que Nossa Senhora nos pegue pela mão. Toda vez que pegamos o Terço e rezamos, damos um passo adiante rumo à grande meta da vida. ”

22 de agosto de 2019 at 5:39 Deixe um comentário

Angelus: dizer-se cristão não é o mesmo que ser cristão, é preciso coerência

Angelus de 18 de agosto de 2019

Diferentemente do Brasil, onde se celebra a Assunção de Maria, a liturgia deste domingo na Itália propõe o capítulo 12 de São Lucas, versículos 49-53. A Solenidade da Assunção foi celebrada em 15 de agosto.

Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

Dizer-se cristão é bom, mas é preciso ser cristão: palavras do Papa Francisco ao se reunir com os fiéis e peregrinos na Praça São Pedro para o Angelus dominical.

O Pontífice comentou o trecho de São Lucas, no qual Jesus adverte os discípulos de que chegou o momento da decisão.

“A sua vinda ao mundo, de fato, coincide com o tempo das escolhas decisivas: não se pode adiar a opção pelo Evangelho”, explicou o Papa.

Ouça a reportagem completa com a voz do Papa Francisco

Abandonar a apatia para acolher o fogo do amor

Para exemplificar melhor esse chamado, Jesus utiliza a imagem do fogo que Ele mesmo veio trazer sobre a terra: «Vim lançar fogo na terra; e que mais quero, se já está aceso ?».
Essas palavras, prosseguiu Francisco, têm a finalidade de ajudar os discípulos a abandonar toda atitude de preguiça, de apatia, de indiferença e de fechamento para acolher o fogo do amor de Deus.

“Jesus revela aos seus amigos, e também a nós, o seu desejo mais ardente: levar sobre a terra o fogo do amor do Pai, que acende a vida e mediante o qual o homem é salvo.”

O fogo do amor, aceso por Cristo no mundo por meio do Espírito Santo, é sem limites, universal, disse ainda o Papa.

“Incêndio benéfico”

Foi o que aconteceu desde os primeiros tempos do Cristianismo: o testemunho do Evangelho se propagou como um “incêndio benéfico, superando toda divisão entre indivíduos, categorias sociais, povos e nações”.

Este testemunho queima toda forma de particularismo e mantém a caridade aberta a todos, com uma preferência pelos mais pobres e excluídos.

Aderir a este fogo significa duas coisas: adorar a Deus e a disponibilidade a servir o próximo. A primeira quer dizer “aprender a oração da adoração, que com frequência esquecemos”, afirmou o Papa, convidando os fiéis a descobrirem a beleza desta oração. Depois, estar disponível a servir o próximo e Francisco manifestou sua admiração a quem se dedica aos mais necessitados mesmo durante o período de férias.

Escolhas coerentes com o Evangelho

Assim se compreende outra afirmação de Jesus contida no trecho de Lucas, que numa primeira leitura pode chocar: «Cuidais vós que vim trazer paz à terra? Não, vos digo, mas antes dissensão».

Isso significa que Jesus veio para “separar com o fogo” o bem do mal, o justo do injusto.

“Neste sentido, Jesus veio para “dividir”, para colocar “em crise” – mas de modo saudável – a vida dos seus discípulos, desfazendo as fáceis ilusões daqueles que acreditam poder conjugar vida cristã e mundanidade, vida cristã e acordos de todo gênero, práticas religiosas e atitudes contra o próximo.” O Pontífice advertiu que recorrer à cartomante é superstição, “não é de Deus”.

A adesão a este fogo requer deixar a hipocrisia de lado e estar dispostos a pagar o preço por escolhas coerentes com o Evangelho. “Esta é a atitude que cada um deve buscar na vida: coerência”, e pagar o preço por ela.

“ É bom dizer-se cristãos, mas é preciso antes de tudo ser cristãos nas situações concretas, testemunhando o Evangelho, que é, essencialmente, amor por Deus e pelos irmãos. ”

Francisco concluiu pedindo a Maria que “nos ajude a deixar-nos purificar o coração pelo fogo trazido por Jesus, para propagá-lo com a nossa vida, mediante escolhas firmes e corajosas”.

18 de agosto de 2019 at 13:32 Deixe um comentário

Papa Francisco no Twitter em 17 de ago de 2019

“Com Deus, os fardos da vida não ficam apenas sobre os nossos ombros: o Espírito Santo vem para nos dar força, para nos encorajar, para nos ajudar a suportar os fardos”.

17 de agosto de 2019 at 9:45 Deixe um comentário

Posts antigos Posts mais recentes


ADMINISTRADORA DO BLOG:

Jane Amábile

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts por email.

Junte-se a 310 outros seguidores

Categorias