Posts tagged ‘Sínodo sobre as Famílias’

Sínodo: Bispos propõem discernimento em casos difíceis

2015-10-25 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – Com a autorização do Papa, foi publicado na noite de sábado (24/10) o Relatório Final do XIV Sínodo ordinário sobre a Família. Composto de 94 parágrafos, votados singularmente, o documento foi aprovado por maioria de 2/3, ou seja, sempre com o mínimo de 177 votos. Os padres sinodais presentes eram 265.

Segundo Padre Lombardi, Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, apenas dois parágrafos obtiveram a maioria com margem limitada e são os que se referem a situações difíceis, como a abordagem pastoral às famílias feridas ou em situação irregular do ponto de vista canônico e disciplinar: convivências, casamentos civis, divorciados recasados e o caminho para se aproximar pastoralmente destes fiéis.

Indissolubilidade matrimonial

O Relatório define a doutrina da indissolubilidade do matrimônio sacramental como uma verdade fundada em Cristo mas ressalva que verdade e misericórdia convergem em Cristo e, portanto, convida ao acolhimento das famílias feridas. Os padres sinodais reiteram que os divorciados recasados não são excomungados e reafirmam que os pastores devem usar o discernimento para analisar as situações familiares mais complexas. O ponto 84 explica que a participação nas comunidades dos casais em segunda união pode se expressar em diferentes serviços: “Deve-se discernir quais formas de exclusão atualmente praticadas nos âmbitos litúrgico, pastoral, educativo e institucional podem ser superadas”.

Discernimento

À situação específica dos casais em segunda união, o ponto 86 do documento faz referência a um percurso de acompanhamento e de discernimento espiritual com um sacerdote, pois a ninguém pode ser negada a misericórdia de Deus. Neste sentido, “para favorecer e aumentar a participação destes fiéis na vida da Igreja, devem ser asseguradas as condições de humildade, discrição, amor à Igreja e a seu ensinamento, na busca sincera da vontade de Deus e no desejo de dar uma resposta a ela”.

Em relação ao crescente fenômeno dos casais que convivem antes de se casar ou depois de um matrimônio sacramental, é uma situação que deve ser enfrentada de maneira construtiva e vista como uma oportunidade de conversão para a plenitude do matrimônio e da família, à luz do Evangelho.

Pessoas homossexuais e uniões homossexuais

Pessoas homossexuais não podem ser discriminadas, mas a Igreja é contrária às uniões entre pessoas do mesmo sexo. O Sínodo julga também inaceitável que as Igrejas locais sofram pressões neste campo e que organismos internacionais condicionem ajudas financeiras aos países pobres à introdução do “casamento” entre pessoas do mesmo sexo.

Alguns parágrafos abrangem questões dedicadas aos migrantes, refugiados e perseguidos cujas famílias são desagregadas e possam ser vítimas do tráfico de pessoas. Os bispos invocam o acolhimento ressaltando os seus direitos e deveres nos países que os hospedam.

Valorizar a mulher, tutelar crianças e idosos

Os padres sinodais condenaram a discriminação contra mulheres em todo o mundo, incluindo a penalização da maternidade. Em relação à violência, ressalta que “a exploração das mulheres e a violência exercida sobre o seu corpo estão muitas vezes unidas ao aborto e à esterilização forçada”. Pede-se também uma maior valorização da responsabilidade feminina na Igreja, com intervenção nos processos de decisão, participação no governo de algumas instituições e envolvimento na formação do clero.

A respeito da reciprocidade e na responsabilidade comum dos cônjuges na vida familiar, afirma-se que “o crescente compromisso profissional das mulheres fora de casa não encontrou uma adequada compensação num maior empenho dos homens no ambiente doméstico”.

Sobre as crianças, o documento entregue ao Papa ressalta a beleza da adoção e do acolhimento temporário, que “reconstroem relações familiares rompidas” e menciona também os viúvos, os portadores de deficiência, os idosos e os avós, que permitem a transmissão da fé nas famílias e devem ser protegidos da cultura do descarte. Também as pessoas não casadas são lembradas por seu engajamento na Igreja e na sociedade.

Fanatismo, individualismo, pobreza, precariedade no trabalho

Como sombras dos tempos atuais, o Sínodo cita o fanatismo político-religioso hostil ao cristianismo, o crescente individualismo, a ideologia ‘gender’, os conflitos, perseguições, a pobreza, a precariedade no trabalho, a corrupção, os problemas econômicos que excluem famílias da educação e da cultura, a globalização da indiferença, a pornografia e a queda da natalidade.

Preparação ao matrimônio

O documento final reúne as propostas para reforçar a preparação ao matrimônio, principalmente dos jovens que hoje têm receio de se vincular. É recomendada uma formação adequada à afetividade, seguindo as virtudes da castidade e do dom de si. Outra relação mencionada no texto é entre a vocação à família e a vocação à vida consagrada. São também fundamentais a educação à sexualidade e a corporeidade e a promoção da paternidade responsável.

Família, porto seguro

Enfim, o a Relatório sublinha a beleza da família, Igreja doméstica baseada no casamento entre homem e mulher, porto seguro dos sentimentos mais profundos, único ponto de conexão numa época fragmentada, parte integrante da ecologia humana. Deve ser protegida, apoiada e encorajada.

Pedido ao Papa um documento sobre a família

O documento se encerra com o pedido dos Padres Sinodais ao Papa de um documento sobre a família, indicando a perspectiva que ele deseja dar neste caminho.

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25 de outubro de 2015 at 9:33 Deixe um comentário

Relatório final do Sínodo – para os irmãos de língua italiana

Cidade do Vaticano (RV) – À espera da tradução em português, publicamos a seguir o texto, em italiano, do Relatório final do Sínodo dos Bispos ao Santo Padre Francisco, ao final da XIV Assembleia Geral Ordinária (4-25 de outubro de 2015) sobre o tema “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”.INDICEINTRODUZIONE

I PARTE

LA CHIESA IN ASCOLTO DELLA FAMIGLIA

Capitolo I

La famiglia e il contesto antropologico-culturale

Il contesto socio-culturale

Il contesto religioso

Il cambiamento antropologico

Le contraddizioni culturali

Conflitti e tensioni

Fragilità e forza della famiglia

Capitolo II

La famiglia e il contesto socio-economico

La famiglia insostituibile risorsa della società

Politiche in favore della famiglia

Solitudine e precarietà

Economia ed equità

Povertà ed esclusione

Ecologia e famiglia

Capitolo III

Famiglia, inclusione e società

La terza età

La vedovanza

L’ultima stagione della vita e il lutto in famiglia

Persone con bisogni speciali

Le persone non sposate

Migranti, profughi, perseguitati

Alcune sfide peculiari

I bambini

La donna

L’uomo

I giovani

Capitolo IV

Famiglia, affettività e vita

La rilevanza della vita affettiva

La formazione al dono di sé

Fragilità e immaturità

Tecnica e procreazione umana

La sfida per la pastorale

II PARTE

LA FAMIGLIA NEL PIANO DI DIO

Capitolo I

La famiglia nella storia della salvezza

La pedagogia divina

L’icona della Trinità nella famiglia

La famiglia nella Sacra Scrittura

Gesù e la famiglia

Capitolo II

La famiglia nel Magistero della Chiesa

L’insegnamento del Concilio Vaticano II

Paolo VI

Giovanni Paolo II

Benedetto XVI

Francesco

Capitolo III

La famiglia nella dottrina cristiana

Matrimonio nell’ordine della creazione e pienezza sacramentale

Indissolubilità e fecondità dell’unione sponsale

I beni della famiglia

Verità e bellezza della famiglia

Capitolo IV

Verso la pienezza ecclesiale della famiglia

L’intimo legame tra Chiesa e famiglia

La grazia della conversione e del compimento

La misericordia nel cuore della rivelazione

III PARTE

LA MISSIONE DELLA FAMIGLIA

Capitolo I

La formazione della famiglia

La preparazione al matrimonio

La celebrazione nuziale

I primi anni della vita familiare

La formazione dei presbiteri e di altri operatori pastorali

Capitolo II

Famiglia, generatività, educazione

La trasmissione della vita

La responsabilità generativa

Il valore della vita in tutte le sue fasi

Adozione e affido

L’educazione dei figli

Capitolo III

Famiglia e accompagnamento pastorale

Situazioni complesse

Accompagnamento in diverse situazioni

Discernimento e integrazione

Capitolo IV

Famiglia ed evangelizzazione

La spiritualità familiare

La famiglia soggetto della pastorale

Il rapporto con le culture e con le istituzioni

L’apertura alla missione

Fonte: Site do Vaticano

24 de outubro de 2015 at 21:12 Deixe um comentário

Sínodo: Relatório final terá menção ao meio ambiente

2015-10-23 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – Após as mais de mil emendas propostas ao Relatório Final do Sínodo sobre a Família, os padres sinodais se preparam para a aprovação do texto, ponto por ponto, neste sábado (24/10). Este documento conclusivo, que servirá como base para a eventual Exortação que o Papa deve escrever, trará as conclusões da Assembleia sobre os temas discutidos nas últimas três semanas. Com satisfação, Dom Sérgio Eduardo Castriani, arcebispo metropolitano de Manaus, adianta à RV: também haverá uma menção específica no Relatório Final do Sínodo sobre o meio ambiente. Ouça, clicando aqui:

A beleza da família

“Em primeiro lugar, o Sínodo será um grande reforço da Pastoral Familiar. A Igreja proclama de novo a beleza do sacramento do matrimônio com tudo o que ela entende sobre o matrimônio: a abertura à vida, a fidelidade, a indissolubilidade: a própria celebração, a celebração do sacramento e o acompanhamento dos casais. Depois também a espiritualidade da família: a Palavra de Deus, a Eucaristia, e uma grande misericórdia. O Sínodo está sob o signo da misericórdia, a compreensão daqueles que não vivem o sacramento do matrimônio e das famílias que embora não tenham feito este sacramento, são famílias, como as mono-parentais e as de segunda união. Então devemos fazer todo o possível para integrá-los, para que sejam aceitos e bem-recebidos na Igreja, a fim de que vivam a comunhão eclesial”.

Abertura e acolhimento

“Haverá abertura para tudo o que é possível… abertura máxima e acolhimento total. Por exemplo, para que os divorciados e recasados possam participar da liturgia, dos conselhos paroquiais, das pastorais… há tanta coisa que pode ser feita. Em relação à comunhão sacramental, acho que isso toca pontos muito delicados… Quando há um vínculo sacramental, dificilmente se pode dissolver. Mas tivemos já a iniciativa do Papa de facilitar a declaração de nulidade… já um grande passo foi dado”.

Seriedade

“O que mais me marcou foi a grande seriedade do Sínodo. Os bispos discutiram a fundo as questões. Claro, fomos muito marcados pela situação de violência no mundo, no Oriente Médio, pela situação da cultura pós-moderna. Foi tudo visto com muita seriedade e muita abertura. Acho que os bispos são pastores, querem o rebanho reunido, acompanhado. Querem que as pessoas vivam felizes, realizadas. Outra questão muito importante foi a realização pessoal no matrimônio. A família é um lugar de realização pessoal, de felicidade, aonde a pessoa se realiza. O Sínodo é uma tentativa de propiciar isso: achar caminhos para que as pessoas se realizem na vida familiar, para que a vida familiar seja este ‘porto seguro’ para onde voltar, depois do trabalho, das dificuldades. A palavra é essa mesmo. É importante ter isso; quem não tem sabe o que significa não ter este ‘porto seguro’”.

Amazônia

“No texto, consta – não posso dar os detalhes – a questão do meio ambiente. Apareceu no texto final um número que fala da família e do meio ambiente, uma questão importante também para nós na Amazônia, em especial. A família como educadora da fé e do cuidado da Criação. Na família aprendemos a cuidar da criação, dos outros; a ter uma vida sóbria, de partilha e de justiça. Fiquei muito feliz em ver no texto final aparecer isto. Espero que seja votado por unanimidade”.

(CM)

24 de outubro de 2015 at 5:47 Deixe um comentário

Com o Sínodo, família recupera o seu espaço na Igreja

2015-10-20 Rádio Vaticana

Colocar a família no devido lugar no contexto da acção pastoral da Igreja: para o Arcebispo de Mariana (MG), Dom Geraldo Lyrio Rocha, este é um dos saldos deste Sínodo sobre a família

Em entrevista à Rádio Vaticano, Dom Geraldo falou dos aspectos que se sobressaíram no seu grupo de trabalho:

“Eu gostaria de sublinhar a ênfase que se tem dado à pastoral familiar. E quando falamos de pastoral familiar nós não estamos a referir-nos apenas a uma actividade determinada, mas como algo transversal, que deve atingir numa pastoral assumida em conjunto toda a actividade da Igreja. Parece-me que, com o Sínodo, a família recupera um espaço muito importante na vida da Igreja. Não é apenas programar acções em favor da família. É isto e muito mais. É colocarmos a família no devido lugar no contexto da acção pastoral da Igreja. Este parece que é um ganho extraordinário e será um dos grandes saldos deste Sínodo que já está para se encerrar.”

RV:- Há um tema em especial que concentrou os debates no seu círculo menor?

“Eu diria que o leque se abriu, porque além das questões melindrosas, difíceis, complexas como se tem levantado, a situação dos divorciados e recasados civilmente, debateu-se a questão dos desafios que a família vive hoje nas realidades de violência. Seja a família como vítima de violências, as guerras, os atentados, o problema das drogas, seja também a violência no interior da própria família, que infelizmente em muitas situações acontece. E, em geral, vítimas dessas violências são as mulheres e as crianças. Tudo isso foi muito considerado e o leque foi se abrindo. O Sínodo não se deteve apenas em alguns aspectos, por mais que gerem expectativa na opinião pública, entretanto o tema do Sínodo é muito amplo. Parece-me que o grupo do qual participei esse leque se manteve aberto nessas várias perspectivas.” (BS/BF)

22 de outubro de 2015 at 5:10 Deixe um comentário

Papa: prosseguir na sinodalidade escutando o Povo de Deus

2015-10-17 Rádio Vaticana

Na manhã deste sábado dia 17 de outubro, teve lugar na Sala Paulo VI uma sessão comemorativa dos 50 anos da instituição do Sínodo dos Bispos. Mais precisamente foi a 15 de setembro de 1965 que o Papa Paulo VI fez a instituição permanente do Sínodo dos Bispos em resposta ao desejo dos Padres do Concílio Vaticano II de manter vivo o espírito positivo gerado pela experiência conciliar.

A comemoração dos 50 anos de Sínodo foi feita com a participação dos bispos presentes no Sínodo sobre a Família que agora conclui a sua segunda semana de trabalhos. Várias as comunicações produzidas representando os vários continentes e realidades específicas da Igreja

No discurso que proferiu o Papa Francisco afirmou que “Igreja e Sínodo são sinónimos” porque a “Igreja não é outra coisa que não seja caminhar juntos”.

Numa intervenção de importante síntese do sentido de rumo e percurso da Igreja, o Santo Padre afirmando ser a sinodalidade uma  das maiores preciosidades do Concílio Vaticano II, declarou que este é o caminho que Deus quer para a Igreja.

Confiar no Povo de Deus e ser Igreja de escuta – estas duas marcas essenciais do discurso do Papa que considerou que mais do que ouvir, a Igreja deve mesmo promover a escuta recíproca onde todos têm algo para aprender: os fiéis, o colégio episcopal e o bispo de Roma.

O Papa Francisco falou também de uma salutar descentralização de certas decisões para as conferências episcopais dos vários territórios onde a Igreja está presente. De sublinhar que, precisamente, por este motivo, o Papa Francisco citou S. João Paulo II reafirmando que “numa igreja sinodal, também o exercício petrino poderá receber maior luz”.

Finalmente, o Santo Padre afirmou ainda que uma igreja sinodal ajuda também a sociedade civil a “edificar-se na justiça e na fraternidade gerando um mundo mais belo e mais digno do homem para as gerações que virão depois de nós” – afirmou o Papa Francisco na conclusão do seu discurso na comemoração dos 50 anos da instituição dos Sínodo dos Bispos.

(RS)

18 de outubro de 2015 at 5:29 Deixe um comentário

Nova etapa do Sínodo: discernimento

2015-10-12 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – Depois da pausa dominical, os padres sinodais retomam os trabalhos esta segunda-feira (12/10) nos círculos menores, para analisar a segunda parte do Instrumento de Trabalho: “O discernimento da vocação familiar”.

É sobre isto que nos fala o Arcebispo de São Paulo, Card. Odilo Pedro Scherer:

“Depois de termos visto as várias situações e os desafios da família, chegou a hora de se perguntar: ‘Afinal, para onde vai a família, qual é a indicação que a Igreja deve dar para as diversas situações?’ Para nós, o discernimento se faz a partir da luz da fé, dos critérios da fé. Por isso, justamente esta semana, nós vamos olhar para as questões da família a partir da Palavra de Deus, do ensinamento da Igreja, a partir do discernimento da fé. E nos perguntar o que Deus quer com tudo isso, onde Deus está indicando, onde Deus está dizendo para a Igreja atuar, como atuar e assim por diante. Para depois, na próxima semana, nós chegarmos ao “agir”, para as orientações pastorais. Esta semana será, certamente, bastante rica no sentido de buscarmos as fundamentações da Palavra de Deus sobre as orientações que deverão ser dadas depois para a Pastoral da família.”

Na entrevista ao Programa Brasileiro, o Card. Scherer fala ainda do trabalho nos círculos menores e, neste dia 12 de outubro, sobre Nossa Senhora Aparecida.

13 de outubro de 2015 at 6:04 Deixe um comentário

10 de outubro de 2015 at 10:32 Deixe um comentário

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