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Brasileiros levarão a cruz na Via Sacra no Coliseu

2015-04-03 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – Nesta Sexta-feira Santa, 03, o Papa Francisco preside a tradicional Via Sacra no Coliseu, percorrendo as 14 estações a partir do anfiteatro que marca os sofrimentos dos primeiros cristãos, continuando pela frente do Arco de Trajano, até a colina do Palatino.

Às 21h25, o Papa deixa o Vaticano de carro e se dirige ao Coliseu. Este ano, as meditações foram confiadas ao bispo emérito de Novara, Dom Renato Corti. O texto que acompanhará as 14 estações já está publicado no site http://www.vatican.va.

Os temas serão o recente martírio do ministro cristão paquistanês Shahbaz Bhatti (2011), os dramas familiares do mundo de hoje, a presença feminina na Igreja e a “tristeza no abisso de tantas almas feridas pela solidão, o abandono, a indiferença, as doenças, a morte de um ente querido; o risco de ser ‘cristãos mornos’, dramas coletivos com o tráfico de seres humanos, a condição das crianças-soldado, o trabalho em escravidão, os jovens roubados de si mesmos, feridos em sua intimidade e barbaramente profanados com abusos sexuais; a pena de morte, ainda praticada em muitos países, e toda forma de tortura e opressão violenta de inocentes.
Dois brasileiros estão entre as pessoas que carregarão a cruz de Jesus Cristo durante a Via Sacra.

Os irmãos Rafaela e Vitor, adotados no Brasil pelos italianos Francesco e Palma Serra, participarão da cerimônia ao lado dos pais na terceira estação, logo no início da procissão. Além deles, também levarão a cruz duas religiosas iraquianas e pessoas provenientes de Síria, Nigéria, Egito e China, entre outras.

No ano passado, participaram da cerimônia um operário, imigrantes, internos de um centro de reabilitação, presidiários e sem-teto.

Na tarde desta Sexta-feira, às 17h de Roma (12h de Brasília), o Papa celebra a Missa da Paixão na Basílica de São Pedro.

A RV transmite ambos os eventos com comentários em português, a partir das 11h55 e 16h05, hora de Brasília,

(CM)

3 de abril de 2015 at 10:03 Deixe um comentário

«Elevado da terra, atrairei todos a Mim» (Jo 12,32) – reflexão de Santo Efrém, doutor da Igreja

Hoje, avança a cruz, a criação exulta; a cruz, caminho dos perdidos, esperança dos cristãos, pregação dos apóstolos, segurança do universo, fundamento da Igreja, fonte para os que têm sede. […] Em grande doçura, Jesus é conduzido à Paixão: é conduzido ao julgamento de Pilatos; à hora sexta, escarnecem dele; até à hora nona, suporta a dor dos pregos; depois, a morte põe fim à sua Paixão. Na décima segunda hora, é descido da cruz: parece com um leão adormecido. […]

Durante o julgamento, a Sabedoria cala-Se e o Verbo nada diz. Os seus inimigos desprezam-No e crucificam-No. […] Aqueles a quem, ontem, tinha dado o seu corpo em alimento vêem-No morrer de longe. Pedro, o primeiro dos apóstolos, foi o primeiro a fugir. André também fugiu, e João, que se inclinou sobre o seu peito, não impediu que um soldado Lhe perfurasse o lado com a lança. Os Doze fugiram; não disseram uma palavra em sua defesa, eles, por quem Ele dá a vida. Lázaro não está lá, ele, a quem Ele chamou à vida. O cego não chorou Aquele que lhe abriu os olhos para a luz, e os coxos, que graças a Ele podiam andar, não correram para junto dele.

Apenas um bandido, crucificado a seu lado, O confessa e Lhe chama seu rei. Ó ladrão, flor precoce da árvore da cruz, primeiro fruto da madeira do Gólgota […]! O Senhor reina: a criação rejubila. A cruz triunfa, e todas as nações, tribos, línguas e povos (Ap 7,9) vêm adorá-Lo. […] A cruz restitui a luz a todo o universo, dissipa as trevas e reúne as nações […] numa só Igreja, numa só fé, num só baptismo no Amor. A cruz ergue-se no centro do mundo, cravada no Calvário.

Fonte: Evangelho Quotidiano

3 de abril de 2015 at 9:59 Deixe um comentário

Sexta-Feira Santa – Paixão do Senhor – São João 18, 1-19; 19, 1- 42 – dia 03 de abril

PRIMEIRA PARTE

João 18, 1-19 –

1.Depois dessas palavras, Jesus saiu com os seus discípulos para além da torrente de Cedron, onde havia um jardim, no qual entrou com os seus discípulos.

2.Judas, o traidor, conhecia também aquele lugar, porque Jesus ia freqüentemente para lá com os seus discípulos.

3.Tomou então Judas a coorte e os guardas de serviço dos pontífices e dos fariseus, e chegaram ali com lanternas, tochas e armas.

4.Como Jesus soubesse tudo o que havia de lhe acontecer, adiantou-se e perguntou-lhes: A quem buscais?

5.Responderam: A Jesus de Nazaré. Sou eu, disse-lhes. (Também Judas, o traidor, estava com eles.)

6.Quando lhes disse Sou eu, recuaram e caíram por terra.

7.Perguntou-lhes ele, pela segunda vez: A quem buscais? Disseram: A Jesus de Nazaré.

8.Replicou Jesus: Já vos disse que sou eu. Se é, pois, a mim que buscais, deixai ir estes.

9.Assim se cumpriu a palavra que disse: Dos que me deste não perdi nenhum (Jo 17,12).

10.Simão Pedro, que tinha uma espada, puxou dela e feriu o servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha direita. (O servo chamava-se Malco.)

11.Mas Jesus disse a Pedro: Enfia a tua espada na bainha! Não hei de beber eu o cálice que o Pai me deu?

12.Então a coorte, o tribuno e os guardas dos judeus prenderam Jesus e o ataram.

13.Conduziram-no primeiro a Anás, por ser sogro de Caifás, que era o sumo sacerdote daquele ano.

14.Caifás fora quem dera aos judeus o conselho: Convém que um só homem morra em lugar do povo.

15.Simão Pedro seguia Jesus, e mais outro discípulo. Este discípulo era conhecido do sumo sacerdote e entrou com Jesus no pátio da casa do sumo sacerdote,

16.porém Pedro ficou de fora, à porta. Mas o outro discípulo (que era conhecido do sumo sacerdote) saiu e falou à porteira, e esta deixou Pedro entrar.

17.A porteira perguntou a Pedro: Não és acaso também tu dos discípulos desse homem? Não o sou, respondeu ele.

18.Os servos e os guardas acenderam um fogo, porque fazia frio, e se aqueciam. Com eles estava também Pedro, de pé, aquecendo-se.

19.O sumo sacerdote indagou de Jesus acerca dos seus discípulos e da sua doutrina.

Jesus saiu com os seus discípulos para além da torrente de Cedron, onde havia um jardim, no qual entrou com os seus discípulos. Judas, o traidor, conhecia também aquele lugar, porque Jesus ia frequentemente para lá com os seus discípulos. Tomou então Judas a coorte e os guardas de serviço dos pontífices e dos fariseus, e chegaram ali com lanternas, tochas e armas

“Entre as oliveiras do Getsêmani, imerso nas trevas, aproxima-se agora uma pequena multidão: A guiá-la, Judas «um dos Doze» um discípulo de Jesus. Ele não pronuncia sequer uma palavra, é apenas uma gélida presença. Parece até que não consegue aproximar-se completamente do rosto de Jesus para beijá-lo, interrompido pela única voz que ressoa, a de Cristo: «Judas, com um beijo entregas o Filho do Homem?”. (Via-Sacra do Vaticano)

O Papa Emérito Bento XVI disse que “a traição como tal, aconteceu em dois momentos: Antes de tudo no planejamento, quando Judas se põe de acordo com os inimigos de Jesus por trinta moedas de prata (Mt 26, 14-16), e depois na execução com o beijo dado ao mestre no Getsêmani (Mt 26, 46-50)”. (Outubro de 2006)

Perguntou-lhes Ele, pela segunda vez: A quem buscais? Disseram: A Jesus de Nazaré. Replicou Jesus: Já vos disse que sou eu. Se é, pois, a mim que buscais, deixai ir estes

Papa Francisco disse que “no Horto das Oliveiras, como no processo diante de Pilatos, (Jesus) não opõe resistência, entrega-se; é o servo sofredor prenunciado por Isaías que se despoja de si mesmo até à morte (Is 53, 12)”.(2013)

“Naquela trágica noite escura do Getsêmani, «a noite em que foi entregue» (1 Cor 11, 23)… Jesus, sábio e onisciente, obedecendo ao desígnio salvífico do Pai, vai para o sacrifício pela libertação do gênero humano. Ao traidor-discípulo, resta o desprezo universal dos séculos, a «Maldição de Judas”. (Liturgia do Vaticano – 2002)

Simão Pedro, que tinha uma espada, puxou dela e feriu o servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha direita. (O servo chamava-se Malco). Mas Jesus disse a Pedro: Enfia a tua espada na bainha! Não hei de beber eu o cálice que o Pai me deu?

O Beato Paulo VI disse que Jesus repreendeu Pedro quando “no Jardim das Oliveiras, O quis defender com a espada: « Mete a espada na bainha. Não hei-de beber o cálice que o Pai Me deu? » (Jo 18, 11). Recordemos ainda o que diz o Evangelista Marcos: «o próprio Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em resgate por muitos » (Mc 10, 45; cfr. Is 53, 10 ss.)”.

São João Paulo II explicou: “Cristo repreende severamente Pedro quando ele pretende faze-lo abandonar os pensamentos sobre o sofrimento e a morte na Cruz. E quando, no momento de Ele ser preso no Getsêmani, o mesmo Pedro procura defendê-lo com a espada, Cristo diz-lhe: « Mete a tua espada na bainha … Como se cumpririam então as Escrituras, segundo as quais é necessário que assim suceda? ». E diz ainda: « Não hei-de eu beber o cálice que meu Pai me deu?”.

Então a coorte, o tribuno e os guardas dos judeus prenderam Jesus e o ataram. Conduziram-no primeiro a Anás, por ser sogro de Caifás, que era o sumo sacerdote daquele ano. Caifás fora quem dera aos judeus o conselho: Convém que um só homem morra em lugar do povo

O Catecismo (596) ensina: “O sumo sacerdote Caifás propôs, profetizando: «E do vosso interesse que morra um só homem pelo povo e não pereça a nação inteira» (Jo 11, 50). O Sinédrio, tendo declarado Jesus «réu de morte» como blasfemo, mas tendo perdido o direito de condenar à morte fosse quem fosse, entregou Jesus aos romanos, acusando-O de revolta política— o que O colocava em pé de igualdade com que Barrabás, acusado de «sedição» (Lc 23, 19). São também de carácter político as ameaças que os sumos-sacerdotes fazem a Pilatos, pressionando-o a condenar Jesus à morte”.

Simão Pedro seguia Jesus, e mais outro discípulo. Este discípulo era conhecido do sumo sacerdote e entrou com Jesus no pátio da casa do sumo sacerdote,porém Pedro ficou de fora, à porta. Mas o outro discípulo (que era conhecido do sumo sacerdote) saiu e falou à porteira, e esta deixou Pedro entrar. A porteira perguntou a Pedro: Não és acaso também tu dos discípulos desse homem? Não o sou, respondeu ele.

“Que aconteceu a Cefas, a Rocha? Renegou o seu Redentor, não uma nem duas, mas três vezes… Mas logo que o olhar de Jesus se cruza com o de Pedro, o apóstolo reconhece o seu triste erro. Humilhado, chora e pede perdão a Deus”. (Vaticano- Via-Sacra)

O Catecismo (§1429) ensina: “Comprova-o a conversão de São Pedro após a tríplice negação de seu mestre. O olhar de infinita misericórdia de Jesus provoca lágrimas de arrependimento e, depois da Ressurreição do Senhor, a afirmação, três vezes reiterada, de seu amor por ele”.

SEGUNDA PARTE

São João 19, 1-42

  1. Pilatos mandou então flagelar Jesus.
  2. Os soldados teceram de espinhos uma coroa e puseram-lha sobre a cabeça e cobriram-no com um manto de púrpura.
  3. Aproximavam-se dele e diziam: Salve, rei dos judeus! E davam-lhe bofetadas.
  4. Pilatos saiu outra vez e disse-lhes: Eis que vo-lo trago fora, para que saibais que não acho nele nenhum motivo de acusação.
  5. Apareceu então Jesus, trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura. Pilatos disse: Eis o homem!
  6. Quando os pontífices e os guardas o viram, gritaram: Crucifica-o! Crucifica-o! Falou-lhes Pilatos: Tomai-o vós e crucificai-o, pois eu não acho nele culpa alguma.
  7. Responderam-lhe os judeus: Nós temos uma lei, e segundo essa lei ele deve morrer, porque se declarou Filho de Deus.
  8. Estas palavras impressionaram Pilatos.
  9. Entrou novamente no pretório e perguntou a Jesus: De onde és tu? Mas Jesus não lhe respondeu.
  10. Pilatos então lhe disse: Tu não me respondes? Não sabes que tenho poder para te soltar e para te crucificar?
  11. Respondeu Jesus: Não terias poder algum sobre mim, se de cima não te fora dado. Por isso, quem me entregou a ti tem pecado maior.
  12. Desde então Pilatos procurava soltá-lo. Mas os judeus gritavam: Se o soltares, não és amigo do imperador, porque todo o que se faz rei se declara contra o imperador.
  13. Ouvindo estas palavras, Pilatos trouxe Jesus para fora e sentou-se no tribunal, no lugar chamado Lajeado, em hebraico Gábata.
  14. (Era a Preparação para a Páscoa, cerca da hora sexta.) Pilatos disse aos judeus: Eis o vosso rei!
  15. Mas eles clamavam: Fora com ele! Fora com ele! Crucifica-o! Pilatos perguntou-lhes: Hei de crucificar o vosso rei? Os sumos sacerdotes responderam: Não temos outro rei senão César!
  16. Entregou-o então a eles para que fosse crucificado.
  17. Levaram então consigo Jesus. Ele próprio carregava a sua cruz para fora da cidade, em direção ao lugar chamado Calvário, em hebraico Gólgota.
  18. Ali o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio.
  19. Pilatos redigiu também uma inscrição e a fixou por cima da cruz. Nela estava escrito: Jesus de Nazaré, rei dos judeus.
  20. Muitos dos judeus leram essa inscrição, porque Jesus foi crucificado perto da cidade e a inscrição era redigida em hebraico, em latim e em grego.
  21. Os sumos sacerdotes dos judeus disseram a Pilatos: Não escrevas: Rei dos judeus, mas sim: Este homem disse ser o rei dos judeus.
  22. Respondeu Pilatos: O que escrevi, escrevi.
  23. Depois de os soldados crucificarem Jesus, tomaram as suas vestes e fizeram delas quatro partes, uma para cada soldado. A túnica, porém, toda tecida de alto a baixo, não tinha costura.
  24. Disseram, pois, uns aos outros: Não a rasguemos, mas deitemos sorte sobre ela, para ver de quem será. Assim se cumpria a Escritura: Repartiram entre si as minhas vestes e deitaram sorte sobre a minha túnica (Sl 21,19). Isso fizeram os soldados.
  25. Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena.
  26. Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho.
  27. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa.
  28. Em seguida, sabendo Jesus que tudo estava consumado, para se cumprir plenamente a Escritura, disse: Tenho sede.
  29. Havia ali um vaso cheio de vinagre. Os soldados encheram de vinagre uma esponja e, fixando-a numa vara de hissopo, chegaram-lhe à boca.
  30. Havendo Jesus tomado do vinagre, disse: Tudo está consumado. Inclinou a cabeça e rendeu o espírito.
  31. Os judeus temeram que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque já era a Preparação e esse sábado era particularmente solene. Rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados.
  32. Vieram os soldados e quebraram as pernas do primeiro e do outro, que com ele foram crucificados.
  33. Chegando, porém, a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas,
  34. mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água.
  35. O que foi testemunha desse fato o atesta (e o seu testemunho é digno de fé, e ele sabe que diz a verdade), a fim de que vós creiais.
  36. Assim se cumpriu a Escritura: Nenhum dos seus ossos será quebrado (Ex 12,46).
  37. E diz em outra parte a Escritura: Olharão para aquele que transpassaram (Zc 12,10).
  38. Depois disso, José de Arimatéia, que era discípulo de Jesus, mas ocultamente, por medo dos judeus, rogou a Pilatos a autorização para tirar o corpo de Jesus. Pilatos permitiu. Foi, pois, e tirou o corpo de Jesus.
  39. Acompanhou-o Nicodemos (aquele que anteriormente fora de noite ter com Jesus), levando umas cem libras de uma mistura de mirra e aloés.
  40. Tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no em panos com os aromas, como os judeus costumam sepultar.
  41. No lugar em que ele foi crucificado havia um jardim, e no jardim um sepulcro novo, em que ninguém ainda fora depositado.
  42. Foi ali que depositaram Jesus por causa da Preparação dos judeus e da proximidade do túmulo.

Aproximavam-se dele e diziam: Salve, rei dos judeus! E davam-lhe bofetadas. Pilatos saiu outra vez e disse-lhes: Eis que vo-lo trago fora, para que saibais que não acho nele nenhum motivo de acusação. Apareceu então Jesus, trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura. Pilatos disse: Eis o homem!

“Ouve os gritos: À morte! Ele, o autor da vida, é arrastado como um farrapo de um para outro tribunal. O povo, o seu povo tão amado, tão cumulado de bênçãos, vocifera contra Ele, insulta-o, reclama aos gritos a sua morte, e que morte, a morte sobre a cruz. Ouve as suas falsas acusações. Vê-se flagelado, coroado de espinhos, escarnecido, apupado como falso rei. Vê-se condenado à cruz, subindo ao Calvário, sucumbindo ao peso do madeiro, trêmulo, exausto…” (São Padre Pio)

São Pio X: “O quarto artigo do Credo ensina-nos que Jesus Cristo, para remir o mundo com o seu precioso Sangue, padeceu sob Pôncio Pilatos, governador da Judéia, e morreu no madeiro da Cruz, da qual foi descido, e no fim sepultado. A palavra padeceu exprime todos os sofrimentos suportados por Jesus Cristo na sua Paixão”.

Era a Preparação para a Páscoa, cerca da hora sexta.) Pilatos disse aos judeus: Eis o vosso rei! Mas eles clamavam: Fora com ele! Fora com ele! Crucifica-o! Pilatos perguntou-lhes: Hei de crucificar o vosso rei? Os sumos sacerdotes responderam: Não temos outro rei senão César! Entregou-o então a eles para que fosse crucificado. Levaram então consigo Jesus. Ele próprio carregava a sua cruz para fora da cidade, em direção ao lugar chamado Calvário, em hebraico Gólgota.

O Papa Francisco disse: “Olhem! Jesus, com a sua cruz, atravessa os nossos caminhos e carrega os nossos medos, os nossos problemas, os nossos sofrimentos, mesmo os mais profundos. Com a cruz, Jesus se une ao silêncio das vítimas da violência, que já não podem clamar, sobretudo os inocentes e indefesos; na cruz Jesus se une às famílias que passam por dificuldades, e as que choram a trágica perda de seus filhos…”. (Via-Sacra com os jovens em Copacabana)

“Meu Deus e Senhor, prostrado aos vossos pés, contrito e arrependido, peço-vos humildemente acompanhar o vosso divino Filho no caminho doloroso de sua Paixão, chorando os meus pecados, causa de tantos sofrimentos”. (São Pedro Julião Eymard)

Ali o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio. Pilatos redigiu também uma inscrição e a fixou por cima da cruz. Nela estava escrito: Jesus de Nazaré, rei dos judeus. Muitos dos judeus leram essa inscrição, porque Jesus foi crucificado perto da cidade e a inscrição era redigida em hebraico, em latim e em grego. Os sumos sacerdotes dos judeus disseram a Pilatos: Não escrevas: Rei dos judeus, mas sim: Este homem disse ser o rei dos judeus. Respondeu Pilatos: O que escrevi, escrevi

O Cardeal Camillo Ruini resumiu assim: “Eram nove horas da manhã quando O crucificaram. O letreiro com o motivo da condenação dizia: “O Rei dos Judeus”! Com Ele crucificaram dois ladrões, um à direita e outro à esquerda. Jesus é pregado na cruz. Uma tortura tremenda. E enquanto está suspenso na cruz, muitos são aqueles que o escarnecem e provocam”.

“Crucificaram-no! Esta é a condenação reservada a Jesus, Senhor nosso: Cravos ásperos, dores pungentes, a angústia da Mãe, a vergonha de ser agregado a dois bandidos, as vestes divididas como despojo entre os soldados, as zombarias cruéis dos transeuntes: «Salvou os outros e não pode salvar-se a si mesmo (…), desça da cruz e acreditaremos n’Ele» (Mt 27, 42)”. (Via-Sacra do Coliseu- 2014)

Depois de os soldados crucificarem Jesus, tomaram as suas vestes e fizeram delas quatro partes, uma para cada soldado. A túnica, porém, toda tecida de alto a baixo, não tinha costura. Disseram, pois, uns aos outros: Não a rasguemos, mas deitemos sorte sobre ela, para ver de quem será. Assim se cumpria a Escritura: Repartiram entre si as minhas vestes e deitaram sorte sobre a minha túnica (Sl 21,19). Isso fizeram os soldados

“A túnica de Cristo não foi e não poderá ser dividida. “Pode-se, acaso, dividir Cristo?”, dizia Paulo (cf. 1 Cor 1, 13). É a fé que professamos no Credo: “Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica”. (Frei Raniero Cantalamessa)

Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa

São João Paulo II disse que “a Virgem Maria “era não só aquela que “avançou na peregrinação da fé” e conservou fielmente a sua união com o Filho “até à cruz”, mas também a “Serva do Senhor” deixada por seu Filho como mãe no seio da Igreja nascente: “Eis a tua mãe”. assim começou a estabelecer-se um vínculo especial entre esta mãe e a Igreja. Com efeito, a Igreja nascente era fruto da cruz e da ressurreição do seu Filho”. (1987)

“De pé a Mãe dolorosa, junto da cruz, lacrimosa, via Jesus que pendia. No coração transpassado sentia o gládio enterrado de uma cruel profecia. Mãe entre todas bendita, do Filho único, aflita, à imensa dor assistia. E, suspirando, chorava, e da cruz não se afastava, ao ver que o Filho morria. Pobre mãe, tão desolada, ao vê-la assim transpassada, quem de dor não choraria?” (Liturgia das Horas)

Em seguida, sabendo Jesus que tudo estava consumado, para se cumprir plenamente a Escritura, disse: Tenho sede. Havia ali um vaso cheio de vinagre. Os soldados encheram de vinagre uma esponja e, fixando-a numa vara de hissopo, chegaram-lhe à boca.

São João Paulo II disse: “Logo em seguida, Jesus exclama: “Tenho sede” (Jo 19, 28). Frase que traduz a secura terrível que abrasa todo o seu corpo. É a única palavra que fala diretamente do seu sofrimento físico”. (Ano de 2000)

O Cardeal Camillo Ruini explicou: “Para que a escritura se cumprisse até o fim, (Jesus) disse: “Tenho sede”. Havia ali uma jarra cheia de vinagre. Amarraram numa vara uma esponja embebida de vinagre e levaram-na à boca de Jesus. Ele tomou o vinagre e disse: “Tudo está consumado”. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito. Quando a morte chega, depois de uma dolorosa enfermidade, costuma-se dizer com alívio: “Parou de sofrer”. Em certo sentido, estas palavras valem também para Jesus”.

Havendo Jesus tomado do vinagre, disse: Tudo está consumado. Inclinou a cabeça e rendeu o espírito. Os judeus temeram que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque já era a Preparação e esse sábado era particularmente solene. Rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados

O Catecismo (§ 607) ensina: “Este desejo de desposar o desígnio de amor redentor de Seu Pai anima toda a vida de Jesus pois sua Paixão Redentora é a razão de ser de sua Encarnação: “Pai, salva-me desta hora. Mas foi precisamente para esta hora que eu vim” (Jo 12,27).

O Papa Francisco disse que “a morte e a ressurreição de Jesus são exatamente o coração da nossa esperança. Sem esta fé na morte e na ressurreição de Jesus, a nossa esperança será frágil, mas não será sequer esperança, e precisamente a morte e a ressurreição de Jesus são o coração da nossa esperança”.

“Não é possível pensar no Calvário, sem amar a Jesus Cristo, que lá quis morrer por nosso amor”. (Santo Afonso de Ligório)

“O louvor de Deus cantemos com fervor no coração, pois agora a hora sexta nos convida à oração. Nesta hora foi-nos dada gloriosa salvação pela morte do Cordeiro, que na cruz trouxe o perdão”. (Liturgia das Horas)

Vieram os soldados e quebraram as pernas do primeiro e do outro, que com ele foram crucificados. Chegando, porém, a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água. O que foi testemunha desse fato o atesta (e o seu testemunho é digno de fé, e ele sabe que diz a verdade), a fim de que vós creiais. Assim se cumpriu a Escritura: Nenhum dos seus ossos será quebrado (Ex 12,46). E diz em outra parte a Escritura: Olharão para aquele que transpassaram (Zc 12,10).

Frei Raniero Cantalamessa disse: “O soldado perfurou o lado de Cristo na Cruz “para que se cumprisse a Escritura, que diz: Hão-de olhar para aquele que transpassaram” (Jo 19, 37). No Apocalipse, ele acrescenta: “Eis que vem sobre as nuvens e todo olho o verá; até os mesmos que o transpassaram, e todas as tribos da terra se lamentarão por Ele” (Ap 1,7)”. (2013)

O Papa Emérito Bento XVI explicou: “Lançando “o olhar àquele que foi transpassado” (Jo 19,37), podemos chegar a seu coração que emana sangue e água como de uma fonte; daquele coração do qual brota o amor de Deus por todo o homem, recebemos o seu Espírito”. (Abril de 2011)

Depois disso, José de Arimatéia, que era discípulo de Jesus, mas ocultamente, por medo dos judeus, rogou a Pilatos a autorização para tirar o corpo de Jesus. Pilatos permitiu. Foi, pois, e tirou o corpo de Jesus. Acompanhou-o Nicodemos (aquele que anteriormente fora de noite ter com Jesus), levando umas cem libras de uma mistura de mirra e aloés. Tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no em panos com os aromas, como os judeus costumam sepultar. No lugar em que ele foi crucificado havia um jardim, e no jardim um sepulcro novo, em que ninguém ainda fora depositado. Foi ali que depositaram Jesus por causa da Preparação dos judeus e da proximidade do túmulo.

O Papa Emérito Bento XVI disse assim: “José de Arimateia, um rico e competente membro do Sinédrio, pediu corajosamente a Pôncio Pilatos para poder sepultar Jesus no seu sepulcro novo, que tinha sido escavado na rocha a pouca distância do Gólgota. Ao obter a autorização, comprou um lençol e, deposto o corpo de Jesus da cruz, envolveu-o com o lençol e colocou-o naquele túmulo” (Mc 15, 42-46). (2010)

O Catecismo (§625) ensina: “A permanência do corpo de Cristo no túmulo constitui o laço real entre o estado passível de Cristo antes da páscoa e o seu estado glorioso atual de ressuscitado. É a mesma pessoa do «vivente» que pode dizer: «Estive morto e eis-me vivo pelos séculos dos séculos (Ap 1, 18)”.

Nossa Senhora das Dores

“Considera como, havendo expirado o Senhor, lhe baixaram da Cruz dois de seus discípulos. José e Nicodemos, e lhe depositaram nos braços de sua dolorosíssima Mãe, Maria, que lhe recebeu com ternura e lhe apertou contra seu peito traspassado de dor. Oh! Mãe dolorosíssima: Pelo amor deste Filho, admiti-me por vosso servo e rogai-lhe por mim. E Vós, Redentor meu, já que haveis querido morrer por mim, recebei-me no número dos que vos amam mais, pois eu não quero amar nada fora de Vós”. (Santo Afonso de Ligório)

Conclusão

De São Pio X: “Para nos salvarmos, não basta que Jesus Cristo tenha morrido por nós, mas é necessário que sejam aplicados, a cada um de nós, o fruto e os merecimentos da sua Paixão e morte, aplicação que se faz, sobretudo, por meio dos Sacramentos, instituídos para este fim pelo mesmo Jesus Cristo; e, como muitos ou não recebem os Sacramentos, ou não os recebem com as condições devidas, eles tornam inútil para si próprios a morte de Jesus Cristo”.

Oração

De São João Paulo II: “Jesus, vítima inocente do pecado, acolhei-nos como companheiros do vosso caminho pascal, que conduz da morte à vida e ensinai-nos a viver o tempo que passamos na terra radicados na fé em Vós, que nos amastes e Vos entregastes a Vós mesmo por nós (Gal 2, 20). Vós sois Cristo, o único Senhor, que vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém”.

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

27 de março de 2015 at 10:06 Deixe um comentário

«ROSTO DE CRISTO, ROSTO DO HOMEM» – Um trecho da Via-Sacra do Coliseu

DEPARTAMENTO PARA AS CELEBRAÇÕES LITÚRGICAS DO SUMO PONTÍFICE

VIA-SACRA NO COLISEU

PRESIDIDA POR SUA SANTIDADE O PAPA FRANCISCO

SEXTA-FEIRA SANTA Roma, 18 de Abril de 2014

 MEDITAÇÕES preparadas por Sua Excelência Reverendíssima D. Giancarlo Maria Bregantini Arcebispo de Campobasso-Boiano

 

INTRODUÇÃO

Adoramus te, Christe

Schola cantorum:

Adoramus te, Chiste, et benedicimus tibi, quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum. Domine, miserere nobis.

Santo Padre:

V/. In nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti. R/. Amen.

Leitor:

«Aquele que viu estas coisas é que dá testemunho delas e o seu testemunho é verdadeiro. E ele bem sabe que diz a verdade, para vós crerdes também. É que isto aconteceu para se cumprir a Escritura, que diz: Não se lhe quebrará nenhum osso. E também outro passo da Escritura diz: Hão-de olhar para aquele que trespassaram» (Jo 19, 35-37).

Amável Jesus, subistes ao Gólgota sem hesitar, obrigação de amor, e deixastes-Vos crucificar sem lamento. Humilde Filho de Maria, tomastes o peso da nossa noite para nos mostrar com quanta luz queríeis dilatar-nos o coração. Nas vossas dores, está a nossa redenção, nas vossas lágrimas se desenha «a Hora» da revelação do Amor gratuito de Deus. Sete vezes perdoados, nos vossos últimos suspiros de Homem entre os homens, a todos nos levais de volta ao coração do Pai, para nos indicar, nas vossas últimas palavras, o caminho da redenção para toda a nossa dor. Vós, o Todo Encarnado, aniquilais-Vos na Cruz, compreendido apenas por Aquela, a Mãe, que fielmente «estava» ao pé daquele patíbulo. A vossa sede é fonte de esperança sempre acesa, mão estendida mesmo para o malfeitor arrependido, que hoje, graças a Vós, doce Jesus, entra no paraíso. A todos nós, Senhor Jesus Crucificado, concedei a vossa infinita Misericórdia, perfume de Betânia sobre o mundo, gemido de vida para a humanidade. E no fim, abandonados nas mãos do vosso Pai, abri-nos a porta da Vida que não morre. Amen.

 

19 de abril de 2014 at 6:54 Deixe um comentário

Papa: “Na Cruz, vemos a monstruosidade do homem quando se deixa guiar pelo mal”

 

2014-04-19 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – “Nosso Jesus, guia-nos da cruz à ressurreição e ensina-nos que o mal não terá a última palavra, mas o amor, a misericórdia e o perdão”: palavras pronunciadas pelo Papa Francisco ao final da Via-Sacra no Coliseu de Roma – uma meditação que não estava prevista.
Francisco evocou os sofrimentos provocados pela doença e o abandono e condenou as injustiças cometidas por “cada Caim contra o seu irmão”.
Após as 14 estações, Francisco disse que Deus colocou na cruz de Cristo o peso dos pecados da humanidade, “a amargura” da traição, a “vaidade” dos prepotentes, a “arrogância dos falsos amigos”.
“Era uma cruz pesada, como a noite das pessoas abandonadas, como a morte dos entes queridos”, afirmou, recordando todavia que era também “uma cruz gloriosa”, porque simboliza o amor de Deus, que é maior do que nossas injustiças e nossas traições.
“Na cruz vemos a monstruosidade do homem quando se deixa guiar pelo mal, mas também vemos a imensidão da misericórdia de Deus, que não nos trata segundo os nossos pecados, mas segundo a sua misericórdia”.
Diante da cruz de Jesus, vemos, quase tocando com as mãos, quanto somos amados eternamente por Deus – disse ainda o Pontífice, recordando que neste momento nos sentimos seus filhos e não ‘coisas’ ou objetos. [
Citando S. Gregório Nazianzeno, o Papa completou: “Nosso Jesus, guia-nos da cruz à ressurreição e ensina-nos que o mal não terá a última palavras, mas o amor, a misericórdia e o perdão. Todos juntos, recordemos os doentes, lembremos todas as pessoas abandonadas sob o peso da cruz, a fim de que encontrem na provação da cruz a força da esperança, da esperança da ressurreição e do amor de Deus”.
Injustiças, precariedade, desemprego: cerca de 40 mil fiéis acompanharam, no Coliseu, a procissão com os últimos do mundo, com os “novos crucificados”. Para Francisco, cada estação da Via-Sacra corresponde a uma ferida contemporânea: o peso da crise, os imigrantes, os doentes terminais, a exploração das mulheres, mas também a experiência da prisão, da tortura, da solidão.
As meditações foram propostas pelo Arcebispo de Campobasso-Boiano, Dom Giancarlo Bregantini, com o teve como tema “Rosto de Cristo, Rosto do Homem”.
A cruz foi carregada por cardeais, operários e empresários, imigrantes, sem-teto, detentos, mulheres, doentes, crianças e idosos.
Na cruz levada por Jesus até ao calvário, escreveu Dom Bregantini, estão “o peso de todas as injustiças que produziram a crise econômica, com as suas graves consequências sociais: precariedade, desemprego, demissões, dinheiro que governa em vez de servir, especulação financeira, suicídios de empresários, corrupção e usura, juntamente com empresas que deixam os países”.
O Arcebispo pediu que se chore “pelas mulheres escravizadas pelo medo e a exploração”, mas recordou que “não basta bater no peito e sentir comiseração”. As mulheres devem “ser tranquilizadas como Ele fez, devem ser amadas como um dom inviolável para toda a humanidade”.
Numa das estações, D. Giancarlo Bregantini criticou também as condenações e “acusações fáceis, os juízos superficiais entre o povo, as insinuações e os preconceitos que fecham o coração e se tornam cultura racista, de exclusão e de descarte”.
Segundo D. Giancarlo Bregantini, Jesus ensina a viver “não mais na injustiça, mas capazes, com a sua ajuda, de criar pontes de solidariedade e esperança”.
O texto fala ainda da dor de “toda mãe por seus filhos distantes, pelos jovens condenados à morte ou que partiram para a guerra, principalmente as crianças-soldado”, pelo filhos que morrem devido a incêndios de resíduos tóxicos ou viciados em droga e álcool.
Por fim, os detidos nos cárceres, com todas as suas desumanas contradições, como a burocracia, os suicídios, a lentidão da Justiça e a superlotação. Mais grave, no entanto, é a prática da tortura. “Em cada prisão, ao lado de cada torturado, está sempre Ele, o Cristo sofredor, encarcerado e torturado.”
(BF)

19 de abril de 2014 at 6:44 Deixe um comentário

Celebração da Paixão do Senhor: a traição de Judas continua na história e o traído é sempre Jesus

 

2014-04-18 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco presidiu, na tarde desta Sexta-feira Santa, na Basílica Vaticana, a celebração da Paixão do Senhor, com o rito da Adoração da Cruz, que caracteriza esta celebração. Como habitual nesta ocasião, a homilia foi feita pelo pregador da Casa Pontifícia, Frei Raniero Cantalamessa.
“Estava com eles também Judas, o traidor.” A homilia do frei capuchinho partiu desta afirmação, frisando que a primeira comunidade cristã tem refletido muito sobre ele e que nós faríamos mal se não o fizéssemos o mesmo. Judas tem muito a nos dizer, destacou.
O religioso lembrou que “Judas não tinha nascido traidor e não o era quando foi escolhido por Jesus; tornou-se! Estamos diante de um dos dramas mais obscuros da liberdade humana. Por que se tornou?” – perguntou.
Frei Cantalamessa recordou que em anos não distantes tentou-se dar a seu gesto motivações ideais, outros pensaram que Judas estivesse desapontado com a maneira em que Jesus realizou a sua idéia do “reino de Deus” e que quisesse forçá-lo a agir no plano político contra os pagãos.
Os Evangelhos falam de um motivo muito mais terra-terra – observou: o dinheiro. Judas tinha a responsabilidade da bolsa comum do grupo; na ocasião da unção em Betânia havia protestado contra o desperdício do perfume precioso derramado por Maria aos pés de Jesus, não porque se preocupasse pelos pobres, assinala João, mas porque “era um ladrão e, como tinha a bolsa, tirava o que se colocava dentro”(Jo 12, 6). A sua proposta aos chefes dos sacerdotes é explícita: “Quanto estão dispostos a dar-me, se vo-lo entregar? E eles fixaram a soma de trinta moedas de prata” (Mt 26, 15).
Mas por que maravilhar-se desta explicação e achar que ela é banal? Não foi quase sempre assim na história e não é ainda assim hoje em dia? Mamona, o dinheiro, não é um dos muitos ídolos; é o ídolo por excelência; literalmente, “o ídolo de metal fundido” (cf. Ex 34, 17), frisou o pregador da Casa Pontifícia.
Quem é, nos fatos, o outro patrão, o anti-Deus, Jesus no-lo diz claramente: “Ninguém pode servir a dois senhores: não podeis servir a Deus e a Mamona” (Mt 6, 24). O dinheiro é o “deus visível”, em oposição ao verdadeiro Deus que é invisível.
Mamona é o anti-Deus, porque cria um universo espiritual alternativo, muda o objeto das virtudes teologais. Fé, esperança e caridade não são mais colocados em Deus, mas no dinheiro. Ocorre uma sinistra inversão de todos os valores. “Tudo é possível ao que crê”, diz a Escritura (Mc 9, 23); mas o mundo diz: “Tudo é possível para quem tem dinheiro”. E, em certo sentido, todos os fatos parecem dar-lhe razão.
Citando a Escritura, Frei Cantalamessa lembrou que “o apego ao dinheiro é a raiz de todos os males”. Por trás de todo o mal da nossa sociedade está o dinheiro, ou pelo menos está também o dinheiro.
O que está por trás do tráfico de drogas que destrói tantas vidas humanas, a exploração da prostituição, o fenômeno das várias máfias, a corrupção política, a fabricação e comercialização de armas, e até mesmo – coisa horrível de se dizer – a venda de órgãos humanos removidos das crianças? E a crise financeira que o mundo atravessou e que este país ainda está atravessando, não é, em grande parte, devida à “deplorável ganância por dinheiro”, o auri sacra fames, de alguns poucos? Judas começou roubando um pouco de dinheiro da bolsa comum. Isso não diz nada para certos administradores do dinheiro público?
Mas sem pensar nesses modos criminosos de ganhar dinheiro, por acaso, já não é escandaloso que alguns percebam salários e pensões cem vezes maiores do que daqueles que trabalham nas suas casas, e que já levantem a voz só com a ameaça de ter que renunciar a algo, em vista de uma maior justiça social?
Como todos os ídolos, o dinheiro é “falso e mentiroso”: promete a segurança e, em vez disso, a tira; promete a liberdade e, em vez disso, a destrói, ressaltou Frei Cantalamessa.
Após afirmar que o deus dinheiro se encarrega de punir, ele mesmo, os seus adoradores, o frei capuchinho recordou que “é possível trair Jesus também por outros tipos de recompensa que não sejam as trinta moedas de prata. Trai a Cristo quem trai a própria esposa ou o próprio marido. Trai a Jesus o ministro de Deus infiel ao seu estado, ou que, em vez de apascentar o rebanho apascenta a si mesmo. Trai a Jesus quem trai a própria consciência”.
O religioso franciscano observou que Judas tinha um atenuante que nós não temos. Ele não sabia quem era Jesus, considerava-o somente “um homem justo”; não sabia que era o Filho de Deus, nós sim.
O Evangelho descreve o fim horrível de Judas: “Judas, que o havia traído, vendo que Jesus tinha sido condenado, se arrependeu, e devolveu as trinta moedas de prata aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos, dizendo: pequei, entregando-vos sangue inocente. Mas eles disseram: O que nos importa? O problema é seu. E ele, jogando as moedas no templo, partiu e foi enforcar-se” ( Mt 27 , 3-5).
Mas não julguemos apressadamente, disse o pregador da Casa Pontifícia. Jesus nunca abandonou a Judas e ninguém sabe onde ele caiu quando se jogou da árvore com a corda no pescoço: se nas mãos de Satanás ou naquelas de Deus. Quem pode dizer o que aconteceu na sua alma naqueles últimos instantes? “Amigo”, foi a última palavra que Jesus lhe disse no horto e ele não podia tê-la esquecido, como não podia ter esquecido o seu olhar.
O destino eterno da criatura é um segredo inviolável de Deus. A Igreja nos garante que um homem ou uma mulher proclamados santos estão na bem-aventurança eterna; mas de ninguém a Igreja sabe com certeza que esteja no inferno.
Da mesma forma que procurou o rosto de Pedro depois de sua negação para dar-lhe o seu perdão, terá procurado também o de Judas em algum momento da sua via crucis! Quando da cruz reza: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23 , 34), não exclui certamente deles a Judas.
Então, o que faremos, portanto, nós? Quem seguiremos, Judas ou Pedro? – perguntou o religioso. Pedro teve remorso pelo que ele tinha feito, mas também Judas teve remorso, tanto que gritou: “Eu traí sangue inocente!”, e devolveu as trinta moedas de prata. Onde está, então, a diferença? Em apenas uma coisa: Pedro teve confiança na misericórdia de Cristo, Judas não! O maior pecado de Judas não foi ter traído Jesus, mas ter duvidado da sua misericórdia.
Se nós o imitamos, quem mais quem menos, na traição, não o imitemos nesta sua falta de confiança no perdão, exortou. Existe um sacramento no qual é possível fazer uma experiência segura da misericórdia de Cristo: o sacramento da reconciliação. Como é belo este sacramento! É doce experimentar Jesus como mestre, como Senhor, mas ainda mais doce experimentá-lo como Redentor: como aquele que te tira para fora do abismo.
Concluindo, o pregador da Casa Pontifícia recordou que Jesus sabe fazer de todas as culpas humanas, uma vez que nos tenhamos arrependido, “felizes culpas”, culpas que não são mais lembradas a não ser pela experiência da misericórdia e pela ternura divina da qual foram ocasião! (RL)

18 de abril de 2014 at 17:29 Deixe um comentário

Sexta-Feira Santa – Celebração da Morte de Jesus na Cruz

18 de abril de 2014 at 11:29 Deixe um comentário

O sofrimento de Cristo

2014-04-18 Rádio Vaticana

Belo Horizonte (RV) – O mundo cristão contempla no horizonte a paixão e morte de Jesus Cristo, o Filho de Deus, na Sexta-feira Santa. Assim, celebra o mistério da salvação e, com reverência amorosa, faz ecoar um silêncio que é a via única para entender o mais perfeito gesto de amor da história da humanidade. Só esse silêncio não dispersa a inteligência na tarefa de inspirar-se pelo amor verdadeiro de Deus, para compreender o sentido redentor do sofrimento de Cristo. O sentido dessa paixão é a salvação de todos, caminho para o entendimento sábio e adequado da dor que acompanha a humanidade. Compreendê-lo é indispensável para que as muitas dificuldades não apaguem a chama da esperança, obscurecendo a vida.
Indispensável é o desafio de considerar como essencial à natureza humana aquilo que nós exprimimos com a palavra “sofrimento”. As muitas dores manifestam a profundidade que é própria do homem. Assim, o sofrimento parece pertencer ao domínio da transcendência. Indica que a humanidade está, em certo sentido, “destinada” à busca pela superação e é chamada, de modo misterioso, a seguir esse percurso. Uma caminhada que só é possível a partir de uma sabedoria adequada. Enfrentar o sofrimento sem essa consciência pode fazer crescer as lutas e disputas que promovem o caos da desumanização, afetando, de modo particular, a realidade contemporânea.
Sofrer é inerente à condição terrena do homem; mas é importante compreender que, pela paixão de Cristo na Cruz, o Salvador realizou a redenção da humanidade. Não se pode, portanto, evitar ou tratar com indiferença a realidade da dor. Todos devem assumir o dever cristão de ir ao encontro de cada pessoa que sofre. Assim, o padecer humano deve suscitar compaixão e inspirar também respeito, pois guarda a grandeza de um mistério específico. Esse respeito particular por todo e qualquer sofrimento humano merece ser claramente compreendido como necessidade profunda do coração e exigência da fé. Somos chamados, pela fé, a estar junto a cada irmão que sofre. A dor de cada um, à luz da fé, iluminada pela paixão de Cristo Salvador, não pode ser simplesmente objeto de descrição.
Oportuno é recordar a palavra do Bem-Aventurado João Paulo II na sua Carta Apostólica sobre o sentido cristão das mais diversas dores. Ele sublinha que o “sofrimento é algo mais amplo e mais complexo do que a doença”. Lembra que a ciência e suas terapias não conseguem compreender e tratar todas as dores, que formam uma dimensão “enraizada na própria humanidade”. João Paulo II alerta que a dor espiritual acompanha sempre as aflições físicas e morais: “A amplidão do sofrimento moral e a multiplicidade das suas formas não são menores do que as do sofrimento físico; mas, ao mesmo tempo, o primeiro apresenta-se como algo mais difícil de identificar e de ser atingido pela terapia”.
Todo sofrimento é sempre causado pelo mal. Caberá a permanente interrogação a respeito desse mal como possibilidade de uma experiência com força de recuperar a sociedade contemporânea da grave crise moral que ela enfrenta. Diante de todo sofrimento, no combate ao mal que o causa, a solidariedade é a dinâmica indispensável para construir um caminho humanitariamente possível e justo. Nenhuma dor pode ser entendida e enfrentada senão pela sabedoria do amor. E a fonte inesgotável dessa sabedoria é Deus. Jesus Cristo na Cruz, marcante pelo silêncio de sua morte, é a revelação plena do amor divino. Pelo sofrimento redentor de Cristo, Ele atinge as raízes do mal, também existencial e histórico. Existe, pois, um Evangelho do Sofrimento como fonte de imprescindíveis lições para que a humanidade enfrente os seus desafios. O capítulo central desse Evangelho, a ser aprendido para superar todo mal, é o mistério do sofrimento de Cristo. Hoje, Sexta-feira Santa, é oportunidade para que todos compreendam melhor o sentido desse mistério e se fortaleçam no enfrentamento de todas as dores do mundo.
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte (MG)

18 de abril de 2014 at 7:14 Deixe um comentário

Ó Cruz Fiel!

Ó CRUZ FIEL!
Ó Cruz fiel, entre todas a árvore mais nobre:
Nenhum bosque produz igual, em ramagens, frutos e flores.
Ó doce lenho, que os doces cravos e o doce peso sustentas.

Canta, ó língua, o glorioso combate [de Cristo],
e, diante do troféu da Cruz, proclama o nobre triunfo:
a vitória conseguida pelo Redentor, vítima imolada para o mundo.

O Criador teve pena do primitivo casal,
que foi ferido de morte, comendo o fruto fatal,
e marcou logo outra árvore para curar-se do mal.

Glória e poder à Trindade, ao Pai e ao Filho louvor,
honra ao Espírito Santo, eterna glória ao Senhor,
que nos salvou pela graça e nos reuniu no amor.

18 de abril de 2014 at 7:08 Deixe um comentário

Sexta-Feira Santa – Paixão do Senhor – Jejum e Abstinência – Evangelho de São João 18, 1-40

 

 

 

 

 

 

 

São João 18, 1-40,

1. Depois dessas palavras, Jesus saiu com os seus discípulos para além da torrente de Cedron, onde havia um jardim, no qual entrou com os seus discípulos.

2. Judas, o traidor, conhecia também aquele lugar, porque Jesus ia freqüentemente para lá com os seus discípulos.

3. Tomou então Judas a coorte e os guardas de serviço dos pontífices e dos fariseus, e chegaram ali com lanternas, tochas e armas.

4. Como Jesus soubesse tudo o que havia de lhe acontecer, adiantou-se e perguntou-lhes: A quem buscais?

5. Responderam: A Jesus de Nazaré. Sou eu, disse-lhes. (Também Judas, o traidor, estava com eles.)

6. Quando lhes disse Sou eu, recuaram e caíram por terra.

7. Perguntou-lhes ele, pela segunda vez: A quem buscais? Disseram: A Jesus de Nazaré.

8. Replicou Jesus: Já vos disse que sou eu. Se é, pois, a mim que buscais, deixai ir estes.

9. Assim se cumpriu a palavra que disse: Dos que me deste não perdi nenhum (Jo 17,12).

10. Simão Pedro, que tinha uma espada, puxou dela e feriu o servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha direita. (O servo chamava-se Malco.)

11. Mas Jesus disse a Pedro: Enfia a tua espada na bainha! Não hei de beber eu o cálice que o Pai me deu?

12. Então a coorte, o tribuno e os guardas dos judeus prenderam Jesus e o ataram.

13. Conduziram-no primeiro a Anás, por ser sogro de Caifás, que era o sumo sacerdote daquele ano.

14. Caifás fora quem dera aos judeus o conselho: Convém que um só homem morra em lugar do povo.

15. Simão Pedro seguia Jesus, e mais outro discípulo. Este discípulo era conhecido do sumo sacerdote e entrou com Jesus no pátio da casa do sumo sacerdote,

16. porém Pedro ficou de fora, à porta. Mas o outro discípulo (que era conhecido do sumo sacerdote) saiu e falou à porteira, e esta deixou Pedro entrar.

17. A porteira perguntou a Pedro: Não és acaso também tu dos discípulos desse homem? Não o sou, respondeu ele.

18. Os servos e os guardas acenderam um fogo, porque fazia frio, e se aqueciam. Com eles estava também Pedro, de pé, aquecendo-se.

19. O sumo sacerdote indagou de Jesus acerca dos seus discípulos e da sua doutrina.

20. Jesus respondeu-lhe: Falei publicamente ao mundo. Ensinei na sinagoga e no templo, onde se reúnem os judeus, e nada falei às ocultas.

21. Por que me perguntas? Pergunta àqueles que ouviram o que lhes disse. Estes sabem o que ensinei.

22. A estas palavras, um dos guardas presentes deu uma bofetada em Jesus, dizendo: É assim que respondes ao sumo sacerdote?

23. Replicou-lhe Jesus: Se falei mal, prova-o, mas se falei bem, por que me bates?

24. (Anás enviou-o preso ao sumo sacerdote Caifás.)

25. Simão Pedro estava lá se aquecendo. Perguntaram-lhe: Não és porventura, também tu, dos seus discípulos? Negou-o, dizendo: Não!

26. Disse-lhe um dos servos do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro cortara a orelha: Não te vi eu com ele no horto?

27. Mas Pedro negou-o outra vez, e imediatamente o galo cantou.

28. Da casa de Caifás conduziram Jesus ao pretório. Era de manhã cedo. Mas os judeus não entraram no pretório, para não se contaminarem e poderem comer a Páscoa.

29. Saiu, por isso, Pilatos para ter com eles, e perguntou: Que acusação trazeis contra este homem?

30. Responderam-lhe: Se este não fosse malfeitor, não o teríamos entregue a ti.

31. Disse, então, Pilatos: Tomai-o e julgai-o vós mesmos segundo a vossa lei. Responderam-lhe os judeus: Não nos é permitido matar ninguém.

32. Assim se cumpria a palavra com a qual Jesus indicou de que gênero de morte havia de morrer (Mt 20,19).

33. Pilatos entrou no pretório, chamou Jesus e perguntou-lhe: És tu o rei dos judeus?

34. Jesus respondeu: Dizes isso por ti mesmo, ou foram outros que to disseram de mim?

35. Disse Pilatos: Acaso sou eu judeu? A tua nação e os sumos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste?

36. Respondeu Jesus: O meu Reino não é deste mundo. Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus súditos certamente teriam pelejado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu Reino não é deste mundo.

37. Perguntou-lhe então Pilatos: És, portanto, rei? Respondeu Jesus: Sim, eu sou rei. É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo. Todo o que é da verdade ouve a minha voz.

38. Disse-lhe Pilatos: Que é a verdade?… Falando isso, saiu de novo, foi ter com os judeus e disse-lhes: Não acho nele crime algum.

39. Mas é costume entre vós que pela Páscoa vos solte um preso. Quereis, pois, que vos solte o rei dos judeus?

40. Então todos gritaram novamente e disseram: Não! A este não! Mas a Barrabás! (Barrabás era um salteador.

 

 

“Jesus assumiu a cruz por ser fiel ao Pai e à humanidade até o fim. Nesta tarde, unimo-nos a Ele, servo sofredor, e o acompanhamos em seu julgamento e condenação. Despojamento e silêncio marcam esta celebração, que consta de três partes: liturgia da Palavra, adoração de Cristo na cruz e rito da comunhão”. (Liturgia Diária)

 “Ele carrega em si o nosso sofrimento, a nossa pobreza, e a transforma segundo a vontade de Deus. E assim abre as portas do céu, abre o céu: esta tenda do Santíssimo, que até então o homem havia fechado contra Deus, é aberta por esse seu sofrimento e obediência. Adoraremos Cristo Crucificado, participaremos nos seus sofrimentos com a penitência e o jejum”. (Papa Emérito Bento XVI)

A Palavra: “Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos: e nós o reputávamos como um castigado, ferido por Deus e humilhado. Mas ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniqüidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças às suas chagas”. (Is 53,3- 4)

O Papa Emérito Bento XVI resumiu assim o Mistério da Paixão de Cristo: “A noite escura do Monte das Oliveiras, nela Se embrenhando Jesus com os seus discípulos; faz parte dela a solidão e o abandono vivido por Jesus, que, rezando, vai ao encontro da escuridão da morte; faz parte dela a traição de Judas e a prisão de Jesus, bem como a negação de Pedro; e ainda a acusação diante do Sinédrio e a entrega aos pagãos, a Pilatos. Nesta hora, procuremos compreender mais profundamente alguma coisa destes acontecimentos, porque neles se realiza o mistério da nossa Redenção”.

 

 

JESUS COM SEUS DISCÍPULOS NO JARDIM DAS OLIVEIRAS- VERSÍCULO 1…

“JESUS ESTAVA COM SEUS DISCÍPULOS EM AGONIA NO JARDIM DAS OLIVEIRAS. O JARDIM COM AS SUAS OLIVEIRAS NÃO DÁ ALÍVIO, NESTA NOITE. METE PENA O ROSTO MACERADO CONTRA A TERRA, DILACERA A DÚVIDA QUE FORTEMENTE PREME SOBRE O CORAÇÃO. DORMEM OS AMIGOS ESCOLHIDOS COMO COMPANHEIROS, OS MESMOS QUE PROMETERAM: ESTAREMOS SEMPRE CONVOSCO, JESUS. UMA SOLIDÃO IMENSA, QUE METE MEDO. FACE POR TERRA: NADA HÁ DE MAJESTOSO NESTA CENA SENÃO A SINCERIDADE DUM HOMEM QUE CONFESSA: «A MINHA ALMA ESTÁ NUMA TRISTEZA DE MORTE». ELE QUE ACALMAVA AS ÁGUAS AGITADAS PELO VENTO, AGORA NÃO PODE DAR A PAZ A SI MESMO”. (LITURGIA DO VATICANO- 2002)

A PALAVRA DIZ: “FORAM EM SEGUIDA PARA O LUGAR CHAMADO GETSÊMANI, E JESUS DISSE A SEUS DISCÍPULOS: SENTAI-VOS AQUI, ENQUANTO VOU ORAR. LEVOU CONSIGO PEDRO, TIAGO E JOÃO; E COMEÇOU A TER PAVOR E A ANGUSTIAR-SE. DISSE-LHES: A MINHA ALMA ESTÁ NUMA TRISTEZA MORTAL; FICAI AQUI E VIGIAI.  ADIANTANDO-SE ALGUNS PASSOS, PROSTROU-SE COM A FACE POR TERRA E ORAVA QUE, SE FOSSE POSSÍVEL, PASSASSE DELE AQUELA HORA. ABA! (PAI!), SUPLICAVA ELE. TUDO TE É POSSÍVEL; AFASTA DE MIM ESTE CÁLICE! CONTUDO, NÃO SE FAÇA O QUE EU QUERO, SENÃO O QUE TU QUERES. EM SEGUIDA, FOI TER COM SEUS DISCÍPULOS E ACHOU-OS DORMINDO. (MC 14, 33-37)

 

JESUS FOI TRAÍDO POR JUDAS –  VERSÍCULOS  1 A 9:

 “Entre as oliveiras do Getsêmani, imerso nas trevas, aproxima-se agora uma pequena multidão: a guiá-la, Judas «um dos Doze», um discípulo de Jesus. Na narrativa de Lucas, ele não pronuncia sequer uma palavra, é apenas uma gélida presença. Parece até que não consegue aproximar-se completamente do rosto de Jesus para beijá-lo, interrompido pela única voz que ressoa, a de Cristo: «Judas, com um beijo entregas o Filho do homem?». São palavras dolentes, mas firmes que revelam o emaranhado maligno que se aninha no coração agitado e endurecido do discípulo, talvez iludido e desiludido e, depois, desesperado”. (liturgia do Vaticano)

“NAQUELA TRÁGICA NOITE ESCURA DO GETSêMANI, «A NOITE EM QUE FOI ENTREGUE» (1 COR 11, 23)… JESUS, SÁBIO E ONISCIENTE, OBEDECENDO AO DESÍGNIO SALVÍFICO DO PAI, VAI PARA O SACRIFÍCIO PELA LIBERTAÇÃO DO GêNERO HUMANO. AO TRAIDOR-DISCÍPULO, RESTA O DESPREZO UNIVERSAL DOS SÉCULOS, A «MALDIÇÃO DE JUDAS”. ((LITURGIA  DO VATICANO-2002)

 

PEDRO QUIS DEFENDER JESUS COM A ESPADA – VERSÍCULOS 10 A 11

Jesus “predisse aos Seus discípulos que era necessário ir a Jerusalém Se submeter a muitos sofrimentos e depois ser morto, Pedro protestou e quis dissuadir Jesus deste projeto, mas o Mestre repreendeu-o severamente (Mt 16, 21-23), e repreendeu-o novamente, quando Pedro, no Jardim das Oliveiras, O quis defender com a espada: « Mete a espada na bainha. Não hei-de beber o cálice que o Pai Me deu? » (Jo 18, 11). Recordemos ainda o que diz o Evangelista Marcos: «o próprio Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em resgate por muitos » (Mc 10, 45;  Is 53, 10 ss.).

 

JESUS É PRESO E CONDUZIDO AO SUMO SACERDOTE ANÁS E DEPOIS AO SUMO SACERDOTE CAIFÁS QUE LHE INTERROGA – VERSÍCULOS 12 A 14. 19-24 

RESUMO: “CAIFÁS, JUNTAMENTE COM OUTROS SUMOS SACERDOTES E O SINÉDRIO DA ÉPOCA SÃO RETRATADOS INTERROGANDO JESUS, PROCURANDO POR “FALSAS EVIDÊNCIAS” COM AS QUAIS POSSAM INCRIMINAR JESUS, PORÉM NÃO CONSEGUEM DESCOBRI-LAS. JESUS PERMANECE EM SILÊNCIO DURANTE O PROCESSO, ATÉ QUE CAIFÁS LHE EXIGE QUE DIGA SE ELE É O CRISTO. JESUS DECLARA IMPLICITAMENTE QUE O É. CAIFÁS E OS OUTROS HOMENS O ACUSAM DE BLASFÊMIA, E ORDENAM QUE SEJA ESPANCADO”. (WIKIPÉDIA)

O BEATO JOÃO PAULO II DISSE: “RECORDEMO-NOS DAQUELE GESTO: QUANDO, NA NOITE ENTRE QUINTA E SEXTA-FEIRA, JESUS SE ENCONTROU DIANTE DO TRIBUNAL DO SINÉDRIO, O SUMO SACERDOTE FEZ-LHE A PERGUNTA: INTIMO-TE PELO DEUS VIVO QUE NOS DIGAS SE ÉS O CRISTO, O FILHO DE DEUS; E QUANDO JESUS DEU RESPOSTA AFIRMATIVA, CAIFÁS RASGOU AS VESTES ( MT 26, 59-68)”.

A PALAVRA DIZ: “LEVANTOU-SE O SUMO SACERDOTE E LHE PERGUNTOU: NADA TENS A RESPONDER AO QUE ESSA GENTE DEPÕE CONTRA TI? JESUS, NO ENTANTO, PERMANECIA CALADO. DISSE-LHE O SUMO SACERDOTE: POR DEUS VIVO, CONJURO-TE QUE NOS DIGAS SE ÉS O CRISTO, O FILHO DE DEUS? JESUS RESPONDEU: SIM. ALÉM DISSO, EU VOS DECLARO QUE VEREIS DORAVANTE O FILHO DO HOMEM SENTAR-SE À DIREITA DO TODO-PODEROSO, E VOLTAR SOBRE AS NUVENS DO CÉU. A ESTAS PALAVRAS, O SUMO SACERDOTE RASGOU SUAS VESTES, EXCLAMANDO: QUE NECESSIDADE TEMOS AINDA DE TESTEMUNHAS? ACABASTES DE OUVIR A BLASFÊMIA!” (MT 26, 62-65)

O CATECISMO (§596) ENSINA:  “O SUMO SACERDOTE CAIFÁS PROPÔS, PROFETIZANDO: «E DO VOSSO INTERESSE QUE MORRA UM SÓ HOMEM PELO POVO E NÃO PEREÇA A NAÇÃO INTEIRA» (JO 11, 50). O SINÉDRIO, TENDO DECLARADO JESUS «RÉU DE MORTE» COMO BLASFEMO, MAS TENDO PERDIDO O DIREITO DE CONDENAR À MORTE FOSSE QUEM FOSSE, ENTREGOU JESUS AOS ROMANOS, ACUSANDO-O DE REVOLTA POLÍTICA”.

“O ROSTO TRANSFIGURADO NO TABOR É DESFIGURADO NO PRETÓRIO: ROSTO DE QUEM, INSULTADO, NÃO RESPONDE DE QUEM, FLAGELADO, PERDOA DE QUEM, TORNADO ESCRAVO SEM NOME, LIBERTA A QUANTOS JAZEM NA ESCRAVIDÃO. JESUS AVANÇA DECIDIDAMENTE PELO CAMINHO DA DOR”. (VIA-SACRA- VATICANO)

 

A NEGAÇÃO DE PEDRO – VERSÍCULOS 15 A 18. 25-27

“O GALO CANTA PELA SEGUNDA VEZ, E AS LÁGRIMAS DE PEDRO ROLAM ATÉ AO CHÃO. QUE ACONTECEU A CEFAS, A ROCHA? RENEGOU O SEU REDENTOR,NÃO UMA NEM DUAS, MAS TRÊS VEZES.TAL COMO A SUA FÉ VACILARA QUANDO PROCUROU CAMINHAR SOBRE A ÁGUA, DO MESMO MODO, UMA VEZ MAIS, PEDRO REVELA A SUA FRAQUEZA… MAS LOGO QUE O OLHAR DE JESUS SE CRUZA COM O DE PEDRO, O APÓSTOLO RECONHECE O SEU TRISTE ERRO.HUMILHADO, CHORA E PEDE PERDÃO A DEUS”.(VATICANO- VIA-SACRA)

O CATECISMO (§1429) ENSINA: “COMPROVA-O A CONVERSÃO DE 5. PEDRO APÓS A TRÍPLICE NEGAÇÃO DE SEU MESTRE. O OLHAR DE INFINITA MISERICÓRDIA DE JESUS PROVOCA LÁGRIMAS DE ARREPENDIMENTO E, DEPOIS DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR, A AFIRMAÇÃO, TRÊS VEZES REITERADA, DE SEU AMOR POR E1E. A SEGUNDA CONVERSÃO TAMBÉM POSSUI UMA DIMENSÃO COMUNITÁRIA. ISTO APARECE NO APELO DO SENHOR  A TODA UMA IGREJA: “CONVERTE-TE!” (AP 2,5.16).

 

JESUS NO TRIBUNAL DE PILATOS – VERSÍCULOS 28-40

O Beato João Paulo II disse: “Não é suficiente a pena cruel da flagelação, infligida ao Acusado. Quando o Procurador apresenta à multidão Jesus flagelado e coroado de espinhos, usa uma frase que, no seu modo de ver, deveria quebrar a intransigência da praça. Apontando para Jesus, diz: “Ecce homo! Eis o homem!” Mas, a resposta foi: “Crucifica-O, crucifica-O!” Pilatos procura então fazê-los raciocinar: “Tomai-O vós e crucificai-O; eu não encontro n’Ele culpa alguma” ( Jo 19, 5-7).

Padre Bantu disse que “a atitude de Pilatos revela a nossa omissão diante das coisas erradas que presenciamos e, lavamos as mãos porque achamos que não compete a nós e não temos “nada a ver com isto”. Diante de Pilatos Jesus não se justificou nem tampouco se acovardou, mas somente esclareceu: O meu reino não é deste mundo”.

“Seja crucificado”, este grito ressoa com força sempre que um ser humano é maltratado. Todos os dias, cada um de nós transforma-se num juiz. Pensamos que temos o direito de julgar e condenar o comportamento dos outros, mas recusamos ser objeto de censura ou de juízo alheio. Sempre encontramos uma justificação para as nossas culpas e os nossos erros. Jesus responde com o silêncio ao ver a hipocrisia e a soberba do poder, a indiferença daqueles que se subtraem às suas responsabilidades. Confirma assim o ensinamento dado aos discípulos: «Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados» (Lc 6, 37) (Via-sacra de Sexta-feira- Vaticano)

 

Conclusão

O Catecismo (§1851) ensina: “É justamente na paixão, em que a misericórdia de Cristo vai vencê-lo, que o pecado manifesta o grau mais alto de sua violência e de sua multiplicidade: incredulidade, ódio assassino, rejeição e zombarias da parte dos chefes e do povo, covardia de Pilatos e crueldade dos soldados, traição de Judas, tão dura para Jesus, negação de Pedro e abandono da parte dos discípulos. Mas, na própria hora das trevas e do príncipe deste mundo, o sacrifício de Cristo se toma secretamente a fonte de onde brotará inesgotavelmente o perdão de nossos pecados”.

 

Oração

 “Jesus, Vós fizestes-vos o menor de todos os homens, deixastes-Vos cair na terra como um grão de trigo. Agora, deste grão brotou a árvore da Vida, que abraça o universo. Fazei Senhor que, como as piedosas mulheres foram de manhãzinha ao vosso túmulo com bálsamo e unguentos, venhamos também nós ao vosso encontro com os aromas e perfumes do nosso pobre amor. Jesus, Vós estais à espera nas nossas igrejas: esperais ansioso alguém que saiba fazer-se pequeno e humilde, como Vós, na Eucaristia, adorar-Vos e testemunhar o vosso amor diante dos homens, reconhecer-Vos no pobre e no sofredor. Fazei que cada um de nós se torne vosso adorador e vossa testemunha no mistério do sacrário eucarístico e no sacramento do homem faminto, sedento, enfermo. A Vós, Jesus, de face serena na rígida solenidade da morte, o nosso amor e a nossa adoração, neste entardecer e no dia que não conhece ocaso. Amém”. (Via-Sacra- Vaticano).

 

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

12 de abril de 2014 at 20:35 Deixe um comentário

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