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Papa: Jesus Cristo, o único que nos justifica e nos faz renascer, nenhum outro

Praça São Pedro na Audiência Geral

”Na manhã de Páscoa, levem as crianças até a torneira e lavem os olhos delas. Será um sinal de como ver Jesus Ressuscitado”, disse o Papa ao concluir sua catequese sobre o Tríduo Pascal.

Cidade do Vaticano

O anúncio de que Cristo ressuscitou é o centro de nossa fé!

O Papa Francisco dedicou a catequese da Audiência Geral desta quarta-feira ao Tríduo Pascal, “para aprofundar um pouco” o que representam para nós, crentes,  os dias “mais importantes do ano litúrgico”, que constituem “a memória celebrativa de um único grande mistério: a morte e a ressurreição do Senhor Jesus”.

O Papa começou perguntando aos 12 mil fiéis presentes na Praça São Pedro qual era a festa mais importante da nossa fé, a Páscoa ou o Natal?

E recordou, que até aos 15 anos, ele acreditava que fosse o Natal, “mas todos erramos”, pois é a Páscoa, “porque é a festa da nossa salvação, a festa do amor de Deus por nós, a festa, a celebração da sua morte e ressurreição”.

Tríduo Pascal

“O Tríduo – explicou  o Pontífice  – começa amanhã com a Missa  da Ceia do Senhor e se concluirá com as vésperas do Domingo da Ressurreição, depois vem a “Pasquetta” para celebrar esta grande festa”, mas estes dias constituem a memória celebrativa de um grande único mistério: a morte e a ressurreição do Senhor Jesus.

Estes dias marcam as etapas fundamentais de nossa fé e da nossa vocação no mundo, e todos os cristãos são chamados a viver os três dias Santos como, por assim dizer, a “matriz” de sua vida pessoal e comunitária, como viveram os nossos irmãos judeus o êxodo do Egito.

Estes três dias, de fato –frisou o Papa – “repropõe ao povo cristão os grandes eventos da salvação operados por Cristo, e assim o projetam no horizonte de seu destino futuro e o fortalecem no seu compromisso de testemunha na história”.

O Canto da Sequência anuncia solenemente que “Cristo, nossa esperança, ressuscitou e nos precede na Galileia”. Aqui,  Tríduo Pascal encontra seu ápice, disse Francisco, que explica:

Ele contém não somente um anúncio de alegria e de esperança, mas também um apelo à responsabilidade e à missão. E não acaba com a “colomba” (especiaria pascal italiana, ndr), os ovos, as festas. Isto é bonito, é bonito porque é a festa de família, mas não fica nisto. Começa ali com o caminho à missão, ao anúncio: Cristo ressuscitou”.

E este anúncio, ao qual o Tríduo conduz preparando-nos para acolhê-lo, é o centro de nossa fé e da nossa esperança, é o cerne, é o anúncio, é o kerigma que continuamente evangeliza a Igreja e que esta, por sua vez, é convidada a evangelizar”.

Batismo

“O Cordeiro que foi imolado”. Assim São Paulo fala de Cristo, e com Ele “as coisas velhas passaram, eis que tudo se fez novo”.  No Tríduo Pascal “a memória deste acontecimento fundamental se faz celebração plena de reconhecimento e, ao mesmo tempo, renova nos batizados o sentido de sua nova condição”:

“E por isto, no dia de Páscoa, desde o início se batizava as pessoas. Também na noite deste sábado eu batizarei aqui, em São Pedro, oito pessoas adultas que começam a vida cristã. E começa tudo: nasceram de novo”.

Cristo, o único que nos justifica

São Paulo também nos recorda que Cristo “foi entregue à morte por causa de nossas culpas e ressuscitou para nossa justificação”:

“O único, o único que nos justifica; o único que nos faz renascer de novo é Jesus Cristo. Nenhum outro. E por isto não se deve pagar nada, porque a justificação – o fazer-se justos – é gratuita. E esta é a grandeza do amor de Jesus: dá a vida gratuitamente para nos fazer santos, para nos renovar, para nos perdoar. E isto é o cerne deste Tríduo Pascal”.

No Tríduo Pascal é renovado nos batizados o sentido de sua nova condição, como diz São Paulo: “Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto”:

“Olhem para o alto. Olhar, olhar o horizonte, ampliar os horizontes: esta é a nossa fé, esta é a nossa justificação, este é o estado de graça”.

“Um cristão, se verdadeiramente deixa-se lavar por Cristo, se verdadeiramente deixa-se despojar por Ele do homem velho para caminhar em uma vida nova, mesmo permanecendo pecador – porque todos o somos – não pode ser corrupto: a justificação de Jesus nos salva da corrupção – somos pecadores, mas não corruptos -, não pode viver com a morte na alma e muito menos ser causa de morte”.

Falsos cristãos

O Papa então, diz que “deve dizer uma coisa triste e dolorosa”:

“Existem cristãos fingidos, aqueles que dizem “Jesus ressuscitou”, “eu fui justificado por Jesus”, estou na vida nova, mas vivo uma vida corrupta. E estes falsos cristãos acabarão mal. O cristão – repito, é pecador – todos o somos, eu sou. O corrupto finge ser uma pessoa honrada, mas no final, no seu coração existe a podridão. Jesus nos dá uma vida nova. O cristão não pode viver com a morte na alma e nem ser causa de morte.”

Pensemos – para não ir muito longe – pensemos em casa, pensemos nos assim chamados “cristãos mafiosos”. Mas eles, de cristão, não têm nada. Dizem-se cristãos, mas levam a morte na alma, e aos outros. Rezemos por eles, para que o Senhor toque as suas almas”.

Lavar os olhos das crianças

O Papa recorda que em muitos países, no dia de Páscoa, quando tocam os sinos, as mães, as avós, lavam os olhos das crianças com água, com a água da vida, em um sinal para que possam ver as coisas de Jesus, as coisas novas.

“Deixemo-nos nesta Páscoa – foi o convite de Francisco – nos lavar a alma, nos lavar os olhos da alma, para ver as coisas belas, e fazer  coisas belas. E isto é maravilhoso! Esta é justamente a Ressurreição de Jesus após a sua morte, que foi o preço para salvar todos nós”.

Presença da Virgem Maria

O Papa convida a nos dispormos a viver bem este Tríduo Santo já iminente  “para estar sempre mais profundamente inseridos no mistério de Cristo, morto e ressuscitado por nós” e pede que a Virgem Maria nos acompanhe neste itinerário espiritual:

Ela, “que seguiu Jesus na sua paixão, ela estava lá, olhava, sofria, esteve presente e unida a Ele aos pés da cruz, mas não se envergonhava do filho. Uma mãe nunca se envergonha do filho. Estava lá, e recebeu em seu coração de mãe a imensa alegria da ressurreição. Que ela nos obtenha a graça de estarmos interiormente envolvidos pelas celebrações dos próximos dias, para que o nosso coração e a nossa vida sejam realmente transformados por elas”.

O Santo Padre conclui, desejando a todos “os mais cordiais votos de uma feliz e santa Páscoa, juntamente com as comunidades de vocês e os seus queridos”.

E dou um conselho a vocês, disse o Santo Padre concluir: ”Na manhã de Páscoa, levem as crianças até a torneira e lavem os olhos delas. Será um sinal de como ver Jesus Ressuscitado”.

29 de março de 2018 at 5:48 Deixe um comentário

Oração do Papa Francisco em 14 de abril de 2017

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Ó Cristo deixado sozinho e traído até pelos teus e vendido a baixo preço.

Ó Cristo julgado pelos pecadores, entregue pelos Chefes.

Ó Cristo ferido na carne, coroado de espinhos e vestido de púrpura. Ó Cristo espancado e crucificado de modo atroz.

Ó Cristo trespassado pela lança que dilacerou o teu coração.

Ó Cristo morto e sepultado, tu que és o Deus da vida e da existência.

Ó Cristo, nosso único Salvador, voltamos a ti também este ano com os olhos baixos de vergonha e com o coração cheio de esperança:

De vergonha por todas as imagens de devastações, destruições e naufrágio que se tornaram comuns na nossa vida;

Vergonha pelo sangue inocente que diariamente é derramado por mulheres, crianças, imigrantes e pessoas perseguidas pela cor da pele ou pela pertença étnica e social e pela fé em Ti;

Vergonha pelas demasiadas vezes que, como Judas e Pedro, te vendemos e traímos, deixando-te sozinho a morrer pelos nossos pecados, fugindo como cobardes das nossas responsabilidades;

Vergonha pelo nosso silêncio diante das injustiças: pelas nossas mãos preguiçosas para dar e ávidas para agarrar e conquistar; pela nossa voz vibrante para defender os nossos interesses e tímida para falar daqueles dos outros; pelos nossos pés velozes no caminho do mal e paralisados naquele do bem;

Vergonha por todas as vezes que nós Bispos, Sacerdotes, consagrados e consagradas escandalizámos e ferimos o teu corpo, a Igreja; e esquecemos o nosso primeiro amor, o nosso primeiro entusiasmo e a nossa total disponibilidade, deixando que o nosso coração e a nossa consagração se enferrujassem.

Muita vergonha Senhor mas o nosso coração está saudoso também da esperança confiante que tu não nos tratas segundo os nossos méritos mas unicamente de acordo com a abundância da tua Misericórdia; que as nossas traições não fazem falhar a imensidade do teu amor; que o teu coração, materno e paterno, não nos esquece pela dureza das nossas vísceras;

A esperança certa de que os nossos nomes estão gravados no teu coração e que temos lugar na pupila dos teus olhos;

A esperança de que a tua Cruz transforma os nossos corações endurecidos em coração de carne capazes de sonhar, perdoar e amar; transforma esta noite tenebrosa da tua cruz em alvorada fulgurante da tua Ressurreição;

A esperança de que a tua fidelidade não se baseia na nossa:

A esperança de que a fila de homens e mulheres fiéis à tua Cruz continua e continuará a viver fiel como o fermento que dá sabor e como a luz que abre novos horizontes no corpo da nossa humanidade ferida;

A esperança de que a tua Igreja procurará ser a voz que clama no deserto da humanidade a fim de preparar o caminho do teu regresso triunfal, quando vieres julgar os vivos e os mortos;

A esperança de que o bem vencerá não obstante a sua aparente derrota!

Ó Senhor Jesus, Filho de Deus, vítima inocente da nossa salvação, diante da tua nobreza, do teu mistério de morte e de glória, diante do teu patíbulo, ajoelhamo-nos, envergonhados e esperançosos, e pedimos-te que nos laves no sangue e na água que brotaram do teu Coração dilacerado; que perdoes os nossos pecados e culpas;

Pedimos-te que te recordes dos nossos irmãos sufocados pela violência, pela indiferença e pela guerra;

Pedimos-te que rompas as correntes que nos mantêm prisioneiros no nosso egoísmo, na nossa cegueira voluntária e na vaidade dos nossos cálculos mundanos.

Ó Cristo, pedimos-te que nos ensines a nunca nos envergonhar da tua Cruz, a não a instrumentalizar mas a honrá-la e adorá-la, porque com ela Tu nos manifestaste a monstruosidade dos nossos pecados, a grandeza do teu amor, a injustiça dos nossos julgamentos e o poder da tua misericórdia. Amém!

 

23 de março de 2018 at 5:49 Deixe um comentário

A Paixão do Senhor – Liturgia das Horas

introdução ouvir:   V. Vinde, ó Deus em meu auxílio.  R. Socorrei-me sem demora. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre. Amém.  Esta introdução se omite quando o Invitatório precede imediatamente às Laudes.

Hino

O fel lhe dão por bebida sobre o madeiro sagrado. Espinhos, cravos e lança ferem seu corpo e seu lado. No sangue e água que jorram, mar, terra e céu são lavados.

Ó cruz fiel sois a árvore mais nobre em meio às demais, que selva alguma produz com flor e frutos iguais. Ó lenho e cravos tão doces, um doce peso levais.

Árvore, inclina os teus ramos, abranda as fibras mais duras. A quem te fez germinar minora tantas torturas. Leito mais brando oferece ao Santo Rei das alturas.

Só tu, ó Cruz, mereceste suster o preço do mundo e preparar para o náufrago um porto, em mar tão profundo. Quis o cordeiro imolado banhar-te em sangue fecundo.

Glória e poder à Trindade. Ao Pai e ao Filho Louvor. Honra ao Espírito Santo. Eterna glória ao Senhor, que nos salvou pela graça e nos remiu pelo amor.

Salmodia  Ant. 1 Olhai, Senhor, e contemplai meu sofrimento!  Escutai-me e vinde logo em meu auxílio!

2 de abril de 2015 at 11:31 1 comentário

Mas o que quer dizer a Semana Santa para nós? Papa Francisco (2013)

 

Irmãos e irmãs, bom dia!

Estou feliz por vos receber nesta minha primeira Audiência geral. É com grande reconhecimento e veneração que recebo o «testemunho» das mãos do meu amado predecessor Bento XVI. Depois da Páscoa retomaremos as catequeses do Ano da fé. Hoje, gostaria de meditar um pouco sobre a Semana Santa. Com o Domingo de Ramos demos início a esta Semana — centro de todo o Ano litúrgico — em que acompanhamos Jesus na sua Paixão, Morte e Ressurreição.

Mas o que quer dizer a Semana Santa para nós? O que significa seguir Jesus no seu caminho no Calvário rumo à Cruz e à Ressurreição? Na sua missão terrena, Jesus percorreu as estradas da Terra Santa; chamou doze pessoas simples, para que permanecessem com Ele, compartilhassem o seu caminho e continuassem a sua missão; escolheu-as do meio do povo cheio de fé nas promessas de Deus. Falou a todos, sem distinção, aos grandes e aos humildes, ao jovem rico e à viúva pobre, aos poderosos e os frágeis; levou a misericórdia e o perdão de Deus; curou, confortou e compreendeu; infundiu esperança; levou a todos a presença do Deus que se interessa por cada homem e mulher, como faz um bom pai e uma boa mãe para com cada um dos seus filhos. Deus não esperou que fôssemos ter com Ele, mas foi Ele que caminhou ao nosso encontro, sem cálculos, sem medidas. Deus é assim: Ele dá sempre o primeiro passo, é Ele que vem ao nosso encontro. Jesus viveu as realidades diárias das pessoas mais comuns: comoveu-se diante da multidão que parecia um rebanho sem pastor; chorou perante o sofrimento de Marta e Maria, devido à morte do irmão Lázaro; chamou um publicano para ser seu discípulo; sofreu até a traição de um amigo. Nele Deus conferiu-nos a certeza de que está connosco, no meio de nós. «As raposas — disse Jesus — têm as suas tocas, e as aves do céu os seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça» (Mt 8, 20). Jesus não tem uma casa porque a sua casa é o povo, somos nós, a sua missão consiste em abrir as portas de Deus para todos, em ser a presença de amor de Deus.

Na Semana Santa nós vivemos o ápice deste caminho, deste desígnio de amor que atravessa toda a história das relações entre Deus e a humanidade. Jesus entra em Jerusalém para dar o último passo, no qual resume toda a sua existência: entrega-se totalmente, nada conserva para si, nem sequer a vida. Na Última Ceia, com os seus amigos, partilha o pão e distribui o cálice «por nós». O Filho de Deus oferece-se a nós, entrega nas nossas mãos o seu Corpo e o seu Sangue para estar sempre connosco, para habitar no meio de nós. E no Horto das Oliveiras, como no processo diante de Pilatos, não opõe resistência, entrega-se; é o Servo sofredor prenunciado por Isaías que se despoja de si mesmo até à morte (cf. Is 53, 12).

Jesus não vive este amor que conduz ao sacrifício de modo passivo ou como um destino fatal; sem dúvida, não esconde a sua profunda perturbação diante da morte violenta, mas entrega-se ao Pai com plena confiança. Jesus entregou-se voluntariamente à morte para corresponder ao amor de Deus Pai, em união perfeita com a sua vontade, para demonstrar o seu amor por nós. Na cruz, Jesus «amou-me e entregou-se a si mesmo por mim» (Gl 2, 20). Cada um de nós pode dizer: amou-me e entregou-se por mim. Cada um pode dizer este «por mim».

O que significa tudo isto para nós? Significa que este é também o meu, o teu, o nosso caminho. Viver a Semana Santa seguindo Jesus não só com a comoção do coração; viver a Semana Santa seguindo Jesus quer dizer aprender a sairmos de nós mesmos — como eu disse no domingo passado — para ir ao encontro dos outros, para ir às periferias da existência, sermos os primeiros a ir ao encontro dos nossos irmãos e irmãs, sobretudo dos mais distantes, de quantos estão esquecidos, dos que têm mais necessidade de compreensão, conforto e ajuda. Há muita necessidade de levar a presença viva de Jesus misericordioso e rico de amor!

Viver a Semana Santa significa entrar cada vez mais na lógica de Deus, na lógica da Cruz, que não é em primeiro lugar a da dor e da morte, mas do amor e do dom de si que dá vida. Significa entrar na lógica do Evangelho. Seguir, acompanhar Cristo, permanecer com Ele exige um «sair», sair. Sairmos de nós mesmos, de um modo de viver a fé cansado e rotineiro, da tentação de nos fecharmos nos nossos esquemas, que acabam por fechar o horizonte da obra criativa de Deus. Deus saiu de si mesmo para vir ao meio de nós, montou a sua tenda entre nós, para nos trazer a sua misericórdia que salva e dá esperança. Também nós, se quisermos segui-lo e permanecer com Ele, não devemos contentar-nos em permanecer no recinto das noventa e nove ovelhas, mas temos que «sair», procurar com Ele a ovelha tresmalhada, a mais distante. Recordai bem: sairmos de nós, como Jesus, como Deus saiu de si mesmo em Jesus, e Jesus saiu de si próprio por todos nós.

Alguém poderia dizer-me: «Mas, padre, não tenho tempo», «tenho muitas coisas para fazer», «é difícil», «o que posso fazer com as minhas poucas forças, também com o meu pecado, com tantas coisas?». Muitas vezes contentamo-nos com algumas preces, com uma Missa dominical distraída e inconstante, com alguns gestos de caridade, mas não temos esta coragem de «sair» para anunciar Cristo. Somos um pouco como são Pedro. Assim que Jesus fala de paixão, morte e ressurreição, de dom de si, de amor por todos, o Apóstolo chama-o à parte e repreende-o. Aquilo que Jesus diz altera os seus planos, parece inaceitável, põe em dificuldade as seguranças que tinha construído para si, a sua ideia de Messias. Jesus olha para os discípulos e dirige a Pedro talvez uma das palavras mais duras dos Evangelhos: «Afasta-te de mim, Satanás, porque os teus sentimentos não são de Deus, mas dos homens» (Mc 8, 33). Deus pensa sempre com misericórdia: não o esqueçais. Deus pensa sempre com misericórdia: é o Pai misericordioso! Deus pensa como o pai que espera o regresso do filho e vai ao seu encontro; vê-o chegar, e quando ainda está longe… Que significa? Que todos os dias ia ver se o filho voltava para casa: este é o nosso Pai misericordioso. É o sinal que o esperava de coração na varanda da sua casa. Deus pensa como o samaritano, que não passa perto do desventurado, comiserando-o ou desviando o olhar, mas socorrendo-o sem nada pedir em troca; sem lhe perguntar se era judeu, pagão, samaritano, rico ou pobre: nada lhe pergunta. Não lhe pergunta estas coisas, nada pergunta. Vai em sua ajuda: Deus é assim. Deus pensa como o pastor que dá a sua vida para defender e salvar as ovelhas.

A Semana Santa é um tempo de graça que o Senhor nos concede para abrir as portas do nosso coração, da nossa vida, das nossas paróquias — que lástima, tantas paróquias fechadas! — dos movimentos, das associações, e «sair» ao encontro dos outros, aproximar-nos para levar a luz e a alegria da nossa fé. Sair sempre! E isto com amor, e com a ternura de Deus, no respeito e na paciência, conscientes de que nós oferecemos as nossas mãos, os nossos pés e o nosso coração, mas depois é Deus quem os guia e torna fecunda cada uma das nossas obras.

Faço votos a todos, para que vivais bem estes dias, seguindo o Senhor com coragem, levando em nós mesmos um raio do seu amor a quantos encontrarmos.

Fonte: Site do Vaticano

16 de abril de 2014 at 9:04 Deixe um comentário

Semana Santa – Uma Semana Especial na vida do Cristão – Canção Nova

 

10 de abril de 2014 at 8:02 Deixe um comentário

Uma Gota de sangue que salva…

 

Olá gente

Estamos nos aproximando da Semana Santa, procure incentivar seus filhos, catequizandos a viverem com atenção cada celebração da Semana Santa, para isso é necessário explicar a importância de cada dia.

Estamos postando hoje uma atividade, aproveite para esclarecer as crianças todas as dúvidas que elas tem a respeito da Semana Santa.

Deus abençoe.

Para acessar clique abaixo:

 

4 de abril de 2014 at 9:22 Deixe um comentário

Viver a Semana Santa é entrar sempre mais na lógica de Deus, na lógica da Cruz, por Papa Francisco

Catequese do Papa Francisco; Semana Santa- 27/03/2013CATEQUESE Praça São Pedro – Vaticano Quarta-feira, 27 de março de 2013

 

 

Boletim da Santa Sé Tradução: Jéssica Marçal

Irmãos e irmãs, bom dia!

Tenho o prazer de acolher-vos nesta minha primeira Audiência Geral. Com grande reconhecimento e veneração acolho o “testemunho” das mãos do meu amado predecessor Bento XVI. Depois da Páscoa retomaremos as catequeses do Ano da Fé. Hoje gostaria de concentrar-me um pouco sobre a Semana Santa. Com o Domingo de Ramos iniciamos esta Semana – centro de todo o Ano Litúrgico – na qual acompanhamos Jesus em sua Paixão, Morte e Ressurreição.

Mas o que pode querer dizer viver a Semana Santa para nós? O que significa seguir Jesus em seu caminho no Calvário para a Cruz e a ressurreição? Em sua missão terrena, Jesus percorreu os caminhos da Terra Santa; chamou 12 pessoas simples para que permanecessem com Ele, compartilhando o seu caminho e para que continuassem a sua missão; escolheu-as entre o povo cheio de fé nas promessas de Deus. Falou a todos, sem distinção, aos grandes e aos humildes, ao jovem rico e à pobre viúva, aos poderosos e aos indefesos; levou a misericórdia e o perdão de Deus; curou, consolou, compreendeu; doou esperança; levou a todos a presença de Deus que se interessa por cada homem e cada mulher, como faz um bom pai e uma boa mãe para cada um de seus filhos. Deus não esperou que fôssemos a Ele, mas foi Ele que se moveu para nós, sem cálculos, sem medidas. Deus é assim: Ele dá sempre o primeiro passo, Ele se move para nós. Jesus viveu a realidade cotidiana do povo mais comum: comoveu-se diante da multidão que parecia um rebanho sem pastor; chorou diante do sofrimento de Marta e Maria pela morte do irmão Lázaro; chamou um cobrador de impostos como seu discípulo; sofreu também a traição de um amigo. Nele Deus nos doou a certeza de que está conosco, em meio a nós. “As raposas – disse Ele, Jesus – as raposas têm suas tocas e as aves do céu os seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde repousar a cabeça” (Mt 8, 20). Jesus não tem casa porque a sua casa é o povo, somos nós, a sua missão é abrir a todos as portas de Deus, ser a presença do amor de Deus.

Na Semana Santa nós vivemos o ápice deste momento, deste plano de amor que percorre toda a história da relação entre Deus e a humanidade. Jesus entra em Jerusalém para cumprir o último passo, no qual reassume toda a sua existência: doa-se totalmente, não tem nada para si, nem mesmo a vida. Na Última Ceia, com os seus amigos, compartilha o pão e distribui o cálice “por nós”. O Filho de Deus se oferece a nós, entrega em nossas mãos o seu Corpo e o seu Sangue para estar sempre conosco, para morar em meio a nós. E no Monte das Oliveiras, como no processo diante de Pilatos, não oferece resistência, doa-se; é o Servo sofredor profetizado por Isaías que se despojou até a morte (cfr Is 53,12).

Jesus não vive este amor que conduz ao sacrifício de modo passivo ou como um destino fatal; certamente não esconde a sua profunda inquietação humana diante da morte violenta, mas se confia com plena confiança ao Pai. Jesus entregou-se voluntariamente à morte para corresponder ao amor de Deus Pai, em perfeita união com a sua vontade, para demonstrar o seu amor por nós. Na cruz Jesus “me amou e entregou a si mesmo” (Gal 2,20). Cada um de nós pode dizer: amou-me e entregou a si mesmo por mim. Cada um pode dizer este “por mim”.

O que significa tudo isto para nós? Significa que este é também o meu, o teu, o nosso caminho. Viver a Semana Santa seguindo Jesus não somente com a emoção do coração; viver a Semana Santa seguindo Jesus quer dizer aprender a sair de nós mesmos – como disse domingo passado – para ir ao encontro dos outros, para ir para as periferias da existência, mover-nos primeiro para os nossos irmãos e as nossas irmãs, sobretudo aqueles mais distantes, aqueles que são esquecidos, aqueles que tema mais necessidade de compreensão, de consolação, de ajuda. Há tanta necessidade de levar a presença viva de Jesus misericordioso e rico de amor!

Viver a Semana Santa é entrar sempre mais na lógica de Deus, na lógica da Cruz, que não é antes de tudo aquela da dor e da morte, mas aquela do amor e da doação de si que traz vida. É entrar na lógica do Evangelho. Seguir, acompanhar Cristo, permanecer com Ele exige um “sair”, sair. Sair de si mesmo, de um modo cansado e rotineiro de viver a fé, da tentação de fechar-se nos próprios padrões que terminam por fechar o horizonte da ação criativa de Deus. Deus saiu de si mesmo para vir em meio a nós, colocou a sua tenda entre nós para trazer-nos a sua misericórdia que salva e doa esperança. Também nós, se desejamos segui-Lo e permanecer com Ele, não devemos nos contentar em permanecer no recinto das 99 ovelhas, devemos “sair”, procurar com Ele a ovelha perdida, aquela mais distante. Lembrem-se bem: sair de nós mesmo, como Jesus, como Deus saiu de si mesmo em Jesus e Jesus saiu de si mesmo por todos nós.

Alguém poderia dizer-me: “Mas, padre, não tenho tempo”, “tenho tantas coisas a fazer”, “é difícil”, “o que posso fazer com as minhas poucas forças, também com o meu pecado, com tantas coisas?”. Sempre nos contentamos com alguma oração, com uma Missa dominical distraída e não constante, com qualquer gesto de caridade, mas não temos esta coragem de “sair” para levar Cristo. Somos um pouco como São Pedro. Assim que Jesus fala de paixão, morte e ressurreição, de doação de si, de amor para todos, o Apóstolo o leva para o lado e o repreende. Aquilo que diz Jesus perturba os seus planos, parece inaceitável, coloca em dificuldade as seguranças que se havia construído, a sua ideia de Messias. E Jesus olha para os discípulos e dirige a Pedro talvez uma das palavras mais duras dos Evangelhos: “Afasta-te de mim, Satanás, porque teus sentimentos não são os de Deus, mas os dos homens” (Mc 8, 33). Deus pensa sempre com misericórdia: não se esqueçam disso. Deus pensa sempre com misericórdia: é o Pai misericordioso! Deus pensa como o pai que espera o retorno do filho e vai ao seu encontro, vê-lo vir quando ainda é distante…O que isto significa? Que todos os dias ia ver se o filho retornava a casa: este é o nosso Pai misericordioso. É o sinal que o esperava de coração no terraço de sua casa. Deus pensa como o samaritano que não passa próximo à vítima olhando por outro lado, mas socorrendo-a sem pedir nada em troca; sem perguntar se era judeu, se era pagão, se era samaritano, se era rico, se era pobre: não pergunta nada. Não pergunta essas coisas, não pergunta nada. Vai em seu auxílio: assim é Deus. Deus pensa como o pastor que doa a sua vida para defender e salvar as ovelhas.

A Semana Santa é um tempo de graça que o Senhor nos doa para abrir as portas do nosso coração, da nossa vida, das nossas paróquias – que pena tantas paróquias fechadas! – dos movimentos, das associações, e “sair” de encontro aos outros, fazer-nos próximos para levar a luz e a alegria da nossa fé. Sair sempre! E isto com amor e com a ternura de Deus, no respeito e na paciência, sabendo que nós colocamos as nossas mãos, os nossos pés, o nosso coração, mas em seguida é Deus que os orienta e torna fecunda cada ação nossa.

Desejo a todos viver bem estes dias seguindo o Senhor com coragem, levando em nós mesmos um raio do seu amor a quantos encontrarmos.

29 de março de 2013 at 6:50 Deixe um comentário

Missa do Crisma Quinta-feira Santa, 28 de março de 2013 – Papa Francisco

Brasão Papal passa por pequenas modificaçõesHomilia Basílica Vaticana

Amados irmãos e irmãs,

Papa Francisco fala sobre vivência do bom sacerdote (Foto: Clarissa de Oliveira / CN Roma)

Papa Francisco fala sobre vivência do bom sacerdote (Foto: Clarissa de Oliveira / CN Roma)

Com alegria, celebro pela primeira vez a Missa Crismal como Bispo de Roma. Saúdo com afeto a todos vós, especialmente aos amados sacerdotes que hoje recordam, como eu, o dia da Ordenação.

As Leituras e o Salmo falam-nos dos “Ungidos”: o Servo de Javé referido por Isaías, o rei Davi e Jesus nosso Senhor. Nos três, aparece um dado comum: a unção recebida destina-se ao povo fiel de Deus, de quem são servidores; a sua unção “é para” os pobres, os presos, os oprimidos… Encontramos uma imagem muito bela de que o santo crisma “é para” no Salmo 133: “É como óleo perfumado derramado sobre a cabeça, a escorrer pela barba, a barba de Aarão, a escorrer até à orla das suas vestes” (v. 2). Este óleo derramado, que escorre pela barba de Aarão até à orla das suas vestes, é imagem da unção sacerdotal, que, por intermédio do Ungido, chega até aos confins do universo representado nas vestes.

As vestes sagradas do Sumo Sacerdote são ricas de simbolismos; um deles é o dos nomes dos filhos de Israel gravados nas pedras de ónix que adornavam as ombreiras do efod, do qual provém a nossa casula atual: seis sobre a pedra do ombro direito e seis na do ombro esquerdo (cf. Ex 28, 6-14). Também no peitoral estavam gravados os nomes das doze tribos de Israel (cf. Ex 28, 21). Isto significa que o sacerdote celebra levando sobre os ombros o povo que lhe está confiado e tendo os seus nomes gravados no coração. Quando envergamos a nossa casula humilde pode fazer-nos bem sentir sobre os ombros e no coração o peso e o rosto do nosso povo fiel, dos nossos santos e dos nossos mártires, que são tantos neste tempo.

Depois da beleza de tudo o que é litúrgico – que não se reduz ao adorno e bom gosto dos paramentos, mas é presença da glória do nosso Deus que resplandece no seu povo vivo e consolado –, fixemos agora o olhar na ação. O óleo precioso, que unge a cabeça de Aarão, não se limita a perfumá-lo a ele, mas espalha-se e atinge “as periferias”. O Senhor dirá claramente que a sua unção é para os pobres, os presos, os doentes e quantos estão tristes e abandonados. A unção, amados irmãos, não é para nos perfumar a nós mesmos, e menos ainda para que a conservemos num frasco, pois o óleo tornar-se-ia rançoso… e o coração amargo.

O bom sacerdote reconhece-se pelo modo como é ungido o seu povo; temos aqui uma prova clara. Nota-se quando o nosso povo é ungido com óleo da alegria; por exemplo, quando sai da Missa com o rosto de quem recebeu uma boa notícia. O nosso povo gosta do Evangelho quando é pregado com unção, quando o Evangelho que pregamos chega ao seu dia a dia, quando escorre como o óleo de Aarão até às bordas da realidade, quando ilumina as situações extremas, “as periferias” onde o povo fiel está mais exposto à invasão daqueles que querem saquear a sua fé.

As pessoas agradecem-nos porque sentem que rezamos a partir das realidades da sua vida de todos os dias, as suas penas e alegrias, as suas angústias e esperanças. E, quando sentem que, através de nós, lhes chega o perfume do Ungido, de Cristo, animam-se a confiar-nos tudo o que elas querem que chegue ao Senhor: “Reze por mim, padre, porque tenho este problema”, “abençoe-me, padre”, “reze para mim”… Estas confidências são o sinal de que a unção chegou à orla do manto, porque é transformada em súplica – súplica do Povo de Deus. Quando estamos nesta relação com Deus e com o seu Povo e a graça passa através de nós, então somos sacerdotes, mediadores entre Deus e os homens.

O que pretendo sublinhar é que devemos reavivar sempre a graça, para intuirmos, em cada pedido – por vezes inoportuno, puramente material ou mesmo banal (mas só aparentemente!) –, o desejo que tem o nosso povo de ser ungido com o óleo perfumado, porque sabe que nós o possuímos. Intuir e sentir, como o Senhor sentiu a angústia permeada de esperança da hemorroíssa quando ela Lhe tocou a fímbria do manto. Este instante de Jesus, no meio das pessoas que O rodeavam por todos os lados, encarna toda a beleza de Aarão revestido sacerdotalmente e com o óleo que escorre pelas suas vestes. É uma beleza escondida, que brilha apenas para aqueles olhos cheios de fé da mulher atormentada com as perdas de sangue. Os próprios discípulos – futuros sacerdotes – não conseguem ver, não compreendem: na “periferia existencial”, vêem apenas a superficialidade duma multidão que aperta Jesus de todos os lados quase O sufocando (cf. Lc 8, 42). Ao contrário, o Senhor sente a força da unção divina que chega às bordas do seu manto.

É preciso chegar a experimentar assim a nossa unção, com o seu poder e a sua eficácia redentora: nas “periferias” onde não falta sofrimento, há sangue derramado, há cegueira que quer ver, há prisioneiros de tantos patrões maus. Não é, concretamente, nas auto-experiências ou nas reiteradas introspecções que encontramos o Senhor: os cursos de auto-ajuda na vida podem ser úteis, mas viver a nossa vida sacerdotal passando de um curso ao outro, de método em método leva a tornar-se pelagianos, faz-nos minimizar o poder da graça, que se ativa e cresce na medida em que, com fé, saímos para nos dar a nós mesmos oferecendo o Evangelho aos outros, para dar a pouca unção que temos àqueles que não têm nada de nada.

O sacerdote, que sai pouco de si mesmo, que unge pouco – não digo “nada”, porque, graças a Deus, o povo nos rouba a unção –, perde o melhor do nosso povo, aquilo que é capaz de ativar a parte mais profunda do seu coração presbiteral. Quem não sai de si mesmo, em vez de ser mediador, torna-se pouco a pouco um intermediário, um gestor. A diferença é bem conhecida de todos: o intermediário e o gestor “já receberam a sua recompensa”. É que, não colocando em jogo a pele e o próprio coração, não recebem aquele agradecimento carinhoso que nasce do coração; e daqui deriva precisamente a insatisfação de alguns, que acabam por viver tristes, padres tristes, e transformados numa espécie de coleccionadores de antiguidades ou então de novidades, em vez de serem pastores com o “cheiro das ovelhas” – isto vo-lo peço: sede pastores com o “cheiro das ovelhas”, que se sinta este –, serem pastores no meio do seu rebanho e pescadores de homens. É verdade que a chamada crise de identidade sacerdotal nos ameaça a todos e vem juntar-se a uma crise de civilização; mas, se soubermos quebrar a sua onda, poderemos fazer-nos ao largo no nome do Senhor e lançar as redes. É um bem que a própria realidade nos faça ir para onde, aquilo que somos por graça, apareça claramente como pura graça, ou seja, para este mar que é o mundo atual onde vale só a unção – não a função – e se revelam fecundas unicamente as redes lançadas no nome d’Aquele em quem pusemos a nossa confiança: Jesus.

Amados fiéis, permanecei unidos aos vossos sacerdotes com o afeto e a oração, para que sejam sempre Pastores segundo o coração de Deus.

Amados sacerdotes, Deus Pai renove em nós o Espírito de Santidade com que fomos ungidos, o renove no nosso coração de tal modo que a unção chegue a todos, mesmo nas “periferias” onde o nosso povo fiel mais a aguarda e aprecia. Que o nosso povo sinta que somos discípulos do Senhor, sinta que estamos revestidos com os seus nomes e não procuramos outra identidade; e que ele possa receber, através das nossas palavras e obras, este óleo da alegria que nos veio trazer Jesus, o Ungido. Amém.

28 de março de 2013 at 19:07 Deixe um comentário

Na Semana Santa, centro de todo o Ano Litúrgico, somos chamados a seguir Jesus pelo caminho do Calvário em direção à Cruz e Ressurreição

PAPA FRANCISCO

AUDIÊNCIA GERAL

Praça de São Pedro Quarta-feira, 27 de Março de 2013

Queridos irmãos e irmãs, Na Semana Santa, centro de todo o Ano Litúrgico, somos  chamados a seguir Jesus pelo caminho do Calvário em direção à Cruz e  Ressurreição. Este é também o nosso caminho. Ele entregou-se voluntariamente ao  amor de Deus Pai, unido perfeitamente à sua vontade, para demonstrar o seu amor  por nós: assim o vemos na Última Ceia, dando-nos o seu Corpo e o seu Sangue,  para permanecer sempre conosco. Portanto, a lógica da Semana Santa é a lógica do  amor e do dom de si mesmo, que exige deixar de lado as comodidades de uma fé  cansada e rotineira para levar Cristo aos demais, abrindo as portas do nosso  coração, da nossa vida, das nossas paróquias, movimentos, associações, levando a  luz e a alegria da nossa fé. Viver a Semana Santa seguindo Jesus significa  aprender a sair de nós mesmos para ir ao encontro dos demais, até as periferias  da existência. Há uma necessidade imensa de levar a presença viva de Jesus  misericordioso e rico de amor.

Queridos peregrinos de língua portuguesa, particularmente os grupos de  jovens vindos de Portugal e do Brasil: sede bem-vindos! Desejo-vos uma Semana  Santa abençoada, seguindo o Senhor com coragem e levando a quantos encontrardes  o testemunho luminoso do seu amor. A todos dou a Bênção Apostólica!

© Copyright 2013 – Libreria Editrice Vaticana

27 de março de 2013 at 10:05 Deixe um comentário

Vigília do Tíduo Pascal – pelo Papa Emérito Bento XVI

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“São três dias comumente chamados “santos” porque nos fazem reviver o acontecimento central da nossa Redenção; reconduzem-nos de facto ao núcleo essencial da fé cristã: a paixão, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. São dias que poderíamos considerar como um único dia: eles constituem o coração e o fulcro de todo o ano litúrgico assim como da vida da Igreja. No final do itinerário quaresmal, preparamo-nos também nós para entrar no próprio clima que Jesus viveu então em Jerusalém. Queremos despertar em nós a profunda memória dos sofrimentos que o Senhor padeceu por nós e prepararmo-nos para celebrar com alegria, no próximo domingo, “a verdadeira Páscoa, que o Sangue de Cristo cobriu de glória, a Páscoa na qual a Igreja celebra a Festa que está na origem de todas as festas”, como diz o Prefácio para o dia de Páscoa no rito ambrosiano.

 

Quinta-Feira Santa: a Igreja revive a Última Ceia, durante a qual o Senhor, na vigília da sua paixão e morte, instituiu o Sacramento da Eucaristia e o do Sacerdócio ministerial. Naquela mesma noite Jesus deixou-nos o mandamento novo, “mandatum novum”, o mandamento do amor fraterno. Antes de entrar no Tríduo Sagrado, mas já em estreita ligação com ele, terá lugar em cada Comunidade diocesana, amanhã de manhã, a Missa Crismal, durante a qual o Bispo e os sacerdotes do presbitério diocesano renovam as promessas da Ordenação. São também abençoados os óleos para a celebração dos Sacramentos: o óleo dos catecúmenos, o óleo dos enfermos e o sagrado crisma. É um momento muito importante para a vida de cada comunidade diocesana que, reunida em volta do seu Pastor, fortalece a própria unidade e a sua fidelidade a Cristo, único Sumo e Eterno Sacerdote. À noite, na Missa em Cena Domini revive-se a Última Ceia, quando Cristo se deu a todos nós como alimento de salvação, como remédio de imortalidade: é o mistério da Eucaristia, fonte e ápice da vida cristã. Neste Sacramento de salvação o Senhor ofereceu e realizou para todos os que crêem n’Ele a mais íntima união possível entre a nossa e a sua vida. Com o gesto humilde e expressivo como nunca do lava-pés, somos convidados a recordar quanto o Senhor fez aos seus Apóstolos: lavando os seus pés proclamou de modo concreto a primazia do amor, amor que se faz serviço até à doação de si mesmos, antecipando assim também o sacrifício supremo da sua vida que se consumará no dia seguinte no Calvário. Segundo uma bonita tradição, os fiéis encerram a Quinta-Feira Santa com uma vigília de oração e de adoração eucarística para reviver mais intimamente a agonia de Jesus no Getsémani.

 

A Sexta-Feira Santa é o dia em que revivemos a paixão, crucifixão e morte de Jesus. Neste dia a liturgia da Igreja não prevê a celebração da Santa Missa, mas a assembleia cristã reúne-se para meditar o grande mistério do mal e do pecado que oprimem a humanidade, para repercorrer, à luz da Palavra de Deus e ajudada por comovedores gestos litúrgicos, os padecimentos do Senhor em expiação deste mal. Depois de ter ouvido a narração da paixão de Cristo, a comunidade reza por todas as necessidades da Igreja e do mundo, adora a Cruz e aproxima-se da Eucaristia, consumando as espécies conservadas da Missa em Cena Domini do dia anterior. Como ulterior convite a meditar sobre a paixão e morte do Redentor e para expressar o amor e a participação dos fiéis nos sofrimentos de Cristo, a tradição cristã deu vida a várias manifestações de piedade popular, procissões e representações sagradas, que têm por finalidade imprimir cada vez mais profundamente no coração dos fiéis sentimentos de verdadeira participação no sacrifício redentor de Cristo. Entre elas sobressai a Via Crucis, prática piedosa que no decorrer dos anos se enriqueceu por numerosas expressões espirituais e artísticas relacionadas com a sensibilidade das diversas culturas. Surgiram assim em muitos países santuários com o nome de “Calvaria”, aos quais se chega através de uma íngreme subida que recorda o caminho doloroso da Paixão, permitindo que os fiéis participem na subida do Senhor ao Monte da Cruz, o Monte do Amor levado até ao fim.

 

O Sábado Santo distingue-se por um profundo silêncio. As Igrejas estão desornamentadas e não são previstas particulares liturgias. Enquanto aguardam o grande acontecimento da Ressurreição, os crentes perseveram com Maria na expectativa rezando e meditando. De facto, há necessidade de um dia de silêncio, para meditar sobre a realidade da vida humana, sobre as forças do mal e sobre a grande força do bem que brota da Paixão e da Ressurreição do Senhor. É atribuída grande importância neste dia à participação no Sacramento da reconciliação, caminho indispensável para purificar o coração e predispor-se para celebrar intimamente renovados a Páscoa. Pelo menos uma vez por ano precisamos desta purificação interior, desta renovação de nós mesmos. Este Sábado de silêncio, de meditação, de perdão, de reconciliação desemboca na Vigília Pascal, que introduz o domingo mais importante da história, o Domingo da Páscoa de Cristo. A Igreja vela ao lado do novo fogo abençoado e medita a grande promessa, contida no Antigo e no Novo Testamento, da libertação definitiva da antiga escravidão do pecado e da morte. Na escuridão da noite o círio pascal, símbolo de Cristo que ressuscita glorioso, é aceso pelo fogo novo. Cristo, luz da humanidade, afasta as trevas do coração e do espírito e ilumina cada homem que vem ao mundo. Ao lado do círio pascal ressoa na Igreja o grande anúncio pascal: verdadeiramente Cristo ressuscitou, a morte já não tem poder algum sobre Ele. Com a sua morte Ele derrotou o mal para sempre e fez dom a todos os homens da própria vida de Deus. Por uma antiga tradição, durante a Vigília Pascal, os catecúmenos recebem o Baptismo, para ressaltar a participação dos cristãos no mistério da morte e da ressurreição de Cristo. Da resplandecente noite de Páscoa, a alegria, a luz e a paz de Cristo irradiam-se na vida dos fiéis de cada comunidade cristã e alcançam todos os pontos do espaço e do tempo.

 

Queridos irmãos e irmãs, nestes dias singulares orientemos decididamente a vida para uma adesão generosa e convicta aos desígnios do Pai celeste; renovemos o nosso “sim” à vontade divina como fez Jesus com o sacrifício da cruz. Os sugestivos ritos da Quinta-feira Santa, da Sexta-Feira Santa, o silêncio rico de oração do Sábado Santo e a solene Vigília Pascal oferecem-nos a oportunidade para aprofundar o sentido e o valor da nossa vocação cristã, que brota do Mistério Pascal e de a concretizar no seguimento fiel de Cristo em cada circunstância, como Ele fez, até à doação generosa da nossa existência. Reviver os mistérios de Cristo significa também viver em profunda e solidária adesão ao hoje da história, convictos de que quanto celebramos é realidade viva e atual. Tenhamos portanto presente na nossa oração a dramaticidade de factos e situações que nestes dias afligem tantos irmãos nossos em todas as partes do mundo. Sabemos que o ódio, as divisões, as violências nunca têm a última palavra nos acontecimentos da história. Estes dias reanimam em nós a grande esperança: Cristo crucificado ressuscitou e venceu o mundo. O amor é mais forte que o ódio, venceu e devemos associar-nos a esta vitória do amor. Portanto, devemos partir de novo de Cristo e trabalhar em comunhão com Ele para um mundo fundado sobre a paz, sobre a justiça e sobre o amor. Neste empenho, que a todos compromete, deixemo-nos guiar por Maria, que acompanhou o Filho divino pelo caminho da paixão e da cruz e participou, com a força da fé, na concretização do seu desígnio salvífico. Com estes sentimentos, formulo desde agora os votos mais cordiais de feliz e santa Páscoa a todos vós, aos vossos entes queridos e às vossas Comunidades”.

20 de março de 2013 at 14:12 Deixe um comentário

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