Posts tagged ‘parábolas’

«Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida» – reflexão de São Narsés Snorhali

Resultado de imagem para imagem da ovelha perdida - no evangelho quotidiano

Perdi-me no deserto,

Errante andei pela erma região

Como na parábola da ovelha,

Uma do grupo das cem.

O Inimigo terrível dilacerou-a:

De chagas incuráveis a cobriu;

Por isso, não há outro remédio para as chagas

A não ser Tu, para as curar.

Em lágrimas Te suplico,

Meus gritos elevo ao Salvador:

Meu bom Pastor vindo do Céu,

Procura este pequeno rebanho.

Procura, Senhor, a moeda de prata caída

Que é a tua imagem perdida (Gn 1, 26),

Que enterrei no vício do pecado

E na lama fétida.

Lava, Senhor, esta minha imundície;

Torna-me pura a alma, de uma brancura de neve (Is 1, 18).

Digna-Te completar o número das dez moedas,

Como o fizeste com os quarenta santos [de Sebaste].

Leva-me aos ombros, pois que aos ombros carregaste a cruz,

Digna-Te reerguer esta minh’alma caída;

Darás alegria à celeste armada dos anjos

por um só pecador que regresse.

Fonte: Evangelho Quotidiano

7 de setembro de 2016 at 5:54 Deixe um comentário

Vigésimo Quarto Domingo do Tempo Comum – A Parábola do filho pródigo – São Lucas 15, 1-32 – Dia 11 de setembro de 2016

 

1.Aproximavam-se de Jesus os publicanos e os pecadores para ouvi-lo.

2.Os fariseus e os escribas murmuravam: Este homem recebe e come com pessoas de má vida!

3.Então lhes propôs a seguinte parábola:

4.Quem de vós que, tendo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la?

5.E depois de encontrá-la, a põe nos ombros, cheio de júbilo,

6.e, voltando para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Regozijai-vos comigo, achei a minha ovelha que se havia perdido.

7.Digo-vos que assim haverá maior júbilo no céu por um só pecador que fizer penitência do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.

8.Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas e perdendo uma delas, não acende a lâmpada, varre a casa e a busca diligentemente, até encontrá-la?

9.E tendo-a encontrado, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: Regozijai-vos comigo, achei a dracma que tinha perdido.

10.Digo-vos que haverá júbilo entre os anjos de Deus por um só pecador que se arrependa.

11.Disse também: Um homem tinha dois filhos.

12.O mais moço disse a seu pai: Meu pai, dá-me a parte da herança que me toca. O pai então repartiu entre eles os haveres.

13.Poucos dias depois, ajuntando tudo o que lhe pertencia, partiu o filho mais moço para um país muito distante, e lá dissipou a sua fortuna, vivendo dissolutamente.

14.Depois de ter esbanjado tudo, sobreveio àquela região uma grande fome e ele começou a passar penúria.

15.Foi pôr-se ao serviço de um dos habitantes daquela região, que o mandou para os seus campos guardar os porcos.

16.Desejava ele fartar-se das vagens que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava.

17.Entrou então em si e refletiu: Quantos empregados há na casa de meu pai que têm pão em abundância… e eu, aqui, estou a morrer de fome!

18.Levantar-me-ei e irei a meu pai, e dir-lhe-ei: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti;

19.já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados.

20.Levantou-se, pois, e foi ter com seu pai. Estava ainda longe, quando seu pai o viu e, movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.

21.O filho lhe disse, então: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho.

22.Mas o pai falou aos servos: Trazei-me depressa a melhor veste e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e calçado nos pés.

23.Trazei também um novilho gordo e matai-o; comamos e façamos uma festa.

24.Este meu filho estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado. E começaram a festa.

25.O filho mais velho estava no campo. Ao voltar e aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças.

26.Chamou um servo e perguntou-lhe o que havia.

27.Ele lhe explicou: Voltou teu irmão. E teu pai mandou matar um novilho gordo, porque o reencontrou são e salvo.

28.Encolerizou-se ele e não queria entrar, mas seu pai saiu e insistiu com ele.

29.Ele, então, respondeu ao pai: Há tantos anos que te sirvo, sem jamais transgredir ordem alguma tua, e nunca me deste um cabrito para festejar com os meus amigos.

30.E agora, que voltou este teu filho, que gastou os teus bens com as meretrizes, logo lhe mandaste matar um novilho gordo!

31.Explicou-lhe o pai: Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu.

32.Convinha, porém, fazermos festa, pois este teu irmão estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado.

O Papa Emérito Bento XVI disse assim: “No Evangelho deste domingo — capítulo 15 de São Lucas — Jesus narra as três «parábolas da misericórdia». Quando Ele «fala, nas suas parábolas, do pastor que vai atrás da ovelha perdida, da mulher que procura a dracma, do pai que sai ao encontro do filho pródigo e o abraça, não se trata apenas de palavras, mas constituem a explicação do seu próprio ser e agir». (12\09\10)

 

A Parábola da Ovelha Perdida

Resultado de imagem para imagem oriental da parábola da ovelha perdida

Aproximavam-se de Jesus os publicanos e os pecadores para ouvi-lo. Os fariseus e os escribas murmuravam: Este homem recebe e come com pessoas de má vida! Então lhes propôs a seguinte parábola: Quem de vós que, tendo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la?  E depois de encontrá-la, a põe nos ombros, cheio de júbilo, e, voltando para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Regozijai-vos comigo, achei a minha ovelha que se havia perdido. Digo-vos que assim haverá maior júbilo no céu por um só pecador que fizer penitência do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.

O Papa Francisco disse que essa “parábola é contada por Jesus para fazer as pessoas entenderem que sua proximidade com os pecadores não deve escandalizar, mas provocar em todos uma séria reflexão sobre a forma como vivemos a nossa fé. A história tem, de um lado, os pecadores que se aproximam de Jesus para ouvi-lo e, de outro, os doutores da lei, os escribas que se desviam Dele por causa de seu comportamento. Eles desviam porque Jesus se aproximou dos pecadores. Estes eram orgulhosos, soberbos, se achavam justos”.( 04\05\16)

“Ó meu Deus, como tínheis a vossa mão sobre mim, e quão pouco eu a sentia! Como me protegestes! Como me abrigastes sob as vossas asas, quando eu nem sequer acreditava na vossa existência! E, enquanto assim me protegíeis, e o tempo ia passando, parecia-Vos que tinha chegado o momento de me reconduzir ao cercado”. (Beato Charles de Foucauld).

O Papa Emérito Bento XVI explicou que “o pastor que encontra a ovelha perdida é o próprio Senhor que assume em si mesmo, através da Cruz, a humanidade pecadora para a redimir”.

A Parábola da Moeda Perdida

Resultado de imagem para imagem da parábola da moeda perdida

Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas e perdendo uma delas, não acende a lâmpada, varre a casa e a busca diligentemente, até encontrá-la?  E tendo-a encontrado, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: Regozijai-vos comigo, achei a dracma que tinha perdido. Digo-vos que haverá júbilo entre os anjos de Deus por um só pecador que se arrependa.

“Numerosas são ainda as passagens do ensinamento de Cristo que manifestam o amor e misericórdia sob um aspecto sempre novo. Basta ter diante dos olhos o bom pastor que vai à busca da ovelha tresmalhada, ou a mulher que varre a casa à procura da dracma perdida”. (São João Paulo II)

O Papa Francisco disse que “as três parábolas da misericórdia: a ovelha perdida, a moeda perdida e, a mais longa de todas as parábolas, típica de São Lucas, a do pai e dos dois filhos, o filho “pródigo” e o filho que acredita ser o “justo”, que crê ser santo. Todas estas três parábolas falam da alegria de Deus, Deus é alegria. Interessante: Deus é alegria! E o que é a alegria de Deus? A alegria de Deus é perdoar, a alegria de Deus é perdoar! É a alegria de um pastor que reencontra a ovelha; é a alegria de uma mulher que encontra novamente a sua moeda; é a alegria de um pai que acolhe novamente em casa, o filho que estava perdido, que era considerado morto e tornou a viver, voltou para casa”. (16\09\13)

“As 9 moedas nas mãos daquela mulher eram importantes, valiam muito e estavam presentes e seguras, mas no momento em que ela sentiu falta da décima, esta sim, passou a ser a mais importante e com sede foi buscada por toda a casa até ser achada. Agora, a mulher estava feliz por haver recomposto novamente as suas finanças de dez dracmas. Toda vez que o céu é recomposto, com pecadores remidos que estavam perdidos e são achados, há festa, regozijo e Deus é glorificado. Sempre que alguém reconhece que é pecador e se reconcilia com Deus por intermédio de Jesus, há festa no céu”. (Com. Canção Nova)

A Parábola do Filho Pródigo

Resultado de imagem para imagem da parábola do filho pródigo - em site católico

Disse também: Um homem tinha dois filhos. O mais moço disse a seu pai: Meu pai, dá-me a parte da herança que me toca. O pai então repartiu entre eles os haveres. Poucos dias depois, ajuntando tudo o que lhe pertencia, partiu o filho mais moço para um país muito distante, e lá dissipou a sua fortuna, vivendo dissolutamente. Depois de ter esbanjado tudo, sobreveio àquela região uma grande fome e ele começou a passar penúria. Foi pôr-se ao serviço de um dos habitantes daquela região, que o mandou para os seus campos guardar os porcos. Desejava ele fartar-se das vagens que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. Entrou então em si e refletiu: Quantos empregados há na casa de meu pai que têm pão em abundância… e eu, aqui, estou a morrer de fome! Levantar-me-ei e irei a meu pai, e dir-lhe-ei: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados. Levantou-se, pois, e foi ter com seu pai. Estava ainda longe, quando seu pai o viu e, movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou. O filho lhe disse, então: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Mas o pai falou aos servos: Trazei-me depressa a melhor veste e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e calçado nos pés. Trazei também um novilho gordo e matai-o; comamos e façamos uma festa. Este meu filho estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado. E começaram a festa. O filho mais velho estava no campo. Ao voltar e aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um servo e perguntou-lhe o que havia. .Ele lhe explicou: Voltou teu irmão. E teu pai mandou matar um novilho gordo, porque o reencontrou são e salvo. Encolerizou-se ele e não queria entrar, mas seu pai saiu e insistiu com ele. Ele, então, respondeu ao pai: Há tantos anos que te sirvo, sem jamais transgredir ordem alguma tua, e nunca me deste um cabrito para festejar com os meus amigos. E agora, que voltou este teu filho, que gastou os teus bens com as meretrizes, logo lhe mandaste matar um novilho gordo! Explicou-lhe o pai: Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Convinha, porém, fazermos festa, pois este teu irmão estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado.

O Papa Francisco ensinou que a parábola fala do “pai misericordioso’: aquele que está sempre pronto a perdoar e que espera, contra qualquer esperança. A propósito da tolerância do pai que permite que o filho mais jovem parta – mesmo sabendo dos riscos que corre – é assim que Deus age conosco: nos deixa também livres de errar, porque ao nos criar, nos deu o grande dom da liberdade. Somos nós que devemos saber utilizá-la bem”. – (06/03/2016)

O Papa Emérito Bento XVI disse que essa “é a célebre parábola do Pai misericordioso, também conhecida como a do “filho pródigo”. Nesta página evangélica, quase se ouve a voz de Jesus, que nos revela o rosto do seu Pai e nosso Pai. Foi realmente para isto que Ele veio ao mundo: para nos falar do Pai; para o dar a conhecer a nós, filhos desviados, e dar novamente aos nossos corações a alegria de pertencer a Ele, a esperança de ser perdoados e restituir à nossa plena dignidade, o desejo de habitar para sempre na sua casa, que também é a nossa casa”. (16\09\2007)

O Papa Francisco explicou que “o pai fica fisicamente longe daquele filho, mas o leva sempre no coração; aguarda confiante a sua volta, e quando o vê aparecer se comove, corre em direção a ele, o abraça e o beija. E faz o mesmo com o filho maior, aquele que não entende e não concorda com todo o carinho do pai pelo irmão que errou”.  ( 06/03/2016)

Conclusão:

Com as palavras do Papa Emérito Bento XVI: “Como não abrir o nosso coração para a certeza de que, mesmo sendo pecadores, somos amados por Deus? Ele nunca se cansa de vir ao nosso encontro, percorre sempre em primeiro lugar a estrada que nos separa d’Ele”.

Oração: (São Tiago de Sarug, monge)

“Regressarei à casa de meu Pai, como o Filho Pródigo (Lc 15,18), e serei acolhido. Tal qual ele fez, assim farei eu: corresponderá o Pai aos meus desejos? […] Pois estou como morto pelo pecado, como de uma doença. Resgata-me desta ruína, e possa eu louvar o Teu nome! Senhor da terra e do céu, peço-Te: ajuda-me e mostra-me o caminho para chegar a Ti! Leva-me à Tua presença, Filho do Magnânimo, e atinge assim o cume da Tua misericórdia! Irei a Ti e saciar-me-ei com a Tua alegria”.

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

 

 

5 de setembro de 2016 at 5:20 Deixe um comentário

Eu sou a Videira; vós, os ramos – Quinto Domingo da Páscoa – São João 15, 1-8

1. Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará; 2. e podará todo o que der fruto, para que produza mais fruto. 3. Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado. 4. Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim. 5. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. 6. Se alguém não permanecer em mim será lançado fora, como o ramo. Ele secará e hão de ajuntá-lo e lançá-lo ao fogo, e queimar-se-á. 7. Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e vos será feito. 8. Nisto é glorificado meu Pai, para que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos.

Comentário daliturgia desse domingo: Unidos a Cristo, a videira da qual extraímos a seiva que nutre a nossa vida, queremos cantar as maravilhas de Deus. Em Jesus, participamos da vida divina e nos tornamos ramos vivos e férteis que produzem frutos abundantes de amor.

Versículos 1-3:  “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará; e podará todo o que der fruto, para que produza mais fruto. Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado”.

O Pai é o Agricultor

O Pai cultiva sua vinha através do Filho Jesus Cristo – O Beato João Paulo II disse:  “Cristo é a videira verdadeira. Se o Eterno Pai cultiva a Sua vinha, neste mundo, fá-lo na força da Verdade e da Vida que estão no Filho”.

O Catecismo (755) ensina que a vinha “foi plantada pelo celeste Agricultor como uma vinha eleita.  A verdadeira Videira é Cristo: é Ele que dá vida e fecundidade aos sarmentos, isto é, a nós que, pela Igreja, permanecemos n’Ele, e sem o Qual nada podemos fazer”.

Cristo é a “seiva da vida” presente na Igreja

O Beato João Paulo II disse:  “No fundo quem nos chama é o Pai (Jo 15,1), o agricultor e nos atrai Àquele que Ele enviou. Seu chamado ( Jo 6,44). prolonga em nós a obra de amor começada na criação. Mas é sempre Cristo – diretamente ou pelo seu “sacramento universal da Salvação” que é a Igreja – quem torna perceptível o chamamento divino para um trabalho que é colaboração pessoal com Ele”.

“Cristo é a videira verdadeira que dá vida e fecundidade às vides, isto é, a nós, que por meio da Igreja permanecemos n’Ele e sem Ele nada podemos fazer (Jo 15, 1-5). A própria Igreja é, portanto, a vinha evangélica”. (Concílio Vaticano II)

A poda dos ramos

Deus na sua imensa misericórdia, aguarda pacientemente para colher bons frutos em nós. Mas se os bons frutos não aparecem, então a poda dos ramos é feita. A poda dos ramos acontece porque há situações de pecado (obras da carne) em  nossa vida, por isso o nosso coração se fecha e não consegue mais receber a seiva que vem de Deus. Então os ramos secam. É hora então de cortar os ramos para que voltem a dar frutos bons, frutos de santidade. A poda que  Deus  faz em nós é sempre para salvar a nossa alma da morte eterna. Portanto a poda de Deus é feita somente no amor e para o amor.

A Palavra diz:  “Ora, as obras da carne são estas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos,  invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes. Dessas coisas vos previno, como já vos preveni: os que as praticarem não herdarão o Reino de Deus!” (Gl 5, 19-21)

O Beato João Paulo II disse: É no Filho, em Cristo, que se realiza aquele vivificante processo de podadura dos ramos, para que cada um deles “dê mais fruto” (Jo 15, 2). E também n’Ele — em referência à Redenção que realizou — desenvolve-se o processo de eliminação dos ramos que não dão fruto”.

A palavra diz: “Meu filho, não desprezes a correção do Senhor, nem te espantes de que ele te repreenda,  porque o Senhor castiga aquele a quem ama, e pune o filho a quem muito estima”. (Pr 3, 11-12)

Versículo 4: “Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim”.

Os sacramentos nos mantem unidos a Cristo

O Batismo insere-nos na Igreja e, a Eucaristia nos mantem unidos à Videira Verdadeira – O Beato João Paulo II disse: “É um tema que será sublinhado também nos discursos da Última Ceia mediante o símbolo da videira:  o ramo só é verdejante e frutífero se estiver enxertado no tronco da videira, da qual recebe linfa e sustento ( Jo 15, 1-7). Doutra forma, é só um ramo seco e destinado ao fogo”.

Devemos ser vigilantes para não perdemos a nossa alma com tantas tentações e prazeres desse mundo. Precisamos dar continuamente frutos de conversão e para isso é vital permanecermos na videira, que é Cristo. O Beato João Paulo II disse: “Impõe-se, antes de mais nada, o valor e a exigência de “viver intimamente unidos” a Jesus Cristo. A união ao Senhor Jesus, que se fundamenta no Batismo e se alimenta com a Eucaristia, exige exprimir-se na vida de cada dia, renovando-a radicalmente”.

Pelo sacramento da Eucaristia  permanecemos em Cristo e Cristo em nós

A Eucaristia é o vinho do amor – doação de Cristo na cruz-  O Papa Bento XVI ensinou: “Assim, essa parábola (da Videira) leva finalmente ao mistério da Eucaristia, em que o Senhor nos oferece o pão da vida e o vinho do seu amor, e nos convida para a festa do amor eterno. Nós celebramos a Eucaristia, conscientes de que o seu preço foi a morte do Filho o sacrifício da sua vida, que nela permanece presente”.

A Palavra diz: ”Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida.  Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele”.

Versículos 5-6: “Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Se alguém não permanecer em mim será lançado fora, como o ramo. Ele secará e hão de ajuntá-lo e lançá-lo ao fogo, e queimar-se-á”.

O Papa Bento XVI disse: “Permanecer em Cristo significa permanecer na Igreja. A comunidade inteira dos crentes está firmemente unida em Cristo, a videira. Em Cristo, todos nós estamos conjuntamente unidos. Nesta comunidade, Ele sustenta-nos e, ao mesmo tempo, todos os membros se sustentam uns aos outros. Juntos resistimos às tempestades e oferecemos proteção uns aos outros. Não cremos sozinhos, cremos com toda a Igreja, de todo o lugar e de todo o tempo, com a Igreja que está no Céu e na terra”.

“Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto” –  O Espírito Santo é o doador dos dons e frutos, por isso precisamos permanecer no Senhor para que possamos produzir muitos frutos bons, frutos do Espírito.

A Palavra diz:  “…o fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade brandura, temperança”. (Gl  5, 22-23a)

“Ele secará e hão de ajuntá-lo e lançá-lo ao fogo, e queimar-se-á” – Santo Agostinho disse: “Ao ramo toca uma coisa ou outra: ou a videira ou o fogo; se o ramo não estiver na videira, estará no fogo; por conseguinte, para que não esteja no fogo, fique na videira”.

Versículos 7-8: “Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e vos será feito. Nisto é glorificado meu Pai, para que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos”.

Permanecer na Palavra e observar os Mandamentos

Damos testemunho de fé que permanecemos no Senhor, se obedecemos aos seus mandamentos e seguimos seus ensinamentos. Santo Atanásio também disse: “Nenhum de nós julga pelo que não sabe e ninguém é chamado santo por seu aprendizado e conhecimento; porém, cada um será chamado a Juízo nestes pontos: se manteve a fé e realmente observou os mandamentos” .

O Beato João Paulo II disse: “Jesus mesmo preocupa-se em esclarecer o sentido deste “permanecer n’Ele”: consiste no amor; um amor, porém, que não se exaure em sentimentalismo, mas se traduz no concreto testemunho do cumprimento dos mandamentos”.

Dar frutos permanentemente

Jesus é a seiva que nutre e sustenta os ramos, que somos nós. É o Senhor quem dá a vida em abundância aos ramos, para que produza frutos continuadamente. Se nos afastamos de Deus daremos “uvas verdes” como narra o Livro do profeta Isaías, capítulo 5, versículo 4: “Que se poderia fazer por minha vinha, que eu não tenha feito? Por que, quando eu esperava vê-la produzir uvas, só deu agraço?”

O Pai é glorificado

Tudo o que fizermos em comunhão com Cristo e Sua Palavra, o Pai é glorificado – O Beato João Paulo II disse:  “Quem age assim, dá aos homens testemunho para que seja glorificado o Pai, que está nos Céus ( Mt 5, 16), e dispõe-se a receber o Reino que Ele preparou para os justos, segundo as palavras de Cristo no juízo final: «Vinde, benditos de Meu Pai, recebei em herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo» (Mt 25, 34).

A Palavra diz:  “O Filho de Deus aprendeu a obediência por meio dos sofrimentos que teve. Tendo chegado à perfeição, tornou-se causa de eterna salvação para todos os que lhe obedecem” ( Hb 5,8-9).

Muitas vezes passamos por situações tão graves e tristes, que elas parecem insuportáveis. Mas se permanecemos unidos a Cristo, temos a vitória e podemos sair desses momentos com uma fé mais madura e com as forças renovadas. O Canto litúrgico desse domingo diz assim “Quando a estrada é difícil; permanecei no meu amor. Quando o passo é impossível; permanecei no meu amor. Quando treme a esperança; permanecei em mim”.

Concluímos essa reflexão com as palavras do Papa Bento XVI: “No nosso tempo de inquietação e indiferença, em que tanta gente perde a orientação e o apoio; em que a fidelidade do amor no matrimônio e na amizade se tornou tão frágil e de breve duração; em que nos apetece gritar, em nossa necessidade, como os discípulos de Emaús: «Senhor, fica conosco, porque anoitece (Lc 24, 29), sim, é escuro ao nosso redor!»; neste tempo, o Senhor ressuscitado oferece-nos um refúgio, um lugar de luz, de esperança e confiança, de paz e segurança. Onde a secura e a morte ameaçam os ramos, aí, em Cristo, há futuro, vida e alegria; aí há sempre perdão e novo início, transformação ao entrar no seu amor”.

Oremos com:

O Círculo Bíblico: Ó Deus de amor, a comunhão convosco nos torna alegres, felizes e férteis na produção de bons e saborosos frutos. Nós vos louvamos e bendizemos não só  porque o vosso Filho, Jesus, é a videira de quem somos parte, mas também porque o seu sangue é o vinho novo da Páscoa da ressurreição. Somos vossa vinha, Senhor, o povo que vós amais. Graças a Jesus, podemos ter em nós vossa vida divina e produzir frutos abundantes se estivermos unidos a Ele. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Há uma outra reflexão no Blog, postada em Janeiro de 2011, com o título: A Videira e os Ramos.

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

1 de maio de 2012 at 15:04 1 comentário

Parábola da Videira

Oi Crianças!

Jesus ensinou-nos muitas coisas sobre o Reino de Deus,

E muitas vezes Ele usou “Parábolas” para explicar.

Nas parábolas, Jesus fazia comparação dos acontecimentos do dia-a-dia

Com as coisas espirituais.

Por exemplo a Parábola da Videira (S. João 15, 1-8):

O Agricultor (aquele que semeia  e prepara a terra) é Deus Pai, que nos criou e cuida de nós;

A Videira (árvore que produz a uva) é Jesus, que fornece vida e sustento aos ramos;

O ramos (que somos todos nós) precisam estar sempre unidos à videira, que é Jesus,

Para dar muitos frutos e, para não secarem e virarem palha no fogo.

Oração:

Ó Jesus, queremos ficar sempre coladinhos no Senhor!

Queremos dar frutos de amor, paciência, alegria, paz,…!

                      Jane Amábile

 

22 de abril de 2012 at 10:00 1 comentário

Parábola dos Talentos – Trigésimo Terceiro Domingo do Tempo Comum – Mateus 25, 14-30

A parábola desse domingo convida-nos a ser vigilantes e empreendedores, à espera da volta do Senhor Jesus, no fim dos tempos. Eis o resumo da “Parábola dos Talentos”:

Um homem antes de viajar confiou seus bens aos seus servos: “a um deu cinco talentos; a outro, dois; e a outro, um”. O que recebeu cinco talentos negociou e produziu mais cincos talentos e, o que recebeu dois também produziu mais dois. O que recebeu um talento escondeu-o no buraco. Depois de muito tempo, o senhor dos servos cobrou deles os talentos que ele havia distribuído. Os servos que receberam cinco e dois talentos se apresentaram ao senhor e mostraram que seus talentos foram dobrados pelo lucro. Ao que o senhor respondeu a cada um deles: “Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu senhor”.   O servo que recebeu um talento devolveu o talento ao senhor sem ter lucrado com ele, pois o havia enterrado. O senhor disse-lhe: “Servo mau e preguiçoso! Sabias que colho onde não semeei e que recolho onde não espalhei. Devias, pois, levar meu dinheiro ao banco e, à minha volta, eu receberia com os juros o que é meu”. O senhor mandou que tirassem o talento do servo preguiçoso e entregassem ao que tinha dez. Então o senhor disse:  “Dar-se-á ao que tem e terá em abundância. Mas ao que não tem, tirar-se-á mesmo aquilo que julga ter”. E mandou que jogassem o servo inútil “nas trevas exteriores”, onde “haverá choro e ranger de dentes”.

Vamos refletir os versículos de 14 a 30 do Evangelho de Jesus Cristo, segundo São Mateus capítulo 25.

Versículos 14 e 15: “Será também como um homem que, tendo de viajar, reuniu seus servos e lhes confiou seus bens. A um deu cinco talentos; a outro, dois; e a outro, um, segundo a capacidade de cada um. Depois partiu”.

A distribuição dos talentos – Deus distribui os talentos e os dons de forma que necessitemos uns dos outros – A Palavra diz: “A cada um é dada a manifestação do Espírito (dom) para proveito comum”. (1 Cor 12, 7) O Catecismo (1936) também ensina: “Com efeito, Ele quer que cada um receba dos outros,  aquilo de que precisa, e quer que os que dispõem de «talentos» particulares os partilhem com os outros. Tais diferenças estimulam e obrigam, muitas vezes, as pessoas à magnanimidade, à benevolência e à partilha, e incitam as culturas a enriquecerem-se umas às outras”. Os talentos são distribuídos segundo o critério e a vontade de Deus, que conhece a todos nós, seus filhos, intimamente.

Os talentos (1): riquezas deixadas por Jesus Cristo na sua Igreja – Na Igreja encontramos os ”dons” deixados pelo Senhor para que juntos possamos cooperar na construção do seu Reino de justiça, de paz e de amor. O Papa Bento XVI disse assim:  “O homem da parábola representa o próprio Cristo, os servos são os discípulos e os talentos são os dons que Jesus lhes confia. Por isso tais dons, além das qualidades naturais, representam as riquezas que o Senhor Jesus nos deixou em herança, para que as fecundemos: a sua Palavra,escrita no Santo Evangelho; o Batismo, que nos renova no Espírito Santo; a oração do “Pai-Nosso” que elevamos a Deus como filhos unidos no Filho; o seu perdão, que Ele ordenou de levar a todos; o sacramento do seu Corpo imolado e do seu Sangue derramado. Em síntese: o Reino de Deus, que é Ele mesmo, presente e vivo no meio de nós. Este é o tesouro que Jesus confiou aos seus amigos, no final da sua breve existência terrena”.

Versículos 16 a 18:  “Logo em seguida, o que recebeu cinco talentos negociou com eles; fê-los produzir, e ganhou outros cinco. Do mesmo modo, o que recebeu dois, ganhou outros dois.  Mas, o que recebeu apenas um, foi cavar a terra e escondeu o dinheiro de seu senhor”.

Os talentos (2): dons do Espírito Santo – Deus nos abastece com muitos dons e não podemos desperdiçá-los ou ficar com receio de partilhá-los. Os dons são dados por Deus para edificar a sua Igreja. O Papa Bento XVI disse: “A parábola põe em maior evidência os bons frutos produzidos pelos discípulos que, felizes pelo dom recebido, não o conservaram escondido, com receio e inveja, mas fizeram-no frutificar, compartilhando-o, comunicando-o. Sim, o que Cristo nos concedeu multiplica-se quando é doado! É um tesouro feito para ser despendido, investido, compartilhado com todos”.

“O servo que tem medo do seu senhor e teme o seu retorno, esconde a moeda debaixo da terra e ela não produz qualquer fruto. Isto acontece, por exemplo, com quem tendo recebido o Batismo, a Comunhão e a Crisma, depois enterra tais dons debaixo de uma camada de preconceitos, sob uma falsa imagem de Deus que paralisa a fé e as obras, a ponto de atraiçoar as expectativas do Senhor”, disse o Papa Bento XVI.

Versículos 19 a 23:  “Muito tempo depois, o senhor daqueles servos voltou e pediu-lhes contas. O que recebeu cinco talentos, aproximou-se e apresentou outros cinco: – Senhor, disse-lhe, confiaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco que ganhei. ‘Disse-lhe seu senhor: – Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu senhor.  O que recebeu dois talentos, adiantou-se também e disse: – Senhor, confiaste-me dois talentos; eis aqui os dois outros que lucrei. Disse-lhe seu senhor: – Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu senhor”.

Fazer frutificar os talentos recebidos – Os dons só tem sentido se forem utilizados no amor e na partilha com os irmãos. O Cardeal José Saraiva Martins explicou-nos: “Diante de Deus, levaremos só o que tivermos dado e não o que acumulamos, porque o que doamos depositamo-lo no banco do amor. Por este motivo Jesus louva os dois homens que souberam fazer frutificar os talentos recebidos:  foi precisamente isto que fizeram os santos, na lógica divina do amor e da doação total de si”.

Versículos 24 a 28:  “ Veio, por fim, o que recebeu só um talento: – Senhor, disse-lhe, sabia que és um homem duro, que colhes onde não semeaste e recolhes onde não espalhaste. Por isso, tive medo e fui esconder teu talento na terra. Eis aqui, toma o que te pertence.  Respondeu-lhe seu senhor: – Servo mau e preguiçoso! Sabias que colho onde não semeei e que recolho onde não espalhei.  Devias, pois, levar meu dinheiro ao banco e, à minha volta, eu receberia com os juros o que é meu.  Tirai-lhe este talento e dai-o ao que tem dez”.

O  servo mau ficou com medo de Deus, por isso seus talentos não deram frutos – Devemos “temer a Deus” não é ficar com “medo de Deus”. É buscar compreender que a sua vontade é soberana e seu poder não tem limites.  O Beato João Paulo II explicou:  “Esta parábola dos talentos ensina-nos a distinguir o verdadeiro temor de Deus, do falso. O verdadeiro temor de Deus não é terror, mas antes dom do Espírito, pelo qual se teme ofendê-l’O, entristecê-l’O e não fazer os esforços suficientes para ser fiel a vontade d’Ele; ao passo que o falso temor de Deus é fundado na desconfiança n’Ele e no mesquinho cálculo humano. Verdadeiro temor de Deus tem aquele que “segue o caminho do Senhor” (Sl 127, 1), assim como se manifestou no comportamento do primeiro e do segundo servo, ambos louvados pelo Senhor com as palavras: “Muito bem, excelente e fiel servidor! “

Versículos 29 e 30:  “Dar-se-á ao que tem e terá em abundância. Mas ao que não tem, tirar-se-á mesmo aquilo que julga ter.  E a esse servo inútil, jogai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes”.

Dar-se-á ao que tem e terá em abundância – Precisamos colocar os talentos que Deus nos deu a serviço do Reino para que outros também possam receber esses dons e multiplicá-los pelo mundo. Deus nos envia a levar o evangelho a todos e, os dons nos tornam aptos a responder ao chamado do Senhor. A Palavra diz: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão”. (Mc 16, 15-18)

Tirar-se-á mesmo aquilo que julga ter – O Beato João Paulo II ensinou:  “O próprio Senhor Jesus, na parábola dos talentos, põe em relevo o tratamento severo reservado a quem ousou esconder o dom recebido. A nós, que recebemos os dons de Deus para os fazer frutificar, compete-nos «semear» e «recolher». Se não o fizermos, ser-nos-á tirado também aquilo que temos. O aprofundamento destas palavras severas poderá impelir-nos a empenharmo-nos com mais decisão no dever, hoje premente para todos, de colaborar no desenvolvimento integral dos outros: desenvolvimento do homem todo e de todos os homens».

Vamos concluir essa reflexão com as palavras do Papa Bento XVI:  “A mensagem central desse Evangelho diz respeito ao espírito de responsabilidade com que acolher o Reino de Deus: responsabilidade em relação a Deus e à humanidade. Encarna perfeitamente esta atitude do coração à Virgem Maria que, recebendo o mais precioso dos dons, o próprio Jesus, ofereceu-O ao mundo com imenso amor. A Ela peçamos-lhe que nos ajude a ser “servos bons e fiéis”, para que possamos um dia participar “na alegria do nosso Senhor”.

Oração

Para pedir os dons ao Espírito Santo:

Vinde Espírito Santo / E dai-nos o Dom da Sabedoria  / Para que possamos avaliar todas as coisas à luz do Evangelho / E ler nos acontecimentos da vida os projetos de amor do Pai / Dai-nos o Entendimento / Uma compreensão mais profunda da verdade / A fim de anunciar a salvação com maior firmeza e convicção / Dai-nos o Dom do Conselho / Que ilumina a nossa vida  / E orientai a nossa ação segundo vossa Divina Providência / Dai-nos o Dom da Fortaleza / Sustentai-nos no meio de tantas dificuldades / Com vossa coragem para que possamos anunciar o Evangelho / Dai-nos  o Dom da Ciência / Para distinguir o Único Necessário /  Das coisas meramente importantes / Dai-nos Piedade / Para reanimar sempre mais nossa íntima comunhão convosco / E, finalmente, dai-nos vosso santo Temor / Para que, conscientes de nossas fragilidades, / Reconhecermos a força da vossa graça./ Vinde Espírito Santo / E dai-nos um novo coração. Amém

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

9 de novembro de 2011 at 11:56 Deixe um comentário

Parábola dos Talentos – Trigésimo Terceiro Domingo do Tempo Comum – Mateus 25, 14-30

14. Será também como um homem que, tendo de viajar, reuniu seus servos e lhes confiou seus bens.  

15. A um deu cinco talentos; a outro, dois; e a outro, um, segundo a capacidade de cada um. Depois partiu.  

16. Logo em seguida, o que recebeu cinco talentos negociou com eles; fê-los produzir, e ganhou outros cinco.  

17. Do mesmo modo, o que recebeu dois, ganhou outros dois.  

18. Mas, o que recebeu apenas um, foi cavar a terra e escondeu o dinheiro de seu senhor.  

19. Muito tempo depois, o senhor daqueles servos voltou e pediu-lhes contas.  

20. O que recebeu cinco talentos, aproximou-se e apresentou outros cinco: – Senhor, disse-lhe, confiaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco que ganhei.’  

21. Disse-lhe seu senhor: – Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu senhor.  

22. O que recebeu dois talentos, adiantou-se também e disse: – Senhor, confiaste-me dois talentos; eis aqui os dois outros que lucrei.  

23. Disse-lhe seu senhor: – Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu senhor.  

24. Veio, por fim, o que recebeu só um talento: – Senhor, disse-lhe, sabia que és um homem duro, que colhes onde não semeaste e recolhes onde não espalhaste.  

25. Por isso, tive medo e fui esconder teu talento na terra. Eis aqui, toma o que te pertence.  

26. Respondeu-lhe seu senhor: – Servo mau e preguiçoso! Sabias que colho onde não semeei e que recolho onde não espalhei.   

27. Devias, pois, levar meu dinheiro ao banco e, à minha volta, eu receberia com os juros o que é meu.   

28. Tirai-lhe este talento e dai-o ao que tem dez.  

29. Dar-se-á ao que tem e terá em abundância. Mas ao que não tem, tirar-se-á mesmo aquilo que julga ter.  

30. E a esse servo inútil, jogai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes. 

8 de novembro de 2011 at 12:48 Deixe um comentário

Parábola da festa das bodas – Vigésimo Oitavo Domingo do Tempo Comum – Mateus 22, 1-14

Jesus Cristo continuou a falar em parábolas, em Jerusalém, onde passava a sua última semana de vida. Foi uma semana difícil para Jesus, pois era muito questionado pelos líderes religiosos: sacerdotes, escribas, fariseus, anciãos do povo… Jesus inicia a parábola falando do Reino dos Céus. O Senhor conta que havia um rei que enviou servos para trazer convidados para as bodas de seu filho. Mas estes não quiseram vir para a festa. O rei enviou outros servos para que dissessem aos convidados que da sua parte, já estava tudo preparado para as bodas. Mas os convidados se ocuparam com suas coisas pessoais e não quiseram vir para as bodas. E outros convidados ainda insultaram os servos do rei e os mataram. O rei ficou indignado “enviou suas tropas, matou aqueles assassinos e incendiou-lhes a cidade” (V.7).  Como seus convidados não aceitaram o convite para ir a sua festa, o rei chamou seus servos e mandou convidar a todos quanto achassem pelas encruzilhadas.  Os servos espalharam-se “pelos caminhos e reuniram todos quantos acharam, maus e bons, de modo que a sala do banquete ficou repleta de convidados”.(V.10)  Quando o rei entrou na sala que estavam os convidados “viu ali um homem que não trazia a veste nupcial” (V.11). Então o rei quis saber como ele havia entrado ali sem a veste nupcial, mas o homem nada disse. Então o rei disse aos seus servos:  “Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o nas trevas exteriores. Ali haverá choro e ranger de dentes. Porque muitos são os chamados, e poucos os escolhidos”. (V.13-14)

Vamos refletir os versículos do Evangelho de Jesus Cristo, segundo São Mateus 22, 1-14:

Versículos 1 e 2:  “Jesus tornou a falar-lhes por meio de parábolas: O Reino dos céus é comparado a um rei que celebrava as bodas do seu filho” – O Pai preparou as bodas do seu amado Filho Jesus no Reino dos Céus. Há no céu um grande banquete à espera daqueles que ouviram a mensagem de salvação do Senhor, mudaram suas vidas e por isso foram salvos. É um banquete de núpcias onde o noivo é Jesus Cristo e a noiva é a sua Igreja (o povo). Nessa festa tem alimento da melhor qualidade e é repleta de alegria e felicidade. O Beato João Paulo II disse: “Jesus descreve o Reino de Deus como um grande banquete nupcial, com abundância de alimentos e bebidas, num clima de alegria e de festa para todos os convidados. Ao mesmo tempo, Jesus sublinha a necessidade do traje nupcial (V. 11),  isto é, a necessidade de respeitar as condições requeridas pela participação nesta festa solene”.

A Eucaristia é a antecipação do banquete no céu- Na Eucaristia já vivenciamos aqui na terra o banquete que Deus nos preparou no Céu. A liturgia desse domingo diz assim: “A Eucaristia é o banquete da nova amizade que reúne as pessoas a Deus. Na celebração deste sacramento já podemos vivenciar o sabor da ceia eterna, em que Deus estará conosco para sempre.” O Papa Bento XVI disse também assim:  “Da festa final do Céu é antecipação o banquete da Eucaristia, ao qual o Senhor nos convida todos os dias e no qual devemos participar com a veste nupcial da sua graça. Jesus deseja-nos, aguarda-nos. E nós, temos verdadeiramente desejo d’Ele? Sentimos, no nosso interior, o impulso para O encontrar? Ansiamos pela sua proximidade, por nos tornarmos um só com Ele, dom este que Ele nos concede na sagrada Eucaristia? Ou, pelo contrário, sentimo-nos indiferentes, distraídos, inundados por outras coisas?”

Desde a catequese da nossa primeira Eucaristia, sabemos que é preciso buscar constantemente a confissão para tomar o Corpo e o Sangue de Cristo sem mancha de pecado em nossa alma, isto é, com vestes brancas (nupciais). A Palavra diz assim: “Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor. Que cada um se examine a si mesmo, e assim coma desse pão e beba desse cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação” (1Cor 11,27-29)

Versículos 3 e 4: “Enviou seus servos para chamar os convidados, mas eles não quiseram vir. Enviou outros ainda, dizendo-lhes: Dizei aos convidados que já está preparado o meu banquete; meus bois e meus animais cevados estão mortos, tudo está preparado. Vinde às bodas!” –  Deus tem um amor eterno e incondicional por cada um de nós e, por isso quer que participemos dessa festa com Ele. Pois quem ama quer ficar junto, alegrar-se junto, ser feliz junto.  A Palavra diz: “O Senhor dos exércitos preparará no alto deste monte, para todos os povos do mundo, um banquete de carnes gordas… de vinhos finos, de carnes suculentas e de vinhos refinados.” (Is 25, 6)

O Papa Bento XVI disse: “Podemos reconhecer o desejo do próprio Deus: o seu amor pelos homens, pela sua criação, um amor em expectativa. O amor que espera o momento da união, o amor que quer atrair os homens a si, para assim realizar também o desejo da própria criação: esta, de fato, aguarda a manifestação dos filhos de Deus (Rm 8, 19)”.   Deus nos chama ao banquete da vida no seu Reino onde a morte, a tristeza e as lágrimas já não terão mais vez. A Palavra diz: “Nesse monte tirará o véu que vela todos os povos, a cortina que recobre todas as nações, e fará desaparecer a morte para sempre. O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces e tirará de toda a terra o opróbrio que pesa sobre o seu povo…”  (Is 25, 7-8)

Versículos 5 e 6: “Mas, sem se importarem com aquele convite, foram-se, um a seu campo e outro para seu negócio. Outros lançaram mãos de seus servos, insultaram-nos e os mataram.” –    O Senhor  utiliza de muitas formas para falar conosco, ensinando-nos como devemos viver para entrar no Reino dos céus e assim participar das bodas de seu Filho Jesus. Deus fala ao nosso coração, através do seu Espírito; fala através da Bíblia; fala por meio dos pastores da nossa Igreja, o Papa, os Bispos, os Sacerdotes; fala através dos sacramentos, da oração e do convívio fraterno; fala através dos testemunhos dos santos; fala nos fatos do dia-a-dia de nossas vidas; fala através dos afazeres domésticos e no trabalho; fala através das palavras e gestos das pessoas com as quais convivemos; e fala através da natureza criada. Deus nos chama a cada dia, para participar do seu banquete. O Senhor está a esperar pacientemente pelo sim de cada um de nós.

 Mas infelizmente muitos de nós ocupamos-nos com as coisas desse mundo e somos indiferentes ao convite que Deus nos tem feito. E o Senhor conta na parábola que há os que ainda insultam e matam os servos do rei. Hoje esses servos que o Senhor envia para fazer-nos o convite, são aqueles que na Igreja sofrem e até morrem por causa do anúncio do Evangelho, os mártires da Igreja são um exemplo. O Beato João Paulo II disse: “Não nos envergonhemos, pois, do testemunho que se deve dar de nosso Senhor Jesus Cristo: “Sereis minhas testemunhas!” (At 1, 8). E, se for preciso, saibamos também nós sofrer pelo Evangelho, apoiados na força de Deus (2 Tm 1, 8)”.

Versículos 7 e 8: “O rei soube e indignou-se em extremo. Enviou suas tropas, matou aqueles assassinos e incendiou-lhes a cidade. Disse depois a seus servos: O festim está pronto, mas os convidados não foram dignos.” –    Os primeiros convidados do banquete não aceitaram o convite do rei.  Jesus Cristo não foi aceito pelo povo da promessa (os israelitas) para o qual Ele veio (os primeiros convidados), estendeu então seu convite a toda a humanidade:  “ Ide às encruzilhadas e convidai para as bodas todos quantos achardes”. Não deixemos também nós, de respondermos favoravelmente a Deus o convite que Ele nos faz de participar das suas bodas no Reino dos céus e, ainda convidar também outros a fazê-lo. Que sejamos todos nós “convidados dignos” do Senhor.

Versículos 9 e 10:  “Ide às encruzilhadas e convidai para as bodas todos quantos achardes.  Espalharam-se eles pelos caminhos e reuniram todos quantos acharam, maus e bons, de modo que a sala do banquete ficou repleta de convidados”. – Se não respondermos “sim” ao chamado do Senhor, outros o farão. Ele nos dá inúmeras vezes a oportunidade, pela sua misericórdia, de responder “sim” ao seu convite de amor. O Papa Bento XVI disse assim:  “Alguns convidados da primeira hora rejeitaram o convite, porque se sentiam atraídos por diferentes interesses; outros chegaram a desprezar o convite do rei, suscitando um castigo que se abateu não somente sobre eles, mas sobre toda a cidade. Contudo, o rei não desanima e envia os seus servos em busca de outros comensais para encher a sala do seu banquete. Assim, a rejeição dos primeiros tem como efeito a extensão do convite a todos, com uma predileção especial pelos pobres e deserdados”.-

O Beato João Paulo II ensinou: “Foram os pobres que aceitaram o convite, aqueles que estacionavam “às saídas dos caminhos…, maus e bons”, isto é aqueles que na sua humildade conheceram a riqueza imerecida do dom de Deus e o aceitaram com simplicidade. É preciso que também nós estejamos antes de tudo conscientes do convite para uma transformadora comunhão com o Senhor, convite que nos é dirigido pela Palavra de Deus e a pregação da Igreja; e, além disso, que saibamos acolhê-lo com todo o coração, com plena disponibilidade, na certeza de que o Senhor quer somente a nossa promoção, a nossa salvação”.

Versículos 11 e 12:  “O rei entrou para vê-los e viu ali um homem que não trazia a veste nupcial. Perguntou-lhe: Meu amigo, como entraste aqui, sem a veste nupcial? O homem não proferiu palavra alguma”. – A falta da veste nupcial é a falta da pureza no coração. Que é a condição de quem está em pecado mortal, como o homem, na parábola, que não trazia a veste nupcial, por isso não foi digno de participar das bodas. Para podermos participar do banquete da vida é preciso primeiro buscar a santidade. O Beato João Paulo II:  “A santidade lembra o “Reino de Deus” que Jesus representou simbolicamente no grande e festivo banquete proposto a todos, mas destinado apenas a quem aceita vestir a “veste nupcial da graça”.

E nós podemos também ser santos, vestir a veste nupcial. E assim participar das bodas do Cordeiro. Para isso é preciso que abramos o nosso coração e participemos frequentemente do sacramento da confissão, para que as nossas vestes, se estiverem escuras por causa do pecado, transformem em vestes brancas de santidade. O Papa Bento XVI explica sobre a veste branca, a veste nupcial dos santos: “No batismo, eles receberam a veste nupcial da graça divina, conservaram-na pura ou purificaram-na e tornaram-na resplandecente durante o curso da vida mediante os Sacramentos. Agora, participam no banquete nupcial do Céu. Se esta veste se mancha ou chega mesmo a dilacerar-se, a bondade de Deus não nos rejeita, nem nos abandona ao nosso destino, mas oferece-nos mediante o sacramento da Reconciliação a possibilidade de restabelecer na sua integridade a veste nupcial necessária para a festa”.

 Podemos aprender com os santos que passaram pelo sofrimento como todos nós passamos, a diferença é que entregaram seus sofrimentos como uma expiação de seus pecados e dos pecados da humanidade. E não reclamaram, nem se revoltaram contra Deus. E todos buscavam frequentemente o sacramento da Confissão para obter de Deus o perdão de seus pecados e assim se apresentar diante d’Ele com vestes brancas e adequadas para sentar-se à mesa do Cordeiro Imolado. A Palavra de Deus diz assim: “Esses são os sobreviventes da grande tribulação; lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro. Por isso, estão diante do trono de Deus e o servem, dia e noite, no seu templo”. (Ap 7,14-15)

Versículos 13 e 14: “Disse então o rei aos servos: Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o nas trevas exteriores. Ali haverá choro e ranger de dentes. Porque muitos são os chamados, e poucos os escolhidos”. – Aqui o Senhor lembra aos fariseus; aos outros que O estavam ouvindo; a todos nós, enfim, que se não estivermos com a alma pura (sem pecado) teremos esse mesmo fim. O Beato João Paulo II disse: “Recorrendo a imagens, o Novo Testamento apresenta o lugar destinado aos operadores de iniquidade como uma fornalha ardente, onde há «choro e ranger de dentes» (Mt 13, 42;  25, 30.41), ou como a Geena de «fogo inextinguível» (Mc 9, 43). Tudo isto é expresso de modo narrativo na parábola do rico avarento, na qual se precisa que o inferno é o lugar de pena definitiva, sem possibilidade de retorno ou de mitigação do sofrimento” (Lc 16, 19-31).

Deus chama e espera que atendamos ao seu chamado. É um chamado de amor e de misericórdia para participar das bodas do reino após nossa morte física e, também um chamado de serviço ao seu reino já aqui na terra. Que o Senhor nos dê força e coragem para responder favoravelmente ao seu insistente chamado de amor. Na parábola das bodas, o Senhor mandou seus servos chamarem muitas pessoas, mas elas não se importaram com o convite do rei e “foram-se, um a seu campo e outro para seu negócio”.   E Jesus Cristo conclui a parábola dizendo: “Porque muitos são chamados, e poucos os escolhidos”.

Oração

Com o Salmo 22:  “O Senhor é meu pastor, nada me faltará. Em verdes prados ele me faz repousar. Conduz-me junto às águas refrescantes,  restaura as forças de minha alma. Pelos caminhos retos ele me leva, por amor do seu nome.  Ainda que eu atravesse o vale escuro, nada temerei, pois estais comigo. Vosso bordão e vosso báculo são o meu amparo. Preparais para mim a mesa à vista de meus inimigos. Derramais o perfume sobre minha cabeça, e transborda minha taça. A vossa bondade e misericórdia hão de seguir-me por todos os dias de minha vida. E habitarei na casa do Senhor por longos dias.”

Com o Cardeal James Francis Stafford:  “Senhor, leva-me a experimentar todos os dias a beleza do Sacramento da Penitência, dom de graça, dom de vida; é nele que se renova a compaixão amorosa de Cristo pelo homem e, ao mesmo tempo, que são restituídas a graça, a alegria do coração, a veste nupcial que permite o ingresso na vida eterna”.

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

6 de outubro de 2011 at 12:36 Deixe um comentário

Vigésimo Oitavo Domingo do Tempo Comum – Mateus 22, 1-14

1. Jesus tornou a falar-lhes por meio de parábolas:  

2. O Reino dos céus é comparado a um rei que celebrava as bodas do seu filho.  

3. Enviou seus servos para chamar os convidados, mas eles não quiseram vir.  

4. Enviou outros ainda, dizendo-lhes: Dizei aos convidados que já está preparado o meu banquete; meus bois e meus animais cevados estão mortos, tudo está preparado. Vinde às bodas!  

5. Mas, sem se importarem com aquele convite, foram-se, um a seu campo e outro para seu negócio.  

6. Outros lançaram mãos de seus servos, insultaram-nos e os mataram.  

7. O rei soube e indignou-se em extremo. Enviou suas tropas, matou aqueles assassinos e incendiou-lhes a cidade.  

8. Disse depois a seus servos: O festim está pronto, mas os convidados não foram dignos.  

9. Ide às encruzilhadas e convidai para as bodas todos quantos achardes.  

10. Espalharam-se eles pelos caminhos e reuniram todos quantos acharam, maus e bons, de modo que a sala do banquete ficou repleta de convidados.  

11. O rei entrou para vê-los e viu ali um homem que não trazia a veste nupcial.  

12. Perguntou-lhe: Meu amigo, como entraste aqui, sem a veste nupcial? O homem não proferiu palavra alguma.  

13. Disse então o rei aos servos: Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o nas trevas exteriores. Ali haverá choro e ranger de dentes.  

14. Porque muitos são os chamados, e poucos os escolhidos. 

5 de outubro de 2011 at 13:23 Deixe um comentário

Parábola dos lavradores homicidas – Vigésimo Sétimo Domingo do Tempo Comum- Mateus 21, 33-43

Jesus continuava no Templo ensinando em parábolas. Depois da parábola dos dois filhos narrada no Evangelho de domingo passado, Jesus Cristo contou a parábola de um pai de família que plantou uma vinha, cuidou dela, arrendou-a aos lavradores e deixou o país. No tempo da colheita, o pai de família enviou seus servos para recolher os frutos. Os lavradores que haviam arrendado a vinha atacaram os servos “feriram um, mataram outro e apedrejaram o terceiro”. (V.35) O pai de família mandou muitos outros servos e os lavradores fizeram o mesmo com estes. Mandou por último seu filho, mas os lavradores também o mataram, pois cobiçaram sua herança. Então Jesus pergunta aos presentes: “Pois bem: quando voltar o senhor da vinha, que fará ele àqueles lavradores?”. (V.40) Eles responderam: “Mandará matar sem piedade aqueles miseráveis e arrendará sua vinha a outros lavradores que lhe pagarão o produto em seu tempo.” (V.41) Jesus terminou a parábola dizendo assim: “A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a pedra angular; isto é obra do Senhor, e é admirável aos nossos olhos? Por isso vos digo: ser-vos-á tirado o Reino de Deus, e será dado a um povo que produzirá os frutos dele”.(V.42-43)

Vamos buscar identificar algumas imagens colocadas por Jesus Cristo nessa parábola:

Deus é o dono da vinha – Deus Pai é o dono da vinha e quer colher dela frutos bons, isto é, frutos de conversão. Deus tem amor especial pela sua vinha e quer que todos os seus filhos encontrem a salvação. Desde o tempo da “antiga aliança” feita com seu povo, Deus enviou os profetas que anunciaram a vinda do Messias (Jesus Cristo) salvador da humanidade. E a “nova aliança” é o cumprimento da promessa: Deus envia o seu Filho, que morre na cruz pelo perdão dos nossos pecados e, anuncia o Reino de amor, que o Senhor preparou para todos aqueles que creem n’Ele. “A parábola dos lavradores homicidas é um resumo da história da salvação humana, desde a aliança de Deus com o povo eleito, até a fundação da Igreja por Jesus como novo povo de Deus, passando pelos profetas e o próprio Cristo, que anunciou o reino de Deus e foi constituído pedra angular de todo o plano salvador, mediante o seu mistério pascal de morte e ressurreição” (Padre Pacheco-CN). Deus Pai, o dono da vinha, está constantemente buscando proteger a sua vinha e reconstruindo aquilo que o mal danificou. O  salmista clama a Deus: “Voltai, ó Deus dos exércitos; olhai do alto céu, vede e vinde visitar a vinha.  Protegei este cepo por vós plantado, este rebento que vossa mão cuidou. Aqueles que a queimaram e cortaram pereçam em vossa presença ameaçadora.” (Sl 79,15-17)

A Vinha é a Igreja – A própria Igreja é a vinha evangélica, que é chamada a partir do Batismo a reviver a comunhão na Trindade e a manifestá-la e a comunicá-la na história. “Somos a vinha do Senhor, cuidada com carinho pelo Pai e regada pelo sangue de Cristo para que produza os frutos de paz e de vida que Deus deseja e espera de nós.”(Comentário da primeira Leitura desse domingo: Is 5,1-7) O Pai plantou a vinha, preparou-a e entregou-a aos lavradores para que cuidassem dela.    O Magistério da Igreja, os demais ministros ordenados, os leigos consagrados e os fiéis batizados tem a missão de cuidar da vinha do Senhor, para que ela produza frutos de santidade no meio de um mundo cada vez mais apegado aos bens de consumo e distante de Deus. Jesus Cristo mesmo envia os operários para cuidar da sua vinha: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado. Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu nome, falarão novas línguas, manusearão serpentes e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal; imporão as mãos aos enfermos e eles ficarão curados.” (Mc 16, 15-18)

O Senhor está sempre convidando trabalhadores para cuidar da sua vinha, despertando nos jovens a vocação ao sacerdócio. Para assim nunca faltar operários para ela. Jovens que serão os futuros trabalhadores da sua vinha (a Igreja). A Igreja conta com o “sim” desses jovens para que numa atitude de total desprendimento e doação sirvam em tempo integral à vinha do Senhor. O Papa Bento XVI disse: “Portanto, também hoje são necessários discípulos de Cristo que não poupem tempo nem energias para servir o Evangelho. São precisos jovens que deixem arder dentro de si o amor a Deus e respondam generosamente ao seu apelo urgente, como fizeram muitos jovens Beatos e Santos do passado e inclusive de épocas mais próximas a nós”. Precisamos diariamente pedir mais sacerdotes para servir na vinha do Senhor. Para que todos os povos sejam alcançados com a mensagem da boa nova da salvação. Jesus disse: ”Grande é a messe, mas poucos são os operários. Rogai ao Senhor da messe que mande operários para a sua messe.” ( Lc 10,2)

Os Lavradores foram enviados para recolher os frutos- Os lavradores são os servos de Deus que trabalham para que o Reino de Deus aconteça no meio de nós e assim todos possam ser salvos. Muitos profetas não foram ouvidos e até perseguidos por causa do anúncio do Reino de Deus. Numa das parábolas de Jesus, a do rico e Lázaro, é narrado que um rico pedia que Abraão avisasse aos seus familiares para que também não caíssem na condenação eterna como ele. Ao que Abraão lhe respondeu: – “Eles lá tem Moisés e os profetas; ouçam-nos!”(Lc 16,29) …”Se não ouvirem a Moisés e aos profetas, tampouco se deixarão convencer, ainda que ressuscite algum dos mortos.” (Lc 16,31)Podemos trazer para nós hoje esses questionamentos: Ouvimos o Papa? Ouvimos os Bispos? Ouvimos os sacerdotes? Ouvimos as lideranças da comunidade? Deus os enviou para proclamar as verdades do Reino. São eles que plantam, cuidam e depois colhem os frutos da vinha (a Igreja) do Senhor. Que frutos eles poderão colher de nós, os  fiéis? No Salmo 80 o Senhor diz: “No entanto, meu povo não ouviu a minha voz, Israel não me quis obedecer. Por isso, os abandonei à dureza de seus corações. Deixei-os que seguissem seus caprichos. Oh, se meu povo me tivesse ouvido, se Israel andasse em meus caminhos!”(V.12-14)

Os lavradores homicidas – Quando o dono da vinha enviou os servos para recolher os frutos de sua vinha, os lavradores homicidas não os respeitaram, “agarraram os servos, feriram um, mataram outro e apedrejaram o terceiro”. (V.35)  São os servos de Deus que em todos os tempos buscam implantar seu Reino de justiça, paz e amor mas não são ouvidos por uma boa parte da humanidade. São perseguidos, humilhados e até perdem a vida por causa do Evangelho de Cristo. O Próprio Jesus alertou aos seus discípulos sobre a dificuldade da missão: “Ide, eis que vos envio como cordeiros entre lobos”. (Lc 10, 3) Há muitos lavradores homicidas ainda nos dias de hoje, querendo calar a Palavra de Deus que é anunciada pela Igreja. Mas a Igreja está fundamentada sobre a Pedra Angular, Jesus Cristo, por isso ninguém conseguirá deter o anúncio da boa nova.

Ainda há hoje muitos operários da vinha do Senhor que sofrem para que o Evangelho seja anunciado a todas às nações. O Beato João Paulo II disse que muitos homens e mulheres consagrados foram “hostilizados na atividade missionária, na ação em favor dos pobres, na assistência aos doentes e marginalizados, viveram e vivem a sua consagração, num sofrimento prolongado e heroico, chegando muitas vezes até ao derramamento do próprio sangue, plenamente configurados com o Senhor crucificado. De alguns deles a Igreja já reconheceu oficialmente a santidade, honrando-os como mártires de Cristo. Eles nos iluminam com seu exemplo, intercedem pela nossa fidelidade, esperam por nós na glória. Deseja-se, vivamente, que a memória de tantas testemunhas da fé perdure na consciência da Igreja como incentivo à celebração e à imitação.”

Jesus Cristo é o Filho do dono da vinha – O versículo 39 do Evangelho diz que o dono da vinha mandou seu próprio Filho e nem este os lavradores respeitaram, pois “lançaram-lhe as mãos, conduziram-no para fora da vinha e o assassinaram.  Jesus veio para salvar a humanidade, mas nem todos O aceitaram. Foi preso, flagelado, julgado e condenado à morte de cruz.  Palavra do Senhor diz:  “Estava no mundo e o mundo foi feito por Ele, e o mundo não O reconheceu.  Veio para o que era seu, mas os seus não O receberam.”  (Jo 1, 10-11)

 Jesus Cristo convida-nos a cada dia, a buscar a santidade para tomarmos parte do Reino que o Pai preparou para nós. Jesus morreu na cruz para sermos perdoados de nossos  pecados e ressuscitou para que tenhamos a vida eterna. Na sua missão messiânica, o Senhor designou operários, seus discípulos, para cuidar da sua vinha, que somos todos nós, a sua Igreja. E continua enviando os ministros ordenados e assim sucessivamente até no final dos tempos, quando o Senhor virá fazer a derradeira colheita e pedir contas dos frutos dados na sua vinha. O Papa Bento XVI disse que “a sua dolorosa paixão e morte de Jesus na Cruz será seguida da glória da Ressurreição. Então, a vinha continuará a produzir uvas e será confiada pelo seu dono “a outros camponeses, que lhe entregarão os frutos na devida altura”. (Mt 21, 41).

Jesus Cristo é a Pedra Angular da Igreja –  É sobre a Pedra Angular (Jesus Cristo) que a Igreja está edificada, por isso ela é invencível. O Papa Pio XII: “Sobre esta pedra angular foi educada a Igreja, e por isso contra ela nunca poderão prevalecer as potências adversas: “as portas do inferno não prevalecerão” (Mt 16,18), nem poderão nunca enfraquecê-la, porquanto as lutas, tanto internas como externas, só poderão dar-lhe mais força e aumentar o número de coroas das suas gloriosas vitórias. Ao contrário, qualquer outro edifício que não tenha suas bases na doutrina de Cristo, apóia-se sobre areia movediça e estará fadado a ruir miseramente” (Mt 7,26-27).

O Beato João Paulo II disse: “Condenado a uma morte ultrajante, o Filho do homem, crucificado e ressuscitado, tornou-Se pedra angular para a vida da Igreja e de cada cristão. «Isto se fez por obra do Senhor, e é um prodígio aos nossos olhos» (Sl 117,23). Esta é a nossa fé.  Esta é a fé da Igreja, que nos gloriamos de professar no limiar do terceiro milénio, porque a Páscoa de Cristo é a esperança do mundo, ontem, hoje e por todos os séculos”. A Palavra ( 1 Pr 2, 6-7) diz assim sobre Cristo a Pedra Angular da nossa Igreja:  “Por isso lê-se na Escritura: Eis que ponho em Sião uma pedra angular, escolhida, preciosa: quem nela puser sua confiança não será confundido (Is 28,16).  Para vós, portanto, que tendes crido, cabe a honra. Mas, para os incrédulos, a pedra que os edificadores rejeitaram tornou-se a pedra angular, uma pedra de tropeço, uma pedra de escândalo (Sl 117,22; Is 8,14).

O Reino será dado ao povo que produzir frutos – Deus não se cansa de enviar operários, ungidos pelo Espírito Santo, para nos alertar sobre o arrependimento dos nossos pecados, sobre a necessidade de mudança de vida e isso, desde a antiga aliança que fez com seu povo e na nova aliança com seu próprio Filho pelo seu sangue derramado na cruz. Todos nós somos chamados por Deus a dar frutos de conversão para que o Senhor não tome de nós o lugar na sua vinha e dê àqueles que deram bons frutos. “Por isso vos digo: ser-vos-á tirado o Reino de Deus, e será dado a um povo que produzirá os frutos dele”. (V.43)

O Papa Bento XVI explicou-nos: “O Senhor brada também aos nossos ouvidos as palavras que, no Apocalipse, dirigiu à Igreja de Éfeso:  “Se não… te arrependeres, virei ter contigo e retirarei o teu candelabro da sua posição” (2, 5). Também de nós pode ser tirada a luz, e agimos bem se deixarmos ressoar esta admoestação em toda a sua seriedade na nossa alma, bradando ao mesmo tempo ao Senhor: “Ajuda-nos a converter-nos! Concede-nos a todos a graça de uma verdadeira renovação! Não permitas que se apague a tua luz no meio de nós! Reforça a nossa fé, a nossa esperança e o nosso amor, para podermos produzir bons frutos!”.  

E para concluir essa reflexão temos ainda a exortação do Papa Bento XVI: “No entanto, nas palavras de Jesus há uma promessa: a vinha não será destruída. Enquanto abandona ao seu destino os vinhateiros infiéis, o dono não se desapega da sua vinha e confia-a a outros seus servos fiéis. Isto indica que, se em algumas regiões a fé definha a ponto de se extinguir, sempre haverá outros povos prontos para a acolher”.

Oremos:

Com São Paulo: “Achegai-vos a ele, pedra viva que os homens rejeitaram, mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus;  e quais outras pedras vivas, vós também vos tornais os materiais deste edifício espiritual, um sacerdócio santo, para oferecer vítimas espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo” (1 Pr 2, 4-5).

Com o Círculo Bíblico:  “Ó Deus, senhor da vinha e da messe, nós vos louvamos porque o vosso amor nos escolheu como vosso povo, a vinha de que cuidais com carinho. Fazei que na vinha da vossa Igreja possamos oferecer-vos não a uva azeda do nosso egoísmo, mas os frutos maduros e deliciosos da humanidade, fraternidade e solidariedade. Ajudai-nos a trabalhar com alegria no serviço do vosso reino. Por Cristo, nosso Senhor. Amém”.

Com O Beato João Paulo II: “Pai santo, precisamos de anunciadores corajosos do Evangelho, de servos generosos da humanidade sofredora.  Manda à tua Igreja, nós te suplicamos, presbíteros santos, que santifiquem o teu povo com os instrumentos da tua graça. Manda numerosos consagrados e consagradas, que mostrem a tua santidade no meio do mundo. Manda na tua vinha operários santos, que ajam com o ardor da caridade e, impelidos por teu Santo Espírito, levem a salvação de Cristo até os últimos confins da Terra”. Amém.

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

29 de setembro de 2011 at 21:23 Deixe um comentário

Parábola dos dois filhos – Vigésimo Sexto Domingo do Tempo Comum – Mateus 21, 28-32

28. Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, disse-lhe: – Meu filho, vai trabalhar hoje na vinha.  

29. Respondeu ele: – Não quero. Mas, em seguida, tocado de arrependimento, foi.  

30. Dirigindo-se depois ao outro, disse-lhe a mesma coisa. O filho respondeu: – Sim, pai! Mas não foi.  

31. Qual dos dois fez a vontade do pai? O primeiro, responderam-lhe. E Jesus disse-lhes: Em verdade vos digo: os publicanos e as meretrizes vos precedem no Reino de Deus!  

32. João veio a vós no caminho da justiça e não crestes nele. Os publicanos, porém, e as prostitutas creram nele. E vós, vendo isto, nem fostes tocados de arrependimento para crerdes nele.

Resumo da parábola dos dois filhos: Jesus Cristo continuou em Jerusalém. No templo, o Senhor ensinava sobre muitas coisas e contou uma parábola sobre um homem que tinha dois filhos. Jesus contou que um pai chamou o primeiro filho e mandou-o trabalhar na vinha. Este respondeu que não ia, mas arrependido acabou indo. Quando o pai mandou o outro filho trabalhar na vinha, ele respondeu “sim” ao pai, mas não foi. Jesus perguntou aos que O estavam ouvindo no templo: “Qual dos dois fez a vontade do pai?” (V.31) Responderam: -“O primeiro”. Jesus Cristo então lhes disse: -“Em verdade vos digo: os publicanos e as meretrizes vos precedem no Reino de Deus!”(V.31) Em seguida, Jesus cita João Batista dizendo aos presentes: “João veio a vós no caminho da justiça e não crestes nele”. (V.32) Os fariseus não creram em João Batista e nem foram tocados em seus corações pelos milagres que Deus realizara, através dele no Rio Jordão. Então Jesus disse aos fariseus que O ouviam no templo: – “Os publicanos, porém, e as prostitutas creram nele. E vós, vendo isto, nem fostes tocados de arrependimento para crerdes nele”. (V.32)

Vamos refletir os versículos do Evangelho de Jesus Cristo, segundo S. Mateus 21, 28-32:

Versículos 28 e 29: Quem trabalha na vinha do Senhor precisa antes de tudo, buscar fazer a vontade do Pai. Se agirmos assim vamos colher muitos frutos. Já vimos nas reflexões dos Evangelhos anteriores, que a vinha representa a Igreja e todos aqueles que estão no mundo e se dispõe a ouvir a boa nova da salvação. O primeiro filho que o pai enviou a trabalhar na vinha, embora a princípio tenha dito “não”, obedeceu ao pai e foi para a vinha. É desse tipo de servo que o Senhor necessita para fazer crescer o seu Reino no mundo. Escreveu assim Santo Agostinho: “Existem duas vontades: a tua vontade deve ser corrigida para se identificar com a vontade de Deus; e não torcida a de Deus para se acomodar à tua”.  Jesus Cristo nos deu sempre exemplo de obediência ao Pai. O Senhor Jesus obedeceu ao Pai até à morte de cruz para salvar a todos nós. Essa é a lição da obediência maior ao Pai que o Filho poderia nos ensinar. A Palavra diz que Jesus “aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz”. (Fl 2, 7-8) 

Versículo 30: O Reino de Deus precisa de trabalhadores comprometidos, fiéis e que sejam zelosos no cuidado da vinha do Senhor. Não devemos copiar o mau exemplo do servo que disse que ia trabalhar na vinha e não foi. Palavra e ação, fé e obras estão interligadas. A Palavra de Deus diz: “De que aproveitará, irmãos, a alguém dizer que tem fé, se não tiver obras? Acaso esta fé poderá salvá-lo? Se a um irmão ou a uma irmã faltarem roupas e o alimento cotidiano,  e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, mas não lhes der o necessário para o corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se não tiver obras, é morta em si mesma”. (Tg 2, 14-17) E o Catecismo (546) também nos alerta que para entrar no Reino “as palavras não bastam, são necessários atos”.  E por fim Santa Teresa D’Avila, disse: “São felizes as vidas que se consumirem no serviço da Igreja”.

Versículo 31: Jesus pergunta aos seus ouvintes sobre a atitude dos dois filhos: “Qual dos dois fez a vontade do pai?” Responderam-lhe que foi o primeiro filho. Com certeza foi o filho que disse “não” e, depois se arrependeu e foi trabalhar na vinha. O Beato João Paulo II nos questionou: “Com qual dos dois comportamentos se parece o meu comportamento habitual? Pertenço ao grupo daqueles que se inflamam com facilidade, prometem imediatamente, mas depois nada mantem? Depressa esquecem aquilo a que se obrigaram. Ou, pelo contrário, sou o homem que primeiro diz que «não»? E, como resultado, depois de primeiro ter dito «não», no fim digo «sim». Não serei, neste caso, melhor do que aquele que, com o «sim» inicial, não contrariou ninguém, mas, no fim de contas, nada fez”?

Mesmo não tendo pecado algum, Jesus foi ao Rio Jordão receber o Batismo pelas mãos de João. O Catecismo (535) diz assim:  “A vida pública de Jesus tem início com seu Batismo por João no rio Jordão. João Batista proclamava “um batismo de arrependimento para a remissão dos pecados” (Lc 3,3). Jesus aparece, o Batista hesita, mas Jesus insiste. E Ele recebe o Batismo. Então o Espírito Santo, sob forma de pomba, vem sobre Jesus, e a voz do céu proclama: “Este é o meu Filho bem-amado” (Mt 3,13-17). É a manifestação de Jesus como Messias de Israel e Filho de Deus”.

Versículo 32: Nesse versículo Jesus Cristo faz referência a João Batista e o caminho de justiça pregado por ele.  A Palavra diz que “João Batista apareceu no deserto e pregava um batismo de conversão para a remissão dos pecados. E saíam para ir ter com ele toda a Judeia, toda Jerusalém, e eram batizados por ele no Rio Jordão, confessando os seus pecados”. (Mc 1,4-5) E dentre as pessoas que foram até o rio Jordão para serem batizados, estavam os publicanos e as prostitutas. Que creram na mensagem da salvação trazida por João Batista e converteram-se.

O Catecismo (535) ensinou: “Uma multidão de pecadores, de publicanos e soldados, fariseus e saduceus e prostitutas vem fazer-se batizar por ele (João Batista)”.  Jesus se dirige às pessoas que O estavam ouvindo no Templo, e diz: “João veio a vós no caminho da justiça e não crestes nele. Os publicanos, porém, e as prostitutas creram nele”. E Jesus continua dizendo que nem vendo a conversão dessas pessoas, eles se tocaram e creram. Jesus Cristo falava de seus corações duros.  E completa: “Em verdade vos digo: os publicanos e as meretrizes vos precedem no Reino de Deus”! (V. 31)

Nós não deveríamos achar como os fariseus que já somos santos e que a conversão é para os outros. O Padre Fábio de Melo canta assim: “Quem faz da santidade uma vaidade, possivelmente já esqueceu que muitas prostitutas nos precedem na entrada do Reino dos Céus”. A conversão precisa ser buscada a cada dia. Precisamos nos comprometer com as coisas do Reino. Fazer também propósitos de não mais pecar. Com sabedoria ensina o Dunga (CN) “Por hoje não vou mais pecar”. Cada dia é uma luta contra a nossa natureza pecadora. E nessa luta somos vencedores em Jesus. Precisamos ser cristãos mais radicais quando se trata de sair da vida de pecado. A Palavra de Deus diz assim:  “Conheço as tuas obras: não és nem frio nem quente. Oxalá, fosses frio ou quente!   Mas, como és morno, nem frio nem quente, vou vomitar-te”. (Ap 3, 15-16)

 Lembrando ainda que não devemos agir como os fariseus, mas buscar continuamente o crescimento na fé e no conhecimento da vontade de Deus.  Eis o que diz a Palavra de Deus: “Por isso, também nós, desde o dia em que o soubemos, não cessamos de orar por vós e pedir a Deus para que vos conceda pleno conhecimento da sua vontade, perfeita sabedoria e penetração espiritual, para que vos comporteis de maneira digna do Senhor, procurando agradar-lhe em tudo, frutificando em toda boa obra e crescendo no conhecimento de Deus”. (Cl 1, 9-10)

Se já tenho um longo tempo de caminhada com Deus, não é motivo para me tornar frio e insensível aos milagres e prodígios que o Senhor tem realizado na minha vida e na vida dos que me são próximos. Preciso buscar sempre voltar ao primeiro amor, àquele momento forte na minha vida que tive um primeiro encontro pessoal com Cristo. A Palavra do Senhor diz: “Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, donde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; e se não, brevemente virei a ti, e removerei do seu lugar o teu candeeiro, se não te arrependeres”. ( Ap 2,4-5)

Testemunho

Nesses muitos anos de serviço dedicado à evangelização, tive a graça de presenciar inúmeras conversões “radicais” de pessoas que se encontravam bem distantes do caminho da santidade. A começar pela minha própria conversão no início e no decorrer da caminhada.  A maioria dessas pessoas se mantiveram no caminho do Senhor, buscando crescer na fé e no conhecimento das coisas do Reino. Há trinta e seis anos, rezo diariamente pela conversão de uma pessoa bem próxima de mim. Espero e confio nas promessas de Deus à cerca dessa conversão. Tenho consciência de que é um milagre. Mas o Senhor o fará porque Ele tem poder para mover céus e terras. Mais do que o meu querer é Sua vontade divina salvar todas as almas e que nenhuma alma venha a se perder.

Oremos com:

O Círculo Bíblico: Ó Deus de amor, fazei que a alegria deste encontro nos anime na vida cristã para que saibamos sempre dizer sim ao vosso projeto e nos comprometer com ele. Queremos viver unidos como irmãos e irmãs em Cristo. Vós sois mais forte que nossas divisões; perdoai a nossa indiferença para com os outros e nossa falta de compromisso com vosso reino. Nós vamos assumir nossa responsabilidade na edificação da comunidade cristã. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Pedimos, ó Mãe Santíssima, que nos ensine a dar o sim a Deus, como tu mesmo Lhe deste o Sim para que o Salvador pudesse vir até nós.  Dá-nos também, Senhora, força e coragem para cumprir com fidelidade e alegria, o sim dado ao serviço do Reino.

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

22 de setembro de 2011 at 11:45 1 comentário

Posts antigos


Arquivos

ADMINISTRADORA DO BLOG:

Jane Amábile

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts por email.

Junte-se aos outros seguidores de 341

Categorias