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Ano Novo com a Mãe

Os pastores, os mais pobres dentre os pobres de seu tempo, e esquecidos, foram os primeiros a receber a notícia da “grande alegria” do nascimento de Jesus, o “Salvador, que é o Cristo-Senhor” (Cf Lc 2,10-12). O coração deles foi inundado por um profundo sentimento de paz vindo do céu, que a terra tal dom era incapaz de dar-lhes: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados” (Lc 2,14). A verdade do que sentiam diante do anúncio do celeste canto, eles a constataram quando contemplaram na manjedoura o menino envolto em faixas, tão pobre quanto eles, e viram no semblante da mãe e de José a expressão de uma alegria serena e silenciosa, feita de louvor e de adoração. “Vendo-o, contaram o que lhes fora dito a respeito do menino; e todos os que os ouviam ficavam maravilhados com as palavras dos pastores. Maria, contudo, conservava cuidadosamente todos esses acontecimentos e os meditava em seu coração” (Lc 2,17-19).

Os pastores voltaram felizes para a sua lida cotidiana: “retiraram-se, louvando e agradecendo a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido, de acordo com o que lhes tinha sido dito” (Lc 2,20). O mundo continuava o mesmo em toda a parte. O Império continuava, na sua fome de dominação, a impor a “Pax Romana” a todos os povos. Maria, a mãe, longe de se abater por ter dado à luz o seu filho distante de sua casa, em uma gruta, aconchego de ovelhas e pastores nas noites frias e chuvosas, com certeza, meditando, como era seu modo de ser, verificava, com renovada alegria, a verdade do seu canto no qual havia enaltecido o Deus dos pequenos e dos pobres. Ela meditava em seu coração: “como o meu Deus é desconcertante! Quis nascer aqui, no lar de pastores, esquecidos e desconhecidos, despojados de qualquer poder ou riqueza, por isso mesmo, capazes de uma alegria outra que não as falsas alegrias, e ruidosas, dos palácios e das festas dos poderosos”.

Ninguém pode negar: ali reinava a Paz, uma paz profunda, que coração humano algum jamais sonhara. A Mãe, Maria, ia e vinha nos seus pensamentos e sentimentos, revivendo o seu canto, – o “Magnificat”- na exultação e no louvor. Ela bem sabia que ali estava a Paz, raiz daquela paz sonhada pelos profetas de seu povo: a Paz-Shalom, vida em abundância para todos os homens, paz do céu – da qual a terra tinha fome – na gruta de Belém, a “casa do pão”. Naquela manjedoura estava a proclamação da dignidade de todos os homens, amados por Deus por si mesmos, imagem e semelhança do seu próprio ser.

Celebrar o Natal é, com a Mãe de Deus, anunciar que no mistério de cada ser humano se esconde o mistério maior do próprio Deus. Aquele recém-nascido não é ele mesmo Emanuel, Deus-conosco? Como não ver de agora em diante em cada pessoa a presença misteriosa do Filho de Deus!? O que a Mãe compreende e nos ensina é que o nosso Deus se misturou conosco – fez-se um de nós – e quis vir no despojamento para nos indicar que nossa grandeza não nos vem de fora – vestes finas, palácios, prestígio humano – mas está insculpida em nosso próprio ser, onde brilha refletida a imagem daquele cuja face está sempre voltada para nós a nos contemplar com ternura de Pai.

Fora desta experiência não há conversão, não há mudança, não há esperança. A paz está na Verdade, oculta na fragilidade de uma criança e luminosa no olhar da mãe, que contempla, tomada de ternura, o infinito do amor na pequenez do menino envolto nos panos da humana pobreza. É preciso crer que o mistério de Deus se esconde e se dá a nós no outro, irmão, que bate à nossa porta em busca de abrigo. Reconhecer em si mesmo e nos outros essa verdade e fazer dela a alma da convivência humana é caminho seguro para implantar a paz no mundo. Que o olhar da mãe Maria se torne nosso para podermos desfrutar da imensa alegria de experimentar a presença do mistério de Deus na pobreza de nossa existência! E que o ano, que está começando, seja de paz para toda a humanidade! Amém.

Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues -Arcebispo de Sorocaba, SP

Fonte: site da CNBB

1 de janeiro de 2012 at 19:00 Deixe um comentário

Maria

A mais sábia

A mais especial

A mais protetora

A mais cheia da graça divinal.

Maria

A mais dócil

A mais maternal

A mais humilde

A mais repleta de amor sem igual.

Maria

A mais bela

A mais pura

A mais amada

A maior entre todas as criaturas.

                Jane Amábile

31 de dezembro de 2011 at 11:48 Deixe um comentário

“Maria” – Eliana Ribeiro

27 de dezembro de 2011 at 18:24 Deixe um comentário

Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus – 1° de Janeiro – Lucas 2, 16-21

16. Foram com grande pressa e acharam Maria e José, e o menino deitado na manjedoura.  

17. Vendo-o, contaram o que se lhes havia dito a respeito deste menino.  

18. Todos os que os ouviam admiravam-se das coisas que lhes contavam os pastores.  

19. Maria conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração.  

20. Voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, e que estava de acordo com o que lhes fora dito.  

21. Completados que foram os oito dias para ser circuncidado o menino, foi-lhe posto o nome de Jesus, como lhe tinha chamado o anjo, antes de ser concebido no seio materno. 

Há uma reflexão nesse Blog chamada “Santa Maria, Mãe de Deus”, postado em Dezembro de 2010.

Resumo da Palavra: Após terem sido avisados pelo anjo, os pastores “foram com grande pressa e acharam Maria e José, e o menino deitado na manjedoura”.  Ao verem o Menino Jesus, os pastores contaram o que haviam dito d’Ele e todos se admiravam de ouvi-los falar. E diz São Lucas que Maria “conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração”.  Os pastores saíram da gruta de Belém glorificando a Deus por tudo o que haviam presenciado ali.

Sobre o Dogma da  Maternidade Divina de Maria, o Papa Bento XVI disse: “Por isso, depois do amplo debate, no Concílio de Éfeso de 431, foi solenemente confirmada, por um lado, a unidade das duas naturezas, a divina e a humana, na pessoa do Filho de Deus e, por outro, a legitimidade da atribuição à Virgem do título de Theotókos, Mãe de Deus “.

O Papa Bento XVI disse também:  “Contemplamos hoje Maria, mãe sempre virgem do Filho unigênito do Pai; aprendemos dela a receber o Menino que nasceu para nós em Belém. Se no menino que ela deu à luz reconhecemos o Filho eterno de Deus e o acolhemos como o nosso único Salvador, podemos ser chamados e somo-lo realmente filhos de Deus: filhos no Filho. Escreve o Apóstolo: “Deus enviou o Seu Filho, nascido de mulher, nascido sujeito à Lei, para resgatar os que se encontravam sob o jugo da Lei e para que recebêssemos a adoção de filhos” (Gl 4, 4).

Por ser a Mãe de Jesus, Maria também é nossa Mãe. O Papa Leão XII disse assim: “Além disto, assim como nós somos devedores a Cristo de nos haver, de certo modo tornado participantes do seu próprio direito de chamar e de ter a Deus por pai, assim também lhe somos igualmente devedores de nos haver amorosamente tornado participantes do seu direito de chamar e de ter Maria por Mãe. Por isto ela vê e penetra, muito melhor do que qualquer outra mãe, todas as nossas coisas: as necessidades da nossa vida; os perigos públicos e particulares que nos ameaçam; as dificuldades e os mates em que nos debatemos; e sobretudo a áspera luta que devemos sustentar para a salvação da alma, contra inimigos violentíssimos”.

Vamos refletir os versículos do Evangelho:

Versículos 16 – 18: “Foram com grande pressa e acharam Maria e José, e o menino deitado na manjedoura. Vendo-o, contaram o que se lhes havia dito a respeito deste menino. Todos os que os ouviam admiravam-se das coisas que lhes contavam os pastores”.     

Isaías profetizou sobre os acontecimentos de Belém, centenas de anos antes: “Multiplicastes a alegria, aumentastes o júbilo. Rejubilam na vossa presença como exultam no tempo da colheita …  É que um menino nasceu para nós, um filho nos foi concedido”. (Is. 9, 2.5).  O Beato João Paulo II disse: “ Nenhum dos presentes em Belém podia pensar que exatamente naquela noite as palavras do grande Profeta se estavam a realizar, nem que a profecia se estava cumprindo num estábulo, habitação ordinária de animais. Isto por não haver para eles (Maria e José) lugar na hospedaria” (Lc. 2, 7).

Os humildes pastores foram os primeiros a testemunharem o cumprimento da profecia de Isaías.  O Beato João Paulo II disse: “E os pastores de Belém, pessoas simples sem letras, leram muito bem o Sinal. Foram os primeiros, precederam todos aqueles que leram em seguida e o releem ainda agora. Foram as primeiras testemunhas do Mistério”. Imaginem a alegria dos pastores quando viram a Sagrada Família naquela humilde gruta! O Versículo 16 diz: “Foram com grande pressa e acharam Maria e José, e o menino deitado na manjedoura”.

O Papa Bento XVI disse assim: “O Menino que geme na manjedoura, mesmo se aparentemente é semelhante a todos os meninos do mundo, é ao mesmo tempo totalmente diferente: é o Filho de Deus, é Deus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.  Este mistério a encarnação do Verbo e a maternidade divina de Maria é grande e certamente não é de fácil compreensão unicamente com a inteligência humana”.

Versículo 19: “Maria conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração”.

  Maria participou de muitos acontecimentos da vida de Jesus Cristo. E seu coração guardava tudo. Pois Maria via cumprir o que os profetas anunciaram sobre o Salvador, o seu Filho amado Jesus Cristo. O Papa Bento XVI disse assim: “E no seu coração Maria continuou a conservar, “a ponderar” os acontecimentos seguintes dos quais será testemunha e protagonista, até à morte na cruz e à ressurreição do seu Filho Jesus”. Roguemos sempre a nossa Mãe do céu, para que  nos acompanhe em todas as situações de nossas vidas, nos momentos bons ou ruins que tivermos que passar.  Necessitamos muito do auxílio da Mãe de Deus para caminhar nesse mundo.

E o Beato João Paulo II disse também: “Desde o momento da Anunciação e da concepção e depois do nascimento na gruta de Belém, Maria acompanhou passo a passo Jesus, na sua materna peregrinação de fé. Acompanhou-o ao longo dos anos da sua vida oculta em Nazaré; acompanhou-o também durante o período da separação externa, quando ele começou a dedicar-se às “obras e ao ensino” ( At 1, 1 ) no seio de Israel; e acompanhou-o, sobretudo, na experiência trágica do Gólgota”.

A Palavra de Deus, como fez Maria todo o tempo, deve ser meditada e trazida para a nossa vida, de forma que ela venha a  transformar as nossas ações e pensamentos.  A Mãe Santíssima “escutava e conhecia as Escrituras, meditava-as no coração, numa espécie de processo interior de maturação, onde a inteligência não está separada do coração. Maria procurava o sentido espiritual da Escritura e encontrava-o, ligando-o  às palavras, à vida de Jesus e aos acontecimentos que ia descobrindo na sua história pessoal. Maria é o nosso modelo, tanto no acolher a fé, a Palavra, como no estudá-la. Não lhe basta acolhê-la, medita nela. Não só a possui, mas ao mesmo tempo a valoriza. Dá-lhe sentido e também a desenvolve”. (Vaticano)

Versículo 20: “Voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, e que estava de acordo com o que lhes fora dito”.  

Os pastores presenciaram algo sem precedentes na história da humanidade, o nascimento daquele que tem poder de salvar os homens e as mulheres desse mundo, Jesus Cristo. E o canto de louvor dos pastores ressoa desde então em toda a terra. A Palavra diz: “Seu nome será eternamente bendito, e durará tanto quanto a luz do sol. Nele serão abençoadas todas as tribos da terra, bem-aventurado o proclamarão todas as nações. Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, que, só ele, faz maravilhas. Bendito seja eternamente seu nome glorioso, e que toda a terra se encha de sua glória. Amém! Amém! “ (Sl 71, 17-19)

Versículo 21:   “Completados que foram os oito dias para ser circuncidado o menino, foi-lhe posto o nome de Jesus, como lhe tinha chamado o anjo, antes de ser concebido no seio materno”. 

O nome de Jesus  tem poder para curar, libertar e salvar. A Palavra diz: “Esse Jesus, pedra que foi desprezada por vós, edificadores, tornou-se a pedra angular. Em nenhum outro há salvação, porque debaixo do céu nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos”.

Antes da reforma litúrgica, a Igreja celebrava no dia primeiro de janeiro, a “Circuncisão do Senhor”, agora celebra-se a “Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus”; e celebrava-se também no domingo próximo a “festa do nome de Jesus”.  O Papa Bento XVI explicou:  “Antes da reforma litúrgica feita depois do Concílio Vaticano II, no primeiro dia do ano celebrava-se a memória da circuncisão de Jesus no oitavo dia do seu nascimento como sinal da submissão à lei, à sua inserção oficial no povo eleito e no domingo seguinte celebrava-se a festa do nome de Jesus”.

Tudo se dobra diante desse divino e poderoso nome: Jesus. A Palavra diz: “Por isso Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos. E toda língua confesse, para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é Senhor.  (Fl 2, 9-11)

Os pastores procuraram e encontraram o Senhor. Também nós se o procurarmos O encontraremos. Porque Deus se deixa encontrar por todos que de coração aberto O procuram. Eis as palavras do Papa Bento XVI: “Foi, portanto, uma pequena comunidade que acorreu a adorar Jesus Menino; uma pequena comunidade que representa a Igreja e todos os homens de boa vontade. Também hoje, aqueles que na vida O esperam e procuram, encontram Deus que por amor Se fez nosso irmão; quantos têm o coração voltado para Ele, desejam conhecer o seu rosto e contribuir para instaurar o seu reino”.

O Papa Paulo VI falou sobre o dia primeiro de janeiro, Dia da Santa Mãe de Deus e Dia Mundial da Paz:  “No dia 1° de janeiro, destina-se a celebrar a parte tida por Maria neste mistério de salvação e, a exaltar a dignidade singular que daí advém para a “santa Mãe…, pela qual recebemos… o Autor da vida”; é, além disso, ocasião propícia para renovar a adoração ao recém-nascido “Príncipe da Paz”, para ouvir ainda uma vez o grato anúncio angélico (Lc 2,14), para implorar de Deus, tendo como medianeira a “Rainha da Paz”, o dom supremo da paz. Por isso, na feliz coincidência da Oitava do Natal do Senhor com a data auspiciosa de 1° de janeiro, instituímos o Dia Mundial da Paz, que vai recebendo crescentes adesões e já matura nos corações de muitos homens frutos de paz”.

No dia 8 De Dezembro de 1967, o Papa Paulo VI instituiu o Dia Mundial da Paz, que foi comemorado pela primeira vez em 1° de Janeiro de 1968.

Oremos com:

Com a Liturgia (Prefácio): Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos graças, sempre e em todo lugar, Senhor, Pai santo, Deus eterno e todo-poderoso, e, na festa de Maria sempre virgem, celebrar os vossos louvores. À sombra do Espírito Santo, ela concebeu o vosso Filho único e, permanecendo virgem, deu ao mundo a luz eterna, Jesus Cristo, Senhor nosso. Por ele, os anjos cantam vossa grandeza, os santos proclamam vossa glória. Concedei-nos também a nós associar-nos a seus louvores, cantando a uma só voz:  Santo, santo, santo, Senhor, Deus do universo! O céu e a terra proclamam a vossa glória. Hosana nas alturas! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!

O Papa Bento XVI: “Nestes primeiros dias do ano, somos convidados a considerar atentamente a importância da presença de Maria na vida da Igreja e na nossa existência pessoal. Confiemo-nos a ela para que guie os nossos passos neste novo período de tempo que o Senhor nos concede viver, e nos ajude a ser autênticos amigos do seu Filho e desta forma também artífices corajosos do seu Reino no mundo, Reino da luz e da verdade”.

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

26 de dezembro de 2011 at 17:35 Deixe um comentário

Ofício da Imaculada Conceição

8 de dezembro de 2011 at 7:06 Deixe um comentário

Música Imaculada Conceição

5 de dezembro de 2011 at 23:27 1 comentário

Solenidade da Imaculada Conceição – 08 de dezembro

Nossa Senhora da Imaculada Conceição Aparecida, rogai por nós!

A reflexão do Evangelho desta quinta-feira (Lucas 1, 26-38), foi postada em Março de 2011 com o título “Anunciação do Senhor”.

Na reflexão de hoje nos detivemos mais no significado do Dogma da Imaculada Conceição de Maria.

Celebramos a Solenidade da Imaculada Conceição de Maria nesta data, para lembrar que no dia oito de dezembro de 1854, o Beato Papa Pio IX proclamou e definiu solenemente com infalível autoridade o dogma da Imaculada Conceição: “Com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos Bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo e Nossa, declaramos, pronunciamos e definimos que a doutrina que afirma que a Santíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua conceição, por singular graça e privilégio a Ela concedido por Deus Onipotente, em previsão dos méritos de Jesus Cristo Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda a mancha de pecado original, é verdade revelada por Deus, e deve, por isso, ser acreditada firme e constantemente por todos os fiéis” (Bula Ineffabilis Deus).

O Catecismo (491) ensina: “Ao longo dos séculos, a Igreja tomou consciência de que Maria, “cumulada de graça” por Deus, foi redimida desde a concepção. E isso que confessa o dogma da Imaculada Conceição, proclamado em 1854 pelo papa Pio IX: “A beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano foi preservada imune de toda mancha do pecado original”.

Anos mais tarde, o Papa Pio XII disse assim sobre o Dogma da Imaculada Conceição de Maria: “A Igreja universal que, de há tanto tempo, esperava esta decisão pontifícia, recebeu-a com a maior alegria; e, despertada desta forma, a devoção dos fiéis para com a virgem Mãe de Deus, que faz florescer no mais alto grau os costumes dos cristãos, fortaleceu-se; surgiram igualmente, com grande ardor, novos estudos em que apareceram na sua mais brilhante luz a dignidade e a santidade da Mãe de Deus”.

O Catecismo (492) continua ensinando-nos: “Este esplendor de uma santidade de todo singular, com que foi enriquecida desde o primeiro instante da sua conceição, vem-lhe totalmente de Cristo: foi remida dum modo mais sublime, em atenção aos méritos de seu Filho. Mais que toda e qualquer outra pessoa criada, o Pai a encheu de toda a espécie de bênçãos espirituais, nos céus, em Cristo (Ef 1, 3). «N’Ele a escolheu antes da criação do mundo, para ser, na caridade, santa e irrepreensível na sua presença» (Ef 1, 4)

As festas que dedicamos à Maria Santíssima coincidem com muitas datas importantes da Igreja. Os Papas chamam esses fatos de “feliz coincidência”. Por exemplo, quatro anos depois do Beato Papa Pio IX definir o dogma da Imaculada Conceição, Nossa Senhora aparece, em 25 de março de 1858 na França na “Festa da Anunciação” à Santa Bernadette, e revela seu nome: “Eu sou a Imaculada Conceição”.

O Papa Pio XII falou assim sobre esse momento: “Parece até que a mesma beatíssima virgem Maria quis confirmar de uma forma prodigiosa a determinação que o vigário do seu divino Filho tinha sancionado, com o aplauso da Igreja universal. Com efeito, não tinham ainda passado quatro anos, quando a virgem Mãe de Deus, com juvenil e inocente semblante, se apresentou, de vestido e manto cândidos e cingida com uma faixa azul, a uma inocente e simples menina, na gruta de Massabielle, próxima de uma povoação, nas faldas dos Pireneus; à inocente menina que insistentemente perguntava o seu nome, a celeste visão, levantando os olhos ao céu e com um suave sorriso, responde: “Eu sou a Imaculada Conceição”.

O Papa João XXIII chamou também de “serenas coincidências” as coincidências ocorridas nas datas das festas de Nossa Senhora com momentos fortes da Igreja: “São os esplendores que irradiam da Mãe de Deus e nossa Mãe. É interessante reparar nestas serenas coincidências, que fazem compreender, à luz da história, como muitos dos acontecimentos da Igreja se realizam sob a luz e a proteção maternal de Maria.”

Também o Concílio Vaticano II teve sua conclusão exatamente no dia da “Imaculada Conceição” a 8 de Dezembro de 1965, com o Papa Paulo VI.

“Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo” (Lc 12, 28)O Beato João Paulo II disse: “Estas são as palavras de Deus que o Anjo dirige a uma pobre donzela de Nazaré, de nome Miriam (Maria), cujos pais, segundo a tradição, eram Joaquim e Ana, e que desde os mais tenros anos desejava pertencer sem reserva, completamente, ao Senhor”.

Ao Maria ser proclamada pelo Anjo, cheia de graça, isto é sem pecado, nada mais natural que a Igreja confirmasse com um dogma de fé essas palavras vindas do mensageiro (anjo) de Deus. Por ser a Mãe do Salvador foi a primeira pessoa a entrar no Céu em corpo e alma por causa da Morte e Ressurreição do filho Jesus Cristo (ver Dogma da Assunção) e também a única entre os viventes a ter a alma pura e cheia de graça, já desde a concepção.

Nas Bodas de Caná Maria Santíssima pelo seu pedido ao filho, antecipou o milagre de Cristo na transformação da água em vinho. E sendo assim, Deus antecipou em Maria, as graças que reservou para todos os seus filhos, pela ressurreição de Cristo. O Beato João Paulo II disse: “Na concepção imaculada de Maria, a Igreja vê projetar-se, antecipada no seu membro mais nobre, a graça salvadora da Páscoa”.

E o Beato continuou dizendo que Maria é “a primeira a ser redimida pelo seu Filho, partícipe na plenitude da sua santidade, Ela já é aquilo que toda a Igreja deseja e espera ser”.

Como cooperadora da obra de redenção do seu Filho, Nossa Senhora veio purificar nossa descendência de filhos de Deus, contaminada pelo pecado de Adão e Eva, através do seu “Sim” ao projeto de redenção do Senhor. O Papa Bento XVI disse: “Diferentemente de Adão e Eva, Maria permanece obediente à vontade do Senhor, pronuncia o seu “sim” total e põe-se plenamente à disposição do desígnio divino. É a nova Eva, verdadeira “mãe de todos os vivos”, isto é, de quantos pela fé em Cristo recebem a vida eterna”.

Concluímos essa reflexão tendo a certeza que o ventre que abrigou o Filho de Deus, foi sempre puríssimo e não poderia ser de outra forma, por isso Maria foi desde sua concepção sem pecado. É fácil, portanto, entender o Dogma da Imaculada Conceição de Maria. O Beato João Paulo II disse: “Maria de Nazaré recebe Cristo, e juntamente com Cristo e por meio de Cristo, recebe a mais plena participação no mistério eterno, na vida interior de Deus: do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Esta participação é a mais completa de toda a criação, supera tudo o que separa o homem de Deus. Exclui também o pecado original: a herança de Adão. Cristo, que, em cada homem, é o autor da vida divina, ou seja, da Graça, mediante a Redenção por Ele realizada, tinha que ser especialmente generoso com Sua Mãe”.

Testemunho

Todo mês recebo em minha casa a visita da imagem de Nossa Senhora de Schoenstatt. A alegria de receber sua imagem é muito grande, pois todas as vezes que sua visita acontece, são muitas  as graças e os favores recebidos.  Que alegria acolher no seio de minha família, nossa Mãe tão cheia da graça de Deus! Ó Maria Concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós!

Oração do Beato João Paulo II dirigida a Maria Santíssima por ocasião da festa da Imaculada Conceição:

Ó Maria! Desde o primeiro instante da existência foste preservada do pecado original, em virtude dos méritos de Jesus, de Quem deverias tornar-te a Mãe. Sobre Ti o pecado e a morte não tiveram poder. Desde o momento mesmo em que foste concebida, gozaste do singular privilégio de ser repleta da graça do teu Filho bendito, para seres santa como Ele é santo. Por isto o mensageiro celeste, enviado para te anunciar o desígnio divino, dirigiu-se a Ti saudando-Te: «Alegra-Te, cheia de graça» (Lc 1, 28). A tua estirpe, ó Maria, é o Filho bendito do teu seio, Jesus, Cordeiro imaculado que tomou sobre Si o pecado do mundo, o nosso pecado. O teu Filho, ó Mãe, preservou-Te, para oferecer a todos os homens o dom da salvação. Por isto, de geração em geração, os remidos não cessam de Te repetir as palavras do Anjo: «Alegra-Te, cheia de graça, o Senhor está contigo» (Lc 1, 28).

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

5 de dezembro de 2011 at 12:21 Deixe um comentário

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