Posts tagged ‘Ano Santo da Misericórdia’

Ano Santo da Misericórdia

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28 de fevereiro de 2016 at 5:12 Deixe um comentário

Ano Santo da Misericórdia

Fonte do desenho: Canção Novaobras 1

24 de fevereiro de 2016 at 5:09 Deixe um comentário

Segunda Audiência Jubilar: misericórdia é empenho concreto

2016-02-20 Rádio Vaticana

 

Na segunda audiência jubilar dedicada ao tema “misericórdia e empenho” o Papa Francisco, dirigindo-se aos milhares de fiéis e peregrinos presentes, falou do Jubileu da Misericórdia como uma verdadeira oportunidade para entrar em profundidade no mistério da bondade e do amor de Deus. Neste tempo de Quaresma, disse o Papa, somos convidados a viver de maneira coerente a nossa fé com um estilo de vida que exprima a misericórdia do Pai, um empenho que somos chamados a assumir para oferecermos a todos os que encontramos o sinal concreto da proximidade com Deus. Sobre o significado do empenho na vida do cristão, disse Francisco:

“O que é o empenho? E o que significa comprometer-se? Quando me comprometo, isso significa que assumo uma responsabilidade, uma tarefa para com alguém; e significa também o estilo, a atitude de fidelidade e dedicação, de atenção particular com a qual eu realizo esta tarefa. Todos os dias somos convidados a realizar com empenho as coisas que fazemos: na oração, no trabalho, no estudo, mas também no desporto, nas actividades livres …”

Também Deus empenhou-se connosco – prosseguiu o Papa – antes de tudo criando o mundo e mantendo-o vivo apesar das nossas tentativas de arruiná-lo; mas sobretudo empenhou-se dando-nos Jesus, que é o empenho extremo que Deus assumiu connosco, pois (como diz S. Paulo) “não poupou o seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós”.

E no Evangelho vemos como se manifesta o empenho de Deus para com a humanidade, explicou o Papa:

“Em Jesus, Deus empenhou-se de maneira completa para restituir esperança aos pobres, àqueles que não tinham dignidade, aos estrangeiros, os doentes, os prisioneiros, e aos pecadores que Ele acolhia  com bondade. Em tudo isto, Jesus era uma expressão viva da misericórdia do Pai. Jesus acolhia com bondade os pecadores, amava-os e mudava-lhes o coração”.

Partindo deste amor misericordioso com que Jesus exprimiu o empenho de Deus, disse ainda Francisco, também nós podemos e devemos corresponder ao seu amor com o nosso empenho, sobretudo nas situações de maior necessidade e onde há mais sede de esperança, como por exemplo, com as pessoas abandonadas, os trazem graves deficiências, os doentes mais graves, os moribundos, os que não são capazes de exprimir a sua gratidão … Em todas estas realidades nós trazemos a misericórdia de Deus através de um empenho de vida, que é testemunho da nossa fé em Cristo – sublinhou Francisco.

E o Papa terminou com a esperança de que este Jubileu possa ajudar a nossa mente e o nosso coração a tocar com a mão o empenho de Deus com cada um de nós, para podermos transformar a nossa vida num empenho de misericórdia para com todos.

Aos peregrinos de língua portuguesa o Papa dirigiu as seguinte palavras:

“Amados peregrinos de língua portuguesa, a minha saudação fraterna para todos vós. Ao realizardes esta peregrinação jubilar, que Deus vos abençoe com uma grande coragem para abraçardes diariamente a vossa cruz e um vivo anseio de santidade para iluminardes com a esperança a cruz dos outros irmãos. Conto com as vossas orações por mim. Bom caminho da Quaresma”

Em seguida o Papa saudou cordialmente, entre outros, os membros da Federação Italiana das Associações de Doadores de Sangue e a Associação das sociedades de mútuo socorro, com o augúrio de que  o Jubileu da misericórdia seja para todos uma oportunidade para redescobrir a importância da fé e difundir  na vida quotidiana  a beleza do amor de Deus por cada um de nós.

A concluir o Santo Padre dirigiu um pensamento particular aos jovens, os doentes e recém-casados, tendo acrescentado:

“Próxima segunda-feira é a festa da Cátedra do Apóstolo Pedro, dia de comunhão especial dos crentes com o Sucessor de São Pedro e com a Santa Sé. Este evento, neste Ano Santo, será também dia de jubileu para a Cúria Romana, que trabalha diariamente ao serviço do povo cristão. Exorto-vos a perseverar na oração pelo meu ministério universal, e agradeço-vos pelo vosso empenho na edificação diária da comunidade eclesial”.

E a todos o Papa Francisco deu a sua bênção.

21 de fevereiro de 2016 at 6:36 Deixe um comentário

Audiência: para ser verdadeiro, Jubileu deve chegar ao bolso

2016-02-10 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – Nesta Quarta-feira de Cinzas (10/02), o Papa Francisco se reuniu com os fiéis para a Audiência Geral.

Cerca de 15 mil peregrinos compareceram na Praça S. Pedro, aos quais o Pontífice saudou a bordo de seu papamóvel antes de sua catequese. A eles, Francisco se dirigiu desejando um bom caminho quaresmal e refletiu sobre a instituição do Jubileu, que se encontra nas Sagradas Escrituras.

Origem do jubileu

A instituição do Jubileu acontecia de 50 em 50 anos como um momento culminante da vida religiosa e social do povo de Israel, explicou o Pontífice.

“Se uma pessoa tivesse sido obrigada a vender a sua terra ou a sua casa, no Jubileu recuperava a posse delas, e se alguém contraía dívidas que não pôde saldar e foi reduzido à escravidão, pondo-se ao serviço do credor, no Jubileu podia voltar livre para a sua família e reaver todas as suas propriedades. Era uma espécie de ‘perdão geral’, que permitia a cada pessoa voltar à sua situação original”

Quem empobrecia voltava a ter o necessário para viver e quem enriquecia restituía ao pobre o que lhe apanhou. O objetivo era criar uma sociedade assente na igualdade e na solidariedade, onde a liberdade, a terra e o dinheiro voltassem a ser um bem para todos e não só para alguns, “como acontece agora”, ponderou Francisco.

Jubileu deve chegar ao bolso

“As cifras não são exatas, mas 80% das riquezas da humanidade estão nas mãos de menos de 20% das pessoas. É um jubileu – e isso o digo recordando nossa história de salvação – para converter-se para que o nosso coração se torne maior, mais generoso, mais filho de Deus, com mais amor. Mas lhes digo uma coisa: se o jubileu não chegar até ao bolso, não é um verdadeiro jubileu, entenderam? E isso está na Bíblia, não é este Papa que inventa: está na Bíblia.”

Francisco explicou ainda a lei concernente às primícias, isto é, quando a parte mais preciosa da colheita era compartilhada. Traduzindo para a época atual, disse Francisco, também hoje é importante compartilhar com quem não tem o resultado do trabalho, do salário, de tantas coisas que se possui e depois se desperdiça

“Isso acontece também hoje! Na Esmolaria apostólica chegam tantas cartas com um pouco de dinheiro, escrito: “esta é uma parte do meu salário para ajudar os outros”. E isso é belo; ajudar os outros, as instituições de beneficência, os hospitais, as casas de repouso; dar também aos forasteiros, aos estrangeiros e aos que estão de passagem. Jesus esteve de passagem no Egito.

Agiotagem é pecado grave

E pensando justamente nisso, a Sagrada Escritura exorta com insistência a responder generosamente aos pedidos de empréstimo, sem fazer cálculos mesquinhos e sem pretender juros impossíveis.”

Este ensinamento, disse o Papa, é sempre atual:

“Quantas famílias estão na rua, vítimas da agiotagem! Por favor, rezemos para que neste Jubileu o Senhor tire do coração de todos essas nossa vontade de ter sempre mais que a agiotagem provoca. Que se volte a ser generosos, grandes.”

No desespero, afirmou Francisco, muitas pessoas acabam cometendo suicídio, porque não encontram uma mão estendida, somente a mão da cobrança. “A agiotagem é um pecado grave. O Senhor, recordou ele, recompensa em dobro, não em dinheiro, mas em tantas outras coisas.”

O Jubileu tinha por função ajudar o povo a viver uma fraternidade concreta, feita de mútua ajuda. Podemos dizer que o jubileu bíblico era um “jubileu de misericórdia”.

A mensagem bíblica é muito clara, concluiu o Papa: abrir-se com coragem à partilha entre compatriotas, entre famílias, entre povos, entre continentes. “Contribuir para realizar uma terra sem pobres quer dizer construir sociedades sem discriminações, assentes na solidariedade que leva a partilhar aquilo que se possui numa divisão dos recursos fundada na fraternidade e na justiça.”

Orações para a viagem ao México

Após a catequese, ao saudar os grupos presentes, Francisco recordou que nos próximos dias visitará o México. O Papa pediu aos fiéis que acompanhem com a oração esta sua peregrinação e o encontro com o Patriarca Kirill em Cuba.

Dia Mundial do Enfermo

O Papa lembrou ainda o 24º Dia Mundial do Enfermo, cujo ápice será em Nazaré. Citando sua mensagem para a ocasião, Francisco destacou que na solicitude de Maria se espelha a ternura de Deus e a imensa bondade de Jesus Misericordioso.

“Convido a rezar pelos doentes e a fazer com que sintam o nosso amor. A mesma ternura de Maria esteja presente na vida de tantas pessoas que se encontram ao lado dos doentes, sabendo colher suas necessidades, também aquelas mais imperceptíveis, porque vistos com olhos repletos de amor.”

(BF)

12 de fevereiro de 2016 at 5:03 Deixe um comentário

Papa a Missionários da Misericórdia: pecadores sintam que a Igreja é mãe

2016-02-09 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – Os confessores cubram os pecadores “com o manto da misericórdia”: foi a bela imagem que o Santo Padre usou na audiência na tarde desta terça-feira (09/16), no Vaticano, falando aos sacerdotes Missionários da Misericórdia, para expressar a disposição de ânimo e espírito e o coração indulgente com os quais deverão perdoar os fiéis arrependidos.

O Papa Francisco ressaltou que os confessores são “chamados a expressar a maternidade da Igreja” e reiterou que “não é preciso a clave do juízo” para reconduzir a ovelha perdida ao rebanho, mas o testemunho e a santidade de vida.

Ser Missionários da Misericórdia “exige de vocês que sejam em primeira pessoa testemunhas da proximidade de Deus e de seu modo de amar”. O Pontífice ressaltou o significado deste “sinal de relevância especial” do Jubileu. Ofereceu algumas reflexões sobre o mandato, a fim de que “possa ser realizado de modo coerente e como uma ajuda concreta” para as pessoas que ales recorrerem .

Em primeiro lugar, disse, “quero recordar-lhes de que neste ministério vocês são chamados a expressar a maternidade da Igreja”:

“Não podemos correr o risco de um penitente não perceber a presença materna da Igreja que o acolhe e ama-o. Se faltasse essa percepção, por causa da nossa rigidez, seria um dano grave em primeiro lugar para a própria fé, porque impediria ao penitente ver-se inserido no Corpo de Cristo.”

“Somos chamados a ser expressão viva da Igreja que, como mãe, acolhe quem quer que a ela recorra”, disse o Papa.

“Entrando no confessionário, recordemo-nos sempre que é Cristo que acolhe, é Cristo que ouve, é Cristo que perdoa, é Cristo que dá a paz”:

“Somos seus ministros, e por primeiro precisamos sempre ser perdoados por Ele. Portanto, qualquer que seja o pecado confessado – ou que a pessoa não ousa dizer, mas faz entender, é suficiente –, todo missionário é chamado a recordar a própria existência de pecador e a colocar-se humildemente como canal da misericórdia de Deus.”

Francisco recordou a sua Confissão de 21 de setembro de 1953, quando era garoto, uma fonte de alegria que norteou toda a sua vida para Deus. Em seguida, o Pontífice encorajou os Missionários da Misericórdia a “saber olhar para o desejo de perdão presente no coração do penitente”. Um coração, afirmou, que sente “a saudade de Deus, de seu amor e da sua casa”. É propriamente este desejo que se coloca “no início da conversão”:

“O coração se volta para Deus reconhecendo o mal praticado, mas com a esperança de alcançar o perdão. E esse desejo se reforça quando no próprio coração se decide mudar de vida e não mais querer pecar. É o momento em que a pessoa se confia à misericórdia de Deus, e tem confiança plena de ser por Ele compreendido, perdoado e ajudado.”

Francisco pediu aos Missionários da Misericórdia que deem “grande espaço a este desejo de Deus e de seu perdão”, que façam-no emergir como expressão verdadeira da graça do Espírito que provoca à conversão do coração”. Por vezes, disse, o penitente tem medo de contar o pecado, mas existe a linguagem dos gestos: “os braços abertos” em busca do perdão:

“Se alguém vai até você e você sente que esta pessoa tem algo de que precisa livrar-se, mas talvez não consegue dizer, mas você entende… Tudo bem, faça-o entender que você compreende, acene com um gesto para que venha.”

Em seguida, deteve-se sobre a “vergonha”, componente determinante para a conversão: “vergonha tanto por aquilo que foi feito, quanto por ter que confessar a outra pessoa”:

“A vergonha é um sentimento íntimo que incide na vida pessoal e requer da parte do confessor uma atitude de respeito e de encorajamento”:

Francisco recordou que na Bíblia se fala de vergonha, a de Adão e Eva e a de Noé quando se embriagou e a sua nudez foi coberta pelos próprios filhos para que voltasse à dignidade de pai. Daí, a referência ao papel do sacerdote na confissão:

“Diante de nós há uma pessoa ‘despida’ e também uma pessoa que não sabe falar e não sabe o que dizer, com a sua fragilidade e seus limites, com a vergonha de ser um pecador e tantas vezes não poder dizer isso. Não nos esqueçamos: diante de nós está o pecado, mas o pecador arrependido, o pecador que ‘gostaria que não gostaria de ser assim’, mas não pode. Uma pessoa que sente o desejo de ser acolhida e perdoada.”

Por isso, prosseguiu, “não somos chamados a julgar, com um sentido de superioridade, como se fôssemos imunes do pecado”. Não é “com a clava do juízo que conseguiremos reconduzir a ovelha perdida ao rebanho, mas com a santidade de vida que é princípio de renovação e de reforma na Igreja”.

“Ser confessor segundo o coração de Cristo equivale a cobrir o pecador com o manto da misericórdia, para que não mais se envergonhe e possa recuperar a alegria da sua dignidade filial e também possa saber onde se encontra.” (RL)

10 de fevereiro de 2016 at 7:05 Deixe um comentário

Papa abre ciclo de catequeses sobre a ‘misericórdia na Bíblia’

2016-01-13 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – “O nome de Deus é ‘o misericordioso’”: foi o título da audiência desta quarta-feira, 13 de janeiro, no Vaticano. Como todas as semanas, o Papa Francisco recebeu milhares de romanos, turistas e peregrinos, desta vez na Sala Paulo VI, e dirigiu a todos o seu pensamento, traduzido em várias línguas.

Misericórdia na abordagem bíblica

O Pontífice começou o encontro dando as boas-vindas e anunciando que terá início o ciclo de catequeses sobre a misericórdia na perspectiva bíblica, para que aprendamos o conceito ouvindo o que o próprio Deus nos ensina, com a sua Palavra.

No Êxodo, o Senhor se apresenta como “Deus misericordioso” e com este nome, Ele nos revela seu rosto e seu coração, rico em clemência e lealdade. Ele tem compaixão, está sempre disposto a acolher, a compreender e a perdoar, como o Pai com o seu Filho pródigo.

A própria palavra ‘misericórdia’ evoca um comportamento de ternura e o termo em hebraico, usado na Bíblia, significa entranhas, faz pensar no amor visceral materno. Deus está disposto a amar, proteger e ajudar, dando-Se todo por nós.

A paciência de Deus

Outra virtude deste Deus misericordioso, disse o Papa, é que é “vagaroso na ira”, isto é, tem grande capacidade de suportar; Ele sabe esperar, não é impaciente como os homens. Citando o Evangelho de Marcos, na parábola do joio e do trigo, Francisco explicou que Ele é como o agricultor que sabe esperar, deixa crescer o bom trigo e, por amor dele, não arranca sequer o joio.

E enfim, o Senhor se proclama “grande no amor e na fidelidade”, exclamou o Papa, exaltando a beleza desta definição.

“Aqui está tudo, porque Deus é grande e poderoso, e o expressa no amor, no carinho, na graça e na bondade. É o amor que dá o primeiro passo, não depende dos méritos humanos, mas de uma imensa gratuidade. Nem o pecado o detém, porque seu amor vai além e sabe vencê-lo e perdoá-lo.

Amor, fidelidade, piedade

Sua fidelidade – última palavra da revelação de Deus a Moisés – também dura para sempre, não dorme nem cochila. Deus está sempre atento, é o guardião que “nos protege quando saímos e quando entramos, desde agora e para sempre”, completou Francisco, citando o Salmo 121.

Assegurando que Deus é totalmente e sempre confiável, o Papa terminou o encontro auspiciando que neste Jubileu da Misericórdia, nós nos entreguemos a Ele, experimentando a alegria de sermos amados por este “Deus misericordioso e piedoso, lento na ira e grande no amor e na fidelidade”.

 

(CM)

 

13 de janeiro de 2016 at 9:19 Deixe um comentário

Especial Ano da Misericórdia: 1ª Reflexão do Cardeal Tempesta – O Jubileu

2016-01-07 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – O Arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta, preparou uma série de reflexões especiais sobre o Jubileu da Misericórdia. Neste primeiro vídeo, Dom Orani apresenta este ano extraordinário convocado pelo Papa Francisco.

Assista em VaticanBR

Abaixo, a íntegra do texto:

Jubileu da Misericórdia

O Papa Francisco decidiu proclamar um “jubileu extraordinário”, com início no dia 8 de dezembro, centrado na misericórdia de Deus. “Será um Ano Santo da Misericórdia. Queremos vivê-lo à luz da palavra do Senhor: ‘Sede misericordiosos como o Pai’, e isto especialmente para os confessores”, disse na homilia da celebração penitencial a que presidiu na Basílica de São Pedro, na abertura da iniciativa “24 horas para o Senhor”.

O Santo Padre explicou que a iniciativa nasceu da sua intenção de tornar “mais evidente” a missão da Igreja de ser “testemunha da misericórdia”. O Papa defendeu que “ninguém pode ser excluído da misericórdia de Deus”, e que a Igreja “é a casa que acolhe todos e não recusa ninguém”. “As suas portas estão escancaradas para que todos os que são tocados pela graça possam encontrar a certeza do perdão. Quanto maior é o pecado, maior deve ser o amor que a Igreja manifesta aos que se convertem”.

Francisco destacou na sua homilia, no encontro penitencial, a importância de viver a misericórdia de Deus, através do sacramento da Reconciliação, como “sinal da bondade do Senhor” e do “abraço” de Jesus. “Ser tocados com ternura pela sua mão e plasmados pela sua graça permite que nos aproximemos do sacerdote sem medo por causa das nossas culpas, mas com a certeza de ser acolhidos por ele em nome de Deus”. O Papa sublinhou que o julgamento de Deus é o da “misericórdia”, numa atitude de amor que “vai para lá da justiça”, e desafiou os fiéis a não ficar pela “superfície das coisas”, sobretudo quando está em causa uma pessoa.

O tema da misericórdia está muito presente no atual pontificado e que já como bispo Jorge Mario Bergoglio tinha escolhido como lema “miserando atque eligendo”, uma citação das homilias de São Beda, o Venerável, que, comentando o episódio evangélico da vocação de São Mateus, escreve: “vidit ergo Iesus publicanum et quia miserando atque eligendo vidit, ait illi Sequere me” (Viu Jesus um publicano, e como olhou para ele com um sentimento de amor e lhe disse: Segue-me). Esta homilia é uma homenagem à misericórdia divina. Uma tradução do lema poderia ser: “Com misericórdia olhou para ele e o escolheu”.

No primeiro Ângelus após a sua eleição, há dois anos, o Santo Padre dizia que: “Ao escutar misericórdia, esta palavra muda tudo. É o melhor que podemos escutar: muda o mundo. Um pouco de misericórdia faz o mundo menos frio e mais justo. Precisamos compreender bem esta misericórdia de Deus, este Pai misericordioso que tem tanta paciência” (Ângelus, 17 de março de 2013).

Em 17 de novembro de 2013, o Papa surpreendeu dezenas de milhares de pessoas reunidas no Vaticano com a sugestão de um “medicamento espiritual” para as suas vidas, distribuindo numa caixa própria, a “Misericórdina”.

Também este ano, no Ângelus de 11 de janeiro, disse: “Estamos vivendo no tempo da misericórdia. Este é o tempo da misericórdia. Há tanta necessidade hoje de misericórdia, e é importante que os fiéis leigos a vivam e a levem aos diversos ambientes sociais. Adiante!”. Já na sua mensagem para esta Quaresma de 2015, o Papa Francisco deixou votos de que as paróquias e comunidades católicas se tornem “ilhas de misericórdia no meio do mar da indiferença”. Aliás, este será o tema principal de sua mensagem para o 49º Dia Mundial da Paz.

No Jubileu, as leituras para os Domingos do Tempo Comum serão extraídas do Evangelho de Lucas, chamado “o evangelista da misericórdia”. Dante Alighieri o definia “scriba mansuetudinis Christi”, “narrador da mansidão de Cristo”. Algumas das parábolas mais conhecidas escritas por ele são as da ovelha perdida, a da moeda perdida e a do pai misericordioso.

A Igreja Católica iniciou a tradição do Ano Santo com o Papa Bonifácio VIII em 1300. Ele planejou um jubileu por século. A partir de 1475, para possibilitar que cada geração vivesse pelo menos um Ano Santo, o jubileu ordinário passou a acontecer a cada 25 anos. Um jubileu extraordinário pode ser realizado em ocasião de um acontecimento de particular importância.

Até hoje, foram 26 anos santos ordinários. O último foi o jubileu de 2000. Quanto aos jubileus extraordinários, o último foi o de 1983, convocado por João Paulo II pelos 1.950 anos da Redenção.

Este Ano Santo iniciou-se na Solenidade da Imaculada Conceição e será concluído no dia 20 de novembro de 2016. A abertura do Jubileu coincidiu com o cinquentenário do encerramento do Concílio Ecuménico Vaticano II, que ocorreu em 1965 e, por isso, reveste este Ano Santo de um significado especial, encorajando a Igreja a prosseguir a obra iniciada no Concílio.

Orani João, Cardeal Tempesta, O.Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

9 de janeiro de 2016 at 10:41 Deixe um comentário

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