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Viagem do Papa à África: alegria, esperança e responsabilidade

"O momento mais emocionante de toda a viagem foi, sem dúvida, o encontro com as oito mil crianças de Akamasoa"

“O momento mais emocionante de toda a viagem foi, sem dúvida, o encontro com as oito mil crianças de Akamasoa”  (ANSA)

Imagens e palavras que marcaram a visita do Papa a Moçambique, Madagascar e Maurício.

De Andrea Tornielli

A viagem do Papa a Moçambique, Madagascar e Maurício já foi concluída e destes dias intensos e extraordinários permanecem antes de tudo impressos na memória os rostos cheios de alegria das crianças, das mulheres e dos homens que acompanharam Francisco ao longo das estradas, às vezes enlameadas ou poeirentas, de Maputo e Antananarivo, e que animaram – no verdadeiro sentido da palavra – as maravilhosas liturgias celebradas nos três países.

Ouça e compartilhe!

A alegria que souberam expressar, não obstante as dificuldades e as condições precárias em que muitos deles são forçados a viver, tem algo a ensinar a todos nós. Nos ensina que, ao calcular o bem-estar de um povo, os parâmetros vinculados apenas aos dados econômicos não são suficientes: a fé vivida, a amizade, a capacidade de se relacionar, os laços familiares, a solidariedade, a capacidade de usufruir das pequenas coisas, a disponibilidade de se doar, não poderão nunca entrar nas estatísticas.

O momento mais emocionante de toda a viagem foi, sem dúvida, o encontro com as oito mil crianças de Akamasoa, no local onde antes havia um grande aterro sanitário e onde agora existem pequenas mas dignas casas de tijolos, escolas, locais de recreação.

A obra iniciad há trinta anos pelo padre Pedro Opeka é um dos tantos tesouros escondidos da Igreja Católica no mundo. Uma obra que encarna a esperança cristã. Graças à dedicação deste missionário, milhares de famílias encontraram trabalho e dignidade, e milhares de crianças encontraram um teto para suas cabeças, comida e a possibilidade de frequentar a escola.

A recepção barulhenta e festiva que os pequenos de Akamasoa dedicaram ao Papa é combustível para a alma. Quantos padres Pedro existem na África, na Ásia, na América Latina, mas também nas periferias mais problemáticas do Ocidente.

Contemplando o rosto daquelas crianças, felizes por terem hospedado em sua casa aquele avô vestido de branco vindo de Roma, nos deparamos com a essência mais profunda da Igreja e de sua missão: evangelizar e promover o homem.

Evangelizar, escolhendo a proximidade aos mais fracos e descartados. Evangelizar testemunhando “a presença de um Deus que decidiu viver e sempre permanecer no meio de seu povo”, como disse Francisco em Akamasoa.

Várias vezes, nestes dias, o Papa exortou sacerdotes, religiosos e religiosas a reavivarem o fogo do autêntico espírito missionário que não pode prescindir da proximidade daqueles que sofrem.

Francisco também convidou a não considerar a condição dos pobres como uma fatalidade: “Nunca se rendam diante dos efeitos nocivos da pobreza, nunca cedam às tentações de uma vida fácil ou do inclinar-se sobre si mesmos”.

Neste sentido, a outra linha que ligou os eventos da viagem foi um chamado à responsabilidade dos governos, das autoridades políticas e da sociedade civil, para que novos caminhos possam ser percorridos na via do desenvolvimento. Caminhos inovadores capazes de questionar o atual modelo econômico-financeiro, tornando os povos protagonistas da construção de um futuro mais justo, mais solidário, mais respeitador da dignidade da vida, das culturas e das tradições, mais respeitador da criação que nos foi dada para que a transmitíssemos aos nossos filhos sem depredá-la. Mensagens pronunciadas na África e para a África, mas também para todos nós.

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11 de setembro de 2019 at 5:39 Deixe um comentário

Cem mil mudas para recordar a visita do Papa a Maurício

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“Para testemunhar nossa gratidão ao senhor e fazer com que sua passagem entre nós como peregrino da paz permaneça indelével ao longo do tempo, a Comissão Diocesana “Justiça e Paz” decidiu convidar os mauricianos a plantar 100.000 mudas, aderindo ao seu constante apelo em favor de uma ecologia integral”, foi o anúncio do cardeal Maurice Piat ao saudar o Papa ao final da Missa celebrada em Port Louis

Cidade do Vaticano

Ao saudar o Papa Francisco ao final da Missa celebrada junto ao Monumento de Maria Rainha da Paz em Port Louis na manhã desta segunda-feira, o cardeal Maurice Piat agradeceu pela visita do Santo Padre e por sua mensagem, assegurando o trabalho para a construção de uma paz sólida, fundada no compromisso pela justiça social e pela proteção da casa comum. E disse a Francisco que os mauricianos foram convidados a plantar 100 mil mudas:

“Santo Padre,

Sua visita à Ilha de Maurício e esta Eucaristia que hoje celebrou para nós e para os peregrinos das Ilhas do Oceano Índico, é motivo de grande alegria. Sua proximidade a esses países pequenos e remotos países, como diz o Salmo, “grãos de areia no fundo de um recipiente” aquece nossos corações. O povo mauriciano, como um todo, cristão, hinduísta, muçulmano e budista, expressa ao senhor sua profundo reconhecimento.

Sua mensagem foi de grande proveito para nós. Como um pai, o senhor nos exorta, nos encoraja, nos expressa sua confiança e sua convicção de que nós podemos dar uma pequena contribuição ao vasto e extraordinário trabalho da missão da Igreja no mundo. Muito obrigado!

Da mesma forma, estamos atentos ao seu forte compromisso e ao seu testemunho como artesão da paz no cenário internacional. De nossa parte, garantimos que a Ilha de Maurício e as outras ilhas do Oceano Índico, trabalharão para construir uma paz sólida, baseada no compromisso com a justiça social e a proteção da casa comum.

Para testemunhar nossa gratidão ao senhor e fazer com que sua passagem entre nós como peregrino da paz permaneça indelével ao longo do tempo, a Comissão Diocesana “Justiça e Paz” decidiu convidar os mauricianos a plantar 100.000 mudas, aderindo ao seu constante apelo em favor de uma ecologia integral. Essas plantas serão para nós uma recordação de seu constante convite para ouvir o clamor dos pobres e da natureza.

Com profunda gratidão, asseguramos nossas orações pelo senhor e por seu ministério.”

Papa abençoa mudas no Palácio Presidencial

Nesta mesma linha, o discurso do presidente interino, Barlen Vyapoory no Palácio Presidencial, que recordou que ao final do encontro com as autoridade o Santo Padre abençoaria algumas mudas que seriam distribuídas nas diversas Ilhas do país:

“Estamos felizes, Santidade, que dentro de pouco o senhor cumpirá um gesto após a palavra, dando sua bênção a algumas árvores na varanda aqui ao lado, que serão depois enterradas nas Ilhas Maurícias, Rodrigues e Agaléga. Este gesto simbólico lançará o louvável projeto “Plantando 100.000 árvores”, uma iniciativa da ONG “Projet de Societé” (Projeto de Sociedade), em colaboração com a diocese católica”.

E continuou o mandatário, fazendo um agradecimento:

“Gostaria de aproveitar a oportunidade para expressar gratidão pelo trabalho da Diocese católica liderada pelo cardeal Maurice Piat, por seu compromisso em favor da causa nacional e pelo considerável trabalho realizado no campo da educação e do serviço social”.

De fato, após seu mensagem às autoridades, o Papa Francisco encontrou lideranças de outras religiões e abençoou as mudas.

10 de setembro de 2019 at 5:43 Deixe um comentário

Papa encoraja famílias de Akamasoa: a pobreza não é fatalidade e pode ser cântico de esperança

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No segundo compromisso deste domingo (8), em Madagascar, o Papa Francisco visitou a Cidade da Amizade administrada por Pe. Pedro Opeka, conhecida como Akamasoa. O missionário argentino tirou as famílias pobres do lixão e ofereceu trabalho digno em três pedreiras para extração de materiais de construção. O Pontífice foi recebido pela festa de 8 mil crianças e jovens que através da alegria e dos cantos expressaram a sua esperança na vida.

Andressa Collet – Cidade do Vaticano

O Papa Francisco, no seu segundo pronunciamento oficial deste domingo (8), em Madagascar, se dirigiu aos cerca de 8 mil jovens, na maioria crianças, que vivem na Cidade da Amizade, conhecida como Akamasoa – que na língua local significa “bom amigo”.

No Auditório Manantenasoa, repleto de vozes infantis cheias de amor e alegria que receberam o Pontífice, num momento de festa e gratidão pela sua presença, o sinal de esperança que brota em meio às aldeias das famílias pobres e das pedreiras que dão o trabalho diário à comunidade formada por 25 mil famílias.

Na saudação, o Papa Francisco já iniciou agradecendo pelo encontro promovido “nesta grande obra”, que também é o coração da Cidade da Amizade.

“ Akamasoa é a expressão da presença de Deus no meio do seu povo pobre; não uma presença esporádica, casual: é a presença de um Deus que decidiu viver e permanecer sempre no meio do seu povo. ”

A pobreza não é fatalidade

O Papa então, como o próprio fundador de Akamosoa, Pe. Pedro Opeka, tinha antecipado, levou coragem à comunidade que luta contra a pobreza com o próprio trabalho:

“Vendo os rostos radiantes de vocês, dou graças ao Senhor que ouviu o clamor dos pobres e manifestou o seu amor através de sinais palpáveis como a criação desta aldeia. Os clamores de vocês nascidos do fato de não poderem mais viver sem um teto, de verem os filhos de vocês crescerem malnutridos, de não terem trabalho, nascidos do olhar indiferente – para não dizer desdenhoso – de muitos, transformaram-se em cânticos de esperança para vocês e quem os contempla.”

“ Cada recanto destes bairros, cada escola ou dispensário é um cântico de esperança que recusa e faz calar toda a fatalidade. Vamos dizer com força: a pobreza não é uma fatalidade. ”

O exemplo de se trabalhar em comunidade

A longa história de “coragem e ajuda mútua” que caracteriza Akamasoa foi lembrada pelo Pontífice. “Anos de trabalho duro” para promover a “fé viva que se traduziu em ações concretas, capazes de «mover montanhas» (cf. Mc 11, 23)”, disse o Papa.

“ Uma fé que permitiu ver uma chance onde era visível apenas a precariedade, ver a esperança onde só era visível a fatalidade, ver a vida onde muitos anunciavam morte e destruição. ”

Francisco então falou da importância de realizar obras em benefício dos mais pobres e através do trabalho em comunidade, como aconteceu em Akamasoa. A aventura do Pe. Pedro em fazer das famílias pobres os verdadeiros “protagonistas e artífices desta história”, criou uma rede de “educação para os valores”, disse o Papa, com a transmissão do “enorme tesouro do compromisso, disciplina, honestidade, respeito por si mesmo e pelos outros”.

“E puderam compreender que faz parte do sonho de Deus não apenas o progresso pessoal, mas sobretudo o progresso comunitário, já que não há escravidão pior – como nos lembrou o Pe. Pedro – do que viver cada um só para si.”

A força do trabalho e da fé para o futuro de Akamasoa

A mensagem final do Papa aos jovens e ao futuro de Akamasoa foi pela luta contra a pobreza através do trabalho digno e da força da fé que geram esperança.

“Nunca desistam perante os efeitos nefastos da pobreza, nunca sucumbam às tentações da vida fácil ou do retraimento em vocês mesmos. […] Queridos jovens, cabe a vocês continuar o trabalho feito pelos mais velhos. A força para realizar tudo isso vão encontrar na fé e no testemunho vivo que foi plasmado na vida de vocês. Deixem se desenvolver em vocês os dons que o Senhor concedeu. Peçam para Ele lhes ajudar a servir generosamente os seus irmãos e irmãs. Assim, Akamasoa não será apenas um exemplo para as gerações futuras, mas sobretudo o ponto de partida de uma obra inspirada por Deus, que encontrará o seu pleno desenvolvimento continuando a testemunhar o seu amor às gerações presentes e futuras.”

O Papa Francisco também exortou atitudes concretas para além das fronteiras de Madagascar, através da promoção de modelos de desenvolvimento inspirados em Akamasoa , quando disse:

“ Rezemos para que se difunda, por Madagascar inteiro e em outras partes do mundo, o esplendor desta luz e possamos alcançar modelos de desenvolvimento que privilegiem a luta contra a pobreza e a exclusão social a partir da confiança, da educação, do trabalho e do empenho que são sempre indispensáveis para a dignidade da pessoa humana. ”

9 de setembro de 2019 at 5:37 1 comentário

One day in 60 seconds: Pope Francis in Mozambique and Madagascar 07 09 2019

8 de setembro de 2019 at 9:36 Deixe um comentário

Papa aos jovens de Moçambique: continuem sendo testemunho de paz e reconciliação ao país

Discurso do Papa aos jovens moçambicanos - texto integral

Numa festa inter-religiosa e culturalmente rica da juventude, o Papa Francisco pronunciou o segundo discurso do dia em Maputo, em Moçambique, nesta quinta-feira (5). Os jovens foram a expressão da paz e da reconciliação do país, através de cantos, apresentações artísticas e tradições religiosas, sempre encorajados pelo Pontífice que incentivou a não se resignar diante das provações e ter cautela com a ansiedade que pode criar barreiras para realizar os sonhos.

Andressa Collet – Cidade do Vaticano

O Papa Francisco, no seu segundo discurso oficial em Maputo nesta quinta-feira (5), encontrou os jovens no Pavilhão do Clube de Desportos do Maxaquene, conhecido como Maxaca – uma sociedade com tradição no futebol, tanto que já ganhou cinco títulos nacionais. Do esporte, porém, hoje o espaço acolheu mais de 4 mil jovens cristãos, muçulmanos e hinduístas para um grande encontro inter-religioso com o Pontífice.

Durante cerca de uma hora intensa com a juventude de Moçambique, o Papa conseguiu conhecer um pouco da realidade local das diferentes confissões religiosas que se apresentaram, através da arte do canto e de coreografias especiais, demonstrando diferentes temas e motivos de preocupação dos jovens do país. Um hino comum às denominações religiosas também foi interpretado na ocasião que precedeu o discurso do Pontífice.

Jovens: vocês são importantes e precisam saber disso!

“ O que há de mais importante para um pastor do que encontrar-se com os seus jovens? Vocês são importantes! Precisam saber disso, precisam acreditar nisso: vocês são importantes! Mas com humildade porque não são apenas o futuro de Moçambique ou da Igreja e da humanidade; vocês são o presente de Moçambique! Com tudo o que são e fazem, já estão contribuindo para ele com o melhor que hoje podem dar. ”

O Papa iniciou o discurso enaltecendo a expressão tão autêntica da alegria que caracteriza o povo de Moçambique. É uma “alegria que reconcilia e se torna o melhor antídoto capaz de desmentir todos aqueles que querem dividir, fragmentar ou contrapor. Como faz falta, em algumas regiões do mundo, a alegria de viver de vocês!”, sublinhou Francisco.

A presença das diferentes confissões religiosas no local também foi elogiada pelo Pontífice, demonstrando a união familiar através do “desafio da paz”, da esperança e da reconciliação. Com essa experiência, disse ele, é possível perceber que “todos somos necessários: com as nossas diferenças, mas necessários”.

“ Vocês, jovens, caminham com dois pés como os adultos, mas, ao contrário dos adultos que os mantêm paralelos, vocês colocam um atrás do outro, pronto a arrancar, a partir. Vocês têm tanta força, são capazes de olhar com tanta esperança! São uma promessa de vida, que traz em si um certo grau de tenacidade (cf. Francisco, Exort. ap. pós-sinodal Christus vivit, 139), que não devem perder nem deixar que lhe roubem. ”

As inimigas da esperança: resignação e ansiedade

O Papa, então, procurou responder a duas perguntas feitas pelos jovens, em questões interligadas, sobre como realizar os sonhos da juventude e como contribuir para solucionar os problemas que afligem o país. A indicação do Pontífice veio do próprio caminho de riqueza cultural apresentado pelos jovens, através da arte, uma expressão “de parte dos sonhos e realidades”, sempre regada de esperança, mas também de ilusões. Além disso, o Papa voltou a insistir com os jovens para não deixar que “roubem a sua alegria”, para não deixar de cantar e se expressar conforme as tradições de casa.

“São grandes inimigas da vida, porque normalmente nos impelem por um caminho fácil, mas de derrota; e a porta que pedem para passar é muito cara… O pedágio que pedem para passar é muito caro! É muito caro. Paga-se com a própria felicidade e até com a própria vida. Resignação e ansiedade: duas atitudes que roubam a esperança. Quantas promessas de felicidade vazias que acabam por mutilar vidas! Certamente conhecem amigos, conhecidos – ou pode mesmo ter acontecido com vocês – que, em momentos difíceis, dolorosos, quando parece que tudo cai em cima de vocês, ficam prostrados na resignação. É preciso estar muito atento, porque essa atitude «faz com que encaminhe pela estrada errada. Quando tudo parece estar parado e estagnante, quando os problemas pessoais nos preocupam, as dificuldades sociais não encontram as devidas respostas, não é bom dar-se por vencido» (Ibid., 141).”

A inspiração do esporte: Eusébio da Silva e Maria Mutola

E para dar um exemplo de inspiração em pleno tempo do futebol, o Papa recordou o jogador Eusébio da Silva, o “pantera negra”, que começou a carreira no clube de Maputo. O atleta não se resignou diante de graves dificuldades econômicas da família e da morte prematura do pai. O futebol o ajudou a perseverar, disse Francisco, “chegando a marcar 77 gols para o Maxaquene!”

O Pontífice então fez a analogia do jogo em equipe para falar da importância de se empenhar pelo país com a tática da união e independentemente daquilo que diferencia as pessoas.

“Como é importante não esquecer que «a inimizade social destrói. E uma família se destrói pela inimizade. Um país se destrói pela inimizade. O mundo se destrói pela inimizade. E a inimizade maior é a guerra porque são incapazes de sentar e falar, de sentar e falar. Sejam capazes de criar a amizade social!”

O Papa lembrou, então, o provérbio africano conhecido e citado mundialmente para “sonhar junto”, que diz: «Se quiser chegar depressa, caminha sozinho; se quiser chegar longe, vai acompanhado». Mas sem que a ansiedade seja inimiga dos sonhos da juventude por um país melhor, alertou o Papa, porque eles são conquistados com “esperança, paciência e determinação, renunciando às pressas”.

O outro exemplo do esporte citado pelo Papa veio do testemunho de Maria Mutola, que aprendeu a perseverar, apesar de perder a medalha de ouro nos três primeiros Jogos Olímpicos que disputou. O tão sonhado título dourado veio na quarta tentativa, quando a atleta dos 800 metros alcançou venceu nas Olimpíadas de Sidney. “A ansiedade não a deixou absorta em si mesma”, ao conseguir nove títulos mundiais”, comentou Francisco.

A importância dos idosos e da Casa Comum

O Papa ainda aconselhou a não esquecer do apoio dos idosos, que podem ajudar a realizar sonhos sem que “o primeiro vento da dificuldade” venha a impedir. Escutar as pessoas mais experientes, valorizando as tradições e fazendo a própria síntese, como aconteceu com a música, o ritmo tradicional de Moçambique: da marrabenta nasceu o pandza, com toque moderno.

O comprometimento com o cuidado da Casa Comum também foi lembrado pelo Papa, num país que tamanha beleza natural, mas que também já sofreu com o embate de dois ciclones. O desafio de proteger o meio ambiente é um forma de permanecer unidos para ser “artesãos da mudança tão necessária”.

O poder da mão estendida e da amizade ao país

Dessa forma explicativa, Francisco procurou encorajar os jovens a encontrar novos caminhos de paz, liberdade, entusiasmo e criatividade, e “com o gosto da solidariedade”, para responder às provações e problemas vividos no país. “Grande é o poder da mão estendida e da amizade”, acrescentou o Papa, para que “a solidariedade cresça entre vocês e se torne na melhor arma para transformar a história. A solidariedade é a melhor arma para transformar a história”. E Francisco finalizou o discurso lembrando os jovens que não esqueçam o quanto Jesus os ama:

“[ É o amor do Senhor que se entende mais de levantamentos que de quedas, mais de reconciliação que de proibições, mais de dar nova oportunidade que de condenar, mais de futuro que de passado» (Ibid., 116). Eu sei que vocês acreditam nesse amor que torna possível a reconciliação. ] ”

7 de setembro de 2019 at 5:44 Deixe um comentário

Papa a consagrados: encontrar na doação a fonte da nossa identidade

Encontro do Papa com bispos, sacerdotes, religiosos, consagrados, seminaristas, catequistas e animadores pastorais

 

“O sacerdote é o mais pobre dos homens, se Jesus não o enriquece com a sua pobreza; é o servo mais inútil, se Jesus não o trata como amigo; é o mais louco dos homens, se Jesus não o instrui pacientemente como fez com Pedro; o mais indefeso dos cristãos, se o Bom Pastor não o fortifica no meio do rebanho. Não há ninguém menor que um sacerdote deixado meramente às suas forças”: disse o Papa no encontro em Maputo com bispos, sacerdotes, religiosos, seminaristas

Raimundo de Lima – Cidade do Vaticano

Reavivemos nosso chamado vocacional, e que o nosso sim comprometido proclame as grandezas do Senhor e alegre o espírito do nosso povo em Deus nosso Salvador. E encha de esperança, paz e reconciliação o vosso país, nosso querido Moçambique. Foi o que disse o Papa Francisco no aguardado encontro com os bispos, sacerdotes, religiosos, consagrados, seminaristas, catequistas e animadores pastorais, na tarde desta quinta-feira (05/09) na Catedral da Imaculada Conceição, em Maputo, capital do país do sudeste da África, primeira etapa desta sua 31ª Viagem Apostólica Internacional.

Testemunhos: desafios, sofrimentos e esperança viva

O discurso do Santo Padre foi precedido, além da saudação de boas-vindas ao ilustre visitante feito pelo presidente da Comissão para o Clero e a Vida Consagrada, Dom Hilário da Cruz Massinga, do testemunho de um sacerdote, de uma religiosa e de um catequista, testemunhos marcados pelos sérios desafios, sofrimentos, mas também pela viva esperança.

Na reflexão do Pontífice, um convite a renovar a resposta ao chamado vocacional, a renovar a fé e a esperança:

“Encontramo-nos nesta catedral, dedicada à Imaculada Conceição da Virgem Maria, para compartilhar como família aquilo que nos acontece; como família, que nasceu naquele sim que Maria deu ao anjo. Ela, nem por um momento olhou para trás. Quem narra estes acontecimentos do início do mistério da Encarnação é o evangelista Lucas. No seu modo de o fazer, talvez possamos descobrir resposta para as perguntas que fizestes hoje, e encontrar também o estímulo necessário para responder com a mesma generosidade e solicitude de Maria.”

Contrastar a crise de identidade sacerdotal

Perguntáveis que fazer com a crise de identidade sacerdotal, como lutar contra ela? A propósito, o que vou dizer relativamente aos sacerdotes é algo que todos (bispos, catequistas, consagrados, seminaristas) somos chamados a cultivar e fomentar, ressaltou Francisco.

“Perante a crise de identidade sacerdotal – disse o Papa –, talvez tenhamos que sair dos lugares importantes e solenes; temos de voltar aos lugares onde fomos chamados, onde era evidente que a iniciativa e o poder eram de Deus. Às vezes sem querer, sem culpa moral, habituamo-nos a identificar a nossa atividade quotidiana de sacerdotes com certos ritos, com reuniões e colóquios, onde o lugar que ocupamos na reunião, na mesa ou na sala é de hierarquia.”

Se Jesus não o enriquece, sacerdote é o mais pobre de todos

“Creio não exagerar se dissermos que o sacerdote é uma pessoa muito pequena: a grandeza incomensurável do dom que nos é dado para o ministério relega-nos entre os menores dos homens”, ressaltou o Pontífice, acrescentando:

“O sacerdote é o mais pobre dos homens, se Jesus não o enriquece com a sua pobreza; é o servo mais inútil, se Jesus não o trata como amigo; é o mais louco dos homens, se Jesus não o instrui pacientemente como fez com Pedro; o mais indefeso dos cristãos, se o Bom Pastor não o fortifica no meio do rebanho. Não há ninguém menor que um sacerdote deixado meramente às suas forças.”

Voltar a Nazaré para nos renovarmos como pastores

Tendo precedentemente aludido ao Anúncio do Anjo feito a Zacarias em Jerusalém e a Maria em Nazaré, apresentado pelo evangelista São Lucas, Francisco enfatizou que voltar a Nazaré pode ser o caminho para enfrentar a crise de identidade, para nos renovarmos como pastores-discípulos-missionários.

“Vós próprios faláveis de certo exagero na preocupação de gerar recursos para o bem-estar pessoal, por ‘caminhos tortuosos’ que muitas vezes acabam por privilegiar atividades com uma retribuição garantida e criam resistências a dedicar a vida ao pastoreio diário”, ressaltou.

Doação na proximidade ao povo fiel de Deus

“Não podemos correr atrás daquilo que redunda em benefícios pessoais; os nossos cansaços devem estar mais relacionados com ‘a nossa capacidade de compaixão: são compromissos nos quais o nosso coração estremece e se comove’.”

“Para nós, sacerdotes – acrescentou o Santo Padre–, as histórias do nosso povo não são um noticiário: conhecemos a nossa gente, podemos adivinhar o que se passa no seu coração.” “E, assim, a nossa vida sacerdotal se vai doando no serviço, na proximidade ao povo fiel de Deus…, etc., o que sempre, sempre cansa.”

Fugir do “mundanismo espiritual” ditado pelo consumismo

Francisco observou que renovar o chamado “passa, muitas vezes, por verificar se os nossos cansaços e preocupações têm a ver com um certo ‘mundanismo espiritual’ ditado ‘pelo fascínio de mil e uma propostas de consumo a que não conseguimos renunciar para caminhar, livres, pelas sendas que nos conduzem ao amor dos nossos irmãos, ao rebanho do Senhor, às ovelhas que aguardam pela voz dos seus pastores’”.

 “Renovar o chamado passa por optar, dizer sim e cansar-nos com aquilo que é fecundo aos olhos de Deus, que torna presente, encarna o seu Filho Jesus. Oxalá encontremos, neste saudável cansaço, a fonte da nossa identidade e felicidade!”

Um olhar aos jovens: reconhecer a própria vocação

Por fim, o Pontífice dirigiu-se também ao jovens que se interrogam ou que já se sentem chamados para a vida consagrada:

“Tu que ainda te interrogas ou tu que já estás a caminho duma consagração definitiva dar-te-ás conta de que ‘a ansiedade e a velocidade de tantos estímulos que nos bombardeiam fazem com que não haja lugar para aquele silêncio interior onde se percebe o olhar de Jesus e se ouve seu chamado’”.

“Procura, antes, aqueles espaços de calma e silêncio que te permitam refletir, rezar, ver melhor o mundo ao teu redor e então sim, juntamente com Jesus, poderás reconhecer qual é a tua vocação nesta terra.”

Francisco concluiu destacando que a Igreja em Moçambique é convidada a ser a Igreja da Visitação: “não pode ser parte do problema das competências, menosprezos e divisões de uns contra os outros, mas porta de solução, espaço onde sejam possíveis o respeito, o intercâmbio e o diálogo”.

6 de setembro de 2019 at 5:59 Deixe um comentário

Soberania brasileira sobre a Amazônia é inquestionável, dizem bispos

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“A soberania brasileira sobre essa parte da Amazônia é para nós inquestionável. Entendemos, no entanto, e apoiamos a preocupação do mundo inteiro a respeito deste macro-bioma que desempenha uma importantíssima função reguladora do clima planetário”, defendem os bispos da Amazônia

Icoaraci, Belém do Pará

No mesmo lugar onde, em 2016, o episcopado da Amazônia brasileira escreveu uma carta ao Papa Francisco pedindo a convocação do Sínodo Amazônico, menos de 40 dias antes do início do evento no Vaticano (6-27 de outubro), os bispos da região se reuniram com sacerdotes, religiosos, religiosas, leigos e leigas, num total de cerca de 120 pessoas.

No Centro de Espiritualidade Monte Tabor da Arquidiocese de Belém, a proposta para este encontro (28-30 de agosto) foi o estudo do Instrumento de Trabalho (Instrumentum Laboris) e a partilha de experiências de escuta e da caminhada do processo sinodal nas dioceses e prelazias da Amazônia.

“Defendemos vigorosamente a Amazônia, que abrange quase 60% do nosso Brasil. A soberania brasileira sobre essa parte da Amazônia é para nós inquestionável. Entendemos, no entanto, e apoiamos a preocupação do mundo inteiro a respeito deste macro-bioma que desempenha uma importantíssima função reguladora do clima planetário. Todas as nações são chamadas a colaborar com os países amazônicos e com as organizações locais que se empenham na preservação da Amazônia, porque desta macrorregião depende a sobrevivência dos povos e do ecossistema em outras partes do Brasil e do continente”.

“A Igreja Católica desde o século XVII está presente na Amazônia preocupando-se com a evangelização e a promoção humana ao mesmo tempo. Quantas escolas, hospitais, oficinas, obras sociais se construíram e foram mantidas durante séculos em todos os rincões da Amazônia. Vilas e cidades se edificaram a partir das “missões” da nossa Igreja. Quanto sangue, suor e lágrimas foram derramados na defesa dos direitos humanos e da dignidade, especialmente dos mais pobres e excluídos da sociedade, dos povos originários e do meio ambiente tão ameaçado”.

5 de setembro de 2019 at 5:45 Deixe um comentário

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