Posts filed under ‘Reflexão da Palavra’

A misericórdia do Senhor para com os pecadores que se convertem – reflexão de São Máximo

Os pregadores da verdade e os ministros da graça divina, todos os que, desde o princípio até os nossos dias, cada um a seu tempo, expuseram a vontade salvífica de Deus, dizem que nada lhe é tão agradável e conforme a seu amor como a conversão dos homens a ele com sincero arrependimento.

E para dar a maior prova da bondade divina, o Verbo de Deus Pai (ou melhor, o primeiro e único sinal de sua bondade infinita), num ato de humilhação que nenhuma palavra pode explicar, num ato de condescendência para com a humanidade, dignou-se habitar no meio de nós, fazendo-se homem. E realizou, padeceu e ensinou tudo o que era necessário para que nós, seus inimigos e adversários, fôssemos reconciliados com Deus Pai e chamados de novo à felicidade eterna que havíamos perdido.

O Verbo de Deus não curou apenas nossas enfermidades com o poder dos milagres. Tomou sobre si as nossas fraquezas, pagou a nossa dívida mediante o suplício da cruz, libertando-nos dos nossos muitos e gravíssimos pecados, como se ele fosse o culpado, quando na verdade era inocente de qualquer culpa. Além disso, com muitas palavras e exemplos, exortou-nos a imitá-lo na bondade, na compreensão e na perfeita caridade fraterna.

Por isso dizia o Senhor: Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores para a conversão (Lc 5,32). E também: Aqueles que têm saúde não precisam de médicos, mas sim os doentes (Mt 9,12). Disse ainda que viera procurar ao velha desgarrada e que fora enviado às ovelhas perdidas da casa de Israel.

Do mesmo modo, pela parábola da dracma perdida, deu a entender mais veladamente que viera restaurar no homem a imagem divina que estava corrompida pelos mais repugnantes pecados. E afirmou: Em verdade eu vos digo, haverá alegria no céu por um só pecador que se converte (cf. Lc 15,7).

Por esse motivo, contou a parábola do bom samaritano: àquele homem que caíra nas mãos dos ladrões, e fora despojado de todas as vestes, maltratado e deixado semimorto, atou-lhe as feridas, tratou-as com vinho e óleo e, tendo colocado em seu jumento, deixou-o numa hospedaria para que cuidassem dele; pagou o necessário para o seu tratamento e ainda prometeu, dar na volta, o que porventura se gastasse a mais.

Mostrou-nos ainda a condescendência e bondade do pai que recebeu afetuosamente o filho pródigo que voltava, como o abraçou porque retornara arrependido, revestiu-o de novo com as insígnias de sua nobreza familiar e esqueceu todo o mal que fizera. Pela mesma razão, reconduziu ao redil a ovelhinha que se afastara das outras cem ovelhas de Deus e fora encontrada vagueando por montes e colinas. Não lhe bateu nem a ameaçou nem a extenuou de cansaço; pelo contrário, colocando-a em seus próprios ombros, cheio de compaixão, trouxe-a sã e salva para o rebanho.

E deste modo exclamou: Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo (Mt 11,28-29). Ele chamava de jugo os mandamentos ou a vida segundo os preceitos evangélicos; e quanto ao peso, que pela penitência parecia ser grande e mais penoso, acrescentou: O meu jugo é suave e o meu fardo é leve (Mt 11,30).

Outra vez, querendo nos ensinar a justiça e a bondade de Deus, exortava-nos com estas palavras: Sede santos, sede perfeitos, sede misericordiosos, como também vosso Pai celeste é misericordioso (cf. Mt 5,48; Lc 6,36). E: Perdoai, e sereis perdoados (Lc 6,37). Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei também a eles (Mt 7,12).

 

6 de março de 2016 at 5:45 Deixe um comentário

«Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha» – São Romano, o Melodista

Muitos são os que pela penitência foram dignos do amor que tens pelo homem,

Tu, que justificaste o publicano pelo seu lamento e a pecadora pelo seu pranto (Lc 18,14; 7,50),

E, ao preveres e dares o perdão de acordo com imutáveis desígnios,

Te mostras rico de todas as misericórdias (Ef 2,4). Converte-me também a mim,

Tu que queres que todos os homens sejam salvos! (1Tim 2,4)

A minha alma enodoou-se ao vestir a túnica dos meus erros (Gn 3,21),

Mas Tu me alcançarás a graça de fazer jorrar fontes dos meus olhos,

A fim de que, pela contrição, seja purificado e digno das tuas núpcias (Mt 22,12).

Veste-me com o manto multicolor (Sl 45,15),

Tu que queres que todos os homens sejam salvos!

Tem compaixão de mim, Pai celeste, tal como tiveste pelo filho pródigo,

Porque também eu me lanço aos teus pés e como ele clamo: «Pai, pequei!»,

E rejubilarão os anjos com a salvação dum filho indigno (Lc 15,7).

Não me rejeites, Deus de bondade,

Tu que queres que todos os homens sejam salvos!

Pois foi pela graça que fizeste de mim teu filho e teu herdeiro (Rom 8,17)

E, ao ofender-Te, me vejo cativo, escravo vendido ao pecado e desditoso!

Tem misericórdia da tua própria imagem (Gn 1,26),

Salvador meu: resgata-me deste degredo,

Tu que queres que todos os homens sejam salvos!

Tendo chegado ao arrependimento, […] a palavra de Paulo encoraja-me

A não desfalecer na oração e a esperar (Col 4,2), sabendo que, se tardas,

É para me dares a ganhar o salário da perseverança. Sabedor da tua misericórdia

E da tua ânsia em socorrer-me (Lc 15,4), cheio de confiança Te suplico: vem em meu auxílio,

Tu que queres que todos os homens sejam salvos!

Permite que leve uma vida pura, Te celebre e Te preste glória para sempre,

Cristo, TodoPoderoso, e para que depois Te cante […] um cântico puro (Sl 40 [39],4),

Concede-me que os meus actos correspondam às minhas palavras,

único Senhor,

Tu que queres que todos os homens sejam salvos!

Fonte: Evangelho Quotidiano

5 de março de 2016 at 5:08 Deixe um comentário

Por que a Cruz é sinal do cristão?

Algumas pessoas não católicas dizem que a cruz é um símbolo pagão e que não deve ser usada. Mas esta afirmação não está de acordo com o que a Igreja Católica sempre viveu e ensinou desde os seus primórdios e também não concorda com os textos bíblicos, que louvam e exaltam a Cruz de Cristo. Senão vejamos:

Mt 10, 38 – Jesus disse: “Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim”.

Mt 16, 24 – “Em seguida, Jesus disse a seus discípulos: Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me”.

Lc 14, 27 –“E quem não carrega a sua cruz e me segue, não pode ser meu discípulo”.

Gl 2, 19 – “Na realidade, pela fé eu morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou pregado à cruz de Cristo”.

Gl 6, 12.14 – “Quanto a mim, não pretendo, jamais, gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo”.

1Cor 1,18: “A linguagem da Cruz… para aqueles que se salvam, para nós, é poder  de Deus”.

1Cor 1, 17: “… anunciar o  Evangelho, sem recorrer à sabedoria da linguagem, a fim de que não se torne inútil a Cruz de Cristo”.

Quando o imperador Constantino o Grande, enfrentou seu rival Maxêncio sobre a ponte Milvia, próximo do ano 300,  viu nos céus uma cruz luminosa acompanhada dos dizeres: “In hoc signo vinces!” (Por este sinal vencerás). Constantino, então, colocou a sua pessoa e o seu exército sob a proteção do sinal da cruz e venceu Maxêncio, tornando-se imperador supremo de Roma, proibindo em seguida a perseguição aos cristãos pelo Edito de Milão, em 313.

O símbolo resultante da sobreposição das letras gregas X e P, iniciais de Cristo em grego, lembrava Cristo e a Cruz e foi representado no estandarte de Constantino. No fim do século IV, tomou a forma que lembrava a Cruz.

Após a conversão de  Constantino († 337) a cruz deixou de ser usada para o suplício dos condenados e tornou-se  o símbolo da vitória de Cristo e o sinal dos cristãos, como mostra de muitas maneiras a arte, a Liturgia, a piedade particular e a literatura cristã. A cruz tornou-se, então, sinal da Paixão vitoriosa do Senhor. Conscientes deste seu valor, os cristãos ornamentavam a cruz com palmas e pedras preciosas.

Os Padres da Igreja como Tertuliano de Cartago e Hipólito de Roma, já nos séculos II e III, afirmavam que os cristãos se benziam com o sinal da Cruz. Os mártires tomavam a cruz antes de enfrentar a morte e os santos não se separavam da cruz. As Atas dos Mártires mostra isso.

No entanto, muito antes de Constantino, Tertuliano (†202) já escrevera: “Quando nos pomos a caminhar, quando saímos e entramos, quando nos vestimos, quando nos lavamos, quando iniciamos as refeições, quando nos vamos deitar, quando nos sentamos, nessas ocasiões e em todas  as nossas demais atividades, persignamo-nos a testa o sinal da Cruz” (De corona militis 3)*.

S. Hipólito de Roma († 235), descrevendo as práticas dos cristãos do século III, escreveu: “Marcai com respeito as vossas cabeças com o sinal da Cruz. Este sinal da Paixão opõe-se ao diabo e protege contra o diabo, se é feito com fé, não por ostentação, mas em virtude da convicção de que é um escudo protetor. É um sinal como outrora foi o Cordeiro verdadeiro; ao fazer o sinal da  Cruz na fronte e sobre os olhos, rechaçamos aquele que nos espreita para nos condenar” (Tradição dos Apóstolos 42)*.

No  Novo Testamento a Cruz é símbolo da virtude da penitência, domínio das paixões desregradas e do sofrer por amor de Cristo e da Igreja pelas salvação do mundo. Seria preciso apagar muitos versículos do Novo Testamento para dizer que a Cruz é um símbolo introduzido no século IV na vida dos cristãos. O sinal da Cruz é o sinal dos cristãos ou o sinal do Deus vivo, de que fala Ap 7, 2, fazendo eco a Ez 9,4: “Um anjo gritou em alta voz aos quatro Anjos que haviam sido encarregados de fazer mal à terra e ao mar: “Não danifiqueis a terra, o mar e as árvores, até que tenhamos marcado a fronte dos servos do nosso Deus”.

São Clemente de Alexandria, no século III, chamava a letra T (tau), símbolo da cruz, de “figura do sinal do Senhor” (Stromateis VI 11)*.

Por tudo isso, a vivência e a iconografia dos cristãos, desde o século I, deram à cruz sagrada um lugar especial entre as expressões da fé cristã. Daí podemos ver que é totalmente errônea a teoria de que a Cruz é um símbolo pagão introduzido por influência do paganismo na Igreja e destinado a ser eliminado do uso dos cristãos. Rejeitar a  Cruz de Cristo é o mesmo que rejeitar o símbolo da Redenção e da esperança dos cristãos.

* Este artigo foi baseado no de Dom Estevão Bettencourt, da revista “Pergunte e Responderemos”, Nº 351 – Ano 1991 – Pág. 364.

Prof. Felipe Aquino

4 de março de 2016 at 5:35 Deixe um comentário

«Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha» – Reflexão de São Pedro Crisólogo

Mosaico da Canção Nova

O filho regressa a casa do pai e exclama : «Pai, pequei contra o céu e contra ti, já não mereço ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus assalariados.» […] Mas o pai acorreu, e acorreu de longe. «Quando ainda éramos pecadores, Cristo morreu por nós» (Rom 5, 8). O Pai acorreu […] na pessoa do Filho, quando por Ele desceu do céu à terra. «O Pai que me enviou está Comigo», diz Ele no evangelho (Jo 16, 32). E lançou-se-lhe ao pescoço: lançou-Se a nós quando, por Cristo, toda a Sua divindade desceu do céu e Se instalou na nossa carne. E cobriu-o de beijos. Quando? Quando «se encontraram a compaixão e a verdade, se abraçaram a justiça e a paz» (Sl 84, 11).

Mandou trazer-lhe a melhor túnica, a túnica que Adão tinha perdido, a glória eterna da imortalidade. Pôs-lhe um anel no dedo: o anel da honra, o título de liberdade, o especial penhor do espírito, o sinal da fé, a caução das núpcias celestes. Ouve o que diz o apóstolo Paulo: «Desposei-vos com um único esposo, como virgem pura oferecida a Cristo» (2Cor 11, 2). E calçou-lhe umas sandálias: para termos os pés calçados quando anunciamos a boa nova do evangelho, a fim de que sejam «os pés daqueles que anunciam a boa nova da paz» (Is 52, 7; Rom 10, 15).

Por ele mandou matar o vitelo gordo. […] O vitelo foi morto por ordem do pai porque Cristo, o Filho de Deus, não podia ser morto contra a vontade do Pai. Ouve novamente o apóstolo Paulo: «Ele não poupou o Seu próprio Filho, mas O entregou por todos nós» (Rom 8, 32).

Fonte: Evangelho Quotidiano

 

3 de março de 2016 at 6:05 Deixe um comentário

Não ponhamos a confiança em nós mesmos, mas em Deus que ressuscita os mortos

Das Homilias de São Basílio Magno, bispo

Quem se gloria, gloria-se no Senhor

Não se glorie o sábio na sua sabedoria, não se glorie o forte na sua força, não se glorie o rico na sua riqueza. Mas onde está a verdadeira glória do homem? Onde está a sua grandeza? Quem se gloria – diz a Escritura – glorie-se nisto: em conhecer e compreender que Eu sou o Senhor.
A grandeza do homem, a sua glória e a sua dignidade consistem em conhecer onde está a verdadeira grandeza e segui-la de todo o coração, em buscar com ardor a glória que vem da glória do Senhor. […]

Portanto, quem se gloria no Senhor de modo perfeito e irrepreensível é aquele que não se exalta com a sua própria justiça, mas reconhece que não a tem e compreende que só na fé em Cristo está a sua justificação. Nisto precisamente se gloria Paulo: desprezando a sua própria justiça, busca apenas aquela que vem de Deus por meio de Jesus Cristo, ou seja, a justiça na fé, a fim de conhecer a Cristo, o poder da sua ressurreição e a participação nos seus sofrimentos, configurando-se a Ele na sua morte, na esperança de vir a alcançar a ressurreição dos mortos.

Assim cai por terra toda a altivez e soberba. O único motivo de glória que te resta, ó homem, e o único motivo de esperança, está em fazer morrer tudo o que é teu e buscar a vida futura em Cristo. Mas nós já possuímos as primícias desta vida e, portanto, ela já começou em nós, uma vez que vivemos inteiramente na graça e no dom de Deus. […]

Deus livra-nos dos perigos para além de toda a esperança humana. No nosso interior sentimos a sentença de morte – diz ainda o Apóstolo – para que não ponhamos a confiança em nós mesmos, mas em Deus que ressuscita os mortos. Foi Ele que nos libertou dessa morte iminente e temos a esperança de que Ele nos libertará também agora.

Fonte do texto: Vaticano

2 de março de 2016 at 5:33 Deixe um comentário

Quarto Domingo da Quaresma – A Parábola do Filho Pródigo – São Lucas 15, 1-3.11-32 -Dia 06 de março de 2016

1.Aproximavam-se de Jesus os publicanos e os pecadores para ouvi-lo.

2.Os fariseus e os escribas murmuravam: Este homem recebe e come com pessoas de má vida!

3.Então lhes propôs a seguinte parábola:

11.Disse também: Um homem tinha dois filhos.

12.O mais moço disse a seu pai: Meu pai, dá-me a parte da herança que me toca. O pai então repartiu entre eles os haveres.

13.Poucos dias depois, ajuntando tudo o que lhe pertencia, partiu o filho mais moço para um país muito distante, e lá dissipou a sua fortuna, vivendo dissolutamente.

14.Depois de ter esbanjado tudo, sobreveio àquela região uma grande fome e ele começou a passar penúria.

15.Foi pôr-se ao serviço de um dos habitantes daquela região, que o mandou para os seus campos guardar os porcos.

16.Desejava ele fartar-se das vagens que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava.

17.Entrou então em si e refletiu: Quantos empregados há na casa de meu pai que têm pão em abundância… e eu, aqui, estou a morrer de fome!

18.Levantar-me-ei e irei a meu pai, e dir-lhe-ei: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti;

19.já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados.

20.Levantou-se, pois, e foi ter com seu pai. Estava ainda longe, quando seu pai o viu e, movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.

21.O filho lhe disse, então: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho.

22.Mas o pai falou aos servos: Trazei-me depressa a melhor veste e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e calçado nos pés.

23.Trazei também um novilho gordo e matai-o; comamos e façamos uma festa.

24.Este meu filho estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado. E começaram a festa.

25.O filho mais velho estava no campo. Ao voltar e aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças.

26.Chamou um servo e perguntou-lhe o que havia.

27.Ele lhe explicou: Voltou teu irmão. E teu pai mandou matar um novilho gordo, porque o reencontrou são e salvo.

28.Encolerizou-se ele e não queria entrar, mas seu pai saiu e insistiu com ele.

29.Ele, então, respondeu ao pai: Há tantos anos que te sirvo, sem jamais transgredir ordem alguma tua, e nunca me deste um cabrito para festejar com os meus amigos.

30.E agora, que voltou este teu filho, que gastou os teus bens com as meretrizes, logo lhe mandaste matar um novilho gordo!

31.Explicou-lhe o pai: Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu.

32.Convinha, porém, fazermos festa, pois este teu irmão estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado.

“Com alegria nos reunimos para celebrar, na Eucaristia, o mistério pascal de Jesus. De braços abertos, Deus espera por nós e nos acolhe com amor e carinho. Reconciliados com nosso Pai, participemos do banquete por Ele oferecido, partilhando do seu perdão e da sua misericórdia no espírito do Ano Santo da Misericórdia instituído pelo papa Francisco”. (Liturgia Diária)

O Papa Emérito Bento XVI resumiu assim o Evangelho desse domingo: “Na parábola, os dois filhos comportam-se de modo oposto: o menor vai embora de casa e cai muito em baixo, enquanto o maior permanece em casa, mas também ele tem um relacionamento imaturo com o Pai; de fato, quando o irmão volta, o maior não é feliz como o pai, ao contrário irrita-se e não quer entrar em casa. Os dois filhos representam dois modos imaturos de se relacionar com Deus: a rebelião e a hipocrisia. Estas duas formas superam-se através da experiência da misericórdia”. (14 de Março de 2010)

Meu pai, pequei contra o céu e contra ti

O Papa Emérito Bento XVI disse que “o filho pródigo é um jovem que, tendo obtido a herança do pai, «partiu para uma terra longínqua e por lá esbanjou tudo quanto possuía, numa vida desregrada» (Lc 15, 13). Reduzido à miséria, foi obrigado a trabalhar como um escravo, aceitando até saciar-se com a comida destinada aos animais. Então — diz o Evangelho — «caiu em si» (Lc 15, 17). «As palavras que ele prepara para o regresso permitem-nos conhecer o alcance da peregrinação interior que agora realiza… regressa “à casa”, a si mesmo e ao pai» (12\09\10).

“O homem não encontrará de novo a amizade com Deus enquanto não brotarem dos seus lábios e do seu coração as palavras: «Pai, pequei». O seu esforço, então, torna-se eficaz pelo encontro de salvação que se verifica graças à morte e ressurreição de Cristo. É no mistério pascal, coração da Igreja, que o penitente recebe como dom o perdão das culpas e a alegria do renascimento para a vida imortal”. (São João Paulo II – 17 de Fevereiro de 1999)

Santo Agostinho escreve: «É o próprio Verbo que te grita para voltar; o lugar da calma imperturbável é onde o amor não conhece abandono”.

O filho mais velho

O Papa Emérito Bento XVI disse: “Notamos que quando aparece o filho mais velho indignado pelo acolhimento festivo reservado ao irmão, é sempre o pai que lhe vai ao encontro e sai para o suplicar: «Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu» (Lc 15, 31). Só a fé pode transformar o egoísmo em alegria e reatar justas relações com o próximo e com Deus. «Tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos — disse o pai — porque este teu irmão… estava perdido e foi encontrado» (Lc 15, 32)”.

Deus não se cansa de perdoar

O Papa Francisco disse que “Se você quer conhecer a ternura desse Pai, vá até Ele e tente! E depois me conte!Deus é o Deus da misericórdia: Ele não se cansa de perdoar. Somos nós que nos cansamos de pedir perdão, mas Ele não se cansa de perdoar. Setenta vezes sete”. (28 março 2014)

O Catecismo (§1422) ensina: «Aqueles que se aproximam do sacramento da Penitência obtêm da misericórdia de Deus o perdão da ofensa a Ele feita e, ao mesmo tempo, são reconciliados com a Igreja, que tinham ferido com o seu pecado, a qual, pela caridade, exemplo e oração, trabalha pela sua conversão».

O Papa Emérito Bento XVI disse também:”Só experimentando o perdão, só reconhecendo-nos amados por um amor gratuito, maior do que a nossa miséria, mas também maior do que a nossa justiça, entramos finalmente num relacionamento deveras filial e livre com Deus”. (14 de Março de 2010)

Conclusão

“Regressarei à casa de meu Pai, como o Filho Pródigo (Lc 15,18), e serei acolhido. Tal qual ele fez, assim farei eu: corresponderá o Pai aos meus desejos? Pois estou como morto pelo pecado, como de uma doença. Resgata-me desta ruína, e possa eu louvar o Teu nome! Senhor da terra e do céu, peço-Te: ajuda-me e mostra-me o caminho para chegar a Ti! Leva-me à Tua presença, Filho do Magnânimo, e atinge assim o cume da Tua misericórdia! Irei a Ti e saciar-me-ei com a Tua alegria. Nesta hora de profundo cansaço mói para mim o fermento da vida!” (São Tiago de Sarug)

Oração

Pai de amor e de misericórdia, por Jesus Cristo, quero sempre voltar aos Vossos braços para Vos pedir perdão todas as vezes que eu transgredir a Vossa Lei.  Sei que me acolherás e perdoarás meus pecados, porque Vos sois fiel e bom! Ajuda-nos Virgem Maria, Mâe da misericórdia!

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

29 de fevereiro de 2016 at 5:39 Deixe um comentário

Reflexão

Guilherme de Saint-Thierry (c. 1085-1148), monge beneditino, depois cisterciense
Orações meditativas, nº 5

«E se não vos arrependerdes, morrereis»

Pobre de mim, a consciência acusa-me sem cessar, e a verdade não pode desculpar-me dizendo: ele não sabia o que fazia. Perdoa, pois, Senhor, pelo preço do teu precioso sangue, todos os pecados em que caí, consciente ou inconscientemente. […] Sim, Senhor, pequei verdadeiramente, pequei por minha vontade, e pequei muito. Depois de ter tido conhecimento da verdade, ofendi o Espírito de graça; e contudo, aquando do meu baptismo, o Espírito tinha-me concedido de forma gratuita a remissão dos pecados. Mas eu, depois de ter tido conhecimento da verdade, voltei aos meus pecados, «como o cão volta ao seu vómito» (2Ped 2,22).

Ó Filho de Deus, pisei-Te aos pés, negando-Te? Mas não posso dizer que, ao negar-Te, Pedro Te tenha pisado aos pés, ele que Te amava tão ardentemente, embora Te tenha negado uma primeira vez, uma segunda e uma terceira vez. […] Também a mim Satanás me reclamou por vezes a fé, para me joeirar como o trigo; mas a tua oração desceu sobre mim, de maneira que a minha fé nunca desfaleceu (Lc 22,31-32), nunca Te abandonou. […] Bem sabes que sempre quis aderir à fé em Ti; protege-me, pois, nesta vontade, até ao fim.

Sempre acreditei em Ti […], sempre Te amei, mesmo quando pequei contra Ti. Lamento profundamente os meus pecados. Do amor, porém, lamento apenas não ter amado tanto como devia.

Fonte: Evangelho Quotidiano

27 de fevereiro de 2016 at 5:18 Deixe um comentário

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