Posts filed under ‘Reflexão da Palavra’

Trecho da Carta Apostólica de São João Paulo II:

Recitar o Rosário nada mais é senão contemplar com Maria o rosto de Cristo. […] O Rosário, precisamente a partir da experiência de Maria, é uma oração marcadamente contemplativa. Privado desta dimensão, perderia sentido, como sublinhava Paulo VI: « Sem contemplação, o Rosário é um corpo sem alma e a sua recitação corre o perigo de tornar-se uma repetição mecânica de fórmulas e de vir a achar-se em contradição com a advertência de Jesus: “Na oração não sejais palavrosos como os gentios, que imaginam que hão-de ser ouvidos graças à sua verbosidade” (Mt 6, 7). Por sua natureza, a recitação do Rosário requer um ritmo tranquilo e uma certa demora a pensar, que favoreçam, naquele que ora, a meditação dos mistérios da vida do Senhor, vistos através do Coração d’Aquela que mais de perto esteve em contacto com o mesmo Senhor, e que abram o acesso às suas insondáveis riquezas ». […]

Cristo é o Mestre por excelência, o revelador e a revelação. Não se trata somente de aprender as coisas que Ele ensinou, mas de “aprender a Ele”. Porém, nisto, qual mestra mais experimentada do que Maria? Se do lado de Deus é o Espírito, o Mestre interior, que nos conduz à verdade plena de Cristo (cf. Jo 14, 26; 15, 26;16, 13), de entre os seres humanos, ninguém melhor do que Ela conhece Cristo, ninguém como a Mãe pode introduzir-nos no profundo conhecimento do seu mistério.

O primeiro dos “sinais” realizado por Jesus –a transformação da água em vinho nas bodas de Caná – mostra-nos precisamente Maria no papel de mestra, quando exorta os servos a cumprirem as disposições de Cristo (cf. Jo 2, 5). E podemos imaginar que Ela tenha desempenhado a mesma função com os discípulos depois da Ascensão de Jesus, quando ficou com eles à espera do Espírito Santo e os animou na primeira missão. Percorrer com Ela as cenas do Rosário é como frequentar a “escola” de Maria para ler Cristo, penetrar nos seus segredos, compreender a sua mensagem. […]

Ela convida-nos, como na sua Anunciação, a colocar humildemente as perguntas que abrem à luz, para concluir sempre com a obediência da fé: « Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra » (Lc 1, 38). […]

Se Jesus, único Mediador, é o Caminho da nossa oração, Maria, pura transparência d’Ele, mostra o Caminho, e “é a partir desta singular cooperação de Maria com a acção do Espírito Santo que as Igrejas cultivaram a oração à santa Mãe de Deus, centrando-a na pessoa de Cristo manifestada nos seus mistérios”.

9 de outubro de 2014 at 9:12 Deixe um comentário

Nossa Senhora Aparecida – Eles não têm mais vinho – São João 2, 1-11 – 12 de Outubro

1. Três dias depois, celebravam-se bodas em Caná da Galiléia, e achava-se ali a mãe de Jesus.

2. Também foram convidados Jesus e os seus discípulos.

3. Como viesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: Eles já não têm vinho.

4. Respondeu-lhe Jesus: Mulher, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou.

5. Disse, então, sua mãe aos serventes: Fazei o que ele vos disser.

6. Ora, achavam-se ali seis talhas de pedra para as purificações dos judeus, que continham cada qual duas ou três medidas.

7. Jesus ordena-lhes: Enchei as talhas de água. Eles encheram-nas até em cima.

8. Tirai agora , disse-lhes Jesus, e levai ao chefe dos serventes. E levaram.

9. Logo que o chefe dos serventes provou da água tornada vinho, não sabendo de onde era (se bem que o soubessem os serventes, pois tinham tirado a água), chamou o noivo

10. e disse-lhe: É costume servir primeiro o vinho bom e, depois, quando os convidados já estão quase embriagados, servir o menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora.

11. Este foi o primeiro milagre de Jesus; realizou-o em Caná da Galiléia. Manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele.

O Papa Emérito Bento XVI resume assim o Evangelho desse domingo: “As Bodas de Caná constituem de fato «o início dos sinais» (Jo 2, 11), ou seja, o primeiro milagre realizado por Jesus, com o qual Ele manifestou em público a sua glória, suscitando a fé dos seus discípulos. Recordemos brevemente o que aconteceu durante aquela festa de núpcias em Caná da Galileia. Aconteceu que faltou o vinho e Maria, Mãe de Jesus, fê-lo presente ao seu Filho. Ele respondeu-lhe que ainda não tinha chegado a sua hora; mas depois ouviu a solicitação de Maria e, tendo mandado encher de água seis ânforas grandes, transformou a água em vinho, num vinho excelente, melhor que o anterior”.

“As Bodas de Caná é uma passagem para ser lida todos os dias. O olhar atento de Maria muda tudo. Seu olhar compreende que chegou a hora de seu filho. Ela tinha a certeza de que Ele poderia fazer alguma coisa. E nós também temos esta certeza, principalmente quando nos prostramos para suplicar. Ele tudo pode, tudo realiza. Somos convidados a ter um olhar mais diferenciado, sem mancha, sem malícia, sem exclusão. Um olhar que acolhe, que transforma. Quantas bodas de Caná podemos realizar? Basta dizer sim a Deus”. (Padre Air José de Mendonça)

Fazei o que ele vos disser

São João Paulo II ensinou: “No nosso espírito ressoam as palavras que Maria dirigiu aos servidores, durante as bodas de Caná: “Fazei aquilo que Ele vos disser!” (Jo 2, 5), palavras que nos encorajam a confiar em Cristo. É precisamente para Ele que nos orienta a Virgem Santa, Nossa Senhora da Confiança”.

O Papa Francisco disse assim: “Viemos bater à porta da casa de Maria. Ela abriu-nos, fez-nos entrar e nos aponta o seu filho. Agora ela nos pede: «Fazei o que ele vos disser» (Jo 2,5). Sim, Mãe nossa, nos comprometemos a fazer o que Jesus nos disser! E o faremos com esperança, confiantes nas surpresas de Deus e cheios de alegria. Assim seja”. (Julho de 2013)

O Papa Pio XII explicou: “Parece-nos que a santíssima Virgem, a qual em todo o curso de sua vida, nunca se afastou em nada dos preceitos e dos exemplos de seu divino Filho – quer nas alegrias de que foi suavemente inundada, quer nas tribulações e nas dores mais atrozes que a constituíram rainha dos mártires -, parece-nos, repetimos, que a todos e a cada um de nós diga aquelas palavras que proferiu nas bodas de Caná, apontando Jesus Cristo aos servos do banquete; “Fazei tudo o que ele vos disser” (Jo 2,5).

O Sacramento do Matrimônio

São João Paulo II explicou que “antes mesmo de confirmar, com suas palavras, a indissolubilidade do matrimônio, como instituição divina “desde o início”, Jesus confirma com sua presença em Caná, a importância deste sacramento, inclusive, com o primeiro milagre (ou sinal), que realiza pelo bem dos donos da festa, e após o pedido de sua Mãe (Jo 2, 1-11)”. (Outubro de 1991)

A Palavra diz: “Por isso o homem deixa o seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher; e já não são mais que uma só carne”. (Gn 2, 24)

O Catecismo (§1613) ensina: “No umbral da sua vida pública, Jesus realiza o seu primeiro sinal –a pedido da sua Mãe – por ocasião duma festa de casamento. A Igreja atribui uma grande importância à presença de Jesus nas bodas de Caná. Ela vê nesse fato a confirmação da bondade do matrimônio e o anúncio de que, doravante, o matrimônio seria um sinal eficaz da presença de Cristo”.

A Intercessão de Nossa Senhora

São João Paulo II orou: “Que Nossa Senhora esteja ao lado delas (das famílias), como estava junto dos dois esposos de Caná, e vele para que nunca venha a faltar nos seus corações o vinho generoso do amor. O amor pode, de fato, realizar o prodígio de fazer desabrochar sobre o pedúnculo espinhoso do sofrimento a rosa fragrante da alegria”.

Cardeal Alfonso Lopes Trujillo disse assim: “Nossa Senhora está sempre atenta e pronta a ajudar aqueles que se encontram em dificuldade. Assim fez nas bodas de Caná: “Eles não têm vinho”. Hoje a muitas pessoas falta tudo, estão em extrema pobreza; como existem também muitas comunidades cristãs pobres, que precisam de ajuda para desenvolver o mais precioso serviço, o da evangelização, ou da Nova Evangelização”.

Nossa Senhora Aparecida – Padroeira do Brasil

“Ó Mãe da nossa Pátria, escuta a nossa voz: Teus olhos compassivos se voltam para nós. Do teu amor materno já temos a certeza, porque te trouxe a nós do rio a correnteza. E todo o povo acorre, de joelhos te venera: Sob o teu manto azul ninguém se desespera. Tu és nosso socorro em nossas aflições; guarda junto do teu os nossos corações. Ó Virgem sempre bela, ó luz do céu descida, sempre a guiar teus filhos, Senhora Aparecida. Louvor e honra ao Filho que pela Virgem vem; no Espírito és o brilho do Pai Eterno. Amém”. (Liturgia das Horas)

São João Paulo II disse: “Viva a Mãe de Deus e nossa, sem pecado concebida! Viva a Virgem Imaculada, a Senhora Aparecida!” Desde que pus os pés em terra brasileira, nos vários pontos por onde passei, ouvi este cântico. Ele é, na ingenuidade e singeleza de suas palavras, um grito da alma, uma saudação, uma invocação cheia de filial devoção e confiança para com aquela que, sendo verdadeira Mãe de Deus, nos foi dada por seu Filho Jesus no momento extremo da sua vida para ser nossa mãe”. (Viagem ao Brasil em 1980)

Conclusão

O Papa Emérito Bento XVI disse assim: “Com este «sinal», Jesus revela-se como o Esposo messiânico, que veio estabelecer com o seu povo a nova e eterna Aliança, segundo as palavras dos profetas: «Assim como a esposa faz a felicidade do seu marido, assim tu serás a alegria do teu Deus» (Is 62, 5). E o vinho é símbolo desta alegria de amor; mas ele faz alusão também ao sangue, que Jesus derramará no fim, para selar o seu pacto nupcial com a humanidade”.

Oração 1:

Oração de consagração do Papa Francisco a Nossa Senhora Aparecida:

“Ó Maria Santíssima, pelos méritos de Nosso Senhor Jesus Cristo, em vossa querida imagem de Aparecida, espalhais inúmeros benefícios sobre todo o Brasil. Eu, embora indigno de pertencer ao número de vossos filhos e filhas, mas cheio do desejo de participar dos benefícios de vossa misericórdia, prostrado a vossos pés, consagro-vos o meu entendimento, para que sempre pense no amor que mereceis; consagro-vos a minha língua para que sempre vos louve e propague a vossa devoção; consagro-vos o meu coração, para que, depois de Deus, vos ame sobre todas as coisas. Recebei-me, ó Rainha incomparável, vós que o Cristo crucificado nos deu por Mãe, no ditoso número de vossos filhos e filhas; acolhei-me debaixo de vossa proteção; socorrei-me em todas as minhas necessidades, espirituais e temporais, sobretudo na hora de minha morte. Abençoai-me, ó celestial cooperadora, e com vossa poderosa intercessão, fortalecei-me em minha fraqueza, a fim de que, servindo-vos fielmente nesta vida, possa louvar-vos, amar-vos e dar-vos graças no céu, por toda eternidade. Assim seja!

Oração 2:

Senhor Jesus, pela intercessão de Nossa Senhora, dá-nos o vinho da alegria, do amor, da paciência, do perdão, da reconciliação em nossas famílias. Dá-nos Jesus, a vontade de sempre despojar-nos da vida velha e buscar uma vida nova em Ti. Senhor Jesus, restaura as nossas famílias. Nossa Senhora Aparecida, rogai por nós!

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

 

6 de outubro de 2014 at 13:57 Deixe um comentário

Reflexão para o XXVII Domingo do Tempo Comum

2014-10-04 Rádio Vaticana

   Cidade do Vaticano – (RV) – Quando fazemos corretamente nossa obrigação, esperamos resultados positivos. Usamos nossa inteligência, nossos recursos e empregamos o melhor e da melhor forma.
Aí sentamos e esperamos os resultados que, de acordo com nossa idéia, tem de dar certo. Fizemos o que devíamos e o fizemos da melhor forma. É esperar para usufruir do trabalho realizado. Mas para nossa surpresa o resultado não é o esperado, pelo contrário, é de péssima qualidade. O que fazer?A primeira leitura da liturgia deste domingo nos conta algo parecido. O proprietário de uma vinha faz tudo o que pode e o resultado é negativo. No caso, ele fica revoltado e destrói a vinha. O Profeta Isaías, autor desse texto, diz que Deus é o agricultor e nós somos a vinha. Deus colocou em nós e em nosso redor o melhor e nos mandou produzir bons frutos, mas na hora da colheita encontrou injustiça e opressão no lugar de obras de bondade e de solidariedade.
No Evangelho encontramos Jesus contando a parábola dos vinhateiros. O Senhor se encontra no Templo de Jerusalém, no meio dos doutores da Lei e lhes conta a parábola onde um proprietário plantou uma vinha, cercou-a e também construiu um lagar para produzir o vinho excelente que ele esperava obter. Arrendou a propriedade e viajou para o estrangeiro. Na época da colheita enviou seus empregados para receber seus frutos, contudo, os arrendatários maltrataram e feriram gravemente os enviados. Por fim, ele enviou seu filho com a esperança de que ele fosse respeitado, mas tal não aconteceu. O herdeiro foi morto. E o Senhor termina o relato perguntando o que o proprietário fará quando retornar. Os doutores da Lei responderam que o proprietário mandará matar, de modo violento, os assassinos, e entregará a vinha a outros arrendatários.
Jesus concluiu dizendo que o Pai irá entregar o Reino a um povo que produza frutos e não mais aos judeus, aqueles com quem foi realizada a primeira aliança, mas que crucificaram o herdeiro.
Quais são esses frutos que deverão ser produzidos? Como vimos na primeira leitura, os frutos são justiça e bondade. Sem eles não se pode entrar no Reino de Deus.
O Pai, como bom agricultor, dedicou-se de modo excelente à sua vinha. Deu-lhe condições para produzir frutos de justiça e de direito. Mas a realidade encontrada foi outra. Também em nossa realidade, olhemos para nosso mundo, nossa cultura, nossa ciência, nosso progresso, nosso século.
Temos tudo para uma vida plena de justiça, sem fome, pobreza, sem guerras e destruições, mas não é assim nossa realidade. Já tivemos duas grandes guerras com mortes e destruições. Nossa sociedade, apesar de ter inúmeros restaurantes e colocar sobras de comida no lixo, tem uma imensa porcentagem de pessoas que passam fome, que é desnutrida; fazemos transplantes de órgãos de um modo impressionante, mas também é impressionante o número gigantesco de pessoas pobres que morrem por causa de um simples vírus; temos uma elite privilegiada que usufrui de todas as benesses de uma cultura ocidental, mas, ao mesmo tempo, temos um número ingente de pessoas que morrem por falta de atendimento médico, por desconhecerem cuidados elementares de higiene. Temos recursos econômicos, mas desaparecidos nas mãos dos administradores corruptos.
O Senhor nos deu um belo mundo com recursos imensos e variados, além disso nos deu inteligência, capacidade de discernimento e sabedoria e tudo que é necessário para sermos seus colaboradores na criação de um mundo belo e feliz. O Senhor enviou seu Filho nas pessoas dos pobres, dos carentes, das crianças, dos idosos; e qual foi nossa resposta? Qual a resposta que demos?
“Pecador, ainda é tempo!”, assim fala um antigo canto penitencial. Ainda é tempo de mudança, tempo de conversão, tempo de entregar a Deus os frutos por Ele desejados. Deixemos nosso coração falar mais alto e construamos um mundo de justiça e fraternidade: Minhas capacidades para Deus, para um mundo mais justo e mais irmão!CAS

4 de outubro de 2014 at 7:07 Deixe um comentário

Milagre Eucarístico de Turim

“Em 1453, o interesse pelo ducado de Milão, na Itália, era grande. Duas tropas entraram em batalha: a de Renato d’Anjou e das milícias de Ludovico de Savóia. Depois do confronto, um dos milicianos entrou na Igreja do povoado e, forçando o tabernáculo, roubou o ostensório com a hóstia consagrada e o guardou junto com outros pertences em uma bolsa.

Segundo os relatos, ele foi a Turim, mas, mal chegou à cidade, o jumento empacou numa praça e, por causa disso, os pertences roubados que estavam na bolsa caíram por terra. Com a queda, o ostensório saiu da bolsa junto com os outros pertences, mas pairou no ar.

A população, assustada, chamou o bispo, Dom Ludovico, que, invocando as palavras dos discípulos de Emaús, “Fica conosco, Senhor”, atestou outro milagre: o ostensório caiu, quebrou-se, e dele saiu a hóstia consagrada que, depois de reluzir sob a forte luz do sol e diante de todos, desceu sobre o cálice que o bispo trazia consigo. No local onde ocorreu o milagre foi construída uma capela, que depois foi substituída pela Igreja Corpo de Cristo, elevada a Basílica Menor.

As surpresas de Deus em nossa vida são constantes. Ele não se importa de nos desinstalar; provoca-nos a cada instante, revela-se das maneiras mais variadas. Os milagres eucarísticos são para a Igreja uma manifestação do amor de Deus por cada um de nós. Eles não devem ser usados para dizer que Deus precisa nos lembrar a cada momento que somos dele. Todo milagre, toda graça é sinal de carinho, de ternura e de proximidade de Deus para conosco. Ele se mostra e se revela, não nos quer escondidos e presos em nosso mundo irreal. Cada intervenção de Deus, como o milagre de Turim, deveria nos tornar mais dóceis à realidade do outro. A Eucaristia é a oportunidade de refletir sobre aquele que deu a sua vida por nós e observar atentamente se cumprimos o dever de ser, na comunidade, a expressão do amor de Jesus Eucarístico por todos nós”.

Padre Air José de Mendonça, da Revista “Brasil Cristão”.

2 de outubro de 2014 at 7:48 Deixe um comentário

Vigésimo Sétimo Domingo do Tempo Comum – Parábola dos Vinhateiros – São Mateus 21, 33-43 – 05 de Outubro

33. Ouvi outra parábola: havia um pai de família que plantou uma vinha. Cercou-a com uma sebe, cavou um lagar e edificou uma torre. E, tendo-a arrendado a lavradores, deixou o país.

34. Vindo o tempo da colheita, enviou seus servos aos lavradores para recolher o produto de sua vinha.

35. Mas os lavradores agarraram os servos, feriram um, mataram outro e apedrejaram o terceiro.

36. Enviou outros servos em maior número que os primeiros, e fizeram-lhes o mesmo.

37. Enfim, enviou seu próprio filho, dizendo: Hão de respeitar meu filho.

38. Os lavradores, porém, vendo o filho, disseram uns aos outros: Eis o herdeiro! Matemo-lo e teremos a sua herança!

39. Lançaram-lhe as mãos, conduziram-no para fora da vinha e o assassinaram.

40. Pois bem: quando voltar o senhor da vinha, que fará ele àqueles lavradores?

41. Responderam-lhe: Mandará matar sem piedade aqueles miseráveis e arrendará sua vinha a outros lavradores que lhe pagarão o produto em seu tempo.

42. Jesus acrescentou: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a pedra angular; isto é obra do Senhor, e é admirável aos nossos olhos (Sl 117,22)?

43. Por isso vos digo: ser-vos-á tirado o Reino de Deus, e será dado a um povo que produzirá os frutos dele.

“Vinha amada do Senhor, a Igreja se reúne para orar, suplicar e fazer sua ação de graças ao Deus da paz. A páscoa de Jesus se realiza nas comunidades abertas à palavra da vida e dispostas a produzir muitos e bons frutos. Neste mês das missões, com o tema: “missão para libertar”, somos convidados a aprofundar a reflexão da Campanha da Fraternidade sobre a realidade cruel do tráfico humano”. (Liturgia Diária)

A Parábola

Papa Emérito Bento XVI resumiu assim: Jesus dá “ênfase não tanto à sua vinha, como sobretudo aos vinhateiros, aos quais os “servos” do dono pedem, em seu nome, o valor da renda. Porém, os servos são maltratados e até mortos. Como não pensar nas vicissitudes do povo eleito e na sorte reservada aos profetas enviados por Deus? No final, o proprietário da vinha faz a última tentativa: envia o seu próprio filho, convencido de que pelo menos a ele dariam ouvidos. No entanto, acontece o contrário: os vinhateiros matam-no precisamente porque é o filho, ou seja, o herdeiro, persuadidos de poder deste modo tomar posse da vinha facilmente”.

“Todos somos trabalhadores do reino de Deus e também responsáveis pelo seu crescimento”. (Liturgia Diária)

Enfim, enviou seu próprio Filho

São João Paulo II ensinou: “De sua parte, o Pai manifesta esta relação singular que o Filho mantém com Ele, chamando-O seu «predileto»: assim no batismo no Jordão (Mc 1, 11) e na Transfiguração (Mc 9, 7). Jesus reflete-se também como filho de modo especial na parábola dos maus vinhateiros, que maltratam em primeiro lugar os dois servos e, depois, o «filho predileto» do senhor, enviados para recolher os frutos da vinha (Mc 12, 1-11, especialmente v. 6)”.

São Máximo de Turim disse: “Porque é que, esperando Eu que desse boas uvas, apenas produziu agraços? (Is 5,4). Terra ingrata! Ela, que deveria oferecer a seu Dono frutos de doçura, trespassou-O com agudos espinhos. De igual forma os Seus inimigos, que deveriam ter acolhido o Salvador com toda a devoção da sua fé, coroaram-n’O com os espinhos da Paixão”.

São Boaventura também disse: “Então, avançaram: não só Lhe prenderam as mãos e pés (Sl 21,17), como Lhe perfuraram o lado com uma lança (Jo 19,34), pondo a descoberto o interior desse coração santíssimo, que já tinha sido ferido pela lança do amor”.

“Jesus acrescentou: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a pedra angular; isto é obra do Senhor, e é admirável aos nossos olhos (Sl 117,22)?”

O Papa Emérito Bento XVI explicou que Jesus “é «a pedra que os construtores rejeitaram» (Mt 21, 42), porque o julgaram inimigo da lei e perigoso para a ordem pública; mas Ele mesmo, rejeitado e crucificado, ressuscitou, tornou-se a «pedra angular» sobre a qual se podem apoiar com segurança absoluta as bases de qualquer existência humana e do mundo inteiro”.

A Palavra diz: “Ele é a pedra que vós, os construtores, desprezastes e que se transformou em pedra angular. E não há salvação em nenhum outro, pois não há debaixo do céu qualquer outro nome dado aos homens que nos possa salvar”. (At 4, 11-12)

São João Paulo II disse assim: “Para exprimir a dura provação que superou e a glorificação que dela derivou, ele compara-se a si mesmo a uma “pedra rejeitada pelos construtores” que depois “se tornou pedra angular” (v. 22). Cristo assumirá precisamente esta imagem e este versículo, no final da parábola dos vinhateiros homicidas, para anunciar a sua Paixão e a sua glorificação (Mt 21, 42)”.

A Palavra diz: “Graças vos dou porque me ouvistes, e vos fizestes meu Salvador. A pedra rejeitada pelos arquitetos tornou-se a pedra angular. Isto foi obra do Senhor, é um prodígio aos nossos olhos”. (Sl 117, 21-23)

“Por isso vos digo: ser-vos-á tirado o Reino de Deus, e será dado a um povo que produzirá os frutos dele”.

O Papa Emérito Bento XVI disse: “O Evangelho deste domingo termina com uma admoestação de Jesus, particularmente severa, dirigida aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: «O reino de Deus ser-vos-á tirado e será confiado a um povo que produzirá os seus frutos» (Mt 21, 43). São palavras que fazem pensar na grande responsabilidade de quem, em todas as épocas, é chamado a trabalhar na vinha do Senhor, especialmente com uma função de autoridade, e estimulam a renovar a fidelidade total a Cristo”.

Monsenhor Jonas Abib disse: “Se o povo eleito acabou rejeitando Jesus e, por isso, perdeu o Reino do Céu, mais ainda nós, que somos a segunda opção, precisamos ficar atentos para não perdemos esse Reino…Os sacerdotes e escribas, os grandes conhecedores da Palavra, tiveram inveja da sabedoria de Jesus; deixaram que a natureza humana com seu amor-próprio prevalecesse. Não resistiram à força do homem velho”.

Padre Pacheco explicou: “Na sua reflexão pascal a comunidade cristã primitiva entendeu a parábola como uma advertência de Cristo também para si própria. Trata-se de um convite do Senhor a dar fruto segundo Deus, uma vez que se nos confiou a vinha, o Reino, para um serviço fiel e fecundo. A fé, o culto e a oração devem plasmar-se em frutos para não frustrar as esperanças que o Senhor pôs em nós nesta hora do mundo, um tempo de vindima e colheita de Deus”.

São Máximo de Turim disse assim: “Velai portanto para que a vossa vinha não dê espinhos em vez de uvas; para que a vossa vindima não produza vinagre em vez de vinho. Todo aquele que faz vindima sem dela dar aos pobres recolhe vinagre e não vinho; e aquele que enceleira as suas colheitas de trigo sem delas distribuir aos indigentes, não é o fruto da esmola que põe de reserva, mas os cardos da avareza”.

Outubro- Mês Missionário

“Iniciando outubro, somos convidados a refletir sobre a ação da Igreja. Ela é por essência missionária. Neste domingo temos bela e nobre missão: a escolha dos nossos governantes para os próximos quatro anos. Nesta escolha, pensemos principalmente no bem do povo brasileiro”. (Liturgia Diária)

Conclusão

“Ó Deus, Senhor da vinha e da messe, nós vos louvamos porque vosso amor nos escolheu como vosso povo, a vinha de que cuidais com carinho para que produza muitos e gostosos frutos. Fazei que na vinha da vossa Igreja possamos oferecer-vos não a uva azeda do nosso egoísmo, mas os frutos maduros e deliciosos da humildade, fraternidade e solidariedade. Ajudai-nos a trabalhar com alegria no serviço do vosso reino. Por Cristo, nosso Senhor”. (Liturgia Diária)

Oração

Oração da Campanha Missionária: “Pai de bondade, nós te agradecemos pelo teu Filho, Jesus, enviado para dar vida plena a toda criatura. Dá-nos teu Espírito para que, libertos do egoísmo e do medo, lutemos com coragem contra toda forma de escravidão. Como Igreja missionária, renovamos o nosso compromisso de anunciar o evangelho em toda parte. E, com a intercessão de Maria, alcançar a libertação prometida”.

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

30 de setembro de 2014 at 11:10 Deixe um comentário

Reflexão para o XXVI Domingo do Tempo Comum

2014-09-28 Rádio Vaticana

 
Cidade do Vaticano – (RV) – A vida, por vezes, nos coloca em situações difíceis e dolorosas. Temos, então, o hábito de culpar alguém e, nessa busca de encontrar um culpado, chegamos a Deus, já que nos sentimos imunes de qualquer culpa.
Mas o que diz a Sagrada Escritura a respeito disso?
No Livro de Ezequiel, primeira leitura da liturgia deste domingo, fala da responsabilidade individual nas vicissitudes da vida. Os membros do povo eleito estavam acostumados a jogar a culpa no grupo ou nos antepassados e se sentirem individualmente injustiçados por pagarem a culpa da coletividade. Até dizem: “A conduta do Senhor não é correta”. O Profeta Ezequiel vai em defesa do Senhor dizendo que o Senhor não quer a morte do pecador, pois Ele é vida e, muito pelo contrário, o Senhor oferece a seu povo a oportunidade de um recomeço. Deus sempre está disposto a ajudar aqueles que, se convertendo, reconstroem a própria vida. “Quando um ímpio se arrepende da maldade que praticou e observa o direito e a justiça, conserva a própria vida; não morrerá,” nos fala a leitura.
No Evangelho, vemos nos dois filhos ali retratados, as pessoas que acolhem a Palavra de Deus, mas nada fazem depois, e aqueles que a rejeitam inicialmente, mas que depois vão e fazem tudo de acordo com o coração do Senhor.De que grupo fazemos parte?
Fomos batizados, ou seja, através de nossa própria língua ou da de nossos padrinhos, professamos a fé em Deus e prometemos obedecer seus mandamentos de amor. É isso que vivemos no nosso dia a dia? Até onde nosso egocentrismo foi batizado? Amar é sair de si, a partir de onde o egoísmo começa a mostrar suas raízes e seus brotos.Como vemos, em nós existe o filho mais novo, que não era de natureza acolhedora aos desejos do Pai, mas que se converteu e passou a caminhar unido ao seu coração. Contudo, como ainda estamos nesta vida e somos a toda hora bombardeados por apelos contrários à nossa opção fundamental e vemos que muitas vezes caímos, observamos que em nós subsiste o filho mais velho, que disse sim ao Pai, mas que depois faz o que o desagrada.
Concluímos vendo que a atitude de permanente conversão, de estado contínuo de exame de consciência e disposição para se levantar, deve estar presente em toda nossa vida.
Somos responsáveis por nossos atos, mesmo que tenhamos consciência de que somos frutos da família e da sociedade, enfim, de nosso mundo. Temos a capacidade de romper com o passado e caminhar em direção a Deus e aos irmãos. Se nos sentimos fracos, a graça de Deus nos fortalece. O humilde, aquele que não conta com seus dons, mas reconhece seus pecados e sua debilidade, esse triunfará porque abre, em sua vida, espaço para Deus, e Deus é vida, Deus é amor.
Pe. Cesar Augusto dos Santos, S.J.

28 de setembro de 2014 at 9:07 Deixe um comentário

Reflexão de São Vicente de Paulo – 27 de Setembro

Dos Escritos de São Vicente de Paulo, presbítero: “O serviço dos pobres deve ser preferido acima de tudo”

A nossa atitude para com os pobres não se deve regular pela sua aparência externa nem sequer pelas suas qualidades interiores. Devemos considerá-los, antes de mais, à luz da fé. O Filho de Deus quis ser pobre e ser representado pelos pobres. Na sua paixão, quase perdeu o aspecto de homem; apareceu como um louco para os gentios e um escândalo para os judeus. Todavia, apresentou-Se a estes como evangelizador dos pobres: Enviou-Me para evangelizar os pobres. Também nós devemos ter os mesmos sentimentos de Cristo e imitar o que Ele fez: cuidar dos pobres, consolá-los, socorrê-los e recomendá-los.

Cristo quis nascer pobre, chamar para sua companhia discípulos pobres, servir os pobres e identificar-se com os pobres, a ponto de dizer que o bem ou o mal feito a eles o tomaria como feito a Si mesmo. Deus ama os pobres, e por conseguinte ama também aqueles que os amam. Na verdade, quando alguém tem especial afecto a uma pessoa, estende também este afecto aos seus amigos e servos. […]

O serviço dos pobres deve ser preferido a todos os outros e deve ser prestado sem demora. Se durante o tempo de oração, tiverdes de levar um medicamento ou qualquer auxílio a um pobre, ide tranquilamente, oferecendo a Deus essa boa obra como prolongamento da oração. E não tenhais nenhum escrúpulo ou remorso de consciência se, para prestar serviço aos pobres, tivestes de deixar a oração. De facto não se trata de deixar a Deus, se é por amor de Deus que deixamos a oração: servir um pobre é também servir a Deus.

A caridade é a máxima norma, e tudo deve tender para ela; é uma grande senhora: devemos cumprir o que ela manda. Renovemos, portanto, o nosso espírito de serviço aos pobres, principalmente para com os mais abandonados. Esses hão-de ser os nossos senhores e protectores.

26 de setembro de 2014 at 11:50 Deixe um comentário

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