Posts filed under ‘Reflexão da Palavra’

«É o Messias» – homilia de São João Paulo II

O verdadeiro significado da misericórdia não consiste apenas no olhar, por mais penetrante e mais cheio de compaixão que ele seja. […] A misericórdia manifesta-se quando […] tira bem de todas as formas de mal existentes no mundo e no homem. Entendida desta maneira, constitui o conteúdo fundamental da mensagem messiânica de Cristo. […] A mensagem messiânica de Cristo e a Sua atividade entre os homens terminam com a Cruz e a Ressurreição. […] A dimensão divina da Redenção permite-nos descobrir […] a profundidade do amor que não retrocede diante do extraordinário sacrifício do Filho, para satisfazer a fidelidade do Criador e Pai para com os homens. […]
Os acontecimentos de Sexta-Feira Santa e, ainda antes, a oração no Getsêmani, introduzem uma mudança fundamental em todo o processo de revelação do amor e da misericórdia na missão messiânica de Cristo. Aquele que «passou fazendo o bem e curando a todos», e «sarando toda a espécie de doenças e enfermidades» (Act 10, 38; Mt 9, 35), mostra-Se agora, Ele próprio, digno da maior misericórdia, e parece apelar para a misericórdia quando é preso, ultrajado, condenado, flagelado, coroado de espinhos, pregado na cruz e expira no meio de tormentos atrozes. É então que Ele Se apresenta particularmente merecedor da misericórdia dos homens, a quem fez o bem; mas não a recebe. Nem aqueles que mais de perto contactaram com Ele têm a coragem de O proteger e O arrancar à mão dos Seus opressores. Na fase final do desempenho da função messiânica, cumprem-se em Cristo as palavras dos profetas, e sobretudo as de Isaías, proferidas a respeito do Servo de Javé: «Fomos curados pelas suas chagas» (53, 5). […]
«Aquele que não conhecera o pecado, Deus tratou-O por nós como pecado», escrevia São Paulo (2Cor 5, 21), resumindo em poucas palavras toda a profundidade do mistério da Cruz e a dimensão divina da realidade da Redenção. É precisamente a Redenção a última e definitiva revelação da santidade de Deus, que é a plenitude absoluta da perfeição.

 

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9 de abril de 2017 at 5:43 Deixe um comentário

Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor

A liturgia deste último Domingo da Quaresma convida-nos a contemplar esse Deus que, por amor, desceu ao nosso encontro, partilhou a nossa humanidade, fez-se servo dos homens, deixou-se matar para que o egoísmo e o pecado fossem vencidos. A cruz (que a liturgia deste Domingo coloca no horizonte próximo de Jesus) apresenta-nos a lição suprema, o último passo desse caminho de vida nova que, em Jesus, Deus nos propõe: a doação da vida por amor.

A primeira leitura apresenta-nos um profeta anónimo, chamado por Deus a testemunhar no meio das nações a Palavra da salvação. Apesar do sofrimento e da perseguição, o profeta confiou em Deus e concretizou, com teimosa fidelidade, os projectos de Deus. Os primeiros cristãos viram neste “servo” a figura de Jesus.

A segunda leitura apresenta-nos o exemplo de Cristo. Ele prescindiu do orgulho e da arrogância, para escolher a obediência ao Pai e o serviço aos homens, até ao dom da vida. É esse mesmo caminho de vida que a Palavra de Deus nos propõe.

O Evangelho convida-nos a contemplar a paixão e morte de Jesus: é o momento supremo de uma vida feita dom e serviço, a fim de libertar os homens de tudo aquilo que gera egoísmo e escravidão. Na cruz revela-se o amor de Deus, esse amor que não guarda nada para si, mas que se faz dom total.

http://www.ecclesia.pt

9 de abril de 2017 at 5:23 Deixe um comentário

O poder do sangue de Cristo – reflexão de São João Crisóstomo

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Queres conhecer o poder do sangue de Cristo? Voltemos às figuras que o profetizaram e recordemos a narrativa do Antigo Testamento: Imolai, disse Moisés, um cordeiro de um ano e marcai as portas com o seu sangue (cf. Ex 12,6-7). Que dizes, Moisés? O sangue de um cordeiro tem poder para libertar o homem dotado de razão? É claro que não, responde ele, não porque é sangue, mas por ser figura do sangue do Senhor. Se agora o inimigo, ao invés do sangue simbólico aspergido nas portas, vir brilhar nos lábios dos fiéis, portas do templo dedicado a Cristo, o sangue verdadeiro, fugirá ainda mais para longe.

Queres compreender mais profundamente o poder deste sangue? Repara de onde começou a correr e de que fonte brotou. Começou a brotar da própria cruz, e a sua origem foi o lado do Senhor. Estando Jesus já morto e ainda pregado na cruz, diz o evangelista, um soldado aproximou-se, feriu-lhe o lado com uma lança, e imediatamente saiu água e sangue: a água, como símbolo do batismo; o sangue, como símbolo da eucaristia. O soldado, traspassando-lhe o lado, abriu uma brecha na parede do templo santo, e eu, encontrando um enorme tesouro, alegro-me por ter achado riquezas extraordinárias. Assim aconteceu com este cordeiro. Os judeus mataram um cordeiro e eu recebi o fruto do sacrifício.

De seu lado saiu sangue e água (Jo 19,34). Não quero, querido ouvinte, que trates com superficialidade o segredo de tão grande mistério. Falta-me ainda explicar-te outro significado místico e profundo. Disse que esta água e este sangue são símbolos do batismo e da eucaristia. Foi destes sacramentos que nasceu a santa Igreja, pelo banho da regeneração e pela renovação no Espírito Santo, isto é, pelo batismo e pela eucaristia que brotaram do lado de Cristo. Pois Cristo formou a Igreja de seu lado traspassado, assim como do lado de Adão foi formada Eva, sua esposa.

Por esta razão, a Sagrada Escritura, falando do primeiro homem, usa a expressão osso dos meus ossos e carne da minha carne (Gn 2,23), que São Paulo refere, aludindo ao lado de Cristo. Pois assim como Deus formou a mulher do lado do homem, também Cristo, de seu lado, nos deu a água e o sangue para que surgisse a Igreja. E assim como Deus abriu o lado de Adão enquanto ele dormia, também Cristo nos deu a água e o sangue durante o sono de sua morte.

Vede como Cristo se uniu à sua esposa, vede com que alimento nos sacia. Do mesmo alimento nos faz nascer e nos nutre. Assim como a mulher, impulsionada pelo amor natural, alimenta com o próprio leite e o próprio sangue o filho que deu à luz, também Cristo alimenta sempre com o seu sangue aqueles a quem deu novo nascimento.

7 de abril de 2017 at 5:57 Deixe um comentário

«Hossana! Bendito Aquele que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel!» – Santo André de Creta

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Coragem, filha de Sião, não temas: «Eis que o teu Rei vem a ti: Ele é justo e vitorioso, humilde, montado num jumento, sobre um jumentinho, filho de uma jumenta» (Zac 9, 9). Ele vem, Aquele que está em toda a parte e que enche o universo, Ele avança para realizar em ti a salvação de todos. Ele vem, Aquele que não veio chamar os justos, mas os pecadores (Lc 5, 32), para fazer sair do pecado os que nele se extraviaram. Não temas, pois: «Deus está no meio de ti, tu és inabalável» (Sl 45, 6). Acolhe, de mãos erguidas, Aquele cujas mãos desenharam as tuas muralhas. Acolhe Aquele que aceitou em Si mesmo tudo aquilo que é nosso, à excepção do pecado, para nos assumir Nele. […] Rejubila, filha de Jerusalém, canta e dança de alegria. […] «Levanta-te e resplandece, chegou a tua luz; a glória do Senhor levanta-se sobre ti!» (Is 60, 1)
Que luz é esta? É a luz que ilumina todo o homem que vem a este mundo (Jo 1, 9): é a luz eterna […] que apareceu no tempo; luz que Se manifestou na carne e que Se encontra oculta por esta natureza humana; a luz que envolveu os pastores e conduziu os magos; a luz que estava no mundo desde o princípio, pela qual o mundo foi feito, mas que o mundo não conheceu; a luz que veio aos Seus, mas que os Seus não receberam (Jo 1, 10-11).
E o que é a glória do Senhor? É sem dúvida nenhuma a cruz sobre a qual Cristo foi glorificado, Ele, o esplendor da glória do Pai. Ele mesmo o dissera, ao aproximar-se a Sua Paixão: «Agora foi glorificado o Filho do Homem e Deus foi glorificado Nele; […] e glorificá-Lo-á sem demora» (Jo 13, 31-32). A glória de que aqui se fala é a Sua subida à cruz. Sim, a cruz é a glória de Cristo e a Sua exaltação, como Ele próprio disse: «E Eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a Mim» (Jo 12, 32).

Fonte: Evangelho Quotidiano

6 de abril de 2017 at 5:48 Deixe um comentário

Ramos e Paixão do Senhor – Bendito o que vem em nome do Senhor! – São Mateus 21, 1 – 11 – Dia 09 de abril de 2017

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1.Aproximavam-se de Jerusalém. Quando chegaram a Betfagé, perto do monte das Oliveiras, Jesus enviou dois de seus discípulos,

2.dizendo-lhes: Ide à aldeia que está defronte. Encontrareis logo uma jumenta amarrada e com ela seu jumentinho. Desamarrai-os e trazei-mos.

3.Se alguém vos disser qualquer coisa, respondei-lhe que o Senhor necessita deles e que ele sem demora os devolverá.

4.Assim, neste acontecimento, cumpria-se o oráculo do profeta:

5.Dizei à filha de Sião: Eis que teu rei vem a ti, cheio de doçura, montado numa jumenta, num jumentinho, filho da que leva o jugo (Zc 9,9).

6.Os discípulos foram e executaram a ordem de Jesus.

7.Trouxeram a jumenta e o jumentinho, cobriram-nos com seus mantos e fizeram-no montar.

8.Então a multidão estendia os mantos pelo caminho, cortava ramos de árvores e espalhava-os pela estrada.

9.E toda aquela multidão, que o precedia e que o seguia, clamava: Hosana ao filho de Davi! Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus!

10.Quando ele entrou em Jerusalém, alvoroçou-se toda a cidade, perguntando: Quem é este?

11.A multidão respondia: É Jesus, o profeta de Nazaré da Galiléia.

O Papa Emérito Bento XVI disse assim: “O Domingo de Ramos é o grande portal de entrada na Semana Santa, a semana em que o Senhor Jesus caminha até ao ponto culminante da sua existência terrena. Ele sobe a Jerusalém para dar pleno cumprimento às Escrituras e ser pregado no lenho da cruz, o trono donde reinará para sempre, atraindo a Si a humanidade de todos os tempos e oferecendo a todos o dom da redenção. Sabemos, pelos Evangelhos, que Jesus Se encaminhara para Jerusalém juntamente com os Doze e que, pouco a pouco, se foi unindo a eles uma multidão cada vez maior de peregrinos”.

“Sigamos os passos de Jesus em sua entrada em Jerusalém e em seu percurso rumo à cruz. A solene liturgia deste domingo nos introduz na Semana Santa, centro do grande acontecimento de nossa fé: o mistério da paixão, morte e ressurreição do Senhor. A doação da própria vida é o auge da missão de Jesus, culminando na cruz seu maior gesto de amor”. (Liturgia Diária)

O Papa Emérito Bento XVI explicou: “A mesma emoção se apodera de nós em cada ano, no Domingo de Ramos, quando subimos na companhia de Jesus o monte para o santuário, quando O acompanhamos pelo caminho que leva para o alto. Neste dia, ao longo dos séculos por toda a face da terra, jovens e pessoas de todas a idades aclamam-n’O gritando: “Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor!”. (2011)

O Papa Francisco disse que “Jesus entra em Jerusalém para morrer na Cruz. E é precisamente aqui que refulge o seu ser Rei segundo Deus: o seu trono real é o madeiro da Cruz! Vem-me à mente aquilo que Bento XVI dizia aos Cardeais: Vós sois príncipes, mas de um Rei crucificado. Tal é o trono de Jesus. Jesus toma-o sobre Si… Porquê a Cruz? Porque Jesus toma sobre Si o mal, a sujeira, o pecado do mundo, incluindo o nosso pecado, o pecado de todos nós, e lava-o; lava-o com o seu sangue, com a misericórdia, com o amor de Deus”.(24 de março de 2013)

“De oliveira com ramos e palmas, todo o povo, com voz triunfal, canta hosanas ao Rei de Israel, de Davi descendente real.
Nós também,acorrendo ao encontro de tal Rei, com hosanas de glória, seguremos na mão nossas palmas de alegria e de fé na vitória”. (Liturgia das Horas)

O Papa Francisco disse que assim como Jesus “entrou em Jerusalém, assim deseja entrar nas nossas cidades e nas nossas vidas. Como fez no Evangelho – montando um jumentinho –, Ele vem a nós humildemente, mas vem «em nome do Senhor»: com a força do seu amor divino, perdoa os nossos pecados e reconcilia-nos com o Pai e com nós mesmos”. (2016)

Conclusão:

Com as palavras do Papa Francisco: “Detendo-nos nestes dias a contemplar o Crucificado: é «a cátedra de Deus». Convido-vos, nesta semana, a contemplar com frequência esta «cátedra de Deus», para aprender o amor humilde, que salva e dá a vida, para renunciar ao egoísmo, à busca do poder e da fama. Com a sua humilhação, Jesus convida-nos a caminhar por esta estrada. Fixemos o olhar n’Ele, peçamos a graça de compreender pelo menos algo da sua aniquilação por nós; e assim, em silêncio, contemplemos o mistério desta Semana”. (2016)

Oração:

Com as palavras do Papa Francisco: “Vivamos a alegria de caminhar com Jesus, de estar com Ele, levando a sua Cruz, com amor, com um espírito sempre jovem! Peçamos a intercessão da Virgem Maria. Que Ela nos ensine a alegria do encontro com Cristo, o amor com que O devemos contemplar ao pé da cruz, o entusiasmo do coração jovem com que O devemos seguir nesta Semana Santa e por toda a nossa vida. Amém”.

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

3 de abril de 2017 at 5:28 Deixe um comentário

Jesus exclamou com voz forte: «Lázaro, sai para fora!» (Jo 11,43) – sermão de Santo Agostinho

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Entre todos os milagres feitos por Nosso Senhor Jesus Cristo, a ressurreição de Lázaro é particularmente impressionante. Mas, se pensarmos em quem o realizou, a alegria deve ultrapassar em nós o espanto. Aquele que ressuscitou este homem é o mesmo que criou o homem, porque é o Filho único do Pai, pelo qual, como sabeis, tudo foi criado (Jo 1,3). Assim, pois, se tudo foi feito por Ele, não é de espantar que um homem seja ressuscitado por Aquele que todos os dias faz tão grande número de homens. […]

Ouviste dizer que o Senhor Jesus ressuscitou um morto e tanto te basta para saberes que, se tivesse querido, Ele teria ressuscitado todos os mortos. E foi isso precisamente que Ele reservou para o fim do mundo. Pois, se ouvistes dizer que Jesus fez o grande milagre de chamar do túmulo um morto de quatro dias, virá a hora, como Ele próprio afirmou, em que os mortos ouvirão a sua voz e os que a tiverem ouvido viverão. Ele ressuscitou um homem já atingido pela podridão do túmulo, mas tratava-se de um corpo que tinha mantido a forma humana; no último dia, devolverá a vida às nossas cinzas com uma só palavra, fazendo-as retomar a sua forma anterior. Era preciso que, no seu tempo, Cristo realizasse algumas acções que nos dessem um sinal do seu poder, para que acreditássemos e nos preparássemos para essa ressurreição que será para a vida e não para a condenação. Pois «vai chegar a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz: os que tiverem praticado boas obras irão para a ressurreição dos vivos e os que tiverem praticado o mal para a ressurreição dos condenados». […]

Mas consideremos as obras ainda mais admiráveis de Cristo: todo o homem que tem fé é um ressuscitado; e, se estivermos atentos, compreenderemos que há mortes mais terríveis que a de Lázaro, pois todo o homem que peca morre. Todo o homem receia a morte corporal; mas são poucos os que receiam a morte da alma. Ah, se pudéssemos despertar os homens da sua apatia, e despertar com eles, para amarem a vida eterna com o mesmo ardor com que amam esta vida passageira!

29 de março de 2017 at 5:52 Deixe um comentário

Quinto Domingo da Quaresma – Eu sou a ressurreição e a vida – São João 11, 1-45 – Dia 02 de abril de 2017

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1.Lázaro caiu doente em Betânia, onde estavam Maria e sua irmã Marta.

2.Maria era quem ungira o Senhor com o óleo perfumado e lhe enxugara os pés com os seus cabelos. E Lázaro, que estava enfermo, era seu irmão.

3.Suas irmãs mandaram, pois, dizer a Jesus: Senhor, aquele que tu amas está enfermo.

4.A estas palavras, disse-lhes Jesus: Esta enfermidade não causará a morte, mas tem por finalidade a glória de Deus. Por ela será glorificado o Filho de Deus.

5.Ora, Jesus amava Marta, Maria, sua irmã, e Lázaro.

6.Mas, embora tivesse ouvido que ele estava enfermo, demorou-se ainda dois dias no mesmo lugar.

7.Depois, disse a seus discípulos: Voltemos para a Judéia.

8.Mestre, responderam eles, há pouco os judeus te queriam apedrejar, e voltas para lá?

9.Jesus respondeu: Não são doze as horas do dia? Quem caminha de dia não tropeça, porque vê a luz deste mundo.

10.Mas quem anda de noite tropeça, porque lhe falta a luz.

11.Depois destas palavras, ele acrescentou: Lázaro, nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo.

12.Disseram-lhe os seus discípulos: Senhor, se ele dorme, há de sarar.

13.Jesus, entretanto, falara da sua morte, mas eles pensavam que falasse do sono como tal.

14.Então Jesus lhes declarou abertamente: Lázaro morreu.

15.Alegro-me por vossa causa, por não ter estado lá, para que creiais. Mas vamos a ele.

16.A isso Tomé, chamado Dídimo, disse aos seus condiscípulos: Vamos também nós, para morrermos com ele.

17.À chegada de Jesus, já havia quatro dias que Lázaro estava no sepulcro.

18.Ora, Betânia distava de Jerusalém cerca de quinze estádios.

19.Muitos judeus tinham vindo a Marta e a Maria, para lhes apresentar condolências pela morte de seu irmão.

20.Mal soube Marta da vinda de Jesus, saiu-lhe ao encontro. Maria, porém, estava sentada em casa.

21.Marta disse a Jesus: Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido!

22.Mas sei também, agora, que tudo o que pedires a Deus, Deus to concederá.

23.Disse-lhe Jesus: Teu irmão ressurgirá.

24.Respondeu-lhe Marta: Sei que há de ressurgir na ressurreição no último dia.

25.Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá.3

26.E todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá. Crês nisto?

27.Respondeu ela: Sim, Senhor. Eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, aquele que devia vir ao mundo.

28.A essas palavras, ela foi chamar sua irmã Maria, dizendo-lhe baixinho: O Mestre está aí e te chama.

29.Apenas ela o ouviu, levantou-se imediatamente e foi ao encontro dele.

30.(Pois Jesus não tinha chegado à aldeia, mas estava ainda naquele lugar onde Marta o tinha encontrado.)

31.Os judeus que estavam com ela em casa, em visita de pêsames, ao verem Maria levantar-se depressa e sair, seguiram-na, crendo que ela ia ao sepulcro para ali chorar.

32.Quando, porém, Maria chegou onde Jesus estava e o viu, lançou-se aos seus pés e disse-lhe: Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido!

33.Ao vê-la chorar assim, como também todos os judeus que a acompanhavam, Jesus ficou intensamente comovido em espírito. E, sob o impulso de profunda emoção,

34.perguntou: Onde o pusestes? Responderam-lhe: Senhor, vinde ver.

35.Jesus pôs-se a chorar.

36.Observaram por isso os judeus: Vede como ele o amava!

37.Mas alguns deles disseram: Não podia ele, que abriu os olhos do cego de nascença, fazer com que este não morresse?

38.Tomado, novamente, de profunda emoção, Jesus foi ao sepulcro. Era uma gruta, coberta por uma pedra.

39.Jesus ordenou: Tirai a pedra. Disse-lhe Marta, irmã do morto: Senhor, já cheira mal, pois há quatro dias que ele está aí…

40.Respondeu-lhe Jesus: Não te disse eu: Se creres, verás a glória de Deus? Tiraram, pois, a pedra.

41.Levantando Jesus os olhos ao alto, disse: Pai, rendo-te graças, porque me ouviste.

42.Eu bem sei que sempre me ouves, mas falo assim por causa do povo que está em roda, para que creiam que tu me enviaste.

43.Depois destas palavras, exclamou em alta voz: Lázaro, vem para fora!

44.E o morto saiu, tendo os pés e as mãos ligados com faixas, e o rosto coberto por um sudário. Ordenou então Jesus: Desligai-o e deixai-o ir.

45.Muitos dos judeus, que tinham v1indo a Marta e Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele.

“O Espírito de Deus mora em nós e nos conduziu a esta celebração, a fim de nos desvencilhar dos laços que nos prendemà descrença e ao egoísmo. Com marta e Maria, professemos nossa fé em Cristo Jesus, ressurreição e vida plena para todos os que se deixam iluminar por sua Palavra e se alimentam com a Eucaristia”. (Liturgia Diária)

O Papa Francisco disse que “Lázaro já estava morto há três dias, quando chega Jesus; e às irmãs Marta e Maria Ele disse palavras que ficaram gravadas para sempre na memória da comunidade cristã. Jesus diz assim: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais” (Jo 11, 25). Sobre esta Palavra do Senhor nós acreditamos que a vida de quem crê em Jesus e segue o seu mandamento depois da morte será transformada em uma vida nova, plena e imortal”. (2014)

“Ao ver Maria chorar, e os judeus que a acompanhavam a chorar também, Jesus suspirou profundamente e comoveu-Se». Maria chora, choram os judeus, o próprio Cristo chora. Crês tu que sentem todos a mesma tristeza? Maria, irmã do morto, chora porque não pôde conservar o seu irmão nem afastar a morte; por mais que estivesse convencida da ressurreição, a perda do seu único amparo e a ideia da sua cruel ausência, mais a tristeza da separação inevitável, fazem-na desfazer-se em lágrimas que ela não consegue suster. Por muito grande que seja a nossa fé, a implacável ideia da morte não pode deixar de tocar-nos e transtornar-nos”.  (São Pedro Crisólogo)

«Tirai a pedra». Então aquele que ressuscitou um morto e lhe deu a vida não poderia ter aberto o sepulcro e virado a pedra? Ele, que disse aos seus discípulos: «Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: “Muda-te daqui para acolá”, e ele há-de mudar-se» (Mt 17,20), não teria podido deslocar a pedra que fechava a entrada do sepulcro? Claro que Ele também poderia ter tirado a pedra com a sua palavra, Ele, cuja voz, quando suspenso da cruz, fendeu as pedras e os sepulcros (Mt 27,51-52)”.   (Santo Efrém)

Conclusão:

Com as palavras do Beato John Henry Newman: ” E todo aquele que vive e crê em Mim não morrerá para sempre.» Façamos nossas estas palavras de consolo, quer face à nossa própria morte, quer face à dos nossos amigos: onde houver fé em Cristo, aí estará Ele em pessoa. «Crês nisto?», perguntou Ele a Marta. Quando um coração pode responder como Marta: «Sim, creio», nele Cristo torna-se misericordiosamente presente. Ainda que invisível, Ele está lá, mesmo junto de um leito de morte ou de um túmulo, sejamos nós que agonizamos ou sejam os nossos entes queridos”. .

Oração:

Do Papa Emérito Bento XVI: “São Paulo escreve: «Se o Espírito de Deus, que ressuscitou Jesus dos mortos, habita em vós, aquele que ressuscitou Cristo dos mortos dará a vida também aos vossos corpos mortais por meio do seu Espírito que habita em vós» (Rm 8, 11). Queridos irmãos, dirijamo-nos à Virgem Maria, que já participa desta Ressurreição, para que nos ajude a dizer com fé: «Sim, ó Senhor, eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus» (Jo 11, 27), a descobrir verdadeiramente que Ele é a nossa salvação”.

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

27 de março de 2017 at 5:54 Deixe um comentário

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