Archive for janeiro, 2019

E viva o JMJ Lisboa 2022!

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JMJ de 2022 será em Lisboa

O anúncio oficial foi feito ao final da missa conclusiva da Jornada Mundial da Juventude do Panamá, realizada neste domingo (27/01) no Campo São João Paulo II, no Metro Park, na Cidade do Panamá. Lisboa vai sediar a próxima edição da JMJ.

Andressa Collet e Cyprien Viet – Cidade do Vaticano

O Presidente do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, Cardeal Kevin Farrell, anunciou a próxima cidade que irá receber a Jornada Mundial da Juventude ao final da missa conclusiva do evento do Panamá neste domingo (27/01), no Campo São João Paulo II. A cidade de Lisboa, em Portugal, vai sediar a JMJ de 2022.

A preparação para a próxima festa mundial dos jovens começa já nesta semana, segundo afirma o Pe. José Manuel Pereira de Almeida, teólogo e vice-reitor da Universidade Católica de Portugal: “será uma ocasião extraordinária ter os jovens do mundo inteiro e o Papa aqui. Começamos a trabalhar já nesta semana!”.

27 de janeiro de 2019 at 14:26 Deixe um comentário

JMJ do Panamá é instrumento revelador da fé e da Igreja católica

Ao chegar no Panamá, o Papa respondeu com sorrisos o carinho dos peregrinos Ao chegar no Panamá, o Papa respondeu com sorrisos o carinho dos peregrinos   (AFP or licensors)

O bispo auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro, Dom Paulo Alves Romão está participando da JMJ e confirma o clima que revela a beleza da fé e da Igreja.

Andressa Collet – Cidade do Vaticano

O Papa Francisco já está na Cidade do Panamá sentindo em primeira pessoa o espírito de congraçamento que vive o país por reunir milhares de jovens, de mais de 150 países do mundo, para a Jornada Mundial da Juventude.

A beleza da alegria, da fé e da Igreja

O bispo auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro, Dom Paulo Alves Romão, também está no Panamá para a grande festa católica da juventude e confirma esse clima que revela a beleza da fé e da Igreja:

“ Isso evidencia que a nossa Igreja é uma única Igreja. Existe uma comunhão verdadeira entre todos os cristãos, porque tem no centro do fundamento Jesus Cristo, o mesmo Espírito que habita entre nós. É um espetáculo ver a beleza da fé, a alegria destes jovens e eu, como bispo vendo tudo isso, fico renovado na minha fé, renova também a esperança de que é possível um mundo novo, é possível uma nova sociedade porque tantas pessoas, jovens e adultos, seguindo Jesus Cristo, manifestam um amor, um gosto no servir e uma alegria no acolher. Tudo isso revela a beleza da nossa fé e da nossa Igreja. ”

27 de janeiro de 2019 at 5:36 Deixe um comentário

Papa: “Beber da fonte de água que dá a vida eterna”

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Devemos reagir “voltando a beber do poço originário do primeiro amor”. São palavras do Papa Francisco durante a homilia da Santa Missa na presença de numerosos Sacerdotes, Consagrados e Movimentos Leigos, na Catedral de Santa Maria la Antigua

Jane Nogara – Cidade do Vaticano

No terceiro dia da Jornada Mundial da Juventude, o Papa Francisco celebrou a Santa Missa com a dedicação do altar da Catedral Basílica Santa Maria La Antigua, com a presença de numerosos Sacerdotes, Consagrados e Movimentos Leigos.

O Papa iniciou sua homilia comentando um trecho do Evangelho de João no qual diz que Jesus, “cansado da caminhada, sentou-Se, sem mais, na borda do poço. Era por volta do meio-dia”. Entretanto, chegou certa mulher samaritana para tirar água. Disse-lhe Jesus: “Dá-Me de beber”.

Francisco parte deste fato: Jesus cansado de caminhar, precisava aplacar e saciar a sede e recuperar as forças, para continuar a sua missão: “levar a Boa-Nova aos pobres, curar os corações feridos, proclamar a libertação aos cativos e consolar os que sofriam (…) Todas são situações que nos tolhem a vida e a energia”.

“ Mas o Senhor cansou-Se e, nesta fadiga, encontra lugar tanto cansaço dos nossos povos e da nossa gente, das nossas comunidades e de todos aqueles que estão cansados e oprimidos ”

O cansaço da esperança

São múltiplas as causas e os motivos que “quebratam a vida dos consagrados”. O Papa fala de uma situação que “parece ter-se instalado nas nossas comunidades”. É uma “espécie sutil de cansaço, que nada tem a ver com o cansaço do Senhor”:

“Trata-se do cansaço da esperança” que não deixa avançar e nem olhar para diante. Como se tudo ficasse confuso” e “pondo em questão as forças, os recursos e a viabilidade da missão neste mundo que não cessa de mudar e interpelar”.

“É um cansaço paralisador” disse o Papa que coloca também “em dúvida, a própria viabilidade da vida religiosa no mundo de hoje”.

“ O cansaço da esperança nasce da constatação de uma Igreja ferida pelo seu pecado e que, muitas vezes, não soube escutar tantos gritos nos quais se escondia o grito do Mestre: ‘Meu Deus, porque me abandonaste?’ ”

(…) e isso faz com que se instale um pragmatismo cinzento no coração das nossas comunidades” dando espaço a “uma das piores heresias do nosso tempo: pensar que o Senhor e as nossas comunidades não têm nada para dizer nem dar a este mundo novo em gestação. Então aquilo que um dia nasceu para ser sal e luz do mundo, acaba por oferecer a sua versão pior”.

Devemos reagir

Como o Senhor, devemos pedir: “Dá-me de beber” para receber daquela “fonte de água que dá a vida eterna” para voltar, sem medo, ao poço originário do primeiro amor, quando Jesus passou pelo nosso caminho, olhou-nos com misericórdia e pediu que O seguíssemos” e “nos fez sentir que nos amava, e não só pessoalmente mas também como comunidade”.

“Dá-Me de beber» significa “recuperar a parte mais autêntica dos nossos carismas fundacionais – que não se limitam apenas à vida religiosa, mas a toda a Igreja – e ver as modalidades em que se podem expressar hoje (…) significa reconhecer-se necessitado de que o Espírito nos transforme em homens e mulheres memoriosos de uma passagem, a passagem salvífica de Deus”. Só assim “a esperança cansada será curada”, pronta para retomar a missão com a força de Jesus.

Catedral panamenha

Por fim o Papa falou da reabertura da Catedral depois de um longo tempo de restauração: “Uma Catedral espanhola, índia e afro-americana torna-se, assim, Catedral panamenha, dos panamenhos de ontem, mas também dos de hoje que a tornaram possível. Já não pertence só ao passado, mas é beleza do presente (…) não deixemos que nos roubem a beleza herdada dos nossos pais! Seja ela a raiz viva e fecunda que nos ajuda a continuar fazendo bela e profética a história da salvação nestas terras”.

27 de janeiro de 2019 at 5:34 Deixe um comentário

Refexão para o III Domingo do Tempo Comum – ano C

Afresco do pintor italiano Lorenzo da Viterbo (1469)Afresco do pintor italiano Lorenzo da Viterbo (1469)

A “primeira celebração da Palavra”, segundo o Livro de Neemias, foi realizada quando se percebeu a desordem que havia no meio do povo, onde cada um fazia o que desejava

Padre César Agusto – Cidade do Vaticano

O Livro de Neemias nos dá um relato do que poderíamos chamar a “primeira celebração da Palavra”. Ela foi realizada quando se percebeu a desordem que havia no meio do povo, onde cada um fazia o que desejava. Por ignorância, não se praticava a Lei e o caos imperava.

Esdras, doutor da Lei mosaica, foi enviado por Artaxerxes, rei persa, a Jerusalém, para colocar ordem na cidade.

Ele preparou o povo e esperou o primeiro dia do novo ano para fazer uma solene celebração litúrgica, com todas as pessoas capazes de compreender.

Os convocados compareceram, com absoluta boa vontade e sabiam que a solenidade duraria muitas horas, e na verdade era o Senhor quem os convocava.

Esdras, consciente de que o momento era emblemático, usou de sua sensibilidade para demonstrar ao povo a grandeza do momento: mandou erguer um estrado de madeira, em um lugar visível a todos, e nele criou  um ponto elevado para ser o local da  tribuna, onde seria proclamada a Lei do Senhor. Era necessário que todos o vissem e ouvissem quando fosse abrir o livro e fazer sua leitura.

Quando isso aconteceu, o povo todo ficou de pé e o ouvia com atenção. Esdras explicava seu sentido para que o povo pudesse compreender a leitura. Ao final da proclamação o povo disse “Amém! Amém! e se prostrou por terra. Era o Senhor que falava através de Esdras e a prostração foi o sinal de que todos estavam conscientes disso.

O povo, conhecedor de suas próprias falhas, chorava, contudo Esdras chamava-lhes a atenção para o aspecto da amizade de Deus; ela é mais importante que tudo, daí não chorar, mas festejar. Mais ainda, a alegria do Senhor é e será a força do povo. Por outro lado, sentir-se pecador, deve ser celebrado com alegria, pois ter essa consciência é um dom de Deus!

São Lucas, logo no início de seu Evangelho, escreveu: “…história dos acontecimentos que se realizaram entre nós, como nos foram transmitidos por aqueles ministros da palavra”. O evangelista nos diz que o que vai narrar não é uma fábula, mas aconteceu realmente e nos foi transmitido pelos servidores de Jesus Cristo, o personagem central de seus relatos.

Para mostrar a todos a excelência de Jesus dentro da tradição dos profetas, Lucas recorda o dia em que o Mestre, com trinta anos de idade, foi à sinagoga e o presidente dela convidou-o a fazer a segunda leitura do dia. Jesus abriu o rolo que continha os escritos que falavam sobre sua vinda, mas indecifráveis até então. Escolheu o texto do profeta Isaías que diz: “O Espírito do Senhor está sobre mim e…enviou-me a anunciar a boa nova aos pobres”. Ao enrolar o volume e entregá-lo ao assistente, Jesus diz, com esse gesto, que todos os escritos do Antigo Testamento acabaram, naquele instante, de cumprir sua missão: conduzir as pessoas até ele. Por isso podem ser enrolados e guardados.

Nesse exato momento, todos os olhos estão voltados para ele. Todos desejam ouvir o que o Mestre irá dizer. Começaram os novos tempos!

Se hoje continuamos a ler textos do Antigo Testamento, os lemos antes dos do Novo, pois eles são indispensáveis para nossa preparação à acolhida de Jesus Cristo.

26 de janeiro de 2019 at 15:00 Deixe um comentário

Solidariedade da Arquidiocese de BH com as vítimas de Brumadinho

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O arcebispo metropolitano de Belo Horizonte (MG), dom Walmor Oliveira de Azevedo, manifestou o seu pesar pelas vítimas do rompimento da barragem da mineradora Vale, no final da manhã de sexta-feira (25/01).

Cidade do Vaticano

Segundo o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, foram três as barragens da mineradora Vale que se romperam e o número de vítimas é estimado entre 200 a 300 pessoas.

Segue a nota de solidariedade de dom Walmor Oliveira de Azevedo.

Declaração de Dom Walmor

Mais uma “abominação da desolação”, como disse Jesus no Evangelho de Marcos, referindo-se aos absurdos nascidos das ganâncias e descasos com o outro, com a verdade e com o bem de todos: mais uma barragem rompida em Minas Gerais, agora em Brumadinho, Região Metropolitana de Belo Horizonte. A Arquidiocese de Belo Horizonte une-se a cada um dos atingidos, compartilhando suas dores. Nossas comunidades de fé, especialmente às que servem ao Vale do Paraopeba, estejam juntas, para levar amparo, ajuda, a todos que sofrem diante de tão lamentável tragédia.

Os danos humanos e socioambientais são irreparáveis e apontam para uma urgência, já tão evidente: é preciso repensar modelos de desenvolvimento que desconsideram o respeito à natureza, os parâmetros de sustentabilidade. Uma triste coincidência: nesta sexta-feira, dia 25, quando uma barragem se rompe no coração da nossa amada Brumadinho, entrou em pauta, no Conselho da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, autorização para a retomada da mineração na Serra da Piedade. Uma tragédia se efetiva e outra se anuncia.

A Arquidiocese de Belo Horizonte defende, incansavelmente, de modo inegociável, a natureza, obra do Criador, compreendendo que o ser humano, as plantas e os animais devem viver em completa harmonia, pois são todos habitantes do planeta, a Casa Comum.

Rezemos pelas vítimas desta tragédia, unidos ao coração de cada pessoa e de todas as famílias que sofrem, renovemos, mais uma vez, o nosso compromisso com a solidariedade. É urgência minimizar a dor dos atingidos por mais esse desastre ambiental, sem se esquecer de acompanhar, de perto, a atuação das autoridades, na apuração dos responsáveis por mais um triste e lamentável episódio, chaga aberta no coração de Minas Gerais. A justiça seja feita, com lucidez e sem mediocridades que geram passivos, com sentido humanístico e priorizando o bem comum, com incondicional respeito e compromisso com os mais pobres. Minas Gerais está de luto.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte

Juntos por Brumadinho

Diante da tragédia ocorrida em Brumadinho, a Arquidiocese de Belo Horizonte inicia campanha solidária para arrecadar roupas, alimentos e água, destinados aos atingidos pelo rompimento da barragem.

As doações podem ser entregues no Vicariato Episcopal para a Ação Social e Política:

Rua Além Paraíba, 208 – Lagoinha | (31) 3423-2187

Para a população de Brumadinho as doações podem ser entregues na Paróquia São Sebastião.

Também é possível doar pela conta:

Vicariato Episcopal para a Ação Social e Política

Banco do Brasil

Agência – 3494-0

Conta Corrente: 26227-7

Fonte: site Arquidiocese de Belo Horizonte

26 de janeiro de 2019 at 11:03 Deixe um comentário

Íntegra da homilia do Papa aos menores do Centro de Reabilitação

O Papa Francisco celebrou a liturgia penitencial em PacoraO Papa Francisco celebrou a liturgia penitencial em Pacora  (AFP or licensors)

No terceiro dia da viagem apostólica ao Panamá, Papa Francisco celebrou uma liturgia penitencial no Centro de Reabilitação de menores “As Garças”, em Pacora, a 40 Km da Cidade do Panamá. Confira na íntegra a homilia proferida pelo Santo Padre.

O Papa Francisco encontrou menores do Centro de Reabilitação “Las Garças” nesta sexta-feira (25/01), em Pacora, região metropolitana da Cidade do Panamá, e celebrou a liturgia penitencial.

Confira a íntegra da homilia do Pontífice:

“«Este acolhe os pecadores e come com eles» (Lc 15, 2), acabamos de ouvir no início do trecho evangélico. Assim murmuravam alguns fariseus e escribas, muito escandalizados e incomodados com o comportamento de Jesus.

Pretendiam, com esta afirmação, desqualificá-Lo e desacreditá-Lo à vista de todos, mas tudo o que conseguiram fazer foi destacar um dos seus procedimentos mais comuns e caraterísticos: «Este acolhe os pecadores e come com eles».

Jesus não tem medo de Se aproximar daqueles que, por inúmeras razões, carregavam o peso do ódio social, como no caso dos publicanos – lembremo-nos que os publicanos se enriqueciam roubando o seu próprio povo, provocando muita, mas muita indignação – ou o peso das suas culpas, erros e enganos, como no caso daqueles que eram conhecidos por pecadores. Fá-lo porque sabe que, no Céu, há mais alegria por um só pecador convertido do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão (cf. Lc 15, 7).

Enquanto aqueles se limitavam a murmurar ou indignar-se, bloqueando e fechando assim qualquer possibilidade de mudança, conversão e inclusão, Jesus aproxima-Se, compromete-Se (coloca em risco a sua reputação) e sempre convida a fixar um horizonte capaz de renovar a vida e a história. Dois olhares muito diferentes, que se contrapõem: um olhar estéril e infecundo – o da murmuração e fofocas – e o outro que convida à transformação e conversão – o do Senhor.

O olhar da murmuração e bisbilhotice

Muitos não suportam nem gostam desta opção de Jesus; antes, manifestam o seu descontentamento, inicialmente por entre dentes mas no final aos gritos, procurando desacreditar o seu comportamento e o de quantos estão com Ele. Não aceitam e rejeitam esta opção de estar próximo e oferecer novas oportunidades. Sobre a vida do povo, parece-lhes mais fácil colocar etiquetas e rótulos que congelam e estigmatizam não só o passado, mas também o presente e o futuro das pessoas. Rótulos que, em última análise, nada mais produzem senão divisão: daqui os bons, além os maus; daqui os justos, além os pecadores.

Este procedimento contamina tudo, porque levanta um muro invisível que faz pensar que marginalizando, separando e isolando resolver-se-ão, magicamente, todos os problemas. E, quando uma sociedade ou comunidade se decide por isso, limitando-se a criticar e murmurar, entra num círculo vicioso de divisões, censuras e condenações; entra numa conduta social de marginalização, exclusão e oposição tal que leva a dizer irresponsavelmente como Caifás: «Convém que morra um só homem pelo povo, e não pereça a nação inteira» (Jo 11, 50). E, normalmente, a corda quebra pelo ponto mais fraco: o dos mais frágeis e indefesos.

Que pena faz ver uma sociedade que concentra as suas energias mais em murmurar e indignar-se do que em comprometer-se, empenhar-se por criar oportunidades e transformação!

O olhar da conversão

Ao invés, todo o Evangelho está marcado pelo outro olhar que nasce precisamente do coração de Deus. O Senhor quer fazer festa quando vê os seus filhos que regressam a casa (Lc 15, 11-32). Assim o testemunhou Jesus, levando até ao extremo a manifestação do amor misericordioso do Pai. Um amor que não tem tempo para murmurar, mas procura romper o círculo da crítica inútil e indiferente, neutra e imparcial e assume a complexidade da vida e de cada situação; um amor que inaugura uma dinâmica capaz de proporcionar caminhos e oportunidades de integração e transformação, cura e perdão, caminhos de salvação. Comendo com publicanos e pecadores, Jesus quebra a lógica que separa, exclui, isola e divide falsamente entre «bons e maus». E fá-lo, não por decreto ou com boas intenções, nem com voluntarismos ou sentimentalismo, mas criando vínculos capazes de permitir novos processos; apostando e fazendo festa em cada passo possível.

Deste modo quebra também com outra murmuração difícil de detetar, que «fura os sonhos» pois repete como sussurro contínuo: tu não consegues, não consegues… É o murmúrio interior que brota em quem, tendo chorado o seu pecado e consciente do próprio erro, não crê que possa mudar. É quando se está intimamente convencido que aquele que nasceu «publicano» tem que morrer «publicano»; e isto não é verdade!

Amigos, cada um de nós é muito mais do que os rótulos que nos dão. Assim Jesus no-lo ensina e convida a acreditar. O seu olhar desafia-nos a pedir e procurar ajuda para percorrer os caminhos da superação. Por vezes a murmuração parece vencer, mas não acrediteis, não lhe presteis ouvidos. Procurai e ouvi as vozes que impelem a olhar para diante e não aquelas que vos desencorajam.

A alegria e a esperança do cristão – de todos nós, também do Papa – nasce de ter experimentado alguma vez este olhar de Deus que nos diz: tu fazes parte da minha família e não posso abandonar-te às intempéries, não posso perder-te pelo caminho, estou contigo aqui. Aqui? Sim, aqui. Nasce de ter sentido – como partilhaste tu, Luís – que, naqueles momentos em que tudo parecia ter acabado, algo te disse: Não! Não está tudo acabado, porque tens uma finalidade grande que te permite entender que Deus Pai estava e está com todos nós e nos dá pessoas para caminhar connosco e ajudar-nos a alcançar novas metas.

E, assim, Jesus transforma a murmuração em festa e diz-nos: «Alegrai-vos comigo!» (Lc 15, 6).

Irmãos, vós fazeis parte da família, tendes muito para partilhar. Ajudai-nos a saber qual é a melhor maneira para viver e acompanhar o processo de transformação de que todos, como família, temos necessidade.

Uma sociedade adoece quando não é capaz de fazer festa pela transformação dos seus filhos, uma comunidade adoece quando vive a murmuração que esmaga e condena, sem sensibilidade. Uma sociedade é fecunda quando consegue gerar dinâmicas capazes de incluir e integrar, assumir e lutar para criar oportunidades e alternativas que deem novas possibilidades aos seus filhos, quando se preocupa por criar futuro com comunidade, instrução e trabalho. E embora possa experimentar a impotência de não saber como, nem por isso se arrende, mas tenta de novo. Todos nos devemos ajudar para aprender, em comunidade, a encontrar estes caminhos. É uma aliança que temos de nos animar a realizar: vós, rapazes, os responsáveis pela custódia e as autoridades do Centro e do Ministério, e as vossas famílias, bem como os agentes pastorais. Todos juntos, lutai sem cessar por encontrar caminhos de inserção e transformação. Isto, o Senhor o abençoa, sustenta e acompanha.

Em breve, continuaremos a Celebração Penitencial, na qual todos poderemos experimentar o olhar do Senhor, que vê, não um rótulo ou uma condenação, mas filhos. Olhar de Deus que desmente as desqualificações e nos dá a força para criar as alianças necessárias que nos ajudem a desmentir as murmurações, alianças fraternas que permitam à nossa vida ser sempre um convite à alegria da salvação.”

26 de janeiro de 2019 at 5:40 Deixe um comentário

Papa aos jovens: “mantenham vivo este sonho que nos faz irmãos”

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“O amor de Jesus é o amor silencioso da mão estendida no serviço e na doação sem se vangloriar”, disse o Papa a milhares de jovens na cerimônia de abertura da Jornada Mundial da Juventude realizada no Campo Santa Maria la Antigua, na Cidade do Panamá.

Jane Nogara – Cidade do Vaticano

O primeiro dia do Papa Francisco na Jornada Mundial da Juventude se concluiu com o grande encontro com os jovens, no Campo Santa Maria la Antigua, situado na Faixa Costeira da Cidade do Panamá. Francisco foi recebido calorosamente por milhares de jovens numa festa de cores e alegria.

Um novo Pentecostes

No seu discurso aos jovens o Papa afirmou: “A Jornada Mundial da Juventude é mais uma vez uma festa de alegria e esperança para toda a Igreja e, para o mundo, um grande testemunho de fé (…) Pedro e a Igreja caminham com vocês e quero dizer a todos que não tenham medo, que prossigam com esta energia renovadora e esta inquietação constante que nos ajuda e impele a ser mais alegres e disponíveis, mais ‘testemunhas do Evangelho’. Prossigam, não para criar uma Igreja paralela, um pouco mais “divertida” e “ousada” numa modalidade para jovens, com alguns elementos decorativos, como se isso pudesse deixar vocês contentes. Pensar assim seria não respeitar vocês e também tudo o que o Espírito, por seu intermédio, nos está dizendo. Ao contrário, queremos redescobrir e despertar, juntos, a novidade incessante e a juventude da Igreja, abrindo-nos a um novo Pentecostes”.

“ Um novo Pentecostes só é possível, se, como há pouco vivemos no Sínodo, soubermos caminhar escutando-nos e escutar completando-nos uns aos outros, se soubermos testemunhar anunciando o Senhor no serviço aos nossos irmãos; naturalmente, um serviço concreto ”

Artesãos da cultura do encontro

“Vimos de culturas e povos distintos, falamos línguas diferentes, vestimos roupas diversas. Cada um dos nossos povos viveu histórias e circunstâncias distintas. Quantas coisas podem diferenciar-nos! Mas nada disso impediu que nos pudéssemos encontrar e sentir felizes por estarmos juntos. Isto é possível, porque sabemos que há algo que nos une, há Alguém que nos faz irmãos. Vocês, queridos amigos, fizeram muitos sacrifícios para poder se encontrar, tornando-se assim verdadeiros mestres e artesãos da cultura do encontro. Com seus gestos e atitudes, com as suas perspetivas, desejos e sobretudo a sua sensibilidade, vocês desmentem e recusam certos discursos que se concentram e empenham em semear divisão, em excluir e expulsar os que ‘não são como nós’. Assim é, porque vocês têm um olfato capaz de intuir que ‘o amor verdadeiro não anula as diferenças legítimas, mas harmoniza-as numa unidade superior’. Entretanto sabemos que o pai da mentira prefere o contrário: um povo dividido e litigioso, em vez de um povo que aprenda a trabalhar em conjunto”.

Sonho comum chamado Jesus

“A cultura do encontro é apelo e convite a termos a coragem de manter vivo um sonho comum. Sim, um sonho grande e capaz de envolver a todos. Um sonho chamado Jesus, que convida ao amor verdadeiro”.

Continuando o Papa cita Santo Oscar Romero:

“ O cristianismo não é um conjunto de verdades para se acreditar, nem de leis para se observar nem de proibições. Visto assim, seria muito repugnante. O cristianismo é uma Pessoa que me amou tanto, que reivindica e pede o meu amor. O cristianismo é Cristo ”

e acrescenta o Papa: “é levar adiante o sonho pelo qual Ele deu a vida: amar com o mesmo amor com o qual nos amou”.

Amor silencioso de Jesus

O amor de Jesus continua Francisco “é um amor que não se impõe nem esmaga, um amor que não marginaliza nem obriga a estar calado, um amor que não humilha nem subjuga. É o amor do Senhor: amor diário, discreto e respeitador, amor feito de liberdade e para a liberdade, amor que cura e eleva. É o amor do Senhor, que entende mais de subidas que de quedas, de reconciliação que de proibições, de dar nova oportunidade que de condenar, de futuro que de passado. É o amor silencioso da mão estendida no serviço e na doação sem se vangloriar”.

O “sim” de Maria

É o amor com o qual Maria disse o seu sim: “Eis a serva do Senhor, faça-se em Mim segundo a tua palavra”. “Maria soube dizer ‘sim’. Soube dar vida ao sonho de Deus”.

O Papa conclui convidando os jovens a manter vivo este “sonho que nos faz irmãos e que somos convidados a não deixar congelar no coração do mundo: onde quer que nos encontremos, a fazer seja o que for, sempre poderemos olhar para o alto e dizer: “Senhor, ensina-me a amar como Vós nos amastes”.

25 de janeiro de 2019 at 11:50 Deixe um comentário

Conversão de São Paulo – de Padre Paulo Ricardo

25 de janeiro de 2019 at 5:42 Deixe um comentário

Papa Francisco chegou ao Panamá

Papa Francisco chega ao PanamáPapa Francisco chega ao Panamá  (AFP or licensors)

O avião papal tocou terra às 16h16 locais depois de uma viagem de quase 13 horas e percorridos cerca de 9.500 quilômetros.

Cidade do Vaticano

A espera terminou. O Panamá está em festa com a chegada do Papa Francisco. Momento esperado pelos panamenhos e por milhares de jovens provenientes de todas as partes do mundo, reunidos para participar da Jornada Mundial da Juventude.

O sorriso é o primeiro presente do Papa Francisco ao Panamá. Depois de quase 13 horas de voo, o Papa desceu do avião acolhido pelo calor de dois mil jovens – a juventude do papa, como gostam de cantar em coro – e um vento quente que acariciou o seu rosto. O abraço do país está nas cores das bandeiras, em numa faixa que sublinha como o Panamá está pronto para receber Francisco com alegria.

O Papa Francisco chegou ao Panamá para a sua vigésima sexta viagem internacional. O avião papal pousou no aeroporto internacional de Tocumen, onde o Pontífice foi acolhido pelo Presidente da República Juan Carlos Varela, por todos os bispos do Panamá. Duas crianças, em hábitos tradicionais, ofereceram flores a Francisco. Um momento de festa sem discursos oficiais, somente os hinos oficiais do Vaticano e do Panamá.

Deixando o aeroporto, o Papa se dirigiu para a Nunciatura Apostólica do Panamá, percorrendo cerca de 28 Km. Nestes dias de permanência em terras panamenhas o Papa será hóspede da Nunciatura. Milhares de pessoas ao longo das avenidas para saudar o Santo Padre.

O primeiro compromisso de Francisco nesta quinta-feira será no palácio presidencial, por ocasião da visita de cortesia ao presidente da República, onde fará o seu primeiro discurso. Ainda o encontro com os bispos e a cerimônia oficial de abertura da Jornada Mundial da Juventude.

24 de janeiro de 2019 at 5:50 Deixe um comentário

São Francisco de Sales, rogai por nós!

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24 de janeiro de 2019 at 5:48 Deixe um comentário

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