Papa em Guidonia: testemunhar Jesus, sem fofocar

22 de janeiro de 2017 at 16:35 Deixe um comentário

2017-01-16 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – “Testemunhar Jesus” com exemplos de vida cristã, ações concretas e sem “fofocas”. Foi o que disse o Papa Francisco na homilia da missa celebrada, na tarde deste domingo (15/01), na Paróquia de Santa Maria em Setteville, em Guidonia, Diocese de Roma. O pontífice retomou suas visitas às paróquias romanas depois de uma pausa do ano jubilar. Recomeçou o ciclo de visitas encontrando na Paróquia de Santa Maria em Setteville o vice-pároco Pe. Giuseppe Berardino, 47 anos, que sofre gravemente de Esclerose Lateral Amiotrófica há mais de dois anos, e não se movimenta autonomamente.

Francisco se encontrou com os jovens que começaram cinco anos atrás seu percurso de formação para a Crisma com Pe. Giuseppe. Acompanhado pelo Pároco Pe. Luigi Tedoldi, o Papa solicitou os jovens a falar, a fazerem perguntas, a testemunhar com a sua presença na paróquia que é “uma graça do Senhor” aos jovens que abandonam a Igreja depois da Crisma.

Testemunho

Com as crianças, o Pontífice se deteve sobre o significado do testemunho como “exemplo de vida”:

“Posso falar do Senhor, mas se eu com a minha vida não falo dando testemunho, não serve! Padre, eu sou cristão, e falo do Senhor. Sim, mas você é um cristão papagaio: palavras, palavras e palavras, e nada mais. O testemunho cristão se faz com a palavra, com o coração e com as mãos.”

O Papa exortou a ouvir, ir ao encontro, pedir perdão e perdoar, realizar obras de misericórdia com os doentes, encarcerados e pobres. E ter fé, vivendo-a e demonstrando com os fatos o quando seja importante:

“Se você tem um amigo, uma amiga que não crê, não deve dizer-lhe: “Você tem de crer por isso e aquilo, e explicar todas as coisas. Isso não deve ser feito! Isso se chama proselitismo e nós cristãos não fazemos proselitismo. O que se deve fazer? Se não posso explicar, o que devo fazer? Viver de tal forma que seja ele ou ela a lhe perguntar: Por que você vive assim? Por que você fez isso? Aí sim, você explica.”

Francisco convidou a falar e a ter como exemplo os avós que “protegem a família”: “são a nossa memória, a nossa sabedoria, são também amigos”, sublinhou.

No encontro com os agentes pastorais, recordou o período em que em Buenos Aires fazia algumas catequeses “com um filme”, convidando a assistir o filme japonês de Kurosawa intitulado “Rapsódia em Agosto”, para explicar o diálogo entre avós e netos.

O Papa falou das vezes em que caminhou na “escuridão” da fé: “Existem dias em que não se vê nada, mas depois com a ajuda do Senhor a gente se reencontra.” Por exemplo, diante de uma calamidade: Francisco se referiu às 13 crianças nascidas depois do terremoto que abalou recentemente a região central da Itália, batizadas, no último sábado (14/01), na Casa Santa Marta. Um homem disse ao Papa que perdeu sua esposa no terremoto.

“Respeita a escuridão da alma. Depois, o Senhor despertará a fé. A fé é um dom do Senhor. Cabe a nós somente protegê-la. Não se estuda para ter fé: a fé se recebe como um presente.”

No encontro com os doentes, Francisco refletiu sobre o sofrimento também das “crianças com problemas”:

“Existem coisas que não têm como explicar, acontecem. A vida é assim. Jesus quis estar próximo a nós com a sua dor, com a sua paixão, com seu sofrimento. Jesus está com todos vocês.”

Com os pais de 45 crianças batizadas na paróquia durante 2016, o Papa se deteve na “alegria da vida que segue adiante”, típica das crianças. A seguir, confessou quatro pessoas, e na homilia da missa, voltou a convidar a testemunhar Cristo: “Existem muitos cristãos que professam que Jesus é Deus; existem vários sacerdotes que confessam que Jesus é Deus, muitos bispos, mas todos testemunham Jesus? Ser cristão é uma maneira de viver? É como ser torcedor de um time? Ser cristão é primeiramente testemunhar Jesus.”

Paz

Uma paróquia é incapaz de testemunhar se nela existem fofocas. O Papa deu como exemplo os Apóstolos, que não obstante tenham traído Jesus, nunca “falavam mal” uns dos outros.

“Vocês querem uma paróquia perfeita? Não fofoquem. Se você tem alguma coisa contra uma pessoa, fale diretamente com ela ou converse com o pároco, mas não entre vocês. Este é o sinal de que o Espírito Santo está numa paróquia. Os outros pecados, todos temos. Existe um coleção de pecados: eu pego esse, você pega aquele, mas todos somos pecadores. Porém, o que realmente destrói uma comunidade, como o verme, são as fofocas.”

Antes de deixar Guidonia, Francisco saudou os fiéis que esperaram por ele do lado de fora da igreja. E deixou uma tarefa: Que este seja um “bairro de paz”.
(MJ)

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