Papa: diálogo abate muros das divisões e das incompreensões

26 de outubro de 2016 at 5:45 Deixe um comentário

2016-10-22 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – O Santo Padre encontrou na Praça São Pedro, neste sábado (22/10), memória litúrgica de São João Paulo II, cerca de 100 mil peregrinos e fiéis, provenientes de diversos países para a Audiência Jubilar, que se realiza no Vaticano durante este Ano Santo da Misericórdia.

 

Em sua catequese de hoje o Papa refletiu sobre o encontro de Cristo com a samaritana, narrado pelo evangelista São João, abordando o tema diálogo “tão premente em nossos dias”. De fato, Jesus mantém um “diálogo” intenso com a mulher, um dos aspectos importantes da misericórdia divina.

“O diálogo permite que as pessoas se conheçam e compreendam reciprocamente suas exigências. Trata-se de um sinal de respeito, porque coloca as pessoas em atitude de escuta e na condição de perceber os melhores aspectos do interlocutor”.

Em segundo lugar, explica Francisco, o diálogo é expressão da caridade, porque, sem ignorar as diferenças, leva à busca e à partilha do bem comum. Além disso, o diálogo convida-nos a colocar-nos diante do outro e a vê-lo como dom de Deus, que nos interpela e nos pede para ser reconhecido.

Muitas vezes, não encontramos os irmãos, embora vivamos ao seu lado, sobretudo quando fazemos prevalecer a nossa posição sobre a do outro. Não dialogamos quando não escutamos o suficiente ou temos a tendência de interromper o outro para demonstrar que temos razão.

O verdadeiro diálogo, pelo contrário, afirma o Papa, requer momentos de silêncio, nos quais se percebe o dom extraordinário da presença de Deus no irmão:

“Caros irmãos e irmãs, dialogar ajuda as pessoas a humanizar as relações e a superar as incompreensões. Há tanta necessidade de diálogo em nossas famílias e como se resolveriam mais facilmente as questões se aprendêssemos a escutar reciprocamente”!

A mesma coisa, recordou o Pontífice, acontece na relação entre marido e mulher, entre pais e filhos. Quanta ajuda poder-se-ia obter também do diálogo entre professores e alunos ou entre dirigentes e operários, para descobrir as melhores exigências do trabalho.

“De diálogo vive também a Igreja com os homens e as mulheres de todos os tempos, para compreender as necessidades do coração de cada pessoa e contribuir para a realização do bem comum. Pensemos ao grande dom da Criação e à responsabilidade que todos temos de preservar a nossa casa comum: o diálogo sobre um tema tão central assim torna-se uma exigência inevitável”.

Neste sentido, o Pontífice convidou os fiéis a dirigir seu pensamento também ao diálogo entre as religiões, para descobrir a profunda verdade sobre sua missão no meio dos homens e contribuir para a construção da paz e de uma rede de respeito e fraternidade. E o Papa concluiu:

“Todas as formas de diálogo são expressão da grande exigência de amor de Deus, que vai ao encontro de todos e em cada um planta uma semente da sua bondade, para que possa colaborar com a sua obra criadora. O diálogo abate os muros das divisões e das incompreensões; cria pontes de comunicação e não permite que ninguém se isole, fechando-se no seu pequeno mundo”.

Jesus sabia muito bem o que acontecia no coração da samaritana, frisou Francisco; no entanto, Ele não lhe negou o direito de se expressar e, aos poucos, penetrou no mistério da sua vida.

Por fim, o Santo Padre ressaltou que “este ensinamento vale também para nós, pois, por meio do diálogo, podemos fazer crescer os sinais da misericórdia de Deus, tornando-o instrumento de acolhida e de respeito”.

Ao término da sua catequese na Audiência Jubilar, Francisco passou a cumprimentar os diversos grupos de peregrinos, presentes na Praça São Pedro.

Aos fiéis da Polônia, que vieram em peregrinação nacional para agradecer a Deus pelo Batismo que seu povo recebeu há 1050 anos, Francisco aproveitou para recordar a grande figura de São João Paulo II, cuja memória litúrgica celebramos hoje, e sua Viagem Apostólica ao país, em julho passado:

“Estou imensamente agradecido a Deus, que me permitiu conhecer a sua nação, a pátria de São João Paulo II, onde pude visitar o Santuário mariano de Jasna Gora, o da Divina Misericórdia em Cracóvia e o centro João Paulo II intitulado ‘Não tenham medo’. Agradeço também pela visita silenciosa ao Campo de extermínio em Auschwitz-Birkenau”.

Aos peregrinos de língua italiana, Francisco recordou que há 38 anos, ressoava, precisamente na Praça São Pedro, as palavras que São João Paulo II dirigia ao mundo no início do seu Pontificado: “Não tenham medo… Abram, ou melhor, escancarem as portas a Cristo”. Tais palavras expressam a profunda espiritualidade do Santo polonês, plasmada pela herança histórica e cultural do seu povo.

Por fim, o Santo Padre se dirigiu aos presentes de língua portuguesa, aos quais disse:

“Dirijo uma cordial saudação aos peregrinos de língua portuguesa, de modo particular ao grupo de Póvoa de Varzim. Recordemos que a Virgem Maria nos ensina a ouvir no silêncio e a meditar todas as coisas no coração, de modo que possamos ir ao encontro das necessidades do próximo. Que seu exemplo possa nos ajudar a servir sempre mais os nossos irmãos e irmãs. Que Deus abençoe a vocês e aos seus entes queridos!” (MT)

***

Abaixo, a íntegra da reflexão de Francisco:

“O trecho do Evangelho de João que escutamos narra o encontro de Jesus com uma mulher samaritana. O que marca neste encontro é o diálogo intenso entre a mulher e Jesus. E isso hoje nos permite destacar um aspecto muito importante da misericórdia, que é justamente o diálogo.

O diálogo permite que as pessoas se conheçam e compreendam as exigências de ambas as partes. Antes de tudo, é um sinal de respeito, porque coloca as pessoas em escuta e na condição de transpor os melhores aspectos do interlocutor.

Em segundo lugar, o diálogo é expressão de caridade, porque, ao não ignorar as diferenças, pode ajudar a procurar e partilhar o bem comum. Além disso, o diálogo nos convida a colocar-nos diante do outro vendo-o como um dom de Deus, que nos interpela e nos pede para ser reconhecido.

Muitas vezes, não encontramos os irmãos mesmo vivendo ao lado deles, sobretudo quando fazemos prevalecer a nossa posição sobre a do outro. Não dialogamos quando não escutamos o suficiente ou temos a tendência de interromper o outro para demonstrar que temos razão. O verdadeiro diálogo, ao contrário, requer momentos de silêncio, nos quais se perceber o dom extraordinário da presença de Deus no irmão.

Caros irmãos e irmãs, dialogar ajuda as pessoas a humanizar as relações e a superar as incompreensões. Há tanta necessidade de diálogo em nossas famílias, e como se resolveriam mais facilmente as questões se se aprendesse a escutar reciprocamente!

É assim na relação entre marido e mulher, entre pais e filhos. Quanta ajuda pode vir também do diálogo entre professores e alunos, ou entre dirigentes e operários, para descobrir as melhores exigências do trabalho.

De diálogo vive também a Igreja com os homens e as mulheres de cada tempo, para compreender as necessidades que estão no coração de cada pessoa e para contribuir à realização do bem comum.

Pensemos ao grande dom da Criação e à responsabilidade que todos temos em preservar a nossa casa comum: o diálogo sobre um tema tão premente é uma exigência inevitável.

Pensemos ao diálogo entre as religiões, para descobrir a verdade profunda sobre sua missão em meio aos homens, e para contribuir à construção da paz e de uma rede de respeito e fraternidade.

Para terminar, todas as formas de diálogo são expressão da grande exigência de amor de Deus, que vai ao encontro de todos e em cada um planta uma semente da sua bondade, para que possa colaborar a sua obra criadora.

O diálogo abate os muros das divisões e das incompreensões; cria pontes de comunicação e não consente que ninguém se isole, fechando-se no próprio pequeno mundo.

Jesus conhecia bem aquilo que estava no coração da samaritana; e apesar disso não negou a ela o direito de se expressar e entrou aos poucos no mistério da sua vida. Este ensinamento vale também para nós. Por meio do diálogo, podemos fazer com que cresçam os sinais da misericórdia de Deus fazendo-o instrumento de acolhida e respeito”. (RB)

***

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