Eu vos declaro que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé – Nono Domingo do Tempo Comum – São Lucas 7, 1-10

27 de maio de 2013 at 11:25 Deixe um comentário

centuriao[1]
1. Tendo Jesus concluído todos os seus discursos ao povo que o escutava, entrou em Cafarnaum.
2. Havia lá um centurião que tinha um servo a quem muito estimava e que estava à morte.
3. Tendo ouvido falar de Jesus, enviou-lhe alguns anciãos dos judeus, rogando-lhe que o viesse curar.
4. Aproximando-se eles de Jesus, rogavam-lhe encarecidamente: Ele bem merece que lhe faças este favor,
5. pois é amigo da nossa nação e foi ele mesmo quem nos edificou uma sinagoga.
6. Jesus então foi com eles. E já não estava longe da casa, quando o centurião lhe mandou dizer por amigos seus: Senhor, não te incomodes tanto assim, porque não sou digno de que entres em minha casa;
7. por isso nem me achei digno de chegar-me a ti, mas dize somente uma palavra e o meu servo será curado.
8. Pois também eu, simples subalterno, tenho soldados às minhas ordens; e digo a um: Vai ali! E ele vai; e a outro: Vem cá! E ele vem; e ao meu servo: Faze isto! E ele o faz.
9. Ouvindo estas palavras, Jesus ficou admirado. E, voltando-se para o povo que o ia seguindo, disse: Em verdade vos digo: nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé.
10. Voltando para a casa do centurião os que haviam sido enviados, encontraram o servo curado.

Iniciemos essa reflexão com o Comentário Litúrgico: “Contemplemos hoje o exemplo de fé deixado pelo oficial romano. Seu testemunho nos anima a celebrar e fortalece nossa caminhada neste Ano da Fé. Segundo o Papa Emérito Bemto XVI, “a fé vivida abre o coração à graça de Deus, que liberta do pessimismo”, e o Ano da Fé pode ser compreendido como “uma peregrinação nos desertos do mundo contemporâneo, em que se deve levar apenas o que é essencial: o evangelho e a fé da Igreja”.

Versículos 1 – 3: “Tendo Jesus concluído todos os seus discursos ao povo que o escutava, entrou em Cafarnaum. Havia lá um centurião que tinha um servo a quem muito estimava e que estava à morte. Tendo ouvido falar de Jesus, enviou-lhe alguns anciãos dos judeus, rogando-lhe que o viesse curar”.

O pedido pelo servo – “Aquele homem, que foi ao encontro de Jesus Cristo, foi buscar o socorro para uma outra pessoa. Ele não foi pedir nada para si próprio, mas buscava a salvação, a cura e a libertação para um servo… O centurião não foi buscar socorro buscando a paz na sua casa, mas ele queria o bem do seu servo. O pedido dele estava livre de egoísmo, pois não pensava no seu bem-estar, mas no alívio do seu empregado”. (Márcio Mendes)

A indignidade e o pedido – Padre Bantu disse que “este homem se sente indigno de se aproximar de Jesus e por isso pede a outros que por ele intercedam, levando-nos a pensar na importância da intercessão”.

Versículos 4 – 6a: “Aproximando-se eles de Jesus, rogavam-lhe encarecidamente: Ele bem merece que lhe faças este favor, pois é amigo da nossa nação e foi ele mesmo quem nos edificou uma sinagoga. Jesus então foi com eles”.

“Foi ele mesmo quem nos edificou uma sinagoga” -Padre Bantu disse: “Estamos diante do pedido que um centurião faz à Jesus. Prestemos bem a atenção para o fato do homem que pede ser um centurião, portanto um “inimigo” dos judeus, um ocupador da sua terra, mas apesar disso, ser com certeza um homem bom, pois a passagem diz claramente que ele tinha muita afeição pelo seu servo, (o que naquele tempo seria coisa rara), e que até tinha mandado construir a sinagoga para os judeus”.

“Jesus então foi com eles” – São Tomás de Aquino explicou: “Vendo Nosso Senhor a fé, a humildade e a prudência do Centurião, disse-lhe imediatamente que iria e curaria o servo. O que nunca tinha feito, fez Jesus agora: em todos os lugares seguia a vontade dos que suplicavam; aqui se excede: não só ofereceu curá-lo, senão também ir à sua casa. Fez isso para conhecermos a virtude do Centurião”.

Versículos 6 b – 8: “E já não estava longe da casa, quando o centurião lhe mandou dizer por amigos seus: Senhor, não te incomodes tanto assim, porque não sou digno de que entres em minha casa; por isso nem me achei digno de chegar-me a ti, mas dize somente uma palavra e o meu servo será curado. Pois também eu, simples subalterno, tenho soldados às minhas ordens; e digo a um: Vai ali! E ele vai; e a outro: Vem cá! E ele vem; e ao meu servo: Faze isto! E ele o faz”.

“Não sou digno de que entres em minha casa”
– São Tomás de Aquino disse: “Assim como admiramos a fé do Centurião, porque acreditou que o paralítico poderia ser curado pelo Senhor, assim também se manifesta sua humildade enquanto se considera indigno de que o Senhor entre em sua casa, como está dito: “Senhor, eu não sou digno de que entres na minha casa”. Considerando-se como indigno, apareceu como digno, não de que entrasse o Senhor em sua casa, mas em seu coração”.

– O Beato João Paulo II ensinou: “Pensamos, por exemplo, nas palavras que todas as vezes repetimos no momento da santa Comunhão: «Não sou digno…». Elas são de um centurião romano, que assim expressou a sua fé, a sua admiração por Jesus Cristo, a sua profunda humildade e a sua premente súplica pela cura do servo” (Mt 8, 8; Lc 7, 8).

Versículos 9 – 10: “Ouvindo estas palavras, Jesus ficou admirado. E, voltando-se para o povo que o ia seguindo, disse: Em verdade vos digo: nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé. Voltando para a casa do centurião os que haviam sido enviados, encontraram o servo curado”.

Padre Zezinho explicou: “O centurião romano, soldado pagão em comando, teve a humildade de orar pelo seu servo. Jesus se encantou com a humildade do homem que não quis tirar proveito de Jesus. Apenas queria que ele curasse o seu servo querido. Quantos de nós oramos pelos que trabalham conosco? Quantos poderiam honestamente dizer que oram pelas suas cozinheiras, lavadeiras e pelos seus zeladores ou balconistas? Quantos de nós oramos pelo futuro deles e de nossos familiares? “

O Catecismo (§2610) ensina: “ Assim como Jesus ora ao Pai e dá graças antes de receber seus dons, Ele nos ensina essa audácia filial: “Tudo quanto suplicardes e pedirdes, crede que já recebestes” (Mc 11,24). “Tudo é possível para quem crê” (Mc 9,23), com uma fé “que não hesita”. tal é a força da oração. Se por um lado Jesus se entristece pela “falta de fé” de seus parentes (Mc 6,6) e pela “fraqueza na fé” de seus discípulos, por outro lado fica admirado com a “grande fé” do centurião romano e da Cananéia”.

A Eucaristia

O Padre Bantu disse: “Esta frase que, (pelo menos falo por mim), tantas e tantas vezes, dizemos de forma rotineira e “banal”, nos introduz no Mistério maior de um Deus que se faz alimento para aqueles que ama, e nos irmana num só povo que, reconhecendo-se indigno, aceita a dignidade que lhe é oferecida pelo seu Senhor. Esta frase que se confirmou na cura do servo do centurião, (pela graça de Deus, admirado da fé daquele homem), e que nós repetimos de forma ligeira e tantas vezes irrefletida, não percebendo que por essa mesma graça, o Senhor nos alcança a salvação, mesmo perante a nossa fraca fé”.

O Beato João Paulo II disse: “O Banquete eucarístico é verdadeiramente banquete « sagrado », onde, na simplicidade dos sinais, se esconde o abismo da santidade de Deus: O pão que é repartido nos nossos altares, oferecido à nossa condição de viandantes pelas estradas do mundo, é pão dos anjos, do qual só é possível abeirar-se com a humildade do centurião do Evangelho: “Senhor, eu não sou digno que entreis em minha morada” (Mt 8, 8; Lc 6, 6).

O Catecismo (1386) ensina: “Perante a grandeza deste sacramento, o fiel só pode retomar humildemente e com ardente fé a palavra do centurião (219) : «Domine, non sum dignus, ut intres sub tectum meum, sed tantum dic verbum, et sanabitur anima mea – Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma [só] palavra e serei salvo”.

“Em verdade vos digo: nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé”
O Ano da Fé

O Papa Emérito Bento XVI disse: “Decidi proclamar um Ano da Fé. Este terá início a 11 de Outubro de 2012, no cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II, e terminará na Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, a 24 de Novembro de 2013. Na referida data de 11 de Outubro de 2012, completar-se-ão também vinte anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica, texto promulgado pelo meu Predecessor, o Beato Papa João Paulo II,com o objetivo de ilustrar a todos os fiéis a força e a beleza da fé.(Documento: Porta Fidei)

O Papa Emérito Bento XVI disse na abertura do Ano da Fé: “Jesus é o centro da fé cristã. O cristão crê em Deus através de Jesus Cristo, que nos revelou a face de Deus. Ele é o cumprimento das Escrituras e seu intérprete definitivo. Jesus Cristo não é apenas o objeto de fé, mas, como diz a Carta aos Hebreus, é aquele «que em nós começa e completa a obra da fé” (Hb 12,2).

Conclusão

Com as palavras do Círculo Bíblico: “Queremos, ó Deus, manifestar-vos nossa gratidão, porque Jesus nos ensina que a fé em vós não é exclusividade de alguns grupos religiosos. Nós vos agradecemos pelo carinho e admiração de vosso Filho por todas as pessoas de boa-fé, ponde-se do lado dos que sofrem e dos doentes. Dai-nos, ó Pai, humildade suficiente para crer e fé profunda para amar. Iluminai o caminho da nossa vida com a vossa palavra criadora, para que possamos sentar-nos à mesa do vosso reino. Por Cristo, nosso Senhor. Amém”.

Oração
Oremos com o Credo Niceno-Constantinopolitano:

Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso,
Criador do céu e da terra,
de todas as coisas visíveis e invisíveis.
Creio em um só Senhor, Jesus Cristo,
Filho Unigênito de Deus,
nascido do Pai antes de todos os séculos:
Deus de Deus, luz da luz,
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro,
gerado não criado,
consubstancial ao Pai.
Por Ele todas as coisas foram feitas.
E, por nós, homens, e para a nossa salvação,
desceu dos céus:
e encarnou pelo Espírito Santo,
no seio da Virgem Maria,
e se fez homem.
Também por nós foi crucificado
sob Pôncio Pilatos;
padeceu e foi sepultado.
Ressuscitou ao terceiro dia,
conforme as escrituras;
E subiu aos céus,
onde está sentado à direita do Pai.
E de novo há de vir, em sua glória,
para julgar os vivos e os mortos;
e o seu reino não terá fim.
Creio no Espírito Santo,
Senhor que dá a vida,
e procede do Pai;
e com o Pai e o Filho
é adorado e glorificado:
Ele que falou pelos profetas.
Creio na Igreja una, santa,
católica e apostólica.
Professo um só batismo
para remissão dos pecados.
Espero a ressurreição dos mortos;
E a vida do mundo que há de vir.
Amém.
Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

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Lema da Jornada: Ide e fazei discipulos entre todas as nações! (cf. Mt 28, 19) São Germano de Paris – 28 de Maio

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