Eu sou a Videira; vós, os ramos – Quinto Domingo da Páscoa – São João 15, 1-8

1 de maio de 2012 at 15:04 1 comentário

1. Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará; 2. e podará todo o que der fruto, para que produza mais fruto. 3. Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado. 4. Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim. 5. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. 6. Se alguém não permanecer em mim será lançado fora, como o ramo. Ele secará e hão de ajuntá-lo e lançá-lo ao fogo, e queimar-se-á. 7. Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e vos será feito. 8. Nisto é glorificado meu Pai, para que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos.

Comentário daliturgia desse domingo: Unidos a Cristo, a videira da qual extraímos a seiva que nutre a nossa vida, queremos cantar as maravilhas de Deus. Em Jesus, participamos da vida divina e nos tornamos ramos vivos e férteis que produzem frutos abundantes de amor.

Versículos 1-3:  “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará; e podará todo o que der fruto, para que produza mais fruto. Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado”.

O Pai é o Agricultor

O Pai cultiva sua vinha através do Filho Jesus Cristo – O Beato João Paulo II disse:  “Cristo é a videira verdadeira. Se o Eterno Pai cultiva a Sua vinha, neste mundo, fá-lo na força da Verdade e da Vida que estão no Filho”.

O Catecismo (755) ensina que a vinha “foi plantada pelo celeste Agricultor como uma vinha eleita.  A verdadeira Videira é Cristo: é Ele que dá vida e fecundidade aos sarmentos, isto é, a nós que, pela Igreja, permanecemos n’Ele, e sem o Qual nada podemos fazer”.

Cristo é a “seiva da vida” presente na Igreja

O Beato João Paulo II disse:  “No fundo quem nos chama é o Pai (Jo 15,1), o agricultor e nos atrai Àquele que Ele enviou. Seu chamado ( Jo 6,44). prolonga em nós a obra de amor começada na criação. Mas é sempre Cristo – diretamente ou pelo seu “sacramento universal da Salvação” que é a Igreja – quem torna perceptível o chamamento divino para um trabalho que é colaboração pessoal com Ele”.

“Cristo é a videira verdadeira que dá vida e fecundidade às vides, isto é, a nós, que por meio da Igreja permanecemos n’Ele e sem Ele nada podemos fazer (Jo 15, 1-5). A própria Igreja é, portanto, a vinha evangélica”. (Concílio Vaticano II)

A poda dos ramos

Deus na sua imensa misericórdia, aguarda pacientemente para colher bons frutos em nós. Mas se os bons frutos não aparecem, então a poda dos ramos é feita. A poda dos ramos acontece porque há situações de pecado (obras da carne) em  nossa vida, por isso o nosso coração se fecha e não consegue mais receber a seiva que vem de Deus. Então os ramos secam. É hora então de cortar os ramos para que voltem a dar frutos bons, frutos de santidade. A poda que  Deus  faz em nós é sempre para salvar a nossa alma da morte eterna. Portanto a poda de Deus é feita somente no amor e para o amor.

A Palavra diz:  “Ora, as obras da carne são estas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos,  invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes. Dessas coisas vos previno, como já vos preveni: os que as praticarem não herdarão o Reino de Deus!” (Gl 5, 19-21)

O Beato João Paulo II disse: É no Filho, em Cristo, que se realiza aquele vivificante processo de podadura dos ramos, para que cada um deles “dê mais fruto” (Jo 15, 2). E também n’Ele — em referência à Redenção que realizou — desenvolve-se o processo de eliminação dos ramos que não dão fruto”.

A palavra diz: “Meu filho, não desprezes a correção do Senhor, nem te espantes de que ele te repreenda,  porque o Senhor castiga aquele a quem ama, e pune o filho a quem muito estima”. (Pr 3, 11-12)

Versículo 4: “Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim”.

Os sacramentos nos mantem unidos a Cristo

O Batismo insere-nos na Igreja e, a Eucaristia nos mantem unidos à Videira Verdadeira – O Beato João Paulo II disse: “É um tema que será sublinhado também nos discursos da Última Ceia mediante o símbolo da videira:  o ramo só é verdejante e frutífero se estiver enxertado no tronco da videira, da qual recebe linfa e sustento ( Jo 15, 1-7). Doutra forma, é só um ramo seco e destinado ao fogo”.

Devemos ser vigilantes para não perdemos a nossa alma com tantas tentações e prazeres desse mundo. Precisamos dar continuamente frutos de conversão e para isso é vital permanecermos na videira, que é Cristo. O Beato João Paulo II disse: “Impõe-se, antes de mais nada, o valor e a exigência de “viver intimamente unidos” a Jesus Cristo. A união ao Senhor Jesus, que se fundamenta no Batismo e se alimenta com a Eucaristia, exige exprimir-se na vida de cada dia, renovando-a radicalmente”.

Pelo sacramento da Eucaristia  permanecemos em Cristo e Cristo em nós

A Eucaristia é o vinho do amor – doação de Cristo na cruz-  O Papa Bento XVI ensinou: “Assim, essa parábola (da Videira) leva finalmente ao mistério da Eucaristia, em que o Senhor nos oferece o pão da vida e o vinho do seu amor, e nos convida para a festa do amor eterno. Nós celebramos a Eucaristia, conscientes de que o seu preço foi a morte do Filho o sacrifício da sua vida, que nela permanece presente”.

A Palavra diz: ”Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida.  Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele”.

Versículos 5-6: “Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Se alguém não permanecer em mim será lançado fora, como o ramo. Ele secará e hão de ajuntá-lo e lançá-lo ao fogo, e queimar-se-á”.

O Papa Bento XVI disse: “Permanecer em Cristo significa permanecer na Igreja. A comunidade inteira dos crentes está firmemente unida em Cristo, a videira. Em Cristo, todos nós estamos conjuntamente unidos. Nesta comunidade, Ele sustenta-nos e, ao mesmo tempo, todos os membros se sustentam uns aos outros. Juntos resistimos às tempestades e oferecemos proteção uns aos outros. Não cremos sozinhos, cremos com toda a Igreja, de todo o lugar e de todo o tempo, com a Igreja que está no Céu e na terra”.

“Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto” –  O Espírito Santo é o doador dos dons e frutos, por isso precisamos permanecer no Senhor para que possamos produzir muitos frutos bons, frutos do Espírito.

A Palavra diz:  “…o fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade brandura, temperança”. (Gl  5, 22-23a)

“Ele secará e hão de ajuntá-lo e lançá-lo ao fogo, e queimar-se-á” – Santo Agostinho disse: “Ao ramo toca uma coisa ou outra: ou a videira ou o fogo; se o ramo não estiver na videira, estará no fogo; por conseguinte, para que não esteja no fogo, fique na videira”.

Versículos 7-8: “Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e vos será feito. Nisto é glorificado meu Pai, para que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos”.

Permanecer na Palavra e observar os Mandamentos

Damos testemunho de fé que permanecemos no Senhor, se obedecemos aos seus mandamentos e seguimos seus ensinamentos. Santo Atanásio também disse: “Nenhum de nós julga pelo que não sabe e ninguém é chamado santo por seu aprendizado e conhecimento; porém, cada um será chamado a Juízo nestes pontos: se manteve a fé e realmente observou os mandamentos” .

O Beato João Paulo II disse: “Jesus mesmo preocupa-se em esclarecer o sentido deste “permanecer n’Ele”: consiste no amor; um amor, porém, que não se exaure em sentimentalismo, mas se traduz no concreto testemunho do cumprimento dos mandamentos”.

Dar frutos permanentemente

Jesus é a seiva que nutre e sustenta os ramos, que somos nós. É o Senhor quem dá a vida em abundância aos ramos, para que produza frutos continuadamente. Se nos afastamos de Deus daremos “uvas verdes” como narra o Livro do profeta Isaías, capítulo 5, versículo 4: “Que se poderia fazer por minha vinha, que eu não tenha feito? Por que, quando eu esperava vê-la produzir uvas, só deu agraço?”

O Pai é glorificado

Tudo o que fizermos em comunhão com Cristo e Sua Palavra, o Pai é glorificado – O Beato João Paulo II disse:  “Quem age assim, dá aos homens testemunho para que seja glorificado o Pai, que está nos Céus ( Mt 5, 16), e dispõe-se a receber o Reino que Ele preparou para os justos, segundo as palavras de Cristo no juízo final: «Vinde, benditos de Meu Pai, recebei em herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo» (Mt 25, 34).

A Palavra diz:  “O Filho de Deus aprendeu a obediência por meio dos sofrimentos que teve. Tendo chegado à perfeição, tornou-se causa de eterna salvação para todos os que lhe obedecem” ( Hb 5,8-9).

Muitas vezes passamos por situações tão graves e tristes, que elas parecem insuportáveis. Mas se permanecemos unidos a Cristo, temos a vitória e podemos sair desses momentos com uma fé mais madura e com as forças renovadas. O Canto litúrgico desse domingo diz assim “Quando a estrada é difícil; permanecei no meu amor. Quando o passo é impossível; permanecei no meu amor. Quando treme a esperança; permanecei em mim”.

Concluímos essa reflexão com as palavras do Papa Bento XVI: “No nosso tempo de inquietação e indiferença, em que tanta gente perde a orientação e o apoio; em que a fidelidade do amor no matrimônio e na amizade se tornou tão frágil e de breve duração; em que nos apetece gritar, em nossa necessidade, como os discípulos de Emaús: «Senhor, fica conosco, porque anoitece (Lc 24, 29), sim, é escuro ao nosso redor!»; neste tempo, o Senhor ressuscitado oferece-nos um refúgio, um lugar de luz, de esperança e confiança, de paz e segurança. Onde a secura e a morte ameaçam os ramos, aí, em Cristo, há futuro, vida e alegria; aí há sempre perdão e novo início, transformação ao entrar no seu amor”.

Oremos com:

O Círculo Bíblico: Ó Deus de amor, a comunhão convosco nos torna alegres, felizes e férteis na produção de bons e saborosos frutos. Nós vos louvamos e bendizemos não só  porque o vosso Filho, Jesus, é a videira de quem somos parte, mas também porque o seu sangue é o vinho novo da Páscoa da ressurreição. Somos vossa vinha, Senhor, o povo que vós amais. Graças a Jesus, podemos ter em nós vossa vida divina e produzir frutos abundantes se estivermos unidos a Ele. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Há uma outra reflexão no Blog, postada em Janeiro de 2011, com o título: A Videira e os Ramos.

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

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São José Operário – 1° de Maio Santo Atanásio – 02 de Maio

1 Comentário Add your own

  • 1. kamila  |  5 de maio de 2012 às 23:08

    oi, Jane! mto boa reflexão, gostei mto! abraços, kamila

    Responder

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