Parábola dos Talentos – Trigésimo Terceiro Domingo do Tempo Comum – Mateus 25, 14-30

9 de novembro de 2011 at 11:56 Deixe um comentário

A parábola desse domingo convida-nos a ser vigilantes e empreendedores, à espera da volta do Senhor Jesus, no fim dos tempos. Eis o resumo da “Parábola dos Talentos”:

Um homem antes de viajar confiou seus bens aos seus servos: “a um deu cinco talentos; a outro, dois; e a outro, um”. O que recebeu cinco talentos negociou e produziu mais cincos talentos e, o que recebeu dois também produziu mais dois. O que recebeu um talento escondeu-o no buraco. Depois de muito tempo, o senhor dos servos cobrou deles os talentos que ele havia distribuído. Os servos que receberam cinco e dois talentos se apresentaram ao senhor e mostraram que seus talentos foram dobrados pelo lucro. Ao que o senhor respondeu a cada um deles: “Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu senhor”.   O servo que recebeu um talento devolveu o talento ao senhor sem ter lucrado com ele, pois o havia enterrado. O senhor disse-lhe: “Servo mau e preguiçoso! Sabias que colho onde não semeei e que recolho onde não espalhei. Devias, pois, levar meu dinheiro ao banco e, à minha volta, eu receberia com os juros o que é meu”. O senhor mandou que tirassem o talento do servo preguiçoso e entregassem ao que tinha dez. Então o senhor disse:  “Dar-se-á ao que tem e terá em abundância. Mas ao que não tem, tirar-se-á mesmo aquilo que julga ter”. E mandou que jogassem o servo inútil “nas trevas exteriores”, onde “haverá choro e ranger de dentes”.

Vamos refletir os versículos de 14 a 30 do Evangelho de Jesus Cristo, segundo São Mateus capítulo 25.

Versículos 14 e 15: “Será também como um homem que, tendo de viajar, reuniu seus servos e lhes confiou seus bens. A um deu cinco talentos; a outro, dois; e a outro, um, segundo a capacidade de cada um. Depois partiu”.

A distribuição dos talentos – Deus distribui os talentos e os dons de forma que necessitemos uns dos outros – A Palavra diz: “A cada um é dada a manifestação do Espírito (dom) para proveito comum”. (1 Cor 12, 7) O Catecismo (1936) também ensina: “Com efeito, Ele quer que cada um receba dos outros,  aquilo de que precisa, e quer que os que dispõem de «talentos» particulares os partilhem com os outros. Tais diferenças estimulam e obrigam, muitas vezes, as pessoas à magnanimidade, à benevolência e à partilha, e incitam as culturas a enriquecerem-se umas às outras”. Os talentos são distribuídos segundo o critério e a vontade de Deus, que conhece a todos nós, seus filhos, intimamente.

Os talentos (1): riquezas deixadas por Jesus Cristo na sua Igreja – Na Igreja encontramos os ”dons” deixados pelo Senhor para que juntos possamos cooperar na construção do seu Reino de justiça, de paz e de amor. O Papa Bento XVI disse assim:  “O homem da parábola representa o próprio Cristo, os servos são os discípulos e os talentos são os dons que Jesus lhes confia. Por isso tais dons, além das qualidades naturais, representam as riquezas que o Senhor Jesus nos deixou em herança, para que as fecundemos: a sua Palavra,escrita no Santo Evangelho; o Batismo, que nos renova no Espírito Santo; a oração do “Pai-Nosso” que elevamos a Deus como filhos unidos no Filho; o seu perdão, que Ele ordenou de levar a todos; o sacramento do seu Corpo imolado e do seu Sangue derramado. Em síntese: o Reino de Deus, que é Ele mesmo, presente e vivo no meio de nós. Este é o tesouro que Jesus confiou aos seus amigos, no final da sua breve existência terrena”.

Versículos 16 a 18:  “Logo em seguida, o que recebeu cinco talentos negociou com eles; fê-los produzir, e ganhou outros cinco. Do mesmo modo, o que recebeu dois, ganhou outros dois.  Mas, o que recebeu apenas um, foi cavar a terra e escondeu o dinheiro de seu senhor”.

Os talentos (2): dons do Espírito Santo – Deus nos abastece com muitos dons e não podemos desperdiçá-los ou ficar com receio de partilhá-los. Os dons são dados por Deus para edificar a sua Igreja. O Papa Bento XVI disse: “A parábola põe em maior evidência os bons frutos produzidos pelos discípulos que, felizes pelo dom recebido, não o conservaram escondido, com receio e inveja, mas fizeram-no frutificar, compartilhando-o, comunicando-o. Sim, o que Cristo nos concedeu multiplica-se quando é doado! É um tesouro feito para ser despendido, investido, compartilhado com todos”.

“O servo que tem medo do seu senhor e teme o seu retorno, esconde a moeda debaixo da terra e ela não produz qualquer fruto. Isto acontece, por exemplo, com quem tendo recebido o Batismo, a Comunhão e a Crisma, depois enterra tais dons debaixo de uma camada de preconceitos, sob uma falsa imagem de Deus que paralisa a fé e as obras, a ponto de atraiçoar as expectativas do Senhor”, disse o Papa Bento XVI.

Versículos 19 a 23:  “Muito tempo depois, o senhor daqueles servos voltou e pediu-lhes contas. O que recebeu cinco talentos, aproximou-se e apresentou outros cinco: – Senhor, disse-lhe, confiaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco que ganhei. ‘Disse-lhe seu senhor: – Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu senhor.  O que recebeu dois talentos, adiantou-se também e disse: – Senhor, confiaste-me dois talentos; eis aqui os dois outros que lucrei. Disse-lhe seu senhor: – Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu senhor”.

Fazer frutificar os talentos recebidos – Os dons só tem sentido se forem utilizados no amor e na partilha com os irmãos. O Cardeal José Saraiva Martins explicou-nos: “Diante de Deus, levaremos só o que tivermos dado e não o que acumulamos, porque o que doamos depositamo-lo no banco do amor. Por este motivo Jesus louva os dois homens que souberam fazer frutificar os talentos recebidos:  foi precisamente isto que fizeram os santos, na lógica divina do amor e da doação total de si”.

Versículos 24 a 28:  “ Veio, por fim, o que recebeu só um talento: – Senhor, disse-lhe, sabia que és um homem duro, que colhes onde não semeaste e recolhes onde não espalhaste. Por isso, tive medo e fui esconder teu talento na terra. Eis aqui, toma o que te pertence.  Respondeu-lhe seu senhor: – Servo mau e preguiçoso! Sabias que colho onde não semeei e que recolho onde não espalhei.  Devias, pois, levar meu dinheiro ao banco e, à minha volta, eu receberia com os juros o que é meu.  Tirai-lhe este talento e dai-o ao que tem dez”.

O  servo mau ficou com medo de Deus, por isso seus talentos não deram frutos – Devemos “temer a Deus” não é ficar com “medo de Deus”. É buscar compreender que a sua vontade é soberana e seu poder não tem limites.  O Beato João Paulo II explicou:  “Esta parábola dos talentos ensina-nos a distinguir o verdadeiro temor de Deus, do falso. O verdadeiro temor de Deus não é terror, mas antes dom do Espírito, pelo qual se teme ofendê-l’O, entristecê-l’O e não fazer os esforços suficientes para ser fiel a vontade d’Ele; ao passo que o falso temor de Deus é fundado na desconfiança n’Ele e no mesquinho cálculo humano. Verdadeiro temor de Deus tem aquele que “segue o caminho do Senhor” (Sl 127, 1), assim como se manifestou no comportamento do primeiro e do segundo servo, ambos louvados pelo Senhor com as palavras: “Muito bem, excelente e fiel servidor! “

Versículos 29 e 30:  “Dar-se-á ao que tem e terá em abundância. Mas ao que não tem, tirar-se-á mesmo aquilo que julga ter.  E a esse servo inútil, jogai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes”.

Dar-se-á ao que tem e terá em abundância – Precisamos colocar os talentos que Deus nos deu a serviço do Reino para que outros também possam receber esses dons e multiplicá-los pelo mundo. Deus nos envia a levar o evangelho a todos e, os dons nos tornam aptos a responder ao chamado do Senhor. A Palavra diz: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão”. (Mc 16, 15-18)

Tirar-se-á mesmo aquilo que julga ter – O Beato João Paulo II ensinou:  “O próprio Senhor Jesus, na parábola dos talentos, põe em relevo o tratamento severo reservado a quem ousou esconder o dom recebido. A nós, que recebemos os dons de Deus para os fazer frutificar, compete-nos «semear» e «recolher». Se não o fizermos, ser-nos-á tirado também aquilo que temos. O aprofundamento destas palavras severas poderá impelir-nos a empenharmo-nos com mais decisão no dever, hoje premente para todos, de colaborar no desenvolvimento integral dos outros: desenvolvimento do homem todo e de todos os homens».

Vamos concluir essa reflexão com as palavras do Papa Bento XVI:  “A mensagem central desse Evangelho diz respeito ao espírito de responsabilidade com que acolher o Reino de Deus: responsabilidade em relação a Deus e à humanidade. Encarna perfeitamente esta atitude do coração à Virgem Maria que, recebendo o mais precioso dos dons, o próprio Jesus, ofereceu-O ao mundo com imenso amor. A Ela peçamos-lhe que nos ajude a ser “servos bons e fiéis”, para que possamos um dia participar “na alegria do nosso Senhor”.

Oração

Para pedir os dons ao Espírito Santo:

Vinde Espírito Santo / E dai-nos o Dom da Sabedoria  / Para que possamos avaliar todas as coisas à luz do Evangelho / E ler nos acontecimentos da vida os projetos de amor do Pai / Dai-nos o Entendimento / Uma compreensão mais profunda da verdade / A fim de anunciar a salvação com maior firmeza e convicção / Dai-nos o Dom do Conselho / Que ilumina a nossa vida  / E orientai a nossa ação segundo vossa Divina Providência / Dai-nos o Dom da Fortaleza / Sustentai-nos no meio de tantas dificuldades / Com vossa coragem para que possamos anunciar o Evangelho / Dai-nos  o Dom da Ciência / Para distinguir o Único Necessário /  Das coisas meramente importantes / Dai-nos Piedade / Para reanimar sempre mais nossa íntima comunhão convosco / E, finalmente, dai-nos vosso santo Temor / Para que, conscientes de nossas fragilidades, / Reconhecermos a força da vossa graça./ Vinde Espírito Santo / E dai-nos um novo coração. Amém

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

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