Parábola da festa das bodas – Vigésimo Oitavo Domingo do Tempo Comum – Mateus 22, 1-14

6 de outubro de 2011 at 12:36 Deixe um comentário

Jesus Cristo continuou a falar em parábolas, em Jerusalém, onde passava a sua última semana de vida. Foi uma semana difícil para Jesus, pois era muito questionado pelos líderes religiosos: sacerdotes, escribas, fariseus, anciãos do povo… Jesus inicia a parábola falando do Reino dos Céus. O Senhor conta que havia um rei que enviou servos para trazer convidados para as bodas de seu filho. Mas estes não quiseram vir para a festa. O rei enviou outros servos para que dissessem aos convidados que da sua parte, já estava tudo preparado para as bodas. Mas os convidados se ocuparam com suas coisas pessoais e não quiseram vir para as bodas. E outros convidados ainda insultaram os servos do rei e os mataram. O rei ficou indignado “enviou suas tropas, matou aqueles assassinos e incendiou-lhes a cidade” (V.7).  Como seus convidados não aceitaram o convite para ir a sua festa, o rei chamou seus servos e mandou convidar a todos quanto achassem pelas encruzilhadas.  Os servos espalharam-se “pelos caminhos e reuniram todos quantos acharam, maus e bons, de modo que a sala do banquete ficou repleta de convidados”.(V.10)  Quando o rei entrou na sala que estavam os convidados “viu ali um homem que não trazia a veste nupcial” (V.11). Então o rei quis saber como ele havia entrado ali sem a veste nupcial, mas o homem nada disse. Então o rei disse aos seus servos:  “Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o nas trevas exteriores. Ali haverá choro e ranger de dentes. Porque muitos são os chamados, e poucos os escolhidos”. (V.13-14)

Vamos refletir os versículos do Evangelho de Jesus Cristo, segundo São Mateus 22, 1-14:

Versículos 1 e 2:  “Jesus tornou a falar-lhes por meio de parábolas: O Reino dos céus é comparado a um rei que celebrava as bodas do seu filho” – O Pai preparou as bodas do seu amado Filho Jesus no Reino dos Céus. Há no céu um grande banquete à espera daqueles que ouviram a mensagem de salvação do Senhor, mudaram suas vidas e por isso foram salvos. É um banquete de núpcias onde o noivo é Jesus Cristo e a noiva é a sua Igreja (o povo). Nessa festa tem alimento da melhor qualidade e é repleta de alegria e felicidade. O Beato João Paulo II disse: “Jesus descreve o Reino de Deus como um grande banquete nupcial, com abundância de alimentos e bebidas, num clima de alegria e de festa para todos os convidados. Ao mesmo tempo, Jesus sublinha a necessidade do traje nupcial (V. 11),  isto é, a necessidade de respeitar as condições requeridas pela participação nesta festa solene”.

A Eucaristia é a antecipação do banquete no céu- Na Eucaristia já vivenciamos aqui na terra o banquete que Deus nos preparou no Céu. A liturgia desse domingo diz assim: “A Eucaristia é o banquete da nova amizade que reúne as pessoas a Deus. Na celebração deste sacramento já podemos vivenciar o sabor da ceia eterna, em que Deus estará conosco para sempre.” O Papa Bento XVI disse também assim:  “Da festa final do Céu é antecipação o banquete da Eucaristia, ao qual o Senhor nos convida todos os dias e no qual devemos participar com a veste nupcial da sua graça. Jesus deseja-nos, aguarda-nos. E nós, temos verdadeiramente desejo d’Ele? Sentimos, no nosso interior, o impulso para O encontrar? Ansiamos pela sua proximidade, por nos tornarmos um só com Ele, dom este que Ele nos concede na sagrada Eucaristia? Ou, pelo contrário, sentimo-nos indiferentes, distraídos, inundados por outras coisas?”

Desde a catequese da nossa primeira Eucaristia, sabemos que é preciso buscar constantemente a confissão para tomar o Corpo e o Sangue de Cristo sem mancha de pecado em nossa alma, isto é, com vestes brancas (nupciais). A Palavra diz assim: “Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor. Que cada um se examine a si mesmo, e assim coma desse pão e beba desse cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação” (1Cor 11,27-29)

Versículos 3 e 4: “Enviou seus servos para chamar os convidados, mas eles não quiseram vir. Enviou outros ainda, dizendo-lhes: Dizei aos convidados que já está preparado o meu banquete; meus bois e meus animais cevados estão mortos, tudo está preparado. Vinde às bodas!” –  Deus tem um amor eterno e incondicional por cada um de nós e, por isso quer que participemos dessa festa com Ele. Pois quem ama quer ficar junto, alegrar-se junto, ser feliz junto.  A Palavra diz: “O Senhor dos exércitos preparará no alto deste monte, para todos os povos do mundo, um banquete de carnes gordas… de vinhos finos, de carnes suculentas e de vinhos refinados.” (Is 25, 6)

O Papa Bento XVI disse: “Podemos reconhecer o desejo do próprio Deus: o seu amor pelos homens, pela sua criação, um amor em expectativa. O amor que espera o momento da união, o amor que quer atrair os homens a si, para assim realizar também o desejo da própria criação: esta, de fato, aguarda a manifestação dos filhos de Deus (Rm 8, 19)”.   Deus nos chama ao banquete da vida no seu Reino onde a morte, a tristeza e as lágrimas já não terão mais vez. A Palavra diz: “Nesse monte tirará o véu que vela todos os povos, a cortina que recobre todas as nações, e fará desaparecer a morte para sempre. O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces e tirará de toda a terra o opróbrio que pesa sobre o seu povo…”  (Is 25, 7-8)

Versículos 5 e 6: “Mas, sem se importarem com aquele convite, foram-se, um a seu campo e outro para seu negócio. Outros lançaram mãos de seus servos, insultaram-nos e os mataram.” –    O Senhor  utiliza de muitas formas para falar conosco, ensinando-nos como devemos viver para entrar no Reino dos céus e assim participar das bodas de seu Filho Jesus. Deus fala ao nosso coração, através do seu Espírito; fala através da Bíblia; fala por meio dos pastores da nossa Igreja, o Papa, os Bispos, os Sacerdotes; fala através dos sacramentos, da oração e do convívio fraterno; fala através dos testemunhos dos santos; fala nos fatos do dia-a-dia de nossas vidas; fala através dos afazeres domésticos e no trabalho; fala através das palavras e gestos das pessoas com as quais convivemos; e fala através da natureza criada. Deus nos chama a cada dia, para participar do seu banquete. O Senhor está a esperar pacientemente pelo sim de cada um de nós.

 Mas infelizmente muitos de nós ocupamos-nos com as coisas desse mundo e somos indiferentes ao convite que Deus nos tem feito. E o Senhor conta na parábola que há os que ainda insultam e matam os servos do rei. Hoje esses servos que o Senhor envia para fazer-nos o convite, são aqueles que na Igreja sofrem e até morrem por causa do anúncio do Evangelho, os mártires da Igreja são um exemplo. O Beato João Paulo II disse: “Não nos envergonhemos, pois, do testemunho que se deve dar de nosso Senhor Jesus Cristo: “Sereis minhas testemunhas!” (At 1, 8). E, se for preciso, saibamos também nós sofrer pelo Evangelho, apoiados na força de Deus (2 Tm 1, 8)”.

Versículos 7 e 8: “O rei soube e indignou-se em extremo. Enviou suas tropas, matou aqueles assassinos e incendiou-lhes a cidade. Disse depois a seus servos: O festim está pronto, mas os convidados não foram dignos.” –    Os primeiros convidados do banquete não aceitaram o convite do rei.  Jesus Cristo não foi aceito pelo povo da promessa (os israelitas) para o qual Ele veio (os primeiros convidados), estendeu então seu convite a toda a humanidade:  “ Ide às encruzilhadas e convidai para as bodas todos quantos achardes”. Não deixemos também nós, de respondermos favoravelmente a Deus o convite que Ele nos faz de participar das suas bodas no Reino dos céus e, ainda convidar também outros a fazê-lo. Que sejamos todos nós “convidados dignos” do Senhor.

Versículos 9 e 10:  “Ide às encruzilhadas e convidai para as bodas todos quantos achardes.  Espalharam-se eles pelos caminhos e reuniram todos quantos acharam, maus e bons, de modo que a sala do banquete ficou repleta de convidados”. – Se não respondermos “sim” ao chamado do Senhor, outros o farão. Ele nos dá inúmeras vezes a oportunidade, pela sua misericórdia, de responder “sim” ao seu convite de amor. O Papa Bento XVI disse assim:  “Alguns convidados da primeira hora rejeitaram o convite, porque se sentiam atraídos por diferentes interesses; outros chegaram a desprezar o convite do rei, suscitando um castigo que se abateu não somente sobre eles, mas sobre toda a cidade. Contudo, o rei não desanima e envia os seus servos em busca de outros comensais para encher a sala do seu banquete. Assim, a rejeição dos primeiros tem como efeito a extensão do convite a todos, com uma predileção especial pelos pobres e deserdados”.-

O Beato João Paulo II ensinou: “Foram os pobres que aceitaram o convite, aqueles que estacionavam “às saídas dos caminhos…, maus e bons”, isto é aqueles que na sua humildade conheceram a riqueza imerecida do dom de Deus e o aceitaram com simplicidade. É preciso que também nós estejamos antes de tudo conscientes do convite para uma transformadora comunhão com o Senhor, convite que nos é dirigido pela Palavra de Deus e a pregação da Igreja; e, além disso, que saibamos acolhê-lo com todo o coração, com plena disponibilidade, na certeza de que o Senhor quer somente a nossa promoção, a nossa salvação”.

Versículos 11 e 12:  “O rei entrou para vê-los e viu ali um homem que não trazia a veste nupcial. Perguntou-lhe: Meu amigo, como entraste aqui, sem a veste nupcial? O homem não proferiu palavra alguma”. – A falta da veste nupcial é a falta da pureza no coração. Que é a condição de quem está em pecado mortal, como o homem, na parábola, que não trazia a veste nupcial, por isso não foi digno de participar das bodas. Para podermos participar do banquete da vida é preciso primeiro buscar a santidade. O Beato João Paulo II:  “A santidade lembra o “Reino de Deus” que Jesus representou simbolicamente no grande e festivo banquete proposto a todos, mas destinado apenas a quem aceita vestir a “veste nupcial da graça”.

E nós podemos também ser santos, vestir a veste nupcial. E assim participar das bodas do Cordeiro. Para isso é preciso que abramos o nosso coração e participemos frequentemente do sacramento da confissão, para que as nossas vestes, se estiverem escuras por causa do pecado, transformem em vestes brancas de santidade. O Papa Bento XVI explica sobre a veste branca, a veste nupcial dos santos: “No batismo, eles receberam a veste nupcial da graça divina, conservaram-na pura ou purificaram-na e tornaram-na resplandecente durante o curso da vida mediante os Sacramentos. Agora, participam no banquete nupcial do Céu. Se esta veste se mancha ou chega mesmo a dilacerar-se, a bondade de Deus não nos rejeita, nem nos abandona ao nosso destino, mas oferece-nos mediante o sacramento da Reconciliação a possibilidade de restabelecer na sua integridade a veste nupcial necessária para a festa”.

 Podemos aprender com os santos que passaram pelo sofrimento como todos nós passamos, a diferença é que entregaram seus sofrimentos como uma expiação de seus pecados e dos pecados da humanidade. E não reclamaram, nem se revoltaram contra Deus. E todos buscavam frequentemente o sacramento da Confissão para obter de Deus o perdão de seus pecados e assim se apresentar diante d’Ele com vestes brancas e adequadas para sentar-se à mesa do Cordeiro Imolado. A Palavra de Deus diz assim: “Esses são os sobreviventes da grande tribulação; lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro. Por isso, estão diante do trono de Deus e o servem, dia e noite, no seu templo”. (Ap 7,14-15)

Versículos 13 e 14: “Disse então o rei aos servos: Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o nas trevas exteriores. Ali haverá choro e ranger de dentes. Porque muitos são os chamados, e poucos os escolhidos”. – Aqui o Senhor lembra aos fariseus; aos outros que O estavam ouvindo; a todos nós, enfim, que se não estivermos com a alma pura (sem pecado) teremos esse mesmo fim. O Beato João Paulo II disse: “Recorrendo a imagens, o Novo Testamento apresenta o lugar destinado aos operadores de iniquidade como uma fornalha ardente, onde há «choro e ranger de dentes» (Mt 13, 42;  25, 30.41), ou como a Geena de «fogo inextinguível» (Mc 9, 43). Tudo isto é expresso de modo narrativo na parábola do rico avarento, na qual se precisa que o inferno é o lugar de pena definitiva, sem possibilidade de retorno ou de mitigação do sofrimento” (Lc 16, 19-31).

Deus chama e espera que atendamos ao seu chamado. É um chamado de amor e de misericórdia para participar das bodas do reino após nossa morte física e, também um chamado de serviço ao seu reino já aqui na terra. Que o Senhor nos dê força e coragem para responder favoravelmente ao seu insistente chamado de amor. Na parábola das bodas, o Senhor mandou seus servos chamarem muitas pessoas, mas elas não se importaram com o convite do rei e “foram-se, um a seu campo e outro para seu negócio”.   E Jesus Cristo conclui a parábola dizendo: “Porque muitos são chamados, e poucos os escolhidos”.

Oração

Com o Salmo 22:  “O Senhor é meu pastor, nada me faltará. Em verdes prados ele me faz repousar. Conduz-me junto às águas refrescantes,  restaura as forças de minha alma. Pelos caminhos retos ele me leva, por amor do seu nome.  Ainda que eu atravesse o vale escuro, nada temerei, pois estais comigo. Vosso bordão e vosso báculo são o meu amparo. Preparais para mim a mesa à vista de meus inimigos. Derramais o perfume sobre minha cabeça, e transborda minha taça. A vossa bondade e misericórdia hão de seguir-me por todos os dias de minha vida. E habitarei na casa do Senhor por longos dias.”

Com o Cardeal James Francis Stafford:  “Senhor, leva-me a experimentar todos os dias a beleza do Sacramento da Penitência, dom de graça, dom de vida; é nele que se renova a compaixão amorosa de Cristo pelo homem e, ao mesmo tempo, que são restituídas a graça, a alegria do coração, a veste nupcial que permite o ingresso na vida eterna”.

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

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