Quantas vezes perdoar e a Parábola do servo cruel – Vigésimo Quarto Domingo do Tempo Comum – Mateus 18, 21-35

8 de setembro de 2011 at 13:21 2 comentários

Reflexão dos versículos 21 e22 – Jesus Cristo ficou algum tempo na Galileia ensinando ao povo. Num desses momentos Pedro se aproximou dele e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar a meu irmão, quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?  Respondeu Jesus: Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete”.

Jesus sempre nos ensinou a perdoar. Setenta vezes sete é um número simbólico, que quer dizer: sempre, infinitamente. “Deus pede para perdoar. Não exige de nós o esquecimento, mas a reconciliação com os algozes. Só a vítima pode dar o primeiro passo; só ela pode perdoar. O perdão é algo de divino, e talvez seja no perdão onde o homem mais se parece com Deus”. (Site Vaticano)

Reflexão dos versículos 23 a 27 – Jesus Cristo para ilustrar seu ensinamento sobre a necessidade de perdoarmos o próximo, contou uma parábola. A primeira parte da parábola fala de um rei (senhor), que chamou os seus servos para resolver sobre as dívidas que estes deviam a ele. Um dos servos que devia dez mil talentos ao rei, não tinha como pagar a dívida, então o rei mandou que ele, sua mulher, seus filhos e seus bens fossem vendidos para que pudessem assim pagar sua dívida. O servo aflito ajoelhou-se diante do rei e pediu um prazo para pagá-la. Jesus diz na parábola que “cheio de compaixão, o senhor o deixou ir embora e perdoou-lhe a dívida”. (V.27)

 Jesus explica na parábola sobre o Reino dos céus e faz diversas comparações. O Rei e Senhor do qual Ele fala na parábola é Deus, que cheio de compaixão não condena o servo (nós) depois de seu pedido de perdão da dívida (pecado), mas o perdoa. Todas as vezes que pedimos perdão de nossos pecados (dívidas) a Deus, Ele “não nos tratou segundo os nossos pecados; nem nos castigou segundo as nossas culpas” (Sl  102,10), mas teve em conta a sua misericórdia e seu amor  por nós.

O Beato João Paulo II ensinou-nos que “o crente sabe que a reconciliação provém de Deus, que está sempre pronto a perdoar a quantos se dirigem a Ele e a lançar para trás das costas todos os seus pecados”. ( Is 38,17)  A imensidade do amor de Deus ultrapassa a compreensão humana, como recorda a Sagrada Escritura:  “Acaso pode uma mulher esquecer-se do menino que amamenta, não ter carinho pelo fruto das suas entranhas?  Ainda que ela se esquecesse dele, Eu nunca te esqueceria.”  (Is 49,15)

No confessionário, podemos ter uma clara noção do amor misericordioso de Deus por cada um de nós. O Papa Bento XVI disse: “O amor apaixonado do Pai pela humanidade vence o orgulho humano. Oferecido gratuitamente, é um amor que perdoa e leva as pessoas a entrar mais profundamente na comunhão da Igreja de Cristo. Ele oferece verdadeiramente a todos os povos a unidade em Deus e, como isto é manifestado de maneira perfeita por Cristo na cruz, reconcilia a justiça e o amor”. (Deus caritas est, 10).

 A Igreja, através de seus Ministros ordenados, tem a autoridade e o dever de perdoar em nome do Senhor as nossas dívidas (os nossos pecados), pelo sacramento da Confissão.  O Catecismo (982) explica-nos: “Não há pecado algum, por mais grave que seja, que a Santa Igreja não possa perdoar. Não existe ninguém, por mau  e culpado que seja, que não deva esperar com segurança a seu  perdão, desde que seu arrependimento seja sincero.  Cristo que morreu por todos os homens, quer que, em sua Igreja, as portas do perdão estejam sempre abertas a todo aquele que recua do pecado”.

Reflexão dos versículos 28 a 30 – Jesus continua falando na parábola que, o servo que havia sido perdoado pelo Rei, saiu dali e encontrou-se com seu companheiro de serviço. Esse companheiro devia-lhe cem denários. O servo obrigou seu colega a pagar o que lhe devia e quase o estrangulou por isso. Como o companheiro não tinha esse dinheiro, ”caiu-lhe aos pés e pediu-lhe: Dá-me um prazo e eu te pagarei!” (V.29) Mas o servo não teve misericórdia e mandou colocá-lo na prisão até que ele conseguisse pagar o que devia.

O mesmo servo que havia sido perdoado pelo senhor não quis fazer o mesmo com aquele que lhe devia dinheiro. Na oração do Pai Nosso Jesus nos ensinou: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofenderam”. (Mt 6,12) Ao pedir perdão a Deus de nossas faltas, precisamos primeiro perdoar a quem nos ofendeu.

O Beato João Paulo II disse: “A nossa própria oração não poderá ser aceita pelo Senhor, se não for precedida, e de certo modo garantida em sua autenticidade, pela iniciativa sincera da reconciliação com o irmão que tem  alguma coisa contra nós: só então nos será possível apresentar uma oferta agradável a Deus”. (Mt 5,23-24).

 O Catecismo (2845) diz também:  “Deus não aceita o sacrifício dos que fomentam a desunião; Ele ordena que se afastem do altar para primeiro se reconciliarem com seus irmãos: Deus quer ser pacificado com orações de paz. Para Deus, a mais bela obrigação é nossa paz, nossa concórdia, a uni­dade no Pai, no Filho e no Espírito Santo de todo o povo fiel”.

A Palavra de Deus diz que devemos perdoar uns aos outros assim como Deus nos perdoa: “Antes, sede uns com os outros bondosos e compassivos. Perdoai-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou, em Cristo”. (Ef 4, 32)

Reflexão dos versículos 31 a 35 – Jesus conta na parábola que os outros servos “profundamente tristes”, vendo o comportamento daquele servo, o que havia sido perdoado pelo Rei de uma dívida de 10 mil talentos e que não perdoou ao seu colega que lhe devia apenas 100 denários, vieram contar ao Senhor o que havia acontecido. Então o senhor mandou chamar esse servo e lhe disse: “Servo mau, eu te perdoei toda a dívida porque me suplicaste. Não devias também tu compadecer-te de teu companheiro de serviço, como eu tive piedade de ti”? (V.32-33) E diz a Palavra que “o Senhor, encolerizado, entregou-o aos algozes, até que pagasse toda a sua dívida” (V.34)

E Jesus conclui a parábola dizendo que assim também o nosso Pai Celeste nos tratará “se cada um de vós não perdoar a seu irmão, de todo seu coração”. (V. 35) É com sinceridade de coração que precisamos perdoar ao irmão que nos ofendeu.O Catecismo diz: “É aí, de fato, «no fundo do coração», que tudo se ata e desata. Não está no nosso poder deixar de sentir e esquecer a ofensa; mas o coração que se entrega ao Espírito Santo muda a ferida em compaixão e purifica a memória, transformando a ofensa em intercessão”.

Jesus é a imagem personificada do perdão de Deus ao derramar na cruz seu preciosíssimo sangue, pelo perdão de nossos pecados. O Beato João Paulo II disse: “Na sua benigna propensão ao perdão, Deus chegou ao ponto de Se dar a Si próprio ao mundo na pessoa do Filho, que veio trazer a redenção a cada indivíduo e à humanidade inteira. Face às ofensas dos homens, que culminaram na sua condenação à morte de cruz, Jesus reza: « Perdoa-lhes, ó Pai, porque não sabem o que fazem » (Lc 23, 34).

No decorrer dos tempos, a maioria dos povos tem um passado de conflitos entre si, por isso a nossa dificuldade de conceder o perdão a quem nos ofendeu, pois cada um de nós carrega em sua história rancores, divisão, guerras, desentendimentos.

 O Beato João Paulo II ensinou que “a dificuldade do perdão não depende só dos acontecimentos atuais. A história carrega consigo um pesado fardo de violências e conflitos, de que não é fácil desembaraçar-se. Prepotências, opressões, guerras fizeram sofrer inumeráveis seres humanos, e, ainda que as causas desses fenômenos dolorosos se percam em tempos remotos, os seus efeitos permanecem vivos e dilacerantes, alimentando medos, suspeitas, ódios e divisões entre famílias, grupos étnicos, povos inteiros”.

 Mas precisamos nos esforçar individualmente pedindo a Deus a cura de nossas feridas e cooperando assim com a paz no mundo, trabalhando a questão do perdão a partir do grupo social em que vivemos. O Beato João Paulo II continuou a nos explicar: “Os indivíduos e os povos têm necessidade de uma espécie de purificação da memória, a fim de que os males de ontem não voltem a repetir-se. Não se trata de esquecer o sucedido, mas de o reler com sentimentos novos, aprendendo precisamente das experiências sofridas que só o amor constrói, enquanto o ódio produz devastação e ruínas. É preciso substituir a repetitividade sufocante da vingança pela novidade libertadora do perdão”.

Vamos colocar aqui como conclusão dessa reflexão, as palavras do Beato João Paulo II fazendo um apelo aos pais para que deem ensinamento e testemunho de perdão aos seus filhos e assim as gerações futuras poderem ser agraciadas com a unidade e a paz. ”E a vós, pais e mães de família, digo: ensinai aos vossos filhos a perdoar, tomai as vossas casas focos de amor e de perdão; transformai as vossas ruas e os vossos bairros em centros de paz e de reconciliação. Seria crime, contra a juventude e seu futuro, deixar mesmo uma só criança crescer apenas com a experiência da violência e do ódio”.

Oremos:

Com São Francisco de Assis

Senhor, fazei – me instrumento de vossa paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor; onde houver ofensa, que eu leve o perdão; onde houver discórdia, que eu leve a união; onde houver dúvida, que eu leve a fé; onde houver erro, que eu leve a verdade; onde houver desespero, que eu leve a esperança; onde houver tristeza, que eu leve a alegria; onde houver trevas, que eu leve a luz. Ó Mestre, Fazei que eu procure mais consolar, que ser consolado; compreender, que ser compreendido; amar, que ser amado. Pois, é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado, e é morrendo que se vive para a vida eterna.

Com o canto liturgico

 Perdoai-nos, ó Pai, as nossas ofensas como nós perdoamos a quem nos ofendeu! \ Se eu não perdoar a meu irmão, o Senhor não me dá o seu perdão.\ Eu não julgo para não ser julgado; perdoando é que serei perdoado.\ Ajudai-me, Senhor, a perdoar; e livrai-me de julgar e condenar! \ Vou ficar sempre unido em comunhão ao Senhor e também ao meu irmão\ Vivo em Cristo a vida de cristão; sou mensagem de sua reconciliação.

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

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Hoje eu vou tocar no Senhor O maior mandamento

2 Comentários Add your own

  • 1. Ana Cecília  |  21 de janeiro de 2012 às 11:14

    Parabéns pelo site!!!

    Que forma maravilhosa de explicar a importancia do perdão para as pessoas! Gostei das fontes que você usou para embasar os seus argumentos, além de colocar a maior fonte de todas: A bíblia!

    Eu também tenho um blog, ele se chama LUZ DO CÉU:
    http://www.luzdoceu.blogspot.com

    Me visite um dia desses!
    Beijos

    Responder
  • 2. ana carolina  |  13 de julho de 2013 às 9:10

    que forma legal de explicar a inportancia do perdao para o proximo muito bonito tudo o que jessus escreveu……….

    Responder

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