Reflexão da Parábola do Semeador – Mateus 13, 1-23

6 de julho de 2011 at 22:39 6 comentários

Jesus Cristo era seguido por uma multidão que vinha para ouvi-lo. Ele sentou-se à beira do lago, mas foi impossível ficar ali. Jesus então precisou sentar-se dentro de um barco. E de dentro do barco Ele ensinou à multidão em parábolas (V.1-2).  A Palavra de Deus diz: “Era por meio de numerosas parábolas desse gênero que Ele lhes anunciava a Palavra, conforme eram capazes de compreender”. (Mc 4,33)

A parábola é um recurso que Jesus utilizava em algumas ocasiões para falar do Reino (V.3). Podemos citar algumas dessas parábolas: a do Grão de mostarda (Mc 4,30-32); a Parábola dos talentos (Mt 25, 14-29); a Parábola dos operários da vinha ( Mt 20, 1-16).  No tempo de Jesus não tinha como anotar, nem ler o que Ele ensinava, então possivelmente, para que as pessoas se lembrassem de suas mensagens, o Senhor fazia comparações dos bens espirituais com as coisas da vivência diária das pessoas. Mas os que fechavam seu coração para o ensinamento de Jesus não conseguia entender as parábolas. Diz o versículo 14  “Assim se cumpre para eles o que foi dito pelo profeta Isaías: Ouvireis com vossos ouvidos e não entendereis, olhareis com vossos olhos e não vereis”.

 Como nas parábolas contadas por Jesus, procuremos também sentir a presença de Deus falando conosco e em nós, no cotidiano de nossas vidas. É muito importante para a nossa caminhada de conversão estreitar os laços de amizade com Jesus, seja na Igreja pelos sacramentos, seja pela leitura da Bíblia, seja na prática da caridade ou mesmo nos afazeres diários. Jesus Cristo falava à multidão com simplicidade e intimidade fazendo unidade entre as coisas do Reino e as coisas pessoais de cada um. Nas parábolas, Ele usou imagens como a do agricultor (Lc 20,9-16), da dona de casa (Mt 13,33), dos empregados e patrões (Lc 16, 1-13), do pai à espera do filho (Lc 15,11-32)…

O Papa Bento XVI deu esses conselhos sobre como nos tornar íntimos do Senhor, numa conferência para os jovens, mas todos nós, de qualquer idade, podemos utilizá-los também: “Nunca duvideis da sua presença! Procurai sempre o Senhor Jesus e crescei na amizade com Ele, comungai-O. Aprendei a ouvir e a conhecer a sua palavra e também a reconhecê-Lo nos pobres. Vivei a vossa vida com alegria e entusiasmo, certos da sua presença e da sua amizade gratuita, generosa, fiel até à morte de cruz. Testemunhai a alegria desta sua presença forte e suave a todos, a começar pelos da vossa idade. Dizei-lhes que é belo ser amigo de Jesus e que vale a pena segui-Lo”.

Jesus utiliza as seguintes comparações na Parábola do semeador: o Semeador ( o Senhor) , a semente ( a Palavra) e o campo ( nosso coração).

Jesus Cristo é o semeador Jesus mesmo é quem semeia a Palavra. O Beato João Paulo II disse: “Jesus comparou-se ao semeador, que espalha com confiança a semente da sua palavra no terreno dos corações humanos”.  Jesus é um semeador incansável e misericordioso, pois semeia a boa semente quantas vezes precisar, no terreno fértil ou no mais pedregoso. Se o nosso coração não tem o terreno propício para receber a Palavra e a árvore não dá fruto, o Senhor volta em outro momento e coloca mais adubo e espera para ver se ela produz frutos (Lc 13,8-9). Se encontrar o joio ( Mt13, 25) espera-no crescer para então cortá-lo e lançá-lo ao fogo, e assim não atrapalhar a colheita do trigo. Jesus é o Semeador que não desiste do seu objetivo, que é ver a semente geminar numa boa terra, produzindo uma árvore frondosa com frutos bons: frutos de santidade, frutos de vida eterna, frutos cem por um.

 O Papa Bento XVI disse: “Com abundância e gratuidade, o Senhor lança a semente da Palavra de Deus, mesmo consciente de que ela poderá encontrar um terreno inadequado, que não lhe permitirá amadurecer por causa da aridez, ou que apagará a sua força vital, sufocando-a no meio dos arbustos espinhosos. No entanto, o semeador não desanima, porque sabe que uma parte desta semente está destinada a encontrar o “terreno bom”, ou seja, corações ardentes e capazes de acolher a Palavra com disponibilidade, para fazê-la amadurecer na perseverança e para lhe oferecer de novo o seu fruto com generosidade, em benefício de muitos”.

O Beato João Paulo II também ensinou: “A Palavra não dá fruto automaticamente:  mesmo sendo divina portanto onipotente adapta-se às condições do terreno, ou melhor, aceita as respostas que o terreno dá, e que podem ser também negativas. Mistério da condescendência de Deus, que chega a entregar-se completamente nas mãos dos homens! Porque, no fundo, a semente lançada nos vários terrenos é o próprio Jesus ( Jo 12, 24).

A Palavra de Deus é a semente O Papa Bento XVI disse: “Quem semeia no coração do homem é sempre e só o Senhor. Só depois da sementeira abundante e generosa da Palavra de Deus é possível aventurar-se pelas sendas do acompanhamento e da educação, da formação e do discernimento. Tudo isto está vinculado àquela pequena semente, dom misterioso da Providência celeste, que emana de si uma força extraordinária. Com efeito, é a Palavra de Deus que, por si mesma, realiza eficazmente aquilo que diz e deseja”.

A Palavra de Deus nessa parábola é comparada á força da vida de uma semente, que se aprofunda na terra, dela nascendo raízes, que se fincam firmes no solo e se transformam em uma árvore frondosa, que gera muitos frutos.   O Beato João Paulo II disse: “A semente é o germe de vida. Ela encerra em si toda a planta. Esconde a espiga para a messe e para o futuro pão. O Verbo de Deus é essa semente para as almas humanas. O semeador dela é Cristo. Peçamos que da semente da palavra de Cristo nasça em nós de novo esta Vida, à qual o homem é chamado em Cristo. Chamado “lá de cima”.

O nosso coração é o campo – Os versículos de 10 a 15, dizem da importância de abrir os nossos corações, ouvidos e olhos para compreender e viver a Palavra que é vida e verdade. Quando o semeador vem semear a boa semente precisa encontrar a terra fértil, isto é o coração aberto, para que a Palavra produza frutos de conversão em nossa vida. Mas muitas vezes a dureza do nosso coração impede que creiamos na Palavra e sejamos salvos. Jesus disse: “Porque o coração deste povo se endureceu: taparam os seus ouvidos e fecharam os seus olhos, para que seus olhos não vejam e seus ouvidos não ouçam, nem seu coração compreenda; para que não se convertam e eu os sare”. (Is 6,9s) A Palavra de Deus é fonte de cura para nós, por isso precisamos abrir-nos à compreensão da Palavra e fazer dela um caminho de sabedoria para nossa vida.

O nosso coração pode tornar-se duro para as coisas de Deus por causa da falta de perdão, da indiferença, da incredulidade, do apego aos bens materiais, do vício e do pecado. Mas Deus mesmo tem a resposta pra amolecer o nosso coração: ele nos dá o Espírito Santo que transforma o nosso coração de pedra, em coração de carne. A Palavra de Deus diz: “Eu vos darei um coração novo e em vós porei um espírito novo; tirarei do vosso peito um coração de pedra e vos darei um coração de carne.  Dentro de vós colocarei o meu Espírito…” ( Ez 36, 26-27ª)  Também o Catecismo (1432) fala da necessidade de se buscar um coração novo, uma mudança de vida: “O coração do homem é pesado e endurecido. É necessário que Deus dê ao homem um coração novo. A conversão, é antes de mais nada, obra da graça de Deus, a qual faz com que os nossos corações se voltem para Ele: “Convertei-nos, Senhor, e seremos convertidos”. (Lm 5, 21)

O Beato João Paulo II disse que “só o Espírito Santo, que rega o que é árido e abranda o que está endurecido, pode arrotear semelhante terreno e torná-lo fecundo, para que o Verbo de Deus possa lançar nele as suas raízes”.

Primeira comparação: A semente que caiu à beira do caminho- A Parábola do Semeador já vem com uma explicação perfeita do próprio Jesus. Então tem pouco a se acrescentar, mas buscaremos trazê-la para o tempo de hoje.  Jesus Cristo narra no versículo 4: “Um semeador saiu a semear. E, semeando, parte da semente caiu ao longo do caminho; os pássaros vieram e a comeram”.  E depois explica no versículo 19: ”… quando um homem ouve a palavra do Reino e não a entende, o Maligno vem e arranca o que foi semeado no seu coração. Este é aquele que recebeu a semente à beira do caminho”.

O Beato João Paulo II explicou: “As sementes que caíram pelo caminho designam aqueles que escutam a palavra sobre o Reino de Deus, mas não a compreendem; sobrevém o Maligno e rouba o que foi semeado no seu coração ( Mt 13, 19). O Maligno caminha com frequência ao longo deste percurso, empenhando-se em impedir que a semente germine no coração dos homens”. Precisamos buscar na Igreja o que ela tem a nos oferecer, para que o nosso coração se abra à compreensão da Palavra e, assim o inimigo não poderá retirá-la do nosso coração. Por exemplo, uma boa confissão dos pecados e a participação na Eucaristia.

Segunda Comparação: A semente que caiu no terreno pedregoso- Jesus fala no versículo 5 e 6: “Outra parte caiu em solo pedregoso, onde não havia muita terra, e nasceu logo, porque a terra era pouco profunda”. E explica o sentido da Palavra nos versículos 20 e 21: “O solo pedregoso em que ela caiu é aquele que acolhe com alegria a palavra ouvida, mas não tem raízes, é inconstante: sobrevindo uma tribulação ou uma perseguição por causa da palavra, logo encontra uma ocasião de queda”.

O Beato João Paulo II disse: “Que psicologia nesta comparação de Cristo! Conhecemos muito bem, em nós e à nossa volta, a inconstância de pessoas desprovidas de raízes que possam fazer crescer a palavra”! E continua: “A semente sem raízes descreve a situação na qual a Palavra é aceita apenas exteriormente, sem aquela profundidade de adesão a Cristo e sem aquele amor pessoal por Ele ( Cl 2, 7) que são os únicos que permitem conservá-lo”.

Precisamos buscar no Espírito Santo o dom da fidelidade e da perseverança. A oração constante auxilia-nos na caminhada de uma relação de amizade profunda e íntima com Deus. Dá-nos firmeza na caminhada rumo ao céu.

Terceira comparação: A semente que caiu no meio dos espinhos- No versículo 7 Jesus narra sobre a semente entre os espinhos: “Outras sementes caíram entre os espinhos: os espinhos cresceram e as sufocaram”. E no versículo 22, Jesus explica: “O terreno que recebeu a semente entre os espinhos representa aquele que ouviu bem a palavra, mas nele os cuidados do mundo e a sedução das riquezas a sufocam e a tornam infrutuosa”.

O Beato João Paulo II nos ensinou: “Cristo explica que Se refere às pessoas que escutam a Palavra, mas devido às suas preocupações neste mundo e ao seu apego às próprias riquezas, sufocam a Palavra e esta deixa de dar frutos”. (Mt 13, 22)  E ensinou em outro momento: “A semente sufocada recorda as preocupações da vida presente, a atração exercida pelo poder, o bem-estar e o orgulho”.          

O nosso coração e os nossos ouvidos não devem estar voltados às preocupações com as coisas do mundo, porque assim colocaremos as coisas do Reino em segundo plano. É essencial para a salvação da nossa alma que a vida no espírito sobreponha à vida da carne.

 São Berlamino ensinou-nos: “Por isso, considera verdadeiro bem para ti aquilo que te conduz para o teu fim, e verdadeiro mal aquilo que te priva dele. Acontecimentos prósperos ou adversos, riquezas e pobrezas, saúde e doença, honras e ofensas, vida e morte, o sábio não deve procurá-los nem rejeitá-los para si mesmo. Mas só são bons e desejáveis, se contribuírem para a glória de Deus e para a tua felicidade eterna; são maus e devem ser evitados, se a impedirem”.

Quarta comparação: A semente que caiu em terra boa– Jesus narra no versículo 8: “Outras, enfim, caíram em terra boa: deram frutos, cem por um, sessenta por um, trinta por um”.  Jesus explica o significado do versículo 8, no versículo 23:  “A terra boa semeada é aquele que ouve a palavra e a compreende, e produz fruto: cem por um, sessenta por um, trinta por um”.

 A Igreja tem a missão de preparar o terreno do nosso coração, para que seja uma boa terra para lançar a semente da Palavra e dar frutos cem por um. E plantar  a verdade em nosso coração, que o caminho é Jesus e que é n’Ele que encontramos a salvação da nossa alma, pelo perdão dos pecados. Esse é o objetivo de todo o trabalho que a Igreja faz através do Papa, Bispo, sacerdotes, diáconos, consagrados; e dos leigos engajados no serviço do reino. O Papa Paulo VI ensinou: “A evangelização é um mandato do Senhor Jesus para a Igreja  “a fim de que os homens possam acreditar e ser salvos. Sim, esta mensagem é necessária; ela é única e não poderia ser substituída”.

O Beato João Paulo II nos disse: “Enfim, a semente que cai na terra fértil representa as pessoas que escutam a Palavra e a compreendem, e nelas a Palavra produz frutos”.

Concluímos essa reflexão com as palavras:

De Santo Agostinho:  “Arranquemos os espinhos, preparemos o terreno, recebamos a semente, aguentemos até a colheita, aspiremos a ser arrecadados nos celeiros”.

Do Beato João Paulo II dirigindo-se aos pastores da Igreja: “A humanidade tem sempre necessidade da Revelação e da Redenção de Cristo, e por isso espera por vós! Há sempre almas para esclarecer, pecadores para perdoar, lágrimas para enxugar, desilusões para consolar, doentes para encorajar, crianças e jovens para dirigir: Há e haverá sempre o homem para amar e para salvar em nome de Cristo! É esta a vossa vocação, que vos deve tornar alegres e corajosos”.

Oração

Do Papa Bento XVI: Queridos amigos, a Virgem Maria é o sinal vivo desta verdade. O seu coração foi “terra boa” que acolheu com plena disponibilidade a Palavra de Deus, de modo que toda a sua existência, transformada segundo a imagem do Filho, foi introduzida na eternidade, alma e corpo, antecipando a vocação eterna de cada ser humano. Agora, na oração, façamos nossa a sua resposta ao Anjo: “Faça-se em mim segundo a tua vontade” (Lc 1, 38), para que, seguindo Cristo pelo caminho da Cruz, possamos alcançar também nós a glória da ressurreição.

Jane Amabile – Com. Divino Espírito Santo

Anúncios

Entry filed under: Reflexão da Palavra. Tags: .

Mateus 13, 1-23 – Décimo Quinto Domingo do Tempo Comum Incendeia minha alma

6 Comentários Add your own

  • 1. andre neves  |  25 de outubro de 2012 às 19:43

    gostei otima interpretação!

    Responder
  • 2. thiago  |  25 de agosto de 2013 às 14:10

    amei ,esta escrito tudo o que eu quero

    Responder
  • 3. thiago  |  25 de agosto de 2013 às 14:12

    gostei muittttttttttttttttooooooooooooooooo

    Responder
  • 4. Maria Pereira  |  22 de abril de 2014 às 21:22

    muito boa essa explicação

    Responder
  • 5. Regina  |  9 de julho de 2014 às 21:06

    tudo que eu precisava! adorei!

    Responder
  • 6. ELIVALDO  |  13 de julho de 2014 às 9:31

    Reflexão da Parábola do Semeador – Mateus 13, 1-23

    6 de julho de 2011 at 22:39 5 comentários

    Jesus Cristo era seguido por uma multidão que vinha para ouvi-lo. Ele sentou-se à beira do lago, mas foi impossível ficar ali. Jesus então precisou sentar-se dentro de um barco. E de dentro do barco Ele ensinou à multidão em parábolas (V.1-2). A Palavra de Deus diz: “Era por meio de numerosas parábolas desse gênero que Ele lhes anunciava a Palavra, conforme eram capazes de compreender”. (Mc 4,33)

    A parábola é um recurso que Jesus utilizava em algumas ocasiões para falar do Reino (V.3). Podemos citar algumas dessas parábolas: a do Grão de mostarda (Mc 4,30-32); a Parábola dos talentos (Mt 25, 14-29); a Parábola dos operários da vinha ( Mt 20, 1-16). No tempo de Jesus não tinha como anotar, nem ler o que Ele ensinava, então possivelmente, para que as pessoas se lembrassem de suas mensagens, o Senhor fazia comparações dos bens espirituais com as coisas da vivência diária das pessoas. Mas os que fechavam seu coração para o ensinamento de Jesus não conseguia entender as parábolas. Diz o versículo 14 “Assim se cumpre para eles o que foi dito pelo profeta Isaías: Ouvireis com vossos ouvidos e não entendereis, olhareis com vossos olhos e não vereis”.

    Como nas parábolas contadas por Jesus, procuremos também sentir a presença de Deus falando conosco e em nós, no cotidiano de nossas vidas. É muito importante para a nossa caminhada de conversão estreitar os laços de amizade com Jesus, seja na Igreja pelos sacramentos, seja pela leitura da Bíblia, seja na prática da caridade ou mesmo nos afazeres diários. Jesus Cristo falava à multidão com simplicidade e intimidade fazendo unidade entre as coisas do Reino e as coisas pessoais de cada um. Nas parábolas, Ele usou imagens como a do agricultor (Lc 20,9-16), da dona de casa (Mt 13,33), dos empregados e patrões (Lc 16, 1-13), do pai à espera do filho (Lc 15,11-32)…

    Responder

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


ADMINISTRADORA DO BLOG:

Jane Amábile

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts por email.

Junte-se a 199 outros seguidores

Categorias


%d blogueiros gostam disto: