“Vai primeiro reconciliar-te com teu irmão”. ( V. 24)

10 de março de 2011 at 20:29 Deixe um comentário

S. Mateus  5, 20-26

20-Digo-vos, pois, se vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos céus. 21. Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás, mas quem matar será castigado pelo juízo do tribunal. 22. Mas eu vos digo: todo aquele que se irar contra seu irmão será castigado pelos juízes. Aquele que disser a seu irmão: Raca, será castigado pelo Grande Conselho. Aquele que lhe disser: Louco, será condenado ao fogo da geena. 23. Se estás, portanto, para fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, 24. deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; só então vem fazer a tua oferta. 25. Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás em caminho com ele, para que não suceda que te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao seu ministro e sejas posto em prisão. 26. Em verdade te digo: dali não sairás antes de teres pago o último centavo.

Jesus Cristo pede que ajamos com mais justiça com nossos irmãos, do que faziam os escribas e fariseus ( v. 20). O Catecismo diz que Jesus “pregou a justiça que supera a dos escribas e fariseus”. ( 2054) Jesus chama a atenção para que sigamos os Mandamentos de Deus ( v. 21), mas para não nos esquecermos de que junto com o pecado “Não Matarás”, há outros  como a ira, as palavras depreciativas, etc… ) São Paulo nos exorta da seguinte maneira: “Nenhuma palavra má saia da vossa boca, mas só a que for útil para a edificação, sempre que for possível, e benfazeja aos que ouvem. ( Ef  4, 29)

Quando dizemos que obedecemos ao Mandamento: “Não Matar”, por exemplo, pensamos que está tudo bem em nossa relação com Deus. Mas infelizmente, muitas vezes matamos psicologicamente o irmão com nossa atitude indiferente, fria e rancorosa. Jesus ensina que não devemos nos irar, chamar de louco ou desprezível ( raca) o nosso irmão.( v. 22) O Catecismo diz que Jesus “recorda o preceito: “Não Matarás” ( v. 21), e acrescenta a proibição da cólera, do ódio e da vingança.( v.22) Mais ainda, Cristo diz a seu discípulo que ofereça a outra face e ame os seus inimigos”.( CIC 2262)

Não devemos nos apegar somente ao que está escrito na Lei, mas no que mais ela está dizendo sobre a  nossa falta de amor, de perdão e de misericórdia com nosso irmão. Numa passagem do Evangelho de São Lucas, o doutor da Lei havia perguntado a Jesus o que ele deveria fazer para possuir a vida eterna. Ao que Jesus lhe disse: “que está escrito na Lei? Como é que lês?”  ”Respondeu ele:  Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu pensamento; e a teu próximo como a ti mesmo”. Falou-lhe Jesus: “Respondeste bem; faze isto e viverás.”  ( Lc 10, 26-28)

Jesus viveu entre nós e, provavelmente tenha percebido que uma das fraquezas humanas mais difíceis de serem combatidas é a falta de perdão. A falta de perdão faz estragos em nossa vida pessoal e comunitária, tais como: doenças no corpo; feridas na alma; conflitos nas famílias; rompimento de amizades; tumulto nas relações de trabalho; divisão na Igreja e, guerra entre os povos. Perdoar é não se vingar; é não usar o argumento de “olho por olho e dente por dente” (Mt 5, 38); é não ocupar o lugar de Deus e querer fazer sua própria “justiça”( Rm 10, 3), enfim, é responder o mal,  com o bem.(Jr 18, 20)

Jesus Cristo instruiu por diversas vezes que é preciso perdoar sempre a quem nos ofendeu ( Mt 18, 21-35), para assim obter o perdão de Deus ( Mt 6, 12-15). É importante confessar ao sacerdote sobre nossa dificuldade de perdoar, mas fazendo o propósito de abrir o coração ao perdão. O Catecismo diz: “Recusando-nos a perdoar nossos irmãos e irmãs, nosso coração se fecha, sua dureza o torna impermeável ao amor misericordioso do Pai; confessando nosso pecado, nosso coração se abre à sua graça”. ( 2840)

Possivelmente a mágoa e a falta de perdão são frutos de feridas do abandono, rejeição,decepções, preconceito e, de todo tipo de injustiça. Muitas vezes essas feridas se encontram em nosso inconsciente, mas que podem se revelar  através de um comportamento agressivo, rebelde, depressivo, vingativo ou amargurado.

Mas com Jesus podemos ser pessoas livres das mágoas e curadas de nossas feridas. Porque Jesus também veio ”para sarar os contritos de coração, para anunciar aos cativos a redenção“.  ( Lc  4, 18-19) A falta de perdão torna cativo ou prisioneiro  o que não perdoa e o que não recebe o perdão.   O perdão é sempre libertador. São Paulo disse: “Antes, sede uns com os outros bondosos e compassivos. Perdoai-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou, em Cristo. ( Ef  4, 32)

É importante buscarmos a capacidade de perdão, ”porque sem ela, os fiéis não podem se aproximar “dignamente” da Eucaristia, uma vez que se “não nos comunicarmos entre nós”, ficamos impossibilitados de nos comunicar com Deus. Como é possível apresentar-se diante do altar, ( v.23- 24) para receber a Eucaristia, se estivermos divididos e distantes uns dos outros, disse o Papa Bento XVI.

O Catecismo lembra que ”Jesus insiste na conversão do coração: a reconciliação com o irmão antes de apresentar uma oferenda no altar”. ( CIC 2608) Por isso, “nossas divisões e oposições devem ser superadas”.( CIC 2792)

São Cipriano disse: “Deus não aceita o sacrifício dos que fomentam a desunião; Ele ordena que se afastem do altar para primeiro se reconciliarem com seus irmãos: Deus quer ser pacificado com orações de paz. Para Deus a mais bela obrigação é nossa paz, nossa concórdia, a unidade no Pai, no Filho e no Espírito Santo de todo o povo fiel”.

Bento XVI volta a nos exortar: “Toda vez que vocês se aproximarem do altar para a celebração eucarística, que seu espírito se abra ao perdão e à reconciliação fraterna, e que vocês estejam prontos a aceitar o pedido de desculpas daqueles que os feriram e estejam prontos, igualmente, a perdoá-los.”

Pedir perdão é questão de humildade. Busquemos ter o coração como o de Jesus: manso e humilde para perdoar a todos os que nos ofenderam e, pedir perdão a quem magoamos. ( Mt 11, 29 ) São Paulo nos ensina: : “Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, toda vez que tiverdes queixa contra outrem. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai também vós. Mas, acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é vínculo da perfeição” (C l 3,13-14).

É importante buscarmos a reconciliação com o irmão ainda aqui nesse mundo.  Jesus disse assim: “Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás em caminho com ele, para que não suceda que te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao seu ministro e sejas posto em prisão. Em verdade te digo: dali não sairás antes de teres pago o último centavo”. (v.25-26)

Quem perdoa tem a vitória sobre o mal. Sigamos o nosso Mestre e Senhor Jesus Cristo, que na cruz diante de seus perseguidores, não deixou de abençoá-los e dar-lhes o perdão:  “Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem” ( Lc 23, 34)

Completemos essa reflexão com a exortação do Catecismo para nós ( 1424): “ Quem vive do amor misericordioso de Deus está pronto a responder ao apelo do Senhor: “ Vai primeiro reconciliar-te com teu irmão”. (V. 24)

Eis o que dizem sobre o perdão algumas autoridades religiosas da nossa Igreja, que viveram ou, que vivem ainda entre nós:

Santo Ambrósio: “As lágrimas não pedem perdão, mas o alcançam”.

Papa João Paulo II: “Do acolhimento do perdão divino deriva o empenho no perdão dos irmãos e na reconciliação recíproca. Perdoemos e peçamos perdão!”

Dom Alberto Taveira: “A violência do mundo começa a ser vencida por pessoas dispostas à generosidade e ao perdão, sem limites prévios! ”

Monsenhor Jonas Abib: “Jogar fora o “lixo” causado pela falta de perdão significa colocá-lo aos pés da cruz de Cristo, para que possa ser queimado. O lugar desse lixo não é no seu coração, é aos pés da cruz de Jesus Cristo! “

Padre Leo: ”Para perdoar os outros devemos sempre nos lembrar de como Deus nos perdoou em Cristo”.

Padre Fábio de Melo: “Sem perdão não há amor. Diga-me quem você mais perdoou na vida, e eu então saberei dizer quem você mais amou”.

Testemunho

Os passos de conversão que consegui dar em direção a Deus, quase que cem por cento deles, passaram pela decisão de perdoar a quem me ofendeu e, pela decisão de pedir perdão a quem ofendi.

Oração

Peçamos a Maria Santíssima, a mãe do perdão, que nos ensine a perdoar sem medidas a quem nos ofendeu e, de pedir perdão a quem fizemos algum mal, mesmo que tenha sido sem intenção. Ajuda-nos, mãe! Interceda por nós!

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

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