“Tive fome e me destes de comer ” ( Mt 25, 35 )

4 de setembro de 2010 at 21:42 Deixe um comentário


A humanidade tem sofrido com a fome. Tem sido escrava desse mal há muitos séculos.  Não por causa da escassez de alimento, porque o mundo tem possibilidades de suprir a fome de todos, com terra e água suficientes para a produção agrícola. Mas, infelizmente, não tem acontecido dessa forma por causa da ganância e acúmulo de bens materiais de alguns, corrupção das pessoas que deveriam ser responsáveis pelo bem- estar de todos e pela falta de uma cultura de partilha com os que necessitam de ajuda material.

A Igreja desde seu início em Pentecostes, orienta seus fiéis para que exerçam a partilha de seus bens, sejam materiais ou espirituais, com as pessoas mais necessitadas.” A caridade da Igreja sempre foi tão grande que impressionou até os seus inimigos. O escritor pagão Lúcio (130 a 200 dc), escrevia impressionado com a urgência com que os cristãos se ajudavam mutuamente”. (Felipe Aquino ) Em Atos dos Apóstolos, capítulo 4, versículo 35, vemos isso claro sobre a partilha dos bens, entre os discípulos de Jesus na Igreja primitiva. Quando os fiéis vendiam seus bens, partilhavam com aqueles que necessitavam: “Repartiam-se então a cada um deles conforme a sua necessidade.“

Mas a ajuda aos irmãos necessitados, para ser do agrado de Deus, passa principalmente pelo dom da caridade, no seu amor mais genuíno e puro. A caridade não pode ser interesseira, nem esperar retorno, nem reconhecimento ou destaque social. São Paulo resume assim sobre a caridade: “Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres,…se não tiver caridade, de nada valeria.” ( I Cor 13, 3 ) Ao exercer o dom da partilha com os menos favorecidos, devo ser prudente e não faltar com a caridade com aqueles que estão ao meu redor ( próximo ).

Restituir à dignidade de filhos de Deus aos mais necessitados é meta que precisa nortear a vida de todo cristão. Dom Walmor ( Arcebispo) diz: “ …a consideração dos pobres é determinante na definição de prioridades. Basta levar em conta a sua condição social- ferida que revela a desconsideração de sua dignidade, a falta de moradia, trabalho, oportunidades, educação, saúde.”

As injustiças desse mundo, inclusive a fome e a miséria, são frutos do nosso pecado.  Jesus veio nos libertar do pecado, pelo sofrimento na cruz, para que, assim fôssemos libertos da escravidão de toda a injustiça que pudéssemos causar aos outros com nossas atitudes. O Catecismo da Igreja ensina: “Ao libertar certas pessoas dos males terrestres da fome, da injustiça, da doença e da morte, Jesus operou sinais messiânicos; não veio, no entanto, para abolir todos os males da terra, mas para libertar os homens da mais grave das escravidões, a do pecado, que os entrava na sua vocação de filhos de Deus e causa todas as suas escravidões humanas.” ( 549)

 A pobreza no mundo é algo que requer ações conjuntas de todos os governos, para que a solução aconteça: O Papa Bento XVI diz:”A disparidade entre ricos e pobres tornou-se mais evidente, mesmo nas nações economicamente mais desenvolvidas. Trata-se de um problema que se impõe à consciência da humanidade, visto que as condições em que se encontra um grande número de pessoas são tais que ofendem a sua dignidade natural e, consequentemente, comprometem o autêntico e harmônico progresso da comunidade mundial.”

 No Milagre da Multiplicação dos Pães, Jesus compadeceu-se das pessoas que estavam acompanhando-o, pois elas estavam com fome. Jesus disse a Filipe:”Onde compraremos pão para que todos estes tenham o que comer?”É assim Nosso Senhor, sempre preocupado com aqueles que não tem alimento para saciar sua fome.

Jesus sempre compartilhou a vida dos pobres. Desde a Manjedoura até a cruz:

Nasceu no estábulo– Maria “deu à luz seu filho primogênito, e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria. “ ( Lc 2, 7 )

Conheceu a fome– Ao voltar de Betânia para Jerusalém, Jesus ”teve fome. Vendo uma figueira à beira do caminho, aproximou-se dela, mas só achou nela folhas…” ( Mt 21, 18-19 )

Não tinha onde repousar ( dormir)- “Jesus replicou-lhe: As raposas têm covas e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça. “ ( Lc 9, 58 )

Teve sede– Jesus, pregado na cruz disse aos que estavam ali: “Tenho sede”. Os soldados deram-lhe uma esponja umedecida em vinagre. ( Jo 19,28 -29)

O Senhor responde à súplica dos pobres. Ele defende a causa dos oprimidos: “Por causa da aflição dos humildes e dos gemidos dos pobres, irei levantar-me para lhes dar a salvação que desejam.” ( Sl 11, 6 ) E no Salmo 71, versículo 13: ” Ele se apiedará do pobre e do indigente, e salvará a vida dos necessitados.”

Porque as viúvas e os órfãos ficam em desvantagem perante os demais, Deus está sempre a proteger as viúvas e os órfãos também, na sua indigência e pobreza: “O Senhor protege os peregrinos, ampara o órfão e a viúva;…” ( Sl 145, 9 ). Jesus valorizou a oferta da viúva no templo, pois ela depositou duas pequenas moedas e ofereceu a Deus tudo o que tinha: “…porque todos deitaram do que tinham em abundância; esta, porém, pôs, de sua indigência, tudo o que tinha para o seu sustento. “ ( Mc 12, 44 )

Peçamos sempre ao Espírito Santo que derrame sobre nós o dom da caridade, para que possamos ajudar nossos irmãos empobrecidos, mediante a partilha de nossos próprios bens, se o tivermos, e a comunhão em suas dores e sofrimentos e, principalmente,  levá-los a ter uma experiência de amor com Jesus Ressuscitado, o qual disse de si próprio:” O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a boa-nova aos pobres…” ( Lc 4, 18 ).

Quando matamos a fome de um dos nossos irmãos pequeninos é a Jesus que estamos alimentando, pois Ele mesmo diz na sua Palavra: “porque tive fome e me deste de comer” ( Mt 26, 5 ), e por isso, seremos convidados por nosso Senhor, no Juízo Final, a tomar posse do lugar que Ele nos preparou no Reino dos Céus: “ Vinde , benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo. “( Mt 25, 34 ) E nas bem-aventuranças, o Senhor diz:” Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos Céus”.( Mt 5, 3 ) E para finalizar: na parábola do rico e do Lázaro ( Lc 16, 19-31 ),  Jesus, nos exorta sobre a necessidade de desapegar-nos das riquezas desse mundo, para adquirir a riqueza maior que possamos almejar: a salvação eterna.

São Basílio disse assim: “Pertence aquele que tem fome o pão que tu guardas; àquele que está nu a capa que tu conservas nos teus guarda-vestidos; àquele que está descalço, os sapatos que apodrecem em tua casa; ao pobre o dinheiro que tu tens guardado. Assim tu cometes tantas injustiças quantas as pessoas às quais poderias dar.”

 Hoje, a fome física não é a única que precisa ser combatida. A Beata Madre Teresa de Calcutá, que tanta assistência deu aos pobres, disse: ” Não ser desejado, não ser amado, não ser cuidado, ser esquecido por todos, isso acredito ser fome muito maior, uma pobreza muito maior do que a de uma pessoa que não tenha nada para comer.”

‘Tive fome e me destes de comer”: Na verdade a maior e mais grave fome não é a da falta de alimento material e sim, a falta do alimento espiritual: a fome e a sede de Deus. Muitos irmãos nossos que se encontram nesse tipo de pobreza, a pobreza espiritual, precisam com urgência, acolher a mensagem da salvação de Jesus Cristo em suas vidas para assim receberem  a provisão de alimento celeste que a Igreja tem a seu dispor para matar sua fome e sua sede de Deus, como:  a Eucaristia, a Palavra de Deus, a oração…

Testemunho

Para incrementar ações de solidariedade, penso que não é tão complicado assim: Junto com meus filhos e alguns de seus amigos, no ano de 2006, montei uma peça de teatro, desde a criação do texto, passando pela cenografia, sonoplastia, produção e finalizando com a direção. Valorizamos os diálogos numa linguagem mais cristã, para que todos os membros das famílias pudessem assistir. Era uma história que falava do cotidiano de três jovens estudantes numa república. Percorremos algumas cidades apresentando-a, e, em cada lugar que a peça era encenada, ajudávamos uma Instituição Filantrópica local. Desta forma, pudemos unir nossos esforços aos daqueles que trabalham pela causa do voluntariado e da inclusão social.

 

Oração

Obrigado, Espírito Santo, por nos encher dos seus dons, para assim, cooperar com a obra de Salvação de Jesus Cristo.Liberta-nos do egoísmo e do apego aos bens materiais, Senhor! Capacita-nos mais e mais ao amor para que possamos auxiliar, através da partilha e da doação, aos que tem passado necessidades materiais. Restaura a dignidade de todos os seus filhos, seja em sua indigência material ou espiritual, Senhor.

Jane Amábile- Com. Divino Espírito Santo

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“Dou a minha vida pelas minhas ovelhas”. (Jo 10,15) A FAMÍLIA

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