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A renúncia e a cruz na vida do cristão

 

2014-04-18 Rádio Vaticana

Rio de Janeiro (RV) - A cruz é o sinal do cristão! Esta afirmação pode parecer simples, mas tem profundidade teológica, pois quem busca um Cristo sem a cruz corre o risco de encontrar uma cruz (sofrimento) sem Cristo. Enquanto seguidor de Cristo, o cristão sabe que o Senhor é o Deus da vida a reinar glorioso, mas entende também que o sofrimento, em suas diversas naturezas, é inerente à vida humana e, por isso, o próprio Deus, embora não cause nem queira a dor, permite-a para fazer dela via de santificação e salvação.
Isso ensina o Papa emérito Bento XVI em sua catequese de 29 de outubro de 2008, ao tratar do mistério da cruz nos escritos do Apóstolo Paulo: “As primeiras comunidades cristãs, às quais São Paulo se dirige, sabem muito bem que Jesus já ressuscitou e está vivo; o Apóstolo quer recordar não apenas aos Coríntios ou aos Gálatas, mas a todos nós, que o Ressuscitado é sempre Aquele que foi crucificado. O ‘escândalo’ e a ‘loucura’ da Cruz encontram-se precisamente no fato de que onde parece existir somente falência, dor e derrota, exatamente ali está todo o poder do Amor ilimitado de Deus, porque a cruz é expressão de amor, e o amor é o verdadeiro poder que se revela precisamente nesta aparente debilidade”.
D. Estevão Bettencourt, OSB, escreve no editorial da revista Pergunte e Responderemos, nº 471, agosto de 2001, p. 1: “Ao considerar a sorte final do cristão, o Apóstolo o tem como co-herdeiro do Pai com Cristo, à condição de passar pela via régia por que passou o Senhor Jesus: a via da cruz “… contanto que compadeçamos para que sejamos também glorificados” (Rm 8,17). “O Senhor Jesus quis fazer do padecimento e da morte (consequências do pecado) a estrada real que leva à glória. Sofrer com Cristo é configurar-se ao Filho e tornar-se co-herdeiro do Pai”.
O cristão é “co-herdeiro do Pai com Cristo”, ou seja, todos nós que recebemos, no Batismo, o dom da fé cristã e a professamos no dia a dia somos cristãos. Deus quis, pelas águas batismais, tornar-nos filhos no Filho (Gl 4,5-7). Sim, o Filho por excelência é Jesus Cristo e é n’Ele, por Ele e para Ele que tudo foi criado, a fim de que em tudo fosse d’Ele a primazia (cf. Cl 1,15-20), mas o Senhor, de modo livre e gratuito, nos chamou a tomar parte nessa herança divina. Tornamo-nos, então, co-herdeiros: o Senhor Jesus, Filho de Deus, reparte conosco tudo o que o Pai lhe deu.
Isso, todavia, tem apenas uma condição: “passar pela via régia por que passou o Senhor Jesus: a via da cruz”. A cruz já não é mais um instrumento de vergonha, loucura ou escândalo como foi para os povos antigos, mas é, depois da paixão de Cristo, a via régia ou a estrada real que o Rei dos Reis e Senhor dos Senhores quis, voluntariamente, como novo homem, passar a fim de abrir-nos, com seu sacrifício redentor, as portas da salvação que o pecado do velho homem fechara.
Querer estar com o Senhor nos bons momentos é muito fácil, os próprios apóstolos e discípulos não ficaram imunes a essa terrível tentação. Tomemos apenas dois exemplos: a Transfiguração no Tabor (cf. Mc 9,2-8), cujo relato mostra Pedro, Tiago e João entusiasmados com o que viam: o Senhor Jesus envolto em glória acompanhado de Moisés e Elias, símbolos da Lei e dos Profetas do Antigo Testamento. Querem ficar ali, fazer tendas para os ilustres personagens. A eles nem um refúgio era necessário, já estavam felizes só de poderem contemplar tamanha maravilha.
Contudo, o Senhor, sem privá-los desse importante momento de gozo espiritual, chama-os à realidade convidando-os a descerem da montanha, voltarem para as atividades diárias, retomarem a cruz de cada dia e segui-Lo (cf. Lc 9,23). Também nós sofremos dessa tentação de querermos apenas o Senhor glorificado e desprezarmos o Cristo chagado, cuspido, desprezado… É nada mais nem menos do que a recusa da cruz e a busca apenas da glória. Tentação dos Apóstolos, tentação nossa!
Outro fato portentoso é a multiplicação de pães e peixes (cf. Jo 6,26s), depois da qual imensa multidão passou a seguir Jesus. O divino Mestre, no entanto, logo percebeu que seus muitos seguidores não estavam interessados na renúncia e no sacrifício corredentor que a vida cristã exige, mas, ao contrário, queriam apenas prosperidade material. Buscavam não o verdadeiro Senhor, que é, sim, poderoso e ressuscitado, mas tão-somente o Jesus taumaturgo ou milagreiro, capaz de satisfazer – às nossas ordens – todos os nossos desejos e caprichos.
Buscavam não o verdadeiro Deus, revelado plenamente em Jesus Cristo, que ensina a pedir confiante o pão de cada dia (cf. Mt 6,11), mas admoesta também a submetermo-nos ao projeto divino, cuja vontade deve ser feita (cf. Mt 26,39), mas procuravam o deus da magia, submisso aos seus desejos mais mesquinhos. Quem tem um deus assim, foge na hora do apuro, da cruz. Alguns discípulos que, confusamente, esperavam um Messias glorioso e dominador político que lhes daria tronos neste mundo, de modo que pudessem ficar um à sua direita e outro à sua esquerda podem, simbolicamente, representar cada cristão que não entende o mistério da cruz. Que é incapaz de compreender como Deus se fez homem e, sendo o governante de tudo, o Pantokrator, se submete às forças deste mundo e à morte de cruz. Esse Deus não pode ser seguido, mas, ao contrário, deve – na mentalidade dos que buscam apenas um Rei glorioso – ser abandonado (cf. Mc 14,37s) e a renegado (Lc 22,54-62).
No entanto, a ação do verdadeiro Deus não é assim, segundo relembra o Papa Bento XVI na catequese que já citamos, ao dizer que: “a Cruz revela ‘o poder de Deus’ (cf. 1 Cor 1, 24), que é diferente do poder humano; com efeito, revela o seu amor: ‘O que é considerado como loucura de Deus é mais sábio que os homens, e o que é tido como debilidade de Deus é mais forte que os homens’ (Ibid., v. 25). Há séculos de distância de Paulo, nós vemos que na história venceu a Cruz e não a sabedoria que se opõe à Cruz. O Crucifixo é sabedoria, porque manifesta verdadeiramente quem é Deus, ou seja, poder de amor que chega até à Cruz para salvar o homem. Deus serve-se de modos e de instrumentos que para nós, à primeira vista, parecem debilidade. O Crucifixo releva, por um lado, a debilidade do homem e, por outro, o verdadeiro poder de Deus, ou seja, a gratuidade do amor: precisamente esta total gratuidade do amor é a verdadeira sabedoria. São Paulo fez esta experiência até na sua carne, e disto dá-nos testemunho em várias fases do seu percurso espiritual, que se tornaram pontos de referência específicos para cada discípulo de Jesus: ‘Ele disse-me: basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que a minha força se revela plenamente’ (2 Cor 12, 9); e ainda. ‘Deus escolheu o que é fraco, segundo o mundo, para confundir o que é forte’ (1 Cor 1, 27). O Apóstolo identifica-se a tal ponto com Cristo que também ele, embora se encontre no meio de muitas provações, vive na fé do Filho de Deus que o amou e se entregou pelos pecados dele e de todos (cf. Gl 1, 4; 2, 20). Este dado autobiográfico do Apóstolo torna-se paradigmático para todos nós”.
“Contanto que compadeçamos para que sejamos também glorificados”. Duas expressões aí têm seu peso teológico e prático, uma delas é “compadecer-se”. Ora, o termo padecer se prende à raiz grega de pathos, que passou para o latim como passio, passionis, em português, paixão ou sofrimento. Logo, compadecer-se – cum + passio, nis – quer dizer padecer ou sofrer com… Daí uma importante questão: sofrer com quem? – Sofrer com Cristo, especialmente presente na pessoa do irmão necessitado a clamar por ajuda. Aliás, é o próprio São Paulo quem vai dizer: “completo em minha carne o que falta à paixão de Cristo” (Cl 1,24).
Isso, à primeira vista, pode parecer contraditório, pois a paixão do Senhor foi completa por si mesma, mas o que o Apóstolo quer nos dizer é que mesmo sendo completa, Jesus quis a nossa participação nela, dando-lhe uma moldura nova em nosso tempo. Eu aceito sofrer com Cristo ao assumir a minha cruz e ajudar, qual Cirineu, o meu irmão a carregar a cruz dele. Isso é reviver a Paixão do Senhor no compadecimento ou no sofrer junto aos que sofrem para melhor entender o sentido real da cruz.
Escreveu o Papa João Paulo II: “Do paradoxo da Cruz surge a resposta às nossas interrogações mais inquietantes. Cristo sofre por nós: Ele assume sobre si os sofrimentos de todos e redime-os. Cristo sofre conosco, dando-nos a possibilidade de partilhar com Ele os nossos sofrimentos. Juntamente com o de Cristo, o sofrimento humano torna-se meio de salvação. Eis por que o crente pode dizer com São Paulo: ‘Agora alegro-me nos sofrimentos que suporto por vós e completo na minha carne o que falta às tribulações de Cristo, pelo seu Corpo, que é a Igreja’ (Cl 1,24). O sofrimento, aceito com fé, torna-se a porta para entrar no mistério do sofrimento redentor do Senhor. Um sofrimento que já não priva da paz e da felicidade, porque é iluminado pelo esplendor da ressurreição” (Mensagem Dia Mundial do Doente, 11/2/2004).
Outra reflexão é sobre “ser glorificado”: “O Senhor Jesus quis fazer do padecimento e da morte (consequências do pecado) a estrada real que leva à glória”, ou seja, quem não passa pela cruz não chega à glória… Cristo abriu-nos as portas do Paraíso, mas quis (e quer) que nos esforcemos, com a sua graça, para chegar lá. Por isso a cruz é importante. Não uma cruz distante para todos, mas uma cruz próxima conforme entendeu São Paulo, segundo escreve Bento XVI na catequese já citada: “Na experiência pessoal de São Paulo há um dado incontestável: enquanto no início fora um perseguidor e recorrera à violência contra os cristãos, a partir do momento da sua conversão no caminho de Damasco passara do lado de Cristo crucificado, fazendo dele a sua razão de vida e o motivo da sua pregação. No encontro com Jesus, tornou-se-lhe claro o significado central da Cruz: compreendera que Jesus tinha morrido e ressuscitado por todos e por ele mesmo. Ambas as realidades eram importantes; a universalidade: Jesus morreu realmente por todos; e a subjetividade: Ele morreu também por mim. Portanto, na Cruz manifestou-se o amor gratuito e misericordioso de Deus. Paulo experimentou este amor em si mesmo (cf. Gl 2, 20) e, de pecador, tornou-se crente; de perseguidor, Apóstolo”.
Assumamos com Cristo a Cruz e encontraremos a verdadeira vida, caminhando com certeza para a Páscoa da Ressurreição.
Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

18 de abril de 2014 at 11:24 Deixe um comentário

O sofrimento de Cristo

2014-04-18 Rádio Vaticana

Belo Horizonte (RV) - O mundo cristão contempla no horizonte a paixão e morte de Jesus Cristo, o Filho de Deus, na Sexta-feira Santa. Assim, celebra o mistério da salvação e, com reverência amorosa, faz ecoar um silêncio que é a via única para entender o mais perfeito gesto de amor da história da humanidade. Só esse silêncio não dispersa a inteligência na tarefa de inspirar-se pelo amor verdadeiro de Deus, para compreender o sentido redentor do sofrimento de Cristo. O sentido dessa paixão é a salvação de todos, caminho para o entendimento sábio e adequado da dor que acompanha a humanidade. Compreendê-lo é indispensável para que as muitas dificuldades não apaguem a chama da esperança, obscurecendo a vida.
Indispensável é o desafio de considerar como essencial à natureza humana aquilo que nós exprimimos com a palavra “sofrimento”. As muitas dores manifestam a profundidade que é própria do homem. Assim, o sofrimento parece pertencer ao domínio da transcendência. Indica que a humanidade está, em certo sentido, “destinada” à busca pela superação e é chamada, de modo misterioso, a seguir esse percurso. Uma caminhada que só é possível a partir de uma sabedoria adequada. Enfrentar o sofrimento sem essa consciência pode fazer crescer as lutas e disputas que promovem o caos da desumanização, afetando, de modo particular, a realidade contemporânea.
Sofrer é inerente à condição terrena do homem; mas é importante compreender que, pela paixão de Cristo na Cruz, o Salvador realizou a redenção da humanidade. Não se pode, portanto, evitar ou tratar com indiferença a realidade da dor. Todos devem assumir o dever cristão de ir ao encontro de cada pessoa que sofre. Assim, o padecer humano deve suscitar compaixão e inspirar também respeito, pois guarda a grandeza de um mistério específico. Esse respeito particular por todo e qualquer sofrimento humano merece ser claramente compreendido como necessidade profunda do coração e exigência da fé. Somos chamados, pela fé, a estar junto a cada irmão que sofre. A dor de cada um, à luz da fé, iluminada pela paixão de Cristo Salvador, não pode ser simplesmente objeto de descrição.
Oportuno é recordar a palavra do Bem-Aventurado João Paulo II na sua Carta Apostólica sobre o sentido cristão das mais diversas dores. Ele sublinha que o “sofrimento é algo mais amplo e mais complexo do que a doença”. Lembra que a ciência e suas terapias não conseguem compreender e tratar todas as dores, que formam uma dimensão “enraizada na própria humanidade”. João Paulo II alerta que a dor espiritual acompanha sempre as aflições físicas e morais: “A amplidão do sofrimento moral e a multiplicidade das suas formas não são menores do que as do sofrimento físico; mas, ao mesmo tempo, o primeiro apresenta-se como algo mais difícil de identificar e de ser atingido pela terapia”.
Todo sofrimento é sempre causado pelo mal. Caberá a permanente interrogação a respeito desse mal como possibilidade de uma experiência com força de recuperar a sociedade contemporânea da grave crise moral que ela enfrenta. Diante de todo sofrimento, no combate ao mal que o causa, a solidariedade é a dinâmica indispensável para construir um caminho humanitariamente possível e justo. Nenhuma dor pode ser entendida e enfrentada senão pela sabedoria do amor. E a fonte inesgotável dessa sabedoria é Deus. Jesus Cristo na Cruz, marcante pelo silêncio de sua morte, é a revelação plena do amor divino. Pelo sofrimento redentor de Cristo, Ele atinge as raízes do mal, também existencial e histórico. Existe, pois, um Evangelho do Sofrimento como fonte de imprescindíveis lições para que a humanidade enfrente os seus desafios. O capítulo central desse Evangelho, a ser aprendido para superar todo mal, é o mistério do sofrimento de Cristo. Hoje, Sexta-feira Santa, é oportunidade para que todos compreendam melhor o sentido desse mistério e se fortaleçam no enfrentamento de todas as dores do mundo.
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte (MG)

18 de abril de 2014 at 7:14 Deixe um comentário

Páscoa da Ressurreição – Evangelho de São João 20, 1-9 – 20 \ 04 \ 14

 

1. No primeiro dia que se seguia ao sábado, Maria Madalena foi ao sepulcro, de manhã cedo, quando ainda estava escuro. Viu a pedra removida do sepulcro.

2. Correu e foi dizer a Simão Pedro e ao outro discípulo a quem Jesus amava: Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram!

3. Saiu então Pedro com aquele outro discípulo, e foram ao sepulcro.

4. Corriam juntos, mas aquele outro discípulo correu mais depressa do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro.

5. Inclinou-se e viu ali os panos no chão, mas não entrou.

6. Chegou Simão Pedro que o seguia, entrou no sepulcro e viu os panos postos no chão.

7. Viu também o sudário que estivera sobre a cabeça de Jesus. Não estava, porém, com os panos, mas enrolado num lugar à parte.

8. Então entrou também o discípulo que havia chegado primeiro ao sepulcro. Viu e creu.

9. Em verdade, ainda não haviam entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dentre os mortos.

 

 

“Com alegria nos reunimos para celebrar o acontecimento central da nossa fé. Cristo Ressuscitou! Vida nova se inicia: tristeza e desânimo pertencem ao passado; esperança e otimismo tomam conta de nossa existência. Jesus venceu a morte e permanece conosco para sempre” (Liturgia Diária).

O Papa Emérito Bento XVI disse que “a manhã de Páscoa trouxe-nos este anúncio antigo e sempre novo: Cristo ressuscitou! O eco deste acontecimento, que partiu de Jerusalém há vinte séculos, continua a ressoar na Igreja, que traz viva no coração a fé vibrante de Maria, a Mãe de Jesus, a fé de Madalena e das primeiras mulheres que viram o sepulcro vazio, a fé de Pedro e dos outros Apóstolos”.

O Papa Francisco ensinou: “Também nós, como as mulheres discípulas de Jesus que foram ao sepulcro e o encontraram vazio, nos podemos interrogar que sentido tenha este acontecimento (Lc 24, 4). Que significa o fato de Jesus ter ressuscitado? Significa que o amor de Deus é mais forte que o mal e a própria morte; significa que o amor de Deus pode transformar a nossa vida, fazer florir aquelas parcelas de deserto que ainda existem no nosso coração. E isto é algo que o amor de Deus pode fazer”.

O Catecismo (§652) ensina: “A ressurreição de Cristo é o cumprimento das promessas do Antigo Testamento e do próprio Jesus, durante a sua vida terrena . A expressão «segundo as Escrituras» indica que a ressurreição de Cristo cumpriu essas predições”.

A Palavra: “Eu vos transmiti primeiramente o que eu mesmo havia recebido: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado, e ressurgiu ao terceiro dia, segundo as Escrituras; apareceu a Cefas, e em seguida aos Doze”. ( 1 cor 15, 3-5)

O Beato João Paulo II disse que “nós também, homens e mulheres do vigésimo primeiro século, somos convidados a tomar consciência  desta vitória de Cristo sobre a morte,  revelada ás mulheres de Jerusalém a aos Apóstolos, quando chegaram temerosos no sepulcro.  A experiência destas testemunhas oculares, através da Igreja, chegou até nós”.

 “A primeira missão que as mulheres recebem do Ressuscitado é anunciar que Ele está vivo. A vitória de Cristo sobre a morte marca nossa existência e fundamenta nossa fé. Sua presença entre nós nos enche de alegria”. (Liturgia Diária)

 

Conclusão

Concluímos essa reflexão com as palavras do Papa Emérito Bento XVI: “A Páscoa não efetua qualquer magia. Assim como, para além do Mar Vermelho, os hebreus encontraram o deserto, assim também a Igreja, depois da Ressurreição, encontra sempre a história com as suas alegrias e as suas esperanças, os seus sofrimentos e as suas angústias. E todavia esta história mudou, está marcada por uma aliança nova e eterna, está realmente aberta ao futuro. Por isso, salvos na esperança, prosseguimos a nossa peregrinação, levando no coração o cântico antigo e sempre novo: «Cantemos ao Senhor: é verdadeiramente glorioso!”

 

Oração

“Ó Deus da vida e força dos que vos buscam, nosso coração vos canta exultante. Ressuscitastes vosso Filho para que Ele nos acompanhe em nossa vida, tornando-nos testemunhas alegres da ressurreição. Queremos eliminar de dentro de nós tudo o que nos impede de ser homens e mulheres novos, filhos e filhas da vossa ternura de Pai. Dai-nos comer o pão e beber o vinho da festa do vosso reino. Por Cristo, nosso Senhor. Amém”. (Liturgia Diária)

Do Papa Emérito Bento XVI: “Deixemo-nos guiar por Maria, que acompanhou o Filho divino pelo caminho da paixão e da cruz e participou, com a força da fé, na concretização do seu desígnio salvífico. Com estes sentimentos, formulo desde agora os votos mais cordiais de feliz e santa Páscoa a todos vós, aos vossos entes queridos e às vossas Comunidades”.

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

 

 

 

 

17 de abril de 2014 at 8:06 Deixe um comentário

Ungidos com o óleo da alegria!: na Missa Crismal desta Quinta-feira Santa, Papa recorda aos padres a “nossa alegria sacerdotal”

014-04-17 Rádio Vaticana

Eis o texto integral da homilia do Papa Francisco na Missa Crismal desta Quinta-feira Santa, na basílica de Sâo Pedro:
Amados irmãos no sacerdócio!
No Hoje de Quinta-feira Santa, em que Cristo levou o seu amor por nós até ao extremo (cf. Jo 13, 1), comemoramos o dia feliz da instituição do sacerdócio e o da nossa ordenação sacerdotal. O Senhor ungiu-nos em Cristo com óleo da alegria, e esta unção convida-nos a acolher e cuidar deste grande dom: a alegria, o júbilo sacerdotal. A alegria do sacerdote é um bem precioso tanto para si mesmo como para todo o povo fiel de Deus: do meio deste povo fiel é chamado o sacerdote para ser ungido e ao mesmo povo é enviado para ungir.
Ungidos com óleo de alegria para ungir com óleo de alegria. A alegria sacerdotal tem a sua fonte no Amor do Pai, e o Senhor deseja que a alegria deste amor «esteja em nós» e «seja completa» (Jo 15, 11). Gosto de pensar na alegria contemplando Nossa Senhora: Maria é «Mãe do Evangelho vivente, manancial de alegria para os pequeninos» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 288), e creio não exagerar se dissermos que o sacerdote é uma pessoa muito pequena: a grandeza incomensurável do dom que nos é dado para o ministério relega-nos entre os menores dos homens. O sacerdote é o mais pobre dos homens, se Jesus não o enriquece com a sua pobreza; é o servo mais inútil, se Jesus não o trata como amigo; é o mais louco dos homens, se Jesus não o instrui pacientemente como fez com Pedro; o mais indefeso dos cristãos, se o Bom Pastor não o fortifica no meio do rebanho. Não há ninguém menor que um sacerdote deixado meramente às suas forças; por isso, a nossa oração de defesa contra toda a cilada do Maligno é a oração da nossa Mãe: sou sacerdote, porque Ele olhou com bondade para a minha pequenez (cf. Lc 1, 48). E, a partir desta pequenez, recebemos a nossa alegria.
Na nossa alegria sacerdotal, encontro três características significativas: uma alegria que nos unge (sem nos tornar untuosos, sumptuosos e presunçosos), uma alegria incorruptível e uma alegria missionária que irradia para todos e todos atrai a começar, inversamente, pelos mais distantes.
Uma alegria que nos unge. Quer dizer: penetrou no íntimo do nosso coração, configurou-o e fortificou-o sacramentalmente. Os sinais da liturgia da ordenação falam-nos do desejo materno que a Igreja tem de transmitir e comunicar tudo aquilo que o Senhor nos deu: a imposição das mãos, a unção com o santo Crisma, o revestir-se com os paramentos sagrados, a participação imediata na primeira Consagração… A graça enche-nos e derrama-se íntegra, abundante e plena em cada sacerdote. Ungidos até aos ossos… e a nossa alegria, que brota de dentro, é o eco desta unção.
Uma alegria incorruptível. A integridade do Dom – ninguém lhe pode tirar nem acrescentar nada – é fonte incessante de alegria: uma alegria incorruptível, a propósito da qual prometeu o Senhor que ninguém no-la poderá tirar (cf. Jo 16, 22). Pode ser adormentada ou sufocada pelo pecado ou pelas preocupações da vida, mas, no fundo, permanece intacta como o tição aceso dum cepo queimado sob as cinzas, e sempre se pode renovar. Permanece sempre actual a recomendação de Paulo a Timóteo: reaviva o fogo do dom de Deus, que está em ti pela imposição das minhas mãos (cf. 2 Tm 1, 6).
Uma alegria missionária. Sobre esta terceira característica, quero alongar-me mais convosco sublinhando-a de maneira especial: a alegria do sacerdote está intimamente relacionada com o povo fiel e santo de Deus, porque se trata de uma alegria eminentemente missionária. A unção ordena-se para ungir o povo fiel e santo de Deus: para baptizar e confirmar, para curar e consagrar, para abençoar, para consolar e evangelizar. E, sendo uma alegria que flui apenas quando o pastor está no meio do seu rebanho (mesmo no silêncio da oração, o pastor que adora o Pai está no meio das suas ovelhas), é uma «alegria guardada» por este mesmo rebanho. Mesmo nos momentos de tristeza, quando tudo parece entenebrecer-se e nos seduz a vertigem do isolamento, naqueles momentos apáticos e chatos que por vezes nos assaltam na vida sacerdotal (e pelos quais também eu passei), mesmo em tais momentos o povo de Deus é capaz de guardar a alegria, é capaz de proteger-te, abraçar-te, ajudar-te a abrir o coração e reencontrar uma alegria renovada.
«Alegria guardada» pelo rebanho e guardada também por três irmãs que a rodeiam, protegem e defendem: irmã pobreza, irmã fidelidade e irmã obediência.
A alegria sacerdotal é uma alegria que tem como irmã a pobreza. O sacerdote é pobre de alegrias meramente humanas: renunciou a tantas coisas! E, visto que é pobre – ele que tantas coisas dá aos outros –, a sua alegria deve pedi-la ao Senhor e ao povo fiel de Deus. Não deve buscá-la ele mesmo. Sabemos que o nosso povo é generosíssimo a agradecer aos sacerdotes os mínimos gestos de bênção e, de modo especial, os Sacramentos. Muitos, falando da crise de identidade sacerdotal, não têm em conta que a identidade pressupõe pertença. Não há identidade – e, consequentemente, alegria de viver – sem uma activa e empenhada pertença ao povo fiel de Deus (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 268). O sacerdote que pretende encontrar a identidade sacerdotal indagando introspectivamente na própria interioridade, talvez não encontre nada mais senão sinais que dizem «saída»: sai de ti mesmo, sai em busca de Deus na adoração, sai e dá ao teu povo aquilo que te foi confiado, e o teu povo terá o cuidado de fazer-te sentir e experimentar quem és, como te chamas, qual é a tua identidade e fazer-te-á rejubilar com aquele cem por um que o Senhor prometeu aos seus servos. Se não sais de ti mesmo, o óleo torna-se rançoso e a unção não pode ser fecunda. Sair de si mesmo requer despojar-se de si, comporta pobreza.
A alegria sacerdotal é uma alegria que tem como irmã a fidelidade. Não tanto no sentido de que seremos todos «imaculados» (quem dera que o fôssemos, com a graça de Deus!), dado que somos pecadores, como sobretudo no sentido de uma fidelidade sempre nova à única Esposa, a Igreja. Aqui está a chave da fecundidade. Os filhos espirituais que o Senhor dá a cada sacerdote, aqueles que baptizou, as famílias que abençoou e ajudou a caminhar, os doentes que apoia, os jovens com quem partilha a catequese e a formação, os pobres que socorre… todos eles são esta «Esposa» que o sacerdote se sente feliz em tratar como sua predilecta e única amada e ser-lhe fiel sem cessar. É a Igreja viva, com nome e apelido, da qual o sacerdote cuida na sua paróquia ou na missão que lhe foi confiada, é essa que lhe dá alegria quando lhe é fiel, quando faz tudo o que deve fazer e deixa tudo o que deve deixar contanto que permaneça no meio das ovelhas que o Senhor lhe confiou: «Apascenta as minhas ovelhas» (Jo 21, 16.17).
A alegria sacerdotal é uma alegria que tem como irmã a obediência. Obediência à Igreja na Hierarquia que nos dá, por assim dizer, não só o âmbito mais externo da obediência: a paróquia à qual sou enviado, as faculdades do ministério, aquele encargo particular… e ainda a união com Deus Pai, de Quem deriva toda a paternidade. Mas também a obediência à Igreja no serviço: disponibilidade e prontidão para servir a todos, sempre e da melhor maneira, à imagem de «Nossa Senhora da prontidão» (cf. Lc 1, 39: meta spoudes), que acorre a servir sua prima e está atenta à cozinha de Caná, onde falta o vinho. A disponibilidade do sacerdote faz da Igreja a Casa das portas abertas, refúgio para os pecadores, lar para aqueles que vivem na rua, casa de cura para os doentes, acampamento para os jovens, sessão de catequese para as crianças da Primeira Comunhão… Onde o povo de Deus tem um desejo ou uma necessidade, aí está o sacerdote que sabe escutar (ob-audire) e pressente um mandato amoroso de Cristo que o envia a socorrer com misericórdia tal necessidade ou a apoiar aqueles bons desejos com caridade criativa.
Aquele que é chamado saiba que existe neste mundo uma alegria genuína e plena: a de ser tomado pelo povo que uma pessoa alguém ama até ao ponto de ser enviada a ele como dispensadora dos dons e das consolações de Jesus, o único Bom Pastor, que, cheio de profunda compaixão por todos os humildes e os excluídos desta terra, cansados e abatidos como ovelhas sem pastor, quis associar muitos sacerdotes ao seu ministério para, na pessoa deles, permanecer e agir Ele próprio em benefício do seu povo.
Nesta Quinta-feira sacerdotal, peço ao Senhor Jesus que faça descobrir a muitos jovens aquele ardor do coração que faz acender a alegria logo que alguém tem a feliz audácia de responder com prontidão à sua chamada. Nesta Quinta-feira sacerdotal, peço ao Senhor Jesus que conserve o brilho jubiloso nos olhos dos recém-ordenados, que partem para «se dar a comer» pelo mundo, para consumar-se no meio do povo fiel de Deus, que exultam preparando a primeira homilia, a primeira Missa, o primeiro Baptismo, a primeira Confissão… é a alegria de poder pela primeira vez, como ungidos, partilhar – maravilhados – o tesouro do Evangelho e sentir que o povo fiel volta a ungir-te de outra maneira: com os seus pedidos, inclinando a cabeça para que tu os abençoes, apertando-te as mãos, apresentando-te aos seus filhos, intercedendo pelos seus doentes… Conserva, Senhor, nos teus sacerdotes jovens, a alegria de começar, de fazer cada coisa como nova, a alegria de consumar a vida por Ti.
Nesta Quinta-feira sacerdotal, peço ao Senhor Jesus que confirme a alegria sacerdotal daqueles que têm muitos anos de ministério. Aquela alegria que, sem desaparecer dos olhos, pousa sobre os ombros de quantos suportam o peso do ministério, aqueles sacerdotes que já tomaram o pulso ao trabalho, reúnem as suas forças e se rearmam: «tomam fôlego», como dizem os desportistas. Conserva, Senhor, a profundidade e a sábia maturidade da alegria dos sacerdotes adultos. Saibam orar como Neemias: a alegria do Senhor é a minha força (cf. Ne 8, 10).
Enfim, nesta Quinta-feira sacerdotal, peço ao Senhor Jesus que brilhe a alegria dos sacerdotes idosos, sãos ou doentes. É a alegria da Cruz, que dimana da certeza de possuir um tesouro incorruptível num vaso de barro que se vai desfazendo. Saibam estar bem em qualquer lugar, sentindo na fugacidade do tempo o sabor do eterno (Guardini). Sintam a alegria de passar a chama, a alegria de ver crescer os filhos dos filhos e de saudar, sorrindo e com mansidão, as promessas, naquela esperança que não desilude.

17 de abril de 2014 at 7:58 Deixe um comentário

Mas o que quer dizer a Semana Santa para nós? Papa Francisco (2013)

 

Irmãos e irmãs, bom dia!

Estou feliz por vos receber nesta minha primeira Audiência geral. É com grande reconhecimento e veneração que recebo o «testemunho» das mãos do meu amado predecessor Bento XVI. Depois da Páscoa retomaremos as catequeses do Ano da fé. Hoje, gostaria de meditar um pouco sobre a Semana Santa. Com o Domingo de Ramos demos início a esta Semana — centro de todo o Ano litúrgico — em que acompanhamos Jesus na sua Paixão, Morte e Ressurreição.

Mas o que quer dizer a Semana Santa para nós? O que significa seguir Jesus no seu caminho no Calvário rumo à Cruz e à Ressurreição? Na sua missão terrena, Jesus percorreu as estradas da Terra Santa; chamou doze pessoas simples, para que permanecessem com Ele, compartilhassem o seu caminho e continuassem a sua missão; escolheu-as do meio do povo cheio de fé nas promessas de Deus. Falou a todos, sem distinção, aos grandes e aos humildes, ao jovem rico e à viúva pobre, aos poderosos e os frágeis; levou a misericórdia e o perdão de Deus; curou, confortou e compreendeu; infundiu esperança; levou a todos a presença do Deus que se interessa por cada homem e mulher, como faz um bom pai e uma boa mãe para com cada um dos seus filhos. Deus não esperou que fôssemos ter com Ele, mas foi Ele que caminhou ao nosso encontro, sem cálculos, sem medidas. Deus é assim: Ele dá sempre o primeiro passo, é Ele que vem ao nosso encontro. Jesus viveu as realidades diárias das pessoas mais comuns: comoveu-se diante da multidão que parecia um rebanho sem pastor; chorou perante o sofrimento de Marta e Maria, devido à morte do irmão Lázaro; chamou um publicano para ser seu discípulo; sofreu até a traição de um amigo. Nele Deus conferiu-nos a certeza de que está connosco, no meio de nós. «As raposas — disse Jesus — têm as suas tocas, e as aves do céu os seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça» (Mt 8, 20). Jesus não tem uma casa porque a sua casa é o povo, somos nós, a sua missão consiste em abrir as portas de Deus para todos, em ser a presença de amor de Deus.

Na Semana Santa nós vivemos o ápice deste caminho, deste desígnio de amor que atravessa toda a história das relações entre Deus e a humanidade. Jesus entra em Jerusalém para dar o último passo, no qual resume toda a sua existência: entrega-se totalmente, nada conserva para si, nem sequer a vida. Na Última Ceia, com os seus amigos, partilha o pão e distribui o cálice «por nós». O Filho de Deus oferece-se a nós, entrega nas nossas mãos o seu Corpo e o seu Sangue para estar sempre connosco, para habitar no meio de nós. E no Horto das Oliveiras, como no processo diante de Pilatos, não opõe resistência, entrega-se; é o Servo sofredor prenunciado por Isaías que se despoja de si mesmo até à morte (cf. Is 53, 12).

Jesus não vive este amor que conduz ao sacrifício de modo passivo ou como um destino fatal; sem dúvida, não esconde a sua profunda perturbação diante da morte violenta, mas entrega-se ao Pai com plena confiança. Jesus entregou-se voluntariamente à morte para corresponder ao amor de Deus Pai, em união perfeita com a sua vontade, para demonstrar o seu amor por nós. Na cruz, Jesus «amou-me e entregou-se a si mesmo por mim» (Gl 2, 20). Cada um de nós pode dizer: amou-me e entregou-se por mim. Cada um pode dizer este «por mim».

O que significa tudo isto para nós? Significa que este é também o meu, o teu, o nosso caminho. Viver a Semana Santa seguindo Jesus não só com a comoção do coração; viver a Semana Santa seguindo Jesus quer dizer aprender a sairmos de nós mesmos — como eu disse no domingo passado — para ir ao encontro dos outros, para ir às periferias da existência, sermos os primeiros a ir ao encontro dos nossos irmãos e irmãs, sobretudo dos mais distantes, de quantos estão esquecidos, dos que têm mais necessidade de compreensão, conforto e ajuda. Há muita necessidade de levar a presença viva de Jesus misericordioso e rico de amor!

Viver a Semana Santa significa entrar cada vez mais na lógica de Deus, na lógica da Cruz, que não é em primeiro lugar a da dor e da morte, mas do amor e do dom de si que dá vida. Significa entrar na lógica do Evangelho. Seguir, acompanhar Cristo, permanecer com Ele exige um «sair», sair. Sairmos de nós mesmos, de um modo de viver a fé cansado e rotineiro, da tentação de nos fecharmos nos nossos esquemas, que acabam por fechar o horizonte da obra criativa de Deus. Deus saiu de si mesmo para vir ao meio de nós, montou a sua tenda entre nós, para nos trazer a sua misericórdia que salva e dá esperança. Também nós, se quisermos segui-lo e permanecer com Ele, não devemos contentar-nos em permanecer no recinto das noventa e nove ovelhas, mas temos que «sair», procurar com Ele a ovelha tresmalhada, a mais distante. Recordai bem: sairmos de nós, como Jesus, como Deus saiu de si mesmo em Jesus, e Jesus saiu de si próprio por todos nós.

Alguém poderia dizer-me: «Mas, padre, não tenho tempo», «tenho muitas coisas para fazer», «é difícil», «o que posso fazer com as minhas poucas forças, também com o meu pecado, com tantas coisas?». Muitas vezes contentamo-nos com algumas preces, com uma Missa dominical distraída e inconstante, com alguns gestos de caridade, mas não temos esta coragem de «sair» para anunciar Cristo. Somos um pouco como são Pedro. Assim que Jesus fala de paixão, morte e ressurreição, de dom de si, de amor por todos, o Apóstolo chama-o à parte e repreende-o. Aquilo que Jesus diz altera os seus planos, parece inaceitável, põe em dificuldade as seguranças que tinha construído para si, a sua ideia de Messias. Jesus olha para os discípulos e dirige a Pedro talvez uma das palavras mais duras dos Evangelhos: «Afasta-te de mim, Satanás, porque os teus sentimentos não são de Deus, mas dos homens» (Mc 8, 33). Deus pensa sempre com misericórdia: não o esqueçais. Deus pensa sempre com misericórdia: é o Pai misericordioso! Deus pensa como o pai que espera o regresso do filho e vai ao seu encontro; vê-o chegar, e quando ainda está longe… Que significa? Que todos os dias ia ver se o filho voltava para casa: este é o nosso Pai misericordioso. É o sinal que o esperava de coração na varanda da sua casa. Deus pensa como o samaritano, que não passa perto do desventurado, comiserando-o ou desviando o olhar, mas socorrendo-o sem nada pedir em troca; sem lhe perguntar se era judeu, pagão, samaritano, rico ou pobre: nada lhe pergunta. Não lhe pergunta estas coisas, nada pergunta. Vai em sua ajuda: Deus é assim. Deus pensa como o pastor que dá a sua vida para defender e salvar as ovelhas.

A Semana Santa é um tempo de graça que o Senhor nos concede para abrir as portas do nosso coração, da nossa vida, das nossas paróquias — que lástima, tantas paróquias fechadas! — dos movimentos, das associações, e «sair» ao encontro dos outros, aproximar-nos para levar a luz e a alegria da nossa fé. Sair sempre! E isto com amor, e com a ternura de Deus, no respeito e na paciência, conscientes de que nós oferecemos as nossas mãos, os nossos pés e o nosso coração, mas depois é Deus quem os guia e torna fecunda cada uma das nossas obras.

Faço votos a todos, para que vivais bem estes dias, seguindo o Senhor com coragem, levando em nós mesmos um raio do seu amor a quantos encontrarmos.

Fonte: Site do Vaticano

16 de abril de 2014 at 9:04 Deixe um comentário

Papa Francisco convida a contemplar o Crucificado, beijá-lo e dizer: “Obrigado, Jesus!”

 

2014-04-16 Rádio Vaticana

Muita gente na Praça de S. Pedro para a audiência geral desta Semana Santa:

“… a meio da Semana Santa a liturgia apresenta-nos aquele episódio triste do relato da traição de Judas, que vai ter com os chefes do Sinédrio para mercadar e entregar-lhes o seu Mestre. Quanto me dais se eu o Entrego? E Jesus passa a ter um preço. Este ato dramático marca o início da Paixão de Cristo, um percurso doloroso que Ele escolhe com absoluta liberdade. Di-Lo claramente Ele próprio: “Eu dou a minha vida…”
Nestes dias, vemos Jesus percorrer, de livre vontade, o caminho da humilhação e do despojamento – afirmou o Papa Francisco – o caminho que atinge o ponto mais profundo na morte de cruz: morre como um derrotado, um falido! Mas, aceitando esta falência por amor, supera-a e vence-a.
“A sua paixão não é um incidente; a sua morte – aquela morte – estava escrita. Trata-se de um mistério desconcertante, mas conhecemos o segredo deste mistério, desta extraordinária humildade: “Deus efetivamente amou tanto o mundo que deu o seu Filho Unigénito.”
Se, depois de todo o bem que realizara, não tivesse existido esta morte tão humilhante, Jesus não teria mostrado a medida total do seu amor – observou o Papa. A falência histórica de Jesus e as frustrações de muitas esperanças humanas são a estrada mestra, por onde Deus realiza a nossa salvação. É uma estrada que não coincide com os critérios humanos; pelo contrário, inverte-os, pois pelas suas chagas fomos curados. Quando tudo parece perdido, é então que Deus intervém com a força da ressurreição.
“A ressurreição de Jesus não é o final feliz de uma linda fábula ou de um filme, mas a intervenção de Deus Pai, quando já toda a esperança humana se tinha desmoronado.”
Também nós somos chamados a seguir Jesus por este caminho de humilhação – continuou o Santo Padre. Quando nos sentimos mergulhados na mais densa escuridão e não vemos qualquer via de saída para as nossas dificuldades, então esse é o momento da nossa humilhação e despojamento total, é a hora em que experimentamos como somos frágeis e pecadores. E nesse momento devemos abrir-nos à esperança tal como fez Jesus – advertiu o Papa Francisco que concluiu a sua catequese exortando todos para a contemplação do Mistério da Cruz:

“Esta semana vai-nos fazer bem pegar no crucifixo e beija-lo tantas vezes e dizer obrigado Jesus, obrigado Senhor. Assim seja.”
No final da audiência o Santo Padre saudou também os peregrinos de língua portuguesa:

“De coração saúdo todos os peregrinos de língua portuguesa, com menção particular do Colégio Nossa Senhora da Assunção. Tomai como amiga e modelo de vida a Virgem Maria, que permaneceu ao pé da cruz de Jesus, amando, também Ela, até ao fim. E quem ama passa da morte à vida. É o amor que faz a Páscoa. A todos vós e aos vossos entes queridos, desejo uma serena e santa Páscoa.”
O Papa Francisco a todos deu a sua bênção! (RS)

16 de abril de 2014 at 8:48 Deixe um comentário

Sábado Santo – Vigília Pascal – 19 de Abril

1) Celebração da Luz

 Bênção do Fogo

Proclamação da Páscoa  

2) Liturgia da Palavra:

I leitura: Gênesis 1, 1.26-31-breve

Salmo Responsorial  103 (104)

II leitura: Gênesis 22, 1-2.9-13.15-18- breve

Salmo Responsorial 15 (16)

III leitura: Êxodo 14, 15-15,1

Salmo Responsorial (Ex 15)

IV leitura: Isaías 54, 5-14

Salmo Responsorial 29 (30)

V leitura: Isaías 55, 1-11

Salmo Responsorial  (Is 62)

VI leitura: Baruc 3, 9-15.32-4,4

Salmo Responsorial 18 (19)

VII leitura: Ezequiel 36, 16-28

Salmo Responsorial 41 (42)

Carta aos Romanos 6, 3-11

Salmo Responsorial 117 (118)

Evangelho: Mateus 28, 1-10 

III) Liturgia Batismal

Bênção da água

Renovação das Promessas do Batismo 

IV) Liturgia Eucarística 

 

 

Refletindo o Evangelho de São Mateus 28, 1-9

1. Depois do sábado, quando amanhecia o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o túmulo.

2. E eis que houve um violento tremor de terra: um anjo do Senhor desceu do céu, rolou a pedra e sentou-se sobre ela.

3. Resplandecia como relâmpago e suas vestes eram brancas como a neve.

4. Vendo isto, os guardas pensaram que morreriam de pavor.

5. Mas o anjo disse às mulheres: Não temais! Sei que procurais Jesus, que foi crucificado.

6. Não está aqui: ressuscitou como disse. Vinde e vede o lugar em que ele repousou.

7. Ide depressa e dizei aos discípulos que ele ressuscitou dos mortos. Ele vos precede na Galiléia. Lá o haveis de rever, eu vo-lo disse.

8. Elas se afastaram prontamente do túmulo com certo receio, mas ao mesmo tempo com alegria, e correram a dar a boa nova aos discípulos.

9. Nesse momento, Jesus apresentou-se diante delas e disse-lhes: Salve! Aproximaram-se elas e, prostradas diante dele, beijaram-lhe os pés.

 

“Ao cair da noite de Sábado Santo tem início a solene Vigília Pascal, a “mãe de todas as vigílias”. Depois de ter abençoado o novo fogo, acende-se o círio pascal, símbolo de Cristo que ilumina cada homem, e ressoa jubiloso o grande anúncio do Exsultet. A Comunidade eclesial, pondo-se à escuta da Palavra de Deus, medita a grande promessa da libertação definitiva da escravidão do pecado e da morte. Seguem-se os ritos do Baptismo e da Confirmação para os catecúmenos, que percorreram um longo itinerário de preparação”.(Beato João Paulo II)

 

“Desceu à Mansão dos Mortos”

O Papa Emérito Bento XVI disse que “Jesus que entra no mundo dos mortos leva os estigmas: as suas feridas, os seus padecimentos tornaram-se poder, são amor que vence a morte. Ele encontra Adão e todos os homens que esperam na noite da morte. À sua vista parece até ouvir a oração de Jonas: “Clamei a vós do meio da morada dos mortos, e ouvistes a minha voz” (Jn 2, 3). O Filho de Deus na encarnação fez-se uma só coisa com o ser humano – com Adão. Mas só naquele momento, em que cumpre o extremo ato de amor descendo na noite da morte, Ele cumpre o caminho da encarnação. Com a sua morte Ele leva Adão pela mão, leva todos os homens em expectativa para a luz”.

A PALAVRA: “PELO QUE DIZ: QUANDO SUBIU AO ALTO, LEVOU MUITOS CATIVOS, CUMULOU DE DONS OS HOMENS (SL 67,19). ORA, QUE QUER DIZER ELE SUBIU, SENÃO QUE ANTES HAVIA DESCIDO A ESTA TERRA? AQUELE QUE DESCEU É TAMBÉM O QUE SUBIU ACIMA DE TODOS OS CÉUS, PARA ENCHER TODAS AS COISAS”.(EF 4, 8-10)

O Papa Emérito Bento XVI orou assim: “Senhor, mostra hoje também que o amor é mais forte do que o ódio. Que é mais forte do que a morte. Desce também nas noites e na mansão dos mortos deste nosso tempo moderno e segura pela mão aqueles que esperam. Leva-os para a luz! Permanece também comigo nas minhas noites escuras e leva-me para fora! Ajuda-me, ajuda-nos a descer contigo na escuridão daqueles que estão à espera, que das profundezas gritam por ti! Ajuda-nos a levar-lhes a tua luz! Ajuda-nos a chegar ao “sim” do amor, que nos faz descer e por isso mesmo elevevarmo-nos juntamente contigo! Amém”. 

 

“E Ressuscitou ao Terceiro Dia”

O Beato João Paulo II ensinou: “O anúncio da ressurreição irrompe na escuridão da noite e toda a criação desperta do sono da morte, para reconhecer a realeza de Cristo, como realça o hino paulino no qual se inspiram estas nossas reflexões “Para que, ao nome de Jesus, se dobre todo o joelho, os dos seres que estão no céu, e na terra e debaixo da terra e toda a língua proclame Jesus Cristo é o Senhor” (Fl 2, 10-11).

“Se és Maria, ou a outra Maria, ou Salomé, ou Joana, derrama tuas lágrimas por Ele. Levanta-te de manhã cedo, procura ser o primeiro a ver a pedra do túmulo afastada, e a encontrar talvez os anjos, ou melhor ainda, o próprio Jesus”. (Liturgia das Horas)

“Mas o mistério da Cruz e da Ressurreição garante-nos que o ódio, a violência, o sangue e a morte não têm a última palavra nas vicissitudes humanas. A vitória definitiva é de Cristo e nós devemos voltar a partir d’Ele, se queremos construir para todos um futuro de paz autêntica, de justiça e de solidariedade”.(Beato João Paulo II)

O Papa Emérito Bento XVI disse: “Mas nós sabemos que o mal não tem a última palavra, porque quem vence é Cristo crucificado e ressuscitado e o seu triunfo se manifesta com a força do amor misericordioso. A sua ressurreição dá-nos esta certeza:  apesar da obscuridade que vem do mundo, o mal não tem a última palavra. Amparados por esta certeza poderemos comprometer-nos com mais coragem e entusiasmo para que nasça um mundo mais justo”.

O Beato João Paulo II orou assim: “Virgem, participando profundamente do desígnio salvífico, nos acompanhe no caminho da paixão e da cruz até ao sepulcro vazio, para encontrar o seu Filho divino ressuscitado. Entremos no clima espiritual do Tríduo Santo, deixando-nos guiar por ela”.

Conclusão

O Papa Francisco disse assim: “Jesus não é um morto, ressuscitou, é o Vivente! Não regressou simplesmente à vida, mas é a própria vida, porque é o Filho de Deus, que é o Vivente ( Nm 14, 21-28; Dt 5, 26, Js 3, 10). Jesus já não está no passado, mas vive no presente e lança-Se para o futuro; Jesus é o «hoje» eterno de Deus. Assim se apresenta a novidade de Deus diante dos olhos das mulheres, dos discípulos, de todos nós: a vitória sobre o pecado, sobre o mal”.

 

Oração

Do Beato João Paulo II: “Maria, esta é por vossa excelência a vossa noite! Enquanto se apagam as últimas luzes do sábado, e o fruto do vosso ventre descansa na terra, vosso coração também vigia! A vossa fé e a vossa esperança projetam-se para diante. Para além da pesada lápide, vislumbram já o túmulo vazio; para além do espesso véu das trevas, entreveem a aurora da ressurreição. Fazei, ó Mãe, que também nós vigiemos no silêncio da noite, crendo e esperando na palavra do Senhor. Encontraremos assim, na plenitude da luz e da vida, Cristo, primícia dos ressuscitados, que reina com o Pai e o Espírito Santo, pelos séculos dos séculos. Aleluia!

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

 

 

 

 

 

 

 

 

15 de abril de 2014 at 9:53 Deixe um comentário

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