Posts filed under ‘Reflexão da Palavra’

A boa nova não é só palavra, é testemunho de amor: Papa na mensagem Urbi et Orbi, nesta Páscoa 2014

 

2014-04-20 Rádio Vaticana

Cari fratelli e sorelle, buona Pasqua!
… Papa Francisco, nesta Páscoa 2014, dirigindo Urbi et Orbi (à Cidade de Roma e ao mundo inteiro), da varanda central da basílica de São Pedro, a sua mensagem pascal, em que tomou como ponto de partida o anúncio do anjo às mulheres, perante o sepulcro aberto: “Ressuscitou! Vinde e vede!” Uma mensagem que hoje ressoa uma vez mais na Igreja espalhada pelo mundo: «Não tenhais medo. Sei que buscais Jesus, o crucificado; não está aqui, pois ressuscitou (…). Vinde, vede o lugar onde jazia»
“Este é o ponto culminante do Evangelho, é a Boa Nova por excelência: Jesus, o crucificado, ressuscitou!”
É este o acontecimento que está na base da nossa fé e da nossa esperança – sublinhou o Papa: se Cristo não tivesse ressuscitado, o cristianismo perderia o seu valor; toda a missão da Igreja veria esgotar-se o seu ímpeto, porque foi dali que partiu e é sempre daqui que de novo parte. A mensagem que os cristãos levam ao mundo é esta: Jesus, o Amor encarnado, morreu na cruz pelos nossos pecados, mas Deus Pai ressuscitou-O e fê-Lo Senhor da vida e da morte.
“Em Jesus, o Amor triunfou sobre o ódio, a misericórdia sobre o pecado, o bem sobre o mal, a verdade sobre a mentira, a vida sobre a morte.”
Há que dizer a todos: «Vinde e vede», isso porque – insistiu o Papa – a Boa Nova não é apenas uma palavra, é testemunho…
“A Boa Nova não é apenas uma palavra, mas é um testemunho de amor gratuito e fiel: é sair de si mesmo para ir ao encontro do outro, é permanecer junto de quem a vida feriu, é partilhar com quem não tem o necessário, é ficar ao lado de quem está doente, é idoso ou excluído…
O Amor é mais forte, o Amor dá vida, o Amor faz florescer a esperança no deserto… “Com esta jubilosa certeza no coração”, o Papa Francisco prosseguiu a sua Mensagem pascal em jeito de oração ao Senhor ressuscitado pedindo-lhe a graça de O reconhecer e servir nos irmãos que sofrem:
“Ajudai-nos a procurar-Vos para que todos possamos encontrar-Vos, saber que temos um Pai e não nos sentimos órfãos; que podemos amar-Vos e adorar-Vos.
Ajudai-nos a vencer a chaga da fome, agravada pelos conflitos e por um desperdício imenso de que muitas vezes somos cúmplices. Tornai-nos capazes de proteger os indefesos, sobretudo as crianças, as mulheres e os idosos, por vezes objecto de exploração e de abandono.”
Na sua oração a Jesus Ressuscitado, Papa Francisco não esqueceu os que sofrem com doenças como a epidemia de ébola… dos quais é preciso cuidar, contrastando também as condições de vida que facilitam a sua difusão…
“Fazei que possamos cuidar dos irmãos atingidos pela epidemia de ébola na Guiné Conacri, Serra Leoa e Libéria, e daqueles que são afectados por tantas outras doenças, que se difundem também pela negligência e a pobreza extrema.”
O Papa pediu ao Senhor Ressuscitado que console quantos hoje não podem celebrar a Páscoa com os seus entes queridos porque a eles foram arrancados injustamente, como (é o caso, por exemplo) das numerosas pessoas – padres e leigos – sequestradas em diferentes partes do mundo.
Recordados também “os que deixaram as suas terras emigrando para lugares onde possam esperar um futuro melhor, viver a própria vida com dignidade e, não raro, professar livremente a sua fé.”
Na parte final da Mensagem pascal a todo o mundo, o Papa evocou as situações de guerra e de violências, nomeadamente a Síria, o Iraque, a Terra Santa, a República Centro-Africana, Nigéria, Sudão do Sul, Venezuela e Ucrânia…
Começando por pedir a “Jesus glorioso”, que “cesse toda a guerra, toda a hostilidade grande ou pequena, antiga ou recente”, prosseguiu o Papa Francisco, em tom de súplica:
“Suplicamo-Vos, em particular, pela Síria, para que quantos sofrem as consequências do conflito possam receber a ajuda humanitária necessária e as partes em causa cessem de usar a força para semear morte, sobretudo contra a população inerme, mas tenham a audácia de negociar a paz, há tanto tempo esperada.”
“Pedimo-Vos que conforteis as vítimas das violências fratricidas no Iraque e sustenteis as esperanças suscitadas pela retomada das negociações entre israelitas e palestinianos.
Imploramo-Vos que se ponha fim aos combates na República Centro-Africana e que cessem os hediondos ataques terroristas em algumas zonas da Nigéria e as violências no Sudão do Sul.
Pedimos-Vos que os ânimos se inclinem para a reconciliação e a concórdia fraterna na Venezuela.”
Finalmente a referência à Ucrânia, observando que este ano os católicos de rito latino celebram juntamente com as Igrejas que seguem o calendário juliano, o Papa pediu ao Senhor Ressuscitado “que ilumine e inspire as iniciativas de pacificação” e “que todas as partes interessadas, apoiadas pela Comunidade internacional, possam empreender todo esforço para impedir a violência e construir, num espírito de unidade e diálogo, o futuro do País”.
“Pedimo-Vos, Senhor, por todos os povos da terra: Vós que vencestes a morte, dai-nos a vossa vida, dai-nos a vossa paz!”
Cari fratelli e sorelle, buona Pasqua!
O Santo Padre a todos deu a sua especial bênção apostólica, a que está ligada, nesta circunstância, a indulgência plenária, nas condições previstas de conversão pessoal, absolvição sacramental e oração pelas intenções do Santo Padre.

Anteriormente, a partir das 10.15, o Santo Padre presidiu à solene Missa da Ressurreição, na Praça de São Pedro, com uma multidão incontável de fiéis. Coincidindo este ano a celebração da Páscoa nas comunidades de rito latino com a data da Páscoa nas comunidades que seguem o calendário juliano, a celebração papal de hoje incluiu também um antiquíssimo Cântico do património da liturgia pascal bizantina… que recordam as mulheres que vão ao Sepulcro para ungir o corpo de Jesus e recebem a boa nova de que o Senhor ressuscitou…

20 de abril de 2014 at 9:41 Deixe um comentário

Reflexão para o Sábado Santo

2014-04-19 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – Neste sábado, após os sofrimentos e a morte do Senhor na cruz, dirijamos nossa atenção, nossos olhares carinhosos para Maria, a Mãe de Jesus e nossa.
Ela se encontra na casa de João. O discípulo amado a levou para lá, após o sepultamento de Jesus, cumprindo uma de suas últimas palavra na cruz: “Mulher, eis aí o teu filho. Filho, eis aí tua Mãe.”
Vamos encontrá-la em um quarto retirado, meditando sobre a vida de seu querido filho. Ela o revê criancinha… Belém…Nazaré… a despedida antes da vida pública…Caná…e outros momentos caros ao seu coração, agora transpassado pela espada de que falara Simeão, quando da apresentação de Jesus no Templo. De fato ela agora é a Senhora das Dores. Tudo quanto ela “conservava em seu coração” e sobretudo o que viu na Paixão, ela revive.
Mas a solidão está cheia de fé e de esperança, do mesmo modo como está cheia de tristeza.
Maria fica de pé em sua fé intacta, inabalável como gostamos de dizer. Ela nunca teve as flutuações, as hesitações da fé dos discípulos.Seu filho acabou de sofrer. Está terminada a fase dolorosa da redenção.
Maria sabe que a Ressureeição é certa e está próxima. Recorda as palavras pelas quais Jesus anunciou sua Ressurreição.
Já no Calvário ela preseniou a aurora da ressurreição, da vida nova, dos efeitos da redenção através da conversão de Dimas, o ladrão que professou a fé em Jesus; através dadeclaração do centuriaão de que verdadeiramente Jesus era justo; através da atitude de todas as ppessoas que desciam do monte e voltavam para suas casas batendo no peito em sinal de arrependimento e contrição…Maria, em seu quarto, recebe os discípulo: Pedro, que chora sua fraqueza; João, que chora um amigo; os demais, que haviam fugido. Um a um eles retornam.
A Pedro ela ensina a humildade, a todos comunica sua paz, sua fé, sua esperança. Ela vive o papel de consoladora, que mais tarde Jesus ressuscitado exercerá magificamente. Ela reagrupa os amigos de Jesus, um após o outro. Será o grupo dos dias da Ressurreição, da Ascensão, de Pentecostes, da primeira comunidade cristã. Assim a Igreja vais se enraizando no mundo: um grupo de verdadeiros amigos de Jesus que crêem em sua Ressurreição.
Maria inaugura seu papel de Medianeira, de Mãe de cada cristão, depois de ter cumprido o papel histórico de co-redentora.
Nesta noite, a noite da grande vigília, a mais importante para os cristãos, faremos em nossas comunidades eclesiais a bênção do gfogo novo, com o qual se acenderá o Círio Pascal, sinal expressivo do Cristo Ressuscitado. As leituras que ouviremos nos farão a recapitulação de toda a História da salvação, em que o ápice é a Ressurreição de Cristo.Em muitas comunidades teremos o batismo de novos irmãos, que aceitaram dar o sim resposta ao sim proposta de Jesus. Será a aceitação da aliança de Jesus, para toda a vida. Renovemos também nossa entrega ao Senhor da Vida.
Feliz Páscoa!

19 de abril de 2014 at 11:55 Deixe um comentário

Papa: “Na Cruz, vemos a monstruosidade do homem quando se deixa guiar pelo mal”

 

2014-04-19 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – “Nosso Jesus, guia-nos da cruz à ressurreição e ensina-nos que o mal não terá a última palavra, mas o amor, a misericórdia e o perdão”: palavras pronunciadas pelo Papa Francisco ao final da Via-Sacra no Coliseu de Roma – uma meditação que não estava prevista.
Francisco evocou os sofrimentos provocados pela doença e o abandono e condenou as injustiças cometidas por “cada Caim contra o seu irmão”.
Após as 14 estações, Francisco disse que Deus colocou na cruz de Cristo o peso dos pecados da humanidade, “a amargura” da traição, a “vaidade” dos prepotentes, a “arrogância dos falsos amigos”.
“Era uma cruz pesada, como a noite das pessoas abandonadas, como a morte dos entes queridos”, afirmou, recordando todavia que era também “uma cruz gloriosa”, porque simboliza o amor de Deus, que é maior do que nossas injustiças e nossas traições.
“Na cruz vemos a monstruosidade do homem quando se deixa guiar pelo mal, mas também vemos a imensidão da misericórdia de Deus, que não nos trata segundo os nossos pecados, mas segundo a sua misericórdia”.
Diante da cruz de Jesus, vemos, quase tocando com as mãos, quanto somos amados eternamente por Deus – disse ainda o Pontífice, recordando que neste momento nos sentimos seus filhos e não ‘coisas’ ou objetos. [
Citando S. Gregório Nazianzeno, o Papa completou: “Nosso Jesus, guia-nos da cruz à ressurreição e ensina-nos que o mal não terá a última palavras, mas o amor, a misericórdia e o perdão. Todos juntos, recordemos os doentes, lembremos todas as pessoas abandonadas sob o peso da cruz, a fim de que encontrem na provação da cruz a força da esperança, da esperança da ressurreição e do amor de Deus”.
Injustiças, precariedade, desemprego: cerca de 40 mil fiéis acompanharam, no Coliseu, a procissão com os últimos do mundo, com os “novos crucificados”. Para Francisco, cada estação da Via-Sacra corresponde a uma ferida contemporânea: o peso da crise, os imigrantes, os doentes terminais, a exploração das mulheres, mas também a experiência da prisão, da tortura, da solidão.
As meditações foram propostas pelo Arcebispo de Campobasso-Boiano, Dom Giancarlo Bregantini, com o teve como tema “Rosto de Cristo, Rosto do Homem”.
A cruz foi carregada por cardeais, operários e empresários, imigrantes, sem-teto, detentos, mulheres, doentes, crianças e idosos.
Na cruz levada por Jesus até ao calvário, escreveu Dom Bregantini, estão “o peso de todas as injustiças que produziram a crise econômica, com as suas graves consequências sociais: precariedade, desemprego, demissões, dinheiro que governa em vez de servir, especulação financeira, suicídios de empresários, corrupção e usura, juntamente com empresas que deixam os países”.
O Arcebispo pediu que se chore “pelas mulheres escravizadas pelo medo e a exploração”, mas recordou que “não basta bater no peito e sentir comiseração”. As mulheres devem “ser tranquilizadas como Ele fez, devem ser amadas como um dom inviolável para toda a humanidade”.
Numa das estações, D. Giancarlo Bregantini criticou também as condenações e “acusações fáceis, os juízos superficiais entre o povo, as insinuações e os preconceitos que fecham o coração e se tornam cultura racista, de exclusão e de descarte”.
Segundo D. Giancarlo Bregantini, Jesus ensina a viver “não mais na injustiça, mas capazes, com a sua ajuda, de criar pontes de solidariedade e esperança”.
O texto fala ainda da dor de “toda mãe por seus filhos distantes, pelos jovens condenados à morte ou que partiram para a guerra, principalmente as crianças-soldado”, pelo filhos que morrem devido a incêndios de resíduos tóxicos ou viciados em droga e álcool.
Por fim, os detidos nos cárceres, com todas as suas desumanas contradições, como a burocracia, os suicídios, a lentidão da Justiça e a superlotação. Mais grave, no entanto, é a prática da tortura. “Em cada prisão, ao lado de cada torturado, está sempre Ele, o Cristo sofredor, encarcerado e torturado.”
(BF)

19 de abril de 2014 at 6:44 Deixe um comentário

18 de abril de 2014 at 17:30 Deixe um comentário

Celebração da Paixão do Senhor: a traição de Judas continua na história e o traído é sempre Jesus

 

2014-04-18 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco presidiu, na tarde desta Sexta-feira Santa, na Basílica Vaticana, a celebração da Paixão do Senhor, com o rito da Adoração da Cruz, que caracteriza esta celebração. Como habitual nesta ocasião, a homilia foi feita pelo pregador da Casa Pontifícia, Frei Raniero Cantalamessa.
“Estava com eles também Judas, o traidor.” A homilia do frei capuchinho partiu desta afirmação, frisando que a primeira comunidade cristã tem refletido muito sobre ele e que nós faríamos mal se não o fizéssemos o mesmo. Judas tem muito a nos dizer, destacou.
O religioso lembrou que “Judas não tinha nascido traidor e não o era quando foi escolhido por Jesus; tornou-se! Estamos diante de um dos dramas mais obscuros da liberdade humana. Por que se tornou?” – perguntou.
Frei Cantalamessa recordou que em anos não distantes tentou-se dar a seu gesto motivações ideais, outros pensaram que Judas estivesse desapontado com a maneira em que Jesus realizou a sua idéia do “reino de Deus” e que quisesse forçá-lo a agir no plano político contra os pagãos.
Os Evangelhos falam de um motivo muito mais terra-terra – observou: o dinheiro. Judas tinha a responsabilidade da bolsa comum do grupo; na ocasião da unção em Betânia havia protestado contra o desperdício do perfume precioso derramado por Maria aos pés de Jesus, não porque se preocupasse pelos pobres, assinala João, mas porque “era um ladrão e, como tinha a bolsa, tirava o que se colocava dentro”(Jo 12, 6). A sua proposta aos chefes dos sacerdotes é explícita: “Quanto estão dispostos a dar-me, se vo-lo entregar? E eles fixaram a soma de trinta moedas de prata” (Mt 26, 15).
Mas por que maravilhar-se desta explicação e achar que ela é banal? Não foi quase sempre assim na história e não é ainda assim hoje em dia? Mamona, o dinheiro, não é um dos muitos ídolos; é o ídolo por excelência; literalmente, “o ídolo de metal fundido” (cf. Ex 34, 17), frisou o pregador da Casa Pontifícia.
Quem é, nos fatos, o outro patrão, o anti-Deus, Jesus no-lo diz claramente: “Ninguém pode servir a dois senhores: não podeis servir a Deus e a Mamona” (Mt 6, 24). O dinheiro é o “deus visível”, em oposição ao verdadeiro Deus que é invisível.
Mamona é o anti-Deus, porque cria um universo espiritual alternativo, muda o objeto das virtudes teologais. Fé, esperança e caridade não são mais colocados em Deus, mas no dinheiro. Ocorre uma sinistra inversão de todos os valores. “Tudo é possível ao que crê”, diz a Escritura (Mc 9, 23); mas o mundo diz: “Tudo é possível para quem tem dinheiro”. E, em certo sentido, todos os fatos parecem dar-lhe razão.
Citando a Escritura, Frei Cantalamessa lembrou que “o apego ao dinheiro é a raiz de todos os males”. Por trás de todo o mal da nossa sociedade está o dinheiro, ou pelo menos está também o dinheiro.
O que está por trás do tráfico de drogas que destrói tantas vidas humanas, a exploração da prostituição, o fenômeno das várias máfias, a corrupção política, a fabricação e comercialização de armas, e até mesmo – coisa horrível de se dizer – a venda de órgãos humanos removidos das crianças? E a crise financeira que o mundo atravessou e que este país ainda está atravessando, não é, em grande parte, devida à “deplorável ganância por dinheiro”, o auri sacra fames, de alguns poucos? Judas começou roubando um pouco de dinheiro da bolsa comum. Isso não diz nada para certos administradores do dinheiro público?
Mas sem pensar nesses modos criminosos de ganhar dinheiro, por acaso, já não é escandaloso que alguns percebam salários e pensões cem vezes maiores do que daqueles que trabalham nas suas casas, e que já levantem a voz só com a ameaça de ter que renunciar a algo, em vista de uma maior justiça social?
Como todos os ídolos, o dinheiro é “falso e mentiroso”: promete a segurança e, em vez disso, a tira; promete a liberdade e, em vez disso, a destrói, ressaltou Frei Cantalamessa.
Após afirmar que o deus dinheiro se encarrega de punir, ele mesmo, os seus adoradores, o frei capuchinho recordou que “é possível trair Jesus também por outros tipos de recompensa que não sejam as trinta moedas de prata. Trai a Cristo quem trai a própria esposa ou o próprio marido. Trai a Jesus o ministro de Deus infiel ao seu estado, ou que, em vez de apascentar o rebanho apascenta a si mesmo. Trai a Jesus quem trai a própria consciência”.
O religioso franciscano observou que Judas tinha um atenuante que nós não temos. Ele não sabia quem era Jesus, considerava-o somente “um homem justo”; não sabia que era o Filho de Deus, nós sim.
O Evangelho descreve o fim horrível de Judas: “Judas, que o havia traído, vendo que Jesus tinha sido condenado, se arrependeu, e devolveu as trinta moedas de prata aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos, dizendo: pequei, entregando-vos sangue inocente. Mas eles disseram: O que nos importa? O problema é seu. E ele, jogando as moedas no templo, partiu e foi enforcar-se” ( Mt 27 , 3-5).
Mas não julguemos apressadamente, disse o pregador da Casa Pontifícia. Jesus nunca abandonou a Judas e ninguém sabe onde ele caiu quando se jogou da árvore com a corda no pescoço: se nas mãos de Satanás ou naquelas de Deus. Quem pode dizer o que aconteceu na sua alma naqueles últimos instantes? “Amigo”, foi a última palavra que Jesus lhe disse no horto e ele não podia tê-la esquecido, como não podia ter esquecido o seu olhar.
O destino eterno da criatura é um segredo inviolável de Deus. A Igreja nos garante que um homem ou uma mulher proclamados santos estão na bem-aventurança eterna; mas de ninguém a Igreja sabe com certeza que esteja no inferno.
Da mesma forma que procurou o rosto de Pedro depois de sua negação para dar-lhe o seu perdão, terá procurado também o de Judas em algum momento da sua via crucis! Quando da cruz reza: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23 , 34), não exclui certamente deles a Judas.
Então, o que faremos, portanto, nós? Quem seguiremos, Judas ou Pedro? – perguntou o religioso. Pedro teve remorso pelo que ele tinha feito, mas também Judas teve remorso, tanto que gritou: “Eu traí sangue inocente!”, e devolveu as trinta moedas de prata. Onde está, então, a diferença? Em apenas uma coisa: Pedro teve confiança na misericórdia de Cristo, Judas não! O maior pecado de Judas não foi ter traído Jesus, mas ter duvidado da sua misericórdia.
Se nós o imitamos, quem mais quem menos, na traição, não o imitemos nesta sua falta de confiança no perdão, exortou. Existe um sacramento no qual é possível fazer uma experiência segura da misericórdia de Cristo: o sacramento da reconciliação. Como é belo este sacramento! É doce experimentar Jesus como mestre, como Senhor, mas ainda mais doce experimentá-lo como Redentor: como aquele que te tira para fora do abismo.
Concluindo, o pregador da Casa Pontifícia recordou que Jesus sabe fazer de todas as culpas humanas, uma vez que nos tenhamos arrependido, “felizes culpas”, culpas que não são mais lembradas a não ser pela experiência da misericórdia e pela ternura divina da qual foram ocasião! (RL)

18 de abril de 2014 at 17:29 Deixe um comentário

Sexta-Feira Santa – Celebração da Morte de Jesus na Cruz

18 de abril de 2014 at 11:29 Deixe um comentário

A renúncia e a cruz na vida do cristão

 

2014-04-18 Rádio Vaticana

Rio de Janeiro (RV) - A cruz é o sinal do cristão! Esta afirmação pode parecer simples, mas tem profundidade teológica, pois quem busca um Cristo sem a cruz corre o risco de encontrar uma cruz (sofrimento) sem Cristo. Enquanto seguidor de Cristo, o cristão sabe que o Senhor é o Deus da vida a reinar glorioso, mas entende também que o sofrimento, em suas diversas naturezas, é inerente à vida humana e, por isso, o próprio Deus, embora não cause nem queira a dor, permite-a para fazer dela via de santificação e salvação.
Isso ensina o Papa emérito Bento XVI em sua catequese de 29 de outubro de 2008, ao tratar do mistério da cruz nos escritos do Apóstolo Paulo: “As primeiras comunidades cristãs, às quais São Paulo se dirige, sabem muito bem que Jesus já ressuscitou e está vivo; o Apóstolo quer recordar não apenas aos Coríntios ou aos Gálatas, mas a todos nós, que o Ressuscitado é sempre Aquele que foi crucificado. O ‘escândalo’ e a ‘loucura’ da Cruz encontram-se precisamente no fato de que onde parece existir somente falência, dor e derrota, exatamente ali está todo o poder do Amor ilimitado de Deus, porque a cruz é expressão de amor, e o amor é o verdadeiro poder que se revela precisamente nesta aparente debilidade”.
D. Estevão Bettencourt, OSB, escreve no editorial da revista Pergunte e Responderemos, nº 471, agosto de 2001, p. 1: “Ao considerar a sorte final do cristão, o Apóstolo o tem como co-herdeiro do Pai com Cristo, à condição de passar pela via régia por que passou o Senhor Jesus: a via da cruz “… contanto que compadeçamos para que sejamos também glorificados” (Rm 8,17). “O Senhor Jesus quis fazer do padecimento e da morte (consequências do pecado) a estrada real que leva à glória. Sofrer com Cristo é configurar-se ao Filho e tornar-se co-herdeiro do Pai”.
O cristão é “co-herdeiro do Pai com Cristo”, ou seja, todos nós que recebemos, no Batismo, o dom da fé cristã e a professamos no dia a dia somos cristãos. Deus quis, pelas águas batismais, tornar-nos filhos no Filho (Gl 4,5-7). Sim, o Filho por excelência é Jesus Cristo e é n’Ele, por Ele e para Ele que tudo foi criado, a fim de que em tudo fosse d’Ele a primazia (cf. Cl 1,15-20), mas o Senhor, de modo livre e gratuito, nos chamou a tomar parte nessa herança divina. Tornamo-nos, então, co-herdeiros: o Senhor Jesus, Filho de Deus, reparte conosco tudo o que o Pai lhe deu.
Isso, todavia, tem apenas uma condição: “passar pela via régia por que passou o Senhor Jesus: a via da cruz”. A cruz já não é mais um instrumento de vergonha, loucura ou escândalo como foi para os povos antigos, mas é, depois da paixão de Cristo, a via régia ou a estrada real que o Rei dos Reis e Senhor dos Senhores quis, voluntariamente, como novo homem, passar a fim de abrir-nos, com seu sacrifício redentor, as portas da salvação que o pecado do velho homem fechara.
Querer estar com o Senhor nos bons momentos é muito fácil, os próprios apóstolos e discípulos não ficaram imunes a essa terrível tentação. Tomemos apenas dois exemplos: a Transfiguração no Tabor (cf. Mc 9,2-8), cujo relato mostra Pedro, Tiago e João entusiasmados com o que viam: o Senhor Jesus envolto em glória acompanhado de Moisés e Elias, símbolos da Lei e dos Profetas do Antigo Testamento. Querem ficar ali, fazer tendas para os ilustres personagens. A eles nem um refúgio era necessário, já estavam felizes só de poderem contemplar tamanha maravilha.
Contudo, o Senhor, sem privá-los desse importante momento de gozo espiritual, chama-os à realidade convidando-os a descerem da montanha, voltarem para as atividades diárias, retomarem a cruz de cada dia e segui-Lo (cf. Lc 9,23). Também nós sofremos dessa tentação de querermos apenas o Senhor glorificado e desprezarmos o Cristo chagado, cuspido, desprezado… É nada mais nem menos do que a recusa da cruz e a busca apenas da glória. Tentação dos Apóstolos, tentação nossa!
Outro fato portentoso é a multiplicação de pães e peixes (cf. Jo 6,26s), depois da qual imensa multidão passou a seguir Jesus. O divino Mestre, no entanto, logo percebeu que seus muitos seguidores não estavam interessados na renúncia e no sacrifício corredentor que a vida cristã exige, mas, ao contrário, queriam apenas prosperidade material. Buscavam não o verdadeiro Senhor, que é, sim, poderoso e ressuscitado, mas tão-somente o Jesus taumaturgo ou milagreiro, capaz de satisfazer – às nossas ordens – todos os nossos desejos e caprichos.
Buscavam não o verdadeiro Deus, revelado plenamente em Jesus Cristo, que ensina a pedir confiante o pão de cada dia (cf. Mt 6,11), mas admoesta também a submetermo-nos ao projeto divino, cuja vontade deve ser feita (cf. Mt 26,39), mas procuravam o deus da magia, submisso aos seus desejos mais mesquinhos. Quem tem um deus assim, foge na hora do apuro, da cruz. Alguns discípulos que, confusamente, esperavam um Messias glorioso e dominador político que lhes daria tronos neste mundo, de modo que pudessem ficar um à sua direita e outro à sua esquerda podem, simbolicamente, representar cada cristão que não entende o mistério da cruz. Que é incapaz de compreender como Deus se fez homem e, sendo o governante de tudo, o Pantokrator, se submete às forças deste mundo e à morte de cruz. Esse Deus não pode ser seguido, mas, ao contrário, deve – na mentalidade dos que buscam apenas um Rei glorioso – ser abandonado (cf. Mc 14,37s) e a renegado (Lc 22,54-62).
No entanto, a ação do verdadeiro Deus não é assim, segundo relembra o Papa Bento XVI na catequese que já citamos, ao dizer que: “a Cruz revela ‘o poder de Deus’ (cf. 1 Cor 1, 24), que é diferente do poder humano; com efeito, revela o seu amor: ‘O que é considerado como loucura de Deus é mais sábio que os homens, e o que é tido como debilidade de Deus é mais forte que os homens’ (Ibid., v. 25). Há séculos de distância de Paulo, nós vemos que na história venceu a Cruz e não a sabedoria que se opõe à Cruz. O Crucifixo é sabedoria, porque manifesta verdadeiramente quem é Deus, ou seja, poder de amor que chega até à Cruz para salvar o homem. Deus serve-se de modos e de instrumentos que para nós, à primeira vista, parecem debilidade. O Crucifixo releva, por um lado, a debilidade do homem e, por outro, o verdadeiro poder de Deus, ou seja, a gratuidade do amor: precisamente esta total gratuidade do amor é a verdadeira sabedoria. São Paulo fez esta experiência até na sua carne, e disto dá-nos testemunho em várias fases do seu percurso espiritual, que se tornaram pontos de referência específicos para cada discípulo de Jesus: ‘Ele disse-me: basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que a minha força se revela plenamente’ (2 Cor 12, 9); e ainda. ‘Deus escolheu o que é fraco, segundo o mundo, para confundir o que é forte’ (1 Cor 1, 27). O Apóstolo identifica-se a tal ponto com Cristo que também ele, embora se encontre no meio de muitas provações, vive na fé do Filho de Deus que o amou e se entregou pelos pecados dele e de todos (cf. Gl 1, 4; 2, 20). Este dado autobiográfico do Apóstolo torna-se paradigmático para todos nós”.
“Contanto que compadeçamos para que sejamos também glorificados”. Duas expressões aí têm seu peso teológico e prático, uma delas é “compadecer-se”. Ora, o termo padecer se prende à raiz grega de pathos, que passou para o latim como passio, passionis, em português, paixão ou sofrimento. Logo, compadecer-se – cum + passio, nis – quer dizer padecer ou sofrer com… Daí uma importante questão: sofrer com quem? – Sofrer com Cristo, especialmente presente na pessoa do irmão necessitado a clamar por ajuda. Aliás, é o próprio São Paulo quem vai dizer: “completo em minha carne o que falta à paixão de Cristo” (Cl 1,24).
Isso, à primeira vista, pode parecer contraditório, pois a paixão do Senhor foi completa por si mesma, mas o que o Apóstolo quer nos dizer é que mesmo sendo completa, Jesus quis a nossa participação nela, dando-lhe uma moldura nova em nosso tempo. Eu aceito sofrer com Cristo ao assumir a minha cruz e ajudar, qual Cirineu, o meu irmão a carregar a cruz dele. Isso é reviver a Paixão do Senhor no compadecimento ou no sofrer junto aos que sofrem para melhor entender o sentido real da cruz.
Escreveu o Papa João Paulo II: “Do paradoxo da Cruz surge a resposta às nossas interrogações mais inquietantes. Cristo sofre por nós: Ele assume sobre si os sofrimentos de todos e redime-os. Cristo sofre conosco, dando-nos a possibilidade de partilhar com Ele os nossos sofrimentos. Juntamente com o de Cristo, o sofrimento humano torna-se meio de salvação. Eis por que o crente pode dizer com São Paulo: ‘Agora alegro-me nos sofrimentos que suporto por vós e completo na minha carne o que falta às tribulações de Cristo, pelo seu Corpo, que é a Igreja’ (Cl 1,24). O sofrimento, aceito com fé, torna-se a porta para entrar no mistério do sofrimento redentor do Senhor. Um sofrimento que já não priva da paz e da felicidade, porque é iluminado pelo esplendor da ressurreição” (Mensagem Dia Mundial do Doente, 11/2/2004).
Outra reflexão é sobre “ser glorificado”: “O Senhor Jesus quis fazer do padecimento e da morte (consequências do pecado) a estrada real que leva à glória”, ou seja, quem não passa pela cruz não chega à glória… Cristo abriu-nos as portas do Paraíso, mas quis (e quer) que nos esforcemos, com a sua graça, para chegar lá. Por isso a cruz é importante. Não uma cruz distante para todos, mas uma cruz próxima conforme entendeu São Paulo, segundo escreve Bento XVI na catequese já citada: “Na experiência pessoal de São Paulo há um dado incontestável: enquanto no início fora um perseguidor e recorrera à violência contra os cristãos, a partir do momento da sua conversão no caminho de Damasco passara do lado de Cristo crucificado, fazendo dele a sua razão de vida e o motivo da sua pregação. No encontro com Jesus, tornou-se-lhe claro o significado central da Cruz: compreendera que Jesus tinha morrido e ressuscitado por todos e por ele mesmo. Ambas as realidades eram importantes; a universalidade: Jesus morreu realmente por todos; e a subjetividade: Ele morreu também por mim. Portanto, na Cruz manifestou-se o amor gratuito e misericordioso de Deus. Paulo experimentou este amor em si mesmo (cf. Gl 2, 20) e, de pecador, tornou-se crente; de perseguidor, Apóstolo”.
Assumamos com Cristo a Cruz e encontraremos a verdadeira vida, caminhando com certeza para a Páscoa da Ressurreição.
Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

18 de abril de 2014 at 11:24 Deixe um comentário

O sofrimento de Cristo

2014-04-18 Rádio Vaticana

Belo Horizonte (RV) - O mundo cristão contempla no horizonte a paixão e morte de Jesus Cristo, o Filho de Deus, na Sexta-feira Santa. Assim, celebra o mistério da salvação e, com reverência amorosa, faz ecoar um silêncio que é a via única para entender o mais perfeito gesto de amor da história da humanidade. Só esse silêncio não dispersa a inteligência na tarefa de inspirar-se pelo amor verdadeiro de Deus, para compreender o sentido redentor do sofrimento de Cristo. O sentido dessa paixão é a salvação de todos, caminho para o entendimento sábio e adequado da dor que acompanha a humanidade. Compreendê-lo é indispensável para que as muitas dificuldades não apaguem a chama da esperança, obscurecendo a vida.
Indispensável é o desafio de considerar como essencial à natureza humana aquilo que nós exprimimos com a palavra “sofrimento”. As muitas dores manifestam a profundidade que é própria do homem. Assim, o sofrimento parece pertencer ao domínio da transcendência. Indica que a humanidade está, em certo sentido, “destinada” à busca pela superação e é chamada, de modo misterioso, a seguir esse percurso. Uma caminhada que só é possível a partir de uma sabedoria adequada. Enfrentar o sofrimento sem essa consciência pode fazer crescer as lutas e disputas que promovem o caos da desumanização, afetando, de modo particular, a realidade contemporânea.
Sofrer é inerente à condição terrena do homem; mas é importante compreender que, pela paixão de Cristo na Cruz, o Salvador realizou a redenção da humanidade. Não se pode, portanto, evitar ou tratar com indiferença a realidade da dor. Todos devem assumir o dever cristão de ir ao encontro de cada pessoa que sofre. Assim, o padecer humano deve suscitar compaixão e inspirar também respeito, pois guarda a grandeza de um mistério específico. Esse respeito particular por todo e qualquer sofrimento humano merece ser claramente compreendido como necessidade profunda do coração e exigência da fé. Somos chamados, pela fé, a estar junto a cada irmão que sofre. A dor de cada um, à luz da fé, iluminada pela paixão de Cristo Salvador, não pode ser simplesmente objeto de descrição.
Oportuno é recordar a palavra do Bem-Aventurado João Paulo II na sua Carta Apostólica sobre o sentido cristão das mais diversas dores. Ele sublinha que o “sofrimento é algo mais amplo e mais complexo do que a doença”. Lembra que a ciência e suas terapias não conseguem compreender e tratar todas as dores, que formam uma dimensão “enraizada na própria humanidade”. João Paulo II alerta que a dor espiritual acompanha sempre as aflições físicas e morais: “A amplidão do sofrimento moral e a multiplicidade das suas formas não são menores do que as do sofrimento físico; mas, ao mesmo tempo, o primeiro apresenta-se como algo mais difícil de identificar e de ser atingido pela terapia”.
Todo sofrimento é sempre causado pelo mal. Caberá a permanente interrogação a respeito desse mal como possibilidade de uma experiência com força de recuperar a sociedade contemporânea da grave crise moral que ela enfrenta. Diante de todo sofrimento, no combate ao mal que o causa, a solidariedade é a dinâmica indispensável para construir um caminho humanitariamente possível e justo. Nenhuma dor pode ser entendida e enfrentada senão pela sabedoria do amor. E a fonte inesgotável dessa sabedoria é Deus. Jesus Cristo na Cruz, marcante pelo silêncio de sua morte, é a revelação plena do amor divino. Pelo sofrimento redentor de Cristo, Ele atinge as raízes do mal, também existencial e histórico. Existe, pois, um Evangelho do Sofrimento como fonte de imprescindíveis lições para que a humanidade enfrente os seus desafios. O capítulo central desse Evangelho, a ser aprendido para superar todo mal, é o mistério do sofrimento de Cristo. Hoje, Sexta-feira Santa, é oportunidade para que todos compreendam melhor o sentido desse mistério e se fortaleçam no enfrentamento de todas as dores do mundo.
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte (MG)

18 de abril de 2014 at 7:14 Deixe um comentário

Páscoa da Ressurreição – Evangelho de São João 20, 1-9 – 20 \ 04 \ 14

 

1. No primeiro dia que se seguia ao sábado, Maria Madalena foi ao sepulcro, de manhã cedo, quando ainda estava escuro. Viu a pedra removida do sepulcro.

2. Correu e foi dizer a Simão Pedro e ao outro discípulo a quem Jesus amava: Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram!

3. Saiu então Pedro com aquele outro discípulo, e foram ao sepulcro.

4. Corriam juntos, mas aquele outro discípulo correu mais depressa do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro.

5. Inclinou-se e viu ali os panos no chão, mas não entrou.

6. Chegou Simão Pedro que o seguia, entrou no sepulcro e viu os panos postos no chão.

7. Viu também o sudário que estivera sobre a cabeça de Jesus. Não estava, porém, com os panos, mas enrolado num lugar à parte.

8. Então entrou também o discípulo que havia chegado primeiro ao sepulcro. Viu e creu.

9. Em verdade, ainda não haviam entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dentre os mortos.

 

 

“Com alegria nos reunimos para celebrar o acontecimento central da nossa fé. Cristo Ressuscitou! Vida nova se inicia: tristeza e desânimo pertencem ao passado; esperança e otimismo tomam conta de nossa existência. Jesus venceu a morte e permanece conosco para sempre” (Liturgia Diária).

O Papa Emérito Bento XVI disse que “a manhã de Páscoa trouxe-nos este anúncio antigo e sempre novo: Cristo ressuscitou! O eco deste acontecimento, que partiu de Jerusalém há vinte séculos, continua a ressoar na Igreja, que traz viva no coração a fé vibrante de Maria, a Mãe de Jesus, a fé de Madalena e das primeiras mulheres que viram o sepulcro vazio, a fé de Pedro e dos outros Apóstolos”.

O Papa Francisco ensinou: “Também nós, como as mulheres discípulas de Jesus que foram ao sepulcro e o encontraram vazio, nos podemos interrogar que sentido tenha este acontecimento (Lc 24, 4). Que significa o fato de Jesus ter ressuscitado? Significa que o amor de Deus é mais forte que o mal e a própria morte; significa que o amor de Deus pode transformar a nossa vida, fazer florir aquelas parcelas de deserto que ainda existem no nosso coração. E isto é algo que o amor de Deus pode fazer”.

O Catecismo (§652) ensina: “A ressurreição de Cristo é o cumprimento das promessas do Antigo Testamento e do próprio Jesus, durante a sua vida terrena . A expressão «segundo as Escrituras» indica que a ressurreição de Cristo cumpriu essas predições”.

A Palavra: “Eu vos transmiti primeiramente o que eu mesmo havia recebido: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado, e ressurgiu ao terceiro dia, segundo as Escrituras; apareceu a Cefas, e em seguida aos Doze”. ( 1 cor 15, 3-5)

O Beato João Paulo II disse que “nós também, homens e mulheres do vigésimo primeiro século, somos convidados a tomar consciência  desta vitória de Cristo sobre a morte,  revelada ás mulheres de Jerusalém a aos Apóstolos, quando chegaram temerosos no sepulcro.  A experiência destas testemunhas oculares, através da Igreja, chegou até nós”.

 “A primeira missão que as mulheres recebem do Ressuscitado é anunciar que Ele está vivo. A vitória de Cristo sobre a morte marca nossa existência e fundamenta nossa fé. Sua presença entre nós nos enche de alegria”. (Liturgia Diária)

 

Conclusão

Concluímos essa reflexão com as palavras do Papa Emérito Bento XVI: “A Páscoa não efetua qualquer magia. Assim como, para além do Mar Vermelho, os hebreus encontraram o deserto, assim também a Igreja, depois da Ressurreição, encontra sempre a história com as suas alegrias e as suas esperanças, os seus sofrimentos e as suas angústias. E todavia esta história mudou, está marcada por uma aliança nova e eterna, está realmente aberta ao futuro. Por isso, salvos na esperança, prosseguimos a nossa peregrinação, levando no coração o cântico antigo e sempre novo: «Cantemos ao Senhor: é verdadeiramente glorioso!”

 

Oração

“Ó Deus da vida e força dos que vos buscam, nosso coração vos canta exultante. Ressuscitastes vosso Filho para que Ele nos acompanhe em nossa vida, tornando-nos testemunhas alegres da ressurreição. Queremos eliminar de dentro de nós tudo o que nos impede de ser homens e mulheres novos, filhos e filhas da vossa ternura de Pai. Dai-nos comer o pão e beber o vinho da festa do vosso reino. Por Cristo, nosso Senhor. Amém”. (Liturgia Diária)

Do Papa Emérito Bento XVI: “Deixemo-nos guiar por Maria, que acompanhou o Filho divino pelo caminho da paixão e da cruz e participou, com a força da fé, na concretização do seu desígnio salvífico. Com estes sentimentos, formulo desde agora os votos mais cordiais de feliz e santa Páscoa a todos vós, aos vossos entes queridos e às vossas Comunidades”.

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

 

 

 

 

17 de abril de 2014 at 8:06 Deixe um comentário

Ungidos com o óleo da alegria!: na Missa Crismal desta Quinta-feira Santa, Papa recorda aos padres a “nossa alegria sacerdotal”

014-04-17 Rádio Vaticana

Eis o texto integral da homilia do Papa Francisco na Missa Crismal desta Quinta-feira Santa, na basílica de Sâo Pedro:
Amados irmãos no sacerdócio!
No Hoje de Quinta-feira Santa, em que Cristo levou o seu amor por nós até ao extremo (cf. Jo 13, 1), comemoramos o dia feliz da instituição do sacerdócio e o da nossa ordenação sacerdotal. O Senhor ungiu-nos em Cristo com óleo da alegria, e esta unção convida-nos a acolher e cuidar deste grande dom: a alegria, o júbilo sacerdotal. A alegria do sacerdote é um bem precioso tanto para si mesmo como para todo o povo fiel de Deus: do meio deste povo fiel é chamado o sacerdote para ser ungido e ao mesmo povo é enviado para ungir.
Ungidos com óleo de alegria para ungir com óleo de alegria. A alegria sacerdotal tem a sua fonte no Amor do Pai, e o Senhor deseja que a alegria deste amor «esteja em nós» e «seja completa» (Jo 15, 11). Gosto de pensar na alegria contemplando Nossa Senhora: Maria é «Mãe do Evangelho vivente, manancial de alegria para os pequeninos» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 288), e creio não exagerar se dissermos que o sacerdote é uma pessoa muito pequena: a grandeza incomensurável do dom que nos é dado para o ministério relega-nos entre os menores dos homens. O sacerdote é o mais pobre dos homens, se Jesus não o enriquece com a sua pobreza; é o servo mais inútil, se Jesus não o trata como amigo; é o mais louco dos homens, se Jesus não o instrui pacientemente como fez com Pedro; o mais indefeso dos cristãos, se o Bom Pastor não o fortifica no meio do rebanho. Não há ninguém menor que um sacerdote deixado meramente às suas forças; por isso, a nossa oração de defesa contra toda a cilada do Maligno é a oração da nossa Mãe: sou sacerdote, porque Ele olhou com bondade para a minha pequenez (cf. Lc 1, 48). E, a partir desta pequenez, recebemos a nossa alegria.
Na nossa alegria sacerdotal, encontro três características significativas: uma alegria que nos unge (sem nos tornar untuosos, sumptuosos e presunçosos), uma alegria incorruptível e uma alegria missionária que irradia para todos e todos atrai a começar, inversamente, pelos mais distantes.
Uma alegria que nos unge. Quer dizer: penetrou no íntimo do nosso coração, configurou-o e fortificou-o sacramentalmente. Os sinais da liturgia da ordenação falam-nos do desejo materno que a Igreja tem de transmitir e comunicar tudo aquilo que o Senhor nos deu: a imposição das mãos, a unção com o santo Crisma, o revestir-se com os paramentos sagrados, a participação imediata na primeira Consagração… A graça enche-nos e derrama-se íntegra, abundante e plena em cada sacerdote. Ungidos até aos ossos… e a nossa alegria, que brota de dentro, é o eco desta unção.
Uma alegria incorruptível. A integridade do Dom – ninguém lhe pode tirar nem acrescentar nada – é fonte incessante de alegria: uma alegria incorruptível, a propósito da qual prometeu o Senhor que ninguém no-la poderá tirar (cf. Jo 16, 22). Pode ser adormentada ou sufocada pelo pecado ou pelas preocupações da vida, mas, no fundo, permanece intacta como o tição aceso dum cepo queimado sob as cinzas, e sempre se pode renovar. Permanece sempre actual a recomendação de Paulo a Timóteo: reaviva o fogo do dom de Deus, que está em ti pela imposição das minhas mãos (cf. 2 Tm 1, 6).
Uma alegria missionária. Sobre esta terceira característica, quero alongar-me mais convosco sublinhando-a de maneira especial: a alegria do sacerdote está intimamente relacionada com o povo fiel e santo de Deus, porque se trata de uma alegria eminentemente missionária. A unção ordena-se para ungir o povo fiel e santo de Deus: para baptizar e confirmar, para curar e consagrar, para abençoar, para consolar e evangelizar. E, sendo uma alegria que flui apenas quando o pastor está no meio do seu rebanho (mesmo no silêncio da oração, o pastor que adora o Pai está no meio das suas ovelhas), é uma «alegria guardada» por este mesmo rebanho. Mesmo nos momentos de tristeza, quando tudo parece entenebrecer-se e nos seduz a vertigem do isolamento, naqueles momentos apáticos e chatos que por vezes nos assaltam na vida sacerdotal (e pelos quais também eu passei), mesmo em tais momentos o povo de Deus é capaz de guardar a alegria, é capaz de proteger-te, abraçar-te, ajudar-te a abrir o coração e reencontrar uma alegria renovada.
«Alegria guardada» pelo rebanho e guardada também por três irmãs que a rodeiam, protegem e defendem: irmã pobreza, irmã fidelidade e irmã obediência.
A alegria sacerdotal é uma alegria que tem como irmã a pobreza. O sacerdote é pobre de alegrias meramente humanas: renunciou a tantas coisas! E, visto que é pobre – ele que tantas coisas dá aos outros –, a sua alegria deve pedi-la ao Senhor e ao povo fiel de Deus. Não deve buscá-la ele mesmo. Sabemos que o nosso povo é generosíssimo a agradecer aos sacerdotes os mínimos gestos de bênção e, de modo especial, os Sacramentos. Muitos, falando da crise de identidade sacerdotal, não têm em conta que a identidade pressupõe pertença. Não há identidade – e, consequentemente, alegria de viver – sem uma activa e empenhada pertença ao povo fiel de Deus (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 268). O sacerdote que pretende encontrar a identidade sacerdotal indagando introspectivamente na própria interioridade, talvez não encontre nada mais senão sinais que dizem «saída»: sai de ti mesmo, sai em busca de Deus na adoração, sai e dá ao teu povo aquilo que te foi confiado, e o teu povo terá o cuidado de fazer-te sentir e experimentar quem és, como te chamas, qual é a tua identidade e fazer-te-á rejubilar com aquele cem por um que o Senhor prometeu aos seus servos. Se não sais de ti mesmo, o óleo torna-se rançoso e a unção não pode ser fecunda. Sair de si mesmo requer despojar-se de si, comporta pobreza.
A alegria sacerdotal é uma alegria que tem como irmã a fidelidade. Não tanto no sentido de que seremos todos «imaculados» (quem dera que o fôssemos, com a graça de Deus!), dado que somos pecadores, como sobretudo no sentido de uma fidelidade sempre nova à única Esposa, a Igreja. Aqui está a chave da fecundidade. Os filhos espirituais que o Senhor dá a cada sacerdote, aqueles que baptizou, as famílias que abençoou e ajudou a caminhar, os doentes que apoia, os jovens com quem partilha a catequese e a formação, os pobres que socorre… todos eles são esta «Esposa» que o sacerdote se sente feliz em tratar como sua predilecta e única amada e ser-lhe fiel sem cessar. É a Igreja viva, com nome e apelido, da qual o sacerdote cuida na sua paróquia ou na missão que lhe foi confiada, é essa que lhe dá alegria quando lhe é fiel, quando faz tudo o que deve fazer e deixa tudo o que deve deixar contanto que permaneça no meio das ovelhas que o Senhor lhe confiou: «Apascenta as minhas ovelhas» (Jo 21, 16.17).
A alegria sacerdotal é uma alegria que tem como irmã a obediência. Obediência à Igreja na Hierarquia que nos dá, por assim dizer, não só o âmbito mais externo da obediência: a paróquia à qual sou enviado, as faculdades do ministério, aquele encargo particular… e ainda a união com Deus Pai, de Quem deriva toda a paternidade. Mas também a obediência à Igreja no serviço: disponibilidade e prontidão para servir a todos, sempre e da melhor maneira, à imagem de «Nossa Senhora da prontidão» (cf. Lc 1, 39: meta spoudes), que acorre a servir sua prima e está atenta à cozinha de Caná, onde falta o vinho. A disponibilidade do sacerdote faz da Igreja a Casa das portas abertas, refúgio para os pecadores, lar para aqueles que vivem na rua, casa de cura para os doentes, acampamento para os jovens, sessão de catequese para as crianças da Primeira Comunhão… Onde o povo de Deus tem um desejo ou uma necessidade, aí está o sacerdote que sabe escutar (ob-audire) e pressente um mandato amoroso de Cristo que o envia a socorrer com misericórdia tal necessidade ou a apoiar aqueles bons desejos com caridade criativa.
Aquele que é chamado saiba que existe neste mundo uma alegria genuína e plena: a de ser tomado pelo povo que uma pessoa alguém ama até ao ponto de ser enviada a ele como dispensadora dos dons e das consolações de Jesus, o único Bom Pastor, que, cheio de profunda compaixão por todos os humildes e os excluídos desta terra, cansados e abatidos como ovelhas sem pastor, quis associar muitos sacerdotes ao seu ministério para, na pessoa deles, permanecer e agir Ele próprio em benefício do seu povo.
Nesta Quinta-feira sacerdotal, peço ao Senhor Jesus que faça descobrir a muitos jovens aquele ardor do coração que faz acender a alegria logo que alguém tem a feliz audácia de responder com prontidão à sua chamada. Nesta Quinta-feira sacerdotal, peço ao Senhor Jesus que conserve o brilho jubiloso nos olhos dos recém-ordenados, que partem para «se dar a comer» pelo mundo, para consumar-se no meio do povo fiel de Deus, que exultam preparando a primeira homilia, a primeira Missa, o primeiro Baptismo, a primeira Confissão… é a alegria de poder pela primeira vez, como ungidos, partilhar – maravilhados – o tesouro do Evangelho e sentir que o povo fiel volta a ungir-te de outra maneira: com os seus pedidos, inclinando a cabeça para que tu os abençoes, apertando-te as mãos, apresentando-te aos seus filhos, intercedendo pelos seus doentes… Conserva, Senhor, nos teus sacerdotes jovens, a alegria de começar, de fazer cada coisa como nova, a alegria de consumar a vida por Ti.
Nesta Quinta-feira sacerdotal, peço ao Senhor Jesus que confirme a alegria sacerdotal daqueles que têm muitos anos de ministério. Aquela alegria que, sem desaparecer dos olhos, pousa sobre os ombros de quantos suportam o peso do ministério, aqueles sacerdotes que já tomaram o pulso ao trabalho, reúnem as suas forças e se rearmam: «tomam fôlego», como dizem os desportistas. Conserva, Senhor, a profundidade e a sábia maturidade da alegria dos sacerdotes adultos. Saibam orar como Neemias: a alegria do Senhor é a minha força (cf. Ne 8, 10).
Enfim, nesta Quinta-feira sacerdotal, peço ao Senhor Jesus que brilhe a alegria dos sacerdotes idosos, sãos ou doentes. É a alegria da Cruz, que dimana da certeza de possuir um tesouro incorruptível num vaso de barro que se vai desfazendo. Saibam estar bem em qualquer lugar, sentindo na fugacidade do tempo o sabor do eterno (Guardini). Sintam a alegria de passar a chama, a alegria de ver crescer os filhos dos filhos e de saudar, sorrindo e com mansidão, as promessas, naquela esperança que não desilude.

17 de abril de 2014 at 7:58 Deixe um comentário

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