Abri no deserto um caminho para o Senhor – Segundo Domingo do Advento – Marcos 1, 1-8

1 de dezembro de 2011 at 8:43 Deixe um comentário


Segundo domingo do Advento - O Beato João Paulo II disse: “Advento quer dizer “vinda” e quer dizer também “encontro”. Deus, que vem, aproxima-se do homem, para o homem se encontrar com Ele e se tornar fiel a este encontro. Para que n’Ele fique, até ao fim”.

No período do Advento encontramos quatro figuras bíblicas que marcam esse período:
-O profeta Isaías que anima, consola e dá esperança ao povo com o anúncio da vinda do Messias;
-João Batista, o último dos profetas, que veio “preparar o caminho” para a vinda do Senhor;
-Maria Santíssima, a bem aventurada, que através do seu “sim” a Deus, o Salvador veio até nós;
-E São José, homem bom e justo que por ser da descendência “de Davi”, possibilitou a paternidade querida por Deus para seu Filho Unigênito.

A liturgia desse domingo ressalta a figura de João Batista, o precursor. João Batista foi escolhido por Deus Pai para levar as pessoas a buscar o arrependimento de seus pecados e, assim abrir o coração para a chegada do Filho, o Salvador Jesus Cristo. João Batista foi citado pelos quatro evangelistas Mateus, Marcos, Lucas e João, que recordaram as palavras dirigidas a ele pelo profeta Malaquias (3,1): “Vou mandar o meu mensageiro para preparar o meu caminho”; e pelo profeta Isaías (40, 3-4): “Uma voz exclama: Abri no deserto um caminho para o Senhor, traçai reta na estepe uma pista para nosso Deus. Que todo vale seja aterrado, que toda montanha e colina sejam abaixadas: que os cimos sejam aplainados, que as escarpas sejam niveladas!”

Versículo 1a: “Princípio da boa nova de Jesus Cristo, Filho de Deus” – O Catecismo (422) explica sobre a vinda de Jesus, gerado no seio da Virgem Maria, e a Boa nova da Salvação que Ele veio trazer. “Esta é a «Boa-Nova de Jesus Cristo, Filho de Deus: “Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher e sujeito à Lei, para resgatar os que estavam sujeitos à Lei e nos tornar seus filhos adotivos” (Gl 4, 4-5). Deus visitou o seu povo e cumpriu as promessas feitas a Abraão e à sua descendência fê-lo para além de toda a expectativa: enviou o seu «Filho muito-amado”.

João Batista anunciou a boa nova – a vinda do Salvador e, convidou o povo a mudar de vida para receber a salvação em Jesus. Hoje cabe à Igreja anunciar a Boa nova. Jesus Cristo apareceu aos onze Apóstolos (a Igreja ali reunida) e disse: “Assim é que está escrito, e assim era necessário que Cristo padecesse, mas que ressurgisse dos mortos ao terceiro dia. E que em seu nome se pregasse a penitência e a remissão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sois as testemunhas de tudo isso. Eu vos mandarei o Prometido de meu Pai; entretanto, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto”. (Lc 24, 46-49) Foi o que João Batista fez para preparar a vinda de Jesus e assim também devemos evangelizar.

O Beato João Paulo II disse que “a Igreja é a mensageira da Boa Nova de Jesus Cristo, proclamada em base a dois lemas fundamentais; “Revesti-vos do homem novo”, e “Reconciliai-vos com Deus”.

Versículos 1b-2: “Conforme está escrito no profeta Isaías: Eis que envio o meu anjo diante de ti: ele preparará o teu caminho”- Foram esses os passos dados por João Batista para preparar as pessoas de sua época para a chegada do Messias: Convidou a todos que confessassem seus pecados; se convertessem; e fossem batizados no Espírito Santo. É importante especialmente nesse período que antecede o Natal, buscarmos um confessor para nos preparar adequadamente para o Natal.

Versículo 3: “Uma voz clama no deserto: Traçai o caminho do Senhor, aplanai as suas veredas” – O pecado é o obstáculo que temos que transpor para termos um encontro com Deus. Endireitar o caminho e aplainar as veredas é sair da vida de pecado e buscar uma vida nova no Espírito Santo. O Beato João Paulo II nos ensinou que no Advento, todos nós devemos “guiados pela convicção a respeito da presença de Deus quanto às nossas vidas, preparar o caminho para Ele, removendo de tal caminho tudo o que torna difícil ou mesmo impossível o encontro; para podermos sempre voltar a Ele!”

“Uma voz clama no deserto” (V.3a): Algumas vezes nossa vida está como um deserto, mas Deus quer habitar plenamente em nosso coração e transformar o deserto em jardim bem irrigado. Mas para isso precisamos nos abrir ao Espírito Santo, que preenche o nosso coração de amor, paz, alegria…

Versículos 4-5: “João Batista apareceu no deserto e pregava um batismo de conversão para a remissão dos pecados. E saíam para ir ter com ele toda a Judéia, toda Jerusalém, e eram batizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados” – Através de sua pregação, João Batista levou muitas pessoas a mudarem de vida. Que nesse Advento nos aproximemos cada vez mais de Deus, que nos convertamos. O Papa Bento XVI explicou que converter-se, é: “não viver como vivem todos, não fazer como fazem todos, não sentir-se justificados em ações duvidosas, ambíguas, perversas simplesmente porque há quem o faça; começar a ver a própria vida com os olhos de Deus, portanto procurar o bem, mesmo se não é agradável; não apostar no juízo da maioria, mas no juízo de Deus por outras palavras: procurar um novo estilo de vida, uma vida nova”.

A conversão para ser verdadeira, compreende um novo jeito de nos relacionarmos com o irmão. Relacionamento feito de amor, misericórdia e perdão. O Papa Bento XVI resumiu bem o sentido desse novo jeito de viver: “O eu abre-se de novo ao tu, em toda a sua profundidade, e desta forma nasce um novo Nós.”

Versículo 6: “João andava vestido de pelo de camelo e trazia um cinto de couro em volta dos rins, e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre” – João Batista vivia em extrema pobreza no deserto e pregava às margens do Rio Jordão a Palavra de Deus, convidando a todos ao arrependimento e à confissão dos pecados. E batizava a quem lhe procurava. Como profeta ele sabia da iminente vinda do Messias, por isso a insistência do chamado à conversão.

O Beato João Paulo II perguntou: “Quem é João Batista? Em primeiro lugar, é um crente empenhado em primeira pessoa num exigente caminho espiritual, feito de escuta atenta e constante da Palavra de salvação. Além disso, ele testemunha um estilo de vida desapegado e pobre; demonstra grande coragem ao proclamar a todos a vontade de Deus, até às extremas consequências. Não cede à fácil tentação de assumir um papel fundamental, mas com submissão humilha-se a si próprio para exaltar Jesus”.

Versículo 7: “Depois de mim vem outro mais poderoso do que eu, ante o qual não sou digno de me prostrar para desatar-lhe a correia do calçado. Eu vos batizei com água; ele, porém, vos batizará no Espírito Santo.” Com essas palavras João Batista apresentou Jesus, dando –Lhe honras e glórias devidas. Fez-se pequenino para exaltar o Salvador. Essa deve ser a verdadeira postura do anunciador do Evangelho de Jesus Cristo.

O Catecismo (719) diz que João Batista “é mais do que um profeta. Nele, o Espírito Santo consuma o “falar pelos profetas”. João termina o ciclo dos profetas inaugurado por Elias. Anuncia como iminente a consolação de Israel; é ele a «voz» do Consolador que vai chegar. Tal como fará o Espírito da verdade, «ele vem como testemunha, para dar testemunho da Luz» (Jo 1, 7)”. Numa certa ocasião Jesus exaltou João Batista, dizendo: “Entre os filhos de mulher, ninguém ultrapassa João Batista”. (Lc 7,28)

João Batista anuncia a Palavra. Jesus é a “Palavra”. Jesus Cristo é a Palavra que se fez carne e habitou entre nós (Jo 1, 14). O Papa Bento XVI disse: “O próprio Jesus é a Palavra divina que se fez carne no seio virginal de Maria: nele, Deus revelou-se plenamente, disse-nos e deu-nos tudo, abrindo-nos os tesouros da sua verdade e da sua misericórdia”. E Santo Ambrósio também disse: “Portanto a Palavra desceu, a fim de que a terra, que antes era um deserto, produzisse os seus frutos para nós”.

Versículo 8: “Eu vos batizei com água; ele, porém, vos batizará no Espírito Santo” - Jesus Cristo nos batiza no Espírito para renascermos em Deus, isto é, sermos novas criaturas. Jesus explicou a Nicodemos como podemos renascer: “Em verdade, em verdade te digo: quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus”. (Jo 3, 5)

O Papa Bento XVI disse que “o que Jesus iniciou é uma humanidade nova, que vem “de Deus”, mas ao mesmo tempo brota nesta nossa terra, na medida em que se deixa fecundar pelo Espírito do Senhor. No Tempo do Advento, também nós somos chamados a ouvir a voz de Deus, que ressoa no deserto do mundo através das Sagradas Escrituras, sobretudo quando são pregadas com a força do Espírito Santo.”

Concluímos essa reflexão com as palavras proferidas pelo Beato João Paulo II: “Ecoa de geração em geração o grito de João Batista. Como é urgente e atual este apelo, a nível tanto pessoal como social! Deus deseja vir habitar com os homens de todos os tempos e lugares, e chama-os a cooperar com Ele na obra da salvação. Como? «Corrigindo» as injustiças; «enchendo» os vazios de bondade, de misericórdia, de respeito e compreensão; «abatendo» o orgulho, as barreiras, as violências; «aplanando » tudo o que impede às pessoas uma vida livre e digna. Só deste modo nos preparamos para celebrar de modo autêntico o Natal.”

Oremos nesse Segundo Domingo do Advento, com o Papa Bento XVI, pedindo a intercessão da Virgem Maria:

À Virgem Maria, em cujo seio habitou o Filho do Altíssimo, pedimos que nos ampare neste caminho espiritual, para acolher com fé e com amor a vinda do Salvador. Neste tempo de Advento, no qual somos chamados a alimentar a nossa expectativa do Senhor e a acolhê-lo no meio de nós, convido-vos a rezar por todas as situações de violência, intolerância e sofrimento que existem no mundo, para que a vinda de Jesus traga conforto, reconciliação e paz.

A “voz” do grande profeta pede que preparemos o caminho ao Senhor que vem, nos desertos de hoje, desertos exteriores e interiores, sequiosos da água viva que é Cristo. Guie-nos a Virgem Maria a uma verdadeira conversão do coração, para que possamos fazer as opções necessárias para sintonizar as nossas mentalidades com o Evangelho.

Na Igreja está sempre em ato uma luta entre o deserto e o jardim, entre o pecado que torna a terra árida e a graça que a irriga a fim de que venha a produzir frutos abundantes de santidade. Portanto, oremos à Mãe do Senhor a fim de que nos ajude, neste tempo do Advento, a “endireitar” as nossas veredas, deixando-nos orientar pela Palavra de Deus.Amém.

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

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